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quarta-feira, julho 22, 2015

Um povo sem rei (Juízes 19-21)

Os levitas eram descendentes de Levi, um dos doze filhos de Jacó. Eram a única tribo de Israel que não tinha terra em Canaã. Ao invés de trabalharem a terra,eles tinha que viver e trabalhar para o tabernáculo e na adoração a Deus - eles eram sustentados com dízimos e ofertas do resto do povo - Nm 18:20-24. Os sacerdotes eram levitas que descendiam de Arão (Nm 3:10), enquanto que o resto dos levitas assistiam aos sacerdotes no serviço do tabernáculo. Os levitas eram considerados por Deus como consagrados para este serviço e ministério (Nm 3:5-13) e tinha uma responsabilidade especial de serem santos.

O que seria uma concubina? Um segunda esposa adquirida por compra ou como cativa de guerra, e era permitido numa sociedade poligâmica. Uma concubina era essencialmente uma escrava que não era uma prostituta, mas também não era uma esposa no sentido completo do termo. Era uma esposa de segunda classe. É por isto que nesta passagem o levita é chamado de senhor de sua concubina (Jz 19:27), mas também de seu marido (19:3). Enquanto que Deus deixa claro no começo e no ensino de Jesus que o casamento é somente entre um homem e uma mulher, muitos crentes tiveram muitas esposas e concubinas contrariando o propósito de Deus. Mas, em toda a história bíblica, vemos que a poligamia causou diversos danos e dores nas famílias sem exceção.  O que vemos aqui em Juízes é que um levita, que deveria permanecer santo, foi moldado pela cultura pagã em torno, comprando uma concubina e tratando-a como uma peça de sua propriedade.


Naquela época não havia rei em Israel. Aconteceu que um levita que vivia nos montes de Efraim, numa região afastada, tomou para si uma concubina, que era de Belém de Judá.
Mas ela lhe foi infiel. Deixou-o e voltou para a casa do seu pai, em Belém de Judá. Quatro meses depois,
seu marido foi convencê-la a voltar. Ele tinha levado o seu servo e dois jumentos. A mulher o levou para dentro da casa do seu pai, e quando seu pai o viu, alegrou-se.
O sogro dele, pai da moça, o convenceu a ficar ali; e ele permaneceu com eles três dias; todos eles comendo, bebendo e dormindo ali.
No quarto dia, eles se levantaram cedo, e o levita se preparou para partir, mas o pai da moça disse ao genro: "Coma alguma coisa, e depois vocês poderão partir".
Os dois se assentaram para comer e beber juntos. Mas o pai da moça disse: "Eu lhe peço que fique esta noite, e que se alegre".
E, quando o homem se levantou para partir, seu sogro o convenceu a ficar ainda aquela noite.
Na manhã do quinto dia, quando ele se preparou para partir, o pai da moça disse: "Vamos comer! Espere até a tarde! " E os dois comeram juntos.
Então, quando o homem, com a sua concubina e com o seu servo, levantaram-se para partir, o seu sogro, pai da moça, disse outra vez: "Veja, o dia está quase acabando, é quase noite; passe a noite aqui. Fique e alegre-se. Amanhã de madrugada vocês poderão levantar-se e ir para casa".
Não desejando ficar outra noite, o homem partiu rumo a Jebus, isto é, Jerusalém, com dois jumentos selados e com a sua concubina.
Juízes 19:1-10
Naquela época não havia rei em Israel. Aconteceu que um levita que vivia nos montes de Efraim, numa região afastada, tomou para si uma concubina, que era de Belém de Judá.
Mas ela lhe foi infiel. Deixou-o e voltou para a casa do seu pai, em Belém de Judá. Quatro meses depois,
seu marido foi convencê-la a voltar. Ele tinha levado o seu servo e dois jumentos. A mulher o levou para dentro da casa do seu pai, e quando seu pai o viu, alegrou-se.
O sogro dele, pai da moça, o convenceu a ficar ali; e ele permaneceu com eles três dias; todos eles comendo, bebendo e dormindo ali.
No quarto dia, eles se levantaram cedo, e o levita se preparou para partir, mas o pai da moça disse ao genro: "Coma alguma coisa, e depois vocês poderão partir".
Os dois se assentaram para comer e beber juntos. Mas o pai da moça disse: "Eu lhe peço que fique esta noite, e que se alegre".
E, quando o homem se levantou para partir, seu sogro o convenceu a ficar ainda aquela noite.
Na manhã do quinto dia, quando ele se preparou para partir, o pai da moça disse: "Vamos comer! Espere até a tarde! " E os dois comeram juntos.
Então, quando o homem, com a sua concubina e com o seu servo, levantaram-se para partir, o seu sogro, pai da moça, disse outra vez: "Veja, o dia está quase acabando, é quase noite; passe a noite aqui. Fique e alegre-se. Amanhã de madrugada vocês poderão levantar-se e ir para casa".
Não desejando ficar outra noite, o homem partiu rumo a Jebus, isto é, Jerusalém, com dois jumentos selados e com a sua concubina.
Juízes 19:1-10
JUÍZES 19:1-10: Aconteceu também, naqueles dias em que não havia rei em Israel, que houve um homem levita, que, peregrinando aos lados da montanha de Efraim, tomou para si uma mulher concubina, de Belém de Judá. 2   Porém a sua concubina adulterou contra ele, e foi dele para casa de seu pai, a Belém de Judá, e esteve ali alguns dias, a saber, quatro meses. 3   E seu marido se levantou e partiu após ela, para lhe falar conforme o seu coração e para tornar a trazê-la; e o seu moço e um par de jumentos iam com ele, e ela o levou à casa de seu pai, e, vendo-o o pai da moça, alegrou-se ao encontrar-se com ele. 4   E seu sogro, o pai da moça, o deteve e ficou com ele três dias; e comeram, e beberam, e passaram ali a noite. 5   E sucedeu que, ao quarto dia pela manhã, madrugaram, e ele levantou-se para partir; então, o pai da moça disse a seu genro: Conforta o teu coração com um bocado de pão, e depois partireis. 6   Assentaram-se, pois, e comeram ambos juntos, e beberam; e disse o pai da moça ao homem: Peço-te que ainda esta noite queiras passá-la aqui, e alegre-se o teu coração. 7   Porém o homem levantou-se para partir, mas seu sogro o constrangeu a tornar a passar ali a noite. 8   E, madrugando ao quinto dia pela manhã para partir, disse o pai da moça: Ora, conforta o teu coração. E detiveram-se até já declinar o dia e ambos juntos comeram. 9   Então, o homem levantou-se para partir, ele, e a sua concubina, e o seu moço; e disse-lhe seu sogro, o pai da moça: Eis que já o dia se abaixa, e já a tarde vem entrando; peço-te que aqui passes a noite; eis que já o dia vai acabando; passa aqui a noite, e que o teu coração se alegre; e, amanhã de madrugada, levantai-vos a caminhar, e vai-te para a tua tenda. 10   Porém o homem não quis ali passar a noite, mas levantou-se, e partiu, e veio até defronte de Jebus (que é Jerusalém), e com ele o par de jumentos albardados, como também a sua concubina.Aconteceu também, naqueles dias em que não havia rei em Israel, que houve um homem levita, que, peregrinando aos lados da montanha de Efraim, tomou para si uma mulher concubina, de Belém de Judá.

COMO ELA DEIXOU ELE.

Ela fez duas coisas. Primeiro, ela foi infiel para com ele. Literalmente, o hebraico diz que ela fez de meretriz.  Segundo, ela deixou ele e retornou para sua família. A razão  que sabemos é que ela era muito distante dele e deixou seu mestre- o que não era permitido naquela sociedade. Ela estava com raiva e desgostosa com ele. Isto não causa surpresa. Uma concubina era uma coisa pior que as amantes modernas.  Hoje, se um homem tem uma amante, mas se recusa a assumir ela ou casar com ela, ambos tem suas vidas em separado e tem a oportunidade de ver outras pessoas. Mas, uma concubina  não era uma esposa, mas era propriedade de seu amante. 

 QUANTO TEMPO ELE ESPEROU PARA IR ATÉ ELA.
O atraso do levita é uma evidência de que a afeição dele por ela não era muito forte. Ele, evidentemente, não queria ela de volta, por raiva ou indiferença, mas começou a sentir desejo por tê-la de novo. Mais um vez, vemos que esta relação é dirigida por paixões, não por um compromisso mútuo como num casamento real.

POR QUE ELA RETORNOU PARA ELE? 

Pelo que vemos o levita foi à sua família com um burro sem montaria para ela e tentou persuadir ela. É interessante que nada que ele diz a mudou. Não há referência para sua resposta exceto que ela tomou ele quando encontrou seu pai. Não ouvimos nada que aconteceu a casa do pai, o texto simplesmente diz que o homem saiu com sua concubina (vs.10).

 O pai estava com medo da pena de adultério, que poderia levar a morte e a desgraça de sua família.  A pressão para que a concubina voltasse foi enorme. O pai não permitiu que ela ficasse. Esta mulher é simplesmente um objeto, um pedaço da propriedade que produz favores sexuais para seu senhor. Não é um relacionamento pessoal. 

JUIZES 19:11-25: Estando, pois, já perto de Jebus, e tendo-se já declinado muito o dia, disse o moço a seu senhor: Caminhai agora, e retiremo-nos a esta cidade dos jebuseus e passemos ali a noite. 12   Porém disse-lhe seu senhor: Não nos retiraremos a nenhuma cidade estranha, que não seja dos filhos de Israel; mas passaremos até Gibeá. 13   Disse mais a seu moço: Caminha, e cheguemos a um daqueles lugares e passemos a noite em Gibeá ou em Ramá. 14   Passaram, pois, adiante e caminharam, e o sol se lhes pôs junto a Gibeá, que é cidade de Benjamim. 15   E retiraram-se para lá, para entrarem a passar a noite em Gibeá; e, entrando ele, assentou-se na praça da cidade, porque não houve quem os recolhesse em casa para ali passarem a noite. 16   E eis que um homem velho vinha à tarde do seu trabalho do campo; e era este homem da montanha de Efraim, mas peregrinava em Gibeá; eram, porém, os homens deste lugar filhos de Benjamim. 17   Levantando ele, pois, os olhos, viu a este passageiro na praça da cidade; e disse o velho: Para onde vais e de onde vens? 18   E ele lhe disse: Passamos de Belém de Judá até aos lados da montanha de Efraim, de onde sou, porquanto fui a Belém de Judá; porém, agora, vou à casa do SENHOR, e ninguém há que me recolha em casa, 19   ainda que há palha e pasto para os nossos jumentos, e também pão e vinho há para mim, e para a tua serva, e para o moço que vem com os teus servos; de coisa nenhuma há falta. 20   Então, disse o velho: Paz seja contigo; tudo quanto te faltar fique ao meu cargo; tão somente não passes a noite na praça. 21   E trouxe-o a sua casa e deu pasto aos jumentos; e, lavando-se os pés, comeram e beberam. 22   Estando eles alegrando o seu coração, eis que os homens daquela cidade (homens que eram filhos de Belial) cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao velho, senhor da casa, dizendo: Tira para fora o homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos. 23   E o homem, senhor da casa, saiu a eles e disse-lhes: Não, irmãos meus! Ora, não façais semelhante mal; já que este homem entrou em minha casa, não façais tal loucura.24   Eis que a minha filha virgem e a concubina dele tirarei para fora; humilhai-as a elas e fazei delas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façais loucura semelhante.25   Porém aqueles homens não o quiseram ouvir; então, aquele homem pegou da sua concubina e lha tirou para fora; e eles a conheceram, e abusaram dela toda a noite até pela manhã, e, subindo a alva, a deixaram.

O pai da concubina é um exemplo normal da hospitalidade do Oriente Médio.  Era importante prover uma completa hospitalidade não apenas para  os conhecidos, mas para aqueles estrangeiros que viesse a sua porta. Isto era especialmente necessário num tempo quando não havia hotéis. Todas as sociedades, culturas e religiões aceitavam isto. Então, era muito incomum que o levita e seus dois servos não encontrassem alguém que os recebesse. O que aconteceu com a decência da cidade? Isto representa uma quebra no acolhimento, mas também mostra algo pior que egoísmo e indiferença. O homem de Efraim diz: Paz seja contigo; tudo quanto te faltar fique ao meu cargo; tão somente não passes a noite na praça.(vs.20).  Ele sabia quão profundamente estava destruído o caráter em sua cidade. 

Há uma comparação com Genesis 19:1-11
Estrangeiros vem para a cidade, um bando de homens cerca a casa e querem ter um sexo grupal com eles.  Os hospedeiros imploram  para que os homens não queiram isto mas eles se recusam e o hospedeiro oferece alguma mulher da casa em troca. 

A diferença são: 

Em Sodoma,  sabemos que todos os homens da cidade era a multidão, enquanto que em Gibeá, apenas alguns homens da cidade (vs.22). Na casa de Ló, os anjos cegam os homens. Enquanto que os homens de Gibeá, eles tomam a concubina e a violentam.

O QUE FAZER COM OS PARALELOS?

A mensagem é clara. Os israelitas tiveram grandes privilégios que nenhuma outra nação na terra teve: os pactos de Abraão e Moisés, a lei e os profetas, o tabernáculo e as promessas, os atos poderosos de Deus para libertar do Egito e a arca da aliança. Ainda assim, os israelitas estão agindo como os cananeus e as nações pagãos que não receberam nada disso. Aqui está o fundo do poço da história de Israel.


JUIZES 19:25-30: Porém aqueles homens não o quiseram ouvir; então, aquele homem pegou da sua concubina e lha tirou para fora; e eles a conheceram, e abusaram dela toda a noite até pela manhã, e, subindo a alva, a deixaram. 26   E, ao romper da manhã, veio a mulher, e caiu à porta da casa daquele homem, onde estava seu senhor, e ficou ali até que se fez claro. 27   E, levantando-se seu senhor pela manhã, e abrindo as portas da casa, e saindo a seguir o seu caminho, eis que a mulher, sua concubina, jazia à porta da casa, com as mãos sobre o limiar. 28   E ele lhe disse: Levanta-te, e vamo-nos, porém não respondeu; então, pô-la sobre o jumento, e levantou-se o homem, e foi-se para o seu lugar. 29   Chegando, pois, à sua casa, tomou um cutelo, e pegou na sua concubina, e a despedaçou com os seus ossos em doze partes e enviou-os por todos os termos de Israel. 30   E sucedeu que cada um que tal via dizia: Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito, até ao dia de hoje; ponderai isto no coração, considerai e falai.

POR QUE OFERECEM A MULHER? 

Talvez para honrar e respeitar seu visitante por ser um levita. Como notamos, os levitas eram separados por Deus  como seus representantes. É claro que o mal dos homens de Gibeá estava crescendo  por seu completo descaso com o status de seu visitante. E por que não ofereceram o homem servo do levita que também estava na casa. Eles queriam um homem. Não porque este incidente mostra que todos os homens consideravam as mulheres como propriedade. Isto é contrário a Gn 1:27. 

POR QUE ELA NÃO ENTRA NA CASA?

Uma possibilidade é que ela estava tão moribunda que não teve forças para entrar. Outra possibilidade é que ela ficou imobilizada por desespero e medo por aquilo que seu senhor fez.

O verso 25 não nos conta detalhes do horror daquela noite. Mas, o verso 26 nos mostra um quadro bem específico. Primeiro, ela cai na porta da casa. Depois, vemos que o levita dormiu enquanto ela era violentada e abusada, ele levantou de manhã. Terceiro, sabemos que ele abre as portas com as malas prontas para ir, para seguir seu caminho. E, quarto, sabemos que quando ele vê ela, ele sabe que ela não estava só dormindo e, é bem possível que ele tenha visto quão abusada ela foi. Quinto, sabemos que simplesmente fala para ela levantar e seguir como se fora um animal. Não há expressão de surpresa ou curiosidade nem mesmo simpatia ou compaixão. Sexto, aprendemos que ele mutila seu corpo morto e o corta em doze pedaços para inflamar o resto da nação contra os homens de Gibeá.

O levita quer vingança não por que amava a mulher ou pelo tratamento que deram a ela, ele está preocupado com a perda da propriedade. A resposta de Israel e do narrador no verso 30 mostra que ambos estão errados.



Então todos os israelitas, de Dã a Berseba, e de Gileade, saíram como um só homem e se reuniram em assembléia perante o Senhor em Mispá. Os líderes de todo o povo das tribos de Israel tomaram seus lugares na assembléia do povo de Deus, quatrocentos mil soldados armados de espada. ( Os benjamitas souberam que os israelitas haviam subido a Mispá. ) Os israelitas perguntaram: "Como aconteceu essa perversidade? " Então o levita, marido da mulher assassinada, disse: "Eu e a minha concubina chegamos a Gibeá de Benjamim para passar a noite. Durante a noite os homens de Gibeá vieram para atacar-me e cercaram a casa, com a intenção de matar-me. Então violentaram minha concubina, e ela morreu. Juízes 20:1-5

Israel se une desde Otniel, mas a união é por vingança e repugnância por algo feito por israelenses dentro de suas fronteiras, não porque ouviram a Deus ou para julgarem.


O relato do levita do que aconteceu é totalmente editado,  ele esconde as partes que o comprometem.  Exagera os malfeitores, dizendo que os homens de Gibeá fizeram o feito, não somente os de Belial, diz pretendiam matá-lo quando de fato queriam abusar dele. Ele omite que sacrificou sua concubina ao invés de lutar para protegê-la,  apenas reporta que a estupraram. Ninguém que ouve este relato conseguiria suspeitar que ele mesmo contribuiu para a morte da mulher.




Peguei minha concubina, cortei-a em pedaços e enviei um pedaço a cada região da herança de Israel, pois eles cometeram essa perversidade e esse ato vergonhoso em Israel. Agora, todos vocês israelitas, manifestem-se e dêem o seu veredicto". Todo o povo se levantou como se fosse um só homem, dizendo: "Nenhum de nós irá para casa. Nenhum de nós voltará para o seu lar. Mas é isto que faremos agora contra Gibeá: Separaremos, por sorteio, de todas as tribos de Israel, de cada cem homens dez homens, de cada mil homens cem, de cada dez mil homens mil, para conseguirem provisões para o exército poder chegar a Gibeá de Benjamim e dar a eles o que merecem por todo esse ato vergonhoso cometido em Israel".E todos os israelitas se ajuntaram e se uniram como um só homem contra a cidade. As tribos de Israel enviaram homens a toda a tribo de Benjamim, dizendo: "O que vocês dizem dessa maldade terrível que foi cometido no meio de vocês? Agora, entreguem esses canalhas de Gibeá, para que os matemos e eliminemos esse mal de Israel". Mas os benjamitas não quiseram ouvir seus irmãos israelitas. Vindos de suas cidades, reuniram-se em Gibeá para lutar contra os israelitas. Naquele dia os benjamitas mobilizaram vinte e seis mil homens armados de espada que vieram das suas cidades, além dos setecentos melhores soldados que viviam em Gibeá. Dentre todos esses soldados havia setecentos canhotos, muito hábeis, e cada um deles podia atirar uma pedra com a funda num cabelo sem errar. Israel, sem contar os de Benjamim, convocou quatrocentos mil homens armados de espada, todos eles homens de guerra. Juízes 20:6-17


Israel está unido em seu propósito de dar o troco. Mas, antes, eles enviam homens a Benjamin, perguntando sobre quem fez estes atos, para eliminar o mal de Israel.  Os de Benjamin não ouvem e se juntam aos homens de Gibeá somando 26 mil soldados para lutarem contra 400 mil israelitas.


Por que eles não entregaram os malfeitores?


Um ídolo que mais destrói a unidade humana é o ídolo da nossa consanguinidade, aquela atitude de minha familia, meu país. Benjamin recusa a dar a qualquer de fora o direito de julgar os homens de Gibeá. Eles colocam seus laços sanguíneos acima de uma ordem moral transcendente. 


O fracasso em obedecer a voz de Deus e conquistar Canaã leva agora a uma guerra civil.



A maior contribuição do livro de Juízes é a clara mensagem de que Israel necessitava de um Messias que estivesse presente e ativo... Israel, apesar de haver alcançado a herança prometida e de poder desfrutar de todos os benefícios dessa posse, ainda estava em extrema necessidade de um sacerdócio santificado, uma voz profética fiel e, finalmente, um servo real obediente (VAN GRONINGEN, Gerard. Messianic revelation in the Old Testament. Eugene: Wipf and Stock, 1990, p. 268)


Fonte

JUDGES FOR YOU de Timothy Keller

terça-feira, julho 14, 2015

A ESTRANHA E COMUM FAMÍLIA DE MICA

O livro de Juízes se concentrou até agora nos tempos que Deus interveio para salvar Israel de seu declínio espiritual e queda na idolatria. Cada episódio da narrativa segue um padrão cíclico de rebelião, retribuição, arrependimento e resgate.  Vimos que a rebelião vai se aprofundando e cada vez mais há menos arrependimento. Como também, a salvação é tida com uma menor cooperação da parte dos israelitas. Finalmente, o último juiz, Sansão sozinho. 

Os quatro últimos capítulos parecem não seguir uma ordem cronológica. Eles relatam em mais detalhes como era a vida do povo de Israel durante o período de Juízes. 


QUEM É MICA?
Havia um homem chamado Mica, dos montes de Efraim, que disse certa vez à sua mãe: "Os treze quilos de prata que foram roubados de você e pelos quais eu a ouvi pronunciar uma maldição, na verdade a prata está comigo; eu a peguei".Disse-lhe sua mãe: "O Senhor o abençoe, meu filho!" (Jz 17:1-2)

Micá roubou três quilos (mil e cem moedas) de prata que sua mãe tinha acumulado. Ela não sabia que ele havia roubado isto, e então proclamou uma maldição sobre o ladrão. Ele, ouvindo a maldição, confessou que roubou de sua mãe e devolveu a quantia. 

E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Juízes 17:1,2
O que isto nos conta sobre o caráter de Mica? Nos fala que ele não é nem uma pessoa ruim nem boa. Se ele fosse ruim, não devolveria o dinheiro. Se ele fosse bom, não teria roubado. Ele é um homem sem muita substância, uma pessoa de fraco caráter e sem princípios.

Nestes tempos, uma maldição era tomada a sério. Uma maldição bíblica era uma predição da quebra da lei que traria destruição. Mas no mundo pagão, a maldição tinha algo de mágico, isto é o padrão da família de Mica, a maldição, segue-se uma bênção.


COMO ERA ESTA MÃE?

De uma certa forma, ela era boa para perdoar. Ela imediatamente perdoa ele com uma bênção assim que recebe de volta seu tesouro. Mas, isto nos dá um vislumbre da razão do vazio de Mica. A rapidez da mudança da mãe sem qualquer processo ou limpeza para remover a infecção, não um processo de arrepedimento, apenas de medo em relação a maldição. Não existe uma análise de coração para discernir as razões e as motivações para o roubo e nem uma mudança humilde ou graça para mudar.

E havia um homem da montanha de Efraim cujo nome era Mica, 2   o qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa deitavas maldições e também as disseste em meus ouvidos, eis que esse dinheiro eu o tenho, eu o tomei. Então, disse sua mãe: Bendito seja meu filho do SENHOR. 3   Assim, restituiu as mil e cem moedas de prata à sua mãe; porém sua mãe disse: Inteiramente tenho dedicado este dinheiro da minha mão ao SENHOR para meu filho, para fazer uma imagem de escultura e de fundição; de sorte que agora to tornarei a dar. 4   Porém ele restituiu aquele dinheiro a sua mãe, e sua mãe tomou duzentas moedas de prata e as deu ao ourives, o qual fez delas uma imagem de escultura e de fundição, e esteve em casa de Mica. 5   E tinha este homem, Mica, uma casa de deuses, e fez um éfode e terafins, e consagrou a um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote. 6   Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos. 7   E havia um jovem de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita e peregrinava ali. 8   E este homem partiu da cidade de Belém de Judá para peregrinar onde quer que achasse comodidade; chegando ele, pois, à montanha de Efraim, até à casa de Mica, seguindo o seu caminho, 9   disse-lhe Mica: De onde vens? E ele lhe disse: Sou levita de Belém de Judá e vou peregrinar aonde quer que achar comodidade. 10   Então, lhe disse Mica: Fica comigo e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez moedas de prata, e vestuário, e o teu sustento. E o levita entrou. 11   E consentiu o levita em ficar com aquele homem; e este jovem lhe foi como um de seus filhos.
E havia um homem da montanha de Efraim, cujo nome era Mica.
O qual disse à sua mãe: As mil e cem moedas de prata que te foram tiradas, por cuja causa lançaste maldições, e de que também me falaste, eis que esse dinheiro está comigo; eu o tomei. Então lhe disse sua mãe: Bendito do Senhor seja meu filho.
Assim restituiu as mil e cem moedas de prata à sua mãe; porém sua mãe disse: Inteiramente tenho dedicado este dinheiro da minha mão ao Senhor, para meu filho fazer uma imagem de escultura e uma de fundição; de sorte que agora to tornarei a dar.
Porém ele restituiu aquele dinheiro à sua mãe; e sua mãe tomou duzentas moedas de prata, e as deu ao ourives, o qual fez delas uma imagem de escultura e uma de fundição, que ficaram em casa de Mica.
E teve este homem, Mica, uma casa de deuses; e fez um éfode e terafins, e consagrou um de seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote.
Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos.
E havia um moço de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita, e peregrinava ali.
E este homem partiu da cidade de Belém de Judá para peregrinar onde quer que achasse conveniente. Chegando ele, pois, à montanha de Efraim, até à casa de Mica, seguindo o seu caminho,
Disse-lhe Mica: Donde vens? E ele lhe disse: Sou levita de Belém de Judá, e vou peregrinar onde quer que achar conveniente.
Então lhe disse Mica: Fica comigo, e sê-me por pai e sacerdote; e cada ano te darei dez moedas de prata, e vestuário, e o sustento. E o levita entrou.
E consentiu o levita em ficar com aquele homem; e o moço lhe foi como um de seus filhos.
Juízes 17:1-11

A mãe de Micá invoca o nome do Senhor (vs. 2-3), e aqui o nome invocado é o de Yahweh, não um deus pagão Dagon ou Baal. Eles adoravam ao Senhor pelo seu nome.

Ele estabelece um santuário (vs.5) tem tanto um efode - uma estola sacerdotal - e um sacerdote. Até mesmo mais tarde, houve um esforço para contratar um Levita para ser o sacerdote mostra que externamente eles estavam seguindo as regras básicas para adoração dadas pela lei mosaica.  Eles tinham um tabernáculo, um sacerdote levita e um efode.


COMO ISTO CONTRADIZ A LEIS DE DEUS?

Primeiro, a mãe de Mica mostra sua gratitude para Deus criando dois ídolos (vs.4).  Isto é um flagrante desrespeito ao segundo mandamento - Ex 20:4-5, Dt 4:16-. onde Deus não permite que se faça imagem dele. Deus diz que não deve ser adorado uma forma criada e moldada. No Santo dos Santos, acima do trono de Deus, a arca da aliança, existe nenhuma imagem ou estátua ou algo que se aparenta como Deus. Mas, a mãe de Mica está sendo incongruente. Isto demonstra quão vazia a religião em Israel se tornou. 

Em adição, Mica colocou este altar em seu lar.  Deus não permite que os israelitas adorarem a Deus no lugar onde eles querem, mas Mica coloca faz um santuário para sua própria conveniência. Isto nos mostra que a religião de Israel se tornou algo de conveniência pessoal.

Mica faz de seu filho um sacerdote. De novo, isto contradiz a revelação mosaica que diz que apenas a tribo de Levi poderia dar os sacerdotes. Mica e sua mãe, contudo, querem levantar sua família para o sacerdócio. Quando um levita vem junto a eles, eles consideram uma ascensão - vs. 7-13, porque eles conheciam a lei mosaica. Isto nos mostra que eles consideravam a obediência a lei de Deus como opcional.

Todos estes são maneiras diferentes de violar um princípio fundamental, a fé de Israel é uma fé revelada em que Deus revela a si mesmo na sua Palavra, não a descobrimos através de nossa razão ou experiência.  Em resumo, Deus diz, me adore como eu sou, não como você quer que eu seja.  Me adore como meu coração direcione,  e não como seu coração dirige. A família de Mica molda um Deus que é conveniente para adorar. Eles seguem as leis que querem e ignoram as que não querem.

 O primeiro dos 10 mandamentos nos proibe de adorar outros deuses, mas o segundo nos proibe de adorar a Deus por imagens que fazemos. Qual é a diferença?


A diferença entre adorar imagens dos outros deuses e adorar Deus com imagens?  No primeiro, a idolatria é bem clara, mas no segundo a coisa é mais sútil, fazemos Deus de acordo com os nossos deuses internos.  Eles gostam de Urim e Tumim, para saber sim ou não, mas não gostam da ideia de que existe apenas um éfode e um santuário central. 


 O Catecismo Maior de Westminster nos explica o segundo mandamento:

Os deveres exigidos no segundo mandamento são - o receber, observar e guardar, puros e inalterados, todo o culto e todas as ordenaças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra, especialmente a oração e ações de graças em nome de Cristo; a leitura, a prédica, e o ouvir da Palavra; a administração e a recepção dos sacramentos; o governo e a disciplina da igreja; o ministério e a sua manutenção; o jejum religioso, o jurar em nome de Deus e o fazer os votos a Ele; bem como o desaprovar, detestar e opor-nos a todo o culto falso, e, segundo a posição e vocação de um, o remover tal culto e todos os símbolos de idolatria.

Cada cultura luta com o Deus bíblico de formas distintas,  porque Deus contradiz cada sociedade e cada coração de maneiras diferentes. As culturas antigas eram supersticiosas e mágicas, Deus as contradiz ao mostrar que ele não deveria ser adorado como um deus da casa ou através de encantos mágicos. 

O verso 13 nos mostra que o alvo ultimo da religião: Então, disse Mica: Agora sei que o SENHOR me fará bem, porquanto tenho um levita por sacerdote.  Em outras palavras, o propósito desta religião é ter acesso a Deus para ter algo dele para aquilo que queremos. O alvo da verdadeira fé é dar acesso a Deus para que ele nos dê o que ele quer... O propósito da religião é ter Deus para servir você, o propósito da fé no evangelho é ter um coração para servi-Lo. O alvo da religião idolátrica é sempre controlar Deus e assegurar seu favor apertando os botãos certos. 

Os versos 4 e 5 mostra que eles estavam procurando comprar o favor de Deus com sua boas obras e atividades. 

O verso 6 nos mostra o padrão para este comportamento e prática,  cada um faz o que é certo aos seus próprios olhos.  O padrão para o que era certo e o que estava errado era suas próprias sensibilidades, sentimentos e experiência. Em outras palavras, eles estavam julgando a Deus a partir de sua própria experiência, ao invés ao julgar sua própria experiência a partir de Deus.  

Já que na religião nos colocamos como nossos próprios salvadores, também nos colocamos como nossos próprios senhores. A religião está centrada no eu, e como Deus pode me dar aquilo que eu sei que é bom e direito.


 Why did a Levite, a man charged with teaching and maintaining the law, consent to serve a group of sacred images? Why did Micah set them up in the first place, and why did the Danites jump at the chance to steal them for themselves? The answer almost certainly is that popular religion, the religion of the local villages, was not the pure monotheism required by the law at Sinai. Recent excavations at Tell Qiri, a settlement dating to the period of the judges, revealed a similar household shrine with incense burners and a large number of animal bones. A substantial percentage of the bones proved to be the right foreleg of goats. This is reminiscent of the law in Exod 29:22, which calls for the sacrifice of the “right thigh” of the ram. (Manners & Customs of the Bible, p.76)

O CORAÇÃO DA MÃE

A mãe de Mica promete todo seu dinheiro para o Senhor, mas guarda a maioria para si (vs.4).  Isto mostra que ela não tinha Deus como soberano de sua vida.  Vemos que no verso 3, ela consagra toda a soma para Deus, mas ela apenas usa 2/11 para adorar e guardar o resto para si (vs.4). Isto é hipocrisia.  

Da mesma maneira, muitas pessoas usam uma linguagem religiosa, falando sobre Deus e Jesus como Senhor, mas na realidade, eles obedecem apenas em alguns setores das suas vidas, preservando outras áreas em que vivem como querem. Isto, algumas vezes, pode ser pura hipocrisia, mas é normalmente é uma falha  em pensar as implicações do evangelho para cada area da vida.  Em Galatas 2:14, Paulo confronta Pedro sobre sentimentos racistas. 


O POVO DE DÃ

Juízes 18:1-2: Naqueles dias, não havia rei em Israel, e nos mesmos dias a tribo dos danitas buscava para si herança para habitar; porquanto até àquele dia entre as tribos de Israel lhe não havia caído em herança bastante sorte.  E enviaram os filhos de Dã da sua tribo cinco homens dos seus confins, homens valorosos, de Zorá e de Estaol, a espiar e rastejar a terra; e lhes disseram: Ide, rastejai a terra. E vieram à montanha de Efraim, até à casa de Mica, e passaram ali a noite.

Quem é Dã? O escritor de Juízes já nos respondeu isto no começo do livro. Dã tinha recebido uma parte específica de Canaã. Sua herança foi prometida em Js 19:40-46. E Deus disse a todo Israel que se eles obedecessem e o amassem  e se lutassem corajosamente, ele iria expulsar os cananeus diante deles (Js 23:4-11).  Mas, em Jz 1:19-36 nos conta que várias tribos de Israel falharam em cumprir esta obrigação. 

Dã, contudo, foi diferente, vemos em 1:34 que eles falharam na sua obrigação militar, nem conseguiram entrar na terra. Foram forçados a viver numa vida semi-nomadismo nas montanhas. 

Os homens de Dã são como Mica. Primeiro, eles desobedecem a Deus. Segundo, ele mostra nos versos 5-6 e 14-2 uma visão idolatra, supersticiosa de Deus. Eles querem ser guiados e abençoados, mas esperam encontrar isto através da atividade religiosa ao invés de arrependimento e graça. 

Nos versos 7-10, eles encontram uma boa terra onde podem ficar por suas próprias forças, sem precisarem de Deus. Os danitas que recusavam ouvir a Deus, decidem que seu Deus os abençoou e vão para tomar a terra (vs. 10-12)

No caminho, eles passam pela casa de Mica. Acreditam que a estátua é um sinal divino, e a tomam por especial (vs. 15-18). O levita que lá está diz que está disposto a ser sacerdote de todos eles ao invés de uma casa apenas. É uma grande promoção para um homem que estava vagando sem casa. Feliz, ele se junta aos danitas (vs. 20)

Vemos que o levita serve apenas a si mesmo. Ele serve a quem o pagar, fala ao povo o que eles querem ouvir e se move por coisas que o impressionam.  Suas decisões são movidas por auto-interesse


Ele respondeu: "Vocês estão levando embora os deuses que fiz e o meu sacerdote. O que me sobrou? Como é que ainda podem perguntar: ‘Qual é o seu problema? ’ " Os homens de Dã responderam: "Não discuta conosco, senão alguns homens de temperamento violento o atacarão, e você e a sua família perderão a vida". E assim os homens de Dã seguiram seu caminho. Vendo que eles eram fortes demais para ele, Mica virou-se e voltou para casa. Juízes 18:24-26

Mica e seus vizinhos vão a guerra contra os danitas por causa dos deuses e do sacerdote.  Tudo que ele confiava era nas coisas e não em Deus. 

No final, a religião feita pelo homem vai desapontar. Aquilo que colocamos como o nosso deus- dinheiro, prazer, poder- não vai dar o que queremos. A pessoa que coloca isto como alvo vai terminar sendo bloqueada por alguém ou algo mais forte que ela para ser abençoado,


Os versos 25-31 nos mostram o desejo claro por poder pessoal como o fundamento de tudo que fazem.


E os filhos de Dã levantaram para si aquela imagem de escultura, e Jônatas, filho de Gérson, o filho de Manassés, ele e seus filhos foram sacerdotes da tribo dos danitas, até ao dia do cativeiro da terra. Assim, pois, a imagem de escultura, que fizera Mica, estabeleceram para si, todos os dias que a casa de Deus esteve em Siló  (Jz 18:30-31)

É chocante percebemos que o levita que participa de tudo isto é o neto de Moisés. 

A história nos dá um grande exemplo da banalidade do mal. O mal não faz as pessoas incrivelmente ruins e violentas, mas ele nos deixa vazios.  São homens guiados pelos desejos de ganho ou poder, pelos medos e raivas, que nada escolhem por si mesmos.



quinta-feira, julho 02, 2015

O Nascimento de Sansão



Juízes 13:1-25Os israelitas voltaram a fazer o que o Senhor reprova, e por isso o Senhor os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos. Certo homem de Zorá, chamado Manoá, do clã da tribo de Dã, tinha mulher estéril. Certo dia o anjo do Senhor apareceu a ela e lhe disse:  "Você é estéril, não tem filhos, mas engravidará e dará à luz um filho. Todavia, tenha cuidado, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro; e não se passará navalha na cabeça do filho que você vai ter, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus desde o nascimento; ele iniciará a libertação de Israel das mãos dos filisteus". Então a mulher foi contar tudo ao seu marido: "Um homem de Deus veio falar comigo. Era como um anjo de Deus, de aparência impressionante. Não lhe perguntei de onde tinha vindo, e ele não me disse o seu nome, mas ele me assegurou: ‘Você engravidará e dará à luz um filho. Todavia, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus, desde o nascimento até o dia da sua morte’ ". Então Manoá orou ao Senhor: "Senhor, eu te imploro que o homem de Deus que enviaste volte para nos instruir sobre o que fazer com o menino que vai nascer". Deus ouviu a oração de Manoá, e o anjo de Deus veio novamente falar com a mulher quando ela estava sentada no campo; Manoá, seu marido, não estava com ela. Mas ela foi correndo contar ao marido: "O homem que me apareceu outro dia está aqui! " Manoá levantou-se e seguiu a mulher. Quando se aproximou do homem, perguntou: "És tu o que falaste com a minha mulher? " "Sim", disse ele. "Quando as suas palavras se cumprirem", Manoá perguntou, "como devemos criar o menino? O que ele deverá fazer? " O Anjo do Senhor respondeu: "Sua mulher terá que seguir tudo o que eu lhe ordenei. Ela não poderá comer nenhum produto da videira, nem vinho ou bebida fermentada, nem comer nada impuro. Terá que obedecer a tudo o que lhe ordenei". Manoá disse ao Anjo do Senhor: "Gostaríamos que ficasses conosco; queremos oferecer-te um cabrito". O anjo do Senhor respondeu: "Se eu ficar, não comerei nada. Mas, se você preparar um holocausto, ofereça-o ao Senhor". Manoá não sabia que ele era o anjo do Senhor. Então Manoá perguntou ao anjo do Senhor: "Qual é o teu nome, para que te prestemos homenagem quando se cumprir a tua palavra? " Ele respondeu: "Por que pergunta o meu nome? Meu nome está além do entendimento". Então Manoá apanhou um cabrito e a oferta de cereal, e os ofereceu ao Senhor sobre uma rocha. E o Senhor fez algo estranho enquanto Manoá e sua mulher observavam: Quando a chama do altar subiu ao céu, o Anjo do Senhor subiu na chama. Vendo isso, Manoá e à sua mulher prostraram-se, rosto em terra. Como o Anjo do Senhor não voltou a manifestar-se a Manoá e à sua mulher, Manoá percebeu que era o Anjo do Senhor. "Sem dúvida vamos morrer! " disse ele à mulher, "pois vimos a Deus! " Mas a sua mulher respondeu: "Se o Senhor tivesse a intenção de nos matar, não teria aceitado o holocausto e a oferta de cereal das nossas mãos, nem nos teria mostrado todas essas coisas, nem nos teria revelado o que agora nos revelou". A mulher deu à luz um menino e pôs-lhe o nome de Sansão. Ele cresceu, e o Senhor o abençoou, e o Espírito do Senhor começou a agir nele quando ele se achava em Maané-Dã, entre Zorá e Estaol.



POR QUE OS OLHOS IMPORTAM?
Os israelitas voltaram a fazer o que o Senhor reprova, e por isso o Senhor os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos Juízes 13:1

Mais uma vez, ficamos sabendo que os israelitas fizeram o que era mal aos olhos do Senhor e, também, o resultado disso, foi a opressão e a escravidão. O pecado sempre nos leva a escravidão - Rm 6:12.

Certo homem de Zorá, chamado Manoá, do clã da tribo de Dã, tinha mulher estéril. Juízes 13:2
A partir do versículo 2 e seguintes, Deus começa a preparar um resgatador para salvar o povo. Não há indicação desta vez que Israel estava arrependida ou clamando. Em todos os ciclos anteriores, há uma oração e arrependimento por parte do povo (3:9; 3:15; 6:7; 10:10). 

Nos versos 1-7 do capítulo 10 também não há uma indicação de uma oração ou um arrependimento pela parte do povo, mas há a descrição do ciclo de apostasia-avivamento. 

O termo "mal aos olhos de Senhor" começamos a ver em 2:11 e continua a se repetir em todo o livro. Isto se coloca num contraste claro com o último verso de Juízes 21:25:

Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos Juízes 21:25



O Escritor está nos falando que aos olhos das pessoas, as coisas não pareciam mal algum. Em outras palavras, em sua percepção, a maioria ou todo seu comportamento era perfeitamente aceitável. Eles não pensavam que estavam fazendo o mal por que era mal. Isto nos ensina duas coisas sobre o pecado:

1. Definição de pecado:

O termo "os olhos do Senhor" está em contraste com "seus próprios olhos", isto nos ensina que o pecado não consiste numa violação da nossa consciência apenas ou nossos padrões pessoais ou sociais, mas é violar a vontade de Deus. Isto vai contra a mentalidade moderna de que cada um pode definir o que é certo e errado, ou em outras palavras, meus próprios olhos, meus sentimentos, minhas percepções que devem decidir aquilo que está correto ou não. 

O pecado deve ser definido como uma violação a vontade de Deus para nós. Aquilo que Deus enxerga como pecado é pecado, independente do que sentimos ou de que nossos experts dizem. 

2. Engano do pecado.

Isto também nos lembra quão facilmente podemos nos auto-enganar. Os israelitas racionalizaram e assentiram com o pecado, então eles estão numa etapa de negação. Eles achavam que não havia nada de errado com que estavam fazendo. Há uma profunda negação do conhecimento de Deus, rejeitando sua vontade.  

Muitas vezes, não sabemos onde estas racionalizações estão, mas devemos lembrar que o coração de todo pecado é idolatria e ídolos não são coisas ruins apenas, coisas boas podem se tornar as esperanças e amores de muita gente.  E um ídolo é por natureza enganoso. Isto  nos fala sobre sermos sensíveis e cuidadosos quando colocamos alguma coisa ou alguém no lugar de Deus em nossos corações. 

Devemos estar sempre nos avaliando através de uma reflexão bíblica e vendo se não estamos mascarando pecados como materialismo, preocupação, orgulho e amargura. 


E assim na consciência de nossa ignorância, fatuidade, penúria, fraqueza, enfim, de nossa própria depravação e corrupção, reconhecemos que em nenhuma outra parte, senão no Senhor, se situam a verdadeira luz da sabedoria, a sólida virtude, a plena abundância de tudo que é bom, a pureza da justiça, e daí somos por nossos próprios males instigados à consideração das excelências de Deus. Nem podemos aspirar a ele com seriedade antes que tenhamos começado a descontentar-nos de nós mesmos. Pois quem dos homens há que em si prazerosamente não descanse,quem na verdade assim não descanse, por quanto tempo é a si mesmo desconhecido, isto é, por quanto tempo está contente com seus dotes e ignorante ou esquecido de sua miséria? Conseqüentemente, pelo conhecimento de si mesmo cada um é não apenas aguilhoado a buscar a Deus, mas até como que conduzido pela mão a achá-lo ( CALVINO, Institutas, )

VOCÊ TERÁ UM FILHO


E havia um homem de Zorá, da tribo de Dã, cujo nome era Manoá; e sua mulher, sendo estéril, não tinha filhos. E o anjo do Senhor apareceu a esta mulher, e disse-lhe: Eis que agora és estéril, e nunca tens concebido; porém conceberás, e terás um filho. Agora, pois, guarda-te de beber vinho, ou bebida forte, ou comer coisa imunda. Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus. Juízes 13:2-5
Deus começa a salvar o seu povo. Sansão é o único juiz escolhido antes de nascer. Manoá era estéril e anjo do Senhor aparece para ela, dizendo que ela iria conceber um filho. Ela deveria não beber vinho e nem consumir nenhum alimento impuro. Não poderia cortar o cabelo do filho, porque ele foi escolhido para ser nazireu.

O voto de nazireu está no livro de Números 6:1-21, e contém três estipulações básicas: um nazireu não poderia cortar seu cabelo durante o período do voto, não poderia beber ou produzir vinho  e nem entrar em contato com qualquer corpo morto.

O propósito do voto era pedir para Deus uma ajuda especial durante um tempo de crise. Era um sinal de que estava se buscando a Deus com grande intensidade e concentração.  Não cortar o cabelo e não consumir vinho era formas de mostrar que vocês estava se dedicando a um objetivo. Não tocar em corpo morto, era um sinal de que estava se adotando regras rígidas de pureza cerimonial, pois os sacerdotes tinham esta regra porque trabalhavam na casa de Deus, estavam na presença de Deus. O voto, então, significa que o nazireu está vivendo diante da presença de Deus todos os dias.

Em Nm 6, é claro que o voto é voluntário e feito durante um certo período de tempo. Mas, Sansão nasceu no voto, seus pais votaram por ele, e ele deveria ser um nazireu pelo resto de sua vida. Sua mãe não poderia tomar vinho ou comer algo impuro, porque Sansão já estava dentro dela. 


O DEUS DO IMPOSSÍVEL


Então a mulher entrou, e falou a seu marido, dizendo: Um homem de Deus veio a mim, cuja aparência era semelhante a de um anjo de Deus, terribilíssima; e não lhe perguntei donde era, nem ele me disse o seu nome. Porém disse-me: Eis que tu conceberás e terás um filho; agora pois, não bebas vinho, nem bebida forte, e não comas coisa imunda; porque o menino será nazireu de Deus, desde o ventre até ao dia da sua morte Juízes 13:6,7
Este nascimento de uma estéril aponta para um Deus que está além das possibilidades humanas e naturais. 

A mãe de Sansão mostrou uma completa fé em Deus e sua capacidade de ir além do possível.  Ela acreditou na palavra daquele anjo. Tanto que fala com seu marido com convicção. 

Ela também foi obediente, ela aceitou o voto de nazirado para si. 


ALGO MELHOR QUE REGRAS.


Então Manoá orou ao Senhor, e disse: Ah! Senhor meu, rogo-te que o homem de Deus, que enviaste, ainda venha para nós outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que há de nascer. E Deus ouviu a voz de Manoá; e o anjo de Deus veio outra vez à mulher, e ela estava no campo, porém não estava com ela seu marido Manoá. Apressou-se, pois, a mulher, e correu, e noticiou-o a seu marido, e disse-lhe: Eis que aquele homem que veio a mim o outro dia me apareceu. Então Manoá levantou-se, e seguiu a sua mulher, e foi àquele homem, e disse-lhe: És tu aquele homem que falou a esta mulher? E disse: Eu sou. Então disse Manoá: Cumpram-se as tuas palavras; mas qual será o modo de viver e o serviço do menino? E disse o anjo do Senhor a Manoá: De tudo quanto eu disse à mulher se guardará ela. De tudo quanto procede da videira não comerá, nem vinho nem bebida forte beberá, nem coisa imunda comerá; tudo quanto lhe tenho ordenado guardará. Então Manoá disse ao anjo do Senhor: Ora deixa que te detenhamos, e te preparemos um cabrito. Porém o anjo do Senhor disse a Manoá: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o oferecerás ao Senhor. Porque não sabia Manoá que era o anjo do Senhor. E disse Manoá ao anjo do Senhor: Qual é o teu nome, para que, quando se cumprir a tua palavra, te honremos? E o anjo do Senhor lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso? Então Manoá tomou um cabrito e uma oferta de alimentos, e os ofereceu sobre uma penha ao Senhor: e houve-se o anjo maravilhosamente, observando-o Manoá e sua mulher. E sucedeu que, subindo a chama do altar para o céu, o anjo do Senhor subiu na chama do altar; o que vendo Manoá e sua mulher, caíram em terra sobre seus rostos. E nunca mais apareceu o anjo do Senhor a Manoá, nem a sua mulher; então compreendeu Manoá que era o anjo do Senhor. E disse Manoá à sua mulher: Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus. Porém sua mulher lhe disse: Se o Senhor nos quisesse matar, não aceitaria da nossa mão o holocausto e a oferta de alimentos, nem nos mostraria tudo isto, nem nos deixaria ouvir tais coisas neste tempo. Juízes 13:8-23


O pai de Sansão também  mostrou fé. Ele pede a Deus que o anjo volte a visitar aquela casa, para ensinar como deve crescer o menino.  Este pedido não é uma falta de fé, mas uma fé ainda maior que pede a Deus ajuda para ensinar um menino que ainda nem nasceu.

Deus envia o anjo novamente,  e agora, aparece a mulher que chama o esposo e passa as instruções de como será. 

Ainda influenciada pela cultura pagã, Manoá tenta oferecer comida para o mensageiro como também essa busca em saber o nome do anjo. Ela busca tentar controlar Deus com suas perguntas e gestos. Aí, o anjo sobe na chama do altar que estava o cabrito, e eles entendem que realmente era o anjo do Senhor, que não poderia ser manipulado ou controlado, mas que deveria ser reverenciado.


"Pensamos que precisamos de regras, mas precisamos conhecer Deus. Deus não e não quer nos dar um livro guia para cada tropeço e volta, cada dúvida e decisão na nossa vida. Ele nos dá algo muito melhor- ele nos dá a si mesmo" (Tim Keller, p. 132).
Keller lê esta passagem como os pais tentando buscar regras para viverem uma vida de acordo com aquilo que Deus quer ao invés de buscar o próprio Deus, de o adorá-lo. Ele nos lembra que o Novo Testamento existem muitas poucas regras porque agora nós temos acesso a Deus pelo Espírito Santo que nos guia, nós temos a mente de Cristo.


Bem-aventurados os que não viram, e ainda, como Manoá, ter acreditado. Bons homens são mais cuidadosos e desejosos de saber o dever de ser feito por eles, do que saber os eventos que lhes dizem respeito: dever é nosso, eventos pertencem a Deus. Deus guiará os de seu conselho, que desejam conhecer seu dever, e se aplicam a ele para ensiná-los. Pais piedosos, especialmente, vai implorar ajuda divina. O anjo repete as instruções que ele tinha antes dado. Há necessidade de muito cuidado para o direito de pedir tanto de nós mesmos e nossos filhos, para que possamos ser devidamente separado do mundo, e os sacrifícios de vida ao Senhor. (MATTHEW HENRI, COMENTÁRIO CONCISO)


O NOME SANSÃO

Depois teve esta mulher um filho, a quem pôs o nome de Sansão; e o menino cresceu, e o Senhor o abençoou. E o Espírito do SENHOR começou a incitá-lo de quando em quando para o campo de Maané-Dã, entre Zorá e Estaol. Juízes 13:24,25

O nome de Sansão significa pequeno sol. O sol é considerado um deus pelos cananeus, é uma pista da mistura que havia no pensamento do povo israelita, afinal, a mãe dá um nome pagão ao libertador do paganismo. 


Ainda assim, Deus trabalha com pessoas fracas, e Sansão é abençoado por Deus e o Espírito do Senhor começa a trabalhar em sua vida. Sansão tem toda a vantagem espiritual e bençãos. Ele é o último juiz deste livro, a última grande esperança de Israel. 

quinta-feira, junho 25, 2015

JEFTÉ: O Líder Bandido.



Juízes 10:6-18Então tornaram os filhos de Israel a fazer o que era mau aos olhos do Senhor, e serviram aos baalins, e a Astarote, e aos deuses da Síria, e aos deuses de Sidom, e aos deuses de Moabe, e aos deuses dos filhos de Amom, e aos deuses dos filisteus; e deixaram ao Senhor, e não o serviram. E a ira do Senhor se acendeu contra Israel; e vendeu-os nas mãos dos filisteus, e nas mãos dos filhos de Amom. E naquele mesmo ano oprimiram e vexaram aos filhos de Israel; dezoito anos oprimiram a todos os filhos de Israel que estavam além do Jordão, na terra dos amorreus, que está em Gileade. Até os filhos de Amom passaram o Jordão, para pelejar também contra Judá, e contra Benjamim, e contra a casa de Efraim; de modo que Israel ficou muito angustiado. Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor, dizendo: Contra ti havemos pecado, visto que deixamos a nosso Deus, e servimos aos baalins. Porém o Senhor disse aos filhos de Israel: Porventura dos egípcios, e dos amorreus, e dos filhos de Amom, e dos filisteus, E dos sidônios, e dos amalequitas, e dos maonitas, que vos oprimiam, quando a mim clamastes, não vos livrei das suas mãos? Contudo vós me deixastes a mim, e servistes a outros deuses; pelo que não vos livrarei mais. Ide, e clamai aos deuses que escolhestes; que eles vos livrem no tempo do vosso aperto. Mas os filhos de Israel disseram ao Senhor: Pecamos; faze-nos conforme a tudo quanto te parecer bem aos teus olhos; tão-somente te rogamos que nos livres nesta vez. E tiraram os deuses alheios do meio de si, e serviram ao Senhor; então se angustiou a sua alma por causa da desgraça de Israel. E os filhos de Amom se reuniram e se acamparam em Gileade; e também os de Israel se congregaram, e se acamparam em Mizpá. Então o povo e os príncipes de Gileade disseram uns aos outros: Quem será o homem que começará a pelejar contra os filhos de Amom? Ele será por cabeça de todos os moradores de Gileade.


Como era o relacionamento de Israel com os deuses dos povos que os escravizavam?

Os Baals e os Astoretes eram deuses nativos dos cananeus. Mas, os deuses de Aram (nordeste) e Sidom (norte) ou Amom e Moabe (leste) e os filisteus (sul) pertenciam as pessoas de fora de Canaã que foram para lá e oprimiram os israelitas.  Otniel ajudou contra o rei de Aram (3:10), Eúde lutou contra os moabitas e amonitas (3:12), Samgar contra os filisteus (3:31) e Débora contra os cananeus (5:23). Em outras palavras, toda vez que Israel adorava ídolos de uma nação, esta nação acabava por oprimir eles. Nesta passagem, vemos no verso 6 que eles estavam servindo aos deuses do amonitas e aos deuses dos filisteus e,assim, como consequência, foram parar na mão deles (vs.7).  A idolatria leva a escravidão. No verso 11, Deus nomeia sete nações que estão oprimindo o povo em paralelo aos sete ídolos do verso 6. 

É interessante notar que não apenas a idolatria leva a escravidão, mas a escravidão também leva a idolatria. Poderíamos até pensar que uma vez que uma nação estava oprimindo e escravizando Israel, eles estariam odiando os deuses daquela nação. Mas, enquanto os amonitas oprimiam Israel em 3:13, aqui está Israel servindo seus deuses, que leva a uma maior escravidão ainda. Apesar da dor e da miséria, Israel continua a adorar os mesmos ídolos que os levaram a esta situação.

Por que a palavra vendeu-os?

Esta é uma palavra forte. Foi usada em 2:14, 3:8, 4:2 como também aqui. Quando você vende um animal para alguém, isto significa que o novo dono pode fazer o que ele quiser. Quando vemos como Deus vendeu Israel antes, sabemos que isto não significa que Ele abandonou-os ou apagou suas promessas para eles. Isto significa que ele parou de proteger eles de alguma forma. Ele deixou as coisas que estavam servindo dominarem eles.

Romanos 1:24-25 traz uma passagem paralela fascinante. Aqui Paulo fala sobre idolatria. Ele fala sobre as pessoas que adoraram e serviram a criatura ao invés do Criador (vs. 25). Qual o resultado disso? Então Deus deixou eles com os desejos do coração. A palavra desejos em grego é epithumia, uma palavra que significa um desejo exagerado incontrolável. Deixar significa aqui que Deus permitiu que estas coisas escravizassem as pessoas. A idolatria e a escravidão andam juntas.

O que isto nos ensina?

Deus diz que se você quer viver por dinheiro, ao invés de mim, então o dinheiro irá governar sua vida. Vai controlar seu coração e emoções. Se você quer viver por popularidade ao invés de Deus, a aprovação das pessoas vai governar e controlar você. 

Por que Deus responde bruscamente ao seu clamor no verso 11? O que isto nos ensina sobre arrependimento? Existe uma contradição entre o versos 13 e 16?

Deus não perdoa imediatamente eles e começa a responder sua oração.Deus responde que não irá responder a eles, que eles devem clamar aos deuses que eles têm adorado.

O clamor aqui pode ser de reconhecimento, mas isto não quer dizer arrependimento. Deus responde:


Ide, e clamai aos deuses que escolhestes; que eles vos livrem no tempo do vosso aperto. Juízes 10:14


Deus quer um arrependimento de verdade, mais do que um lamento pelas consequências do pecado. Eles estava tratando Deus como se ele fosse um dos seus ídolos. Isto seria uma mudança idólatra da idolatria. Eles estavam tentando manipular Deus para se livrar da situação que estavam.

Existe uma contradição entre os versos 13 e 16?

Contudo vós me deixastes a mim, e servistes a outros deuses; pelo que não vos livrarei mais. Juízes 10:13

E tiraram os deuses alheios do meio de si, e serviram ao Senhor; então se angustiou a sua alma por causa da desgraça de Israel. Juízes 10:16

No verso 13, Deus diz que não irá salvar mais eles porque eles estavam servindo a outros deuses. Eles haviam quebrado sua aliança com Deus e seus mandamentos, e assim, mesmo agora, ão estavam verdadeiramente  arrependidos.  Então, Deus diz que é um Deus justo e que deveria punir a eles. 


Então, no verso 16, ficamos sabendo que os israelitas começaram a se arrepender, Deus que não iria salvá-los, agora os salvará. Isto é uma contradição?

De um lado, muitas pessoas dizem que isto é uma contradição, e assim, haveria um erro na Bíblia. Mas, estas duas declarações estão muito próximas para imaginarmos que houve um lapso do escritor. Quem diz sim, considera que Deus faz ameaças e depois muda de ideia.  A solução aqui é não irei salvar enquanto vocês permanecerem na idolatria. Contudo, o verso 13 não coloca nenhuma condição alternativa. 

O relacionamento de Deus com Israel é tanto condicional como incondicional. Ele não tira seu favor sob Israel, mas o povo deve ser obediente.  

Numa tentativa fácil de resolver este conflito podemos dizer que as bençãos de Deus são condicionais, a menos que vivemos de acordo com os princípios bílicos, podemos ter o favor de Deus. A outra maneira de pensar é que as bênçãos de Deus são incondicionais, mesmo quando estamos no pecado, Deus é tão misericordioso que nos aceita mesmo assim. Ambos os caminhos são perigosos. A primeira aproximação impugna o poder do amor e da graça de Deus e a segunda impugna a santidade e a justiça de Deus. O Antigo Testamento não resolve a questão. Apenas quando nós temos a cruz de Jesus Cristo nós podemos enxergar Deus como tanto justo como amoroso. Nela, o amor de Deus encontra a exigência da lei.


O que estes versos nos ensinam sobre avivamento espiritual? Como podemos aprender sobre arrependimento nos versos 15 e 16?

Precisamos entender que cada ciclo de avivamento tem coisas em comum com os outros e também coisas que lhe são únicas. Isto nos avisa para não pensarmos que podemos manter a vitalidade espiritual apenas repetindo as mesmas ações e rituais do passado. Mas, alguns passos podem ser discernidos.

Primeiro, existe um tipo de problema. Algumas vezes vem em nossas vidas para nos lembrar que somos fracos e não estamos no controle. Para os israelitas, isto é sempre a opressão por um povo estrangeiro. 

Segundo,  existe uma oração renovada. Esta passagem em particular nos mostra que a oração não pode ser um evento de um momento apenas. Deve continuar e deve incluir um senso de luta com Deus. A oração precisa ser consistente e contínua.

Terceiro, há uma luta através do arrependimento real, que vem através de um profundo arrependimento e convicção do pecado. 

Quarto,  Deus levanta um líder, Deus levanta certas pessoas para nos liderar num reavivamento espiritual, precisamos de uma comunidade para uma vitalidade espiritual.

O que podemos aprender com o arrependimento real?

Há um lamento real sobre o pecado, ao invés de apenas as consequências. Há também um lamento sobre os motivos idolátricos, não apenas uma mudança de comportamento.

JEFTÉ: O LÍDER BANDIDO



Era então Jefté, o gileadita, homem valoroso, porém filho de uma prostituta; mas Gileade gerara a Jefté. Também a mulher de Gileade lhe deu filhos, e, sendo os filhos desta mulher já grandes, expulsaram a Jefté, e lhe disseram: Não herdarás na casa de nosso pai, porque és filho de outra mulher. Então Jefté fugiu de diante de seus irmãos, e habitou na terra de Tobe; e homens levianos se ajuntaram a Jefté, e saíam com ele. E aconteceu que, depois de algum tempo, os filhos de Amom pelejaram contra Israel. E sucedeu que, como os filhos de Amom pelejassem contra Israel, foram os anciãos de Gileade buscar a Jefté na terra de Tobe. E disseram a Jefté: Vem, e sê o nosso chefe; para que combatamos contra os filhos de Amom. Porém Jefté disse aos anciãos de Gileade: Porventura não me odiastes a mim, e não me expulsastes da casa de meu pai? Por que, pois, agora viestes a mim, quando estais em aperto? E disseram os anciãos de Gileade a Jefté: Por isso tornamos a ti, para que venhas conosco, e combatas contra os filhos de Amom; e nos sejas por chefe sobre todos os moradores de Gileade. Então Jefté disse aos anciãos de Gileade: Se me levardes de volta para combater contra os filhos de Amom, e o Senhor mos der diante de mim, então eu vos serei por chefe? E disseram os anciãos de Gileade a Jefté: O Senhor será testemunha entre nós, e assim o faremos conforme a tua palavra. Assim Jefté foi com os anciãos de Gileade, e o povo o pôs por chefe e príncipe sobre si; e Jefté falou todas as suas palavras perante o Senhor em Mizpá. Juízes 11:1-11



Jefté é alguém sem as credenciais daquilo que poderíamos esperar de um grande líder. Ele era filho ilegítimo de uma prostituta, que foi expulso de casa por seus meio-irmãos. Ele vem de um ambiente familiar bem disfuncional.  Então, ele é atraído por um bando de homens vivem dissolutamente. Em outras palavras, Jefté vai para o crime organizado, numa vida de crime. Ele é um fora-da-lei. E, ainda assim, Deus o levanta como um salvador.

É importante ver que Jefté não é simplesmente preparado para ser um salvador apesar de sua rejeição e marginalidade, mas através disto. Por causa de seu sofrimento, ele se torna um guerreiro poderoso, um homem de recursos. E, nos versos 4-11, vemos que a dureza da vida fez dele um grande líder.

De novo, vemos um padrão da salvação de Deus. Quase todos os juízes são pessoas que estão socialmente à margem. Jefté era desprezado e rejeitado por seu povo, eles o odiavam e o expulsavam.  Mas, Jefté é uma sombra de Jesus, que foi desprezado e rejeitado.

Jesus também nos salvou não apesar de ser rejeitado ou marginalizado mas através disso. Deus nos salva através de sua derrota e fraqueza. 

Alguns comentaristas enxergam uma semelhança entre o diálogo de Deus com o povo (10:10-16) e o dos líderes de Gileade com Jefté (11:4-11). 

Como problemas terríveis nos ajudam a ajudar?


  • Problemas podem fazer de você mais simpático aos outros. Quem está quebrado, dificilmente será insensível. 
  • Problemas podem eliminar a auto-comiseração, uma vida dura e difícil pode fazer você ser mais grato por aquilo que você tem. Auto-piedade leva você a não entender as dores dos outros e mais centralizado em si mesmo.
  • Problemas podem ensinar você métodos e maneiras para lidar com a vida que podemos ajudar aos outros.
  • Algumas vezes, problemas em nosso passado pode nos dar confiança e esperança em situações escuras. 

O rei de Amom justifica seu ataque aos israelitas insistindo que a terra agora que eles vivem pertenceu antigamente aos amonitas.  Jefté usa três argumentos para refutar o rei em sua carta. 

E enviou Jefté mensageiros ao rei dos filhos de Amom, dizendo: Que há entre mim e ti, que vieste a mim a pelejar contra a minha terra? E disse o rei dos filhos de Amom aos mensageiros de Jefté: É porque, saindo Israel do Egito, tomou a minha terra, desde Arnom até Jaboque, e ainda até ao Jordão: Restitui-ma agora, em paz. Porém Jefté prosseguiu ainda em enviar mensageiros ao rei dos filhos de Amom, Dizendo-lhe: Assim diz Jefté: Israel não tomou, nem a terra dos moabitas, nem a terra dos filhos de Amom. Porque, subindo Israel do Egito, andou pelo deserto até ao Mar Vermelho, e chegou até Cades. E Israel enviou mensageiros ao rei dos edomitas, dizendo: Rogo-te que me deixes passar pela tua terra. Porém o rei dos edomitas não lhe deu ouvidos; enviou também ao rei dos moabitas, o qual igualmente não consentiu; e assim Israel ficou em Cades. Depois andou pelo deserto e rodeou a terra dos edomitas e a terra dos moabitas, e veio do nascente do sol à terra dos moabitas, e alojou-se além de Arnom; porém não entrou nos limites dos moabitas, porque Arnom é limite dos moabitas. Mas Israel enviou mensageiros a Siom, rei dos amorreus, rei de Hesbom; e disse-lhe Israel: Deixa-nos, peço-te, passar pela tua terra até ao meu lugar. Porém Siom não confiou em Israel para este passar nos seus limites; antes Siom ajuntou todo o seu povo, e se acamparam em Jasa, e combateu contra Israel. E o Senhor Deus de Israel deu a Siom, com todo o seu povo, na mão de Israel, que os feriu; e Israel tomou por herança toda a terra dos amorreus que habitavam naquela região. E por herança tomaram todos os limites dos amorreus, desde Arnom até Jaboque, e desde o deserto até ao Jordão. Assim o Senhor Deus de Israel desapossou os amorreus de diante do seu povo de Israel; e os possuirias tu? Não possuirias tu aquilo que Quemós, teu deus, desapossasse de diante de ti? Assim possuiremos nós todos quantos o Senhor nosso Deus desapossar de diante de nós. Agora, pois, és tu ainda melhor do que Balaque, filho de Zipor, rei dos moabitas? Porventura contendeu ele em algum tempo com Israel, ou pelejou alguma vez contra ele? Enquanto Israel habitou trezentos anos em Hesbom e nas suas vilas, e em Aroer e nas suas vilas, em todas as cidades que estão ao longo de Arnom, por que o não recuperastes naquele tempo? Tampouco pequei eu contra ti! Porém tu usas mal comigo em pelejar contra mim; o Senhor, que é juiz julgue hoje entre os filhos de Israel e entre os filhos de Amom. Porém o rei dos filhos de Amom não deu ouvidos às palavras que Jefté lhe enviou. Juízes 11:12-28

O primeiro é histórico, ele diz que quando Israel veio do Egito, os amonitas e moabitas viviam na terra a leste do Arnon. Eles pediram permissão para passar pela terra, mas eles recusaram. Então, eles viajaram pela terra em questão, norte do Arnon até Jaboque. Eram os amoritas e ao rei Siom que viviam lá.  Quando eles pediram para passar pela terra dos amorreus, Siom os atacou, mas Israel os venceu. Eles conquistaram a terra. Então, Jetté está dizendo que  a terra nunca foi dos amonitas.

O segundo argumento é teológico (vs.23-24). Aqui, Jefté dizendo que Deus deu a terra dos amorreus, quando os capacitou a derrotá-los. Claro que os amonitas iriam reclamar a mesma coisa se o deus lhes desse a vitória. 

O terceiro é de um precedente legal (vs. 25-27). Jefté relembra que o rei de Moabe naquele tempo não pensou que precisava atacar Israel na terra do norte de Arnom. Certamente, ele tinha razão suficiente para desalojar os recém-chegados a Canaã, mas não viu isto uma necessidade. Ele não desafiou seu direito a terra. Então, porque os amonitas fariam isto? Se o desejo era mesmo de retificar uma injustiça (vs.13), por que Balaque, rei dos Moabitas não fez de outra forma? Finalmente, Jefté resume num argumento mais forte, que o povo estava ali há 300 anos. Isto provaria que o povo não estava defraudando a ninguém, quem está sendo injusto eram os amonitas.

Então o Espírito do Senhor veio sobre Jefté, e atravessou ele por Gileade e Manassés, passando por Mizpá de Gileade, e de Mizpá de Gileade passou até aos filhos de Amom. E Jefté fez um voto ao Senhor, e disse: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão,  Aquilo que, saindo da porta de minha casa, me vier ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do Senhor, e o oferecerei em holocausto. Assim Jefté passou aos filhos de Amom, a combater contra eles; e o Senhor os deu na sua mão. E os feriu com grande mortandade, desde Aroer até chegar a Minite, vinte cidades, e até Abel-Queramim; assim foram subjugados os filhos de Amom diante dos filhos de Israel Vindo, pois, Jefté a Mizpá, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela a única filha; não tinha ele outro filho nem filha. E aconteceu que, quando a viu, rasgou as suas vestes, e disse: Ah! filha minha, muito me abateste, e estás entre os que me turbam! Porque eu abri a minha boca ao Senhor, e não tornarei atrás. E ela lhe disse: Meu pai, tu deste a palavra ao Senhor, faze de mim conforme o que prometeste; pois o Senhor te vingou dos teus inimigos, os filhos de Amom. Disse mais a seu pai: Concede-me isto: Deixa-me por dois meses que vá, e desça pelos montes, e chore a minha virgindade, eu e as minhas companheiras. E disse ele: Vai. E deixou-a ir por dois meses; então foi ela com as suas companheiras, e chorou a sua virgindade pelos montes. E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não conheceu homem; e daí veio o costume de Israel, Que as filhas de Israel iam de ano em ano lamentar, por quatro dias, a filha de Jefté, o gileadita. Juízes 11:29-40


Muitos interpretam achando que Jefté havia prometido um sacrifício de animal.  Há três razões para isto ser uma interpretação equivocada: Primeiro, é dificil acreditar que haveria animais dentro da casa. Segundo, se fosse um animal, seria dito numa forma neutra. Terceiro, se tivesse prometido um animal, então quando visse sua filha, não ficaria chocado ao ver ela.  Ele havia prometido fazer um sacrifício humano para Deus se obtivesse a vitória. Ele obviamente esperava encontrar um servo ou outra pessoa, menos sua filha.

Em Dt. 12:32, vemos que o sacrifício humano é detestável e algo que Deus odeia. Não há dúvida sobre a vontade de Deus. Mas, por que ele fez isso? Primeiro, isto significa que Jefté era um homem sem sensibilidade para a violência. A cultura em volta dele era violenta. ele viveu num mundo violento e isto permaneceu em suas crenças. Hoje, muitos vêem a Cristo, mas continuam com certas crenças sem serem alteradas sobre sexo ou dinheiro, por exemplo - Ef. 4:22-24. 

Segundo, Jefté não apenas era infectado pela cultura de violência pagã, mas continuou infectado pela entendimento numa salvação por obras pagã. O sacrifício humano era como os pagãos pagavam o favor divino, eles faziam o sacrifícios para dizer quão impressionados e maravilhados estavam com o poder dos ídolos. Mas, o Deus da Bíblia quer apenas um sacrifício humano - o reconhecimento de seu senhorio sobre toda a área da vida como lemos em Rm 12:1.   Jefté ainda pensava que Deus era alguém que poderia ser impressionado ou controlado através de presentes extravagantes.

Por que Jefté manteve a promessa. Talvez, porque ele não tinha nenhum conceito do Deus da graça. Ele via a Deus basicamente como os deuses pagãos, um ser cujo favor pode ser conquistado através de sacrifícios.  Ele não confia em Deus totalmente, ele acredita que se voltasse atrás poderia perder o favor de Deus.

O que esta história nos ensina hoje?

Primeiro, devemos tomar cuidado com nossas palavras, nossas promessas, nossa língua. Muitas coisas que dizemos pode trazer prejuízos que jamais poderemos pagar. 

Segundo, mesmo quando estamos sendo usados por Deus, devemos ficar vigilantes, porque não somos gigantes espirituais. Devemos ficar atentos se não estamos usando mal aquilo que Deus tem colocado em nossa vida, nossos dons espirituais, por exemplo. Não devemos medir nossa maturidade espiritual a partir de nossos dons espirituais.

Outras lições que podemos ver também: somos mais afetados pela nossa cultura do que pela Bíblia, mais do que pensamos a nossa cultura em volta nos afeta e por vezes, ignoramos ensinos bíblicos por ideais bem mundanos. Existem pontos cegos em nós. 

Há também a nossa incapacidade de acreditar num Deus gracioso, no Edém, a serpente nos fez desacreditar num Deus que buscava os nossos melhores interesses, desde então, sempre nos sentimos que devemos controlar Deus, que não podemos confiar nele. 


Fonte

Judges for You- Timothy Keller