segunda-feira, julho 30, 2007

Kenosis


por Ed Rene Kivitz

No Concílio de Nicéia (325 d.C.), sob o imperador Constantino, e no primeiro Concílio de Constantinopla (381 d.C.), se o consenso de que Cristo era eterno, uma encarnação divina, (chamada de "homoousios"), que significa consubstancial com Deus Pai, em uma só pessoa, porém com duas naturezas - completamente divina e completamente humana - e propósitos.

"O termo KENOSIS (ke/nwse - ekénose) que significa esvaziamento, é encontrado no Novo Testamento como o esvaziamento de Jesus (Fl 2,7), esta relacionado a sua divindade, mas precisamente ao deixar de lado seus atributos divinos sem perder sua natureza divina. Jesus deixa de depender de seu poder divino para depender do Espírito Santo". A definição é simples, mas serve.

A discussão ao redor da kenosis de Jesus está no contexto das disputas cristológicas, que debate a natureza de Jesus Cristo durante os primeiros séculos do Cristianismo, e gira ao redor do objeto do esvaziamento, ou, o que foi que Jesus deixou no céu ao descer para a terra?

No emaranhado de heresias históricas a respeito, há pelo menos duas possibilidades de explicação da kenosis: esvaziamento na forma e nos atributos. Jesus é Deus esvaziado dos atributos próprios de sua divindade (onipotência, onipresença e onisciência), embora intocado em sua natureza divina (eternidade e santidade). Isso implica dizer que o esvaziamento de Deus em Jesus não diz respeito à natureza de Deus. Deus é o mesmo, antes e depois de sua kenosis. Podemos considerar a kenosis, portanto, um critério de relação de Deus com sua criação e suas criaturas.

Creio que Deus conduz a história independentemente de sua kenosis, mas entra na história sempre esvaziado, através de Jesus. Apenas para diferenciar os critérios de relacionamento de Deus com sua criação e suas criaturas, falemos do Deus exaltado (sem kenosis) e do Deus esvaziado, em Jesus (com kenosis). Deus conduz a história desde seu alto e sublime trono, Deus exaltado, mas participa da história em Jesus, o Deus esvaziado . Estes são os sentidos das chamadas teofanias: a presença de Deus, em Jesus, no Velho Testamento, antes da encarnação.

Aqui surge um mistério: existe kenosis antes da encarnação. Somente o Deus esvaziado se manifestaria no tempo e seria passível de ser percebido por suas criaturas. O Deus em seu alto e sublime trono habita em luz inacessível (1Timóteo 6.16), e não pode ser contemplado pelo mortal.

Por esta razão, quando Moisés solicita que Deus lhe mostre sua glória, Deus lhe concede ver sua bondade: "Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti", pois "Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá" (Êxodo 33.20).

O Deus que precisa descer para saber o que se passa em Babel (Gênesis 11.5), verificar a pertinência das acusações feitas contra Sodoma e Gomorra (Gênesis 18.20 ,21), e colocar Abraão à prova (Gênesis 22.12) é o Deus esvaziado em Jesus. Dizer que tais expressões são meras figuras de linguagem implica a diminuição da verdade bíblica. Estes não são exemplos de antropomorfismo como figura de linguagem, mas de antropomorfismo como kenosis, pois o Deus que participa da história é o Deus esvaziado em Jesus.

Podemos concordar com Ariovaldo Ramos quando diz que em Filipenses 2 há, portanto, duas kenosis.. A primeira é Deus em forma de servo (a kenosis antes da encarnação): deus se esvazia para incluir a humanidade em si mesmo, diminui-se para que o finito conviva com o eterno sem ser esmagado pela eternidade e pela glória do Eterno; a segunda é Deus em forma humana (a kenosis da encarnação): Deus se esvazia para se identificar em termos absolutos com a humanidade (Hebreus 4.15,16; 10.5) e para conduzir a humanidade à participação em sua natureza divina (2Pedro 1.4).

Os grandes conflitos da espiritualidade cristã consistem no desejo humano de conviver aqui e agora com o Deus exaltado, negligenciando todas as possibilidades de convivência com o Deus esvaziado.

A maioria das pessoas quer um Deus exaltado: onipotente, onipresente e onisciente, que invade a história com seu poder e autoridade e interfere na realidade em benefício dos seus. A proposta cristã, entretanto, é um convite ao seguimento do Deus esvaziado, que habita nos seus através do Espírito Santo. Sua forma de atuação não é a intervenção que perpetua a imaturidade, mas a cooperação que convida à emancipação e autonomia.

Quanto tempo será necessário para que os cristãos assumam que o Deus exaltado continua a agir na história como Deus esvaziado? Este é o tempo de afirmação da terceira kenosis: o esvaziamento de Deus para habitar sua igreja: Deus age em nós, através de nós, apesar de nós, e nos dá o privilégio de cooperar com Ele em sua obra de redenção (João 14.16-23; 1Coríntios 3.16; 6.19; 12.4-7; Efésios 2.20-22; 1Pedro 2.4-6; Apocalipse 21.3).

domingo, julho 29, 2007

Peregrino

Quanto mais o peregrino for capaz de discernir e de interferir no outro mundo, maior a possibilidade de êxito neste mundo (...) O cristão é um peregrino que caminha em comunhão. O cristianismo é a trilha da intimidade com Deus e com o próximo. Cristianismo é conexão
p.7
A capacidade de viver um momento de cada vez, expressando a imago Dei por meio de minha singularidade, é o que chamo viver com propósito
p. 8

“Quem deseja experimentar a profundidade da vida de Deus não precisa deixar tudo de lado para olhar apenas para Deus. Ao contrário, não pode deixar nenhum aspecto da realidade circundante fora da interação com Deus



Ed Rene Kivitz, Vivendo com propósitos, Mundo Cristão

sexta-feira, julho 27, 2007

Encarnação, missão e salvação

Período Oriental
o Estado, a sociedade, a cultura, a própria natureza constituem objetos reais da missão, e não um ambiente neutro em que a única tarefa da igreja seria preservar sua própria liberdade interior, manter sua vida religiosa...No mundo da encarnação, nada de neutro remanesce, nada pode ser tirado do Filho do homem.
Alexander Schmemann in Bosch, p. 260.

Período Romano-Medieval



A esperança pelo reino de Deus se transformou em esperança pelo céu, o lugar ou estado de vida em que as pessoas que fazem o bem serão recompensadas e o qual se alcança como prêmio para perseverança. Visando a isso, desenvolveu-se uma prática penitencial cada vez mais refinada. Orientavam-se os crentes quanto a maneiras apropriadas de realizar o auto-exame espiritual a fim de que pudessem analisar melhor suas consciências e detectar suas fraquezas morais em sua constituição espiritual. Em termos positivos, esse desenvolvimento ajudou a criar uma tradição de integridade e vitalidade moral no cristianismo ocidental
p. 268

quinta-feira, julho 26, 2007

Kierkegaard - Faith and Tremble.


Faith is precisely the paradox that the single individual as the single individual is higher than the universal, is justified before it, not as inferior to it but superior—yet in such a way, please note, that it is the single individual who, after being subordinate as the single individual to the universal, now by means of the universal becomes the single individual who as the single individual is superior, that the single individual as the single individual stands in an absolute relation to the absolute. This position cannot be mediated, for all mediation takes place only by virtue of the universal; it is and remains for all eternity a paradox, impervious to thought. And yet faith is this paradox...


The difference between the tragic hero and Abraham is very obvious. The tragic hero is still within the ethical. He allows an expression of the ethical to have its telos [end, goal] in a higher expression of the ethical; he scales down the ethical relation between father and son or daughter and father to a feeling that has its dialectic in its relation to the idea of moral conduct. Here there can be no teleological suspension of the ethical itself.

Abraham's act is different. By his act he transgressed the ethical altogether and had a higher telos outside it, in relation to which he suspended it.... It is not to save a nation, not to uphold the idea of a state that Abraham does it; it is not to appease the angry gods.... Therefore, while the tragic hero is great because of his moral virtue, Abraham is great because of a purely personal virtue

terça-feira, julho 24, 2007

Conversas da Alma


a transformação verdadeira do tipo que nos transforma em quem mais ansiamos ser e torna o mundo uma comunidade que honra a Deus acontece quando os seguidores de Jesus relacionam-se com a mais profunda paixão que está dentro deles. p. 125


Nosso propósito não é meramente ouvir o que o outro está sentindo. Queremos discernir o que as forças da trevas tem falado enganosamente a nosso amigo, queremos reconhecer os sussuros do Espírito vindo dos lugares mais profundos da alama de nosso amigo que talvez ainda não tenham sido ouvidos. Isso é curiosidade transcendente. p. 162

Larry Crabb, Conversas da Alma, Ed. Mundo Cristão 2004