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segunda-feira, agosto 09, 2010

Tim Keller: Esperança para sua vida


1 Pedro 1:1-13: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós,  Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo, Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar.
Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo;
Estamos numa época em olhar o que podemos ser como uma igreja comunitária na cidade. Nós estamos procurando em nossa visão, em nosso chamado- e em cada um dos aspectos-chave da visão tem sempre algo que o evangelho modifica tudo.
Em 1 Pedro 1:3-13 nós temos um dos meios mais fundamentais no qual o evangelho transforma a vida  e  o coração individualmente. É neste importante e bem conhecido ponto - “segundo a sua grande misericórdia, nos deu o novo nascimento”. Nascer de novo- é uma das principais formas pela qual o evangelho nos transforma.
Nós estamos imediatamente em desvantagem aqui, porque em nossa cultura o termo nascer de novo tem uma conotação que está muito distante do que o que a Bíblia queria dizer por isto. Então, nós estamos tendo que fazer um esforço especial para  atentar-se ao texto e perguntar: “qual era o sentido antigo? Qual é sentido que prevalece? O que é o real significado de ser nascido de novo? Por que se você quer entender como o evangelho afeta tudo, você tem que entender isto.
Eu gostaria de mostrar cinco coisas. Existem cinco coisas que nós aprendemos acerca do novo nascimento: sua necessidade, sua fonte, sua natureza, seu crescimento e como ele começa e se processa.
A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO.
Uma pequena palavra é muito significativa, e você talvez não considere as implicações dela a menos que nós façamos isto juntos. Ela diz. “Em sua grande misericórdia, ele nos tem dado o novo nascimento”. Para quem Pedro está falando? Ele está escrevendo para a igreja, para um grupo de crentes, e ele não diz: Em sua grande misericórdia, ele tem dado a alguns de nós uma experiência particular. Ele diz-nos- nós. Isto significa que ele está assumindo quem é um cristão tem a experiência do novo nascimento. João em suas Cartas, Paulo em suas Cartas, Pedro aqui, Tiago no primeiro capítulo de sua carta, até mesmo Jesus, quando falava com Nicodemos no capítulo 3 do evangelho de João- todos estes escritores (que são quase todo panteão de escritores e fontes do Novo Testamento) dizem que se você é um cristão, sobretudo, você precisa nascer de novo.
A conotação do crente nascido de novo hoje significa um tipo particular de cristão- particularmente uma espécie cristã conservadora, ou um tipo particular de cristão emocional, ou alguém que teve uma dramática experiência de conversão. Contudo, isto mostra, e em todo lugar no Novo Testamento isso é demonstrado, que não é algo para certos tipos de pessoas, para certos temperamentos, para alguns ramos de cristãos. Como Jesus disse, se você quer ser cristão, você deve nascer de novo (Jo. 3:7).
A pessoa que coloca esta verdade de maneira mais forte é Jesus mesmo, porque no capítulo 3 de João, ele encontra um homem chamado Nicodemos. Nicodemos é um membro do Sinédrio, e isto representa que ele era muito bem sucedido na vida, rico, um pilar da comunidade. Nós também saímos que ele era um modelo de excelência moral e obediência religiosa. Ele sabia as escrituras (cf. Jo 3:10), e ele tinha sido um observador completo das leis de Deus.
Acima de tudo, Nicodemos, um líder religioso em Israel, está aberto para Jesus. Aqui é Jesus- um homem jovem que surge sem credenciais, sem ‘background”- e ele começar a ensinar as coisas espirituais. A maioria da classe que Nicodemos era membro não queria nada com Jesus, mas Nicodemos vem a Jesus e diz Rabi (um termo de respeito), eu gostaria de aprender com você. Vamos falar sobre o reino de Deus (Jo. 3:2).
Aqui é sobre como um homem bom como você pode perguntar. Aqui está um homem, que, no topo de sua excelência moral, sua excelência religiosa e sucesso na vida, é humilde e está aberto para Jesus. O que mais ele poderia querer? Ele inicia dizendo a Jesus, Vamos falar a respeito do reino de Deus. “Eu gostaria de aprender com você” e Jesus imediatamente diz- “bang”- “Você deve nascer de novo para ver o reino de Deus” (vs.7). Jesus não diz a Nicodemos, “Olhe, como você tem sido tão bom como nós, e você precisa ser finalizado. Você precisa de um acabamento. Você tem tido um grande começo, e eu posso ajudar a completar você”. Oh! não. Você precisa nascer de novo significa que você tem que começar de novo. Você precisa ser completamente convertido. Nada que você fez conta afinal. Você tem que começar como um bebe espiritual. Você precisa nascer de novo!
O que isto significa? Se Nicodemos tem que nascer de novo, todo mundo tem que nascer de novo. Quando Jesus diz que você deve nascer de novo, ou quando Pedro diz que precisamos do novo nascimento (1 Pe 1:3), isto não é um chamado para a moralidade ou religiosidade. Isto é um desafio à moralidade e à religião. É como dizer para uma pessoa como Nicodemos que o que você realizou não foi suficiente- isto não te ajudará em nada. Você precisa nascer de novo.
Esta é  a necessidade. E não importa que personalidade você tenha, não importa qual é seu tipo, não importa que partido que você vota nas eleições, não importa de que classe de pessoa, etnicidade ou temperamento- você precisa nascer de novo se você quiser ser um cristão, se você quer ter um relacionamento com Cristo. Esta é a mensagem do Novo Testamento.
A FONTE DO NOVO NASCIMENTO.
O versículo 3 diz: Em sua grande misericórdia, Jesus tem dado para nós o novo  dentro de uma viva esperança. Toda esta série de sermões é sobre esperança, e ainda assim, nós não iremos muito adiante procurando o que é a esperança, porque nós estamos tocando neste assunto quase todas as semanas. Contudo, o que é importante é reconhecer que nós estamos falando aqui isto é a esperança- a viva esperança que Deus nos deu- que tem um maravilhoso efeito em nós que podemos chamá-la assim.
Esperança significa isto: os seres humanos são absolutamente moldados pelo seu entendimento do futuro. O que você acredita sobre o futuro molda completamente o como você vive agora.  Um exemplo isto é um livro que foi escrito há mais de dez anos atrás. Ele não teve muita atenção, mas é um livro muito bom por Andrew Delbanco, que é um professor bem proeminente na Universidade de Columbia. Ele escreveu uma pequena história da cultura americana, uma coisa bem ambiciosa de se fazer. Ele se chama  The Real American Dream: A Meditation on Hope[1], porque ele diz que o coração de qualquer cultura coesa- a coisa que faz uma cultura diferente de outra cultura qualquer- é a esperança no coração dela.
Delbanco diz estas coisas na introdução: Esperança é a “nossa forma de superar a suspeita oculta de que todos nossos ganhos  e quantias gastas para nada mais nos incomodar enquanto esperamos para morrer[2]. É sua vida absolutamente sem sentido? Se não, isto é porque você tem esperança; de outra forma, seria sem sentido. Então o que é esta esperança? Ele vai adiante e diz que o filósofo Michael Oakeshott concluiu “esperança depende de encontrar algum fim para ser perseguido  mais duradouro que um desejo de um simples instante[3]. Em outras palavras, você deve ter algo mais importante que você mesmo e seus desejos egoístas para viver para e sacrificar por isto, ou você não tem esperança. E ele diz, “A premissa deste livro é que os seres humanos precisam organizar - suas vidas-.. dentro da história… que nos dará esperança… Sem tal coisa estruturada pela qual a esperança é expressa, poderia ser como antropologista Clifford Geertz colocou,” um tipo de monstro sem forma com nenhum senso de direção nem poder de autocontrole, um caos de emoções vagas[4].
Clifford Geertz foi um sujeito muito interessante, ele era um antropologista muito proeminente. Ele diz que se você não tem esperança, se você não tem nada maior que seus próprios desejos e necessidades egoístas que você vive para- por alguma coisa você está se sacrificando, por algo maior que você mesmo-  você não tem nenhuma esperança. Ele diz que você não tem nem senso de direção nem poder de autocontrole, e você está num caos de emoções vagas, que representa que você não tem qualquer tipo de emoções fortes, sobretudo. Você não ama realmente nada. Você não odeia realmente nada. Você não fica triste sobre nada.
Apenas para provar que Clifford Geertz está totalmente certo, eu estava lendo uma crítica de um novo musical que está se apresentando em Berkeley (que estava no New York Times de ontem) chamado de American Idiot[5]. Ele é baseado numa musica da banda de rock Green Day. A crítica diz que esta é descrição da nova geração americana: ”chateada, insatisfeita, cínica sobre seu próprio cinismo”. A linha do coro de uma canção é “eu não me importo se você não se importa” e “Este tipo de coro tipifica a atitude defeituosa da vida no século 21 na América. Crescida em frente de telas incandescentes, sua experiência é mediada pela tecnologia, eles abdicaram da responsabilidade mesmo quando os afeta, e esperam que todo mundo se sinta da mesma forma... A geração deles mistura as palavras e não as usam com qualquer graça ou convicção em particular”.
O arco histórico (através do qual o crítico diz que a música é grande) é um bando de pessoas que basicamente não tem razão para viver além dos seus desejos imediatos,  então eles gastam anos e anos de sua vida. Ele diz por que eles não têm esperança agora (porque não tem nada para viver mais do que seus próprios desejos), o único relacionamento que realmente funciona é a relação entre o personagem principal e sua guitarra maneira.
Estou lendo a crítica, e me mantenho pensando, como temos um arco histórico? Como a história termina? O crítico diz “estou afligido pelos prospectos dos americanos do século 21”, e no final, quando o personagem principal volta para casa ”sem nada para mostrar pelos anos de busca ansiosa”, sobretudo, “eu foi movido para soar uma variação da piada de Woody Allen… a única coisa mais triste que desperdiçar sua juventude é não desperdiçá-la”.
O ponto é que se você está atualmente numa vida desperdiçada, sem esperança, e não está em cena para cantar sobre isto e tendo aplausos, isto é o inferno. Se você não tem esperança, não há nada que te possa mover nisto. Você não pode mudar. Clifford Geertz está certo. O que poderia mover você? Se você não tem nada mais importante que você mesmo para ser levado. Se esperança é tão crucial para uma cultura coesa, para uma vida coesa, então você pode imaginar que quando você tem uma nova esperança, isto transformará sua vida. Esta é a razão para dizer “dentro de uma viva esperança”.  O que é uma viva esperança? “para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo” (vs. 4-5). Quando uma pessoa chega realmente a perceber que é verdade, quando você tem esta esperança, este é o novo nascimento. Por quê? Se você acredita que este é o futuro, isto muda tudo.
O teólogo alemão Jürgen Moltmann diz lindamente cobre o que significava se tornar cristão nos primeiros dias e o que significa agora.
“Desde cedo, cristãos associavam o início de sua experiência com Deus… com uma nova esmagadora experiência sobre eles mesmos... a fé cristã não era apenas uma convicção, um sentimento ou uma decisão. Ela invadia a vida tão profundamente que temos que falar sobre morrer e ser nascido de novo.
A experiência do Espírito Santo fazia a ressurreição de Cristo presente… (e isto) despertava uma viva esperança pelo futuro de Deus… O momento do renascimento é um momento eterno em que a eternidade tocava o tempo e colocava um fim para sua transitoriedade… Quando uma canção ou poema assegurava-nos que “há sempre um maio depois de dezembro”, isto soava confortante. Contudo, na realidade atual, o exatamente o oposto é verdadeiro, e finalmente, a transitoriedade  triunfa sobre toda esperança por um futuro. Uma nova vida verdadeira começa apenas com o início do novo mundo da ressurreição “[6].
A NATUREZA DO NOVO NASCIMENTO.
O que é isto?  Há muito para dizer aqui, mas eu gostaria de direcionar você para o versículo oito: “a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória”. Na velha versão da Bíblia King James diz: ”alegria inenarrável e cheio de glória”. Você não o vê, mas você o ama, e você se alegra com uma alegria indizível e cheio de glória.
Pense sobre a metáfora do nascimento. É esta a entrada numa nova vida e os desdobramentos da natureza que lhe foram dadas a você na concepção. Por exemplo, se você nascesse de um pássaro, você não iria se desenvolver para um ser humano, este DNA se tornaria o que você tem a natureza para ser. Isto significa que para se tornar um cristão você precisa nascer de novo, não quer dizer ter uma experiência dramática, e certamente não significa se tornar novo em folha ou uma reforma moral. Não, não, não! Ela não pode significar apenas isso. Quer dizer que você tem uma nova natureza implantada em você. Alguma coisa está sendo colocada nas raízes mais profundas do seu coração, que vai transformar você de dentro para fora, organicamente, para o resto de sua vida.
O que eu quero dizer? Vamos pensar sobre esta idéia de vida. Qual a diferença entre uma pedra e uma planta? Agora que você um Ph. D. em todo tipo de assuntos, seja generoso comigo e utilize minhas ilustrações. Existem ordens de vida. Uma planta pode sentir seu ambiente de certa forma; ela pode sentir o calor e frio, a luz e a escuridão. Contudo, um animal tem mais sentido do seu ambiente, ele pode sentir um objeto vindo em sua direção, e pode escapar de um predador de uma maneira que uma planta não pode. A planta pode sentir alguma parte de seu ambiente, mas um animal tem uma natureza diferente, e tem uma habilidade para sentir mais da realidade, e assim, pode realmente atuar no mundo real mais efetivamente do que uma planta.
Por outro lado, pensando sobre o ser humano. O humano começa com uma coisa chamada “razão” que significa que nós podemos fazer deduções.  Nós podemos realmente ver coisas que estão acontecendo. Nós podemos até mesmo saber certas coisas estão começando a acontecer de uma maneira que um animal não pode.
Contudo não apenas isto, os seres humanos são também outra forma de vida porque eles percebem o bem e o mal. Para provar isto para você, nós nunca iríamos prender um animal em particular responsável por, ou dizer que ele é ruim por, matar e comer animais mais fracos. Contudo, quando nós encontramos seres humanos matando e comendo outros seres humanos, ou quando nós vimos um grupo ou uma tribo ou uma nação apenas matando e destruindo nações mais fracas, nós colocamos responsabilidade sobre eles. Por quê? Porque nós acreditamos que tal coisa é uma injustiça. Não esperamos que os animais fossem hábeis para verem isto, mas aguardamos que os seres humanos sejam capazes de perceberem isto.
Toda ordem da vida pode perceber mais da realidade e agir eficazmente na realidade. Assim é com o novo nascimento. Porque quando você mostra um porco (você pode ler sobre isto em Mateus 7) uma pérola, um diamante, ou um assassino, ele só continua mastigando seu milho, porquanto ele não pode perceber a realidade por completo do que ele está olhando. Nós podemos, mas ele não pode. E, sem o novo nascimento, você pode olhar para as palavras Deus, santidade de Deus, graça de Deus, amor de Deus, Jesus morrendo na cruz, e você pode acreditar nelas- eu acredito nisto, eu acredito em Deus- ou talvez,  você pode não acreditar nelas, achando que são apenas abstrações. Você não pode sentir toda a realidade delas. Elas não podem ser reais para seu coração. Ela não são eletrificantes. Elas não te comovem. Elas não são transformadoras de vida! Elas não mudam sua vida. Você não age com base nelas.
Por exemplo, aqui está uma pessoa que diz, “eu creio que Deus está no controle de tudo, mas eu estou preocupado. Eu sou ansioso. Estou com medo. Assusta-me o fato do que irá acontecer comigo financeiramente”. E aqui está uma pessoa que diz, “Porque eu acredito que Deus está em controle completo, apesar de eu sentir que estou prestes a cair de um despenhadeiro financeiramente, eu estou realmente bem. Eu tenho paz”.
Qual é a diferença? Ambos estão olhando para a mesma coisa, e um sente a realidade disto e outro não. O novo nascimento significa que você agora está habilitado para sentir a realidade das coisas que antes não significavam nada, você realmente não via a realidade. O novo nascimento é uma nova ordem de vida em que você finalmente começa a experimentar a completa realidade do que está lá fora no universo, e você age de acordo com isto.
É uma coisa incrivelmente poderosa. Este é apenas um exemplo simples disto (porque talvez você continua pensando no novo nascimento em termos de emoção). Frank Barker foi um pastor aposentado que é amigo meu. Eu adoro uma história que ele me contou uma vez. Na realidade, ele estudou teologia e religião antes de se tornar cristão, e até fez um curso onde ele estudava os escritos de Martinho Lutero. Contudo, ele chegou à fé em Cristo mais tarde quando ele finalmente começou a entender o evangelho. O evangelho é, “eu não sou salvo por ser uma pessoa boa. Eu sou salvo pela graça- Jesus morreu por mim”. Isto modificou sua vida. Em um momento da sua vida, ele estava conversando com o capelão que tinha ajudado a navegar para a fé. Ele disse, “Uma das coisas que eu não entendo é porque ninguém nunca me disse sobre este evangelho antes, e o que realmente eu não entendo é por que Martinho Lutero não entendeu o evangelho”.
O capelão disse: O que você quer dizer?
Frand disse: “Eu estudei suas obras, mas eu nunca vi o evangelho ali”.
O capelão disse: ”Agora que você nasceu de novo, talvez você deva voltar e reler algum destes livros”.
E Frank disse: “Eu voltei para o prefácio de Lutero no Comentário sobre Gálatas, e em cada página que eu tinha sublinhado. Eu tinha isto em destaque. A ficha não tinha caído. Em cada página era o evangelho e não tinha visto isto! Não fazia a menor diferença para mim. E agora isto significava tudo! Trouxe minha vida inteira junto. E transformou tudo! Todo mundo pergunta o que aconteceu? Eu nasci de novo.”
O CRESCIMENTO QUE VEM DO NOVO NASCIMENTO.
Eu deveria, pelo menos momentaneamente, dizer algo sobre o fato que o novo nascimento leva ao crescimento. Na realidade, uma das formas que você sabe que é nascido de novo é que há o crescimento- porque, antes de tudo, um bebê não nasce e diz “cheguei”. Não.
Aqueles de vocês que tiveram bebês nascidos sabem que nós pais não podemos esperar até que eles cresçam. Nós sentimos que está durando uma eternidade para eles crescerem. E claro isto vem naturalmente, mas olhe os versos 6 e 7 para ter uma idéia sobre como isto funciona. Versículos 6 e 7 dizem:” Nisso vocês exultam [Em que? Na sua esperança: na herança que jamais poderá perecer macular-se ou perder-se - guarde os céus para vocês], ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado”.
Olhe para o que ele está dizendo. Há aqui um paradoxo deliberado na tensão dos verbos que este tipo de tradução deixa obscuro. Ele diz que agora você pode se alegrar- exultar- na sua esperança, contudo, também diz que justo agora você está sofrendo um sofrimento horrível, tristeza e agonia- no tempo presente. Ele não diz: Você esteve se alegrando e agora você está em agonia”. Nem ele está dizendo “Você está em agonia, mas, logo você está se alegrando”. Ele diz: ”Você está incrivelmente cheio de alegria e você está incrivelmente cheio de dor” ao mesmo tempo.
Como pode ser assim? Aqui está como. Se você colocar seu desejo mais profundo (é isto que quer dizer, “nisso vocês exultam”) nas circunstâncias da vida, então quando as circunstâncias da vida vão bem, você está feliz, e se as circunstâncias vão mal, você fica triste. É uma coisa ou outra. Contudo se suas esperanças mais profundas estão em Deus, se ele é seu último tesouro, ele é sua última afirmação, seu último amor, seu valor final, então,  mesmo se as circunstâncias aqui (sua saúde, sua conta bancária, sua reputação) vão mal, tudo isto faz levá-lo mais adiante em sua grande esperança, da mesma forma como o fogo purifica o ouro. Ele não o elimina, ele o purifica.
Se sua esperança é baseada nas circunstâncias, quando você atravessar sofrimento, isto irá dizimar você. Você vai ser destruído. Você vai ser incinerado.  Contudo, se sua esperança está colocada em algo além das circunstâncias, então, quando você atravessar o sofrimento, e este sofrimento – uma dor real- estará transformando você em ouro.
Eu digo isto com temor e tremor. Muitos anos atrás, antes de eu casar com minha esposa Kathy, quando estávamos em uma “relação” e estava balançando e não tinha certeza se queria levar a diante o relacionamento, isto colocou ela numa grande agonia. Num verão, nós estávamos trabalhando em lugares diferentes, e fui visitar ela. Nós podemos-nos  lembrar- na realidade, eu perguntei para ela ontem a noite para estar certo que minha memória sobre isto estava certa- que estávamos caminhando numa rua, e, de repente, ela disse: você sabe, eu realmente tenho sido ajudada pelo versículo que encontrei em Salmos”. Existem muitas traduções para este verso, mas basicamente verso que ajudou ela diz, “homens são todos uma vã esperança”. Ela disse que isto realmente a confortou.
No princípio, eu achei que ela estava brincando, então, vi que ela não estava. E, então, eu comecei a me sentir insultado e ela disse: “não, eu não acho que você deve ficar insultado. Eu apenas encontrei que eu estou ansiosa e nervosa porque eu tenho colocado muita esperança nos homens. E tudo isto me ajudou a compreender qual é o meu real tesouro. E isto realmente me ajudou. Eu me sinto bem melhor”. E eu pude ver isto. Contudo, então eu perguntei se ela gostaria de terminar, e ela me disse: “Oh! não! De forma alguma! Na verdade, eu estou mais pronta que nunca. Nós iremos ver isto”.
Ela estava vivendo os versículos 6,7 e 8 (eu era a dor). Ela estava se alegrando mais profundamente mesmo quando elas estavam sofrendo. O sofrimento produziu alegria, porque isto é o que o evangelho pode fazer. Isto é o que o novo nascimento faz. A grande ironia é que eu continuei confuso pelo que ela estava dizendo. Eu continuei a me sentir insultado pelo que ela estava falando, mesmo que seja uma das coisas principais que eu venho falando para você a respeito por vinte anos pregando aqui. Isto é como ele cresce.
Cristãos não são estóicos (Eu não vou deixar isto chegar até mim) ou imutáveis. Cristãos são, ao mesmo tempo, os mais tristes e mais felizes. Eles crescem em tristeza e alegria ao mesmo tempo. Esta é a maturidade emocional.  Você fica mais feliz em sua verdadeira esperança, e mais isto te capacita para estar envolvido com o sofrimento da vida das pessoas. Você pode sentir a dor do mundo. Você pode até mesmo sentir a sua própria dor melhor. Contudo, ao mesmo tempo, sua dor leva você  mais para a alegria. Quem teria imaginado isto? Deve ser verdade- o novo nascimento.
COMO O NOVO NASCIMENTO COMEÇA  E SE PROCESSA.
Como o novo nascimento realmente acontece? O que você tem quer fazer?  Há um paradoxo. No verso 23 deste capítulo, diz que você é nascido de novo através da fé na palavra- através do evangelho. Aqui está a razão porque isto é tão paradoxal. Bebês nascem porque eles querem nascer? Bebês dizem, “eu acho que vou nascer amanhã?” Não. Bebês  participam do nascimento, mas,  chorando e fazem todo o tipo de outras coisas. Eu vi isto acontecer três vezes. Eles definitivamente participam do nascimento, e isto é muito importando, mas eles apenas nascem através do trabalho e sofrimento de outra pessoa.
Se você quer entender o novo nascimento, você tem que entender seu relacionamento com Jesus de tal forma que você não o veja como seu professor. Se você o vê como um grande mestre- “Eu tento fazer o meu melhor para viver uma boa vida porque eu estou tentando fazer aquilo que Jesus quer que eu faça – estou tentando seguir seu exemplo”- isto não vai eletrificar sua vida ou despertar você. Eu vou perguntar “você é cristão?” e você vai me dizer, “Bem, eu estou tentando. Eu tento, e eu fico ansioso sobre isto”. Se você entender que ele não é seu mestre, que diz para você o que você deve fazer para salvar-se a si mesmo, ao invés, ele é seu salvador, que veio e fez tudo que você deveria fazer para que você pudesse ser salvo pela graça, então você pode simplesmente receber isto- que ele morreu na cruz para pagar seus pecados- então, você começa a entender o que é  realmente seu relacionamento com ele é.
Jesus Cristo, de fato, diz para seus discípulos, um pouco antes de ele morrer em João 16, “Um pouco, e já não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis… A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo gozo de haver um homem nascido ao mundo” (vs. 16,21). Isto não é apenas duro para nós, homens, entendermos, mas mesmos as mulheres, na era de peridurais e da medicina moderna, vão ter poucos problemas para entender isto. Nos tempos antigos, nenhum bebê via ao mundo sem causar risco à vida da mãe. Era horrível, dolorosamente horrível, e toda a vez que uma mulher dava a luz, sua vida era colocada numa balança.
Quando Jesus diz, “uma mulher, quando está para dar a luz, sente tristeza porque é chegada a sua hora”, em todo lugar no livro de João a palavra ‘hora’ significa a morte de Jesus Cristo. Jesus está se identificando com esta metáfora da mulher em trabalho de parto. Ele está dizendo ”Mulher dá a luz sob o risco de sua vida através de dor e sofrimento, mas, eu te dei a luz sob o custo da minha vida. Não é através dos próprios esforços que uma criança nasce. É através dos esforços  da mãe. E não é através dos seus esforços que você é salvo. É mediante meu trabalho; é através da minha obra. Eu trouxe você das trevas para a luz. Eu dei a você uma nova vida porque eu morri”.
Quando você vê isto, e você entende isto, então, salvação é por pura graça, e você diz, “Pai, me aceita pelo que Jesus realizou”, e este é começo do novo nascimento. O início do novo nascimento é para ser visto com um nascimento, para enxergar você como uma criança, enxergar que você é uma criança e ele é aquele que trouxe você dentro dele. Quando isto motiva você profundamente, tudo isto pode ser seu.
E você tem que manter-se mirando nisto. Alguns de vocês sabem minha frase favorita neste texto. Ficam bem no final, versos 10-12, ele fala sobre o evangelho, e ela diz, “coisas para as quais os anjos bem desejam atentar”. Anjos são bem inteligentes.  Eles quase sempre têm que ser, pois eles são muito antigos, não são? E ainda os anjos
nunca ficam entediados olhando para o evangelho. Isso é o texto que está dizendo. Anjos estão sempre dispostos a refletir, de novas maneiras, o que Deus tem feito por nós através de Jesus. E se os anjos estão sempre a encontrar novas belezas, sempre encontrando novas maravilhas, que é o segredo do seu próprio crescimento. Você precisa olhar para o que ele fez por você até que enchê-lo com tanta alegria que você pode entender as coisas, porque temos de nascer de novo para uma viva esperança.
Vamos orar.
Nosso Pai, nós temos tão grande esperança para nossas vidas, nós temos tão grande esperança para nossos corações, nós temos tão imensa esperança pelo que você pode fazer em nossas vidas quando nós vemos o que o novo nascimento é. Eu oro que todo mundo aqui vai também crescer dentro desta nova vida que nós nascemos, ou que levantem as mãos vazia e digam, “Senhor, por causa do que você fez, recebe-me. Coloque uma nova vida em mim. Leva-me para sua família. Traga-me para seu reino”. Obrigado por haver esta esperança, porque Jesus perdeu tudo na cruz então nós podemos ter tudo nele. Em seu nome que nós oramos. Amém.
Copyright © 2010 by Timothy Keller, Redeemer Presbyterian Church.  Esta transcrição foi baseada em uma gravação de áudio e foi ligeiramente editada. É uma parte original da  Renew Campaign no outono de 2009, e pode ser encontrada em  http://renew.redeemer.com.
Nós encorajamos você a utilizar este material para estudo e propósitos ministeriais. Se você gostaria isto para notas ou conceitos chave dentro de um sermão ou outro recurso ministerial, por favor, dê crédito ao original.

[1] Andrew Delbanco, The Real American Dream: A Meditation on Hope (Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 1999).
[2] Ibid., 3.
[3] Ibid., 4.
[4] Ibid., 1.
[5] Todas as notas abaixo são de Charles Isherwood, “Staging Youth’s Existential Quest With Green Day Variations.” NYTimes.com: http://www.nytimes.com/2009/10/10/theater/ reviews/10isherwood.html (accessed November 13, 2009).
[6] Notas tomadas de Jürgen Moltmann, The Source of Life: The Holy Spirit and the Theology of Life, trad. Margaret Kohl, First Fortress Edition (Minneapolis: Augsburg Fortress, 1999), 26, 29—30.

quinta-feira, abril 01, 2010

Tim Keller: Perdão e Reconciliação


Servindo uns aos outros através do perdão e da reconciliação

Tanto no nível teológico como prático,  perdão está no coração do que significa ser um cristão. O perdão verdadeiro implica um custo e é alcançado intencionalmente junto com uma comunidade de crentes.

A nova comunidade humana que a bíblia requer cortes através de todas as culturas e temperamentos. Colocando de outra forma, isso não se encaixa em nenhuma cultura, mas, desafia todas elas no mesmo ponto. Cristãos que estão em culturas mais individualistas amam a ênfase bíblica na afirmação uns dos outros, no compartilhar dores e problemas – mas odeiam a idéia de prestar contas e disciplina-. Cristãos vindos de uma cultura mais tradicional amam a ênfase bíblica no prestar contas sobre a moralidade e crenças, mas, por vezes, irritam-se com o ponto da reconciliação racial ou estar aberto sobre questões dolorosas ou financeiras pessoais dos outros.

Contudo, alguém pode argumentar que o ensino bíblico no perdão e na reconciliação é tão radical que não há culturas ou sociedades que estão de acordo com ela. Isto até poderia ser acima de tudo quando nós vemos a verdade na declaração de Bonhoefer, “Nossa comunidade entre um e outro (em Cristo) consiste somente no que Cristo fez por nós. Fraternidade cristã é espiritual e não uma realidade humana. Nisto difere de todas as outras comunidades”[1]

Em sua forma mais básica e simples, este ensino é o que os cristãos em comunidade nunca podem desistir um do outro, nunca podem desistir dentro de um relacionamento, e nunca menosprezar um ao outro. Nós devemos nunca nos cansar de estar perdoando (e repetindo) e procurando reparar nossos relacionamentos. Mateus 5:23-26 nos conta que devemos ir até alguém se sabemos que ele tem algo contra nós. Mateus 18:15-20 diz que nós devemos nos aproximar de alguém se nós temos alguma coisa contra ele. Em resumo, se qualquer relação se esfriou ou tem sido enfraquecida de qualquer forma, é sempre nosso dever de movermos. Aqui, não importa quem começou isto. Deus sempre assegura sua responsabilidade de encontrar para reparar uma relação quebrada. Um cristão é responsável por começar o processo de reconciliação, não se lembrando como a distância ou alienação começou.

O que o perdão é.

Quando falava sobre o perdão, Jesus usou a imagem de débitos para descrever a natureza dos pecados (Mateus 6:12;18:21-35). Quando alguém está seriamente fazendo mal para você, haverá um absoluto senso que de que o culpado está devendo para você. O erro se tornou uma obrigação, uma responsabilidade, uma dívida. Qualquer um que se sofreu mal sente uma compulsão para fazer o malfeitor pagar o débito. Nós o fazemos isso os machucando, gritando com eles, fazendo-os sentirem-se bem maus, ou apenas observando e vendo e esperando que alguém ruim aconteça com eles. Somente após nós vemos o sofrimento deles de alguma forma que podemos medir, nós acreditamos que o débito foi pago e a obrigação acabou. Este senso de débito/responsabilidade e obrigação é algo impossível de fugir. Qualquer pessoa que negue isto simplesmente não foi magoada ou sofreu pecado de uma forma séria.
Então o que seria perdão? Perdão significa abrir mão do direito de procurar uma retribuição por aquilo que alguém fez com você. Mas, isto significar reconhecer que o perdão é uma forma voluntária de sofrimento.

O que isso quer dizer?

Pensar sobre dívidas monetárias funciona. Se um amigo quebra a lâmpada da minha casa, e se esta lâmpada custa 15 dólares para recolocar, então o ato de quebrar minha lâmpada incorreu num débito de 15 dólares. Se eu deixo ele pagar por isto e recolocar a lâmpada, eu pego minha lâmpada de volta e ele perde 15 dólares. Contudo, se eu o perdôo pelo que fez o débito não vai desaparecer no ar. Quando eu o perdoei, eu assumi o custo e pagamento pela lâmpada: ou, eu irei pagar 15 dólares para colocar uma nova lâmpada ou eu perderei a luz no cômodo. Perdoar é cancelar um débito por pagamento ou assumir ele por si mesmo.Alguém terá sempre que pagar o débito.

Neste caso, em todas as situações de mau comportamento, mesmo quando não há dinheiro envolvido. Quando alguém peca contra você, você perde alguma coisa- talvez felicidade, reputação, paz de espírito, um relacionamento, ou uma oportunidade. Estas são duas coisas que tem a ver com pecado. Imagine, por exemplo, que alguma pessoa feriu sua reputação. Você pode tentar restaurar ela, pagando a outra pessoa na mesma moeda, criticando publicamente e arruinando a reputação dela ou dele. Como também, você pode perdoar que te feriu,recusando dar o troco e absorvendo o dano que foi feito à sua reputação.(Você terá restaurar isto com o tempo).

Em todos os momentos, quando o mal é feito há uma dívida, e não há como lidar com isto a não ser através do sofrimento: seja fazendo o perpetuador sofrer ou levando sobre si o sofrimento.

Perdão sempre tem um custo extremo. É muito caro emocionalmente- toma muito sangue, doçura e lágrimas-. Quando você perdoa, você mesmo paga o custo de diversas formas.

Primeiro, você recusa ferir a pessoa diretamente; você recusa vingança, troco ou a inflexão da dor. No lugar, você será tão cordial quanto possível. Quando você perdoa, deve ter cuidado das maneiras sutis de tentar um pagamento enquanto você não está. Há coisas específicas que devemos evitar:

- fazer comentários sarcásticos e jogar as lesões do passado na cara das pessoas repetidamente.
-ser muito mais exigente e controlador com a pessoa que você é com os outros, tudo por causa, no fundo, você sente que ela ainda lhe deve algo.
-punindo com auto-piedade, a misericórdia é usada para que elas se sintam menores e você justificado.
- evitando elas ou sendo frios com elas.

Segundo, quando você recusa a empregar insinuações ou volteios ou sugestões ou fofoca ou uma difamação direta para quem feriu você sobre os olhos de outros. Você não deve correr para colocar a pessoa que te feriu para baixo, mesmo sob o pretexto de aviso ou de procurar alguém para compartilhar e ajudar na sua dor.

Terceiro, quando perdoa você recusa a má vontade entrar em seu coração. Isto é, você não fica revendo os tapes do erro em sua imaginação, a fim de manter o senso de perda e a ferida aberta, para isto você trata com hostilidade a pessoa e sente virtuoso em contrapartida. Não difame ou demonize o ofensor em sua imaginação. Melhor, reconheça a pecaminosidade humana comum que você compartilha com ele ou ela. Não fique torcendo para que eles falhem, ou se machuquem. Ao invés, ore positivamente para que eles cresçam.

Perdão, então, é obtido antes que se sinta. Isto é uma promessa para abster-se das três coisas acima e orar pelo perpetuador do mesmo modo que a graça de Deus foi para você. Embora seja extremamente doloroso e difícil (você mesmo está arcando o custo do pecado!), o perdão vai aprofundar o seu caráter, libertá-lo para conversar e ajudar a pessoa, e levar paz e amor e não mais amargura.

Além disso, por suportar os custos do pecado, você estará andando no caminho do seu Mestre (Mt. 18:21-35; Cl 3:13). É típico para não cristãos hoje dizerem que a cruz de Cristo não faz sentido. "Por que Jesus tinha que morrer? Por que Deus não poderia apenas nos perdoar?". Na verdade, ninguém que fez algo errado é apenas perdoado! Se alguém feriu você, haverá apenas duas opções: 1. você fazê-lo sofrer, ou 2. você recusar vingança e perdoar e, então, suportar o sofrimento. E se nós não podemos perdoar sem sofrer, quanto mais teve Deus de sofrer para perdoar-nos? Se nós inevitavelmente sentimos o custo e a obrigação e a injustiça do pecado em nossas almas, quanto mais Deus sabe disto? Na cruz nós vemos Deus perdoando-nos, e isto somente é possível se Deus sofresse. Na cruz, o amor de Deus foi satisfeito pela sua própria justiça, através do sofrimento, carregando sobre si a pena pelo pecado. Nunca há perdão sem sofrimento, pregos, espinhos, suor, sangue. Nunca.
O que nós precisamos para perdoar.
A experiência do evangelho nos mostra que há dois pré-requisitos para uma vida de perdão: humildade emocional e riqueza emocional.
Você pode permanecer amargo com alguém apenas se você se sentir superior a esta pessoa, se você tem certeza que você nunca faria qualquer coisa como esta. Permanecer sem perdoar significa que você não está por dentro da sua própria pecaminosidade e necessidade de perdão. Quando Paulo diz que ele é o pior de todos os pecadores (1Tm 1:15), ele não está exagerando. Ele está dizendo que ele é capaz de pecar como os piores criminosos são. O evangelho dá a ele humildade emocional.
Ao mesmo tempo, você não pode ser gracioso com alguém se você é também necessitado e inseguro. Se você conhece o amor de Deus e perdão, então há um limite que a pessoa pode machucar você. Ele ou ela não pode tocar em sua real identidade, riqueza e significância. Quanto mais você se alegra em seu perdão, mais rápido você poderá perdoar os outros. Está enraizada em você, uma riqueza emocional.
"Encontrei perdão porque exclui o inimigo da comunidade dos homens como também exclui a mim mesmo da comunidade dos pecadores. Mas, ninguém pode na presença de Deus do crucificado Messias permanecer sem esta dupla exclusão- sem transpor o inimigo da esfera da não humanidade monstruosa para uma esfera de uma humanidade compartilhada e a si mesmo de uma de uma orgulhosa inocência para uma esfera de pecaminosidade comum. Quando alguém sabe que o torturador não irá triunfar eternamente sobre a vítima, este fica livre para redescobrir a humanidade desta pessoa e imitar o amor de Deus por ela. E quando alguém entende que o amor de Deus é maior que todos os pecados, este alguém fica livre para ver a si mesmo... e então descobrir seu próprio pecado" [2]
Jesus disse, "Se você não perdoar os pecados dos homens, seu pai nos céus não perdoará seus pecados" (Mt. 6:15). Isto não significa que nós podemos ganhar o perdão de Deus através do nosso perdão, mas, que nós podemos nos desqualificar a partir disto. Nenhum coração realmente arrependido com Deus pode não perdoar os outros. Uma falha de perdão para com os outros é um resultado direto de uma falta de arrependimento perante Deus. E como nós sabemos você deve arrepender-se para ser salvo. (At. 2:38).
O Perdão de Deus e os nossos.
Quando Deus revelou sua glória para Moisés, ele disse que ele perdoaria nossas iniqüidades, contudo, não deixaria impunes os culpados (Ex. 34:6-7). Somente com a vinda de Jesus, nós vemos quão Deus pode ser completamente justo e perdoador através de sua expiação (1Jo. 1:7-9). Na cruz, Deus satisfez tanto a justiça quanto o amor. Deus estava tão justo e desejoso para julgar o pecado que Jesus tinha que morrer, mas ele estava tão amoroso e desejoso da nossa salvação que Jesus estava satisfeito em morrer.
Nós também somos ordenados a perdoar ("suportando e perdoando uns aos outros, se alguém tiver alguma queixa contra o outro,assim como o Senhor vos perdoou, assim também fazei" Cl. 3:13-14) com base na expiação de Jesus por nossos pecados ("Perdoai nossas dívidas, assim como nós perdoamos nossos devedores... Se você não perdoar os homens por seus pecados, seu pai celeste não poderá perdoar seus pecados” Mt. 6:14-15; cf. Lc 6:37). Contudo, nós também somos requeridos a perdoar de uma forma que honre a justiça, justo como o perdão de Deus é. "Se o seu irmão pecar, repreenda-o, se ele se arrepender, perdoa-o" (Lc. 17:3). "Cristãos são chamados para abandonar a amargura, a ser tolerante, ter uma postura de perdão mesmo quando o arrependimento da parte que ofende é notavelmente ausente; por outro lado, a paixão pela justiça centrada em Deus, a sua preocupação para com a glória de Deus, assegura que ódio terrível ao pecado não é camuflado"[3]
Procurando Verdade, Amor e Relacionamento.
O Evangelho nos chama, então, para guardar um comprometimento igual em a. falar a verdade e honrar aquilo que é certo, e ainda b. ser eternamente perdoador como nós fomos e c. nunca desistir da meta da reconciliação, de um relacionamento caloroso.
Primeiro Deus requer perdão não importando se o ofensor tenha se arrependido ou pedido por perdão. “Quando você estiver para orar, se você tem alguma coisa contra alguém, perdoa ele" (Mc 11:25). Isto não que dizer "perdoe ele se ele se arrepender", mas melhor "perdoe ele ali meso- quando você estiver orando”.
Segundo, Deus requer que falemos a verdade. Isto é o porquê de Jesus falar aos seus discípulos em Lucas 17:3 para repreender o malfeitor e se ele se arrepender, perdoar ele. É Jesus dizendo que nós podemos guardar rancor, se a pessoa não se arrepender? Não, não devemos ler Lucas 17 e contradizer Marcos 11. Jesus está nos chamando aqui tanto para a prática interna do perdão como também para repreender e corrigir. Temos de render completamente o direito de dar o troco ou tomar algo, e ainda, ao meso tempo, não nunca devemos olhar a injustiça e requerer que os malfeitos sejam recompensados.
Isto é quase o oposto do que normalmente acontece. Ordinariamente, nós não buscamos justiça com os outros (não confrontamos ou chamamos as pessoas para mudar e fazer uma restituição), mas permanecemos odiosos e amargos por dentro. A bíblia nos chama para sair deste caminho. Nós perdoamos de uma forma tão profunda que não há mais desejo de vingança, de forma que, podemos falar abertamente sobre o assunto que aconteceu com um desejo de ajudar a pessoa a ver que ela fez de errado.
Na realidade, um perdão interno e um trabalho de correção externo vão bem juntos. Somente se você perdoar internamente poderá corrigir sem abusos- sem tentar fazer com que a pessoa se sinta terrível.
Apenas se você já perdoou poderá ter motivos para corrigir a pessoa para o engrandecimento de Deus, para justiça, para o bem da comunidade, e para o bem da pessoa. E apenas se você perdoa internamente suas palavras terão alguma esperança de mudar o coração do perpetuador. De outro jeito, seu discurso estará tão cheio de desdém e hostilidade que ele ou ela não irão te escutar.
Por ultimo, perdoar por dentro e corrigir/repreender externamente não são incompatíveis porque eles são ambos os atos de amor. Nunca se estará amando deixando a pessoa de lado com seu pecado. Não se estará amando o malfeitor, que continua sobre o domínio do hábito, nem para quem ele vai prejudicar no futuro, nem para Deus, quem está aflito. Esta é a dificuldade, a linha que separa o confronto moral para o bem de Deus e uma afronta de auto-justiça por causa de um orgulho ferido é muito fina. Contudo, recusar a confrontar é não amar, mas apenas ser egoísta.
Terceiro, como nós falamos a verdade em amor (Ef.4:15), nós buscamos a justiça com gentileza e humildade, para que os erros sejam reparados e se mantenha ou restitua-se o relacionamento (Gl. 6:1-5). Há um grande desafio de tensão entre estas três coisas! Quase sempre um deles é obtido mais fácil se você deixar de lado qualquer preocupação com os outros dois. Por exemplo, é fácil falar a verdade se você desiste de qualquer desejo de manter um relacionamento caloroso. Contudo, se você deseja ambos, você deve ser extremamente cuidadoso em como você vai falar a verdade! Um outro exemplo: é possível você convencer a si mesmo que perdoou alguém, mas depois você não deseja mais nada com a pessoa (você não busca manter o relacionamento), então este é um sinal que quando você falou a verdade, não havia perdão de verdade lá.
Claro que é possível que você mantenha estas três coisas juntas em seu coração e mente, contudo, a outra pessoa pode não as ter. Não há cultura ou personalidade que mantenha estas coisas juntas. Pessoas tendem a acreditar que se você as confronta você não as perdoou e não as ama, ou se você realmente a amava, você não iria a repreender. Deus reconhece que muitas pessoas simplesmente não buscam todas estas coisas juntas, então Ele nos diz: "Quanto depender de você, viva em paz com todos" (Rm 12:18). Isto é, faça sua parte e tenha como bom e pacífico relacionamento com as pessoas que estiverem com você.
Quando nós precisamos confrontar e reconciliar?
Jesus nos diz que se alguém estiver pecando contra nós, nós precisamos ir e falar com o ofensor. "Se o seu irmão pecar, repreenda-o e se ele se arrepender, perdoa-o" (Lc. 17:3). Contudo, quando nós devemos repreender- toda vez que alguém nos ferir? 1 Pedro 4:8 diz conhecidamente que "o amor cobre uma multidão de pecados", e Provérbios 10:12 volta ao mesmo ponto. Isto significa que nós devemos ser fracos, e que seria errado trazer a tona o erro toda vez que nós formos tratados injustamente ou insensivelmente. Neste sentido, passagens como Mateus 18 e Lucas 17 dizem que há algumas ocasiões em que nós devemos fazer uma reclamação. Quando, então, faremos isto?
Aí é onde Gálatas 6 nos dará uma direção. "Irmãos, se alguém for pego em pecado, vocês que são espirituais devem restaurá-lo suavemente. Mas observem, ou você também pode ser tentado" (6:1).
Primeiro, nós devemos corrigir quando o pecado é sério o suficiente para esfriar ou romper o relacionamento. Mateus 18:15 indica qual o propósito da repreensão que é "ganhar o irmão" - isto é, resgatar o relacionamento. Isto está implícito em Gálatas 6:2, que nos diz que corrigir alguém é um caminho para carregar os fardos uns dos outros, isto é uma expressão de um relacionamento interdependente.
Segundo, nós devemos corrigir quando o pecado contra nós é evidentemente parte de um padrão de comportamento na qual a pessoa está seriamente atolada. Se alguém for pego em um pecado, vocês que são espirituais, deverão restaurá-lo (Gl. 6:1): a imagem é a de estar preso em um modo de comportamento que será prejudicial à pessoa e aos outros. Em amor isto deve ser apontado. Então, nós repreendemos para o bem da própria pessoa- para restaurar ela. Nossa preocupação é o seu crescimento.
E como nós faremos isto? "Vocês que são espirituais devem restaurar ele gentilmente (Gl. 6:1). Isto é essencial. Se o motivo da correção é ajudar o outro a crescer, então vamos ser amorosos e cuidadosos. Os versículos 2 e 3 indicam que devemos fazer isto com muita humildade. Nós estaremos fazendo a nós mesmos de servos quando corrigimos.
Em última análise, qualquer amor que tem medo de confrontar o amado não é realmente amor, mas, um desejo egoísta de ser amado. Covardia é sempre egoísta, coloca nossas próprias necessidades na frente das carências dos outros. Um amor que diz, "Eu vou fazer qualquer coisa para manter ela ou ele me amando e me aprovando!”não é um amor real absolutamente. Não se está amando a pessoa. É amar o amor que você recebe de uma pessoa. O verdadeiro amor está disposto a enfrentar, até mesmo perder o amado em um curto prazo, se houver uma chance de ajudá-la.
No entanto, é claro que há muitas ocasiões que não devemos corrigir e não procurar por desculpas mesmo quando elas são devidas. Quando mais forte você é como cristão, menos sensível e fácil de machucar você será. Quando as pessoas apertam você, esnobam,ignoram, ou deixam você para baixo de alguma forma. isto não irá deixar você frio com elas imediatamente. Como um cristão maduro, você rapidamente se lembrará: a. tempos que você fazia a mesma coisa com outros ou b. tempos que as pessoas que fizeram isto com você tinham muitas coisas em suas mentes e seus corações. Se você achar qualquer erro que imediatamente esfria você para o outro e você quer insistir em seu direito de uma desculpa, faça um auto-exame lembrando que nível de humildade emocional e riqueza emocional você está em Cristo. Amor deve cobrir uma multidão de pecados (isto é, a maioria deles). Você deve ser capaz de tratar calorosamente as pessoas que devem desculpas a você, mas que você não corrigiu porque o desprezo delas foi algo pequeno, ou o tempo não era o correto para isto, ou você não as conhecia para saber se era um padrão de comportamento delas.
Como nos reconciliamos?
Aqui estão algumas bases.
Quais são as marcas de uma relação irreconciliada?
Um relacionamento irreconciliado é marcado pela precaução, frieza e irritabilidade. Se você encontra a si mesmo evitando, sendo frio, ou estando muito irritando com alguém (ou se você pode dizer que alguém está evitando você, sendo frio ou irritado com você), então você provavelmente tem uma relação irreconciliada.
Por outro lado, eu perdôo você não significa que eu confio em você. Algumas pessoas pensam que elas não têm um relacionamento reconciliado até que elas possam confiar completamente na pessoa que as fez mal. Este não é o caso. Perdão quer dizer uma vontade de tentar restabelecer a confiança, mas este restabelecimento é sempre um processo. A velocidade e o grau desta restauração implicam a recriação da confiança, e isto leva tempo, dependendo da natureza e severidade das ofensas envolvidas. Até que a pessoa evidencie uma real mudança, nós não devemos confiar nela ou nele. Entregar imediatamente confiança a alguém que tenha hábitos pecaminosos poderá, na verdade, fazer com que ela continue pecando. Confiança deve ser restaurada, e a velocidade que ela ocorrerá dependerá do comportamento.
Isto também se aplica para as pessoas que você deve desculpas, mas cujos pecados foram encobertos (veja acima). Uma pessoa que deixou você para baixo, mas que você não a corrigiu prejudicou sua confiança, ainda que em menores proporções. Se ela ou ele vem lhe pedir perdão, isto irá restaurar o nível de confiança e respeito que você tinha antes, mas até que isto ocorra você deverá ter uma relação civilizada e cordial com elas.
Como eu posso me reconciliar com alguém?
Podemos olhar para Mateus 5 e Mateus 18 como dois tipos de abordagem: Mateus 5 estabelece o que você faz quando você acredita que feriu alguém, enquanto que Mateus 18 é o que você fará quando acredita que alguém te feriu. Mas, também é possível olhar as passagens como dando-nos as duas fases de um processo normal de reconciliação, porque raramente apenas uma parte suporta toda a culpa por um relacionamento desgastado. Quase sempre a reconciliação envolve o arrependimento e o perdão- tanto ao admitir o seu próprio erro e apontando o erro do outro. Se colocarmos essas duas aproximações, podemos criar um roteiro prático como o que se segue.
Fase 1
Comece por confessar tudo o que você possa ter feito de errado ( isto poderá ser chamado de a fase Mateus 5:24). Comece com você mesmo. Mesmo se você acreditar que seu comportamento é não mais que 5% do problema, inicie com seus 5%! Olha para o que você tem feito de errado, e recolha as críticas.
Liste tudo que você pensa que você fez de errado e pergunte a outra pessoa para adicionar coisas a sua lista daquilo que você tem feito de mal ou maneiras em que você contribuiu para o fracasso do relacionamento. Por exemplo: "Eu estou aqui porque eu não gosto do que aconteceu com o nosso relacionamento (ou- se o termo se aplicar- nossa amizade). Parece-me que existe um problema entre nós, eu estou errado?" Então, "Aqui estão as coisas que eu acredito que fiz para contribuir para que haja um problema entre nós- onde eu errei com você... Mas, onde mais eu tenho errado com você ou contribuído para os problemas em nossa relação, em sua opinião?"
Se você não tem idéia sobre onde você andou errado, você pode simplesmente se oferecer a ouvir. Por exemplo: "Parece-me que há um desacordo entre nós e eu ofendi você. Estou certo? Por favor, me conte onde foi que eu errei com você. Eu estou pronto para ouvir- de verdade"
Então escute bem toda crítica que você convidou para ouvir. Procure filtrar esta reclamação em algo claro e específico. Fazer isto rapidamente poderá parecer defensivo, mas eventualmente pergunte por exemplos de eventos específicos quanto possível. Se os outros dizem, "Você está me pressionando (bullying)", você precisa descobrir que palavras ou ações ou tons de vozes que fez a outra pessoa se sentir "pressionada (bullying)".
Um "checklist" prático:
- Ore silenciosamente, peça a Deus para dar a você sabedoria e permitir a você ser sensível ao amor que Ele tem por você.
- Assuma que Deus está falando com você através desta situação dolorosa e está mostrando caminhos para você ser mais cuidadoso e mudar.
- Tenha cuidado em ser defensivo. Não se explique rapidamente, mesmo se você tenha uma boa resposta ou pode mostrar que ela ou ele estão errados. Tenha certeza de não interromper ou impedir a outra pessoa de expressar sua frustração. Mostre simpatia mesmo quando você foi mal compreendido.
- Sempre pergunte, "Há alguma coisa mais? Eu realmente quero saber!" Numa situação estressante é natural que o outro segure algumas queixas e preocupações. Coloque todas elas na mesa, ou você terá que fazer isto novamente!
- Deixe segura a pessoa para criticá-lo: o apóie individualmente as críticas. "Isso deve ter sido difícil, eu vejo porque você estava preocupado".
- Veja as necessidades na crítica, elas podem ser a base da reclamação.
- Agora responda as críticas, fazendo uma ou ambas as coisas a seguir:
1. Por favor, me perdoe por _________. Este é o seu arrependimento, sua confissão de pecado.
Admita seu erro sem escusas e sem culpar as circunstâncias. Mesmo se a críticas incluírem exageros, extraia a falta real e confesse ela. Mesmo se apenas 10 por cento do problema do relacionamento é seu, o admita.
Não apenas se desculpe, peça por perdão
Se você pode achar um jeito de mudar seu comportamento, diga, Aqui está algo que vou me assegurar para que não aconteça no futuro”. Pergunte se há alguma coisa que você pode fazer para restaurar a confiança. Se você realmente não pode ver validade em alguma crítica, pergunte se você pode conversar de novo com a pessoa, e depois pergunte aos outros.
Evite declarações pomposas- Quão terrível eu sinto por ter feito isto”. Tais confissões podem ser uma catarse dolorosa feita para aliviar alguém de sentimentos culposos através de um tipo de expiação/punição, ou para alcançar apenas a simpatia dos outros.
Por outro lado, evite ser inexpressivo, leve ou mesmo esquivar. Tais confissões podem procurar preservar o orgulho, apenas são feitas para cumprir uma exigência, para forçar a outra pessoa deixar você em paz e sem mostras de qualquer contrição real ou arrependimento emocional em tudo.
Sobretudo, não faça uma confissão que é na verdade um ataque. "Se eu te aborreci, me desculpe" cai nesta categoria. Isso quer dizer, "Se você fosse uma pessoa normal, você não ficaria aborrecido com o que eu fiz". Não se arrependa de alguma coisa a alguém que você não está arrependido perante Deus para dar passos de mudança real.
Um real arrependimento tem três aspectos: confissão para Deus, confissão para a pessoa magoada, e o oferecimento de um plano concreto de mudanças para evitar o pecado no futuro (Lucas 3:7-14).
2. Depois de ter se arrependido, então mude para aquilo que não envolveu pecado de sua parte (tão breve você poderá dizer) e sobre isto você pode dizer,,, ,”por favor, aceitem minha explicação sobre______".
-"Aqui está como eu vejo isto. Você consegue ver que minha motivação e ou sentido do que fiz era bem diferente do que você entendeu?"
-"Você pode entender meu ponto de vista? Você pode aceitar que eu poderia ter percebido isto bem diferentemente e tinha estes motivos que estou falando?"
-Há alguma forma, através do jeito que vimos este assunto, que nós podemos fazer para evitar que isto machuque um ao outro de novo?
Fase 2
Agora (se necessário) fale das formas que a outra pessoa te feriu (fase Mateus 18). Se você tem feito tudo sobre isto, você poderá achar que este jeito faça com que a outra pessoa confesse sem que você peça sua confissão! Isto é de longe a melhor maneira para conseguir a reconciliação.
Contudo, se a outra pessoa não está te acompanhando, inicie com: "pelo meu ponto de vista, me aparece que o que você______. Afetou-me desta forma________. Eu acredito que seria muito melhor pela consideração que tenho por você, que você fizesse assim_______. Mas, meu entendimento pode ser errado e distorcido. Corrija-me se eu estiver errado. Você poderia me explicar o que aconteceu?" Esteja certo que sua lista das coisas que te fizeram seja específica, e não vaga.
Se a outra pessoa pedir desculpas, conceda perdão- mas evite usar o termo perdão a menos que ela o peça! De outra forma, dizer "eu perdôo você" poderá soar tremendamente humilhante. Caminhos alternativos para expressar perdão poderão ser "Bem, eu não tenho mais isto contra você", "Vamos colocar isto no passado agora" ou "Nem pense mais nisto".
Algumas linhas gerais sobre esta parte:
-Mantenha um tom amável e humilde. O tom de voz é extremamente importante. Muito controlado, bonzinho e calmo vai soar padronizado e ser enfurecedor. Não recorra a gracejos ou bajulações melosas ou cair em tons abusivos ou raivosos.
-Ataque o problema, não a pessoa. Por exemplo, não diga "Você é tão insensível", mas sim, você poderia dizer, "Você esqueceu-se disto depois tantas promessas que você não faria".
- Sugira soluções e rotas alternativas de ação ou comportamento. Certifique-se que todas as críticas sejam específicas e construtivas. Nunca diga, "Não faça isso" sem dizer "em vez de fazer isto".
- No coração da discussão, você pode descobrir algum outro objetivo subjacente ou uma necessidade que a pessoa tem que está tentando solucionar, mas que poderiam ser encontradas por caminhos mais construtivos.
- Mantenha em mente as diferenças culturais. Uma pessoa de uma cultura diferente pode considerar sua abordagem incrivelmente desrespeitosa e menosprezadora quando você estiver achando que está sendo respeitoso.
O que fazer quando outra pessoa não se reconciliar com você?
Primeiro alguns pensamentos sobre a reconciliação que falhou com um não crente. Cristãos são comandados a buscar a paz e a reconciliação com todos (Rm. 12:18, Hb. 12:14), não apenas com cristãos. Contudo, não crentes podem não sentir que tenham a mesma responsabilidade de viver em relacionamentos reconciliados. Em geral, você vai achar que não-cristãos não vão se sentir compelidos a responder com perdão e arrependimento.
Se isto ocorrer, você deve tomar o que você ofereceu, em Romanos 12:18-21 provê um guia para como permanecer gracioso, gentil, aberto e cordial para as pessoas que estão sendo antipáticas[4].
E se um cristão em sua igreja está resistindo à reconciliação? Mateus 18 indica que se um companheiro crente não reconciliar depois de repetidos esforços de sua parte, você deve ir à fase B, juntar-se a outros amigos cristãos (de preferência, incluindo alguém pela qual a pessoa tenha respeito) para tentar junto com você reconciliar a relação. Se isto não funcionar, o estágio C você deve contar isto a igreja, e pedir aos anciões para falar com a pessoa.

Se a pessoa com a qual você busca reconciliação é um cristão, mas, vive em outra região ou freqüenta outra igreja, você deve seguir o processo de Mateus 18:15-20 quanto você puder. Contudo, se vocês não são membros da mesma igreja não será possível ir ao passo final que é falar com a igreja. De novo, você deve fazer o que você puder e buscar da forma mais cordial e graciosa possível com alguém que não está reconciliado com você.

Mais genericamente, aprenda a aceitar as desculpas e arrependimentos que você tem sem pedir que as pessoas admitam mais do que elas honestamente acreditam terem feito. Se elas se arrependem perto do que você acha que deveriam fazer então o relacionamento pode ser quase tão bom quanto era antes. Se elas param no meio do caminho, ainda assim será melhor, mesmo que o relacionamento pareça enfraquecido porque você não confiará na sabedoria e autoconhecimento delas. É normal ser a pior coisa perdoar alguém que não vai admitir que fez nada de errado, e permanece altivo. O perdão interno pode ser um processo longo. Utilize todas as ferramentas espirituais que você acha na fé:

· Olhe para o mandamento de Deus para perdoar. É nossa obrigação.

· Lembre-se do Perdão de Deus para conosco. Não temos direito de permanecer amargos.

· Lembre-se que a onisciência de Deus é necessária para haver um julgamento justo. Nós temos um conhecimento insuficiente para saber o que os outros merecem.

· Lembre-se que quando nós permitimos que o mal ficasse em nós através das amarras da amargura, nós estamos sendo derrotados pelo maligno! Romanos 12 fala para nós para sobrepujar e vencer o mal com perdão.

· Lembre-se que nós minamos a glória de Deus aos olhos do mundo quando falhamos em perdoar.

Olhando das linhas do campo.

Quando duas pessoas da mesma igreja estão em conflito uma com a outra, isto pode gerar uma série de destroços nos corações e vidas dos cristãos ao redor destes, mesmo aqueles que não estão envolvidos imediatamente na disputa. A pior coisa (mas a mais comum!) que acontece é que, ao invés, de suspender o julgamento, orar e encorajar as partes através da reconciliação, as pessoas tomam partido na disputa numa forma bem típica do mundo. É difícil não simpatizar com a parte que você conhece melhor. E também é duro para a pessoa não compartilhar a dor dela ou dele com você numa forma que não vilifique a outra parte do conflito.

Como resultado, nós podemos ter uma segunda- e uma terceira- ordem de relacionamentos irreconciliados. Isto é, nós nos sentimos alienados das pessoas que são amigos de quem seu amigo está brigado! O problema com isto é óbvio, não há uma forma direta de curar estes machucados. SE alguém está evitando você por que um amigo seu está doido com o amigo dele ou dela, não há nenhum erro que você possa confessar ou se arrepnder. É uma situação venenosa espiritualmente. O problema é que não que você tenha pecado ou alguém pecou contra você, mas você escutou um mau relato sobre outro crente e deixou isto entrar no seu coração e isso criou raízes tais como a desconfiança e hostilidade.

O que nós devemos fazer?

Primeiro, ver o que Tiago fala sobre passar adiante maus relatos: “Humilhem-se perante o Senhor, Irmãos, não caluniem ou ataquem uns aos outros (Tg 4:10-11). O verbo caluniar  simplesmente quer dizer falar mal (kata-lalein). Não é necessidade dizer algo falso, mas apenas um mau relato em que alguém rebaixa o respeito e amor dos ouvintes pela pessoa de quem se está falando. “Como o vento norte traz a chuva, a língua afiada gera um olhar raivoso” (Pv. 25:23). Tiago liga a calúnia com o orgulho (4:10) mostrando que a calúnia não é uma avaliação humilde do erro ou da falta, que nós devemos constantemente fazer. Ao invés, a pessoa caluniadora fala como se ela ou ele nunca fariam a mesma coisa. Uma posição não caluniadora  é gentil e reservada, e é sempre evidente que a pessoa que fala está ciente que compartilha a mesma fraqueza, humanidade e natureza pecaminosa com aquele que está sendo criticado. Isto envolve uma profunda consciência do seu próprio pecado. E isto é nunca falar mal.

Não resmungue (literalmente, não vire seus olhos) uns com os outros (Tg 5:9). Aqui Tiago refere-se a um tipo de maldizente que é menos específico que o mencionado caluniador ou ofensor.  Ele está batendo não apenas com palavras, mas, também, com linguagem corporal. Virando o rosto, revolvendo os olhos, e reforçando uma erosão do amor e respeito por alguém (você sabe como eles fazem  as coisas por aqui). Contudo, isto consegue a mesma coisa, isso traz os olhares com raiva, que enfraquecem o amor e o respeito.

Segundo, vemos que o livro de Provérbios diz sobre como receber maus relatos: “O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afasta amigos íntimos” (Pv. 17:9). A primeira coisa a fazer quando ouvirmos ou vemos algo negativo é procurar perdoar-encobrir- a ofensa, ao invés, de comunicar aos outros sobre o fato. Isto é, ao invés de deixar isto entrar, você deve procurar guardar o problema de destruir seu amor e consideração pela pessoa. Como?

Lembre-se da sua própria pecaminosidade. “Todos os caminhos do homem são limpos aos seus olhos; mas o Senhor pesa os espíritos (motivos)” (Pv. 16:2). Seus motivos nunca são puros como você acredita que eles são. Entendendo seus pecados, isto automaticamente guarda você de estar tão certo sobre sua posição e de falar duramente contra as pessoas que estão do outro lado do conflito. Você apreende que você pode não está vendo a coisa tão bem.

Lembre-se que  sempre há um outro lado. “O que primeiro começa o seu pleito parece justo; até que vem o outro e o examina” (Pv. 18:17). Você nunca tem todos os fatos. Você nunca está numa posição para enxergar todo o quadro, e então quando você escuta o primeiro relato negativo, você deve assumir que você tem muita pouca informação para chegar a uma conclusão.

E se a injustiça parece ser muito grande ou grave para você ignorar? No comentário de Derek  Kidner sobre Provérbios 25:8-10, ele escreve que quando nós pensamos que alguém tenha feito algo errado, que a pessoa raramente sabe todos os fatos, ou os interpreta perfeitamente (verso 8), e o motivos de alguém para espalhar a história dificilmente são tão puros quanto ele acha ter (verso 10).  Correr para lei ou para a vizinhança é normalmente uma fuga do dever do relacionamento pessoal – veja o comentário final de Jesus em Mateus 18:15b. Em suma, se você sentir que o problema é tão grande que ameace destruir a sua estima pela pessoa, você deve ir até ela ou ele pessoalmente antes ir a qualquer outra pessoa.

Quando isto pode ser necessário? Gálatas 6:1 diz que iremos até as pessoas, se elas foram pegas em pegado. Isto quer dizer que algum padrão ou comportamento negativo está envolvido. Não vá na primeira vez que você ver ou ouvir a pessoa fazendo algo errado. Quando você for, lembre-se dos princípios da gentileza e persistência de Gálatas 6 e Mateus 18. O propósito é a restauração do relacionamento.  Se você ouve algo ruim sobre outro crente, você deve tanto perdoar isto com amor ou ir até a pessoa diretamente antes de falar para os outros. A primeira coisa a fazer é simplesmente suspender qualquer julgamento.  A segunda coisa para fazer é perdoar em amor. A última coisa  é ir e falar com o ofensor relatado pessoalmente. O que você deve nunca fazer é  rejeitá-lo ou passar adiante o mau relato para os outros.

Conclusão

Relacionamentos irreconciliados dentro da igreja são inevitáveis porque a igreja é tão maravilhosa, uma comunidade criada sobrenaturalmente!

A razão pela qual existem tantas exortações no Novo Testamento para os cristãos amarem uns aos outros é porque… a própria igreja não é constituída por amigos naturais. Ela é composta de inimigos naturais. O que nos une não é nosso grau de escolaridade, raça comum, ou padrão de níveis de renda, ou posições políticas comuns, uma nacionalidade comum, ou sotaques comuns, ou empregos comuns, ou qualquer outra coisa (que liga a maioria dos outros grupos de pessoas juntas). Os cristãos andam juntos não por causa de uma colocação natural, mas porque todos eles foram salvos por Jesus Cristo e devem a Ele uma aliança comum. Sobre esta luz, nós somos um bando de inimigos naturais que amam um ao outro por causa de Jesus. Esta é a única razão porque João 13:34-35 faz sentido quando Jesus disse: “Um novo mandamento vos dou- que amai-vos uns aos outros como eu tenho vos amados”…O amor cristão vai se destacar e dar testemunho de Jesus, porque é uma visão, por amor de Jesus, do amor mútuo entre pessoas incompatíveis socialmente.

A razão pela qual  temos que nos fazer responsáveis por nossos relacionamentos é o amor mútuo numa comunidade cristã é super difícil. Jesus trouxe pessoas incompatíveis para viverem juntas” Mas a razão porque nós vamos  querer permanecer unidos no amor mútuo em nossos relacionamentos é que este amor dentro da comunidade cristã é uma das principais formas do mundo enxergar quem Jesus é. Então, nós devemos nunca desistir um do outro. Logo, temos que alcançar um ao outro em amor.

fonte:http://redeemercitytocity.com/library.jsp?Library_item_param=479

Direitos reservados- 2005- Timothy Keller – 2009 Redeemer City to City – Este artigo foi primeiramente publicado na conferência Gospel and Life de 2004 e 2005.


[1] Dietrich Bonhoeffer, Life Together (New York: Harper, 1954), 23, 25–26.

[2] Miroslav Volf, Exclusion and Embrace (Nashville: Abingdon, 1996), p. 124.

[3] D. A. Carson, Love in Hard Places (Wheaton, Ill.: Crossway, 2002), p. 83.

[4] Um grande livro sobre sobre relacionar-se com pessoas que estão frias e até hostis é “Bold Love” de Dan Allender e Tremper Longman (Colorado Springs: NavPress, 1992). Não deixe de ler..

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

D. Martyn Lloyd-Jones: Expiação e Justificação

Sobre Romanos 3:25
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
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Qual era o propósito disso? Por que Deus ordenou estas mortes sacrificiais? Qual era o propósito da morte sacrificial de animais no Velho Testamento? Elas nos ensinam quatro verdades da maior importância. A primeira é que seu objetivo era tornar Deus propício. Os sacrifícios de animais no Velho Testamento não tinham por objetivo afetar o homem; eram dirigidos a Deus. Não há sequer uma centelha de evidência em todo o Velho Testamento de que esses sacrifícios se destinavam a fazer algo às pessoas. Visavam, por assim dizer, afetar a Deus. Esse era todo o seu objetivo, todo o seu propósito. Sua intenção era tornar Deus propício.



O segundo princípio era assegurada pela expiação, ou seja, pelo cancelamento da culpa do pecador. Como já vimos, a expiação leva necessariamente à propiciação; e por meio da expiação que se obtem a propiciação. O pecado é riscado, é cancelado, e, portanto, vai-se a Deus, que agora foi tornado propício.


O terceiro princípio é que a propiciação era efetuada pela punição vicária da vítima, que substitui o ofensor em favor dele. O pecador, o ofensor, tomava um cordeiro ou um touro ou um bode, e punha as mãos sobre ele, com isso lançando simbolicamente seus pecados sobre o animal, e depois o animal era imolado. O animal sofria vicariamente, levava vicariamente a punição. O pecador colocava o animal em seu lugar e em seu favor. Esse é um princípio muito importante, e não se opderá compreender o ensino do Velho Testamento nos livros de Exodo e de Levítico, se não se compreender esse princípio- a punição vicária de uma vítima em lugar do ofensor e em favor do mesmo.


Em quarto lugar, o efeito das ofertas sacrificiais era o perdão do ofensor e sua restauração ao favor de Deus e à comunhão com Ele.
(...)


A pena decretada por Deus para o pecado é a morte. Portanto, nunca se pode tratar do pecado isoladamente, da morte. Sem derramento de sangue não há remissão de pecados" p.114-115
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sobre Romanos 3:27-31

Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé.Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente,Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão.Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.
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"É o que de fato está sendo ensinado- que o plano da salvação em Cristo é simplesmente que Deus está agora nos pedindo que façamos algo que está ao nosso alcance; é apénas crer. Ele não mais exige de nós obras que não podemos praticar; agora pede simplesmente que creiamos em Seu Filho. Dizem esses mestres que Paulo chama a isso de lei da fé. A lei das obras não tem mais aplicação; agora a questão é cumprir a lei da fé, e isso é algo que podemos fazer" p. 146
(...)
Jamais a fé é algo isolado ou só. Nunca se deve divorciar a fé do seu objeto. A fé sempre está ligada a um objeto. O objeto da fé é o Senhor Jesus Cristo, Sua obra perfeita e Sua justiça perfeita; e contanto que vocês se lembrem disso, nunca errarão. Assim, não devemos jactar-nos da nossa fé; não é a fé como tal que nos salva. A fé é tão somente aquele canal, aquele instrumento, aquele elo que nos liga à justiça de Cristo que nos salva, e a fé simplesmente não a traz a nós. É a Sua justiça que nos salva pela fé, mediante a fé" p.149
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Tiago 2:24 x Romanos 3:28
"Tiago e Paulo, embora crentes na mesma verdade, tinham cada um um objetivo imediato diferente. Paulo estava preocupado em mostrar que as nossas obras, sob a Lei, de nada valem na salvação. A preocupação de Tiago era com uma coisa muito diferente. O problema que Tiago teve que enfrentar era que havia pessoas na Igreja Primitiva que falavam em fé de maneira completamente erronea. Ele coloca isso com clareza no vs 14 do capítulo dois: Meus irmãos, que aproveita se alguém disser quie tem fé, e não tiver as obras?" . Tiago estava lidando com um tipo de gente que dizia : Eu tenho, sou crente, e depois essas pessoas saíam dizendo, que, devido a terem fé e serem crentes , o que elas faziam não tinha importância, e que aquilo que salva o homem é ele dizer que é crente. Noutras palavras, havia na Igreja Primitiva o problema do fideísmo. Tiago estava lidando com homens que alegavam que tinham fé-= homens que empregavam a palavra fé, mas que com ela não queriam dizedr nada senão assentimento intelectual" p.150-151
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Romanos 3:31
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"Mais uma vez vemos ue o ensino hoje corrente, que afirma que sob a nova dispensação a lei do velho testamento foi abolida inteiramente e foi posta de lado- e que agora que somos confrontados por uma nova lei, a lei da fé, e que doravangte nada temos que fazer senão crer no Senhor Jesus Cristo- vemos que esse ensino é completamente errôneo" p. 174
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"que o apostolo quer dizer, afirmam eles, é que, por meio da nossa fé no Senhor Jesus Cristo, agora somos habilitados a cumprir a Lei. Cristo nos dá força e poder que nos capacitam a observar, honrar e cumprir a Lei, tendo vida virtuosa, a vida cristã. Isso significa estabelecer a Lei" p. 175
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"o apostolo não está considerando a santificação, porém tão somente a justificação Mas no momento em que se começa a falar sobre a vida cristã, sobre o comportamento cristão e sobre a vida virtuosa, está se falando da santificação. O ponto onde aquele ensino realmente chega afinal é que somos justificados porque somos santificados. Esse sempre foi, e ainda é, o ensino católico romano sobre a justificação. Segundo o catolicismo romano, o homem é justificado diante de DEus porque é capacitado a ter vida virtuosa pela graça e pela nova vida que ele recebeu no batismo,e, habilitado pela graça a viver essa vida virtuosa, ele mesmo se justifica" p. 175-6
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a justificação é essencialmente forense e declaratória. Ela é a declaração feita por Deus de que somos por Ele considerados justos por causa da justiça do Senhor Jesus Cristo. É uma declaração judicial, forense, feita por Deus de que, embora por assim dizer continuemos em nossos pecados, Ele nos considera justos; Ele nos dá a justiça de Cristo por meio da fé, e nos proclama justos, aceitos e retos a Seus santíssimos olhos" p.176
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Romanos 4:1-3
Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.
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"Carne significa obras de alguma espécie, ou algo que diz respeito a nós, ou que é próprio de nós, em que tendemos a confiar para a nossa salvação, algo do que nos inclinamos a jactar-nos" p. 197
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Abraão era um homem religioso, era um homem temente a Deus, era um homem piedoso. Abraão tinha prazer em obedecer a Deus e em fazer o que Deus lhe dissesse, e foi porque ele era esse tipo de homem que Deus o tratou como o tratou. Seria isso justificação pela fé? SEria isso que Genesis 15:6 diz? Eles argumentam que é, e que esse continua sendo o metodo da salvação.; Se o homem tiver um sério conceito sobre a vida e se dispuser a agradar a Deus e a ter uma vida virtuosa e piedosa, será perdoado e não terá o que temer. E nessa sua intenção que Deus está interessado; e se Deus vir essa intenção, perdoará tal homem e o abençoará", p.199
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Sobre Romanos 4:4-8

Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.
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"Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se" (João 8:56). Foi o que o próprio Senhor Jesus Cristo disse. Portanto, quando vocês lerem a frase: Abraão creu em Deus e que fazia o que Deus lhe dizia. Vai além disso, Abraão creu no método de redenção que Deus planejou, como eu e vocês. Ele não viu isso claramente, mas o viu de longe (Hb 11:13). Agora já aconteceu, manifestou-se em sua plenitude. Mas Abraão o viu de longe, perto de dois mil anos antes de acontecer, como posteriormente se deu com Davi, exatamente da mesma maneira. Isto significa crer no plano divino de salvação. E isso consta no livro de Gênesis" p. 205
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"Nunca nos esqueçamos de que a justificação é forense, judicial. Não nos torna justos; declara que somos justos. E somos declarados justos porque a justiça de Jesus Cristo é posta em nossa conta" p.203
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"Há muitos que pensam que estão cultuando a Deus, quando na realidade estão simplesmente cultuando a si mesmos, prestando culto à sua bondade pessoal. Eles fizeram um deus que lhes é próprio, e quando são confrontados por Deus como Ele Se manifestou na Bíblia, O odeiam, não gostam dEle." p. 207
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"...trata de uma questão inteiramente forense, judicial. A justificação é uma afirmação feita por Deus de que agora Ele declara inocente essa pessoa, e que vai vestir-lhe a justiça de Cristo e vai considerá-la justa" p. 209
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"A ação é totalmente de Deus. É o que Ele faz com estes nossos pecados, que Ele põe sobre Cristo e os castiga nEle. É o que Ele faz com a justiça de Cristo, que Ele põe sobre nós. Tudo é feito para nós, e nós o recebemos passivamente de Deus" p. 214
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Sobre Romanos 4:13-17

Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada. Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão.
Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem.
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"A Lei sempre vem a nós e nos diz: "Se você fizer isto" ou "Você tem que fazer isto, e não deve fazer aquilo"- a Lei sempre se refere às nossas ações, à nossa conduta e ao nosso comportamento. A lei ordena algumas coisas e proibe outras. O princípio é que a preocupação e o interesse da lei visam sempre aos nossos feitos, às nossas obras, à nossa conduta, às nossas ações, ao nosso comportamento. Portanto, no momento em que você introduz a Lei, você retorna às obras, e a fé não é levada em conta. A lei é matéria de mandamentos, positivos e negativos, proibições, vetos e injunções. Assim, no momento em que você introduz a Lei, é que diz Paulo, a fé é banida, a fé é posta fora. A fé é algo que se opõe às obras" p.231
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"...a própria Lei de Deus que proíbe o pecado acaba nos levando a pecar. A razão disso não é que haja algo errado na Lei, mas que há algo terrivelmente errado em nós. Logo, se a promessa fosse em termos da Lei, essa nada produziria para nós, senão ira e condenação" p. 233
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"Na salvação, a glória que há é unicamente a de Deus; e, se você introduzir algo que não seja a fé, estará tirando parte de Sua glória. Se você começar a falar sobre as obras, e sobre a lei, o homem estará fazendo uma reivindicação, e você estará menosprezando a glória da graça de Deus (...) Se você gabar da sua fé, se você se gabar do fato de que você crê enquanto outros não crêem, já não será graça; e já não será para a glória de Deus, mas o crédito vai ser para sua crença" p. 237
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"O que lhes traz a bênção não é o fato de que tinham sido circuncidados, mas, sim, que andam nas pisadas daquela fé de nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão. O que importa não é a circuncisão, e sim o fato de que eles exercem a mesma fé que Abraão exercia" p. 238
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"A salvação, graças a Deus, é totalmente de Deus, é toda ela da graça de Deus. E é somente por essa razão que ela é certa e segura. A salvação final de vocês, e a minha, na glória, só é garantida por uma coisa: é pela graça e mediante a fé, e não pelas obras ou pela circuncisão ou pela Lei ou por qualquer coisa que haja no homem" p. 240
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sobre Romanos 4:18-19:
O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara
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Lloyd-Jones lembra que a tradução aqui está equivocada: "os quatro manuscritos mais antigos do Novo Testamento não têm a negativa. Eles colocam a declaração de forma positiva. Todos eles dizem que ele considerou seu próprio corpo, mas que não foi enfraquecido na fé quando considerou seu próprio corpo e o amortecimento do ventre de Sara" (p. 257) A melhor tradução seria " sem ser enfraquecido na fé, ele considerou seu próprio corpo".
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"Aqui temos a resposta para isso. Abraão encarou os fatos, ele se lembrou da sua idade, como o apóstolo nos diz aqui; e também para idade de Sara. Ele viu os fatos como eles eram, viu-os em sua pior expressão; e, todavia, apesar de ter feito isso , não foi enfraquecido em sua fé"(...) "A fé não fica girando em torno dos problemas, sobrepuja-os. Vê-os, olha-os de frente, e depois passa por cima deles" p. 258
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Sobre Romanos 4:23-25

Assim isso lhe foi também imputado como justiça.Ora, não só por causa dele está escrito, que lhe fosse tomado em conta,Mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.
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Em que consiste esta fé que justifica?
1o. é uma fé que crê em Deus e glorifica a Deus.
2o. esta fé crê em Deus particularmente em termos da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.
3o. que por nossos pecados Cristo foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.
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"A ressurreição é a proclamação do fato de que Deus está plena e completamente satisfeito com a obra realizada por Seu Filho na cruz" p.289
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"ele crê que o único meio de salvação é o que Deus providenciou; crê que Deus enviou Seu Filho, Seu Filho unigênito, do céu à terra como Jesus de Nazaré; crê que Ele o sujeitou a Lei; crê que o Filho cumpriu a Lei perfeitamente; crê que Deus lançou sobre Ele os nossos pecados e a nossa culpa, e que os puniu e lhes deu tratamento definitivo, para sempre; e crê que Deus está plenamente satisfeito" p. 291
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"Fé justificadora é aquela que capacita o homem a crer na palavra de Deus a despeito de tudo isto, a crer na Palavra de Deus a despeito de conhecer sua fraqueza, sua propensão para a queda, sua propensão para o fracasso- fé justificadora é isso." p. 294
D. Martyn Lloyd-Jones Romanos Expiação e Justificação:Exposição sobre Capítulos 3:30-4:25, Editora PES