sábado, agosto 25, 2007

Outros Seis Dias

Resumo Outros Seis Dias de R. Paul Stevens ultimato/textus


PRIMEIRA PARTE: UM POVO SEM LAICATO E CLERO

1. Teologia do Povo
O autor constrói as variáveis existentes e propõe uma nova construção de uma teologia do povo, “laos”, uma teologia que vá além da dicotomia clero-laico. Sobre esta incoerência evangélica:

“Entrar no trabalho de Deus significa tornar-se pastor ou missionário e não ser colaborador de Deus em Sua obra criadora, sustentadora, redentora e aperfeiçoadora, tanto na igreja como no mundo” (p.15)

2. Reiventando o Laicato e o Clero

O autor aponta nas Escrituras a insensatez da divisão.




A palavra laicato vem de dois termos:



1- laikos surge com Clemente de Roma, no fim do Séc. I, em sua carta aos corintios para descrever o ugar do laicato na adoração quando os presbíteros estavam sendo privados de suas funções.




2-idiotés, que significa leigo em contraste com um perito- especialista. O termo é usado em 1 Corintios 14:23 para descrever o individuo fora da igreja que entra numa reunião cristã totalmente despreparado e não consegue compreender o que está acontecendo, se referindo a pessoas não cristãs.

O laos de Deus
Não significa despreparado ou comum, mas o povo de Deus- um povo realmente extraordinário (Ef. 4:11-12). “Existe uma continuidade notável no povo de Deus sob a Antiga Aliança com respeito á sua consciência de ser um povo, mas uma descontinuidade no Antigo Testamento com respeito à liderança (Gordon Fee, p. 31)




Povo sem clero



Uma definição inaceitável de clérigo é que se trata de lideres que ganham seu sustento por meio do evangelho ou que se envolvem no serviço religioso por conta da remuneração. (p. 32)



O termo kleros aparece em At. 8.21, At. 26:17-18, Ef.1.11, Gl 3:29, Cl 1.12 como herança compartilhada entre todos os crentes, nunca significando uma posição individual especial.




O novo testamento mostra um mundo de dons universais, capacitação universal do povo de Deus mediante o dom do Espírito Santo, ministério universal e a experiencia universal do chamado de Deus por todo o povo de Deus” p.33

3. Um Deus- Um povo
Por que buscar abolir o conceito de laicato e sua separação do clero? Para a recuperação de todo o povo de Deus como verdadeiro ministério do Senhor.


Sir John Lawrence traduz o preconceito comum:
“O que o leigo quer realmente? Quer um prédio que pareça uma igreja; um clérigo vestido de maneira aprovada por ele; serviços do tipo a que está acostumado e ser deixado em paz” p. 49

Um Deus – Três Pessoas – Um Povo
At. 15:14
“ identidade do laos vem da Trindade – um povo em comunhão com Deus – e a vocação do laos tem também origem na comunhão com Deus. Desta forma, tanto o ser como o fazer, tanto a identidade como a vocação do laos serão considerados”(p 52)




O ministério é gerado em Deus, que continua Seu ministério por meio do Seu povo, começa quando nos unimos a Deus ( Jo. 1:12) e temos comunhao com o Pai e seu Filho (1 Jo. 1:3)

“O ministério de Deus é criativo e unitivo ( Jo. 17.21-23) e não apenas curativo e redentor, constituindo assim uma definição mais ampla de sevico e relacionamento do que é geralmente atribuído ao termo ministério. Como o seu Deus, o povo de Deus tem um ministério tanto criativo (fazer) como restaurador ( ministério de reparação): um ministério tanto unitivo (que liga) quanto curativo (que corrige) - desafiando assim a preocupação evangelica comum com a Grande Comissão ( Mt. 28.19-20) como a definição exclusiva de ministério, por mais importante que essa ordem seja”. (p. 53)




Pericorese

Doutrina dos pais capadocios que ensinavam que a essência de Deus é relacional, que Deus existe em uma pluralidade de pessoas distintas unidas em comunhão. Buscando evitar coletivismo ou individualismo, falava-se em pericorese – reciprocidade, intercambio, dar e receber sem obscurecer).

“As três pessoas da Trindade “ estando uma na outra” são atraídas para a outra, contidas na outra, interpenetram uma à outra ao extrair vida e derramar vida uma na outra- como a comunhão do amor” Edwin Hui p. 55

A doutrina da pericorese associa de maneira brilhante a trindade e a unidade, sem reduzir a trindade à unidade, ou dissolver a unidade na trindade” Jurgen Moltmann p. 55

O laos significa que os membros do povo de Deus tem comunhão com Deus e uns com os outros sem se fundir com Deus ou uns com os outros. Numa comunhão participatoria e pessoal- Fp. 3:12

1 Co 12
“O laos não tem uma unidade de purê de batatas, como é algumas vezes alegado, mas uma rica unidade social na qual cada membro se torna mais ele mesmo, experimentando uma vida comunitária fora-de-si-mesmo (extática). A unidade não é meio para o fim- uma necessidade prática para realizar o serviço da Igreja. Unidade é o fim, o alvo, o próprio ministério” (p. 56)

Ser laos significa ser simultaneamente ser comunitário e pessoal. “Deus que é comunidade do Pai, Filho e Espírito, criou uma comunidade que expressa a vida do amor de Deus na Terra”.

Na igreja pericorética.

1º. Não existe membro individual.
“No individualismo granular da cultura ocidental, a unidade básica da igreja é o membro individual. Mas, para Paulo,a unidade básica da Igreja é a Igreja!” (p. 58)

2º. Não há hierarquia de ministérios.

3º. Todos os membros do laos de Deus pertencem uns aos outros, ministram uns aos outros, precisam uns dos outro e contribuem para a rica unidade e ministério do todo.

quinta-feira, agosto 23, 2007

J. Stott e Trabalho

John Stott define o trabalho como o gasto de energia (manual, mental ou ambas) a serviço de alguém, que trasz satisfação para o trabalhador, benefício para comunidade e glória a Deus.

terça-feira, agosto 21, 2007

Henri Nouwen e o Perdão

Henri Nouwen, que define o perdão como "amor praticado entre pessoas que amam defeituosamente", descreve como o processo do perdão funciona:

Digo com freqüência: "Eu perdôo você". Mas, mesmo quando digo essas palavras, meu coração continua zangado ou ressentido. Ainda quero ouvir a história que me diz que eu estava certo, afinal de contas; ainda quero ouvir pedidos de desculpas e justificativas; ainda quero ter a satisfação de receber algum louvor em troca — pelo menos o louvor de ser tão perdoador!

O perdão de Deus, contudo, é incondicional; ele vem de um coração que não exige nada para si mesmo, um coração que está completamente vazio de interesses próprios. É o perdão divino que tenho de praticar em minha vida diária. Ele me convoca para continuar passando por cima de todos os meus argumentos que dizem que o perdão é loucura, doentio e impraticável. Ele me desafia a passar por cima de toda a minha necessidade de gratidão e elogios. Finalmente, ele exige de mim que eu passe por cima daquela parte ferida do meu coração que se sente machucada e maltratada e que deseja ficar no controle e colocar algumas condições entre mim e a pessoa a qual sou solicitado a perdoar.

Um dia descobri estas advertências do apóstolo Paulo aninhada entre muitas outras em Romanos 12. Aborrecei o mal, alegrai-vos, sede unânimes, não sejais sábios em vós mesmos — e a lista prossegue. Então aparece este versículo: "Não vos vingueis15 a vós mesmos, amados, mas dai lugar a ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor".

Finalmente, entendi: em última análise, o perdão é um ato de fé. Perdoando outra pessoa, estou confiando que Deus é um juiz melhor do que eu. Perdoando, abandono meus próprios direitos de me vingar e deixo toda a questão da justiça nas mãos divinas. Deixo nas mãos de Deus a balança que deve pesar a justiça e a misericórdia.

Quando José, finalmente, chegou ao ponto de perdoar seus irmãos, a dor não desapareceu, mas o fardo de ser o juiz se desfez. Embora o mal não desapareça quando perdôo, ele perde o seu poder sobre mim e é assumido por Deus, que sabe muito bem o que fazer. Tal decisão envolve risco, naturalmente: o risco de Deus não lidar com a pessoa como eu gostaria (o profeta Jonas, por exemplo, ressentiu-se porque Deus foi mais misericordioso do que os ninivitas mereciam).

Eu nunca achei que o perdão é fácil, e raramente o considero completamente satisfatório. As injustiças importunas continuam, e as feridas ainda doem. Tenho de me aproximar de Deus repetidas vezes, entregando a Ele os resíduos do que pensava ter-lhe entregue há muito tempo. Ajo dessa forma porque os evangelhos tornam clara a conexão: Deus perdoa minhas dívidas como eu perdôo meus devedores. O inverso também é verdadeiro: apenas vivendo na correnteza da graça de Deus encontrarei forças para reagir com graça para com os outros.

Um cessar-fogo entre os seres humanos depende de um cessar-fogo com Deus.

Henri Nouwen

sexta-feira, agosto 17, 2007

Podemos fazer escolhas erradas, mas Deus é grande demais para que nossos erros estraguem tudo.
Marva Dawn

quarta-feira, agosto 15, 2007

O chamado para triunfar sobre principados e poderes

Um deus que não existe na realidade tangível torna-se um deus se o cultuamos, mesmo se (ou será que é especialmente se?) não temos consciência do culto que lhe prestamos.

Os poderes não se transformam em deuses quando os mantemos em seu devido lugar, executando as funções para as quais foram criados- funções que dão gloria a Deus e contribuem para Seu louvor. Não obstante, vivemos em um mundo tão perdido que nada permanece em seu devido lugar. Há em tudo a tendência de ultrapassar os limites. Nós também. Nós nos transformamos em deuses o tempo todo. p. 79

A maior evidencia de como a morte pode ser um inimigo está nas atitudes extraordinárias das pessoas visando controla-la (como no movimento em favor da eutanásia) ou adia-la.

Quando não cremos que a Palavra carrega em si mesma seu próprio poder, começamos a manipula-la pelo modo como a lemos. A adoração se degenera quando nos transformamos em apresentadores de programas de entrevista- como se Deus não fosse convincente por Ele mesmo quando o mostramos claramente aos outros p. 89

O senhor chama-nos para fazer e construir a justiça o tempo todo, para amar o próximo como a nós mesmos e para reagir a Deus, a quem não vemos, através do serviço àqueles que podemos ver p.94

O mundo do qual o Novo Testamento fala não é apenas uma realidade espiritual e abstrata, mas, sim, uma realidade idêntica ao que o homem em geral chama de mundo, isto é, sociedade p 99

MAMOM

A autoridade espiritual de Mamom requer a cooperação humana. Por outro lado, a realidade material do dinheiro não é suficiente para explicar a compulsão que ele suscita. Como já foi mencionado antes, é claro que o dinheiro não obtém seu poder do papel com qual é feito.

“Não devemos, de forma alguma, minimizar o paralelo que Jesus estabelece entre Deus e Mamom. Ele não tencionava usar uma figura retórica. Seu objetivo era salientar uma realidade, Deus, uma pessoa, e Mamom, outra pessoa, encontram-se em conflito. Jesus descreve a relação entre nós e um dos dois do mesmo modo: é o relacionamento entre servo e senhor. Mamom pode ser um senhor extamente como Deus é: Mamom pode ser o senhor de uma pessoa...Jesus não está descrevendo o relacionamento entre nós e os objetos, mas, entre nós e um agente ativo. Ele não sugere que usemos o dinheiro com sabedoria ou que o ganhemos honestamente. Ele fala de um poder que tenta ser igual a Deus, que se coloca como nosso senhor e que possui alvos específicos

Assim, quando afirmamos que usamos o dinheiro, estamos cometendo um erro crasso. Podemos, se necessário, usar o dinheiro, mas, na verdade, é ele que nos usa e nos transforma em seus servos, colocando-nos sob suas leis e subordinando-nos a seus objetivos. Não estamos apenas falando de nossa vida interior, mas, sim, observando a nossa situação total. Não somos livres para dirigir o uso de nosso dinheiro de um modo ou de outro, pois estamos nas mãos desse poder controlador. O dinheiro é apenas uma manifestação exterior dele poder, um modo de ser, uma forma de ser usado no que se relaciona ao homem-extamente como os governos, reis e ditadores não passam de foram e aparições de outro poder claramente descrito na Bíblia”

Jacques Ellul na p.101

PODERES E SUAS FUNÇÕES

“A Biblia se refere a seis poderes do mal: Mamom, o príncipe deste mundo, o príncipe das mentiras, Satanás, o diabo e a morte. Isso é o suficiente. E relação a esses, poder-se-ia afirmar que, se o compararmos, descobriremos que são todos caracterizados por suas funções: dinheiro, poder, engano, acusação, divisão e destruição”. Jacques Ellul na p. 103


A fé reconhece que nosso valor deriva dAquele a quem pertencemos, sabe que o amor de Deus nos envolve e nos liberta para sermos autênticos p. 110



fonte- Pastor Desnecessário