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segunda-feira, janeiro 02, 2017

Gálatas 2:11-21: Vivendo conforme o Evangelho

Vivendo conforme o Evangelho


Gl. 2:11-21

MODOS À MESA.

Pedro estava comendo com os gentios, mas foi se afastando e se separando deles. 

"O Antigo Testamento instituiu as leis da purificação- uma complicada série de regulamentos a serem seguidos pelos adoradores a fim de estarem cerimonialmente limpos e aceitáveis para se apresentarem a Deus na adoração. As pessoas não podiam se aproximar de Deus se tivessem ingerido determinados alimentos impuros, tocado coisas mortas, contraído uma enfermidade ou tocado em alguém enfermo, e assim por diante (Lv 11;15;20). Essa lei cerimonial era um método de ensino pelo qual o Deus santo mostrava que as pessoas pecadoras não podem entrar em sua presença sem se purificarem. Apesar de Jesus explicar que, com sua chegada, o tempo dessas leis havia passado (Mc 7:14-23), foi preciso Deus enviar a Pedro uma visão para lhe mostrar que lei cerimonial terminara" (KELLER, p. 54)

Pedro se afasta dos gentios, culpado de hipocrisia (2:13)
Até o ponto em que Barnabé, companheiro de viagem de Tito, o incircunciso, se deixa levar por ele - 2:13

O que causou essa hipocrisia? O medo.


ANDAR NA LINHA

Paulo percebe que há algo mais profundo acontecendo, diz que Pedro não agia conforme a verdade do evangelho (2:14). O que isto significa?

1o. O EVANGELHO É UMA VERDADE: o fato de que somos fracos e pecadores, de que buscamos controlar nossa vida sendo nossos próprios salvadores e senhores, de que a lei de Deus foi cumprida por Cristo em nosso favor, de que agora somos plenamente aceitos.

2o. EVANGELHO TEM CONSEQUÊNCIAS: é nossa função colocar tudo que faz parte de nossa vida em conformidade com a direção, com o sentido para o qual o evangelho nos impulsiona. 

"A vida cristã é um contínuo processo de realinhamento, de colocar tudo em conformidade com a verdade do evangelho" (KELLER, p. 56)

O ERRO DE PEDRO

O erro de Pedro foi nacionalismo, que é uma forma de legalismo. O legalismo busca algo além de Jesus a fim de se apresentar aceitável e puro diante de Deus. 

Não conseguimos enxergar que apenas somos diferentes, acreditamos que nosso estilo e costumes são melhores espiritualmente. Isso conduz a todo tipo de divisão no corpo de Cristo.

RESPOSTA DE PAULO

Paulo enxerga o princípio por trás da mudança da prática alimentar de Pedro. 

"O raciocínio básico de Paulo é: Deus não estabeleceu comunhão com você com base em sua etnia e cultura (2:15). Por melhor e mais devoto que você fosse, sua etnia e seus costumes não tiveram nada a ver com isso (2:16). Então, você acha que pode ter comunhão com base base em etnia e cultura (2:14)?" (KELLER, p. 58)

Paulo mostra as raízes do racismo. O racismo é a continuidade da justificação pelas obras em parte da nossa vida, ele nasce do desejo de encontrarmos um modo de sentir que somos melhores ou justos de alguma forma. Equivale a esquecer que somos salvos apenas pela graça. 

Paulo não diz que Pedro está infringindo as regras somente, mas mostra como ele se esqueceu do evangelho, esquecendo-se como foi graciosamente recebido por Cristo.

JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

"As palavras, na verdade, são fáceis, mas, na tentação, é dificílimo estabelecer corretamente no coração que, apenas, por graça temos remissão dos pecados e paz com Deus com a exclusão de todos os outros meios que existem no céu e na terra"
( Lutero, Prefácio,p. 48)


Se até Pedro precisou aprender, quanto mais nós.

a. Não pela observância da lei: se somos justificados pela fé no que Cristo fez, não somos justificados pelo que fazemos. A observância da lei não é o que nos salva (2:16)

b. "Pela lei, morri para a lei": significa que Paulo morreu para a lei como meio de salvação. Morreu para a condenação da lei. Se não somos justificados pela lei, mas por Cristo (2:16), então a lei não pode nos condenar. 

c. viver para Deus: Paulo nunca viveu para Deus de verdade. Fora muito correto e bom, mas tudo para si próprio, não para Deus.  Agora, justificado e aceito, ele tem uma nova motivação para a obediência, que é muito mais sadia e poderosa.

Agora, ao viver minha vida, ao fazer minhas escolhas e meu trabalho, lembro o tempo todo de quem sou pela fé em Cristo, que tanto me amou!


"Cristo fará ou tudo ou nada por você. Não há como combinar mérito e graça. Se a justificação for de algum modo pela lei, a morte de Cristo não faz sentido nem na história, nem para você pessoalmente" (KELLER, p. 66)

terça-feira, dezembro 27, 2016

A Unidade do Evangelho (Gálatas 2:1-10)




UNIDADE DO EVANGELHO (Gl 2:1-10)

1. O temor de Paulo: por que ele foi a Jerusalém?
a. Paulo foi a Jerusalém por causa da revelação de Deus (2:2)
b. O temor era a ameaça a dar frutos: “corrido inutilmente”(2:2)

A primeira vista, pode parecer que Paulo estivesse achando que sua mensagem estava comprometida. Contudo, isso não tem sentido já que Paulo recebeu a revelação de Deus (2:1) que recebera sua mensagem diretamente de Cristo (1:12). Também, ninguém em dúvida esperaria 14 anos se sentisse inseguro com isto. E, por fim, Paulo diz em 1:8, que os gálatas deveriam rejeitá-lo caso mudasse sua mensagem.

"O que ele temia, isto sim, é que os apóstolos de Jerusalém pudessem não ser fiéis a esse evangelho. Talvez  não fizessem frente aos falsos mestres, mas, em vez disso, permitissem que os próprios preconceitos culturais os iludissem a ponto de deixar que esses mestres continuassem a fazer suas afirmações prejudiciais" (KELLER, p. 41)

2. O que estava em jogo: a verdadeira unidade da igreja.
O evangelho da fé em Cristo é para gente de todas as culturas. A liberdade que temos em Jesus (2:4) se encontrava sob ameaça e assim, a verdade do evangelho estava em jogo (2:5).

Havia dois grupos, de um lado Paulo que dizia que o evangelho era para gente de todas as culturas, de outro, seus opositores diziam que nem todo povo judeu é cristão, mas todo os cristãos devem se tornar judeus.
 





3. O veredito: bem-vindos
Paulo levou Tito (2:1), que era grego (2:3): cristão incircunciso de corpo e alma. Falsos irmãos queriam a circuncisão de Tito (2:4). Os apóstolos não insistiram na circuncisão, Deus não considera a aparência humana (2:6).

 4. resultado: liberdade
Obedecemos, não por medo e insegurança quanto à esperança de merecer nossa salvação, mas na liberdade e segurança de saber que já estamos salvos em Cristo. Obedecemos na liberdade da gratidão.

MARCAS DA VERDADEIRA UNIDADE.
Aceitar os que estão em Cristo Jesus.
Reconhecer que temos chamados diferentes.
Suporte mútuo e ação missionária (2:10)

segunda-feira, julho 25, 2016

Isaías 6: Encontrando com Deus, consigo e com o mundo.


Isaías 6:1-13 :No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos. Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; E com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e expiado o teu pecado. Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado. Então disse eu: Até quando Senhor? E respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada. E o Senhor afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. Porém ainda a décima parte ficará nela, e tornará a ser pastada; e como o carvalho, e como a azinheira, que depois de se desfolharem, ainda ficam firmes, assim a santa semente será a firmeza dela.




Se vamos ser uma igreja que busca alcançar a cidade, devemos ter um novo tipo de relacionamento com as nossas necessidades.


Cada vez mais vivemos em uma cultura em que estamos absorvidos em nós mesmos. Como podemos vencer esta cultura egoísta e como podemos ser realmente mais abertos em relação a Deus e às necessidades dos outros.


Um encontro real com Deus pode transformar cada um de nós.


Agora, o que significa ter um encontro com a realidade de Deus?


1. ENCONTRO COM DEUS
2. ENCONTRO COM SI MESMO
3. ENCONTRO COM O MUNDO.




1. O ENCONTRO COM DEUS.



a. Isaías vê a glória do Senhor. A palavra hebraica para glória significa peso. 



  • O permanente versus o ilusório, real versus o irreal

  • Comparado a qualquer coisa, somente Deus é permanente, real e importa.

  • Se deixa um objeto mais pesado que a água cair nela haverá um tremor da água. O objeto tem mais glória que a água que treme.

  • Quando a realidade de Deus vem sobre a vida de Isaías, tudo é transformado, tudo muda de lugar.

  • Há sempre um terremoto quando Deus desce na Bíblia porque a glória de Deus é a maior coisa que há. A realidade de Deus mexe com tudo.





b. A diferença entre Deus como um conceito e Deus como uma realidade.



  • Isaías não diz : Oh, existe um Deus, Isaías tinha um conceito de Deus.

  • Agora, Isaías conhece Deus como uma realidade

  • Deus como conceito é algo mais leve que você. Você pode moldar isto. Se encaixa em suas categorias e ideias. Um Deus-conceito não transforma nossas crenças, se molda às suas crenças já existentes.  Não cremos nele de uma forma que Ele muda nossas convicções.

  • As pessoas se tornam religiosas porque elas querem ajuda para encontrar seus objetivos. Elas moldam Deus às suas próprias crenças porque Deus como um conceito é mais leve que você. Mas, Deus como uma realidade é mais pesado que você. Quando o Deus real entra na sua vida, as coisas mudam por causa de sua glória. 

  • Ao invés de Deus se encaixar na sua agenda, Ele se torna sua agenda. Ele radicalmente muda suas prioridades.

  • Nossa agenda distante de Deus é uma vida segura e pequena. Deus nos diz "sacrifique suas necessidades individuais para mim e minha glória!"

  • Cada pessoa que encontra realmente com Deus sabe quando Deus era um conceito somente e quando ele se tornou uma realidade: 

  • Jeremias e Isaías são diferentes. Para Jeremias, Deus manda ele parar de tremer e para Isaías, Deus manda começar a tremer.







2. ENCONTRO COM SI MESMO.


a. UMA EXPERIÊNCIA RADICAL DE BELEZA


  • Ele ouve o serafim dizer "santo, santo, santo". Existe uma magnitude transmitida através da repetição. Aqui é o único lugar que a qualidade triplicada.

  • É um superlativo infinitamente único.

  • Brilho e beleza, os serafins estão constantemente cantando louvores. Eles estão fascinados pela sua santidade, constantemente adorando sua santidade, louvando a Deus na beleza de sua santidade.

R.C. Sproul ensina que:



“A Bíblia diz que Deus é santo, santo, santo”. Não que Ele é meramente santo, ou mesmo santo, santo. Ele é santo, santo, santo. A Bíblia nunca diz que Deus é amor, amor, amor ou misericordioso, misericordioso, misericordioso, ou ira, ira, ira, ou justo, justo, justo. Ela diz que Ele é santo, santo, santo, toda a terra está cheia da Sua glória.


ILUSTRAÇÃO: Imagine que você tem um dinheiro de família, você se casa e seu cônjuge descobre que não pode pegar o dinheiro da sua família e, então, deixa você. Como você se sentiria? Violado? Usado? Um meio para um fim? Não amado por quem você é em si mesmo? Você não acha que Deus se sente assim?  Deus não fez isso por mim, em outras palavras, eu queria Deus por suas bênçãos, não em si mesmo. Você casou com Deus por causa do seu dinheiro. Ele era um objeto. Os serafins não estão nesta análise de custo-benefício. Eles estão servindo a Deus por quem ele é, por sua beleza. Sua santidade não é útil, é sua beleza.

Jonathan Edwards ensinou que:

  • o poder de Deus é algo que você pode querer de maneira egoísta. Queremos que Deus use seu poder. Como também a sabedoria de Deus é algo que também podemos querer egoisticamente porque podemos usar para nós mesmos. Até mesmo a misericórdia de Deus.

  • A santidade não tem qualquer uso. Não há nenhum benefício, apenas tremor. Qualquer um que louva a santidade de Deus está amando Ele apenas por quem Ele é em si mesmo e não nenhum uso para nós.


b. UMA EXPERIÊNCIA RADICAL DE HUMILDADE.


  • "AI DE MIM!" - Eu estou em ruínas, desmantelado. Na presença de um superlativo humano, você sempre vai achar isto traumático porque isto esmaga sua autoimagem.



  • Se você vai fazer um teste, quando chega lá descobre que há pessoas que são mais espertas, mais talentosas que você, você está apenas na média.



  • Segundo a tradição judaica, Isaías era da família real. Era parte da elite. Um gênio de habilidades artísticas, intelectuais e de comunicação. Numa cultura oral, ele era um homem de ouro.  Que poder ele tinha. Mas, com a morte do rei, tudo está desmoronando, e um homem como Isaías, provavelmente o mais brilhante de sua geração, estava pensando em entrar no poder e endireitar as coisas. Você sempre pensa "aquelas pessoas" são o problema. Ele entra na presença da santidade de Deus e descobre que ele é o problema, na verdade.  Mesmo meus lábios, a melhor parte que tenho é fraca, está distorcida, inunda.



  • Quando as pessoas entram na presença de Deus, elas começam a odiar a si mesmas. Isto acontece sempre.



  • Mesmo se na presença do superlativo humano, você detesta a si mesmo, mesmo se Deus fosse apenas amor, na presença do amor mais perfeito, sua autoestima vai entrar em colapso.



  • Aqui nós sabemos como que você começa a entrar na presença do Deus verdadeiro. Você descobre que você é um pecador. Você pensa que está perdido. Você enxerga que é mais cruel, mais egoísta, mais ruim que você achava que era. Se há um Deus real, Ele deveria fazer você se sentir assim.



  • Assim, que ele confessa seu pecado, Deus começa a obra em sua vida. O anjo tem o fogo de Deus em sua mão. Você pode pensar que este fogo de Deus seria a ira de Deus contra ele, não um fogo que purifica. Ele poderia esperar que seria extinguido. Ao invés, aqui está o fogo que limpa. A santidade não vai destruir, ela vai limpar.



  • Quem enviarei, quem irá por nós? Agora, ele está mais afirmativo, valorizado e buscado que ele esperava.



  • A autoimagem de Isaías foi desconstruída e reconstruída.  No mesmo momento, ele descobre que é mais perverso que ele acreditava e mais amado que ele imaginara pela graça de Deus.



  • Antes, ele pensava que era bom por causa dos seus padrões. Se você vive pelos seus padrões, você será confiante e durão, mas não humilde e sensível para com outras pessoas. Se você não vive de acordo com seus padrões, você será humilde e sensível para com outras pessoas, mas não confiante. Mas, pela graça de Deus, você pode tanto confiante como humilde ao mesmo tempo.



UMA EXPERIÊNCIA DE PUREZA RADICAL

Como o fogo de Deus pode ser um agente de purificação? 

Séculos depois, o templo também teve um tremor, vemos na história da crucificação de Mateus. A terra tremeu e a pedra se partiu. Jesus, antes de ir para a cruz, disse: minha alma está abatida até a morte, mas nenhum anjo apareceu para retirar o pecado. Jesus foi abalado pelo julgamento de Deus. Ele veio não para trazer julgamento, mas para carregar sobre si o julgamento para que nós pudéssemos ter uma nova imagem quando nos encontrássemos com ele e nós mesmos. Agora, a santidade de Deus é bela. Não servimos a Deus pelas coisas.

3. ENCONTRO COM O MUNDO.

Deus está criando um novo céu e uma nova terra. Três coisas ele precisa fazer em nós para ser úteis. Ao invés de usarmos Ele, deixemos que Ele nos use.

a. Disposição:


  • Quando Deus se torna real e experimentamos sua glória, seu peso sobre tudo que há em nossa vida. As nossas vontades deixam de ter a proeminência que tinham, queremos ficar à disposição dele, para qualquer lugar e momento que Ele nos mandar, INCONDICIONALMENTE.


b. Dependência

  • Suas necessidades diante da glória de Deus passam a ser vista também de outra forma. Elas não são tão importantes quanto Deus. Não se busca aqui uma realização pessoal e nem também mais se confia na própria capacidade.



  • Por que não aceitamos um trabalho que não vai dar aplauso?



c. Expectativa.


  • Deus fala que o resto da vida de Isaías vai ser terrível, mas há semente que está sendo plantada, e um dia tudo que está errado será consertado.



Veja a primeira resolução de Jonathan Edwards:



Resolvi que farei tudo aquilo que seja para a maior glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e agrado, durante todo tempo de minha peregrinação, sem nunca levar em consideração o tempo que isso exigirá de mim, seja agora ou pela eternidade fora. Resolvi que farei tudo o que sentir ser o meu dever e que traga benefícios para a humanidade em geral, não importando quantas ou quão grandes sejam as dificuldades que venha a enfrentar.


Fonte:

Timothy Keller - The Gospel and Your Self

terça-feira, julho 12, 2016

Dê minha parte da herança



A terceira parábola de Jesus em Lucas 15 é a mais longa e mais famosa. É uma história sobre uma família- um pai e dois filhos. A história começa quando o filho mais novo vem até o pai e pede, “Dê me minha parte da herança”. Nos tempos antigos, quando o pai morria, o filho mais velho recebia uma porção dobrada do que os outros receberiam. Se há dois filhos, então o mais velho vai receber 2/3 da herança e o mais novo ficará com 1/3. Então, a história começa com o mais novo pedindo por um terço da propriedade do pai. Vamos ver: 1. O significado do pedido, 2. A resposta do pedido e 3. A diferença que faz para nós.



1. O SIGNIFICADO DO PEDIDO - versículos 11 e 12.

O pedido do filho mais novo foi surpreendente, porque a herança não poderia ser dividida e distribuída para os filhos até que o pai morresse.

  • Kenneth Bailey diz: "Na cultura do Oriente Médio, pedir a herança enquanto o Pai está vivo, é desejar que ele morra".
  • O pedido deveria então ter sido uma desgraça para o nome da família, porque o filho mais novo desrespeitou o pai. Isto deve ter sido custoso do ponto de vista econômico para a família,  Foi um ato de violência tanto no relacionamento como também na economia daquela família.



Por que o filho mais novo faria tal pedido?
  • Em suas Confissões, Agostinho nos da uma teoria do porquê nós fazemos o que fazemos, especialmente, quando nós pecamos. Ele observa "Um homem matou outro homem- qual foi seu motivo? Seja ele desejou sua esposa ou sua propriedade ou outra coisa ele roubou para acudir a si mesmo, ou ele tinha medo de perder algo para ele ou ele foi machucado e estava se vingando. Agostinho vai adiante e diz que mesmo um assassino mata porque ele ama alguma coisa. Ele ama romance ou riqueza ou sua reputação ou algo demasiadamente, mais que Deus, e por isto, ele mata. Nossos corações são distorcidos por amores desordenados. Nós amamos, colocamos o nosso coração naquilo, e procuramos nas coisas aquilo que nos dará alegria e significado que apenas Deus pode nos dar.
  • O filho mais novo pode ter vivido com seu pai e mesmo ter obedecido seu pai, mas ele não amava seu pai. A coisa que ele mais amava era as coisas do pai. Seu coração estava na riqueza do pai e no conforto, liberdade e status que a riqueza traz.  Seu pai era apenas um meio para o fim. Agora, contudo, sua paciência acabou. Ele sabia que o pedido poderia ser uma facada no coração de seu pai, mas obviamente ele não se importava com isto.
Aqui está a grande ironia:

Os dois filhos parecem muito diferentes na superfície. Um está correndo para viver uma vida dissoluta, e outro fica em casa e obedece e serve seu pai.

Mas, no fim, o irmão mais velho está furioso com o pai e humilha ele recusando entrar no grande banquete. Este é o jeito do irmão mais velho de dizer que não iria viver na mesma família com o irmão mais novo. Então, de novo, a integridade da família e o coração do pai estão sob assalto- desta vez pelo irmão mais velho.

Por que? O irmão mais velho se opõe por conta do gasto que o pai esta fazendo, como veremos. Ele mostra que estava obedecendo o pai para ter suas coisas, não porque o amava, já que ele quer o deixar envergonhado. Tanto o mais novo como o mais velho amam as coisas do pai, não o pai.


A RESPOSTA AO PEDIDO- vs. 12b, 20-24

O pedido do filho mais novo deve ter chocado os ouvintes de Jesus, mas a resposta do Pai foi ainda mais marcante. Esta era uma sociedade patriarcal, em que você deveria mostrar deferência e reverência pra com os mais velhos ou mais acima de você. Este tipo de insolência era ultrajante. Os ouvintes deveriam estar esperando o pai explodindo em raiva, expulsando o filho de casa.

Ao invés disto, nós lemos as palavras simples, "então, ele dividiu sua propriedade entre eles". Precisamos nos colar no contexto histórico. Naqueles dias, a riqueza da família era sua terra e propriedade. De fato, a terra da família era parte de sua identidade.

Isto aparece no uso incomum do grego no versículo 12 traduzido como propriedade. A palavra "bios" que significa vida. O texto diz que ele dividiu sua vida entre eles. Por que usar essa palavra? Provavelmente, era o modo como ele se sentia em perder sua propriedade,

O irmão mais velho e qualquer um nessa comunidade deve ter pensado que o pai era tolo em dar aquilo que o mais novo havia pedido. Mas, olhando para trás, conhecemos melhor. Se o pai tivesse ficado amargo e batido no mais novo, dificilmente, ele o veria de volta, a restauração nunca teria acontecido.

Ao suportar a agonia e a dor do filho em si mesmo ao invés de tomar a vingança, ou dar o troco no filho, o pai deixa a porta para o relacionamento. O pai está pronto para sofrer pelo pecado do filho, de modo que algum dia uma reconciliação é possível.

3. QUE DIFERENÇA ISTO FAZ PARA NÓS.

Primeiro, isto significa que sejamos irreligiosos ou religiosos, temos um problema chamado amor desordenado ou ídolos do coração.

Muitos de nós podemos ser como o irmão mais velho. Podemos obedecer todas as regras, mas o nosso coração e paixão é outra coisas- nossa carreira, fazer dinheiro, nossos filhos ou aceitação. Se qualquer coisa estiver controlando o nosso coração, se alguma coisa é mais importante que a nossa felicidade que Deus- então esta coisa é o nosso deus, nosso amor desordenado.

Reconhecer estas coisas pelo que elas são. Ver como elas afetam o nosso coração e a nossa vida.

Quando Deus veio neste mundo, poderíamos esperar que ele viesse em ira, apareceria e nos expulsaria. Mas, ele não fez. Ele não veio com espada em suas mãos,  mas com pregos em suas mãos. Ele não veio para trazer julgamento, mas para carregar o julgamento.


Jesus foi para cruz em fraqueza e deu sua vida. Sua única propriedade, suas vestes, foram divididas. Ele fez isto, para que quando nos arrependermos, haverá um caminho de reconciliação com Deus.


MELHOR ROUPA.

"A melhor roupa da casa teria de ser a roupa do próprio pai, um sinal inequívoco da posição restaurada da família. O pai está dizendo: Não irei esperar até que você pague sua dívida, não irei esperar até que você pague sua dívida, não irei esperar até que você se humilhe o suficiente. Você não vai ter que lutar por seu lugar na família, irei simplesmente aceita-lo de volta. Cobrirei sua nudez, sua pobreza e seus trapos com as roupas de meu trabalho e de minha honra"


sábado, junho 25, 2016

João 13:-1-21: O Amor de Jesus

JOÃO 13:1-21:  Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim. E, acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse, Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça. Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos, mas não todos. Porque bem sabia ele quem o havia de trair; por isso disse: Nem todos estais limpos. Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes. Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar. Desde agora vo-lo digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou. Na verdade, na verdade vos digo: Se alguém receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito, e afirmou, dizendo: Na verdade, na verdade vos digo que um de vós me há de trair.



Jesus em seus últimos momentos está preocupado que os discípulos não estão entendendo sua missão neste mundo.

Para além da lei ou da aparência, há uma transformação de coração. Jesus quer que seu ensino encontre o coração deles.

Existe 4 lições sobre como o fruto do Espírito cresce em nossas vidas, em particular, o fruto do amor.

1. Importância do Fruto do Espírito ou da Mudança de Caráter.

Judas Iscariotes estava presente ali, tinha o melhor professor, o melhor mestre, o melhor exemplo que alguém poderia ter. Ele foi treinado para ser um ministro. Judas viu pessoas serem transformadas por Jesus.

Mesmo assim, não havia mudança nele. Um verdadeiro cristão vai além do conhecimento que tem de Deus, deve haver a graça de Deus na vida dele. Não é o quanto eu sei ou quantas pessoas eu abençoei, mas o quão eu mudei.

Quando você tem que se arrepender de algo é algo constante na sua vida. Você é mais arrependido que antes.

Você está crescendo no fruto do Espírito?

2. Unidade do Fruto do Espírito.

Jesus Cristo serviu a esses homens apesar de quem eles eram. Nesta história, temos um Mestre, que é o próprio Deus, lavando os pés dos discípulos.

Jesus serviu apesar do que ele ia enfrentar. Ele estava para enfrentar a morte, mesmo assim, resolveu ajudar. Isto só acontece quando alguém mesmo em dificuldade consegue pensar na necessidade dos outros.

Ele lava os pés de todos, mesmo de Judas e o de Pedro.

Os frutos estão todos lá, quando olhamos para ele vemos amor, paz, autocontrole, tudo.

Se não tivermos todos os frutos, não temos nada. Alguns podem achar que pode ter e não ter outro. Há uma unidade do fruto do Espírito.

Quando há autocontrole sem alegria, se trata na verdade de orgulho-controle.
Quando há paciência mas sem perdão, o que existe é indiferença.

A Necessidade de Jesus.

A única maneira de sabermos quão imaturos somos espiritualmente não é olhar para minhas forças porque minhas forças tem algumas coisas do meu temperamento que podem parecer força, mas não são. Temos que olhar para a nossa fraqueza.

Temos a tendência de achar que somos mais maduros que somos, em nossas quedas, em nossas fraquezas vemos que as nossas forças não são tão grandes assim.