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terça-feira, agosto 18, 2015

D. Martyn Lloyd-Jones: Conhecer a Deus e pecado

 O homem foi criado para conhecer a Deus. Então a pergunta é: vocês conhecem a Deus? Não estou perguntando se vocês crêem em Deus, ou se crêem em certas coisas sobre Ele. Ser um cristão significa ter a vida eterna, e como o Senhor Jesus disse em João 17:3: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Então o teste que devemos aplicar a nós mesmos não é perguntar se fizemos isto ou aquilo. Meu teste é um teste positivo: "Eu conheço a Deus? Jesus Cristo é real para mim?" Não estou perguntando se vocês sabem coisas a respeito de Deus, mas se conhecem a Deus, se se alegram em Deus, se Deus é o centro de suas vidas, a alma do seu viver, a fonte da sua maior alegria? Ele deve ser. Ele criou o homem para isso −para que habitasse em comunhão com Deus, e se regozijasse nEle, e andasse com Deus. Nós fomos criados para isso, e se não estamos vivendo assim, isso é pecado. Isso é a essência do pecado. Não temos o direito de não ser assim. Isso é pecado, em sua forma pior e mais profunda. A essência do pecado, em outras palavras, é que não vivemos inteiramente para a glória de Deus. Naturalmente, ao cometer certos pecados, agravamos a nossa culpa diante de Deus, mas vocês podem ser inocentes de qualquer dos pecados mais vis, e ainda assim serem culpado desse terrível pecado −de estarem satisfeitos com suas próprias vidas, de terem orgulho das suas realizações, e de olharem para os outros com superioridade, sentindo que são melhores do que eles. Não há coisa pior do que isso, porque vocês estão dizendo a si mesmos que de certa forma estão mais perto de Deus do que os outros, quando na verdade não estão. Se esta é sua atitude, vocês são como o fariseu no templo, que agradeceu a Deus por não ser como aquele outro homem −"esse publicano". O fariseu nunca tinha visto sua necessidade de perdão, e não há pecado mais terrível do que esse. Não sei de nada pior do que um homem que diz: "Saiba que nunca realmente senti que sou um pecador". Esse é o cúmulo do pecado, pois significa que essa pessoa nunca compreendeu a verdade sobre Deus e sobre si mesma. Leiam o argumento do apóstolo Paulo, e perceberão que sua lógica não é apenas inevitável, mas também irrespondível. "Não há um justo, nem um sequer". "Sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus". Se nunca reconheceram a própria culpa ou pecaminosidade diante de Deus, nunca vão ter alegria em Cristo. É impossível. Jesus não veio salvar justos, e sim pecadores. "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes". Aí está o primeiro princípio −convicção de pecado. Meu amigo, se você não tem convicção de pecado, e se não reconhece que é indigno diante de Deus, que está condenado e que é um fracasso completo aos olhos de Deus, não preste atenção a mais nada até que tenha isto, até que chegue a essa compreensão, porque você nunca terá alegria, e nunca vai se livrar da sua depressão até que entenda isso. Convicção de pecado é um ponto preliminar essencial a uma verdadeira experiência de salvação.


Depressão Espiritual, cap. 2

quinta-feira, agosto 13, 2015

Filipenses 1:3-7: A Boa Obra de Deus em Nós.


FILIPENSES:1-3-7:  3   Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós,  4   fazendo, sempre com alegria, oração por vós em todas as minhas súplicas,  5   pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora.  6   Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo.  7   Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho.


PASSADO

Paulo começa lembrando e agradecendo a Deus por tudo que Ele fez na igreja de Filipos, até o verso 5, a ênfase do apóstolo está nos fatos do passado, como Deus tem sido presente naquela comunidade.


PRESENTE E FUTURO.

O verso 6 é bem conhecido de todos e Paulo começa a falar tanto do passado mas também, principalmente, do futuro, do dia de Jesus Cristo.

Este versículo tem sido usado para uma desculpa de que crentes nominais poderiam se considerar salvos, uma vez que é impossível cair da graça. 

Contudo, não é este o sentido do apóstolo. Ele busca entender que a obra de Deus começa na vida de uma pessoa, ela tende a ser concretizada até o dia da volta de Jesus.

"A Bíblia simplesmente diz que a salvação é inteira  e completamente obra de Deus. Ela nos diz que o homem, em seu estado pecaminoso, é contra Deus, não deseja Deus e jamais voltaria para Deus. Nunca existiria uma igreja, nem tampouco haveria salvação, se Deus não tivesse começado a agir" LLOYD-JONES, p. 40

Não será com a nossa morte, pois ainda seria uma obra incompleta, pois nossas almas e corpos ainda precisariam passar pela ressurreição. A obra só será perfeita no dia mesmo da vinda de Jesus, onde todas as coisas serão restauradas.

Não é também uma questão de que se aceito a Jesus está tudo bem. Não basta uma confissão inicial para haver salvação. É necessário que a obra de Deus em nossa vida continue em nossa vida enquanto ela durar. 

João 15.10   Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que eu tenho uardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor.
Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele. Filipenses 2:12,13

Precisamos permanecer no amor de Deus afim de que sejamos nutridos pelo Senhor e que sua obra esteja completa até o dia da sua vinda.  A obra começa e termina em Deus mas também precisamos trabalhá-la em nossa vida com temor e tremor. Sem apatia, certos que estamos cooperando com aquilo que Deus está fazendo em nossa vida.

Deve existir a perseverança humana aliada a preservação divina. 

"Ficamos cientes de que há evidência de um novo ser, uma nova natureza, dentro de cada um de nós, e já não gostamos das coisas das quais gostávamos. Começamos a gostar da Biblia, começamos a orar e a frequentar as reuniões de oração, e é o Espírito Santo que realiza tudo isso. Ele nos cria  de novo segundo o modelo e o estilo de Cristo. Essa é a boa obra que Deus começa em nós e continua em nós" LLOYD-JONES,p. 44


Não é uma obra nossa. Esta obra é uma de Deus na vida da pessoa. Mas, ela deve ser movida pela esperança de que um dia Jesus há de voltar. 

A esperança é o grande impulso da vida cristã, afim de que suportemos ou deixemos de lado o nosso próprio eu, devemos esperar em nosso coração as grandes alegrias de Deus para a nossa vida. Ao contrário da alegria humana que é passageira, a divina é eterna.

Outro ponto quanto ao futuro é em relação ao futuro da igreja. Muitos vivem uma vida de temor pensando que a igreja é fruto de seus esforços, como se fora uma obra humana. É sempre bom lembrar que é Deus quem começou a sua igreja:

"O cristianismo é fruto da ação de Deus e da atividade de Deus. Não é idéia do homem, nem teoria do homem; não é elevação moral, não é nada que o homem possa fazer- é Deus, verdadeiramente do princípio ao fim. Somente a Ele seja a glória- a grande senha da Reforma Protestante" LLOYD-JONES, p. 42




quarta-feira, junho 25, 2014

Romanos 1:1-17: Introduzindo o Evangelho




ROMANOS 1:1-17: Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus, 1.2   o qual antes havia prometido pelos seus profetas nas Santas Escrituras, 1.3   acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, 1.4   declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, — Jesus Cristo, nosso Senhor, 1.5   pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, 6   entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo. 7   A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.  8   Primeiramente, dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.  9   Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, 10   pedindo sempre em minhas orações que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco. 11   Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados, 12   isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, tanto vossa como minha. 13   Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios. 14   Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. 15   E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. 16   Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. 17   Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.



Esta carta e verdadeiramente a mais importante peça do Novo Testamento. É o evangelho mais puro. É de grande valor para um Cristão não somente para memorizar palavra por palavra, mas também para o ocupar com isso diariamente, como se fosse o pão diário da alma. É impossível ler ou meditar nesta carta {tão pouco}. Quanto mais alguém lida com ela, mais preciosa ela se torna e melhor ela saboreia. Por esta razão, eu quero completar meu serviço e, com este prefácio, prover uma introdução para a carta, a medida que Deus me dá habilidade, de maneira que qualquer um possa obter o mais profundo entendimento dela. Até agora ela tem sido escurecida{colocada em trevas} pelas interpretações [notas de explicação e comentários que acompanham o texto] e por muitos um comentário sem uso, mas está dentro dela própria uma luz resplandecente, quase resplandecente o suficiente para iluminar toda a Escritura. ( MARTINHO LUTERO, Prefácio à Carta de Romanos)



Romanos é uma carta sobre o Evangelho, foi escrita por um homem que teve a vida e a obra envolvida pelo Evangelho, mostrando a diferença que traz e faz o evangelho.Sem surpresa, o começo desta carta já fala do Evangelho.


SEPARADO PELO EVANGELHO (Rm 1:1).


Paulo se coloca como servo (escravo) de Jesus Cristo. Ele está sob a autoridade do seu Mestre. 


Ele também é um apóstolo, um enviado por Jesus para pregar o Evangelho para os gentios.  Em Atos 9:1-15, lemos sobre esta chamada de Jesus.


Na igreja primeva, alguns discordavam do apostolado de Paulo. Por que?


Paulo era um perseguidor dos cristãos, então para alguns que não aceitavam sua mensagem, ele não poderia ser considerado como um dos apóstolos.


Outra razão é que para ser considerado um apóstolo, teria de ser alguém que fosse uma testemunha ocular da vida de Jesus 



Atos 1:21-26 É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar. E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos.

Mas, Paulo recebeu seu testemunho acerca de Jesus do próprio Senhor. Como vemos em Gálatas:

Gl 1.18-24:  Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro e fiquei com ele quinze dias. 1.19   E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. 1.20   Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. 1.21 Depois, fui para as partes da Síria e da Cilícia. 1.22   E não era conhecido de vista das igrejas da Judeia, que estavam em Cristo; 1.23   mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia, agora, a fé que, antes, destruía. 1.24   E glorificavam a Deus a respeito de mim.

O EVANGELHO DE DEUS (Rm 1:2-4).

"O recado que Paulo tem para entregar é o “Evangelho de Deus”; é transmitir aos homens a inaudita, boa e alegre verdade de Deus! Justamente de Deus! Não se trata de mensagem religiosa, ou de notícia ou instrução sobre a divindade ou a divinização do homem, mas da mensagem de um Deus totalmente diferente do qual o homem, como tal, nunca virá a ter conhecimento, ou ter parte, mas de quem, por isso mesmo, vem a salvação; não é algo a ser entendido diretamente, uma coisa a ser compreendida, de uma vez, entre as demais coisas, mas é a Palavra sempre nova que precisa ser percebida sempre de novo, com temor e tremor; é a Palavra sempre reiterada, da origem de todas as coisas." (KARL BARTH, COMENTÁRIO DE ROMANOS,p. 28)

O Evangelho não é uma construção do apóstolo Paulo, mas é algo que ele recebeu de Deus. O Evangelho também não são bons avisos, mas são as boas novas daquilo que Deus fez por nós em Jesus Cristo.

O versículo 2 fala que foi prometido pelos seus profetas nas Sagradas Escrituras. Toda a Bíblia fala a respeito de Jesus.  O Evangelho não é um conceito, mas é uma pessoa.



Jesus é o verdadeiro Adão, que passou no teste do Jardim.


Jesus é o verdadeiro Abel, cujo sangue verteu para a salvação.
Jesus é o verdadeiro Abraão, que respondeu ao chamado de Deus, deixando seu lar, para fazer um novo povo.
Jesus é o verdadeiro Isaque, que foi sacrificado por seu Pai, e agora sabemos que Deus nos ama.
Jesus é o verdadeiro Jacó, que foi ferido por Deus para que possamos ser abençoados.
Jesus é o verdadeiro José, que está à direita do Rei e intercede por nós que o lançamos a morte


O conteúdo do Evangelho é o Filho de Deus.

Totalmente homem (nascido da descendência de Davi (vs.3))

Aquele que cumpre as promessas das Escrituras. 

2Sm 7:11-16:   desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel. A ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que o SENHOR te fará casa. 12   Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. 13   Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. 14   Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens. 15   Mas a minha benignidade se não apartará dele, como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. 16   Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre.

Totalmente Deus ( "declarado com poder para ser Filho de Deus pela ressurreição da morte" (vs.4)

Paulo aqui não está dizendo que Jesus apenas se fez Deus após levantar da tumba. Ao invés disso, Ele está dizendo que a tumba vazia é uma grande declaração de quem Jesus é. Sua ressurreição remove toda a dúvida sobre que Ele é o Filho de Deus.  E sua ascensão demonstra que agora Ele está junto ao Pai (Ef 1:19-22) com poder.


Por isto, Ele é o nosso Senhor, que governa sobre tudo.

A OBEDIÊNCIA PELA FÉ. (Rm 1:5)


Paulo diz que recebeu o apostolado e a graça através de Jesus, para a obediência da fé. Na versão NVI, o texto está mais claro:

Por meio dele e por causa do seu nome, recebemos graça e apostolado para chamar dentre todas as nações um povo para a obediência que vem pela fé (Rm 1:5).

A obediência a Deus vem da fé, é uma consequência da fé salvífica e não uma segunda condição para a salvação. 

 A verdadeira fé em nossos corações leva a uma obediência verdadeira em nossas vidas. Por que? Porque o evangelho é uma declaração que Jesus é o rei prometido, o Filho de Deus ressuscitado e cheio de poder, que agora nos convida a desfrutar das bênçãos do seu reinado.  

A fé verdadeira é uma fé no rei divino para quem nós devemos nossa obediência e de quem somos servos agora. Uma obediência alegre flui de uma confiança verdadeira neste rei. 

PORQUE PAULO ENVIOU A ROMA ESTA CARTA? (1: 6-13)

Há quatro características que Paulo fala a respeito da igreja de Roma que servem para qualquer igreja:

1. Chamados para pertencer a Jesus Cristo.
2. Amados por Deus.
3. Chamados para ser santos.
4. Desfrutar da graça e da paz.

Nos versos 8 a 13, vemos que Paulo nunca esteve com esta igreja.  Mas, ele quer encorajar esta igreja e ser encorajado por ela. 

Os versículos 11 e 12 mostram que a obediência pela fé leva a humildade para servir e ser servido pelas pessoas. No verso 11, vemos que os dons servem para fortalecer as outras pessoas na fé. E no verso 12, devemos permitir que os outros a usarem seus dons para nos ajudar.

"Nunca devemos deixar nossos encontros na igreja, gastando um tempo cercado por pessoas amadas, pessoas diferenciadas pela fé, sem que sejamos encorajados" (Keller, p. 16)
A COLHEITA (Rm 1:13-15)

 Paulo fala de sua dívida em pregar o Evangelho que recebeu de Deus, que deve ser falado tanto para os que estão dentro ou fora da igreja.


Existem duas maneiras de alguém se endividar. A primeira é emprestando dinheiro de alguém; a segunda é quando alguém nos dá dinheiro para uma terceira pessoa. Por exemplo, se eu pegasse R$ 1.000,00 emprestados de você, eu seria seu devedor até que lhe restituísse o dinheiro. Da mesma forma, se um amigo seu me desse R$1.000,00 para lhe entregar, eu estaria em dívida com você até que entregasse o dinheiro ao destinatário. No primeiro caso, eu estaria endividado por tomar emprestado; no segundo, seria o seu amigo que, ao confiar-me os R$ 1.000,00, me poria em dívida com você.
É no segundo sentido que Paulo está endividado. Ele não emprestou nada dos romanos que tenha de devolver. Mas Jesus Cristo lhe confiou o evangelho para ser passado a eles. Várias vezes em suas cartas ele fala de como o evangelho "lhe foi confiado", de como foi "encarregado" de anunciá-lo.2 É verdade que essa metáfora tem mais a ver com mordomia (ou administração) do que com dívida, mas a idéia é a mesma. Foi Jesus Cristo quem fez de Paulo um devedor ao confiar-lhe o evangelho. Agora Paulo tinha uma dívida para com os romanos. Como apóstolo dos gentios, ele tinha uma dívida particular para com o mundo gentílico, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes . Não se sabe ao certo como se deveria entender essa classificação. Pode ser que os dois pares de palavras indiquem contraste dentro de um mesmo grupo, ou então que o primeiro aponte para diferenças de nacionalidade, cultura e linguagem, enquanto o segundo seria uma alusão a diferenças de inteligência e educação. De qualquer maneira, essas duas expressões, juntas, cobrem a totalidade do mundo dos gentios. Foi movido por esse senso de dívida para com eles que Paulo escreveu: Por isso estou disposto a pregar o evangelho também a vocês que estão em Roma (JOHN STOTT, A MENSAGEM DE ROMANOS,p. 28)
A OFENSA DO EVANGELHO (Rm 1:16)

A palavra traduzida por vergonha por também significar no original ofensa. Seria o Evangelho ofensivo?

1. O evangelho por nos falar que a nossa salvação é livre e imerecida, é realmente um insulto. Ele nos fala que nós estamos tão falidos espiritualmente que a única forma de sermos salvos é pela graça. Isto ofende pessoas moralistas e religiosas que pensam que sua decência dá a eles uma vantagem em relação a pessoas imorais.

2. O evangelho também é um insulto quando nos fala que Jesus morreu por nós. Nós diz que estávamos tão perdidos que apenas a morte do Filho de Deus poderia nos salvar. Isto ofende a crença moderna da auto-estima que acredita que as pessoas têm uma bondade inata.

3. O evangelho, ao dizer para nós que tentar ser espiritual ou bonzinho não será o suficiente. Ele insiste que nenhuma pessoa boa será salva, a não ser que aqueles que venham a Deus através de Jesus. Isto ofende a crença moderna que a pessoa pode encontrar Deus em qualquer lugar do seu próprio jeito. Não gostamos de perder nossa autonomia.

4. O evangelho nos diz que a nossa salvação foi conquistada pelo sofrimento e serviço de Jesus, não por conquista ou destruição. E que seguir a Ele significa que vamos sofrer e servir com Ele. Isto ofende as pessoas que querem salvação para ter uma vida fácil, isto também ofende as pessoas que querem que suas vidas estejam seguras e confortáveis.

Ainda assim, Paulo não tem vergonha deste evangelho que nos envergonha. 

Porque Ele é o poder de Deus:  o evangelho não são só palavras, mas palavras com poder. A mensagem do evangelho é sobre o que Deus fez e fará por nós. É o poder que pode transformar e mudar as coisas em nossas vidas.

O poder de Deus é visto na sua habilidade de transformar completamente as mentes e os corações. É poderoso porque nenhum outro poder na terra pode nos salvar, nos reconciliar com Deus e garantir um lugar no reino de Deus para sempre.

O que é requerido é crer, este poder está oferecido para todos que crerem. Apenas a fé é o verdadeiro canal para o poder de Deus. Esta oferecido para todos, mas só pode ser experimentado para quem crer.

A JUSTIÇA REVELADA (Rm 1:17)

O que faz o Evangelho tão poderoso? É porque nele está revelada a justiça de Deus, aquilo que Jesus conquistou para a humanidade. 


A justiça de Deus pode ser referida para o caráter justo de Deus que nos é revelado pelo Evangelho, por aquilo que Jesus fez e faz por nós. 


"a justiça de Deus" é a iniciativa justa tomada por Deus ao justificar os pecadores consigo mesmo, concedendo-lhes uma justiça que não lhes pertence, mas que vem do próprio Deus. "A justiça de Deus" é a justificação justa do injusto, sua maneira justa de declarar justo o injusto, através da qual ele demonstra sua  justiça e, ao mesmo tempo, nos confere justiça. Ele o fez através de Cristo, o justo, que morreu pelos injustos, como Paulo explica mais adiante. E ele o faz pela fé quando confiamos nele, clamando a ele por misericórdia" (JOHN STOTT, A Mensagem de Romanos, p. 31)
Esta justiça vem para nós através da fé, e uma fé do começo até o fim.  A justiça, a retidão é apenas recebida através da fé.  

Algumas pessoas pensam que Jesus morreu para nos perdoar apenas. Isto é verdade, mas não é tudo. Agora, que fomos perdoados temos que sair da cadeia e viver uma vida digna por nós mesmos. Contudo, no Evangelho nós descobrimos que Jesus tomou sobre si toda a nossa vida, dependemos dele para viver ela.

Como não viver pela fé? 
Quando tentamos viver sendo o nosso próprio salvador.

1. Quando pessoas licenciosas rejeitam a religião e Deus, sua rebelião é realmente uma recusa em acreditar no evangelho - a mensagem que nós somos tão pecadores, que apenas Jesus pode ser o nosso salvador.

2. Quando pessoas moralistas tomam a religião e o moralismo e  se tomar ou ansiosas (porque não conseguem viver de acordo com as regras que estabeleceram ) ou orgulhosas (porque acham que conseguem).  A ansiedade ou o orgulho é uma amostra que recusam o evangelho.

3. Quando o crente peca, isto sempre envolve um esquecimento de que não podem salvar a si mesmos. Busca em outra coisa aquilo que apenas Deus pode dar.



O evangelho sempre nos causa ofensa, porque ele nos revela que temos uma necessidade que não podemos completar. Nós precisamos lembrar que ele é o poder de Deus. Nós precisamos lembrar que ele revela a justiça de Deus. Isto é o que fundamentalmente reverte nossa atitude em compartilhar o evangelho. O oposto de ser envergonhado é disposição e vontade. Nos tornamos dispostos quando nós sabemos a verdade, o poder e a maravilha do evangelho tão profundamente que nós anunciamos isto não porque nós devemos fazer, ou porque nós nos sentimos que teríamos que fazer, mas porque nós queremos e amamos fazer para a glória do nome Dele. (KELLER, p. 23)



BIBLIOGRAFIA

ROMANS 1-7 FOR YOU de TIMOTHY KELLER

A MENSAGEM DE ROMANOS de JOHN STOTT





terça-feira, janeiro 29, 2013

Tim Keller: A obra da renovação pelo evangelho.


No capítulo 6 de Center Church, pastor Tim Keller ainda está comentando a respeito da renovação pelo Evangelho.  Agora, ele irá falar sobre os aspectos práticos através do qual o Espírito Santo transforma vidas e igrejas, e também sobre a pregação e sinais da evidência de uma renovação pelo evangelho.

Os significados de uma renovação pelo Evangelho.

A fonte última do avivamento é o Espírito Santo, ele usa muitos instrumentos para produzir isto.

Oração extraordinária.

Uma oração unida, persistente e centrada no reino. O importante aqui não é o número de pessoas, mas a natureza da oração. 

Ele cita a diferenciação de C. John Miller de orações de manutenção e orações de linha de frente.  Orações de manutenção são pequenas, mecânicas e focadas nas necessidades físicas de dentro da igreja. Em contraste, oração de linha de frente são:

1. pedido pela graça para confessar pecados e nos humilharmos.
2. compaixão e zelo pelo florescimento da igreja e alcançar os perdidos.
3. desejo de conhecer a Deus, ver sua face, ter um vislumbre da sua glória.

Estas distinções são poderosas, podemos ver elas em uma reunião de oração. As orações bíblicas por avivamento estão em Ex 33, Nee 1, At 4, os três elementos estão claros lá. Em Atos 4, após serem ameaçados, os discípulos não pedem por proteção, ele pedem corajem para continuar pregando! 

Redescoberta do Evangelho.

A ênfase no novo nascimento e na salvação apenas pela graça. Martin Lloyd-Jones, citado por Keller, lembra que o evangelho que enfatiza a graça poderia se perder por muitas formas, a igreja poderia se tornar heterodoxa, e perder alguns ensinos ortodoxos como a natureza triuna de Deus, a deidade de Cristo, a ira de Deus e assim por diante. Alguns poderiam pensar que a crença na justificação pela fé somente e a necessidade de conversão é apenas uma questão de membresia ou viver com base no exemplo de Jesus. Isto corta o nervo da renovação pelo evangelho e avivamento. Contudo, é possível subscrever toda doutrina ortodoxa e ainda assim, falhar em comunicar o evangelho para os corações das pessoas numa forma que leva ao arrependimento, alegria e crescimento espiritual. Um jeito que isto acontece é pela ortodoxia morta, em que o orgulho cresce pela correção doutrinária, que gera uma igreja de justiça por obras.

Lloyd-Jones também fala de uma ortodoxia defeituosa e uma inércia espiritual, algumas igrejas seguram doutrinas mas com desequilíbrios e falta de uma ênfase adequada. Muitos ministros gastam mais tempo defendendo a fé do que a propagando-a.  Ou, gastam muita energia com questões como profecias, dons espirituais, criação e evolução. Mas as doutrinas da graça e da justificação e da conversão não são tão enfatizadas, não se conecta com a vida das pessoas. As pessoas vêem estas doutrinas, mas não enxergam. É possível tirar um num teste doutrinário e descrever adequadamente as doutrinas da salvação, e ainda assim, ser cego para seu poder e implicação verdadeiros.

Quando isto é aplicado aos corações, cristãos nominais são convertidos,  cristãos letárgicos e fracos se tornam fortes, e não crentes são atraidos para a novamente bela congregação.

Um dos grandes veículos que levaram ao primeiro avivamento em Northampton, Massachutes, foi dois sermões de Jonathan Edwards em Romanos 4:5 - Justificação apenas pela fé=- em novembro de 1734. Para John Wesley e Whitefield, os líderes do avivamento britânico, o entendimento da salvação pela graça, ao invés do esforço moral, que tocou as pessoas para uma renovação e as fez agentes de avivamento.

Aplicação do Evangelho.

Primeiro, a igreja recupera o evangelho através da pregação. A pregação é onde o grande número de pessoas da igreja está exposto. Existem algumas partes da escritura melhores para pregar o evangelho que outras? Não, de forma alguma. Qualquer oportunidade que você prega Cristo e sua salvação como o significado do texto ao invés de simplesmente expor os princípios bíblicos para a vida, você está pregando através da renovação. Pregar desta forma não é fácil. Mesmo aqueles que estão compromissados com uma pregação cristocêntrica tendem a fazer sermões inspirativos em Jesus, com pouca aplicação. Entender isto é um tópico enorme para digerirmos. Aqui Keller aconselha o livro de Bryan Chappell.

O segundo modo como um pastor recupera o evangelho é através de treinamento dos líderes leigos para ministrar o evangelho para os outros. Os componentes são aqui são conteúdo e contato.  Como conteúdo, Keller cita seu próprio livro Deus pródigo e o capítulo a verdadeira fundação de Depressão Espiritual de Lloyd-Jones. Por contato de vida, é o aconselhamento e encontros para ajudar os líderes a se arrependerem de seus ídolos e sua auto-justiça. Quando a ficha do evangelho cair, você terá os efeitos.

Uma terceira forma é enjetar um elemento experimental num pequeno grupo ou em grupos dedicados a isto. As pessoas precisam de um momento de comunhão e estudo juntas em grupos pequenos, Wesley e Whitefield aconselhavam isto. 

A quarta forma é através da conversação, a renovação pelo evangelho se espalha pela igreja pelas pessoas que contam sua renovação umas para as outras, quando um cristão compartilha como evangelho transformou sua vida.

O quinto modo de aplicação é que os pastores e lideres saibam usar o evangelho no coração das pessoas no aconselhamento pastoral.  Busque saber qual é conhecimento e sentimentos do aconselhado a respeito do evangelho, procure formas de auto-justiça e ajude as pessoas a saírem disto.  O evangelho deve ser usado para cortar tanto o moralismo como a licenciosidade que destrói a vida e o poder espiritual.


Inovação do Evangelho.

Outro fator importante é a inovação e a criatividade. O avivamento acontece pelos meios instituídos como a pregação, pastoreio, adoração e oração. É muito importante reafirmá-los. O Espírito Santo pode usar estes meios para conversões extraordinárias e trazer um crescimento significante na igreja.

Contudo, quando estudamos a história dos avivamentos, vemos novos métodos de comunicar o evangelho. No grande avivamento, dois ministros começaram a pregar em público e usaram encontros de pequenos grupos.  Como também o uso de inovações tecnológicas como a imprensa. Nenhum avivamento repete as experiências do passado, seria um erro identificar um método específico com avivamentos. 

Embora, os meios principais continuam sendo teológico - redescoberta do evangelho- e ordinários- pregação, oração, comunhão e adoração - Devemos procurar novos modos para a proclamação do evangelho que o Espírito Santo possa usar em nosso momento cultural. 

Pregação para uma renovação pelo Evangelho.

Keller coloca cinco características que definem esta pregação:

1. Pregue distinguindo  religião do evangelho. Uma pregação efetiva irá criticar tanto a religião como a irreligião, e também vai direcionar ao problema central da idolatria ajudando os ouvintes olhar além de seu comportamento, para as motivações e ver como o evangelho está funcionando ou não em seus corações.

2. Pregue tanto a santidade como o amor de Deus para transmitir as riquezas da graça. A pregação não deve enfatizar apenas o julgamento de Deus, a santidade e retidão - como pregadores moralistas- ou enfatizar apenas o amor e a misericórdia de Deus - como os pregadores liberais-. Apenas quando as pessoas enxergam Deus como absolutamente santo e absolutamente amoroso, a cruz irá transformá-los.  Jesus era tão santo que teve de morrer por nós, nada menos poderia satisfazer sua santidade e retidão. Mas ele era tão amoroso que ele estava satisfeito em morrer por nós, nada menos poderia seu desejo de nos ter como seu povo. Isto nos humilha do nosso orgulho e egoísmo, e ainda assim, ao mesmo tempo, nos afirma de nosso desencorajamento. Isto nos leva a odiar o pecado e ao mesmo tempo nos proibe de odiarmos a nós mesmos.

3. Pregue não apenas para deixar a verdade clara, mas também, para deixá-la real. Quando vemos como Paulo busca crescer a generosidade das pessoas apelando para como elas conhecem a generosidade e graça de Cristo - 2Co 8-. Em outras palavras, se os cristãos são materialistas, não é uma mera falha da vontade, a falta de generosidade vem de que eles realmente não entenderam como Jesus se fez pobre por eles, como nEle temos todas as riquezas e tesouros. Não pregue simplesmente o que as pessoas devem fazer, você deve apresentar Cristo de tal forma que ele captura o coração e a imaginação mais do que as coisas materiais. Isto toma não só uma apresentação intelectual mas uma apresentação da beleza de Cristo.
Para Jonathan Edwards, o maior problema espiritual dos crentes é que enquanto eles tem uma noção intelectual de muitas doutrinas, estas não são reais para seus corações e não influenciam seu comportamento. No caso do materialismo, o poder do dinheiro para trazer segurança é mais espiritualmente real que o amor de Deus e sua providência. 
D. Martyn Lloyd-Jones sumariza isto dizendo: o primeiro e primário objeto da pregação é produzir uma impressão. Esta é a impressão que com o tempo importa, ainda mais quando você pode lembrá-la depois. 

A questão da pregação é tornar o conhecimento vivo.

4. Pregue Cristo de todo texto. 
A maneira principal para evitar uma pregação moralista é estar certo que você sempre estará pregando Cristo como o ponto principal e mensagem de cada texto. Se você não apontar Cristo para seus ouvintes antes do fim de cada sermão, você dará a impressão que o sermão é sobre eles, sobre o que devem fazer. Contudo, nós sabemos de textos como Lucas 24:13-49,  que Jesus entendia cada parte da Bíblia como apontando para Ele e sua obra de salvação. Isto não é uma sugestão que cada autor de cada passagem intencionalmente fez referências a Jesus mas se você entender o texto todo em seu sentido canônico é possível discernir as linhas que estão apontando para Cristo.
Por exemplo, em Juízes 19, temos um texto de um levita cercado por homens violentos que para salvar sua própria vida, oferece sua concubina para ser estrupada. Não há como falar deste texto sem dizer que é um fato horrível, uma direta contradição ao que a Bíblia ordena aos maridos. Um marido deve proteger sua esposa - Ef 5. Como? O autor de Juízes não saberia  como nós sabemos, que verdadeiro esposo temos quando olhamos para Jesus, Paulo diz isto em Efésios 5. Apenas mostrar que devemos ser bons maridos não é o bastante, devemos apontar para Cristo que nos fará livres do medo e do orgulho que nos faz maus esposos. 
No fim há duas questões que devemos fazer quando lemos a Bíblia: é sobre mim? Ou é sobre Jesus? Em outras palavras, a Bíblia é basicamente sobre o que devo fazer ou sobre o que Ele fez?  Pense na história de Davi e Golias, se eu leio como uma história sobre mim, é uma exortação para termos fé e coragem para lutar com os gigantes. Mas, se eu aceito que Bíblia é sobre o Senhor e sua salvação, e se leio Davi e Golias sobre esta luz, ela lança uma multidão de coisas em evidência!  O ponto central desta passagem do Velho Testamento é que os israelitas não poderia se opor ao gigante por si mesmos. Ao invés disto, eles precisavam de um campeão que poderia lutar em seu lugar- um substituto que iria enfrentar o perigo mortal em seus lugares. E o substituto que Deus providenciou não era uma pessoa forte, mas fraca- um garoto que mal cabia numa armadura. Ainda assim, Deus usou esta fraqueza libertadora como meio para trazer destruição ao risonho e super confiante Golias. Davi triunfa através de sua fraqueza e sua vitória é imputada para seu povo. E assim também Jesus. Através de seu sofrimento, fraqueza e morte que o pecado foi derrotado. Esta  história vívida e envolvente nos mostra que significa quando declaramos que estamos mortos com Cristo - Rm 6:1-4- e ressuscitamos e nos assentamos com Ele (Ef 2:5-6). Jesus é o perfeito campeão, nosso verdadeiro campeão, que não apenas arriscou sua vida por nós, mas deu ela. E agora sua vitória é a nossa vitória, e tudo que ele conquistou foi imputado para nós.

5. Pregue tanto para cristãos como para não cristãos. Keller conta a influência de Lloyd-Jones em sua pregação, com que aprendeu que não se deve pregar para a congregação apenas para o crescimento espiritual, assumindo que todos são crentes, e nem pregar um sermão evangelístico, pensando que os crentes não podem crescer com ele, Evangeliza como você edifica e edifica como você evangeliza.


Os sinais da renovação.

O avivamento acontece quando as pessoas que já conhecem o evangelho descobrem que realmente não o conhecem. E por abraçar o evangelho, elas vivem uma fé viva. Não crentes são atraídos pelas vidas transformadas, e a igreja começa a crescer em seu chamado e como um sinal do reino, uma linda alternativa para a sociedade humana sem Deus.
Um primeiro sinal é quando crentes nominais se convertem, que passam a entender que nunca acreditaram no evangelho realmente. Logo, cristãos sonolentos começam a receber uma nova segurança e apreciação pela graça. Cristãos se tornam confiantes e testemunhas atraentes.
Quando o evangelho se faz presente, tanto a santidade de Deus e seu amor são mais adorados, isto leva a uma nova realidade espiritual de Deus na adoração. 
Um renovado interesse no evangelho sempre leva a um interesse na teologia bíblica, que esteja conectada com a vida real. 
O evangelho cria uma humildade que leva os crentes a serem mais pacientes uns com os outros, que aprofunda os relacionamentos.
Durante os tempos de avivamento, há uma natureza contracultural da igreja que atrai os não-crentes.
A renovação pelo evangelho produz pessoas humildes, não desdenhosas com aqueles que não concordam com elas, mas amorosas, menos preocupadas com a opinião dos outros. Cada crente se torna um evangelista natural. Há um crescimento através de conversões.
Há uma atenção com a pobreza e a justiça social, cristãos entendem que não podem se auto salvarem, isto muda sua atitude com as pessoas que estão pobres. Se tornam servos de seus vizinhos, dos pobres e da cidade.
Todas estas mudanças, na igreja e na comunidade em redor, trazem um efeito cultural. Crentes assim impactam as artes, os negócios, governos, mídia.
Porque a verdadeira religião não é uma prática privada somente que dá paz e satisfação. A santidade afeta a vida civil e privada dos crentes. transforma comportamentos e relacionamentos, a presença ativa de cristãos mudam uma comunidade em todas as suas dimensões. São os frutos que são produzidos de um verdadeiro avivamento pelo Evangelho, 
Sem isto, muito do crescimento pode vir por transferência e não conversões, porque não acontece uma convicção profunda do pecado ou arrependimento, poucas pessoas mostram uma mudança de vida. Este crescimento não tem impacto porque os participantes não levam sua fé para o trabalho, para como eles usam seu dinheiro ou vivem suas vidas públicas. Contudo, quando as dinâmicas da renovação estão fortes em nossos corações e igrejas, somos fortalecidos e embelezados pelo Espírito de Deus.




Todos estes elementos de um visão teológica de Igreja de Centro, a renovação pelo evangelho pode ser a mais dificil para ser colocada em prática porque nós podemos apenas nos preparar para o avivamento, Deus tem de enviá-lo. Isto pode desencorajar alguns porque vivemos numa sociedade tecnológica em que procuramos ter controle sobre tudo através de nossa competência e vontade.





Gospel Renewal - Trailer from Redeemer City to City on Vimeo.

sábado, julho 28, 2012

O reino de Deus: seu nome e sua vontade glorificadas na oração.

MATEUS 6:7-12:  E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu.  O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.   Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém


Tudo sem oração é nada.

A primeira coisa que precisamos saber sobre a oração é que precisamos aprender a orar, nunca sabemos o suficiente. Tudo que podemos aprender sem oração não será nada.

1. Pai.

A primeira confiança que precisamos ter quando dobramos nosso joelho para orar, é que temos um Pai que sabe quem somos e que precisamos. Lembre-se que a oração começa com o Espírito de Deus e termina com Espírito, é Ele quem nos leva a oração e também quem dá as palavras que precisamos.

A confiança da nossa oração nasce  que agora somos filhos de Deus por meio de Jesus Cristo (1Jo 3:1). E clamamos a Deus a quem temos agora acesso pelo seu Espírito (Ef. 2:18) quando o recebemos (Rm 8:15).

Um dos grandes inimigos da oração somos nós mesmos, por vezes, ficamos tão concentrados em nós mesmos e em nossos problemas que esquecemos de invocar a Deus em sua absoluta majestade e deixamos que nossas circunstâncias diminuem a grandeza e a graça de Deus para nossa vida. Por isto, o Pai nosso começa lembrando para cada um de nós quem Deus é:

"Antes de começarmos a pensar em nós mesmos e em nossas próprias necessidades, antes de nossa preocupação com o próximo, devemos começar nossa oração por esse grande interesse acerca do Senhor Deus, de sua honra, sua glória. Não existe princípio mais básico em conexão com com o qual a vida cristã exceda a isso em grau de importância"  D. Martyn Lloyd-Jones, Estudos sobre Sermão do Monte, p. 344.

2. O nome, a vontade e o reino: os alvos da oração.

No céu, hoje o nome, a vontade e o reino de Deus são santificados plenamente, contudo, na terra até sua volta, já podemos experimentar a glória destas três coisas, mas ainda não estão plenamente cumpridas.

A oração é um grito de guerra em busca da concretização destas três coisas na terra hoje. 

O nome.

Toda a criação foi feita por Deus para glorificar o nome  de Deus ( Jo. 12:28).  Tudo que fazemos nessa terra devemos fazer para a glória deste nome. Crer no nome de Jesus é confiar naquilo que Ele conquistou por cada um de nós.

É ter a fé naquilo que Deus alcançou e pode alcançar em nosso favor. Saber que Deus veio e buscou a cada um de nós, e pelo seu grande amor por nós alcançou um nome que é sobre todo nome.

Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, Filipenses 2:9-10



A vontade.

No céu, a vontade de Deus é perfeita, na terra ela é:

1. A certeza que temos em Jesus um irmão (Marcos 3:35)

2. A certeza de que somos ouvidos por Deus ( João 9:31)

3. A certeza de alegria para a nossa vida (Sl. 40:8)


Quando oramos estamos nos colocando debaixo da proteção do nome de Jesus e buscando realizar sua vontade na terra. Podemos orar tendo a certeza que Ele é quem opera em nossas vidas, tanto o querer como o efetuar (Fp. 2:13).

A carne são nossa vontade, pensamento e emoções, quando vivíamos longe de Deus, estávamos perdidos buscando realizar apenas aquilo que queríamos e nosso caminho era de pecado e morte. Quando somos achados por Deus o nosso espírito se acende pelo Espírito Santo, e a nossa vida passa a ser guiada pela vontade de Deus e não a nossa.


O reino.

"O exercício da soberania de Deus no céu, em seu Reino, deve se tonar realidade também em todos os lugares sobre a terra também" Oscar Cullmann, Oração no Novo Testamento, p. 120


Se colocamos nossa confiança no poder do nome de Jesus e fazemos sua vontade para manifestar sua glória, o reino de Deus está próximo. 

Todos temos um reino interior, quando estamos no pecado, buscamos em vão governar a nossa vida com nosso desejos, nossas vontades e nossos interesses. No mundo exterior, há um outro reino decaído, onde o pecado alimenta esta pobreza de vida interior.

O reino de Deus está ligado ao poder de Deus (1Co 4:20). O poder vem do seu nome, da sua glória que fez todas as coisas para o melhor propósito que existe: sua glória. O reino de Deus é quando o poder e a vontade de Deus se materializam na vida do cristão.

No reino de Deus brilha a santidade do nome e da vontade de Deus que dá vida a cada um de seus filhos para manifestar este reinado. 

A pobreza é a porta de entrada neste reino, reconhecer que em nós nada temos de nome, vontade suficiente ou poder para alcançar o Reino de Deus.

“A única maneira do Reino de Deus ser suficientemente forte, de um modo verdadeiramente libertador, é através de um certo tipo de fraqueza, escandalosa e não-coercitiva, a única forma de ser poderoso é através de uma fenomenal vulnerabilidade, a única maneira de dar vida é morrendo, o único modo de ter sucesso é fracassando?”Brian McLaren, A mensagem secreta de Jesus,  p. 95


Quando vivemos para o reino de Deus?

A nossa fé não está em qualquer qualidade pessoal nossa, mas no nome e na pessoa de nosso Deus revelado pelo seu Filho Jesus Cristo.

A nossa vontade, pensamento ou esforço são incapazes de fazer aquilo que Deus quer, por isto temos que pedir, nos alimentar da vontade Deus que é perfeita revelada em Jesus Cristo.

O nosso amor vem do reinado de Deus sobre as nossas vidas, aquilo que fazemos é em nome de Jesus, nosso Senhor e Salvador.

O reino de Deus nada mais é que o próprio Jesus em nossa vida e no mundo:


E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós. Lucas 17:20-21