segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Tim Keller: Contextualização Balanceada



Continuando a segunda seção sobre CIDADE, o capítulo 8 fala sobre Contextualização Balanceada, dentro da terceira parte sobre a Contextualização do Evangelho.
 
Keller começa citando John Stott, Between Two Words, que coloca que alguns sermões são como uma ponte para lugar nenhum, eles possuem uma base bíblica para nunca chegam a terra. Outros sermões são como uma ponte de lugar nenhum, eles falam de problemas da vida comum mas falham em colocar a resposta bíblica para eles.
Devemos ter em  mente sempre estes dois lados da ponte: o texto bíblico e o contexto cultural do leitor/ouvinte.  A escritura tem autoridade suprema, não pode estar errada e nem precisa ser corrigida.  Mas, o entendimento de um comunicador cristão pode estar equivocado. Muitos enxergam que a comunicação do evangelho é levar a mensagem bíblica até a nova cultura, é uma ponte de uma mão só, eles não gostam da idéia que informações podem vir da outra mão. Esta visão não consegue ver que somos pecadores e finitos, então, não podemos ter um conhecimento claro de nada, nossa cultura molda nosso entendimento das coisas.
Como podemos conciliar isto?   Quando nos aproximamos de um texto bíblico, vamos com um pré-entendimento, um cojunto de crenças pré estabelecidas sobre os assuntos apresentados na Bíblia. Estas crenças são fortes e profundas, e muitas são tácitas, difíceis de serem reconhecidas.  Elas vêm da nossa cultura. Isto não significa que não podemos ter um suficiente e verdadeiro conhecimento do ensino bíblico. Contudo, não é um processo simples, nossas crenças tornam difícil para nós lermos as escrituras corretamente,  deixar que ela corrija nosso pensamento e leve fielmente sobre a ponte para alguém que precisa disto.
Por causa de nossa cegueira cultural, precisamos não só falar, como também ouvir.  Precisamos ouvir o que estão dizendo, suas questões, objeções, esperanças e aspirações. Esta interação nos mostra muitas coisas importantes na Bíblia. Nossa interação com culturas diferentes nos leva a pergunta questões ao texto que nunca tínhamos feito e ver coisas mais claras que nunca vimos antes.
Uma das formas que nosso entendimento continua distorcido é o chamado “cânon dentro do cânon”, nós tratamos algumas partes da Escritura como mais importante que outras e ignoramos ou descartamos as outras. Todos os cristãos são vítimas disto dependendo de seu temperamento, experiência e cultura. Keller cita D.A. Carson, que diz, por exemplo, a bíblia fala que Deus ama a todos no mundo com seu amor providencial e também nos ensina que ele ama o salvo com seu amor gracioso e odeia o perverso.  Culturas diferentes vão responder diferentemente aos aspectos bíblicos do amor divino. Membros da cultura ocidental gostam do conceito do amor de Deus para todos e se ressabiam diante da ira de Deus. Membros de uma cultura mais tradicional, tribal entendem a o julgamento de Deus, mas tem problemas com o fato de amar as pessoas igualmente. Cada cultura tende a sublimar certos ensinos bíblicos e ignorar outros, criando um mini-cânon das Escrituras.
Outros exemplos disto são a visão sobre a propriedade privada, algumas culturas têm um visão positiva, outras não. O que há é reducionismo, nossa localização socio-cultural nos leva a ressaltar ou menosprezar alguns ensinos das Escrituras.  A ponte deve correr nas duas direções, enquanto que a Bíblia não pode ser corrigida por culturas não-cristãs, o entendimento cultural da bíblia pode e deve ser corrigido.
A ponte e a a espiral.
Assumir que o cristianismo ocidental é verdadeiro, sem distorção e uma expressão universal da fé, que transportá-lo pela ponte somente precisa de algumas poucas adaptações, este modelo, segundo Harvie Conn, está baseado numa visão funcionalista da cultura, que vê a cultura como algo sem práticas relacionadas que ajudam a um grupo de pessoas se adaptar ao ambiente, você pode alterar a religião sem mudar nada no resto da cultura da pessoa.
Na visão de Keller, evangelical, a Bíblia continua suprema, os dois lados da ponte não são iguais.  A interação com a cultura ajuda a nos adaptar e mudar nosso entendimento da Bíblia para melhor, mas em última análise,a  Bíblia deve ser vista como a grande autoridade sobre a cultura e sobre a nossa consciência. Não é um produto falível.
Se buscamos uma relação relativa, de igualdade, no fundo, estamos considerando nossa cultura como autoridade sobre a Bíblia. Ou Ela determina o que na cultura é aceitável ou não, ou a cultura irá ter uma autoridade final sobre a Bíblia e determinar no texto o que é pode ser aceito ou não. Então, a imagem de um círculo não funciona, por isto, alguns defendem a idéia de uma espiral.  Usando este método, os evangelicals buscam evitar os exageros,  seja de um culturalismo fundamentalista,  que crê que podemos ler a Bíblia de modo culturalmente livre e universal, e o relativismo cultural, que o texto bíblico somente pode ter o sentido permitido por uma cultura que o lê.

Como a graça transforma?




Evangelho na Vida: como a graça transforma a idolatria.

1João 5.21   Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!
1.  
     No princípio, a Idolatria.


Os seres humanos foram criados para adorar e servir a Deus e governar sobre todas as coisas (Genesis 1:26-28)

Romanos 1:23-25:  E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.  Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si;  pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!

Por causa do pecado, adoramos e servimos as coisas criadas, e assim, as coisas governam sobre nós. Quando buscamos nossa salvação, satisfação e segurança em qualquer coisa que não seja Deus. Fazemos de algo nosso deus, e começamos a servi-lo e adora-lo.

O nosso coração é uma fábrica de ídolos (Jr 2:13, Is 44:10-13, Sl 24:3-4, Rm 1:18-25, Gl 4:8-9)

Êxodo 20.3   Não terás outros deuses diante de mim.

Na raiz de todo pecado está a idolatria. Só podemos pecar contra os mandamentos se antes quebrarmos os dois primeiros, não adorar a Deus e começar a adorar a outra coisa.

2.       Identificando a idolatria.

Qual é seu maior pesadelo?  Do que você se orgulha?


Qualquer coisa, boa ou má, pode ser objeto de nossa idolatria: família, sucesso, ministério como também drogas, bebidas, poder.


Se você busca
Seu maior pesadelo
Seus amigos se sentem
Seu problema emocional
PODER (sucesso, vitória, influência)
HUMILHAÇÃO
USADAS
RAIVA
APROVAÇÃO (afirmação, amor, relacionamentos)
REJEIÇÃO
SUFOCADAS
COVARDIA
CONFORTO (privacidade, liberdade)
STRESS, QUESTIONAMENTOS
NEGLIGENCIADAS
TÉDIO
CONTROLE (segurança, certeza)
INCERTEZA
CONDENADAS
PREOCUPAÇÃO

3.  
     Destronando os ídolos.

Romanos 6.14   Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.

a.     Arrependa-se de seus ídolos: identifique-os em sua vida, veja que não são o que prometem ser, que eles são perigosos e só te escravizam.

b.     Descanse e se alegre no Senhor:  olhe para obra salvadora de Jesus, busque a alegria, a satisfação e segurança verdadeira para sua vida.


Em momentos de raiva, covardia, tédio e preocupação lembre-se a presença de Jesus em você.

Medite esta semana em Mateus 18:21-35 e 26:36-46, João 15:9-17 e 17:13-26

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Os Guinness: O Chamado ( caps. 1-6)

Pequeno resumo de pontos do livro O CHAMADO de Os Guinness.


O livro foi escrito para responder o que é o chamado.

"O chamado é a verdade que Deus nos conclama a si mesmo de tal forma decisiva que tudo que somos, tudo que fazemos e tudo que possuímos é investido nessa devoção especial, nesse dinamismo vivido como resposta à sua conclamação e seu serviço" p.13


Todo o livro pode ser encarado é um desenvolvimento desta sentença.

No capítulo 2, ele fala do desejo que vem do chamado, de se realizar algo. E coloca algumas perspectivas.

1. senso de necessidade.
2. o desejo é um problema em si que deve ser negado.
3. desejo como eros em busca de um alvo
4. desejo como agape que busca a realização do outro.

Somente em Deus, nosso desejo encontra seu lar e sua realização e realidade, Jesus é o imã de toda história da humanidade.

Capítulo 3 fala da pergunta persistente sobre quem somos. 

"A noção de chamado, ou vocação, é vital para cada um de nós porque toca a busca moderna de base para a identidade individual e compreensão do próprio ser humano" p.28

Como responder?
1. identidade realizada dentro de um papel social: responsabilidade social.
2. identidade realizada como coragem de ser: individualismo em oposição ao grupo, precisa ser criada pela pessoa.
3. identidade como algo que está em nós,  somos constituídos para ser, predeterminados.

A identidade se baseia na resposta ao chamado de Deus:
contra a primeira posição, somos chamados por Deus, e não constrangidos.
contra a segunda, não estamos dependendo apenas de nós mesmos, precisamos de Deus que nos chama.
contra terceira, ao invés de constituídos para ser que enfatiza que a vida é fatídica e predeterminada, somos chamados para a liberdade e o futuro.

"Incertos de nós mesmos, temos a certeza de Deus" p.33

O capítulo 4, começa a tecer considerações sobre o chamado de Deus, em todo mundo, em todo lugar e todas as coisas.

As características do chamado:

1. Simples e direto.
2. Chamar é nomear, trazer a existência, criar. A questão vai além ser que somos, é nos tornar aquilo que ainda não somos mas fomos chamados por Deus para ser.
3. O chamado é quase sinônimo de salvação, é um chamado para sermos seguidores de Jesus.
4. Tem um sentido vital que floresce na Reforma.

"Ser discípulo de Jesus é ser alguém chamado para ser seguidor do Caminho" p.39

Chamado primário e secundário.

Nosso chamado primário é sermos seguidores de Jesus.
O secundário, considerando que Deus é soberano, é que de todos, em todo lugar e em tudo, devemos pensar, falar, viver e agir inteiramente para Ele.

A distorção católica consiste na ênfase do primeiro chamado em detrimento ao segundo.  A vida contemplativa é vista como superior a vida ativa. Surge o dualismo entre aquilo que é sagrado/profano,  perfeito/permitido, contemplativo/ativo ou primeira/segunda.Se tudo provém da fé e é para a Glória de Deus, não há que se falar em coisas superiores ou inferiores.

O capítulo 5, Dele, por meio dele e para ele, continua falando da relação entre a fé a vida ativa através do chamado. 

A distorção protestante é uma forma secular de dualismo, onde se valoriza a vida ativa às custas da vida contemplativa, o chamado secundário em detrimento do primário. Somente pela vida ativa, se consideraria um crente exercendo seu chamado.  A vocação e o chamado servem para tudo, até para as atividades ilícitas.

A correção precisa que se volte Aquele que chama  e uma restauração da primazia do chamado primário.

‎"Tome cuidado com qualquer coisa que compete com a lealdade a Jesus Cristo. O maior competidor da devoção a Jesus é o serviço para ele...o alvo único do chamado de Deus é a satisfação de Deus, não um chamado para fazer algo para ele" Oswald Chambers, na pag. 50.

A paixão de pertencer a Deus concentra a energia de todos que atendem a seu chamado, pois o chamado é algo integral, que envolve todo o ser humano e não o reparte em um dualismo estéril seja católico seja protestante, como entendido por Guinness.

No capítulo 6, Faça o que você é,  Guinness continua a falar das características e classificações dentro do chamado.

O amor é a expressão do chamado, precisamos conhecer o desenho único e singular que Deus nos fez, qual seu plano para nós. 

"Na verdade Deus nos chama para sermos nós mesmos e fazer o que somos. Mas só somos verdadeiramente nós mesmos e podemos realmente fazer o que somos quando obedecemos o chamado de Deus. Desenvolver os dons que são nossos para os outros assim não é egoísta, mas serviço em perfeita liberdade" p.57

A vocação e chamado devem ser considerados como sinônimos, diferencia-los levaria a distorção católica.

Chamado individual x coletivo:
O primeiro diz respeito ao que fazemos como indivíduos, e o segundo, é a resposta que abraçamos juntos. Os primeiros devem complementar os segundos.

"Qualquer pessoa que cite seu chamado individual como base para rejeitar o chamado corporativo da igreja está se iludindo" p.58

Chamado especial x ordinário.

"Um chamado especial se refere a tarefas e missões colocadas sobre um indivíduo através de uma comunicação direta, específica e sobrenatural da parte de Deus. O chamado ordinário é o senso de propósito de vida e tarefa para a vida que o crente tem em resposta ao chamado primário de Deus" p.59

Não há caso de chamado especial no Novo Testamento segundo Guinness, os casos bíblicos são dos profetas, que tinham o chamado especial para fazer o povo voltar ao chamado ordinário de Deus.

Chamado Central x Periférico.

O chamado central está ligado ao chamado primário e o periférico a formas de sustento para o central.

Clareza x Mistério.

temos um senso de clareza de nossa vida, e ao mesmo tempo, o chamado permanece um mistério para nós, pois não temos um chamado especial no sentido que Guinness coloca. O segredo da nossa vida é decifrar este chamado no decorrer dela.







quarta-feira, janeiro 30, 2013

Tim Keller: Contextualização Intencional




O livro Center Church é dividido em três partes: evangelho, cidade e movimento. A segunda parte do livro Center Church irá falar sobre a Cidade,uma igreja de centro não nem não-contextualizada  nem super-contextualizada, porque a cidade tem tanto potencial para o florescimento humano como para a idolatria, o ministério deve ser equilibrado, usando o evangelho para apreciar e desafiar a cultura de acordo com a verdade de Deus.  Esta seção sobre CIDADE se divide em três partes:

A contextualização do evangelho, onde se buscará fundamentos bíblicos para uma contextualização equilibrada.

A visão da cidade, onde se examinará aspectos chaves sobre o entendimento de como uma cidade se desenvolve como tema através das Escrituras, desde suas raízes contra Deus até sua redenção em glória.
O engajamento cultural, onde se discutirá 4 modelos para se engajar na cultura, colocando as forças e fraquezas de cada modelo.

CAP. 7-  CONTEXTUALIZAÇÃO INTENCIONAL.

O capítulo 7 está na parte que fala sobre a contextualização, tem o título de  Contextualização Intecional. Tim Keller começa falando de sua experiência na agência Redeemer City to City que promove plantação de igrejas, falando das dificuldades das igrejas chineses e holandeses em se estabelecerem nos grandes centros urbanos, precisavam adaptar o ministério que funcionava nas áreas rurais para os centros urbanos, ou seja, contextualização.


BOA CONTEXTUALIZAÇÃO.
Não é dar as pessoas aquilo que elas querem ouvir. É dar as respostas bíblicas para as questões que elas tem em suas vidas que talvez não queiram ouvir, mas que podem compreender através de apelos e argumentos que forçam elas a aceitarem ou rejeitarem. Uma contextualização boa significa traduzir e adaptar a comunicação e ministrério do evangelho para uma cultura particular sem compromissar a essências e as particulariedades do evangelho. A grande tarefa é expressar a mensagem do evangelho para uma nova cultura de um modo que evite fazer aquela mensagem desnecessária para aquela cultura, sem remover ou obscurecer o escândalo e a ofensa da verdade bíblica. O evangelho contextualizado é marcado por clareza e atratividade, e ainda assim, desafia pecados auto-suficientes e chama-os ao arrependimento. Se nós falhamos em adaptar a uma cultura ou falhamos em desafiar, nosso ministério pode ser infrutífero.
O melhor exemplo, diz Keller, é quando pensamos num sermão que ouvimos que era bom biblicamente e perfeito doutrinariamente, contudo, muito chato que fez você querer chorar. Talvez seja a mecânica monótona, ou mesmo, apesar de ser perfeito doutrinariamente, ele era irrelevante.  O ouvinte poderia dizer, você me mostrou algo que pode ser verdade, mas não me importo. Não vejo como isto pode transformar como eu penso, sinto ou ajo. Um sermão chato é chato porque falha em trazer a verdade para a vida diária dos ouvintes. Não há uma conexão com as esperanças, narrativas, medos e erros das pessoas num tempo e espaço em particular.  Quando há uma boa contextualização mostramos às pessoas como as narrativas culturais de sua sociedades e as esperanças de seus corações apenas podem ser preenchidas com Jesus. Algumas culturas são pragmáticas e levam seus membros a posses e poder. Algumas são individualistas e levam seus membros a procurar liberdade pessoal acima de tudo. Outras são culturas de honra e vergonha, com ênfase no respeito, reputação, dever e família. Algumas culturas são discursivas e colocam o valor nas artes, filosofia e aprendizagem. Estas são as narrativas culturais porque são estórias que as pessoas contam sobre si mesmas para ter algum sentido de existência. Contudo, qualquer que seja esta narrativa, apenas uma boa contextualização mostra que suas histórias só podem ter final feliz em Jesus.
Cultura toca cada aspecto da vida das pessoas no mundo, como lingua, música e arte. Toma matéria prima e cria um ambiente. Quando tomamos uma matéria bruta e transformamos  num prédio, em música, em roupa, estamos criando um ambiente que chamamos de cultura.Buscamos leva uma ordem para servir às algumas verdades que temos sobre a realidade do mundo que vivemos.
Keller cita Linwood Barney que pensa a cultura como uma cebola. No interior de cada cultura está a cosmovisão, um conjunto de crenças normativas sobre o mundo, cosmologia e a natureza humana, crescendo imediatamente está o conjunto de valores- o que é considerado bom, verdadeiro e belo. A terceira camada é um conjunto de instituições que cuidam dela- justiça, educação, vida familiar, governo com base nos valores e na cosmovisão. Finalmente, vem as partes mais visíveis, os costumes e comportamentos, os produtos materiais, o ambiente construído.  Alguns criticam este pensar porque não é fidedigno às relações entre as camadas.
A contextualização deve levar em conta todos estes aspectos. Não busca mudar apenas o comportamento, mas a visão de mundo. Não significa apenas adaptar o homem superficialmente. A cultura afeta cada parte da vida humana, determina como decisões serão tomadas, como emoções são expressas, o que é considerado como público e como privado, como indivíduos se relacionam com o grupo, como poder social é usado, e como relacionamentos são conduzidos. Nos dá um entendimento distinto de nosso tempo, de resolução de conflitos, solução de problemas.
Citando David Wells que diz: a contextualização não é meramente a aplicação da doutrina bíblica mas a tradução da doutrina dentro de uma conceituação que tece com a realidade das estruturas sociais e os padrões de vida dominantes na nossa vida contemporânea. A habilidade nisto é uma das chaves para um ministério efetivo.

UMA BREVE HISTÓRIA DO TERMO.
O termo foi usado em 1972 por Shoki Coe, que questionou a validade do movimento de igreja nativa de Henry Venn e Rufus Anderson. Antigos missionários plantaram igrejas, quer mantiham o controle das igrejas deixando aos nativos um papel secundário. Como também dirigiam as igrejas de modo ocidental. Os movimentos nativos pediam que os missionários vissem a si mesmos como trabalhadores temporários que deixariam suas igrejas com os nativos para que as igrejas pudessem ser ministradas nas linguas, musicas e cultura nativas. Este foi um passo importante na missão. Contudo Coe, via as formas de estrutura da igreja muito ocidentalizadas e não eram encorajadas para comunicar a mensagem com a cultura local, oTheological Education Fund of the World Council of Churches foi a primeira agência a usar este novo termo e buscar isto como sua missão.
Contudo, este primeiro uso foi sob a influência de Bultmann e Kasermann, teólogos que insistiam que o Novo Testamento era uma adaptação da cultura grega que não tinha validade. Eles diziam que os crentes estavam livres para determinar a verdade interna da revelação bíblica e descartar ou adaptar o resto. Esta aproximação assume que tanto o texto – a Bíblia- como o contexto -  a cultura- são autoridades relativas e iguais. Através de um processo dialético, procuramos uma forma particular de verdade cristã que se encaixe na cultura. Virtualmente, qualquer parte da fé cristã, a trindade, a deidade de Jesus poderiam ser encaixadas em um novo conteúdo, dependendo da cultura. Em nome da contextualização, a igreja tinha um potencial para realizar mudanças radicais na doutrina histórica cristã. Há uma ironia aqui, porque a intenção era sair da imposição de formas ocidentais, mas acabaram ficando sobre outras imposições. A contextualização sem uma bíblia como autoridade é uma visão moderna de alguns teólogos ocidentais, que aceitaram o ceticismo do ilumismo sobre milagres e o sobrenatural. Agora não estavam mais imposta a visão conservadora ocidental, mas a visão liberal ocidental.

O PERIGO DA CONTEXTUALIZAÇÃO.
Por causa disto, muitos tem críticas à contextualização. Em todos os casos, os valores da cultura ganham preferência sobre a autoridade da Escritura.
Keller cita J. Gresham Machen, que escreveu sobre o liberalismo teológico, que eles estavam tentando entender qual a relação do cristianismo com a cultura moderna, como o cristianismo poderia ser mantido numa era científica? Admitindo as objeções contra certas particularidades do cristianismo, como a pessoa de Cristo,  a redenção por sua morte e ressurreição. Os teólogos liberais procuraram guardar alguns princípios gerais da religião, dos quais estas particularidades foram consideradas como meros símbolos. O que ela manteve foi só religião, já que o cristianismo é totalmente distinto. Machen falando de sua cultura, a classifica como naturalista, que rejeita intervenção sobrenatural por Deus. Tudo tinha que ter uma explicação natural, científica. O problema com o cristão liberal dos dias de Machen é que ele preferiu sua cultura em detrimento às Escrituras. Dando um exemplo, salvação, a expiação de Jesus é agora apenas um exemplo de como viver, o cristão não tem que nascer de novo, mas viver como Jesus, mudou o evangelho da salvação pela graça pela religião da salvação pelas boas obras.
Outra forma é o sincretismo religioso, que é colocar o evangelho debaixo de outra religião. Quando se coloca que algumas partes essenciais permanecem e outras podem ser flexibilizadas, é um erro pensar que algumas partes são mais essenciais que outras. Keller cita Havie Conn que argumenta que o sincretismo acontece quando em nome da cultura se proibi toda a escritura de falar. Cada cultura encontra partes mais atraentes e outras mais ofensivas, é natural, então, achar que as mais atraentes são mais importantes e essenciais que as ofensivas. Sincretismo também é uma rejeição da autoridade plena da Bíblia, em escolhendo ensinos que não confrontam ou ofendem.
Uma contextualização fiel deve adaptar a comunicação e prática de toda a escritura em seu ensino para uma cultura.

A INEVITABILIDADE DE CONTEXTUALIZAR.
Aqui está um paradoxo fácil de se perder: o fato de que nós precisamos expressar uma verdade universal num contexto cultural particular não significa que a verdade em si é de alguma forma perdida ou menos universal.  Keller começa com um argumento de D.A. Carson, “enquanto nenhuma verdade que o ser humano possa articular pode ser articulada em um modo  culturalmente transcendente…isto não significa que a verdade que está sendo articulada não possa ser transcendente culturalmente”. Primeiro, não há uma forma única de articulação que a fé cristã pode ser universal para todas as culturas. Quando expressamos o evangelho, estamos fazendo de um modo mais compreensível para as pessoas de uma cultura que outra. Por outro lado, enquanto que não há um modo único de expressão, só há uma verdade do evangelho. As verdades do evangelho não são produtos de uma cultura, elas colocam em julgamento todas as culturas humanas. Se você se esquecer desta primeira verdade, você pode pensar que existe apenas um verdadeiro modo de apresentar o evangelho,  você estará sendo conservador culturalmente. Se você esquecer a segunda verdade, que há um único verdadeiro evangelho, você poderá cair num relativismo que leva a um liberalismo sem freios. Seja o caminho, você será menos fiel e menos frutífero em seu ministério. A contextualização é inevitável. Assim que você escolhe uma lingua para falar e palavras, ela está lá, você está sendo mais acessível para alguns e menos para outros. Não há uma apresentação universal do evangelho para todas as pessoas.
A seguir, Keller volta ao sermão chato e pensa sobre o conceito de longo ou tarde, e como ele varia de cultura para cultura. Um sermão também pode perder as pessoas por causa dos tipos de metáforas e ilustrações que são escolhidas, quando Jesus diz para quem pregar o evangelho para pessoas hostis evitar jogar pérolas aos porcos (Mt 7:6), ele está ligando dois campos de discurso, ele está ligando a pregação ao mundo concreto da criação de porcos.Cada ilustração deve ser pensada do uso de experiências concretas das pessoas, devem ser compartilhadas com quem ouvem e podem ser mais remotas ou menos acessíveis para outras que não as compartilham. Algumas ilustrações podem até levar as pessoas a pensarem que o pregador é esnobe.
Os pregadores devem escolher algumas ilustrações e conceitos que vão ser mais significativos para certos grupos culturais que outros, precisamos ser mais inclusivos possível. Precisamos estar cientes dos nossos limites, não podemos ter a ilusão de que podemos compartilhar o evangelho para todas as pessoas ao mesmo tempo.
Uma outra razão que um sermão pode ser correto mas ter pouco impacto é o nível de expressão emocional, quando ela não está calibrada com a cultura das pessoas que ouvem.
Até aqui se falou sobre a maneira e o modo de pregar, mas a contextualização tem muito a ver com seu conteúdo.  Um sermão pode não engajar as pessoas porque a não conecta o ensino bíblico com as questões e objeções das pessoas daquela cultura tem a respeito da fé. As objeções do legalismo ou liberalismo, o evangelho pode responder.  Devemos ver qual destes grupos dominam nossa vizinhança, e devemos pregar tenho este grupo e suas objeções em mente. Nenhuma apresentação será igualmente agradável para os dois grupos.
Finalmente, a contextualização afeta o modo como pensamos porque as pessoas numa cultura encontra um modo que lhes seja mais persuasivo enquanto outros não. Algumas pessoas são mais lógicas, outras mais intuitivas. Se escolhemos um modo, estaremos argumentando mais com um grupo que outro inevitavelmente.


O PERIGO DE NÃO CONTEXTUALIZAR (OU DE PENSAR QUE NÃO ESTÁ).
Todo ministério do evangelho e comunicação são profundamente adaptadas a uma cultura em particular. Se não pensarmos como contextualizar para uma nova cultura, estamos contextualizados em uma outra, inconscientemente. Nosso ministério no evangelho estará super adaptado a nossa própria cultura e pouco adaptado a uma nova cultura, o que leva uma distorção na mensagem cristã.  Keller cita o exemplo do cristão branco americano, que identifica o modo americano de viver com a vida bíblica cristã. A falta de uma atenção a cultura pode levar a um viver e ministério cristão distorcidos. Crentes que vivem em culturas individualistas estão cegos para importância de viver em comunidade profunda e colocar a si mesmos para prestar contas de sua espiritualidade e disciplina. Hoje muitos vêem a membresia como uma opção.  Por outro lado, cristãos em culturas patriarcais estão cegos sobre a liberdade de consciência e a graça.
A inabilidade de enxergar nossa cultura tem outros resultados, um dos erros é ministros regurgitarem métodos e programas que influenciaram a elas pessoalmente. Depois de experimentar um impacto no ministério numa parte do mundo, eles levam as ferramentas para outro lugar e tentam reproduzir sem mudar nada. Keller fala de seu desapontamento de muitas igrejas que visitam a Redeemer copiarem simplesmente os métodos sem realizar o duro trabalho de contextualizar o evangelho a realidade local da igreja.

Todos contextualizam, mas poucos pensam a respeito disto, não devemos apenas contextualizar,mas pensar como fazemos isto. Devemos fazer este processo visível e intencional para nós mesmos e para os outros.

terça-feira, janeiro 29, 2013

Tim Keller: A obra da renovação pelo evangelho.


No capítulo 6 de Center Church, pastor Tim Keller ainda está comentando a respeito da renovação pelo Evangelho.  Agora, ele irá falar sobre os aspectos práticos através do qual o Espírito Santo transforma vidas e igrejas, e também sobre a pregação e sinais da evidência de uma renovação pelo evangelho.

Os significados de uma renovação pelo Evangelho.

A fonte última do avivamento é o Espírito Santo, ele usa muitos instrumentos para produzir isto.

Oração extraordinária.

Uma oração unida, persistente e centrada no reino. O importante aqui não é o número de pessoas, mas a natureza da oração. 

Ele cita a diferenciação de C. John Miller de orações de manutenção e orações de linha de frente.  Orações de manutenção são pequenas, mecânicas e focadas nas necessidades físicas de dentro da igreja. Em contraste, oração de linha de frente são:

1. pedido pela graça para confessar pecados e nos humilharmos.
2. compaixão e zelo pelo florescimento da igreja e alcançar os perdidos.
3. desejo de conhecer a Deus, ver sua face, ter um vislumbre da sua glória.

Estas distinções são poderosas, podemos ver elas em uma reunião de oração. As orações bíblicas por avivamento estão em Ex 33, Nee 1, At 4, os três elementos estão claros lá. Em Atos 4, após serem ameaçados, os discípulos não pedem por proteção, ele pedem corajem para continuar pregando! 

Redescoberta do Evangelho.

A ênfase no novo nascimento e na salvação apenas pela graça. Martin Lloyd-Jones, citado por Keller, lembra que o evangelho que enfatiza a graça poderia se perder por muitas formas, a igreja poderia se tornar heterodoxa, e perder alguns ensinos ortodoxos como a natureza triuna de Deus, a deidade de Cristo, a ira de Deus e assim por diante. Alguns poderiam pensar que a crença na justificação pela fé somente e a necessidade de conversão é apenas uma questão de membresia ou viver com base no exemplo de Jesus. Isto corta o nervo da renovação pelo evangelho e avivamento. Contudo, é possível subscrever toda doutrina ortodoxa e ainda assim, falhar em comunicar o evangelho para os corações das pessoas numa forma que leva ao arrependimento, alegria e crescimento espiritual. Um jeito que isto acontece é pela ortodoxia morta, em que o orgulho cresce pela correção doutrinária, que gera uma igreja de justiça por obras.

Lloyd-Jones também fala de uma ortodoxia defeituosa e uma inércia espiritual, algumas igrejas seguram doutrinas mas com desequilíbrios e falta de uma ênfase adequada. Muitos ministros gastam mais tempo defendendo a fé do que a propagando-a.  Ou, gastam muita energia com questões como profecias, dons espirituais, criação e evolução. Mas as doutrinas da graça e da justificação e da conversão não são tão enfatizadas, não se conecta com a vida das pessoas. As pessoas vêem estas doutrinas, mas não enxergam. É possível tirar um num teste doutrinário e descrever adequadamente as doutrinas da salvação, e ainda assim, ser cego para seu poder e implicação verdadeiros.

Quando isto é aplicado aos corações, cristãos nominais são convertidos,  cristãos letárgicos e fracos se tornam fortes, e não crentes são atraidos para a novamente bela congregação.

Um dos grandes veículos que levaram ao primeiro avivamento em Northampton, Massachutes, foi dois sermões de Jonathan Edwards em Romanos 4:5 - Justificação apenas pela fé=- em novembro de 1734. Para John Wesley e Whitefield, os líderes do avivamento britânico, o entendimento da salvação pela graça, ao invés do esforço moral, que tocou as pessoas para uma renovação e as fez agentes de avivamento.

Aplicação do Evangelho.

Primeiro, a igreja recupera o evangelho através da pregação. A pregação é onde o grande número de pessoas da igreja está exposto. Existem algumas partes da escritura melhores para pregar o evangelho que outras? Não, de forma alguma. Qualquer oportunidade que você prega Cristo e sua salvação como o significado do texto ao invés de simplesmente expor os princípios bíblicos para a vida, você está pregando através da renovação. Pregar desta forma não é fácil. Mesmo aqueles que estão compromissados com uma pregação cristocêntrica tendem a fazer sermões inspirativos em Jesus, com pouca aplicação. Entender isto é um tópico enorme para digerirmos. Aqui Keller aconselha o livro de Bryan Chappell.

O segundo modo como um pastor recupera o evangelho é através de treinamento dos líderes leigos para ministrar o evangelho para os outros. Os componentes são aqui são conteúdo e contato.  Como conteúdo, Keller cita seu próprio livro Deus pródigo e o capítulo a verdadeira fundação de Depressão Espiritual de Lloyd-Jones. Por contato de vida, é o aconselhamento e encontros para ajudar os líderes a se arrependerem de seus ídolos e sua auto-justiça. Quando a ficha do evangelho cair, você terá os efeitos.

Uma terceira forma é enjetar um elemento experimental num pequeno grupo ou em grupos dedicados a isto. As pessoas precisam de um momento de comunhão e estudo juntas em grupos pequenos, Wesley e Whitefield aconselhavam isto. 

A quarta forma é através da conversação, a renovação pelo evangelho se espalha pela igreja pelas pessoas que contam sua renovação umas para as outras, quando um cristão compartilha como evangelho transformou sua vida.

O quinto modo de aplicação é que os pastores e lideres saibam usar o evangelho no coração das pessoas no aconselhamento pastoral.  Busque saber qual é conhecimento e sentimentos do aconselhado a respeito do evangelho, procure formas de auto-justiça e ajude as pessoas a saírem disto.  O evangelho deve ser usado para cortar tanto o moralismo como a licenciosidade que destrói a vida e o poder espiritual.


Inovação do Evangelho.

Outro fator importante é a inovação e a criatividade. O avivamento acontece pelos meios instituídos como a pregação, pastoreio, adoração e oração. É muito importante reafirmá-los. O Espírito Santo pode usar estes meios para conversões extraordinárias e trazer um crescimento significante na igreja.

Contudo, quando estudamos a história dos avivamentos, vemos novos métodos de comunicar o evangelho. No grande avivamento, dois ministros começaram a pregar em público e usaram encontros de pequenos grupos.  Como também o uso de inovações tecnológicas como a imprensa. Nenhum avivamento repete as experiências do passado, seria um erro identificar um método específico com avivamentos. 

Embora, os meios principais continuam sendo teológico - redescoberta do evangelho- e ordinários- pregação, oração, comunhão e adoração - Devemos procurar novos modos para a proclamação do evangelho que o Espírito Santo possa usar em nosso momento cultural. 

Pregação para uma renovação pelo Evangelho.

Keller coloca cinco características que definem esta pregação:

1. Pregue distinguindo  religião do evangelho. Uma pregação efetiva irá criticar tanto a religião como a irreligião, e também vai direcionar ao problema central da idolatria ajudando os ouvintes olhar além de seu comportamento, para as motivações e ver como o evangelho está funcionando ou não em seus corações.

2. Pregue tanto a santidade como o amor de Deus para transmitir as riquezas da graça. A pregação não deve enfatizar apenas o julgamento de Deus, a santidade e retidão - como pregadores moralistas- ou enfatizar apenas o amor e a misericórdia de Deus - como os pregadores liberais-. Apenas quando as pessoas enxergam Deus como absolutamente santo e absolutamente amoroso, a cruz irá transformá-los.  Jesus era tão santo que teve de morrer por nós, nada menos poderia satisfazer sua santidade e retidão. Mas ele era tão amoroso que ele estava satisfeito em morrer por nós, nada menos poderia seu desejo de nos ter como seu povo. Isto nos humilha do nosso orgulho e egoísmo, e ainda assim, ao mesmo tempo, nos afirma de nosso desencorajamento. Isto nos leva a odiar o pecado e ao mesmo tempo nos proibe de odiarmos a nós mesmos.

3. Pregue não apenas para deixar a verdade clara, mas também, para deixá-la real. Quando vemos como Paulo busca crescer a generosidade das pessoas apelando para como elas conhecem a generosidade e graça de Cristo - 2Co 8-. Em outras palavras, se os cristãos são materialistas, não é uma mera falha da vontade, a falta de generosidade vem de que eles realmente não entenderam como Jesus se fez pobre por eles, como nEle temos todas as riquezas e tesouros. Não pregue simplesmente o que as pessoas devem fazer, você deve apresentar Cristo de tal forma que ele captura o coração e a imaginação mais do que as coisas materiais. Isto toma não só uma apresentação intelectual mas uma apresentação da beleza de Cristo.
Para Jonathan Edwards, o maior problema espiritual dos crentes é que enquanto eles tem uma noção intelectual de muitas doutrinas, estas não são reais para seus corações e não influenciam seu comportamento. No caso do materialismo, o poder do dinheiro para trazer segurança é mais espiritualmente real que o amor de Deus e sua providência. 
D. Martyn Lloyd-Jones sumariza isto dizendo: o primeiro e primário objeto da pregação é produzir uma impressão. Esta é a impressão que com o tempo importa, ainda mais quando você pode lembrá-la depois. 

A questão da pregação é tornar o conhecimento vivo.

4. Pregue Cristo de todo texto. 
A maneira principal para evitar uma pregação moralista é estar certo que você sempre estará pregando Cristo como o ponto principal e mensagem de cada texto. Se você não apontar Cristo para seus ouvintes antes do fim de cada sermão, você dará a impressão que o sermão é sobre eles, sobre o que devem fazer. Contudo, nós sabemos de textos como Lucas 24:13-49,  que Jesus entendia cada parte da Bíblia como apontando para Ele e sua obra de salvação. Isto não é uma sugestão que cada autor de cada passagem intencionalmente fez referências a Jesus mas se você entender o texto todo em seu sentido canônico é possível discernir as linhas que estão apontando para Cristo.
Por exemplo, em Juízes 19, temos um texto de um levita cercado por homens violentos que para salvar sua própria vida, oferece sua concubina para ser estrupada. Não há como falar deste texto sem dizer que é um fato horrível, uma direta contradição ao que a Bíblia ordena aos maridos. Um marido deve proteger sua esposa - Ef 5. Como? O autor de Juízes não saberia  como nós sabemos, que verdadeiro esposo temos quando olhamos para Jesus, Paulo diz isto em Efésios 5. Apenas mostrar que devemos ser bons maridos não é o bastante, devemos apontar para Cristo que nos fará livres do medo e do orgulho que nos faz maus esposos. 
No fim há duas questões que devemos fazer quando lemos a Bíblia: é sobre mim? Ou é sobre Jesus? Em outras palavras, a Bíblia é basicamente sobre o que devo fazer ou sobre o que Ele fez?  Pense na história de Davi e Golias, se eu leio como uma história sobre mim, é uma exortação para termos fé e coragem para lutar com os gigantes. Mas, se eu aceito que Bíblia é sobre o Senhor e sua salvação, e se leio Davi e Golias sobre esta luz, ela lança uma multidão de coisas em evidência!  O ponto central desta passagem do Velho Testamento é que os israelitas não poderia se opor ao gigante por si mesmos. Ao invés disto, eles precisavam de um campeão que poderia lutar em seu lugar- um substituto que iria enfrentar o perigo mortal em seus lugares. E o substituto que Deus providenciou não era uma pessoa forte, mas fraca- um garoto que mal cabia numa armadura. Ainda assim, Deus usou esta fraqueza libertadora como meio para trazer destruição ao risonho e super confiante Golias. Davi triunfa através de sua fraqueza e sua vitória é imputada para seu povo. E assim também Jesus. Através de seu sofrimento, fraqueza e morte que o pecado foi derrotado. Esta  história vívida e envolvente nos mostra que significa quando declaramos que estamos mortos com Cristo - Rm 6:1-4- e ressuscitamos e nos assentamos com Ele (Ef 2:5-6). Jesus é o perfeito campeão, nosso verdadeiro campeão, que não apenas arriscou sua vida por nós, mas deu ela. E agora sua vitória é a nossa vitória, e tudo que ele conquistou foi imputado para nós.

5. Pregue tanto para cristãos como para não cristãos. Keller conta a influência de Lloyd-Jones em sua pregação, com que aprendeu que não se deve pregar para a congregação apenas para o crescimento espiritual, assumindo que todos são crentes, e nem pregar um sermão evangelístico, pensando que os crentes não podem crescer com ele, Evangeliza como você edifica e edifica como você evangeliza.


Os sinais da renovação.

O avivamento acontece quando as pessoas que já conhecem o evangelho descobrem que realmente não o conhecem. E por abraçar o evangelho, elas vivem uma fé viva. Não crentes são atraídos pelas vidas transformadas, e a igreja começa a crescer em seu chamado e como um sinal do reino, uma linda alternativa para a sociedade humana sem Deus.
Um primeiro sinal é quando crentes nominais se convertem, que passam a entender que nunca acreditaram no evangelho realmente. Logo, cristãos sonolentos começam a receber uma nova segurança e apreciação pela graça. Cristãos se tornam confiantes e testemunhas atraentes.
Quando o evangelho se faz presente, tanto a santidade de Deus e seu amor são mais adorados, isto leva a uma nova realidade espiritual de Deus na adoração. 
Um renovado interesse no evangelho sempre leva a um interesse na teologia bíblica, que esteja conectada com a vida real. 
O evangelho cria uma humildade que leva os crentes a serem mais pacientes uns com os outros, que aprofunda os relacionamentos.
Durante os tempos de avivamento, há uma natureza contracultural da igreja que atrai os não-crentes.
A renovação pelo evangelho produz pessoas humildes, não desdenhosas com aqueles que não concordam com elas, mas amorosas, menos preocupadas com a opinião dos outros. Cada crente se torna um evangelista natural. Há um crescimento através de conversões.
Há uma atenção com a pobreza e a justiça social, cristãos entendem que não podem se auto salvarem, isto muda sua atitude com as pessoas que estão pobres. Se tornam servos de seus vizinhos, dos pobres e da cidade.
Todas estas mudanças, na igreja e na comunidade em redor, trazem um efeito cultural. Crentes assim impactam as artes, os negócios, governos, mídia.
Porque a verdadeira religião não é uma prática privada somente que dá paz e satisfação. A santidade afeta a vida civil e privada dos crentes. transforma comportamentos e relacionamentos, a presença ativa de cristãos mudam uma comunidade em todas as suas dimensões. São os frutos que são produzidos de um verdadeiro avivamento pelo Evangelho, 
Sem isto, muito do crescimento pode vir por transferência e não conversões, porque não acontece uma convicção profunda do pecado ou arrependimento, poucas pessoas mostram uma mudança de vida. Este crescimento não tem impacto porque os participantes não levam sua fé para o trabalho, para como eles usam seu dinheiro ou vivem suas vidas públicas. Contudo, quando as dinâmicas da renovação estão fortes em nossos corações e igrejas, somos fortalecidos e embelezados pelo Espírito de Deus.




Todos estes elementos de um visão teológica de Igreja de Centro, a renovação pelo evangelho pode ser a mais dificil para ser colocada em prática porque nós podemos apenas nos preparar para o avivamento, Deus tem de enviá-lo. Isto pode desencorajar alguns porque vivemos numa sociedade tecnológica em que procuramos ter controle sobre tudo através de nossa competência e vontade.





Gospel Renewal - Trailer from Redeemer City to City on Vimeo.