segunda-feira, abril 13, 2015

Francis Spufford: Unapologetic: Why, despite everything, christianity can still making suprising, emotional sense



Unapologetic: Why, despite everything, christianity can still making suprising, emotional sense
Francis Spufford
Faber and faber,2012



“O ponto é que visto de for a, a crença se parece como uma série de ideias sobre a natureza do universo em que é uma alegação de verdade é feita, um conjunto de proposições que você deve assinar embaixo; e quando os crentes não falam sobre sua crença desse jeito, isto parece escorregadio, como uma evasão enlouquecedora do assunto. Se eu digo isto, de dentro, isto faz muito mais sentido em falar sobre a crença como um conjunto característico de sentimentos, ou mesmo como um hábito, você poderá concluir que eu estou tentando me esquivar, ou apenas possivelmente que eu não estou mesmo interessado em qualquer coisa que eu fale seja verdadeiro. Eu estou, como uma questão de fato, eu penso que isto é" (p. 18)



Alister McGrath:Teologia pura e simples: o lugar da mente na vida cristã l


Teologia pura e simples: o lugar da mente na vida cristã
AlisterMcGrath                                                                                                                  Editora Ultimato

“O estudo da teologia previne as infindáveis reinvenções da roda por parte daqueles que  reconhecem a necessidade de lidar com determinado assunto ou situação, mas não sabem que a igreja já desenvolveu as ferramentas necessárias para enfrentá-lo” (p. 37)


‘Cheguei à conclusão de que, se você não pode expressar seus próprios pensamentos em linguagem inculta, então seus pensamentos são confusos. Expressá-los de forma simples é o teste realmente ter entendido o que significam” C.S. Lewis, p. 41

“Como apologetas, precisamos demonstrar que a fé cristã oferece respostas para as grandes perguntas da vida que, por um lado, são razoáveis e, por outro lado,  funcionam na pratica”p. 97

“A reflexão teológica nos ajuda a enxergar a riqueza, o esplendor e a alegria do evangelho; o discernimento cultural nos capacita a ancorar essa proclamação na vida diária de nossos ouvintes” p. 97

“O novo ateísmo assume, de modo dogmático, uma visão positivista da ciência, defendendo que ela explica (ou tem potencial de explicar) tudo, inclusive as questões tradicionalmente consideradas ao campo religioso” p. 113

“não andarei com suas eras progressivas
Ereto e sapiente. Antes dos quais boquiaberto
O escuro abismo ao qual seu progresso tende” Tolkien, p. 177

quinta-feira, abril 09, 2015

James K.A. Smith: How (Not) To Be Secular


O livro How (Not) To Be Secular de James K.A, Smith é uma introdução, ou melhor, um resumão do livro Secular Age de Charles Taylor. 

"Nosso objetivo é tentar entender nossa era secular não é um descritivo o quê, e menos um cronológico quando, mas um analítico como. A questão não é quando nossa era é menos ou mais religiosa, nem é a questão de determinar quando a mudança aconteceu, na linguagem de Will Durant e companhia, nós estamos vindo de uma era da crença para uma era da razão. Ao invés, Taylor está preocupado com as condições de crença - uma mudança nas condições de plausabilidade das condições que fazem algo crível ou não crível." (p. 18)

Taylor fala na emergência de um humanismo exclusivista.


3 obstáculos para a descrença na época medieval:

1.O mundo natural foi constituído como um cosmos que funciona semioticamente, como um sinal que aponta além de si mesmo, para aquilo que é mais que a natureza.

2. A sociedade em si foi entendida como algo firmado numa realidade superior, os reinos terrenos estavam firmados no reino divino.

3. Em suma, as pessoas viviam em um mundo encantado, um mundo carregado com presenças, que estava aberto e vulnerável, não fechado e auto-suficiente.


Uma vez que os indivíduos se toram um locus de significado, o atomismo social que resulta significa que a descrença não tem mais consequências sociais. Somos agora uma coleção de indivíduos - como moléculas individuais num gás social. Somos livres para sermos heréticos- que significa, eventualmente, que você é livre para ser ateu.


A reforma buscava eliminar a distinção entre sagrado e profano. A recusa do sacramentalismo da vida é o começo do naturalismo ou, ao menos, abre a porta desta possibilidade. É também um começo de uma certa evacuação do sagrado como uma presença no mundo.

A era secular é produto de nova opções criativas, uma inteira reconfiguração de sentido. Um novo imaginário que permite imaginar a vida num mundo auto-suficiente. Os desejos ordinários são a base desse moderno humanismo.

Immanentization: um processo sútil em que o nosso mundo, e assim rol de significância, é fechado com o universo material e o mundo natural.  James K.A. Smith fala de quatro eclipses que estão nesse processo (p. 48ss):

1. um eclipse do propósito além ou um florescimento humano transcendente.

a providência é primeira sobre ordenar este mundo para benefício mútuo, particularmente benefício econômico. Os humanos são vistos fundamentalmente engajados num troca de serviços, então o cosmos inteiro é visto centrado antropologicamente como uma arena para sua economia.

2. um eclipse da graça desde que a providência é reduzida para uma ordenação econômica da criação para o benefício mútuo

3. um eclipse do sentido de mistério

4. um eclipse de que a idéia que Deus estava planejamento uma transformação de seres humanos.


Para Tayor, a apologética cristã em sua tentativa de defender o transcendente, produz uma fé menos elaborada teologicamente. Ironicamente, esta pavimenta um humanismo exclusivo, Deus é reduzido a um criador e a religião é reduzida a moralidade. Neste deísmo de providência existem muitas marcas carregadas pelos apologetas contemporâneos, as particularidades das crenças cristãs são diminuídas para tentar assegurar uma deidade mais genêrica- para que algum tipo de transcendência possa sobreviver.

O humanismo exclusivo é apenas possível a partir do cristianismo, a confiança moderna  principal do humanismo é imanentizar a capacidade de bondade, ele seria um desenvolvimento de um senso imanente de solidariedade universal. 

Em nossos tempos, a ideia de Deus como agente histórico é dissonante.

A despersonalização de Deus nos leva a negar a importância da comunhão e da comunidade que é a igreja.  Há um processo de "ex-carnação" - é mover do descorporeamento e abstração, uma aversão e fuga das particularidades da incorporação e comunhão.


Capítulo 3- A doença da imanência- o sentimento da era secular.

A era secular, uma era em que as estruturas plausíveis  tem mudado, as condições da crença alterado, a crença teísta não é  apenas deslocada de seu lugar, mas também positivamente contestada. Não estamos mais na Cristandade.


O EFEITO NOVA: dá nome esta fragmentização, pluralização e fragilização de nossas visões sobre a boa vida e o florescimento humano, pluraliza porque compartilhamos um conjunto de opções, fragiliza por causa da proximidade e frequência. 

Vivemos num senso de isolamento cósmico. 

O aspecto saliente de nosso imaginário cósmico moderno é que ele abriu um espaço em que as pessoas podem vaguear entre e em volta destas opções sem ter uma terra clara ou ficar definitivamente em nenhuma.

A conversão cristã é vista como imaturidade, enquanto que a conversão para a descrença é vista como um tipo de maturidade. 


terça-feira, abril 07, 2015

Francis Schaeffer: A Morte da Razão

Em a Morte da Razão, Francis Schaeffer nos oferece mais uma crítica cristã à cultura contemporânea. 

Cada geração cristã defronta com este problema de aprender como  falar ao seu tempo de maneira comunicativa. É problema que se não  pode resolver sem uma compreensão da situação existencial, em constante mudança, com que se defronta. Para que consigamos comunicar a fé cristã de modo eficiente, portanto, temos que conhecer e entender as formas de pensamento da nossa geração

Pensando como Dooyerweed, Schaeffer coloca o início do homem moderno no pensamento de Aquino, do dualismo entre Natureza e Graça. 

GRAÇA, O NÍVEL SUPERIOR DEUS O CRIADOR; O CÉU E AS COISAS CELESTES; O INVISÍVEL E SUA INFLUÊNCIA NA TERRA; A ALMA HUMANA; A UNIDADE

 NATUREZA, O NÍVEL INFERIOR A CRIAÇÃO; A TERRA E AS COISAS TERRENAS; O VISÍVEL E O QUE FAZEM A NATUREZA E O HOMEM NA TERRA; O CORPO HUMANO; A DIVERSIDADE

Em Aquino, não havia uma descontinuidade entre as duas esferas. A autonomia surge porque na visão tomista, a vontade humana estava decaída, mas não o intelecto. O intelecto humano se coloca como um ser autônomo. Um dos resultados disto foi o desenvolvimento de uma teologia natural.

Para Schaeffer, o primeiro artista a ser influenciado por isto foi Cimabue e Giotto, que começaram a pintar a natureza como natureza, colocando os elementos  de forma naturalista, ainda que preservavam os Símbolos teológicos.

CIMABUE
GIOTTO

Depois, Dante começou a escrever da maneira como esses pintores faziam seus quadros. Como também Petrarca e Bocácio. Para Schaeffer, Aquino abre caminho para um humanismo autônomo.


NATUREZA X GRAÇA



Com Van Eyck, a natureza passa a ser pintada de maneira realística.  Num quadro de 1410, o batismo de Jesus é algo menor em relação a paisagem. 


Em Madona do Chanceler Rolin, de 1435, vemos que o Chanceler Rolin tem as mesmas dimensões de Maria.


Leonardo DaVinci e Rafael.

Escola de Atenas - Rafael

Nesse período, a grande força é o neo-platonismo. Para tentar conciliar a natureza e a graça, pensando a natureza como os particulares e a graça como os universais.  Para Rafael,  a alma passa ser a unidade enquanto que a matemática trata dos particulares.


2. UMA UNIDADE ENTRE NATUREZA E GRAÇA

Schaeffer vai ressaltar o papel da reforma neste contexto histórico. A Reforma aceitou a noção bíblica de queda total do homem. O homem era em sua totalidade obra de Deus, porém agora, é decaído de sua natureza, inclusive seu intelecto e sua vontade.

Para a Reforma, a autoridade final são as Escrituras e não a igreja ou qualquer teologia natural. Outra coisa é que na salvação não há uma obra humana.

Declararam os Reformadores que nada há que possa o homem fazer; nenhum esforço humano moral ou religioso, humanista ou autônomo pode ajudar. Somos salvos unicamente à base da obra consumada de Cristo, quando morreu no espaço e no tempo na história, e o único meio de obter a salvação é elevar as mãos vazias da fé e, pela graça de Deus, aceitar o dom gratuito de Deus – a Fé somente. (p.10)

O que a reforma nos ensina que Deus falou tanto da natureza como da graça. Revelou-se a si mesmo como também as coisas naturais- o cosmos e o homem. Para Schaeffer, os reformadores tinham uma unidade de conhecimento.  A ciência e a arte não são autonomas, elas estão debaixo das Escrituras.

Na Reforma, o homem é alguém criado a imagem de Deus envolvido numa condição de revolta, tendo uma culpabilidade moral genuína. Nesse sentido, a cruz tem mais sentido, já que Jesus morreu por um homem culpado que escolheu ser assim.

Assim, o homem tendo sido criado à imagem de Deus, foi destinado a usufruir com Ele uma relação pessoal. A relação do homem é ascensional (para cima), não apenas descensional (para baixo). Quando tratamos com pessoas do século vinte, esta diferença assume crucial importância. O homem moderno visualiza sua relação descensionalmente, em termos do animal e da máquina. A Bíblia rejeita este conceito da natureza e sentido do homem. Do ponto de vista da personalidade somos diretamente relacionados com Deus. Não somos infinitos, somos finitos; não obstante, somos plenamente pessoais, somos feitos à imagem do Deus pessoal que existe. (p.13)

A concepção da Reforma não é platônica,  a alma não é mais importante que o corpo.  A doutrina da ressurreição dos corpos nos diz que Deus ama a todo o ser humano em sua totalidade.


A posição bíblica, acentuada pela Reforma, sustenta que nem a concepção platônica nem a humanista satisfaz. Primeiro, Deus fez o homem todo e está interessado na totalidade do ser humano. Segundo, quando se deu a Queda, fato histórico que ocorreu no tempo e no espaço, ela afetou o homem inteiro. Terceiro, à base da obra de Cristo como Salvador e mercê do conhecimento que temos na revelação das Escrituras, há redenção para o homem no seu todo. No futuro, o homem integral será levantado dentre os mortos e redimido perfeitamente (p. 14)

3. A CIÊNCIA MODERNA  NOS PRIMÓRDIOS.


A ciência não era autonoma em seus primórdios, ela tratava das coisas naturais, mas não era naturalista.  Após a reforma e a renascença,  Kant e Rosseau desenvolvem o senso de autonomia. Aqui, já não se fala mais de graça. A contraposição será entre a LIBERDADE X NATUREZA.  Não havia mais qualquer resquício de um conceito de revelação.

Para Schaeffer, a natureza devorou a graça,  expressando um secularismo.

Kant tenta conciliar o mundo fenomenal da natureza e o mundo numenal dos universais.

No diagrama, tanto a natureza como liberdade são agora autônomas. A liberdade do indivíduo se concebe não apenas como liberdade sem a necessidade de redenção, mas ainda como liberdade absoluta. (p. 17)

Para Schaeffer, há alguns princípios em comum nesta defesa da liberdade: 1.  a autonomia da razão ou racionalismo, 2. uma crença no racional e 3. a construção de um todo unificado do conhecimento.

A natureza, tornada autônoma, devorou tanto a graça como a liberdade. Um andar inferior autônomo devorará sempre o superior. A lição é esta: quando quer que façamos tal dualismo e comecemos a estabelecer uma secção autônoma em baixo, o resultado é que o inferior devora o superior. Isto se tem dado, vez após vez, nestes últimos séculos. Se tentamos manter artificialmente as duas áreas separadas e suster como autônoma uma das áreas somente, logo a autônoma abarcará a outra. (p. 20)

Em Hegel, houve a alteração da epistemologia e da metodologia.  Não pensar mais em termos de antítese, mas numa resposta constituindo-se como uma síntese.

Kierkegaard e a linha do desespero.

Agora, o dualismo passa a ser entre FÉ X RACIONALIDADE com Hegel. E com Kierkegaard, começa o existencialismo, seja o religioso ou o secular.  Para Schaeffer, ela difundiu primeiro pelos intelectuais, meios de comunicação e às massas- classes operárias.

4. O SALTO

O existencialismo secular se divide em três correntes principais representadas por: Jean-Paul Sartre (nascido em 1905) e Camus (1913-1960) na França, Jaspers (nascido em 1883) na Suíça, Heidegger (nascido em 1889) na Alemanha. Em primeiro lugar, Jean-Paul Sartre. Racionalmente, o universo é absurdo e o homem deve buscar autenticar-se a si mesmo. Como? Mediante um ato da vontade. Assim, se você estiver andando de carro pela rua e avistar alguém na calçada sob forte chuva, você para o carro, apanha a pessoa e lhe dá uma carona. É absurdo. Que importa? A pessoa nada é, mas você se autenticou mediante um ato da vontade. A dificuldade, entretanto, é que a autenticação não tem conteúdo racional ou lógico – todas as direções de um ato da vontade são iguais. Portanto, de maneira semelhante, se você está dirigindo numa rua e avista o homem na chuva, e acelera o carro e o atropela, você autenticou sua vontade, na mesma medida. Entendeu? Assim, pranteie pelo homem moderno posto em situação tão desesperançosa (p. 25)

O salto é comum a toda esfera de pensamento do homem moderno. O homem é forçado ao desespero desse salto porque não pode viver como uma simples máquina. Este é, pois, o homem moderno. É-o conforme se expressa na pintura que produz, na música, na literatura novelesca, nas peças de teatro e na própria religião. (p. 27) 

A Nova Teologia.

NÃO RACIONAL(TERMOS CONATIVOS) X RACIONAL (TERMOS DEFINIDOS).

O elemento significativo é que o homem racionalista, humanista, começou afirmando que o Cristianismo não é suficientemente racional. Agora fez ele meia volta, em amplo círculo, e acabou na condição de místico – ainda que místico de um tipo todo especial. É ele um místico sem ter ninguém com que buscar comunhão. Os velhos místicos sempre postularam a existência de Alguém; os novos místicos, entretanto, afirmam que isso não vem ao caso, porquanto o que importa é a fé. É fé na fé, quer se expresse em termos religiosos, quer em seculares. O salto é o que importa, não os termos porque se expressa. A verbalização, isto é, os sistemas de símbolos pode mudar-se, sejam os sistemas religiosos ou não-religiosos; é incidental o fato de fazer-se uso de uma ou outra palavra. O homem moderno volta-se a encontrar sua respostas no andar superior, mediante um salto para longe da racionalidade e da razão (p. 28)
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Qualquer autonomia é improcedente. Uma ciência autônoma ou uma arte autônoma é aberração (se tomarmos ciência ou arte autônomas fora do conteúdo daquilo que Deus nos deu a conhecer). Não quer isto dizer que tenhamos uma ciência ou arte estática—o contrário é que é a verdade. Outorganos a forma em cujo âmbito, sendo finito, a liberdade é possível. Não se pode colocar a ciência e a arte na moldura de um andar inferior autônomo sem sofrer o mesmo trágico fim que se tem verificado através da história. Vimos que em todos os casos em que se fez autônomo o andar inferior, não importa o nome que se lhe deu, não decorreu muito tempo antes que o inferior acabasse devorando o superior. Desapareceram, dessa forma, não apenas Deus, mas também a liberdade e o homem. (p.44)




quinta-feira, abril 02, 2015

Evangelho segundo Juízes (Jz 1:1-2:5)

Fé e Coragem.


E sucedeu, depois da morte de Josué, que os filhos de Israel perguntaram ao SENHOR, dizendo: Quem dentre nós primeiro subirá aos cananeus, para pelejar contra eles? Juízes 1:1

Josué era o sucessor de Moisés para liderar o povo de Israel (Nm 27:12-23).  Somente ele e Calebe entraram na terra prometida. 

O livro de Josué fala da obra de Deus em seu povo para assegurar as promessas que Deus havia feito para eles, levando eles a Canaã, derrotando os inimigos e dando a eles bênçãos e descanso.  Para continuar a conquistar a terra, Deus pede que o povo continue confiando e obedecendo a Ele.

E o Senhor vosso Deus as impelirá, e as expelirá de diante de vós; e vós possuireis a sua terra, como o Senhor vosso Deus vos tem prometido. Esforçai-vos, pois, muito para guardardes e para fazerdes tudo quanto está escrito no livro da lei de Moisés; para que dele não vos aparteis, nem para a direita nem para a esquerda;  Josué 23:5-6

Deus chama o povo para um discipulado de coragem e fé sempre confiante nas promessas de Deus. Podemos ser corajosos sem fé que seria um aventurismo ou podemos ter uma fé sem coragem, que levaria a ineficácia e covardia.

O livro de Juízes já começa com a falta das duas coisas, Deus diz para Judá que eles terão a terra (vs. 2), mas Judá chama os de Simeão. Assim, houve uma falta de fé.

No verso 4, Deus dá a vitória a Judá, eles vencem os cananeus e perizeus. Capturam e matam Adoni-Bezek que reconhece a mão de Deus naquela batalha.

Então disse Adoni-Bezeque: Setenta reis, com os dedos polegares das mãos e dos pés cortados, apanhavam as migalhas debaixo da minha mesa; assim como eu fiz, assim Deus me pagou. E levaram-no a Jerusalém, e morreu ali.  Juízes 1:7

No verso 12, a história começa a se focar em Calebe, ele oferece sua filha Acsa para o homem que atacar e capturar Quiriate-Sefer. Acsa pede fontes ao pai.

E estava o Senhor com Judá, e despovoou as montanhas; porém não expulsou aos moradores do vale, porquanto tinham carros de ferro. Juízes 1:19

Se vimos no começo a falta de fé, sabemos que ela leva a falta de coragem. Judá não acreditou no fundo que era Deus que dava as vitórias, portanto, ao ver que os povos do vale tinham carros de ferro, não quis atacá-los.  Como não confiou em Deus, ele comprometerá o destino do povo daqui por diante.

Não é a nossa falta de força que nos impede de desfrutar das bênçãos de Deus, mas é a falta de fé na força de Deus. Quando confiamos em nós mesmos, colocamos o nosso caminhar baseado em nossa capacidade e não em Deus. 

O contágio desse vacilar na obediência começa a se espalhar, a tribo de Benjamim falha em expulsar os jebuseus (vs.21)

A casa de José faz pactos com os canaanitas ao invés de confiar nas promessas de Deus (vs. 22-26)

Manasés falha em expulsar os habitantes, e começar a explorar eles como servos - (vs. 27-28)

Efraim permite que fiquem canaanitas com eles (vs. 29)

Zebulom faz escravos (vs. 30)

O povo de Aser faz ainda pior, vai viver junto dos canaanitas (vs.31-32)

Nem Naftali (vs.33)

DEUS REPREENDE O POVO.


E subiu o anjo do SENHOR de Gilgal a Boquim, e disse: Do Egito vos fiz subir, e vos trouxe à terra que a vossos pais tinha jurado e disse: Nunca invalidarei a minha aliança convosco. Juízes 2:1

Havia muitas razões que o povo poderia dar para não conquistar a terra, sua inferioridade militar como também a conveniência econômica em ter servos e escravos.  Mas, isso tudo era uma desculpa diante daquilo que Deus havia prometido. 

O anjo vem Gilgal, exatamente do lugar onde Deus havia feito uma aliança com o povo:

Disse mais o Senhor a Josué: Hoje retirei de sobre vós o opróbrio do Egito; por isso o nome daquele lugar se chamou Gilgal, até ao dia de hoje. Josué 5:9

Neste lugar, Deus havia perdoado seus pecados, e colocado eles como o seu povo e entrado num relacionamento de graça com eles, motivado apenas por amor. O anjo vem de Gilgal para lembrar que eles foram salvos pela graça de Deus e conduzidos por ela desde o Egito.

E, quanto a vós, não fareis acordo com os moradores desta terra, antes derrubareis os seus altares; mas vós não obedecestes à minha voz. Por que fizestes isso? Juízes 2:2

O povo desobedeceu a Deus ao não destruir os altares, não se tratava de matar os canaanitas, Raabe ficou eles (Js 2:17-20) e os quenitas também (1:16). O propósito era limpar Canaã dos ídolos que lá haviam para que Israel vivesse em fidelidade com Deus.

O ensino é que Deus quer ser o senhor de todas as áreas de nossa vida, não apenas algumas delas. 

Se no verso 1:19, vemos que não podiam, aqui vemos que não queriam. Essa é uma boa pergunta para nós: onde dissemos não podemos, Deus diz que, na verdade, não queremos.

Deus nunca nos coloca numa posição em que não podemos obedecê-lo- 1 Co 10:13.

Três coisas que geralmente dissemos não podemos:

  • 1. Eu não posso perdoar isto, mas Deus ordena que perdoemos (Mt. 18:35)
  • 2. Eu não posso dizer a verdade, isto iria me destruir. (Ef.4:15,25)
  • 3. Eu não posso resistir, mas sei que é errado (1Co 10:13)


A falha em nossa obediência é essencialmente uma falha em lembrar quem Deus é. E o reverso é verdadeiro-  enquanto confio em que Deus é, eu vou conseguir servir a Ele de todo coração com alegria.

Assim também eu disse: Não os expulsarei de diante de vós; antes estarão como espinhos nas vossas ilhargas, e os seus deuses vos serão por laço. Juízes 2:3

A idolatria é fazer de uma boa coisa, a coisa mais importante para a nossa segurança, identidade e poder. Falsos deuses são como espinhos. Quando fazemos de algo, um ídolo, isso nos faz continuamente miseráveis. 

"Serão por laço": os ídolos enganam a gente, nos cegam e nos escravizam.

O povo de Israel colocou-se diante de um dilema perante Deus. Deus havia prometido que os abençoaria se eles permanecessem fiéis a Ele. Deus é tanto amor como também é santo. Somente quando vemos a cruz, podemos entender como Deus pode nos alcançar, aquele que não tinha pecado, fez-se pecado por amor a nós. (2Co 5:21). Somente na cruz, Deus pode ser tanto justo como o justificador de seu povo.

Na cruz descobrimos a seriedade de Deus em relação ao pecado, dando-se a si mesmo por nós. Como também, a grandeza de seu amor, nos amando apesar de quem somos. Os espinhos que plantamos foram colhidos na cruz.



Bibliografia

Judges for You- Timothy Keller