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terça-feira, maio 01, 2012

O Homem Espiritual - A Carne

A segunda parte do livro O homem espiritual, falará sobre a Carne.

Já vimos no post anterior que Nee divide o ser humano em três esferas distintas e ligadas, espírito, alma e corpo.

1. A carne e a salvação.

Nee fala que a carne é usada para a pessoa não regenerada, ao velho eu, o carnal.


 Na queda do homem, a alma se opôs à autoridade do espírito e ficou escravizada ao corpo e suas paixões. Deste modo o homem se converteu em um homem carnal, não em um homem espiritual. O espírito do homem foi despojado de sua nobre posição e foi rebaixado à de um prisioneiro. 

Há três maneiras de  usar carne na Bíblia.

1.  parte branda do corpo, aquela com a qual percebemos o mundo.

2. refere-se ao corpo humano, tanto vivo como morto, como em Rm 7.23, carne psiquica e carne fisica.

3. a totalidade da humanidade, Todo homem é controlado pela composição da alma e do corpo que chamamos carne, e vai atrás dos pecados de seu corpo e do eu de sua alma. Por isso sempre que a Bíblia fala de todos os homens, sua frase característica é «toda carne». Em conseqüência, basar ou sarx se referem aos seres humanos em sua totalidade.


Como homem se torna carne?

O homem é carne.

O homem não se torna progressivamente com o mal, todo o que nasce é carnal, não é determinado nem pela conduta nem pelo caráter.



A carnalidade de um homem não vai ser determinada por ele mesmo, mas sim por seu nascimento. Se nascer da carne, todos os planos para sua transformação serão infrutíferos. Não importa como mude externamente; seja através de uma mudança diária ou de mudanças bruscas, o homem continua sendo carne tão firmemente como sempre.



 O homem não regenerado.



Embora a carne seja extremamente forte pecando e seguindo o desejo egoísta, é extremamente fraca em relação à vontade de Deus. O homem não regenerado é incapaz de cumprir a vontade de Deus, sendo «debilitado pela carne». E a carne é «hostil a Deus; não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser» (Rm. 8:3, 7). 
 Deus reconhece a impossibilidade de que a carne seja trocada ou melhorada. Por isso, ao salvar ao mundo não tenta modificar a carne do homem. Em lugar disso dá ao homem uma vida nova para ajudá-lo a dar morte à carne. A carne tem que morrer. Esta é a salvação. 

 A salvação de Deus.


A reação de Deus à pecaminosidade de todos os homens é ocupar-se Ele mesmo da tarefa da salvação. Seu método é «enviar a seu próprio Filho à semelhança da carne pecaminosa». Seu Filho é sem pecado, por isso é o único qualificado para nos salvar. A expressão: «À semelhança da carne pecaminosa» descreve sua encarnação: como toma um corpo humano e se une com a humanidade. O único Filho de Deus é mencionado em outro ponto como «o Verbo» que «se fez carne» (Jo. 1:14). Sua vinda à semelhança da carne pecaminosa é o «se fez carne» desse versículo. Por isso nosso versículo em Romanos 8:3 nos explica também de que maneira a Palavra se fez carne. A ênfase, aqui, é que Ele é o Filho de Deus, e portanto é sem pecado. Inclusive quando vem na carne, o Filho de Deus não se faz «carne pecaminosa». Só vem à semelhança da carne pecaminosa». Enquanto viveu na carne, permaneceu como Filho de Deus e sem pecado. Entretanto, como possui a semelhança da carne pecaminosa, está estreitamente unido aos pecadores do mundo que vivem na carne.   

Por isso o Senhor Jesus dá morte ao pecado em sua carne. Por conseguinte, podemos ver em sua morte que não só são julgados nossos pecados mas também inclusive é julgado o próprio pecado. Assim,  o pecado já não tem nenhum poder sobre os que se uniram à morte do Senhor e em conseqüência têm o pecado condenado em sua carne.
A regeneração


Embora Deus não possa modificar nossa carne, nos dá sua vida. A carne do homem permanece tão corrupta nos que nasceram de novo como nos outros. A carne de um santo é tal e qual a de um pecador. Na regeneração, a carne não se transforma. O novo nascimento não exerce nenhuma influência sobre a carne. Permanece tal como é. Deus não nos transmite sua vida para educar ou adestrar à carne. Ao contrário, a dá a nós para vencer a carne.
Como uma pessoa pode saber  que foi regenerada? João nos diz que o homem nasce de novo ao crer no nome do Filho de Deus e ao recebê-lo (1:12). O Filho de Deus se chama «Jesus», que significa «salvará o povo de seus pecados» (Mt. 1:21). Assim, crer no nome do Filho de Deus equivale a acreditar nele como Salvador, acreditar que morreu na cruz por nossos pecados para nos libertar do castigo e do poder do pecado. Acreditar nisso é recebê-lo como Salvador. Se alguém deseja saber se está regenerado ou não, só tem que fazer uma pergunta: fui à cruz como um pecador necessitado e recebi ao Senhor Jesus como Salvador? Se responder afirmativamente, está regenerado. Todo o que crê no Senhor Jesus nasce de novo. 

 O conflito entre o novo e o velho.

A cruz de Cristo trata com o pecado, e o Espírito Santo trata com o eu por meio da cruz. Cristo liberta por completo o crente do poder do pecado por meio da cruz, para que o pecado não torne a reinar, mas Cristo, por meio do Espírito Santo que vive no crente, capacita-o para vencer o eu dia após dia e para que obedeça a Ele por completo. A libertação do pecado é um fato consumado. A negação do eu tem que ser uma experiência diária.   


A carne exige soberania absoluta, igualmente a vida espiritual. A carne deseja ter o homem sujeito para sempre a ela mesma, enquanto que a vida espiritual quer ter o homem completamente sujeito ao Espírito Santo. A carne e a vida espiritual diferem por completo. A natureza da carne é a do primeiro Adão, enquanto que a natureza da vida espiritual pertence ao último Adão. O mover da primeira é terrestre, mas o da segunda é celestial. A carne centra todas as coisas no eu; a vida espiritual centra tudo em Cristo. A carne deseja levar o homem ao pecado, mas a vida espiritual deseja levá-lo à justiça. Posto que estas duas são tão essencialmente opostas, como uma pessoa pode evitar se chocar continuamente com a carne?

O propósito de Deus não é, nem será jamais, reformar a carne mas sim destruí-la. O eu na carne deve ser destruído com a vida de Deus que o crente recebe na regeneração.

 A segunda parte do capítulo vai tratar sobre o crente carnal, muitos são controlados pela carne como se não tivessem morrido e ressuscitado. Nee cita 1Co 3.1-3, segundo ele, Paulo faz uma diferenciação entre o crente carnal e o espiritual.

A regeneração bíblica é um nascimento pelo qual a parte mais íntima do ser do homem, o espírito, profundamente oculto, é renovado e habitado pelo Espírito de Deus. Tem que passar um tempo até que o poder desta nova  vida alcance o exterior: ou seja, até que se estenda do centro até a circunferência.    
O propósito da redenção de Cristo é eliminar tudo o que obstaculize o controle do Espírito Santo sobre toda a pessoa para que desse modo possa ser espiritual. Esta redenção não pode falhar jamais porque o poder do Espírito Santo é superabundante. Da mesma maneira que um pecador carnal pode converter-se em um crente regenerado, um crente regenerado mas carnal pode ser transformado em um homem espiritual. O que é lamentável é encontrar cristãos que não realizaram nenhum progresso em sua vida espiritual ao longo de vários anos e até décadas! E estes mesmos se assombram quando encontram  alguém que, ao fim de uns anos, empreende uma vida do espírito. Consideram isso como algo muito estranho e não vêem que se trata simplesmente de algo normal, do normal crescimento da vida.
  
A principal característica de um crente carnal é a infância prolongada, não acredita que o Espírito Santo o liberta do poder da carne. Outra característica é que são incapazes de assimilar o ensino espiritual, Nee fala de Paulo pregando a Corínto, era a igreja mais instruída, mas toda a compreensão estava apenas na mente. Lembrando que a mente para Nee está na esfera da alma e não do espírito, por isso:


 O autêntico conhecimento espiritual não se encontra em pensamentos maravilhosos e misteriosos mas sim na experiência espiritual real através da união da vida do crente com a verdade. Aqui  a inteligência não serve, e o anseio pela verdade também é insuficiente. O indispensável é um caminho de total obediência ao Espírito Santo, que é o único que nos ensina de verdade. Todo o resto é a simples transmissão de conhecimento de uma mente a outra. Estes dados não tornam espiritual alguém que seja carnal.



Nee conclui que na realidade carnal o que se necessita não é de mais ensino, mas de um coração obediente que esteja disposto a obedecer dando sua vida ao Espírito Santo. Um maior ensino espiritual só servirá para enganar seu coração se considerando espiritual.

Outra característica é o pecado do ciúme e da rivalidade, as divisões nascem da falta de amor e da carnalidade.


Pecados da carne.

Quando permanece na carne, o cristão é vencido constantemente pelas tentações.

Para Nee, a primeira tentação está no campo da comida.


Inclusive no jardim do Éden o pecado da gula provocou imediatamente concupiscência e vergonha. Paulo põe juntas estas duas coisas em sua primeira carta aos Coríntios (6:13, 15) e relaciona claramente a embriaguez com a maldade (vs. 9,10).
Depois a reprodução.que se tornou em desejo carnal ou concupiscência. 

E enfim, a defesa própria,  a vaidade , irritação  e rivalidade.

As coisas da carne.

As obras da carne estão listadas em Gálatas 5:19-21, são os desejos do corpo e da mente (Ef. 2:3). 

Podemos dividir estas obras da carne em cinco grupos:
1) pecados que mancham o corpo, tais como a imoralidade, a impureza, a libertinagem;
2) comunicações sobrenaturais pecaminosas com as forças satânicas, tais como a idolatria, a bruxaria;
3) temperamento pecaminoso e suas peculiaridades, tais como inimizade, lutas, ciúmes, ira;
4) seitas e bandos religiosos, tais como o egoísmo, as dissensões, o espírito partidarista, a inveja;  e
5) lascívia, tais como a embriaguez e as orgias. Cada uma destas é facilmente observável. Os que as fazem são da carne.

A necessidade da morte.

Muitos crentes, ignorantes da salvação de Deus, tentam conquistar a carne brigando com ela. Acreditam que a vitória depende da força que possuem. Por conseguinte, contam seriamente com que Deus lhes concederá um grande poder espiritual para que possam dominar a sua carne. Normalmente esta batalha se estende por um longo período de tempo, com mais derrota que vitórias, até que finalmente se vê que uma vitória total sobre a carne é irrealizável.
Durante este tempo o crente continua por uma parte guerreando, e pela outra tentando melhorar ou disciplinar sua carne. Ora, esquadrinhando a Bíblia, estabelece muitas regras («não faça, não prove, não toque»), na vã esperança de dominar e domar à carne. Inconscientemente cai na armadilha de tratar o mal da carne como um resultado da falta de regras, educação e civilidade. Acredita que se pudesse dar a sua carne alguma preparação espiritual se livraria de seu problema. Não vê que semelhante tratamento é inútil (Cl. 2:21-23).
Por causa da confusão em que se acha o cristão, desejando, na aparência, a destruição da carne, mas ao mesmo tempo procurando melhorá-la, o Espírito Santo deve lhe permitir que lute, que seja derrotado e que sofra sob suas próprias acusações. Só depois de ter passado por esta experiência repetidamente, o cristão compreenderá que a carne é irredimível e que seu método é vão. Então procurará outro tipo de salvação. Deste modo conhecerá por experiência o que antes só conhecia mentalmente.
O único caminho é a morte, e não há outro. Preferiríamos domar a carne com nosso esforço, com nossa vontade ou com outros inumeráveis meios, mas a prescrição de Deus é a morte. Se a carne morre, não ficam resolvidos todos os problemas de maneira automática? Não temos que conquistar a carne: ela tem que morrer. É muito razoável, se considerarmos a maneira com que passamos a ser carne já no princípio: «o que nasce da carne é carne». Nos tornamos carne ao nascer dela. Agora bem, a saída simplesmente segue a entrada. A maneira de possuir é a maneira de perder. Como nos fizemos carne ao nascer da carne, se depreende facilmente que nos liberaremos dela, se morrer. A crucificação é o único caminho.







A terceira parte falará sobre a cruz e o Espírito Santo, existem duas obras da cruz, a substitutiva e a identificativa para Nee.

Ele começa falando da libertação da cruz, fala do crente que trabalha para controlar os pecados, enquanto esquece de tratar da própria carne.

Os recém-nascidos em Cristo precisam se apropriar do profundo significado da cruz porque ainda são carnais. O objetivo de Deus é crucificar junto com Cristo o velho homem do crente, com o resultado de que os que pertencem a Cristo «crucificaram a carne com suas paixões e desejos».
Aí, Nee fala das duas obras da cruz: a substitutiva e a identificativa.

Primeiro Cristo morreu na cruz pelo pecador para perdoar seu pecado. Portanto, o Deus santo podia perdoá-lo com justiça. Mas a seguir está o fato de que o pecador também morreu na cruz com Cristo para que não possa ser controlado mais por sua carne. Só isto pode fazer que o espírito do homem recupere seu próprio domínio, que o corpo seja seu servidor externo e que a alma seja sua intermediária. Desta forma, o espírito, a alma e o corpo são restaurados a sua posição original anterior à queda. Se ignoramos o significado da morte que descrevemos, não seremos libertados. Que o Espírito Santo seja nosso Revelador!

Para Nee não importa se conseguiu vitória ou não,  não é uma questão moral, nem coisa da vida, conhecimento ou obras espirituais.  A crucificação da carne não depende das experiências, mas sim depende da obra terminada de Deus.

«Os que pertencem a Cristo Jesus» — tanto os fracos como os fortes — «crucificaram a carne com suas paixões e desejos».
Dizeis que ainda pecais, mas Deus diz que fostes crucificados na cruz.
Dizeis que vosso mau gênio persiste, mas a resposta de Deus é que fostes crucificados.
Dizeis que vossas paixões continuam sendo muito poderosas, mas novamente Deus replica que vossa carne foi crucificada na cruz.
De momento, façam o favor de parar de olhar suas experiências e ouçam o que Deus lhes diz. Se não escutarem sua Palavra e em lugar disso observarem continuamente sua situação, jamais viverão a realidade de que sua carne foi crucificada na cruz. Não façam caso de seus sentimentos e de sua experiência. Deus declara crucificada sua carne, e conseqüentemente, ela foi crucificada. Respondam simplesmente à Palavra de Deus e terão experiência. Quando Deus lhes diz que «sua carne foi crucificada», devem responder: «Amém, é verdade que minha carne foi crucificada.» Atuando desta maneira, segundo sua Palavra, comprovarão que sua carne está verdadeiramente morta.

Sejam quais forem nossas experiências pessoais, Deus declara que «os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne». Para possuir esta morte não devemos dedicar muita atenção a investigar ou observar nossas experiências. Em vez disso devemos acreditar na Palavra de Deus. «Deus diz que minha carne foi crucificada e por isso acredito que está crucificada. Reconheço que o que diz Deus é verdade.» Respondendo desta maneira logo nos encontraremos com a realidade disto. Se primeiro olhamos o ato de Deus, nossa experiência virá a seguir. 

O Espírito Santo e a experiência.

A carne já não tem poder sobre nós, pois acreditamos e reconhecemos que ela foi crucificada na cruz.



Nossa união com Cristo em sua morte significa que é um fato em nossos espíritos. O que o crente deve fazer agora é tirar esta morte de seu espírito e aplicá-la a seus membros cada vez que suas paixões despertem. Esta morte espiritual não é coisa para uma vez e pronto. Se o crente não se mantiver vigilante ou se perde a fé, é indubitável que a carne entrará em um frenesi de atividade. Que deseje ser totalmente conformado à morte do Senhor, deve fazer morrer sem cessar as ações de seus membros para que o que é real no espírito se realize no corpo.

 A existência da carne.


É um tremendo engano pensar que já eliminamos a carne e deduzir que a natureza do pecado está completamente aniquilada. Este falso ensino engana às pessoas. A vida regenerada não modifica a carne. A crucificação conjunta em Cristo não suprime a carne. O fato de que o Espírito Santo habite em uma pessoa não a impossibilita para andar segundo a carne. A carne, com sua natureza carnal, vive perpetuamente no crente. Assim que tenha uma oportunidade, passará à ação de modo imediato.



Se um crente chega a acreditar que está totalmente santificado e que já não tem carne, viverá uma vida de aparência, falsa, ou uma vida indolente e relaxada. Aqui temos que destacar um fato. Os filhos nascidos de pais regenerados e santificados ainda são da carne e precisam nascer de novo como outros meninos.

Se um crente permanecer totalmente inclinado a pecar, isto mostra que é a carne e que não se apropriou da salvação total. O Senhor Jesus pode nos desviar do pecado, mas além disso devemos estar alertas. Sob a influência do mundo e a tentação de Satanás, a possibilidade de pecar se mantém. 

Naturalmente, um crente deve compreender que em Cristo é uma nova criatura. Como tal, o Espírito Santo vive em seu espírito; e isto, junto com a morte de Jesus trabalhando ativamente em seu corpo, pode equipar o crente para viver uma vida santa. Isto só é possível porque o Espírito Santo aplica a cruz na carne do crente, fazendo morrer as ações de seus membros. E então fica inativa. Entretanto, isto não implica que já não existe a carne. Porque um crente continua possuindo uma carne pecaminosa e é consciente de sua presença e de sua contaminação. O próprio fato de que a natureza pecaminosa seja transmitida aos filhos deixa claramente estabelecido de que o que agora possuímos não é a perfeição natural de Adão sem pecado. 

 A presença da carne não é uma chamada à rendição, mas sim uma chamada a vigiar. A cruz crucificou por completo à carne. Se estivermos dispostos a anular as más obras do corpo no poder do Espírito Santo, experimentaremos seriamente a obra consumada da cruz.

 A quarta parte fala da jactância da carne, Nee começa falando  do outro lado da carne, que é a ligada a alma e não as paixões do corpo como foi visto até aqui.


A Bíblia emprega a palavra «carne» para descrever a vida ou a natureza corrupta do homem, que abrange a alma e o corpo. No ato criador de Deus, a alma foi colocada entre o espírito e o corpo, ou seja, entre o que é celestial ou espiritual e o que é terrestre ou físico. Seu dever é administrá-los de acordo com a função de cada um, conforme a sua adequação, mas mantendo-os intercomunicados, para que, por meio desta perfeita harmonia, o homem possa finalmente alcançar a plena espiritualidade. Desgraçadamente, a alma cedeu à tentação que surgiu dos órgãos físicos, escapando assim da autoridade do espírito e aceitando o controle do corpo. Em conseqüência, a alma e o corpo ficaram unidos para ser a carne. A carne não só está «livre do espírito», mas também é totalmente contrária ao espírito. Por isso a Bíblia afirma que «a carne luta contra o espírito» (Gl. 5:17).
Nee tem uma posição um pouco distinta da reformada em relação a situação da carne na queda.
O que o engana é que a carne não somente pode produzir pecado mas também pode fazer o bem. Se ainda fizer o bem é evidente que ainda está viva. Se a carne tivesse morrido definitivamente, a capacidade do crente de fazer o bem e de fazer o mal teria morrido com ela. 
Para provar este argumento ele cita Nicodemos, em Jo 3:6 e Gl 3:3,  então as boas ações são boas, mas são carnais.


Isto implica que os carnais tentaram agradar a Deus, embora sem êxito. Certamente, isto se refere especificamente às boas ações da carne que fracassam por completo em agradar a Deus. Agora vamos conhecer, em profundidade, precisamente o que a carne pode fazer: é capaz de realizar boas ações, de fazê-las com competência. Freqüentemente concebemos a carne sob o aspecto de suas paixões e concupiscências, e por conseguinte a consideramos categoricamente poluída, sem ver que compreende mais que o aspecto das paixões. Mas as atividades das variadas faculdades da alma não têm por que ser tão poluídas como as paixões. 

Mas, Nee se aproxima da doutrina reformada, quando fala do arrependimento tanto das más obras como também das boas obras:


Tudo o que uma pessoa é capaz de fazer antes da regeneração simplesmente é o resultado dos esforços da carne. Por isso pode fazer o bem, como também pode fazer o mal. O engano do crente reside precisamente aqui, em que só sabe que o mal da carne deve ser destruído, mas ignora que tem que acontecer o mesmo com o bem da carne. Desconhece que a virtude da carne é da carne tanto quanto a sua maldade. A carne permanece sendo carne, seja boa ou seja má. O que põe um cristão em perigo é sua ignorância ou sua rejeição em enfrentar a necessidade de desprender-se de tudo da carne, inclusive do que é bom. Deve reconhecer categoricamente que o bom da carne não é em nada melhor que o mau, posto que ambas as coisas pertencem à carne. Se não se enfrentar com a carne boa, um cristão não pode esperar ser livre do domínio da carne jamais. Porque se deixar que sua carne faça o bem, logo a encontrará obrando o mal. Se não destruir sua virtude, sem dúvida alguma teremos que nos enfrentar com sua maldade.

A natureza das obras da carne.


Como já dissemos, a segurança e a confiança em si mesmo são as brechas das boas obras da carne. Para a carne é impossível descansar em Deus. É muito impaciente para tolerar qualquer demora. Enquanto se considerar forte nunca confiará em Deus.Mesmo nos momentos de desespero, a carne continua fazendo planos e procurando uma saída. Nunca tem a sensação de dependência total. Isso pode ser uma indicação para o crente saber se uma obra é ou não é da carne. Tudo o que não for resultado de esperar em Deus, de confiar no Espírito Santo, é da carne sem dúvida alguma. Tudo o que uma pessoa decide segundo seu critério em lugar de procurar a vontade de Deus, surge da carne. Sempre que há ausência de uma confiança absoluta, isto é obra da carne. Agora entendam, as coisas que se façam podem não ser más ou equivocadas. De fato podem ser boas e piedosas (como ler a Bíblia, orar, adorar, pregar), mas se não são feitas num espírito de total confiança no Espírito Santo, então tudo é obra da carne. A velha criatura está disposta a fazer qualquer coisa  — inclusive submeter-se a Deus — contanto que se lhe permita viver e permanecer ativa! Por muito boas que possam parecer as ações da carne, o «eu», oculto ou visível, sempre aparece no horizonte. A carne jamais admite sua debilidade nem reconhece sua inutilidade; inclusive embora se evidencie seu fracasso até o ridículo, a carne continua acreditando firmemente em sua capacidade.




Os pecados resultantes.

Quando um crente tenta completar a tarefa do Espírito com a energia da carne, nunca alcançará a maturidade, ao invés disso, chegará um momento em que os pecados que havia superado anteriormente aparecerão com maior força no futuro.

Por causa de sua ignorância desta verdade, os crentes da Galácia chegaram a «morder-se e devorar-se uns aos outros» (Gl. 5:15). Tentaram aperfeiçoar pela carne o que tinha começado no Espírito Santo, porque desejavam «fazer um bom papel na carne», para «poder glorificar-se em sua carne» (6:12,13). Evidentemente, seus êxitos em conseguir fazer o bem com a carne eram muito escassos, enquanto que seus fracassos em vencer o mal eram numerosos. Não percebiam que, enquanto servissem a Deus com suas forças e suas idéias, indubitavelmente serviriam ao pecado na carne. Se não proibiam à carne que fizesse o bem, não podiam impedi-la de que fizesse o mal. A melhor maneira de não pecar é não fazer o bem com o eu. Ao desconhecer a absoluta corrupção da carne, os crentes gálatas, em sua necessidade, desejavam usá-la sem reconhecer que há a mesma corrupção na carne ao gabar-se de fazer o bem que ao seguir as más paixões. Não podiam fazer o que Deus queria que fizessem, porque por um lado tentavam realizar o que o Espírito Santo tinha começado, e pelo outro tentavam inutilmente livrar-se das paixões da carne.



A quinta parte do segundo capítulo fala  da atitude definitiva do crente com a carne, para Jesus a carne não vale nada, seja o pecado da carne ou seja a bondade.

  • 1) «Porque a inclinação da carne é morte» (8:6). Segundo Deus há morte espiritual na carne. A única saída é levar a carne à cruz. Apesar dela ter capacidade para fazer o bem ou planejar e maquinar para conseguir a aprovação dos homens, Deus pronunciou contra a carne simplesmente uma sentença: a morte.
  • 2) «A inclinação da carne é inimizade contra Deus» (8:7). A carne se opõe a Deus. Não existe a mínima possibilidade de uma coexistência pacífica. Isto não só ocorre com os pecados que surgem da carne mas também com seus pensamentos e ações mais nobres. É óbvio que os pecados contaminantes são contrários a Deus, mas tenhamos presente que também se podem fazer boas ações independentemente de Deus.
  • 3) «Não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser» (8:7). Quanto melhor trabalha a carne mais se afasta de Deus. Quantas pessoas «boas» estão dispostas a acreditar no Senhor Jesus? A justiça própria não é justiça absolutamente; em realidade é injustiça. Ninguém pode jamais obedecer todas as doutrinas da santa Bíblia.  Uma pessoa pode ser tanto boa quanto má, mas uma coisa é certa: não se submete à lei de Deus. Se for má, infringe a lei; se for boa, estabelece outra justiça fora de Cristo e deste modo passa por cima do propósito da lei («pela lei vem o conhecimento do pecado» [3:20]).
  • 4) «Os que estão na carne não podem agradar a Deus» (8:8). Este é o veredicto final. Apesar de quão  bom um homem possa ser, se o que faz sai dele, não pode agradar a Deus. Deus só se compraz com seu Filho. Além dEle e de sua obra, ninguém pode agradar a Deus. O que se faz com a carne pode parecer perfeitamente bom, mas como vem do eu e se faz com a força natural não pode satisfazer a Deus. O homem pode planejar muitas formas de fazer o bem, de melhorar e de avançar, mas isso é carnal e não pode agradá-Lo. Isto ocorre não só com os não regenerados; também é o mesmo com os regenerados. Por muito louvável e efetivo que seja o que o crente faça com suas próprias forças, não conseguirá a aprovação de Deus. Agradar ou desagradar a Deus não depende do princípio do bom e do mau. Pelo contrário, Deus procura a origem de todas as coisas. Uma ação pode ser totalmente correta, mas entretanto Deus pergunta: «Qual é sua origem?»



Se um crente aspirar alcançar a maturidade espiritual, deve preservar sempre esta atitude que o apóstolo Paulo apresenta ao longo do caminho espiritual; ou seja: «não que já a tenha alcançado». O cristão não deve atrever-se a ter a menor confiança em si mesmo, satisfação e gozo em si mesmo, pensando que pode confiar em sua carne.

A cruz e a obra mais profunda do Espírito Santo

A cruz é o lugar em que as paixões e os desejos — e a mola que ativa estas paixões e desejos — são crucificados, por admiráveis que possam parecer. Só no caso que alguém ver isso e estar disposto a negar toda sua carne, boa ou má, pode, de fato, andar conforme o Espírito Santo, agradar a Deus e viver uma vida espiritual genuína. Esse "estar disposto" não deve faltar, por sua parte, porque embora a cruz, como um fato consumado, seja completa em si mesma, sua realização na vida de uma pessoa é medida pelo conhecimento, pela preparação e pela fé da mesma. 

Em João 1.13 - temos a vontade da carne, em Cl 2.18 termos a mentalidade da carne e  em 2Co 1.12, temos a sabedoria da carne.


 Quando consignamos nossa carne à cruz a entregamos a maldição, reconhecendo que na carne não há nada bom e que não merece nada a não ser a maldição de Deus. Sem esta atitude no coração é extremamente difícil que nós aceitemos a circuncisão da carne. Todo afeto, desejo, pensamento, conhecimento, intenção, adoração e obra da carne deve ir para a cruz. Ser crucificado com Cristo significa aceitar a maldição que nosso Senhor aceitou. Não foi um momento glorioso para Cristo ser crucificado no Calvário (At. 12:2). Seu corpo foi pendurado no madeiro, o que significava ser maldito de Deus (Dt. 21:23). Como conseqüência, que a carne seja crucificada com o Senhor implica simplesmente ser maldito pelo Senhor. Tal como temos que receber a obra consumada de Cristo na cruz, assim também temos que entrar na comunhão da cruz. O crente deve reconhecer que sua carne não merece outra coisa senão a maldição da morte. Sua comunhão prática com a cruz começa depois que vê a carne tal como Deus a vê. Antes que o Espírito Santo possa encher plenamente uma pessoa, tem que haver uma entrega completa da carne à cruz. Oremos para que possamos saber exatamente o que é carne e como tem que ser crucificada.

Nossa segurança se acha no Espírito Santo. O caminho seguro está em nossa boa disposição para sermos ensinados, temerosos de que do contrário cedamos terreno à carne. Temos que nos submeter alegremente a Cristo e confiar no Espírito Santo para que nos aplique a morte de Jesus, para que possa ser ostentada em nós a vida de Jesus. Tal como antes estávamos cheios da carne, agora seremos cheios do Espírito Santo. Quando Ele tenha controle completo, vamos derrotar o poder da carne e manifestar Cristo em nossa vida. Poderemos então dizer que «a vida que agora vivo na carne, não a vivo eu, mas Cristo que vive em mim». Entretanto, o fundamento dessa vida é e foi sempre o «fui crucificado com Cristo» (Gl. 2:20).Se vivermos por fé e obediência podemos esperar que o Espírito faça uma obra extremamente Santa e maravilhosa em nós. 

 O melhor que a carne tem para oferecer deve ser entregue de modo inexorável à morte, pela simples razão de que pertence à carne. A justiça da carne é tão aborrecível como o pecado. Seus atos bons deveriam ser objeto de arrependimento por nossa parte com a mesma humildade que se fossem atos pecaminosos. Sempre temos que ter em conta o ponto de vista que tem Deus da carne.



O Homem Espiritual - 1


Alguns trechos do livro de Watchman Nee  (pp. 1- 64):


Primeira parte : INTRODUÇÃO SOBRE ESPÍRITO, ALMA E CORPO.
O novo nascimento — receber a própria vida de Deus — é o ponto de partida de toda vida espiritual.

O ser humano em três partes

O fracasso em distinguir entre o espírito e a alma é fatal para a maturidade espiritual. Com freqüência os cristãos consideram espiritual o que é anímico (ou seja, da alma), e desta maneira permanecem em um estado anímico e não procuram o que é espiritual seriamente. 

«Formou o homem do pó da terra» se refere ao corpo do homem; «soprou em seu nariz o fôlego de vida» se refere ao espírito do homem ao vir de Deus; e «o homem se tornou uma alma vivente» se refere à alma do homem quando o corpo foi avivado pelo espírito e convertido em um homem vivo e consciente de si mesmo. Um homem completo é uma trindade: composto de espírito, alma e corpo. Segundo Gênesis 2:7, o homem foi feito de só dois elementos independentes, o corporal e o espiritual. Mas quando Deus pôs o espírito dentro da armação de terra se criou a alma. O espírito do homem, ao entrar em contato com o corpo morto, produziu a alma. O corpo separado do espírito estava morto, mas com o espírito, o homem recebeu a vida. O órgão assim vivificado foi chamado alma. 

Deus considerou a alma humana como algo único. Como os anjos foram criados como espíritos, o homem foi criado de maneira predominante como alma vivente. O homem não só tinha um corpo, um corpo com o fôlego de vida; também se converteu em uma alma vivente. Por isso veremos mais adiante na Bíblia, que Deus freqüentemente se refere aos homens como «almas». Por que? Porque o que o homem é depende de como é sua alma. Sua alma o representa e expressa sua individualidade. É o órgão da livre vontade do homem, o órgão no qual o espírito e o corpo estão totalmente fundidos. Se a alma do homem quer obedecer a Deus, permitirá que o espírito governe o homem conforme o ordenado por Deus. A alma, se o decidir, também pode reprimir o espírito e tomar algum prazer como senhor do homem.

 Para Nee,

CORPO - aspecto material, sensitivo

ALMA-vontade, intelecto, emoções - personalidade.

ESPÍRITO- que se comunica com Deus.


Deus vive no espírito, o eu vive na alma, enquanto que os sentidos vivem no corpo.

O espírito não pode atuar diretamente sobre o corpo. Necessita um meio, e esse meio é a alma criada pelo contato do espírito com o corpo. Assim, a alma se encontra entre o espírito e o corpo, mantendo-os unidos. O espírito pode submeter o corpo através da alma para que obedeça a Deus. Da mesma maneira o corpo, mediante a alma, pode atrair o espírito a amar ao mundo. 


O homem como Templo, Nee  partindo de 1Co 3:16,17, escreve sobre a comparação paulina do homem como um templo santo:


O homem também é o templo de Deus e também tem três partes. O corpo é como o pátio exterior, e ocupa uma posição externa com sua vida visível para todos. Aqui o homem deveria obedecer toda ordem de Deus. Aqui o Filho de Deus serve como substituto e morre pela humanidade. Dentro está a alma do homem, que constitui a vida interior do homem e abrange a emoção, a vontade e o pensamento. Assim é o Lugar Santo de uma pessoa regenerada, porque seu amor, vontade e pensamento estão plenamente iluminados para que possam servir a Deus como o fazia o sacerdote na antigüidade. Na parte mais interna, atrás do véu, está o Lugar Santíssimo, no qual não penetrou jamais nenhuma luz humana e que nenhum olho viu. É o «esconderijo do Altíssimo», o lugar onde vive Deus. O homem não tem entrada ali, a menos que Deus esteja disposto a rasgar o véu. É o espírito do homem. O espírito se encontra além da consciência do homem e por cima de sua sensibilidade. Aqui o homem se une e se comunica com Deus.

 O serviço do templo funciona segundo a revelação no Lugar Santíssimo. Todas as atividades do Lugar Santo e do pátio exterior estão reguladas pela presença de Deus no Lugar Santíssimo. Este é o setor mais sagrado, o lugar ao qual convergem e se apóiam as quatro esquinas do templo. Pode nos parecer que no Lugar Santíssimo não se faz nada porque está completamente às escuras. Todas as atividades se realizam no Lugar Santo, e inclusive as atividades do pátio exterior são controladas pelos sacerdotes do Lugar Santo. No entanto, todas as atividades do Lugar Santo na realidade são dirigidas pela revelação no absoluto silêncio e paz do Lugar Santíssimo.


 O segundo ponto do primeiro capítulo é sobre o espírito e a alma, primeiro ele fala sobre o espírito humano:


Assim, podemos concluir que estes três elementos, consciência, intuição e comunhão, estão profundamente inter-relacionados e funcionam coordenados. A relação entre consciência e intuição é que a consciência julga segundo a intuição; condenando toda conduta que não siga as diretrizes dadas pela intuição. A intuição está relacionada com a comunhão ou adoração em que Deus se dá a conhecer ao homem pela intuição e lhe revela sua vontade também por meio da intuição. Nem a expectativa nem a dedução nos dão o conhecimento de Deus.  

Antes que o crente nasça de novo, seu espírito fica tão submerso e envolto por sua alma que lhe é impossível distinguir se algo sai da alma ou do espírito. As funções deste se misturaram com as daquela. Além disso, o espírito perdeu sua função original — sua relação com Deus — porque está morto para Deus. Poderia parecer que se converteu em um acessório da alma. E ao crescer e fortalecer o pensamento, a emoção e a vontade, as funções do espírito ficam tão eclipsadas que são quase ignoradas. É por isto que terá que fazer a obra de separação entre alma e espírito quando o crente tiver sido regenerado.

 A alma humana...

O que constitui a personalidade do homem são as três faculdades principais de vontade, pensamento e emoção.
A vontade é o instrumento de nossas decisões e revela nosso poder de escolha. Expressa nosso consentimento ou nossa negativa, nosso «sim» ou nosso «não». Sem ele o homem fica reduzido a um autômato.
A mente, o instrumento de nossos pensamentos, manifesta nosso poder intelectual. É a fonte da sabedoria, do conhecimento e do raciocínio. Sua ausência faz que um homem seja tolo e inepto.
O instrumento de nossas simpatias e antipatias é a faculdade da emoção. Por meio dela podemos expressar amor ou ódio e nos sentir alegres, zangados, tristes ou felizes. Sua escassez fará o homem insensível como a madeira ou a pedra.




O terceiro ponto do primeiro capítulo falará sobre a queda do homem.

Quando Deus criou o homem, deu-lhe liberdade, o homem possuía soberania para exercer sua vontade para escolher entre obedecer ou não.  Para Nee, a vontade do homem é livre:


Deus não levará a termo nada sem nossa colaboração ativa. Nem Deus, nem o demônio podem fazer nada através de nós sem antes ter obtido nosso consentimento, porque a vontade do homem é livre.
Para Nee, a árvore do bem e do mal é um mau em si mesma, pois eleva a porção animica do homem acima da porção espiritual distante do projeto divino. Para Nee, nosso espírito vem diretamente de Deus, já nossa alma,  foi produzida após que nosso espírito entrou em nosso corpo. 

O valor que tem a alma é realmente grande, se mantiver seu papel de mordomo e permitir que o espírito seja o amo. O homem pode então receber a vida de Deus e estar em conexão com o Deus da vida. Se, ao contrário, este mundo anímico se encher, conseqüentemente o espírito ficará reprimido. Todos os atos do homem ficarão limitados ao mundo natural do criado, incapaz de unir-se à vida sobrenatural e incriada de Deus. O homem original sucumbiu à morte porque comeu da fruta do conhecimento do bem e do mal, desenvolvendo assim, de maneira anormal, sua vida anímica.


Nee traça uma distinção na queda de Adão e Eva, o primeiro não foi enganado e a segunda sim para ele.


Tendo repassado cuidadosamente o relato da queda do homem, podemos ver que, ao rebelar-se contra Deus, Adão e Eva desenvolveram suas almas até o extremo de deslocar seus espíritos e submergir-se nas trevas. As partes proeminentes da alma são a mente, a vontade e a emoção do homem. A vontade é o órgão da decisão e em conseqüência o dono do homem. A mente é o órgão do pensamento, enquanto que a emoção é o do afeto. O apóstolo Paulo nos diz que «Adão não foi enganado», indicando que a mente de Adão não estava em confusão naquele dia fatídico. Quem fraquejou em sua mente foi Eva: «a mulher foi enganada e pecou» (1 Tm. 2:14). Segundo o relato de Gênesis, está escrito que «a mulher disse: «A serpente me enganou e comi» (Gn. 3:13). Mas «o homem disse: «A mulher me deu (não me enganou) a fruta da árvore e comi» (Gn. 3:12). É evidente que Adão não foi enganado. Sua mente estava limpa e sabia que a fruta era da árvore proibida. Comeu por causa de seu efeito pela mulher. Adão compreendeu que o que havia dito a serpente não era nada mais que o engano do inimigo. Das palavras do apóstolo vemos que Adão pecou deliberadamente. Amava a Eva mais que a si mesmo. Fê-la seu ídolo e por ela foi capaz de rebelar-se contra a ordem de seu Criador. Que lástima que sua emoção dominasse a sua mente! Seu efeito superou a sua razão.

O espírito, alma e corpo após a queda.

Nee coloca que a morte é o afastamento da comunicação com o meio ambiente, então, uma morte espiritual é o interrompimento da comunicação do espírito com Deus e a morte física da alma com o corpo.



Os homens caídos estão sob o domínio total da carne, atuando em resposta aos desejos de sua vida anímica e de suas paixões físicas. São incapazes de ter comunhão íntima com Deus. Às vezes desenvolvem seu intelecto, em outras ocasiões sua paixão, mas o mais freqüente é que desenvolvam tanto seu intelecto como sua paixão. Sem empecilhos, a carne controla firmemente o homem todo.

 O plano de Deus para o espírito era que tivesse a preeminência, que governasse nossa alma. Mas uma vez que o homem se torna carnal, seu espírito fica escravizado à alma. A degradação aumenta quando o homem se torna «corporal» (do corpo), porque o corpo, que é mais baixo, sobe até ser o soberano.

 O quarto ponto do primeiro capítulo diz respeito a salvação.

A morte entrou no mundo através da queda, impregnou o espírito,alma e corpo.


O homem que peca deve morrer. Isto está anunciado na Bíblia. Nenhum animal nem nenhum anjo podem sofrer o castigo do pecado em lugar do homem. É a natureza do homem a que peca, por isso é o homem que deve morrer. Só o humano pode expiar pelo humano. Mas como o pecado está em sua humanidade, a morte do homem não pode expiar por seu próprio pecado. O Senhor Jesus veio e assumiu a natureza do homem, para poder ser julgado em lugar da humanidade. Não corrompida pelo  pecado, sua santa natureza humana pôde deste modo expiar pela humanidade pecadora por meio da morte. Morreu como substituto, sofreu todo o castigo do pecado e ofereceu sua vida como resgate por muitos. Como conseqüência, todo aquele que crê nEle já não será julgado (Jo. 5:24).

 Como a humanidade tem que ser julgada, o Filho de Deus — o homem Jesus Cristo — sofreu em seu espírito, alma e corpo sobre a cruz pelos pecados do mundo.

 As almas humanas desfrutaram plenamente do prazer dos pecados; por conseguinte, Jesus ia suportar em sua alma a dor destes pecados. Preferiu beber a taça que Deus lhe deu do que a taça que anestesiaria sua consciência. 


Por um lado seu espírito suportou o abandono de Deus e por outro, resistiu ao escárnio do espírito diabólico. O espírito do homem se separou tanto de Deus, exaltando-se a si mesmo e seguindo o espírito diabólico, que o espírito do homem tem que ser quebrantado de tudo para que não possa continuar opondo-se a Deus e estando aliado com o inimigo. O Senhor Jesus se fez pecado por nós na cruz. Sua santa humanidade interior foi completamente aniquilada ao julgar Deus à humanidade ímpia. Abandonado Por Deus, Cristo sofreu, pois, a mais amarga dor do pecado, suportando na escuridão a ira castigadora de Deus sobre o pecado sem o apoio do amor de Deus ou a luz de seu rosto. Ser abandonado por Deus é a conseqüência do pecado. Agora nossa humanidade pecadora foi julgada totalmente porque foi julgada na humanidade sem pecado do Senhor Jesus. Nele, a humanidade santa conquistou sua vitória. Toda sentença sobre o corpo, a alma e o espírito dos pecadores foi lançada sobre Ele. Ele é nosso representante. Por fé estamos unidos a Ele. Sua morte é considerada como nossa morte, e sua sentença como nossa sentença. Nosso espírito, alma e corpo foram julgados e castigados nele. Seria o mesmo que se tivéssemos sido castigados em pessoa.

A regeneração.

O passar da morte para a vida. O espírito do homem precisa ser avivado porque nasceu morto.  Para Nee, o novo nascimento acontece no espírito, não tem relação com a alma ou o corpo.
Nossa regeneração é nossa união com o Senhor em sua ressurreição e também em sua morte. Sua morte terminou com nossa vida pecaminosa, e sua ressurreição nos deu uma vida nova e nos iniciou na vida de cristão. 

Assim, não confundam a posição com a experiência. No momento em que uma pessoa acredita no Senhor Jesus, pode ser muito fraca e ignorante, mas, mesmo assim, Deus a colocou na perfeita posição de ser considerada morta, ressuscitada e levantada com o Senhor. Quem é aceito em Cristo é tão aceitável como Cristo. Esta é a posição. E sua posição é: tudo o que Cristo experimentou é seu. E a posição o faz experimentar o novo nascimento, porque não depende do grau de seu conhecimento experimental da morte, da ressurreição e da ascensão do Senhor Jesus, mas sim de se ter crido nele ou não. Inclusive, se um crente é em sua experiência totalmente ignorante do poder de ressurreição de Cristo (Fp. 3:10),  Ele o tem feito viver junto com Cristo, o ressuscitou com Ele e o assentou com Ele nos lugares celestiais (Ef. 2:5, 6).
Receber a vida de Deus no novo nascimento é o ponto de partida do andar com Cristo, um mínimo absoluto para o crente. Os que ainda não creram na morte do Senhor Jesus nem tenham recebido a vida sobrenatural (que não podem possuir de maneira natural) estão mortos aos olhos de Deus, por muito religiosos, morais, eruditos ou zelosos que possam ser. Os que não têm a vida de Deus estão mortos. 
 Nee termina o primeiro capítulo explicando o que seria o crente carnal.


Um cristão espiritual é aquele em que o Espírito Santo vive em seu espírito e controla todo seu ser. Então, o que significa ser carnal? A Bíblia usa a palavra «carne» para descrever a vida e o valor de um homem não regenerado. Compreende tudo o que surge de sua alma e de seu corpo pecaminoso (Rm. 7:19). Por isso o cristão carnal é o que nasceu de novo e que tem a vida de Deus, mas em lugar de vencer a sua carne é vencido por ela.







sexta-feira, janeiro 06, 2012

John Piper: Fé na graça futura versus ansiedade

Como aplicar o poder purificador da  graça futura, Piper começa o capítulo contando como Deus o ajudou em sua ansiedade de falar em público. Sendo que a ansiedade é uma condição do coração que dá origem a outros pecados, como a cobiça e a ganância quanto ao dinheiro, pode deixar você frio e restrito quanto aos relacionamentos, a respeito de uma verdade pode levá-lo a mentira.


Quanto a ansiedade, o texto importante para Piper é o de Mateus 6.25-34, para Jesus, a ansiedade é uma fé inadequada na graça futura do nosso Pai, quando a incredulidade domina o coração, um dos efeitos é a ansiedade.


"A raiz da ansiedade é a desconfiança em tudo que Deus prometeu nos dar em Jesus" (p. 56)
Existe, então, uma conexão entre ansiedade e incredulidade, o único modo de vencer o pecado é através da fé na graça futura.  A ansiedade também desfocaliza nossa visão da glória de Deus, ataca a nossa fé, vale a pena a citação do Salmo 56.4 aqui.


O verdadeiro crente tem momentos de medo e ansiedade, mas devemos lembrar de 1Pedro 5.7. 


Os elementos cristãos para a luta são as promessas de Deus e a lavagem pelo Espírito Santo. Conforme 2Ts. 2.13, os dois grandes edificadores são: a obra do Espírito e Palavra da verdade.


A seguir, John Piper enumera sete promessas da graça futura contra ansiedade:


1. Mateus 6.25- provisão divina


2. Mateus 6.27 - você é importante para Ele.


3. Mateus 6.27,28-  a promessa da realidade, a ansiedade não fará nada por você.


4. Mateus 6.28-30- abundância e criatividade da provisão divina


5. Mateus 6:31,32 - o conhecimento divino de nossas necessidades.


6. Mateus 6.33- a esperança de ser cuidado quando buscamos a Ele e seu reino.


7. Mateus 6.34- Até mesmo as tribulações estão sob seu controle.




"Façamos guerra, não contra outras pessoas, mas contra a própria incredulidade. É a raiz da ansiedade que, por sua vez, é a raiz de tantos outros pecados. Portanto, liguemos o limpador do para-brisa e usemos o fluido do esguicho, e mantenhamos os olhos fixos nas grandes e preciosas promessas de Deus. Pegue sua Bíblia, peça ajuda ao Espírito Santo, ponha as promessas no coração e combata o bom combate de viver pela fé na graça futura" p.62
Comentários:


A ansiedade como origem do pecado pode ser entendida como a escolha da incredulidade como viver. Ao invés de uma dependência de Deus, buscamos outra fonte que possa assegurar o nosso futuro, ou seja, nossa salvação.


Esta ideia está ligada ao conceito de Lutero, em que todo pecado é antes de tudo o pecado de idolatria ou uma negação do primeiro mandamento.


Conforme diz Timothy Keller em Deus Pródigo:



Quase todo mundo define pecado como a quebra das leis. Jesus, entretanto, mostra-nos que aquele homem que não violou nenhum dos pecados da lista pode estar tão equivocado quanto o homem que violou a lista inteira. Por que? Porque pecado não é simplesmente quebrar as regras, mas se colocar a si mesmo no lugar de Deus como Salvador, Senhor e Juiz. Ha dois caminhos para fazer isto, um é quebrando as leis morais e o outro é guardando-as muito bem.
Uma vida de obediência alimentada pela graça futura e não pela gratidão evita que caíamos na tentação de buscar em nós mesmos a fundamentação da obediência. Ajuda também a evitar uma vida de ansiedade, já que nosso futuro não está mais agarrado a nossa performance espiritual. 


Como diz Carlos McCord em A vida que satisfaz:


"O crente que permanece trabalha a partir do descanso. O crente que não permanece trabalha para descansar" (p. 78)

Termino este comentário com uma citação de Watchman Nee em seu Vida Cristã Normal:


Toda a ansiedade e a irritação dos filhos de Deus ter­minaria se os seus olhos fossem abertos para ver a gran­deza do tesouro contido nos seus corações. Você sabe que há, no seu próprio coração, recursos suficientes para satisfazer todas as necessidades de cada circunstância em que poderá jamais encontrar-se? Sabe que há aí poder suficiente para mover a cidade em que vive? Sabe que há poder suficiente para abalar o universo? Digo-lhe mais uma vez, com toda a reverência: você nasceu de novo do Espírito de Deus, e carrega Deus no coração.  (cap. 8- O tesouro do vaso)
 

segunda-feira, junho 13, 2011

WATCHMEN NEE: A vida cristã normal

Logo no primeiro capítulo Nee lança as bases de sua fé, para ele a vida cristã normal é Vivo não mais eu, mas Cristo vive a Sua vida em mim.

Deus nos revela claramente, na Sua Palavra, que so­mente há uma resposta para cada necessidade humana — Seu Filho, Jesus Cristo. Em toda a Sua ação a nosso res­peito, Deus usa o critério de nos tirar do caminho, pondo Cristo, o Substituto, em nosso lugar. O Filho de Deus morreu em nosso lugar, para obter o nosso perdão; Ele vive em vez de nós, para alcançar o nosso livramento. Podemos falar, pois, de duas substituições — uma Substi­tuição na Cruz, que assegura o nosso perdão, e uma Substituição interior que assegura a nossa vitória.. Ajudar-nos-á grandemente, e evitará muita confusão, conservar constantemente perante nós este fato: Deus responderá a todos os nossos problemas de uma só forma: mostrando-nos mais do Seu Filho.

Isto posto, Nee parte para  o  estudo dos primeiros oito capítulos de Romanos,  sendo que na primeira seção que vai até 5.11, considera-se a questão dos pecados que eu tenho cometido diante de Deus, que são muitos e que podem ser enumerados, enquanto que, na segunda(5.12-8.39), trata-se do pecado como princípio que opera em mim. De tal modo que existe dentro de mim uma inclinação para pecar, um poder interior que leva ao pecado. Quan­do aquele poder anda solto, eu cometo pecados. Posso procurar e receber o perdão, depois, porém, peco outra vez. E, assim, a vida continua num círculo vicioso de pe­car e ser perdoado e depois pecar outra vez. Aprecio o fato bendito do perdão de Deus, mas eu desejo algo mais do que isso: preciso de livramento. Preciso de perdão pa­ra o que tenho feito, mas preciso também de ser liberta­do daquilo que sou.




Para estes dois problemas, apresentam-se dois aspectos da salvação: em primeiro lugar, perdão dos pecados, e em segundo lugar, libertação dos pecados.  Para Nee, o sangue de Jesus  está ligado aquilo que fizemos, enquanto que a cruz está ligada a nossa natureza. O Sangue purifica os nossos pecados, enquanto que a Cruz atinge a raiz da nossa capacidade de pecar.


Todos pecaram - Rm 3.23

Nee fala da queda, o pecado entrou pela desobediência- Rm 5.19-. Criando uma separação entre Deus e o homem, há um afastando para todos- Rm 3.9-. Isto leva a um sentimento de culpa- de afastamento e  separação de Deus. 



O pecado entra na forma de desobediência, para criar, em primeiro lugar, separação entre Deus e o ho mem, do que resulta ser este afastado de Deus. Deus já não pode ter comunhão com ele, por agora existir algo que a impede, e que, através de toda a Escritura, é co nhecido como "pecado". Desta forma, é Deus que, pri meiramente, diz: "Todos... estão debaixo do pecado" (Rm 3.9). Em segundo lugar, o pecado, que daí em dian te constitui barreira à comunhão do homem com Deus, comunica-lhe um sentimento de culpa — de afastamento e separação de Deus. Agora, é o próprio homem que, mediante a sua consciência despertada, diz: "Pequei" (Lc 15.18). E ainda não é tudo, porque o pecado oferece também a Satanás uma possibilidade de acusação diante de Deus, enquanto o nosso sentimento de culpa lhe dá ocasião para nos acusar nos nossos corações; assim, pois, em terceiro lugar, é o "acusador dos irmãos" (Ap 12.10), que agora diz: "Tu pecaste".
As Escrituras mostram como o Sangue de Cristo opera eficazmente nestes três aspectos, em relação a Deus, em relação ao homem, e em relação a Satanás,

O Sangue é para expiação e, em primeiro lugar, rela ciona-se com a nossa posição diante de Deus. Precisamos de perdão dos nossos pecados cometidos para que não caiamos sob julgamento; e eles nos são perdoados, não porque Deus não os leva a sério, mas porque Ele vê o Sangue. O Sangue é, pois, primariamente, não para nós, mas para Deus.