segunda-feira, janeiro 21, 2013

Tim Keller: Every Good Endeavour




Acabei de ler o novo livro de Tim Keller, Every Good Endeavour:  Connecting your work to God´s work, publicado em 2012 pela Dutton, o livro foi escrito junto com Katherine Leary Ashcroft, que lidera o ministério Faith and Works da igreja Redeemer.

É  um livro que fala sobre o que Deus pensa a respeito do trabalho e o que é trabalho em si. O livro está dividido em três partes: O plano de Deus para o trabalho, nossos problemas com o trabalho e o evangelho e o trabalho. Enfim, trata-se de um livro fundamental para entendermos como Deus se relaciona com o trabalho e como o nosso trabalho se relaciona com o trabalho de Deus.

Por que precisamos do trabalho para completar a nossa vida?
Por que é tão duro trabalhar?
Como podemos superar as dificuldades e achar satisfação com nosso trabalho?
Como o evangelho se relaciona com o nosso trabalho? 

Estas são perguntas que estão respondidas no livro.

Na primeira parte sobre  o plano de Deus para o trabalho, Keller coloca o desenho do trabalho, que o próprio Deus trabalhou na criação, não apenas isto, como também encontrou deleite nele.  O trabalho foi posto no paraíso, antes da queda, ele em si não é nenhuma maldição. 

Você não encontrará sentido na vida sem o trabalho, mas o trabalho não pode ser o sentido de sua vida. Se você fazer isto, vai criar um ídolo. Nosso relacionamento com Deus é a coisa mais importante da vida, é o que dá sentido as outras coisas dela, inclusive o trabalho (p.40).

Ele fala também sobre a dignidade do trabalho, fomos chamados por Deus para no mundo exercitar a mordomia sobre a criação, o trabalho é um reflexo da imagem de Deus em nós. Os cristãos devem identificar as formas como seu trabalho coopera para com Deus em criatividade e cultivo. Aqui ele fala contra o dualismo, dividir entre sagrado e profano, se somos salvos pela graça apenas, todas as obras não podem por si dar significado ou salvação, então não hierarquia de trabalho como santo ou não santo, todos são santos.

O trabalho como cultivo, o mandamento de Deus para enchermos a terra, vai além de procriação, está significando civilização. Governar sobre a criação não é um mandamento para explorar e descartar a terra, mas de cultivá-la. O mundo precisa ser cultivado como um jardim, é no rearranjo da matéria prima dada por Deus para o bem do mundo. O trabalho é fazer cultura a partir da criação de Deus.

O trabalho como um serviço é o propósito de Deus, quando meu trabalho serve as outras pessoas estou dentro da vontade de Deus atendendo a necessidade humana. Mais uma vez, aqui Keller volta contra o dualismo.

Citando Lutero, segundo a salvação pela graça, não há uma forma superior de trabalho, o evangelho nos liberta de termos nossa identidade construída a partir do que fazemos, todo o trabalho se torna um caminho de Deus que nos salvou livremente, e assim, o trabalho é instrumento para nós amarmos o nosso próximo, somos chamados por Deus para realizar o trabalho que temos - conforme 1Co 7:17.

Na segunda parte, Keller fala de nossas lutas e problemas com o trabalho. O trabalho se torna infrutífero, por causa do pecado, nada funciona como deveria, o pecado leva a desintegração de cada área da vida humana, inclusive o trabalho. A experiência do trabalho agora incluiu espinhos, dor, fadiga e não alcançamos as metas que colocamos. 

Nosso segundo problema é que o trabalho se tornou sem sentido, Keller cita o livro de Eclesiastes neste capítulo, da falta de sentido das coisas debaixo de sol, sem uma orientação que esteja além deste mundo. Precisamos como precondição termos uma dependência de Deus para uma vida com sentido. 

Os três projetos de vida: sabedoria, prazer e trabalho, conforme Eclesiastes 2, estão fadados a ficarem sem sentidos se forem considerados em si mesmos.

O trabalho se torna egoísta, Keller lembra a construção da torre de Babel, o propósito deturpado do trabalho para as pessoas conseguirem um nome para si mesmas a partir de sua própria criação. Nosso orgulho e necessidade por uma significância pessoal leva ao orgulho que enseja em competição, desunião e lutas. As duas coisas que queremos desesperadamente, glória e relacionamento, só podem existir com Deus.

Keller lembra C.S. Lewis, que fala da natureza competitiva do orgulho, o orgulhoso sempre precisa ser melhor que alguém. 

Em contraposição a história de Babel, Keller faz uma aplicação evangelística da história de Ester.  Ela salvou seu povo por identificação e mediação, Jesus também fez assim, se colocou diante do trono e se identificou conosco para a nossa salvação, este poder nos liberta do egoísmo e da competição.

O trabalho revela nossos ídolos, aquilo que colocamos da natureza criada como nosso salvador e senhor, que decidimos servir e adorar. Lutero definia idolatria como procurar nas coisas criadas aquilo que somente Deus pode dar. Existem ídolos que são culturais e corporativos,  como conforto e prazer, poder e aprovação e controle.  O nosso trabalho revela os ídolos que estão por detrás de nossa cultura.

Aqui Keller mostra toda sua capacidade e explora os ídolos de nossa cultura, e como o trabalho faz eles aparecerem e mostrarem todo o seu poder sobre as pessoas.

O evangelho dá uma linha narrativa diferente para contarmos nossa história, nos dá um novo valor e propósito, uma participação na obra de Deus no mundo, uma ética diferente e uma motivação transformada.

Na terceira parte, O evangelho e o trabalho, Keller começa dizendo que uma cosmovisão baseada no evangelho, dará uma nova forma de encararmos nosso trabalho.  Uma cosmovisão é uma metanarrativa sobre como a vida humana deveria ser, o que coloca ela fora do equilíbrio e como podemos fazer as coisas direitas. A singularidade do cristianismo é que ele coloca o problema não em uma parte ou um grupo do mundo, mas nas pessoas em si por causa do pecado, seu rompimento com Deus, e também localiza a solução, na graça de Deus, em nossa restauração do relacionamento com Deus através da obra de Cristo.

Em um novo conceito para o trabalho, Keller relembra o conceito de graça comum, que Deus trabalha no mundo através de sua revelação geral, há um conceito universal do que é Deus e do que é bondade. Sem este entendimento, o mundo é muito confuso para um cristão. 

Aqui Keller fala do diálogo com a cultura, podemos ter uma reação de renúncia, de uma criação de uma cultura cristã alternativa ou de um consumo acrítico. Devemos ter em vista duas coisas: a verdade da graça comum, que não somente as coisas de igreja são valorosas para Deus e a idolatria do pecado presente na cultura. Porque mesmo um trabalho "cristão" pode levar a idolatria. 

Um novo compasso para o trabalho, Keller fala quando uma coisa é justa ou não? Os cristãos devem entender que foram feitos para amar, devemos nos perguntar se o trabalho colabora ou não para o florescimento dos seres humanos e assim honra a Deus. Keller lembra que os direitos humanos nasceram do cristianismo.

O evangelho dá um novo poder para o trabalho porque dá uma nova história para o trabalho, e também nos da uma paixão por realizarmos a obra de Deus e um descanso profundo quando conhecemos as nossas limitações e da limitação do trabalho.


O livro é fantástico, deveria ser lido por todos os profissionais, principalmente, por todos aqueles que insistem em ver a vida do trabalho como dualista. 



domingo, janeiro 20, 2013

Como o evangelho nos transforma?

Romanos 1.16-17:   Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.


1. O Poder de Deus.

O Evangelho é o poder de Deus para salvar e transformar vidas, somente uma compreensão e vivência do Evangelho nos levam de volta a um relacionamento perfeito com Jesus como fonte de nossa satisfação, paz, segurança e salvação momento a momento em nossa vida:

O evangelho são boas novas, e não boas advertências.

Anuncia que fomos resgatados e salvos.

Anuncia aquilo que Jesus fez em nosso favor ( 2 Co 5:21)

O evangelho gera em nós uma consciência profunda da sequidão de quem somos, e uma alegria profunda pela abundância de graça e misericórdia que chegou até a nossa vida.

2. Os ladrões do Evangelho.

Assim como Jesus foi crucificado entre dois ladrões, existem dois ladrões, modos de chegarmos até Deus roubam a alegria e a verdade do Evangelho de nossa vida.

1. Liberalismo ou antinomismo:  Deus aceita a todos, não se importa como vivamos.
2. Religião ou legalismo: Eu obedeço, portanto sou aceito por Deus.

Paulo nos diz que o justo vive pela fé, descansa naquilo que Deus realizou por ele, em sua graça e amor, na presença abundante de Jesus em sua vida e não naquilo que realiza por si mesmo.

Sou aceito por Deus em Cristo, portanto, obedeço constrangido e impulsionado pelo amor de Deus derramado em minha vida pela vida de Jesus em mim. 

3. Os caminhos da verdadeira vida.

A nova vida acontece de dentro para fora pela fé: Pela obra de Jesus no calvário, recebemos pela fé, em nosso coração uma nova vida. Somos transformados pela presença do Espírito Santo em nossa vida, e não por aquilo que realizamos. A expiação de Jesus é o nosso valor e não a obra de nossas mãos.

A nova vida é de esperança e não de ansiedade: pela ressurreição de Jesus, sabemos que nosso futuro está seguro nas mãos de Deus, Ele está construindo em nós sua imagem e semelhança pelo Espírito Santo, sabemos que um dia tudo aquilo que não é dEle em nossa vida será tirado, e seremos como Ele. 

A nova vida acontece no servir e dar frutos e não no reinar e egoísmo: Pela encarnação de Jesus, descobrimos que Ele abriu mão de tudo que era dEle e entregou para nós tudo. Vemos que mesmo diante da morte, Ele escolheu servir e não ser servido.  Cada um de nós foi habitado por Ele para sermos como Ele em nossa família, igreja e comunidade.


4. Como o evangelho transforma nosso dia a dia?

Relacionamentos.

Não usamos as outras pessoas para verem quão bons que somos, e nem vejo os outros como inimigos caso haja críticas.  Sabemos dos nossos fracassos, mas também sabemos que um sangue foi derramado para perdão de nossos pecados, um amor que não tem limites para me amar, que me capacita a amar mesmo quando não acho motivos em mim para tanto. Descanso no amor de Jesus e não dos outros.

Oração.

Na religião, ela só acontece quando estou numa luta por pedidos, ou quando estou com problemas na minha vida, é mecânica e fria, usando Deus para ter as coisas de Deus. Com a graça do Evangelho, fincada na presença de Jesus em nossa vida, a vida de oração é viva e alegre, é uma busca por intimidade com Deus e adoração.

Obediência.

A obediência da religião acontece para ter as coisas de Deus, para garantir pontos com Deus e é baseada no medo e no orgulho,  medo de se sentir menor que os outros ou orgulho de ser melhor que os outros que não tem a fé que você tem. No evangelho, a obediência descansa na presença de Jesus em sua vida, ela é uma busca para ter mais e mais de Deus em sua vida.

Culpa.

Quando alguém não consegue perdoar a si mesmo é porque alguém ou alguma coisa assumiu na vida desta pessoa o papel de um deus, algo se tornou mais importante que o próprio Deus. No Evangelho, descobrimos que Jesus derramou seu sangue na Cruz para perdão dos nossos pecados, não há ofensa ou pecado que Ele não tenha levado sobre si, para nos perdoar. Há um descanso e uma segurança porque quem pode realmente perdoar a mim e a você é Deus.

O Evangelho, aquilo que Jesus fez para ter um relacionamento completo e perfeito com você muda tudo em sua vida, todas as condições de sua vida, boas ou ruins, devem ser levadas a Ele. Quando levamos tudo de nossa vida, encontramos descanso e paz para a nossa alma, e uma fonte abundante de perfeição, satisfação e segurança. 

O evangelho é aquilo que Jesus fez para ter você de volta, para habitar em você e ser a fonte de sua vida, ser a sua vida. 


Efésios 3:14- 21: Por causa disso, me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior;  para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração; a fim de, estando arraigados e fundados em amor,  poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Timothy Keller: A necessidade de renovação pelo evangelho.


A renovação pelo evangelho é uma recuperação transformadora de vida através do Evangelho. No aspecto pessoal, significa que as doutrinas do pecado e da graça são experienciadas, não apenas entendidas intelectualmente, inclui um despertamento e uma convicção do seu próprio pecado e alienação de Deus que vem de ver em nós os profundos níveis de auto-justificação, descrença e farisaísmo como nunca antes.

Há novo assombro com a graça de Deus e um descanso apenas em Cristo para a nossa salvação. Entendemos o que significa descansar na obra de Cristo e não em nossas próprias obras.

A renovação corporativa é uma época em que todo o corpo de crentes experimentam esta renovação pessoal juntos. Os líderes devem ver o evangelho não somente como um conjunto de crenças, mas como o poder de Deus para transformar vidas profundamente e continuamente. Sem este tipo de aplicação do evangelho, o mero ensino, pregação, batismo e catequismo não são suficientes.

Keller cita Richard Lovelace,  que conclui que apesar dos cristãos terem um assentimento intelectual que sua justificação é a base de sua santificação, começam com o passar do tempo basear sua santificação em sua experiência passada de conversão, em sua recente performance religiosa ou na relativa infrequência de sua consciência. 

Os avivamentos são necessários porque o modo "default" do coração humano é baseado na justiça das obras- não vivemos ordinariamente como se o evangelho fosse verdade. Cristãos quase sempre acreditam em suas cabeças que Jesus me aceita, portanto devo viver uma vida correta, mas em seus corações e ações, funcionam  praticamente do princípio eu vivo uma vida correta, portanto Deus me aceita. O resultado disto é uma alergia a mudança, morte espiritual.  Em contraste claro a isto, o evangelho da graça pura oferecida a pecadores sem esperança produz alegria, desejo de admitir as falhas, graça com tudo, e uma perda da auto-absorção.


Porque não acreditamos profundamente no evangelho, nossos corações encontram caminhos de transforma-lo em uma doutrina liberal ou num ortodoxia morta.

O avivamento não é uma curiosidade histórica, é o modo como o Espírito Santo age numa comunidade para evitar o modo automático do coração humano.

Criticando Avivamentos.

Alguns criticam avivamentos como excesso emocional, fanatismo, que menospreza igrejas estabelecidas. Keller recorda que os avivamentos primeiros se deram num cristianismo centrado em igrejas, contudo, a revolução industrial deslocou muitas pessoas de seus núcleos comunitários, os ministros avivalistas como Wesley e Whitefield foram respostas para estas novas realidades.  Pregavam para as massas em lugares públicos chamando as pessoas para a conversão, eles enfatizavam mais as decisões individuais do que a incorporação de famílias numa comunidade. Em 1830, os críticos diziam que os avivamentos desprezavam a capacidade da igreja em instruir e disciplinar seus membros.

Avivalismo hoje.

O mesmo debate permanece hoje, o extremo avivalismo é muito individualista, a crítica quer transformação mas não quer uma perca da liberdade e controle associados a submeter a autoridade com um compromisso com a comunidade. 

Contudo, hoje muitos críticos vão além de lamentar os efeitos, eles negam as premissas básicas dos avivamentos, eles rejeitam a idéia de que as pessoas devem ser chamadas para a conversão se elas estão na igreja. Eles querem voltar a idéia antiga de que ninguém pode ser um cristão exceto se for incorporado pela congregação local.  E uma vez que for batizado e incorporado, estas pessoa se torna uma cristã por definição, não importando a experiência pessoal.

Esta postura não leva em conta os tempos e as estações, nem os corações. O avivamento encaixa com o nosso tempo e centraliza o coração de uma forma bíblica.

A renovação pelo evangelho se encaixa nos nossos tempos:

A abordagem tradicional muito centrada na igreja funcionava numa cultura quando havia uma igreja dominante e os setores públicos estavam em torno dela.  O modelo tradicional depende também do fato de não ter muitas igrejas para escolher.  Quando a sociedade se torna pluralista, as pessoas só vem a igreja se escolherem fazer isto. Este estado de coisas demanda uma ênfase avivalista na persuasão, conversão e no auto-exame individual.

A renovação pelo evangelho foca no coração.

O entendimento central do avivalismo é que a conversão é uma questão de coração, está bem fundamentada na Bíblia (Rm 10:9) Deve haver uma confiança pessoal, uma convicção de coração. 

Quando a bíblia fala do coração é mais do que simples emoções - Lv. 19:7, Sl 4:7, 13:2. Pensamos com  o coração - Pv 23:7, Mc 2:8. E agimos do coração- Ec 10:2. O que está no coração determina o que vou pensar, fazer e sentir- desde que a mente, a vontade e as emoções estão todas enraizadas ali. 

Keller dá um exemplo de pregação avivalista do Antigo Testamento, o chamado de Jeremias para a circuncisão do coração em Jr 4:4. cf.9:26, At 7:51.  Os ouvintes tinham o sinal externo da circuncisão, mas Jeremias estava dizendo que eles não tinham a realidade interna (Jr 31:33). O rito era um pacto de adesão a comunidade, como o batismo na igreja cristã (Cl 2:11-12). Qualquer um que fosse circuncidado era visivelmente incorporado a comunidade do povo de Deus, mas ainda assim, havia mais que era requerido para remover um coração de pedra (Ez 11:19), o coração precisava ser limpo (Sl 51:10) e saciado (Sl 112:7).

O Novo Testamento continua esta diferenciação de interior e exterior,  Paulo coloca a circuncisão como questão de coração, feita pelo Espírito (Rm 2:28-29), o verdadeira adoração como a real circuncisão (Fp 3:3). Aqui este amarra a conversão cristã com a circuncisão do coração do Antigo Testamento. Neste capítulo, ele nos fala para colocar a confiança não na carne, na obediência da lei, mas em Deus.  Quando Jesus chama para o novo nascimento, ele está fazendo a mesma exortação de Jeremias (Jo 3:7).

Em Marcos 1:15, Jesus dá sumário do evangelho, o reino de Deus está próximo, arrependam-se e creiam nas boas novas. Em Lucas 24:46-47, Ele diz que a arrependimento e perdão dos pecados será pregado em seu nome para todas as nações.  Pedro em Atos 2:38, chama as pessoas para o arrependimento. No novo testamento, vemos este conjunto fé e arrependimento como inseparáveis, 2 Co 7:10.

A renovação pelo evangelho não apenas simplesmente procura converter os cristãos nominais, mas também insiste que todos os crentes, mesmo os compromissados, precisam do Espírito para levar o evangelho para seus corações para experiências profundas do amor e do poder de Cristo.

Em Efésios 3, Paulo ora para que Cristo habite nos corações deles e sejam cheios da presença de Deus pela virtude da união com Cristo. Os cristãos podem esperar que o Espírito Santo vai continuamente renovar sua força, amor, alegria e poder quando eles vão além de somente crer nas coisas que Jesus fez e começar a experimentar elas pela obra do  Espírito.

Um avivalismo balanceado, comprometido com a renovação individual e coletivo é a obra da igreja. Alguns precisam ser convertidos de sua descrença, outros precisam ver que nunca foram convertidos e outros precisam sentir sua estagnação espiritual.

Lutero diz que o evangelho é o principal artigo de toda doutrina cristã... Mais necessário é que, então, nós devemos saber este artigo bem, ensinando-o uns aos outros, e batendo em nossas cabeças continuamente.

Um teologia bíblica do avivamento.

Keller coloca também um esboço de uma teologia bíblica do avivamento, eis alguns aspectos que ele levanta:

avivamento e esquecimento espiritual: Israel constantemente se esquece da grande salvação que receberam de Deus, Pedro diz que é possível isto (2Pe 1:9). Precisamos de um avivamento para uma lembrança espiritual de nossa salvação.

avivamento e ciclos de declínio: O livro de Juízes, Reis e Crônicas mostra ciclos constantes de declínio e avivamento, o ciclo começava quando eles assimilhavam a cultura pagã em redor, o resultado era sofrimento que levava a Deus em arrependimento. No novo testamento, as igrejas entram em ciclos também, veja o recado para Efésios lembra do primeiro amor em Ap. 2:1-7.

avivamento e o Espírito: em pentecostes, os apóstolos foram cheios do Espírito e pregavam a palavra de Deus corajosamente. Precisamos de avivamentos, para Deus enviar o Espírito para despertar indivíduos e igrejas mesmo em meio a perseguições.

avivamento e a realidade interior: em Efésios 3:14-21, Paulo ora para que Espírito fortaleça seus leitores  com poder em seu ser interior. A verdade começa brilhar de dentro de nós e nos faz embaixadores efetivos do reino. 

Avivamento e conversão: não consiste somente na renovação dos crentes mas também na conversão daqueles que estão apenas como crentes nominais, através do despertamento crentes estagnados vem a vida e os nominais são convertidos.




segunda-feira, janeiro 14, 2013

Timothy Keller: O evangelho afeta tudo.

Nos dois capítulos anteriores foi visto que o evangelho é distinto de seus resultados e implicações e o evangelho não é uma coisa simples, este terceiro aspecto está baseado nestas duas afirmações.

Mesmo sendo um conjunto de verdades para entendermos e acreditarmos, o evangelho não fica como um conjunto de crenças se ele for realmente entendido e crido. O evangelho é o poder (Rm 1:16-17) que cria uma nova vida em nós ( Cl 1:5-6. 1Pe 1:23-25).

A riqueza do Evangelho.

Citando Simom Gathercole, Keller mostra um esboço do Evangelho segundo Paulo:

1. O filho de Deus esvaziou-se a si mesmo e veio a este mundo em Jesus Cristo, se tornando um servo.
2. Ele morreu na cruz como um sacrifício substituto.
3. Ele levantou da morte como a primícia de um mundo todo renovado.

Cada uma dessas verdades se tornou carne e mostra que as implicações do evangelho são sem fim.

A encarnação e o aspecto de debaixo pra cima do evangelho.

Porque Jesus sendo rei se tornou servo, ele inverteu os valores de administração do reino (Lc 6:20-26). No reino de Jesus, o pobre, o triste e o perseguido estão acima do rico,do reconhecido e do satisfeito. O primeiro será o último (Mt 19:30).

Jesus sendo rico se fez pobre, sendo o rei se fez servo, sendo o maior de todos se fez servo de todos - Fp. 2:1-11-. Ele triunfou sobre o pecado não pelo poder mas dando a si mesmo sacrificialmente.  O evangelho cria uma nova comunidade, de pessoas que vivem de uma forma totalmente diferente.  Classe, raça, dinheiro, poder, popularidade e reconhecimento são marcas da vida mundana, elas representam o oposto do evangelho.

A expiação e o aspecto de dentro pra fora do evangelho.

Os fariseus tendiam a enfatizar os aspectos exteriores da aliança. 

Jesus tomou nosso lugar na cruz e conquistou a salvação para nós, que recebemos livremente como um dom. A religião tradicional ensina que se fizermos boas coisas e seguirmos as leis morais com o nosso comportamento externo, Deus virá aos nossos corações, abençoando-nos e nos dará salvação. Em outras palavras, se eu obedecer, Deus me amará e me aceitará. Contudo, o evangelho é o reverso disto, se eu sei em meu coração que Deus me aceita e me ama por livre graça, então eu posso começar a obedecer, de um coração alegre e grato. Religião é de fora para dentro, mas o evangelho é de dentro para fora. Nós somos justificados apenas pela graça. não por obras; somos lindos e justos à vista de Deus por causa da obra de Cristo. Uma vez que nós temos este entendimento dentro de nós, isto revoluciona o modo como nos relacionamos com Deus, conosco mesmos e com os outros de fora.

A ressurreição e o aspecto de frente para trás do evangelho.

Jesus está ressurreto, mas nós não. Ele inaugurou o reino de Deus, mas não está totalmente  presente. A vinda do Rei messiânico acontecerá em dois estágios, primeiro, ele nos salvou da pena do pecado e nos deu a presença do Espírito Santo (2Co 1:21-22, Ef 1:13-14). No fim dos tempos, ele irá completar o que começou em sua primeira vinda, nos salvando do domínio e da presença do pecado e do mal. Trará uma nova criação, um  mundo material livre de toda 

Cristãos vivem sob a luz da futura realidade, O já, mas ainda não do reino nos guarda da utopia, da visão triunfalista de cultura e também do pessimismo com a nossa sociedade.

Por causa do aspecto de dentro pra fora, o aspecto da expiação substitutiva,  a igreja irá ter uma grande ênfase na conversão pessoal, experimentar a graça renovadora, evangelismo  e plantação de igrejas. Isto faz a igreja parecer evangélica e carismática.  Por causa do aspecto de debaixo pra cima, o aspecto de encarnação/reino, a igreja irá colocar grande ênfase na comunidade, grupos, generosidade radical, disciplinas espirituais, reconciliação racial e estar com os pobres. Isto faz a parecer uma igreja anabatista. Pr causa do aspecto de frente pra trás, o aspecto restauração/reino, a igreja colocará grande ênfase em procurar o bem estar da cidade, envolvimento cultural, treinar pessoas para o trabalho em vocações seculares,isto fará a igreja parecer uma igreja kuyperiana. Keller acreditar que uma igreja que viva estes aspectos que vem do evangelho, isto será a Center Church.

O evangelho muda tudo.

O evangelho não é apenas um ABC da fé cristã mas o A a Z. É errado pensar o evangelho como algo que salva os não crentes e então os cristãos maduros tentam viver sua vida de acordo com os princípios bíblicos. É mais correto pensar que somos salvos por acreditar no evangelho, e então somos transformados em cada parte de nossas mentes, coração e vidas por acreditar mais e mais no evangelho e leva-lo mais profundamente às nossas vidas (Rm 12:1-2, Fp. 1:6).


No primeiro capítulo, Keller introduziu a ideia dos dois ladrões: moralismo e liberalismo.  A verdade sem a graça não é verdade e nem a graça sem a verdade é realmente graça.

Keller cita  The Marrow of Moderm Divinity de Edward Fisher, mostrando como é importante compreender estes dois ladrões do evangelho. Fisher mostra que há dois tipos de legalismo, um de tipo teológico, que mistura fé e obras e não é claro sobre a livre justificação, e um tipo mais moralista. Ele também aponta o erro do antinomismo.

O poder do evangelho vem em dois movimentos, primeiro diz eu sou mais pecador do que jamais acreditei, mas rapidamente segue-se, "eu sou mais aceito e amado que jamais esperei".  Diferente do antinomismo e do legalismo, o verdadeiro evangelho vai trazer uma transformação crescente e completa em cada área de nossa vida. Por remover a causa primeira de nossa alienação, nossa separação de Deus,  ele vai tratar as outras rupturas em nossa vida.  A seguir, Keller coloca alguns exemplos como evangelho transforma:

Desencorajamento e depressão: Quando uma pessoa está deprimida, um moralista diz: você está quebrando as regras, arrependa-se! Por outro lado, o relativista diz: você precisa de amor e aceitar a si mesmo. Na falta do evangelho, o moralista vai trabalhar no comportamento, e o relativista vai mexer com as emoções - são apenas superficiais, e não encontram o coração. Assumindo que a depressão não tem causas psicológicas, o evangelho vai nos leva a examinar a nós mesmos e dizer: há algo em minha vida que se tornou mais importante que Deus- um pseudo-salvador, uma forma de auto-justiça. O evangelho nos leva a abraçar o arrependimento, não somente colocar a nossa vontade contra as superficialidades.

Amor e relacionamentos: Moralismo coloca o relacionamentos num jogo de culpa, isto acontece porque o moralista é traumatizado por um severo criticismo e reage para manter sua auto-imagem de uma boa pessoa culpando os outros. Moralismo também pode levar as pessoas procurarem amor como uma forma de garantir salvação, sendo amados, eles se convencem que são pessoas bacanas. Isto, leva a uma co-dependência- você deve salvar a si mesmo salvando os outros. Por outro lado, o relativismo reduz o amor a uma parceria negociada para benefício mútuo. Você se relaciona desde que isto não custe nada. Sem o evangelho, a escolha é usar egoisticamente os outros ou deixar-se egoisticamente ser usado pelos outros.  O evangelho nos leva a nenhuma dessas coisas. Nós auto-sacrificamos e nos comprometemos, mas não de uma necessidade de convencer aos outros ou a nós mesmos que somos aceitáveis. Nós podemos amar a pessoa o suficiente para confrontar, e ainda assim, ficar com a pessoa mesmo quando isto não nos beneficia.

Sexualidade: o moralista tende a ver o sexo como sujo ou como um impulso perigoso que leva ao pecado. O relativista vê o sexo como algo meramente biológico e físico. O evangelho nos mostra que a sexualidade foi criada para refletir a auto-doação de Cristo. Ele deu a si mesmo completamente, sem condições. Consequentemente, não procuramos intimidade enquanto resguardamos algumas áreas de nossas vidas. Se nos damos sexualmente, também nos damos legalmente, socialmente e pessoalmente. Sexo é para ser compartilhado apenas em total comprometimento, no relacionamento permanente do casamento.

Família: o moralismo pode fazer a pessoa escrava das expectativas paternas, enquanto o pragmático não vê necessidade de laços familiares se não supre suas necessidades. O evangelho nos liberta de fazer da aprovação paterna uma forma de salvação psicológica apontando para Deus como nosso Pai definitivo. Entendendo isto, não precisamos ser muito dependentes e nem tão hostis com nossos pais.

Auto-controle: moralistas tendem a controlar suas paixões pelo medo de punição, numa abordagem baseada na volição. Os relativistas falam para expressarmos a nós mesmos e vermos o que é correto para nós, esta é uma abordagem baseada na emoção. O evangelho nos fala que que livre e gracioso Deus nos ensina a dizer não para nossas paixões (Tt 2:12). Se nós apenas escutarmos isto, isto nos dará novos apetites e afeições, esta é uma abordagem completa que começa com a mente e vai até o coração.

Raça e cultura: O moralista usa a verdade para avaliar a cultura. sentindo-se superior aos outros no impulso de auto-justificação, orgulho. Eles idolatram sua cultura como suprema. Os relativistas relativizam todas as culturas, não há verdades. O evangelho nos leva sermos críticos de toda a cultura, inclusive a nossa e, por outro lado, reconhece que não somos moralmente superiores a ninguém, já que somos salvos apenas pela graça.

Testemunho: o moralista acredita em proselitismo, porque eles pensam: nós somos certos, vocês estão errados. Esta aproximação é sempre ofensiva. O relativista nega a importância do evangelismo. O evangelho produz uma constelação de traços em nós, somos compelidos a compartilhar do evangelho a partir da generosidade e amor, e não culpa.  Estamos livres do medo de sermos ridicularizados ou machucados por outros, desde que nós temos recebido o favor de Deus pela graça. Nossas ligações com os outros refletem humildade porque nós sabemos que somos salvos apenas pela graça somente, não porque somos espertos ou temos caráter. Somos esperançosos sobre todos, porque somos salvos pela graça e não porque existem pessoas mais prováveis a serem cristãs.  Somos corteses e cuidadosos com as pessoas, não precisam empurrar ou coagir porque apenas a graça de Deus é que abre os corações, não nossa eloquência ou persistência ou mesmo a abertura delas (Ex 4:10-12). Juntos, estes traços criam não apenas uma excelente vizinhança como também um evangelismo vitorioso.

Autoridade humana: moralistas tendem a obedecer de modo ansioso já que eles se acham pessoas importantes. Relativistas vão obedecer muito - já que não há autoridade- ou muito pouco - não há quem mande-. O evangelho nos dá o padrão que podemos opor - se ela contradiz o evangelho- e nos incentiva a obedecer de coração, mesmo quando há razões contrárias.

Culpa e auto-imagem: Quando alguém diz que não consegue perdoar a si mesmo isto indica que há algum padrão ou condição ou pessoa mais central para a identidade desta pessoa que a graça de Deus. Deus é o único Deus que pode perdoar, nenhum outro deus pode. Se você não pode perdoar a si mesmo é porque você falhou em ser seu próprio deus, aquilo que você serve está mantendo-o cativo. O falso deus do moralista é um deus de sua imaginação, um deus que é santo mas não é gracioso. O do relativista é alguma conquista ou algum relacionamento. O evangelho traz descanso e segurança para a nossa consciência porque Jesus derramou seu sangue como resgaste por nosso pecado (Mc 10:45). Nossa reconciliação com Deus não é questão de manter a lei para garantir a salvação, nem enganar a nós mesmos quando falhamos em guardar. É um presente de Deus - Rm 6:23.

Sem o evangelho, nossa auto-imagem é baseada em viver alguns padrões - seja os nossos próprios ou que alguém impõe a nós. Se nós vivemos de acordo com estes padrões, nós nos sentiremos confiantes mas não humildes. Se não conseguimos vivê-los, ficaremos humildes mas não confiantes. Apenas o evangelho pode nós fazer ser tanto enormemente fortes e completamente humildes e sensíveis, porque nós somos simul justus et peccator, tanto perfeitos quanto pecadores.

Alegria e humor: o moralista não tem alegria verdadeira e humor porque levam a si mesmos muito a sério. O relativista tende a ser pessimista ou cínico por sua falta de esperança. O evangelho nos diz que somos salvos pela graça, é uma fonte de constante maravilhamento. É um milagre sermos salvos, isto nos dá um profundo sentido de humor e alegria.


A maioria dos nossos problemas na vida vem de uma falta de uma orientação própria do evangelho. As patologias na igreja e padrões pecaminosos em nossas vidas individuais são uma falha em considerar as profundas implicações do evangelho e acreditar que o evangelho pode transformar nossa vida. O evangelho transforma nossos corações e pensamento e muda nossa abordagem sobre absolutamente tudo. Quando o evangelho é exposto e aplicado em sua completude em qualquer igreja, esta irá aparecer única. As pessoas irão achá-la atraente e um equilíbrio eletrificante de convicção moral e compaixão.


sexta-feira, janeiro 11, 2013

Timothy Keller: O Evangelho não é uma coisa simples.

O segundo capítulo de Center Church, ainda dentro da seção da Teologia do Evangelho,  vai tratar da complexidade do evangelho. 

A Bíblia não tem um um esboço único para o evangelho.

Paulo diz em Gl. 1:18, para não se pregar outro evangelho.  Em 1Co 15:11, ele diz que sua pregação é a mesma dos apóstolos.  Seria impossível afirmar que há um falso evangelho e um evangelho igual ao de Pedro se não houvesse um consenso a respeito do evangelho.  Contudo, é óbvio que há muitas formas expressas sobre o que o evangelho significa.

Os evangelhos sinóticos falam sobre o evangelho no conceito de reino, enquanto que em João, há uma ênfase sobre a vida eterna.  Os temos não são sinônimos, os sinóticos usam reino porque tem uma orientação a respeito do futuro enquanto João enfatiza aspectos individuais e internos do reino. O que se vê que tanto os sinóticos como João estão descrevendo aspectos complementares, individuais e coletivos, de nossa salvação.

Em Paulo, há uma diferença, que está mais centrado no conceito de justificação. 

Há uma contradição? Não, em Jesus, Deus substitui em si mesmo a nós, em nosso favor, ele paga o débito (Mc 10:45, Jo 12:20-36, 1Tm 2:6), derrota os poderes malignos (Cl.2:15, 1Jo 3:8), leva a maldição e a ira divina (Mt 27:45, Gl 3:13) e assegura para nós a salvação pela graça, não por nossas obras (Ef 2:8,2Tm 1:9) e se torna para nós um exemplo (1Tm 1:16, Hb 12:2, 1Pe 2:21). O coração dos escritos é a redenção pela substituição.

O evangelho deve estar amarrado a linha histórica da Bíblia e seus temas.

Deve ser feita uma leitura sincrônica e diacrônica. 

A primeira é chamada de método da teologia sistemática, que tende a lidar com a bíblia de maneira tópica, o que a Bíblia diz sobre Deus, pecado, Espírito Santo, etc.  Este método é sensível a unidade bíblica, é muito útil para  a pergunta, o que devo fazer para ser salvo? 

Ler a bíblia diacronicamente é ler sua narrativa, buscando o método histórico redentivo, que lida com as escrituras historicamente.  Organiza a bíblia por estágios históricos; A bíblia é vista como Deus criando o mundo, a queda do homem, Deus reentrando na história para criar um novo povo para si mesmo e sobre a nova criação que surgirá deste mundo caído. O método discerne a história da redenção de Deus como também temas bíblicos como pacto, reino, santuário que ocorrem em cada estágio da história até seu climax em Jesus. 

Não há motivos que um método contradiga o outro, Keller diz que usando ambos fazemos justiça aos fato de que a Bíblia é tanto divinamente irrepreensível e providencialmente humana. 

Keller adverte que se usarmos o método da teologia sistemática sem o segundo, podemos cair numa teologia racionalista, legalista e individualista. Se usarmos o método histórico rendentivo sem nos atentarmos ao sistema, podemos cair num método que adora histórias e comunidade, mas que não tem clareza sobre o que é lei e o que é graça, o que é verdade e o que é heresia.

A seguir, dá alguns exemplos destes temas bíblicos:

O exílio e a volta ao lar.

O lar segundo a bíblia é um lugar onde a vida floresce totalmente, é um lugar de descanso, de shalom.  A história da raça humana é uma história de exílio e anseio por voltar para casa.  A morte  e doença distorceram a boa criação física de Deus. A sociedade é uma Babel com egoísmo, auto-exaltação e orgulho. Exploração e violência arruinaram a comunidade humana. O mundo como hoje existe não é o nosso verdadeiro lar.

Algumas questões tais como voltamos ao nosso lar? Como o mundo pode ser restaurado? Como a decadência e a morte podem ser vencidas?

O evangelho responde que Jesus deixou seu verdadeiro lar (Fp. 2:6-7) e nasceu longe de casa num lugar onde não tinha onde reclinar a cabeça e foi crucificado fora dos portões da cidade, num sinal de seu exílio e rejeição (Hb 13:11-12). Tomou o nosso lugar e experimentou o exílio que a raça humana merecia.  Quando ressurgiu da morte, se tornou uma antecipação daquilo que irá acontecer conosco.  Ele irá reconciliar todas as coisas (Cl 1:16-20) e irá refazer o mundo (Ap. 21:1).

Alguns temas relacionados ao lar/exílio: 

  • Descanso e sabath- o peado nos deixou sem descanso. Como podemos entrar no descanso de Deus?
  • Justiça e Shalom: a fábrica do mundo está quebrada. Como nós podemos restaurar a shalom?
  • Trindade e Comunidade: Nós fomos feitos para uma comunidade pessoal e interdependente com Deus e seu povo porque refletimos o Deus trino. Como nós podemos ser parte desta comunidade?
A criação foi feita como lugar de descano e paz. O pecado resultou em auto-centrismo e destruiu a paz. Israel foi exilada no Egito, e depois, na Babilônia. Jesus, o rejeitado, mas ressuscitado Senhor, que quebra o poder da morte. A restauração é a cidade-jardim de Deus.

A aliança e seu cumprimento.

A criação foi feita para ser uma aliança de amor  em relacionamento com Deus. O pecado resultou na infidelidade, causando a maldição de Deus e sua ira. Israel foi chamada para ser fiel, mas foi  infiel. E Jesus é o servo sofredor mas o novo senhor da aliança, que tomou sobre si a maldição do pecado. A grande restauração serão as bodas do Cordeiro.

Alguns temas relacionados a Yahveh e a aliança:

Justiça e nudez: nós experimentamos vergonha e culpa. Como nossos pecados podem ser cobertos?
Casamento e fidelidade: Ansiamos por um verdadeiro amor e intimidade. Como podemos encontrar isto?
Presença e santuário: Nós fomos feitos para florescer na presença de Deus. Como podemos nos posicionar para isto?

O Reino e sua vinda.

Fomos criados para o reino de Deus e seu reinado. O pecado gerou idolatria, causando escravidão. Israel ansiava por um verdadeiro rei e juiz. Jesus é o verdadeiro reino que retorna, aquele que nos liberta do mundo, da carne e do maligno. A grande restauração é a verdadeira liberdade debaixo do reinado de Deus. 

Temas relacionados:

Imagem e aparência: Amar a Deus sobretudo é o único caminho para verdadeiramente amar qualquer outra coisa e se tornar verdadeiro de verdade e livre - 2Co 4:4, Cl 1:15.

Idolatria e liberdade: servir a Deus é a única maneira de sermos livres.

Sabedoria e Palavra: submissão à Palavra de Deus é o caminho da sabedoria.

Estes temas enfatizam a linha histórica da bíblia:

  • O que Deus quer de nós - criação.
  • O que aconteceu conosco e o que está errado com o mundo - queda.
  • O que Deus fez em Jesus para colocar as coisas no lugar- redenção.
  • Como a história se transformará no fim - restauração.

O evangelho precisa ser contextualizado.

O evangelho não é uma coisa simples, sabemos isto da riqueza e da profundidade dos temas bíblicos e também que a natureza humana é complexa e variada. O evangelho tem uma versatilidade sobrenatural para direcionar-se às esperanças particulares, aos medos  e os ídolos de cada cultura e cada pessoa. Isto nos leva a necessidade de contextualização. 

Veja o exemplo de Paulo: 
em Atos 13, fala com os gentis. Em Atos 14, fala com os pagãos não educados e em Atos 17, se dirige aos filósofos e educados pagãos.

O evangelho é tão rico que pode ser comunicado em uma forma que se encaixa a cada situação. É uma mensagem singular, mas não é uma mensagem simplista.