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quinta-feira, maio 20, 2010

Harold Kushner: Quando coisas ruins…

As desgraças que atingem as pessoas boas não são um problema apenas para as próprias vítimas e para suas famílias. Passam a ser problema para todos os que desejam acreditar em um mundo justo, razoável e suportável. Estes inevitavelmente levantam questões quanto à bondade, à amabilidade e até mesmo à existência de Deus.
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Uma das maneiras encontradas a cada geração para dar sentido ao sofrimento humano é supor que somos merecedores do que nos acontece, que de algum modo as desgraças sobrevêm como punição para nossos pecados:
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Podemos, assim, "provar" que a escuridão e o frio não existem, embora muita gente continue a tropeçar e a machucar-se no escuro e a morrer por exposição ao frio. Mortes e ferimentos não deixam de ser reais por causa de nossas habilidades verbais.
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Se a serpente do mar é o símbolo do caos e do mal, de todas as coisas incontroláveis no mundo (como tradicionalmente o é na mitologia antiga), o autor pode estar dizendo aí que até mesmo Deus tem dificuldade em manter o caos sob controle e limitar os danos que o mal pode fazer.
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O caos residual, a sorte e o azar, coisas que acontecem sem razão, continuarão conosco — o tipo de mal que Milton Steinberg chamou de "andaimes ainda não removidos do edifício da criatividade de Deus". Nesse caso, teremos simplesmente de aprender a conviver com ele, sustentados e confortados pelo conhecimento de que o terremoto e o acidente, como o assassinato e o roubo, não são da vontade de Deus, mas representam aquele aspecto da realidade que a despeito dela subsiste, e que angustia e entristece a Deus da mesma forma que nos angustia e nos entristece.
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Deus não interfere nas leis da natureza a fim de proteger o justo do mal. Este é outro setor do mundo, que faz coisas ruins acontecerem a pessoas boas, e Deus nem as provoca nem as faz cessar.
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"Façamos emergir um novo tipo de criatura, o ser humano, à nossa imagem, sua e Minha. Moldemos uma criatura que, em certos aspectos, seja igual a vocês, um animal — precisando comer, dormir, acasalar-se — e igual a Mim em outros pontos, elevando-se acima do nível animal. Vocês, animais, contribuirão com sua dimensão física e Eu lhe soprarei uma alma." E assim, coroando a Criação, são feitos os seres humanos, em parte animais, em parte
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As visitas a hospitais e manifestações de condolências transformam-se em conversas amenas sobre o tempo, a bolsa de valores ou as notícias esportivas, assumindo um ar de irrealidade em que a preocupação mais importante no espírito de todos os presentes é deixada de lado. Os amigos de Jó pelo menos tiveram a coragem de encará-lo e enfrentar sua dor.
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(Você sabia que a primeira menção ao "pecado" na Bíblia aparece não em relação ao fato de Adão e Eva comerem o fruto proibido, mas em relação ao fratricídio de Abel por Caim, em um acesso de ciúme, por Deus ter preferido as oferendas de Abel?) Quando crescemos, não superamos por completo os hábitos infantis de competição, da necessidade de ser continuamente reforçada a certeza de que somos "mais amados", da mesma forma que jamais superamos totalmente o hábito de pensar em Deus como o "Papai do Céu".
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Não podemos orar para que Ele torne nossas vidas livres de problemas; isto não acontecerá, e será o mesmo que não orar. Não podemos pedir-Lhe que nos livre a nós e àqueles que amamos da doença, porque Ele não pode fazer isto. Não podemos pedir-Lhe que estenda uma rede mágica ao nosso redor, de modo que as coisas ruins só atinjam às outras pessoas, nunca a nós. As pessoas que rezam por milagres normalmente não conseguem milagres, como as crianças que rezam por bicicletas, por boas notas ou por namorados não os conseguem através de suas orações.
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quinta-feira, novembro 15, 2007

Sofrimento e Soberania para John Bunyan

Sempre houve, como há hoje, pessoas que tentam resolver o problema do sofrimento, negando a soberania de Deus – isto é, o governo providencial de Deus sobre satanás, a natureza e o coração do homem. Mas é notável como muitos dos que defendem a doutrina da soberania de Deus sobre o sofrimento, têm sido os que mais sofreram e que mais encontram nesta doutrina o maior conforto e ajuda.

Bunyan estava entre estes. Em 1684, ele escreveu uma exposição bíblica para seu povo sofredor, baseada em 1Pe 4:19, “por isso, também aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem entregar suas vidas ao fiel Criador e praticar o bem”. O livro foi intitulado Seasonable Counsel, or Advice o Sufferers. Ele toma a frase “ de acordo com a vontade de Deus” e expõe a soberania de Deus ali implícita para conforto de seu povo.

O que será feito não é o que os inimigos desejam nem o que decidiram, mas o que Deus deseja e o que ele determina...E, como nenhum inimigo pode trazer sofrimento sobre uma pessoa contrariamente à vontade de Deus, assim também ninguém pode se salvar das mãos dos inimigos quando Deus determinou entrega-lo para sua glória... como Jesus mostrou a Pedro “o tipo de morte com a qual Pedro iria glorificar a Deus” – Jo. 21:19. Sofreremos ou deixaremos de sofrer como lhe agrada. (p. 73)

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"Os santos são borrifados pela mão de Deus aqui e ali, como o sal é colocado na carne, para evitar que ela cheire mal. Eles são espalhados pelo mundo para temperar a terra; assim, da mesma forma, onde eles devem sofrer é também designado para uma melhor confirmação da verdade. Cristo disse que nenhum profeta deve morrer fora de Jerusalém- Lc. 13:33- Mas, por que...? Deus designou que devem sofrer ali. Assim, então, quem, quando e onde estão na vontade de Deus e, conseqüentemente, são designados por aquela vontade" (John Bunyan Seasonable Counsel in Piper p. 74)

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"Existem coisas de Deus que podem ser observadas em um dia, e noutro não. Seu poder em sustentar alguns, sua ira em abandonar outros. O fazer com que arbustos fiquem firmes, enquanto permite que cedros caiam, o tornar tolice o conselho dos homens e fazer com que o diabo passe a perna em sai próprio, o conceder a sua presença ao seu povo e o abandonar seus inimigos nas trevas, o revelar a retidão dos corações dos seus santificados e a exposição da hipocrisia de outros, tudo isto são maravilhas espirituais operadas no dia de sua ira, do redemoinho e da tempestade... temos a tendência de irmos longe demais nos dias calmos, e pensarmos que estamos bem avançados, e bem mais fortes d que realmente descobrimos estar, quando o dia da provação bem sobre nós... não poderíamos viver sem tais mudanças da mão de Deus sobre nós. Nossa natureza carnal cresceria excessivamente, se não tivéssemos nossos invernos no tempo apropriado. Diz-se que em alguns paises as arvores não produzem fruto, pois não há inverno ali". (John Bunyan Seasonable Counsel in Piper p. 77)




Fonte: PIPER, John Sorriso Escondido de Deus Shedd Publicações