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sábado, março 10, 2012

Allistar MacGrath: uma introdução a espiritualidade cristã



Depois de ler Paixão pela Palavra, comecei a ler outro livro de Allistar MacGrath, que trata agora da espiritualidade cristã. É um livro muito bom porque parte do pressuposto do relacionamento entre a teologia e a espiritualidade e da existência de uma relação entre elas. 

Não pode haver calor sem luz e nem luz sem calor.

Por espiritualidade cristã, o autor entende pela busca por uma experiência cristã autêntica e satisfatória, envolvendo a união das idéias fundamentais do cristianismo com toda a experiência de vida baseada em e dentro do âmbito da fé cristã. O autor traça no livro um esboço histórico dessa busca nas correntes cristãs, desde das práticas cristãs como também temas cristãos e seus diferentes usos e pontos de vistas em torno da espiritualidade.

A definição da espiritualidade envolve três grupos temáticos, o primeiro é o de crenças, o segundo é o de valores e o último, um modo de vida. A meta é conhecer a Deus, e não apenas sobre Ele. Ter uma experiência plena. Transformação com base na fé cristã e alcançar uma autenticidade cristã na vida e pensamento.

O autor coloca os limites da espiritualidade nas variáveis teológicas, históricas e pessoais, como também as diversas considerações denominacionais. Apoiando em Neibhur, o autor coloca as posições da igreja em relação ao mundo, na classificação do autor citado, são: Cristo contra cultura, Cristo da cultura, Cristo e a cultura em paradoxo e Cristo transformador da cultura.

O terceiro capítulo  fala sobre os FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS PARA A ESPIRITUALIDADE, há um relacionamento íntimo entre a teologia e a espiritualdade:

"conhecer a Deus significa ser transformado por Deus, verdadeiro conhecimento de Deus leva à adoração, uma vez que o cristão é envolvido em um encontro transformador e renovador com o Deus vivo. Conhecer a Deus significa ser transformado por Deus. A idéia de um conhecimento de Deus puramente objetivo ou desinteressado é falaz" p. 61

O papel da teologia é estabelecer uma estrutura na qual a espiritualidade pode ser inserida. O autor cita a importância dos credos.  Por outro lado, se não tomar cuidado a teologia fica tão concentrada em si mesma que se perde na sua abstração.

Para mostrar a necessidade deste relacionamento o autor cita Thomas Merton:

"A contemplação, longe de opor-se à teologia, na verdade é o aperfeiçoamento normal da teologia. Não devemos separar o estudo intelectual da verdade divinamente revelada da experiência contemplativa dessa verdade com se não tivessem nada que ver um com o outro. Pelo contrário,  eles são simplesmente dois aspectos da mesma coisa. Teologia dogmática e teologia mística, ou teologia e espiritualidade, não devem fazer parte de categorias mutuamente excludentes, como se misticismo fosse para mulheres  devotas e o estudo teológico para homens práticos, mas, pasmem, secularizados. Essa divisão enganosa talvez explique muito do que está realmente faltando tanto na teologia quanto na espiritualidade. Mas uma pertence à outra. A não ser que estejam juntas, não há fervor, vida nem valor espiritual na teologia, nenhuma substância, significado ou orientação segura na vida contemplativa" na p. 69

No quarto capítulo, o autor es

domingo, fevereiro 26, 2012

James Bryan Smith: O maravilhoso e bom Deus.


O livro tem por intenção ser o primeiro de uma trilogia de um currículo de crescimento espiritual. Smith é ligado a Renovare, escreveu um livro simples e profundo que aborda diversas questões da vida espiritual.


A abordagem de Smith é bastante criativa,um capítulo traz um princípio e logo a seguir, vem uma disciplina espiritual a ser praticada em torno daquele tema. O livro de Smith é mais fácil de ser lido que os de seus mentores como Dallas Willard ou Richard Foster, pois é mesmo uma introdução à vida contemplativa.

Para Smith o processo de mudança na vida de uma pessoa envolve a necessidade de examinar o que pensamos - nossas narrativas-, como agimos- nossas disciplinas espirituais- e com quem estamos interagindo - nosso contexto social-. Há quatro elementos básicos: 1. mudar as histórias de nossa mente, 2. engajar-nos em novas práticas, 3. refletir e dialogar com outras pessoas que seguem o mesmo caminho e 4. fazer tudo sob a orientação do Espírito Santo.

A abordagem de Smith diz que precisamos mudar as narrativas de nossa mente, o que lembra o ensino de Peterson. Precisamos descobrir quais as  narrativas que formam o nosso pensamento, e comparar elas com as de Jesus, o livro segue tentando mostrar o Deus que Jesus conhecia em oposição ao Deus das narrativas religiosas.

As disciplinas são vistas como exercícios de treinamento para alma, tratam de sabedoria e não de justiça. 

"O Espírito muda nossas falsas narrativas testemunhando a verdade. nossos dois mais importantes relacionamentos são nosso relacionamento com Jesus, como Senhor- do grego kyrios- e nosso relacionamento com Deus como nosso pai- aba em aramaico, o idioma que Jesus falava-" p.35

A passividade da vida cristã:

"Começaremos a viver como Jesus viveu uma vida perfeita  que não somos capazes de vier e como ele ofereceu essa vida ao Pai em nosso favor, libertando-nos da obrigação de merecer o amor e o favor de Deus" p. 38

Gostei muito do livro, em breve, coloco outros trechos do livro.  A espiritualidade fica claro no livro que está ancorada no amor incondicional de Deus por nós. A nossa transformação está baseada em três coisas, na mudança de narrativa, na disciplina espiritual e comunidade, tudo isto sob dependência do Espíirto Santo. A manifestação disto tudo é uma vida que descansa e frutifica do Espírito Santo, uma vida com paz e contemplação.


quarta-feira, fevereiro 22, 2012

James Houston: 3 livros

Finalmente, acabei de ler três livros de James Houston.






1. Mentoria Espiritual.

Houston coloca três modelos de mentoria em distinção ao mentoreamento cristão, são eles: heróico, estóico e terapeutico. Para Houston, a verdadeira identidade do ser humano está no seu encontro com Cristo, somente a partir do evangelho e da realidade de Jesus, os indíviduos podem se tornarem pessoas de verdade.

Houston escreve o livro sobre três influências, Edwards, Bernardo de Clairvaux e, mais preponderantemente, Kierkegaard.  As formas seculares de mentoreamento criam apenas individuos, que não geram pessoas.

O pensamento secular cria abstrações que não podem completar o ser humano, somente a vida de Jesus Cristo pode dar realidade, fazer do individuo uma pessoa.


Na mentoria cristã, há a vida de Jesus Cristo, que não dá apenas uma noção abstrata de como viver, mas o próprio viver, assim a pessoa se realiza concretamente.


A pessoa está baseada na revelação teológica do imago dei, seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus. Somos tornados justos graças à justificação por Deus, e não em ações humanas. A liberdade é definida como auto-transcendência, fundamentada em Cristo, e não numa autonomia. O discipulado é abertura para Deus, com base em seu chamado ao contrário do modelo antropológico de um auto-enclausuramento, iniquidade e desobediência.


A pessoa cristã é alguém que recebe, mas não alcança o mérito. A perfeição cristã não está no ideal grego de não ter falhas, mas numa expressão de crescimento e maturidade.




2. Meu Legado Espiritual


Houston descreve sua formação como cristão, entende que o momento atual é de um cristianismo no fio da navalha, com diversas opções dentro dele que não são exatamente cristãs.


O livro vemos mais uma vez a influência dos mentores do pensamento dele: Kierkegaard, Jonathan Edwards e Agostinho.


Na primeira parte do livro, ele fala da fé cristã como um modo de vida e uma nova identidade, está divida em duas partes, o folego da vida oculta e abertos para um viver visionário de Deus.  Há duas análises, uma sobre a vida interior e outra sobre as expectativas da vida em Cristo.

A prioridade do chamado pessoal sobre a vida institucional, o surrealismo da face visível da vida cristã e tornar-se uma pessoa: uma jornada. Aqui, Houston conta sobre seu ministério, indas e vindas, o caminho que Cristo trilhou. Surrealismo ele chama a vida oca de um cristianismo sem vida, sem cruz. Há uma dupla vocação que são conjuntas, a de discipulo e a profissional.

A jornada é ofensiva para o mundo, é uma dialética entre as duas concepções de mundo, a cristã e a mudana.

A última parte do livro, fala sobre amadurecendo na comunidade, transmitindo a fé em pessoa, fala sobre viver a verdade em amor e a transmissão da fé numa era de ruptura.


3. O Desejo.

Neste livro, Houston fala sobre o coração humano, que é insensato e sedento. Fala sobre os desejos humanos que com a idolatria podem fazer que coisas boas acabem se tornando prejudiciais.

Sobretudo, há uma excelente explicação sobre como os vícios podem afetar o nosso 
coração.

Há uma análise de como descobrir contentamento para os desejos do nosso coração, há mais uma vez a análise de que somente em Cristo, nossos desejos podem nos levar a sermos uma pessoa de verdade.

Sempre nos textos de Houston, há a influência de Kierkegaard, na questão da construção da identidade pessoal em Cristo Jesus. Há a crítica de Edwards contra o racionalismo cartesiano. E uma vida de devoção,  com a mentoria de Agostinho e Bernado de Clairvaux.

"O desejo é o incessante pulsar da vida humana. O que ansiamos determina o escopo de nossas experiências, a profundidade de nossas percepções, os padrões com os quais julgmos e a responsabilidade com que escolhemos nossos valores. Por isso é de crucial importância ansiarmos por coisas que ultrapassam o material, que sejam transcendentais"


sexta-feira, outubro 08, 2010

Anthony de Mello: Caminar


Una vez que las ilusiones son abandonadas, el corazón deja de estar obstruido, se instaura el amor. Entonces hay felicidad. Entonces hay transformación. Y solamente entonces, sabes quién es Dios.

Silencio significa ir más allá de las palabras y de los pensamientos. ¿Qué hay de erróneo en las palabras y en los pensamientos? Que son limitados.


con certeza-: "No sabemos lo que Él es." Y también está lo que dice la Iglesia: "Cualquier imagen que hagamos de Dios es más diferente que parecida a Él. Si eso es verdad, ¿qué son entonces las Escrituras? Bien, ellas no nos dan un retrato de Dios, ni una descripción; nos dan una pista. Porque las palabras no pueden proporcionamos un retrato de Dios. Supongamos que yo estoy en mi país, yendo rumbo a Bombay, y llego a una placa donde está escrito: Bombay. Digo: "¡Miren, aquí está Bombay!" Miro la placa, me vuelvo y tomo el camino de retorno. Y cuando llego, las personas me preguntan: "¿Fuiste a Bombay?" "Sí, fui." "¿Y cómo es aquello?" "Miren, es como una placa pintada de amarillo con palabras escritas, una

sábado, agosto 14, 2010

UM MILHÃO DE QUILOMETROS EM MIL ANOS

O que você faria se pudesse mudar o roteiro de sua vida?
Depois de escrever uma autobiografia de sucesso, a vida de Donald Miller estagnou. De repente, ele perdeu até a vontade de sair da cama. Evitava responsabilidades e questionava o sentido da vida. Contudo, quando dois produtores de cinema propuseram transformar sua biografia em um filme, Miller viu ali o início de uma nova história cheia de riscos, possibilidades, beleza e significado. Um milhão de quilômetros em mil anos é a crônica dessa oportunidade singular de reinventar a própria jornada, de poder atuar como um diretor de cinema no roteiro da própria vida.

 

 

 

Escrever sua vida como se fosse uma história, a partir do desafio de roteirizar um livro auto-biográfico, deixa-lo melhor, Donald Miller parte para esta metáfora como um estilo de vida. Fazer da sua vida uma boa história. O cristianismo de Don Miller não é um gênero muito ortodoxo, talvez por isto, nos provoque tanto. Ler seus livros é descobrir uma graça que atravessa as paredes da igreja, uma graça presente em cada cena da vida, por mais comum e banal que seja, ela está lá.

 

 

“Ouvi dizer que muitos dramaturgos acabavam suas histórias com um enterro, fosse ela trágica, ou com um casamento, fosse ela cômica. Acho que isso explica a razão pela qual damos tanta importância a casamentos, porque o casamento significa vida e porque a noiva e o novo já estão velhos para escrever um cartão de agradecimentos pelos jogos de colheres que você lhes deu. E talvez porque você pode beber e dançar, seja qual for sua idade. Eu só danço em casamentos. Eu praticamente só bebo, também, em casamentos, e na maioria das vezes, por causa disso, aí eu dou meus passinhos de dança. Uma das coisas que me dão esperança é que, mesmo com toda a tragédia que acontece no mundo, a Bíblia diz que, quando chegarmos ao céu, haverá um casamento, haverá bebida e dança” p. 47

“O interessante da morte é que ela faz com que você se lembre de que a história que estamos contando tem fim (…) Meu tio contou uma boa história com sua vida, mas acho que houve tanta tristeza no seu enterro porque sua história não estava acabada. Se a história que você está contando não for boa, ninguém vai pensar que você morreu muito cedo, as pessoas vão simplesmente pensar que você morreu. Mas meu tio morreu cedo demais (p.50;52)

Fico pensando, no entanto, se uma das razões pelas quais não reconhecemos o esplendor da vida é porque não queremos a responsabilidade inerente a esse reconhecimento. Não queremos ser personagens em uma história porque personagens têm de se mover, respirar fundo e enfrentar conflitos com coragem. E se a vida não é fora de série, então não precisamos fazer nada disso, podemos ser vítimas relutantes, em vez de participantes agradecidos” p. 75

“A regra geral de histórias é que os personagens não querem mudar. Eles devem ser forçados a mudar. Ninguém acorda e começa a perseguir um vilão ou desarmar uma bomba, a menos que algo o obrigue a fazer isso. Os vilões acabaram de roubar sua casa e estão fugindo com o último rolo de papel higiênico ou a bomba está presa ao seu gato favorito. É esse tipo de coisa que faz um personagem se mexer” p. 116

Acho que é nesse ponto que a maioria das pessoas desiste de sua história. Elas saem da faculdade com vontade de transformar o mundo, de se casar, de ter filhos e de mudar o modo como as pessoas compram artigos de escritório. Mas elas chegam lá no meio e descobrem que era mais díficil do que imaginavam. Não conseguem mais ver a praia distante e ficam se perguntando se estão avançando com as remadas. Nenhuma das árvores atrás delas está ficando menor e nenhuma das árvores pela frente está ficando maior. Elas descarregam a raiva no cônjuge e saem à procura de uma história mais fácil” p. 195

Não acredito que seja um ato humano que fará com que as coisas na terra sejam perfeitas e não acredito que Deus irá intervir antes de minha morte ou, até onde se sabe, antes de você morrer. Em vez disso, acredito que vamos continuar a desejar uma resolução que não virá de modo algum, não na vida como conhecemos. p. 219

Fomos ensinados que havia um buraco em forma de círculo em nosso coração e que tentamos preenchê-lo com os pinos quadrados do sexo, das drogas e do rock and roll, mas só o pino redondo de Jesus poderia preencher o buraco. p.221

É díficil imaginar uma religião imersa em tanta dor e sacrifício tornou-se uma promessa de euforia na tera. Acho que Jesus pode melhorar as coisas, mas não acho que ele vá deixá-las perfeitas. Não aqui e não agora. p. 222

 

 

 

domingo, agosto 01, 2010

Paulo Brabo: 6 passos o que faria Jesus.

Paulo Brabo não plagiou o livro americano Em seus passos o que faria Jesus, o título do livro de Brabo não tem a famosa sentença o que faria Jesus agora, ele vai além, propõe um “novíssimo manual de conduta do seguidor de Jesus”, mas não um manual moralista de um jogo de causa e efeito, mas um manual mais afeito a Jesus de riscos e ganhos.

Na introdução o autor nos fala que “ seguindo esses seis passos muto simples você alcançará rejeição imeditada na terra e consagraçaão a médio prazo no céu. A pressa é sua”. Eis os seis passos propostos por Brabo:

 

  1. Viva a intolerância contra os religiosos
  2. Faça o que os outros não esperam
  3. Desfrute sem possuir
  4. Viva inteiramente inserido no seu mundo
  5. Permaneça disponível para o momento
  6. Sensualize a sua espiritualidade

Em  viva a intolerância contra os religiosos, o autor relembra que Jesus foi absolutamente intolerante para com os religiosos de sua época, crítica a evolução do cristianismo para aquilo que Jesus mesmo condenou

Nenhuma manifestação do cristianismo institucional dosnossos dias difere, em qualquer sentido importante, da inclinação geral do parágrafo acima. Os olhos do Rei permanecem reclamando seus direitos, absolutamente convencidos da primazia da sua condição. Os religiosos cristãos chafurdam em seus merecimentos, e oram descaradamente para extrair alguma prosperidade dos inimigos de Cristo ou reduzi-los à servidão – o que for mais imediato ou der mais prazer (e é naturalmente graças aos cristãos que cremos que essas duas últimas coisas andam juntas) (p. 12)

Conclui, dizendo que o desconcertante é que Jesus, ao mesmo tempo, que não tolerava os religiosos, batendo de frente contra o monopólio da religião por estes, tolerava muito os pagãos. Assim:

O alvo da nossa intolerância deve seroutro, o alvo que foi também o de Jesus: os que passeiam pelo mundo crendo ter o aval inequívoco e a credencial indelével do VerdadeiroDeus. Aqueles que, nas palavras de Paulo, estão persuadidos de serem“guias dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutores de ignorantes, mestres de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade” – mas que “ensinam os outros sem ensinarem a si mesmos”. (p. 16)

No segundo passo Faça o que os outros não esperam, Paulo Brabo continua sua jornada em busca daquilo que Jesus realmente faria hoje, o inesperado. Que sejamos como ele, inclassificáveis, lisos como peixe.

 

Há cristãos que seguem o Primeiro Passo e demonstram uma saudável intolerância contra os religiosos; um número incrivelmente menor segue Jesus em ser inesperado como ele foi. Não há catecismo ou Escola Dominical que nos ensine a sermos desbocados, independentes,provocadores e desarmantes como Jesus. (p.22)

Acredito que o autor quer deixar claro que não adianta apenas você proclamar que vive um cristianismo livre da religião, sem intolerância, mas não pratica a sua fé cristã. Não conformidade com os padrões leva a uma paralisia de ação por parte  de alguns, mas não parece que é isto Paulo Brabo defende.

Por outro lado, Brabo também se opõe ao crente fabricado em massa, que não pensa por si só, são formatados, inofensivos, dóceis e obtusos. A intolerância contra o monopólio da religião não pode significar passividade com o mundo. Não podemos ser uma “assembléia de bocós e não os subversivos que nossa vocação exigiria de nós”(p. 22).

O cristão não deve ter apenas sabedoria, deve ter também sagacidade. Ou melhor, a astúcia de uma serpente.

Para ser imprevisível é preciso ser esperto; para enxergar a armadilha sendo montada é preciso tarimba; para evitá-la é preciso jogo de cintura;para desarmar o seu adversário publicamente, sarcasmo e bom humor; para desmascarar o seu adversário diante dele mesmo, uma compassiva mas implacável inteligência verbal” (p. 23)

 

O terceiro passo é Desfrute sem possuir. Tendo falado sobre os aspectos religiosos e disposição de espírito, Brabo vai falar de dinheiro, a nossa verdadeira religião.

Os primeiros passos, embora imprevisíveis e portanto virtuosos, são essencialmente cosméticos e relativamente pouco exigentes. Tudo começa a se desequilibrar quando se fala em dinheiro, e Jesus demonstra não ignorar isso. Ele então fala em dinheiro o tempo todo. (p. 27)

continua, dizendo:

Provocativamente, como em tudo que fazia, Jesus acaba propondo que a esfera de Deus e seu imponderável domínio podem ser adequadamente comparados àquilo que associamos de forma mais imediata ao valor, ao desejo e à satisfação – não o sexo, não o amor, não o poder, mas o dinheiro (em que estão contidos os anteriores). A vida encontrada em Deus é apenas comparável à moeda que foi recuperada, à rês valiosa que se reencontrou: ao tesouro que por um lado vale todo investimento, por outro o requer. (p. 28)

A riqueza material para Jesus, segundo o autor, é uma contradição em termos, pois a única riqueza possível é a espiritual, contudo, Jesus está longe de um ascetismo, nos convida a desfrutar do material sem prendermo-nos a ele.

É um equilíbrio que nos parece paradoxal, mas Jesus no fim das contas está dizendo que o pobre e o frugal estão melhor equipados para desfrutar das boas coisas da vida – não em virtude de qualquer pureza inerente de coração, mas simplesmente porque a limitação da sua condição força-os a valorizar o momento, que é no fundo o quetodos tem. “Por mais empenhado que esteja, qual de vocês consegue adicionar meio metro à sua estatura?”

Para o rabi de Nazaré ser rico e ganancioso não é conduta especialmente corrupta ou perversa – está mais para o imbecil. Porque, ele ousa argumentar, correr atrás do material impede-nosjustamente de desfrutá-lo. (p. 29)

O dinheiro como idolatria é o alvo, abrir mão do que o dinheiro existe para epitomizar: a segurança e o poder. A ganância, segundo o autor, aparece no Novo Testamento como idolatria exatamente porque é essencialmente mentirosa –promete segurança e poder quando ambos são derramados sem qualquer critério ou pré-requisito por Deus.

É preciso não dobrar-se a Mamom, mas fazer uso descarado das riquezas a fim de fazer verdadeiros amigos (Lucas 16:9). É preciso usar o dinheiro sem ser usado por ele; extrair gozo do material sem ser desfigurado por ele. É preciso ser generoso como Deus, pobre como Jesus. Dar a César a ninharia que é de César, receber de Deus a abundância que é de Deus. (p. 31)

O quarto passo a seguir é o Viva inteiramente inserido no seu mundo, Paulo Brabo aqui retoma, primeiramente, o conceito da jornada do herói, que advém dos mitos culturais  que os filmes hollywoodianos usam na maioria de seus filmes. Onde a familiaridade é inimiga do crescimento, para que o herói seja um verdadeiro herói numa história,  deve se afastar de tudo aquilo que lhe é confortável e familiar e partir sozinho ou apoiado pelo mestre numa jornada para o crescimento individual. Seguindo nesta crença, acreditamos que aquele que deseja santidade deve ter como primeiro passo, o afastamento do mundo, de tudo que lhe for familiar.

Por definição a palavra santo quer dizer separado, singular, o santo não pode ter nada a ver com o mundo, contudo, as coisas não são assim tão simples em Jesus.

Pensando na narrativa em si, em busca de um antagonista para Jesus dentro dos Evangelhos, Brabo conclui:

Nos evangelhos, o antagonista de Jesus é João Batista. De todos que em algum momento da história se opõem a Jesus ele é o único que representa verdadeira autoridade; de todos que se atiram no caminho de Jesus querendo exercer sobre ele alguma infuência, é João Batista que, em seu recato, chega a corresponder – contrapor-se– a ele. (p. 36)

 

Em perfeita oposição a João, Jesus deixa claro que é sua proximidade do mundo, seu “não-afastamento”, a porção mais essencial da sua missão. Ele vence a tentação do deserto e segue percorrendo incessantemente as cidades, onde pode estar com as pessoas e submetê-las à sua mensagem, que é essencialmente sua própria pessoa. (p. 38)

 

João é o homem que se afasta do mundo para não deixar-se contaminar por ele. Jesus é o homem inteiramente inserido no mundo, inteiramente mergulhado nas complicações do dia-a-dia e nas preocupações e privilégios do homem comum.

Dos incontáveis paradoxos do cristianismo histórico, esse é mais um: historicamente, os cristãos ignoraram o exemplo de Cristo tornaram-se seguidores funcionais de João. O caminho de JoãoBatista é o caminho dos monges do deserto, das ordens religiosas, das rádios evangélicas; é o caminho do ascetismo, das regras estabelecida spara “fazermos diferença”; das abstenções, do recuo, do afastamento,da irrelevância, da exclusão e do preconceito.

O caminho de Jesus é o da inclusão, da presença, do abraço irrefletido e incondicional do mundo. É o caminho estreito que poucos trilham, a porta exigente pela qual poucos passam. (p. 39-40)

Brabo contrapõem duas posturas, uma de Jesus de inclusão social e outra de João de exclusão social, Jesus procura transformações de dentro para fora, seja no aspecto pessoal ou mesmo no social, ele  não nos ensina ao alheiamento ao mundo, mas há sermos um sal dentro das entranhas do mundo em seus miolos.

Jesus propõe, inconcebivelmente, uma espécie de santidade que não é definida pela exclusão, mas pela generosidade e pela liberalidade da presença. É dele a horrenda idéia original de distribuir abraços gratuitos – gratuitos no sentido de serem dados a quem,essencialmente, não os merece. Essa sua ousadia derruba para sempre a primazia da surrada santidade distanciada epitomizada em João Batista. Jesus demonstra, em seu modo de vida, que um caminho superior ao de achar-se melhor do que os outros pela exclusão é amar os outros pela inclusão. (p.41)

Ou, como conclui o autor:

A santidade do senso comum exige que nos afastemos da normalidade da experiência do dia-a-dia em favor da singularidadeda vida religiosa. O Filho do Homem nos convida, assombrosamente,a fazermos o trajeto oposto.

No quinto passo, Permaneça disponível para o momento, Paulo Brabo vai nos falar sobre a ditadura do Carpe Diem, da valorização do  consumo de coisas no tempo, da aquisição de memórias como sinônimo de felicidade, enfim, da capitalização do tempo.  Em contrapontoa tudo isto, a valorização do real sentido do schabat:

o schabat, que representa uma completa reversão nas nossas expectativas convencionais sobre santidade: o schabat é demonstração de que para Deus existem menos lugares santos do que momentos santos.

O credo do carpe diem ou a idolatria do instante:

No credo do Carpe Diem, bem-aventurado é quem angaria no mais curto período a maior carteira de lembranças preciosas. Você já fez um cruzeiro pelo Caribe? Confere. Fez pós-graduação e mestrado? Confere. Já teve uma árvore e plantou um filho? Confere. Foi a um show de Antony and the Johnsons/ZecaPagodinho/André Rieu/Lagoinha? Confere.  Já passou o final de ano no Club Mediterranée? Quê? Não? Você ainda não viveu, cara – e não vai aparentemente chegar a viver, a não ser que tenha o rosário de lembranças corretas para ostentar. (p.46)

Concluindo:

“Jesus desconhecia nossa ambição por divertimento e por dinheiro; desconhecia também – o que é muitas vezes mais curioso– nossa síndrome de salvador do mundo. Ele fazia o que fazia,aquilo que o momento exigia, e não aquilo que queria ou achava que devia fazer. Fora morrer, o Filho do Homem não tinha plano algum:nenhuma agenda, nenhum prazo e nenhum cronograma; nenhum relatório, nenhuma reunião periódica de avaliação de resultados, férias nenhumas. Ele deixava que o momento fuísse e exigisse implacavelmente a sua pauta. “Basta a cada dia o seu mal” era para Jesus apenas outro modo de dizer “não vos preocupeis com o dia de amanhã”. Ele não perdia o momento de vista, pela excelente razão de que não queria perder Deus de vista”. (p. 51).

O último passo no caminho proposto por Paulo Brabo é de Sensualize a sua espiritualidade.  Ou, no dizer do autor, os últimos serãos os primeiros:

Em primeiro lugar, que a pessoa que se deparava com Jesus nos seus dias “mortais” não era impactada de qualquer modo direto ou natural pelo teor desses passos. São necessários observação e algum treinamento intelectual para abstrair-se a partir do que sabemos do comportamento de Jesus fórmulas gerais como “faça o que os outros não esperam” (segundo passo) e “viva inteiramente inserido no seu mundo” (quarto passo). E Jesus, como se sabe, impactou de forma transformadora gente que teve muito pouco tanto de uma coisa quanto de outra: pessoas pouco instruídas e pouco armadas de recursos intelectuais, muitas das quais estiveram com ele por pouco mais do que alguns minutos. (p. 56)

Paulo Brabo coloca que os passos apresentados por ele são abstrações, meras tentativas intelectuais de representar a realidade, como são uma forma de teologia, também os são limitados, contendo em si mesmo a semente da contradição- pois não há nenhum mérito no conhecimento intelectual e que o acesso ao favor de Deus não depende de modo algum dele. Para não ficar nesta limitação, Brabo acredita que se deve retomar o cerne do caráter de Deus nos evangelhos – Jesus tocou gente- devemos sensualizar nossa espiritualidade.

É preciso que passemos a procurar a espiritualidade no mundo sensorial, no mundo real, o mundo da experiência e dos sentidos. É preciso que passemos a ver nosso relacionamento com Deus e nossa participação no seu Reino como algo que diz respeito ao que é palpável e material, ao mundo da pele, da carne e do sangue. (p. 57)

A nossa espiritualidade não pode ser uma forma de disfarce que vivemos na carne, devemos aprender com Jesus que Deus se fez carne, aprender com ele como se vive e mostrar a sua desenvoltura. A carne, claro, é embaraçosa, somos sujeitos à doença, à fome, à solidão, etc. Para escapar deste fastio, usamos a espiritualidade para forjar uma demonização do nosso corpoe seus embaraços, e pregar que Deus só pode ser alcançado em esferas superiores da mente, fora da realidade, de preferência de olhos fechados e com privação de sentidos.

Jesus não ignorava os embaraços da doença, da fome, da dor, da solidão, da decrepitude, da morte, do ciclo digestivo; muitos desses atingiram-no em cheio na própria carne. Ao contrário de nós, no entanto, Jesus não buscava refúgio dessas coisas num mundo dos espíritos à prova de constrangimentos. Ele não caía na tentação da espiritualidade convencional e isso, aparentemente, é o que mais teimamos em não aprender com ele.

Jesus fazia o trajeto precisamente contrário ao nosso, avançando com galhardia em direção à experiência dos sentidos, tendo dedicado a maior parte de sua atividade neste mundo ao esforço de minimizar os constrangimentos produzidos em pessoas de carne pela fome, pela doença, pela dor, pela decrepitude, pela solidão. (p. 58)

Segundo o autor, pode parecer escandaloso, mas, Jesus estava primeiro tratando os corpos e depois os espíritos.

Nossa satânica fantasia como cristãos é passarmos pelo mundo à margem de todas essas coisas, desencarnados como fantasmas, vivendo momentos de espiritualidade em número suficiente para redimir os constrangimentos que nos impingem o corpo e os sentidos. Não queremos de modo algum enfrentar o terrível embaraço de que somos feitos de carne e osso. (p. 59)

Buscando escapar daquilo que a Bíblia não esconde em página alguma, que a carne essencialmente é animal, mesmos avançados na comunhão divina, somos animais tais quais uma barata. Paulo Brabo coloca duas grandes facções ou respostas para este escandâlo de que Deus se fez carne, judaica e romana-grega.

Na resposta romana-greca, o escandalo não era a expiação, nem a ressureição, o impensável era o corpo físico de Jesus ter sido redimido, já que a matéria na visão grega é decaída, e somente o espírito é puro e  inefável.

Imbuídos dessa convicção, os atenienses ouviram muito interessados o discurso do Apóstolo no Areópago, até que Paulo mencionou a ressurreição do corpo – ponto em que perceberam que a doutrina daquele sujeito não merecia mais do que zombaria e desprezo.Aqueles esclarecidos atenienses, mais ou menos como nós, não criam que houvesse no corpo e na carne qualquer coisa com vocação à redenção ou à eternidade. (p. 61)

Já a resposta judaica para a encarnação, o escandâlo era ver Deus confinado aos limites de sua própria obra. E o que era pior, segundo o autor, era que este repudiava o ascetismo e abraçava o mundo dos sentidos com paixão.

A nossa resposta:

E que fazemos? Com recato estúpido, pecaminoso e contraproducente negamos hoje a carne de Jesus e a nossa. Os mesmos cristãos que recusam-se a admitir a possibilidade de descenderem do macaco não trazem à mente que Deus em Jesus conformou-se, disparatadamente, à condição de primata.

Queremos que as pessoas “conheçam Jesus” através da assimilação intelectual do nosso discurso, jamais pelo intercâmbio de caminhadas epelo choque custoso entre corpos. Não queremos de modo algum traficar com a carne, porque não queremos que Deus trafique através dela. Esquecemos, miseravelmente, que a natureza divina de Jesus não estava escondida na sua carne. Estava manifestada nela. (p. 62)

Somos constantemente ensinados sobre a importância de morrer  e ressuscitar como Jesus, mas – ai de nós – não há quem nos ensine a encarnar.

BRABO,  Paulo  Em 6 Passos o que faria Jesus:Novíssimo manual de conduta do seguidor de Jesus São Paulo: Garimpo Editorial, 2009

domingo, julho 11, 2010

MERE CHURCHIANITY

"We don't see that the powerful changes that happen in the life of a disciple never come from the disciple working hard at doing anything.  They come from arriving at a place where Jesus is everything, and we are simply overwhelmed with the gift.  Sometimes it seems as if God loves us too much.  His love goes far beyond our ability to stop being moral, religious, obedient, and victorious, and we just collapse in his arms.


Out of the gospel that Jesus is the only Mediator between God and humanity comes a Christian life that looks like Jesus, a life Jesus would recognize.  It's a life that looks like Jesus, because Jesus does everything, and all we do is accept his gift.  And to accept his gift, we have to give up trying to be Jesus."

 


Michael Spencer, Mere Churchianity: Finding Your Way Back to Jesus Shaped Spirituality, page 138

domingo, junho 27, 2010

Erwin McManus: Mudança Teológica


Capítulo 3 do livro:
UMA FORÇA EM MOVIMENTO.

Como visto no capítulo anterior, dentro do momentum, há a realidade inescapável de mudança. O momentum está relacionado com o tempo- rapidez, velocidade e momentum- Numa época de constantes mudanças, quais são as possíveis para a igreja?

Primeiro, a igreja deve recuperar a sua essência como movimento, pois a história está escapando ao seu controle, ela não é motriz mais da história, mas apenas algo ou ultrapassado ou movimentado pela história de forma totalmente passiva.

Nosso Deus é imutável, contudo, nós não somos e também a sua graça não é. Ela se transforma o tempo, transforma nossas vidas, realiza novas coisas sempre renovando-se.

"A transformação é um sinônimo de mudança. Se você não gosta de mudanças, é melhor não se tornar um cristão. A mudança é inevitável para quem pertence a Jesus. Nossa experiência cristã é, de maneira geral, uma experiência de mudança. Abrimos mão das coisas velhas para nos vestirmos das novas. Deixamos de nos conformar com o padrão deste mundo porque fomos transformados pela renovação de nossa mente"(p. 95)

O autor estabelece a ligação, a partir daí, do conceito de santificação com transformação. Os termos chaves cristãos representam mudança: conversão, arrependimento, regeneração, transformação e a própria santificação. Aí, ele termina com a explicação do que seria a mudança teológica, todos os conceitos cristãos envolvem uma teologia da mudança dentro dos indivíduos.
 
O problema é estabelecer e ampliar o conceito da mudança como imprescindível do ponto de vista individual para um conceito coletivo, que envolva a igreja em si.

"Temos a tendência de pensar apenas na necessidade de mudar o exterior. Nossas comunidades precisam mudar, nossa cidade precisa mudar, nossa nação precisa mudar, o mundo precisa mudar. Todo mundo precisa mudar, a não ser a igreja. A igreja está bem do jeito que ela é. Na verdade, ela se revela o último bastião de proteção contra a mudança pela preservação da tradição e do ritual, em vez de ser a catalisadora e a formentadora do Reino de Deus" p. 95

Neste ponto, a igreja deve ser, segundo o autor, expressão radical do compromisso de Deus com a mudanças estruturais no mundo hodierno. A igreja não deve seguire a mudança cultural, mas ser uma comunidade catalisadora e dinâmica que promove a mudança em um mundo que necessita desesperadamente de Deus de mudanças.
 
É importante que o autor defende que a igreja não deve ser imitadora das tendências culturais presentes, mas deve estar apoiada num Deus que é criatividade, imaginação e que escolheu através de Seu Filho, iniciar uma revolução no mundo. As implicações que começam num nível pessoal da salvação, envolvem todo o povo de Deus.
 
Citando Esdras 3:10-13, McManus estabelece a importãncia de o povo de Deus enxergar o presente apesar dos monumentos do passado, com capacidade de perceber e gerar mudanças.
 
Como modelo completo disto, temos Jesus Cristo:
 
“Segundo a análise de Jesus, a Palavra de Deus foi transformada em um instrumento de morte, e não de vida. Seu alerta de que a palavra escrita é morta, mas o Espírito vivifica, explica e esclarece todas as ações de Jesus. Para ele, a Palavra de Deus era viva e ativa. Quando lida com um coração humilde, a Palavra de Deus gera uma interação dinâmica entre Deus e os homens” (p. 99)
 
A ortodoxia da época, segundo o autor, era da conformação à religião estabelecida, aplicações bíblicas que não seguissem os padrões e costumes da época eram tratadas como heresias. Jesus rejeita a soberba dos mestres religiosos, e proclama uma mudança religiosa, “estabelecendo  uma interpretação missiológica, ao passo que os religiosos de seu tempo assumiam uma interpretação teológica” (ibid idem).
 
De outro modo, se a Biblia não promover mudança,  não foi completamente compreendida. Jesus estabeleceu esse princípio, condenando o povo por valorizar tradições em detritimento da Palavra de Deus em si. Partindo deste ponto de vista, o autor coloca que Jesus promoveu uma mudança realmente teológica, desconstruindo a religião de Israel, e apresentando, em seu lugar,a  religião de Deus.
 
Desse modo, a igreja primitiva foi símbolo de mudança radical, o livro de Atos é impregnado pelo ritmo da mudança, transformação que caracterizam o movimento divino, seja na esfera pessoal ou coletiva.
 
Em Atos 15, o autor levanta que o primeiro concílio não foi para tratar de assuntos teológicos, mas sim, da própria transformação cultural que estava sendo promovida pelo movimento eclesiástico.  A igreja deveria preservar a cultura judaica, com a aglutinação de membros de diversas culturas, o que fazer? A primeira igreja, no entender do autor, rejeitou a idéia de existe, ou melhor, subsiste, uma cultura sagrada para a fé cristã capaz de consolidar a expressão da igreja para as gerações seguintes e a nações que viessem a existir.
 
“Em tudo o que é negociável, não devemos criar dificuldades para atrair aqueles que não conhecem a Deus. Os gentios seriam cristãos gentios. Eles não teriam de se converter ao judaísmo para só então se tornar cristãos. A base da decisão foi a aceitação dos gentios pelo Espírito Santo, derramado em seu coração. Em tudo que diz respeito ao estilo e às preferências, a igreja deve estar disposta a mudar por amor àqueles que estão perdidos. Já é muito dificil para um pecador ter de lidar com as realidades do arrependimento e da humildade; nã é necessário que a igreja estabeleça limites desnecessários entre Deus e o ser humando” p. 101
 
Em suma, o autor resume bem o papel em que se deveria ocupar a igreja:
 
“A igreja é um paradoxo entre convicções imutáveis, fundamentadas na verdade divina, e a expressão encarnada de toda cultura e todas as pessoas que respondem positivamente à graça de Deus”
 
Baseando-se em Zacarias 7:11-15, o autor coloca que a igreja deve ser realmente um agente catalisador de mudanças, baseado num conceito muito caro ao cristianismo, esperança. Porque a realidade da mudança é a promessa da esperança. Deus quer mudar a nós e a nossa realidade ao redor, quando a igreja recua nesta missão, ela está, na verdade, recusando-se a obedecer a Deus.
 
O autor levanta outra hipótese, além da própria obediência a Deus, para realizarmos mudanças, a sinergia que haverá entre nós, a igreja e o próprio Deus na realização da sua vontade. Com base em Efésios 3:10-11,20-21, vemos que Deus quer realizar em nós e através de nós sua obra redentora na Terra.
 
“Para a igreja, o momentum tem mais a ver com o tempo do que com a distância. Quando não mudamos, na verdade nos distanciamos do mundo que nos cerca. Quando nos prendemos ao passado, criamos um distanciamento entre nós e aquilo que Deus está realizando no presente” p. 105
 
O perigo da nostalgia é que ela é um lugar de conforto, seguro e acochegante, onde ficamos cegos tanto para mundo exterior-real com qual devemos nos envolver quanto para o movimento atual-interno do Espírito Santo hoje.  A fé não é renovada interiormente e nem pratica externamente, há uma paralisia da fé no passado, que impede de vivenciar o presente e ter esperança no futuro.
 
Como povo de Deus, temos que olhar para o futuro, pois é para lá que Deus está indo. Pois Jesus, nos lembra o autor, nos chamou para segui-lo, então, tanto o tempo como o lugar importam, para que eu possa ter uma visão clara do presente, preciso ter a esperança nEle. Para vivenciar isto, é preciso estar aberto hoje às mudanças.

terça-feira, março 30, 2010

BRIAN MCLAREN: Fé que é Real


"na solidão, no entanto, eu me lembro de todos esses eus fora de sincronia; e nós somos reconstituídos em um eu mais sólido...e esse eu reconstituído é a pessoa que pode chegar em casa, para se encontrar com Deus" p. 57


"A minha fé é a minha própria criação - uma visão de mundo, um paradigma, um mapa para a vida, um conjunto de princípios orientadores- que estou juntando e rejuntando a partir do que leio, de quem conheço e respeito, do que experimento, e assim por diante. A minha fé não é perfeita, nem estática. A minha condição de ser finito faz com que ela seja incompleta, inexata em muitos lugares, desproporcional, com necessidade contínua de correções de percurso" p. 71


"Fé significa acreditar que a dúvida é apenas um estágio, uma disposição de ânimo rancorosa que irá passar e que, no tempo certo, pela graça de Deus, será superada e vocês serão velhos amigos de novo, de um jeito novo e mais profundo" p. 74


Brian D. McLaren Em Busca de Uma Fé que É Real Editora Palavra.

sábado, janeiro 23, 2010

Thomas Merton: A Vida


“A vida consiste em aprender a viver de maneira autônoma, espontânea e fluida: para isso é preciso reconhecer quem se é – estar familiarizado e à vontade consigo mesmo. Isso significa, basicamente, aprender quem somos e o que temos para oferecer ao mundo contemporâneo; depois, aprender como tornar essa oferta válida.”

Love and Living, de Thomas Merton Editado por Naomi Burton Stone e Patrick Hart, OCSO
(Harcourt, Inc., Orlando, Florida) 1979, p. 3No Brasil: Amor e Vida, (Martins Fontes Editora, São Paulo), 2.004, p. 3

domingo, dezembro 20, 2009

ED RENE KIVITZ: Vencendo a injustiça


"Não só o preguiçoso é tolo. Aquele que exagera na medida do esforço para ganhar dinheiro, também é tolo. O Eclesiastes diz que é tolice, algo como correr atrás do vento, obter dois punhados com esforço exagerado se é possível viver com tranquilidade tendo apenas um punhado" p. 74


Ed Rene Kivitz , Livro mais mal humorado da Bíblia

terça-feira, dezembro 15, 2009

C.S. Lewis: Cartas de um diabo a seu aprendiz


"É engraçado como os mortais sempre nos imaginam enfiando idéias em suas cabeças, quando, na verdade, somos peritos em deixar coisas de fora"
Carta 4








Uma vez que você o persuada a considerar o Mundo uma finalidade e a fé um meio, você quase terá vencido o seu homem, já que é muito difícil perceber a pequena diferença entre uma finalidade mundana e o que ele está perseguindo. Uma vez providenciado para que encontros, panfletos, políticas, movimentos, causas e cruzadas comecem a ter muito mais importância para ele do que as orações, ordenanças e a caridade, ele é nosso e quanto mais religioso (nestes termos) ele for, mais seguramente nosso ele se tornará. Eu poderia mostrar a você uma gaiola cheia desse tipo de almas aqui embaixo.

Carta 7



Daí decorre que praticamente todos os vícios tem suas raízes no Futuro. A Gratidão olha para o Passado e o amor enfoca o Presente; mas o medo, a avareza, a luxúria e a ambição sempre estão olhando para frente. Não pense na luxúria e sensualidade como exceções. Quando o prazer presente chega, o pecado (que é unicamente o que nos interessa) já havia acontecido. O prazer é apenas a parte do processo que detestamos, e se pudéssemos, certamente o excluiríamos do processo; ele é exatamente a parte proporcionada pelo Inimigo, e é sempre experimentado no Presente. O pecado que nós conseguimos produzir, encarou o futuro.
Carta 15


a busca por uma igreja que combine com ele faz do homem, um crítico, quando, na verdade, o Inimigo quer que ele seja apenas um aprendiz

carta 16


Primeiro, fazemos d´Ele (Jesus) um simples mestre, e depois escondemos a própria semelhança que existe entre Seus ensinamentos e aqueles de todos os outros grandes mestres morais. Pois não devemos permitir que os homens percebam que todos os grandes moralistas sã enviados pelo Inimigo - não para informar os homens, e sim para relembrá-los , para estabelecere aquelas obviedades morais primordiais, opondo-se ao contínuo obscurecimento que fazemos delas"

carta 23


segunda-feira, dezembro 14, 2009

EUGENE PETERSON: Fofoca


"O menosprezo do mundo de João estava acontecendo pela fofoca daqueles cujos ensinos aberrantes logo seriam conhecidos como gnosticismo. A natureza essencial da fofoca é que ela fala das pessoas em vez de falar para as pessoas. A fofoca deixa de fora tudo o que é singular e maravilhoso na pessoa e a reduz a uma historieta, a um lugar-comum ou a um estereótipo.. A fofoca nunca é feita por admiração. A fofoca nunca é feita por amor"

Eugente Peterson, Aprendendo a adorar com o Apocalispse de João, in Espiritualidade Subversiva, p.111

terça-feira, dezembro 08, 2009

Eugene Peterson: Espiritualidade Subversiva


Marcos: o texto fundamental para a espiritualidade cristã
"Seguir a Jesus significa não seguir nossos impulsos, apetites, caprichos e sonhos, todo os quais tão prejudicados pelo pecado que passam a ser guias pouco confiáveis para definir qualquer lugar para onde valha a pena seguir. Seguir a Jesus significa não seguir as práticas de procrastinação e negação da morte de uma cultura que, por obsessivamente lutar pela vida sob a égide de ídolos e ideologias, acaba com uma vida tão contraída e apoucada, que mal se pode chamar de vida" p. 24


Permanecer na companhia de Jesus significa contemplar sua glória, interceptar esta vasta conversa entre gerações distantes entre si- gerações que abrangem desde a lei até o evangelho, passando pelos profetas-, uma conversa que se dá em torno de Jesus, e depois ouvir a confirmação divina da revelação corporificada em Jesus. Quando o Espírito de Deus faz sua aparição, para nós é uma aparição repleta de beleza" p.25
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"Os evangélicos vêm interiorizando de forma acrítica os caminhos do mundo e trazendo-os para dentro das igrejas sem que ninguém perceba. Mais especificamente ainda, interiorizamos a fascinação do mundo pela tecnologia e seu entusiasmo pelas atividades. Em vez de ser trazidos diante de Deus (Ó vem, deixa-nos adorar e nos curvamos) e levados a desenvolver um gosto pelos santos ministérios da transcedência em adoração, o que interminavelmente promovem, tentando nos convencer , é que devemos tentar isso e aquilo. Somos recrutados para papéis e posições na igreja nos quais podemos brilhar, validando assim nossa utilidade para aquela nossa função" p.51
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Sobre McLuhan:
Seu insight central, o de que o meio é a mensagem , demonstra que a forma em que uma mensagem é transmitida tem mais efeito sobre - sendo assim mais importante para - a pessoa e sua cultura do que o conteúdo da mensagem. p. 118
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O teólogo leva Deus a sério como sujeito e não como objeto, e toma para si como um projeto para a vida toda a missão de pensar e falar sobre Deus a fim de desenvolver conhecimento e compreensão a respeito de Deus em seu ser e trabalho. O poeta leva as palavras a sério como imagens que relacionam o visível e o invisível, e torna-se um curador que garante que sejam usadas de modo primoroso e preciso. O pastor leva as pessoas de carne e osso a sério como filhos de Deus e fielmente as ouve e fala com elas, tudo o mais passa a ser periférico. Nem sempre os três ministérios convertem numa única pessoa, quando isso acontece, os resultados são extraordinários. É porque João integrava de modo tão completo o trabalho de teólogo, poeta e pastor , que temos o Apocalipse, esse documento concebido de modo tão genial e de utilidade inesgotável" p. 150-151.
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"Calvino via o coração humano como uma fábrica inexoravelmente eficiente para produzir ídolos. As pessoas comumente veem o pastor como o engenheiro de controle de qualidade da fábrica. No momento que aceitamos a posição, desertamos da nossa vocação" p. 185
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PETERSON, Eugene H. Espiritualidade Subversiva Editora Mundo Cristão, 2009.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

HENRI NOUWEN: Pentecoste

"Sem o Pentecoste, o evento de Cristo- a vida, a morte e a ressureição de Jesus - permanece aprisionado na história como algo a ser lembrado, pensado e refletido. O Espírito de Jesus vem habitar dentro de nós, de modo que nos possamos tornar Cristo vivos aqui e agora. O Pentecostes ergue todo o ministério da salvação de suas particularidades e o transforma em algo universal, que abarca todas as pessoas, países, épocas e eras. É também um momento de autorização. Cada indivíduo pode reivindicar o Espírito de Jesus como o espírito que guia sua vida. Nesse Espírito, podemos falar e agir livremente e com confiança, sabendo que o mesmo Espírito que inspira Jesus está nos inspirando". pg. 70
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"É importante lembrar que a comunidade cristã é uuma comunidade de espera, ou seja, uma comunidade que cria não apenas uma sensação de fazer parte, mas também uma sensação de estranhamento. Na comunidade cristã, dizemos uns aos outros: Estamos juntos, mas não podemos nos completar uns aos outros...ajudamo-nos, mas também devemos lembrar que nosso destino está além de nossa união. O apoio da comunidade cristã é o apoio de uma expectativa em comum. Isso exige uma crítica constante em relação a quem fizer da comunidade um abrigo seguro ou uma panelinha confortável e um constante incentivo à procura do que está por vir." p. 111
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terça-feira, dezembro 01, 2009

HENRI NOUWEN: Integridade


"Afasta a ilusão de que a integridade pode ser dada de um ser para outro. É cirador porque não extrai a solidão e a dor do outro, mas convida a reconhecer sua solidão em um plano em que possa ser compartilhada. Muitas pessoas nesta vida sofrem porque estão procurando ansiosamente pelo companheiro, pelo evento ou encontro que as livrará da solidão Quando entram em uma casa de real hospitalidade, porém, percebem logo que os próprios ferimentos devem ser entendidos não como fontes de desespero e amagura, mas como sinais de que tem de caminhar para frente, obedecendo aos sons do chamado dos próprios ferimentos"


Ricardo Bitum, Henri Nouwen de A a Z, p. 17

sábado, novembro 21, 2009


A santidade cristã não é uma façanha de Prometeu. Não temos de escalar os muros dos céus e de lá trazer o fogo de Deus, não temos de invadir suas salas de tesouros para obter boas coisas que reservou para nós. Prometeu é o herói de um mito que exprime a profunda desesperança de todas as religiões pagãs. Mas Cristo desceu, realmente, dos céus, tomou nossa carne, re-uniu a raça humana em Si mesmo, iluminou os homens com Sua luz, enviou Seu Espírito ara unir-nos ao Pai. vendo que jamais iriamos a Ele. Deus veio a nós. Sabendo que nunca, por nossas forças, poderíamos ter uma idéia certa sobre Sua verdadeira natureza, ele próprio Se revelou para nós, e mostrou-nos como conquistá-Lo; não pelo conhecimento, mas pelo amor. São segredos que só Deus poderia revelar-nos e Ele o fez, dando-se a nós"


Thomas Merton, Espiritualidade, Contemplação e Paz, p. 113

terça-feira, abril 01, 2008

Através de outros


“ Devemos procurar Deus em todas as coisas. Não, contudo, como se procura um objeto perdido, uma ‘coisa’. Ele nos está presente em nosso coração, em nossa subjetividade pessoal. Procurá-lo é reconhecer este fato. Mas não podemos ter consciência disto como realidade a não ser que Ele nos revele sua presença. Ele não se revela simplesmente em nosso coração, mas através de outros. Revela-se a nós na Igreja, na comunidade dos que crêem, na koinonia dos que Nele confiam e O amam.

Procurar a Deus não é apenas uma operação do intelecto, nem mesmo uma iluminação contemplativa da mente. Procuramos a Deus esforçando-nos por nos entregarmos a Ele, a quem não vemos, mas que está em todas as coisas, através de todas as coisas e acima de todas as coisas.”

Thomas Merton.

Seasons of Celebration, de Thomas Merton
(Farrar, Straus and Giroux, New York), 1965. p. 115
No Brasil: Tempo e Liturgia, (Editora Vozes, Petrópolis), 1968. p. 224

O 'chesed' de Deus

O chesed* de Deus é uma misericórdia gratuita que não considera mérito, dignidade nem retribuição. É a maneira como o Senhor olha para os culpados e, com Seu olhar, torna-os imediatamente inocentes. Aos que fogem dele, esse olhar parece ira. Quando o contemplam, contudo, vêem que é amor e que eles são inocentes. (Sua fuga e confusão causadas por seu próprio medo os tornam culpados a seus próprios olhos). O chesed de Deus é verdade. É força infalível. É o amor por meio do qual procura e escolhe Seus eleitos e os une a Si. É o amor pelo qual Ele está desposado com a humanidade. Assim, se a humanidade Lhe for infiel, terá ela sempre uma fidelidade à qual voltar: Sua própria fidelidade. Ele se tornou inseparável do homem na chesed que denominamos ‘Encarnação’, ‘Cruz’ e ‘Ressurreição’. Ele também nos deu Sua chesed na Pessoa de seu Espírito. O Paráclito é a plenitude do mistério inefável de chesed. Assim sendo, nas profundezas de nosso ser existe uma fonte inexaurível de misericórdia e de amor. Nosso próprio ser se tornou amor. Nosso próprio ser se tornou o amor de Deus por nós e está cheio de Cristo, de chesed. Mas temos de nos aceitar e aceitar aos outros como chesed.”

* Palavra em hebreu que significa bondade; bondade que vai além do que normalmente seria esperado.

Seasons of Celebration, de Thomas Merton
(Farrar, Straus and Giroux, New York), 1965. p. 178-179
No Brasil: Tempo e Liturgia, (Editora Vozes, Petrópolis), 1968. p. 182

quinta-feira, novembro 01, 2007

Renovação do Coração

Novo nascimento não combina com velhos hábitos.

De forma geral, quem se convertia até uns 30 anos atrás ainda deve lembrar do que a maioria dos pastores costumava bradar dos púlpitos: “Você tem que mudar tudo em sua vida para seguir a Jesus!” Mas alguma coisa aconteceu nas últimas décadas, e o discurso mudou. Para não criar antipatia contra o rebanho, nem afugentar potenciais fiéis, muitos líderes passaram a inverter a lógica, e garantem que não é preciso mudar nada para seguir a Jesus.

Para Dallas Willard , representante mais do que legítimo de uma multidão de pessoas preocupadas com os rumos da Igreja moderna, ninguém nasce de novo para continuar sendo o que era antes. Por isso a estranheza que tal falta de solidez espiritual lhe causa – fraqueza esta que, a seu ver, tem sido a ruína do povo de Deus. Afinal, não deveria ser comum encontrar um número tão grande de crentes envolvidos em pecados sexuais, improbidade financeira e tantos outros desvios morais.

O que falta a essa gente que carrega o nome de Cristo, mas se recusa a imitar o caráter do Salvador? A resposta está em A renovação do coração, no qual o autor do sucesso Conspiração divina (também publicado no Brasil pela Editora Mundo Cristão) defende o que chama “transformação do espírito”, um processo divino por meio do qual cada elemento do ser se harmoniza com a vontade do Criador.

Em linguagem objetiva, e ainda assim repleta de sensibilidade, Willard vasculha os processos e os componentes da natureza humana para propor um discipulado pessoal e o enfrentamento sem rodeios dos desafios à autenticidade da fé. O resultado, segundo ele, fica patente “quando todas as partes essenciais do ser humano são efetivamente organizadas em função de Deus, e por ele restauradas e sustentadas”.

Sobre o autor
Dallas Willard é teólogo e professor da Escola de Filosofia da Universidade do Sul da Califórnia. Também foi professor na Universideade de Wisconsin. É graduado em Psicologia pela Faculdade William Jewell e em Filosofia e Religião pela Universidade Baylor, onde fez o doutorado. Suas obras filosóficas são concentradas nas áreas da Epistemologia e da Filosofia da Mente e da Lógica. Trabalhou também na Fundação C. S. Lewis e na Universidade de Biola. Saiba mais!

trechos:

A formacao espiritual repousa sobre esta fundação indispensável da morte do eu e não pode continuar a não ser que fundação esteja firmemente estabelecida e sustentada . (p. 76)

A ganância é auto-idolatria, pois torna os meus desejos supremos. Significa que eu poderia pegar o que quisesse caso fosse possível. Derrotar a ganância é aprender a nos alegrar por outros desfrutarem os bens que possuem. (p.77)

Mas andar com Jesus pelo caminho da autonegação rompe de imediato o encouraçado domínio do pecado sobre a personalidade humano e abre a estradas para uma restauração cada vez mais plena da bondade radical na alma. Tal situação da acesso a uma incrível e sobrenatural força para a vida. Porque devemos ser os agentes ativos desta progressão ‘de força em força´(Sl 84:7), é crucial que agora procuremos compreender os três principais componentes de qualquer processo de transformação espiritual. (p. 89)

Em todas as coisas que fazemos, somos autorizados a realizar a obra divina. O que almejamos nessa visão é habitar de modo completo no reino de Deus e tão completamente quanto possível aqui e agora, não apenas no futuro. (p. 103)

Os maiores santos não são os precisam menos da graça, mas os que mais consomem, os que de fato mais precisam dela,- os que estão impregnados por ela em todas as dimensões do seu ser. A graça para eles é como a respiração. (p.112)


Dallas Willard, A Renovação do Coração Ed. Mundo Cristão.

sábado, setembro 29, 2007

Thomas Merton e O Caminho Obscuro

“Tentar aumentar, pelos próprios esforços, a exatidão do conhecimento de Deus ou o sentimento de amor, é interferir em Seu trabalho, e Ele retirará Sua luz e Sua graça, abandonando o homem à sua desgovernada atividade natural.” (p. 92)

“Se alguem tenta por si mesmo medir o seu progresso, desperdiça tempo em uma introspecção fútil. Deve procurar só uma coisa: purificar cada vez mais o seu amor a Deus, abandonar-se cada vez mais perfeitamente à Sua Vontade e ama-Lo de modo mais exclusivo e mais total, mas também mais simples e serenamente, com confiança mais completa e incondicional” (p.93)



“é preciso desistir da própria vontade e dos caprichos e nunca agir de acordo com os desejos próprios, mas com a vontade objetiva de Deus e as sugestões desta graça que nos conduz sempre pelos caminhos do vazio e da paz” (p.94)

não será capaz de atingir a perfeição o homem que não se esforça por satisfazer-se com o nada, de forma que sua concupiscência natural e espiritual se contente com o vazio; isto é necessario a quem quiser alcançar a máxima tranqüilidade e paz de espírito, e deste modo, o amor de Deus estará quase continuamente em ação na alma simples e pura” (Máximas, 51)


“Santidade e contemplação só podem ser encontradas na pureza do amor. O verdadeiro contemplativo não é aquele que tem as mais elevadas visões da Divina Essência, mas o que esta mais intimamente unido a Deus na fé e no amor e aceita ser absorvido e transformado Nele pelo Espírito Santo. A uma alma assim tudo se torna fonte e pretexto de amor”. (p. 95)

“Aqueles que são grandes ativos e pensam em abarcar o mundo com suas obras exteriores, tomem nota de que trariam bem mais proveito à Igreja e seriam muito mais agradáveis a Deus se gastassem ao mesmo metade deste tempo em permanecer junto de Deus em oração ... Com a certeza de que realizaram mais com uma única obra do que agora fazem com mil, e isto com bem menos trabalho” ( S. João da Cruz, Cântico Espiritual, XXXIX, 3)


Thomas Merton Espiritualidade, Contemplação e Paz. Ed. Itatiaia.