terça-feira, abril 08, 2014

Gálatas 1:1-9: O EVANGELHO É ÚNICO

O EVANGELHO É ÚNICO

Gálatas 1:1-9: Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos), E todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia: Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, Ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém. Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.

Paulo está espantado  porque os novos cristãos da Galácia deixaram o evangelho para viver um outro evangelho.  Qual seria este outro evangelho?

Existia lá alguns que estavam pervertendo o evangelho, um grupo de ensinadores que estavam obrigando os cristãos gentios a guardarem os costumes judaicos da lei mosaica- como leis de dieta, circuncisão e outras leis cerimoniais.
1.   
O

1. A AUTORIDADE DE PAULO.

Qual era a autoridade de Paulo? Paulo se declara como um apostolo, um apostolo era um homem que foi enviado com autoridade divina.  Ele deixa bem claro isto dizendo que não foi por homens. Ele está afirmando que foi chamado por Deus, diretamente pelo Jesus ressuscitado como está em Atos 9:1-19.

Nos versículos 8 e 9, Paulo diz que foi enviado com uma mensagem divina em particular, o evangelho.  E este é o padrão, para dizer se uma doutrina é falsa ou correta. “Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema”. Mesmo um apostolo não pode revisar ou adicionar nada a mensagem de Cristo. O que ele está dizendo é que não foi resultado do seu estudo, pesquisa ou reflexão, mas é uma mensagem revelada por Deus.

A grande questão levantada em torno do Apostolado de Paulo era a necessidade de ter conhecido Jesus e sua ressurreição, como vimos em Atos 1:21-22 na ocasião da escolha de Matias para o lugar de Judas, o Iscariote, junto aos doze:


É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós,  Começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição.

Mas Paulo se encaixa perfeitamente nessa condição e pode ser concebido como o 13o. apóstolo, porque:

Não sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo Senhor nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor?  1 Coríntios 9:1

John Stott coloca os seguintes argumentos:

"Se Paulo não fosse um apóstolo de Jesus Cristo, então as pessoas poderiam rejeitar o seu evangelho- e sem dúvida o fariam. Mas já que o que ele transmitia era mensagem de Cristo, ele não podia suportar tal rejeição. Por isso ele defendia a sua autoridade apostólica, a fim de defender sua mensagem"  (p. 16)

"a opinião bíblica assinala que os apóstolos derivaram sua autoridade de Deus através de Cristo. A autoridade apostólica é autoridade divina. Não é humana, nem eclesiástica. E, sendo divina, temos de nos submeter a ela" (p. 18)



2. O QUE É O EVANGELHO?

2.       
O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai,  Gálatas 1:4


Quem nós éramos:  Sem ajuda e perdidos. Isto é o que o versículo 4 quer nos dizer. Outras religiões ensinam, mas não resgatam.  As pessoas podem até pensar que um cristão é alguém que segue o ensino e exemplo de Jesus. Mas Paulo diz que isto é impossível, afinal, você não resgata pessoas a menos que elas estejam em uma situação que não podem se ajudar.
Imagine uma pessoa se afogando, você não pode ajudar ela jogando um manual de como nadar, você não joga um livro, joga uma corda. Não existe nada em nós que pode nos ajudar a salvar-nos. Isto se chama depravação total.

O que Jesus fez: Como Jesus nos resgatou? Ele deu a si mesmo por nossos pecados. Ele se sacrificou em nosso lugar, nos substituiu. Isto é que faz o evangelho tão diferente de tudo o mais, a morte de Cristo foi apenas um sacrifício, foi um sacrifício substitutivo. 
Ele não nos deu apenas uma segunda chance, dando a nós a oportunidade de vivermos com Deus, Ele fez tudo que nós precisávamos fazer, mas não poderíamos fazer. 
Se a morte de Jesus realmente pagou os nossos pecados em nosso fazer, nós nunca mais podemos cair em condenação porque Deus não tomaria dois pagamentos pelo mesmo pecado, Jesus fez tudo que nós deveríamos fazer em nosso lugar, então quando Ele se torna o nosso salvador, nos estamos totalmente livres da penalidade ou da condenação.

O que o Pai fez:  Deus aceitou a obra de Jesus em nosso favor, levantando Ele da morte e nos dando graça e paz que Cristo conquistou para nós.

Por que Deus fez isto:  tudo isto foi feito pela graça de Deus, segundo sua vontade (vs.4).  A gente não pediu para ser salvo,  mas Deus por sua graça planejou e Cristo veio e conquistou o resgate que nunca poderíamos achar por nós mesmos.

Tudo foi realizado pela vontade de Deus, por pura graça.  Esta é a razão de que a gloria é somente para Deus como está no verso 5.  Se nós contribuíssemos com o nosso resgate ou se Deus tivesse visto algo que merecia ser resgatado, ou útil ao seu propósito divino, ou mesmo se nós fossemos resgatados pelo nosso próprio entendimento, então haveria alguma parcela nossa neste resgate.

Mas, o evangelho bíblico é claro, a salvação, do começo ao fim, é Deus trabalhando. É o seu chamado, seu plano, sua ação e sua obra. E é Deus que é digno de toda a glória.



"A obra de Cristo é uma obra acabada; e o evangelho de Cristo é o evangelho da graça livre. A salvação é só pela graça, só pela fé, sem mistura alguma de obras ou méritos humanos. Ela é totalmente devida à vocação graciosa de Deus, e não a qualquer obra de nossa parte" (John Stott, p. 23)

Esta humilhante verdade está no centro do Evangelho. Nossos corações adoram fabricar glória para nós.  Nós sempre encontramos mensagens de auto-salvação que são muito atraentes ) guarde estas regras e você vai receber as bênçãos espirituais).

Nós estávamos numa posição sem esperança que a nossa necessidade por um resgate não tem nada a ver com a gente. Deus em Jesus nos deu um resgate que nos leva mais além de qualquer falsa salvação que o coração pode gostar de buscar.

3. O OUTRO EVANGELHO

3.   Qualquer mudança na graça do Evangelho gera um outro evangelho.  Deus nos chamou, não fomos nós que o chamamos. A ordem do Evangelho é que Deus nos aceita, aí nos o seguimos. Os sistemas religiosos dizem que devemos dar algo a Deus e, assim, Deus nos aceita.  Qualquer ensino que adiciona algo a Cristo como o que nos leva a sermos aceitos por Deus é outro evangelho.

O evangelho está baseado em dois fatos:

1.       Nós somos tão pecadores que não podemos contribuir com a nossa salvação.
2.       Nós somos salvos pela fé na obra de Jesus e nada mais.

Algumas formas erradas de entender isto:

1.       Quando achamos que o tamanho da nossa crença nos faz aceitos por Deus.
2.       Quando achamos que sendo bons e vivendo uma boa vida somos aceitos por Deus.
3.       Quando achamos que certos comportamentos nos fazem aceitos por Deus.

"

4. CONSEQUÊNCIAS DO VERDADEIRO E DO FALSO EVANGELHO.
Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.  Gálatas 1:8

Paulo está nos dizendo que a autoridade apostólica é derivada da autoridade do evangelho, somos julgados pelas Escrituras e não por nossas emoções ou pensamentos.
Quando modificamos o evangelho, estamos:

Abandonando aquele que nos chamou (vs. 6): um entendimento equivocado da doutrina do evangelho leva a uma compreensão errada da pessoa de Jesus.

  Num Evangelho que não é mais evangelho ( vs. 7):  a mensagem do evangelho é que somos salvos pela graça de Deus e nada mais que isto.

Trazendo condenação (vs.8-9): o senso de condenação e maldição sempre estará presente quando nos afastamos do verdadeiro evangelho, quando buscamos outros meios para a nossa salvação.

John Stott coloca dois fatores para sabermos que estamos lidando com um verdadeiro evangelho:

1. a substância do evangelho:  é o evangelho da graça, do favor livre e imerecido de Deus.

2. a fonte do evangelho:  o verdadeiro evangelho é o evangelho dos apóstolos de Jesus Cristo, é o do Novo Testamento.

O presente século mau ainda pode influenciar os cristãos a se afastarem do evangelho verdadeiro.

FONTES:

GUTHRIE, Donald Gálatas: introdução e  comentário Vida Nova, 1999
KELLER, Timothy  Galatians for You  The Good Book Company, 2013.
STOTT, John  A mensagem de Gálatas ABU, 1997.

quinta-feira, março 27, 2014

BRYAN A. FOLLIS: Truth with Love: The apologetics of Francis Schaeffer

O livro é um misto de apresentação da apologética de Francis Schaeffer com uma biografia. Há uma apresentação apaixonada da vida e da obra de Schaeffer que parece ser um homem mais preocupado com as pessoas do que com um sistema de apologética coeso.

O livro é dividido da seguinte forma, na introdução, há um estudo de Schaeffer em seu contexto. O primeiro capítulo trata da influência de Calvino e da tradição reforma, logo após, há uma apresentação dos argumentos e da aproximação de Schaeffer seguida da relação entre a racionalidade e espiritualidade e, por fim, a questão se ele era um acadêmico ou um apologista.

 A linha mestra do livro é considerar o papel da razão e a importância de relacionamentos em amor. Basicamente, Schaeffer estava interessado nas pessoas, por isto, o título de verdade com amor.

Sobre a influência de Calvino em Schaeffer, fica o conceito de imagem de Deus em cada pessoa que foi danificada com a queda como também o valor das Escrituras como o conhecimento salvífico de Deus pela persuasão do Espírito Santo.

Há também uma influência de Abraham Kuyper e o conceito de graça comum como fundamento da sociedade civilizada. Que é comum a todas as pessoas, que traz como benefício a consciência de que há uma diferença entre o certo e o errado.

De Jonathan Edwards, há o conceito de racionalidade, que é essencial, mas que é inadequado para as realidades espirituais.

Follis fala do conflito entre a apologética evidencialista de Warfield., que colocava a apologética como fundamento da teologia e, de outro lado, Kuyper, que colocada a teologia como fundamento da apologética.  

A metodologia de Schaeffer transitava entre estas duas formas de apologética, ora tomava elementos de uma e de outra porque seu principal interesse era evangelístico e via a apologética como um meio para um fim, para que a fé cristã fosse comunicada Schaeffer entendia que era preciso conhecer e entender as formas de pensamento da nossa própria geração.

A verdade era tida como um absoluto. O racinalismo distorceu isto, principalmente, Hegel que relativizou a verdade absoluta na síntese em vez de permanecer na antítese. 

"Colocando a si mesmo, ao invés de Deus, como o centro do universo e fazendo de si mesmo autonomo, o homem desistiria da sua racionalidade para que ele pudesse preservar seu racionalismo, sua autonomia e sua rebelião contra Deus" (p. 37)

Outro alvo de Schaeffer é Karl Barth, que isolou a fé da razão, sua aproximação era meramente uma expressão religiosa da forma de pensamento que prevalecia no homem moderno. 

Se uma pessoa recusa a aceitar que o universo teve um começo pessoal, então ele tem um problema com um começo impessoal, a moral realmente deixa de ser moral. Não há mais certo e errado.

A vida cristã significa viver em duas esferas de realidade: a sobrenatural e a natural. Para ele, a verdade é o relacionamento com Deus que existe. Isto envolvia, uma justificação para sempre e um correto relacionamento momento a momento. A justificação era uma parte essencial da salvação, mas salvação também inclui outras realidades da vida.

Para Follis, Schaeffer era evidencialista, estaria ligado mais a Edward Carnell do que a Van Til. 


Schaeffer adotado muito da pressuposicionalista, Cornelius Van Til, mas ele também diferiu com Van Til em áreas significativas. Uma diferença é que Schaeffer estava mais aberta para permitir que o incrédulo a questionar as alegações de verdade do cristianismo, algo que Van Til oposição.Na realidade, Schaeffer forjou seu próprio método apologético, uma que diz Follis está próximo do método verificational. Esta abordagem começa com hipóteses e submete-los a vários argumentos para ver se elas são verdadeiras.

Uma das partes mais interessantes do livro é a descrição de Follis de como Van Til visto Schaeffer e por que Schaeffer estava relutante em se envolver em disputa pública com Van Til.Follis também avalia os críticos da Schaeffer, como Clark Pinnock e outros, para mostrar que eles largamente mal compreendido Schaeffer. Follis mostra que as tentativas de rotular Schaeffer como um racionalista são equivocadas, especialmente desde que Schaeffer estava tão dependentes de oração e do Espírito Santo. Para Follis, considerar Schaeffer um racionalista é ridículo, porque ele viveu a sua vida tanto à luz do sobrenatural.

O capítulo final de Follis, "Conclusão: O amor como o Apologetic Final", é poderoso. Aqui ele mostra como a apologética de Francis Schaeffer pode ajudar hoje na era pós-moderna. Com uma visão aguçada, Schaeffer antecipou o que é conhecido agora como o pós-modernismo. Embora é preciso estar ciente da mentalidade pós-moderna de hoje, ele ou ela ainda é feita à imagem de Deus e deve ser desafiada a ver o vazio de sua visão de mundo e abraçar Jesus Cristo.


quarta-feira, março 26, 2014

Francis A. Schaeffer: O Deus que Intervem.

Saldando uma dívida clássica com Schaeffer, me pus a ler O DEUS QUE INTERVEM e TRUTH WITH LOVE: The apologetics of Francis Schaeffer de Bryan A. Follis.

O DEUS QUE INTERVÉM está dividido em 6 partes:
1. O clima intelectual e cultural da segunda metade do século vinte.
2.  A relação entre a nova teologia e o clima intelectual.
3. Como cristianismo histórico difere da nova teologia.
4. Falando do cristianismo histórico para o pensamento do século vinte.
5. Pré-evangelização: não é uma saída fácil
6. Na vida pessoal e coletiva no clima do século vinte.

Na primeira parte, Schaeffer coloca a questão do clima intelectual na segunda metade do século vinte. Ele pontua que o abismo se estabeleceu na Europa por volta de 1890 e nos EUA por volta de 1935. A linha do desespero foi uma mudança gradual que afetou progressivamente: a filosofia, a arte, a música, a cultura geral e, enfim, a teologia.
 Para Schaeffer, a primeira etapa foi a filosofia de Hegel:

"Tenho uma nova idéia. De agora em diante pensemos da seguinte maneira: em vez de causa e efeito, pensemos numa tese e em oposição a ela, uma antítese. E a resposta à relação entre as duas não está num movimento horizontal de causa e efeito, porém é sempre uma síntese" (p. 24)

Ficou de um lado o não racional e não lógico, que é a experiência existencial, a experiência final, a experiência de primeira ordem. E, de outro lado, o racional e o lógico, somente particularidades, nenhum propósito, nenhum significado: o homem é uma máquina. 

A fé fica divorciada daquilo que é racional e lógico. 

Esse hiato se alastrou para as artes,  Schaeffer faz uma análise das obras de Van Gogh, Gauguin, Cezanne e Picasso até o Dadaísmo e os ambientes.  No capítulo quatro, ele fala sobre a cultura geral começando com uma crítica a música concreta e a literatura e até ao cinema:

'Os bons filmes são os sérios, os artísticos, os bem filmados. Os ruins são simplesmente escapistas, românticos e servem só para entretenimento. Porém, se os examinarmos com cuidado, veremos que os bons filmes são na realidade os piores. O filme escapista pode ser horrível em alguns sentidos, mas os chamados bons filmes dos últimos anos foram quase todos feitos por homens que têm a moderna filosofia da falta de sentido da vida. Isto não significa que eles não sejam  homens de integridade,, mas quer dizer que os filmes que produzem são instrumentos de propagação de suas ideias" (p.43).

Sobre o fato que unifica os degraus do desespero, ele diz:

"A linha do desespero é uma unidade e os seus degraus uma marca que os caracteriza e unifica. Com Hegel e Kierkegaard, o homem desistiu de encontrar um campo de conhecimento uniforme e racional. Em vez disso, aceitou a idéia do salto da fé naquelas áreas que fazem o homem ser homem- propósito para a vida, amor, ética e assim por diante. Foi este salto da fé que, originalmente, causou a linha do desespero" (p. 45)

Por outro lado:

" O cristianismo é realista e diz que o mundo está tomado pelo mal e que o homem é realmente culpado, do princípio ao fim. O cristianismo  se recusa a dizer que podemos ter esperanças nas mostras de melhora da humanidade. O cristão concorda com o homem em desespero real, isto é, que o mundo precisa ser olhado realisticamente tanto na área do ser quanto na moral (...) Mas não podemos tirar a vantagem da oportunidade se abandonamos quer em pensamento quer em prática a metodologia da antitese, istoé, que se A é certo , não-A é falso. Se algo é verdade, o contrário não é verdade: se alguma coisa é certa, o contrário é errado" (p. 47). 

A parte 2, fala da relação entre a nova teologia e o clima intelectual.

A teologia existencial moderna tem sua origem em Kierkegaard, a teologia não está isolada da cultura do desespero.

"O velhos teólogos liberais da Alemanha começaram por aceitar a pressuposição da uniformidade das causas naturais como um sistema fechado. Dessa maneira rejeitaram todo miraculoso e o sobrenatural inclusive na vida de Jesus Cristo"

Aí buscaram criar um Jesus histórico, sem sobrenatural:

"Por que a teologia seguiu a filosofia neste passo tremendamente importante? Por duas razões: primeiro, o seu velho racionalismo otimista não tinha conseguido produzir um Jesus historicamente crível, uma vez que o miraculoso fora rejeitado; segundo, como o consenso do pensamento da época, que seguiam cuidadosamente lhes era normativo, seguiram a filosofia quando está se encaminhou nesta direção" (p. 52)

A fé é vista como uma experiência-crise de primeira ordem, a fé é um salto otimista que não pode ser verificado e cujo conteúdo não é comunicável, logo, é não racional. Do lado racional, as Escrituras estão cheias de erros.

No segundo capítulo desta parte, Schaeffer fala sobre o misticismo moderno:

"O resultado de não poderem sustentar honestamente o seu desespero em ambos os níveis (o do nihilismo ou da dicotomia total entre razão e falta de significado) fez com que o pensamento moderno se deslocasse para um terceiro nível de desespero, um nível de misticismo sem conteúdo" (p. 56)

O que leva a uma fé sem conteúdo, sem nenhuma racionalidade ou contato com a ciência ou a história. Nenhuma categoria para Deus, todo conhecimento em relação a Deus está morto, o Deus pessoal está morto. A linguagem é sempre uma questão de interpretação, por isto as palavras da Bíblia são uma interpretação de uma coisa desconhecida que ocorreu.

"No cristianismo, o valor da fé depende do objeto para o qual ela está dirigida. Portanto, ela se dirige para o exterior, para o Deus que está presente, e para o Cristo que, na história, morreu na cruz uma só vez para sempre, terminou o trabalho de reconciliação e no terceiro levantou-se novamente no espaço e no tempo. Isto faz com que a fé cristã esteja aberta à discussão e à verificação. Por outro lado, a nova teologia está numa posição onde a fé é introvertida porque não tem objeto definido, e o ensino do querigma aparece como infalível, pois não está racionalmente aberto à discussão. Essa posição, penso eu, é na verdade maior desespero e trevas que a posição daqueles homens modernos que cometem suicídio" (p. 61).

Na terceira parte, Schaeffer vai falar sobre como o cristianismo histórico é distinto da nova teologia. Seu primeiro ponto de diferenciação é a existência ou não de um começo pessoal para tudo ou mero acaso. 

Na possibilidade bíblica estão os fatos verificáveis, um Deus pessoal comunicando-se com o homem proposicionalmente, de forma verbalizada,  comunicação que é verdadeira e mas não exaustiva.

Schaeffer faz questão de ressaltar que a personalidade não implica em limitação. 

Quanto trata da questão do escândalo da cruz, Schaeffer explica:

"O verdadeiro escândalo é que, por mais fielmente ou claramente que preguemos o Evangelho, ao chegarmos em um determinado ponto, o mundo, por estar em rebelião, virará as costas. Os homens viram as costas não porque o que é dito não faz sentido, mas porque não querem curvar-se perante o Deus que existe. Este é o escândalo da cruz" (p. 100)

Sobre a teologia liberal e o universalismo:

"Por não ter lugar para a antítese e pelo fato de o pecado e a culpa serem proponentes em ultima análise de um problema metafísico e não moral, a nova teologia tem um universalismo implícito ou explícito no que se refere à salvação...Não tem uma antítese final entre o certo e o errado e portanto não pode haver tal coisa chamada culpa moral real, portanto, a justificação como uma mudança radical na relação com Deus não tem significado, e por isso ninguém está realmente condenado. Baseado no sistema deles, esta é uma posição perfeitamente coerente e necessária a ser sustentada e o universalismo está relacionado com o seu sistema" (p. 101)

Quanto a racionalidade, ela nunca deve vir exclusivamente, porque o cristão não tenta começar autonomamente de si mesmo e elaborar um sistema a partir daí. 

No quarto capítulo,  Falando do cristianismo histórico para o pensamento do século vinte, Schaeffer vai  para os pontos de contato entre o cristão e não cristão.  Para ele o ponto fundamental da apologética é o amor:

"O amor não é algo fácil: não é apenas uma necessidade emocional, mas também uma tentativa de nos colocarmos no lugar do outro e ver como os problemas são vistos por ele. Amor é uma preocupação genuína pelo indivíduo. Como Jesus nos lembra, devemos amá-lo como nós mesmos. Este é o lugar que devemos começar" (p. 120).

Schaeffer aborda o tema da impossibilidade de se viver com as conclusões das pressupossições não cristãs:

"É impossível para qualquer grupo ou indivíduo não cristão ser coerente com seu sistema, tanto na lógica como na prática. De maneira que, ao ficar cara a cara com um homem do século vinte, quer seja ilustre ou um simples homem da rua, um homem da universidade ou das docas, você estará olhando para um homem em tensão. E é esta tesão que trabalha a seu favor quando você lhe falar. Se eu não soubesse que isto é verdade através da Palavra de Deus e da experiência pessoal, não teria a coragem de entrar nos círculos em que entro. Uma pessoa pode tentar reprimir a tensão e você talvez precise ajuda-lo a encontrar, mas em algum lugar existe um ponto de incoerência. Ela se encontra numa posição que não pode assumir até o fim. Isto não é somente um conceito intelectual de tensão, mas faz parte daquilo que ele é como homem" (p. 122)

Apesar disto, a apologética nunca pode ser pensada como neutra como evidencialista. Nem tão fechada como a pressuposicional, existe uma possibilidade de diálogo.

"A verdadeira fé cristã se baseia em conteúdo. Não é algo vago que substitui a compreensão do real, nem é a força da crença que tem valor. A verdadeira base da fé não é a própria fé, mas o trabalho que Cristo terminou na cruz. Minha crença não é a base para ser salvo, a base é o trabalho de Cristo. A fé cristã se dirige ao exterior, para uma pessoa real: Crê no Senhor Jesus e serás salvo". (p. 133)


quinta-feira, março 20, 2014

"Apenas a igreja pode ministrar para a pessoa toda. Apenas o evangelho entende que o pecado tem arruinado a nós tanto individualmente como socialmente. Não podemos ser vistos individualisticamente (como os capitalistas fazem) ou coletivamente (como os comunistas fazem) mas como relacionados com Deus. Apenas cristãos, armados com a Palavra e o Espírito, planejam e trabalham para levar o reino e retidão de Cristo podem transformar uma nação como também uma vizinhança como também um coração machucado.

quinta-feira, março 06, 2014

ALVIN PLANTINGA Deus, a liberdade e o mal


ALVIN PLANTINGA Deus, a liberdade e o mal,


A existência de Deus nem é impedida pela existência do mal nem se torna improvável. É claro que o sofrimento e o infortúnio podem, apesar disso, constituir um problema para o teista, mas o problema não é que as suas crenças são logicamente ou probalisticamente incompatíveis. O teísta pode encontrar um problema religioso no mal, na presença do seu próprio sofrimento ou do sofrimento de alguém que lhe seja próximo, o teísta pode ter dificuldade em manter o que considera ser a atitude própria diante de Deus. Diante do grande sofrimento ou infortúnio, o teísta pode sentir-se tentado a rebelar-se contra Deus, agitando o seu punho na face de Deus, abandonando ate sua crença em Deus. Tal problema pede cuidado pastoral e não esclarecimento filosófico. A defesa do livre-arbitrio, contudo, mostra que a existência de Deus é compatível, tanto lógica como probalisticamente, com a existência do mal, assim, resolve o problema filosófico principal do mal (p. 84)