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segunda-feira, abril 27, 2015

David K. Clark: Faith and Foundationalism


No segundo capítulo da obra THE RATIONALITY OF THEISM, David K. Clark vai expor sobre a relação entre fé e fundacionalismo. 

CRENDO SEM EVIDÊNCIA.

Os naturalistas geralmente argumentam que os crentes não podem saber uma doutrina religiosa a menos que eles possam dar evidências que a apoiem.  Qualquer alegação doutrinária ou religiosa como "Deus existe" necessita de provas para suportá-la. 


Alguns epistemológicos não-religiosos promovem um princípio  que requer que as pessoas religiosas produzam algo que seja objetivamente verificável, empírico ou evidente para suportar aquilo que acreditam. Esse requerimento é o coração do evidencialismo. 

Como representantes dessa corrente  W K Clifford, e hoje temos Michael Martin e Kai Nielsen. 

Muitos relatos de crença são tomados pela fé. O que estes têm em comum é a falta de uma evidência base. As razões positivas  para assegurar as crenças mesmo com a falta de evidência são variadas,  um dos casos é quando você toma algo como verdade porque isto vem de uma fonte de autoridade religiosa.  Isto envolve tomar a palavra de outro. 

Outra forma é tomar a crença religiosa como uma propriamente básica. Uma forma de crença básica na pessoa quando esta pessoa sabe isto diretamente sem inferir ou deduzir isto de outras crenças. Se uma crença básica se forma corretamente- se nada no processo de formação da crença vai errado- etão, isto é propriamente básico. 

Outra forma de "tomada pela fé" para cristãos, é conhecendo diretamente em confiando no testemunho interno do Espírito Santo- sensus divinitatis-. Este tipo de conhecimento é divinamente facilitado. Este é um caso especial de crença básica propria. O testemunho do Espírito tem um significado especial para Calvino. Ele ensinava que os crentes conheciam que Bíblia é a Palavra de Deus- que Deus, pela sua inspiração, é o autor da Bíblia- porque o Espírito Santo ensina isto. A Bíblia diz que o Espírito testifica os crentes que eles são filhos de Deus - Rm 8:16. Agora se isto é possível, então, talvez, os crentes podem saber certas coisas diretamente de Deus.

Estes são exemplos de tomadas pela fé. Mas, entende que na bíblia, fé não significa aceitar uma ideia sem evidência. Como a Bíblia conecta salvo pela fé com a ideia de conhecer pela fé. Em inglês, fé funciona gramaticalmente como um nome. No grego neo-testamentário, pisteo é um verbo que denota uma confiança pessoal em algo. Fé é como o eu aceito do casamento. Não é primeiramente um processo do pensamento ou do conhecimento, é mais uma promessa de lealdade junto uma vida de fidelidade cumprindo esta promessa.

Os reformados distinguem notitia, assensus e fiducia. Notitia denota o conteúdo da fé, as grandes doutrinas bíblicas. Assensus indica o ato mental de aceitação desses ensinos como verdade. E fiducia significa o ato de toda a alma do crente de compromisso pessoal naquilo e prometendo lealdade ao ser divino pessoal descrito nestas doutrinas.

As verdades da notitia denotam o ser divino pessoal- Deus- e o crente que aceita estas verdades no assensus. Mas a chave é esta: salvação- relacionamento com Deus - acontece quando o crente vai além do assentimento mental para uma confiança e lealdade pessoal. Biblicamente, fé é intrinsecamente conectada em acreditar nas verdades centrais sobre Deus,  mas a fé definitivamente não é idêntica a acreditar nelas.

Este texto vai falar sobre o assensus. Os naturalistas insistem que ele é um vazio, insistem que se crenças não evidentes são legítimas, a epistemologia deixa de ter sentido. 

Suponha que eu alegue que eu posso corretamente tomar isto pela fé que Deus me ama. 

Alvin Plantinga coloca que as crenças cristãs essenciais são um ponto de começo apropriado para o pensamento. O pensamento cristão pode começar com as ideias religiosas. Não é necessário inferir que todas as ideias religiosas vem de ideias não-religiosas. Mas, Michael Martin pensa que isto é errado. Ele descreve a afirmação de Plantinga como defeituosa, que a crença religiosa pode ser justamente o ponto de base ou de partida para pensar. Para ele, é uma visão relativista, que coloca qualquer crença para funcionar neste nível básico. Para Lane Craig, os cristãos podem justamente saber que Deus existe por causa do testemunho do Espírito Santo. 
Martin diz que Craig não consegue explicar como tal experiência poderia ser diferente.

DIFERENTES PROJETOS EM EPISTEMOLOGIA.

O objetivo do processo de conhecimento é compreender verdadeiramente. Isto tem dois lados, primeiro, as pessoas querem e precisam saber o que é verdade. 

1. Como posso acreditar de forma legítima com muitas crenças verdadeiras sendo possíveis?

Uma forma para responder esta pergunta é acreditar em qualquer coisa ou em tudo. Contudo, essa estratégia pode produzir muitas crenças verdadeiras, mas isto poderia levar alguém a aceitar algo ilegítimo ou falso. Então, para compreender o mundo, os seres humanos também precisam escapar do erro.

2. Como posso evitar de acreditar com muitas crenças falsas sendo possíveis?

Uma forma de responder a esta pergunta é adotar um ceticismo global, se alguém não acredita em nada, então, nada pode ser falso. Mas, é claro a pessoa iria ignorar muitas crenças que são verdadeiras e importantes. Assim, a necessidade de conhecer o mundo exige um verdadeiro equilíbrio entre as questões 1 e 2.  Isto desafia um conhecedor maximizar o as verdadeiras crenças e minimizar as crenças falsas.

Em busca deste objetivo, os epistemologistas se direcionam a dois diferentes assuntos.

3. O que eu quero dizer por "conhecimento"?

O ponto é dar um relato, desenvolver uma teoria ou oferecer uma descrição do conceito de conhecimento. 

4. Como eu posso identificar instâncias particulares de conhecimento e casos de erro?

Aqui é catalogar, avaliar e coordenar procedimento para escolher instâncias de genuíno conhecimento. Se alguém deseja avaliar o que algo é realmente um caso de conhecimento. 

FUNDACIONALISMO E SUA ALTERNATIVA.

O modo tradicional para responder esta questão é este: uma instância de conhecimento é uma ideia que possui três características: Primeiro, ela é verdadeira. Segundo, alguém acredita nela. E terceiro, algum fato legitima a crença em questão para esta pessoa. Mas o que está errado em definir conhecimento como uma crença verdadeira? Porque alguém pode tem crenças verdadeiras por puro acidente e isto não é conhecimento. O conhecimento requer algum tipo de fato legitimador que distingue da mera crença verdadeira - como um palpite sortudo- para um conhecimento real.  Este terceiro fato é muito controverso.

Como exatamente alguém pode entender e localizar este fato legitimador? Um método importante para pensar sobre o fato legitimador é que ele muda uma crença meramente verdadeira para um conhecimento genuíno é chamado fundacionalismo. A palavra fundacionalismo tem diferentes conotações. Alguns pensadores, especialmente, na teologia contemporânea, identificam um método holístico ou uma fonte de verdade autoritária como uma fundação. Para o autor, seria um fundacionalismo-fonte. Neste tipo de fundacionalismo, a fundação do conhecimento é alguma lógica ou linguagem transcultural, algum método universal como a ciência ou uma tradição religiosa autoritária ou um livro como o Corão. Fundacionalismo-fonte é aquela noção típica modernista que o conhecimento é uma reflexão da verdade e que nós podemos descobrir um fundamento estável para isto em Deus, na Historia ou na Razão.  Para o ponto de vista pós-moderno, o fundacionalismo-fonte não produz a liberdade e progresso que prometem. Ironicamente,  de acordo com esta crítica, a sede moderna por liberdade humana através de objetividade na verdade ou certeza no conhecimento leva para um estilo absolutista filosófico que escraviza ainda mais.

Por contraste, fundacionalismo-crença, assunto deste texto, é uma classe de teorias sobre os relacionamentos entre as crenças individuais com o sistema de crenças da pessoa. Com a estrutura das crenças da pessoa, as crenças básicas fazem o terreno para as crenças não-básicas.  A pessoa conhece as crenças básicas diretamente, ela conhece as não-básicas indiretamente ou por inferência. Qualquer teoria da epistemologia  que distingue as crenças básicas das não-básicas é um membro da classe que estou chamado de fundacionalismo-crença.

No fundacionalismo-crença, o fato legitimador pode ser transferido de uma crença básica para uma crença não-básica. Agora, o fundacionalismo implica que as crenças básicas provisionam o fato legitimador para uma não-básica. O fato legitimador se move apenas nessa direção. Esta é uma característica chave de qualquer fundacionalismo-crença.
Essencialmente, o fundacionalismo-crença é um modo para bloquear o regresso infinito. Se um conhecedor deve voltar para a crença com outra crença, então ele vai ter que voltar a uma cadeia infinita.

Fundacionalismo-crença é sujeito a crítica. Aqueles que objetam optam pelo Coerentismo, que denota uma classe de teorias em que o fato legitimador surge inteiramente do encaixe lógico de várias crenças com outras.  Isto é, a crença x implica na y, e  y em z, etc. Aqui, todas as crenças são parte de um argumento circular amplo.  Nesta rede de crenças, a conexão entre elas não transfere meramente o fato legitimador como no fundacionalismo-crença, mas gera ele. Este fato legitimador vai em ambas as direções. No coerentismo, satisfaze o princípio da coerência é necessário e suficiente para o conhecimento.

Duas características do coerentismo parecem estar corretas. A primeira é que evitar a incoerência é necessário para qualquer conjunto de crenças verdadeiras. A segunda é que o coerentismo corretamente enfatiza o princípio de independência: crenças não-básicas são legítimas pela conexão com um grande número de crenças independentes e coerentes mutuamente, e estas legitimizadas por algumas crenças.

Apesar destas vantagens, contudo, coerentismo sofre duas dificuldades fatais. A primeira, é o problema do input, se coerência sozinha legitima as crenças, isto parece fazer da experiência algo desnecessário. Certamente, crenças sobre o mundo natural tem seu fato legitimador da experiência da percepção real.

Segundo, o problema dos sistemas alternativos de coerência. O coerentismo faz a coerência não apenas necessária mas um verdadeiro conjunto de crenças interconectadas, mas suficientes como um indicador de verdade. O coerentismo vai além de fazer do princípio  da coerência como um critério para verdade. A coerência termina sendo o que é a verdade.  Assumindo uma unidade da verdade, qualquer conjunto de crenças verdadeiras é suficiente para justificar sua verdade. É possível construir um infinito número de conjuntos de crenças onde os conjuntos são internamente coerentes entre si, mas mutuamente exclusivos de cada um. O coerentismo nos deixa sem jeito para julgar estes conjuntos.

REFINANDO FUNDACIONALISMO-CRENÇA

Que tipo de crenças eu poderia considerar como básicas? Uma resposta é encontrada no fundacionalismo clássico,  eles viam que certas crenças estão enraizada em outras mais básicas. Mas, diferente do fundacionalismo-crença, este defende regras estritas sobre que tipos de crenças são legitimamente básicas.  Numa versão clássica do fundacionalismo, as crenças básicas precisam ser auto-evidentes (3+4=7) ou incorrigíveis ( eu sinto sede). 

Em contraste, outras formas de fundacionalismo-crença são mais modestas. O fundacionalismo modesto é qualquer membro de um conjunto de visões tem critérios mais flexíveis para ser basicamente próprio. Um tipo de fundacionalismo modesto é a epistemologia reformada, representada por Plantinga, Alston, Wolterstorff. A epistemologia reformada insiste que mesmo as crenças religiosas são corretamente construídas como básicas por certas pessoas. E as pessoas que acreditam que Deus existe é propriamente básico, eles conhecem pela fé que Deus existe. E não há nada defeituoso inerentemente em conhecer deste modo. 

Dada a visão cristã destas coisas, os conhecedores não estão cometendo nenhum pecado epistêmico. Eles formam suas crenças através de um processo formativo de crença confiável. Mas, estas asserções atiçam a ira dos naturalistas.

A segunda questão é a seguinte: se o conhecimento é distinguido da mera crença verdadeira por um fato legitimador, os conhecedores deve ter um claro conhecimento deste fato? Ou é suficiente que o fato legitimador exista? Aqueles que dizem que os conhecedores precisam conhecer o fato legitimador, vão se inclinar para o internalismo.  Em geral, um internalista usa a palavra justificação para denotar o fato legitimador. Isto forma o plano de fundo para uma visão clássica desta matéria- conhecimento significa uma crença verdadeira justificada.  Falando geralmente, o relato internalista de epistemologia coloca algum tipo de dever nos conhecedores para descobrir o que justifica suas crenças. Conhecedores tem uma obrigação de desmascarar aquilo que distingue  seu conhecimento genuíno das crenças verdadeiras por coincidência.  Se eles não cumprem isto é errado dizer que conhecem. Agora o evidencialismo é um tipo de internalismo em que a evidência justifica a crença. O conhecedor precisa encontrar a evidência que muda a mera crença em conhecimento.

Aqueles que dizem que é suficiente que um fato legitimador exista, mesmo se os conhecedores não estão cientes disto, vão adotar o externalismo. Tipicamente, um externalista usa a palavra garantia para denotar um fato legitimador. Nesta visão, a verdadeira crença é formada através de um processo confiável de formação-crença que possui garantia, e também isto conta como um conhecimento genuíno. As teorias externalistas dizem que alguma garantia deve existir para que a crença possa contar como um conhecimento. Mas, eles não insistem nisto em cada caso de genuíno conhecimento, o conhecedor em si mesmo deve investigar ou se tornar ciente deste fato. Agora há  pouco acordo sobre a exata natureza destas distinções entre a justificação e a garantia ou entre internalismo e externalismo. 

Por que religiosos pensam que é certo, em alguns casos, acreditar pela fé?  Segundo Plantinga, se Deus existe, então o conhecimento da existência de Deus pode ser propriamente básico.  Obviamente, este é um relato externalista. Se Deus existe e criou os humanos com processo confiável de formação de crenças. O conhecimento de Deus está baseado na direta experiência com Deus. Se   Plantinga está certo, isto é uma instância de conhecimento legítimo de uma crença fundacional pela fé no sentido de acreditar em Deus sem evidência.

Naturalistas dizem que este relato de conhecer pela fé não tem como separar crenças verdadeiras das falsas.  Falham em encontrar as verdades garantidoras que possibilitam minimizar as crenças falsas.  Os crentes religiosos que pensam que tomar pela fé é legítimo epistemologicamente  tendem a maximizar a questão 1, mas falham miseravelmente na questão 2.  Claro, que os religiosos tem o dever de produzir algo além de uma asserção subjetiva como o Espírito Santo me falou. Este algo a mais é a evidência segundo os evidencialistas. 




Evidencialismo como um princípio universal

A questão é a seguinte: é racional requerer que os crentes religiosos tenham evidência para cada crença?  Um modo de refutar o evidencialismo é um ataque frontal. O evidencialismo está sujeito a dificuldades. Plantinga argumenta que a única razão para manter o evidencialismo é que ele é uma dedução do fundacionalismo clássico.  Contudo, o fundacionalismo clássico é errado e por duas razões. Por exemplo:

Uma crença é propriamente básica se e somente se ela é auto-evidente ou incorrigível.

A crítica explora a declaração da razão para crer. Plantinga argumenta que esta declaração em si mesmo não é auto-evidente nem incorrigível. Como também não se pode inferir premissas disto. Detalhes mudados não resolvem o problema.  Então, o fundacionalismo clássico é auto-referencial, incoerente e não está em posição para dar qualquer peso para o evidencialismo.  Do mesmo jeito, o evidencialismo é semelhantemente auto-refutando. Tomado como um princípio epistêmico universal, falha em satisfazer suas próprias demandas.  Assim como não há argumentos evidentes que levam ao fundacionalismo clássico, também não há que possam demonstrar o evidencialismo. A segunda parte da crítica é esta: o fundacionalismo clássico criou padrões rígidos e estritos para o conhecimento em tentar assegurar que não haja erros na estrutura do pensar. O fundacionalismo clássico elimina muito dos que as pessoas normalmente e legitimamente conhecem. De fato, isto toma o ceticismo muito sério. 



Conhecendo Deus pela fé

Os crentes religiosos alegam conhecer Deus, reconhecem sua voz. Como Jesus disse, a ovelha conhece a voz de seu pastor (Jo 10:4). Quando Deus fala, os crentes escutam. 

Uma grande parte do que sabemos não é suportada pela evidência, e ainda isto é corretamente chamada de conhecimento.  A epistemologia reformada diz que um crente que conhece Deus e discerne sua voz é perfeitamente certo para formar a crença. 

Qual é o fato legitimador que faz que a crença da pessoa seja um caso de legítimo conhecimento? A epistemologia reformada exemplificada em Plantinga diz que isto é corretamente chamado de conhecimento em todo caso em que a pessoa sabe que acredita através de um processo confiável de formação de crença, mesmo se a pessoa não está ciente ou pensando a respeito do processo. A crença, não o crente, é a garantia. Aqui é o relato de Plantinga. Se uma crença é produzida em S pelas faculdades cognitivas funcionando propriamente num ambiente cognitivo que é apropriado para as faculdades cognitivas de S, de acordo com um plano desenhado que é bem sucedido em encontrar a verdade, então esta crença tem garantia para S. Este não é um conjunto preciso de condições necessárias e suficientes. Desde que há várias extensões análogas e níveis de exatidão nas crenças humanas, isto parece improvável que um poderia especificar tal conjunto universal de tais condições. mas, em geral, se estas características estão presentes quando estou formando uma crença, então, estou tendo conhecimento.

De novo, a questão aqui não é a questão 4: que estratégias vão apontar para os casos de conhecimento ? Naturalistas focam na questão 4,  não consideram a crença em Deus como uma crença básica, pensam que o fundacionalismo não tinha esta intenção.  Fundacionalismo era uma tentativa de prover ferramentas críticas para ter um conhecimento objetivo e prover uma base não relativista para o conhecimento. 

A questão 4 demanda uma caixa de ferramentas epistêmicas, não somente a evidência.  Se os conhecedores estão limitados para uma grande ferramente que o evidencialismo requer, então o conhecer humano é desnecessariamente restringido. Uma consistente aplicação de um evidencialista requer todas os tipos de cisas que desde já sabemos, isto tende a maximizar a questão 2, mas a questão 1 desaparece no fundo. Isto poderia implicar que o conhecimento de Deus que existe não conta como conhecimento.  Se Deus existe, entretanto, qualquer estratégia epistemológica que opõe-se ao conhecimento do fato é  profundamente fraco. Então, se Deus existe, a exigência evidencialista é muito forte.

O Poder do Conhecimento de Plano de Fundo (Background)

O princípio da evidência é um recurso não negociável de cada caso de conhecimento.  Ele elimina muito do que é corretamente chamado de conhecimento, até a si mesmo.  Mas, tem alguma verdade, como os fatos de fundo que dão evidência para crenças.

Para os crentes religiosos, conhecimento que alguém toma pela fé depende de uma variação do princípio de credulidade. 

Quando algo parece para alguém ser verdade, isto provavelmente é verdade, e pode ser tomado como verdade, a menos que saiba-se de alguma circunstância especial de desqualificadora ou uma evidência de que aquilo que parece verdade não é realmente verdade.
Isto se aplica para o conhecimento enraizado na experiência sensória. Algumas boas razões podem, algumas vezes,  contar contra alegações de conhecimento particular mesmo quando elas estão firmadas na evidência produzida pelos sentidos. E se o mesmo é verdade se eu conheço através do testemunho do Espírito ou de uma forma direta e básica.

A informação especial de desqualificação é, em geral, uma evidência, um arrazoado ou uma experiência que leva alguém a pensar que uma crença original não é garantida ou verdadeira.  Ela a verificar a garantia e dar uma evidência mais forte ou fraca para a crença.

Um Papel Limitado para um Princípio Evidencialista.

Um problema com a estratégia evidencialista é a confusão das questões 3 e 4. Quando eu tento descobrir a verdade de uma alegação para isto tenho tem alguma contra-evidência, e isto é correto em alguns casos que busco por um confirmação evidencial. A questão 4: como eu posso identificar uma instância particular de conhecimento? Quando temos um conhecimento de plano de fundo grande, posso deixar certas alegações como implausíveis. 

A crítica do autor deste texto é que para os naturalistas, a suspensão da evidência é possível para as questões do dia a dia, mas não quando se tratar de crenças religiosas.


Como alguém sabe que Deus falar às pessoas é radicalmente implausível, completamente fora do comum, e inteiramente contrário para tudo que sabemos sobre o mundo?  Os crentes precisam apontar isto da experiência base da crença cristã,  que há razão para pensar que o Espírito falar com as pessoas é inteiramente plausível, normal e completamente consistente com o que é verdade sobre o mundo. Dado o conhecimento de plano de fundo que os naturalistas aceitam, escutar a voz de Deus parece fora de lugar. Mas, talvez, o problema é a base de experiência restrita dos naturalistas.


Se os cristãos estão certos, cada ser humano tem uma primeira ordem de capacidade para conhecer Deus, mas nem todo o ser humano reconhecem Ele.  

Se o teísmo é falso então as alegações que o Espírito fala são implausíveis. Mas se a fé cristã é verdadeira, então é claro que Deus poderia comunicar-se com os crentes. Deus criou o processo de formação de crenças. Então, não é dificil pensar que Deus  criou este processo para sentirmos sua presença.

A verdade do teísmo é que faz a diferença.  Quando alguém diz que a crença teísta é epistemologicamente defeituosa porque falha aos pressupostos de evidência, a realidade da existência de Deus é diretamente relevante para responder. Se Deus existe, então a crença teísta está de acordo.

ESTRATÉGIAS PARA UM CONHECIMENTO GENUÍNO.

O que os religiosos podem fazer com a questão 4, como identificar instâncias genuínas de conhecimento?  Os cristão estão interessados em ancorar suas declarações em verdades que aconteceram. 

Os religiosos precisam de algo mais do que crenças bem garantidas. De um ponto de vista externalista, algumas vezes, eu posso vir a crer em uma verdade, numa crença bem garantida sobre Deus, ainda assim se focar em sua garantia. E outras vezes, eu preciso de uma crença bem garantida para uma crença particular. 

A crença conta como conhecimento enquanto ela permanece como um processo confiável em um ambiente epistemológico que o produz. Mas ainda é possível tem um ponto de apoio, por uma crença de segunda ordem. 

Um religioso pode ter um conhecimento de Deus através de experiências diretas religiosas.  

Duas objeções pode surgir: Primeiro, se a crença em Deus pode ser fundacional ou básica propriamente tendo em vista a garantia, isto não implica que qualquer crença é garantida? Se um conhecimento direto de Deus é aceitável, como o cristão responde às seitas?  A crítica é tentar acreditar que esta visão modesta de crença-fundacionalismo que considera a crença em Deus como uma crença básica pode levar a um caos epistêmico. Se a crença em Deus é propriamente básica, isto abre os portões epistemológicos. Martin diz que se a epistemologia reformada é verdade, ela também é radicalmente relativista.

Mas um fundacionalimo modesto não deixa a coisa ir tão solta. Cada crença que inicialmente parece ser garantida realmente é garantida no final. Para  uma crença ser um conhecimento genuíno, não é suficiente apenas fazer a alegação. Ela tem que ser garantida. E se os crentes pesam ou tem razão para pensar que algo não é garantido, eles podem desafiar suas próprias crenças,  O ponto é que eles não são exigidos para desafiar suas crenças, para responder ao desafio antes disto contar como conhecimento. No mínimo, o fundacionalismo modesto diz que eles não devem ter conhecimento de relevantes fatos que desafiem este conhecimento.  

Segundo, se as crenças religiosas são propriamente básicas, isto não leva as crenças religiosas foram reino da discussão pública? Não faz das convicções teológicas algo imune ao criticismo? O conhecer pela fé leva alguém para além da crítica?  

É possível corrigir uma crença básica que foi aparentemente garantida pela pessoa. A pessoa normalmente acha que seu processo formador de crenças gera crenças verdadeiras. Mas, muitas coisas podem dar errado.  O ambiente pode não levar a produção de uma crença verdadeira. 

Como religiosos podem responder tanto a questão 1 e 2? O fundacionalismo  modesto , em reconhecendo muitas crenças religiosas podem ser propriamente básicas para aqueles que as possue, abre um caminho para uma verdade religiosa garantida.  Se Deus existe, então os crentes podem adquirir um conhecimento de Deus bem garantido. Esta não é uma estratégia para identificar os casos de conhecimento, mas algum tipo de descrição do que é conhecimento. Se Deus existe, o conhecimento de Deus é enraizado na experiência de Deus, isto completa a necessidade para crenças garantidas- questão 1. Mas, nem toda alegação de conhecimento aparentemente bem garantida sobre Deus é realmente bem enraizada. Há algumas crenças falsas que parecem inicialmente ter garantia para o crente, mas ainda assim estas crenças são minadas por outras considerações que as derrotam, esta resposta nos ajuda a evitar erros- questão 2.

CONCLUSÃO

A questão que perguntei se está correto em tomar algo pela é. Um modo de tomar algo pela fé é em aceitar a crença religiosa como propriamente básica.  Fundacionalismo é uma classe de teorias epistêmicas em que algumas instâncias do conhecimento - crenças básicas- são conhecidas diretamente ao invés de inferência. Um versão modesta religiosa do fundacionalismo, a Epistemologia Reformada, diz que as crenças religiosas podem ser propriamente básicas.


Para afastar as falsas crenças religiosas, os naturalistas que são  evidencialistas aplicam sua própria regra básica: toda crença deve ser suportada pela evidência. Eles exigem que toda a crença religiosa deve ser suportada pela evidência ou ser abandonada. Sem tal regra, os naturalistas parece  temer que os epistemologistas religiosos poderiam coroar qualquer e toda alegação religiosa como propriamente básica e além da correção.  Mas a regra evidencialista é profundamente falha. Dentre outras coisas, ela apaga a si mesma desastrosamente. No fim, os conhecedores devem conhecer algumas coisas diretamente. Se eles nunca conhecerem nada diretamente, então eles nunca vão encontrar as primeiras premissas para começar qualquer inferência as coisas conhecidas indiretamente. Se eles não conhecem algumas diretamente, eles nunca vão conhecer nada. Se Deus existe, claro que os crentes religiosos vão tomar algumas coisas pela fé.

Cristãos dizem que tomam pela fé o conteúdo - notitia- do ensino bíblico junto com o assentimento mental - assensus-. Este é o primeiro passo em direção a Deus.  A verdadeira fé que transforma e libera as pessoas espiritualmente é o segundo, um passo distinto- uma confiança existencial em, uma lealdade fiel - fiducia- para com Deus. Esta é a fé que leva para o amor de Deus- o propósito maior da existência humana. 



"Any epistemic standard that disallows the knowledge by which human persons find the Reality they were created to love calls itself radically into doubt." p. 52



segunda-feira, abril 20, 2015

Lane Craig e Moreland: Estrutura da Justificação (Coerentismo)

Já vimos como os autores tratam a questão do fundacionalismo, agora vamos ver como eles apresentam o COERENTISMO. 

Entre os coerentistas se destacam F H Bradley, Brand Blanshard,  Keith Lehrer e Nicholas Rescher. 

a essência do coerentismo é de que não existem assimetrias entre crenças básicas e crenças não-básicas. Todas as crenças estão no mesmo patamar umas em relação às outras, e a fonte principal da justificação é o fato de que crença coere adequadamente com outras crenças na estrutura noética de uma pessoa.

Existem outros dois tipos de coerentismo que são associados com as teorias da justificação da coerência:

Teoria de coerência da crença ou significado: afirmam de uma maneira ou de outra, o conteúdo de uma crença, a coisa que faz da crença o que ela é, é o papel que a crença desempenha em um completo de sistema de crenças.

Teoria da coerência da verdade: a noção de que uma proposição é verdadeira se, e somente se, ela fizer parte de um conjunto coerente de proposições. (em oposição a esta, existe a  Teoria da correspondência da verdade: a noção de que a verdade de uma proposição é uma função da sua correspondência com o mundo externo). 

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Coerentismo e a pressuposição doxástica.

A pressuposição doxástica refere-se à visão de que o único fator que justifica uma crença para uma pessoa são as outras crenças que ela possui.  As experiências sensoriais em si não desempenham papel na fundamentação das crenças,  mesmo nas crenças perceptivas, e, de maneira geral, uma crença não recebe qualquer justificação com base em seu relacionamento com a experiência.  Os fatores externalistas também

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Para o coerentista não há uma crença básica ou privilegiada que sirva como fundação para a justificação de outras crenças, mas que não precisam de justificação de outras crenças.

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A Natureza da Própria Coerência

a justificação de uma crença é dada pela maneira como ela coere com outras crenças na estrutura noética de alguém.

"Os coerentistas se dividem quanto às suas visões da questão do que é exatamente a coerência. Desse modo, são semelhantes  aos fundacionalistas que têm se dividido quanto à melhor descrição da justificação nos relacionamentos entre as crenças básicas e não básicas. Quase todos os coerentistas concordam que a coerência deve, ao menos, significar consistência lógica, ou seja, um conjunto de crenças  não pode conter explícita "(PAG 159)

coerência de acarretamento: um conjunto de crenças somente é coerente se cada membro do conjunto for acarretado por todos os outros membros do conjunto.

coerência explanatória: cada membro de um conjunto de crenças ajuda a explicar e é explicado pelos outros membros do conjunto.

coerência da probabilidade: um conjunto de crenças é coerente somente se ele não incluir a crença em P caso a crença em P seja improvável.

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Coerentismo positivo e negativo

De acordo com o primeiro, se uma crença coere com um conjunto de crenças, então isso dá justificação positiva à crença. Aqui, as razões positivas são exigidas antes que uma crença possa ser justificada, e a coerência fornece a justificação.

O coerentismo negativo, se uma crença deixa de coerir com um conjunto de crenças, então a crença é injustificada. Aqui, as crenças são inocentes até que se provem culpadas, ou seja, elas são justificadas até um certo grau a não ser que fracassem no teste da coerência.
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Coerentismo forte e fraco: 
As teorias da coerência fraca implicam que a coerência nada mais é do que uma determinante da justificação e, assim, o coerentismo fraco é compatível com as versões do fundacionalismo que permitem à coerência desempenhar um papel na justificação. A coerência forte estabelece que a coerência é a única determinante na justificação.

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Coerentismo linear e holístico:
Linear, as crenças são justificadas por outras crenças individuais numa cadeia linear e circular. O  holístico afirma que com objetivo de uma pessoa S ser justificada por acreditar em P, P deve deve estar numa relação de coerência com o conjunto de tudo aquilo que a pessoa S acredita.  É o padrão completo de interligação e coerência mútua que fornece a justificação.

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OBJEÇÕES AO COERENTISMO

1- Existe uma objeção que se concentra na circularidade viciosa e na implausibilidade das visões da coerência sobre a transferência de justificação de uma crença para outra.


2- O problema do isolamento: as teorias de coerência extipariam a justificação do mundo exterior e da maneira como o mundo realmente é. A justificação é simplesmente uma função das relações internas entre crenças dentro da estrutura noética de uma pessoa.

Em resposta, eles dizem que alguns abandonaram a teoria da correspondência da verdade e adicionaram uma teoria da coerência da verdade a uma teoria da coerência da justificação.

Outra resposta é que é incoerente a noção de um mundo teoricamente independente ou de algo que tem sido chamado "a forma de ser do mundo", obtida com base na perspectiva dos olhos de Deus, para os autores, o problema com essa reposta é que ela não deixa espaço para que o mundo exterior- por exemplo, nossa consciência direta sobre ele- desempenhe um papel racional em justificar as nossas crenças, e é esse papel que é de relevância para a epistemologia.

3. Objeção de Pluralidade: seria possível haver dois ou mais conjuntos igualmente coerentes de crenças que poderiam, todavia, ser logicamente incompatíveis um com o outro.





domingo, abril 19, 2015

William Lane Craig/ JP Moreland: A Estrutura de Justificação

No quinto capítulo de Filosofia e Cosmovisão Cristã, os autores vão falar sobre a estrutura da justificação

Algumas notas de leitura:

estrutura nóetica representa todo o conjunto de proposições nas quais uma pessoa pessoa S acredita, juntamente com várias relações epistemológicas  que estão em uso entre as próprias crenças.

O fundacionalismo e o coerentismo são teorias normativas sobre como uma estrutura noética deve ser constituída de modo que as crenças daquela estrutura sejam justificadas para a pessoa que possui tal estrutura. 

Para o fundacionalista, as cadeias epistêmicas de justificação param diante de crenças que não são justificadas com base em outras crenças. Para o coerentista, uma crença só pode ser justificada por outras crenças, especificamente o fato de que a crença em questão mantém coerência com as outras crenças da maneira certa.
lembrando que as sensações não são proposicionais, mas as crenças sim.

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FUNDACIONALISMO

Roderick Chisholm, Robert Audi e Alvin Plantinga.

"o fundacionalista nota uma divisão básica entre as crenças que aceitamos justificadas na evidência de outras crenças em oposição às que aceitamos justificadamente num modo básico, ou seja, completamente sem o apoio de outras crenças" (PAG 145)

Para eles, todas as crenças são básicas ou não-básicas, as primeiras são imediatamente justificadas, enquanto que as não-básicas são mediatamente justificadas de alguma maneira pelo relacionamento mantido com crenças básicas.

1o. Existem crenças que são chamadas de crenças apropriadamente básicas

2o. Somente as crenças sensoriais ou aquelas sobre as verdades da razão devem ser permitidas entre as fundações.

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Diferenças quanto ao que pertence às fundações:

O antigo, abraçado por Aristóteles e Tomás de Aquino é a visão de que certas crenças sensoriais são evidentes aos sentidos e devem ser consideradas fundacionais, crenças que são sobre objetos que existem em um mundo externo fora da consciência do sujeito que a vê.

O clássico moderno, de Descartes a Chisholm, sustenta que as crenças que não são sobre objetos exteriores, mas sobre propriedades auto-apresentadas, i.e., atributos psicológicos, como estados sensoriais ou estados de pensamento, ou modos de consciência internos ao próprio sujeito que experimenta.


Outra diferença é em relação à força da justificação:

O fundacionalismo forte é a visão na qual as crenças fundamentais são infalíveis, certas. 

Os fundacionalistas fracos negam que as crenças fundacionais devam ter uma condição epistêmico tão forte. Pra eles, as crenças fundacionais devem ser simplesmente justificadas prima facie, quando não encontra uma boa razão para não agir assim.

Diferença quanto às condições necessárias para uma crença básica ser considerada como apropriadamente básica.

internalismo:  afirma que as condições apropriadamente básicas são internas ao conhecedor.

Outros fundacionalistas defendem o externalismo, segundo o qual os fatores que fundamentam a justificação de uma crença apropriadamente básica não são aqueles aos quais o sujeito tenha acesso interno; talvez seja causada ou produzida de determinado modo.


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Relacionamento entre as crenças básicas e não-básicas.

Relacionamento basal.

Relação irreflexiva, se a própria coisa não pode manter essa relação consigo mesmo,i.e., "maior que" é irreflexivo, uma vez que nada é maior que si mesmo.

Relação assimétrica quando dada duas coisas A e B, se A mantém determinada relação com B, então B não mantém a mesma relação com A.
Por exemplo, "maior que" é assimétrico. Já, "do mesmo tamanho que" é simétrico.


Uma questão é levantada quanto a força do relacionamento basal, historicamente, alguns afirmam que a relação entre uma crença básica e uma não básica é a da certeza dedutiva- as crenças básicas acarretam a verdade das crenças não-básicas.  Hoje,se fala mais num relacionamento indutivo, já que a verdade da crença básica pode não levar a verdade da crença não-básica.

Os fundacionalistas permitem que a existência da noção de coerência desempenhe um papel na justificação. Primeiro, se o conjunto de crenças de uma pessoa é incoerente, digamos que ele possua uma contradição lógica-então isso pesa negativamente para aquele conjunto de crenças. Segundo, "cada membro de um conjunto de crenças pode conferir certa base a uma crença não-básica, mas se no conjunto todo de crenças básicas ela coerirem adequadamente umas com as outras, isso aumenta o apoio positivo de que essas crenças dão à crença não-básica." (pag. 149)

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Argumentos a favor do Fundacionalismo.


"O coerentismo não dá espaço para que a própria experiência contribua para a justificação de nossas crenças ( uma vez que os coerentistas afirmam que as crenças e apenas as crenças conferem justificação), e ele não consegue opinar sobre o pepel especial que as crenças perceptivas ( a crença de alguém ouve um farfalhar) ou as experiências sensoriais desempenham na justificação" (PAG 150)


Os coerentistas afirmam que qualquer coisa que seja tomada para justificar imediatamente uma crença só pode fazê-lo se uma pessoa tiver um argumento que justifique a idéia de que o alegado fator imediato é capaz de funcionar como um justificador imediato. Os fundacionalistas respondem que não há razão suficiente para pensar a justificação de metanível seja exigência para justificar aquilo que parece ser o justificador imediato de uma crença. Uma experiência sensorial ou uma crença perceptiva podem justificar uma crença não-básica sem a construção do argumento para o fato.


Alguns coerentistas afirmam que naquilo que se refere à psicologia, as experiências sensoriais são possíveis sem que haja crenças.  A prioridade psicológica da experiência sensorial das crenças perceptivas é ad hoc numa teoria da justificação coerentista, argumentam os fundacionalistas, mas se encaixa naturalmente numa visão fundacionalista. 


Verdades da razão
certos tipos de conhecimento a priori, especificamente nosso conhecimento de verdades de razão auto-evidentes, se encaixam  melhor no fundacionalismo do que no coerentismo. 



Argumento da regressão
a ideia fundacionalista de uma crença básica perceptiva ou de uma experiência sensorial é um tipo de motor não-movido, ela confere justificação a outras crenças sem necessitar que lhe seja conferida justificação por alguma outra coisa mais.

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aRGUMENTOS cONTRA o  fUNDACIONALISMO.

A principal objeção ao fundacionalismo clássico é a afirmação de que simplesmente não existem crenças incorrígiveis. Os fundacionalistas  respondem de duas formas: Alguns aceitam a crítica e adotam o fundacionalismo fraco, que considera as crenças básicas justificáveis prima facie, e não incorrigíveis. Já, há outros que reafirmam a existência de crenças incorrígiveis.



Toda a percepção é teoricamente subordinada.
Esse argumento se baseia na noção que não existe ver sem ver como ou ver que, portanto, não existem experiências sensoriais básicas, dado não interpretados, nada meramente dado à consciência.