sexta-feira, setembro 07, 2007

OUTROS SEIS DIAS


SEGUNDA PARTE- CHAMADO E EQUIPADO POR DEUS

Cap. 4- Chamado numa era pós-vocacional

“A idéia de que serviço de Deus tem a ver apenas com o altar da igreja, cânticos, leitura, sacrifício, e outros é sem duvida o pior estratagema do diabo. Como ele poderia nos desviar mais efetivamente do que pela concepção estreita de que o serviço a Deus só tem lugar na igreja e nas obras feitas nela. O mundo inteiro poderia transbordar de serviços para o Senhor- não só nas igrejas como também nos lares, na cozinha, na oficina e no campo” Lutero (p.70)

Chamados pessoais

1-Chamado Efetivo de Cristo

Para tornar-se um discípulo, esse é o meio principal que todos os crentes experimentam o chamado.

2- Chamado Providencial

Discernir a mão providencial de Deus em nossas vidas, nascimento, família, educação, personalidade, oportunidades faz parte da descoberta da nossa vocação pessoal.

3- Chamado Carismático.

Carisma no sentido de dons e graça providos por Deus mediante o Espírito. O Pai nos dá o mandato cultural para subjugar e desenvolver a terra. O Filho nos chama para o discipulado e nos convoca para a Grande Comissão. O Espírito nos prepara para a tarefa. (p.73)

Greg Ogden descreve três dimensões da experiência individual do chamado: (1) experimentamos um sentido de experiência individual do chamado; (2) ele é maior do que nós; (3) desperta grande satisfação e alegria. (p. 74)

quinta-feira, setembro 06, 2007

Salvação

"Aparece agora com toda nitidez a grandeza do respeito de Deus por sua criatura: uma salvação puramente presenteada, que não fosse- como a cristã- prolongamento do melhor que o ser humano é em si mesmo, seria a máxima alienação. Com certeza é gratuita, e consiste numa espécie de extrapolação infinita, de uma grandeza que nunca poderíamos sonhar; mas é extrapolação do dado real de nossa existência; é dom, mas um dom que eu recebo e que realiza o coração mesmo daquilo que eu buscava no melhor e mais profundo de mim mesmo" (p. 218)

" o céu é salvar-se, isto é, viver-se a si mesmo realizado no amor e no gozo do encontro infinito com Deus que se nos dá e que, dando-se-nos, entrega-nos a nós mesmos e afirma-nos em nossa identidade; uma identidade que não é mais limite ou barreira, mas antes comunhão total sem sombras e sem fronteiras" (p. 219)

A. T. Queiruga, ibid.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Corpo

"Nosso corpo é presença e calor de intimidade, mas uma presença fatalmente limitada e uma intimidade sempre ameaçada pelo equívoco ou egoísmo; o de Cristo, pelo contrário, é presença plena, intimidade que integra, multiplica e potencializa: quando se dá a alguém, cria abertura e comunhão com os outros, com todos" Andres T. Queiruga, p. 197

domingo, setembro 02, 2007

Jesus e a dor

A figura de Jesus tem ademais a vantagem de sua clareza concreta e direta: nele, em sua própria carne, vemos algo ainda mais importante: a atitude de Deus em relação à dor do ser humano; nele, em sua própria carne, vemos algo ainda mais importante: a atitude de Deus em relação a dor de Seu próprio Filho, isto é, em relação à sua própria dor; ou, quem sabe com maior exatidão, vemos o proprio Deus, enquanto entra na finitude humana, submetido à mesma e identica inevitabilidade das limitações do mal (p. 125)


Muito alem de qualquer outro tema mais tangencial, impõe-se uma questão fundamental: Jesus, está, de modo incondicional, ao lado das vitimas diante do mal que as oprime. Sua vida é, por essência, oposição às forças do mal. Sua presença liberta o ser humano tanto da miséria radical que o oprime- o pecado- como de suas conseqüências – a doença, a fome, o desprezo-. Sua missão consiste, justamente, em trazer-nos a boa noticia – Eu-angelion- de que Deus está presente, com seu amor e seu poder, para salvar a todos. A todos sem exceção; quer dizer, na típica lógica evangelica, primeira e principalmente aos excluídos da salvação, aos pobres, no sentido impregnante com que a tradição bíblica foi carregando esta denominação: os sem bens e sem cultura, os que não podem defender seus próprios direitos, até mesmo os excluídos- pelos homens- da aliança com Deus... Felizes vós, os pobres é, com segurança, a forma primigenia das bem-aventuranças, que são, por sua vez, o principio fundamental de toda a pregação evangélica (...)


Ele liberta do mal perdoando o pecado, curando as doenças, comendo com os pecadores: traz o anuncio, vindo da parte de Deus, do não radical à historia da dor humana (E. Schillebeeckx). Ele torna já presente a felicidade definitiva, escatológica: “dá de comer” e “passa fazendo o bem” (atos 10,38). Por isso, onde ele está desaparecem a tristeza e a angustia, sendo o jejum suprimido para dar lugar à alegria do banquete nupcial em companhia do noivo (Mc 2,18-22). Schillebeeckx expressa magnificamente isto quando fala da impossibilidade existencial de estar tristes na presença de Jesus" (p.126)

"Longe de ser causa ou cúmplice de nosso sofrimento, Deus se mostra para nós, no testemunho irrefutável da cruz, como aquele que pensa somente em nos ajudar, e que, para fazê-lo, está disposto a tudo, até mesmo a entregar seu próprio Filho: "Ele que não poupou seu próprio Filho" Rm 8,32" (p. 139)




Andres T. Queiruga Recuperar a Salvação Paulus,