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quinta-feira, abril 01, 2010

Tim Keller: Perdão e Reconciliação


Servindo uns aos outros através do perdão e da reconciliação

Tanto no nível teológico como prático,  perdão está no coração do que significa ser um cristão. O perdão verdadeiro implica um custo e é alcançado intencionalmente junto com uma comunidade de crentes.

A nova comunidade humana que a bíblia requer cortes através de todas as culturas e temperamentos. Colocando de outra forma, isso não se encaixa em nenhuma cultura, mas, desafia todas elas no mesmo ponto. Cristãos que estão em culturas mais individualistas amam a ênfase bíblica na afirmação uns dos outros, no compartilhar dores e problemas – mas odeiam a idéia de prestar contas e disciplina-. Cristãos vindos de uma cultura mais tradicional amam a ênfase bíblica no prestar contas sobre a moralidade e crenças, mas, por vezes, irritam-se com o ponto da reconciliação racial ou estar aberto sobre questões dolorosas ou financeiras pessoais dos outros.

Contudo, alguém pode argumentar que o ensino bíblico no perdão e na reconciliação é tão radical que não há culturas ou sociedades que estão de acordo com ela. Isto até poderia ser acima de tudo quando nós vemos a verdade na declaração de Bonhoefer, “Nossa comunidade entre um e outro (em Cristo) consiste somente no que Cristo fez por nós. Fraternidade cristã é espiritual e não uma realidade humana. Nisto difere de todas as outras comunidades”[1]

Em sua forma mais básica e simples, este ensino é o que os cristãos em comunidade nunca podem desistir um do outro, nunca podem desistir dentro de um relacionamento, e nunca menosprezar um ao outro. Nós devemos nunca nos cansar de estar perdoando (e repetindo) e procurando reparar nossos relacionamentos. Mateus 5:23-26 nos conta que devemos ir até alguém se sabemos que ele tem algo contra nós. Mateus 18:15-20 diz que nós devemos nos aproximar de alguém se nós temos alguma coisa contra ele. Em resumo, se qualquer relação se esfriou ou tem sido enfraquecida de qualquer forma, é sempre nosso dever de movermos. Aqui, não importa quem começou isto. Deus sempre assegura sua responsabilidade de encontrar para reparar uma relação quebrada. Um cristão é responsável por começar o processo de reconciliação, não se lembrando como a distância ou alienação começou.

O que o perdão é.

Quando falava sobre o perdão, Jesus usou a imagem de débitos para descrever a natureza dos pecados (Mateus 6:12;18:21-35). Quando alguém está seriamente fazendo mal para você, haverá um absoluto senso que de que o culpado está devendo para você. O erro se tornou uma obrigação, uma responsabilidade, uma dívida. Qualquer um que se sofreu mal sente uma compulsão para fazer o malfeitor pagar o débito. Nós o fazemos isso os machucando, gritando com eles, fazendo-os sentirem-se bem maus, ou apenas observando e vendo e esperando que alguém ruim aconteça com eles. Somente após nós vemos o sofrimento deles de alguma forma que podemos medir, nós acreditamos que o débito foi pago e a obrigação acabou. Este senso de débito/responsabilidade e obrigação é algo impossível de fugir. Qualquer pessoa que negue isto simplesmente não foi magoada ou sofreu pecado de uma forma séria.
Então o que seria perdão? Perdão significa abrir mão do direito de procurar uma retribuição por aquilo que alguém fez com você. Mas, isto significar reconhecer que o perdão é uma forma voluntária de sofrimento.

O que isso quer dizer?

Pensar sobre dívidas monetárias funciona. Se um amigo quebra a lâmpada da minha casa, e se esta lâmpada custa 15 dólares para recolocar, então o ato de quebrar minha lâmpada incorreu num débito de 15 dólares. Se eu deixo ele pagar por isto e recolocar a lâmpada, eu pego minha lâmpada de volta e ele perde 15 dólares. Contudo, se eu o perdôo pelo que fez o débito não vai desaparecer no ar. Quando eu o perdoei, eu assumi o custo e pagamento pela lâmpada: ou, eu irei pagar 15 dólares para colocar uma nova lâmpada ou eu perderei a luz no cômodo. Perdoar é cancelar um débito por pagamento ou assumir ele por si mesmo.Alguém terá sempre que pagar o débito.

Neste caso, em todas as situações de mau comportamento, mesmo quando não há dinheiro envolvido. Quando alguém peca contra você, você perde alguma coisa- talvez felicidade, reputação, paz de espírito, um relacionamento, ou uma oportunidade. Estas são duas coisas que tem a ver com pecado. Imagine, por exemplo, que alguma pessoa feriu sua reputação. Você pode tentar restaurar ela, pagando a outra pessoa na mesma moeda, criticando publicamente e arruinando a reputação dela ou dele. Como também, você pode perdoar que te feriu,recusando dar o troco e absorvendo o dano que foi feito à sua reputação.(Você terá restaurar isto com o tempo).

Em todos os momentos, quando o mal é feito há uma dívida, e não há como lidar com isto a não ser através do sofrimento: seja fazendo o perpetuador sofrer ou levando sobre si o sofrimento.

Perdão sempre tem um custo extremo. É muito caro emocionalmente- toma muito sangue, doçura e lágrimas-. Quando você perdoa, você mesmo paga o custo de diversas formas.

Primeiro, você recusa ferir a pessoa diretamente; você recusa vingança, troco ou a inflexão da dor. No lugar, você será tão cordial quanto possível. Quando você perdoa, deve ter cuidado das maneiras sutis de tentar um pagamento enquanto você não está. Há coisas específicas que devemos evitar:

- fazer comentários sarcásticos e jogar as lesões do passado na cara das pessoas repetidamente.
-ser muito mais exigente e controlador com a pessoa que você é com os outros, tudo por causa, no fundo, você sente que ela ainda lhe deve algo.
-punindo com auto-piedade, a misericórdia é usada para que elas se sintam menores e você justificado.
- evitando elas ou sendo frios com elas.

Segundo, quando você recusa a empregar insinuações ou volteios ou sugestões ou fofoca ou uma difamação direta para quem feriu você sobre os olhos de outros. Você não deve correr para colocar a pessoa que te feriu para baixo, mesmo sob o pretexto de aviso ou de procurar alguém para compartilhar e ajudar na sua dor.

Terceiro, quando perdoa você recusa a má vontade entrar em seu coração. Isto é, você não fica revendo os tapes do erro em sua imaginação, a fim de manter o senso de perda e a ferida aberta, para isto você trata com hostilidade a pessoa e sente virtuoso em contrapartida. Não difame ou demonize o ofensor em sua imaginação. Melhor, reconheça a pecaminosidade humana comum que você compartilha com ele ou ela. Não fique torcendo para que eles falhem, ou se machuquem. Ao invés, ore positivamente para que eles cresçam.

Perdão, então, é obtido antes que se sinta. Isto é uma promessa para abster-se das três coisas acima e orar pelo perpetuador do mesmo modo que a graça de Deus foi para você. Embora seja extremamente doloroso e difícil (você mesmo está arcando o custo do pecado!), o perdão vai aprofundar o seu caráter, libertá-lo para conversar e ajudar a pessoa, e levar paz e amor e não mais amargura.

Além disso, por suportar os custos do pecado, você estará andando no caminho do seu Mestre (Mt. 18:21-35; Cl 3:13). É típico para não cristãos hoje dizerem que a cruz de Cristo não faz sentido. "Por que Jesus tinha que morrer? Por que Deus não poderia apenas nos perdoar?". Na verdade, ninguém que fez algo errado é apenas perdoado! Se alguém feriu você, haverá apenas duas opções: 1. você fazê-lo sofrer, ou 2. você recusar vingança e perdoar e, então, suportar o sofrimento. E se nós não podemos perdoar sem sofrer, quanto mais teve Deus de sofrer para perdoar-nos? Se nós inevitavelmente sentimos o custo e a obrigação e a injustiça do pecado em nossas almas, quanto mais Deus sabe disto? Na cruz nós vemos Deus perdoando-nos, e isto somente é possível se Deus sofresse. Na cruz, o amor de Deus foi satisfeito pela sua própria justiça, através do sofrimento, carregando sobre si a pena pelo pecado. Nunca há perdão sem sofrimento, pregos, espinhos, suor, sangue. Nunca.
O que nós precisamos para perdoar.
A experiência do evangelho nos mostra que há dois pré-requisitos para uma vida de perdão: humildade emocional e riqueza emocional.
Você pode permanecer amargo com alguém apenas se você se sentir superior a esta pessoa, se você tem certeza que você nunca faria qualquer coisa como esta. Permanecer sem perdoar significa que você não está por dentro da sua própria pecaminosidade e necessidade de perdão. Quando Paulo diz que ele é o pior de todos os pecadores (1Tm 1:15), ele não está exagerando. Ele está dizendo que ele é capaz de pecar como os piores criminosos são. O evangelho dá a ele humildade emocional.
Ao mesmo tempo, você não pode ser gracioso com alguém se você é também necessitado e inseguro. Se você conhece o amor de Deus e perdão, então há um limite que a pessoa pode machucar você. Ele ou ela não pode tocar em sua real identidade, riqueza e significância. Quanto mais você se alegra em seu perdão, mais rápido você poderá perdoar os outros. Está enraizada em você, uma riqueza emocional.
"Encontrei perdão porque exclui o inimigo da comunidade dos homens como também exclui a mim mesmo da comunidade dos pecadores. Mas, ninguém pode na presença de Deus do crucificado Messias permanecer sem esta dupla exclusão- sem transpor o inimigo da esfera da não humanidade monstruosa para uma esfera de uma humanidade compartilhada e a si mesmo de uma de uma orgulhosa inocência para uma esfera de pecaminosidade comum. Quando alguém sabe que o torturador não irá triunfar eternamente sobre a vítima, este fica livre para redescobrir a humanidade desta pessoa e imitar o amor de Deus por ela. E quando alguém entende que o amor de Deus é maior que todos os pecados, este alguém fica livre para ver a si mesmo... e então descobrir seu próprio pecado" [2]
Jesus disse, "Se você não perdoar os pecados dos homens, seu pai nos céus não perdoará seus pecados" (Mt. 6:15). Isto não significa que nós podemos ganhar o perdão de Deus através do nosso perdão, mas, que nós podemos nos desqualificar a partir disto. Nenhum coração realmente arrependido com Deus pode não perdoar os outros. Uma falha de perdão para com os outros é um resultado direto de uma falta de arrependimento perante Deus. E como nós sabemos você deve arrepender-se para ser salvo. (At. 2:38).
O Perdão de Deus e os nossos.
Quando Deus revelou sua glória para Moisés, ele disse que ele perdoaria nossas iniqüidades, contudo, não deixaria impunes os culpados (Ex. 34:6-7). Somente com a vinda de Jesus, nós vemos quão Deus pode ser completamente justo e perdoador através de sua expiação (1Jo. 1:7-9). Na cruz, Deus satisfez tanto a justiça quanto o amor. Deus estava tão justo e desejoso para julgar o pecado que Jesus tinha que morrer, mas ele estava tão amoroso e desejoso da nossa salvação que Jesus estava satisfeito em morrer.
Nós também somos ordenados a perdoar ("suportando e perdoando uns aos outros, se alguém tiver alguma queixa contra o outro,assim como o Senhor vos perdoou, assim também fazei" Cl. 3:13-14) com base na expiação de Jesus por nossos pecados ("Perdoai nossas dívidas, assim como nós perdoamos nossos devedores... Se você não perdoar os homens por seus pecados, seu pai celeste não poderá perdoar seus pecados” Mt. 6:14-15; cf. Lc 6:37). Contudo, nós também somos requeridos a perdoar de uma forma que honre a justiça, justo como o perdão de Deus é. "Se o seu irmão pecar, repreenda-o, se ele se arrepender, perdoa-o" (Lc. 17:3). "Cristãos são chamados para abandonar a amargura, a ser tolerante, ter uma postura de perdão mesmo quando o arrependimento da parte que ofende é notavelmente ausente; por outro lado, a paixão pela justiça centrada em Deus, a sua preocupação para com a glória de Deus, assegura que ódio terrível ao pecado não é camuflado"[3]
Procurando Verdade, Amor e Relacionamento.
O Evangelho nos chama, então, para guardar um comprometimento igual em a. falar a verdade e honrar aquilo que é certo, e ainda b. ser eternamente perdoador como nós fomos e c. nunca desistir da meta da reconciliação, de um relacionamento caloroso.
Primeiro Deus requer perdão não importando se o ofensor tenha se arrependido ou pedido por perdão. “Quando você estiver para orar, se você tem alguma coisa contra alguém, perdoa ele" (Mc 11:25). Isto não que dizer "perdoe ele se ele se arrepender", mas melhor "perdoe ele ali meso- quando você estiver orando”.
Segundo, Deus requer que falemos a verdade. Isto é o porquê de Jesus falar aos seus discípulos em Lucas 17:3 para repreender o malfeitor e se ele se arrepender, perdoar ele. É Jesus dizendo que nós podemos guardar rancor, se a pessoa não se arrepender? Não, não devemos ler Lucas 17 e contradizer Marcos 11. Jesus está nos chamando aqui tanto para a prática interna do perdão como também para repreender e corrigir. Temos de render completamente o direito de dar o troco ou tomar algo, e ainda, ao meso tempo, não nunca devemos olhar a injustiça e requerer que os malfeitos sejam recompensados.
Isto é quase o oposto do que normalmente acontece. Ordinariamente, nós não buscamos justiça com os outros (não confrontamos ou chamamos as pessoas para mudar e fazer uma restituição), mas permanecemos odiosos e amargos por dentro. A bíblia nos chama para sair deste caminho. Nós perdoamos de uma forma tão profunda que não há mais desejo de vingança, de forma que, podemos falar abertamente sobre o assunto que aconteceu com um desejo de ajudar a pessoa a ver que ela fez de errado.
Na realidade, um perdão interno e um trabalho de correção externo vão bem juntos. Somente se você perdoar internamente poderá corrigir sem abusos- sem tentar fazer com que a pessoa se sinta terrível.
Apenas se você já perdoou poderá ter motivos para corrigir a pessoa para o engrandecimento de Deus, para justiça, para o bem da comunidade, e para o bem da pessoa. E apenas se você perdoa internamente suas palavras terão alguma esperança de mudar o coração do perpetuador. De outro jeito, seu discurso estará tão cheio de desdém e hostilidade que ele ou ela não irão te escutar.
Por ultimo, perdoar por dentro e corrigir/repreender externamente não são incompatíveis porque eles são ambos os atos de amor. Nunca se estará amando deixando a pessoa de lado com seu pecado. Não se estará amando o malfeitor, que continua sobre o domínio do hábito, nem para quem ele vai prejudicar no futuro, nem para Deus, quem está aflito. Esta é a dificuldade, a linha que separa o confronto moral para o bem de Deus e uma afronta de auto-justiça por causa de um orgulho ferido é muito fina. Contudo, recusar a confrontar é não amar, mas apenas ser egoísta.
Terceiro, como nós falamos a verdade em amor (Ef.4:15), nós buscamos a justiça com gentileza e humildade, para que os erros sejam reparados e se mantenha ou restitua-se o relacionamento (Gl. 6:1-5). Há um grande desafio de tensão entre estas três coisas! Quase sempre um deles é obtido mais fácil se você deixar de lado qualquer preocupação com os outros dois. Por exemplo, é fácil falar a verdade se você desiste de qualquer desejo de manter um relacionamento caloroso. Contudo, se você deseja ambos, você deve ser extremamente cuidadoso em como você vai falar a verdade! Um outro exemplo: é possível você convencer a si mesmo que perdoou alguém, mas depois você não deseja mais nada com a pessoa (você não busca manter o relacionamento), então este é um sinal que quando você falou a verdade, não havia perdão de verdade lá.
Claro que é possível que você mantenha estas três coisas juntas em seu coração e mente, contudo, a outra pessoa pode não as ter. Não há cultura ou personalidade que mantenha estas coisas juntas. Pessoas tendem a acreditar que se você as confronta você não as perdoou e não as ama, ou se você realmente a amava, você não iria a repreender. Deus reconhece que muitas pessoas simplesmente não buscam todas estas coisas juntas, então Ele nos diz: "Quanto depender de você, viva em paz com todos" (Rm 12:18). Isto é, faça sua parte e tenha como bom e pacífico relacionamento com as pessoas que estiverem com você.
Quando nós precisamos confrontar e reconciliar?
Jesus nos diz que se alguém estiver pecando contra nós, nós precisamos ir e falar com o ofensor. "Se o seu irmão pecar, repreenda-o e se ele se arrepender, perdoa-o" (Lc. 17:3). Contudo, quando nós devemos repreender- toda vez que alguém nos ferir? 1 Pedro 4:8 diz conhecidamente que "o amor cobre uma multidão de pecados", e Provérbios 10:12 volta ao mesmo ponto. Isto significa que nós devemos ser fracos, e que seria errado trazer a tona o erro toda vez que nós formos tratados injustamente ou insensivelmente. Neste sentido, passagens como Mateus 18 e Lucas 17 dizem que há algumas ocasiões em que nós devemos fazer uma reclamação. Quando, então, faremos isto?
Aí é onde Gálatas 6 nos dará uma direção. "Irmãos, se alguém for pego em pecado, vocês que são espirituais devem restaurá-lo suavemente. Mas observem, ou você também pode ser tentado" (6:1).
Primeiro, nós devemos corrigir quando o pecado é sério o suficiente para esfriar ou romper o relacionamento. Mateus 18:15 indica qual o propósito da repreensão que é "ganhar o irmão" - isto é, resgatar o relacionamento. Isto está implícito em Gálatas 6:2, que nos diz que corrigir alguém é um caminho para carregar os fardos uns dos outros, isto é uma expressão de um relacionamento interdependente.
Segundo, nós devemos corrigir quando o pecado contra nós é evidentemente parte de um padrão de comportamento na qual a pessoa está seriamente atolada. Se alguém for pego em um pecado, vocês que são espirituais, deverão restaurá-lo (Gl. 6:1): a imagem é a de estar preso em um modo de comportamento que será prejudicial à pessoa e aos outros. Em amor isto deve ser apontado. Então, nós repreendemos para o bem da própria pessoa- para restaurar ela. Nossa preocupação é o seu crescimento.
E como nós faremos isto? "Vocês que são espirituais devem restaurar ele gentilmente (Gl. 6:1). Isto é essencial. Se o motivo da correção é ajudar o outro a crescer, então vamos ser amorosos e cuidadosos. Os versículos 2 e 3 indicam que devemos fazer isto com muita humildade. Nós estaremos fazendo a nós mesmos de servos quando corrigimos.
Em última análise, qualquer amor que tem medo de confrontar o amado não é realmente amor, mas, um desejo egoísta de ser amado. Covardia é sempre egoísta, coloca nossas próprias necessidades na frente das carências dos outros. Um amor que diz, "Eu vou fazer qualquer coisa para manter ela ou ele me amando e me aprovando!”não é um amor real absolutamente. Não se está amando a pessoa. É amar o amor que você recebe de uma pessoa. O verdadeiro amor está disposto a enfrentar, até mesmo perder o amado em um curto prazo, se houver uma chance de ajudá-la.
No entanto, é claro que há muitas ocasiões que não devemos corrigir e não procurar por desculpas mesmo quando elas são devidas. Quando mais forte você é como cristão, menos sensível e fácil de machucar você será. Quando as pessoas apertam você, esnobam,ignoram, ou deixam você para baixo de alguma forma. isto não irá deixar você frio com elas imediatamente. Como um cristão maduro, você rapidamente se lembrará: a. tempos que você fazia a mesma coisa com outros ou b. tempos que as pessoas que fizeram isto com você tinham muitas coisas em suas mentes e seus corações. Se você achar qualquer erro que imediatamente esfria você para o outro e você quer insistir em seu direito de uma desculpa, faça um auto-exame lembrando que nível de humildade emocional e riqueza emocional você está em Cristo. Amor deve cobrir uma multidão de pecados (isto é, a maioria deles). Você deve ser capaz de tratar calorosamente as pessoas que devem desculpas a você, mas que você não corrigiu porque o desprezo delas foi algo pequeno, ou o tempo não era o correto para isto, ou você não as conhecia para saber se era um padrão de comportamento delas.
Como nos reconciliamos?
Aqui estão algumas bases.
Quais são as marcas de uma relação irreconciliada?
Um relacionamento irreconciliado é marcado pela precaução, frieza e irritabilidade. Se você encontra a si mesmo evitando, sendo frio, ou estando muito irritando com alguém (ou se você pode dizer que alguém está evitando você, sendo frio ou irritado com você), então você provavelmente tem uma relação irreconciliada.
Por outro lado, eu perdôo você não significa que eu confio em você. Algumas pessoas pensam que elas não têm um relacionamento reconciliado até que elas possam confiar completamente na pessoa que as fez mal. Este não é o caso. Perdão quer dizer uma vontade de tentar restabelecer a confiança, mas este restabelecimento é sempre um processo. A velocidade e o grau desta restauração implicam a recriação da confiança, e isto leva tempo, dependendo da natureza e severidade das ofensas envolvidas. Até que a pessoa evidencie uma real mudança, nós não devemos confiar nela ou nele. Entregar imediatamente confiança a alguém que tenha hábitos pecaminosos poderá, na verdade, fazer com que ela continue pecando. Confiança deve ser restaurada, e a velocidade que ela ocorrerá dependerá do comportamento.
Isto também se aplica para as pessoas que você deve desculpas, mas cujos pecados foram encobertos (veja acima). Uma pessoa que deixou você para baixo, mas que você não a corrigiu prejudicou sua confiança, ainda que em menores proporções. Se ela ou ele vem lhe pedir perdão, isto irá restaurar o nível de confiança e respeito que você tinha antes, mas até que isto ocorra você deverá ter uma relação civilizada e cordial com elas.
Como eu posso me reconciliar com alguém?
Podemos olhar para Mateus 5 e Mateus 18 como dois tipos de abordagem: Mateus 5 estabelece o que você faz quando você acredita que feriu alguém, enquanto que Mateus 18 é o que você fará quando acredita que alguém te feriu. Mas, também é possível olhar as passagens como dando-nos as duas fases de um processo normal de reconciliação, porque raramente apenas uma parte suporta toda a culpa por um relacionamento desgastado. Quase sempre a reconciliação envolve o arrependimento e o perdão- tanto ao admitir o seu próprio erro e apontando o erro do outro. Se colocarmos essas duas aproximações, podemos criar um roteiro prático como o que se segue.
Fase 1
Comece por confessar tudo o que você possa ter feito de errado ( isto poderá ser chamado de a fase Mateus 5:24). Comece com você mesmo. Mesmo se você acreditar que seu comportamento é não mais que 5% do problema, inicie com seus 5%! Olha para o que você tem feito de errado, e recolha as críticas.
Liste tudo que você pensa que você fez de errado e pergunte a outra pessoa para adicionar coisas a sua lista daquilo que você tem feito de mal ou maneiras em que você contribuiu para o fracasso do relacionamento. Por exemplo: "Eu estou aqui porque eu não gosto do que aconteceu com o nosso relacionamento (ou- se o termo se aplicar- nossa amizade). Parece-me que existe um problema entre nós, eu estou errado?" Então, "Aqui estão as coisas que eu acredito que fiz para contribuir para que haja um problema entre nós- onde eu errei com você... Mas, onde mais eu tenho errado com você ou contribuído para os problemas em nossa relação, em sua opinião?"
Se você não tem idéia sobre onde você andou errado, você pode simplesmente se oferecer a ouvir. Por exemplo: "Parece-me que há um desacordo entre nós e eu ofendi você. Estou certo? Por favor, me conte onde foi que eu errei com você. Eu estou pronto para ouvir- de verdade"
Então escute bem toda crítica que você convidou para ouvir. Procure filtrar esta reclamação em algo claro e específico. Fazer isto rapidamente poderá parecer defensivo, mas eventualmente pergunte por exemplos de eventos específicos quanto possível. Se os outros dizem, "Você está me pressionando (bullying)", você precisa descobrir que palavras ou ações ou tons de vozes que fez a outra pessoa se sentir "pressionada (bullying)".
Um "checklist" prático:
- Ore silenciosamente, peça a Deus para dar a você sabedoria e permitir a você ser sensível ao amor que Ele tem por você.
- Assuma que Deus está falando com você através desta situação dolorosa e está mostrando caminhos para você ser mais cuidadoso e mudar.
- Tenha cuidado em ser defensivo. Não se explique rapidamente, mesmo se você tenha uma boa resposta ou pode mostrar que ela ou ele estão errados. Tenha certeza de não interromper ou impedir a outra pessoa de expressar sua frustração. Mostre simpatia mesmo quando você foi mal compreendido.
- Sempre pergunte, "Há alguma coisa mais? Eu realmente quero saber!" Numa situação estressante é natural que o outro segure algumas queixas e preocupações. Coloque todas elas na mesa, ou você terá que fazer isto novamente!
- Deixe segura a pessoa para criticá-lo: o apóie individualmente as críticas. "Isso deve ter sido difícil, eu vejo porque você estava preocupado".
- Veja as necessidades na crítica, elas podem ser a base da reclamação.
- Agora responda as críticas, fazendo uma ou ambas as coisas a seguir:
1. Por favor, me perdoe por _________. Este é o seu arrependimento, sua confissão de pecado.
Admita seu erro sem escusas e sem culpar as circunstâncias. Mesmo se a críticas incluírem exageros, extraia a falta real e confesse ela. Mesmo se apenas 10 por cento do problema do relacionamento é seu, o admita.
Não apenas se desculpe, peça por perdão
Se você pode achar um jeito de mudar seu comportamento, diga, Aqui está algo que vou me assegurar para que não aconteça no futuro”. Pergunte se há alguma coisa que você pode fazer para restaurar a confiança. Se você realmente não pode ver validade em alguma crítica, pergunte se você pode conversar de novo com a pessoa, e depois pergunte aos outros.
Evite declarações pomposas- Quão terrível eu sinto por ter feito isto”. Tais confissões podem ser uma catarse dolorosa feita para aliviar alguém de sentimentos culposos através de um tipo de expiação/punição, ou para alcançar apenas a simpatia dos outros.
Por outro lado, evite ser inexpressivo, leve ou mesmo esquivar. Tais confissões podem procurar preservar o orgulho, apenas são feitas para cumprir uma exigência, para forçar a outra pessoa deixar você em paz e sem mostras de qualquer contrição real ou arrependimento emocional em tudo.
Sobretudo, não faça uma confissão que é na verdade um ataque. "Se eu te aborreci, me desculpe" cai nesta categoria. Isso quer dizer, "Se você fosse uma pessoa normal, você não ficaria aborrecido com o que eu fiz". Não se arrependa de alguma coisa a alguém que você não está arrependido perante Deus para dar passos de mudança real.
Um real arrependimento tem três aspectos: confissão para Deus, confissão para a pessoa magoada, e o oferecimento de um plano concreto de mudanças para evitar o pecado no futuro (Lucas 3:7-14).
2. Depois de ter se arrependido, então mude para aquilo que não envolveu pecado de sua parte (tão breve você poderá dizer) e sobre isto você pode dizer,,, ,”por favor, aceitem minha explicação sobre______".
-"Aqui está como eu vejo isto. Você consegue ver que minha motivação e ou sentido do que fiz era bem diferente do que você entendeu?"
-"Você pode entender meu ponto de vista? Você pode aceitar que eu poderia ter percebido isto bem diferentemente e tinha estes motivos que estou falando?"
-Há alguma forma, através do jeito que vimos este assunto, que nós podemos fazer para evitar que isto machuque um ao outro de novo?
Fase 2
Agora (se necessário) fale das formas que a outra pessoa te feriu (fase Mateus 18). Se você tem feito tudo sobre isto, você poderá achar que este jeito faça com que a outra pessoa confesse sem que você peça sua confissão! Isto é de longe a melhor maneira para conseguir a reconciliação.
Contudo, se a outra pessoa não está te acompanhando, inicie com: "pelo meu ponto de vista, me aparece que o que você______. Afetou-me desta forma________. Eu acredito que seria muito melhor pela consideração que tenho por você, que você fizesse assim_______. Mas, meu entendimento pode ser errado e distorcido. Corrija-me se eu estiver errado. Você poderia me explicar o que aconteceu?" Esteja certo que sua lista das coisas que te fizeram seja específica, e não vaga.
Se a outra pessoa pedir desculpas, conceda perdão- mas evite usar o termo perdão a menos que ela o peça! De outra forma, dizer "eu perdôo você" poderá soar tremendamente humilhante. Caminhos alternativos para expressar perdão poderão ser "Bem, eu não tenho mais isto contra você", "Vamos colocar isto no passado agora" ou "Nem pense mais nisto".
Algumas linhas gerais sobre esta parte:
-Mantenha um tom amável e humilde. O tom de voz é extremamente importante. Muito controlado, bonzinho e calmo vai soar padronizado e ser enfurecedor. Não recorra a gracejos ou bajulações melosas ou cair em tons abusivos ou raivosos.
-Ataque o problema, não a pessoa. Por exemplo, não diga "Você é tão insensível", mas sim, você poderia dizer, "Você esqueceu-se disto depois tantas promessas que você não faria".
- Sugira soluções e rotas alternativas de ação ou comportamento. Certifique-se que todas as críticas sejam específicas e construtivas. Nunca diga, "Não faça isso" sem dizer "em vez de fazer isto".
- No coração da discussão, você pode descobrir algum outro objetivo subjacente ou uma necessidade que a pessoa tem que está tentando solucionar, mas que poderiam ser encontradas por caminhos mais construtivos.
- Mantenha em mente as diferenças culturais. Uma pessoa de uma cultura diferente pode considerar sua abordagem incrivelmente desrespeitosa e menosprezadora quando você estiver achando que está sendo respeitoso.
O que fazer quando outra pessoa não se reconciliar com você?
Primeiro alguns pensamentos sobre a reconciliação que falhou com um não crente. Cristãos são comandados a buscar a paz e a reconciliação com todos (Rm. 12:18, Hb. 12:14), não apenas com cristãos. Contudo, não crentes podem não sentir que tenham a mesma responsabilidade de viver em relacionamentos reconciliados. Em geral, você vai achar que não-cristãos não vão se sentir compelidos a responder com perdão e arrependimento.
Se isto ocorrer, você deve tomar o que você ofereceu, em Romanos 12:18-21 provê um guia para como permanecer gracioso, gentil, aberto e cordial para as pessoas que estão sendo antipáticas[4].
E se um cristão em sua igreja está resistindo à reconciliação? Mateus 18 indica que se um companheiro crente não reconciliar depois de repetidos esforços de sua parte, você deve ir à fase B, juntar-se a outros amigos cristãos (de preferência, incluindo alguém pela qual a pessoa tenha respeito) para tentar junto com você reconciliar a relação. Se isto não funcionar, o estágio C você deve contar isto a igreja, e pedir aos anciões para falar com a pessoa.

Se a pessoa com a qual você busca reconciliação é um cristão, mas, vive em outra região ou freqüenta outra igreja, você deve seguir o processo de Mateus 18:15-20 quanto você puder. Contudo, se vocês não são membros da mesma igreja não será possível ir ao passo final que é falar com a igreja. De novo, você deve fazer o que você puder e buscar da forma mais cordial e graciosa possível com alguém que não está reconciliado com você.

Mais genericamente, aprenda a aceitar as desculpas e arrependimentos que você tem sem pedir que as pessoas admitam mais do que elas honestamente acreditam terem feito. Se elas se arrependem perto do que você acha que deveriam fazer então o relacionamento pode ser quase tão bom quanto era antes. Se elas param no meio do caminho, ainda assim será melhor, mesmo que o relacionamento pareça enfraquecido porque você não confiará na sabedoria e autoconhecimento delas. É normal ser a pior coisa perdoar alguém que não vai admitir que fez nada de errado, e permanece altivo. O perdão interno pode ser um processo longo. Utilize todas as ferramentas espirituais que você acha na fé:

· Olhe para o mandamento de Deus para perdoar. É nossa obrigação.

· Lembre-se do Perdão de Deus para conosco. Não temos direito de permanecer amargos.

· Lembre-se que a onisciência de Deus é necessária para haver um julgamento justo. Nós temos um conhecimento insuficiente para saber o que os outros merecem.

· Lembre-se que quando nós permitimos que o mal ficasse em nós através das amarras da amargura, nós estamos sendo derrotados pelo maligno! Romanos 12 fala para nós para sobrepujar e vencer o mal com perdão.

· Lembre-se que nós minamos a glória de Deus aos olhos do mundo quando falhamos em perdoar.

Olhando das linhas do campo.

Quando duas pessoas da mesma igreja estão em conflito uma com a outra, isto pode gerar uma série de destroços nos corações e vidas dos cristãos ao redor destes, mesmo aqueles que não estão envolvidos imediatamente na disputa. A pior coisa (mas a mais comum!) que acontece é que, ao invés, de suspender o julgamento, orar e encorajar as partes através da reconciliação, as pessoas tomam partido na disputa numa forma bem típica do mundo. É difícil não simpatizar com a parte que você conhece melhor. E também é duro para a pessoa não compartilhar a dor dela ou dele com você numa forma que não vilifique a outra parte do conflito.

Como resultado, nós podemos ter uma segunda- e uma terceira- ordem de relacionamentos irreconciliados. Isto é, nós nos sentimos alienados das pessoas que são amigos de quem seu amigo está brigado! O problema com isto é óbvio, não há uma forma direta de curar estes machucados. SE alguém está evitando você por que um amigo seu está doido com o amigo dele ou dela, não há nenhum erro que você possa confessar ou se arrepnder. É uma situação venenosa espiritualmente. O problema é que não que você tenha pecado ou alguém pecou contra você, mas você escutou um mau relato sobre outro crente e deixou isto entrar no seu coração e isso criou raízes tais como a desconfiança e hostilidade.

O que nós devemos fazer?

Primeiro, ver o que Tiago fala sobre passar adiante maus relatos: “Humilhem-se perante o Senhor, Irmãos, não caluniem ou ataquem uns aos outros (Tg 4:10-11). O verbo caluniar  simplesmente quer dizer falar mal (kata-lalein). Não é necessidade dizer algo falso, mas apenas um mau relato em que alguém rebaixa o respeito e amor dos ouvintes pela pessoa de quem se está falando. “Como o vento norte traz a chuva, a língua afiada gera um olhar raivoso” (Pv. 25:23). Tiago liga a calúnia com o orgulho (4:10) mostrando que a calúnia não é uma avaliação humilde do erro ou da falta, que nós devemos constantemente fazer. Ao invés, a pessoa caluniadora fala como se ela ou ele nunca fariam a mesma coisa. Uma posição não caluniadora  é gentil e reservada, e é sempre evidente que a pessoa que fala está ciente que compartilha a mesma fraqueza, humanidade e natureza pecaminosa com aquele que está sendo criticado. Isto envolve uma profunda consciência do seu próprio pecado. E isto é nunca falar mal.

Não resmungue (literalmente, não vire seus olhos) uns com os outros (Tg 5:9). Aqui Tiago refere-se a um tipo de maldizente que é menos específico que o mencionado caluniador ou ofensor.  Ele está batendo não apenas com palavras, mas, também, com linguagem corporal. Virando o rosto, revolvendo os olhos, e reforçando uma erosão do amor e respeito por alguém (você sabe como eles fazem  as coisas por aqui). Contudo, isto consegue a mesma coisa, isso traz os olhares com raiva, que enfraquecem o amor e o respeito.

Segundo, vemos que o livro de Provérbios diz sobre como receber maus relatos: “O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afasta amigos íntimos” (Pv. 17:9). A primeira coisa a fazer quando ouvirmos ou vemos algo negativo é procurar perdoar-encobrir- a ofensa, ao invés, de comunicar aos outros sobre o fato. Isto é, ao invés de deixar isto entrar, você deve procurar guardar o problema de destruir seu amor e consideração pela pessoa. Como?

Lembre-se da sua própria pecaminosidade. “Todos os caminhos do homem são limpos aos seus olhos; mas o Senhor pesa os espíritos (motivos)” (Pv. 16:2). Seus motivos nunca são puros como você acredita que eles são. Entendendo seus pecados, isto automaticamente guarda você de estar tão certo sobre sua posição e de falar duramente contra as pessoas que estão do outro lado do conflito. Você apreende que você pode não está vendo a coisa tão bem.

Lembre-se que  sempre há um outro lado. “O que primeiro começa o seu pleito parece justo; até que vem o outro e o examina” (Pv. 18:17). Você nunca tem todos os fatos. Você nunca está numa posição para enxergar todo o quadro, e então quando você escuta o primeiro relato negativo, você deve assumir que você tem muita pouca informação para chegar a uma conclusão.

E se a injustiça parece ser muito grande ou grave para você ignorar? No comentário de Derek  Kidner sobre Provérbios 25:8-10, ele escreve que quando nós pensamos que alguém tenha feito algo errado, que a pessoa raramente sabe todos os fatos, ou os interpreta perfeitamente (verso 8), e o motivos de alguém para espalhar a história dificilmente são tão puros quanto ele acha ter (verso 10).  Correr para lei ou para a vizinhança é normalmente uma fuga do dever do relacionamento pessoal – veja o comentário final de Jesus em Mateus 18:15b. Em suma, se você sentir que o problema é tão grande que ameace destruir a sua estima pela pessoa, você deve ir até ela ou ele pessoalmente antes ir a qualquer outra pessoa.

Quando isto pode ser necessário? Gálatas 6:1 diz que iremos até as pessoas, se elas foram pegas em pegado. Isto quer dizer que algum padrão ou comportamento negativo está envolvido. Não vá na primeira vez que você ver ou ouvir a pessoa fazendo algo errado. Quando você for, lembre-se dos princípios da gentileza e persistência de Gálatas 6 e Mateus 18. O propósito é a restauração do relacionamento.  Se você ouve algo ruim sobre outro crente, você deve tanto perdoar isto com amor ou ir até a pessoa diretamente antes de falar para os outros. A primeira coisa a fazer é simplesmente suspender qualquer julgamento.  A segunda coisa para fazer é perdoar em amor. A última coisa  é ir e falar com o ofensor relatado pessoalmente. O que você deve nunca fazer é  rejeitá-lo ou passar adiante o mau relato para os outros.

Conclusão

Relacionamentos irreconciliados dentro da igreja são inevitáveis porque a igreja é tão maravilhosa, uma comunidade criada sobrenaturalmente!

A razão pela qual existem tantas exortações no Novo Testamento para os cristãos amarem uns aos outros é porque… a própria igreja não é constituída por amigos naturais. Ela é composta de inimigos naturais. O que nos une não é nosso grau de escolaridade, raça comum, ou padrão de níveis de renda, ou posições políticas comuns, uma nacionalidade comum, ou sotaques comuns, ou empregos comuns, ou qualquer outra coisa (que liga a maioria dos outros grupos de pessoas juntas). Os cristãos andam juntos não por causa de uma colocação natural, mas porque todos eles foram salvos por Jesus Cristo e devem a Ele uma aliança comum. Sobre esta luz, nós somos um bando de inimigos naturais que amam um ao outro por causa de Jesus. Esta é a única razão porque João 13:34-35 faz sentido quando Jesus disse: “Um novo mandamento vos dou- que amai-vos uns aos outros como eu tenho vos amados”…O amor cristão vai se destacar e dar testemunho de Jesus, porque é uma visão, por amor de Jesus, do amor mútuo entre pessoas incompatíveis socialmente.

A razão pela qual  temos que nos fazer responsáveis por nossos relacionamentos é o amor mútuo numa comunidade cristã é super difícil. Jesus trouxe pessoas incompatíveis para viverem juntas” Mas a razão porque nós vamos  querer permanecer unidos no amor mútuo em nossos relacionamentos é que este amor dentro da comunidade cristã é uma das principais formas do mundo enxergar quem Jesus é. Então, nós devemos nunca desistir um do outro. Logo, temos que alcançar um ao outro em amor.

fonte:http://redeemercitytocity.com/library.jsp?Library_item_param=479

Direitos reservados- 2005- Timothy Keller – 2009 Redeemer City to City – Este artigo foi primeiramente publicado na conferência Gospel and Life de 2004 e 2005.


[1] Dietrich Bonhoeffer, Life Together (New York: Harper, 1954), 23, 25–26.

[2] Miroslav Volf, Exclusion and Embrace (Nashville: Abingdon, 1996), p. 124.

[3] D. A. Carson, Love in Hard Places (Wheaton, Ill.: Crossway, 2002), p. 83.

[4] Um grande livro sobre sobre relacionar-se com pessoas que estão frias e até hostis é “Bold Love” de Dan Allender e Tremper Longman (Colorado Springs: NavPress, 1992). Não deixe de ler..

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Vencendo com as pessoas

Para John Maxwell, a importância de relacionamentos é a seguinte:
"as pessoas podem creditar seus sucessos e fracassos aos relacionamentos que estabelecem na vida".


Ele coloca 25 princípios baseados em 5 critérios:

  • Questão da preparação: estamos prontos para relacionamentos?
  • Princípio do Leme: quem somos determina nossa maneira de ver os outros.

  • Princípio da Dor: pessoas más magoam as outras e são facilmente suscetíveis a sair magoadas.

  • Princípio do Martelo: nunca use um martelo para mater um mosquito na cabeça dos outros.
"Se a única ferramenta que se dispõe é um martelo, a tendência é a de considerar qualquer problema um prego" (p. 63)
  • Princípio do Elevador: em nossos relacionamentos, podemos fazer com que as pessoas se sintam pra cima ou pra baixo.
Certas pessoas agregam alguma coisa à vida- e nós a adoramos.
Certas pessoas subtraem algo da vida- e nós a toleramos.
Certas pessoas multiplicam algona vida- e nós a valorizamos.
Certas pessoas criam divisões na vida- e nós a evitamos.

Sêneca- Onde quer que haja um ser humano, há uma oportunidade de ser gentil.


  • Questão das Conexões: queremos mesmo concentrar nossos esforços nas pessoas?

  • Princípio do Panorama: toda população do mundo - com apenas uma exceção-é composta pelos outros.
  • Princípio da Troca de papéis: em vez de colocar cada pessoa em seu lugar, devemos nos colocar no lugar delas.
  • Princípio do Aprendizado: cada pessoa que encontramos tem potencial para nos ensinar alguma coisa
  • Princípio do Carisma: as pessoas estão interessadas em que se interessa por elas.
"Você pode fazer mais amigos em dois meses, ao ser interessado nas outras pessoas,, do que em dois anos, ao tentar fazer com que os outros se interessem por você" Dale Carnegie (p.119)

"Quando falamos de carisma, tudo se resume ao seguinte: a pessoa sem ele se aproxima do grupo e diz: aqui estou eu. A pessoa com carisma se aproxima do mesmo grupo e diz: Aí estão vocês. E qualquer um pode aprender isso". (p. 127)
  • Princípio Número 10: acreditar no melhor que as pessoas podem oferecer geralmente faz que elas ofereçam o melhor que as pessoas podem

  • Princípio da Confrontação: antes de qualquer confronto é preciso levar em conta as motivações da outra pessoa.
"a pessoa que dá opinião antes de entender o problema é humana, mas a pessoa que julga antes de entender o problema é tola" p. 147

  • Questão da Confiança

  • Princípio do Fundamento: a confiança é a base de qualquer relacionamento.
"Se alguém pede a você que o ajude numa mentira, não ache que essa pessoa deixará de mentir para você também quando for conveniente" (p.161)
  • Princípio da Circunstância: nunca permita que uma situação se coloque acima dos relacionamentos.
  • Princípio do Bob: quando o Bob tem problemas com todo mundo, ele é o problema.
"Seja quem for que me trouxer um problema precisa trazer junto três soluções possíveis para resolvê-lo" p. 181

"Quando uma pessoa negativa tenta jogar um problema sobre você, reaja de maneira positiva. Se ela fizer um comentário qualquer sobre uma situação, tente ver o lado bom da coisa. Se for sobre outra pessoa, chame a atenção sobre algum traço positivo que você observou" (p.183)
  • Princípio da Abordagem: ser uma pessoa em paz permite que os outros vivam em paz conosco.
"A gentileza é uma língua que até mudo pode falar e até um cego pode ouvir e compreender" p. 194
  • Princípio da Trincheira: numa batalha, cave um fosso tão grande que caiba um companheiro.
"No fim lembramos não as palavras de nossos inimigos, mas o silêncio dos amigos" Martin Luther King Jr. p. 205
  • Questão do Investimento.

  • Princípio da Jardinagem: cultive relacionamentos.
  • Princípio do 101%: descubra o 1% que concordamos e coloque 100% de esforço nele.
  • Princípio da Paciência:jornada com outros é mais lenta que a sozinha.
  • Princípio da Celebração: celebre as vitórias dos outros.
  • Princípio da Excelência: trate os outros melhor que eles te tratam.
  • Questão da Sinergia.

  • Princípio Bumerangue: quando ajudamos a alguém, estamos nos ajudando.
  • Princípio da Camaradagem: igualdade para sermos mais próximos.
  • Princípio da Parceria: trabalhar junto aumenta as chances de sucesso.
  • Princípio da Satisfação: nos grandes relacionamentos, a alegria de estar junto é suficiente.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Silencio de Adão

Silêncio de Adao

Larry Crabb, Don Hudson e Al Andrews

Editora Vida Nova


1ª. Parte: Algo sério está errado: o sonho se perdeu.

2ª. Parte: Algo vital está faltando: os problemas da comunidade masculina.

3ª. Parte: Algo poderoso está disponível: uma geração de mentores.


Cap. 1 Uma visão para os homens.

Os autores critica a troca religiosa por um deus conveniente, de utilidade imediata, ao invés de uma comunhão plena e solitária com Deus, nesse ponto os autores diz que: “o pecado mais duradouro na historia de Israel foi cometido pelo rei Jeroboao (veja 1 Reis 12, especialmente os vs. 26-33), que facilitou o culto das pessoas reduzindo Deus a uma divindade local, visível; e ele o fez simplesmente para promover suas próprias ambições. E funcionou. Ele conseguiu um grande numero de adeptos e reinou em Israel por vinte e dois anos” (pág. 34)

Os autores propõe que o livro seja um ponto de retorno aos caminhos antigos, “o que de fato precisamos é e reforma, aquela obra de Deus marcada por repetidos ciclos de quebrantamento, arrependimento, perseverança e gozo. Precisamos que Deus nos de poder para adentrarmos ao mistério dos relacionamentos num nível de conexão vitalizadora que o entusiasmo e os lemas jamais podem produzir. Precisamos abandonar-nos a Cristo de uma forma que libere tudo que o Espírito colocou dentro de nós” (pág. 42).



Cap. 2 Homens viris e homens pouco viris.

A masculinidade é definida “como uma energia – um impulso natural dentro do coração de todo homem, um poder e um ímpeto de mover-se na vida de um modo particular” p. 47


Há três espécies de homens não-autenticos:

Controlador- impessoalmente poderoso.

“o homem pouco viril controla as conversas, ele manipula a família e os amigos; arranja sua vida de modo a evitar qualquer coisa que não esteja certo de poder enfrentar”


Destrutivo- ou perigoso.

“suas palavras e ações prejudicam as pessoas, embora os colegas possam sentir-se encorajados e desafiados por algum tempo. Os membros de sua família sentem os danos mais cedo e mais profundamente mas, geralmente, estão apavorados demais para admitir isso, mesmo para si próprios” (p. 48)


Egoísta – comprometido, acima de tudo, a sentir-se de certa maneira sobre si mesmo.

“ a despeito da bondade e de uma generosidade por vezes extravagante, um compromisso final com seu proprio bem-estar claramente no frigir dos ovos” p. 49.


Impotência.

"Os homens pouco viris são atormentadospela possibilidade de acontecer algo que não consigam resolver, algo que exija que eles entrem em território desconhecido, onde sua adequação não foi provada, onde seus talentos comprovados podem ser inúteis" (p. 50) Para esconder a sua impotência, os homens impotentes encontram algo que possam controlar, algo que possam operar bem, e evitam aquilo que temem(...) Os homens impotentes passam a vida controlando algum resultado e iludindo-se em pensar que isso importa" (p.51).


Zangados

Quando o homem não está experimentando o gozo que somente a liberação de energia masculina pode criar, ele é atraído parao prazer do poder. Os homens destrutivos não são viris: estão loucos com a energia da masculinidade distorcida; estão cheios de julgamento vingativo contra todos, menos com eles próprios" (p.53)



"Quando a energia masculina não é liberada, quando é suprimida ou distorcida, os homens: 1.sentem-se impotentes- por isso compensam, dedicando-se a controlar alguma coisa. tornam-se homens agressivos. . Experimentam fúria e se convencem de que a vingança lhes é devida. Tornam-se homens abusivos. 3. Vivem com um terror para o qual não há solução ou escape, apenas alívio. Eles atenuam o terror com prazer físico e tornam-se homens viciados" p.54


Capítulo 3- Teologia da Receita.

Neste capítulo Larry Crabb et all, volta a bater na teoria causalista da chamada teologia da receita, faça isso e obtenha aquilo. A solução não será tão simplista assim:

"O centro da teologia transcendental é Deus, Seu caráter e propósitos. O centro da teologia da receita é o homem, suas necessidades e bem-estar"
(p. 60)

"Hoje os dois maiores tópicos dentro da teologia da receita são: solucionar problemas (o chamado para a cura) e cumprir responsabilidades (o chamado à obediência)" (p. 64)

"Precisamos retornar a uma teologia transcendente que nos capacite a adentrar a escuridão, onde Deus faz a Sua obra mais profunda. Precisamos aprender o que significa entregamo-nos a Deus e a nos relacionarmos poderosamente com os outros. issso exigirá que entremos na esfera escura do mistério" p. 67


Capítulo 4. Adentrando a Escuridão.

À procura de uma solução mais profunda e duradoura, os autores nos convidam a vasculhar nossos porões mais secretos e ir atrás das reais motivações para entender o que nós somos, qual a nossa real masculinidade. Pra sermos homens de verdade, temos que evitar as soluções facéis da teologia da receita e ir caminhar na escuridão, e lá buscar discernir a real voz da masculinidade.


Capítulo 5. De Caos em Caos

Os autores definem o caos como "aquela escuridão que paira sobre nós todas as vezes que conversamos com nossas esposas, trabalhamos em nosso emprego, pagamos nossas contas e tentamos enxergar sentido em nossas vidas" e também, como a mesma escuridão "que entra na vida de todo mundo- intrometeu-se no mundo desse homem, e ele se voltou para algo que ajudava, algo que parecia natural-" (p.83)


Os autores fazem um panorama de algumas histórias da criação- grega e babilônica- dizem que esta se caracteriza pela lascívia e ira. Sob a história hebraica-cristã traçam algumas diferenciações:

"O cristianismo começa com Deus, não com o homem. Somos feitos à Sua imagem. Ele é o nosso ponto de referência". (p. 89)

"Adão e Eva deviam cultivar e guardar o jardim; isto é, eles foram chamados para proteger e nutrir. Força, o oposto de violência, esta no homem para guardar os relacionamentos, não para destruí-los. Intimidade, o oposto de lascívia, está no homem para nutrir as pessoas, não para usá-las em seus desejos egoístas"
(p.90).

Na mesma página, os autores concluem tal insight brilhantemente:
"Quando o homem adentra o mistério da vida com fúria e lascívia, ele vive como os pagãos vivem. Acha que não há esperança em Deus. Deus está ausente. Deus está calado. O homem não sabe o que fazer com a confusão de sua vida, portanto ele busca a fúria e a lascívia"


Capítulo 6. Um Chamado a ser lembrado.
A função da lembrança daquilo que Deus quer para nós, o que é masculinidade no projeto divino, a lembrança desse propósito eterno é a raiz que liberta para uma hombridade real. Sobre a função da lembrança, os autores relembram que "somos aqueles que se lembram. Somos criados para nos lembrar das palavras de Deus e da obra de Deus. Os homens são chamados a se lembrar de Deus contando fielmente aos outros quem Ele é e o que tem feito" (p. 97).

Capítulo 7. Ele estava lá e se calou.



sábado, janeiro 26, 2008

Na Praia por Ian McEwan



"Eram jovens, educados e ambos virgens nessa noite, sua noite de núpcias, e viviam num tempo em que conversar sore as dificuldades sexuais era completamente impossível. Mas nunca é fácil"

Assim, começa o novo livro de Ian McEwan com 4 palavras acrescidas ao parágrafo de início, que serão o tema de todo o livro, sobre a não facilidade do encontro entre duas pessoas, histórias e dores que como a areia da praia de Chesil Band se encontram para formar o cenário da ficção real de Ian McEwan.

As diferentes perspectivas e expectativas do amor, num tempo em que ainda havia pureza e asco mostram para nós: que isso nunca é ou será fácil.

Ian McEwan é um mestre em descrever a natureza tulmutuosa humana, os enrubecimentos e desjeitos da carne em sua negação de toda a hipocrisia. Ele descreve um Edward ávido pra ter para si a mulher mais inteligente que já encontrou, possuí-la e Florence uma mulher ansiosa pelo asco de ser invadida por outro pode causar e perturbada por ter sensações e movimentos num corpo que ela desconhecia.



"Seu casamento tinha oito horas, e cada uma delas fora um peso nas suas costas, tanto maior por ela não saber cmo lhe descrever esses pensamentos. Então, o dinheiro teria de servir como assunto- na verdade, veio a calhar, já que agora ela estava inflada" (pág. 113)

A historia de McEwan, está ambientada na praia de Chesil no período de 1962, antes da revolução sexual. Um casal recém-casado termina seu jantar na costa de Dorset e se antecipam a sua primeira noite de lua de mel com não tanta doçura.


Edward é tímido, inexperiente e nervoso. Ele tem perder seu auto-controle Florence vê o evento se aproximando com repulsa e medo, sua instrução para noite é um guia cheio de lustração, pontos de exclamações e que servem para aumentar a apreensão e repulsa.




McEwan transforma essa cena simples da vida matrimonial num tratado sobre o relacionamento



"Tudo aquilo que ela precisava era da certeza do amor dele, e da sua garantia de que não havia pressa, pois tinham a vida toda pela frente. Amor e paciência- se pelo menos ele tivesse conhecido ambos ao mesmo tempo- certamente os teriam ajudado vencer as dificuldades. E que dizer das crianças que poderia ter se tornado sua filha querida? É assim que todo o curso de uma vida pode ser desviado- por não se fazer nada. Na praia de Chesil, ele poderia ter gritado o nome de Florence, poderia ter ido atrás dela. Ele não sabia, ou não teria querido saber, que, enquanto ela fugia, certa na sua dor de que o estava perdendo, nunca o amara tanto, ou mais desesperadamente, e que o somo da voz dele teria sido seu resgate, e que ela teria voltado atrás. Em vez disso, ele permaneceu num silêncio frio e honrado, na penumbra de verão, a observá-la em sua precipitação ao longo da orla, o som do seu avanço difícil perdendo-se entre os das pequenas ondas a quebrar na praia, até ela ser apenas um ponto borrado, desaparecendo na estrada estreita e infinita de seixos sob a luz pálida" pag. 128




Ian McEwan
Na Praia - On Chesil Beach-
Cia. das Letras
R$ 31,00 (carrefour)





Entrevista de Zadie Smith com Ian McEwan.


Zadie Smith
[ENGLISH NOVELIST, BORN 1975]
TALKS WITH
Ian McEwan
[ENGLISH NOVELIST, BORN 1948]
“I WAS MAKING A STRENGTH OUT OF A KIND OF IGNORANCE. I HAD NO ROOTS IN ANYTHING AND IT WAS ALMOST AS IF I HAD TO INVENT A LITERATURE.”
Aspects of the “English Novel” to avoid:
Polite, character-revealing dialogue
Lightly ironic ethical investigation
Excessive amounts of furniture
I have often thought Ian McEwan a writer as unlike me as it is possible to be. His prose is controlled, careful, and powerfully concise; he is eloquent on the subjects of sex and sexuality; he has a strong head for the narrative possibilities of science; his novels are no longer than is necessary; he would never write a sentence featuring this many semicolons. When I read him I am struck by metaphors I would never think to use, plots that don’t occur to me, ideas I have never had. I love to read him for these reasons and also because, like his millions of readers, I feel myself to be in safe hands. Picking up a book by McEwan is to know, at the very least, that what you read therein will be beautifully written, well-crafted, and not an embarrassment, either for you or for him. This is a really big deal. Bad books happen less frequently to McEwan than they do to the rest of us. Since leaving the tutelage of Malcolm Bradbury and Angus Wilson on the now famous (because of McEwan) University of East Anglia creative writing course, McEwan has had one of the most consistently celebrated careers in English literature. We haven’t got space for it all here, but among the prizes is the Somerset Maugham Award in 1976 for his first collection of short stories, First Love, Last Rites; the Whitbread Novel Award (1987) and Prix Fémina Etranger (1993) for The Child in Time; he has been shortlisted for the Booker Prize three times, winning the award for Amsterdam in 1998. His novel Atonement received the WH Smith Literary Award (2002), the National Book Critics Circle Fiction Award (2002), the Los Angeles Times Book Prize for Fiction (2003), and the Santiago Prize for the European Novel (2004). He’s written a lot of good books.

Because of the posh university I attended, I first met McEwan many years ago, before I was published myself. I was nineteen, down from Cambridge for the holidays, and a girl I knew from college was going to Ian McEwan’s wedding party. This was a fairly normal occurrence for her, coming from the family she did, but I had never clapped eyes on a writer in my life. She invited me along, knowing what it would mean to me. That was an unforgettable evening. I was so delighted to be there and yet so rigid with fear I could barely enjoy it. It was a party full of people from my bookshelves come to life. I can recall being introduced to Martin Amis (whom I was busy plagiarizing at the time) and being shown his new baby. Meeting Martin Amis for me, at nineteen, was like meeting God. I said: “Nice baby.” This line, like all conversation, could not be rewritten. I remember feeling, like Joseph K., that the shame of it would outlive me.

I didn’t get to speak with McEwan that night—I spent most of the party hiding from him. I assumed he was a little annoyed to find a random undergraduate he did not know at his own wedding party. But I had just read Black Dogs (1992)—that brilliant, flinty little novel, bursting with big ideas—and I was fascinated by the idea of an English novelist writing such serious, metaphysical, almost European prose as this. He was not like Amis and he was not like Rushdie or Barnes or Ishiguro or Kureishi or any of the other English and quasi-English men I was reading at the time. He was the odd man out. “Apparently,” said my friend knowledgeably, as we watched McEwan swing his new wife around the dance floor, “he only writes fifteen words a day.” This was an unfortunate piece of information to give an aspiring writer. I was terribly susceptible to the power of example. If I heard Borges ran three miles every morning and did a headstand in a bucket of water before sitting down to write, I felt I must try this myself. The specter of the fifteen-word limit stayed with me a long time. Three years later I remember writing White Teeth and thinking that all my problems stemmed from the excess of words I felt compelled to write each day. Fifteen words a day! Why can’t you write just fifteen words a day?

Ten years later, less gullible and a writer myself, it occurs to me that my friend may have fictionalized the situation a little herself. An interview with McEwan himself, like the one you are about to read, was of course the perfect opportunity to settle the matter, but it’s only now, writing the introduction after the fact, that I remember the question. I do not know if Ian McEwan writes fifteen words a day. However, he was forthcoming on many other interesting matters. McEwan is one of those rare novelists who can speak with honest perspicacity about the experience of being a writer; it is a life he openly loves, and talking to him about it felt, to me, like talking with an author at the beginning of their career, not at its pinnacle. The fifteen-word thing may indeed be a red herring, but my friend had intuited a truth about McEwan: he is not a dilettante or even a natural, neither a fabulist nor a show-off. He is rather an artisan, always hard at work; refining, improving, engaged by and interested in every step in the process, like a scientist setting up a lab experiment.

We did this interview in McEwan’s house, which is Dr. Henry Perowne’s house in the novel Saturday (2005). It is a lovely Georgian townhouse that sits in the shadow of London’s BT Tower. From the balcony of this house Perowne sees a plane on a crash trajectory, its tail on fire. It is a perfect McEwanesque incident.

—Zadie Smith

*

ZADIE SMITH: ... there’s a paragraph in Saturday about surgery, apparently, but it seems to me to be about writing.

IAN McEWAN: Oh, well done.

ZS: I read it and thought it can’t be about anything else. You know the paragraph I mean? “For the past two hours he’s been in a dream of absorption”—it’s such an exact description of what it’s like to write when it’s going well. And my favorite line is when you talk about him feeling “calm and spacious, fully qualified to exist. It’s a feeling of clarified emptiness, of deep, muted joy.” The events you put next to it, as comparative experiences—the lovemaking and listening to Theo’s song—are two human states which are often advertised as bringing similar pleasure: basically, personal relations and art. But the book seems to suggests that there is a deeper happiness that one can only find in work, or at least, creative work. And I felt that joy coming off the book in every direction. Joy at being a writer!

IM: I’m glad that you found that paragraph. I knew I wanted to write a major operation at the end but it would really be about writing, about making art. So it starts with him picking up a paintbrush. Or rather, I was so sure, when I went for the operation, that Neil Pritchard, the surgeon, when he paints the marks on the patient, was using a two-inch paintbrush. And when I sent him the last draft, just to check it one last time he said, “I don’t use a paintbrush,” and I said, “But surely surgeons do,” and he said “No, no.” I was so disappointed personally. He dips the paintbrush in yellow paint and as the Aria of the Goldberg Variations starts, he makes his first stroke and it is a moment of artistic engagement… But very, very reluctantly I had to replace it with a sponge on a flap.

ZS: The joy of the extended analogy is that it allows you to write about writing as work. Usually when you read books about being a novelist, all you really get is the character at lunches and his publishing routines, and that’s nothing to do with the process of writing. It’s so hard to sit down and write about that procedure, but I feel that metaphorically it’s done here.

IM: The dream, surely, Zadie, that we all have, is to write this beautiful paragraph that actually is describing something but at the same time in another voice is writing a commentary on its own creation, without having to be a story about a writer.