terça-feira, maio 14, 2013

N.T. Wright: Eu creio. E agora?


Este livro faz parte de uma trilogia, os dois primeiros eram Simplesmente Cristão, onde Wright colocava as bases do que é ser cristão e Surpreendidos pela Esperança, que fala sobre a esperança cristã e seus efeitos no mundo de hoje.

Em "Eu creio. E agora?", N.T. Wright vai falar sobre  as virtudes cristãs na formação do caráter. Como se dá esta construção de caráter e para quê?

A razão para uma vida de virtudes é a ter a vida voltada para um propósito maior, fora de nós mesmos,  colocar o reino de Deus em primeiro lugar e o próximo acima de sua própria satisfação e bem estar.

A transformação do caráter teria três etapas: primeiro, estabelecer o alvo correto, segundo, descobrir os passos necessários, terceiro, tornar os passos hábitos.

"O verdadeiro problema é que as regras sempre parecem ser e se destinam a ser restritivas, No entanto, sabemos, bem no fundo, que algumas das principais características que nos fazem humanos são criatividade, celebração da vida, da beleza, do amor , do riso. Não se chega  a isso por meio da legislação. Regras são importantes, mas não o centro. Podemos mandar as pessoas serem sempre generosas, mas dar um presente apenas como obediência a uma regra, como um dever, acaba com a glória da doação. Se as regras são vistas como o principal, então o "verdadeiro principal" faz falta. O que aconteceu com o caráter?" (p.57-58)

O caráter não nasce da simples obediência ou por esforço próprio, a mensagem cristã é que o caráter surge do seguimento a Jesus.

Wright coloca três movimentos que falaram sobre o caráter até influenciando a visão de alguns cristãos sobre o assunto:

  • 1. O movimento romântico reagiu contra o que achava que era um formalismo frio e racional.
  • 2. O movimento existencialista que enfatizava a noção de autenticidade.
  • 3.O movimento emotivista que insistia que todo discurso moral pode ser reduzido a preferências pessoais.

A ideia de auto-negação cristã foi removida de grande parte do discurso cristão. 

"Deus verdadeiro deu a seu povo em Jesus Cristo e por meio dele (a salvação, vida eterna e assim por diante), ele continua sendo um dom, jamais uma coisa que se pode conquistar. Deus jamais será listado como um de nossos devedores, nós estaremos sempre na lista dos que lhe devem. tudo que afirmo sobre a vida moral,. formação consciente de padrões de comportamento, se enquadra apenas e unicamente na graça que tomou corpo em Jesus, em sua morte e ressurreição" (p. 70)

Tom Wright fala da escatologia cristã e sua importância na formação do caráter, ele critica a visão pré-milenarista e pós-milenarista, para ele:

1. o alvo é o novo céu e a nova terra, com seres humanos levantados dos mortos para serem reis e sacerdotes do mundo renovado.

2. chega-se até o alvo por meio da obra estabelecedora do reino de Jesus e do Espírito, a qual nos apegamos pela fé, da qual participamos pelo batismo e vivemos pelo amor.

3. a vida cristã no presente consiste em antecipar a realidade final por meio da prática da fé, da esperança e do amor, conduzida pelo Espírito, formando novos hábitos, sustentando os cristãos no chamado para adorar a Deus e refletir a glória dele no mundo. (p.78)

A prática da virtude é uma antecipação do novo mundo de Deus. É um aprendizado. A glória da virtude cristã não tem o eu em seu centro, mas Deus e seu reino.

No capítulo 3, ele vai falar do papel central dos seres humanos no reino de Deus - sacerdotes e reis. O autor retorna ao Jardim,  no mandato cultural e vai até a nova Jerusalém onde adorar e reinar será a vocação dupla do novo povo na nova cidade conforme Ap. 22:3-5.

Em Jesus,  a raça humana pode provar da Arvore da Vida.

Tom Wright diz que a glória é a forma padrão que a Bíblia usa para se referir ao governo sábio dos homens sobre a criação.


"Glória é uma qualidade ativa. Sob glorioso governo humano o mundo é levado ao estado frutífero planejado,e os homens chegam a florescer, como planejado para eles. É, na verdade, a glória de Deus - a posição e o status efetivos - que mostram que os homens são mesmo reflexos de Deus. Por meio deles, a soberania sábia e amorosa do Deus criador é trazida à presença poderosa e vivificadora da criação" (p. 96)
Toda a leitura do tema da  glorificação tem este sentido na obra de Wright. Para ele, a santificação é o aprendizado dos hábitos presentes na glorificação, antecipando o futuro definitivo por meio da oração.

"O Espírito capacita o povo de Deus a ser uma comunidade de sacerdotes que reúne a adoração da criação e também o constitui como reis que levam a ordem curadora de Deus ao mundo" (p.101).

No quarto capítulo, O Reino vindouro e o povo preparado, Wright fala que o sermão do monte  aponta que o reino de Deus está chegando no presente, que em Jesus as pessoas já podem encontrar os hábitos de vida que terão no futuro.

O propósito de Jesus não era um plano maravilhoso de vida ou aceito como você é. O começo é do auto-negação, da morte, havia uma doença no coração que não poderia ser curada por aprimoramento pessoal, eles precisam de uma nova vida. 

"O destino real e sacerdotal dos seres humanos  renasceu apenas por causa do Humano perfeito, o único filho do homem que foi tanto rei quanto sacerdote. ele veio para dar início e incorporar o governo soberano e salvador de Deus na criação, incorporar, ainda, a obediência tão aguardada de toda a criação, da humanidade e, em especial,de Israel. No coração das duas vocações - o movimento soberano de Deus rumo à criação e o movimento grato e obediente da criação de volta ao Criador - encontramos nos Evangelhos o movimento não apenas de pensamento, mas de ação, que levou diretamente à cruz.Foi nela que o verdadeiro Deus derrotou os falsos deuses e estabeleceu, com paradoxo profundo e ressoante, seu reino na terra como no céu. Na cruz, a obediência fiel e grata que Deus buscou na criação, nos seres humanos, que carregam sua imagem, e em seu povo escolhido como resposta adequada a seu amor, foi oferecida plenamente, de maneira final.Claro que há muito mais a dizer sobre o significado da cruz, isso é o minimo" (p.121-122) 

A virtude para o cristão é que o você será, você já é em Cristo. Não se trata de uma imitação, Jesus não é para ser um exemplo de vida, ele é o transformador deste mundo. 


Transformado pela renovação da mente, no quinto capítulo vai falar sobre a transformação em si. Pensando em Romanos 12:1-2, a transformação começa com o oferecimento do corpo, que significa todo ser a Deus. Segundo, a oferta  é de um corpo dirigido por uma mente racional. E, em terceiro,  a adoração a Deus com todo o ser leva ao sacrifício de si mesmo em louvor a Deus.

Para Paulo, a mente é o centro do caráter cristão, a virtude resulta de pensamento e escolha (Cl 3:16). Lembrando que para Wright:

"o alvo é a humanidade renovada que reflete a imagem de Deus, e caminho até o alvo é a renovação e a plena atividade da mente. Segue-se uma lista de novos hábitos que devem ser adquiridos e dos antigos, que precisam ser abandonados (Ef. 4:25-5:2, 5:3-20). Como sempre, o viés escatológico está por perto: não se trata (como o título de uma tradução diz) de Regras para a Nova Vida, mas de hábitos de coração e mente, maneiras de aprender como é o pensamento cristão sobre o futuro final e o caminho até lá- caminho que é, digamos assim, ressurreição diária (5.14). (Repito, para não ser mal entendido: não quero dizer que as regras são irrelevantes, nem desnecessárias, na vida de virtude. Apenas penso que não são nem o ponto de partida, nem o destino)" (p.173)

O sexto capítulo fala sobre três virtudes(fé, esperança e amor), nove variedades de fruto  (Gl 5:22-23) e um corpo está baseado em 1Coríntios 13.  

Wright fala da relação do Espírito com a lei, fala que Paulo não faz uma especialização do fruto, pois quando age o Espírito  as nove variedades aparecem. Para ele, o fruto não é automático, se fosse assim, um deles não seria autocontrole.

A unidade da igreja é a uma visão da unidade do reino dos céus. A variedade  dos ministérios busca a construção deste corpo, para crescer numa unidade rica e diversa.

A unidade gera um valor apologético da diferença para o mundo e um valor de atração da benignidade. As virtudes apontam para Deus e para o mundo.

A virtude em ação é o sacerdócio real.

"Paulo e seus companheiros relembraram aos magistrados os deveres deles segundo a lei romana ( Atos 16.35-40), confrontaram a corte pagã mais famosa do mundo greco-romano (Atos 17:22-34), conseguiram veredicto favorável de Gálio, irmão adotivo de Sêneca, e uma defesa implícita do escrivão em Eféso (At 18:12-17,19:35-41), relembraram ao tribuno romano sua posição legal (22:25-29), anunciaram a um governador romano o julgamento iminente de Deus e a outro sua situação legal no momento (24:25-26, 25:6-12) e terminaram usando a cidadania romana para conseguir acesso a Roma, para onde acreditavam havia muito tempo que Deus queria que fossem para anunciá-lo como Rei e a Jesus como Senhor (25:11, 28:3-21, Rm 1:13-15)" (p. 224)

Ser rei significava para os primeiros cristãos viverem juntos de forma que declarava ao mundo que Jesus era o soberano.

"...a glória de Deus será refletida para o mundo quando os seguidores de Jesus aprenderem os hábitos de mente, coração e vida que imitam o amor generoso dele e, assim, levam nova ordem, beleza e liberdade ao mundo" (p.231)
O mundo para Deus na  adoração e Deus para o mundo na missão. 

Por fim, ele fala do círculo virtuoso: ESCRITURAS, HISTÓRIAS, EXEMPLOS, COMUNIDADE E PRÁTICAS. O grande alvo é a transformação da mente.

segunda-feira, maio 13, 2013

O RNA da Vinha




"A vinha de Deus é uma comunidade de ramos vivos que têm tudo que precisam em sua conexão com a Videira e optam por não viver sozinhos" 
Carlos McCord, A Vida que Satisfaz, p. 110.

Todo este texto parte das palavras do pastor Carlos McCord, não que ele tenha escrito ou falado este texto, digamos que inspirado.

A essência da Vinha.


A igreja pode ser pensada como uma vinha. Em João 15, Jesus se coloca com a Videira,  nós somos seus ramos. Podemos pensar que a igreja local é uma vinha, uma parte desta grande Videira. 

A igreja seria um conjunto de ramos que é ligado, nutrido e colhido pelo Agricultor na Videira que é Jesus. Toda criação, toda vida e todo fruto só podem vir da Videira e serem entregues ao Agricultor. 

A essência da vinha é  vida do próprio Deus em cada ramo disponível a cada instante gerando, alimentando e multiplicando vida.


O RNA da Vinha.


O RNA é o ácido ribonucleico, é o responsável pela síntese de proteínas da células vegetais. Ele é o DNA das plantas, falando vulgarmente.


A metáfora do RNA é para enxergarmos melhor como os movimentos da fé, da esperança e do amor dentro desta vinha. 

Ela é a síntese dos processos vitais que acontecem no interior da vinha para que esta continue viva e produzindo.

  • Recebe as perfeições de Deus Pai.
  • Nutrida pelo Espírito Santo.
  • Ama em, como e por Jesus Cristo.


Outra importância desta metáfora é que estes três processos assim como RNA estão presentes no interior de cada ramo e de cada vinha saudáveis.  Por fazer parte da natureza de cada ramo e de cada vinha, estas características sempre estão presentes podendo gerar um crescimento e uma permanência para cada vinha e cada ramo.

A fonte da vida não pode ser copiada ou gerada por qualquer ramo ou vinha, apenas Deus pode criar e reproduzir esta vinha naturalmente pelo seu poder vital. O máximo que os homens podem fazer é clonar este RNA criando uma vinha falsa com ramos artificiais.

Recebe as perfeições de Deus Pai.


Tudo que temos vem Deus, estamos ligados na Videira porque o Pai assim o quis. Sem Jesus, não podemos fazer nada e nem ser nada. 



Em sua eterna bondade, Deus que não precisa de nenhum de nós, escolheu precisar de nós.   


  • A história da imperfeição.



No princípio, Deus criou o mundo e todas as coisas para sua glória. O homem foi criado para glorificar a Deus, carregando dentro de si a imagem  e o sopro divinos para cuidar e desenvolver o jardim que Deus lhe havia dado. 



Contudo, o homem tentado pelo diabo, pensou que era a fonte de sua própria sabedoria, e desobedeceu a Deus juntamente com sua esposa. Eles decidiram viver sem Deus, viver a vida por eles mesmos.




Neste trajeto, toda a humanidade passou a viver em busca de algo que pudesse completar sua carência, o homem deixou Deus e passou a buscar a perfeição nas imperfeições da coisas. 


Deus se fez homem em Jesus, viveu uma vida de perfeita obediência a Deus, uma vida de perfeita satisfação momento a momento em Deus. Uma vida sem idolatria,  uma vida pura de fé, esperança e amor. 

Na cruz, Jesus tomou sobre si aquilo que cada um de nós merecíamos por nossa desobediência, a alienação que era nossa tomou como sua, pagou o preço por cada pecado. 

Na Cruz, Deus nos salvou da condenação que estava sobre a nossa vida por causa do pecado e também nos resgatou das mãos do inimigo. 

Somos declarados justos, aceitáveis, aprovados por aquilo que Deus fez por nós. E recebemos pela fé e pelo arrependimento aquilo que jamais poderíamos conquistar, a salvação. 


A fé e o arrependimento são a porta de entrada para a vida da perfeição. Pela fé, descubro que Deus fez todas as coisas para sua glória e seu louvor. Eu que antes estava entregue à morte e ao pecado, agora fui resgatado e tenho a vida eterna dentro de mim, a presença perfeita de Deus.



No arrependimento, descubro que minhas tentativas de prover para mim mesmo sentido e valor nesta vida são vazias e prejudiciais, somente em Cristo, encontro a perfeição de paz, segurança e satisfação que preciso nesta vida.


Recebendo vida como a vinha.



Vamos voltar a nossa metáfora da igreja como vinha.  Se pensarmos em João 15, a vinha só existe porque existe a Videira e o Agricultor. 


A igreja não surge de um projeto bem elaborado por um grupo de pastores nem por um esforço de um grupo de irmãos, a vinha surge por causa da videira, ela é uma manifestação da vida que existe na Videira e não da vida que existe num formato ou plano de igreja  ou da luta e batalha de um grupo de cristãos. A vinha, a igreja local, surge como um conjunto de ramos da Videira para mostrar ao mundo a vida que existe em Jesus e não em nós.

Andrew Murray, em Permanecendo em Cristo, diz:

a. sem a videira, o ramo nada pode fazer
b. sem o ramo, a videira tampouco pode fazer nada.
c. tudo aquilo que a videira possui pertence aos ramos.
d. tudo que o ramo possui pertence a videira.



Deus escolheu precisar de nós, os ramos não podem ser mais importantes do que aquele que os enxertou, que deu vida a eles.  Se existe uma vinha é por que ele resolveu que precisava existir uma vinha. A igreja surge em Deus para a glória de Deus e vive em Deus.



No princípio é Deus, o criador de sua vinha. A fonte de toda a vida espiritual é Deus, não nossos planos, nossos encontros ou nossos talentos. É uma relação de totalidade, tudo temos é de Deus e tudo que Deus tem é nosso agora pela fé.



Muitas pessoas se perdem na igreja colocando sua sede para ser saciada por cantores, pregadores ou pela comunidade, mas a única coisa que pode realmente alimentar e sustentar sua vida é Deus.



Somos salvos pela fé e não por obras. A justificação pela fé somente nos ajuda a entender que nossos cultos e nossa vida de igreja não tem valor além de adorar a Deus por aquilo que Ele tem fez, tem feito e fará em nossa vida.



Nossas obras religiosas não trazem salvação para a nossa vida. Numa igreja em forma de pirâmide, a fonte de toda a vida é o comportamento, se elege um comportamento padrão, faz-se uma lista de regras e vive um jogo de sejamos iguais ao líder.  



A igreja de Deus, a vinha surge em Deus, a fé nele é o comportamento padrão, as regras vêm da vida em obediência e satisfação nas suas palavras e não há jogos nem encenações, somos todos ramos.



Numa vinha toda a vida vem de Deus, a vida dos ramos não é mais importante do que a vida da Videira. 



Não existe vinha sem estrutura, não existe igreja sem instituição. Contudo, nem as estruturas são mais importantes que a vida, as cercas e os arames servem para dar apoio a vinha. Mas o que dá vida a vinha é a Videira e não as estruturas. As estruturas servem apenas para facilitar a vida na vinha, para facilitar o amor. 



As estruturas são meios e não fins, confundir isto é fatal na vida da vinha porque ela começa a se alimentar daquilo que não é perfeito, vive não da seiva de Deus mas de pregos e tijolos.



Enfim, o que é nascido do Espírito é espírito e o que é nascido da carne é carne. A mesma coisa serve para igreja, ela é uma vinha nascida da vida de Jesus, tem os planos de Deus como seus, e vive do Espírito. 



A vinha é alimentada pela vida perfeita de Jesus que habita nela. As perfeições de Jesus estão presentes na vida da comunidade cristã, quando ela se reúne em seu nome, Cristo está sempre presente disposto a dar tudo e toda a vida que ela precisa.


"Antes de conhecer Jesus, todos vivíamos conduzidos pelo princípio da imperfeição e do medo de nos estar faltando coisas. Essa vida é o que chamamos de viver na carne" (....) "Jesus faz um contraste entre a vida que depende do que pode ser acumulado e guardado, e uma vida em que alguém recebe perfeitamente a fim de distribuir perfeitamente"
(Carlos McCord, A Vida que Satisfaz, p. 90)


Nutrida pela o Espírito Santo.


Filipenses 4.19   O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus. 


A vida da vinha é nutrida pelo Espírito. Já vimos que a vida da Vinha começa em Deus, que as perfeições de Deus estão disponíveis para todos aqueles que têm fé e arrependimento, todos que agora são ramos da videira.


Vimos que fomos feito justos e aprovados perante Deus não por aquilo que podemos fazer, mas por causa da fé naquilo que Jesus fez por nós. A boa nova do Evangelho que chegou a nossa vida e nos transformou em filhos de Deus.


A santificação é uma vida dentro de um processo. Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus por causa do pecado perdemos essa sintonia com Deus, com nossos próximos e conosco mesmo. Quando somos salvos, voltamos a viver numa aliança íntima com Deus, somos um com Jesus.


Então, a vida de Jesus em nós passa a ser a nossa vida. A santificação é este viver satisfeito em Deus que reflete de novo a imagem de Deus para o mundo, é um processo do Espírito Santo em nossa vida, é Deus que produz a devoção e o descanso em nosso coração.


Muitas pessoas na igreja pensam que são santas por aquilo que fazem, mas somos santos por aquilo que Deus está fazendo em nós. 


A santificação é a vida que agora passa a ser nutrida não mais pelos prazeres da carne mas pela graça de Deus através do Espírito Santo.


Idolatria. 


O grande inimigo aqui é a idolatria. Aquilo que colocamos no lugar de Deus para ter aquilo que só Deus pode dar. 



Enquanto indivíduo, sei que minha vida é para glorificar a Deus. Isto acontece, quando buscamos nossa alegria em Deus. O pecado é quando deixamos de buscar em Deus nossa salvação, paz, segurança e alegria e buscamos nas coisas ou em nós.  Quando colocamos outros deuses em nossa vida, passamos a viver para servir aquilo.



Na vinha, o que seria idolatria? Quando a igreja descansa em outra coisa que não seja Deus, se alimenta de seus próprios feitos, ela fica rica como diria João de Patmos, acha que tem tudo que precisa e coloca Jesus pra fora.


Pecado é toda vez que coloco minha alegria em outra coisa que não Deus. É quando o ramo deixa de lado a Videira e se alimenta de qualquer outra coisa.



Perdão.


Sem Jesus, nada podemos fazer. A vida em comum da igreja nasce da presença de Deus, não de nossos próprios feitos ou conquistas. Esta vida é alimentada por Deus e não por nós mesmos. Vemos isto quando há a necessidade de perdão.



Numa igreja que confia em seus feitos pessoais e coletivos, o perdão é um desafio enorme porque é uma afronta contra as pessoas que se esforçam tanto para ser  e ao mesmo tempo é uma declaração de fracasso da igreja em ser aquilo que ela acha que é. O perdão se torna um desafio para as pessoas que não podem errar e um obstáculo gigante para uma comunidade que não pode errar.



Nesta igreja, a palavra pecador é designada sempre para as outras pessoas, aquelas que não tem a mesma performance que o grupo. A visão é nós somos bons e os outros são maus. 



Jamais se usa a palavra pecador para si mesmo com profundidade e sinceridade, as referências às próprias falhas são sempre genéricas do tipo "somos todos falhos", "sou um ser humano falho", quase nunca há uma confissão pontual "sou falho nisto" ou "pequei naquilo". Porque a nutrição desta comunidade é a aquilo que ela faz.



O perdão só é concedido quando se vê no errado que ele fez de tudo para corrigir seu erro ou pagou o preço devido.  A fonte do perdão não é o perdão de Deus, mas a intensidade do castigo ou do arrependimento do pecador.  A disciplina não é uma poda para que haja mais frutos, mais um zoneamento de área infértil.


Bonhoeffer disse que a primeira coisa que Deus faz com a gente quando entramos numa comunidade é sermos decepcionados pelas pessoas. Isto acontece para que a nossa confiança não fique nas pessoas, mas, em Deus. Ele também disse que um pastor não pode reclamar de seu rebanho pois foi Deus quem o deu.


Se as pessoas fossem do jeito como gostaríamos que elas fossem não precisaríamos do Espírito Santo para a comunhão e para o perdão.

Orgulho.

Uma igreja nutrida pelo Espírito Santo não pode ser nutrida pelo egoísmo de seus membros e nem pelo orgulho de sua estrutura. O Espírito é o de Cristo, vêm para glorificar a Cristo, a igreja que é nutrida por Cristo se parece realmente com o corpo de Cristo sendo alimentada pelo seu Espírito e pelo seu Sangue.

Conversão


A nova vida acontece de dentro para fora pela fé: Pela obra de Jesus no calvário, recebemos pela fé, em nosso coração uma nova vida. Somos transformados pela presença do Espírito Santo em nossa vida, e não por aquilo que realizamos. A expiação de Jesus é o nosso valor e não a obra de nossas mãos.

A nova vida é de esperança e não de ansiedade: pela ressurreição de Jesus, sabemos que nosso futuro está seguro nas mãos de Deus, Ele está construindo em nós sua imagem e semelhança pelo Espírito Santo, sabemos que um dia tudo aquilo que não é dEle em nossa vida será tirado, e seremos como Ele. 

A nova vida acontece no servir e dar frutos e não no reinar e egoísmo: Pela encarnação de Jesus, descobrimos que Ele abriu mão de tudo que era dEle e entregou para nós tudo. Vemos que mesmo diante da morte, Ele escolheu servir e não ser servido.  Cada um de nós foi habitado por Ele para sermos como Ele em nossa família, igreja e comunidade.



Pregação.

A pregação numa vinha não começa da necessidade, mas da abundância. Se a vinha tem a perfeição de Jesus disponível, ela não parte de uma posição que precisa desta vida, mas que já tem esta vida.

O que é uma pregação de escassez. Normalmente, é  uma pregação que trabalha em cima da culpa e da carência. Se fala nela em lista de coisas para fazer, ser, mudar. Se fala para cristãos, mas é como se estivesse falando para descrentes. 

A pregação é baseada no moralismo, as motivações para a mudança são o orgulho e o medo. Vocês não podem ser pequenos como aqueles que fazem isto ou vocês tem que tomar cuidado para não ser como tais. 

A pregação da vinha começa com o Evangelho, com a vida e obra perfeita de Jesus que habita em nós e nos nutre. A transformação é a vida dele em nós.  Não é uma pregação cega para nossos pecados, mas ela não cura com esforço da carne, ela cura buscando transformar o coração deixando a vida abundante jorrar do interior.


Esperança.


A esperança cristã tem a ver com a vida de santificação do cristão. Como Paulo diz no texto de 1Coríntios quando vier o que é perfeito, o que é em parte será aniquilado. A esperança do crente é que tudo que é imperfeito em nossa vida seja finalmente curado.

É a vida do reino dos céus hoje, a vida eterna alimentada pelo Espírito Santo que habita na igreja.

Ama em, como e por Jesus Cristo.


O amor é a manifestação desta igreja. A igreja é a imagem do Deus vivo na comunidade em que ela está inserida, nosso Deus é um Deus de amor, um Deus que veio para buscar e salvar aqueles que haviam se perdido.

O amor é o amor da cruz, um amor sofredor que busca glorificar a Deus na dependência dele para fazer tudo que faz. Esta igreja sabe que suas obras de misericórdia não são a causa de sua importância, mas efeitos da importância de Jesus em sua comunidade.

O amor faz dela uma comunidade alternativa, uma cidade na colina, um luzeiro que mostra um modo de vida transformado. 

Quando colocamos o amor como fruto da igreja não faz mais  sentido as discussões sobre se é para evangelizar ou cuidar. O amor engloba tanto a missão de serviço, pregação e  comunhão da igreja. Nosso Deus é uno e fez uma igreja multiforme para alcançar as diversas necessidades das pessoas.




Redenção.


O propósito do amor é a redenção,  a transformação do luto em festa, é claro que ainda não viveremos esta plenitude, mas hoje a igreja pode ser um sinal visível do reino de Deus que virá. 

A igreja é Jesus corpóreo, o Jesus que abraça, cura, prega, perdoa e ama. O Jesus que se importa por aqueles que ninguém mais quer. 

A igreja foi chamada para ser a vinha frutífera em, como e por Jesus, que dá frutos que alimentam e saciam o mundo. Gerando novas vinhas, novas vidas.

Lembrando, as obras de amor são manifestação de todo o processo que está acontecendo. A vinha não é apenas a uva doce, mas ela é a Videira, os ramos e todo processo que está acontecendo.

Algumas igrejas gostam de dizer que são fiéis para se desculpar de sua incompetência, outras gostam de dizer que são efetivas para se desculpar de sua superficialidade. O critério bíblico é frutificação.


"A metáfora da jardinagem mostra que tanto sucesso quanto fidelidade em si mesmos são insuficientes como critérios para avaliação de ministério. Ainda no fim, o grau de sucesso de um jardim ( ou do ministério) é determinado por fatores além do controle do jardineiro. O nível de frutos varia de acordo com as condições de solo ( isto é, algumas pessoas tem um coração mais duro que outras) e condições de tempo (isto é, o trabalho da soberania do Espírito do Senhor) também". (Tim Keller,Center Church, p.14)


A vinha tem um processo orgânico e natural de ser contraste e vida em sua comunidade o que gera respostas naturais às questões de contextualização e estruturação. Estas questões são o modo como a vinha compartilha a beleza, a segurança e a satisfação que têm em Jesus.

O limite da frutificação é o limite de quanto a vinha se alimenta da vida da Videira. 


"O fruto é aquilo que o Agricultor pretende dar ao mundo. O fruto é exatamente aquilo que Deus sabe que o mundo precisa. A vida de Jesus demonstrou perfeitamente o que Deus pretende e o que o mundo precisa. Agora Jesus habita em nós para garantir que o fruto permaneça disponível ao mundo que tanto necessita dele" Carlos McCord, A vida que satisfaz, p. 92
Ainda seguindo o ensino de McCord, os frutos revelam a intenção de Deus para com a humanidade. A igreja como uma vinha revela a intenção de Deus para os  homens, um mundo de satisfação e fartura como foi o jardim como será o paraíso.

Apocalipse 22.1-3, 14:   E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações. E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão(...) Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas.





quarta-feira, março 27, 2013

Tim Keller: Contextualização Bíblica.

 
Keller utiliza 3 textos para falar sobre a relação entre a bíblia e a cultura, primeiro Romanos 1 e 2 que provê a base da contextualização, embora alguns aspectos da cultura podem ser aceitos, devemos examiná-los a luz das Escrituras. A segunda passagem, 1 Coríntios 9, fala da motivação da contextualização, nos lembrando da flexibilidade e sermos aptos a adaptarmos a mensagem do evangelho. Terceiro, em 1 Coríntios 1, a bíblia nos dá uma formula para a contextualização que equilibra a afirmação e o confronto da cultura.

ROMANOS 1 E 2 E A NATURZA MISTA DA CULTURA.
Toda cultura é um conjunto de bons e maus elementos. Procura responder a certas questões sobre porque estamos aqui? Quais são as coisas mais importantes na vida? O que está errado com o mundo?  Nenhuma cultura é neutra,mesmo que certas posturas não sejam conscientes. Romanos 1 e 2 mostra que todos pecamos e caímos da glória de Deus, tanto judeus como gentios estão perdidos. Os pagãos fizeram da sensualidade, um ídolo,enquanto os judeus fizeram de sua justiça moral, como cada cultura, eles olham para algo além de Deus para justificar e salvar a eles. O texto bíblico coloca que todos os seres humanos possuem um conhecimento primdordial de Deus, como está 2:14-15, há uma revelação geral ou graça comum, um conhecimento não-salvífico de Deus, presente de alguma forma em toda cultura. Este é um conhecimento geral de que existe Deus.
Romanos 1:18-25 nos dá uma visão dinâmica e balanceada de como a revelação geral (ou graça comum) acontece na vida das pessoas. Vemos que a verdade foi suprimida, mas ela continua em nós, a realidade da natureza de Deus e nossa obrigação para com ele continua presente em nós. A revelação geral não são apenas princípios estáticos,  é a insistente pressão da verdade de Deus em nossa consciência.
Cada cultura humana é uma complexa mistura de verdades brilhantes, meia verdades e resistências à verdade. Cada cultura terá um discurso de idolatria com ela. E, ainda assim, cada cultura terá um testemunho da verdade de Deus nela. Deus dá bons dons de sabedoria, talento, beleza, habilidade sem olhar para o mérito, Ele deixa como sementes para enriquecer, abrilhantar e preservar o mundo, sem este entendimento de cultura, cristãos tenderão a pensasr que eles podem viver auto-suficientes, isolados das contribuições daqueles que estão no mundo. Sem uma apreciação da graça de Deus disposta na cultura, cristão poderão lutar para entender porque não-cristãos, por vezes, excedem cristãos em sua prática moral, sabedoria e habilidade. A doutrina do pecado significa que como crentes nunca seremos tão bons como a nossa cosmovisão nos mostra que deveríamos. E ao mesmo tempo, a doutrina da nossa criação como imagem de Deus,  e um entendimento da graça comum, nos lembra que não crentes nunca são tão ruins quanto sua falsa visão de mundo gostaria que fossem.
O relacionamento com a cultura deve ser de um desfrutar crítico e um cuidado apropriado, devemos desfrutar dos insights e a criatividade das pessoas e culturas, reconhecer e celebrar as expressões de justiça, sabedoria, verdade e beleza em cada cultura, contudo, com cuidado, porque aquilo foi distorcido pelo pecado, em particular, o pecado da idolatria.  Todas as culturas contém elementos de luz e trevas.  Tanto culturas tradicionais como liberais.
Um entendimento coerente do evangelho, cristãos são salvos mas pecadores, da imagem de Deus, pessoas estão perdidas mas elas refletem a natureza de Deus, e da graça comum, todas as pessoas suprimiram a verdade sobre Deus, mas elas ainda ouvem ou sabem isto, nos provê um entendimento da cultura, nos dá base para a contextualização
PRIMEIRO CORINTIOS 9 E A FLEXIBLIDADE DIANTE DA CULTURA.
Paulo fala sobre o escândalo, a pedra de tropeço, e providencia como um caso de estudo um  conflito na igreja de Corinto. Os cristãos judeus, por vezes, compravam carne depois dela ter sido usada em um cerimônia para ídolos, os judeus sabiam que os ídolos não eram nada, e então, acreditavam que não havia nada de errado em comer essa carne. Os cristãos gentios, contudo, ficaram apavorados com isto, como antigos pagãos, eles não poderiam comer esta carne sem sentirem espiritualmente afetados- 1Co 8.7-, e ao ver os irmãos judeus fazendo isto livremente.
Paulo responde que os judeus estavam certos teologicamente, a carne não tinha problemas, e os cristãos gentios tinham uma consciência fraca controlada por tabus culturais – 1Co 8:4-5.  Ainda assim, Paulo fala os crentes judeus, que chama de fortes, não devem usar sua liberdade cultural nesta situação, eles devem se refrear de comer a carne, para remover a pedra de tropeço – 1 Co 8.9-12 dos irmãos gentios. Adaptação cultural é vista aqui como uma expressão de amor. Mais tarde, em 1 Co 10:32 – 11:1, Paulo explica isto em uma forma de princípio, em áreas que a Bíblia nos deixa livres, quando nos estamos no ministério cristão, devemos constantemente engajar numa adaptação cultural- refreando de certas atitudes e comportamentos para remover pedras de tropeço desnecessárias do caminho das pessoas com uma percepção cultural distinta. Por exemplo, talvez nós tenhamos que nos abster de alguma música particular, roupa, comida e práticas não essenciais e conceitos que podem destratar ou repulsar as pessoas de uma clara percepção do evangelho. Semelhantemente, quando a bíblia não fala, não devemos elevar as normas relativas humanas para absolutos.
Toda cultura tem bons e maus elementos nela, se numa nova cultura, algum aspecto não compromete o evangelho em si, e deixa mais acessível para os outros, não há razão para adaptar-se a este elemento por cortesia e amor, mesmo se não é sua preferência.
Uma contextualização apropriada significa causar o escandâlo correto – aquele que o evangelho impõe aos pecadores. e remover todos os desnecessários. Este é o motivo para a contextualização.
PRIMEIRO CORINTIOS 1 E O EQUILÍBRIO BIBLICO.

O texto em análise é 1Co 1:22-25, os judeus queriam sinais miraculosos e os gregos, sabedoria.  Aqui Paulo assume a natureza mista da cultura, ele fala com os gregos confrontando-os sobre seu ídolo cultural, a sabedoria. A cultura grega colocava alto valor na filosofia, para os gregos a salvação não viria através do ensino, mas do crucificado. Para a cultura judaica, os maiores valores eram outros, Paulo os coloca como sinais miraculosos, poder e força, a cultura judaica é bem prática, valoriza ações e resultados,  para eles, a salvação que vem da crucificação é fraca e ineficaz. Um messias deveria sobrepujar os romanos, um salvador fraco e sofredor não fazia sentido algum para os judeus.
Enquanto o cristianismo ofende cada cultura de maneiras distintas, também leva as pessoas à Cristo e sua obra de modos diferentes. Os gregos viram na cruz a sabedoria perfeita, sendo possível para Deus sendo tanto o justo como justificador daqueles que creram nele. E os judeus, viram na cruz o verdadeiro poder, significa que nossos mais poderosos inimigos foram derrotados, o pecado, a culpa e a morte.
Paulo aplioca o evangelho para confrontar e completar cada sociedade e sua base cultural narrativa.  Ele confronta cada cultura sobre seus ídolos, e ainda assim, positivamente aponta suas aspirações e seus valores supremos, ele usa a cruz para desafiar a corrida por inteligência dos gregos e a justiça dos judeus. Mostrando que Cristo é a verdadeira sabedoria que os gregos procuravam, e a verdadeira retidão que os judeus queriam.  O argumentação de Paulo não é completamente confrontadora e nem toda afirmativa.  Ele revela as contradições fatais e a idolatria escondida nas culturas e aponta para a resolução que só pode ser encontrada em Cristo. Esta é a básica fórmula para a contextualização.
O DISCURSO DE PAULO EM ATOS.
Keller retoma que já vimos que há uma natureza mista na cultura e uma necessidade de adaptar a mensagem da Bíblia para um contexto cultural específico. No livro de Atos, vemos Paulo contextualizando, comunicando o evangelho para grupos de pessoas diferentes.
Em Atos 13:13-43, em Antioquia, Paulo fala para crentes – judeus, prosélitos e tementes a Deus – gentios que ainda não tinham sido circuncidados-.  Em Listra, Atos 14:6-16, ele fala com camponeses politeístas. Em Atenas, Atos 17:16-34, ele fala com pagãos sofisticados que abandonaram sua crença em deuses literais e agora buscam visões filosóficas – Estoicismo ou Epicurismo-. Em Atos 20:16-38, ele fala com anciões cristãos em Mileto. Em Atos 21:27- 22:22, em Jerusalém, ele fala judeus hostis. E, finalmente, em Atos 24-25, em Cesaréia, ele fala com Felix, Festus e Herodes Agripa, elites governamentais.
Em cada caso, Paulo faz uma apresentação distinta do evangelho, devemos lembrar que os relatos bíblicos dos discursos são fragmentos, em Atos 17, ele é interrompido antes de terminar sua mensagem.  Com este cuidado em mente, podemos ver certos padrões em sua comunicação pública. Com os crentes na bíblia, ele cita as escrituras e João Batista, com os pagãos, ele fala da revelação geral e da grandeza da criação.
Quando fala sobre o pecado, Paulo é claro em sua mensagem para os judeus que a Lei não pode justificá-los – Atos 13.39. Com os pagãos, ele se volta contra os ídolos para mostrar que Deus é a verdadeira fonte de alegria – Atos 14.15-17.  Paulo varia o uso da emoção e da razão, seu vocabulário, suas ilustrações, suas figuras de discurso conforme a sua audîência.
Há muitas formas de apresentação do evangelho em Atos, mas elas têm algo em comum. A existência de um desafio epistemológico, as pessoas estão ouvindo que seu entedimento de Deus e de sua realidade estão errados. Os judeus não estão compreendendo as Escrituras e os gentios não estão entendendo a criação e seus instintos. Há apenas um Deus verdadeiro que criou todas as coisas, que é poderoso e bom – Atos 13.16-22; 14.17)
Existe também um desafio pessoal em relação ao pecado e engano dos ouvintes, os judeus estão tentando observar a lei e os pagãos estão criando idolos. Um grupo está preso na auto-justiça e outro na idolatria convencional. Mas, ambas as audiências estão tentando salvar a si mesmas e fracassam. Com os pagãos, Paulo enfatiza a ressurreição para provar que Jesus é o divino Salvador que veio a este mundo e com os judeus, Paulo demonstra que as promessas da aliança foram cumpridas no Messias sofredor.

OS APELOS DA BÍBLIA.
Pessoas conservadores tendem a colocar o julgamento mais forte que a Bíblia e pessoas mais liberais, tendem a pintar um Deus mais amoroso que está revelado. Pessoas de diferentes culturas e diferentes temperamentos raciocionam de forma distinta.  Carson coloca oito motivações para usarmos quando falamos com não crentes, Keller simplificou em seis categorias no livro:
1. algumas vezes o apelo vem do medo do julgamento e da morte.
2. algumas vezes, o apelo vem de Deus para um desejo de se livrar do peso da culpa e da vergonha – Gl 3.10-12
3. Algumas vezes, o apelo vem de Deus para apreciarmos sua verdade atraente.
4. Algumas vezes, o aplo vem de Deus para satisfazermos nossos anseios existenciais. – João 4
5. Algumas vezes, o aplo vem de Deus para nos ajudar com alguma problema – Mt. 9.20-21
6. Alguma vezes, o apelo para Deus vem de um desejo de amado -

sábado, março 09, 2013

Estante lida (novembro-dezembro)


“Reading isn't the opposite of doing, it's the opposite of dying.” 

 Will SchwalbeThe End of Your Life Book Club

Coloquei algumas metas para 2013, como sempre a primeira das metas é ler e ler bem mais do que o ano passado. Por falar nele, eu tinha me proposto a compartilhar a experiência da leitura, colocando todo mês, os livros que li e comprei e alguma coisa sobre eles.

Então, antes de cumprir uma nova promessa, vou retomar uma antiga, passar a limpo os meses de outubro até o fim de 2012. Num próximo post, até hoje.

Livros comprados:

Every Good Endeavour de Timothy J. Keller
Center Church de Timothy J. Keller
Gospel in Life de Timothy J. Keller
Creature of The Word de Matt Chandler, Eric Geiger e Josh Patterson
O Poder dos Hábitos de Charles Duhigg
A Noite da Arma de David Carr
Cristo e Cultura: uma releitura de D.A. Carso
Gospel: Recovering the Power that made Christianity Revolutionary de J.D. Greear
The Circle Marker de Mark Batterson
Red Letter Revolution de Shane Clairborne e Tony Campolo
O Supremo Propósito de Deus de D.Martyn Lloyd-Jones
Sermões Evangelísticos de D. Martyn Lloyd-Jones
Bonhoeffer, o mártir de Craig Shane
Nem Monge, nem executivo de Paul Freston
Deus joga dados?  de John Houghton


Livros Lidos :
Entre novembro e dezembro
  • Cristologia: como falar sobre Jesus hoje de Ralf K. Wüstenberg
  • Os Desafios de Jesus de N.T. Wright
  • Gone Girl de Gillian Flynch
  • Seguindo Jesus de N.T. Wright
  • Por que a ciência não consegue enterrar Deus de John Lennox
  • A Vida que Satisfaz de Carlos McCord




1. Os Desafios de Jesus e Seguindo Jesus de N.T. Wright. (Editora Palavra)

O primeiro é um livro de apologética e o segundo é um livro devocional. Quem leu N.T.Wright, se depara com um escritor cristão que não tem nada a ver com qualquer outro. Seu pensamento é único. 

Em OS DESAFIOS DE JESUS, Tom Wright busca responder alguns desafios:

1. Como a que lugar pertencer Jesus no mundo judaico de seus dias?
2. Qual era o seu propósito com a pregação do Reino?
3. Qual era o propósito da morte de Jesus?
4. O que aconteceu na páscoa?
5. Como tudo isto se relaciona com os dias atuais?

Sobre o reino, tudo que fazemos como cristãos está baseado na conquista de Jesus, na sua inauguração do reino de Deus, e esta fundação serve como modelo para nós, como Jesus foi para Israel, assim a igreja deve ser para o mundo.

Sobre a cruz, "Ele cria que ele mesmo era aquele que sofreria o destino de Israel. Ele era o Messias, que tomaria para si o destino da nação. Ele havia anunciado o julgamento de YHWH sobre uma nação recalcitrante; agora, como com os profetas dos dias passados, eles planejavam matá-lo. Jesus havia declarado que o caminho do Reino era um caminho de paz, de amor e de cruz. Lutar a guerra com as armas do inimigo significava perder já nos princípios e na prática. Jesus determinou o que seria a sua missão, como vocacionado para representar Israel, perder a batalha no lugar da nação. Isso significava Israel se tornando luz  não apenas para si mesma- os mártires macabeus pensavam apenas em termos da libertação de Israel- mas para todo o mundo" (p.103)

Sobre a deidade de Jesus, "o ministério de Jesus era entendido como uma manifestação da Palavra de Deus, criadora, restauradora, com poder de cura, evidente na criação e prometida pelos profetas como meio através do qual a restauração viria sobre a terra" (p.129).

Sobre a páscoa, Wright começa dizendo que ressurreição está na base para o batismo, a justificação, ética, esperança futura tanto para o homem como para o mundo.

"Na cruz e na ressurreição de Jesus nós encontramos a resposta: o Deus que fez o mundo é revelado em termos de um amor que se doa, um amor que não pode ser colocado em questão por nenhuma hermenêutica pós-moderna; é revelado em um "eu" que se encontra quando se entrega; em uma história que nunca foi manipulativa, mas sempre existiu para curar e restaurar; em uma realidade que pode ser verdadeiramente conhecida, e quando conhecida, revela uma nova dimensão de amor e possibilidade de ser amado" (p.193)

Em SEGUINDO JESUS, Wright compôs o livro em duas partes, a primeira Olhando para Jesus, ele comenta a presença de Jesus em alguns livros da bíblia. Na segunda parte Sacrifício Vivo, fala sobre alguns aspectos da vida e obra de Jesus.

"Se Jesus estivesse esperando que jamais nos envolvêssemos em algo errado, ele não colocaria aquela cláusula na oração do Pai Nosso" p.97

2. Cristologia: Como falar hoje de Jesus  de Ralf K.  Wustenberg (Editora Sinodal)

O livro quer responder perguntas inquietantes, porque crer em Cristo não nos faz intolerante? por que não é pura fantasia? como Deus amoroso se concilia com a morte de seu filho? como Jesus pode redimir todas as pessoas? As respostas que ele propõe   são bem diversificadas, é um livro interessante para conhecermos diversas respostas para tais perguntas, mas é difícil de ler e, assim, a resposta, às vezes, fica mais complicada que a pergunta.


3. GONE GIRL  de Gillian Flynch

“It’s a very difficult era in which to be a person, just a real, actual person, instead of a collection of personality traits selected from an endless Automat of characters.” 

Gone Girl é um romance policial escrito por duas vítimas e autores, é um excelente livro escrito por Gillian Flynch, você tem que ir até o fim mesmo para saber no que vai dar.


O livro é narrado pelos dois personagens principais do livro, Nick e Anne Dunne, um casal que ao completar 5 anos de casamento, a esposa simplesmente desaparece, deixando vestígios que teria sido morta. Ao longo do livro, as mentiras de Nick vão o complicando e um provável diário de Anne também vai narrando o outro lado da história.

É um bom suspense, porque além de uma bela trama, morreu ou não morreu, matou ou não? A gente nunca pode confiar em nenhum dos dois narradores.


Vale a pena ler a resenha do NYT sobre o livro:
http://www.nytimes.com/2012/05/30/books/gone-girl-by-gillian-flynn.html?_r=0

Sem dúvida, é a MELHOR FICÇÃO QUE LI ANO PASSADO.

4. A vida que satisfaz de Carlos McCord (Editora Inspire)

É um dos melhores livros que li na vida, já o li tantas vezes, escrito pelo meu irmão, amigo, mestre e mentor Carlos McCord, andei postando capítulo por capítulo, clique aqui


"Todo dia preciso me reconhecer como morto pra essas coisas e vivo para Deus. Minha satisfação agora está nele somente, não importa quem me procure para fazer uma oferta. Acredito que é por causa do amor e da sua misericórdia que Deus permite esse teste contínuo no nosso viver. O desejo dele é que a certeza de nossa incapacidade de viver longe do Senhor se transforme em uma convicção muito profunda. Também deseja que refutemos a doutrina satanica que diz: Deus não é suficiente" p. 155



segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Tim Keller: Contextualização Balanceada



Continuando a segunda seção sobre CIDADE, o capítulo 8 fala sobre Contextualização Balanceada, dentro da terceira parte sobre a Contextualização do Evangelho.
 
Keller começa citando John Stott, Between Two Words, que coloca que alguns sermões são como uma ponte para lugar nenhum, eles possuem uma base bíblica para nunca chegam a terra. Outros sermões são como uma ponte de lugar nenhum, eles falam de problemas da vida comum mas falham em colocar a resposta bíblica para eles.
Devemos ter em  mente sempre estes dois lados da ponte: o texto bíblico e o contexto cultural do leitor/ouvinte.  A escritura tem autoridade suprema, não pode estar errada e nem precisa ser corrigida.  Mas, o entendimento de um comunicador cristão pode estar equivocado. Muitos enxergam que a comunicação do evangelho é levar a mensagem bíblica até a nova cultura, é uma ponte de uma mão só, eles não gostam da idéia que informações podem vir da outra mão. Esta visão não consegue ver que somos pecadores e finitos, então, não podemos ter um conhecimento claro de nada, nossa cultura molda nosso entendimento das coisas.
Como podemos conciliar isto?   Quando nos aproximamos de um texto bíblico, vamos com um pré-entendimento, um cojunto de crenças pré estabelecidas sobre os assuntos apresentados na Bíblia. Estas crenças são fortes e profundas, e muitas são tácitas, difíceis de serem reconhecidas.  Elas vêm da nossa cultura. Isto não significa que não podemos ter um suficiente e verdadeiro conhecimento do ensino bíblico. Contudo, não é um processo simples, nossas crenças tornam difícil para nós lermos as escrituras corretamente,  deixar que ela corrija nosso pensamento e leve fielmente sobre a ponte para alguém que precisa disto.
Por causa de nossa cegueira cultural, precisamos não só falar, como também ouvir.  Precisamos ouvir o que estão dizendo, suas questões, objeções, esperanças e aspirações. Esta interação nos mostra muitas coisas importantes na Bíblia. Nossa interação com culturas diferentes nos leva a pergunta questões ao texto que nunca tínhamos feito e ver coisas mais claras que nunca vimos antes.
Uma das formas que nosso entendimento continua distorcido é o chamado “cânon dentro do cânon”, nós tratamos algumas partes da Escritura como mais importante que outras e ignoramos ou descartamos as outras. Todos os cristãos são vítimas disto dependendo de seu temperamento, experiência e cultura. Keller cita D.A. Carson, que diz, por exemplo, a bíblia fala que Deus ama a todos no mundo com seu amor providencial e também nos ensina que ele ama o salvo com seu amor gracioso e odeia o perverso.  Culturas diferentes vão responder diferentemente aos aspectos bíblicos do amor divino. Membros da cultura ocidental gostam do conceito do amor de Deus para todos e se ressabiam diante da ira de Deus. Membros de uma cultura mais tradicional, tribal entendem a o julgamento de Deus, mas tem problemas com o fato de amar as pessoas igualmente. Cada cultura tende a sublimar certos ensinos bíblicos e ignorar outros, criando um mini-cânon das Escrituras.
Outros exemplos disto são a visão sobre a propriedade privada, algumas culturas têm um visão positiva, outras não. O que há é reducionismo, nossa localização socio-cultural nos leva a ressaltar ou menosprezar alguns ensinos das Escrituras.  A ponte deve correr nas duas direções, enquanto que a Bíblia não pode ser corrigida por culturas não-cristãs, o entendimento cultural da bíblia pode e deve ser corrigido.
A ponte e a a espiral.
Assumir que o cristianismo ocidental é verdadeiro, sem distorção e uma expressão universal da fé, que transportá-lo pela ponte somente precisa de algumas poucas adaptações, este modelo, segundo Harvie Conn, está baseado numa visão funcionalista da cultura, que vê a cultura como algo sem práticas relacionadas que ajudam a um grupo de pessoas se adaptar ao ambiente, você pode alterar a religião sem mudar nada no resto da cultura da pessoa.
Na visão de Keller, evangelical, a Bíblia continua suprema, os dois lados da ponte não são iguais.  A interação com a cultura ajuda a nos adaptar e mudar nosso entendimento da Bíblia para melhor, mas em última análise,a  Bíblia deve ser vista como a grande autoridade sobre a cultura e sobre a nossa consciência. Não é um produto falível.
Se buscamos uma relação relativa, de igualdade, no fundo, estamos considerando nossa cultura como autoridade sobre a Bíblia. Ou Ela determina o que na cultura é aceitável ou não, ou a cultura irá ter uma autoridade final sobre a Bíblia e determinar no texto o que é pode ser aceito ou não. Então, a imagem de um círculo não funciona, por isto, alguns defendem a idéia de uma espiral.  Usando este método, os evangelicals buscam evitar os exageros,  seja de um culturalismo fundamentalista,  que crê que podemos ler a Bíblia de modo culturalmente livre e universal, e o relativismo cultural, que o texto bíblico somente pode ter o sentido permitido por uma cultura que o lê.