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quinta-feira, maio 07, 2015

Craig e Moreland: Duas Categorias: Propriedade e Substância

NO CAPÍTULO 10 do livro FILOSOFIA E COSMOVISÃO CRISTÃ, Lane Craig e Moreland continuam a tratar de ONTOLOGIA GERAL, Agora falam sobre PROPRIEDADE E SUBSTÂNCIA.

Como devemos considerar a concordância qualitativa? 

NOMINALISMO EXTREMO: defendido por W.V.O. Quine e Wilfred Sellars, as propriedades absolutamente não existem e os indivíduos concretos e os grupos de indivíduos concretos são as únicas coisas reais. As propriedades absolutamente não existem. Em vez disso, os únicos seres que existem são os indivíduos concretos e as palavras das propriedades que são verdadeiras para eles,

NOMINALISMO: defendido por D.C.Williams e Keith Campbell, acreditam na existência das propriedades, mas defendem que são qualidades  específicas, chamadas indivíduos abstratos que não podem ser possuídos por mais de um indívíduo concreto. 

REALISMO: desenvolvido por DM Armstrong e Reinhardt Grossman, a propriedade é um em muitos, ela pode ser possuída por muitos indivíduos concretos, é chamada de relação de exemplificação, predicação ou referimento. As propriedades são chamadas universais, quer dizer, entidades multiplamente exemplificáveis que podem estar presentes ao mesmo tempo em muitas coisas. 


AS PROPRIEDADES E O NATURALISMO.

"O universo pode ser definido como o completo sistema espácio-temporal de matéria e energia (impessoal), ou seja, como a soma total dos objetos materiais de algum modo acessível aos sentidos e à investigação científica. O mundo pode ser definido como a soma total de tudo que existe, inclusive as entidades abstratas não-espácio-temporais. No sentido metafísico, uma entidade abstrata é uma entidade real que não está no espaço ou no tempo."  (PAG 260)

Nominalistas extremos e nominalistas estão ligados ao naturalismo. Negando que as propriedades sejam universais. 

A primeira concepção realista de exemplificação é a visão modelo-cópia: as propriedades são entidades abstratas que existem fora do espaço e do tempo. No entanto, as propriedades não são incorporadas pelos entes que supostamente as possuem. Esta visão não é amplamente aceita devido às dificuldades apontadas contra ela tem sido o argumento do terceiro homem, este mostra que a visão modelo-cópia de propriedades e exemplificação resulta em duas suposições que, tomadas em conjunto, conduzem a um regresso infinito vicioso.

AXIOMA DA LOCALIZAÇÃO: nenhuma entidade qualquer pode existir em diferentes localizações espaciais ou em intervalos descontínuos do tempo.

"Nesse sentido, o realista impuro aceita as propriedades como universais, mas as rejeita como objetos abstratos. Enquanto o realista puro declara que o melhor modo de entender o que significa dizer que as propriedades são universais é vê-las  como objetos abstratos (no sentido metafísico). Os nominalistas puros são natuaralistas  impuros porque rejeitam o axioma da localização, mas aceitam a ideia de que tudo está no espaço e tempo em algum sentido, e os realistas puros rejeitam completamente o naturalismo e admitem os objetos abstratos" (PAG 263).

"o fenômeno da predicação é um problema para o nominalismo extremo e para o nominalismo, porque essas visões não apresentam uma resposta adequada sobre o que inclui alguma coisa em sua classe, o que inclui alguma coisa em sua classe, o que integra a classe, e o que exclui outras coisas dessa classe de membros. O realista pode explicar isso recorrendo à posse da mesma propriedade ou à ausência" (PAG 266)


......

SUBSTÂNCIAS

As propriedades não se apresentam ao mundo totalmente por elas mesmas. Têm possuidores, e uma substância é a possuidora das propriedades, que estão dentro delas, as propriedades são possuidas pelas substâncias a que pertencem.

Uma substância é uma unidade repleta de propriedades e também é uma unidade de capacidades - potencialidades, disposições, tendências.

DECLARAÇÃO CONTRAFACTUAL: é uma alegação que expressa qual seria o caso se, ao contrário do realmente ocorrido, tal e tal coisa acontecesse.  Tais contrafactuais são explicados por um conjunto de capacidades que uma substância possui, que são sua verdade ainda que elas não sejam realizadas. 

A natureza interior de uma substância compreende a unidade estrutural ordenada de suas capacidades finais. É uma profunda unidade de propriedades, partes e capacidades.

IDENTIDADE E UNIFORMIDADE ABSOLUTA ATRAVÉS DA MUDANÇA

Uma substância é um contínuo, que permanece o mesmo através da mudança. A mudança pode ser entendida como a vinda ou a ida de uma propriedade dentro de uma substância durante um período.  Ela perde regularmente partes obsoletas, propriedades e capacidades de ordem inferior, substituindo-as por novas. Mas a própria substância em si mesma forma  a base dessa mudança e permanece a mesma no seu final.

LEI E MUDANÇA LEGIFORME

São  fundamentadas na natureza interna de uma substância que, nesse contexto, pode ser entendida como um princípio dinâmico da atividade ou mudança imanente no interior da substância individual.

A UNIDADE DA PRÓPRIA ESPÉCIE NATURAL.

A espécie natural de uma coisa (ESSÊNCIA, NATUREZA)  é o conjunto de propriedades que a coisa possui, tal que sem ele a coisa não é reconhecida como membro da espécie e, se ela perder quaisquer de suas propriedades essenciais, sua existência finda.

CAUSALIDADE FINAL.

Uma causa eficiente é aquela por meio da qual um efeito acontece. A causa eficiente provoca o efeito. Uma causa material é a substância ou matéria da qual algo é feito. Uma causa formal é a essência de uma coisa. Uma causa final é aquela por cuja finalidade um efeito, ou uma mudança, é produzido.

Hoje a doutrina da causalidade final é tida como antiquada, considera-se que são suficientes a eficiente e a material. Para os autores, ela ainda tem vigor em noções filosóficas e complementares da ciência.

O PROBLEMA DA INDIVIDUAÇÃO.

Quando duas coisas possuem exatamente as mesmas propriedades, como é que os dois não são a mesma coisa? Se elas compartilham todas as propriedades em comum, se as propriedades são universais, o que, então, torna-as duas em vez de apenas uma? Não podemos usar a diferença de localização espacial, porque ela pressupõe a diferença e a individuação, não podendo constituir a própria individuação.

Uma substância individual é um aquele-tal, é uma combinação de duas entidades metafísicas: uma natureza universal e um componente de individuação.

SUBSTÂNCIAS X COISAS-PROPRIEDADE

1. A coisa-propriedade requer duas categorias metafísicas para classificá-la. Em contraste, uma substância é uma unidade verdadeira e complexa, e requer  apenas uma categoria- a da substância- para classificá-la.

2. As coisas-propriedade não são unidades profundas,  mas antes combinações acidentais de uma propriedade relacional ordenada externamente imposta sobre materiais preexistentes. A unidade não surge ou reside dentro do seu próprio ser, em vez disso, pelo menos para os artefatos humanos, reside no plano contido na mente do projetista (designer) da coisa-propriedade. A unidade da substância surge e reside dentro da própria e é devido à essência interna ou natureza da substância que serve como seu princípio de unificação.

3. Para uma coisa-propriedade, as partes existem antes do todo, não só temporalmente mas de forma metafísica. Essas partes são identificadas pelos materiais que as compõem. Na realidade, o todo depende dessas partes para sua estrutura global.  A substância como um todo vem antes das partes, nesse sentido, suas partes são unidas e formadas pela regra da substância e de sua essência tomada como um todo, e tais partes adquirem sua identidade em virtude de sua incorporação na substância como um todo.

4. A coisa-propriedade são relacionadas umas às outras por meio de relações externas, as relações não participam da mesma natureza dessas partes, e estas são indiferentes às relações. As partes de uma substância estão relacionadas umas as outras por meio de relações internas, as partes são o que são em virtude das relações que elas mantêm com outras partes e com a substância como um todo. Se as partes se separarem das relações, elas perdem a sua identidade. Não são indiferentes à sua incorporação numa substância, elas adquirem sua identidade da substância da qual são partes e perdem sua identidade quando fora dela.

5. As coisas-propriedade não possuem nenhum tipo novo de propriedades que já não tivesse contido nas partes, ela fornece uma estrutura pela qual um mediador natural que já exista seja capaz de concentrar energia e produzir um efeito que será interpretado como uma nova forma.  Essa característica é controversa, alguns filósofos acreditam que ela pode ter propriedades emergentes, tipos genuinamente novos de propriedades exemplificados pela coisa-propriedade como totalidade, que não características de suas partes. A substância possui novas propriedades verdadeiramente suas, não de suas partes antes da incorporação em suas substâncias. essas novas são encontradas na natureza da substância.

Para os autores, os organismos vivos são substâncias genuínas.



TEORIA DO FEIXE RELACIONADA À SUBSTÂNCIA

Na visão tradicional, uma substância não é somente um ajuntamento de propriedades, é algo que possui ou está na base das propriedades. Alguns formularam uma visão concorrente da substância, chamada de teoria do feixe.

Uma substância não é uma essência individualizada que possui propriedades embutidas em si, antes, uma substância é uma coleção ou feixe de propriedades.

Aqui, não existe possuidor das propriedades das coisas, elas não se relacionam a uma substância de forma tradicional, a relação entre as propriedades e uma substância é bem maid do que uma relação parte-todo, a substância não é apenas uma lista de propriedades, mas um conjunto de propriedades agrupadas de forma precisa e simultânea.

(pi - pn, uma relação de feixe R)

A vantagem é que não acarreta a aceitação de uma entidade que não seja empiricamente observável. A teoria do feixe será interessante para aqueles que acreditam que a metafísica deve ser feita dentro dos limites das impressões sensíveis.

Os aspectos negativos:

1. não pode responder pela contingência das substâncias, as substâncias individuais não seres necessários, são contigentes- existem no espaço e tempo, surgem e perecem. Mas se as propriedades são universais, logo, a teoria do feixe transforma as substâncias em seres necessários pois ela defende que uma substância é limitada às suas propriedades e todas as suas propriedades são universais, assim, se algo é um agrupamento de propriedades universais, algo é um ser necessário.

2. não pode sustentar que as substâncias permanecem realmente as mesmas durante a mudança, já que uma substância é somente um conjunto de certas propriedades agrupadas, se uma delas acabar, será obtido um novo e diferente feixe.


quinta-feira, abril 30, 2015

Robert C. Koons: Ciência e Teísmo: Concórdia, não conflito.


THE RATIONALITY OF THEISM 

4o. CAPÍTULO: SCIENCE AND THEISM:  Concord, not conflict 

por  Robert C. Koons


É bem comum, ouvirmos que ter crença em entidades sobrenaturais como Deus e a alma é incompatível com o ponto de vista moderno e científico.  Este artigo vai examinar o relacionamento entre religião e ciência na história ocidental, se as conexões entre elas são meramente acidentais ou essenciais.

O que é ciência?

O teísta é aquele que acredita que há um ser pssoal que tem poder ilimitado e inteligência ilimitada, que é fundamentalmente bom e confiável e que é responsável pela criação do resto da realidade. 

Etimologicamente a palavra ciência vem da palavra latina para conhecimento, se a ciência simplesmente significa conhecimento, Há quatro definições para ciência:

1. Ciência refere-se para a explosão exponencial no conhecimento de todas as coisas experimentado na Europa e partes conectadas do mundo pelas últimas centenas de anos, necessitando de uma re-avaliação de todas as crenças prioritárias.

2.  Ciência é uma instituição social que tem desenvolvido na Europa e partes conexas do mundo pelas últimas centenas de anos, consistindo um novo sacerdóco, um magistério do fato, suplantando - ou, ao menos, limitando- o papel de magistério da igreja.

3. Ciência representa uma nova radicalmente e vastamente superior maneira de conhecer, trazendo o método científico que foi descoberto e inventado na Europa durante o sec XVII.

4. Ciência é a história do inexorável avanço da filosofia materialista contra todos os rivais, incluindo teísmo. 

O autor não vai levar em conta as novas descobertas científicas, mas ele acredita que as novas descobertas nunca deixaram o teísmo tão claro e forte com agora.


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O crescimento institucional da ciência tem um grande potencial para o bem e para o mal. A vasta superestrutura da ciência tem permitido um avanço acelerado do aprendizado, mas também carrega um perigo de um totalitarismo intelectual. O sacerdócio da ciência como único magistério de fato.

Os filósofos tem em que adotar uma relação crítica em relação aos pronunciamentos da ciência em questões chave da existência humana, incluindo a existência de Deus. Por vezes, eles têm adotado uma atitude sicofântica, agindo como torcedores para  ciência oficial ao invés de críticos simpáticos.

O mito positivista da singularidade da ciência.

Em contraste com as definições 1 e 2, As definições 3 e 4 estão firmadas não no fato mas na mitologia. A definição 3 pressupõe que a ciência é única, uma nova forma de conhecer, codificada como método científico. Este mito da singularidade têm 3 teses positivistas centrais:

Tese 1: o método científico foi uma criação de um pequeno grupo de pesquisadores do seculo XVII, que romperam com o passado escolástico aristotelico e começaram, pela primeira vez, a interagir com o mundo de uma forma distintivamente científica.

Tese 2: O método científico, eles descobriram que é objetivo, singular, transcultural, consistindo de um método impessoal.

Tese 3: A credibilidade deste método científico como um revelador da verdade tem sido abundantemente validado pelo sucesso pragmático e poderes técnicos nele incorporados.

Todas estas teses tem sido decisivamente refutadas pelos intelectuais contemporâneos. Pierre Maurice Marie Duhem, historiador da ciência, descobriu  precursores medievais e renascentistas para a nova física do século XVII, especialmente no desenvolvimento da teoria e outra alternativas para a noção aristotélica de natureza como em Jordanus de Nemore, Jean Buridan, Oresme e Da Vinci. O trabalho de Duhem fala em continuidade e não em descontinuidade, num refinamento da teoria.  Os historiadores e filósofos da ciência também descobriram que o método científico não é um mecanismo atemporal ou impessoal, mas, que fatores pessoais, tais como julgamento estético, perspectiva cultural e a própria história da ciência tem papéis importantes.

A ciência não é novo modo radical de conhecer descoberto num passado recente.  Como W. V. O. Quine observou que a diferença entre a ciência e o senso comum é uma questão de grau, não de tipo.
Bas van Fraassen e outros argumentam que o sucesso pragmático sozinho não é garantidor da verdade das conjecturas científicas, o fruto técnico da pesquisa científica pode ser explicado em ver a ciência como uma busca efetiva por um fruto técnico e não pela verdade. Diferente dos anti-realistas, acredito que a ciência, em sua maioria, prove para nós conhecimento do mundo real. Contudo, este conhecimento está ligado a todos os outros, através do uso normal de nossas faculdades naturais de observação e razão. Os defensores da teoria científica devem organizar evidência e argumentos para suas reivindicações num fórum público: eles não devem esperar uma deferência de uma mente sem críticas.  Quando somos simplesmente intimidados pelo poderio técnico da cultura científica, ficamos supersticiosos.

Não há tal coisa como um método científico. Existe é um conjunto de regras e avisos tirados do senso comum e tradição e, por outro lado, um conjunto específico de métodos e aproximações para definir programas específicos de pesquisa na ciência.

Como Etienne Gilson argumenta em Realismo Metódico, que cada domínio de fatos pede por seus próprios conjuntos de métodos de investigação. Assim como é inapropriado para os aristotélicos medievais aplicar métodos biológicos para a física, é também inepto para as ciências sociais e biológicos podem ser distorcidos "veneno físico".


Muito da filosofia da ciência na metade do século XX foi tomada numa tentativa quixotesca de encontrar uma linha de demarcação entre ciência e metafisica/senso comum. Cada tentativa dessa encontrou condições necessárias e suficientes para ser encarada como uma investigação científica ou uma teoria científica terminou em fracasso. Os candidatos de sempre- verificabilidade, falseabilidade, testabilidade, repetibilidade - se tornaram nas melhores regras, guias úteis para mente mas longe de caracterizar  todas as ideias científicas.

O critério da falseabilidade foi tomado como uma sine qua non da teoria genuinamente científica. Há, pelo menos, três razões porque isto não pode servir como um delimitador da ciência genuína. Primeiro, é claro da história dos cientistas que praticam boa ciência, que eles não lançam fora uma teoria diante do primeiro problema, mesmo quando há previsões falsas nela. É claro, mesmo em retrospectiva, que a adesão rígida ao dogma falsificacionista  teria impedido o processo científico através de uma rejeição prematura das teorias que pareciam estar em conflito com os resultados experimentais. Por exemplo, a órbita desviante de Urano parecia contradizer as predições de Newton, até que o planeta Netuno foi descoberto e a teoria newtoniana foi vindicada.

Segundo, como Duhem e Quine ambos demonstraram, nenhuma teoria é simplesmente falsificada pelo resultado. Ao invés disso, cada teoria é testada em conjunção com um auxílio de hipóteses auxiliares, a falsidade de qualquer um pode ser responsável por resultado negativo. Num certo sentido, não são as hipóteses individuais mas todo o corpo da teoria científica que está sendo testada em cada observação e mensuração. A tarefa de encontrar a parte responsável quando um resultado negativo é encontrado pode nunca ser reduzida a uma receita mecanicista. Finalmente, já que nenhum resultado empirico é totalmente conclusivo, isto também impossibilita a falsificação de algo absolutamente, já que a falsificação absoluta deve ser baseada numa fundação conclusiva absoluta.

Isto nãoé negar que há um valor real para os brometos de Popper. Nós somos realmente tentados a segurar ideias familiares e queridas, para ficarmos em lugares seguros.


A insistência acrítica na falseabilidade que favorece o quantitativo sobre o qualitativo, o atomismo e analítico acima do holístico e sintético, a causa eficiente sobre a causa final.  Isto pode levar a um desdém da metafísica. Se a ciência realmente é um modo distinto do conhecimento, há o dever intelectual de baseiar todas as crenças na ciência somente. Contudo, já que a ciência não pode ser demarcada do resto do conhecimento, nossos modos ordinários para garantia das crenças não podem estar sob suspeita e deve permanecer inocente até que prove a culpa.

O MITO MATERIALISTA  DA UNIDADE DA CIÊNCIA.

A definição 4 assume que a história da ciência desde de Tales e Demócrito até o nosso passado recente foi uma sucessão na elaboração de uma teoria materialista e reducionista do mundo. Resistência a este programa de explicar tudo em termos de força física  e micropartículas tem sido fútil. O teísmo é o último oponente, os teólogos tem sido forçados a recuar dando território à ciência materialista e reducionista, deixando Deus cada vez para ser uma hipótese extravagante que ninguém precisa.

A história da ciência não tem sido só de vitória do materialismo sobre seus rivais. A história real é mais complicada. Se olharmos a questão da unidade da ciência, ela tem sido negada, não há como derivar as ciências especiais como a biologia e psicologia da física.  Informação e entidades não-físicas tem um grande papel na biologia, psicologia e linguística. Mesmo os materialistas tem abandonado as reivindicações de que as propriedades mentais  e eventos podem ser reduzidos a fisiologia e física. Mesmo as estratégias reducionistas em relação a filosofia da mente não respeitam o tipo de unidade da ciência visgiualizado por Putnam e Oppenheim em 1958,

Quando olhamos para a história da ciência, vemos que a tendência materialista é uma das quatro linhas maiores: 1. o realismo matemát.ico platonico-pitagórico, 2. teleo-mecanismo aristotelico 3. especulação hermética neo-platônica sobre poderes ocultos e princípios vitais e 3. materialismo nas versões de Demócrito -atomista- e Empedocles - não-atomista-.  Para o autor, a tendência predominante na história foi o realismo platônico-pitagórico.  Foi o platonismo cristão que influenciou Roger Bacon como Galileu, Copérnico, Kepler e Newton.

Diferente do demiurgo platônico, o Deus cristão criou  a matéria em si mesma e poderia import uma ordem perfeita e exata a ela. Na medicina, o progresso de Andreas Vesalius and William Harvey era um projeto de continuar a construir sob as fundações que Aristoteles deixou.

Mesmo na física, a tradição teleológica permanece nos princípios de Leibniz e no último princípio de refração de Fermat.  Toda a óptica e mecânica de Newton pode ser derivada de  Willliam Rowen. A termodinâmica moderna tem seu princípio advindo da idéia de Aristoteles de um lugar natural.

O Neo-platonismo hermético e mesmo mágico tem um papel no surgimento da química e da física do eletromagnetismo. A postulação de Newton sobre uma força universal de atração também saiu dessas raízes.

De fato, o materialismo não é um fator significativo para o pensamento ocidental até o movimento materialista em 1840. Este movimento inspirado por fatores políticos.

Mesmo a mecânica quântica mostra marcas de uma herança platônica:  a primazia de um formalismo matemático exato e a rejeição da necessidade para uma explanação mecanicista. Este último aspecto é mais evidente em abraçar da teoria causal não-localizada. A distância entre o atomismo clássico grego e o rigor matemático é enorme.  As quatro características principais do materialismo clássico: ausência de realismo matemático, a insistência em termos de interações físicas paradigmáticas, a rejeição de uma explicação teleológica e um compromisso para um pluralismo ontológico, todas estas estão excluídas da teoria quântica. Isto que poderia mostrar o triunfo do materialismo é sua aniquilação.

De fato, a forma de materialismo que tem mais efeito na ciência não é ateísta ou agnóstica, mas um materialismo teísta.  Para Duhem, o começo da revolução científica é 7 de março de 1277, quando Etiene Tempier, bispo de Paris, condenou um conjunto de teses da física de Aristóteles como equivocadamente impondo limites a onipotência de Deus. Duhem chama este ato de um chamado para os cristãos aplicar seus intelectos para o desenvolvimento de uma nova física.

Para o autor deste texto, Boyle e Newton são os maiores símbolos deste materialismo cristão.  Filosoficamente, o materialismo teísta é mais coerente que o ateísta. Os ateístas tem que aceitar fatos brutos como coincidências extraordinárias inexplicáveis em seus princípios. Primeiro, ateístas não tem explanação para a unidade do universo físico. Segundo, o ateísta não explicação para a consistência maravilhosa através do espaço e tempo  do número relativamente pequeno de coisas para observar.

A noção que há um conflito significado entre ciência e religião é produto de propagandistas do começo do século vinte, especialmente, John Wiliam Draper, Andrew Dickson White.

O teísmo provê um complexo e sútil modo de ver o mundo, em contraste as percepções fechadas do materialista. O teísmo ocidental exibiu um tipo de genius em estabelecer uma tensão equilibrada e criativa entre tradições distintas, mantendo as polaridades do atomismo e da teleologia, forças vitais e relações espaciais, razão e empirismo.


A DEPENDÊNCIA DA CIÊNCIA DO TEÍSMO.

Longe de minar a credibilidade do teísmo, o sucesso da ciência nos tempos modernos é uma confirmação da verdade do teísmo. Se a fé na inteligibilidade racional do mundo e a vocação divina dos seres humanos para lidar com isto, a ciência moderna não poderia nunca ser possível ou mesmo hoje  continuar a ser um empreendimento racional que depende de convicções que só podem ser baseadas numa metafísica teísta.


Há sete elementos do teísmo ocidental que são condições necessárias para o engendramento da ciência moderna:

1. A crença na inteligibilidade e exatidão matemática do universo, como o artefato da perfeita Mente, trabalhando com material que foi criado ex nihilo e intimamente conectada com conceito hebraico de Deus como legislador. A ideia de uma lei da natureza foi primeiro explicitamente formulada no quarto século de Basílio de Cesárea, aplicando o modelo bíblico de Deus como doador da lei a figura grega de um cosmos ordenado.

2. A crença na aptidão da mente humana, criada na imagem de Deus para a tarefa da investigação científica ,concebida como uma vocação dada por Deus.

3. A necessidade da observação e do experimento para descobrir como de fato Deus tem exercido sua liberdade soberana e absoluta onipotência em moldar para a criação, uma liberdade incompatível com a completa determinação da vontade divina a partir restrições a priori.

4. A concepção da natureza como livro divino, paralelo a Bíblia. O modelo de dois livros era o tema de Galileu, Kepler, Bacon,etc.

5. O desencantamento do mundo pelo teísmo, livrando de semi-deuses ou animismo. Isto aboliu os intervalos entre céu e a terra, deixando possível a explicação newtoniana de movimento.

6. A visão linear de tempo, começando com a criação ao invés de uma ordem cíclica temporal.

7. A elevação da dignidade da matéria e do trabalho manual, uma consequência da doutrina teológica da encarnação.


Alvin Plantinga mostra que o materialismo científico sem um designer que pensou o homem com aptidão para a verdade,  leva inexoravelmente para uma catástrofe epistemológica.  O materialista não tem uma opção real senão acreditar que a humanidade é somente o produto de um processo darwiniano indireto e não planejado. A seleção natural cuida apenas de comportamento que promove sobrevivência e reprodução: não tem nenhum interesse na verdade como tal. Aqui não há razão para acreditar que uma aptidão para verdade é o único modo, ou mesmo um especialmente como mecanismo, para produzir sobrevivência- um comportamento reforçado. (Por exemplo, seres humanos geralmente acreditam que seus companheiros humanos tem uma dignidade e valor intrínsecos e que valores morais objetivos e há obrigações. No naturalismo, estas crenças devem ser falsas- mesmo se tendo tais crenças ajudariam os humanos a sobreviver melhor). O conhecimento de caminhos causais levam para as nossas crenças presentes falta qualquer propensão intrínseca para promover a verdade nos dá uma razão indefesável para duvidar de todas as libertações de nossas faculdades cognitivas, seja da percepção, memória, raciocínio lógico ou inferência científica. Assim, o materialista científico não pode razoavelmente, no final, alegar saber que os resultados da ciência são de fato verdade.

Se o materialismo for verdade, qualquer crença formada científicamente sobre física fundamental para ser conhecido ou mesmo ser verdade. O materialista deve adotar um  relato causal ou informação-teorético de sentido das proposições da teoria científica, e um relato similar da natureza do conhecimento. Estes relatos requerem um conexão justa entre semântica e epistemologia: isto é impossível para as nossas teorias tem informação sobre o mundo a menos que nossas inferências para as teorias são amplamente confiáveis. Desde que simplicidade, simetria e outras qualidades quase estéticas da teoria desempenham um papel indispensável na prática teórica, nossas inferências para a teoria científica não pode ser confiáveis a menos que há uma explanação causal para a conexão entre simplicidade e verdade. Contudo, nenhum relato materialista com tal conexão causal é possível, já que qualquer explanação causal de uma ligação entre simplicidade e verdade teria de envolver referência a um fator que cause as leis fundamentais do mundo sendo simples, e qualquer causa da lei fundamental da matéria deve em si mesmo ser imaterial. Já que, o materialista não pode consistentemente acreditar seja que a ciência prove com conhecimento ou que as teorias científicas são realmente sobre o mundo.

O argumento depende crucialmente do ponto anterior- que julgamentos estéticos sobre simplicidade e elegância provisionam um painel através do qual as teorias devem passar antes que nós a levamos a sério.  Contudo, o argumento não dependem em supor que os padrões relevantes de  julgamento estético são inatos ou a priori. O materialista está em problema mesmo se o universo atua por acaso, ineficiente em uma máquina de ensinar de longo prazo efetiva. Isto é crucial para que estes critérios estéticos nos guiem de forma confiável em direção a novas descobertas sobre as leis fundamentais, o fato que as leis não descobertas compartilhem características estéticas ensináveis com aquelas que já sabemos não pode ser uma coincidência bruta.

A real confiabilidade, em oposição a pura sorte, requer um mecanismo causal que faz do mecanismo confiável. Neste caso, tal mecanismo deve ter uma estrutura estética profunda específica impressa que pode ser apreendida suportada por todas as leis fundamentais da natureza. Tal mecanismo não pode em si mesmo ser a causa material, já que estamos suponto que algo é responsável pelas leis fundamentais da matéria, e apenas algo supra-material poderia fazer isto.  Este algo transcendente precisa não ser um deus, mas o fato é que impõe algo que seja reconhecível para essa ordenação racional da forma da beleza claramente sugestiona que há algo pessoal por detrás desde legislador cósmico.

Plantinga argumenta que o materialista não tem uma explicação adequada para como somos constituídos para aprender a verdade, enquanto que meu argumento é que os materialistas não tem uma explicação adequada para como as leis fundamentais da natureza são constituídas para serem apreendidas através da experiência.

O Materialismo tem uma base falsa e suas teorias são tratadas como ficções utilizáveis sem carregar verdade ou falsidade, precisam encontrar um suporte para suas posições em outro lugar. Em contraste, os teístas podem falar que o sucesso da ciência é uma confirmação da sua posição metafísica,


CONCLUSÃO.

Existe um preço para ser pago pelo realismo científico, pela convicção que nossas teorias providenciam modelos do mundo real, modelos que temos razão de acreditar que são aproximadamente corretos. Este preço é admitir que a esfera física não exaure a realidade, mas ela é um artefato de um Deus racional que nos deu aptidão para a tarefa de investigá-lo.

Este artigo argumento que o teísmo deve preencher a investigação científica, levando a tomar a sério, a possibilidade de uma interferência não detectável de agentes sobrenaturais em todas as configurações experimentais.

Tais temores a respeito de um enganador cartesiano, argumenta-se, pode impulsionar o teísta para exatamente o tipo de crise epistemológica que Plantinga reivindica é o destino do materialista.


Contudo, esta preocupação  é  um mero pesadelo. Não há razão para o teísta levar a sério toda possibilidade que Deus poderia estar maliciosamente pregando peças em nós em nossos laboratórios ou estudos de campo. É verdade, contudo, que um teísta deve tomar seriamente a possibilidade de um milagre excepcional, um evento inexplicável em ternos dos poderes finitos e propensões que podemos ter no estudo científico- não promiscuamente, mas apenas quando existir uma boa razão teológica ou filosófica para tanto. Entretanto, abrir a porta para o miraculoso não significa abri-la para o irracionalismo. Não significa adotar uma atitude de credulidade para cada história maravilhosa- este não era o caso para os primeiros cientistas modernos, que eram teístas.  Dada a ordem racional do mundo natural, temos razão para esperar que qualquer milagre também terá uma forma coerente e racional. Eles não serão meros truques, eles serão a exibição do mesmo tipo de economia, elegância e sentido racional que encontramos em outros lugares na criação. Em sua obra Milagres, C.S.Lewis argumenta que os milagres do Novo Testamento tem exatamente este caráter, mas isto é para outro texto.

segunda-feira, abril 27, 2015

David K. Clark: Faith and Foundationalism


No segundo capítulo da obra THE RATIONALITY OF THEISM, David K. Clark vai expor sobre a relação entre fé e fundacionalismo. 

CRENDO SEM EVIDÊNCIA.

Os naturalistas geralmente argumentam que os crentes não podem saber uma doutrina religiosa a menos que eles possam dar evidências que a apoiem.  Qualquer alegação doutrinária ou religiosa como "Deus existe" necessita de provas para suportá-la. 


Alguns epistemológicos não-religiosos promovem um princípio  que requer que as pessoas religiosas produzam algo que seja objetivamente verificável, empírico ou evidente para suportar aquilo que acreditam. Esse requerimento é o coração do evidencialismo. 

Como representantes dessa corrente  W K Clifford, e hoje temos Michael Martin e Kai Nielsen. 

Muitos relatos de crença são tomados pela fé. O que estes têm em comum é a falta de uma evidência base. As razões positivas  para assegurar as crenças mesmo com a falta de evidência são variadas,  um dos casos é quando você toma algo como verdade porque isto vem de uma fonte de autoridade religiosa.  Isto envolve tomar a palavra de outro. 

Outra forma é tomar a crença religiosa como uma propriamente básica. Uma forma de crença básica na pessoa quando esta pessoa sabe isto diretamente sem inferir ou deduzir isto de outras crenças. Se uma crença básica se forma corretamente- se nada no processo de formação da crença vai errado- etão, isto é propriamente básico. 

Outra forma de "tomada pela fé" para cristãos, é conhecendo diretamente em confiando no testemunho interno do Espírito Santo- sensus divinitatis-. Este tipo de conhecimento é divinamente facilitado. Este é um caso especial de crença básica propria. O testemunho do Espírito tem um significado especial para Calvino. Ele ensinava que os crentes conheciam que Bíblia é a Palavra de Deus- que Deus, pela sua inspiração, é o autor da Bíblia- porque o Espírito Santo ensina isto. A Bíblia diz que o Espírito testifica os crentes que eles são filhos de Deus - Rm 8:16. Agora se isto é possível, então, talvez, os crentes podem saber certas coisas diretamente de Deus.

Estes são exemplos de tomadas pela fé. Mas, entende que na bíblia, fé não significa aceitar uma ideia sem evidência. Como a Bíblia conecta salvo pela fé com a ideia de conhecer pela fé. Em inglês, fé funciona gramaticalmente como um nome. No grego neo-testamentário, pisteo é um verbo que denota uma confiança pessoal em algo. Fé é como o eu aceito do casamento. Não é primeiramente um processo do pensamento ou do conhecimento, é mais uma promessa de lealdade junto uma vida de fidelidade cumprindo esta promessa.

Os reformados distinguem notitia, assensus e fiducia. Notitia denota o conteúdo da fé, as grandes doutrinas bíblicas. Assensus indica o ato mental de aceitação desses ensinos como verdade. E fiducia significa o ato de toda a alma do crente de compromisso pessoal naquilo e prometendo lealdade ao ser divino pessoal descrito nestas doutrinas.

As verdades da notitia denotam o ser divino pessoal- Deus- e o crente que aceita estas verdades no assensus. Mas a chave é esta: salvação- relacionamento com Deus - acontece quando o crente vai além do assentimento mental para uma confiança e lealdade pessoal. Biblicamente, fé é intrinsecamente conectada em acreditar nas verdades centrais sobre Deus,  mas a fé definitivamente não é idêntica a acreditar nelas.

Este texto vai falar sobre o assensus. Os naturalistas insistem que ele é um vazio, insistem que se crenças não evidentes são legítimas, a epistemologia deixa de ter sentido. 

Suponha que eu alegue que eu posso corretamente tomar isto pela fé que Deus me ama. 

Alvin Plantinga coloca que as crenças cristãs essenciais são um ponto de começo apropriado para o pensamento. O pensamento cristão pode começar com as ideias religiosas. Não é necessário inferir que todas as ideias religiosas vem de ideias não-religiosas. Mas, Michael Martin pensa que isto é errado. Ele descreve a afirmação de Plantinga como defeituosa, que a crença religiosa pode ser justamente o ponto de base ou de partida para pensar. Para ele, é uma visão relativista, que coloca qualquer crença para funcionar neste nível básico. Para Lane Craig, os cristãos podem justamente saber que Deus existe por causa do testemunho do Espírito Santo. 
Martin diz que Craig não consegue explicar como tal experiência poderia ser diferente.

DIFERENTES PROJETOS EM EPISTEMOLOGIA.

O objetivo do processo de conhecimento é compreender verdadeiramente. Isto tem dois lados, primeiro, as pessoas querem e precisam saber o que é verdade. 

1. Como posso acreditar de forma legítima com muitas crenças verdadeiras sendo possíveis?

Uma forma para responder esta pergunta é acreditar em qualquer coisa ou em tudo. Contudo, essa estratégia pode produzir muitas crenças verdadeiras, mas isto poderia levar alguém a aceitar algo ilegítimo ou falso. Então, para compreender o mundo, os seres humanos também precisam escapar do erro.

2. Como posso evitar de acreditar com muitas crenças falsas sendo possíveis?

Uma forma de responder a esta pergunta é adotar um ceticismo global, se alguém não acredita em nada, então, nada pode ser falso. Mas, é claro a pessoa iria ignorar muitas crenças que são verdadeiras e importantes. Assim, a necessidade de conhecer o mundo exige um verdadeiro equilíbrio entre as questões 1 e 2.  Isto desafia um conhecedor maximizar o as verdadeiras crenças e minimizar as crenças falsas.

Em busca deste objetivo, os epistemologistas se direcionam a dois diferentes assuntos.

3. O que eu quero dizer por "conhecimento"?

O ponto é dar um relato, desenvolver uma teoria ou oferecer uma descrição do conceito de conhecimento. 

4. Como eu posso identificar instâncias particulares de conhecimento e casos de erro?

Aqui é catalogar, avaliar e coordenar procedimento para escolher instâncias de genuíno conhecimento. Se alguém deseja avaliar o que algo é realmente um caso de conhecimento. 

FUNDACIONALISMO E SUA ALTERNATIVA.

O modo tradicional para responder esta questão é este: uma instância de conhecimento é uma ideia que possui três características: Primeiro, ela é verdadeira. Segundo, alguém acredita nela. E terceiro, algum fato legitima a crença em questão para esta pessoa. Mas o que está errado em definir conhecimento como uma crença verdadeira? Porque alguém pode tem crenças verdadeiras por puro acidente e isto não é conhecimento. O conhecimento requer algum tipo de fato legitimador que distingue da mera crença verdadeira - como um palpite sortudo- para um conhecimento real.  Este terceiro fato é muito controverso.

Como exatamente alguém pode entender e localizar este fato legitimador? Um método importante para pensar sobre o fato legitimador é que ele muda uma crença meramente verdadeira para um conhecimento genuíno é chamado fundacionalismo. A palavra fundacionalismo tem diferentes conotações. Alguns pensadores, especialmente, na teologia contemporânea, identificam um método holístico ou uma fonte de verdade autoritária como uma fundação. Para o autor, seria um fundacionalismo-fonte. Neste tipo de fundacionalismo, a fundação do conhecimento é alguma lógica ou linguagem transcultural, algum método universal como a ciência ou uma tradição religiosa autoritária ou um livro como o Corão. Fundacionalismo-fonte é aquela noção típica modernista que o conhecimento é uma reflexão da verdade e que nós podemos descobrir um fundamento estável para isto em Deus, na Historia ou na Razão.  Para o ponto de vista pós-moderno, o fundacionalismo-fonte não produz a liberdade e progresso que prometem. Ironicamente,  de acordo com esta crítica, a sede moderna por liberdade humana através de objetividade na verdade ou certeza no conhecimento leva para um estilo absolutista filosófico que escraviza ainda mais.

Por contraste, fundacionalismo-crença, assunto deste texto, é uma classe de teorias sobre os relacionamentos entre as crenças individuais com o sistema de crenças da pessoa. Com a estrutura das crenças da pessoa, as crenças básicas fazem o terreno para as crenças não-básicas.  A pessoa conhece as crenças básicas diretamente, ela conhece as não-básicas indiretamente ou por inferência. Qualquer teoria da epistemologia  que distingue as crenças básicas das não-básicas é um membro da classe que estou chamado de fundacionalismo-crença.

No fundacionalismo-crença, o fato legitimador pode ser transferido de uma crença básica para uma crença não-básica. Agora, o fundacionalismo implica que as crenças básicas provisionam o fato legitimador para uma não-básica. O fato legitimador se move apenas nessa direção. Esta é uma característica chave de qualquer fundacionalismo-crença.
Essencialmente, o fundacionalismo-crença é um modo para bloquear o regresso infinito. Se um conhecedor deve voltar para a crença com outra crença, então ele vai ter que voltar a uma cadeia infinita.

Fundacionalismo-crença é sujeito a crítica. Aqueles que objetam optam pelo Coerentismo, que denota uma classe de teorias em que o fato legitimador surge inteiramente do encaixe lógico de várias crenças com outras.  Isto é, a crença x implica na y, e  y em z, etc. Aqui, todas as crenças são parte de um argumento circular amplo.  Nesta rede de crenças, a conexão entre elas não transfere meramente o fato legitimador como no fundacionalismo-crença, mas gera ele. Este fato legitimador vai em ambas as direções. No coerentismo, satisfaze o princípio da coerência é necessário e suficiente para o conhecimento.

Duas características do coerentismo parecem estar corretas. A primeira é que evitar a incoerência é necessário para qualquer conjunto de crenças verdadeiras. A segunda é que o coerentismo corretamente enfatiza o princípio de independência: crenças não-básicas são legítimas pela conexão com um grande número de crenças independentes e coerentes mutuamente, e estas legitimizadas por algumas crenças.

Apesar destas vantagens, contudo, coerentismo sofre duas dificuldades fatais. A primeira, é o problema do input, se coerência sozinha legitima as crenças, isto parece fazer da experiência algo desnecessário. Certamente, crenças sobre o mundo natural tem seu fato legitimador da experiência da percepção real.

Segundo, o problema dos sistemas alternativos de coerência. O coerentismo faz a coerência não apenas necessária mas um verdadeiro conjunto de crenças interconectadas, mas suficientes como um indicador de verdade. O coerentismo vai além de fazer do princípio  da coerência como um critério para verdade. A coerência termina sendo o que é a verdade.  Assumindo uma unidade da verdade, qualquer conjunto de crenças verdadeiras é suficiente para justificar sua verdade. É possível construir um infinito número de conjuntos de crenças onde os conjuntos são internamente coerentes entre si, mas mutuamente exclusivos de cada um. O coerentismo nos deixa sem jeito para julgar estes conjuntos.

REFINANDO FUNDACIONALISMO-CRENÇA

Que tipo de crenças eu poderia considerar como básicas? Uma resposta é encontrada no fundacionalismo clássico,  eles viam que certas crenças estão enraizada em outras mais básicas. Mas, diferente do fundacionalismo-crença, este defende regras estritas sobre que tipos de crenças são legitimamente básicas.  Numa versão clássica do fundacionalismo, as crenças básicas precisam ser auto-evidentes (3+4=7) ou incorrigíveis ( eu sinto sede). 

Em contraste, outras formas de fundacionalismo-crença são mais modestas. O fundacionalismo modesto é qualquer membro de um conjunto de visões tem critérios mais flexíveis para ser basicamente próprio. Um tipo de fundacionalismo modesto é a epistemologia reformada, representada por Plantinga, Alston, Wolterstorff. A epistemologia reformada insiste que mesmo as crenças religiosas são corretamente construídas como básicas por certas pessoas. E as pessoas que acreditam que Deus existe é propriamente básico, eles conhecem pela fé que Deus existe. E não há nada defeituoso inerentemente em conhecer deste modo. 

Dada a visão cristã destas coisas, os conhecedores não estão cometendo nenhum pecado epistêmico. Eles formam suas crenças através de um processo formativo de crença confiável. Mas, estas asserções atiçam a ira dos naturalistas.

A segunda questão é a seguinte: se o conhecimento é distinguido da mera crença verdadeira por um fato legitimador, os conhecedores deve ter um claro conhecimento deste fato? Ou é suficiente que o fato legitimador exista? Aqueles que dizem que os conhecedores precisam conhecer o fato legitimador, vão se inclinar para o internalismo.  Em geral, um internalista usa a palavra justificação para denotar o fato legitimador. Isto forma o plano de fundo para uma visão clássica desta matéria- conhecimento significa uma crença verdadeira justificada.  Falando geralmente, o relato internalista de epistemologia coloca algum tipo de dever nos conhecedores para descobrir o que justifica suas crenças. Conhecedores tem uma obrigação de desmascarar aquilo que distingue  seu conhecimento genuíno das crenças verdadeiras por coincidência.  Se eles não cumprem isto é errado dizer que conhecem. Agora o evidencialismo é um tipo de internalismo em que a evidência justifica a crença. O conhecedor precisa encontrar a evidência que muda a mera crença em conhecimento.

Aqueles que dizem que é suficiente que um fato legitimador exista, mesmo se os conhecedores não estão cientes disto, vão adotar o externalismo. Tipicamente, um externalista usa a palavra garantia para denotar um fato legitimador. Nesta visão, a verdadeira crença é formada através de um processo confiável de formação-crença que possui garantia, e também isto conta como um conhecimento genuíno. As teorias externalistas dizem que alguma garantia deve existir para que a crença possa contar como um conhecimento. Mas, eles não insistem nisto em cada caso de genuíno conhecimento, o conhecedor em si mesmo deve investigar ou se tornar ciente deste fato. Agora há  pouco acordo sobre a exata natureza destas distinções entre a justificação e a garantia ou entre internalismo e externalismo. 

Por que religiosos pensam que é certo, em alguns casos, acreditar pela fé?  Segundo Plantinga, se Deus existe, então o conhecimento da existência de Deus pode ser propriamente básico.  Obviamente, este é um relato externalista. Se Deus existe e criou os humanos com processo confiável de formação de crenças. O conhecimento de Deus está baseado na direta experiência com Deus. Se   Plantinga está certo, isto é uma instância de conhecimento legítimo de uma crença fundacional pela fé no sentido de acreditar em Deus sem evidência.

Naturalistas dizem que este relato de conhecer pela fé não tem como separar crenças verdadeiras das falsas.  Falham em encontrar as verdades garantidoras que possibilitam minimizar as crenças falsas.  Os crentes religiosos que pensam que tomar pela fé é legítimo epistemologicamente  tendem a maximizar a questão 1, mas falham miseravelmente na questão 2.  Claro, que os religiosos tem o dever de produzir algo além de uma asserção subjetiva como o Espírito Santo me falou. Este algo a mais é a evidência segundo os evidencialistas. 




Evidencialismo como um princípio universal

A questão é a seguinte: é racional requerer que os crentes religiosos tenham evidência para cada crença?  Um modo de refutar o evidencialismo é um ataque frontal. O evidencialismo está sujeito a dificuldades. Plantinga argumenta que a única razão para manter o evidencialismo é que ele é uma dedução do fundacionalismo clássico.  Contudo, o fundacionalismo clássico é errado e por duas razões. Por exemplo:

Uma crença é propriamente básica se e somente se ela é auto-evidente ou incorrigível.

A crítica explora a declaração da razão para crer. Plantinga argumenta que esta declaração em si mesmo não é auto-evidente nem incorrigível. Como também não se pode inferir premissas disto. Detalhes mudados não resolvem o problema.  Então, o fundacionalismo clássico é auto-referencial, incoerente e não está em posição para dar qualquer peso para o evidencialismo.  Do mesmo jeito, o evidencialismo é semelhantemente auto-refutando. Tomado como um princípio epistêmico universal, falha em satisfazer suas próprias demandas.  Assim como não há argumentos evidentes que levam ao fundacionalismo clássico, também não há que possam demonstrar o evidencialismo. A segunda parte da crítica é esta: o fundacionalismo clássico criou padrões rígidos e estritos para o conhecimento em tentar assegurar que não haja erros na estrutura do pensar. O fundacionalismo clássico elimina muito dos que as pessoas normalmente e legitimamente conhecem. De fato, isto toma o ceticismo muito sério. 



Conhecendo Deus pela fé

Os crentes religiosos alegam conhecer Deus, reconhecem sua voz. Como Jesus disse, a ovelha conhece a voz de seu pastor (Jo 10:4). Quando Deus fala, os crentes escutam. 

Uma grande parte do que sabemos não é suportada pela evidência, e ainda isto é corretamente chamada de conhecimento.  A epistemologia reformada diz que um crente que conhece Deus e discerne sua voz é perfeitamente certo para formar a crença. 

Qual é o fato legitimador que faz que a crença da pessoa seja um caso de legítimo conhecimento? A epistemologia reformada exemplificada em Plantinga diz que isto é corretamente chamado de conhecimento em todo caso em que a pessoa sabe que acredita através de um processo confiável de formação de crença, mesmo se a pessoa não está ciente ou pensando a respeito do processo. A crença, não o crente, é a garantia. Aqui é o relato de Plantinga. Se uma crença é produzida em S pelas faculdades cognitivas funcionando propriamente num ambiente cognitivo que é apropriado para as faculdades cognitivas de S, de acordo com um plano desenhado que é bem sucedido em encontrar a verdade, então esta crença tem garantia para S. Este não é um conjunto preciso de condições necessárias e suficientes. Desde que há várias extensões análogas e níveis de exatidão nas crenças humanas, isto parece improvável que um poderia especificar tal conjunto universal de tais condições. mas, em geral, se estas características estão presentes quando estou formando uma crença, então, estou tendo conhecimento.

De novo, a questão aqui não é a questão 4: que estratégias vão apontar para os casos de conhecimento ? Naturalistas focam na questão 4,  não consideram a crença em Deus como uma crença básica, pensam que o fundacionalismo não tinha esta intenção.  Fundacionalismo era uma tentativa de prover ferramentas críticas para ter um conhecimento objetivo e prover uma base não relativista para o conhecimento. 

A questão 4 demanda uma caixa de ferramentas epistêmicas, não somente a evidência.  Se os conhecedores estão limitados para uma grande ferramente que o evidencialismo requer, então o conhecer humano é desnecessariamente restringido. Uma consistente aplicação de um evidencialista requer todas os tipos de cisas que desde já sabemos, isto tende a maximizar a questão 2, mas a questão 1 desaparece no fundo. Isto poderia implicar que o conhecimento de Deus que existe não conta como conhecimento.  Se Deus existe, entretanto, qualquer estratégia epistemológica que opõe-se ao conhecimento do fato é  profundamente fraco. Então, se Deus existe, a exigência evidencialista é muito forte.

O Poder do Conhecimento de Plano de Fundo (Background)

O princípio da evidência é um recurso não negociável de cada caso de conhecimento.  Ele elimina muito do que é corretamente chamado de conhecimento, até a si mesmo.  Mas, tem alguma verdade, como os fatos de fundo que dão evidência para crenças.

Para os crentes religiosos, conhecimento que alguém toma pela fé depende de uma variação do princípio de credulidade. 

Quando algo parece para alguém ser verdade, isto provavelmente é verdade, e pode ser tomado como verdade, a menos que saiba-se de alguma circunstância especial de desqualificadora ou uma evidência de que aquilo que parece verdade não é realmente verdade.
Isto se aplica para o conhecimento enraizado na experiência sensória. Algumas boas razões podem, algumas vezes,  contar contra alegações de conhecimento particular mesmo quando elas estão firmadas na evidência produzida pelos sentidos. E se o mesmo é verdade se eu conheço através do testemunho do Espírito ou de uma forma direta e básica.

A informação especial de desqualificação é, em geral, uma evidência, um arrazoado ou uma experiência que leva alguém a pensar que uma crença original não é garantida ou verdadeira.  Ela a verificar a garantia e dar uma evidência mais forte ou fraca para a crença.

Um Papel Limitado para um Princípio Evidencialista.

Um problema com a estratégia evidencialista é a confusão das questões 3 e 4. Quando eu tento descobrir a verdade de uma alegação para isto tenho tem alguma contra-evidência, e isto é correto em alguns casos que busco por um confirmação evidencial. A questão 4: como eu posso identificar uma instância particular de conhecimento? Quando temos um conhecimento de plano de fundo grande, posso deixar certas alegações como implausíveis. 

A crítica do autor deste texto é que para os naturalistas, a suspensão da evidência é possível para as questões do dia a dia, mas não quando se tratar de crenças religiosas.


Como alguém sabe que Deus falar às pessoas é radicalmente implausível, completamente fora do comum, e inteiramente contrário para tudo que sabemos sobre o mundo?  Os crentes precisam apontar isto da experiência base da crença cristã,  que há razão para pensar que o Espírito falar com as pessoas é inteiramente plausível, normal e completamente consistente com o que é verdade sobre o mundo. Dado o conhecimento de plano de fundo que os naturalistas aceitam, escutar a voz de Deus parece fora de lugar. Mas, talvez, o problema é a base de experiência restrita dos naturalistas.


Se os cristãos estão certos, cada ser humano tem uma primeira ordem de capacidade para conhecer Deus, mas nem todo o ser humano reconhecem Ele.  

Se o teísmo é falso então as alegações que o Espírito fala são implausíveis. Mas se a fé cristã é verdadeira, então é claro que Deus poderia comunicar-se com os crentes. Deus criou o processo de formação de crenças. Então, não é dificil pensar que Deus  criou este processo para sentirmos sua presença.

A verdade do teísmo é que faz a diferença.  Quando alguém diz que a crença teísta é epistemologicamente defeituosa porque falha aos pressupostos de evidência, a realidade da existência de Deus é diretamente relevante para responder. Se Deus existe, então a crença teísta está de acordo.

ESTRATÉGIAS PARA UM CONHECIMENTO GENUÍNO.

O que os religiosos podem fazer com a questão 4, como identificar instâncias genuínas de conhecimento?  Os cristão estão interessados em ancorar suas declarações em verdades que aconteceram. 

Os religiosos precisam de algo mais do que crenças bem garantidas. De um ponto de vista externalista, algumas vezes, eu posso vir a crer em uma verdade, numa crença bem garantida sobre Deus, ainda assim se focar em sua garantia. E outras vezes, eu preciso de uma crença bem garantida para uma crença particular. 

A crença conta como conhecimento enquanto ela permanece como um processo confiável em um ambiente epistemológico que o produz. Mas ainda é possível tem um ponto de apoio, por uma crença de segunda ordem. 

Um religioso pode ter um conhecimento de Deus através de experiências diretas religiosas.  

Duas objeções pode surgir: Primeiro, se a crença em Deus pode ser fundacional ou básica propriamente tendo em vista a garantia, isto não implica que qualquer crença é garantida? Se um conhecimento direto de Deus é aceitável, como o cristão responde às seitas?  A crítica é tentar acreditar que esta visão modesta de crença-fundacionalismo que considera a crença em Deus como uma crença básica pode levar a um caos epistêmico. Se a crença em Deus é propriamente básica, isto abre os portões epistemológicos. Martin diz que se a epistemologia reformada é verdade, ela também é radicalmente relativista.

Mas um fundacionalimo modesto não deixa a coisa ir tão solta. Cada crença que inicialmente parece ser garantida realmente é garantida no final. Para  uma crença ser um conhecimento genuíno, não é suficiente apenas fazer a alegação. Ela tem que ser garantida. E se os crentes pesam ou tem razão para pensar que algo não é garantido, eles podem desafiar suas próprias crenças,  O ponto é que eles não são exigidos para desafiar suas crenças, para responder ao desafio antes disto contar como conhecimento. No mínimo, o fundacionalismo modesto diz que eles não devem ter conhecimento de relevantes fatos que desafiem este conhecimento.  

Segundo, se as crenças religiosas são propriamente básicas, isto não leva as crenças religiosas foram reino da discussão pública? Não faz das convicções teológicas algo imune ao criticismo? O conhecer pela fé leva alguém para além da crítica?  

É possível corrigir uma crença básica que foi aparentemente garantida pela pessoa. A pessoa normalmente acha que seu processo formador de crenças gera crenças verdadeiras. Mas, muitas coisas podem dar errado.  O ambiente pode não levar a produção de uma crença verdadeira. 

Como religiosos podem responder tanto a questão 1 e 2? O fundacionalismo  modesto , em reconhecendo muitas crenças religiosas podem ser propriamente básicas para aqueles que as possue, abre um caminho para uma verdade religiosa garantida.  Se Deus existe, então os crentes podem adquirir um conhecimento de Deus bem garantido. Esta não é uma estratégia para identificar os casos de conhecimento, mas algum tipo de descrição do que é conhecimento. Se Deus existe, o conhecimento de Deus é enraizado na experiência de Deus, isto completa a necessidade para crenças garantidas- questão 1. Mas, nem toda alegação de conhecimento aparentemente bem garantida sobre Deus é realmente bem enraizada. Há algumas crenças falsas que parecem inicialmente ter garantia para o crente, mas ainda assim estas crenças são minadas por outras considerações que as derrotam, esta resposta nos ajuda a evitar erros- questão 2.

CONCLUSÃO

A questão que perguntei se está correto em tomar algo pela é. Um modo de tomar algo pela fé é em aceitar a crença religiosa como propriamente básica.  Fundacionalismo é uma classe de teorias epistêmicas em que algumas instâncias do conhecimento - crenças básicas- são conhecidas diretamente ao invés de inferência. Um versão modesta religiosa do fundacionalismo, a Epistemologia Reformada, diz que as crenças religiosas podem ser propriamente básicas.


Para afastar as falsas crenças religiosas, os naturalistas que são  evidencialistas aplicam sua própria regra básica: toda crença deve ser suportada pela evidência. Eles exigem que toda a crença religiosa deve ser suportada pela evidência ou ser abandonada. Sem tal regra, os naturalistas parece  temer que os epistemologistas religiosos poderiam coroar qualquer e toda alegação religiosa como propriamente básica e além da correção.  Mas a regra evidencialista é profundamente falha. Dentre outras coisas, ela apaga a si mesma desastrosamente. No fim, os conhecedores devem conhecer algumas coisas diretamente. Se eles nunca conhecerem nada diretamente, então eles nunca vão encontrar as primeiras premissas para começar qualquer inferência as coisas conhecidas indiretamente. Se eles não conhecem algumas diretamente, eles nunca vão conhecer nada. Se Deus existe, claro que os crentes religiosos vão tomar algumas coisas pela fé.

Cristãos dizem que tomam pela fé o conteúdo - notitia- do ensino bíblico junto com o assentimento mental - assensus-. Este é o primeiro passo em direção a Deus.  A verdadeira fé que transforma e libera as pessoas espiritualmente é o segundo, um passo distinto- uma confiança existencial em, uma lealdade fiel - fiducia- para com Deus. Esta é a fé que leva para o amor de Deus- o propósito maior da existência humana. 



"Any epistemic standard that disallows the knowledge by which human persons find the Reality they were created to love calls itself radically into doubt." p. 52



domingo, abril 26, 2015

Moreland e Craig : O que é Metafísica?



Predicação essencial: aquela que afirma a essência de algo.

Predicação acidental: aquela que afirma algo é acidente de outro


Ontologia geral:  aspecto mais básico da metafísica. Primeiro, enfoca a natureza da existência em si. Segundo, estudamos os princípios gerais do ser, as características gerais que são a verdade  de todas as coisas.  Terceiro, inclui o que é denominado de análise categorial. É possível classificar ou agrupar as coisas existentes de diversos modos, variando entre os tipos de classificação desde aqueles muito específicos até os muito amplos. 

Um conjunto de categorias é uma coleção de classificações fundamentais e abrangentes de quaisquer entidades existentes, tal que cada entidade se ajustará numa categoria específica e as categorias tomadas como um grupo  nos permitirá classificar todas as entidades 

Para Aristóteles, 10 categorias: substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, estado, ação e paixão.

Para Kant:  as categorias (12) não são divisões do mundo como ele é em si - mundo numenal- mas, antes, elas expressam as divisões do mundo como ele nos aparece, como objetos da experiência possível - mundo fenomenal-. 

MÉTODOS DE ABORDAGEM NA METAFÍSICA.

NATURALISTAS: defendem que a realidade é esgotada pelo mundo espaço-temporal de objetos físicos admitidos por nossas melhores teorias científicas.  A ciência é a principal abordagem do mundo, não a filosofia. A metafísica não é o estudo da realidade, mas, de preferência, é o estudo do nosso discurso, especialmente o discurso científico da realidade. Neste ponto de vista, a análise linguistica é a principal ferramenta do filósofo que se ocupa da metafísica. 

"Faz parte da metafísica analisar e esclarecer o uso da linguagem, incluindo a linguagem científica. No entanto, não há nenhuma boa razão para limitar a investigação metafísica dessa maneira,  especialmente quando compreendemos que a ciência pressupõe doutrinas filosóficas e metafísicas. Assim, a metafísica é conceitualmente anterior à ciência. A ciência pode ajudar a metafísica de vários modos, mas não pode impor os métodos a serem usados na metafísica. Além disso, a linguagem existe. Portanto, a metafísica não pode ser reduzida à linguagem, pois a linguagem em si é parte do estudo metafísico" (PAG 227)


1. O estudo metafísico deveria começar com as coisas que já sabemos,  ou temos razão para acreditar que sejam verdadeiras, e deveria levá-las em conta antes que começássemos a fazer metafísica.

Simplesmente  conhecemos de fato muitas coisas através do senso crítico comum.  E muitos pontos da metafísica estão enraizados na admiração e perplexidade sobre as coisas que temos motivos em acreditar por meio do senso crítico comum. 

Certas verdades em teologia exigem o estudo metafísico para ajudar no seu esclarecimento. As verdades do cristianismo podem ser usadas como conhecimento básico para nos orientar na recusa de certas posições metafísicas e, além disso, na busca dos motivos imparciais para sua rejeição.

2. determine o problema metafísico que você está tentando resolver e o que dá origem ao problema.

3. use experimentos de pensamento como fontes para contra-exemplos aos argumentos metafísicos. 

mundo real: o verdadeiro mundo da totalidade de entidades realmente existentes, pode ser descrito por uma conjunção da totalidade das proposições realmente verdadeiras.

mundo impossível: um mundo que não pode existir, a conjunção de proposições que o descrevem inclui uma proposição logicamente impossível. 

mundo possível: um mundo cuja descrição não inclui uma proposição logicamente impossível.


Propriedades e relações são chamadas universais.

propriedades são entidades que podem ser apresentadas ao mesmo tempo por muitas coisas. 

Relações são entidades que podem relacionar duas ou mais coisas e podem estar ao mesmo tempo em mais de um grupo de coisas.

um conjunto é um grupo ou coleção de coisas chamadas de membros do conjunto.
Números são coisas que entram em certas relações matemáticas
Proposições são os conteúdos expressos em orações declarativas e que estão na mente das pessoas quando estão pensando.

Vamos chamar de mundo a soma total de tudo quanto existe, incluindo as entidades abstratas não-espácio-temporais, como também o universo de entidade físicas espácio-temporais.

Ontologistas são aqueles filósofos que, como Platão, acreditam no mundo e nas entidades abstratas.


Tarefas do naturalista:
1. deve mostrar que as entidades mentais não são reais: a. negando completamente sua existência, b. reduzindo-as a entidades físicas no limite espácio-temporal. c. tentando mostrar que de modo ou de outro elas dependem do mundo físico para a sua existência.

2. deve negar que propriedades e relações  sejam entidades abstratas: a. negando que elas existam - nominalismo extremo-. ou b. aceitando a existência de propriedades e relações, mas tratando-as como realidades materiais que estão completamente no espaço e no tempo - nominalismo e realismo impuro.

3. deve mostrar que entidades abstratas não reais: a. negando completamente sua existência e b. reduzindo-as a entidades físicas no espaço e tempo.







sábado, abril 18, 2015

Plantinga, função apropriada e naturalismo metafísico por Lane Craig e Moreland

Continuando o resumo de Filosofia e Cosmovisão Cristã, vou colocar alguns pontos do texpto sobre Plantiga, função apropriada e o naturalismo metafísico.


Naturalismo Evolucionário e nossa capacidade noética.

"De acordo com Plantinga, o conhecimento é crença verdadeira garantida, e uma crença tem garantia para algumas pessoas apenas no caso de a crença (apenas em caso significa se e somente se) ter sido formada por faculdades cognitivas que estão funcionando apropriadamente e estão em conformidade com um bom planejamento, num ambiente cognitivo apropriado para a maneira como as faculdades foram planejadas,e, quando o planejamento de nossas faculdades objetiva a obtenção da verdade (....)  Como a função apropriada é normativa, não pode ser entendida como mera descrição da maneira estatistica usual.

"se o conhecimento pressupõe uma crença garantida, e se garantia das crenças pressupõem que essas crenças foram produzidas por faculdades que funcionem apropriadamente ,e se a noção de faculdades que funcionem apropriadamente  pressupõe a noção de que foi planejada para funcionar de uma certa maneira, logo, o planejamento pressupõe um planejador" (pag 136)


Os Naturalistas nos devem uma explicação do que significaria para os seres humanos ter faculdades cognitivas e sensoriais que funcionem apropriadamente, e que evitasse a idéia de um planejador, segundo Plantinga, essas explicações não foram bem sucedidas. Todos eles, de uma forma ou de outra, definem funcionamento apropriado em termos do funcionamento que é estastisticamente normal, usual ou de uma maneira que intensifique o valor de sobrevivência dos organismos que possuem o orgão ou faculdade em questão. Contudo, não nos dão uma noção normativa das faculdades que funcionam apropriadamente, e,de qualquer modo, o indivíduo pode definir funcionamento apropriado em termos da teoria da evolução e do valor de sobrevivência, pois, se mesmo se a evolução fosse verdadeira, essa é uma verdade contingente ( a evolução poderia ser falsa, na verdade, é mais provável que seja falsa) e não poderia haver faculdades que funcionassem apropriadamente mesmo se a evolução tivesse sido falsa. Portanto, a verdade da evolução não pode ser requerida para o dar o sentido das faculdades que funcionam apropriadamente. Qualquer que seja a explicação que apresentarmos para as faculdades que funcionam apropriadamente, ela deveria se aplicar a mundos possíveis em que a evolução seja verdadeira e a mundos que seja falsa. A definição que capta a essência real de algo, no caso as faculdades que funcionam apropriadamente, não pode aplicar-se acidentalmente à coisa definida, dependende de algum outro fator -evolução- é verdadeiro ou não.,

A questão é a seguinte se o conhecimento existe e se as faculdades que funcionam apropriadamente são condições necessárias para o conhecimento, logo, se a noção de funcionamento apropriado requer a existência de um planejador dessas faculdades e não pode ser adequadamente compreendido em termos estritamente naturalísticos, podemos concluir que o naturalismo metafísico é falso.

Plantinga mostra que o naturalismo evolucionário é falso. De acordo com a teoria naturalista evolucionária, os seres humanos, suas partes e faculdades cognitivas  surgiram por meio de processo cego, que a selecionou em virtude de seu valor de sobrevivência e de suas vantagens reprodutivas. Se as nossas faculdades cognitivas surgiram assim, logo o propósito último delas é garantir que nos comportemos de certa maneira, isto é, que nos movimentemos apropriadamente para conseguir alimentação, evitar o perigo, lutar e reproduzir de forma que as possibilidades de sobrevivência sejam intensificadas. 

"a probabilidade de nossa faculdades serem confiáveis, dada a verdade do naturalismo evolucionário e a existência das faculdades que possuímos, é ou 1. realmente muito baixa ou 2. algo  sobre o que devemos nos manter agnósticos. Por que Plantinga pensa assim? A evolução é provavelmente um comportamento seletivo de adaptação, mas não podemos dizer o mesmo em relação às faculdades que produzem crenças verdadeiras, pois, dado o naturalismo evolucionário, pelos menos cinco cenários distintos  em relação a nossas crenças e as nossas faculdades noéticas são possíveis e não podem ser descartados.

1o. os processos evolucionários poderiam produzir crenças que não tivessem relações causais quaisquer com o comportamento, e, portanto, sem propósito nessa função. As crenças não causariam nem seriam causadas por comportamentos, seriam, portanto, invisíveis à evolução.

2o. a evolução poderia produzir crenças que fossem efeitos do comportamento e não causas dele. Nesse caso, as crenças seriam como uma decoração e não fariam parte da cadeia causal que levasse à ação. O despertar das crenças seria muito parecido com os que os sonhos.

3o. a evolução poderia produzir crenças com eficácia causal - elas são causadas por comportamentos e, por sua vez,  causam comportamentos, mas não em virtude do que elas essencialmente são como crenças, isto é, não em virtude de seu conteúdo semântico ou mental, mas em virtude das características ou sintaxe físicas associadas a elas - ou à parte delas. 

4o. a evolução poderia produzir crenças casualmente eficazes, sintática e semanticamente - em virtude de seu conteúdo- mas tais crenças e sistemas de crenças poderiam, no mínimo de duas maneiras, ser mal-adaptadas - em geral, aspectos mal adaptados como um albino, que pode ser estabelecido em uma espécie e passado à descendência, de forma similar, a presença de um certo sistema de crença ou a propensão para formar crenças, pode ser mal adaptado e ainda se fixar e passar à descendência-. Primeiro, as crenças podem ser distrações que levam uma criatura ocupada com comportamentos focados na sobrevivência a gastar energia de uma forma menos eficiente do qu as conexões causais, que produzem o comportamento, ignorassem emnte a crença. 

5o. a evolução poderia produzir crenças casualmente eficazes em virtude de seu conteúdo e do fato de serem adaptativas. Neste caso, podemos perguntar, qual a probabilidade de que as faculdades noéticas, que produzem tais crenças fossem guias confiáveis para se obter crenças seguras? 

o naturalismo evolucionário serve como um invalidador destrutivo, que retira os fundamentos na confiabilidade de nossa capacidade noética.