segunda-feira, janeiro 26, 2009

Walter Benjamin e a tarefa da crítica


Walter Benjamin e a tarefa da crítica

Recriar a crítica como gênero literário era o principal objetivo de Walter Benjamin. Para o filósofo alemão, a crítica era uma reflexão que se desdobrava em cinco níveis

Márcio Seligmann-Silva

Revista Cult



Olhando retrospectivamente para o século 20, podemos dizer que Walter Benjamin de fato realizou um de seus projetos pessoais mais arrojados. Como ele formulou em uma carta a seu grande amigo Gershom Scholem, de janeiro de 1930, ele achava que conseguira o objetivo de "ser considerado como o primeiro crítico da literatura alemã". Este reconhecimento na época era na verdade muito tímido, restrito a um pequeno círculo de leitores especializados. Hoje este círculo cresceu a ponto de podermos com razão falar de um "reconhecimento" de sua posição privilegiada como crítico. Olhando retrospectivamente para o século 20, podemos dizer que Walter Benjamin de fato realizou um de seus projetos pessoais mais arrojados. Como ele formulou em uma carta a seu grande amigo Gershom Scholem, de janeiro de 1930, ele achava que conseguira o objetivo de "ser considerado como o primeiro crítico da literatura alemã". Este reconhecimento na época era na verdade muito tímido, restrito a um pequeno círculo de leitores especializados. Hoje este círculo cresceu a ponto de podermos com razão falar de um "reconhecimento" de sua posição privilegiada como crítico.
Benjamin estava ciente, como ele escreveu na mesma carta, que para tornar-se este "primeiro crítico" era necessário "recriar a crítica como gênero". Este gênero encontrava-se então na Alemanha desprezado, não era considerado como sério. No mesmo ano, Benjamin diagnosticava que uma das causas que havia levado a crítica alemã à crise naquela época, era a "ditadura da resenha como forma de pesquisa crítica". Ele mencionou então, como um contra-modelo do passado, as "Características" dos irmãos Schlegel. Como um dos caminhos para a saída da crise da crítica, ele cobrava dos críticos uma aproximação entre a abordagem filológica e uma autêntica reflexão crítica. Este termo indicava para ele uma reflexão tanto no sentido de uma teoria das formas, como de uma teoria da história.
Sem falsa-modéstia ele escreveu então que se a situação da crítica alemã estava se transformando, isto ocorria em parte devido aos seus enormes esforços. E, de fato, Benjamin então, com 38 anos, já fizera bastante para o aprimoramento da crítica. Ele não apenas publicara dois ensaios de peso sobre a literatura alemã, seu "O conceito de crítica de arte no romantismo alemão" (1919) e o "Origem do drama barroco alemão" (de 1925, publicado em 1928), como compusera uma profunda análise das Afinidades eletivas de Goethe (1922), além de mais de cerca de uma centena de artigos de crítica, sobretudo sobre literatura alemã e francesa. Com o fracasso de seu plano de entrar para a universidade, ele se entregara de corpo e alma a este projeto de crítica. Isto significou para ele uma vida atribulada, com enormes dificuldades econômicas. Para a posteridade, a sua enorme produção, paradoxalmente derivada desta mesma situação precária, significou o estabelecimento de um marco no pensamento e na crítica.
Esta última, em Benjamin, nunca foi limitada à literatura ou às obras de arte consagradas. Ele entendeu em primeiro lugar o conceito de crítica no seu sentido kantiano, de crítica da possibilidade de conhecimento. Neste ponto seu pensamento já se aproxima do dos românticos Schlegel e Novalis que cobravam da filosofia kantiana uma expansão do seu conceito de experiência. Com esses autores, ele via na crítica um medium-de-reflexão. Trocando em miúdos, assim como os românticos viam na "romantização" do mundo um projeto de superação das barreiras entre o universo criativo e penetrado de fantasia das artes, e, por outro lado, a vida prosaica cotidiana, do mesmo modo, Benjamin propõe para a crítica um projeto tanto estético quanto político. O ato da crítica era visto por ele como um meio de crítica de todo o sistema cultural e de sua base econômica. A partir de seu encontro com o marxismo de Lukács, isto tornou-se cada vez mais patente em seus ensaios e textos de crítica de arte. Aliás, se ele se identificou tão rapidamente com o marxismo de Lukács, foi também porque ambos, este e Benjamin, vinham de uma profunda relação com o romantismo alemão. Mas Benjamin foi mais longe que seus colegas de geração, justamente porque ao invés de "superar" seu romantismo, manteve-se fiel a ele por toda sua vida. Se ele tenta nos anos de 1930 demarcar uma posição contra este seu romantismo, é justamente porque ele não conseguiu superá-lo totalmente.

Cinco níveis da crítica
A crítica de Benjamin era, portanto, antes de mais nada, um ato de reflexão que se desdobrava em cinco níveis, articulando-os. O primeiro nível incluía uma autorreflexão (ele sempre refletia sobre sua própria atividade de crítico, sobre o local e o papel da crítica na sociedade). Em segundo lugar, destaca-se uma leitura detalhada e uma reflexão sobre a obra criticada (que era sempre analisada não a partir de um modelo a-histórico, mas sim de seu próprio Ideal a priori, nas palavras de Novalis). Em terceiro lugar, encontramos uma reflexão sobre a história da arte e da literatura, na qual Benjamin, dentro de uma forte tradição alemã, desenvolveu muitas vezes (como no livro sobre o barroco e no seu ensaio sobre o narrador, de 1936) o tema da teoria dos gêneros literários. Em quarto lugar, nota-se sempre uma reflexão crítica sobre a sociedade, ou seja, a crítica foi praticada em Benjamin a partir do seu presente e voltada para ele, sem a ilusão positivista de se poder penetrar no passado "tal como ele aconteceu". Por fim, e articulando todos os níveis anteriores, devemos destacar a teoria da história de Benjamin com a sua crítica aos modelos da evolução histórica, tanto liberais como marxistas, que acreditavam em um avanço constante e positivo do devir da história. Benjamin opôs a este modelo uma imagem da história como acúmulo de catástrofes.
Contra o positivismo daqueles que pregavam (inocentemente ou não) uma crítica apolítica, Benjamin demonstrou que não existe um campo fora do político. A arte e sua crítica são medium-de-reflexão não apenas do sistema estético, mas, antes, de toda a sociedade. Neste sentido, ele extrapolou programaticamente o âmbito da crítica da literatura e da arte. Sua atividade crítica não pode ser inteiramente compreendida, se não levarmos em conta seus seminais textos críticos dirigidos à questão do poder e do direito (lembremos sobretudo de seu "Crítica da violência, crítica do poder", de 1921, que influenciou Carl Schmitt), assim como a sua crítica do que ele denominou de concepção "burguesa", ou seja, instrumental, da linguagem (recordemos seu "A tarefa do tradutor", também de 1921, e do artigo de juventude "Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem dos homens", de 1916). Além disso, Benjamin refletiu também em vários importantes ensaios críticos sobre questões como a (atualíssima) da coleção e do colecionismo (vejam seus trabalhos sobre Eduard Fuchs, de 1937, assim como seus textos sobre coleção de brinquedos e de livros). Seus escritos voltados para a recordação de sua infância ( Crônica berlinense e Infância em Berlim) são profundamente inovadores, na medida em que desconstroem criticamente os modelos da autobiografia e introduzem uma modalidade da autoescritura mais fragmentada e voltada para uma "topografia da memória".
O fundamental dentro do universo das críticas de Benjamin, quando ele voltava seu potente intelecto para as obras que eram publicadas na sua época (como as de Proust, Kafka, Döblin, Kraus, Brecht etc.), ou para reedições de obras consagradas ou não (de Goethe, Kleist, Hebel etc.) é que ele sempre realizou uma crítica que era, ao mesmo tempo, teoria da literatura. É este talvez o legado mais importante de sua produção crítica: ele mostrou a infecundidade da crítica apenas filológica, assim como a limitação da crítica meramente imanente, ou ainda, da crítica biográfica. Crítica para ele só existia enquanto capacidade de se articular (delicadamente, ou às vezes, como todo o peso histórico exigido por seu objeto de análise), a imanência da obra com a reflexão histórico-crítica. As mostras mais eloquentes desta concepção são a introdução "crítico-epistemológica" do seu livro sobre o drama barroco alemão, e as reflexões que acompanham as notas de seu trabalho que ficou inconcluso sobre as passagens de Paris.
Benjamin escreveu no seu último texto, dedicado à crítica da noção de progresso, que "nunca existiu um documento da cultura que não fosse ao mesmo tempo um [documento] da barbárie". É interessante ler a tradução do próprio Benjamin dessa famosa passagem das suas teses "Sobre o conceito da História": Tout cela [l'héritage culturel] ne témoigne [pas] de la culture sans témoigner, en même temps, de la barbarie. Com Benjamin aprendemos que cultura é a partir de meados do século 20 toda ela como que transformada em um documento e, mais ainda, ela passa a ser lida como testemunho da barbárie. Esta noção é essencial, porque com este autor vemos não apenas uma tremenda expansão nos critérios de seleção, como também a afirmação radical de um modo de interpretar esses documentos. Sua teoria da história e da cultura descortina o passado e suas ruínas, sobre as quais construímos nosso presente, como um único e gigantesco arquivo. Quando se fala de arquivo, não se pode esquecer que a toda inscrição deve-se associar um modo de leitura e de interpretação, de outro modo teríamos um arquivo literalmente morto.
O elemento político domina todos os momentos do trabalho no arquivo, da seleção, passando pela conservação e pelo acesso, chegando à leitura dos documentos. A história para Benjamin, como é conhecida, é aproximada do modelo do colecionador e do Lumpensamler, o catador de papéis. O historiador deve acumular os documentos que são como que apresentados diante do tribunal da história. Em Benjamin, a cultura como arquivo e memória, devido ao viés crítico e revolucionário de seu modo de leitura, não deixa a sociedade e sua história se cristalizarem em museus e parques temáticos. É o viés conservador da cultura como mercadoria que o faz, ao qual Benjamin opõe sua visada da cultura como documento e testemunho da barbárie. Seu projeto de historiografia calcada no colecionismo (que tem por princípio o arrancar de seus objetos do falso contexto para inseri-los dentro de uma nova ordem comandada pelos interesses de cada presente) e, por outro lado, inspirado no trabalho do catador (que se volta para o esquecido e considerado inútil) ainda hoje pode ser comparado a um pólen que guarda uma assombrosa força de germinação.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Russians Strengthen Their Faith and a Tradition With an Icy Water Plunge



MOSCOW — In the snowy silence of a Moscow park, a 26-year-old businessman named Aleksandr Pushkov stood naked except for his Speedo, a column of steam rising from his body. His clothes were piled under a tree, and he had just climbed out of a hole in the ice.

Sergey Ponomarev/Associated Press
A woman in icy waters in Rostov.

Sergei Ilnitsky/European Pressphoto Agency
An Orthodox priest in Moscow also followed the tradition.
It was his seventh year taking part in the Epiphany ritual: the trance-like preparation, the electric shock of the water and the 20- or 30-second wait for a feeling he described as “nirvana.” As cross-country skiers picked their way through the woods, Mr. Pushkov stood by himself, barefoot and steaming. The midday sun was just visible above the horizon, as white and remote as a full moon.
Monday was Russian Orthodox Epiphany, and roughly 30,000 Muscovites lined up to dunk themselves in icy rivers and ponds, city officials said. The annual ritual baptism, which is believed to wash away sins, is enjoying a boisterous revival after being banished to villages during the Soviet era.
These days, it is a ritual with high production values. Several sites in Moscow were furnished with no-slip carpeting, heated tents and supervisors with megaphones. Politicians have seized on it as a photo opportunity; the theatrical ultranationalist Vladimir V. Zhirinovsky took his plunge this year at Bottomless Lake, a Moscow River tributary, flanked by 15-foot tubes of fluorescent light.
“It has become a show — not only that, but a patriotic show,” said Boris F. Dubin, a sociologist with Moscow’s Levada Center. The immersion ritual satisfies a public hunger, he said, for “something that is truly Russian, ancient, real. For what distinguishes us from other people.”
Whatever the reason, the crowds have been growing exponentially. A group of celebrants in Tver, on the Volga River, was so large on Monday that the ice collapsed and 30 people plunged into the water. Twenty-four of them required medical attention, and 11 were still hospitalized on Tuesday, said a spokeswoman for the Ministry for Emergency Situations.
“Each country has something which is intrinsic to it,” said Aleksandr Gorlopan, 43, who was warming himself with a combination of hot tea and Captain Morgan rum. Mr. Gorlopan, who gave his profession as “traveler,” said the tradition dated back to the tiny Slavic tribes that scattered south from Scandinavia — nomads, he said, with “wild souls.”
“We are made of water,” he said. “Without water we cannot survive.”
Others were more earthbound in their explanations. Galina Burasvetova, a 50-year-old hairdresser in a red bikini, said she had first taken part in the ritual during an agonizing period in her life, when she was raising three children on a vanishing income. Afterward, she felt she had the moral strength to go on.
“It is a way to overmaster yourself,” she said, as three young men wearing crosses whooped behind her — “It’s warm! It’s hot! It’s like steamed milk!” — and two construction workers, on their lunch break, laid down their tools and stripped naked. Vladislav Komarov, his heart-patterned boxers still sopping wet, gazed out at them all with the smile of a saint. Asked how he felt, he answered “hot.”
“We are pagans in our souls,” said Mr. Komarov, 45, an advertising manager. “I have a fire burning inside me. I could say it is a pure fire. But who knows?”
Mr. Dubin, the sociologist, said the practice’s popularity had less to do with religious revival than with enthusiastic coverage by Russian television. But others said it proved that 74 years of Communist rule were unable to stamp out the tradition, which holds that a priest’s blessing temporarily transforms water into the River Jordan, where Jesus Christ was baptized. Even at the height of state atheism, said Father Vsevolod Chaplin, a spokesman for the Moscow Patriarchate, “the lines for holy water were longer than the lines at Lenin’s mausoleum.”
Recently, Father Chaplin said, he had come across a 1949 memorandum by an exasperated Soviet official, who reported that widespread deployment of militiamen was unable to prevent “tens of thousands of people” from taking part in the Epiphany baptism. The Soviet official, he said, “reported indignantly that in one place the militiamen also immersed themselves.”
More Articles in World » A version of this article appeared in print on January 21, 2009, on page A10 of the New York edition.

Nova Terra



por Anthony Hoekema de A Bíblia e o Futuro.






As principais passagens bíblicas que falam da nova terra são as seguintes: Isaías 65.17-25 e 66.22,23 2 Pedro 3.13 e Apocalipse 21.1-4. Isaías 65.17-25, que talvez contenha mais sublime descrição veterotestamentária da vida futura do povo de Deus, já foi abordada anteriormente18.
Em Isaías 66.22,23, existe uma segunda referência à nova terra: “Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. E será que de uma lua nova à outra, e de um sábado a outro virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor”. Nos versos anteriores do capítulo 66, Isaías predisse futuras e copiosas bênçãos para o povo de Deus: Deus dará a seu povo grande prosperidade (v.12), confortará o seu povo (v.13), fará o seu povo se regozijar (v.14), e o congregará dentre todas as nações (v.20). No verso 22 Deus nos diz, através de Isaías, que seu povo permanecerá perante ele tão duradouramente quanto os novos céus e a nova terra que ele criará. Vemos no verso 23 que todos os habitantes dessa nova terra adorarão a Deus fiel e regularmente. Embora esta adoração esteja descrita em toemos emprestados da época em que Isaías escrevera (“de uma lua nova à outra, e de um sábado a outro”), estas palavras não devem ser entendidas em um modo estritamente literal. O que está predito aqui é a adoração perpétua de todo o povo de Deus, congregado dentre todas as nações, de modo que será adequado à nova existência gloriosa de que eles desfrutarão na nova terra.
Em 2 Pedro 3, o apóstolo enfrenta a objeção dos escarnecedores que dizem: “Onde está a promessa da sua vinda?” (v.4). A resposta de Pedro é que o Senhor adia a sua vinda porque ele não deseja que ninguém pereça, mas deseja que todos venham ao arrependimento (v.9). Entretanto, Pedro continua dizendo, o dia do Senhor virá, e naquela ocasião a terra e as obras que nela estão serão destruídas pelo fogo (v.10). Agora acompanhe estas palavras: “(11) Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, (12) esperando e apressando (ou desejando ansiosamente, variante) a vinda do dia de Deus, por causa do qual o céus incendiados serão desfeitos e os elementos abrasados se derreterão. (13) Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça”. A ênfase de Pedro é que, embora a terra atual será “incendiada”, Deus nos dará novos céus e uma nova terra que nunca será destruída, mas que durará para sempre. Desta nova terra tudo o que for pecaminoso e imperfeito terá sido removido, pois será uma terra onde habita a justiça. Portanto, a atitude adequada para com estes eventos vindouros não é de escarnecer do seu atraso, mas de estar ansiosamente esperando pela volta de Cristo e pela nova terra que virá à existência após essa volta. Tal espera deveria transformar a qualidade da vida aqui e agora: “Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por ser achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (v.14).
A descrição mais arrebatadora de toda a Bíblia sobre a nova terra é encontrada em Apocalipse 21.1-4:
(1) Vi novo céu e nova terra, pois o primeira céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
(2) vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.
(3) Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles.
(4) E lhes enxugará dos olhos toda lágrima e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

Uma existência incomparavelmente bela está retratada nesses versos. O fato de que a palavra kainos descreve a novidade do novo céu e nova terra indica, conforme apontado anteriormente, que o que João vê não é um universo totalmente diferente do atual, mas um universo que foi gloriosamente renovado. Existem diferenças de opinião quanto à questão de se as palavras “e o mar já não existe” deveriam ser entendidas literalmente ou figuradamente. Mesmo que devam ser interpretadas literalmente, elas indubitavelmente apontam para um aspecto significativo da nova terra. Uma vez que o mar no restante da Bíblia, especialmente no livro do Apocalipse (cp 13.1; 17.15), freqüentemente, representa aquilo que ameaça a harmonia do universo, a ausência do mar na nova terra significa a ausência de qualquer coisa que pudesse interferir nessa harmonia.
O verso 2 nos mostra a “cidade santa, a nova Jerusalém”, representando toda a igreja glorificada de Deus, descendo dos céus à terra. Esta igreja, agora totalmente sem mancha ou mácula, completamente purificada do pecado está agora “ataviada como noiva adornada para o seu esposo”, pronta para o casamento do Cordeiro (veja Ap 19.7). Vemos neste verso que a Igreja glorificada não permanecerá em um céu distante no espaço, mas passará a eternidade na nova terra.
Aprendemos, do verso 3, que o lugar da habitação de Deus não mais será agastado da terra, mas será na terra. Uma vez que o céu é onde Deus habita, concluímos que na vida por vir céu e terra não mais estarão separados, conforme estão agora, mas serão fundidos. Por causa disso os crentes continuarão a estar no céu enquanto continuam a viver na nova terra. “Ele habitará com eles, e eles serão seu povo” são as palavras familiares da promessa central da aliança da graça (cp Gn 17.7; Ex 19.5,6; Jr 31.33; Ez 34.30; 2 Co 6.16; Hb 8.10; 1 Pe 2.9,10). O fato de que esta promessa é repetida na visão que João tem da nova terra implica que somente nessa nova terra Deus finalmente concederá a seu povo a plenitude das riquezas que a aliança da graça inclui. Aqui nós recebemos as primícias; lá receberemos toda a colheita.
As afirmações corajosas do verso 4 sugerem bem mais do que elas efetivamente dizem. Não haverá lágrimas na nova terra. Choro e dor pertencerão às coisas primeiras, que já serão passadas. E não haverá mais morte - não mais haverá acidentes fatais, nem doenças incuráveis, nem serviços fúnebre, nem últimas despedidas. Naquela nova terra desfrutaremos de comunhão eterna e inquebrável com Deus e com o povo de Deus, incluindo os queridos e amigos a quem amamos e perdemos por um pouco.
No restante do capítulo 21, e nos primeiras cinco versos do capítulo 22, encontramos uma descrição maior da cidade santa - que, como podemos inferir, será o centro da nova terra. É duvidoso se detalhes como os fundamentos de jóias, os portões de pérolas e as ruas de ouro devem ser tomadas literalmente, mas o radiante esplendor que essas figuras sugerem confundem a imaginação. O fato de que os nomes das doze tribos estão inscritos nas doze portas (21.12) e que os nomes dos doze apóstolos estão inscritos nos doze fundamentos (v.14) sugere que o povo de Deus, na nova terra, incluirá tanto crentes da comunidade da aliança veterotestamentária quando da Igreja do Novo Testamento. Não haverá templo na cidade (v.22), uma vez que os habitantes da nova terra terão comunhão direta e contínua com Deus.
Os versos 24 e 26 são muitos significativos, pois nos dizem: “os reis da terra lhe trazem a sua glória [na cidade santa]... e lhe trarão a glória e a honra das nações”. Poder-se-ia dizer que, conforme essas palavras, os habitantes da nova terra incluirão pessoas que alcançaram grande proeminência e exerceram grande poder na terra atual - reis, príncipes, líderes e outros. Também poderia se dizer que qualquer coisa que as pessoas tiverem feito nesta terra, que tenha glorificado a Deus, será lembrado na vida por vir (veja Ap. 14.13). Porém, é preciso dizer mais. Não será demais dizer que, conforme estes versos, as contribuições peculiares de cada nação para a vida na presente terra enriquecerão a vida da nova terra? Deveremos então herdar as melhores produções da cultura e da arte que esta terra tem produzido? Hendrikus Berkhof sugere que tudo o que tiver tido valor nesta vida atual, tudo o que tiver contribuído para a “libertação da existência humana” será retido e acrescentado na nova terra19. Em apoio a esta idéia ele cita a seguinte sentença de Abrahm Kuyper: “Se um campo infinito de conhecimento e habilidade humanas está agora sendo formado por tudo o que acontece, com o fim de sujeitar a nós o mundo visível e a natureza material, e se sabemos que este nosso domínio sobre a natureza será completo na eternidade, podemos concluir que o conhecimento e o domínio que aqui conquistamos sobre a natureza pode e será de importância permanece, mesmo no Reino da glória”.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

ANDY STANLEY: O Líder da Próxima Geração

aNDY sTANLEY

eDITORA vIDA






1.COMPETENCIA


FAÇA MENOS, REALIZE MAIS



"Identifique as areas njas quais voce tem mais chance de somar um valor incomparável à sua organização- algo que não pode ser igualado- então alavanque suas habilidades ao maximo. É isso o que seu chefe esperava de voce quando o colocou na folha de pagamento! E o mais importante: alvancar a si mesmo gera o maior e mais satisfatório retorno das habilidades que Deus lhe deu" p. 21





2. CORAGEM -


A CORAGEM ESTABELECE A LIDERANÇA


3. CLAREZA


A INCERTEZA EXIGE CLAREZA


4. COACHING


O COACHING CAPACITA O LIDER A IR MAIS LONGE E MAIS RAPIDO.


5. CARÁTER


O CARÁTER DETERMINA O LEGADO DO LÍDER