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sábado, fevereiro 27, 2010

Tim Keller: Igreja Missional


Lesslie Newbigin foi um missionário britânico que foi a India na década de 50. Quando saiu da Inglaterra, a igreja ocidental, entretanto, se relacionava com a cultura, era o que se chamava de cristandade. As instituições da sociedade cristianizavam as pessoas por meio de estigmatizar toda outra conduta ou crença que não fora cristã. A igreja reunia as pessoas e as desafiava a um compromisso cristão pessoal.

Quando Newbigin chegou a India encontrou que as igrejas não apoiavam financeiramente as missões, nem levavam adiante a tarefa missionária (como se poderia dizer que faziam as igrejas ocidentais) sem que eram missionais em todo aspecto. Ao estar em uma cultura não cristã não poderiam simplesmente colocar em compromisso as pessoas cristianizadas. Antes, bem deveriam adaptar cada aspecto de sua vida eclesiástica: adoração, pregação, vida comunitária, discipulado a um mundo não cristão.

  1. Já que todas as visitantes a um culto de adoração não seriam cristãos, toda sua adoração e pregação se ajustava a eles.
  2. Como os membros da igreja deveriam viver suas vidas de acordo com valores radicalmente diferentes do resto da sociedade, o discipulado e o treinamento não somente os equipava para responder as perguntas e compartilhar a fé, como também que deviam conjugar os padrões de conduta pessoais e corporativos cristãos que colocariam em evidencia para a sociedade como é viver o Reino de Deus.

Quando Newbigin se jubilou do campo missionário na década de 1980, então, se encontrou com uma cultura ocidental que se havia convertido em muitas maneiras firmemente resistente ao evangelho como qualquer outra sociedade do mundo, contudo as igrejas não se haviam adaptado a esta nova situação.

Seguiam pregando em uma linguagem que somente as pessoas cristianizadas poderiam compreender.

Continuavam criando uma atmosfera que somente as pessoas tradicionais e conservadoras poderiam sentir-se confortável.

Seguiam discipulando as pessoas concentrando-se em suas habilidades individuais para conduzir suas vidas privadas – estudo bíblico, oração) e não para poder viver suas vidas com uma distinção cristã em um mundo secular, nas arenas publicas da política, artes, negócios e outras.

O esforço da Redeemer para ser missional.

Transação. Que é a Redeemer? Redeemer é um esforço imperfeito para ser uma igreja missional na cidade de Nova York. Com isto queremos dizer, em primeiro lugar, que não pensamos que nossos amigos céticos (do cristianismo) ao nosso redor são geralmente conservadores em seu modo de pensar. (Por sinal, não os são). Tampouco, pensamos que uma pessoa deve ser convencional, formal e conservadora para poder chegar a ser cristã. Portanto, em segundo lugar, queremos dizer que absolutamente todo o que fazemos deve ser missional, comprometido completamente em mostrar a beleza do evangelho ao mundo que nos rodeia.

Evidência: Redeemer recebe constantemente novas pessoas. Em cada parte e aspecto da igreja temos pessoas que ainda não crente ou que estão peregrinando espiritualmente, todavia, quem esta evangelizando? O interessante é que cada membro do pessoal da igreja esta envolvido na educação, treinamento, nutrição e apoio dos crentes. Nenhum membro de nosso pessoal tem a tarefa de ir e ganhar os perdidos. Como é então que há tantos interessados no evangelho vindo a nossa igreja, mais do que é visto em qualquer outra congregação? Se deve, em certo grau, que a igreja mesma tem um formato missional. Não quer dizer que todo que nos fazemos seja desenhado com a intenção de converter pessoas, senão que cada parte da igreja tem sido contextualizada e adaptada para ser um povo cristão que transpira o evangelho em cada serviço as pessoas de uma cultura não cristianizada que tem sensibilidades modernas e pos-modernas.

Elementos de uma igreja missional

  1. lideres que amam a cidade

a. uma atitude positiva faz a cidade. Não a condenamos, nem simplesmente a afirmamos tal como está. Não sentimos temor e nem tampouco somente sentimos lastimas por seus problemas. A amamos. Isto se transforma em uma relação recíproca. Os lideres devem humildemente aprender e respeitar a cidade de nova York e sua gente. Os lideres devem sentir-se entusiamados e enriquecidos pela cidade, não sentir-se sobrecarregados por ela.

b. um desejo de viver entre as pessoas que servem: 1. Fator comum, os lideres de igrejas pobres vivem em bairros melhores, os lideres de áreas afluentes vivem em bairros mais baratos. 2. Por que? Porque o residir nas comunidades onde devem ministrar envolvem sacrifícios e a necessidade de perder uma inconsciente sensação de superioridade – sobre o pobre como pela ignorância do rico-. 3. Dessa maneira os lideres não podem entender as pessoas que querem servir.

O evangelho re escreve a historia da cultura.

a. Conteúdo: 1. A principal dinâmica: devemos entrar e então re escrever a historia da cultura a luz do evangelho. Isto é diferente de assimilar-se ou confrontar a cultura. A. “entrar quer dizer ter uma simpatia bíblica pelas aspirações da cultura. Ou seja fazer uma imersão na literatura, arte, linguagem das pessoas e a cultura e ter o desejo de ressoar aquilo que é bom e valido, sem deixar de passar todo pela malha da Bíblia. B. então, e somente então, pode re escrever a historia. Com isto queremos dizer que mostramos como o evangelho de Cristo responde/completa as historias e aspirações melhor que tudo. 2. Quais são algumas das historias em nossa cultura pos moderna? A. liberdade da opressão, oposta a tradicional historia do bom filho. A distinção bíblica é que o evangelho provê a liberdade dos ídolos versus a escravidão religiosa ou irreligiosa a que alguém esta submetido. B. a abertura a todo em oposição ao tradicional nacionalismo. A distinção bíblica é que o evangelho nos capacita para receber abertamente a todos, invés de inclusivismo simplista, que é injusto ou exclusivo. C. Mais neste sentido: a verdade encarnada versus regimes de verdade ou não verdade. Identidade versus fraturação e o poder opressor. Exemplo: o desafio por definir o pecado biblicamente em termos de relações e escravidão, o que tem eco em nossa cultura circundante. B. Modo: 1. “Conversacional” versus retórico- grande antipatia pela verbosidade, ou pelo estilo muito eloqüente ou qualquer outra coisa que dê uma idéia de ser controlada ou forçada. 2. Irônico, gracioso versus sentimental ou cínico. 3. Pregação redentora-historica versus expositiva/ tópica. Nem moralista nem inspiradora.

Falar o vernáculo.

  1. Geral – Sempre espere ser ouvido. Fale com se toda a comunidade estivera presente, não somente por aqueles que tem nos assentos. Por que? 1. Porque os cidadãos da pos modernidade provam o cristianismo através de dezenas de mini-decisoes. Qurem ver primeiro como funciona. 2. Fale desta maneira e os cristãos sentirão a liberdade de incluir os eventos da igreja como parte de sua estratégia para fazer amigos. De outra maneira simplesmente, não os tomarão em conta.
  2. Específico: tenha em mente que todo isto deve fluir de um coração transformado pelo evangelho, de outra maneira será pura artimanha e jogo de mercado: 1. Evite a linguagem tribal: use linguagem simples e acessível em vez de eloqüência estilizada – a linguagem da oratória faz que as pessoas se sintam excluídas, e o vocabulário técnico- termos doutrinais/bíblicos sem explicações. 2. Evite a mentalidade internista, falando dos crentes como se fossem especialmente diferentes ou fazendo declarações cínicas sobre outras religiões ou outros estilos de cristianismo. 3. Evitar citar a Bíblia ou explicar tema como um tomo que qualquer pessoa inteligente deveria saber isto décor, tenha cuidado como repete citações de autoridades. 4. Constantemente antecipe e refrei-se em temas, objeções e reservas que os céticos ou aqueles que estão em uma peregrinação espiritual com o maior respeito e compreensão. Novamente o evangelho, se o evangelho esta afetando sua vida, você terá uma profunda compreensão por aqueles que estão lutando por crer. Nunca tenha uma pose de superioridade.
  3. Atitudes e sentimentos: 1. As pessoas tradicionais da classe media valorizam a privacidade, segurança, homogeneidade, estabilidade, sentimentalismo, espaço,ordem e controle. A cidade esta cheia de pessoas diversas, irônicas, e ultra progressistas que absolutamente não compartilham estes valores. Ainda assim, devemos gostar deles e aprecia-los. Necessitamos forjar uma saudável voz cristã irônica que seja gozosamente realista antes que sentimental, pomposa ou inspiracional, emocionalmente manipuladora. 2. Os cristãos expressam suas emoções de uma maneira que muitas vezes distanciam os não cristãos. Se devemos estar ombro a ombro com pessoas que se encontram em diferentes níveis em sua peregrinação devemos cuidar de não nos deixarmos levar por nossas emoções. Ou seremos como atletas deixando para trás os descapacitados físicos em uma corrida. Não seja autocomplacente na adoração.

Ministério contra intuitivo e de ações.

  1. As pessoas no mundo secular tem uma forte convicção de que religião é realmente poder social. Necessitam localizar cada igreja em algum lugar no espectro ideológico do liberalismo de esquerda ou no conservadorismo de direita.
  2. o evangelho faz que a igreja não pode ser encerrada em uma só categoria. 1. A justificação por meio da fé traz mudanças psicológicas profundas e poderosas, ainda que pecador, sou aceito. Isto converte as pessoas. Minhas cadeias caíram, meu coração é livre, me levanto e sigo a Ti. 2. Por outro lado, o evangelho da cruz e do reino traz mudanças profundas e poderosas no social também. Define os valores do mundo: poder, posição, reconhecimento, riqueza. O evangelho representa a vitoria por meio da debilidade, a riqueza na pobreza e o poder no serviço. Isto muda nossa atitude com o pobre, com as posições sociais, a riqueza ou as carreiras.
  3. uma igreja centrada no evangelho deve combinar diferentes paixões que não são vistas juntas em uma mesma igreja. Isto faz que a gente volte a visitarmos e tome nossa mensagem seriamente. Nas comunidades de valores tradicionais, uma igreja pode carecer destas combinações, contudo, ainda ter credibilidade. Este é o caso do campo missionário secular.

Comunidade de contracultura.

  1. Geral: A moralidade individual e o evangelismo pessoal não são testemunhos suficientes no campo missionário secular. A pulcra escrupulosidade e o evangelismo deixa o cristão indistinguível dos mormos, os testemunhas de Jeová, os mulçumanos,etc. 1. Os cristãos devem modelar uma forma totalmente alternativa de ser como sociedade através de mostrar praticamente uma maneira de vier em comunidade.
  2. Específicos: 1. Sexo: se deve modelar e viver uma vida de pureza sexual não baseada em ter mais vergonha e pudor que a cultura externa, senão em ter mais gozo, segurança e agrado com a sexualidade. 2. Dinheiro: uma comunidade de pessoas que tomam decisões em relação a sua carreira, gastos e economia, residência sobre a base do serviço antes que a comodidade ou prosperidade pessoal. Modelar uma generosidade radical sem cair no farisaísmo. 3. Poder: a. relações interculturais e interrraciais e compatilhar o poder. B. abertura e humildade para com quem diferimos profundamente.
  3. Relações interpessoais poderosas dentro da comunidade caracterizada pelo ceder de direitos, escutar o outro, perdoar, comprometer-se com a reconciliação e ter atitudes de servo.

Renovação cultural das vocações laicas.

  1. Geral: A diferença chave entre as igrejas missionais com as igrejas da cristandade está na ênfase do discipulado publico: elaborando os distintivos cristãos, contudo, simultaneamente participando ativamente na produção da cultura. Meta: não a participação com assimilação de valores, mas tampouco, separação e monasticismo. Em uma sociedade da cristandade não há necessidade de discutir acerca de como é um cristão ator, empresário, artista, escritor, jornalista, etc. A sociedade é considerada basicamente cristã. A ênfase da igreja esta dedicada ao compromisso pessoal.
  2. Especifico: 1. Retórica geral apóia aos cristãos que se dedicam a seu trabalho nos campos vocacionais seculares. 2. Estratégia tripla: a. a analise de uma teologia do reino: ídolos da cultura/sociedade- o que se pode aceitar da cultura, que se aceita, contudo, é reelaborado aquilo que se pesquisa. B. produzir juntos- conectar-se para poder produzir cultura, ajudar-se mutuamente para poder excelência. C. nutrir e apoiar temas particularmente pastorais no campo.

Consciência de reino global como igreja.
Geral: Durante a época da cristandade, as igrejas se definiam a si mesmas em contraposição com outras igrejas, não em relação ao mundo. Existia um sectarismo e territorialismo generalizado. Por outro lado, a unidade da igreja é um fator profundamente missional – Joao 17- . Quando for possível, devemos buscar mostrar ao mundo nossa unidade.
Específico: 1. Ao nível local, tratar de cooperar ao máximo com outras igrejas sem comprometer a integridade – as diferenças teológica são importantes. 2. Especialmente devemos ver a necessidade de escutar as igrejas emergentes da Africa, America Latina e Asia. Tem tanto para ensinarmos a eles e eles a nós. Os devemos tratar com deferência. Com? A. A educação teológica compartilhada. B. cooperação entre iguais no campo missionário, não um modelo americano de envio de missionários 3. Intensivo inicio de igrejas em todas as partes para poder criar corpos missionários conscientes de trabalhar pelo reino. É muito mais fácil iniciar uma nova igreja com as sete marcas da igreja missional que intentar renovar uma velha igreja. O modelo da cristandade iniciou poucas igrejas em nosso próprio país.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Dallas Willard: Conspiração Divina


Convém que estejamos cientes de, grosso modo, cinco dimensões da nossa vida eterna no Reino no Meio de Nós. Essas dimensões se distribuem mais ou menos na seguinte seqüência:

1. Confiança e em Jesus, o "Filho do homem", aquele que foi ungido para nos salvar. As passagens bíblicas relevantes para essa dimensão são Jo 3:15; Rm 10:9-10; e ICo 12:3. Essa confiança é uma realidade, e é ela mesma uma verdadeira manifestação da vida "das alturas", não das capacidades humanas normais. É, como diz Hb 11:1, "a convicção de faros que se não vêem". Qualquer um que verdadeiramente possui essa confiança tem absoluta certeza de estar "lá dentro".

2. Mas essa confiança na pessoa de Jesus naturalmente leva ao desejo de ser seu aprendiz na vida do reino de Deus. Só mesmo um processo histórico contínuo eivado de confusões e falsas motivações poderia nos trazer a esta situação corrente, na qual se considera que a fé em Jesus implica naturalmente ser discípulo dele. A condição de aprendiz de Jesus significa viver no seu mundo, ou seja, colocar em prática os seus ensinamentos (Jo 8:31). E isso gradualmente integra toda a nossa existência no glorioso mundo da vida eterna. Tornamo-nos "verdadeiramente [...] livres" (Jo 8:36).

3. A abundância de vida que se alcança quando se é discípulo de Jesus, "permanecendo na sua palavra", naturalmente conduz à obediência. O ensinamento que recebemos e a experiência de vivê-lo nos leva a amar a Jesus e ao Pai com a plenitude do nosso ser: o coração, a alma, o entendimento e a força (corporal). E assim aprendemos a amar essa obediência a ele, mesmo quando não compreendemos ou até mesmo quando não "gostamos" do que ele exige. "Se me amais", disse Jesus, "guardareis os meus mandamentos" (Jo 14:15). E: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele" (v. 21). O amor de Jesus nos sustenta ao longo da prática da disciplina e do treinamento que possibilita a obediência. Sem esse amor, não persistimos no aprendizado.

4. A obediência, com a vida de disciplina que exige, conduz à completa transformação interior do coração e da alma. E, num processo circular, essa mesma transformação sustenta a obediência. A condição permanente do discípulo passa então a ser a de "amor, alegria, paz, longanimidade [paciência], benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio" (Gl 5:22-23; comparar com 2Pe 1:2-11). E é amor autêntico até o nosso âmago mais profundo. Essas virtudes são chamadas de "fruto do Espírito", pois não são conseqüências diretas do nosso esforço, mas nos são incutidas à medida que passamos a admirar e imitar a Jesus, fazendo todo o necessário para aprender a obedecer a ele.

5. Por fim, vem o poder para fazer as obras do reino. Uma das declarações mais chocantes de Jesus, também encontrada no "discurso de formatura", foi esta: "Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará" (Jo 14:12). É normal que nos sintamos assombrados e incapazes diante dessa afirmação. Mas tenhamos em mente que o mundo em que vivemos precisa desesperadamente que essas obras sejam feitas. Não seria somente por exibicionismo ou para impressionar a nós mesmos e os outros. Mas, francamente, mesmo uma "obra" modesta já é mais do que a vida da maioria das pessoas pode sustentar. Se uma só das nossas orações vier a ser atendida, com efeitos publicamente visíveis, isso já poderia bastar para atolar alguns de nós em semanas de pretensa superioridade espiritual. Grande poder exige grande caráter para que seja uma bênção, não uma maldição, e esse caráter é algo que precisamos adquirir gradualmente.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Tim Keller: Cidades

Por que as cidades são importantes para as igrejas cristãs?
Uma perspectiva bíblica das cidades
Por que Deus levanta as cidades?

Hebreus 11:10 – porque esperava a cidade que tem fundamento, cujo arquiteto e construtor é Deus”. Deus começou a historia em um Jardim, mas, irá termina-la em uma cidade (Ap. 21). Deus manda a Adão a multiplicar-se e desenvolver uma civilização que o glorifique (Gn 1:27-28). Adão fala e Deus, por meio de Cristo, o segundo Adão, têm a civilização que o glorifica. Contudo, tanto Hebreus como Apocalipse nos mostra que o mundo Ele deseja é urbano. A esposa do Cordeiro é uma Bonita cidade, radiante com a Gloria de Deus – Ap. 21.10-11. Ao ver a Nova Jerusalém, descobrimos que no meio dela há um rio de cristal e a Arvore da Vida, produzindo frutos e folhas que sanam as nações do efeito da divina maldição do pacto. Esta cidade é o jardim do Edem recriado. A cidade é o cumprimento dos propósitos de Deus para o Edém.
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Isto é somente uma metáfora? Deus é um pai que está edificando uma família espiritual. Isto quer dizer que ainda que a família terrena seja uma instituição corrupta pelo pecado, devemos buscar a redenção e reedificação das famílias humanas. Para tanto, Deus é um construtor de cidades que está edificando uma cidade espiritual. O que significa que ainda que as cidades terrenas são instituições corruptas pelo pecado, devemos buscar redimi-las e reedifica-las. Da mesma maneira, que redimimos as famílias humanas, ao expandir nelas a família de Deus, assim mesmo devemos redimir as cidades humanas por meio da expansão entre elas da cidade de Deus. Sabemos que o poder do matrimonio é tal que como funciona o matrimonio assim vai funcionar ou não sua vida. Assim também é o poder da cidade que é tal que do modo como anda a cidade, assim também caminhara a sociedade inteira.
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O porquê Deus levanta as cidades.
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um lugar de refúgio para o débil e diferente. A. debaixo de Deus: a cidade foi criada para ser um lugar de refugio para os criminosos, animais, vagabundos. Por sua natureza, a cidade é um lugar onde as minorias podem agrupar-se para encontrar ajuda em uma terra estranha. Onde os asilados podem encontrar refugio e onde os pobres podem ter uma melhor oportunidade de sobreviver. A cidade sempre é um lugar mais misericordioso para minorias de todos os tipos. As maiorias dominantes geralmente não gostam das cidades, mas são os deveis e os indefesos que a necessitam. Eles não podem sobreviver nos subúrbios ou em pequenas vilas. Assim mesmo, diferente das aldeias e povoados, as cidades são lugares para a diversidade. Elas refletem a Cidade onde haverá gente de toda língua, tribo e nação. Devido ao pecado: a cidade se converte em um refugio de Deus, onde as pessoas com estilo de vida anormais podem esconder-se devido a tolerância natural que a cidade produz, já que tem seres tão distintos. Assim mesmo, com o pecado, esta diversidade produz ódio, tensão e violência entre os diferentes grupos.
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Um centro de desenvolvimento humano e cultural. A). debaixo de Deus: a cidade estimula e converge os dons, capacidades e talentos das pessoas, as profundas potencialidades do coração humano. Isso ocorre, trazendo pessoas para entrar em contato com 1. Aqueles que são diferentes de um – muito diversos e provenientes de diferentes perspectivas de um mesmo, e 2. Com aqueles que são tão bons ou os melhores que um mesmo. A concentração de talento humano, tanto por competência como por cooperação, produz magníficas obras de arte, ciência, tecnologia, cultura. A cidade os movimenta e se esforça para alcançar a excelência. B). Debaixo do Pecado: a cidade é estressante, o que pode levar a exaustão. Além disso, a cidade conduz os seres humanos a ambição de darem-se um nome a si mesmos, Gn. 11:4. O egoísmo, orgulho e arrogância são exacerbados dentro da cidade. Já que Deus a inventou como uma mina cultural, se pode extrair da cidade qualquer coisa que está no coração humano, o melhor e pior da humanidade.
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Um lugar de busca espiritual e edificação do tempo: a. Debaixo de Deus: a cidade é um lugar onde Deus habita no seu centro- na terrena Jerusalém, o templo se levanta como o ponto central integrador da arquitetura da cidade e o ápice de sua arte, ciência e tecnologia. Ainda hoje, há uma intensidade da cidade na conversão das pessoas em exploradoras espirituais. B. Debaixo do pecado: como na antiguidade, a cidade se levanta ao redor dos zigurates, verdadeiras pistas de aterrissagem para o deus da cidade, de igual maneira, hoje as pessoas são atraídas aos arranha-céus onde podem adorar a si mesmas e ao dinheiro. As cidades são as criadoras de cultos religiosos, ídolos e falsos deuses. Como as cidades engendram interesse espiritual, quando os cristãos abandonam as cidades,os interessados caem nas mãos dos ídolos e das heresias.
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Em resumo: Em cada cidade terrena há duas cidades competindo pelo controle. São as cidades dos homens e a cidade de Deus – veja a obra de Santo Agostinho, a Cidade de Deus -. Ainda que a luta entre esses dois reinos ocorre em todas as partes do mundo, as cidades terrenas são as frentes de batalha, os lugares onde os combates são mais intensos, e onde as vitorias são mais estratégicas. Devido ao poder da cidade, ela é o principal objetivo das forças das trevas, porque ganhar a cidade, define o curso da vida humana, sociedade e cultura. Portanto, em geral, a cidade é o lugar critico onde ministrar .
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Implicações para as igrejas cristãs.
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A quem podemos alcançar na cidade. Se a igreja cristã deseja realmente transformar o pais e a cultura, deve ir até as cidades, não deve ficar nos subúrbios ou em zonas residenciais distantes do centro. Ali vivem três diferentes tipos de pessoas que exercem tremenda influencia em nossa sociedade. Não podemos alcançá-los nos subúrbios. São. 1. As elites que controlam a cultura e que a seculariza. 2. As massas de novos imigrantes que nos próximos 30 anos se integrarão na sociedade em geral. .
3. O pobre, cujos dilemas cada vez mais se aprofundam e afetam o país.
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Por que podemos alcançar as cidades? Wayne Meeks, de Yale, no seu livro The First Urban Christians, mostra que o trabalho missionário de Paulo centrava nas áreas urbanas. Ia aos grandes centros populacionais, e ignorou os povoados pequenos e as zonas rurais. O cristianismo se expandiu melhor através das cidades do império romano do que as zonas rurais. Por que? 1. As pessoas na cidade são menos conservadoras e mais abertas para as novas igrejas. 2. Os evangelistas cristãos falavam que na cidade o evangelho poderia se expandir mais rapidamente nos centros de influência: justiça, política, arte, etc e com grupos de diferentes nacionalidades. No ano 300 d.C., mais da metade da população das cidades do império romano eram cristãos, enquanto que na zona rural, eram pagãos- a palavra paganus significa camponês-. A igreja dos primeiros séculos era urbana. Não há razão intrínseca porque as pessoas urbanas sejam menos religiosas, somente que são menos tradicionais.
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fonte: KELLER, Timothy et THOMPSON, J. Allen Manual para plantadores de Iglesias, p. 45-46

sábado, março 08, 2008

Missão Integral


"O universo não é um universo fechado, no qual tudo pode ser explicado na base de coisas naturais. É, antes, a arena onde Deus- um Deus que atua na história- está travando uma batalha contra poderes espirituais que escravizam os homens e obstacularizam sua percepção da verdade revelada em Jesus Cristo"
(p. 20)

"A salvação cristã é, entre outras coisas, libertação do mundo como um mecanismo fechado; do mundo que somente deixa espaço para um deus amarrado à sociologia, do mundo consistente que preclui a ação livre e indizível de Deus. Deste mundo não pode ser amigo sem ser inimigo de Deus (Tg 4:4). O amor a este mundo é uma negação do amor de Deus (1Jo 2:15). O evangelho é, portanto, um chamado não somente para confiar, mas para arrepender-se, para romper com este mundo. E somente na medida em que fomos livres deste mundo poderemos servir aos homens"
(p. 31)

"O arrependimento é muito mais que um assunto privado do indivíduo com Deus: é a orientação toal da vida no mundo- em meio aos homens- em resposta à ação de Deus em Cristo Jesus. Quando a evangelização não leva a sério o arrependimento, é porque não leva a sério o mundo, e, quando não leva a sério o mundo, tampouco leva Deus a sério. O evangelho não é um chamado ao quietismo social. Não está para tirar o homem do mundo, mas para inseri-lo nele, não mais como escravo, mas como filho de Deus membro do corpo de Cristo"
(p. 34).

"A igreja não é um clube religioso ultramundano que organiza excursões ao mundo para ganhar adeptos mediante técnicas de persuasão. Ela é o sinal do Reino de Deus: vive e proclama o evangelho aqui e agora em meio aos homens, e espera a consumação do propósito de Deus de colocar todas as coisas sob o mando de Cristo" (p. 39)


"A questão é ser liberto da escravidão dos poderes de destruição e integrado ao propósito de Deus de colocar todas as coisas sob o mando de Jesus Cristo, a uma nova criação que se faz visível na comunidade que modela sua vida no Segundo Adão. Quando em seu afã por evitar o conflito, a igreja se acomoda ao espírito da época, perde a dimensão profética de sua missão e se converte em guardiã do status quo. Torna-se sal que perdeu seu sabor." (p. 71)

"A salvação como justificação pode ser distinguida da salvação como santificação e da salvação como glorificação. Esta distinção reflete a apresentação neotestamentária da salvação como um fato realizado (Ef. 2.5,8; Rm. 8,24; Tt 3,5), como um processo presente (1Co 1,18;2Co2,15) e como um evento futuro (Rm 5,9; 1Pe 1,5). Os três tempos da salvação, no entanto, estão num todo orgânico: pdem ser distinguidos, mas não separados. A salvação que o evangelho proclama não se limita à reconciliação do homem com Deus: abarca a reconstrução total do homem em todas as suas dimensões de seu ser, tem a ver com a recuperação de todo o homem para o propósito original de Deus para sua criação" (p.90)


C. René Padilla Missão Integral: ensaios sobre o Reino e a Igreja Ed. Descoberta

sexta-feira, julho 27, 2007

Encarnação, missão e salvação

Período Oriental
o Estado, a sociedade, a cultura, a própria natureza constituem objetos reais da missão, e não um ambiente neutro em que a única tarefa da igreja seria preservar sua própria liberdade interior, manter sua vida religiosa...No mundo da encarnação, nada de neutro remanesce, nada pode ser tirado do Filho do homem.
Alexander Schmemann in Bosch, p. 260.

Período Romano-Medieval



A esperança pelo reino de Deus se transformou em esperança pelo céu, o lugar ou estado de vida em que as pessoas que fazem o bem serão recompensadas e o qual se alcança como prêmio para perseverança. Visando a isso, desenvolveu-se uma prática penitencial cada vez mais refinada. Orientavam-se os crentes quanto a maneiras apropriadas de realizar o auto-exame espiritual a fim de que pudessem analisar melhor suas consciências e detectar suas fraquezas morais em sua constituição espiritual. Em termos positivos, esse desenvolvimento ajudou a criar uma tradição de integridade e vitalidade moral no cristianismo ocidental
p. 268

terça-feira, julho 17, 2007

Universalismo em Paulo.

Segundo Paulo, portanto, igreja e mundo estão vinculados por um elo de solidariedade. a igreja, como criação já redimida, não pode jactar-se de uma escatologia realizada para si mesma em oposição ao mundo. Ela está inserida, como uma comunidade de esperança, no contexto do mundo e de suas estruturas de poder (...) enquanto qualquer parcela da criação de Deus sofrer, eles estarão impedidos de participar da glória escatológica.

importa que os cristãos fazem e quão autenticamente demonstram a mentalidade de Cristo e os valores do reinado de Deus em suas vidas cotidianas. Ele está incumbido de ampliar neste mundo, o domínio do vindouro mundo divino (...) É impossível crer no triunfo vindouro de Deus sem que se milite pelo Reino de Deus aqui e agora e sem uma ética que se empenhe e lute para acercar a criação de Deus da realização da promessa de Deus em Cristo" p. 191



"A igreja é chamada a ser a comunidade de pessoas que glorificam a Deus anunciando sua natureza e suas obras e tornando manifestas a reconciliação e a redenção que ele operou através da morte, ressurreição e reinado de Cristo ( 1Co 5:18-20)" p. 211


"A igreja não é metaterrenal. Ela se envolve com o mundo, o que significa que é missionária. As pessoas cristãs são conclamadas a praticar um estilo de vida messiânico dentro da igreja, mas também a exercer um impacto revolucionário sobre os valores do mundo.(...) a igreja é igreja no mundo e para o mundo, o que significa que ela tem uma vocação e missão ativa para com a ordem criada e suas instituições. A igreja é aquela comunidade de pessoas que estão engajadas em criar novas relações entre si e na sociedade mais ampla e, ao fazê-lo, testemunham o senhorio de Cristo. Ele não é um Senhor particular ou individual, mas sempre, como SEnhor da igreja, também Senhor do mundo" p. 212

" a igreja é uma realidade proléptica, o sinal do raiar da nova era em meio à antiga e, assim, a vanguarda do novo mundo de Deus. Ela age, simultaneamente como penhor da firme esperança da transformação do mundo quando do triunfo último de Deus e se empenha, em todas as suas atividades, no sentido de preparar o mundo para seu destino vindouro. A igreja sabe, que a aparência deste mundo passa e que o tempo se abrevia". p.213

David J. Bosch, Missão Transformadora

sexta-feira, setembro 01, 2006

A utopia possível

CAVALCANTI, Robinson A Utopia Possível Ed. Ultimato
“Deve-se ressaltar, por fim, que a preocupação teológica tem sido voltada para a arte do bem morrer- o além, o céu, a certeza de salvação- e quase nunca para a arte de bem viver - um projeto existencial cristão historicamente relevante. O que importa parece ser o futuro, e não o presente, a outra vida, não esta” p. 21
“O evangelho todo para o homem todo e para todos os homens” p. 26

do Pacto de Lausanne:

Afirmamos que Deus é ambas as coisas, Criador e Juiz de todos os homens. Em decorrência, deveríamos compartilhar seus interesses pela justiça e reconciliação na sociedade humana e para a libertação dos homens de todas as formas de opressão. Porque a humanidade é feita à imagem de Deus, cada pessoa, a despeito de sua raça, religião, cor, cultura, classe, sexo ou idade, tem uma dignidade intrínseca pela qual deve ser respeitada e servida, não explorada. Aqui, também nos penitenciamos, tanto por nossa negligencia, quanto por termos, muitas considerado evangelismo e preocupação social como mutuamente excludentes. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem ação social seja evangelismo, nem libertação política seja salvação afirmamos que evangelismo e envolvimento sócio-político são ambos parte de nosso dever cristão. Ambos são expressões necessárias de nossas doutrinas de Deus e do homem, nosso amor pelo nosso próximo e nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, opressão e discriminação, e não deveríamos ficar temerosos em denunciar o mal e a injustiça. Onde quer que existam. Quando as pessoas recebem a Cristo, são nascidas de novo no reino dele e devem buscar não somente demonstrar, mas também disseminar sua retidão no meio de um mundo degenerado. A salvação que afirmamos deve ser transformada na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta” p. 27

“O antiintelectualismo é uma tragédia e um pecado, mais ainda quando o preguiçoso ou o ignorante detém o poder” p. 34
“O mundo gostaria de saber para que serve um cristão, além de bancar o bonzinho e esperar para morrer” p. 37
“Ser cristão e buscar a vontade de Deus para o mundo e se comprometer com a implementação dessa vontade” p.39
“O corpo eclesial e o corpo político necessitam de uma política do corpo (liturgia,pão e diversão) em que um cristianismo relacionado com a nossa cultura plástica tropical substitua sua chatice legalista por uma cidadania lúdica. Dancemos a nossa fé ( 1Sm 18:6, 2Sm 6:14).” p. 151