segunda-feira, agosto 11, 2014

Ed Stetzer: Commeback Churches


Comeback Churches: How 300 Churches Turned Around and Yours Can Too de Ed Stetzer é um livro que conta como algumas igrejas conseguiram renascer após um período de declínio. Antes de mais nada, é muito triste que nenhum livro de Ed Stetzer tenha sido publicado por aqui.


O livro é muito bom, é um retrato analítico do que caracteriza estas igrejas que conseguiram da volta por cima.



Alguns destaques do livro:



"Encarnacional: igrejas missionais 

"É irônico que muitas igrejas evangelicais estão cheias de pessoas que vivem de um modo muito parecido com o mundo mas parecem diferentes.  Deveria exatamente o oposto. Deveríamos nos parecer com aqueles que estão em nossa comunidade mas agindo diferentemente"  (p. 6)

Existem cinco tipos de pessoas dentro de uma igreja:
  1. pessoas com recursos.
  2. pessoas importantes.
  3. pessoas treináveis
  4. pessoas legais
  5. pessoas que drenam



"Gerenciamento é fazer as coisas de modo correto. Liderança é fazer de maneira correta as coisas"

"Nossa missão é fazer mais e melhores seguidores de Jesus Cristo simultaneamente. Um discípulo que cresce espiritualmente terá um desejo crescente de ser uma testemunha e alcançar aqueles que estão perdidos" p. 40

"Sempre há um elemento moral para a visão. A visão tem um senso de convicção. Qualquer um com uma visão vai falar para você que não é meramente uma coisa que pode ser feita. É algo que deve ser feito.  Isto é algo que deve acontecer. Este é o elemento que impulsiona homens e mulheres para fora do reino da passividade para dentro da ação. Este é o elemento moral que dá a visão um senso de urgência" p. 46


"Igrejas revitalizadas requerem pelo menos três elementos. Primeiro, há uma energia espiritual que vive dentro dos crentes individualmente e da família da igreja como um todo, trazida através de um despertamento. Segundo, a igreja é reestruturada em volta de um propósito missional. Terceiro, há um compromisso a longo prazo com a mudança. Igrejas revitalizadas implementam estes elementos num processo contínuo de arrependimento e revitalização pessoal e corporativo, guardando o foco na missão" p. 54


PRINCÍPIOS:

Princípio 1: A grande motivação para evangelismo é o nosso relacionamento com Deus, que nos compele  a amar aqueles que Ele ama. Pastores revitalizadores estão aptos a mostrar uma visão para fora que é compartilhada pela liderança e então pela congregação.

Princípio 2:  A fim de treinar as pessoas para ir e dizer, nós precisamos ensinar como devem viver como Jesus- viver como um mensageiro de Deus neste mundo.

Existem realmente duas conversões - a primeira para a comunidade, eu gosto e confio nestas pessoas e quero aprender com elas e então para Cristo, eu faço a decisão para Cristo dentro de uma comunidade segura de amigos.

"Novos crentes, geralmente, saem porque são instáveis em sua fé, porque estão presos ao seu estilo de vida ou porque não entenderam as escrituras" p. 122

"Consumerismo é não apenas o resultado do isolamento, mas também fundamenta e alimenta a continuação da ideologia de soberania individual" p. 157

"Como resultado, o consumerismo busca enganar os sentimentos negativos de isolamento, nós gastamos quantidades cada vez maiores de dinheiro para nos sentirmos melhor. Contudo, quanto mais estamos obcecados sobre aplicar o consumerismo como uma solução para a nossa solidão, mais isto alimenta o individualismo padrão." p. 158

Princípios de uma revitalização:

1. oração determina o que Deus quer que mudemos.
2. Clareza determina a mudança que precisamos.
3.  Olhar para a mudança objetivamente e claramente define as forças positivas e negativas  que estão presentes na situação estática.
4. Já que a situação que precisa de mudança está congelada em um lugar, descongelar isto vai criar um descontentamento saudável, que vai determinar que vai fazer os papéis necessários para ajudar a mudar como também vai determinar seu próprio papel.
5. Planeje sua aproximação e prepare-se para resistência à mudança.

Dave Kraft: Leaders Who Last

Terminei de ler LEADERS WHO LAST, um livro de Dave Kraft sobre a liderança na igreja. 

O livro de Kraft busca ajudar os líderes a continuarem em seu ministério de liderança na igreja e não pararem no meio do caminho.

Alguns destaques da minha leitura:

"Ter um propósito biblicamente baseado é como segurar um ímã. Isto motiva, direciona e puxa as pessoas em volta e desvia e atravessa as distrações. Se suas atividades fluem de um propósito dado por Deus e estão ancoradas num poder centrado em Cristo, você tem um mapa confiável para levar sua vida" (p.44)

"Eles devem cuidar de pelo quatro funções que estão na minha definição de trabalho de um líder: eles devem pastorear, desenvolver, equipar e encorajar aqueles que lideram. Isto leva um certo tipo de pessoa para fazer estas funções acima mencionadas. Nem todo mundo está designado a ser um líder mais do que nem todos estão para serem professores ou administradores"  (p.88)

"O líder é uma pessoa que está insatisfeita com o modo como as coisas estão. Ele tem um fardo dado por Deus, uma visão, e uma chamada para ver algo diferente. Ele quer ver alguma mudança, construir um novo futuro. Ele, então, começa comunicar o que ele pensa e para onde ele quer ir. Por causa do caráter e da qualidade de sua vida, ele está apto para levar outros a se ajuntar com ele" (p. 118)

Uma parte interessante é quando Kraft fala dos cinco tipos de pessoas que estão sob a liderança:
1. pessoas com recursos.
2. pessoas importantes
3. pessoas treináveis
4. pessoas legais
5. pessoas que drenam.

O livro é muito bom e já está publicado no Brasil pela Vida Nova com o título Líderes que permanecem.



O livro está dividido desta forma:  

Part One: Foundations
Chapter 1. The Leader's Power
Chapter 2. The Leader's Purpose
Chapter 3. The Leader's Passion
Chapter 4. The Leader's Priorities
Chapter 5. The Leader's Pacing

Part Two: Formation
Chapter 6. The Leader's Calling
Chapter 7. The Leader's Gifts
Chapter 8. The Leader's Character
Chapter 9. The Leader's Growth

Part Three: Fruitfulness
Chapter 10. The Leader's Vision
Chapter 11. The Leader's Influence
Chapter 12. The Leader's Legacy

domingo, agosto 10, 2014

Tiago 5:1-6: O Valor das Coisas

Tiago 5:1-6: Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça. O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos. Deliciosamente vivestes sobre a terra, e vos deleitastes; cevastes os vossos corações, como num dia de matança. Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu.




A IDOLATRIA DA RIQUEZA.


O dinheiro ou a riqueza podem ser um ídolo na vida de uma pessoa, o próprio Jesus comparou a influência do poder financeiro ao próprio Deus em Mateus:
"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas (Mt. 6:24)"

Paulo em 1 Tm 6:10 diz que:
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males

É interessante que esta passagem de Tiago vem logo após uma reflexão sobre a inconstância da vida porque a maioria das nossas preocupações em relação ao futuro estão ligadas ao dinheiro.

Como saber se o dinheiro se tornou um ídolo em nossa vida? 

Tiago dá três sintomas de como o dinheiro pode se tornar o senhor da vida de alguém. 

1. QUANDO BUSCAMOS SEGURANÇA NO DINHEIRO.

Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça. O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. (Tiago 5:1-3)

Vivemos a nossa vida em função do nosso sustento, é o nosso trabalho que dita o nosso ritmo de vida, acordamos e dormimos conforme o nosso trabalho, tudo para garantir o sustento para a nossa vida. 

Contudo,quase sempre, nunca estamos contentes com aquilo que temos. O mundo coloca a segurança na posse das coisas, e nunca achamos que temos o suficiente para estarmos seguros.

Quanto mais temos, mais achamos que não temos. Porque toda a idolatria é uma espécie de vício, precisamos de mais e mais para sentirmos cada vez menos. Assim que compramos alguma coisa, já estamos pensando em comprar outra e nem usamos aquilo que compramos.


2. QUANDO BUSCAMOS PODER NO DINHEIRO

Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos (Tiago 5:4)

Os ricos de Tiago que não faziam parte da igreja estavam se enriquecendo às custas da opressão dos pobres. Um dos sintomas para sabermos que o dinheiro se tornou um deus na nossa vida é refletirmos se tiramos vantagem quando estamos em nosso trabalho, isso mostra o quão faminto estamos para ter mais grana na nossa vida mesmo que isso vai contra outra pessoa. 

Deixamos as coisas mais importantes que as pessoas, isto nos dá uma sensação de poder sobre as outras pessoas, mas é roubo. Isto não é somente do empregador que não paga aquilo que deve aos seus empregados mas também serve para os empregados que não trabalham como deveriam para seus patrões.

Isto demonstra que estamos trabalhando para nós mesmos e não seguindo aquilo que a Bíblia nos ensina:

Cl 3.22   Vós, servos, obedecei em tudo a vosso senhor segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus.

3. QUANDO BUSCAMOS PRAZER NO DINHEIRO.

Deliciosamente vivestes sobre a terra, e vos deleitastes; cevastes os vossos corações, como num dia de matança. Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu. (Tiago 5:5-6)

Já vimos dois sintomas  para sabermos se o dinheiro se tornou um ídolo em nossa vida. Primeiro, quando depositamos nossa segurança ou confiança naquilo que temos e, em segundo lugar, quando buscamos poder sobre as outras pessoas a partir daquilo que temos, defraudando para ter mais. 

A terceira característica é quando buscamos ter mais para ter mais prazer. Quando nos enforcamos em dívidas para termos um prazer luxuoso que vai além das nossas posses, muitas pessoas estão em uma situação delicada financeiramente porque procuram nas coisas um prazer desenfreado que o leva uma bancarrota.

CURANDO OS TRÊS SINTOMAS.

1. A REAL SEGURANÇA ESTÁ EM DEUS.

O descanso verdadeiro está em Deus, precisamos levar o nosso coração a aprender a depender de Deus e viver na dependência dele. Para isto é importante que saibamos de coração que:

a. Pertencemos ao Senhor.
b. Que tudo que temos pertence a Deus.

2. O PODER REAL ESTÁ EM DEUS.

A consciência de que tudo que temos pertence a Deus, nos leva a dar glórias a Deus por tudo que temos e descobrir que o poder é somente dEle.  Então, tudo que temos é um presente dele para nós. 

As pessoas em sua vida é um presente. As oportunidades em sua vida é um presente. As posses em sua vida é um presente. Os recursos em sua vida é um presente. Os dias de sua vida, eles são um presente. E o maior presente de todos é a salvação. Quero dizer, você precisa saber disso que em todas as outras religiões, você tem que pagar por isso. Você tem que reencarnar e pagar a Deus por todas essas coisas que você fez. Você tem que sofrer. Ou você tem que fazer uma boa ação a cada vez que você faz uma má ação. Ou você tem que ir para o purgatório e pagá-lo de volta
Somos mordomos daquilo que Deus colocou em nossa mão, não somos nós que transformamos pedras em pão. É a palavra de Deus que sustenta a nossa vida, então, uma boa dica para começarmos entender isto de verdade é a disciplina espiritual da generosidade. 

Quando ofertamos e dizimamos estamos reconhecendo a soberania e o senhorio de Cristo em nossa vida e em nossa riqueza, é uma forma de dizermos ao nosso coração e ao nosso bolso que há um dono que governa a nossa vida.

E se tudo é de Deus, jamais poderemos defraudar alguém para mostrar poder, já que entendemos que somos instrumentos de Deus para ajudar alguém com seu sustento de maneira justa e honesta.

3. O REAL PRAZER ESTÁ EM DEUS.

Quando entendemos a providência de Deus para a nossa vida, podemos realmente descansar e desfrutar a nossa vida confiando que Ele cuida da gente. Não precisamos mais acumular para nos sentirmos seguros, nem defraudar para ficarmos mais poderemos e nem ter e ter para nos sentirmos mais felizes, descobrimos uma felicidade que dinheiro nenhum pode pagar.

2 Co 8: 9 Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos.


quarta-feira, agosto 06, 2014

Romanos 4:1-25: Como começou a justificação?

ROMANOS 4:1-25: 4.1   Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne?  4.2   Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.  4.3   Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.  4.4   Ora, àquele que faz qualquer obra, não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida.  4.5   Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.  4.6   Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:  4.7   Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.  4.8   Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.  4.9   Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão.  4.10   Como lhe foi, pois, imputada? Estando na circuncisão ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas na incircuncisão.  4.11   E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que creem (estando eles também na incircuncisão, a fim de que também a justiça lhes seja imputada), 4.12   e fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé de Abraão, nosso pai, que tivera na incircuncisão.  4.13   Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé.  4.14   Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada.  4.15   Porque a lei opera a ira; porque onde não há lei também não há transgressão.  4.16   Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós  4.17   (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí.), perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem. 4.18   O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.  4.19   E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara.  4.20   E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus;  4.21   e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.  4.22   Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça.  4.23   Ora, não só por causa dele está escrito que lhe fosse tomado em conta, 4.24   mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus, nosso Senhor,  4.25   o qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação.


POR QUE ABRAÃO FOI SALVO?

4.1   Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne?  4.2   Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.  4.3   Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.  4.4   Ora, àquele que faz qualquer obra, não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida.  4.5   Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.  4.6   Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:  4.7   Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.  4.8   Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.

Abraão recebeu a justiça de Deus, sua salvação foi um presente e não um merecimento.

4:1- Ele descobriu a justificação pela graça há muito tempo.

4.2   Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus- Se ele tivesse sido salvo pelas obras, ele poderia se vangloriar perante Deus- o que é uma impossibilidade.

Se a fé for igual a obediência, então, haveria algo pelo qual Abraão poderia se vangloriar.

4.3   Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. - A Escritura prova isto dizendo que a ele foi imputada (creditada) a justiça.

Este verso introduz uma palavra muito importante: logizdomai, que está traduzida como imputada. Este é um termo que quer dizer atribuir crédito a alguém. Creditar algo é conferir um estatus que não estava antes.

O termo quer dizer "creditar" ou "computar" e, quando usado num contexto financeiro ou comercial, significa colocar alguma coisa na conta de alguém, tal como Paulo escreveu a Filemom com respeito a Onésimo: "Se ele o prejudicou em algo ou lhe deve alguma coisa, ponha na minha conta."70 Existem, no entanto, duas diferentes maneiras de creditarem dinheiro em nossa conta: ou como salário (que nós ganhamos por havermos trabalhado) ou como presente (que é de graça, ou seja, ganhamos sem ter trabalhado); e as duas formas são essencialmente incompatíveis. (JOHN STOTT, MENSAGEM DE ROMANOS, p. 70)

Aqui há uma citação de Paulo de Genesis 15:6, que diz que a fé de Abraão foi creditada para ele para sua justiça. Isto não significa somente que sua fé resultou em justiça,  nem que havia algo de especial na fé de Abraão que mereceria a justiça e a bênção de Deus.

A fé imputada para a justiça significa que Deus tratou Abraão como se ele tivesse vivido uma vida justa, sua fé não era justa nem sua vida, mas Deus creditou justiça a elas.

4.4   Ora, àquele que faz qualquer obra, não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida.   - O salário é uma obrigação, mas um presente (dom) não tem isto. Todo benefício ou é um salário ou um presente. 

Nossa justiça foi é fruto de merecimento ou um presente. Se a salvação não é um presente, então alguns poderiam achar que Deus seria obrigado a salvar alguns por suas obras como um salário pela obediência. O que é contrário a toda a Escritura.

4.5   Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. - então, a salvação vem apenas para aqueles que param de trabalhar por ela, mas a recebem como um presente. 

A fé não é igual a obediência, é igual a confiança na provisão salvadora de Deus. 

Primeiro, aquele que e salvo não pratica, isto não significa que uma pessoa salva não cumpre a lei (Rm 3:31), isto significa que uma pessoa salva não confia na obediência dela como um caminho para a salvação. Um cristão é alguém que para de praticar para ser salvo, mas não é alguém que para de praticar.

Segundo, uma pessoa salva confia que Deus justifica o impio. Significa que o crente confia que Deus tem um modo de salvar fora de seus próprios esforços.

Terceiro, se paramos de confiar em nós mesmos como nossos justificadores e passamos a confiar em Deus como aquele que justifica, o resultado é a justiça imputada.

Precisamos entender uma questão fundamental, quando estivermos diante de Deus, a nossa confiança que somos aprovados por Ele será:

1. porque eu tentei fazer o melhor para ser um bom crente.
2. porque eu acreditei em Deus e tentei fazer sua vontade.
3. porque eu acredito em Deus com todo o meu coração

Em cada uma dessas respostas, a salvação será ou por obras, ou por obras mais fé ou por fé como obra. Não é uma salvação recebida, gratuita, daquele que não pratica como diz Paulo. Todas as alternativas retiram a glória do evangelho e colocam alguma parcela nas pessoas, levando a ansiedade, falta de confiança, orgulho espiritual.

A fé tem que estar na promessa de Deus da salvação, isto colocará ela no lugar certo para confiar em Deus e sua capacidade, isto o levará a humildade e a confiança, o que foi que Abraão descobriu.

E verdade que o que Tiago está defendendo não é que nós podemos ser justificados por obras, assim como Abraão não o foi, mas antes que a autenticidade da fé justificadora encontra-se nas boas obras, que são fruto dessa fé. "Eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras", diz o verdadeiro crente,60 porque a fé que não resulta em boas obras é morta.61 Todavia, por trás do argumento de Tiago está a tradição judaica (que, aliás, ele rejeita) de que Abraão foi justificado pelas obras. (JOHN STOTT, MENSAGEM DE ROMANOS, p. 69)

4.6   Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:  4.7   Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.  4.8   Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.

Davi também fala desta graça imputada. Um crente é alguém cujos pecados não estão creditados ou contados contra ele.

Paulo está citando o Salmo 32 que Davi escreveu após o episódio de 2Sm 11. 

Conhecer a bênção da justiça imputada é o único modo de libertar uma visão verdadeira de nós mesmos. Sem isto, nós iremos ignorar que Deus é justo, e que só aceita uma vida justa ou seremos esmagados por esta verdade. Mas, se temos a fé salvífica podemos ser reais sobre nós mesmos, sobre nossas falhas, e sabemos que somos pecadores cujos pecados não estão contados contra nós- pecadores que são justos.

Justificação implica um cálculo, crédito ou cômputo duplo. Por um lado, negativamente falando, Deus nunca leva em conta os nossos pecados contra nós. Por outro lado, falando em termos positivos, Deus deposita em nossa conta um crédito de justiça, como uma dádiva de graça, pela fé, completamente independente de nossas obras. (JOHN STOTT, MENSAGEM DE ROMANOS, p. 71)

SALVAÇÃO, CIRCUNCISÃO E LEI.

A justiça de Abraão veio antes da circuncisão e da lei, então a salvação é para todos, e não para alguns somente.

4.9   Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão.  - Esta justiça imputada é apenas para os judeus?


 4.10   Como lhe foi, pois, imputada? Estando na circuncisão ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas na incircuncisão.- Abraão tem esta justiça antes da circuncisão.

Abraão não baseou sua aprovação divina na circuncisão, ela não é uma condição, mas um sinal.

  4.11   E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que creem (estando eles também na incircuncisão, a fim de que também a justiça lhes seja imputada), - Então, os não judeus que confiam na mesma promessa terão a justiça imputada.

4.12   e fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé de Abraão, nosso pai, que tivera na incircuncisão.  E também os judeus que confiarem também terão o mesmo.

4.13   Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé.  .- Abraão foi imputado antes que a lei foi dada.

4.14   Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada. - Viver pela lei significa que você não pode receber o que foi prometido, você apenas recebe a desaprovação de Deus.

4.15   Porque a lei opera a ira; porque onde não há lei também não há transgressão.  A lei apenas podem nos mostrar que somos incapazes.

4.16   Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós   Então, a salvação vem pela graça para aqueles que acreditam na promessa seja judeus ou gentios.

4.17   (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí.), perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem A Escritura prova isto: ele foi pai de muitas nações.

ABRAÃO: UM CASO DE ESTUDO DA FÉ

O  OBJETO DA FÉ : a promessa dos descendentes.


4.18   O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.  

O REALISMO DA FÉ: ele não negou os obstáculos.
4.19   E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. 

A fé  começa com uma morte em nossa auto confiança, é ir apesar de nossa fraqueza, nossos sentimentos e percepções.

O FOCO DA FÉ: a glória e o poder de quem prometeu.
 4.20   E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus;  4.21   e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.  

A fé não é algo que exclui a reflexão, Abraão sabia que havia algo maior que sua própria realidade. E colocava seu foco em Deus, em sua glória e seu poder.

O RESULTADO DA FÉ: a justiça imputada
4.22   Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça.  

EXEMPLO DA FÉ:  a Escritura o deixou como um exemplo.
4.23   Ora, não só por causa dele está escrito que lhe fosse tomado em conta, 4.24   mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus, nosso Senhor,  4.25   o qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação.

NOSSO OBJETO DA FÉ: Jesus, o descendente de Abraão que morreu e ressurgiu para a nossa salvação.
4.24   mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus, nosso Senhor,  4.25   o qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação.

É esse conceito de "deixar que Deus seja Deus" que estabelece uma transição natural entre o seu poder e a sua fidelidade. Existe uma correspondência fundamental entre a nossa fé e a fidelidade de Deus, tanto é que às vezes a ordem de Jesus "Tenham fé em Deus"J0° já foi forçosamente parafraseada, e com razão, como "Contem com a fidelidade de Deus". Afinal, se uma pessoa cumpre ou não suas promessas, isso não depende somente de ela ter condições de cumpri-las, mas também de sua disposição para fazê-lo. Ou, melhor dizendo, por detrás de toda promessa jaz o caráter da pessoa que a fez. Abraão sabia disso. Ao considerar a sua própria senilidade e a esterilidade de Sara, ele nem fez vista grossa a estes problemas, nem os subestimou. Mas lembrou-se do poder de Deus e da sua fidelidade. A fé olha sempre para os problemas à luz das promessas. "Pela fé, Abraão — como também a própria Sara, apesar de estéril e avançada em idade — recebeu poder para gerar um filho, porque considerou fiel aquele que lhe havia feito a promessa."101 Ele sabia que Deus era capaz de manter sua promessa (em virtude de seu poder) e sabia que ele o faria (por causa de sua fidelidade). Estava plenamente convencido de que ele era poderoso para cumprir o que havia prometido (21). Em conseqüência, Paulo acrescenta, referindo-se ao fato de Abraão ter crido na promessa de Deus, "isto também lhe foi creditado como justiça" (22). (JOHN STOTT, MENSAGEM DE ROMANOS, p. 76)

Fonte bibliográfica:

ROMANS 1-7 FOR YOU de Timothy Keller

THE MESSAGE OF ROMANS de Timothy Keller

A MENSAGEM DE ROMANOS de John Stott





domingo, agosto 03, 2014

O VALOR DA VIDA (Tg. 4:13-17)



Tiago 4:13-17: Eia, agora, vós que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos; Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo. Mas agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna. Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.



Tiago começa falando sobre a incerteza da vida. 


No verso 13, ele fala sobre alguém que está planejando fazer uma viagem para alguma cidade e quanto tempo irá passar por lá e que lá irá fazer negócios e terá lucro. Há algum problema em planejar um empreendimento, um negócio? 

Não. O problema é fazer o plano esquecendo de Deus, esquecendo que a vida é breve como um vapor. É estabelecer os planos baseados na própria presunção.

O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos - Pv. 16:9


O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas do Senhor vem a vitória - Pv 21:31

No verso 15, Tiago nos lembra de duas essenciais para entendermos como devemos viver a nossa vida:


1. "se o Senhor quiser, viveremos"
2. "se o Senhor quiser, iremos e faremos"


Precisamos entender que a decisão sobre o tempo da nossa vida está nas mãos do Senhor. Que estamos vivos não por conta de nós mesmos, mas por causa da misericórdia de Deus. Então, a própria existência da nossa vida passa a depender de Deus.

Se entendemos isto de coração, os planos e planejamentos passam a ser realizados não como um esforço para sermos gloriosos em nós mesmos mas para a glória de Deus, então, automaticamente, o nosso coração perguntará aquilo que o Senhor quer que façamos.

Quando buscamos realizações para valorizar a nossa vida sem Deus caímos na preocupação ou na ansiedade. Porque toda a nossa vida ficará dependente desta ou daquela decisão, confiamos em nós mesmos, e isso é maligno.

O ídolo aqui é o controle, sendo que seu estado emocional é sempre a incerteza. Seus amigos sempre se sentem condenados por você e seu maior pesadelo é a preocupação sempre constante.

"Temos de renunciar ao nosso desejo pecaminoso de conhecer o futuro e de estar no controle da situação. Não somos deuses. Caminhamos pela fé, e não por vista. Arriscamos porque Deus não arrisca. Caminhamos em direção ao futuro com uma confiança que glorifica a Deus, não porque sabemos como será o porvir, mas porque Deus o sabe. Isso é tudo que precisamos saber. Preocupar-se com o amanhã não é mero traço de personalidade; é pecado de descrença, sinal de que o nosso coração não descansa nas promessas de Deus" (Kevin DeYoung, Faça Alguma Coisa, p. 52)

Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.


Kevin DeYoung lista 5 erros que fazemos quando pensamos na vontade de Deus para a nossa vida:

1. Ficamos com atenção para decisões de cárater não moral.
2. A abordagem parte do princípio que Deus é traiçoeiro.
3. Estimula a preocupação com o futuro.
4. Corrói as bases da responsabilidade pessoal, da prestação de contas e da iniciativa.
5. Ficamos escravizados ao subjetivismo. 


Faça o bem, faça a vontade de Deus hoje. Não deixe a ansiedade ou a preocupação dominar sua vida, lembre-se que tudo está no controle de Deus e busque sua vontade com confiança e certo que ele tem cuidado da sua vida.

Para isto, algumas dicas:

  • 1. Deus nos guia por meio de sua providência invisível, 
  • 2. fala de formas diferentes, e guia em uma cooperação consciente, 
  • 3. Deus se comunica conosco através de Seu Filho,
  • 4. continua a falar por meio do Seu Filho através do Espírito Santo,
  • 5. A atuação do Espírito através das Escrituras.
"Estar cheio do conhecimento de Deus não significa receber mensagens divinas sobre as férias de verão ou sobre os nossos investimentos financeiros. Significa dar fruto, crescer no conhecimento de Deus, estar fortalecido com poder que produz paciência e dar graças alegremente ao Pai" Kevin DeYoung, Faça Alguma Coisa, p. 66


Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos,Para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria; e inclinares o teu coração ao entendimento;Se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, Se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, Então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. Provérbios 2:1-6