Mostrando postagens com marcador Salvação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Salvação. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, julho 27, 2011

Levy da Costa Bastos: Caminhos da Salvação.

Jurgen Moltmann é o teólogo da esperança em meio ao sofrimento, da escatologia, em dias de tanto sofrimento sem explicações, sua teologia ganha espaço no Brasil.  Neste livro, Bastos analisa a obra de Moltmann a respeito da salvação e seus caminhos.

“Quando aqui se afirma a existência dos caminhos da salvação o que se pretende realçar é simplesmente que, partindo de uma experiência salvadora com Deus, o individuo crente é convocado a dar expressão para este acontecimento redentor sob diversas formas ao longo de sua vida” p. 11

O primeiro capitulo da historia da redenção começa com a criação, Bastos busca mostrar a partir de Moltmann como se deu a expressão do amor divino na criação.

“Em volta deste desígnio criador Divino, podemos afirmar que o ser humano (todo ser humano) está vocacionado por Deus a intervir na historia e na criação, tornando-se parceiro de Deus, visto que a criação ainda não encontrou sua consumação. Isto demanda, por outro lado, rompimento com  o principio do eterno retorno (Eliade)” p. 18

“A criação teve seu ponto inicial no ato Trinitário Divino, na Palavra criadora de Deus, que do nada fez tudo existir, mas não se esgota nisso. Ela acontece ainda agora e para isso o ser humano redimido é convocado a tomar parte. Este fato nos serve de analogia da forma como acontece a salvação. Ela é um acontecimento sinérgico. Começa sempre com Deus, por meio da sua graça infinita e imerecida, mas pressupõe uma resposta sempre criativa e responsável da pessoa humana (Ef. 2,8-10)” p. 19

Quanto as atitudes dos fieis em relação a criação...o autor diz “o ser humano não foi vocacionado por Deus para estar fechado ou fixo em si mesmo, mas aberto às novas possibilidades  que lhes estao sendo prometidas pela Palavra Divina. Ele é um ser de vocação transcendente a si mesmo, de vocação decisivamente escatológica, tendo no Espírito Santo o operador dessa transcendência e na Palavra de Deus a causa instrumental fundamental. Por meio destes fatores se vê impelido e convocado como uma nova criação de Deus. O ser humano não é, assim, um sub-sistente, mas um ek-existente, isto é, não sendo um ser fixo e imutável estará sempre em processo aberto , de devir – in fieri-, de metamorfose –Rm 12,1-2-. O ser humano é  de fato um ser inacabado” p. 21

Capitulo 2 – um novo nome para a salvação.

O novo nome é a doutrina da justificação pela fé. Trata-se de um belo capitulo onde o autor analisa as diferentes concepções do tema, desde Tiago, Lutero e Concilio de Trento, vale uma leitura para quem se interessa pelo assunto.
Sobre o conceito paulino, o autor diz
“a justificação é compreendida por Paulo como um evento em que os crentes são declarados livres da culpa do pecado, e mais do que isso, são tambem habilitados a vencer a força com que o pecado os assedia” p. 30
“A centralidade da cruz de Cristo na teologia paulina expressa-se como sinal de humilhação e fraqueza Divinas. Na cruz de Cristo, o Deus trino se apropriou graciosamente de todos os pecadores. Isto permite concluir que ninguém é indigno, sem valor ou tão distante de Deus, que não possa ser alcançado por seu amor redentor” p. 31
 “A experiência de ser justificado por Deus se da única e exclusivamente por meio da fé em Jesus Cristo. Por meio de uma confiança total e exclusiva na graça de Deus – Rm 3,26;28;5,1;Gl 2,16). Por meio de Cristo, sua vida, morte  e ressurreicao, Deus Pai permite aos seres humanos experimentarem sua salvação –Rm 3,5ss -. A despeito da situação de alienação do gênero humano, Deus lhe faculta o exercício de uma fé confiante, por meio da qual ele entre em uma nova relação com Deus e recebe novidade de vida – Rm 5,17ss-. Em terminologia paulina, justificação é uma nova criação pela ação do Espírito. A justificação é, assim, o penhor da absolvição final de Deus e o começo de uma nova vida” p. 33
                


A seguir, o autor prossegue analisando a doutrina da justificação em Tiago, Martin Lutero e no Concílio de  Trento. Sobre Lutero, ele diz:


"a fé  que realmente justifica, não é um assentimento intelectual  a certas verdades - assensus- mas um entregar-se confiante a Deus com compromisso, uma auto-doação (fiducia) .... No ato de crer, o ser humano  devencilha-se de seu isolamento pessoal e, vocacionado pela Palavra de Deus, se abandona em Seus braços, tornando-se um com Ele, contudo, sem se perder como pessoa .... Desde, então ele passou a defender a tese de que a justificação é um ato motivado exclusivamente no amor de Deus por meio do que a justiça de Cristo é imputada aos que crêem" (p. 39) " O evangelho revela-se como um instrumento, por meio do qual Deus cria e opera um desejo incontido no coração do homem de honra-Lo e obedientemente servi-Lo. O evangelho é a única força que permite ao ser humano ser liberto de si mesmo, de sua auto-justificação" (p. 42)
O concílio de Trento "não tratou especificamente da doutrina da justificação, mas pode-se dizer que esta foi uma de suas mais fortes questões motivadoras. Se por um lado a fé reformada preconizava o não cancelamento dos pecados, a fé católica afirmou o verdadeiro cancelamento dos pecados no ato da justificação. Para Trento, a justificação também se mescla com a santificação o que o Cristianismo da Reforma negou com veemência. p. 47

a conclusão do autor é que

"A justificação deveria ser, então, interpretada escatologicamente, pois isto permitiria superar o que fosse passado e fazer surgir a Nova Criação de Deus. Em um contexto cmo este, o mundo seria recebido não obstante suas contradições e ambiguidades internas, como um presente de Deus, como boa obra da criação a ser continuamente recriada no poder do Espírito de Deus" p.51

"O evento Cristo - sua vida, morte e ressurreição- aponta para uma forma de compromisso com a vida que determina a existência dos justificados. Na sua cruz, Ele assumiu as fragilidades e pecados humanos, tornando-se abandonado por Deus. Na sua morte de cruz fica explicitada não somente o seu compromisso com a libertação da vida no mundo, mas a solidária proximidade Divina com todos os pecadores e crucificados do mundo" p.  54

No capítulo 3, chamado PARA QUEM ESTÁ A ESCUTA DE DEUS, o autor desenvolve uma abordagem prática da esperança numa pneumatologia marcada pela libertação da opressão.

"Uma pneumatologia integral. ...



domingo, outubro 10, 2010

Edmund Clowney: Quando Deus desceu Gn. 28:10-22


No capítulo 5 do livro Preaching Christ in All Scripture, Ed Clowney vai comentar a passagem da escada de Jacó. Ele está correndo a fúria assassina do seu irmão, Esaú, apesar da profecia Isaque preparou para dar a bênção da primogenitura para Esaú. Sob a direção de sua mãe, Jacó enganou seu pai e recebeu a bênção destinada a Esaú, este o ameaçou de morte, assim Jacó partiu para Haram, terra do seu tio Labão.

A Escada de Deus: a intervenção de Deus confirma sua aliança.

Jacó desejava receber a benção do Senhor. Ele não estava, contudo, numa peregrinação em busca do Senhor. Ao invés disto, ele estava a caminho de deixar a terra da promessa. A bênção de Isaque tinha dado a ele falava das ricas colheitas da terra, como também sobre ele governar sobre seus irmãos. Mas, o que dizer sobre esta bênção quando ele está deixando a terra da promessa de Deus?

A maioria das pessoas acreditam que a religião como a busca do homem por Deus. Na realidade, as religiões proporcionar meios de fuga de Deus. Ele pode ser promovido a um Deus superior, de modo que religião tribal pode adorar espíritos das árvores ou dos leopardos. O Deus da Bíblia, porém, é o Deus que nos procura. Deus que toma a iniciativa. Ele se revelou a Jacó. Ele chamou a Adão e Eva no jardim, a Noé antes do dilúvio, e Abraão na grande cidade de Ur. Agora, ele chamou a Jacó, para dar-lhe a sua promessa.

Na visão dada por Deus, Jacó viu o céu aberto. Um escada foi colocada na terra e o topo alcançava o céu. A escada não é aquela do pintor de casa, a palavra hebraica usada em Gn. 28:12, supõe uma estrutura de pedra, como o aterro de uma rodovia. Uma escada desta magnitude requeria uma grande massa de alvenaria para suportá-la. Nós podemos talvez supor que esta escada se parece com os zigurates que os arqueologistas acharam na Mesopotania. Como na Torre de Babel, é dito lá que os construtores planejaram que ela fosse alcançar o céu- Gn.11:4- Deus desceu em julgamento sobre a torre do orgulho do homem, contudo no sonho de Jacó, Deus desce em graça. Os anjos descendo e subindo revelam uma comunicação aberta entre o céu e a terra.

O clímax da visão é que Deus desceu a escada para ficar diante de Jacó. Deus parou não apenas no topo da escada, mas veio ao encontro de Jacó. Nós sabemos isto a partir da segunda aparição de Deus para Jacó em Betel. Onde diz “Deus se retirou dele, elevando-se do lugar onde lhe falara” Gn. 35.13. De acordo com o texto bíblico, Deus desceu para ficar ao lado de Jacó.

Diante de Jacó, o Senhor assegura a ele o propósito de sua aparição. Ele é o Deus do passado, do futuro e do presente. Ele é Senhor do passado, Deus dos pais, Abraão e Isaque. Ele é o senhor do futuro, está confirmando suas promessas. Ele é o Senhor do presente, por que ele diz:

Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência.A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referi Gn. 28:13-15

As promessas de Deus para nós não são menos seguras, Jesus vai estar conosco através da presença do Espírito Santo. Ao contrário de alguns evangelhos de sucesso, porém, o Senhor não nos promete riqueza terrena ou enormes terras. Ele nos ensina a orar pelo nosso pão diário, não para a riqueza terrena. E as bênçãos de Jesus incluem perseguição para o louvor do Senhor.

A Casa de Deus: A presença de Deus efetiva a aliança.

Apesar de Jacó ter visto a Deus numa visão, a realidade da promessa não o deixou com dúvidas. Esta terra em que ele estava era a terra da promessa. Betel, a casa de Deus, era a porta dos céus. Esta escada não é outra Babel, mas uma casa e cidade de Deus. Deus irá, de fato, estabelecer Jerusalém como a sua morada entre os povos. Como o escritor dos Hebreus observou, aqueles que, como Jacó, acreditaram, desejavam uma cidade melhor, celestial Hb. 11:13-16.

Pela manhã, Jacó não se viu cercado por uma propriedade, mas estava em Betel, a casa de Deus, o portão dos céus. Betel permanece entre a maldição de Babel e a bênção do Pentecoste.

O Senhor de Betel.

Jesus iluminou a significância desta passagem para nós quando ele aludiu a ela no chamado de Natanael. João recorda que o chamado de Jesus para seus primeiros discípulos, Ele encontrou Felipe, e disse: me segue. Felipe era de Betsaida, uma cidade no lago da Galiléia, Filipe seguiu a Jesus, e encontrou Natanael, que também era de Betsaida, as palavras de Felipe foram: havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José – Jo. 1,45

Natanael não ficou impressionou, retorquiu dizendo se poderia vir algo bom de Nazaré. Ao que Felipe replicou, venha e veja. Jesus reconhecia que Jacó tinha praticado engano. O nome de Jacó é próximo da palavra “calcanhar” em hebraico, descreve Jacó como puxador de calcanhar, tentando suplantar Esau, mesmo em seu nascimento. Deus tinha dado o nome de Israel para Jacó, aqui temos um descendente de Jacó mais merecedor deste nome.

Natanael ficou surpreso e perguntou a Jesus: Como você me conhece?

A resposta de Jesus poderia parecer talvez comum: Antes de Felipe te chamar, quando você estava debaixo da figueira, eu vi você.

Contudo, a reação de Natanael foi extraordinária: Rabi, você é filho de Deus. Você é o rei de Israel.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Tim Keller: Esperança para sua vida


1 Pedro 1:1-13: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós,  Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo, Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar.
Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo;
Estamos numa época em olhar o que podemos ser como uma igreja comunitária na cidade. Nós estamos procurando em nossa visão, em nosso chamado- e em cada um dos aspectos-chave da visão tem sempre algo que o evangelho modifica tudo.
Em 1 Pedro 1:3-13 nós temos um dos meios mais fundamentais no qual o evangelho transforma a vida  e  o coração individualmente. É neste importante e bem conhecido ponto - “segundo a sua grande misericórdia, nos deu o novo nascimento”. Nascer de novo- é uma das principais formas pela qual o evangelho nos transforma.
Nós estamos imediatamente em desvantagem aqui, porque em nossa cultura o termo nascer de novo tem uma conotação que está muito distante do que o que a Bíblia queria dizer por isto. Então, nós estamos tendo que fazer um esforço especial para  atentar-se ao texto e perguntar: “qual era o sentido antigo? Qual é sentido que prevalece? O que é o real significado de ser nascido de novo? Por que se você quer entender como o evangelho afeta tudo, você tem que entender isto.
Eu gostaria de mostrar cinco coisas. Existem cinco coisas que nós aprendemos acerca do novo nascimento: sua necessidade, sua fonte, sua natureza, seu crescimento e como ele começa e se processa.
A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO.
Uma pequena palavra é muito significativa, e você talvez não considere as implicações dela a menos que nós façamos isto juntos. Ela diz. “Em sua grande misericórdia, ele nos tem dado o novo nascimento”. Para quem Pedro está falando? Ele está escrevendo para a igreja, para um grupo de crentes, e ele não diz: Em sua grande misericórdia, ele tem dado a alguns de nós uma experiência particular. Ele diz-nos- nós. Isto significa que ele está assumindo quem é um cristão tem a experiência do novo nascimento. João em suas Cartas, Paulo em suas Cartas, Pedro aqui, Tiago no primeiro capítulo de sua carta, até mesmo Jesus, quando falava com Nicodemos no capítulo 3 do evangelho de João- todos estes escritores (que são quase todo panteão de escritores e fontes do Novo Testamento) dizem que se você é um cristão, sobretudo, você precisa nascer de novo.
A conotação do crente nascido de novo hoje significa um tipo particular de cristão- particularmente uma espécie cristã conservadora, ou um tipo particular de cristão emocional, ou alguém que teve uma dramática experiência de conversão. Contudo, isto mostra, e em todo lugar no Novo Testamento isso é demonstrado, que não é algo para certos tipos de pessoas, para certos temperamentos, para alguns ramos de cristãos. Como Jesus disse, se você quer ser cristão, você deve nascer de novo (Jo. 3:7).
A pessoa que coloca esta verdade de maneira mais forte é Jesus mesmo, porque no capítulo 3 de João, ele encontra um homem chamado Nicodemos. Nicodemos é um membro do Sinédrio, e isto representa que ele era muito bem sucedido na vida, rico, um pilar da comunidade. Nós também saímos que ele era um modelo de excelência moral e obediência religiosa. Ele sabia as escrituras (cf. Jo 3:10), e ele tinha sido um observador completo das leis de Deus.
Acima de tudo, Nicodemos, um líder religioso em Israel, está aberto para Jesus. Aqui é Jesus- um homem jovem que surge sem credenciais, sem ‘background”- e ele começar a ensinar as coisas espirituais. A maioria da classe que Nicodemos era membro não queria nada com Jesus, mas Nicodemos vem a Jesus e diz Rabi (um termo de respeito), eu gostaria de aprender com você. Vamos falar sobre o reino de Deus (Jo. 3:2).
Aqui é sobre como um homem bom como você pode perguntar. Aqui está um homem, que, no topo de sua excelência moral, sua excelência religiosa e sucesso na vida, é humilde e está aberto para Jesus. O que mais ele poderia querer? Ele inicia dizendo a Jesus, Vamos falar a respeito do reino de Deus. “Eu gostaria de aprender com você” e Jesus imediatamente diz- “bang”- “Você deve nascer de novo para ver o reino de Deus” (vs.7). Jesus não diz a Nicodemos, “Olhe, como você tem sido tão bom como nós, e você precisa ser finalizado. Você precisa de um acabamento. Você tem tido um grande começo, e eu posso ajudar a completar você”. Oh! não. Você precisa nascer de novo significa que você tem que começar de novo. Você precisa ser completamente convertido. Nada que você fez conta afinal. Você tem que começar como um bebe espiritual. Você precisa nascer de novo!
O que isto significa? Se Nicodemos tem que nascer de novo, todo mundo tem que nascer de novo. Quando Jesus diz que você deve nascer de novo, ou quando Pedro diz que precisamos do novo nascimento (1 Pe 1:3), isto não é um chamado para a moralidade ou religiosidade. Isto é um desafio à moralidade e à religião. É como dizer para uma pessoa como Nicodemos que o que você realizou não foi suficiente- isto não te ajudará em nada. Você precisa nascer de novo.
Esta é  a necessidade. E não importa que personalidade você tenha, não importa qual é seu tipo, não importa que partido que você vota nas eleições, não importa de que classe de pessoa, etnicidade ou temperamento- você precisa nascer de novo se você quiser ser um cristão, se você quer ter um relacionamento com Cristo. Esta é a mensagem do Novo Testamento.
A FONTE DO NOVO NASCIMENTO.
O versículo 3 diz: Em sua grande misericórdia, Jesus tem dado para nós o novo  dentro de uma viva esperança. Toda esta série de sermões é sobre esperança, e ainda assim, nós não iremos muito adiante procurando o que é a esperança, porque nós estamos tocando neste assunto quase todas as semanas. Contudo, o que é importante é reconhecer que nós estamos falando aqui isto é a esperança- a viva esperança que Deus nos deu- que tem um maravilhoso efeito em nós que podemos chamá-la assim.
Esperança significa isto: os seres humanos são absolutamente moldados pelo seu entendimento do futuro. O que você acredita sobre o futuro molda completamente o como você vive agora.  Um exemplo isto é um livro que foi escrito há mais de dez anos atrás. Ele não teve muita atenção, mas é um livro muito bom por Andrew Delbanco, que é um professor bem proeminente na Universidade de Columbia. Ele escreveu uma pequena história da cultura americana, uma coisa bem ambiciosa de se fazer. Ele se chama  The Real American Dream: A Meditation on Hope[1], porque ele diz que o coração de qualquer cultura coesa- a coisa que faz uma cultura diferente de outra cultura qualquer- é a esperança no coração dela.
Delbanco diz estas coisas na introdução: Esperança é a “nossa forma de superar a suspeita oculta de que todos nossos ganhos  e quantias gastas para nada mais nos incomodar enquanto esperamos para morrer[2]. É sua vida absolutamente sem sentido? Se não, isto é porque você tem esperança; de outra forma, seria sem sentido. Então o que é esta esperança? Ele vai adiante e diz que o filósofo Michael Oakeshott concluiu “esperança depende de encontrar algum fim para ser perseguido  mais duradouro que um desejo de um simples instante[3]. Em outras palavras, você deve ter algo mais importante que você mesmo e seus desejos egoístas para viver para e sacrificar por isto, ou você não tem esperança. E ele diz, “A premissa deste livro é que os seres humanos precisam organizar - suas vidas-.. dentro da história… que nos dará esperança… Sem tal coisa estruturada pela qual a esperança é expressa, poderia ser como antropologista Clifford Geertz colocou,” um tipo de monstro sem forma com nenhum senso de direção nem poder de autocontrole, um caos de emoções vagas[4].
Clifford Geertz foi um sujeito muito interessante, ele era um antropologista muito proeminente. Ele diz que se você não tem esperança, se você não tem nada maior que seus próprios desejos e necessidades egoístas que você vive para- por alguma coisa você está se sacrificando, por algo maior que você mesmo-  você não tem nenhuma esperança. Ele diz que você não tem nem senso de direção nem poder de autocontrole, e você está num caos de emoções vagas, que representa que você não tem qualquer tipo de emoções fortes, sobretudo. Você não ama realmente nada. Você não odeia realmente nada. Você não fica triste sobre nada.
Apenas para provar que Clifford Geertz está totalmente certo, eu estava lendo uma crítica de um novo musical que está se apresentando em Berkeley (que estava no New York Times de ontem) chamado de American Idiot[5]. Ele é baseado numa musica da banda de rock Green Day. A crítica diz que esta é descrição da nova geração americana: ”chateada, insatisfeita, cínica sobre seu próprio cinismo”. A linha do coro de uma canção é “eu não me importo se você não se importa” e “Este tipo de coro tipifica a atitude defeituosa da vida no século 21 na América. Crescida em frente de telas incandescentes, sua experiência é mediada pela tecnologia, eles abdicaram da responsabilidade mesmo quando os afeta, e esperam que todo mundo se sinta da mesma forma... A geração deles mistura as palavras e não as usam com qualquer graça ou convicção em particular”.
O arco histórico (através do qual o crítico diz que a música é grande) é um bando de pessoas que basicamente não tem razão para viver além dos seus desejos imediatos,  então eles gastam anos e anos de sua vida. Ele diz por que eles não têm esperança agora (porque não tem nada para viver mais do que seus próprios desejos), o único relacionamento que realmente funciona é a relação entre o personagem principal e sua guitarra maneira.
Estou lendo a crítica, e me mantenho pensando, como temos um arco histórico? Como a história termina? O crítico diz “estou afligido pelos prospectos dos americanos do século 21”, e no final, quando o personagem principal volta para casa ”sem nada para mostrar pelos anos de busca ansiosa”, sobretudo, “eu foi movido para soar uma variação da piada de Woody Allen… a única coisa mais triste que desperdiçar sua juventude é não desperdiçá-la”.
O ponto é que se você está atualmente numa vida desperdiçada, sem esperança, e não está em cena para cantar sobre isto e tendo aplausos, isto é o inferno. Se você não tem esperança, não há nada que te possa mover nisto. Você não pode mudar. Clifford Geertz está certo. O que poderia mover você? Se você não tem nada mais importante que você mesmo para ser levado. Se esperança é tão crucial para uma cultura coesa, para uma vida coesa, então você pode imaginar que quando você tem uma nova esperança, isto transformará sua vida. Esta é a razão para dizer “dentro de uma viva esperança”.  O que é uma viva esperança? “para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo” (vs. 4-5). Quando uma pessoa chega realmente a perceber que é verdade, quando você tem esta esperança, este é o novo nascimento. Por quê? Se você acredita que este é o futuro, isto muda tudo.
O teólogo alemão Jürgen Moltmann diz lindamente cobre o que significava se tornar cristão nos primeiros dias e o que significa agora.
“Desde cedo, cristãos associavam o início de sua experiência com Deus… com uma nova esmagadora experiência sobre eles mesmos... a fé cristã não era apenas uma convicção, um sentimento ou uma decisão. Ela invadia a vida tão profundamente que temos que falar sobre morrer e ser nascido de novo.
A experiência do Espírito Santo fazia a ressurreição de Cristo presente… (e isto) despertava uma viva esperança pelo futuro de Deus… O momento do renascimento é um momento eterno em que a eternidade tocava o tempo e colocava um fim para sua transitoriedade… Quando uma canção ou poema assegurava-nos que “há sempre um maio depois de dezembro”, isto soava confortante. Contudo, na realidade atual, o exatamente o oposto é verdadeiro, e finalmente, a transitoriedade  triunfa sobre toda esperança por um futuro. Uma nova vida verdadeira começa apenas com o início do novo mundo da ressurreição “[6].
A NATUREZA DO NOVO NASCIMENTO.
O que é isto?  Há muito para dizer aqui, mas eu gostaria de direcionar você para o versículo oito: “a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória”. Na velha versão da Bíblia King James diz: ”alegria inenarrável e cheio de glória”. Você não o vê, mas você o ama, e você se alegra com uma alegria indizível e cheio de glória.
Pense sobre a metáfora do nascimento. É esta a entrada numa nova vida e os desdobramentos da natureza que lhe foram dadas a você na concepção. Por exemplo, se você nascesse de um pássaro, você não iria se desenvolver para um ser humano, este DNA se tornaria o que você tem a natureza para ser. Isto significa que para se tornar um cristão você precisa nascer de novo, não quer dizer ter uma experiência dramática, e certamente não significa se tornar novo em folha ou uma reforma moral. Não, não, não! Ela não pode significar apenas isso. Quer dizer que você tem uma nova natureza implantada em você. Alguma coisa está sendo colocada nas raízes mais profundas do seu coração, que vai transformar você de dentro para fora, organicamente, para o resto de sua vida.
O que eu quero dizer? Vamos pensar sobre esta idéia de vida. Qual a diferença entre uma pedra e uma planta? Agora que você um Ph. D. em todo tipo de assuntos, seja generoso comigo e utilize minhas ilustrações. Existem ordens de vida. Uma planta pode sentir seu ambiente de certa forma; ela pode sentir o calor e frio, a luz e a escuridão. Contudo, um animal tem mais sentido do seu ambiente, ele pode sentir um objeto vindo em sua direção, e pode escapar de um predador de uma maneira que uma planta não pode. A planta pode sentir alguma parte de seu ambiente, mas um animal tem uma natureza diferente, e tem uma habilidade para sentir mais da realidade, e assim, pode realmente atuar no mundo real mais efetivamente do que uma planta.
Por outro lado, pensando sobre o ser humano. O humano começa com uma coisa chamada “razão” que significa que nós podemos fazer deduções.  Nós podemos realmente ver coisas que estão acontecendo. Nós podemos até mesmo saber certas coisas estão começando a acontecer de uma maneira que um animal não pode.
Contudo não apenas isto, os seres humanos são também outra forma de vida porque eles percebem o bem e o mal. Para provar isto para você, nós nunca iríamos prender um animal em particular responsável por, ou dizer que ele é ruim por, matar e comer animais mais fracos. Contudo, quando nós encontramos seres humanos matando e comendo outros seres humanos, ou quando nós vimos um grupo ou uma tribo ou uma nação apenas matando e destruindo nações mais fracas, nós colocamos responsabilidade sobre eles. Por quê? Porque nós acreditamos que tal coisa é uma injustiça. Não esperamos que os animais fossem hábeis para verem isto, mas aguardamos que os seres humanos sejam capazes de perceberem isto.
Toda ordem da vida pode perceber mais da realidade e agir eficazmente na realidade. Assim é com o novo nascimento. Porque quando você mostra um porco (você pode ler sobre isto em Mateus 7) uma pérola, um diamante, ou um assassino, ele só continua mastigando seu milho, porquanto ele não pode perceber a realidade por completo do que ele está olhando. Nós podemos, mas ele não pode. E, sem o novo nascimento, você pode olhar para as palavras Deus, santidade de Deus, graça de Deus, amor de Deus, Jesus morrendo na cruz, e você pode acreditar nelas- eu acredito nisto, eu acredito em Deus- ou talvez,  você pode não acreditar nelas, achando que são apenas abstrações. Você não pode sentir toda a realidade delas. Elas não podem ser reais para seu coração. Ela não são eletrificantes. Elas não te comovem. Elas não são transformadoras de vida! Elas não mudam sua vida. Você não age com base nelas.
Por exemplo, aqui está uma pessoa que diz, “eu creio que Deus está no controle de tudo, mas eu estou preocupado. Eu sou ansioso. Estou com medo. Assusta-me o fato do que irá acontecer comigo financeiramente”. E aqui está uma pessoa que diz, “Porque eu acredito que Deus está em controle completo, apesar de eu sentir que estou prestes a cair de um despenhadeiro financeiramente, eu estou realmente bem. Eu tenho paz”.
Qual é a diferença? Ambos estão olhando para a mesma coisa, e um sente a realidade disto e outro não. O novo nascimento significa que você agora está habilitado para sentir a realidade das coisas que antes não significavam nada, você realmente não via a realidade. O novo nascimento é uma nova ordem de vida em que você finalmente começa a experimentar a completa realidade do que está lá fora no universo, e você age de acordo com isto.
É uma coisa incrivelmente poderosa. Este é apenas um exemplo simples disto (porque talvez você continua pensando no novo nascimento em termos de emoção). Frank Barker foi um pastor aposentado que é amigo meu. Eu adoro uma história que ele me contou uma vez. Na realidade, ele estudou teologia e religião antes de se tornar cristão, e até fez um curso onde ele estudava os escritos de Martinho Lutero. Contudo, ele chegou à fé em Cristo mais tarde quando ele finalmente começou a entender o evangelho. O evangelho é, “eu não sou salvo por ser uma pessoa boa. Eu sou salvo pela graça- Jesus morreu por mim”. Isto modificou sua vida. Em um momento da sua vida, ele estava conversando com o capelão que tinha ajudado a navegar para a fé. Ele disse, “Uma das coisas que eu não entendo é porque ninguém nunca me disse sobre este evangelho antes, e o que realmente eu não entendo é por que Martinho Lutero não entendeu o evangelho”.
O capelão disse: O que você quer dizer?
Frand disse: “Eu estudei suas obras, mas eu nunca vi o evangelho ali”.
O capelão disse: ”Agora que você nasceu de novo, talvez você deva voltar e reler algum destes livros”.
E Frank disse: “Eu voltei para o prefácio de Lutero no Comentário sobre Gálatas, e em cada página que eu tinha sublinhado. Eu tinha isto em destaque. A ficha não tinha caído. Em cada página era o evangelho e não tinha visto isto! Não fazia a menor diferença para mim. E agora isto significava tudo! Trouxe minha vida inteira junto. E transformou tudo! Todo mundo pergunta o que aconteceu? Eu nasci de novo.”
O CRESCIMENTO QUE VEM DO NOVO NASCIMENTO.
Eu deveria, pelo menos momentaneamente, dizer algo sobre o fato que o novo nascimento leva ao crescimento. Na realidade, uma das formas que você sabe que é nascido de novo é que há o crescimento- porque, antes de tudo, um bebê não nasce e diz “cheguei”. Não.
Aqueles de vocês que tiveram bebês nascidos sabem que nós pais não podemos esperar até que eles cresçam. Nós sentimos que está durando uma eternidade para eles crescerem. E claro isto vem naturalmente, mas olhe os versos 6 e 7 para ter uma idéia sobre como isto funciona. Versículos 6 e 7 dizem:” Nisso vocês exultam [Em que? Na sua esperança: na herança que jamais poderá perecer macular-se ou perder-se - guarde os céus para vocês], ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação. Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado”.
Olhe para o que ele está dizendo. Há aqui um paradoxo deliberado na tensão dos verbos que este tipo de tradução deixa obscuro. Ele diz que agora você pode se alegrar- exultar- na sua esperança, contudo, também diz que justo agora você está sofrendo um sofrimento horrível, tristeza e agonia- no tempo presente. Ele não diz: Você esteve se alegrando e agora você está em agonia”. Nem ele está dizendo “Você está em agonia, mas, logo você está se alegrando”. Ele diz: ”Você está incrivelmente cheio de alegria e você está incrivelmente cheio de dor” ao mesmo tempo.
Como pode ser assim? Aqui está como. Se você colocar seu desejo mais profundo (é isto que quer dizer, “nisso vocês exultam”) nas circunstâncias da vida, então quando as circunstâncias da vida vão bem, você está feliz, e se as circunstâncias vão mal, você fica triste. É uma coisa ou outra. Contudo se suas esperanças mais profundas estão em Deus, se ele é seu último tesouro, ele é sua última afirmação, seu último amor, seu valor final, então,  mesmo se as circunstâncias aqui (sua saúde, sua conta bancária, sua reputação) vão mal, tudo isto faz levá-lo mais adiante em sua grande esperança, da mesma forma como o fogo purifica o ouro. Ele não o elimina, ele o purifica.
Se sua esperança é baseada nas circunstâncias, quando você atravessar sofrimento, isto irá dizimar você. Você vai ser destruído. Você vai ser incinerado.  Contudo, se sua esperança está colocada em algo além das circunstâncias, então, quando você atravessar o sofrimento, e este sofrimento – uma dor real- estará transformando você em ouro.
Eu digo isto com temor e tremor. Muitos anos atrás, antes de eu casar com minha esposa Kathy, quando estávamos em uma “relação” e estava balançando e não tinha certeza se queria levar a diante o relacionamento, isto colocou ela numa grande agonia. Num verão, nós estávamos trabalhando em lugares diferentes, e fui visitar ela. Nós podemos-nos  lembrar- na realidade, eu perguntei para ela ontem a noite para estar certo que minha memória sobre isto estava certa- que estávamos caminhando numa rua, e, de repente, ela disse: você sabe, eu realmente tenho sido ajudada pelo versículo que encontrei em Salmos”. Existem muitas traduções para este verso, mas basicamente verso que ajudou ela diz, “homens são todos uma vã esperança”. Ela disse que isto realmente a confortou.
No princípio, eu achei que ela estava brincando, então, vi que ela não estava. E, então, eu comecei a me sentir insultado e ela disse: “não, eu não acho que você deve ficar insultado. Eu apenas encontrei que eu estou ansiosa e nervosa porque eu tenho colocado muita esperança nos homens. E tudo isto me ajudou a compreender qual é o meu real tesouro. E isto realmente me ajudou. Eu me sinto bem melhor”. E eu pude ver isto. Contudo, então eu perguntei se ela gostaria de terminar, e ela me disse: “Oh! não! De forma alguma! Na verdade, eu estou mais pronta que nunca. Nós iremos ver isto”.
Ela estava vivendo os versículos 6,7 e 8 (eu era a dor). Ela estava se alegrando mais profundamente mesmo quando elas estavam sofrendo. O sofrimento produziu alegria, porque isto é o que o evangelho pode fazer. Isto é o que o novo nascimento faz. A grande ironia é que eu continuei confuso pelo que ela estava dizendo. Eu continuei a me sentir insultado pelo que ela estava falando, mesmo que seja uma das coisas principais que eu venho falando para você a respeito por vinte anos pregando aqui. Isto é como ele cresce.
Cristãos não são estóicos (Eu não vou deixar isto chegar até mim) ou imutáveis. Cristãos são, ao mesmo tempo, os mais tristes e mais felizes. Eles crescem em tristeza e alegria ao mesmo tempo. Esta é a maturidade emocional.  Você fica mais feliz em sua verdadeira esperança, e mais isto te capacita para estar envolvido com o sofrimento da vida das pessoas. Você pode sentir a dor do mundo. Você pode até mesmo sentir a sua própria dor melhor. Contudo, ao mesmo tempo, sua dor leva você  mais para a alegria. Quem teria imaginado isto? Deve ser verdade- o novo nascimento.
COMO O NOVO NASCIMENTO COMEÇA  E SE PROCESSA.
Como o novo nascimento realmente acontece? O que você tem quer fazer?  Há um paradoxo. No verso 23 deste capítulo, diz que você é nascido de novo através da fé na palavra- através do evangelho. Aqui está a razão porque isto é tão paradoxal. Bebês nascem porque eles querem nascer? Bebês dizem, “eu acho que vou nascer amanhã?” Não. Bebês  participam do nascimento, mas,  chorando e fazem todo o tipo de outras coisas. Eu vi isto acontecer três vezes. Eles definitivamente participam do nascimento, e isto é muito importando, mas eles apenas nascem através do trabalho e sofrimento de outra pessoa.
Se você quer entender o novo nascimento, você tem que entender seu relacionamento com Jesus de tal forma que você não o veja como seu professor. Se você o vê como um grande mestre- “Eu tento fazer o meu melhor para viver uma boa vida porque eu estou tentando fazer aquilo que Jesus quer que eu faça – estou tentando seguir seu exemplo”- isto não vai eletrificar sua vida ou despertar você. Eu vou perguntar “você é cristão?” e você vai me dizer, “Bem, eu estou tentando. Eu tento, e eu fico ansioso sobre isto”. Se você entender que ele não é seu mestre, que diz para você o que você deve fazer para salvar-se a si mesmo, ao invés, ele é seu salvador, que veio e fez tudo que você deveria fazer para que você pudesse ser salvo pela graça, então você pode simplesmente receber isto- que ele morreu na cruz para pagar seus pecados- então, você começa a entender o que é  realmente seu relacionamento com ele é.
Jesus Cristo, de fato, diz para seus discípulos, um pouco antes de ele morrer em João 16, “Um pouco, e já não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis… A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo gozo de haver um homem nascido ao mundo” (vs. 16,21). Isto não é apenas duro para nós, homens, entendermos, mas mesmos as mulheres, na era de peridurais e da medicina moderna, vão ter poucos problemas para entender isto. Nos tempos antigos, nenhum bebê via ao mundo sem causar risco à vida da mãe. Era horrível, dolorosamente horrível, e toda a vez que uma mulher dava a luz, sua vida era colocada numa balança.
Quando Jesus diz, “uma mulher, quando está para dar a luz, sente tristeza porque é chegada a sua hora”, em todo lugar no livro de João a palavra ‘hora’ significa a morte de Jesus Cristo. Jesus está se identificando com esta metáfora da mulher em trabalho de parto. Ele está dizendo ”Mulher dá a luz sob o risco de sua vida através de dor e sofrimento, mas, eu te dei a luz sob o custo da minha vida. Não é através dos próprios esforços que uma criança nasce. É através dos esforços  da mãe. E não é através dos seus esforços que você é salvo. É mediante meu trabalho; é através da minha obra. Eu trouxe você das trevas para a luz. Eu dei a você uma nova vida porque eu morri”.
Quando você vê isto, e você entende isto, então, salvação é por pura graça, e você diz, “Pai, me aceita pelo que Jesus realizou”, e este é começo do novo nascimento. O início do novo nascimento é para ser visto com um nascimento, para enxergar você como uma criança, enxergar que você é uma criança e ele é aquele que trouxe você dentro dele. Quando isto motiva você profundamente, tudo isto pode ser seu.
E você tem que manter-se mirando nisto. Alguns de vocês sabem minha frase favorita neste texto. Ficam bem no final, versos 10-12, ele fala sobre o evangelho, e ela diz, “coisas para as quais os anjos bem desejam atentar”. Anjos são bem inteligentes.  Eles quase sempre têm que ser, pois eles são muito antigos, não são? E ainda os anjos
nunca ficam entediados olhando para o evangelho. Isso é o texto que está dizendo. Anjos estão sempre dispostos a refletir, de novas maneiras, o que Deus tem feito por nós através de Jesus. E se os anjos estão sempre a encontrar novas belezas, sempre encontrando novas maravilhas, que é o segredo do seu próprio crescimento. Você precisa olhar para o que ele fez por você até que enchê-lo com tanta alegria que você pode entender as coisas, porque temos de nascer de novo para uma viva esperança.
Vamos orar.
Nosso Pai, nós temos tão grande esperança para nossas vidas, nós temos tão grande esperança para nossos corações, nós temos tão imensa esperança pelo que você pode fazer em nossas vidas quando nós vemos o que o novo nascimento é. Eu oro que todo mundo aqui vai também crescer dentro desta nova vida que nós nascemos, ou que levantem as mãos vazia e digam, “Senhor, por causa do que você fez, recebe-me. Coloque uma nova vida em mim. Leva-me para sua família. Traga-me para seu reino”. Obrigado por haver esta esperança, porque Jesus perdeu tudo na cruz então nós podemos ter tudo nele. Em seu nome que nós oramos. Amém.
Copyright © 2010 by Timothy Keller, Redeemer Presbyterian Church.  Esta transcrição foi baseada em uma gravação de áudio e foi ligeiramente editada. É uma parte original da  Renew Campaign no outono de 2009, e pode ser encontrada em  http://renew.redeemer.com.
Nós encorajamos você a utilizar este material para estudo e propósitos ministeriais. Se você gostaria isto para notas ou conceitos chave dentro de um sermão ou outro recurso ministerial, por favor, dê crédito ao original.

[1] Andrew Delbanco, The Real American Dream: A Meditation on Hope (Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 1999).
[2] Ibid., 3.
[3] Ibid., 4.
[4] Ibid., 1.
[5] Todas as notas abaixo são de Charles Isherwood, “Staging Youth’s Existential Quest With Green Day Variations.” NYTimes.com: http://www.nytimes.com/2009/10/10/theater/ reviews/10isherwood.html (accessed November 13, 2009).
[6] Notas tomadas de Jürgen Moltmann, The Source of Life: The Holy Spirit and the Theology of Life, trad. Margaret Kohl, First Fortress Edition (Minneapolis: Augsburg Fortress, 1999), 26, 29—30.

domingo, agosto 08, 2010

D. Martin Lloyd- Jones: Rm 8:12-13

De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. 

Romanos 8:12-13

 

“Devemos tratar primeiro da palavra ‘corpo’, q qual significa o nosso corpo físico, a nossa estrutura física, como no versículo dez. Não significa carne. Até o grande dr. John Owen perde o rumo neste ponto e trata o termo como significando carne, e não corpo. Mas o apóstolo, que tinha falado tanto sobre a carne, fala aqui deliberadamente sobre o corpo. Ele tinha feito isso nos versículos 10 e 11, como também no versículo doze do capítulo seis. Ele se refere ao corpo físico, no qual o pecado ainda permanece, porém que um dia será ressuscitado incorruptível e glorificado, vindo a ser semelhante ao corpo glorificado do nosso bendito Senhor e Salvador” p. 179

O corpo não é inerentemente pecaminoso, o homem foi feito perfeito em corpo, alma e espírito, este é o ensino do Novo Testamento.  Quando o homem pecou, a totalidade dele caiu, a sua alma, corpo e espírito se tornaram pecaminosos. No novo nascimento, o espírito já está liberto, contudo, o corpo ainda não,sendo este ainda sede e instrumento do pecado e da corrupção.  Como está escrito em 1Co 9:27. O pecado residual existente em nós está sempre tentando a levar os instintos naturais em direções más, tenta induzir-nos a todo “apetite desordenado” – Cl 3:5.

Como devemos proceder a mortificação?

Lloyd-Jones estabelece que há dois falsos modos de fazê-lo:

1. método católico-romano, que seria o monasticismo-se você quiser ser um cristão espiritual, deve sair do mundo e entrar em um mosteiro ou convento, tomar certos votos, e assim, dedicar-se inteiramente a vida cristã.

2. o legalismo, ou seria também conhecido como um falso puritanismo, um modo de viver imposto a nós com grande rigor, um estilo de vida que deprezava os prazeres e vivia dias laboriosos, uma religião sem alegria.

O método certo, o apóstolo expõe claramente: “Se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo”- O Espírito é mencionado porque sua obra e presença constituem a singular e peculiar marca do verdadeiro cristianismo. É isto que diferencia o cristianismo do moralismo, do legalismo e do falso puritanismo. "

“o cristão nunca deve queixar-se de falata de capacidade e de poder. Um cristão dizer, Não posso fazer isso, é negar as Escrituras. O homem em quem reside o Espírito Santo nunca deve proferir tais palavras, é negar a verdade a respeito dele próprio.” p. 184

O crente não vive habitualmente no pecado, porque Cristo vive nele, e maligno não pode tocá-lo, não só não pode controlá-lo, nem sequer pode tocá-lo, diz Lloyd-Jones. O cristão é de Deus, e o maligno nem pode tocar nele, pode aterroriza-lo, mas não pode tocá-lo, e muito menos, controlá-lo.

Na prática, conforme o pregador galês,  temos que entender espiritualmente nossa situação, porque muitos dos nossos problemas advém da incompreensão de quem somos em Deus. Temos que compreender que se pesa sobre nós a culpa de algum pecado, entristecemos o Espírito Santo que habita o nosso corpo. Toda vez que pecamos, o que importa não é tanto que pecamos e ficamos em condições miseráveis, mas o principal é que entristecemos o Espírito Santo de Deus. Quantas vezes nós pensamos nisto??? Lloyd-Jones nota que algumas pessoas o procuram preocupadas com essa questão, sempre falando de si mesmas- o meu fracasso. Estou sempre caindo neste ponto, só falam delas mesmas, não falam da sua relação com o Espírito Santo, e assim, elas não percebem que a maior dificuldade na sua vida pecaminosa é que com isso ela está entristecendo o Espírito Santo. No momento em que a pessoa verifica isto, procura o verdadeiro tratamento.

“O nosso maior problema é que estamos sempre olhando para nos mesmos e para o mundo. Se pensarmos em nós mesmos cada vez mais como peregrinos da eternidade (que é o que somos), toda a nossa perspectiva será transformada. Paulo expõe isso aqui, no versículo onze: mantenham os olhos fixos nisso, diz ele praticamente, fiquem de olho na meta”. (p. 187)

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Eugene Peterson: Salvação


Tanto em Êxodo quanto no evangelho de Marcos, fica claro que não contribuímos em nada para nossa salvação. No entanto, somos convidados a participar. Na primeira metade do evangelho, pessoas de todo tipo são atraídas para junto de Jesus, experimentando sua compaixão, as curas, o livramento, o chamado, a paz. Vemo-nos implicitamente incluídos. Na segunda metade do evangelho, essa experiência de participação pessoal se torna explícita.

No centro do evangelho de Marcos há uma ponte entre os anos na Galiléia em que se narra a vida de Jesus e as últimas semanas em Jerusalém, concentradas em sua morte. Na verdade, essa ponte é estratégica para nos guiar a uma participação na salvação coerente com a vida e a morte de Jesus descritas por Marcos com tanto cuidado. Creio ser evidente que Marcos não era um jornalista escrevendo boletins diários das atividades de Jesus no século I. Também não era um publicitário tentando nos envolver numa causa com ambições históricas. Seu evangelho é a teologia espiritual em ação, uma forma de escrever que nos leva a participar do texto.



Marcos 8:27—9:9 é a passagem que serve de ponte, no centro do relato, entre as várias evocações de vida na Galiléia, ocupando simetricamente um lado, e a viagem resoluta a Jerusalém e a morte, ocupando o outro.

A passagem de transição é constituída de duas histórias. A primeira, o chamado de Jesus à renúncia enquanto ele e seus discípulos se dirigem a Jerusalém, fornece a dimensão ascética da salvação (8:27—9:1). A segunda, a transfiguração de Jesus no monte Tabor, fornece a dimensão estética (9:2-9).


As histórias começam e terminam com declarações acerca da identidade de Jesus como Deus em nosso meio: primeiro Pedro afirmando: "Tu és o Cristo" (8:29); depois, a voz do céu dizendo: "Este é o meu Filho amado" (9:7). Numa extremidade, o testemunho humano e, na outra, a atestação divina.

Antes de considerarmos essas duas histórias, desejo enfatizar a necessidade de mantê-las no contexto e ligadas entre si. O contexto é a vida e a morte de Jesus, aquele que revela Deus. Jesus é o tema do evangelho de Marcos. Fora de contexto, essas duas histórias dão espaço para inúmeras interpretações equivocadas. Não podem ser consideradas isoladamente. Não oferecem uma teologia espiritual pronta para ser explorada em nossos próprios termos.

Além disso, elas são organicamente ligadas. Não devem ser separadas uma do outra. São um ritmo de duas batidas numa única vida de salvação, e não duas formas alternativas de existir na história, de participar da obra salvadora de Deus na história. As histórias reúnem os movimentos ascéticos e estéticos, o "não" e o "sim" que trabalham juntos no cerne da vida de salvação. A participação na salvação, conforme esta é revelada em Jesus, exige o emprego apropriado e diferenciado dessas duas palavras: "não" e "sim".

segunda-feira, dezembro 14, 2009

C.S. Lewis: O Grande Abismo



“Olhe para mim agora”, falou o Fantasma, batendo no peito (mas as batidas não fizeram ruído algum). “Sempre andei direito. Toda a minha vida. Não digo que fosse religioso ou que não tivesse defeitos, longe disso. Mas fiz o melhor que podia a vida inteira. Fiz o máximo por todo mundo, eu sempre fui assim. Nunca pedi nada a que não tivesse direito. Se queria beber pagava pela bebida e se recebia salário, trabalhava pára isso. Está vendo? Eu era assim e não me importo quem saiba disso.”
“Seria muito melhor não ficar repisando esse assunto agora.”
“Quem está repisando? Não discuto. Estou só lhe dizendo como eu era. Não estou pedindo nada senão os meus direitos. Você pensa que pode me olhar de cima só porque está vestido desse jeito (e não estava quando trabalhava comigo) e eu não passo de um pobretão. Mas tenho de ter os meus direitos do mesmo modo que você, está vendo?
“O, não. Não é tão mau assim. Não tenho direitos. Caso contrário não estaria aqui. Você também não irá obter os seus. Vai ganhar algo muito melhor. Não tenha medo.”

“E isso que estou dizendo. Não tenho direitos. E sempre fiz o meu melhor e nunca nada errado. E não vejo porque devo ser considerado inferior a um reles assassino como você.”
“Quem disse que vai? Alegre-se e venha comigo.”
“Por que continua falando desse modo? Só estou dizendo como sou. Só quero os meus direitos. Não estou pedindo piedade de ninguém.”
“Então faça justamente isso. Peça piedade. Tudo aqui é recebido quando se pede e nada pode ser comprado.”
“Isso pode ser muito bom para você, tenho certeza. Se eles deixam entrar um miserável homicida só porque ele pede piedade na última hora, isso é problema deles. Mas eu não estou no mesmo barco que você, percebe? Por que deveria? Sou um homem decente e se tivesse os meus direitos já estaria aqui há muito tempo, e pode dizer isso a eles.”

domingo, janeiro 04, 2009

A Díficil Doutrina do Amor de Deus



D.A. Carson


CPAD,





Algumas maneiras diferentes de como a Bíblia fala do Amor de Deus
1. Amor peculiar do Pai pelo Filho, e do Filho pelo Pai

João 3.35
João 14.31

2. Amor providencial de DEus sobre tudo que Ele fez.


Genesis 1
Mateus 6.26 e 10.29


3. A postura salvadora em relação ao seu mundo caído.

João 3.16

"alguns calvinistas tentam tomar o grego kosmos aqui para se referir aos que eles chamam de eleitos. Mas isto realmente não servirá. Todas as evidências do uso da palavra no Evangelho de João são contrárias a tal sugestão (...) No vocabulário de João, mundo é primeiramente a ordem moral em rebelião intencional e culpável contra Deus. Em João 3.16, o amor de Deus ao enviar o Senhor Jesus deve ser admirado, não porque seja estendido a algo tão grande quanto o mundo, mas a algo tão mau; não a tantas pessoas, mas a tantas tão impiedosas" p. 17-18
.
.
4. O amor particular efetivo e seletivo de Deus em relação aos seus eleitos.

Deuteronomio 7.7-8 cf. 4.37 e 10.14,15
Malaquias 1.2,3
Efésios 5.25

.
.
5. Finalmente, às vezes é dito que o amor de Deus é dirigido ao seu próprio povo de uma maneira provisional ou condicional condicionado, isto é, à obediência.



"Se o amor de Deus se referir exclusivamente ao seu amor pelos eleitos, é
facil se desviar em direção a uma bifurcação simples e absoluta: Deus ama os
eleitos e odeia os reprováveis.(Caindo no hipercalvinismo).


(...)

Na verdade em uma igreja caracterizada antes mais pela preferencia pessoal e pelo antinomismo do que pelo temor piedoso do Senhor, tais passagens certamente tem algo a nos dizer. Mas separados das declarações biblicas complementares sobre o amor de Deus, tais textos podem nos fazer retroceder na direção da teologia do mérito, uma irritação incessante sobre se temos ou não sido suficientemente bons hoje para desfrutarmos o amor de Deus." (p.23)



.
Ch 2- DEUS É AMOR
.
No passado, muitos estudiosos buscaram vincular o amor de Deus e, consequentemente, o amor cristão a um grupo de palavras. Por exemplo, eros era tido como referente ao amor sexual, phileo, ao amor emocional, o amor que envolve amizade e sentimentos, e agapao refere-se ao amor voluntário, um ato de renúncia pessoal em favor de outra pessoa.
.
Contudo, a vinculação de agapao ao amor de Deus não é tão evidente, senão, errônea.
.
O verbo agapao vem do choque homonímico que houve entre as palavras kyneo- beijar- e kyno-impregnar. Certas formas deste verbo são identicas, que foram substituídas por phileo, em Lucas 22.47, quando Jesus beija Judas, a palavra para o ato é phileo.
.
Na septuaginta, em 2Samuel 13, quando Amnom incestuosamente estupra sua meia-irmã Tamar, somos informados que ele a "ama"- sua atitude é um ato criminoso e deplorável, contudo os verbos usados aqui são tanto agapao quanto phileo.
.
No Evangelho de João, nos 3.35 e 5.20 quando descreve o amor do Pai pelo Filho, ambos os verbos também são usados, assim, não se pode falar em diferença de significado.
.
Em 2Timoteo 4.10, quando Paulo fala que Damas amou este mundo maligno presente, mais uma vez o verbo é agapao.
.
A melhor coisa que podemos fazer é simplesmente usar o verbo amar que é tão ambíguo quanto era os seus cognatos gregos.
.
"Embora eu jamais tenha identificado em detalhes, suspeito que a herança de entender agapao referindo-se a um amor voluntário independente de emoção e comprometido com o bem dos outros, foi influenciada pelos estudiosos e outros teologos filosoficos de uma era do passado, que negavam a existência de sentimentos em Deus. Ter sentimentos, eles argumentavam, implicaria passividade, isto é, suscetibilidade a impressão de pessoas ou eventos fora de si mesmo, e isto certamente é incompatível com a própria natureza de Deus (...) O unico ponto de similaridade entre o amor de Deus e nosso amor, eles argumentavam, é auto-comunicação, não é emoção ou sentimento. Evidências contrárias encontradas na Bíblia devem então ser marginalizadas e dispensadas como antropopatismo - o contraponto emocional ao antropomorfismo- ." p.31
.
Relação entre o Pai e o Filho.
.
"Primeiro, o Filho por sua obediência a seu Pai, fazendo apenas o que Deus lhe dá para fazer e dizendo apenas o que Deus lhe dá para dizer, embora fazendo tais coisas em função de sua habilidade para fazer tudo que o que seu Pai faz, o Filho esteja agindo de um modo que revela Deus Pai perfeitamente" p. 37
.
Jesus : antes da encarnação?
.
Alguns acreditam que Jesus recebeu o rótulo de Filho somente após a encarnação. Contudo, há evidências bíblicas em contrário.
.
1. João 1.2,3 informa que Filho faz tudo que o Pai faz, ora, se tudo for completo, então desde a criação, a ligação entre o Pai e o Filho já existe, o Filho é agente na criação.
.
2. A leitura de João 3.17 diz que Deus enviou seu Filho, nomenclatura que ele já possuía antes.
.
3. Em João 5.26, mostra que a filiação é uma concessão eterna do Pai ao Filho, portanto nunca houve um momento inicial em que o Filho não tenha tido vida em si mesmo, esta concessão estabeleceu a natureza mesma do eterno relacionamento entre as duas primeiras pessoas da trindade, logo, a filiação de Jesus não está restrita aos dias de sua carne.
.
4. TExtos em Jesus indica Deus Pai como Pai, e assim, se considera como Filho - João 17.5
"Todas as manifestações do amor de Deus surgem a partir desta realidade mais profunda e mais fundamental: o amor de Deus está ligado a própria natureza de Deus, pois, Deus é amor" p.42
.
.
Amor de Deus e sua Soberania
.
Paixões de Deus
.
"Diferentemente das nossas, não se inflamam repentinamente nem ficam fora de controle. As nossas paixões mudam a nossa direção e as nossas prioridades, domesticando a nossa vontade, controlando a nossa tristeza e nossa felicidade, supreendendo e destruindo ou estabelecendo os nossos compromissos. Mas as paixões de Deus, como tudo o mais em Deus, são mostradas juntamente com a plenitude de todas as suas outras perfeições. Neste panorama, o amor de Deus não é tanto uma função de sua vontade, quanto algo que se mostre em perfeita harmonia com ela e com sua santidade, com os seus propósitos na redenção, com os seus planos, infinitamente sábios, e assim por diante" (p.64)
.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Perspectivas da Nova Perspectiva




Romanos 3:21-22


"A resposta, é claro, é que para Paulo há uma conexão íntima entre a justificação gratuita por Deus de pecadores pela morte de Jesus e com base na fé, porum lado, e a criação de Deus, por outro lado, de uma nova família composta por judeus e gentios igualmente. Nós bem que podemos entender que os Reformadores,enfrentando o urgente desafio de um Catolicismo Romano profundamente corrupto,desejassem, corretamente, enfatizar o primeiro ao invés do segundo. Mas ao compartilhar seu princípio fundamental de “Sola Scriptura” nós nos comprometemos a salientar o que está lá no texto, sílaba por sílaba, mesmo que eles não o tenham feito.

.


E para Paulo aquela pequena letra e é uma indicação crucial e explicativa de para onde seu verdadeiro argumento estava indo. Seu ponto é simplesmente isto: quese Deus justificasse pessoas em uma base qualquer diferente da fé, então ele seriaafinal Deus dos judeus apenas, e não dos gentios igualmente. E a menos que estejamos preparados para pensar sobre a razão de tal ponto ser assim e captar o fato de que isto é para onde o parágrafo está indo – em outras palavras, a menos que vejamos que Romanos 3:21-31 como está registrado, sílaba por sílaba, no texto da escritura inspirada, esteja indo em direção a este ponto, o qual é fortemente apoiado por todo o capítulo 4, e que este ponto não é uma questão secundária, uma “implicação extra” de um evangelho que é sobre algo muito diferente – então o princípio formal de toda a teologia inspirada na reforma terá sido sacrificado no altarde nossas próprias tradições." (pag.3)


.

.

"Para Paulo, o que ele quer dizer com “evangelho” não é, a despeito do nosso uso atual, a descrição de um modo de salvação; não é umadescrição de como reordenar sua espiritualidade privada; não é uma ordo salutis. O “evangelho” não é, em especial, idêntico à doutrina da justificação. O “evangelho”não é em si mesmo a mesma coisa que a revelação da justiça de Deus; tal revelação tem lugar dentro do evangelho, de modo que quando o evangelho é anunciado ajustiça de Deus é, de fato, manifestada; mas o “evangelho” em si mesmo se refere à proclamação de que Jesus, o Messias crucificado e ressuscitado, é o verdadeiro e único Senhor do mundo.

.

Reparem em como isso funciona em Romanos, e novamente devemos prestar atenção ao que a escritura diz ao invés do que nossas tradições teriam preferido que o texto dissesse. Paulo descreve seu evangelho em 1:3-4; então, em 1:16-17, ele explica a razão pela qual ele não se envergonha de seu evangelho, porque nele a justiça de Deus se revela. Aqueles dentre nós que cresceram na tradição da Reforma foram ensinados muitas vezes, implícita se não explicitamente, (a) que 1:16-17 é a primeira afirmação da justificação pela fé, que então se torna o tema principal da carta, (b) que a justificação pela fé é o que Paulo quer dizer por “evangelho” e (c)que 1:3-4 é uma afirmação retirada de uma fórmula de credo primitiva colocada naquele ponto por outras razões que não centrais nem ao pensamento de Paulo nem à mensagem da carta. Eu me lembro bem da luta que tive, intelectual e espiritualmente,no meio da década de 1970, quando percebi que cada um desses três pontos tinha deser desafiado em nome de uma exegese cuidadosa, fiel e acurada daquilo que Paulo de fato escreveu. Meu compromisso contínuo de ler 1:3-4 como a descrição introdutória de Paulo do próprio evangelho, 1:16-17 como uma descrição da revelação da própria justiça de Deus, que por sua vez resulta na justificação pela fé mas é também algo muito maior, e a conseqüente diferenciação entre “evangelho” e “justificação pela fé”,sem diminuir ou desmentir esta última – tal compromisso contínuo tem se justificado,se posso dizer assim, por tantos outros insights teológicos e exegéticos derivados diretamente dele que eu nem posso sonhar em voltar atrás. “Solus Christus”: o próprio Messias, não uma verdade sobre mim mesmo, nem mesmo sobre minha salvação, é o centro do evangelho de Paulo". (pag. 7)

.


N.T. Wright PAULO EM DIFERENTES PERSPECTIVAS 3/1/2005 p.3 doc. pdf disponível em http://www.ntwrightpage.com/port/DiferentesPerspectivas.pdf

quinta-feira, setembro 06, 2007

Salvação

"Aparece agora com toda nitidez a grandeza do respeito de Deus por sua criatura: uma salvação puramente presenteada, que não fosse- como a cristã- prolongamento do melhor que o ser humano é em si mesmo, seria a máxima alienação. Com certeza é gratuita, e consiste numa espécie de extrapolação infinita, de uma grandeza que nunca poderíamos sonhar; mas é extrapolação do dado real de nossa existência; é dom, mas um dom que eu recebo e que realiza o coração mesmo daquilo que eu buscava no melhor e mais profundo de mim mesmo" (p. 218)

" o céu é salvar-se, isto é, viver-se a si mesmo realizado no amor e no gozo do encontro infinito com Deus que se nos dá e que, dando-se-nos, entrega-nos a nós mesmos e afirma-nos em nossa identidade; uma identidade que não é mais limite ou barreira, mas antes comunhão total sem sombras e sem fronteiras" (p. 219)

A. T. Queiruga, ibid.