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sexta-feira, setembro 14, 2007

Ainda o Desejo de Status.


POLÍTICA

“como se acredita nas sociedades são praticamente meritocraticas, entende-se que as realizações financeiras são merecidas. A capacidade de acumular dinheiro é valorizada por refletir a presença de pelo menos quatro virtudes cardeais: criatividade, inteligência, coragem e perseverança. A presença de outras virtudes- humildade ou piedade, por exemplo- raramente merece atenção. As realizações não são atribuídas, como nas sociedades do passado, à sorte, à providencia divina ou a Deus- um reflexo da fé das sociedades laicas modernas na força de vontade do individuo. Os fracassos financeiros, da mesma forma, são considerados merecidos e o desemprego carrega parte da vergonha da covardia física das épocas guerreiras. O dinheiro é imbuído de uma qualidade ética. Sua presença indica virtude de seu possuidor, como os bens materiais que ele pode comprar”.(p.191-192)

“A idéia de um símbolo de status, um objeto material caro que confere respeito a seu proprietário, repousa na idéia disseminada e nada improvável de que a aquisição dos bens mais dispendiosos deve inevitavelmente exigir a maior de todas as qualidades de caráter” (p.195)

“A forma mais rápida de deixar de apreciar uma coisa pode ser compra-la- assim como a forma mais rápida de deixar de apreciar uma pessoa pode ser casar-se com ela. Somos tentado a acreditar que determinadas realizações e posses nos garantirão uma satisfação duradoura. Somos levados a nos imaginar escalando as encostas íngremes do penhasco da felicidade para chegar ao platô alto e amplo onde continuaríamos nossa vida; não somos lembrados de que logo depois de chegar ao topo, seremos chamados novamente para as planícies frescas da ansiedade e do desejo” (p.205)



CRISTIANISMO

"Em um mundo onde as construções seculares sussurram incansavelmente para nós sobre a importância do poder terreno, as catedrais no horizonte de grandes cidades podem continuar a proporcionar um espaço imaginário para as prioridades do espírito" (p.265)



Alain de Botton- O Desejo de Status- Ed. Rocco, 2004

segunda-feira, setembro 10, 2007

O Desejo de Status por Alain de Botton

O 'Desejo de status' apresenta uma argumentação bem estruturada que identifica e ataca os pilares fundamentais das sociedades atuais, criadoras de multidões de pessoas infelizes, decepcionadas consigo mesmas e com a posição social que ocupam. O ponto central do livro é o conceito de desejo de status. São cinco as causas apontadas pelo autor como as criadoras desse desejo de subir a qualquer custo na hierarquia social - a falta de amor, o esnobismo dos outros, as expectativas muito elevadas que temos, a estrutura meritocrática da sociedade e a dependência de fatores externos para a conquista do sucesso profissional.
Depois de analisar esses fatores, revelando sua origem histórica e suas conseqüências, Alain de Botton mostra que existem remédios para atenuar esse mal. A filosofia, a arte, a política, a boemia e o cristianismo podem se tornar armas importantes contra as frustrações decorrentes do desejo de status. Sem oferecer soluções simples e miraculosas, o autor procura compreender a questão em toda a sua complexidade, relativizando o valor do sucesso e mostrando que a vida é muito mais do que ser financeiramente bem-sucedido.


Alguns pontos e trechos.

Esnobismo

"a história do luxo pode ser mais precisamente interpretada como registro de trauma emocional. É o legado daqueles que se sentiam pressionados pelo desdém dos outros a acrescentar uma importância extraordinária à sua personalidade desprovida, a fim de indicar que eles também podiam reivindicar amor" (p. 30)


Expectativa

"Nós nos sentiremos afortunados somente quando tivermos tanto quanto as pessoas com que crescemos, com quem trabalhamos, considerarmos amigos e nos identificarmos na esfera pública ou quando tivermos um pouco mais que elas" (p. 48)

"Invejamos somente aqueles que consideramos nossos semelhantes, invejamos somente membros de nosso grupo de referência. Poucos êxitos, são mais intoleráveis do que os êxitos de nossos amigos mais íntimos" (p.49)


BOTTON, Alain de O Desejo de Status Ed. Rocco,2004