Mostrando postagens com marcador Escatologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Escatologia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, julho 27, 2011

Levy da Costa Bastos: Caminhos da Salvação.

Jurgen Moltmann é o teólogo da esperança em meio ao sofrimento, da escatologia, em dias de tanto sofrimento sem explicações, sua teologia ganha espaço no Brasil.  Neste livro, Bastos analisa a obra de Moltmann a respeito da salvação e seus caminhos.

“Quando aqui se afirma a existência dos caminhos da salvação o que se pretende realçar é simplesmente que, partindo de uma experiência salvadora com Deus, o individuo crente é convocado a dar expressão para este acontecimento redentor sob diversas formas ao longo de sua vida” p. 11

O primeiro capitulo da historia da redenção começa com a criação, Bastos busca mostrar a partir de Moltmann como se deu a expressão do amor divino na criação.

“Em volta deste desígnio criador Divino, podemos afirmar que o ser humano (todo ser humano) está vocacionado por Deus a intervir na historia e na criação, tornando-se parceiro de Deus, visto que a criação ainda não encontrou sua consumação. Isto demanda, por outro lado, rompimento com  o principio do eterno retorno (Eliade)” p. 18

“A criação teve seu ponto inicial no ato Trinitário Divino, na Palavra criadora de Deus, que do nada fez tudo existir, mas não se esgota nisso. Ela acontece ainda agora e para isso o ser humano redimido é convocado a tomar parte. Este fato nos serve de analogia da forma como acontece a salvação. Ela é um acontecimento sinérgico. Começa sempre com Deus, por meio da sua graça infinita e imerecida, mas pressupõe uma resposta sempre criativa e responsável da pessoa humana (Ef. 2,8-10)” p. 19

Quanto as atitudes dos fieis em relação a criação...o autor diz “o ser humano não foi vocacionado por Deus para estar fechado ou fixo em si mesmo, mas aberto às novas possibilidades  que lhes estao sendo prometidas pela Palavra Divina. Ele é um ser de vocação transcendente a si mesmo, de vocação decisivamente escatológica, tendo no Espírito Santo o operador dessa transcendência e na Palavra de Deus a causa instrumental fundamental. Por meio destes fatores se vê impelido e convocado como uma nova criação de Deus. O ser humano não é, assim, um sub-sistente, mas um ek-existente, isto é, não sendo um ser fixo e imutável estará sempre em processo aberto , de devir – in fieri-, de metamorfose –Rm 12,1-2-. O ser humano é  de fato um ser inacabado” p. 21

Capitulo 2 – um novo nome para a salvação.

O novo nome é a doutrina da justificação pela fé. Trata-se de um belo capitulo onde o autor analisa as diferentes concepções do tema, desde Tiago, Lutero e Concilio de Trento, vale uma leitura para quem se interessa pelo assunto.
Sobre o conceito paulino, o autor diz
“a justificação é compreendida por Paulo como um evento em que os crentes são declarados livres da culpa do pecado, e mais do que isso, são tambem habilitados a vencer a força com que o pecado os assedia” p. 30
“A centralidade da cruz de Cristo na teologia paulina expressa-se como sinal de humilhação e fraqueza Divinas. Na cruz de Cristo, o Deus trino se apropriou graciosamente de todos os pecadores. Isto permite concluir que ninguém é indigno, sem valor ou tão distante de Deus, que não possa ser alcançado por seu amor redentor” p. 31
 “A experiência de ser justificado por Deus se da única e exclusivamente por meio da fé em Jesus Cristo. Por meio de uma confiança total e exclusiva na graça de Deus – Rm 3,26;28;5,1;Gl 2,16). Por meio de Cristo, sua vida, morte  e ressurreicao, Deus Pai permite aos seres humanos experimentarem sua salvação –Rm 3,5ss -. A despeito da situação de alienação do gênero humano, Deus lhe faculta o exercício de uma fé confiante, por meio da qual ele entre em uma nova relação com Deus e recebe novidade de vida – Rm 5,17ss-. Em terminologia paulina, justificação é uma nova criação pela ação do Espírito. A justificação é, assim, o penhor da absolvição final de Deus e o começo de uma nova vida” p. 33
                


A seguir, o autor prossegue analisando a doutrina da justificação em Tiago, Martin Lutero e no Concílio de  Trento. Sobre Lutero, ele diz:


"a fé  que realmente justifica, não é um assentimento intelectual  a certas verdades - assensus- mas um entregar-se confiante a Deus com compromisso, uma auto-doação (fiducia) .... No ato de crer, o ser humano  devencilha-se de seu isolamento pessoal e, vocacionado pela Palavra de Deus, se abandona em Seus braços, tornando-se um com Ele, contudo, sem se perder como pessoa .... Desde, então ele passou a defender a tese de que a justificação é um ato motivado exclusivamente no amor de Deus por meio do que a justiça de Cristo é imputada aos que crêem" (p. 39) " O evangelho revela-se como um instrumento, por meio do qual Deus cria e opera um desejo incontido no coração do homem de honra-Lo e obedientemente servi-Lo. O evangelho é a única força que permite ao ser humano ser liberto de si mesmo, de sua auto-justificação" (p. 42)
O concílio de Trento "não tratou especificamente da doutrina da justificação, mas pode-se dizer que esta foi uma de suas mais fortes questões motivadoras. Se por um lado a fé reformada preconizava o não cancelamento dos pecados, a fé católica afirmou o verdadeiro cancelamento dos pecados no ato da justificação. Para Trento, a justificação também se mescla com a santificação o que o Cristianismo da Reforma negou com veemência. p. 47

a conclusão do autor é que

"A justificação deveria ser, então, interpretada escatologicamente, pois isto permitiria superar o que fosse passado e fazer surgir a Nova Criação de Deus. Em um contexto cmo este, o mundo seria recebido não obstante suas contradições e ambiguidades internas, como um presente de Deus, como boa obra da criação a ser continuamente recriada no poder do Espírito de Deus" p.51

"O evento Cristo - sua vida, morte e ressurreição- aponta para uma forma de compromisso com a vida que determina a existência dos justificados. Na sua cruz, Ele assumiu as fragilidades e pecados humanos, tornando-se abandonado por Deus. Na sua morte de cruz fica explicitada não somente o seu compromisso com a libertação da vida no mundo, mas a solidária proximidade Divina com todos os pecadores e crucificados do mundo" p.  54

No capítulo 3, chamado PARA QUEM ESTÁ A ESCUTA DE DEUS, o autor desenvolve uma abordagem prática da esperança numa pneumatologia marcada pela libertação da opressão.

"Uma pneumatologia integral. ...



terça-feira, novembro 02, 2010

Hoekema: A Bíblia e o Futuro

“A idéia bíblica de redenção sempre inclui a terra. O pensamento hebraico via um unidade essencial entre homem e natureza. Os profetas realmente não pensam na terra como apenas um teatro indiferente no qual o homem executa seus deveres normais, mas como a expressão da glória divina. Em lugar algum o Antigo Testamento prega a esperança de uma redenção incorpórea, imaterial, meramente “espiritual”, como o faz o pensamento grego. A terra é o cenário divinamente arranjado para a existência humana. Mais tarde, a terra foi envolvida na maldade trazida pelo pecado. Há um inter-relação entre a natureza e a vida moral do homem; por causa disso, a terra tem de tomar parte da redenção final de Deus”

A Ressurreição de Jesus não é meramente um sinal que Deus concedeu a favor de Seu Filho, mas é a inauguração, a entrada na história, dos tempos do Fim.

A palavra pleroma sugere a idéia de cumprimento, ou, chegado à conclusão. Quando Paulo declara que Cristo apareceu plenitude do tempo está inferindo que o grande ponto central da história é chegado, que a profecia do Antigo Testamento chega agora, a seu cumprimento.

Ela envolve a história da raça humana, a história de uma nação (Israel), a história de uma pessoa (Jesus de Nazaré) e a história de um movimento (o início e primeiros anos da igreja). estas histórias são reveladoras de Deus: elas desvendam ou expõem seu propósito redentor para com a raça humana.

quinta-feira, março 11, 2010

N.T. Wright: Surpreendidos pela Esperança



Confusão sobre o paraíso.


"Aqueles que veem a morte como o esperado momento de ir para casa, em que seremos chamados à paz eterna de Deus, não tem motivo para entrar em conflito com pessoas sem escrúpulos, dispostas a destruir o mundo se isso lhes trouxer algum benefício. A crenaça na ressureição sempre vem acompanhada por uma forte visão da justiça de Deus. Essa crença não leva a uma tolerância passiva diante das injustiças do mundo, mas a uma firme determinação de lutar contra as injustiças do mundo. É como dizer que os evangélicos inglesses desistiram de tentar melhorar a sociedade (veja o exemplo de Wilberforce, no final do sec. 18 e início do 19) ao mesmo tempo que deixaram de crer na ressureição e se conformaram com um céu sem corpos encarnados" p. 45
.
3. A Esperança Cristã Primitiva em seu contexto histórico.
Tom Wright descreve um incidente que ocorreu entre Wittgenstein e Popper, sobre o qual os relatos são contraditórios.
Para o mundo pagão antigo, a estrada que leva ao mundo inferior tem apenas um sentido. A morte possui poderes ilimitados, ninguém consegue escapar ou resistir a essa realidade. (p.53)
.
O Aspecto Surpreendente da Esperança Cristã Primitiva.
.
"Paraíso é o delicioso jardim de descanso para o povo de Deus à espera da ressureição. Quando Jesus declarou que havia muitas moradas na casa do seu Pai, ele usou a palavra moné, que tem o sentido de moradia temporária. Quando Paulo disse que desejava partir e estar com Cristo, o que é muito melhor, ele estava de fato pensando em uma vida de delicias ao lado do Senhor, em seguida à morte, mas esta seria apenas o preludio da ressureição (Lc 23,45, Jo 14.2, Fp 1,23 com 3, 9-11, 20-21). Quanto à discussão no capítulo anterior, os cristão primitivos acreditavam em dois estágios no futuro: primeiro, a morte e o que viesse logo após, segundo, uma nova existência corpórea em um mundo refeito" p. 59
.
"Somente no fim do século segundo, cerrca de 150 anos depois da epoca de Jesus, algumas pessoas começaram a usar a palavra ressureição com um significado diferente do que ela tinha no judaísmo, isto é, como uma experiência espiritual no presente, levando a uma esperança desligada do corpo no futuro. Durante os dois primeiros séculoss, a ressureição, no sentido tradicional, mateve-se no centro das discussões" p.60
.
"O contraste que ele está fazendo não é entre o que entenderíamos por um corpo físico presente e um corpo espiritual futuro, mas entre um corpo presente animado pela alma humana normal e um corpo futuro, animado futuro pelo Espírito de Deus" p.61
.
"Não podemos esquecer que ressuscitar não significa ir para o céu ou escapar da morte ou ainda desfrutar de uma existência gloriosa após a morte, mas voltar à vida física depois de uma morte corpórea. É por isso que, logo depois da transfiguração, quando Jesus diz a seus discipulos para não mencionarem a visão até que o Filho do homem tenha ressuscitado dentre os mortos, eles ficam confusos, e se perguntam o que isso poderia significar, se seria um evento que lhes permitiria falar as pessoas sobre detalhes da vida de Jesus, ou um evento que todo o nosso mundo de Deus renasceria" p.63
.
"Minha compreensão do que isso significa, em sintonia com o pensamento de Crossan, é que como os cristãos primitivos acreditavam que a ressureição teria começado com Jesus,e seria concluída na grande ressureição final no último dia, eles acreditavam também que Deus os havia chamado para serem seus colaboradores, no poder do Espírito Santo, na realização da obra de Jesus na vida pessoal e política, na missão e na santificação, antecipando assim a ressureição fianl. Deus não estava apenas iniciando o fim, se Jesus, o Messias, era o próprio fim e o futuro de DEus manifestado no presente, então aqueles que pertenciam a ele, que eram seus discípulos, capacitados pelo seu Espírito, deveriam transformar o presente, à luz do futuro." p. 63
.
A ESTRANHA HISTÓRIA DA PÁSCOA.
.
A primeira coisa que observamos em relação às narrativas da ressureiçã é a ausência de referências bíblicas.
A segunda característica estranha da história é mais frequentemente observada, a presença de mulheres como testemunhas principais.
A terceira característica estranha diz respeito ao modo como Jesus é retratado nos Evangelhos.
.
"A realidade é que a ressurreição nõa pode simplesmente ser percebida a partir do velho mundo de fraqueza e negação, tirania e tortura, desobediência e morte. Repetindo: a ressurreição não é, nem nunca foi, um evento particularmente estranho dentr do mundo presente (embora também seja isso), ela é, principalmente, o evento definidor da nova criação, o mundo que está nascendo com Jesus" p.88

sábado, janeiro 23, 2010

N.T. Wright: Supreendidos pela Esperança



Qual é a esperança suprema do cristão? Há esperança demudança, de resgate, de transformação, de novas possibilidades no presente? A resposta a essas perguntas precisa levar em conta o seguin-te: enquanto entendermos que a “esperança cristã” é “ir para o céu”, eque a “salvação” é algo essencialmente distante deste mundo, as duasperguntas parecerão inevitavelmente inconciliáveis. De fato, alguns insistem que responder à segunda pergunta é ignorar a primeira, que é o que realmente importa. Outros, por sua vez, ficam irados quandoas pessoas falam de ressurreição, como se isso estivesse desviando a atenção dos assuntos realmente importantes e urgentes no mundopresente. No entanto, se a “esperança cristã” é para a nova criação de Deus, para “novos céus e nova terra” — e se essa esperança já se manifestou na vida de Jesus de Nazaré — então estamos certos ao uniras duas perguntas. E se de fato é assim, constatamos que as respostas estão também relacionadas. Muitas pessoas — inclusive muitos cristãos— se surpreendem ao perceber que a esperança cristã é diferente doque imaginam, e que essa mesma esperança oferece uma base firme eestimulante para desempenharmos nosso papel no mundo atual.

p.15-16

segunda-feira, junho 29, 2009

N.T.WRIGHT: O Mal e a Justiça de Deus - 2


"O chamado do evangelho é para a Igreja implementar a vitória de Deus no mundo por meio do amor sofredor. A cruz não é apenas um exemplo a ser seguido, é um feito a ser executado, posto em prática. Porém, não deixa de ser exemplo, porque é o molde, o modelo para o que Deus quer fazer agora neste mundo, por seu Espirito, e por meio de seu povo. É o início do processo de redenção, em que o sofrimento e o martírio são meios paradoxiais para se alcançar a vitória." p. 88

.

"Olhando para Jesus, descobrimos para nõs, a cruz é o novo Templo, o lugar onde vamos para nos encontrarmos com o verdadeiro Deus e conhecê-lo como Salvador e Redentor. A cruz passou a ser o local de peregrinação, onde contemplamos boquiabertos o que foi feito em favor de cada um de nós. A cruz se torna o sinal de que o império pagão simbolizadono vigor e no poder da força brutal, foi definitivamente desafiado por outro poder, o poder do amor, que finalmente vencerá" p. 89
.
O alvo máximo de satanas,em outras palavras, é a morte - dos seres humanos e da própria criação. O meio escolhido por ele para levar o mundo e a humanidade à morte é o pecado, a rebelião da humanidade contra a vocação de refletir a imagem de DEus no mundo, a recusa de adorar ao Criador e a substituição dessa adoração e dessa vocação aos elementos criados e a perda inevitável da imagem de Deus. A morte não é um castigo arbitrário pelo pecado, é sua consequência necessária, já que rejeitar o Deus vivo, o que constitui idolatria, é o equivalente espiritual do que acontece quando um mergulhador corta seu próprio tubo de oxigênio. p. 98
.

"quando a humanidade comete idolatria, adorando aquilo que não é Deus cmo se fosse, concede a outras criaturas e seres do cosmos um poder, um prestígio e autoridade sobre nõs, que nõs, submissos a Deus, deveríamos ter sobre eles. Ao adorar um idolo, seja ele qual for, você abdica algo de sua propria autoridade humana sobre o mundo e concede autoridade a esse idolo, chamado a ser uma força negativa, contrária a Deus, uma força oposta à criação, porque, sendo ela mesma parte do mundo transitório, esta destinada à decadência e morte e, caso nçao tenhamos cuidado, seremos arrastado juntos com essa força". p.100
.
"Romanos 8 é a resposta mais profunda do NT para o problema do mal, para a questão da justiça de DEus,. E tudo acontece segundo o padrão do exodo, da libertação dos escravos, da cruz e da ressureição, da poderosa nova vida do Espírito" p. 105
.
"A eclesiologia verdadeiramente bíblia deveria enfocar não tanto o fato de a Igreja ser uma comunidade de salvos, mas sim a comunidade dos que, redimidos pela cruz, são agora reino e sacerdotes que servem a Deus e reinam sobre a terra" p. 124
.
"o motivo de A teologia cristã genuína ser uma atividade redentora, o esforço para entender e articular a forma como o criador está gloriosamente certo em ter criado o mundo e o redimido, exatamente como o fez. é parte da vocação administrativa da existência humana, que traz a ordem de DEus à mente e ao coração dos outros e, com isso, capacita as pessoas a adorarem o verdadeiro Deus e servirem a seus propositos permanentes" p. 125-126.
.
"A expiação é mais do que uma transação abstrata, que coloca o perdão de DEus à disposição dos que o desejarem. Foi é a conquista estarrecedora, majestosa, pela qual o mal foi derrotado para que a nova era de DEus começasse. E nõs que afirmamos seguir Jesus só podemos fazer tal afirmação se vivermos pela regra do perdão- perdão verdadeiro, não as imitações baratas de que já falei. Só assim encotraremos a resposta cristã adequada ao problema do mal, nque não é uma teoria, mas uma vida, que será justificada ou validada na era vindoura, quando o mal for, enfim, abolido por completo" p.138
.
"Quando entendermos o perdão que flui da obra de JEsus e do Espirito como o fato estranho e poderoso que ele é, começamos a perceber que perdão que DEus nos concede- e o perdão que concedemos aos outros- é a faca que corta as amarras que ainda nos ligam ao pecado, a ira, ao medo, à recriminação e à morte. No fim, o mal não terá nada a dizer, porque a vitória da cruz será completamente estabelecida" p. 145

terça-feira, maio 26, 2009

N. T. Wright : vida após a morte

Agradeço ao Daniel, pelas legendas.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Arrebatamento por Hoekema


Abordaremos primeiramente a questão sobre se a Segunda Vinda é um evento único ou se é dividida em dois estágios. O dispensacionalismo pré-tribulacionista1 fala e uma vinda dupla de Cristo, intermediada por um intervalo de sete anos. Então, a primeira etapa da Segunda Vinda é denominada arrebatamento (ou o arrebatamento pré-tribulacinal), enquanto que a segunda etapa, na qual Cristo instaurará seu Reino milenar, é denominada sua volta. Embora uma discussão mais completa do premilenismo dispensacionalista será deixada para mais tarde, precisamos agora examinar a questão da vinda dupla.
O ponto de vista dispensacionalista pré-tribulacional, sobre este assunto, conforme desenvolvido na New Scofield Bible (Nova Bíblia de Scofield) é o seguinte:

A primeira etapa da volta de Cristo será o assim chamado arrebatamento3, que pode acontecera qualquer momento. Nesta ocasião, Cristo não percorre todo o caminho até a terra, mas somente parte do caminho. Então acontece a ressurreição de todos os verdadeiros crentes4. Após esta ressurreição, os crentes que ainda estavam vivos serão subitamente transformados e glorificados. Agora acontece o arrebatamento de todo o povo de Deus: Os crentes ressuscitados e os crentes transformados são rapidamente elevados às nuvens para encontrar nos ares o Senhor que desce. Este corpo de crentes, denominado a Igreja, segue agora para ao céu com Cristo, para com ele celebrar durante sete anos as bodas do Cordeiro5.
Durante este período de sete anos, enquanto a Igreja permanece no céu, vários eventos sucederão sobre a terra: (1) a tribulação predita em Daniel 9.27 começa agora, sua última metade sendo assim chamada grande tribulação; (2) o anticristo (ou “a besta que emerge do mar”) começa então seu reinado cruel - um reinado que culminará em sua exigência para ser adorado como Deus (3) agora caem juízos terríveis sobre os habitantes da terra, inclusive a parte não-salva da Igreja professa; (4) agora será redimido um número eleito de israelitas, juntamente com uma multidão inumerável de gentios; (5) os reis da terra e os exércitos da besta e do falso profeta reúnem-se agora para atacar ao povo de Deus.
Ao final deste período de sete anos, Cristo retornará em glória acompanhado pela Igreja. Desta vez, ele percorrerá todo o caminho até a terra. Ele destruirá seus inimigos na batalha do Armagedom, estabelecerá seu trono em Jerusalém e começará seu reinado milenar6.
Não há, porém, base escriturística sólida para a posição de que a Segunda Vinda de Cristo deva ser dividida nestas duas etapas. Duas publicações recentes de eruditos premilenistas contêm uma crítica completa da teoria da vinda dupla: George E. Ladd, The Blessed Hope (A Esperança Bendita) (Grand Rapids: Eerdmans, 1956), e Robert H. Gundry, The Church and the Tribulation (A Igreja e a Tribulaçã0) (Grand Rapds, Zondervan, 1973) 7. Entre as razões pelas quais a posição da Segunda Vinda dupla de Cristo deve ser rejeitada encontram-se as seguintes:

(1) Nenhum argumento a favor da vinda em duas etapas pode ser deduzido do uso neotestamentário das palavras da Segunda Vinda. Esta palavras são: Parousia (Literalmente: presença), apokalypsis (revelação), e epiphaneia (manifestação). Primeiramente, veremos o uso da palavra Parousia. Em 1 Tessalonicenses 4.15, Paulo usa Parousia para descrever aquilo que os pré-tribulacionistas chamariam de arrebatamento. Já em 1 Tessalonicenses 3.13, a mesma palavra é utilizada para descrever a “vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos” - a segunda etapa da volta de Cristo, de acordo com os pré-tribulacionaistas. E em 2 Tessalonicenses 2.8, Paulo utiliza o termo Parousia para se referir à vinda na qual Cristo reduzirá o anticristo a nada - o que conforme os pré-tribulacionaistas não deveria acontecer até a segunda etapa.
Passando ao uso da palavra apokalypsis, encontramos Paulo utilizando-a em 1 Coríntios 1.7 para descrever o que esses intérpretes chamam de arrebatamento: “aguardando vós o aparecimento (ou revelação, ASV) de nosso Senhor Jesus Cristo”. Porém em 2 Tessalonicenses 1.7,8, a mesma palavra é empregada para descrever o que os pré-tribulacionaistas denominam a segunda etapa de Segunda Vinda: “... na revelação (apokalypsis) do Senhor Jesus dos céus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus...” (ASV).
Isto também é verdade quanto ao uso do termo epiphaneia. Em 1 Timóteo 6.14 ele se refere ao que os pré-tribulacionaistas chamam de arrebatamento: “Exorto-te... que guardes o mandato imaculado, irrepreensível, até a manifestação (epiphaneia) do nosso Senhor Jesus”. Mas em 2 Tessalonicenses 2.8 Paulo emprega o mesmo termo para descrever a vinda de Cristo na qual ele destruirá o homem da iniqüidade: “Então será revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus... destruirá, pela manifestação (epiphaneia) de sua vinda”. (ASV). Isto não acontecerá, entretanto, conforme os pré-tribulacinaisas, até o fim da grande tribulação.
Portanto, o uso destas palavras não provê base alguma para o tipo de distinção que os pré-tribulacionistas fazem entre etapas da volta de Cristo8.
(2) As passagens do Novo Testamento, que descrevem a grande tribulação, não indicam que a Igreja será removida da terra antes que a tribulação comece. Conforme vimos anteriormente, Jesus fala sobre a grande tribulação em seu Sermão Profético encontrado em Mateus 24. Mas lá não há indicação de que a Igreja não mais estará sobre a terra quando esta tribulação ocorrer. Na verdade, Jesus diz que os dias daquela tribulação serão abreviados por causa dos eleitos (v.22), e não há base para crer que estes sejam apenas eleitos judeus. Alguém poderia contra-argumentar dizendo que o Evangelho de Mateus foi escrito especialmente para os judeus, mas palavras similares são encontradas em marcos 13.20, um Evangelho que não é dirigido especificamente aos judeus. Às vezes os pré-tribulacionistas dizem que Mateus não está falando acerca da Igreja, porque ele efetivamente não utiliza a palavra Igreja nesta passagem. Uma vez que, todavia, Mateus utiliza o termo para igreja (ekklesia) apenas três vezes em seu Evangelho (uma vez em 16.18 e duas vezes em 18.17), o que se pode provar pela ausência do termo aqui?
Neste assunto, entretanto, o que é de importância crucial é a referência ao arrebatamento da igreja em Mateus 24.31: “E ele [Cristo] enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos dos quatros ventos, de uma a outra extremidade dos céus”. Observe os pontos paralelos entre esta passagem e a descrição do arrebatamento da Igreja em 1 Tessalonicenses 4.16,17: a descida do Senhor, o soar da trombeta e a reunião de todo o verdadeiro povo de Deus, aqui denominado os escolhidos. Parece claro que estas duas passagens descrevem o mesmo evento. Mas agora deveria ser observado que o arrebatamento descrito em Mateus 24 é subseqüente à descida do Senhor na sua Segunda Vinda “final”. “e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos”, e assim por diante (vv. 30-31). Aqui não há sinal algum de um arrebatamento pré-tribulacionaista; de fato, o arrebatamento está descrito como vindo após a grande tribulação (veja v.29).
Já vimos anteriormente que a descrição que Paulo faz da manifestação do homem da iniqüidade em 2 Tessalonicenses 2, implica em que o surgimento deste homem provocará grande perseguição e tribulação para o povo de Deus. O propósito de Paulo, neste capítulo, é de advertir seus leitores, alguns dos quais pensavam que o dia do Senhor já tivesse vindo (v.2); adverti-los de que aquele dia não virá sem que primeiramente seja revelado o homem da iniqüidade, juntamente com a tribulação que acompanhará sua manifestação. Portanto, qual seria o objetivo da advertência de Paulo se estes crentes fossem removidos da terra antes da tribulação? Uma vez que a igreja, em Tessalônica, era na sua maioria composta por crentes gentios (veja Atos 17.4), não se pode dizer que Paulo estivesse aqui descrevendo apenas para cristãos judeus. De fato, as palavras de abertura de 2 Tessalonicenses 2 indicam claramente que os eventos descritos neste capítulo, e que incluem a manifestação do anticristo e a grande tribulação, precederão o arrebatamento da igreja: “No que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com ele, nós vos pedimos, irmãos, que não vos deixeis ficar inseguros ou alarmados por alguma profecia... dizendo que o dia do Senhor já tenha vindo. Não deixeis de modo algum que alguém vos engane, porque aquele dia não virá até que tenha acontecido a apostasia e o homem da iniqüidade seja revelado...” (vv.1-3, NIV). É interessante observar que a palavra grega traduzida acima, como “nossa reunião com ele” (episynagogge), é a forma substantiva do verbo utilizado para o arrebatamento em Mateus 24.31: “os quais reunirão (episynago) os seus escolhidos... de uma a outra extremidade dos céus”. Fica claro que o arrebatamento da igreja, conforme descrito nesta passagem, não precede mas sucede à grande tribulação.
(3) A principal passagem do Novo Testamento, que descreve o arrebatamento, não ensina um arrebatamento pré-tribulacionaista. Passamos agora à passagem de 1 Tessalonicenses 4.16,17: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor”. O que esta passagem ensina claramente é que, na hora da volta de Cristo, todos os crentes mortos (os “mortos em Cristo”) serão ressuscitados, e todos os crentes que ainda estiverem vivos serão transformados e glorificados (veja 1 Coríntios 15.51,52); então estes dois grupos serão levantados rapidamente para encontrar o Senhor no ar. O que estas palavras não ensinam é que, após este encontro nos ares, o Senhor inverterá sua direção e voltará para os céus, levando com ele os membros da igreja ressuscitados e transformados. A passagem não fala nenhuma palavra sobre isso. Para dar certeza, o verso 17 termina com as palavras: “e assim estaremos para sempre com o Senhor”. Porém, Paulo não diz onde estaremos para sempre com o Senhor”. A idéia de que, após termos encontrado o Senhor nos ares, estaremos com ele por sete anos no céu, e mais tarde por mil anos nos ares acima da terra é pura inferência e nada mais. O ensino claro desta passagem é uma unidade eterno com Cristo em glória, não uma arrebatamento antes da tribulação.
Tudo isto se tornará ainda mais claro ao olharmos para as palavras traduzidas pela expressão “o encontro do Senhor nos ares”. Embora a tradução inglesa empregue um infinitivo, “encontrar”, o grego traz aqui uma locução preposicional: eis apantesin. Apantesis é uma termo técnico utilizado na época do Novo Testamento para descrever as boas-vindas públicas dadas por uma cidade a um visitante ilustre. Normalmente as pessoas sairiam da cidade para encontrar o distinto visitante e então voltariam com ele para dentro da cidade9. Baseado na analogia transmitida por essa palavra, tudo o que Paulo está dizendo aqui é que os crentes ressuscitados e os transformados são elevados às nuvens para encontrar o Senhor, enquanto ele desce do céu, implicando que após este alegre encontro eles voltarão com ele para a terra.
Esta idéia é confirmada ao olharmos para os dois outros lugares em que a palavra apantesis é utilizada no Novo Testamento. Um desses lugares é Atos 28.15: “Tendo ali os irmãos ouvido notícias nossas, vieram ao nosso encontro (eis apantesin hemin) até a Praça de Àpio e às Três Vendas”. Estes irmãos saíram de Roma para encontrar Paulo, e então retornaram com ele para Roma. O outro uso da palavra é encontrado em Mateus 25.6, na parábola das dez virgens: “Mas, à meia-noite um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro (eis apantesin)”. Assim como as virgens prudentes da parábola saíram para encontrar o noivo, assim os crentes serão levantados para encontrar o Senhor que está descendo. Assim como as virgens, depois disso, foram juntamente com o noivo em seu caminho para as bodas, assim os crentes ressurrectos e os transformados, após terem-se encontrado com o Senhor nos ares, permanecerão juntos com o Senhor, enquanto ele continua seu caminho para terra. A figura das bodas implica em comunhão feliz e amorosa. Por que dever-se-ia presumir que esta comunhão só pode acontecer no céu? O lugar dos corpos ressurrectos e glorificados dos crentes não é no céu, mas sobre a terra. Portanto, não é no céu mas na nova terra que a festa do casamento de Cristo e seu povo redimido acontecerá.
(4) A Segunda Vinda de Cristo envolve tanto uma vinda como seu povo quanto uma vinda para seu povo. Os pré-tribulacionistas, às vezes, falam das duas etapas da Segunda Vinda de Cristo como uma “vinda para seus santos” (O arrebatamento) e uma “vinda com seus santos” (a volta), com um intervalo de sete anos entre si. O argumento então continua da seguinte forma: Cristo somente pode vir com seus santos após ele ter primeiramente vindo para seus santos, no arrebatamento. Após as bodas de sete anos nos céus, Cristo pode levar seus santos com ele quando voltar à terra para estabelecer seu Reino milenar.
Devemos observar que 1 Tessalonicenses 3.13, efetivamente, fala da “vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos”. Se admitirmos, como o faz a maioria dos comentaristas, que o termos “santos” aqui se refere a seres humanos e não a anjos, teremos aqui efetivamente uma descrição do retorno de Cristo com seu povo redimido. Agora a questão passa a ser a seguinte: se esta vinda é necessariamente diferente do que geralmente chamamos de arrebatamento, é 1 Tessalonicenses 4.13-18. O verso 14, que é uma parte dessa passagem, diz o seguinte: “Pois nós cremos que Jesus morreu e ressuscitou, e portanto cremos que Deus trará com Jesus aqueles que dormem nele” (NIV). O problema que perturbava os tessalonicenses era saber se os crentes que já tinham morrido perderiam a alegria da Segunda Vinda de Cristo. A resposta de Paulo, desenvolvida nos versos 13-18, é que eles não perderão, uma vez que os mortos em Cristo serão ressuscitados primeiro, e então, juntamente com os que ainda estiverem vivos, encontrarão o Senhor nos ares. No verso 14 Paulo diz que “Deus trará com Jesus” aqueles que morreram em Cristo. O que se pretende dizer com “trará com Jesus”? Os crentes mortos, assim Paulo nos ensina em outros lugares, estão agora com Cristo (veja Filipenses 1.23 e 2 Coríntios 5.8). Quando Cristo voltar, ele trará estes crentes mortos com ele dos céus. Isto é ensinado, entretanto, não apenas em 1 Tessalonicenses 4.14, que trata especificamente do arrebatamento. A vinda de Cristo “com seus santos”, portanto, não deve ser separada de sua “vinda para seus santos” no arrebatamento. A vinda de Cristo será tanto “com” quanto “para” seus santos10.
(5) Nenhum argumento, para a vinda em duas etapas, pode ser extraído do ensino de que a grande tribulação será um derramamento da ira de Deus sobre o mundo. Uma vez que durante a grande tribulação a ira de Deus visitará a humanidade rebelde, a Igreja não estará sobre a terra nesse tempo, porque a Igreja não pode ser objeto da ira de Deus.
É verdade; a Igreja nunca será objeto da ira de Deus, uma vez que Cristo sofreu a ira de Deus por seu povo quando foi crucificado. Mas esse fato não implica, necessariamente, em que a Igreja não possa estar na terra quando a ira de Deus for derramada durante a tribulação. Por exemplo, devemos lembrar-nos de que, quando Deus visitou com sua ira os egípcios na época das dez pragas, o povo de Deus, embora vivesse na terra, foi guardado dos males infligidos aos egípcios. No sétimo capítulo, do livro do Apocalipse, além disso, lemos acerca dos servos de Deus que serão selados em suas frontes (v.3), a fim de que a ira de Deus não caia sobre eles (cap.9.4) durante o tempo em que essa ira estiver caindo sobre outros11.
Todavia, há algo mais que precisa ser dito. Proteção da ira de Deus não implica em libertação da ira do homem. Conforme vimos anteriormente, a Igreja terá continuamente de sofrer tribulação; consideremos as palavras de Jesus em Mateus 24.9, falando de seu povo ao longo de toda a era atual: “Então sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome”. Se a tribulação é um dos sinais dos tempos, que razão haveria para que a Igreja não esteja na terra durante a fase final da tribulação? Em 2 Tessalonicenses 1.6-8, Paulo indica que a volta de Cristo significará libertação da tribulação parra sua Igreja e para seu povo: “... se de fato é justo para com Deus e ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós outros que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao Evangelho do nosso Senhor Jesus”.Concluímos, portanto, que não há base nas Escrituras para se conceber a Segunda Vinda em duas etapas, como é ensinada pelos pré-tribulacionaistas. A Segunda Vinda de Cristo deve ser considerada como um evento único, que ocorre após a grande tribulação. Quando Cristo voltar, haverá uma ressurreição geral, tanto de crentes como de incrédulos12. Após a ressurreição, os crentes que ainda estiverem vivos deverão ser transformados e glorificados (1 Co 15.51,52). Então acontece o “arrebatamento” de todos os crentes13. Os crentes que forem ressuscitados, juntamente com os crentes vivos que forem transformados, são agora elevados rapidamente para as nuvens para encontrarem com o Senhor nos ares (1 Ts 4.16,17). Após este encontro nos ares, a Igreja arrebatada continua junto com Cristo enquanto ele completa sua descida à terra

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Nova Terra



por Anthony Hoekema de A Bíblia e o Futuro.






As principais passagens bíblicas que falam da nova terra são as seguintes: Isaías 65.17-25 e 66.22,23 2 Pedro 3.13 e Apocalipse 21.1-4. Isaías 65.17-25, que talvez contenha mais sublime descrição veterotestamentária da vida futura do povo de Deus, já foi abordada anteriormente18.
Em Isaías 66.22,23, existe uma segunda referência à nova terra: “Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. E será que de uma lua nova à outra, e de um sábado a outro virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor”. Nos versos anteriores do capítulo 66, Isaías predisse futuras e copiosas bênçãos para o povo de Deus: Deus dará a seu povo grande prosperidade (v.12), confortará o seu povo (v.13), fará o seu povo se regozijar (v.14), e o congregará dentre todas as nações (v.20). No verso 22 Deus nos diz, através de Isaías, que seu povo permanecerá perante ele tão duradouramente quanto os novos céus e a nova terra que ele criará. Vemos no verso 23 que todos os habitantes dessa nova terra adorarão a Deus fiel e regularmente. Embora esta adoração esteja descrita em toemos emprestados da época em que Isaías escrevera (“de uma lua nova à outra, e de um sábado a outro”), estas palavras não devem ser entendidas em um modo estritamente literal. O que está predito aqui é a adoração perpétua de todo o povo de Deus, congregado dentre todas as nações, de modo que será adequado à nova existência gloriosa de que eles desfrutarão na nova terra.
Em 2 Pedro 3, o apóstolo enfrenta a objeção dos escarnecedores que dizem: “Onde está a promessa da sua vinda?” (v.4). A resposta de Pedro é que o Senhor adia a sua vinda porque ele não deseja que ninguém pereça, mas deseja que todos venham ao arrependimento (v.9). Entretanto, Pedro continua dizendo, o dia do Senhor virá, e naquela ocasião a terra e as obras que nela estão serão destruídas pelo fogo (v.10). Agora acompanhe estas palavras: “(11) Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, (12) esperando e apressando (ou desejando ansiosamente, variante) a vinda do dia de Deus, por causa do qual o céus incendiados serão desfeitos e os elementos abrasados se derreterão. (13) Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”. A ênfase de Pedro é que, embora a terra atual será “incendiada”, Deus nos dará novos céus e uma nova terra que nunca será destruída, mas que durará para sempre. Desta nova terra tudo o que for pecaminoso e imperfeito terá sido removido, pois será uma terra onde habita a justiça. Portanto, a atitude adequada para com estes eventos vindouros não é de escarnecer do seu atraso, mas de estar ansiosamente esperando pela volta de Cristo e pela nova terra que virá à existência após essa volta. Tal espera deveria transformar a qualidade da vida aqui e agora: “Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por ser achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (v.14).
A descrição mais arrebatadora de toda a Bíblia sobre a nova terra é encontrada em Apocalipse 21.1-4:
(1) Vi novo céu e nova terra, pois o primeira céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
(2) vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.
(3) Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles.
(4) E lhes enxugará dos olhos toda lágrima e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

Uma existência incomparavelmente bela está retratada nesses versos. O fato de que a palavra kainos descreve a novidade do novo céu e nova terra indica, conforme apontado anteriormente, que o que João vê não é um universo totalmente diferente do atual, mas um universo que foi gloriosamente renovado. Existem diferenças de opinião quanto à questão de se as palavras “e o mar já não existe” deveriam ser entendidas literalmente ou figuradamente. Mesmo que devam ser interpretadas literalmente, elas indubitavelmente apontam para um aspecto significativo da nova terra. Uma vez que o mar no restante da Bíblia, especialmente no livro do Apocalipse (cp 13.1; 17.15), freqüentemente, representa aquilo que ameaça a harmonia do universo, a ausência do mar na nova terra significa a ausência de qualquer coisa que pudesse interferir nessa harmonia.
O verso 2 nos mostra a “cidade santa, a nova Jerusalém”, representando toda a igreja glorificada de Deus, descendo dos céus à terra. Esta igreja, agora totalmente sem mancha ou mácula, completamente purificada do pecado está agora “ataviada como noiva adornada para o seu esposo”, pronta para o casamento do Cordeiro (veja Ap 19.7). Vemos neste verso que a Igreja glorificada não permanecerá em um céu distante no espaço, mas passará a eternidade na nova terra.
Aprendemos, do verso 3, que o lugar da habitação de Deus não mais será agastado da terra, mas será na terra. Uma vez que o céu é onde Deus habita, concluímos que na vida por vir céu e terra não mais estarão separados, conforme estão agora, mas serão fundidos. Por causa disso os crentes continuarão a estar no céu enquanto continuam a viver na nova terra. “Ele habitará com eles, e eles serão seu povo” são as palavras familiares da promessa central da aliança da graça (cp Gn 17.7; Ex 19.5,6; Jr 31.33; Ez 34.30; 2 Co 6.16; Hb 8.10; 1 Pe 2.9,10). O fato de que esta promessa é repetida na visão que João tem da nova terra implica que somente nessa nova terra Deus finalmente concederá a seu povo a plenitude das riquezas que a aliança da graça inclui. Aqui nós recebemos as primícias; lá receberemos toda a colheita.
As afirmações corajosas do verso 4 sugerem bem mais do que elas efetivamente dizem. Não haverá lágrimas na nova terra. Choro e dor pertencerão às coisas primeiras, que já serão passadas. E não haverá mais morte - não mais haverá acidentes fatais, nem doenças incuráveis, nem serviços fúnebre, nem últimas despedidas. Naquela nova terra desfrutaremos de comunhão eterna e inquebrável com Deus e com o povo de Deus, incluindo os queridos e amigos a quem amamos e perdemos por um pouco.
No restante do capítulo 21, e nos primeiras cinco versos do capítulo 22, encontramos uma descrição maior da cidade santa - que, como podemos inferir, será o centro da nova terra. É duvidoso se detalhes como os fundamentos de jóias, os portões de pérolas e as ruas de ouro devem ser tomadas literalmente, mas o radiante esplendor que essas figuras sugerem confundem a imaginação. O fato de que os nomes das doze tribos estão inscritos nas doze portas (21.12) e que os nomes dos doze apóstolos estão inscritos nos doze fundamentos (v.14) sugere que o povo de Deus, na nova terra, incluirá tanto crentes da comunidade da aliança veterotestamentária quando da Igreja do Novo Testamento. Não haverá templo na cidade (v.22), uma vez que os habitantes da nova terra terão comunhão direta e contínua com Deus.
Os versos 24 e 26 são muitos significativos, pois nos dizem: “os reis da terra lhe trazem a sua glória [na cidade santa]... e lhe trarão a glória e a honra das nações”. Poder-se-ia dizer que, conforme essas palavras, os habitantes da nova terra incluirão pessoas que alcançaram grande proeminência e exerceram grande poder na terra atual - reis, príncipes, líderes e outros. Também poderia se dizer que qualquer coisa que as pessoas tiverem feito nesta terra, que tenha glorificado a Deus, será lembrado na vida por vir (veja Ap. 14.13). Porém, é preciso dizer mais. Não será demais dizer que, conforme estes versos, as contribuições peculiares de cada nação para a vida na presente terra enriquecerão a vida da nova terra? Deveremos então herdar as melhores produções da cultura e da arte que esta terra tem produzido? Hendrikus Berkhof sugere que tudo o que tiver tido valor nesta vida atual, tudo o que tiver contribuído para a “libertação da existência humana” será retido e acrescentado na nova terra19. Em apoio a esta idéia ele cita a seguinte sentença de Abrahm Kuyper: “Se um campo infinito de conhecimento e habilidade humanas está agora sendo formado por tudo o que acontece, com o fim de sujeitar a nós o mundo visível e a natureza material, e se sabemos que este nosso domínio sobre a natureza será completo na eternidade, podemos concluir que o conhecimento e o domínio que aqui conquistamos sobre a natureza pode e será de importância permanece, mesmo no Reino da glória”.