domingo, abril 26, 2015

Moreland e Craig : O que é Metafísica?



Predicação essencial: aquela que afirma a essência de algo.

Predicação acidental: aquela que afirma algo é acidente de outro


Ontologia geral:  aspecto mais básico da metafísica. Primeiro, enfoca a natureza da existência em si. Segundo, estudamos os princípios gerais do ser, as características gerais que são a verdade  de todas as coisas.  Terceiro, inclui o que é denominado de análise categorial. É possível classificar ou agrupar as coisas existentes de diversos modos, variando entre os tipos de classificação desde aqueles muito específicos até os muito amplos. 

Um conjunto de categorias é uma coleção de classificações fundamentais e abrangentes de quaisquer entidades existentes, tal que cada entidade se ajustará numa categoria específica e as categorias tomadas como um grupo  nos permitirá classificar todas as entidades 

Para Aristóteles, 10 categorias: substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, estado, ação e paixão.

Para Kant:  as categorias (12) não são divisões do mundo como ele é em si - mundo numenal- mas, antes, elas expressam as divisões do mundo como ele nos aparece, como objetos da experiência possível - mundo fenomenal-. 

MÉTODOS DE ABORDAGEM NA METAFÍSICA.

NATURALISTAS: defendem que a realidade é esgotada pelo mundo espaço-temporal de objetos físicos admitidos por nossas melhores teorias científicas.  A ciência é a principal abordagem do mundo, não a filosofia. A metafísica não é o estudo da realidade, mas, de preferência, é o estudo do nosso discurso, especialmente o discurso científico da realidade. Neste ponto de vista, a análise linguistica é a principal ferramenta do filósofo que se ocupa da metafísica. 

"Faz parte da metafísica analisar e esclarecer o uso da linguagem, incluindo a linguagem científica. No entanto, não há nenhuma boa razão para limitar a investigação metafísica dessa maneira,  especialmente quando compreendemos que a ciência pressupõe doutrinas filosóficas e metafísicas. Assim, a metafísica é conceitualmente anterior à ciência. A ciência pode ajudar a metafísica de vários modos, mas não pode impor os métodos a serem usados na metafísica. Além disso, a linguagem existe. Portanto, a metafísica não pode ser reduzida à linguagem, pois a linguagem em si é parte do estudo metafísico" (PAG 227)


1. O estudo metafísico deveria começar com as coisas que já sabemos,  ou temos razão para acreditar que sejam verdadeiras, e deveria levá-las em conta antes que começássemos a fazer metafísica.

Simplesmente  conhecemos de fato muitas coisas através do senso crítico comum.  E muitos pontos da metafísica estão enraizados na admiração e perplexidade sobre as coisas que temos motivos em acreditar por meio do senso crítico comum. 

Certas verdades em teologia exigem o estudo metafísico para ajudar no seu esclarecimento. As verdades do cristianismo podem ser usadas como conhecimento básico para nos orientar na recusa de certas posições metafísicas e, além disso, na busca dos motivos imparciais para sua rejeição.

2. determine o problema metafísico que você está tentando resolver e o que dá origem ao problema.

3. use experimentos de pensamento como fontes para contra-exemplos aos argumentos metafísicos. 

mundo real: o verdadeiro mundo da totalidade de entidades realmente existentes, pode ser descrito por uma conjunção da totalidade das proposições realmente verdadeiras.

mundo impossível: um mundo que não pode existir, a conjunção de proposições que o descrevem inclui uma proposição logicamente impossível. 

mundo possível: um mundo cuja descrição não inclui uma proposição logicamente impossível.


Propriedades e relações são chamadas universais.

propriedades são entidades que podem ser apresentadas ao mesmo tempo por muitas coisas. 

Relações são entidades que podem relacionar duas ou mais coisas e podem estar ao mesmo tempo em mais de um grupo de coisas.

um conjunto é um grupo ou coleção de coisas chamadas de membros do conjunto.
Números são coisas que entram em certas relações matemáticas
Proposições são os conteúdos expressos em orações declarativas e que estão na mente das pessoas quando estão pensando.

Vamos chamar de mundo a soma total de tudo quanto existe, incluindo as entidades abstratas não-espácio-temporais, como também o universo de entidade físicas espácio-temporais.

Ontologistas são aqueles filósofos que, como Platão, acreditam no mundo e nas entidades abstratas.


Tarefas do naturalista:
1. deve mostrar que as entidades mentais não são reais: a. negando completamente sua existência, b. reduzindo-as a entidades físicas no limite espácio-temporal. c. tentando mostrar que de modo ou de outro elas dependem do mundo físico para a sua existência.

2. deve negar que propriedades e relações  sejam entidades abstratas: a. negando que elas existam - nominalismo extremo-. ou b. aceitando a existência de propriedades e relações, mas tratando-as como realidades materiais que estão completamente no espaço e no tempo - nominalismo e realismo impuro.

3. deve mostrar que entidades abstratas não reais: a. negando completamente sua existência e b. reduzindo-as a entidades físicas no espaço e tempo.







sábado, abril 25, 2015

Salmo 63: Experimentando a Deus.


Salmos 63:1-11O Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água;  Ó Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água; Para ver a tua força e a tua glória, como te vi no santuário.  Porque a tua benignidade é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão. Assim eu te bendirei enquanto viver; em teu nome levantarei as minhas mãos. A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura; e a minha boca te louvará com alegres lábios, Quando me lembrar de ti na minha cama, e meditar em ti nas vigílias da noite.  Porque tu tens sido o meu auxílio; então, à sombra das tuas asas me regozijarei. A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustenta. Mas aqueles que procuram a minha alma para a destruir, irão para as profundezas da terra. Cairão à espada; serão uma ração para as raposas. Mas o rei se regozijará em Deus; qualquer que por ele jurar se gloriará; porque se taparão as bocas dos que falam a mentira. 


"O desejo é o incessante pulsar da vida humana. O que ansiamos determina o escopo de nossas experiências, a profundidade de nossas percepções, os padrões com os quais julgamos e a responsabilidade com que escolhemos nossos valores. Por isso é de crucial importância ansiarmos por coisas que ultrapassam o material, que sejam transcendentais" (James Houston, O Desejo)

Quando eu compro uma coisa, eu tento ver o que o manual diz para eu fazer, e normalmente, fico perdido. Então, olho para caixa, e tento fazer igual a imagem que aparece. Precisamos dos dois, da imagem e do manual.

Na vida espiritual, podemos imaginar a mesma coisa. Todo mundo quer ter uma experiência espiritual, quer um encontro com Deus. Como saber se estamos tentando uma verdadeira experiência com Deus? Muitos tem se sentido cansado ou mesmo em dúvidas se teve ou não uma experiência com Deus.

Quando temos um filho, sempre ficamos perdidos sobre se estamos ou não criando bem. Se ele está normal, se está tudo bem. 

Quando olhamos para Bíblia vemos os grandes encontros de homens com Deus, esta seria a foto da capa, a imagem daquilo que queremos. Os salmos são o manual de como chegamos até lá, é alguém mostrando como experimentamos a Deus visto por dentro da experiência.

Nossa vida é cheia de altos e baixos, momentos que estamos próximos e momentos que estão longe.

Vamos ver neste salmo, algumas características da experiência com Deus, para testarmos se estamos indo no caminho certo ou não.

O salmo foi escrito quando Davi estava fugindo de Absalão no deserto como vimos em 2Sm 15:23.


DESENVOLVENDO UM APETITE ESPIRITUAL.


A primeira coisa que sabemos que estamos no caminho certo. É quando estamos querendo Deus em nossa vida. 

As pessoas, em geral, querem Deus, buscam a Deus, mas não o Deus verdadeiro.


 INTIMIDADE E NECESSIDADE.

O Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água Salmos 63:1

Quantas pessoas você pode chamar de meu? Você apenas usa a palavra meu se você tem intimidade com ela, como um pai, mãe, filho, irmã. Davi está dizendo que tem um relacionamento pessoal com Deus, e por causa disso ele busca desde o começo do dia. Quando a nossa lama está sedenta, quando estamos desejando a sua presença em nossa vida. Esta é uma evidência que precisamos dele.

É como o pai ou mãe que busca o filho, o próprio sentimento de ausência é que nos mostra que precisamos de Deus. 

MAIOR QUE AS NOSSAS NECESSIDADES.

Porque a tua benignidade é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão. Salmos 63:3

Neste caminho da intimidade,  Deus se revela para nós como maior do que qualquer coisa que podemos ter na vida. Este é um sinal que estamos no caminho certo, quando Deus passa a ser a maior coisa que temos na vida. 

Ficamos satisfeitos com Deus por quem Ele é e não pelos benefícios que Ele pode nos dar. Se eu tiver o amor, o favor, a intimidade de Deus não vou precisar de mais nada.

Alguém que busca por coisas, está buscando de Deus, mas não exatamente a Deus. Somente teremos descanso quando buscarmos Deus. 

O primeiro é que, apesar de adoração envolve expressões de gratidão a Deus pelos seus dons, esta não é a essência da verdadeira adoração. De fato, há uma gratidão a Deus pelos seus dons que não tem verdadeira adoração nele em tudo.Em outras palavras, há pessoas que amam a sua saúde e família e trabalho e passatempos, e agradeço a Deus por eles, muitas vezes, mas não amam a Deus.Eles não saborear Deus. E quando Deus não é saboreado pela doçura e excelência de quem ele é, ele não é adorado. (John Piper)

VIVENDO NA PRÁTICA:

Precisamos de um novo apetite por Deus em si mesmo.

Então, preciso de algumas coisas:

1. Preciso regrar meu apetite: quando estamos na mesa, precisamos nos alimentar da maneira certa, o pecado pode encher nosso estomago, mas não darão satisfeitas. Uma das razões que Deus não nos satisfaz mais é porque estamos nos satisfazendo com outras coisas. Não coloque substitutos aí.

2. Precisamos ver a grandeza da satisfação: tudo aquilo que Deus está a nos oferecer, por vezes, focamos em apenas algumas coisas que são nossa necessidade urgente, e esquecemos que Ele tem muito mais a nos oferecer. Fazemos isto, quando nos aprofundamos em conhecer a Deus, meditando em sua Palavra e orando. 


O que prefere sinceramente Deus a todas as outras coisas em seu coração, o fará na sua prática. Pois quando Deus e todas as outras coisas vierem a competir, esse é o teste apropriado para saber o que um homem prefere; e a maneira de agir em tais casos deve certamente determinar qual deve ser a escolha em todos os agentes livres, ou aqueles que agem em escolha. Portanto, não há sinal de sinceridade mais insistido na Bíblia que este: que neguemos a nós mesmos, vendamos tudo, esqueçamos o mundo, tomemos a cruz, e sigamos Cristo aonde quer que Ele vá. Portanto, corram dessa maneira, não na incerteza; assim lutem, não como quem desfere socos ao ar; mas esmurrem seus corpos e os reduzam à escravidão (Jonathan Edwards)

Quando me lembrar de ti na minha cama, e meditar em ti nas vigílias da noite. Salmos 63:6-7 


Da manhã até a noite, precisamos estar voltados para Deus pois ele sempre está pronto a nos completar.

Em Jesus,  encontramos a cada momento de nosso dia, tudo aquilo que precisamos de Deus para a nossa vida.



Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.  2 Pedro 1:3-4






Moreland e Lane Craig: Epistemologia Religiosa

No sétimo capítulo de Filosofia e Cosmovisão Cristã, os autores vão falar sobre epistemologia religiosa, a exploração da condição epistêmica das afirmações de verdade religiosas, sua racionalidade e garantia.


O positivismo lógico defende o princípio da verificação do significado, de acordo com o qual uma sentença declarativa, com objetivo de ser significativa, deveria ser capaz, em princípio, de ser empiricamente verificada.

Este sofreu várias críticas, dando origem ao princípio da falsificação, que afirmava que uma sentença com sentido deve ser capaz, em princípio, de ser empiricamente falsificada.

Estas análises cometeram dois erros: 1. o princípio da verificação e da falsificação era muito restritivo, não conseguindo incluir declarações científicas e 2. o princípio era auto-refutável a própria definição do critério é impossível de ser verificada ou falsificada empiricamente.

Pressuposto do ateísmo: trata-se da afirmação de que na ausência de evidências da existência de Deus, devemos pressupor que Ele não existe. A ausência de evidência não é evidência de ausência. 


Secretismo de Deus: se Deus realmente existisse, teria deixado mais provas de sua existência. "... a afirmação de que, se Deus existisse, ele teria tornado sua presença mais evidente tem pouca ou nenhuma garantia, minando assim a afirmação de que a ausência de tal evidência é, em si mesma, uma evidência positiva para a inexistência de Deus" (PAG 202)

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CRENÇA RELIGIOSA SEM GARANTIA

"Um grande número de pensadores tem argumentado que uma pessoa poder ter uma justificação pragmática para se apegar a uma crença, totalmente à parte de ser ela epistemologicamente  justificada ou conhecida pela pessoa que a sustenta. Seguindo a linha de Alvin Plantinga, vamos nos referir à justificação epistêmica como garantia, aquela propriedade que serve para transformar uma simples crença verdadeira em conhecimento. Os proponentes dos argumentos pragmáticos buscam mostrar que, às vezes, estamos dentro dos nossos direitos de ter crenças para as quais não temos garantia. Um argumento pragmático busca dar fundamento para que se tenha uma crença em particular por causa dos benefícios obtidos com base nela" (PAG 202)


Há dois tipos deste argumento:

1. argumento dependente da verdade: que uma crença  tem benefícios caso ela seja verdadeira.

2. argumento independente da verdade: uma crença tem benefícios caso ela se mostre verdadeira ou falsa.


Aposta de Pascal.

Eu creio:
Se Deus existe: ganho infinito menos perda finita.
Se Deus não existe perda finita.

Eu não creio:
Se Deus existe, perda infinita,
Se Deus não existe, ganho finito.


Teoria dreo princípio de decisão chamada de princípio da utilidade esperada: com objetivo de maximizar a utilidade ou o benefício de minhas escolhas, devo multiplicar cada um dos resultados mutuamente exclusivos pela probabilidade de cada um dos dois estados resultantes, somar os produtos e então optar pela que forneça a mais alta utilidade esperada.




GARANTIA SEM EVIDÊNCIA

Plantinga faz distinção entre objeções de facto  e objeções de jure

De facto:  se volta para a verdade da fé cristã, ela tenta mostrar que as afirmações da fé cristã são falsas.

de jure: tenta minar a fé cristã mesmo que o cristianismo seja de fato verdadeiro. Para Plantinga, há três versões: a crença cristã é injustificada, irracional e não-garantida.

"Desse modo, Plantinga lança-se em dois projetos, um público e um cristão: 1. mostrar que não há razão para pensar que a crença cristã é desprovida de justificação, racionalidade e garantia - independentemente de pressupor sua falsidade) e 2. fundamentando-se numa perspectiva cristã, fornecer um relato epistemológico de uma crença cristã verdadeira" (Pag 206)


"Para Plantinga, a justificação envolve obediência às exigências epistêmicas individuais ou a posse de uma sólida estrutura noética de crenças. A garantia, por sua vez, é a propriedade que converte simples crenças verdadeiras em conhecimento, quando é possuída num grau suficiente.  Plantinga considera que o teísta está não apenas dentro de seus direitos epistêmicos de acreditar em Deus sem prova conclusiva, mas que ele realmente sabe, à parte de qualquer evidência, que Deus existe"(...) Plantinga também fala do sensus divinitatis como uma disposição ou um conjunto de disposições para formar crenças teístas ou estímulos que disparam o funcionamento da percepção da realidade" (P. 207)

"Uma vez que a crença é assim formada por faculdades cognitivas funcionando de modo adequado, dentro de um ambiente apropriado, ela é garantida para nós. Além disso, à medida que nossas faculdades não são destruídas pelos efeitos noéticos do pecado, acreditaremos profunda e firmemente na proposição da existência divina, de modo  que possamos dizer, em virtude da grande garantia resultante de nossa crença, que sabemos que Deus existe"  (P. 209)

a questão sobre a garantia da crença é em sua base  não epistemológica, mas metafísica ou teológica. O que decorre desse pensamento é não existem objeções de jure fora da questão de facto se o teísmo é verdadeiro.

Como as crenças cristãs podem ser justificadas? Plantinga remete aí não apenas ao sensus divinitatis como também ao testemunho interior do Espírito Santo.

"O modelo estendido postula que nossa queda no pecado teve desastrosas consequências cognitivas e afetivas. O sensus divinitatis foi danificado e deformado, e sua expressão, silenciada (...) É aqui que o testemunho interior ou a inspiração do Espírito Santo entra em cena. Deus, em sua graça, precisava encontrar uma maneira de nos informar sobre o plano da salvação que ele disponibilizara e optou por fazer isso através 1. das Escrituras, inspirada por ele e que delineiam as grandes verdades do evangelho. 2 da presença e ação do Espirito Santo,que repara o dano cognitivo e afetivo causado pelo pecado, capacitando-nos desse modo a entender e acreditar nas grandes verdades do evangelho e 3. da fé, que é a principal obra do Espirito Santo produzida no coração dos crentes.(...) Como tal, as crenças formadas por esse processo satisfazem as condiçoes de garantia: 1. elas são produzidas  pelo cognitivo em funcionamento adequado, 2. o ambiente no qual nos encontramos, incluindo a contaminação cognitiva operada  pelo pecado, é o ambiente cognitivo para o qual este processo foi planejado, 3. o processo é planejado para produzir crenças verdadeiras, 4. as crenças produzidads por ele, a saber, as grandes verdades do evangelho, são de fato verdadeiras, de modo que o processo é bem sucedido em produzir crenças verdadeiras " PAG 210

Os autores mostram algumas críticas a Plantinga em sua conceituação do sensus divinitatis,  Plantinga advoga que Calvino a trate como uma faculdade cognitiva como os sentidos, nem mesmo uma consciência inata de Deus de Calvino é aceita pelos autores.

Outra crítica é que o testemunho do Espírito seria uma resposta ao pecado e à queda, se fosse assim Adão não desfrutou do Espírito?   Nesse mesmo ponto, outra crítica é fazer deste testemunho uma faculdade cognitiva.






quinta-feira, abril 23, 2015

Stanley Hauerwas: A Community of Character


Algumas notas de leitura:
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"A universalidade de Jesus é manifestada apenas por um povo que deseja tomar sua cruz como sua história, como a condição necessária para viver verdadeiramente nesta vida. Com a sua cruz como ética social, então eles se tornam a continuação desta ética no mundo até que ele traga seu reino" p. 44
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"A autoridade da Escritura para a vida consiste em que ela é usada para ajudar a nutrir e reformar a auto-identidade da comunidade como também o caráter pessoal de seus membros" p. 55

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"A necessidade de autoridade cresce do fato que a moralidade inevitavelmente envolve julgamentos que por sua natureza são particulares e  contingentes - isto é, eles poderiam ser de outra maneira. Tradição é contudo a história compartilhada dos julgamentos de  uma comunidade como eles foram testados através das gerações. Autoridade não é, então, uma força externa que comanda contra a nossa vontade, ao invés, isto advém da vida comum feita possível pela tradição.  Autoridade não é apenas compatível com a liberdade, mas ela requer isto, desde que a  existência continuada e excelente da comunidade é possível apenas em formando e aperfeiçoando novos membros. Ainda a liberdade não é um fim em si mesma, mas a condição necessária para uma comunidade vir a ser mais fiel para o entendimento de si mesmo e do mundo" p. 62

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"O uso moral da Escritura, então, permanece precisamente em seu poder para nos ajudar a lembrar as histórias de Deus para um guia contínuo da nossa comunidade e nossas vidas individuais. Ser uma comunidade em que vidas são lembradas é uma conquista genuína, como também sempre assumimos que nós podemos assegurar nossa existência apenas em libertando as nós mesmos do passado" p. 66

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"A questão da significância moral da escritura, então, se transforma na questão sobre que tipo de comunidade a igreja deve ser para fazer das narrativas da escrituras o centro para suas vidas. Eu tenho já argumentado que o seu uso na sua liturgia e governança. Mas, primeiro e antes de tudo a comunidade deve saber que esta tem uma história e tradição que a separa isto do mundo. Tal separação é requerida pelo fatoque o mundo não conhece Deus que encontramos na Escritura" p. 68






terça-feira, abril 21, 2015

Moreland e Lane Craig: Teorias da Verdade e Pós Modernismo.


Teoria da correspondência da verdade 
a verdade é  uma questão de ma proposição que corresponde a uma realidade
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Visão bíblica da verdade.

A defesa de uma teoria específica  da verdade  não é o intento fundamental da Bíblia. Dois aspectos parecem fundamentais, fidelidade e conformidade com o fato.  As Escrituras pressupõem alguma forma da teoria da correspondência.


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Para Lane Craig, o relativismo ofende  a lei da identidade e a lei do terceiro excluído, ao não aceitar a verdade absoluta.

Ele também confunde condição de verdade com o critério para a verdade.  Sendo que a primeira é uma descrição do que constitui a verdade de uma afirmação. Entendido dessa maneira, uma condição de verdade é ontológica e está associada com aquilo que a própria verdade é.  Segundo, o critério para a verdade, consiste num teste epistemológico para se decidir ou justificar quais afirmações são verdadeiras ou falsas.


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A TEORIA DA CORRESPONDÊNCIA DA VERDADE

A verdade é obtida quando o portador da verdade se coloca numa adequada correlação de correspondência com o criador da verdade. 


portador da verdade, relação de correspondência e criador da verdade.

Portador da verdade: três tipos principais, para o tipo um, temos dois candidatos: sentenças e declarações. No tipo dois, dos estados mentais, temos os pensamentos e as crenças. No tipo três, as proposições tem sido chamadas de portadoras básicas da verdade.


Sentença: um tipo ou símbolo linguístico constituído por uma cadeia de marcas perceptíveis aos sentidos, formadas de acordo com um conjunto culturalmente arbitrário de regras sintáticas. 

Declaração: uma sequência de sons ou de movimentos corporais empregados por um orador para afirmar uma sentença em uma ocasião específica.

Para os autores, não são adequados como portadores da verdade.

O segundo tipo de possíveis portadores de verdade: pensamentos e crenças. Tem sido indentificados como adequados. Contudo, podem ser problemáticos pois representam eventos mentais que podem ser considerados tanto falsos como verdadeiros. 

Proposição: os filósofos aceitam sua existência não  estão de acordo sobre como responder a  pergunta sobre o que elas são, mas há algumas características: 1. não está localizada no espaço e no tempo. 2, não é idêntica às  entidades linguisticas que possam ser usadas para expressá-la, 3. não é perceptível pelos sentidos, 4. é de tal sorte que a mesma proposição pode estar em mais de uma mente ao mesmo tempo, 5. não é necessário que ela seja entendida por qualquer pessoa para que exista e seja o que é, 6. da própria pode ser um objeto de pensamento quando, por exemplo, está se pensando sobre o conteúdo do próprio processo de pensamento, 7. não é entidade física em nenhum sentido.  (PAG 174)

O que faz um criador de verdade, são os fatos ou conjuntos de relações.  As proposições possuem intencionalidade, em relação a um objeto.  A intencionalidade de uma proposição é uma afinidade natural, ou intrínseca direcionalidade  em relação ao seu objeto intencional. Assim, os criadores de verdade produzem portadores de verdade verdadeiros, não no sentido de que os primeiros estabeleceram uma eficiente relação causal com os últimos, causando assim a sua verdade. Em vez disso, o portador de verdade, a proposição, distingue um específico conjunto de relações devido à intencionalidade intrínseca da proposição, e esse conjunto específico produz a proposição verdadeira que no caso de ele verdadeiramente ser representado pela proposição do modo que ele exatamente é.

A relação de correspondência não é uma propriedade monadária de uma proposição, ela é uma relação entre dois pontos, uma proposição e o conjunto de relações, que é o seu objeto intencional. 

Argumento fenomenológico (Husserl)

O argumento fenomenológico se concentra numa descrição e numa apresentação cuidadosa de casos específicos ara ver o que pode ser apreendido sobre a verdade a partir deles. 

Argumento dialético 

Assevera que os que desenvolvem teorias da verdade alternativa, ou que simplesmente rejeitam a teoria da correspondência, de fato a pressupõem em suas próprias asserções, especialmente quando eles apresentam argumentos para as suas visões ou os defendem contra seus detratores. 


Objeções a teoria da correspondência.

1- não é clara e aceita sobre as três entidades que a constituem.

2- tem-se argumentado que ao fazer a distinção entre a verdade e a evidência que alguém considera como uma verdade, ou seja, afirmando que a verdade transcende e não é identica à evidência, a oteria da correspondência nos deixa vulneráveis ao ceticismo porque se a teoria estiver correta, alguém poderia ter touadas as evidências do mundo para uma crença e a crença ainda assim poderia ser falsa.  Duas respostas podem ser ditas, a primeira é o fato prova que o resultado é falso e não a teoria, e a própria questão estabelece que a evidência não é a mesma coisa que a verdade.

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Teoria da Verdade Coerentista

"De acordo com a  teoria da coerência, uma crença é verdadeira se, e somente se, ela coerir bem com todo o conjunto de crenças de uma pessoa, assumindo que o conjunto é em si mesmo fortemente coerente. Desse modo, a verdade ou a  falsidade de uma crença não é uma questão de casamento com o mundo real e externo. Em vez disso, ela é uma função do relacionamento da crença com outras crenças dentro da teia de crenças de uma pessoa. Os defensores são Espinosa, Hegel e Blanshard.

Há a diferença entre a teoria da verdade coerentista e a teoria de justificação coerentista. A última oferece a coerência como um teste para a verdade e é consistente com a teoria da correspondência da verdade. 

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Teoria Pragmática da Verdade

Desenvolvida por Dewey, William James, defendida agora por Putnan e Rorty

a teoria pragmática implica que uma crença P é verdadeira se, e somente se, P funcione ou seja útil possuí-la. 

Os pragmatistas diferem sobre como interpretar funcionar e ser útil, existe uma distinção entre versões de pragmatismo não-epistêmicas e epistêmica.

Pragmatismo não-epistêmico: uma crença é verdadeira no caso de se aceitar que ela é útil, em que útil é traduzido em termos que não fazem referência a valores epistêmicos,

Pragmatismo epistêmico: quando o funcionar e ser são descritos em temos epistêmicos. 

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PÓS-MODERNISMO

A realidade é uma construção social, a linguagem cria a realidade e aquilo que é real para um grupo linguistico e irrela para outro. 

Há uma negação do realismo metafísico: 1. a existência de uma realidade independente da teoria e da linguagem, 2. a noção que existe uma maneira própria do ser do mundo e 3. a noção de que as leis básicas da lógica se aplicam à realidade.

Com isto, há uma rejeição da teoria da correspondência da verdade, pela rejeição do pensamento dicotômico, que divide uma variedade de fenômenos em dois grupos: verdadeiro/falso por exemplo.

"Os pós-modernistas rejeitam a ideia de que existam padrões universais  e transculturais como as leis da lógica  ou os princípios de inferência indutivos para a determinação da verdade ou falsidade de uma crença, de sua racionalidade ou de sua correção. Não existe racionalidade predefinida. Os pós modernistas reijeitam também a ideia de que a racionalidade é objetiva, pois ninguém aborda a vida de maneira totalmente objetiva, sem qualquer viés" PAG 187

Há uma rejeição do fundacionalismo: "Esse desejo que dá impeto intelectual ao fundacionalismo. Esse desejo chamado de ansiedade cartesiana, é a raiz das teorias fundacionalistas de justificação epistêmica. Mas não existe tal certeza, e sua busca é impossível. Além disso, a busca é mal orientada porque as pessoas não precisam de certeza para viver bem. Ás vezes, os cristãos pós-modernistas apóiam tal afirmação, asseverando que a busca pela certeza está em desacordo com o ensinamento bíblico sobre a fé, pecaminosidade de nossa faculdade intelectual e sensorial e a impossibilidade de compreender-se um Deus infinito" pag 188

Os pós-modernistas sustentam uma forma de nominalismo, em vez de usar termos como vermelhidão para representar universais reais, eles consideram que tais temos são simplesmente nomes para grupos de coisas. Também há uma rejeição do essencialismo, o que é essencial não é um reflexo da realidade,mas de uma construção relativa às práticas linguísticas de um grupo.

Teoria da percepção crítica realista:

De acordo com o realismo crítico, quando um sujeito está olhando para um objeto vermelho, o próprio objeto é o objeto direto do estado sensorial.  

Propriedade auto-apresentada
se uma propriedade F é auto-apresentada, então é por meio de F que um pertinente objeto externo é apresentado diretamente a pessoa, e F também se apresenta diretamente à pessoa. Desse modo, F apresenta seu objeto mediatamente, embora diretamente, e a si mesmo diretamente.


a teoria idealista da percepção.

Descartes, por outro lado, as ideias de uma pessoa, no caso, as sensações, se colocam entre o sujeito e o objeto da percepção. Na  teoria idealista, um sujeito perceptivo está preso atrás de suas próprias sensações. não pode sair delas para o mundo externo com objetivo de comparar suas sensações aos outros. 

No pós modernismo, o eu é uma construção da linguagem,não existe um ego unificado e substancial. O eu é um conjunto de regras sociais, a consciência e o eu são sociais e não individuais.


Há também a rejeição do USO REFERENCIAL DA LINGUAGEM

Não há uma referência a qualquer entidade independente, as unidades linguísticas dotupo palavras realmente se referem a outras palavras, ou, mais precisamente, ganham seu uso numa comunidade devido ao seu relacionamento com as outras palavras.

E, finalmente, não existem METANARRATIVAS. apenas existem narrativas locais.


Objeções ao Pós-modernismo.


A primeira tem a ver com a rejeição pós-moderna da racionalidade objetiva com base em que ninguém a alcança devido a todas as pessoas serem tendeciosas de uma maneira ou outra. A falta de objetividade psicológica não implica a falta de objetividade racional.

A segunda fala que o pós-modernista refuta a si mesmo, se eles se baseiam na linguagem e na dicotomia com o modernismo, seria uma auto-refutação. 


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