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segunda-feira, abril 20, 2015

Lane Craig e Moreland: Estrutura da Justificação (Coerentismo)

Já vimos como os autores tratam a questão do fundacionalismo, agora vamos ver como eles apresentam o COERENTISMO. 

Entre os coerentistas se destacam F H Bradley, Brand Blanshard,  Keith Lehrer e Nicholas Rescher. 

a essência do coerentismo é de que não existem assimetrias entre crenças básicas e crenças não-básicas. Todas as crenças estão no mesmo patamar umas em relação às outras, e a fonte principal da justificação é o fato de que crença coere adequadamente com outras crenças na estrutura noética de uma pessoa.

Existem outros dois tipos de coerentismo que são associados com as teorias da justificação da coerência:

Teoria de coerência da crença ou significado: afirmam de uma maneira ou de outra, o conteúdo de uma crença, a coisa que faz da crença o que ela é, é o papel que a crença desempenha em um completo de sistema de crenças.

Teoria da coerência da verdade: a noção de que uma proposição é verdadeira se, e somente se, ela fizer parte de um conjunto coerente de proposições. (em oposição a esta, existe a  Teoria da correspondência da verdade: a noção de que a verdade de uma proposição é uma função da sua correspondência com o mundo externo). 

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Coerentismo e a pressuposição doxástica.

A pressuposição doxástica refere-se à visão de que o único fator que justifica uma crença para uma pessoa são as outras crenças que ela possui.  As experiências sensoriais em si não desempenham papel na fundamentação das crenças,  mesmo nas crenças perceptivas, e, de maneira geral, uma crença não recebe qualquer justificação com base em seu relacionamento com a experiência.  Os fatores externalistas também

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Para o coerentista não há uma crença básica ou privilegiada que sirva como fundação para a justificação de outras crenças, mas que não precisam de justificação de outras crenças.

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A Natureza da Própria Coerência

a justificação de uma crença é dada pela maneira como ela coere com outras crenças na estrutura noética de alguém.

"Os coerentistas se dividem quanto às suas visões da questão do que é exatamente a coerência. Desse modo, são semelhantes  aos fundacionalistas que têm se dividido quanto à melhor descrição da justificação nos relacionamentos entre as crenças básicas e não básicas. Quase todos os coerentistas concordam que a coerência deve, ao menos, significar consistência lógica, ou seja, um conjunto de crenças  não pode conter explícita "(PAG 159)

coerência de acarretamento: um conjunto de crenças somente é coerente se cada membro do conjunto for acarretado por todos os outros membros do conjunto.

coerência explanatória: cada membro de um conjunto de crenças ajuda a explicar e é explicado pelos outros membros do conjunto.

coerência da probabilidade: um conjunto de crenças é coerente somente se ele não incluir a crença em P caso a crença em P seja improvável.

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Coerentismo positivo e negativo

De acordo com o primeiro, se uma crença coere com um conjunto de crenças, então isso dá justificação positiva à crença. Aqui, as razões positivas são exigidas antes que uma crença possa ser justificada, e a coerência fornece a justificação.

O coerentismo negativo, se uma crença deixa de coerir com um conjunto de crenças, então a crença é injustificada. Aqui, as crenças são inocentes até que se provem culpadas, ou seja, elas são justificadas até um certo grau a não ser que fracassem no teste da coerência.
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Coerentismo forte e fraco: 
As teorias da coerência fraca implicam que a coerência nada mais é do que uma determinante da justificação e, assim, o coerentismo fraco é compatível com as versões do fundacionalismo que permitem à coerência desempenhar um papel na justificação. A coerência forte estabelece que a coerência é a única determinante na justificação.

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Coerentismo linear e holístico:
Linear, as crenças são justificadas por outras crenças individuais numa cadeia linear e circular. O  holístico afirma que com objetivo de uma pessoa S ser justificada por acreditar em P, P deve deve estar numa relação de coerência com o conjunto de tudo aquilo que a pessoa S acredita.  É o padrão completo de interligação e coerência mútua que fornece a justificação.

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OBJEÇÕES AO COERENTISMO

1- Existe uma objeção que se concentra na circularidade viciosa e na implausibilidade das visões da coerência sobre a transferência de justificação de uma crença para outra.


2- O problema do isolamento: as teorias de coerência extipariam a justificação do mundo exterior e da maneira como o mundo realmente é. A justificação é simplesmente uma função das relações internas entre crenças dentro da estrutura noética de uma pessoa.

Em resposta, eles dizem que alguns abandonaram a teoria da correspondência da verdade e adicionaram uma teoria da coerência da verdade a uma teoria da coerência da justificação.

Outra resposta é que é incoerente a noção de um mundo teoricamente independente ou de algo que tem sido chamado "a forma de ser do mundo", obtida com base na perspectiva dos olhos de Deus, para os autores, o problema com essa reposta é que ela não deixa espaço para que o mundo exterior- por exemplo, nossa consciência direta sobre ele- desempenhe um papel racional em justificar as nossas crenças, e é esse papel que é de relevância para a epistemologia.

3. Objeção de Pluralidade: seria possível haver dois ou mais conjuntos igualmente coerentes de crenças que poderiam, todavia, ser logicamente incompatíveis um com o outro.





domingo, abril 19, 2015

William Lane Craig/ JP Moreland: A Estrutura de Justificação

No quinto capítulo de Filosofia e Cosmovisão Cristã, os autores vão falar sobre a estrutura da justificação

Algumas notas de leitura:

estrutura nóetica representa todo o conjunto de proposições nas quais uma pessoa pessoa S acredita, juntamente com várias relações epistemológicas  que estão em uso entre as próprias crenças.

O fundacionalismo e o coerentismo são teorias normativas sobre como uma estrutura noética deve ser constituída de modo que as crenças daquela estrutura sejam justificadas para a pessoa que possui tal estrutura. 

Para o fundacionalista, as cadeias epistêmicas de justificação param diante de crenças que não são justificadas com base em outras crenças. Para o coerentista, uma crença só pode ser justificada por outras crenças, especificamente o fato de que a crença em questão mantém coerência com as outras crenças da maneira certa.
lembrando que as sensações não são proposicionais, mas as crenças sim.

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FUNDACIONALISMO

Roderick Chisholm, Robert Audi e Alvin Plantinga.

"o fundacionalista nota uma divisão básica entre as crenças que aceitamos justificadas na evidência de outras crenças em oposição às que aceitamos justificadamente num modo básico, ou seja, completamente sem o apoio de outras crenças" (PAG 145)

Para eles, todas as crenças são básicas ou não-básicas, as primeiras são imediatamente justificadas, enquanto que as não-básicas são mediatamente justificadas de alguma maneira pelo relacionamento mantido com crenças básicas.

1o. Existem crenças que são chamadas de crenças apropriadamente básicas

2o. Somente as crenças sensoriais ou aquelas sobre as verdades da razão devem ser permitidas entre as fundações.

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Diferenças quanto ao que pertence às fundações:

O antigo, abraçado por Aristóteles e Tomás de Aquino é a visão de que certas crenças sensoriais são evidentes aos sentidos e devem ser consideradas fundacionais, crenças que são sobre objetos que existem em um mundo externo fora da consciência do sujeito que a vê.

O clássico moderno, de Descartes a Chisholm, sustenta que as crenças que não são sobre objetos exteriores, mas sobre propriedades auto-apresentadas, i.e., atributos psicológicos, como estados sensoriais ou estados de pensamento, ou modos de consciência internos ao próprio sujeito que experimenta.


Outra diferença é em relação à força da justificação:

O fundacionalismo forte é a visão na qual as crenças fundamentais são infalíveis, certas. 

Os fundacionalistas fracos negam que as crenças fundacionais devam ter uma condição epistêmico tão forte. Pra eles, as crenças fundacionais devem ser simplesmente justificadas prima facie, quando não encontra uma boa razão para não agir assim.

Diferença quanto às condições necessárias para uma crença básica ser considerada como apropriadamente básica.

internalismo:  afirma que as condições apropriadamente básicas são internas ao conhecedor.

Outros fundacionalistas defendem o externalismo, segundo o qual os fatores que fundamentam a justificação de uma crença apropriadamente básica não são aqueles aos quais o sujeito tenha acesso interno; talvez seja causada ou produzida de determinado modo.


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Relacionamento entre as crenças básicas e não-básicas.

Relacionamento basal.

Relação irreflexiva, se a própria coisa não pode manter essa relação consigo mesmo,i.e., "maior que" é irreflexivo, uma vez que nada é maior que si mesmo.

Relação assimétrica quando dada duas coisas A e B, se A mantém determinada relação com B, então B não mantém a mesma relação com A.
Por exemplo, "maior que" é assimétrico. Já, "do mesmo tamanho que" é simétrico.


Uma questão é levantada quanto a força do relacionamento basal, historicamente, alguns afirmam que a relação entre uma crença básica e uma não básica é a da certeza dedutiva- as crenças básicas acarretam a verdade das crenças não-básicas.  Hoje,se fala mais num relacionamento indutivo, já que a verdade da crença básica pode não levar a verdade da crença não-básica.

Os fundacionalistas permitem que a existência da noção de coerência desempenhe um papel na justificação. Primeiro, se o conjunto de crenças de uma pessoa é incoerente, digamos que ele possua uma contradição lógica-então isso pesa negativamente para aquele conjunto de crenças. Segundo, "cada membro de um conjunto de crenças pode conferir certa base a uma crença não-básica, mas se no conjunto todo de crenças básicas ela coerirem adequadamente umas com as outras, isso aumenta o apoio positivo de que essas crenças dão à crença não-básica." (pag. 149)

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Argumentos a favor do Fundacionalismo.


"O coerentismo não dá espaço para que a própria experiência contribua para a justificação de nossas crenças ( uma vez que os coerentistas afirmam que as crenças e apenas as crenças conferem justificação), e ele não consegue opinar sobre o pepel especial que as crenças perceptivas ( a crença de alguém ouve um farfalhar) ou as experiências sensoriais desempenham na justificação" (PAG 150)


Os coerentistas afirmam que qualquer coisa que seja tomada para justificar imediatamente uma crença só pode fazê-lo se uma pessoa tiver um argumento que justifique a idéia de que o alegado fator imediato é capaz de funcionar como um justificador imediato. Os fundacionalistas respondem que não há razão suficiente para pensar a justificação de metanível seja exigência para justificar aquilo que parece ser o justificador imediato de uma crença. Uma experiência sensorial ou uma crença perceptiva podem justificar uma crença não-básica sem a construção do argumento para o fato.


Alguns coerentistas afirmam que naquilo que se refere à psicologia, as experiências sensoriais são possíveis sem que haja crenças.  A prioridade psicológica da experiência sensorial das crenças perceptivas é ad hoc numa teoria da justificação coerentista, argumentam os fundacionalistas, mas se encaixa naturalmente numa visão fundacionalista. 


Verdades da razão
certos tipos de conhecimento a priori, especificamente nosso conhecimento de verdades de razão auto-evidentes, se encaixam  melhor no fundacionalismo do que no coerentismo. 



Argumento da regressão
a ideia fundacionalista de uma crença básica perceptiva ou de uma experiência sensorial é um tipo de motor não-movido, ela confere justificação a outras crenças sem necessitar que lhe seja conferida justificação por alguma outra coisa mais.

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aRGUMENTOS cONTRA o  fUNDACIONALISMO.

A principal objeção ao fundacionalismo clássico é a afirmação de que simplesmente não existem crenças incorrígiveis. Os fundacionalistas  respondem de duas formas: Alguns aceitam a crítica e adotam o fundacionalismo fraco, que considera as crenças básicas justificáveis prima facie, e não incorrigíveis. Já, há outros que reafirmam a existência de crenças incorrígiveis.



Toda a percepção é teoricamente subordinada.
Esse argumento se baseia na noção que não existe ver sem ver como ou ver que, portanto, não existem experiências sensoriais básicas, dado não interpretados, nada meramente dado à consciência.