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quinta-feira, setembro 06, 2007

Salvação

"Aparece agora com toda nitidez a grandeza do respeito de Deus por sua criatura: uma salvação puramente presenteada, que não fosse- como a cristã- prolongamento do melhor que o ser humano é em si mesmo, seria a máxima alienação. Com certeza é gratuita, e consiste numa espécie de extrapolação infinita, de uma grandeza que nunca poderíamos sonhar; mas é extrapolação do dado real de nossa existência; é dom, mas um dom que eu recebo e que realiza o coração mesmo daquilo que eu buscava no melhor e mais profundo de mim mesmo" (p. 218)

" o céu é salvar-se, isto é, viver-se a si mesmo realizado no amor e no gozo do encontro infinito com Deus que se nos dá e que, dando-se-nos, entrega-nos a nós mesmos e afirma-nos em nossa identidade; uma identidade que não é mais limite ou barreira, mas antes comunhão total sem sombras e sem fronteiras" (p. 219)

A. T. Queiruga, ibid.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Corpo

"Nosso corpo é presença e calor de intimidade, mas uma presença fatalmente limitada e uma intimidade sempre ameaçada pelo equívoco ou egoísmo; o de Cristo, pelo contrário, é presença plena, intimidade que integra, multiplica e potencializa: quando se dá a alguém, cria abertura e comunhão com os outros, com todos" Andres T. Queiruga, p. 197

domingo, setembro 02, 2007

Jesus e a dor

A figura de Jesus tem ademais a vantagem de sua clareza concreta e direta: nele, em sua própria carne, vemos algo ainda mais importante: a atitude de Deus em relação à dor do ser humano; nele, em sua própria carne, vemos algo ainda mais importante: a atitude de Deus em relação a dor de Seu próprio Filho, isto é, em relação à sua própria dor; ou, quem sabe com maior exatidão, vemos o proprio Deus, enquanto entra na finitude humana, submetido à mesma e identica inevitabilidade das limitações do mal (p. 125)


Muito alem de qualquer outro tema mais tangencial, impõe-se uma questão fundamental: Jesus, está, de modo incondicional, ao lado das vitimas diante do mal que as oprime. Sua vida é, por essência, oposição às forças do mal. Sua presença liberta o ser humano tanto da miséria radical que o oprime- o pecado- como de suas conseqüências – a doença, a fome, o desprezo-. Sua missão consiste, justamente, em trazer-nos a boa noticia – Eu-angelion- de que Deus está presente, com seu amor e seu poder, para salvar a todos. A todos sem exceção; quer dizer, na típica lógica evangelica, primeira e principalmente aos excluídos da salvação, aos pobres, no sentido impregnante com que a tradição bíblica foi carregando esta denominação: os sem bens e sem cultura, os que não podem defender seus próprios direitos, até mesmo os excluídos- pelos homens- da aliança com Deus... Felizes vós, os pobres é, com segurança, a forma primigenia das bem-aventuranças, que são, por sua vez, o principio fundamental de toda a pregação evangélica (...)


Ele liberta do mal perdoando o pecado, curando as doenças, comendo com os pecadores: traz o anuncio, vindo da parte de Deus, do não radical à historia da dor humana (E. Schillebeeckx). Ele torna já presente a felicidade definitiva, escatológica: “dá de comer” e “passa fazendo o bem” (atos 10,38). Por isso, onde ele está desaparecem a tristeza e a angustia, sendo o jejum suprimido para dar lugar à alegria do banquete nupcial em companhia do noivo (Mc 2,18-22). Schillebeeckx expressa magnificamente isto quando fala da impossibilidade existencial de estar tristes na presença de Jesus" (p.126)

"Longe de ser causa ou cúmplice de nosso sofrimento, Deus se mostra para nós, no testemunho irrefutável da cruz, como aquele que pensa somente em nos ajudar, e que, para fazê-lo, está disposto a tudo, até mesmo a entregar seu próprio Filho: "Ele que não poupou seu próprio Filho" Rm 8,32" (p. 139)




Andres T. Queiruga Recuperar a Salvação Paulus,

sábado, setembro 01, 2007

Recuperar a Salvação


uma teologia que dê uma versão negativa do cristianismo (que contenha medo) não é verdadeira teologia (não chegou a perfeição do amor) p. 56


"...se a Deus, que nos dá tudo e que se nos dá todo, interessa tanto nossa realização, não podemos decepcioná-lo. Nada existe de mais forte nem mais exigente do que o amor. O que ocorre é que se trata de uma força e uma exigência que não oprimem, e sim libertam, embora às vezes esta libertação, que se realiza necessariamente no próprio autotranscender-se, exija que confiemos mais nele do que em nós mesmos e nos imponhamos de renuncia a certos paraísos...artificiais (De fato, a maturidade vai-se encontrando espontaneamente com a lei de Deus: lei e graça coincidem naquele que ama de verdade; dilige et quod vis fac: disse-o Agostinho, mas, ao menos em certo grau constitui um traço da experiência cristã mais normal)" p.73

"O gratuito não equivale ao supérfulo. Bem ao contrário, a gratuidade é sinal de profundidade e de riqueza, o dom pessoal não pode ser submetido a números e medidas, e só pode estender-se no espaço infinito da liberdade e do amor" p. 77

"o mal não é ser, não é uma realidade autônoma; mas tampouco se reduz ao nada, posto que se caracteriza por sua oposição à obra de Deus, tentando e buscando destruir o ser humano; será aniquilado na vitória final da graça de Cristo, mas enquanto isso põe-se em batalha e cobra seu duro tributo de dor e de pecado" p. 105

Andre T. Queiruga Recuperar a Salvação Ed. Paulus