terça-feira, julho 21, 2015

Robert G. Hamerton-Kelly: Violência Sagrada - Paulo e a hermenêutica da Cruz


Notas de leitura

"A cruz é um símbolo de violência contra uma vítima, e a teologia cristã tornou a interpretação da cruz uma tarefa central." p. 48

"A violência  é, portanto, o relacionamento entre o desejo e o mediador-tornando-se-obstáculo (mediator-becoming-an-obstacle) durante o processo de desenvolvimento da rivalidade mimética, que é o processo do movimento dos planos relativos entre mediador e sujeito, mutuamente relacionados" - p. 57


"A violência, portanto, é a atualização da propensão mimética do desejo em direção à rivalidade, por meio de um processo no qual o mediador se transforma progressivamente em obstáculo. A violência é a extensão completa dessa deformação do desejo - do início em rivalidade ao clímax na execução da vítima substituta - não apenas a óbvia coerção física. É a energia mantenedora do sistema social. Ela assume formas muito mais sutis do que a mera força física" p. 58

"O nome dado a essa deformação do desejo é idolatria e seu antídoto é a fé no Deus invisível. Sua expressão ética é eros, cujo antídoto é agápe. Assim, quando descrevemos o desejo como deformado, fazemos um julgamento teológico à luz da graça em ágape" p. 59




domingo, julho 19, 2015

PROVA DE FOGO: Seção 2- Ele nos amou primeiro.



Como posso demonstrar amor a alguém que me rejeita constantemente?
- Você não pode amá-la pois não pode dar a ela aquilo que você não tem.
(trecho do filme)

Hoje em dia, as razões para a separação cada vez mais fáceis.  A pessoas buscam a dor do divórcio  como se fosse um chiclete que perdeu o sabor e virou borracha.




E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo; Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. Efésios 5:18-21

Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.
Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.  Gálatas 5:13-26


CASAMENTO ESPIRITUAL


"Se eu tiver a expectativa de que meu casamento preencha o vazio espiritual do tamanho de Deus em meu coração, não serei capaz de servir ao meu cônjuge. Somente Deus pode preencher esse espaço que é do tamanho dele. Enquanto Deus não ocupar o devido lugar em minha vida, estarei sempre me queixando de que meu cônjuge não me ama, não me respeita e não me apoia como deveria" (Timothy Keller, Significado do Casamento, p. 89)


Antes de tudo, devemos nos lembrar que o casamento tem um aspecto espiritual.  Paulo em Efésios 5:18-21 nos coloca que antes de tudo, devemos ser cheios do Espírito Santo.  

Todo casamento vai precisar de algumas coisas que os cônjuges não podem dar. Em algum momento desta união, vão precisar ir até Deus para preencher o vazio que descobrem um no outro.

Se o casamento é um ambiente onde o amor não para, não será fácil criar este ambiente.



CASAMENTO GUIADO PELO ESPÍRITO.


SUJEIÇÃO MÚTUA


Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.



O propósito de sermos cheios do Espírito é para nos capacitar a vivermos uma vida de sujeição mútua no temor de Deus.  O casamento depende de que cada um abra mão de sua própria força e confiança, para sujeitar-se um ao outro num vínculo que vai além dos seus gostos e interesses pessoais. 

Busca a base no temor de Deus e a força no Espírito Santo.



É UMA ESCOLHA
Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Gálatas 5:13,14


Quando somos libertos por Jesus, recebemos a liberdade de Deus para vivermos para a glória de Deus. O casamento é a liberdade para amarmos alguém de maneira mais profunda e completa como também é um lugar para satisfazer as necessidades de nossa vida: sexo, afeição, material, etc. 

Podemos usar essa etapa da vida para  dar ocasião à carne, aos nossos próprios desejos ou para servirmos uns aos outros em amor.


DOIS TIPOS DE VIDA
Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Gálatas 5:15-18

Temos diante de cada um de nós, dois tipos de vida. A vida segundo a carne e a vida segundo o Espírito. 

Não há meio-termo, estes caminhos se opõem um ao outro.

As escolhas são claras e as consequências também. 

Ou somos Espirituais ou Carnais.


O propósito de Deus não é, nem será jamais, reformar a carne mas sim destruí-la. O eu na carne deve ser destruído com a vida de Deus que o crente recebe na regeneração. (W. Nee)

A ESCOLHA DE VIVER POR SI E PARA SI.
Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.   Gálatas 5:19-21

O que é ser carnal? 

Viver para a carne é viver uma vida buscando a alegria em si mesmo, sem se importar com o Espírito. 

Alguns procuram domar a carne ou tentam controlá-la.

"Todo dia preciso me reconhecer como morto pra essas coisas e vivo para Deus. Minha satisfação agora está nele somente, não importa quem me procure para fazer uma oferta. Acredito que é por causa do amor e da sua misericórdia que Deus permite esse teste contínuo no nosso viver. O desejo dele é que a certeza de nossa incapacidade de viver longe do Senhor se transforme em uma convicção muito profunda. Também deseja que refutemos a doutrina satanica que diz: Deus não é suficiente" (CARLOS MCCORD, A VIDA QUE SATISFAZ, p. 155)



A ESCOLHA DE VIVER PARA DEUS E POR DEUS.
Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros. Gálatas 5:22-26

"Ter o Espírito de Cristo significa que o Espírito Santo está habitando em você, que você não está mais na carne, mas no Espírito, que você nasceu de novo, é um novo homem, uma nova criação. O teste final e supremo é a sua relação com o Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo- a sua relação com Ele, o seu conceito sobre Ele e a sua atitude para com Ele." (D. Martyn Lloyd-Jones Romanos: Os Filhos de Deus Exposição sobre Capítulo 8:5-17 Editora PEp. 95)


O fruto do Espírito é a semelhança de Jesus em nossa vida que manifesta através do amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. 


O crescimento espiritual é gradual, inevitável, interno  e simétrico.

Gradual: assim como um ser vivo que vai crescendo e amadurecendo 

Inevitável: haverá um crescimento,se alguém tem o Espírito Santo dentro da sua vida, e já crucificou nele sua velha vida na cruz de Cristo, uma nova vida e novos comportamentos irão surgir.

Interno: tendemos a ver os dons  como o sinal único da Obra do Espírito na vida de uma pessoa. Judas e o Rei Saul foram usados por Deus para profetiza, fazer milagres, mas não tinha os corações transformados pelo Espírito.  Muitos de nós confiamos em certos dons e habilidades que temos para tentar manter a felicidade, mas temos que buscar a maturidade

Simétrico: Paulo usa a palavra fruto no singular para descrever uma lista de características, ele nunca fala em frutos.  Porque o fruto real do Espírito e suas características crescem juntas.

Quando olhamos a lista de características, vemos que algumas somos melhores e outras nem tanto devido ao nosso temperamento natural ou nosso interesse pessoal. Mas, isto não é sinal de que é uma obra do Espírito Santo.

Quando realmente estamos com a vida sendo guiada pelo Espírito Santo, não vamos estar buscando o bem do outro por causa de :

DESEJAMOS SER ELOGIADOS (VANGLÓRIA)
PARA IRRITAR OUTRA PESSOA.
PARA PARECER MELHOR QUE OS OUTROS (INVEJA)


Uma vida guiada pelo Espírito tem BASE certa, MODO certo e OBJETIVO certo.

DESEJO DE AGRADAR A DEUS.
DESEJO DE SERVIR A OUTRA PESSOA.
DESEJO DE OUTROS MELHORAREM.


O FRUTO.


AMOR (agape): isto significa servir uma pessoa por causa do valor intrínseco dela, não pela vantagem que você pode ter. O oposto é o medo, a auto-proteção ou o abuso de pessoas. 

GOZO (chara): uma alegria em Deus em ver a beleza e o valor de quem Ele é. Seu oposto é desespero, é aquela alegria baseada apenas nas circunstâncias.

PAZ ( irene): significa uma confiança e um descanso na sabedoria e no controle de Deus ao invés do seu próprio. Seu oposto é ansiedade e preocupação.

PACIÊNCIA (markothumia): uma habilidade para encarar o problema sem explodir ou diminuir, não tendo ressentimento ou cinismo.

BENIGNIDADE (chrestotes): é a habilidade de servir aos outros de maneira que ficamos vulneráveis que vem de uma profunda segurança interna. Seu oposto é inveja, que não permite que nos alegremos com a felicidade dos outros.

BONDADE ( agathosune): zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal, não é viver de modo hipócrita.

FIDELIDADE ( pistis): lealdade constante e inabalável, É diferente de ser oportunista, aquele que é amigo apenas em boas tempos.

MANSIDÃO (prautas): moderação, associada à força e à coragem, significa humildade. O oposto é aquela pessoa que se sente superior.

TEMPERANÇA (egkrateia): a habilidade de procurar o importante ao invés do urgente ao invés de ser impulsivo ou incontrolável, é o domínio sobre os nossos próprios desejos.


Crucificar a nossa natureza pecaminosa é dizer a Deus que o nosso coração tem seus falsos salvadores que precisam ser eliminados da nossa vida nova em Cristo. É olhar para Jesus somente e começar refletir o amor dele em todos os aspectos da nossa vida.

Devemos adorar a Cristo com a ajuda do Espírito Santo, adorando a Ele com seus coração  buscando em Deus mais beleza  que tudo que tenho. Enquanto faço isto, estou colocando a morte minha velha natureza, a carne, limpando o espaço para que o Espírito cresça e assim o fruto vai crescendo e me transformando.

"Paulo não cria uma represa contra o rio do prazer, ele cria um canal para ele. Ele diz: "maridos e esposas, reconheçam que no casamento vocês se tornaram uma só carne. Se vocês viverem para seu prazer particular à custo do seu cônjuge, vocês vão viver contra si mesmos e destruir seu prazer. Mas se vocês se dedicarem de  todo seu coração ao prazer santo do seu cônjuge, vocês estarão vivendo para seu prazer também e vivenciando o casamento de acordo com a imagem de Cristo e sua igreja". É isto o que Deus para o casamento: expor a glória de Cristo ao buscar seu prazer no prazer santo do seu amado"  John Piper, Plena Satisfação em Deus,  p. 69

terça-feira, julho 14, 2015

A ESTRANHA E COMUM FAMÍLIA DE MICA

O livro de Juízes se concentrou até agora nos tempos que Deus interveio para salvar Israel de seu declínio espiritual e queda na idolatria. Cada episódio da narrativa segue um padrão cíclico de rebelião, retribuição, arrependimento e resgate.  Vimos que a rebelião vai se aprofundando e cada vez mais há menos arrependimento. Como também, a salvação é tida com uma menor cooperação da parte dos israelitas. Finalmente, o último juiz, Sansão sozinho. 

Os quatro últimos capítulos parecem não seguir uma ordem cronológica. Eles relatam em mais detalhes como era a vida do povo de Israel durante o período de Juízes. 


QUEM É MICA?
Havia um homem chamado Mica, dos montes de Efraim, que disse certa vez à sua mãe: "Os treze quilos de prata que foram roubados de você e pelos quais eu a ouvi pronunciar uma maldição, na verdade a prata está comigo; eu a peguei".Disse-lhe sua mãe: "O Senhor o abençoe, meu filho!" (Jz 17:1-2)

Micá roubou três quilos (mil e cem moedas) de prata que sua mãe tinha acumulado. Ela não sabia que ele havia roubado isto, e então proclamou uma maldição sobre o ladrão. Ele, ouvindo a maldição, confessou que roubou de sua mãe e devolveu a quantia. 

E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
O que isto nos conta sobre o caráter de Mica? Nos fala que ele não é nem uma pessoa ruim nem boa. Se ele fosse ruim, não devolveria o dinheiro. Se ele fosse bom, não teria roubado. Ele é um homem sem muita substância, uma pessoa de fraco caráter e sem princípios.

Nestes tempos, uma maldição era tomada a sério. Uma maldição bíblica era uma predição da quebra da lei que traria destruição. Mas no mundo pagão, a maldição tinha algo de mágico, isto é o padrão da família de Mica, a maldição, segue-se uma bênção.


COMO ERA ESTA MÃE?

De uma certa forma, ela era boa para perdoar. Ela imediatamente perdoa ele com uma bênção assim que recebe de volta seu tesouro. Mas, isto nos dá um vislumbre da razão do vazio de Mica. A rapidez da mudança da mãe sem qualquer processo ou limpeza para remover a infecção, não um processo de arrepedimento, apenas de medo em relação a maldição. Não existe uma análise de coração para discernir as razões e as motivações para o roubo e nem uma mudança humilde ou graça para mudar.

E havia um homem da montanha de Efraim cujo nome era Mica, 2   o qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa deitavas maldições e também as disseste em meus ouvidos, eis que esse dinheiro eu o tenho, eu o tomei. Então, disse sua mãe: Bendito seja meu filho do SENHOR. 3   Assim, restituiu as mil e cem moedas de prata à sua mãe; porém sua mãe disse: Inteiramente tenho dedicado este dinheiro da minha mão ao SENHOR para meu filho, para fazer uma imagem de escultura e de fundição; de sorte que agora to tornarei a dar. 4   Porém ele restituiu aquele dinheiro a sua mãe, e sua mãe tomou duzentas moedas de prata e as deu ao ourives, o qual fez delas uma imagem de escultura e de fundição, e esteve em casa de Mica. 5   E tinha este homem, Mica, uma casa de deuses, e fez um éfode e terafins, e consagrou a um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote. 6   Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos. 7   E havia um jovem de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita e peregrinava ali. 8   E este homem partiu da cidade de Belém de Judá para peregrinar onde quer que achasse comodidade; chegando ele, pois, à montanha de Efraim, até à casa de Mica, seguindo o seu caminho, 9   disse-lhe Mica: De onde vens? E ele lhe disse: Sou levita de Belém de Judá e vou peregrinar aonde quer que achar comodidade. 10   Então, lhe disse Mica: Fica comigo e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez moedas de prata, e vestuário, e o teu sustento. E o levita entrou. 11   E consentiu o levita em ficar com aquele homem; e este jovem lhe foi como um de seus filhos.
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Assim restituiu as mil e cem moedas de prata à sua mãe; porém sua mãe disse: Inteiramente tenho dedicado este dinheiro da minha mão ao Senhor, para meu filho fazer uma imagem de escultura e uma de fundição; de sorte que agora to tornarei a dar.
Porém ele restituiu aquele dinheiro à sua mãe; e sua mãe tomou duzentas moedas de prata, e as deu ao ourives, o qual fez delas uma imagem de escultura e uma de fundição, que ficaram em casa de Mica.
E teve este homem, Mica, uma casa de deuses; e fez um éfode e terafins, e consagrou um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote.
Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos.
E havia um moço de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita, e peregrinava ali.
E este homem partiu da cidade de Belém de Judá para peregrinar onde quer que achasse conveniente. Chegando ele, pois, à montanha de Efraim, até à casa de Mica, seguindo o seu caminho,
Disse-lhe Mica: Donde vens? E ele lhe disse: Sou levita de Belém de Judá, e vou peregrinar onde quer que achar conveniente.
Então lhe disse Mica: Fica comigo, e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez moedas de prata, e vestuário, e o sustento. E o levita entrou.
E consentiu o levita em ficar com aquele homem; e o moço lhe foi como um de seus filhos.
Juízes 17:1-11

A mãe de Micá invoca o nome do Senhor (vs. 2-3), e aqui o nome invocado é o de Yahweh, não um deus pagão Dagon ou Baal. Eles adoravam ao Senhor pelo seu nome.

Ele estabelece um santuário (vs.5) tem tanto um efode - uma estola sacerdotal - e um sacerdote. Até mesmo mais tarde, houve um esforço para contratar um Levita para ser o sacerdote mostra que externamente eles estavam seguindo as regras básicas para adoração dadas pela lei mosaica.  Eles tinham um tabernáculo, um sacerdote levita e um efode.


COMO ISTO CONTRADIZ A LEIS DE DEUS?

Primeiro, a mãe de Mica mostra sua gratitude para Deus criando dois ídolos (vs.4).  Isto é um flagrante desrespeito ao segundo mandamento - Ex 20:4-5, Dt 4:16-. onde Deus não permite que se faça imagem dele. Deus diz que não deve ser adorado uma forma criada e moldada. No Santo dos Santos, acima do trono de Deus, a arca da aliança, existe nenhuma imagem ou estátua ou algo que se aparenta como Deus. Mas, a mãe de Mica está sendo incongruente. Isto demonstra quão vazia a religião em Israel se tornou. 

Em adição, Mica colocou este altar em seu lar.  Deus não permite que os israelitas adorarem a Deus no lugar onde eles querem, mas Mica coloca faz um santuário para sua própria conveniência. Isto nos mostra que a religião de Israel se tornou algo de conveniência pessoal.

Mica faz de seu filho um sacerdote. De novo, isto contradiz a revelação mosaica que diz que apenas a tribo de Levi poderia dar os sacerdotes. Mica e sua mãe, contudo, querem levantar sua família para o sacerdócio. Quando um levita vem junto a eles, eles consideram uma ascensão - vs. 7-13, porque eles conheciam a lei mosaica. Isto nos mostra que eles consideravam a obediência a lei de Deus como opcional.

Todos estes são maneiras diferentes de violar um princípio fundamental, a fé de Israel é uma fé revelada em que Deus revela a si mesmo na sua Palavra, não a descobrimos através de nossa razão ou experiência.  Em resumo, Deus diz, me adore como eu sou, não como você quer que eu seja.  Me adore como meu coração direcione,  e não como seu coração dirige. A família de Mica molda um Deus que é conveniente para adorar. Eles seguem as leis que querem e ignoram as que não querem.

 O primeiro dos 10 mandamentos nos proibe de adorar outros deuses, mas o segundo nos proibe de adorar a Deus por imagens que fazemos. Qual é a diferença?


A diferença entre adorar imagens dos outros deuses e adorar Deus com imagens?  No primeiro, a idolatria é bem clara, mas no segundo a coisa é mais sútil, fazemos Deus de acordo com os nossos deuses internos.  Eles gostam de Urim e Tumim, para saber sim ou não, mas não gostam da ideia de que existe apenas um éfode e um santuário central. 


 O Catecismo Maior de Westminster nos explica o segundo mandamento:

Os deveres exigidos no segundo mandamento são - o receber, observar e guardar, puros e inalterados, todo o culto e todas as ordenaças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra, especialmente a oração e ações de graças em nome de Cristo; a leitura, a prédica, e o ouvir da Palavra; a administração e a recepção dos sacramentos; o governo e a disciplina da igreja; o ministério e a sua manutenção; o jejum religioso, o jurar em nome de Deus e o fazer os votos a Ele; bem como o desaprovar, detestar e opor-nos a todo o culto falso, e, segundo a posição e vocação de um, o remover tal culto e todos os símbolos de idolatria.

Cada cultura luta com o Deus bíblico de formas distintas,  porque Deus contradiz cada sociedade e cada coração de maneiras diferentes. As culturas antigas eram supersticiosas e mágicas, Deus as contradiz ao mostrar que ele não deveria ser adorado como um deus da casa ou através de encantos mágicos. 

O verso 13 nos mostra que o alvo ultimo da religião: Então, disse Mica: Agora sei que o SENHOR me fará bem, porquanto tenho um levita por sacerdote.  Em outras palavras, o propósito desta religião é ter acesso a Deus para ter algo dele para aquilo que queremos. O alvo da verdadeira fé é dar acesso a Deus para que ele nos dê o que ele quer... O propósito da religião é ter Deus para servir você, o propósito da fé no evangelho é ter um coração para servi-Lo. O alvo da religião idolátrica é sempre controlar Deus e assegurar seu favor apertando os botãos certos. 

Os versos 4 e 5 mostra que eles estavam procurando comprar o favor de Deus com sua boas obras e atividades. 

O verso 6 nos mostra o padrão para este comportamento e prática,  cada um faz o que é certo aos seus próprios olhos.  O padrão para o que era certo e o que estava errado era suas próprias sensibilidades, sentimentos e experiência. Em outras palavras, eles estavam julgando a Deus a partir de sua própria experiência, ao invés ao julgar sua própria experiência a partir de Deus.  

Já que na religião nos colocamos como nossos próprios salvadores, também nos colocamos como nossos próprios senhores. A religião está centrada no eu, e como Deus pode me dar aquilo que eu sei que é bom e direito.


 Why did a Levite, a man charged with teaching and maintaining the law, consent to serve a group of sacred images? Why did Micah set them up in the first place, and why did the Danites jump at the chance to steal them for themselves? The answer almost certainly is that popular religion, the religion of the local villages, was not the pure monotheism required by the law at Sinai. Recent excavations at Tell Qiri, a settlement dating to the period of the judges, revealed a similar household shrine with incense burners and a large number of animal bones. A substantial percentage of the bones proved to be the right foreleg of goats. This is reminiscent of the law in Exod 29:22, which calls for the sacrifice of the “right thigh” of the ram. (Manners & Customs of the Bible, p.76)

O CORAÇÃO DA MÃE

A mãe de Mica promete todo seu dinheiro para o Senhor, mas guarda a maioria para si (vs.4).  Isto mostra que ela não tinha Deus como soberano de sua vida.  Vemos que no verso 3, ela consagra toda a soma para Deus, mas ela apenas usa 2/11 para adorar e guardar o resto para si (vs.4). Isto é hipocrisia.  

Da mesma maneira, muitas pessoas usam uma linguagem religiosa, falando sobre Deus e Jesus como Senhor, mas na realidade, eles obedecem apenas em alguns setores das suas vidas, preservando outras áreas em que vivem como querem. Isto, algumas vezes, pode ser pura hipocrisia, mas é normalmente é uma falha  em pensar as implicações do evangelho para cada area da vida.  Em Galatas 2:14, Paulo confronta Pedro sobre sentimentos racistas. 


O POVO DE DÃ

Juízes 18:1-2: Naqueles dias, não havia rei em Israel, e nos mesmos dias a tribo dos danitas buscava para si herança para habitar; porquanto até àquele dia entre as tribos de Israel lhe não havia caído em herança bastante sorte.  E enviaram os filhos de Dã da sua tribo cinco homens dos seus confins, homens valorosos, de Zorá e de Estaol, a espiar e rastejar a terra; e lhes disseram: Ide, rastejai a terra. E vieram à montanha de Efraim, até à casa de Mica, e passaram ali a noite.

Quem é Dã? O escritor de Juízes já nos respondeu isto no começo do livro. Dã tinha recebido uma parte específica de Canaã. Sua herança foi prometida em Js 19:40-46. E Deus disse a todo Israel que se eles obedecessem e o amassem  e se lutassem corajosamente, ele iria expulsar os cananeus diante deles (Js 23:4-11).  Mas, em Jz 1:19-36 nos conta que várias tribos de Israel falharam em cumprir esta obrigação. 

Dã, contudo, foi diferente, vemos em 1:34 que eles falharam na sua obrigação militar, nem conseguiram entrar na terra. Foram forçados a viver numa vida semi-nomadismo nas montanhas. 

Os homens de Dã são como Mica. Primeiro, eles desobedecem a Deus. Segundo, ele mostra nos versos 5-6 e 14-2 uma visão idolatra, supersticiosa de Deus. Eles querem ser guiados e abençoados, mas esperam encontrar isto através da atividade religiosa ao invés de arrependimento e graça. 

Nos versos 7-10, eles encontram uma boa terra onde podem ficar por suas próprias forças, sem precisarem de Deus. Os danitas que recusavam ouvir a Deus, decidem que seu Deus os abençoou e vão para tomar a terra (vs. 10-12)

No caminho, eles passam pela casa de Mica. Acreditam que a estátua é um sinal divino, e a tomam por especial (vs. 15-18). O levita que lá está diz que está disposto a ser sacerdote de todos eles ao invés de uma casa apenas. É uma grande promoção para um homem que estava vagando sem casa. Feliz, ele se junta aos danitas (vs. 20)

Vemos que o levita serve apenas a si mesmo. Ele serve a quem o pagar, fala ao povo o que eles querem ouvir e se move por coisas que o impressionam.  Suas decisões são movidas por auto-interesse


Ele respondeu: "Vocês estão levando embora os deuses que fiz e o meu sacerdote. O que me sobrou? Como é que ainda podem perguntar: ‘Qual é o seu problema? ’ " Os homens de Dã responderam: "Não discuta conosco, senão alguns homens de temperamento violento o atacarão, e você e a sua família perderão a vida". E assim os homens de Dã seguiram seu caminho. Vendo que eles eram fortes demais para ele, Mica virou-se e voltou para casa. Juízes 18:24-26

Mica e seus vizinhos vão a guerra contra os danitas por causa dos deuses e do sacerdote.  Tudo que ele confiava era nas coisas e não em Deus. 

No final, a religião feita pelo homem vai desapontar. Aquilo que colocamos como o nosso deus- dinheiro, prazer, poder- não vai dar o que queremos. A pessoa que coloca isto como alvo vai terminar sendo bloqueada por alguém ou algo mais forte que ela para ser abençoado,


Os versos 25-31 nos mostram o desejo claro por poder pessoal como o fundamento de tudo que fazem.


E os filhos de Dã levantaram para si aquela imagem de escultura, e Jônatas, filho de Gérson, o filho de Manassés, ele e seus filhos foram sacerdotes da tribo dos danitas, até ao dia do cativeiro da terra. Assim, pois, a imagem de escultura, que fizera Mica, estabeleceram para si, todos os dias que a casa de Deus esteve em Siló  (Jz 18:30-31)

É chocante percebemos que o levita que participa de tudo isto é o neto de Moisés. 

A história nos dá um grande exemplo da banalidade do mal. O mal não faz as pessoas incrivelmente ruins e violentas, mas ele nos deixa vazios.  São homens guiados pelos desejos de ganho ou poder, pelos medos e raivas, que nada escolhem por si mesmos.



segunda-feira, julho 13, 2015

Pedro Lucas Dulci: Ortodoxia Integral


Pedro Lucas Dulci do Movimento Mosaico escreveu um livro sobre Missão Integral, ou melhor, Ortodoxia Integral que entra na literatura cristã como referência. O livro está junto com Justiça Generosa e Ministries of Mercy do Tim Keller,  Missão do Povo de Deus do Christopher J. Wright e Igreja Missional do Michael Goheen etc na galeria dos obrigatórios. 

O propósito do livro é conectar novamente a teoria e a prática da vida cristã. Não como elementos opostos ou complementares, mas conexos. A velha questão entre evangelização e ação social.

"O principal desafio que a igreja brasileira tem no início do século 21 é restabelecer o equilíbrio entre pensamento teológico ortodoxo e ação integral da igreja na sociedade" (p. 33)

Utilizando a ferramenta de Foucault de "cuidado de si", o autor começa uma análise sobre oposição artificial entre prática e teoria, a partir do capítulo 4. 

No capítulo 5, o autor coloca como a gênese do rompimento entre teoria e prática, a classificação dos saberes de Aristóteles. Como também a valorização do conhecimento teórico em relação ao prático. Se Aristóteles foi a gênese filosófica da separação, por outro lado, o começo religioso veio com o gnosticismo, que prometia aos membros um conhecimento misterioso e místico, de apelo mais individualista. 

No próximo capítulo, o autor vai a Tomás, aquele que trouxe a ruptura na teologia, colocando dois modos de conhecimento da realidade, o doutor angélico traz o aristotelismo para a teologia. No sétimo capítulo, o autor fala de que esta ruptura produziu teólogos com grande conhecimento mas sem nenhuma implicação prática na sua vida do conhecimento de Deus.

Na segunda sessão, ele fala da ortodoxia integral como missão e a importância da reforma para romper com essa desconexão entre teoria e prática, entre natureza e graça.

Lutero começa a reforma rejeitando a escolástica tomista, contudo, fica preso ainda a divisão de reinos, daí a teoria luterana dos dois reinos que ainda não conseguiu romper com a divisão entre teoria e prática. 

Cabe a geração de Calvino, o restabelecimento da vida prática com a vida teórica. A idéia de Cristo como transformador da cultura

"Que foi formado na criação tem sido historicamente deformado pelo pecado e deve ser reformado em Cristo" Wolters

No capítulo 10, o autor fala como Calvino em sua vivência chegou a conexão entre a teoria e a prática até chegar as esferas de Kuyper.

"Kuyper explica que na ordem criacional de Deus revelada nas Escritura, sua soberania se manifesta culturalmente através de esferas diferentes. Ao invés de qualquer instituição ou grupo de pessoas deterem um poder absoluto sobre o resto da criação, Deus constituiu esferas soberanas diferentes, que devem manter seu campo de atuação dentro dos seus limites particulares" (p. 130)

Kuyper nos ensina a identidade, a natureza e a independência de cada esfera social e  as funções legítimas de cada esfera, com isto, há bases teóricas para uma missão integral da igreja.

No capítulo 11, Pedro fala de três equivocos da missão da igreja quando pretende assumir que a integralidade de sua missão é:

1. IMPOR  SUA RESPONSABILIDADE A OUTRAS ESFERAS DA SOCIEDADE: o proselitismo.

2. PRIORIZAR OUTRAS RESPONSABILIDADES QUE NÃO SÃO SUAS. o constantismo, quando a igreja busca ser relevante demais ou prioriza um aspecto em detrimento de outros.

3. ISOLAR-SE EXCLUSIVAMENTE NA PREGAÇÃO DO EVANGELHO. a igreja esquece que além do mandato evangelístico, há o cultural (GN 1:27-28, RM 8:19-21), espiritual (AP 19:6-7) e social (GN 1:26, 2:22-24).

Com a visão da reconciliação entre natureza e graça de Calvino e as esferas soberanas de Kuyper, mais do parceiras, a evangelização e a ação social estão ligadas como a teoria e prática cristã. Fé sem obras é morta. 

A salvação pela fé leva a as obras por causa da justificação pela graça que nos faz diferentes e sedentos em sermos sinais da graça de Deus entre os homens. 

Complementando, há também a questão do reino de Deus, que fomos salvos para a solidificação deste reino, o autor tem uma visão bem a-milenista, que fortalece o compromisso social.

Citando Bonhoeffer- crer é obedecer e obedecer é crer.





quinta-feira, julho 02, 2015

O Nascimento de Sansão



Juízes 13:1-25Os israelitas voltaram a fazer o que o Senhor reprova, e por isso o Senhor os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos. Certo homem de Zorá, chamado Manoá, do clã da tribo de Dã, tinha mulher estéril. Certo dia o anjo do Senhor apareceu a ela e lhe disse:  "Você é estéril, não tem filhos, mas engravidará e dará à luz um filho. Todavia, tenha cuidado, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro; e não se passará navalha na cabeça do filho que você vai ter, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus desde o nascimento; ele iniciará a libertação de Israel das mãos dos filisteus". Então a mulher foi contar tudo ao seu marido: "Um homem de Deus veio falar comigo. Era como um anjo de Deus, de aparência impressionante. Não lhe perguntei de onde tinha vindo, e ele não me disse o seu nome, mas ele me assegurou: ‘Você engravidará e dará à luz um filho. Todavia, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus, desde o nascimento até o dia da sua morte’ ". Então Manoá orou ao Senhor: "Senhor, eu te imploro que o homem de Deus que enviaste volte para nos instruir sobre o que fazer com o menino que vai nascer". Deus ouviu a oração de Manoá, e o anjo de Deus veio novamente falar com a mulher quando ela estava sentada no campo; Manoá, seu marido, não estava com ela. Mas ela foi correndo contar ao marido: "O homem que me apareceu outro dia está aqui! " Manoá levantou-se e seguiu a mulher. Quando se aproximou do homem, perguntou: "És tu o que falaste com a minha mulher? " "Sim", disse ele. "Quando as suas palavras se cumprirem", Manoá perguntou, "como devemos criar o menino? O que ele deverá fazer? " O Anjo do Senhor respondeu: "Sua mulher terá que seguir tudo o que eu lhe ordenei. Ela não poderá comer nenhum produto da videira, nem vinho ou bebida fermentada, nem comer nada impuro. Terá que obedecer a tudo o que lhe ordenei". Manoá disse ao Anjo do Senhor: "Gostaríamos que ficasses conosco; queremos oferecer-te um cabrito". O anjo do Senhor respondeu: "Se eu ficar, não comerei nada. Mas, se você preparar um holocausto, ofereça-o ao Senhor". Manoá não sabia que ele era o anjo do Senhor. Então Manoá perguntou ao anjo do Senhor: "Qual é o teu nome, para que te prestemos homenagem quando se cumprir a tua palavra? " Ele respondeu: "Por que pergunta o meu nome? Meu nome está além do entendimento". Então Manoá apanhou um cabrito e a oferta de cereal, e os ofereceu ao Senhor sobre uma rocha. E o Senhor fez algo estranho enquanto Manoá e sua mulher observavam: Quando a chama do altar subiu ao céu, o Anjo do Senhor subiu na chama. Vendo isso, Manoá e à sua mulher prostraram-se, rosto em terra. Como o Anjo do Senhor não voltou a manifestar-se a Manoá e à sua mulher, Manoá percebeu que era o Anjo do Senhor. "Sem dúvida vamos morrer! " disse ele à mulher, "pois vimos a Deus! " Mas a sua mulher respondeu: "Se o Senhor tivesse a intenção de nos matar, não teria aceitado o holocausto e a oferta de cereal das nossas mãos, nem nos teria mostrado todas essas coisas, nem nos teria revelado o que agora nos revelou". A mulher deu à luz um menino e pôs-lhe o nome de Sansão. Ele cresceu, e o Senhor o abençoou, e o Espírito do Senhor começou a agir nele quando ele se achava em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.



POR QUE OS OLHOS IMPORTAM?
Os israelitas voltaram a fazer o que o Senhor reprova, e por isso o Senhor os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos Juízes 13:1

Mais uma vez, ficamos sabendo que os israelitas fizeram o que era mal aos olhos do Senhor e, também, o resultado disso, foi a opressão e a escravidão. O pecado sempre nos leva a escravidão - Rm 6:12.

Certo homem de Zorá, chamado Manoá, do clã da tribo de Dã, tinha mulher estéril. Juízes 13:2
A partir do versículo 2 e seguintes, Deus começa a preparar um resgatador para salvar o povo. Não há indicação desta vez que Israel estava arrependida ou clamando. Em todos os ciclos anteriores, há uma oração e arrependimento por parte do povo (3:9; 3:15; 6:7; 10:10). 

Nos versos 1-7 do capítulo 10 também não há uma indicação de uma oração ou um arrependimento pela parte do povo, mas há a descrição do ciclo de apostasia-avivamento. 

O termo "mal aos olhos de Senhor" começamos a ver em 2:11 e continua a se repetir em todo o livro. Isto se coloca num contraste claro com o último verso de Juízes 21:25:

Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos Juízes 21:25



O Escritor está nos falando que aos olhos das pessoas, as coisas não pareciam mal algum. Em outras palavras, em sua percepção, a maioria ou todo seu comportamento era perfeitamente aceitável. Eles não pensavam que estavam fazendo o mal por que era mal. Isto nos ensina duas coisas sobre o pecado:

1. Definição de pecado:

O termo "os olhos do Senhor" está em contraste com "seus próprios olhos", isto nos ensina que o pecado não consiste numa violação da nossa consciência apenas ou nossos padrões pessoais ou sociais, mas é violar a vontade de Deus. Isto vai contra a mentalidade moderna de que cada um pode definir o que é certo e errado, ou em outras palavras, meus próprios olhos, meus sentimentos, minhas percepções que devem decidir aquilo que está correto ou não. 

O pecado deve ser definido como uma violação a vontade de Deus para nós. Aquilo que Deus enxerga como pecado é pecado, independente do que sentimos ou de que nossos experts dizem. 

2. Engano do pecado.

Isto também nos lembra quão facilmente podemos nos auto-enganar. Os israelitas racionalizaram e assentiram com o pecado, então eles estão numa etapa de negação. Eles achavam que não havia nada de errado com que estavam fazendo. Há uma profunda negação do conhecimento de Deus, rejeitando sua vontade.  

Muitas vezes, não sabemos onde estas racionalizações estão, mas devemos lembrar que o coração de todo pecado é idolatria e ídolos não são coisas ruins apenas, coisas boas podem se tornar as esperanças e amores de muita gente.  E um ídolo é por natureza enganoso. Isto  nos fala sobre sermos sensíveis e cuidadosos quando colocamos alguma coisa ou alguém no lugar de Deus em nossos corações. 

Devemos estar sempre nos avaliando através de uma reflexão bíblica e vendo se não estamos mascarando pecados como materialismo, preocupação, orgulho e amargura. 


E assim na consciência de nossa ignorância, fatuidade, penúria, fraqueza, enfim, de nossa própria depravação e corrupção, reconhecemos que em nenhuma outra parte, senão no Senhor, se situam a verdadeira luz da sabedoria, a sólida virtude, a plena abundância de tudo que é bom, a pureza da justiça, e daí somos por nossos próprios males instigados à consideração das excelências de Deus. Nem podemos aspirar a ele com seriedade antes que tenhamos começado a descontentar-nos de nós mesmos. Pois quem dos homens há que em si prazerosamente não descanse,quem na verdade assim não descanse, por quanto tempo é a si mesmo desconhecido, isto é, por quanto tempo está contente com seus dotes e ignorante ou esquecido de sua miséria? Conseqüentemente, pelo conhecimento de si mesmo cada um é não apenas aguilhoado a buscar a Deus, mas até como que conduzido pela mão a achá-lo ( CALVINO, Institutas, )

VOCÊ TERÁ UM FILHO


E havia um homem de Zorá, da tribo de Dã, cujo nome era Manoá; e sua mulher, sendo estéril, não tinha filhos. E o anjo do Senhor apareceu a esta mulher, e disse-lhe: Eis que agora és estéril, e nunca tens concebido; porém conceberás, e terás um filho. Agora, pois, guarda-te de beber vinho, ou bebida forte, ou comer coisa imunda. Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus. Juízes 13:2-5
Deus começa a salvar o seu povo. Sansão é o único juiz escolhido antes de nascer. Manoá era estéril e anjo do Senhor aparece para ela, dizendo que ela iria conceber um filho. Ela deveria não beber vinho e nem consumir nenhum alimento impuro. Não poderia cortar o cabelo do filho, porque ele foi escolhido para ser nazireu.

O voto de nazireu está no livro de Números 6:1-21, e contém três estipulações básicas: um nazireu não poderia cortar seu cabelo durante o período do voto, não poderia beber ou produzir vinho  e nem entrar em contato com qualquer corpo morto.

O propósito do voto era pedir para Deus uma ajuda especial durante um tempo de crise. Era um sinal de que estava se buscando a Deus com grande intensidade e concentração.  Não cortar o cabelo e não consumir vinho era formas de mostrar que vocês estava se dedicando a um objetivo. Não tocar em corpo morto, era um sinal de que estava se adotando regras rígidas de pureza cerimonial, pois os sacerdotes tinham esta regra porque trabalhavam na casa de Deus, estavam na presença de Deus. O voto, então, significa que o nazireu está vivendo diante da presença de Deus todos os dias.

Em Nm 6, é claro que o voto é voluntário e feito durante um certo período de tempo. Mas, Sansão nasceu no voto, seus pais votaram por ele, e ele deveria ser um nazireu pelo resto de sua vida. Sua mãe não poderia tomar vinho ou comer algo impuro, porque Sansão já estava dentro dela. 


O DEUS DO IMPOSSÍVEL


Então a mulher entrou, e falou a seu marido, dizendo: Um homem de Deus veio a mim, cuja aparência era semelhante a de um anjo de Deus, terribilíssima; e não lhe perguntei donde era, nem ele me disse o seu nome. Porém disse-me: Eis que tu conceberás e terás um filho; agora pois, não bebas vinho, nem bebida forte, e não comas coisa imunda; porque o menino será nazireu de Deus, desde o ventre até ao dia da sua morte Juízes 13:6,7
Este nascimento de uma estéril aponta para um Deus que está além das possibilidades humanas e naturais. 

A mãe de Sansão mostrou uma completa fé em Deus e sua capacidade de ir além do possível.  Ela acreditou na palavra daquele anjo. Tanto que fala com seu marido com convicção. 

Ela também foi obediente, ela aceitou o voto de nazirado para si. 


ALGO MELHOR QUE REGRAS.


Então Manoá orou ao Senhor, e disse: Ah! Senhor meu, rogo-te que o homem de Deus, que enviaste, ainda venha para nós outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que há de nascer. E Deus ouviu a voz de Manoá; e o anjo de Deus veio outra vez à mulher, e ela estava no campo, porém não estava com ela seu marido Manoá. Apressou-se, pois, a mulher, e correu, e noticiou-o a seu marido, e disse-lhe: Eis que aquele homem que veio a mim o outro dia me apareceu. Então Manoá levantou-se, e seguiu a sua mulher, e foi àquele homem, e disse-lhe: És tu aquele homem que falou a esta mulher? E disse: Eu sou. Então disse Manoá: Cumpram-se as tuas palavras; mas qual será o modo de viver e o serviço do menino? E disse o anjo do Senhor a Manoá: De tudo quanto eu disse à mulher se guardará ela. De tudo quanto procede da videira não comerá, nem vinho nem bebida forte beberá, nem coisa imunda comerá; tudo quanto lhe tenho ordenado guardará. Então Manoá disse ao anjo do Senhor: Ora deixa que te detenhamos, e te preparemos um cabrito. Porém o anjo do Senhor disse a Manoá: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o oferecerás ao Senhor. Porque não sabia Manoá que era o anjo do Senhor. E disse Manoá ao anjo do Senhor: Qual é o teu nome, para que, quando se cumprir a tua palavra, te honremos? E o anjo do Senhor lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso? Então Manoá tomou um cabrito e uma oferta de alimentos, e os ofereceu sobre uma penha ao Senhor: e houve-se o anjo maravilhosamente, observando-o Manoá e sua mulher. E sucedeu que, subindo a chama do altar para o céu, o anjo do Senhor subiu na chama do altar; o que vendo Manoá e sua mulher, caíram em terra sobre seus rostos. E nunca mais apareceu o anjo do Senhor a Manoá, nem a sua mulher; então compreendeu Manoá que era o anjo do Senhor. E disse Manoá à sua mulher: Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus. Porém sua mulher lhe disse: Se o Senhor nos quisesse matar, não aceitaria da nossa mão o holocausto e a oferta de alimentos, nem nos mostraria tudo isto, nem nos deixaria ouvir tais coisas neste tempo. Juízes 13:8-23


O pai de Sansão também  mostrou fé. Ele pede a Deus que o anjo volte a visitar aquela casa, para ensinar como deve crescer o menino.  Este pedido não é uma falta de fé, mas uma fé ainda maior que pede a Deus ajuda para ensinar um menino que ainda nem nasceu.

Deus envia o anjo novamente,  e agora, aparece a mulher que chama o esposo e passa as instruções de como será. 

Ainda influenciada pela cultura pagã, Manoá tenta oferecer comida para o mensageiro como também essa busca em saber o nome do anjo. Ela busca tentar controlar Deus com suas perguntas e gestos. Aí, o anjo sobe na chama do altar que estava o cabrito, e eles entendem que realmente era o anjo do Senhor, que não poderia ser manipulado ou controlado, mas que deveria ser reverenciado.


"Pensamos que precisamos de regras, mas precisamos conhecer Deus. Deus não e não quer nos dar um livro guia para cada tropeço e volta, cada dúvida e decisão na nossa vida. Ele nos dá algo muito melhor- ele nos dá a si mesmo" (Tim Keller, p. 132).
Keller lê esta passagem como os pais tentando buscar regras para viverem uma vida de acordo com aquilo que Deus quer ao invés de buscar o próprio Deus, de o adorá-lo. Ele nos lembra que o Novo Testamento existem muitas poucas regras porque agora nós temos acesso a Deus pelo Espírito Santo que nos guia, nós temos a mente de Cristo.


Bem-aventurados os que não viram, e ainda, como Manoá, ter acreditado. Bons homens são mais cuidadosos e desejosos de saber o dever de ser feito por eles, do que saber os eventos que lhes dizem respeito: dever é nosso, eventos pertencem a Deus. Deus guiará os de seu conselho, que desejam conhecer seu dever, e se aplicam a ele para ensiná-los. Pais piedosos, especialmente, vai implorar ajuda divina. O anjo repete as instruções que ele tinha antes dado. Há necessidade de muito cuidado para o direito de pedir tanto de nós mesmos e nossos filhos, para que possamos ser devidamente separado do mundo, e os sacrifícios de vida ao Senhor. (MATTHEW HENRI, COMENTÁRIO CONCISO)


O NOME SANSÃO

Depois teve esta mulher um filho, a quem pôs o nome de Sansão; e o menino cresceu, e o Senhor o abençoou. E o Espírito do SENHOR começou a incitá-lo de quando em quando para o campo de Maané-Dã, entre Zorá e Estaol. Juízes 13:24,25

O nome de Sansão significa pequeno sol. O sol é considerado um deus pelos cananeus, é uma pista da mistura que havia no pensamento do povo israelita, afinal, a mãe dá um nome pagão ao libertador do paganismo. 


Ainda assim, Deus trabalha com pessoas fracas, e Sansão é abençoado por Deus e o Espírito do Senhor começa a trabalhar em sua vida. Sansão tem toda a vantagem espiritual e bençãos. Ele é o último juiz deste livro, a última grande esperança de Israel.