domingo, agosto 03, 2014

O VALOR DA VIDA (Tg. 4:13-17)



Tiago 4:13-17: Eia, agora, vós que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos; Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo. Mas agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna. Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.



Tiago começa falando sobre a incerteza da vida. 


No verso 13, ele fala sobre alguém que está planejando fazer uma viagem para alguma cidade e quanto tempo irá passar por lá e que lá irá fazer negócios e terá lucro. Há algum problema em planejar um empreendimento, um negócio? 

Não. O problema é fazer o plano esquecendo de Deus, esquecendo que a vida é breve como um vapor. É estabelecer os planos baseados na própria presunção.

O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos - Pv. 16:9


O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas do Senhor vem a vitória - Pv 21:31

No verso 15, Tiago nos lembra de duas essenciais para entendermos como devemos viver a nossa vida:


1. "se o Senhor quiser, viveremos"
2. "se o Senhor quiser, iremos e faremos"


Precisamos entender que a decisão sobre o tempo da nossa vida está nas mãos do Senhor. Que estamos vivos não por conta de nós mesmos, mas por causa da misericórdia de Deus. Então, a própria existência da nossa vida passa a depender de Deus.

Se entendemos isto de coração, os planos e planejamentos passam a ser realizados não como um esforço para sermos gloriosos em nós mesmos mas para a glória de Deus, então, automaticamente, o nosso coração perguntará aquilo que o Senhor quer que façamos.

Quando buscamos realizações para valorizar a nossa vida sem Deus caímos na preocupação ou na ansiedade. Porque toda a nossa vida ficará dependente desta ou daquela decisão, confiamos em nós mesmos, e isso é maligno.

O ídolo aqui é o controle, sendo que seu estado emocional é sempre a incerteza. Seus amigos sempre se sentem condenados por você e seu maior pesadelo é a preocupação sempre constante.

"Temos de renunciar ao nosso desejo pecaminoso de conhecer o futuro e de estar no controle da situação. Não somos deuses. Caminhamos pela fé, e não por vista. Arriscamos porque Deus não arrisca. Caminhamos em direção ao futuro com uma confiança que glorifica a Deus, não porque sabemos como será o porvir, mas porque Deus o sabe. Isso é tudo que precisamos saber. Preocupar-se com o amanhã não é mero traço de personalidade; é pecado de descrença, sinal de que o nosso coração não descansa nas promessas de Deus" (Kevin DeYoung, Faça Alguma Coisa, p. 52)

Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.


Kevin DeYoung lista 5 erros que fazemos quando pensamos na vontade de Deus para a nossa vida:

1. Ficamos com atenção para decisões de cárater não moral.
2. A abordagem parte do princípio que Deus é traiçoeiro.
3. Estimula a preocupação com o futuro.
4. Corrói as bases da responsabilidade pessoal, da prestação de contas e da iniciativa.
5. Ficamos escravizados ao subjetivismo. 


Faça o bem, faça a vontade de Deus hoje. Não deixe a ansiedade ou a preocupação dominar sua vida, lembre-se que tudo está no controle de Deus e busque sua vontade com confiança e certo que ele tem cuidado da sua vida.

Para isto, algumas dicas:

  • 1. Deus nos guia por meio de sua providência invisível, 
  • 2. fala de formas diferentes, e guia em uma cooperação consciente, 
  • 3. Deus se comunica conosco através de Seu Filho,
  • 4. continua a falar por meio do Seu Filho através do Espírito Santo,
  • 5. A atuação do Espírito através das Escrituras.
"Estar cheio do conhecimento de Deus não significa receber mensagens divinas sobre as férias de verão ou sobre os nossos investimentos financeiros. Significa dar fruto, crescer no conhecimento de Deus, estar fortalecido com poder que produz paciência e dar graças alegremente ao Pai" Kevin DeYoung, Faça Alguma Coisa, p. 66


Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos,Para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria; e inclinares o teu coração ao entendimento;Se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, Se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, Então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. Provérbios 2:1-6 

quarta-feira, julho 30, 2014

Romanos 3:21-31: A justiça de Deus nos é dada gratuitamente.

ROMANOS 3:21-31: 3:21  Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas,  3.22   isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. 3.23   Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,  3.24   sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, 3.25   ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;  3.26   para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.  3.27   Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé.  3.28   Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.  3.29   É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente.  3.30   Se Deus é um só, que justifica, pela fé, a circuncisão e, por meio da fé, a incircuncisão, 3.31   anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

"MAS" é uma palavra que reverte o pronunciamento anterior, isto pode trazer esperança onde não havia. O versículo 20 dizia: " nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado." Mas, agora Paulo move-se da trevas do pecado humano para a luz do evangelho.

JUSTIÇA E JUSTIFICAÇÃO.

Toda religião e cultura acredita que estamos iguais diante de Deus,  que não é uma questão vocacional, mas tem a ver com nosso registro moral ou espiritual.  Você tem isto a partir do registro de sua performance e se ela for boa suficiente, você merece ter uma vida com Deus e você será aceito.  Então, vem Paulo e diz: "mas". Pela primeira vez na história um novo modo de se aproximar de Deus tem sido revelado. Uma retidão divina, a justiça de Deus, um registro perfeito foi dado a nós.

Nenhum outro lugar oferece isto. Fora do evangelho, nós devemos desenvolver nossa justiça e ofertar isto a Deus, e dizer (com esperança e ansiosidade) aceita-me. O evangelho diz que Deus desenvolveu uma perfeita justiça e ele oferece a nós e por isto nós somos aceitos. Esta é a singularidade do evangelho e isto reverte qualquer outra forma de religião e cosmovisão e mesmo aquilo que o coração humano acredita.


Justificação é um termo legal ou jurídico, extraído da linguagem forense. O contrário de justificação é condenação. Os dois são pronunciamentos de um juiz. Dentro do contexto cristão eles são os vereditos escatológicos alternativos que Deus, como juiz, poderá anunciar no dia do juízo. Portanto, quando Deus justifica os pecadores hoje, está  antecipando o seu próprio julgamento final, trazendo até o presente o que de fato faz parte dos "últimos dias". ( JOHN STOTT, Romanos, p. 60)

COMO FICAMOS JUSTOS?

3.22   isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. 3.23   Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,  3.24   sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, 3.25   ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

Primeiro, ela vem da fé em Jesus Cristo para todo aquele que crê (vs.22). A fé que recebe a justiça tem um objeto: Cristo. 

Segundo, isto não pode vir através das nossas ações ou esforços (vs. 23). Este versículo diz que todos nós pecamos e estamos sem a glória de Deus. Fomos feitos à imagem de Deus para dar glória a Ele e desfrutar de sua glória (2:29). Em nosso pecado, nós perdemos esta glória, não podemos viver na presença de Deus, desfrutando de sua aprovação.

Terceiro, a justiça é dada livremente, gratuitamente (vs. 24). Isto é muito importante, porque é possível pensar que a fé é uma espécie de obra. Alguns podem pensar a fé como uma intensa atitude de rendição ou um estado de certeza ou confiança. Mas, Paulo toma cuidado dizendo que ela vem gratuitamente, que quer dizer sem causa, de um modo que é dada ou obtida sem qualquer razão. 

É a obra de Cristo que têm méritos para a nossa salvação.  Pela fé, nós recebemos com mãos abertas aquilo que Deus conquistou para nós, nos é dada gratuitamente. Não podemos achar que a nossa crença é causa da nossa salvação porque estaríamos deixando de olhar para Cristo e começaríamos a olhar para nós mesmos. Isto seria transformar  a fé em uma obra. A fé apenas o instrumento pelo qual nós recebemos a nossa salvação e não a causa da nossa salvação, nunca ache que você é salvo por que você colocou sua fé em Jesus, isto geraria orgulho como veremos no verso 27.

Quarto, Paulo é ainda mais específico sobre onde devemos colocar a fé. A fé está na obra de Jesus na cruz, ao invés de uma admiração de Jesus como um grande homem ou um grande exemplo inspirador. A justiça vem da fé em seu sangue (3:25). A fé salvífica está Jesus Cristo crucificado (1Co 2:2).

Nenhum outro sistema, ideologia ou religião proclama um perdão gratuito e uma nova vida para aqueles que nada fizeram para merecê-los, mas que, ao invés disso, muito fizeram para merecer o julgamento. Pelo contrário, todos os sistemas ensinam alguma forma de auto-salvação através das boas obras da religião, da piedade ou da filantropia. Já o cristianismo, em sua essência, nem mesmo é uma religião; é um evangelho, o evangelho, a boa nova de que a graça de Deus desviou a sua ira, que o Filho de Deus morreu a nossa morte e carregou a nossa condenação, que Deus tem misericórdia de quem não merece e que a nós nada mais resta a fazer ou mesmo contribuir. A única função da fé é receber o que a graça oferece. A antítese entre graça e lei, misericórdia e mérito, fé e obras, salvação de Deus e salvação própria, é absoluta. Não dá para comprometê-la com arranjos ou "jeitinhos". Nós temos de escolher. Emil Brunner ilustrou vividamente essa antítese, em que, segundo ele, a diferença é entre "subir" e "descer": a "questão decisiva" mesmo, ele escreveu, é "a direção do movimento". Os sistemas não-cristãos imaginam "o homem movendo-se" em direção a Deus. Lutero disse que meditar é "elevar-se à majestade nas alturas". De semelhante forma, o misticismo acredita que o espírito humano pode "flutuar nas alturas em direção a Deus". O mesmo se passa com o moralismo. E também com a filosofia. O "otimismo auto-confiante de todas as religiões não-cristãs" é muito parecido. Nenhum deles vê ou sente o abismo que se estende entre o santo Deus e os seres humanos, pecadores e cheios de culpa. Só quando vislumbramos isso é que percebemos a necessidade daquilo que o evangelho proclama, que é o "mover-se de Deus", a sua livre iniciativa de graça, o seu movimento "descendente", o seu surpreendente "ato de condescendência". Parar na beira do abismo, atingir o ápice do desespero por jamais conseguir atravessar — esta é a indispensável "antecâmara da fé" (JOHN STOTT, Romanos, p. 66)

COMO PODEMOS FICAR JUSTOS?

3.24   sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus,

Como pode existir a justiça de Deus e justiça de Deus? Como Deus pode justificar a si mesmo justificando a gente?

Através da redenção que há em Cristo Jesus. Redenção é uma palavra que nos leva ao Antigo Testamento, quando uma pessoa ficava com débito e não pagava, ela se tornava um escravo para pagar a dívida. Então, a lei de Deus criou uma figura chamada redentor, era alguém que pagava a dívida e deixava você livre de novo (Lv 25:25). Agora, Paulo está dizendo que através de Jesus, nós que eramos escravos do pecado, da morte e do julgamento...que nunca poderíamos pagar o que devíamos.. para nós a redenção veio.

 3.25   ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

O Pai justifica seu povo através da obra de seu Filho. Ele nos redime apresentando a Jesus como um sacrifício de propiciação. Aqui está o modo como Deus justifica pecadores, como ele faz justos os injustos.

A propiciação é mudar a ira de Deus através do sacrifício do perverso, na Cruz é o lugar onde o Juiz tomou sobre si o julgamento. Este era o plano do Pai e também o desejo do Filho de se sacrificar. Ele não sofreu porque ele tinha que sofrer, mas porque Ele amava seu Pai e a gente.

Deus não deixou sua justiça de lado, ele levou ela sobre si mesmo. A cruz não representa um comprometimento entre sua ira e seu amor. A cruz satisfaz ambos completamente, nela tanto sua ira e seu amor estão vindicados, ambos estão demonstrados.

Quando Paulo fala dos pecados dantes cometidos, ele está falando do Antigo Testamento. Em sua paciência, Deus prolongou o tempo do julgamento para julgar os pecados em seu Filho. Deus aceitou Abraão, Moisés, David e todos os santos do Antigo Testamento quando eles se arrependeram e confiaram em sua misericórdia com base na obra futura de Cristo.

3.26   para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.

Precisamos entender que Deus é tanto justo como aquele que justifica seu povo. Não perder de vista o amor sacrificial como tanto sua ira santa contra o mal. Um Deus amoroso sem ira é um Deus que é indiferente e um Deus irado e sem amor nunca poderia ser alcançado.


Aquilo que Deus fez mediante a cruz, isto é, mediante a morte do seu Filho em nosso lugar, Paulo explica através de três expressões deveras significativas. Primeiro, diz que Deus nos justifica por meio da redenção que há em Cristo Jesus (24b). Segundo, Deus o apresentou como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue (25a). Terceiro, Ele fez isto para demonstrar sua justiça ... (25b), isso para demonstrar sua justiça no presente, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus (26). As palavras-chave são redenção (apolytrõsis), propiciação (hilastèrion) e demonstração (endeixis). Todas as três se referem, não ao que acontece agora, enquanto o evangelho está sendo pregado, mas ao que aconteceu de uma vez por todas em Cristo e através dele na cruz, sendo a expressão seu sangue uma clara referência à sua morte sacrificial. Associadas à cruz, portanto, vemos uma redenção dos pecadores, uma propiciação da ira de Deus e uma demonstração de sua justiça. (JOHN STOTT, Romanos, p. 62)
A JACTÂNCIA

3.27   Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé. 

A jactância é aquilo que você é ou faz que gera um sentimento de orgulho. Eu sou alguém porque tenho isto. Eu posso vencer tudo porque eu sou isto. 

Naquilo que você se ostenta é o que fundamentalmente define você, é da onde você tira sua segurança e identidade.

Agora, Paulo está dizendo que a jactância ( ou ostentação, presunção) está excluída. Por que? O princípio da fé exclui a ostentação porque a fé entende que nada do que fazemos pode nos justificar como está na passagem:

3.28   Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.  3.29   É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente.  3.30   Se Deus é um só, que justifica, pela fé, a circuncisão e, por meio da fé, a incircuncisão, 3.31   anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

Paulo está dizendo que devemos abrir mão de toda a confiança e segurança que temos em nós mesmos. Porque o homem é justificado  pela fé sem as obras da lei. E acima de tudo, é Deus que fez a justiça disponível para os judeus e para os gentios. 

Apenas conseguiremos excluir a jactância quando nós entendermos que as nossas melhores conquistas não podem fazer nada para nos justificar.  Então, nunca iremos nos gloriar em nós mesmos, apenas nos gloriar em Cristo como diz Paulo em Gl 6:14: Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

A confiança e a esperança é transferida de si mesmos para a obra de Cristo. Eu tenho Cristo, sua morte significa que quando Deus olha para mim, ele vê sua belo filho. Mundo, eu não preciso de nada de você e você não pode me tirar nada, eu tenho Cristo.

O que a jactância causa:

1. DIVISÕES HUMANAS: quando colocamos nossa confiança em coisas, nos colocamos como melhores que outras pessoas. Quando entendemos a doutrina da justificação, sabemos que somos amados de Deus por sua graça e não por méritos nossos.

2. NEGAÇÃO: quando a nossa confiança está em alguma qualidade pessoal ou do nosso grupo, ficamos cegos para os nossos pecados e egoístas, não somos capazes de amar quando criticam ou ameaçam estas coisas. Quando entendemos o evangelho, quando mais vemos nossas falhas e erros, mais vemos o quanto Deus nos ama e mais amamos a Deus porque deixamos de confiar em nossa obediência e confiamos na provisão da justiça dEle.

3. ANSIEDADE: quando alguma coisa que ostentamos é ameaçada, nossa segurança está ameaçada. Ficamos mais corajosos porque sabemos que a segurança que temos é eterna e perfeita.

A LEI NÃO SIGNIFICA NADA
3.31   anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

Uma pessoa que crê no Evangelho, que é salva sem a lei, entende e ama a lei mais do que alguém que busca ser salvo pela lei. Porque apesar de guardar a lei para buscar a salvação é impossível, a lei não deve ser posta de lado ou seus mandamentos serem alterados. A lei deve ser obedecida por qualquer um que permanece na presença de Deus.

Quando colocamos a nossa fé em Cristo, nossos pecados são dados a Ele, e ele nos dá a perfeita obediência à lei de Deus



quarta-feira, julho 23, 2014

Romanos 3:1-20: Todo mundo precisa do Evangelho



ROMANOS 3:1-20:
Qual é, logo, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?  
3.2   Muita, em toda maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas. 3.3   Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus?  3.4   De maneira nenhuma! Sempre seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso, como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras e venças quando fores julgado. 3.5   E, se a nossa injustiça for causa da justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto, trazendo ira sobre nós? (Falo como homem.) 3.6   De maneira nenhuma! Doutro modo, como julgará Deus o mundo?  3.7   Mas, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que sou eu ainda julgado também como pecador?  3.8   E por que não dizemos (como somos blasfemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos males, para que venham bens? A condenação desses é justa.  3.9   Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado,  3.10   como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. 3.11   Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus.  3.12   Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.  3.13   A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;  3.14   cuja boca está cheia de maldição e amargura.  3.15   Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.  3.16   Em seus caminhos há destruição e miséria;  3.17   e não conheceram o caminho da paz.  3.18   Não há temor de Deus diante de seus olhos.  3.19   Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.  3.20   Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.


ESCLARECIMENTOS: PERGUNTAS E RESPOSTAS.

Nos primeiros oito versos deste capítulo, Paulo antecipa e responde algumas objeções que o capítulo 2 poderia ter criado junto a igreja de Roma. Paulo era um grande evangelista e ele se coloca no lugar das pessoas que estão lendo sua carta, pensando como elas e tentando buscar uma resposta para suas questões. Poderíamos pensar, seguindo Keller,  nestes versículos como perguntas e respostas:

verso 1: Paulo, você está dizendo que não há vantagem em uma religião bíblica?
verso 2: Eu não estou dizendo isto, há um grande valor em ter e conhecer as palavras de Deus.

verso 3a: Sim, mas estas palavras falharam porque muito não tem acreditado no evangelho da justiça revela no Filho de Deus Jesus. O que aconteceu com estas promessas?
verso 3b-4: Apesar do fracasso de seu povo de crer, as promessas de Deus para salvar estão avançando. Nossa incredulidade só revela quão comprometido Deus está com a sua verdade- pense no que Ele fez para ser fiel as suas promessas.

verso 5: Mas se o injusto é necessário para a justiça de Deus ser vista, como pode ser justo Deus nos julgar?
verso 6: Baseado nisto, Deus não julgará ninguém no mundo.  E todos nós concordamos que Deus deverá julgar.

verso 7-8: Então, se quando eu peco faz Deus parecer melhor, isto significa que devo pecar mais para que sua glória seja melhor vista?
verso 8: Eu estou sendo acusado de pensar isto, mas não estou. A atitude de dizer que se peca para ser mais amado por Deus e absolutamente digna de julgamento.


TODOS ESTÃO PERDIDOS.

3.9   Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado,  3.10   como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.

Estar sobre o pecado ou ser injusto é a mesma coisa. Ser injusto é uma termo de posição, nós estamos diante de Deus não certos diante dele porque nós erramos com Ele e com os outros. Só há dois tipos de posição neste mundo: sobre o pecado ou sobre a graça. A declaração de Paulo é tanto judeus como gregos, religiosos ou irreligiosos, todos estão sob o pecado.  Tanto os libertinos como os moralistas estão sob o pecado.

COMO O PECADO AFETA OS PECADORES

Paulo faz uma longa lista dos efeitos do pecado sobre nós. Não apenas precisamos aceitar que somos pecadores como também entender a realidade do problema da nossa pecaminosidade. São sete efeitos que ele lista:

1. Nossa posição legal.
Ninguém está legalmente direto, e nenhuma obra de ninguém pode mudar isto. Nós somos culpados e condenados:  3.10   como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.

2. Nossas mentes:
3.11a  Não há ninguém que entenda;  Por causa de nossa natureza está corrompida pelo pecado, não entendemos a verdade de Deus. Estamos obscurecidos em nosso entendimento (Ef 4:18). A ignorância não causa a dureza de nossos corações, é a dureza do nosso coração que leva a ignorância. Isto porque nosso egoísmo pecaminoso nos leva a filtrar a realidade numa forma de negação, estamos cegos para muitas verdades.

3. Nossos motivos:  
3.11b   não há ninguém que busque a Deus. Nenhum de nós realmente busca a Deus, nós estamos correndo e nos escondendo dele em tudo que fazemos, mesmo na religião ou na moralidade.

4. Nossas vontades: 
3.12   Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.Isto ecoa Isaías 53:6 "Todos nós, como ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós." . O pecado pode ser definido pela nossa demanda por auto-determinação, pelo direito de escolher nosso próprio caminho.

5. Nossas línguas:
3.13   A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;  3.14   cuja boca está cheia de maldição e amargura.  Somos enganosos, venenosos, amargos e amaldiçoadores. Palavras pecaminosas são sinais de decadência, usamos nossa língua para mentir para proteger os nossos próprios interesses e para prejudicar os interesses dos outros.

6. Nossos relacionamentos:
3.15   Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.  3.16   Em seus caminhos há destruição e miséria;  3.17   e não conheceram o caminho da paz.  É assim que o pecado afeta os nossos relacionamentos, estamos em busca do sangue do outro. Por que ficamos com raiva das pessoas? Porque elas bloqueiam o nosso acesso a um ídolo- elas comprometem o nosso conforto, ou impedem a gente de uma promoção ou nos faz sentirmos fora do controle. Quando não vivemos uma vida desfrutando da aprovação de Deus no evangelho, nós não conhecemos paz em nós mesmos, nem podemos viver em paz com os outros.

7. Nosso relacionamento com Deus: 
3.18   Não há temor de Deus diante de seus olhos. 

Esta é uma lista detalhada que nos diz que ninguém busca a Deus e ninguém faz o bem e termina dizendo que ninguém teme ao Senhor.

POR QUE  NÃO BUSCAM A DEUS?

Paulo não está dizendo que ninguém não busca por bênçãos espirituais ou ninguém busca que Deus responda suas orações ou paz, experiências e poder espiritual. O que Paulo está dizendo que ninguém baseado em si mesmo, por sua própria decisão e habilidade busca encontrar a Deus.

Paulo está dizendo é que nosso auto-centrismo pecaminoso controla toda a busca espiritual por significado e experiência. Então, simplesmente nós buscamos as bênçãos de Deus, mantendo o controle com a gente e esperando que Deus nos sirva e mude a si mesmo para caber em nossas necessidades. Não queremos nos submeter a Deus, dar a Ele o controle de nossa vida e futuro, desfrutar dEle por quem Ele é e experimentar suas bençãos num relacionamento com Ele enquanto pedimos para que Ele nos transforme enquanto nós servimos a Ele.

Quando nós consideramos nosso caminho para encontrar Deus, devemos perceber que não o encontramos, mas Ele nos achou. Decidimos por a nossa fé nele apenas porque ele decidiu para a nós a fé. Que diferença isto faz? Você vai se alegrar vendo que Deus não está tentando se esconder de você, e todas as coisas que você sabe sobre Ele foi Ele quem as revelou para você. Você ficará humilhado pela verdade que não há nada bom ou sábio em você que poderia ver Deus, que você não tem nada que não foi dado (1Co 4:7). Você estará confortado e confiante que Deus começou e irá concluir a sua obra em sua vida (Fp 1:6). 

A salvação não começa quando você decide buscar Deus, mas com Ele escolhendo buscar você. 

PORQUE A BONDADE NEM SEMPRE É BOA.

3.12   Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

Pode parecer um exagero falar que ninguém faz o bem? Muitas pessoas fazem coisas boas, mas o foco de Paulo é o nosso relacionamento com Deus e se nossas boas obras poderiam consertar este relacionamento quebrado ou se elas poderiam estabelecer uma retidão por si mesmas. O ensino é que nossas boas obras não podem fazer nada para nos salvar. De fato, elas podem nos levar para longe da retidão e não perto.

A Bíblia enxerga uma boa obra verdadeira tanto em sua forma como em sua motivação. Uma boa obra aos olhos de Deus é sempre aquela realizada para a glória dele e não a nossa (1 Co 10:31).

Se você sabe que Deus ama você em Cristo, não há nada que você pode fazer ou precisa fazer a não ser aceitar sua perfeita retidão, então toda boa obra é feita como um presente a Deus. Mas, se você pensa que pode manter sua salvação fazendo boas coisas, é você que que esta alimentando sua salvação, a glória é sua. Sem a fé em Cristo, boas obras não são realmente para Deus, mas para nós mesmos -e por isto deixam de ser boas.

Se fazemos boas coisas para ganhar o favor de Deus, a bênção ou salvação nós ficaremos nos sentindo superiores ou complacentes. 

Temos que entender isto para sermos cristãos salvos e não não-salvos religiosos. A principal diferença entre um cristão e um religioso não é muito sua atitude em relação ao pecado, mas em relação as boas obras. Ambos irão se arrepender de seus pecados, mas apenas os cristãos irão se arrepender das motivações erradas em suas boas obras, enquanto as pessoas religiosas vão descansar nelas.

SEM TEMOR

O temor do Senhor é um conceito central nas Escrituras.  O temor não é simplesmente o medo da punição, mas é uma atitude interna de respeito, maravilha, uma alegria diante da grandeza de Deus. 

O temor é o antidoto tanto para a nossa não busca de Deus, com temor buscamos a face do Senhor. E também para a nossa língua, porque somente se a glória de Deus não for real para você haverá espaço para mentira e maldade.


A CONDIÇÃO ESPIRITUAL DO SILÊNCIO.

 3.19   Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.  3.20   Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.

O efeito de conhecer a lei não deve ser uma posição de orgulho, mas de silêncio. Qualquer um que lê a lei do Senhor somente pode responder eu sou um pecador, eu não tenho nada para dizer para Deus, nenhuma defesa para fazer ou oferta. Eu estou numa situação desesperadora.

No evangelho, a justiça de Deus é revelada (1:16). Tudo que precisamos é vir a Cristo com as mãos vazias e receber sua retidão. Se viemos a Deus dizendo que somos bons e ofertar nossas obras de bondade como a nossa retidão, não podemos ter a retidão que Ele dá pela graça. Precisamos abrir mão de nossa bondade e nos arrepender de nossa religiosidade como também de nossa rebelião, precisamos vir com mãos vazias, bocas silenciosas e receber.

O principal motivo ... da lei ... é fazer com que os homens sejam, não melhores, mas piores; quer dizer, ela lhes mostra o seu pecado, para que a partir desse conhecimento eles possam ser humilhados, aterrorizados, esmagados e quebrantados, e, dessa forma, sejam levados a sair em busca da graça e chegar assim àquela Semente abençoada [Cristo].Concluindo, qual deveria ser a nossa reação diante do quadro devastador que Paulo nos apresenta com respeito ao pecado e à culpa universal, principalmente se o enxergamos à luz deste final do século vinte? Não seria melhor desviarmos o olhar e mudarmos de assunto? Para evitá-lo, quem sabe poderíamos falar da nossa necessidade de auto-estima, ou então jogar a culpa pelo nosso comportamento em nossos genes, nutrição, educação ou sociedade. Uma parte essencial da nossa dignidade como seres humanos consiste em que, não importa o quanto tenhamos sido afetados por influências negativas, não nos tornemos vítimas inúteis desse processo, mas, pelo contrário, assumamos a responsabilidade pela nossa conduta. Nossa primeira resposta à acusação, portanto, seria certificar-nos o máximo possível de que nós mesmos aceitamos como certo esse diagnóstico divino de nossa condição humana, e que, para escapar do justo juízo de Deus sobre os nossos pecados, nos abrigamos no único refúgio seguro que existe: Jesus Cristo, que morreu pelos nossos pecados. Afinal, não temos nenhum mérito para o qual apelar e nenhuma desculpa a alegar. Diante de Deus, nossa situação é exatamente a mesma: somos condenados, e nada temos a dizer. Somente então estaremos prontos para ouvir o magnífico "Mas agora" do versículo 21, com o qual Paulo começa a explicar como Deus interveio, através de Cristo e sua cruz, para a nossa salvação.(JOHN STOTT, A MENSAGEM DE ROMANOS, p. 58)

BIBLIOGRAFIA:

Romans 1-7 For You de Timothy Keller 




quarta-feira, julho 16, 2014

Romanos 2:17-29: Os Crentes também precisam do Evangelho


Romanos 2:17-29: Eis que tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; 2.18   e sabes a sua vontade, e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei;  2.19   e confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, 2.20   instruidor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei; 2.21   tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? 2.22   Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? 2.23   Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? 2.24   Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós. 2.25   Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão. 2.26   Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura, a incircuncisão não será reputada como circuncisão?  2.27   E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, não te julgará, porventura, a ti, que pela letra e circuncisão és transgressor da lei? 2.28   Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. 2.29   Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não na letra, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.


O ORGULHO DE SER JUDEU.

O verso 17 nos lembra que Paulo está falando dos judeus religiosos.  Paulo neste texto que vemos vai descrever aqueles que são decentes moralmente, que levam a lei a sério (vs. 17-24) e aqueles que são religiosos ativos, que são circuncidados (vs. 25-29). 

Algumas pessoas podem ser moralmente boas mas não religiosas e outras são muito religiosas mas nem tão morais, mas os judeus eram os dois. 

Primeiro, nos versos 17 a 19, Paulo lista seis motivos de orgulho dos judeus:

1. "tem por sobrenome judeu" : eles eram orgulhos de sua nacionalidade, felizes por serem judeus.

2. "repousas na lei": o orgulho em ter e conhecer a lei que Deus revelou ao ancestral deles, Moisés no Monte Sinai (Ex. 19-31).

3. "gloria-se (orgulha-se) de Deus":  Deus havia escolhido o povo de Israel como seu povo (Ex. 19:4-6).

4. "sabes a sua vontade, e aprovas as coisas excelentes": eles estavam aptos para tomarem decisões éticas corretas, e eles estavam prontos para ver as escolhas erradas que os outros tomavam. Seguindo a lei e suas regulações detalhadas dava a eles um senso de estarem agradando a Deus, particularmente quando se comparavam com os outros.

5. "são instruídos na lei":  eles não só tinham a lei, mas dominavam ela. Eles podiam recitá-la, fazer referência cruzada, e ir fundo nos detalhes dela.

6. "confias que és guia dos cegos": eles sabem que eles podiam ver e os outros não podiam, então espalhavam o conhecimento da lei.

Paulo não está dizendo que há algo de errado em ser um judeu com conhecimento da lei de Deus e usar esse conhecimento para tomar decisões ou mesmo buscar compartilhar este caminho com os outros. 

O problema é que eles repousaram na lei ( ou apoiaram-se na lei, segundo NVI). Fizeram da nacionalidade e da sua moralidade (boas coisas) num sistema de salvação. O conteúdo da lei é bom, mas usar a lei como o caminho para a vida eterna leva apenas a morte. 

Há uma diferença crucial entre moralidade e moralismo. 

"O moralismo é extremamente comum, e sempre tem sido. É a maior religião no mundo hoje. É a religião das pessoas que se comparam com as outras, que dizem que são muito mais decentes que as outras pessoas e concluem se há um Deus, Ele certamente me aceita porque eu sou uma boa pessoa". (TIM KELLER, Romans 1-7 For You, p. 55)

Como saber se não viramos cristãos moralistas? Se eu repouso em qualquer que que eu faço, eu sou um moralista funcional.

Keller faz uma paráfrase do texto paulino trazendo para o nosso contexto de hoje:

"Se você se chama de um crente nascido de novo e você tem certeza que você está bem com Deus porque você assinou um cartão de compromisso, ou desceu no batistério, ou fez uma oração e realmente você chorou naquela noite. Você se lembra que teve sentimentos fortes em relação a Deus, você deve ter mesmo se convertido naquela noite. E, desde então, você memorizou dezenas de versículos das Escrituras, e você sabe a resposta certa para uma grande gama de questões. E você leva pessoas para ter um compromisso com Cristo no estudo bíblico que você lidera. e você quer se aprofundar na Palavra" (p. 55)

A IDOLATRIA DA RELIGIÃO

Rm 2:21-22: tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? 



Paulo lista três maneiras como a moral auto-confiante judaica não está praticando aquilo que prega. Primeiro, rouba. Segundo, comente adultério. Terceiro, abomina a idolatria, mas comete sacrilégio ( ou rouba os templos, segundo NVI).

O moralismo é inconsistente em nosso comportamento, temos a lei, mas ninguém a guarda. E nós a quebramos em duas formas, primeiro há a hipocrisia total ocasional, que pode ser espetacular (roubo mesmo) ou diária (pequenas fraudes). 

Segundo, há os pecados contínuos do coração e dos motivos é o que Paulo quis dizer com a última acusação, Paulo está em sintonia com o pensamento de Jesus em Mateus 5:21-48,  incluindo os motivos do coração como ações pecaminosas. 

A  verdadeira religião envolve tanto os motivos do coração como os atos físicos, podemos rejeitar se ajoelhar fisicamente perante um ídolo, mas podemos estar adorando o mesmo ídolo em nosso coração. Se deixamos qualquer coisa ser o nosso sentido na vida - poder, conforto, aprovação, posses, prazer, controle - nós estamos violando o mandamento contra a idolatria assim como aqueles que se ajoelham perante estátuas. Se tratamos a religião como a nossa salvação, então você está violando o mandamento também-  você pegou a estátua pagã do templo e a renomeou de moralidade e está adorando a ela. Em outras palavras, é bem possível usar a religiosidade para ocultar os nosso ídolos do coração da carreira, sexo, reputação e assim por diante ou mesmo fazer da própria religiosidade um ídolo.

Se você apenas descansa sobre suas conquistas espirituais, você irá menosprezar aqueles que falharam nas mesmas áreas. Você irá  ser frio ou, pior, condenatório com aqueles que estão lutando. Ao invés de palavras de encorajamento ou ajuda para levantar, você vai fofocar sobre eles para os outros, mostrando a si mesmo em comparação. Um sinal desta condição é que as pessoas não querem compartilhar seus problemas com você, e você fica muito defensivo se elas apontarem seus problemas para você.

PORQUE O MORALISMO CAUSA BLASFÊMIA.

A fraqueza fatal do moralismo é que ele não pode proteger ou prevenir o coração do pecar, tudo que ele pode fazer é buscar esconder este pecado. Religiosidade não tem resposta para isto e nem poder para remover o egoísmo, a luxúria, a inveja, a raiva, o orgulho e a ansiedade. (Timothy Keller, ROMANS 1-7 FOR YOU, p. 59)

Romanos 2.23-24:   Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? 2.24   Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós. 

O resultado é que o moralismo desonra a Deus. A vida do legalismo religioso é sempre desagradável para quem está fora da fé. Um moralista sempre será:
  • esnobe, porque ele é uma pessoa boa.
  • muito sensível, afinal sua bondade é sua justiça então ela não pode ser depreciada.
  • julgador, porque ele precisa achar os outros piores que ele para ser bom.
  • ansioso, nunca acham que fizeram o suficiente.

Paulo estava dizendo que aquelas pessoas se achavam a luz do mundo, mas o mundo achava a religião deles totalmente sem atração. Precisamos viver de maneira que sejamos pessoas que levam as outras a Deus e não as afastam.

A ORTODOXIA MORTA.

Paulo introduz a circuncisão em seu argumento. Esta era uma grande marca cultural do pacto de Deus com o seu povo. Mas o relacionamento com Deus passou a ser baseado não numa alegria humilde, mas no orgulho.

Algumas pessoas hoje podem pensar que a membresia e o batismo sejam marcas de uma posição superior em relação às outras  pessoas como os judeus pensavam a circuncisão. O que importa é o batismo interno, uma membresia de coração ao povo de Deus que são obras sobrenaturais e não humanas.

A ortodoxia morta é uma forma de cristianismo onde as doutrinas básicas são assumidas, mas elas não trazem nenhuma diferença interna, é uma coisa de fora para dentro. Mas, o verdadeiro evangelho nos transforma de dentro para fora, tudo que fazemos flui de quem somos agora transformados.


Ortodoxia morta: Há certas igrejas cujas doutrinas fundamentais são sustidas pela maioria das pessoas, mas o evangelho não é compreendido e nem revitaliza suas vidas. Lovelace escreveu:
"Muito do que temos interpretado como um defeito da santificação em membros de igrejas realmente é o resultado de uma perda de peso na doutrina da justificação. A importância deste princípio não pode ser inferiorizado. É um grave erro pensar que as congregações mortas simplesmente necessitam ser mais santificadas quando em realidade não compreendem o evangelho. Os cristãos que já não estão seguros em Deus, que Ele os ama e aceita em Jesus, disparte de seus feitos espirituais presentes são, na realidade, pessoas que tem uma radical insegurança inconscientemente".
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A ortodoxia morta converte a igreja em uma teia religiosa onde as pesoas necessitadas se congregam semanalmente para que as diga que estão bem. Sua religiosidade é desenhada para não necessitar depender de Cristo como seu verdadeiro salvador. Há vários tipos básicos de ortodoxia morta.
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Em primeiro lugar, existe o tipo legalista. Este se encontra geralmente em igrejas conservadoras, independentes. Se ajustam a códigos de conduta. Necessitam ouvir que estão no caminho correto e que os liberais estão errados. Para além de sua fé intelectual no evangelho, na vida prática esperam ser justificados por sua exatitute teológica e sua obediência aos códigos e regras.
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Em segundo lugar existe a variedade da igreja de poder. Neste tipo, as pessoas são desafiadas a ver Deus através de milagres mediante sua fé e sujeição. O grau de subserviência e fé chega a converter-se de uma maneira que estas pessoas se sentem justificadas frente a Deus. Se sentem confusos quando as curas e as respostas às orações não acontecem, crêem, então, que a fé não foi suficiente. As pessoas nunca estão seguras se estão se sujeitando o suficiente.
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Em terceiro lugar, existe o tipo sacerdotal em que as pessoas dominadas pela culpa são tranqüilizadas pela beleza da forma litúrgica. A musica, arquitetura e fineza estética dos cultos ajudam as pessoas a sentir-se efêmeras acerca de Deus.
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Em quarto lugar, está a variedade presunçosa que geralmente se encontra nas igrejas históricas, onde a maioria das pessoas crêem nas verdades bíblicas básicas, mas, cujas consciências são apaziguadas por um Deus é demasiado perdoador para castiga as pessoas boas que fazem coisas boas pelos necessitados.

O que importa é ter a realidade do que o sinal representa. Um coração circuncidado é um coração transformado, que busca a oração não por conta da culpa ou do dever, mas do amor ao Pai, porque há um senso da presença, da proximidade e da bondade de Deus.

O CRISTÃO CIRCUNCIDADO.

Rm 2.29   Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não na letra, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.

A circuncisão era um sinal visual da penalidade pela quebra do pacto. Nos tempos antigos, você não assinava o acordo, você agia a partir da maldição que você aceitava em caso de quebra do pacto como está em Gn 15:9-21.

A circuncisão era um sinal para Abraão que se ele rompesse o pacto ele seria cortado do relacionamento com Deus. Mas ninguém pode sustentar o pacto, este é o ponto de Paulo aqui em Romanos 2. Então, como alguém pode ter um relacionamento com Deus?

Por que o corte da circuncisão como sinal já aconteceu. Paulo em Colossenses 2:11 diz:

no qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de Cristo.

Em sua cruz, Jesus foi cortado, Ele foi abandonado pelo Pai (Mc 15:34), tirado da terra dos viventes (Is 53:8). Ele foi realmente circuncidado, ele estava carregando a maldição da quebra do pacto. Ele sofreu a pena dos quebradores da lei sejam religiosos ou irreligiosos, nele fomos circuncidados.

Quando o Espírito trabalha em alguém, dá a circuncisão do Filho. Nem a nossa performance religiosa ou nossa falta de religião importa. Através da aplicação pelo Espírito do trabalho do Filho em nós, o Pai nos vê como frutos de louvor e não de condenação como está em 2:29. Não precisamos louvar a nós mesmos, ou viver pelo louvor dos outros, o nosso Pai celeste nos vê como uma beleza.