domingo, junho 01, 2014

Pecado como um predador (Gn 4:2-16)


Gênesis 4:2-16 : E deu à luz mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar. E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou. E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra. Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada. Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquele que me achar, me matará. O Senhor, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse. E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. 


1. O QUE HÁ DE ERRADO CONOSCO?

Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar. Gênesis 4:7

O que está errado com os seres humanos? Por que vemos tanta violência? Por que temos tanta maldade?

O que está de errado com a raça humana é o pecado. Não vemos o pecado em nossa vida, nós subestimamos o poder dele sobre a vida ou tentamos controlá-lo. 

O pecado jaz a porta - A palavra jaz devem da palavra hebraica "rabbas" quer dizer agachar-se sobre as quatro patas dobradas, como um animal reclinado. É uma palavra usada para quando gatunos como leopardo e leão, quando estão escondidos para realizar uma emboscada. 

O pecado é tido como uma besta escondida, agachada que parece menor do que  e menos violenta do que é. Mas, é um monstro aguardando a presa para atacar.  

O pecado é maior que nós vemos.

Deus está dizendo que não vemos o tamanho do pecado que existe dentro de nós. O tempo todo subestimamos ou tentamos controlar esse pecado. 

No caso de Abel e Caim,  o problema com a oferta que é uma oferta de dedicação (minhah), não se trata de uma oferta para perdão de pecados, mas uma oferta  de presente como aquele que Jacó deu a Esaú em Gn. 32:13.

Hoje, uma oferta de dedicação é o anel de casamento. É um símbolo de dedicação de um esposo para sua esposa, para simbolizar a oferta do seu coração.  Quando viemos para adorar a Deus, e damos nosso louvor, nossa oferta e se não damos nosso coração é como se fosse uma barganha.

Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas. 1 João 3:12

O problema é o coração, não a oferta em si.  O pecado é quando buscamos apenas o que queremos, e Deus é apenas usado para garantir isto. Escolhemos nós mesmos e nossos desejos e não Deus, quando a vida não vai do jeito que queremos nos revoltamos com Deus por não dar aquilo que queremos. É como se o nosso coração dissesse que somos Deus, e não Deus. 

Quando vemos coisas horrendas como Holocausto? Pensamos estas não são pessoas comuns, são monstros. Mas,  são pessoas normais que fizeram coisas terríveis. No coração de todos nós há um monstro. 

Por exemplo, nossos piores pecados sempre nos parecem menores que nos outros, nossa inveja é sempre menor que as dos outros, nossa luxúria sempre é menor, nossa raiva é sempre menor. O pecado se esconde.  O pecado vem até nós e diz eu só vou ficar aqui no cantinho, pode viver sua vida, eu sou tão pequeno que não vou atrapalhar você. 

O pecado é mais poderoso que nós pensamos.

Quando pecamos, o pecado acaba sendo o nosso desejo. Eles tomam o nosso coração e nos devoram.  Quando mentimos, teremos que mentir de novo. O pecado tem um poder de vício, sempre precisamos de mais para termos menos felicidade.

O pecado é como um fogo num cômodo da casa, você acha que se fechar a porta aquele fogo ficará ali sem crescer. Sempre achamos que podemos controlar o pecado e poder dele sobre a nossa vida. Mas, o que começa com uma inveja pode terminar com um homicídio. 

2. ESPERANÇA PARA O PECADO.

O Senhor disse a Caim: "Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Gênesis 4:6

Deus vem ao nosso encontro para dizer que há algo que podemos fazer a respeito. O problema do pecado não está em Abel, mas dentro do coração de Caim.  O problema não é o que fizeram com a gente, mas é a resposta que demos ao que foi feito conosco.

O arrependimento é a única forma de nos salvar, precisamos enxergar, dominar o que está acontecendo em nosso coração. Não diminuir e nem esconder o pecado, mas arrepender-se. 

Quando Caim mata Abel, Deus pergunta onde está seu irmão? Deus está buscando informações? Não. Deus está buscando arrependimento. Mas, ele se nega mais uma vez a enxergar a destruição que o pecado causou em sua vida.  Deus diz que o sangue do irmão está clamando do chão, porque o nosso Deus é Deus de amor e reconciliação.

a Jesus, mediador de uma nova aliança, e ao sangue aspergido, que fala melhor do que o sangue de Abel.  Hebreus 12:24

Deus hoje nos leva um sangue derramado.  O sangue do verdadeiro Abel, Jesus Cristo que chora por justiça, aquele que era perfeito que foi morto por nossos pecados. Este sangue foi derramado não para a nossa condenação, mas para a nossa justiça e para nos salvar.

Ele pagou por nossos pecados, se nos arrependermos temos um sangue que foi derramado para perdoar os nossos pecados, para purificar o nosso coração. Quando enxergamos os pecados da nossa vida e a grandeza deles poderemos enxergar realmente a grandeza e a vida que há no sangue derramado de Jesus.

quinta-feira, maio 29, 2014

VIVENDO DE ACORDO COM EVANGELHO (Gálatas 2:11-21)



Gálatas 2:11-21 :E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor. Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.
Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.


A visita de Paulo a Jerusalém estabeleceu a grande unidade da verdade que nós somos salvos pela fé em Cristo, nada mais e nada menos. Agora, ele muda seu foco, ele estava junto com Pedro em Jerusalém, mas está contra Pedro em Antioquia. Em ambos os lugares, o ponto de Paulo é que só podemos ser salvos pela justificação pela fé.

O verso 11 é surpreendente, aqui estão dois apóstolos se encontrando, e um está dizendo que se opôs a outro cara a cara. Qual era o problema? Paulo explica que Pedro estava comendo com os gentios, ele começou a se separar deles.  

O Antigo Testamento tinha leis de pureza, uma complicada série de regulamentos para que os crentes ficassem cerimonialmente puros. Pedro foi criado para nunca comer com gentios, porque eles eram espiritualmente impuros. Mas, Pedro  começa a comer com os gentios porque entendeu que Cristo é quem nos purifica, tanto os judeus como os gentios.

Paulo não diz que o comportamento de Pedro era rude, mas diz que Pedro não estava agindo de acordo com o evangelho. 

Primeiro, o evangelho é  a verdade que inclui fatos que nós somos fracos e pecaminosos, que nós procuramos controlar nossas vidas em sendo nossos próprios salvadores e senhores, que a lei de Deus foi cumprida por Cristo para nós, que nós somos aceitos completamente apesar disso, ainda somos pecadores.

E também significa que a verdade do evangelho tem um vasto números de implicações para a toda a vida. É o nosso trabalho trazer tudo que há em nossa vida de acordo com a verdade do evangelho. Nós temos pensar as implicações em cada área de nossa vida, e procurar trazer nosso pensamento, nosso sentimento e o nosso comportamento para ficar de acordo com esta verdade.

A vida cristã é um realinhamento contínuo - temos que trazer tudo que temos em nossa vida para estar de acordo com a verdade do evangelho.

O pecado de Pedro era o nacionalismo, ele insistia que os cristãos não podem agradar a Deus a não ser que se tornem judeus. O nacionalismo é uma forma de legalismo, que é sempre olhar para algo além de Jesus para ser aceito e puro diante de Deus. O legalismo sempre leva ao orgulho e ao medo psicologicamente e a exclusão socialmente.

Sem o evangelho, nossos corações produzem auto-estima em comparando nosso grupo com outros grupos. Mas, o evangelho nos diz que todos somos impuros sem Cristo e somos limpos nele.

A resposta de Paulo.

Paulo não diz simplesmente que o racismo é um pecado, que é. Ele usa o evangelho para mostrar as raízes espirituais do erro que Pedro estava cometendo. Na raiz do racismo estava uma resistência ao evangelho da salvação.  O racismo é um obra de justificação pela carne, sentirmos melhores por algo além de Deus.

Este é modo cristão de opor alguém. Quando você tenta motivar alguém falando para ver as riquezas e o amor que estão em Cristo, então você nossa valor e dignidade em seu apelo.  Contudo, quando você tenta motivar pela ameaça, você está mostrando pouco respeito pelas pessoas e mostra que você não está do lado delas.  Quando usamos a graça de Deus como um motivador, nós podemos criticar diretamente e a outra pessoa estará aberta a receber seu conselho.

Quando nosso pecado está enraizado no medo, nós precisamos ser amados e fortalecidos para termos coragem de fazer a coisa certa apesar do nosso medo.

Justificação pela fé.

A justificação significa que em Cristo, nós somos pecadores, mas não estamos mais sob condenação.  Deus nos aceita apesar dos nossos pecados. Não somos aceitos por Deus porque começamos a agir direitinho, mas agimos de maneira certa porque fomos aceitos por Deus.

Somos justificados pela fé por aquilo que Cristo fez, não somos também justificados pelo que fazemos. A obediência não nos salva - verso 16. A lei nos serve para sabermos que estamos pecando e para mostrar que nós precisamos de um salvador.

A justificação pela fé nos leva a pecar? Não ela nos dá o motivo certo para a obediência.

O verso nos mostra que precisamos viver nossa de acordo com o evangelho, que Cristo agora é a nossa vida. Que estamos livres da condenação diante de Deus pois já estamos mortos em Cristo, somos julgados com ele. E somos amados de Deus como Jesus é. 

Se nós pudessemos salvar a nós mesmos, a morte de Cristo não tem sentido e não significa nada. A morte de Cristo vai significar tudo para nós se entendermos que não podemos salvar a nós mesmos. E então, nós vamos gastar a nossa vida que Ele nos deu em um serviço alegre para ele, levando toda a nossa vida para a verdade do evangelho.

Fonte:

Tim Keller GALATIANS FOR YOU 


domingo, maio 25, 2014

ALVIN REID: As You Go

AS YOU GO: Creating A Missional Culture of Gospel- Centered Students de Alvin L. Reid 

Como levar a mensagem do evangelho e criar uma comunidade de adolescentes e jovens missional? Alvin L. Reid não apresenta nenhuma fórmula nova, ele propõe uma volta à centralidade do evangelho como centro de um ministério de jovens e adolescentes.

É um livro muito bom e desafiador,  que busca voltar o ministério de jovens para um ministério que seja mais desafiante e centrado no Evangelho que leve os adolescentes à igreja e enxergue bem o papel dos pais em seu funcionamento.

Espero que logo logo seja traduzido e bem espalhado por aqui.
" Nós precisamos de uma transformação radical cristocêntrica, entendermos que o evangelho é para a salvação e para a santificação, para os salvos e não salvos. Jesus é a resposta para tudo na vida- não o fraco, superficial, subcultural Jesus, mas o Jesus que se importa com os quebrantados e repulsa os hipócritas-  o que ama crianças, o que chama para o discipulado, o que cura os leprosos, o que expulsa os fariseus, o nascido humilde e, enfim, o Senhor Jesus que reina" (p. 19)

Como missional, o ministério deve estar focado na missão de Deus, e fazer de cada participante um missionário. O modelo deve ser encarnacional e não atracional para isto deve ter um compromisso com a formação espiritual, enfatizar o sacerdócio universal, mudar o padrão de sucesso e valorizar os lugares comuns entre crentes e não crentes, dar aos estudante uma metanarrativa - criação, queda, resgate e restauração-. 



Trechos: 
"O centro da nossa fé é uma cruz sangrenta e uma gloriosa ressurreição pela qual nós encontramos resgate de nosso pecado através da fé em Jesus. Nós estávamos legalmente condenados diante de Deus, e através de Jesus somos justificados pela fé. Nós eramos escravos do pecado mas fomos redimidos por Cristo (Rm 3:24). Nós estávamos mortos em nossos pecados e agora estamos vivos pela graça de Deus através da fé em Cristo (Ef 2). Nós eramos órfãos que fomos adotados por Deus (Rm 8:15). Nunca podemos ir além do que Deus fez em Cristo!" (p. 54)

"Aqui está o desfio fundamental quando nós discipulamos estudantes. O evangelho, a ideia e a verdade mais maravilhosa da história, não é apenas para pessoas não salvas para começarem uma vida com Cristo. Não, salvação abre a porta para irmos para algo mais profundo. Eu uma vez pensei que o Cristianismo era como subir uma montanha da santificação, onde nós iríamos xingar menos e cobiçaríamos menos e seríamos melhores testemunhas e mais generosos e assim por diante. Mas, agora eu vejo que o caminho do crescimento vem de mergulharmos dentro do oceano da verdade do evangelho encontrado nas páginas da Bíblia. Quanto mais nós captamos o poder do Deus criador, vemos o mal em nossa própria depravação, e entendemos a maravilha de sua graça, resultando numa melhor compreensão de sua glória, mais nós poderemos ajudar estudantes a viver melhor" (p. 59)



domingo, maio 18, 2014

Quem eram os nicolaítas?



"Os nicolaítas eram um movimento antinomista cujos antecedentes remontam à interpretação equivocada da liberdade paulina e cuja incidência talvez esteja ligada às pressões específicas do culto ao imperador e a sociedade pagã. É possível que o importante  símile feito com a figura de Balaão indique uma relação com movimentos semelhantes enfrentados pela igreja em outros lugares. Na ausência de dados concretos, contudo, a natureza dessa relação não passa de especulação. Pode ser que houvesse um elemento gnóstico no ensino nicolaíta, mas, em nossos textos primários, trata-se de um erro prático, não de gnosticismo propriamente dito"

Colin J. Hemer in HERESIA DA ORTOXIA, p. 130

Andreas J. Kostenberg: A HERESIA DA ORTODOXIA

Segundo a sinopse da VIDA NOVA:

Este livro é uma crítica ampla e abrangente da tese de Bauer-Ehrman, segundo a qual a forma mais antiga do cristianismo era pluralista, havia múltiplos cristianismos, e a heresia precedeu a ortodoxia. Köstenberger e Kruger não somente reagem à “teoria de Bauer”, usando os próprios termos da teoria, mas também empregam evidências neotestamentárias negligenciadas para refutá-la. Os autores analisam três elementos como base para as suas conclusões: a evidência de unidade no Novo Testamento, a formação e o fechamento do cânon, e a metodologia e a integridade no registro e na difusão de textos religiosos por parte da igreja primitiva.

O sub-título é ainda mais confuso que o título: COMO O FASCÍNIO DA CULTURA CONTEMPORÂNEA PELA DIVERSIDADE ESTÁ TRANSFORMANDO NOSSA VISÃO DO CRISTIANISMO PRIMITIVO.

A tese toda do livro é que, ao contrário, da tese Bauer-Ehrman, a ortodoxia cristã se estabeleceu antes da heresia cristã.  Logo, no primeiro capítulo, há uma explicação das origens e da própria tese em si que defende que a ortodoxia seria uma "invenção" a partir de vários quadros doutrinários. 

"De acordo com Bauer,  a ortodoxia que acabou se consolidando com o passar do tempo representava apenas a visão consensual da hierarquia eclesiástica dotada de poder para impor seu ponto de vista sobre o restante da cristandade" (p. 27)

Sendo que:

"Bauer deixou para os meios acadêmicos um legado duplo: 1.  o método histórico de investigação das evidências disponíveis nas diferentes localidades em que o cristianismo apareceu como religião dominante, 2. a argumentação de que os pais da igreja exageraram ao afirmar que o cristianismo surgiu de apenas um movimento doutrinariamente unificado" (p. 49)

No segundo capítulo, estuda nas cidades o que veio primeiro a unidade ou a pluralidade,  para os autores a heresia, a pluralidade só passa a surgir no segundo século depois de consolidada uma unidade ortodoxa na igreja.

No terceiro capitulo, eles buscam datar o surgimento da heresia.  Para eles existem três temas integradores,  o monoteísmo, Jesus Cristo como Senhor exaltado e o evangelho. 

No quarto capítulo, eles defendem que há um alinhamento entre a estrutura de pacto e o canon do Novo Testamento: preâmbulo, prologo histórico, estipulações, sanções e a preservação do texto escrito da aliança.


"O cânon não é meramente uma ideia criada pelos cristãos do quarto século, ou um conceito que surgiu depois dos fatos e que a igreja desenvolveu para lutar contra os primeiros hereges, como Marcião. Antes, o conceito de cânon é parte permamente da vida do povo de Deus desde o início de Israel como nação e, portanto, continua a ser parte de seu povo na vida da igreja" (p. 150)

Nessa ligação com a estrutura pactual anterior os autores destacam que: Jesus estava inaugurando uma nova aliança, a identidade judaica dos apóstolos, a autoridade que haviam recebido diretamente de Jesus para falarem em seu nome.

"No final das contas, o canon do Novo Testamento não é uma coletânea de escritos dos apóstolos, mas uma coletânea de escritos apostólicos, texto que transmitem a mensagem investida da autoridade dos apóstolos e se originam na era apostólica formativa (mesmo que não diretamente da sua mão). Portanto, a autoridade dos livros do Novo Testamento está mais associada ao quando do que ao quem. Diz respeito ao lugar de determinado livro no escopo da história da redenção" (p. 155)
E por fim, as comunidades não se achavam como formadores do textos, mas como que formadas pelo texto seguindo a tradiçao pactual de Israel.