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sábado, maio 02, 2015

Stephen T. Davis: O argumento ontológico




Nesta segunda parte do livro The Rationality of Theism, vai ser abordado os argumentos para existência de Deus: o ontológico, o cosmológico, o teleológico, o moral como também artigos sobre a experiência religiosa,  a consciência e milagres.

O primeiro texto é sobre o argumento ontológico escrito por Stephen T. Davis, eis aqui um resumão:


O argumento ontológico é umas peças mais controversas e fascinantes da teologia natural na história da filosofia. Foi inventado por Anselmo (1033-1109). O texto vai se concentrar em uma resposta as críticas contemporâneas de Michael Martin.

Martin discute cinco versões do AO- de Anselmo, Malcolm, Hartshorne, Kordig e Plantinga. Ele considera o AO mal sucedido em sua tentativa de provar a existência de Deus.  Mesmo se o AO estiver falho, ele não leva necessariamente a uma vitória do ateísmo, não é algo crucial para o teísmo, mas o autor considera que Martin não alcançou o que diz ter conseguido. Considera justa suas críticas ao AO de Malcolm, Hartshorne e Kordig, concorda com as razões de Martin. Mas sua crítica a Anselmo e a Plantinga podem ser respondidas.

O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE ANSELMO.


O autor vai examinar primeiro o argumento de Anselmo, mas antes vai mencionar dois ponto onde Martin desconstrói ele. Primeiro, como outros críticos, Martin vê o AO como uma tentativa de provar a existência de Deus simplesmente analisando o conceito de Deus. Esta alegação tantas vezes repetida é inofensiva. É verdade que a definição de Anselmo de Deus - "aquele ser que não podemos conceber nada maior"- é crucial para seu argumento. Podemos chamar este ser de o MAIOR SER CONCEBÍVEL (MSC). Mas, simplesmente analisando este conceito não iremos a lugar nenhum para provar a existência na realidade de nada. Deve-se também trazer em consideração que Anselmo tomou certas verdades necessárias (uma coisa é maior se ela existe tanto na mente como na realidade então isto existe meramente na mente e a existência de MSC é logicamente possível).  Estas reivindicações são aspectos essenciais do AO, e não seguem imediatamente do exame de qualquer conceito de Deus. 

Segundo, Martin afirma que Anselmo alega que a pessoa que diz "Deus não existe" contradiz a si mesmo. Mas, isto também é um poucos enganador. De novo, Deus não existe apenas se torna necessariamente falso em conjunto com certas verdades necessárias como as que listei. Anselmo não precisa estar comprometido com a alegação de que apenas a sentença Deus não existe é auto-contraditória, o que é não é certamente. Para ser claro, Anselmo assegura que a posição ateísta pode ser demonstrada como necessariamente falsa. Isto surge porque esta posição é inconsistente com a definição de Deus, junto com outras certas verdades necessárias.

É importante ver a versão do argumento de Anselmo. O autor vai demonstrar o argumento que está no Proslogion II; 

1, Coisas podem existir em apenas dois modos: na mente e na realidade.
2. O MSC pode possivelmente existir na realidade, por exemplo, não é uma coisa impossível.
3. O MSC existe na mente.
4.  O que quer exista apenas na mente e poderia possivelmente também existir na realidade deve ser maior que ele é.
5. MSC existe apenas na mente. 
6. O MSC pode ser maior do que isto.
7. O MSC é um ser que é o maior que é concebível.
8. É falso que o MSC apenas pode existir na mente.
9. Então, o MSC existe tanto na mente como também na realidade.


Obviamente, muito disto precisa de explicação. Na premissa 1, o que Anselmo quer dizer com 'x existe na mente" significa que alguém imagina x, define  ou concebe x. A expressão x existe na realidade significa que x existe como coisa concreta individual e existe independentemente da idéia de qualquer pessoa ou conceito sobre ele. Então, há quatro modos de existência em que X poderia existir:

- tanto na mente como na realidade (e.g. George W. Bush)
- na mente mas não na realidade ( unicórnios)
- na realidade mas não na mente (algum elemento químico ainda não descoberto mas existente)
- de nenhum modo ( energia nuclear  no ano 1550 dC)


A premissa 2 simplesmente significa que não há contradição ou qualquer tipo de incoerência no termo "Maior Ser Concebível". Se for assim, MSC é um ser que pode existir ( isto não significa que existe, claro) diferente de circulos quadrados. A premissa 3 simplesmente significa que alguém, Anselmo ou você- tem concebido o MSC: o MSC existe na mente de quem o concebe. Então, o MSC deve ter um dos dois dos nossos quatro modos de existência, já eliminando outros dois.

Premissa 4 é chamada, algumas vezes, de a premissa escondida de Anselmo. isto é porque ele não deixa ela explícita no Proslogion II, apesar de ficar claro que seu argumento carece dela. A idéia basica é que as coisas são maiores se elas existirem tanto na mente como na realidade do que se elas existissem simplesmente na mente. Então, se tomarmos maior como significando mais poderoso, entenderíamos que Anselmo quer dizer que as coisas que existem tanto na mente como na realidade são mais poderosas, livres e mais capazes que as coisas que existem apenas na mente.

Agora, as premissas 1,2,3 e 4 constituem as suposições básicas de Anselmo. Como qualquer argumento dedutivo, a aceitação do AO depende da verdade de suas suposições. Se qualquer uma delas for falsa, então o AO fracassa. Anselmo os considerava como não apenas verdadeiros, mas também necessariamente verdadeiros,  A premissa 5 é uma premissa que Anselmo introduziu para refutar ela por redutio ad absurdum. Ele acreditava que a suposição da não-existência do MSC, junto com as premissas anteriores, levariam a uma contradição.


As próximas três premissas constituem o resultado lógico das suposições de Anselmo.  Aqui é onde Anselmo mostra que a premissa 5 é inaceitável porque ela é responsável por produzir uma contradição e,então, deve ser negada. Se as premissas 5, 2 e 4 são verdadeiras, então a premissa 6 segue também. Se o MSC é um mero conceito ou algo não existente, então o MSC poderia ser mais maior ainda que isto. Meros conceitos presumem tem certos poderes e habilidades - eles podem, as vezes, ajuda a nos estimular para pensar mais claramente ou agir de determinada maneira, por exemplo. As coisas existentes são maiores que os meros conceitos delas. Se o MSC fosse apenas um conceito, então ainda seria verdade a possibilidade de existir algo que chamaríamos de MSC.

Agora a premissa 6 é ao mesmo implicitamente contraditória, ela diz que, o maior ser concebível pode ter sido maior que ele é. Esta é uma outra forma de estabelecer o mesmo ponto,

7. O MSC é um ser que é o maior a ser concebível.

A premissa 7 é uma contradição explícita, então por reductio ad absurdum, precisamos pesquisar qual premissa acima no argumento é a responsável por produção da contradição. Anselmo argumenta que as 4 primeiras premissas são verdades necessárias. Por reductio ad aburdum, a premissa 5 deve ser negada.

A negação da premissa 5 é a premissa 8. Agora, sabemos pela premissa 1, que as coisas existem em dois modos, na mente e na realidade. E sabemos pela 3, que o MSC existe na mente, e pela premissa 8, que é falso que o MSC existe apenas na mente. isto segue a premissa 9 que o MSC existe tanto na mente como na realidade.

CRÍTICAS AO ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE ANSELMA.

Existe é um predicado?

A primeira crítica de Martin é sobre o existir como predicado. A versão de Martin da premissa 4: "Um ente é maior se ele existe na realidade como se ele existe apenas como objeto mental".  Ele aponta que esta sentença foi desafiada, i.e., por Kant que alegou que existir não é um predicado rael, não é uma propriedade real da coisa. Martin não fala que Kant está correto, ele meramente aponta o argumento de Kant  que faz do AO controverso. Para o autor do texto o argumento de Kant não é tão contundente assim.

Martin aponta que os defensores do AO podem mostrar que existir é uma propriedade das coisas, mas isto não é o suficiente para as necessidades do AO. Ele deve também mostrar que existir é uma propriedade das coisas que adiciona grandeza a elas. E Martin está correto sobre sito. A existe de uma coisa pode ser neutra em relação a sua grandeza.

Infelizmente, o texto de Anselmo não diz o que maior quer dizer exatamente ou maior que outro. Qual a noção que Anselmo tinha em mente? Há no texto alguma evidência que Anselmo entendia grandeza em termos de bondade.

Suponha que lemos grandeza como poder, habilidade, liberdade de ação. Isto iria levar a muitas coisas que o AO precisaria. Primeiro, as coisas precisam ser comparadas em respeito a grandeza. Isto é importante porque alguns modos possíveis de entender grandeza não permitem comensurabilidade, ie, um número primo não pode ser maior que outro numero primo.  Segundo, a grandeza entendida deste modo, admite um grau máximo. Todas as coisas vão ser menos grandes que o MSC, onde o MSC é entendido como um ser onipotente ou todo-poderoso, entendido com um ser que tem a propriedade de ser com total liberdade de ação.

Existe é uma propriedade ou um predicado real? Certamente, é uma propriedade não muito usual. Como Kant diz corretamente, se digamos que algo existe não expandimos ou aumentamos o conhecimento acerca deste algo.  Se o predicado é algo que aumenta o nosso conhecimento sobre sujeito, então existe pode, algumas vezes, falhar em ser esta propriedade ou este predicado real.

Mas, isto parece ser verdade apenas em casos onde a existência de algo é já pressuposta na conversa.


Mas, algumas vezes ampliamos os limites dos horizontes de nossa linguagem e falamos sobre coisas que são possíveis ou não-existentes. E nestes casos, isto poderia adicionar o conhecimento de algo que existe ou não existe. Nestes casos, existir aparece como uma propriedade ou um predicado real.

Mas, aqui há uma definição de maior que se torna crucial. A noção que é defendida é que existir realidade é maior que não existir na realidade. Coisas existentes são mais poderosas, livres e mais aptas para fazer coisas que aquelas que poderiam não existir, como os meros conceitos delas.

Martin perde de vista a noção de maior de Anselmo, sugerindo que isto poderia ser trocado por noções como mais valiosa ou mais desejável. Ele coloca que o desejo é uma noção relativa, e há pessoas que não achariam a existência de Deus algo desejável.  Isto é verdade, mas não é relevante para o AO como uma prova teísta. Enquanto, a noção de maior for coerente e fazer do AO bem sucedido, de acordo com a idéia de aquilo que existe na mente na realidade é maior que aquilo que existe apenas na mente, não importa que se as pessoas acham ou não a existência de Deus desejável. É injusto com Anselmo, colocar outras noções de grandeza que não as dele. precisamos perguntar se a noção está consistente com a visão de Anselmo sobre Deus e se ela leva seu argumento adiante.

O ponto de Anselmo é que as coisas existentes não maiores que os meros conceitos delas. Se alguém diz que o MSC é um mero conceito, se ele existe apenas na mente, isto ainda seria verdade que a coisa não-existente descrevida pelo conceito de Maior Ser Concebível poderia existir, e se ele existe seria maior do que isto (não-existente) como de fato é. Existem muitas dificuldades que pode ser levantadas contra o AO neste ponto 9,

ilhas perdidas e grandes seres ruins

A segunda crítica de Martin  é um apelo ao AO paralelo, uma paródia do AO, seguindo a estratégio de Gaunilo séculos atrás, usando a lógica básica do AO para provar a existência de toda a sorte de criaturas bizarras que sabemos bem que não existem. Estas entidades como a Maior Ilha Perdida Concebível ou  O Grande Ruim Absoluto.

Mas, sabemos que o paralelo é falacioso, pois sabemos que nenhuma ilha perdida existe, portanto, eles querem que o MSC também não exista.  Então,ambos não existem.

Anselmo mesmo replicou a Gaunilo:

Agora, digo com confiança que se qualquer homem que buscar qualquer coisa existente na realidade ou apenas como conceito, exceto que o maior não pode ser concebido, pode adaptar a sequência de meu arrazoado, e irá descobrir que a coisa, e a ilha perdida não será perdida de novo.

O ponto crucial é a premissa 2 aqui.  Ela diz que o MSC pode possivelmente exitir na realidade, i.e., por isto não é algo impossível.  E o no argumento paralelo, Gaunilo diz que a Ilha Perdida.

Alguns filósofos tem argumentado que a premissa 2 é falsa. Eles têm que o conceito de Deus é contraditório ou mesmo incoerente. Mas, na minha visão, é que não. Se falarmos considerando o conceito de MSC, não de Deus que eu também interpreto como MSC.  O MSC é claramente algo possível, o MSC tem algo como propriedade, é apto para um conjunto de situações que são logicamente possíveis para ele.

A premissa 2 do AO paralelo é verdadeira? O conceito de Ilha Perdida Maior Concebível é coerente?  Anselmo diria que não, muito aqui depende do que significa concebível, isto depende dos limites daquilo que pode ser concebível. Poderíamos ampliar ou diminuir, podemos ter ele como aquilo que é logicamente possível.


Como Anselmo responde ?

Suponha que a objeção queria aumentar os limites, podemos conceber coisas que são logicamente impossíveis como círculos quadrados, casados solteiros. Então, há um grande problema com a premissa 2a, o maior que vamos fazer com MIPC é um conceito, e isso jamais seria uma ilha. Agora, se colocarmos que coisas necessárias são maiores que coisas contingentes, isto se segue, que a MIPC será um ser necessário e onipotente, que vai ser para sempre, será capaz de existir por si mesma, etc. Agora não há problema em o MSC ser um ser necessário e onipotente- que é aquilo que esperamos. Mas ilhas são essencialmente contingentes e não onipotentes, há coisas que não podem fazer. É por isso que a MIPC não pode existir e a razão pela qual esta premissa é falsa.

Se um defensor de Gaunillo optar por uma conceituação mais estreita da noção de concebível como aquilo que é logicamente possível. Então, o conceito de MIPC nos termos de grande fazedor de propriedades pode possivelmente ter propriedades como temperatura, beleza do cenário, Mas, se alguém pensar na MIPC, numa ilha perfeita, ela não teria um critério interno de grandeza.


Então, o que dizer sobre o Grande Malvado Absoluto. Este conceito pode servir como um contra-exemplo do argumento de Anselmo?  O mesmo acontece com ele, o GMA pode existir na realidade? Aqui a mesma problemática acontece porque há sempre um mal maior que pode ser imaginado, a premissa 2b é falsa.


A Crítica de Mackie

Finalmente,  Martin vai repetir a crítica de J.L. Mackie.  O ponto de Mackie é que impossível provar a existência de qualquer realidade concreta através de um processo inteiro realizado a priori, i.e., meramente examinando conceitos e definições.  Por definição, o MSC deveria existir, deve ser concebido como existente na realidade, mas apenas será um conceito como o monstro do Lago Ness. E, então, a declaração, o MSC não existe deve ser tida como contraditória, 

Podemos, certamente, provar algumas coisas que existem ou não na realidade de maneira puramente a priori, por exemplo, solteiros casados e circulos quadrados não podem existir na realidade. De modo semelhante, podemos olhar para de modo a priori e ver que há um numero primo entre 6 e 10. 



O ARGUMENTO ONTOLOGICO MODAL DE PLANTINGA.


Vamos chamar este argumento de AOM.

Plantinga define como grandeza máxima possuir excelência máxima em cada mundo possível, tendo máxima excelência como onisciência, onipotência e perfeição moral em cada mundo possível.

12 Há um mundo possível onde a grandeza máxima é exemplificada.

13 Há alguns mundos possíveis em que há um ser que é maximamente grande.

14. Necessariamente, um ser que é maximamente grande é maximamente excelente em cada mundo possível (por definição)

15 Necessariamente, um ser que é maximamente excelente em cada mundo possível é onisciente, onipotente e moralmente perfeito em cada mundo possível. (por definição)

16. Então, existe me nosso mundo e em todo mundo um ser que é onisciente, onipotente e moralmente perfeito ( vindo das premissas 13, 14 e  15)


Martin corretamente nota que Plantinga não toma o AOM como uma demonstração conclusiva da existência do ser maximamente excelente Já que Plantinga sabe que as pessoas racionais podem negar a premissa 12. Mas, já que a premissa 12 não é contrária a razão, o AOM demonstra a aceitabilidade racional da crença em Deus.


O argumento é baseado na lógica modal de sistema S5. É crucial a simetria de condição de relações de acessibilidade entre os mundos possíveis. 



quinta-feira, abril 30, 2015

Robert C. Koons: Ciência e Teísmo: Concórdia, não conflito.


THE RATIONALITY OF THEISM 

4o. CAPÍTULO: SCIENCE AND THEISM:  Concord, not conflict 

por  Robert C. Koons


É bem comum, ouvirmos que ter crença em entidades sobrenaturais como Deus e a alma é incompatível com o ponto de vista moderno e científico.  Este artigo vai examinar o relacionamento entre religião e ciência na história ocidental, se as conexões entre elas são meramente acidentais ou essenciais.

O que é ciência?

O teísta é aquele que acredita que há um ser pssoal que tem poder ilimitado e inteligência ilimitada, que é fundamentalmente bom e confiável e que é responsável pela criação do resto da realidade. 

Etimologicamente a palavra ciência vem da palavra latina para conhecimento, se a ciência simplesmente significa conhecimento, Há quatro definições para ciência:

1. Ciência refere-se para a explosão exponencial no conhecimento de todas as coisas experimentado na Europa e partes conectadas do mundo pelas últimas centenas de anos, necessitando de uma re-avaliação de todas as crenças prioritárias.

2.  Ciência é uma instituição social que tem desenvolvido na Europa e partes conexas do mundo pelas últimas centenas de anos, consistindo um novo sacerdóco, um magistério do fato, suplantando - ou, ao menos, limitando- o papel de magistério da igreja.

3. Ciência representa uma nova radicalmente e vastamente superior maneira de conhecer, trazendo o método científico que foi descoberto e inventado na Europa durante o sec XVII.

4. Ciência é a história do inexorável avanço da filosofia materialista contra todos os rivais, incluindo teísmo. 

O autor não vai levar em conta as novas descobertas científicas, mas ele acredita que as novas descobertas nunca deixaram o teísmo tão claro e forte com agora.


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O crescimento institucional da ciência tem um grande potencial para o bem e para o mal. A vasta superestrutura da ciência tem permitido um avanço acelerado do aprendizado, mas também carrega um perigo de um totalitarismo intelectual. O sacerdócio da ciência como único magistério de fato.

Os filósofos tem em que adotar uma relação crítica em relação aos pronunciamentos da ciência em questões chave da existência humana, incluindo a existência de Deus. Por vezes, eles têm adotado uma atitude sicofântica, agindo como torcedores para  ciência oficial ao invés de críticos simpáticos.

O mito positivista da singularidade da ciência.

Em contraste com as definições 1 e 2, As definições 3 e 4 estão firmadas não no fato mas na mitologia. A definição 3 pressupõe que a ciência é única, uma nova forma de conhecer, codificada como método científico. Este mito da singularidade têm 3 teses positivistas centrais:

Tese 1: o método científico foi uma criação de um pequeno grupo de pesquisadores do seculo XVII, que romperam com o passado escolástico aristotelico e começaram, pela primeira vez, a interagir com o mundo de uma forma distintivamente científica.

Tese 2: O método científico, eles descobriram que é objetivo, singular, transcultural, consistindo de um método impessoal.

Tese 3: A credibilidade deste método científico como um revelador da verdade tem sido abundantemente validado pelo sucesso pragmático e poderes técnicos nele incorporados.

Todas estas teses tem sido decisivamente refutadas pelos intelectuais contemporâneos. Pierre Maurice Marie Duhem, historiador da ciência, descobriu  precursores medievais e renascentistas para a nova física do século XVII, especialmente no desenvolvimento da teoria e outra alternativas para a noção aristotélica de natureza como em Jordanus de Nemore, Jean Buridan, Oresme e Da Vinci. O trabalho de Duhem fala em continuidade e não em descontinuidade, num refinamento da teoria.  Os historiadores e filósofos da ciência também descobriram que o método científico não é um mecanismo atemporal ou impessoal, mas, que fatores pessoais, tais como julgamento estético, perspectiva cultural e a própria história da ciência tem papéis importantes.

A ciência não é novo modo radical de conhecer descoberto num passado recente.  Como W. V. O. Quine observou que a diferença entre a ciência e o senso comum é uma questão de grau, não de tipo.
Bas van Fraassen e outros argumentam que o sucesso pragmático sozinho não é garantidor da verdade das conjecturas científicas, o fruto técnico da pesquisa científica pode ser explicado em ver a ciência como uma busca efetiva por um fruto técnico e não pela verdade. Diferente dos anti-realistas, acredito que a ciência, em sua maioria, prove para nós conhecimento do mundo real. Contudo, este conhecimento está ligado a todos os outros, através do uso normal de nossas faculdades naturais de observação e razão. Os defensores da teoria científica devem organizar evidência e argumentos para suas reivindicações num fórum público: eles não devem esperar uma deferência de uma mente sem críticas.  Quando somos simplesmente intimidados pelo poderio técnico da cultura científica, ficamos supersticiosos.

Não há tal coisa como um método científico. Existe é um conjunto de regras e avisos tirados do senso comum e tradição e, por outro lado, um conjunto específico de métodos e aproximações para definir programas específicos de pesquisa na ciência.

Como Etienne Gilson argumenta em Realismo Metódico, que cada domínio de fatos pede por seus próprios conjuntos de métodos de investigação. Assim como é inapropriado para os aristotélicos medievais aplicar métodos biológicos para a física, é também inepto para as ciências sociais e biológicos podem ser distorcidos "veneno físico".


Muito da filosofia da ciência na metade do século XX foi tomada numa tentativa quixotesca de encontrar uma linha de demarcação entre ciência e metafisica/senso comum. Cada tentativa dessa encontrou condições necessárias e suficientes para ser encarada como uma investigação científica ou uma teoria científica terminou em fracasso. Os candidatos de sempre- verificabilidade, falseabilidade, testabilidade, repetibilidade - se tornaram nas melhores regras, guias úteis para mente mas longe de caracterizar  todas as ideias científicas.

O critério da falseabilidade foi tomado como uma sine qua non da teoria genuinamente científica. Há, pelo menos, três razões porque isto não pode servir como um delimitador da ciência genuína. Primeiro, é claro da história dos cientistas que praticam boa ciência, que eles não lançam fora uma teoria diante do primeiro problema, mesmo quando há previsões falsas nela. É claro, mesmo em retrospectiva, que a adesão rígida ao dogma falsificacionista  teria impedido o processo científico através de uma rejeição prematura das teorias que pareciam estar em conflito com os resultados experimentais. Por exemplo, a órbita desviante de Urano parecia contradizer as predições de Newton, até que o planeta Netuno foi descoberto e a teoria newtoniana foi vindicada.

Segundo, como Duhem e Quine ambos demonstraram, nenhuma teoria é simplesmente falsificada pelo resultado. Ao invés disso, cada teoria é testada em conjunção com um auxílio de hipóteses auxiliares, a falsidade de qualquer um pode ser responsável por resultado negativo. Num certo sentido, não são as hipóteses individuais mas todo o corpo da teoria científica que está sendo testada em cada observação e mensuração. A tarefa de encontrar a parte responsável quando um resultado negativo é encontrado pode nunca ser reduzida a uma receita mecanicista. Finalmente, já que nenhum resultado empirico é totalmente conclusivo, isto também impossibilita a falsificação de algo absolutamente, já que a falsificação absoluta deve ser baseada numa fundação conclusiva absoluta.

Isto nãoé negar que há um valor real para os brometos de Popper. Nós somos realmente tentados a segurar ideias familiares e queridas, para ficarmos em lugares seguros.


A insistência acrítica na falseabilidade que favorece o quantitativo sobre o qualitativo, o atomismo e analítico acima do holístico e sintético, a causa eficiente sobre a causa final.  Isto pode levar a um desdém da metafísica. Se a ciência realmente é um modo distinto do conhecimento, há o dever intelectual de baseiar todas as crenças na ciência somente. Contudo, já que a ciência não pode ser demarcada do resto do conhecimento, nossos modos ordinários para garantia das crenças não podem estar sob suspeita e deve permanecer inocente até que prove a culpa.

O MITO MATERIALISTA  DA UNIDADE DA CIÊNCIA.

A definição 4 assume que a história da ciência desde de Tales e Demócrito até o nosso passado recente foi uma sucessão na elaboração de uma teoria materialista e reducionista do mundo. Resistência a este programa de explicar tudo em termos de força física  e micropartículas tem sido fútil. O teísmo é o último oponente, os teólogos tem sido forçados a recuar dando território à ciência materialista e reducionista, deixando Deus cada vez para ser uma hipótese extravagante que ninguém precisa.

A história da ciência não tem sido só de vitória do materialismo sobre seus rivais. A história real é mais complicada. Se olharmos a questão da unidade da ciência, ela tem sido negada, não há como derivar as ciências especiais como a biologia e psicologia da física.  Informação e entidades não-físicas tem um grande papel na biologia, psicologia e linguística. Mesmo os materialistas tem abandonado as reivindicações de que as propriedades mentais  e eventos podem ser reduzidos a fisiologia e física. Mesmo as estratégias reducionistas em relação a filosofia da mente não respeitam o tipo de unidade da ciência visgiualizado por Putnam e Oppenheim em 1958,

Quando olhamos para a história da ciência, vemos que a tendência materialista é uma das quatro linhas maiores: 1. o realismo matemát.ico platonico-pitagórico, 2. teleo-mecanismo aristotelico 3. especulação hermética neo-platônica sobre poderes ocultos e princípios vitais e 3. materialismo nas versões de Demócrito -atomista- e Empedocles - não-atomista-.  Para o autor, a tendência predominante na história foi o realismo platônico-pitagórico.  Foi o platonismo cristão que influenciou Roger Bacon como Galileu, Copérnico, Kepler e Newton.

Diferente do demiurgo platônico, o Deus cristão criou  a matéria em si mesma e poderia import uma ordem perfeita e exata a ela. Na medicina, o progresso de Andreas Vesalius and William Harvey era um projeto de continuar a construir sob as fundações que Aristoteles deixou.

Mesmo na física, a tradição teleológica permanece nos princípios de Leibniz e no último princípio de refração de Fermat.  Toda a óptica e mecânica de Newton pode ser derivada de  Willliam Rowen. A termodinâmica moderna tem seu princípio advindo da idéia de Aristoteles de um lugar natural.

O Neo-platonismo hermético e mesmo mágico tem um papel no surgimento da química e da física do eletromagnetismo. A postulação de Newton sobre uma força universal de atração também saiu dessas raízes.

De fato, o materialismo não é um fator significativo para o pensamento ocidental até o movimento materialista em 1840. Este movimento inspirado por fatores políticos.

Mesmo a mecânica quântica mostra marcas de uma herança platônica:  a primazia de um formalismo matemático exato e a rejeição da necessidade para uma explanação mecanicista. Este último aspecto é mais evidente em abraçar da teoria causal não-localizada. A distância entre o atomismo clássico grego e o rigor matemático é enorme.  As quatro características principais do materialismo clássico: ausência de realismo matemático, a insistência em termos de interações físicas paradigmáticas, a rejeição de uma explicação teleológica e um compromisso para um pluralismo ontológico, todas estas estão excluídas da teoria quântica. Isto que poderia mostrar o triunfo do materialismo é sua aniquilação.

De fato, a forma de materialismo que tem mais efeito na ciência não é ateísta ou agnóstica, mas um materialismo teísta.  Para Duhem, o começo da revolução científica é 7 de março de 1277, quando Etiene Tempier, bispo de Paris, condenou um conjunto de teses da física de Aristóteles como equivocadamente impondo limites a onipotência de Deus. Duhem chama este ato de um chamado para os cristãos aplicar seus intelectos para o desenvolvimento de uma nova física.

Para o autor deste texto, Boyle e Newton são os maiores símbolos deste materialismo cristão.  Filosoficamente, o materialismo teísta é mais coerente que o ateísta. Os ateístas tem que aceitar fatos brutos como coincidências extraordinárias inexplicáveis em seus princípios. Primeiro, ateístas não tem explanação para a unidade do universo físico. Segundo, o ateísta não explicação para a consistência maravilhosa através do espaço e tempo  do número relativamente pequeno de coisas para observar.

A noção que há um conflito significado entre ciência e religião é produto de propagandistas do começo do século vinte, especialmente, John Wiliam Draper, Andrew Dickson White.

O teísmo provê um complexo e sútil modo de ver o mundo, em contraste as percepções fechadas do materialista. O teísmo ocidental exibiu um tipo de genius em estabelecer uma tensão equilibrada e criativa entre tradições distintas, mantendo as polaridades do atomismo e da teleologia, forças vitais e relações espaciais, razão e empirismo.


A DEPENDÊNCIA DA CIÊNCIA DO TEÍSMO.

Longe de minar a credibilidade do teísmo, o sucesso da ciência nos tempos modernos é uma confirmação da verdade do teísmo. Se a fé na inteligibilidade racional do mundo e a vocação divina dos seres humanos para lidar com isto, a ciência moderna não poderia nunca ser possível ou mesmo hoje  continuar a ser um empreendimento racional que depende de convicções que só podem ser baseadas numa metafísica teísta.


Há sete elementos do teísmo ocidental que são condições necessárias para o engendramento da ciência moderna:

1. A crença na inteligibilidade e exatidão matemática do universo, como o artefato da perfeita Mente, trabalhando com material que foi criado ex nihilo e intimamente conectada com conceito hebraico de Deus como legislador. A ideia de uma lei da natureza foi primeiro explicitamente formulada no quarto século de Basílio de Cesárea, aplicando o modelo bíblico de Deus como doador da lei a figura grega de um cosmos ordenado.

2. A crença na aptidão da mente humana, criada na imagem de Deus para a tarefa da investigação científica ,concebida como uma vocação dada por Deus.

3. A necessidade da observação e do experimento para descobrir como de fato Deus tem exercido sua liberdade soberana e absoluta onipotência em moldar para a criação, uma liberdade incompatível com a completa determinação da vontade divina a partir restrições a priori.

4. A concepção da natureza como livro divino, paralelo a Bíblia. O modelo de dois livros era o tema de Galileu, Kepler, Bacon,etc.

5. O desencantamento do mundo pelo teísmo, livrando de semi-deuses ou animismo. Isto aboliu os intervalos entre céu e a terra, deixando possível a explicação newtoniana de movimento.

6. A visão linear de tempo, começando com a criação ao invés de uma ordem cíclica temporal.

7. A elevação da dignidade da matéria e do trabalho manual, uma consequência da doutrina teológica da encarnação.


Alvin Plantinga mostra que o materialismo científico sem um designer que pensou o homem com aptidão para a verdade,  leva inexoravelmente para uma catástrofe epistemológica.  O materialista não tem uma opção real senão acreditar que a humanidade é somente o produto de um processo darwiniano indireto e não planejado. A seleção natural cuida apenas de comportamento que promove sobrevivência e reprodução: não tem nenhum interesse na verdade como tal. Aqui não há razão para acreditar que uma aptidão para verdade é o único modo, ou mesmo um especialmente como mecanismo, para produzir sobrevivência- um comportamento reforçado. (Por exemplo, seres humanos geralmente acreditam que seus companheiros humanos tem uma dignidade e valor intrínsecos e que valores morais objetivos e há obrigações. No naturalismo, estas crenças devem ser falsas- mesmo se tendo tais crenças ajudariam os humanos a sobreviver melhor). O conhecimento de caminhos causais levam para as nossas crenças presentes falta qualquer propensão intrínseca para promover a verdade nos dá uma razão indefesável para duvidar de todas as libertações de nossas faculdades cognitivas, seja da percepção, memória, raciocínio lógico ou inferência científica. Assim, o materialista científico não pode razoavelmente, no final, alegar saber que os resultados da ciência são de fato verdade.

Se o materialismo for verdade, qualquer crença formada científicamente sobre física fundamental para ser conhecido ou mesmo ser verdade. O materialista deve adotar um  relato causal ou informação-teorético de sentido das proposições da teoria científica, e um relato similar da natureza do conhecimento. Estes relatos requerem um conexão justa entre semântica e epistemologia: isto é impossível para as nossas teorias tem informação sobre o mundo a menos que nossas inferências para as teorias são amplamente confiáveis. Desde que simplicidade, simetria e outras qualidades quase estéticas da teoria desempenham um papel indispensável na prática teórica, nossas inferências para a teoria científica não pode ser confiáveis a menos que há uma explanação causal para a conexão entre simplicidade e verdade. Contudo, nenhum relato materialista com tal conexão causal é possível, já que qualquer explanação causal de uma ligação entre simplicidade e verdade teria de envolver referência a um fator que cause as leis fundamentais do mundo sendo simples, e qualquer causa da lei fundamental da matéria deve em si mesmo ser imaterial. Já que, o materialista não pode consistentemente acreditar seja que a ciência prove com conhecimento ou que as teorias científicas são realmente sobre o mundo.

O argumento depende crucialmente do ponto anterior- que julgamentos estéticos sobre simplicidade e elegância provisionam um painel através do qual as teorias devem passar antes que nós a levamos a sério.  Contudo, o argumento não dependem em supor que os padrões relevantes de  julgamento estético são inatos ou a priori. O materialista está em problema mesmo se o universo atua por acaso, ineficiente em uma máquina de ensinar de longo prazo efetiva. Isto é crucial para que estes critérios estéticos nos guiem de forma confiável em direção a novas descobertas sobre as leis fundamentais, o fato que as leis não descobertas compartilhem características estéticas ensináveis com aquelas que já sabemos não pode ser uma coincidência bruta.

A real confiabilidade, em oposição a pura sorte, requer um mecanismo causal que faz do mecanismo confiável. Neste caso, tal mecanismo deve ter uma estrutura estética profunda específica impressa que pode ser apreendida suportada por todas as leis fundamentais da natureza. Tal mecanismo não pode em si mesmo ser a causa material, já que estamos suponto que algo é responsável pelas leis fundamentais da matéria, e apenas algo supra-material poderia fazer isto.  Este algo transcendente precisa não ser um deus, mas o fato é que impõe algo que seja reconhecível para essa ordenação racional da forma da beleza claramente sugestiona que há algo pessoal por detrás desde legislador cósmico.

Plantinga argumenta que o materialista não tem uma explicação adequada para como somos constituídos para aprender a verdade, enquanto que meu argumento é que os materialistas não tem uma explicação adequada para como as leis fundamentais da natureza são constituídas para serem apreendidas através da experiência.

O Materialismo tem uma base falsa e suas teorias são tratadas como ficções utilizáveis sem carregar verdade ou falsidade, precisam encontrar um suporte para suas posições em outro lugar. Em contraste, os teístas podem falar que o sucesso da ciência é uma confirmação da sua posição metafísica,


CONCLUSÃO.

Existe um preço para ser pago pelo realismo científico, pela convicção que nossas teorias providenciam modelos do mundo real, modelos que temos razão de acreditar que são aproximadamente corretos. Este preço é admitir que a esfera física não exaure a realidade, mas ela é um artefato de um Deus racional que nos deu aptidão para a tarefa de investigá-lo.

Este artigo argumento que o teísmo deve preencher a investigação científica, levando a tomar a sério, a possibilidade de uma interferência não detectável de agentes sobrenaturais em todas as configurações experimentais.

Tais temores a respeito de um enganador cartesiano, argumenta-se, pode impulsionar o teísta para exatamente o tipo de crise epistemológica que Plantinga reivindica é o destino do materialista.


Contudo, esta preocupação  é  um mero pesadelo. Não há razão para o teísta levar a sério toda possibilidade que Deus poderia estar maliciosamente pregando peças em nós em nossos laboratórios ou estudos de campo. É verdade, contudo, que um teísta deve tomar seriamente a possibilidade de um milagre excepcional, um evento inexplicável em ternos dos poderes finitos e propensões que podemos ter no estudo científico- não promiscuamente, mas apenas quando existir uma boa razão teológica ou filosófica para tanto. Entretanto, abrir a porta para o miraculoso não significa abri-la para o irracionalismo. Não significa adotar uma atitude de credulidade para cada história maravilhosa- este não era o caso para os primeiros cientistas modernos, que eram teístas.  Dada a ordem racional do mundo natural, temos razão para esperar que qualquer milagre também terá uma forma coerente e racional. Eles não serão meros truques, eles serão a exibição do mesmo tipo de economia, elegância e sentido racional que encontramos em outros lugares na criação. Em sua obra Milagres, C.S.Lewis argumenta que os milagres do Novo Testamento tem exatamente este caráter, mas isto é para outro texto.

segunda-feira, abril 27, 2015

David K. Clark: Faith and Foundationalism


No segundo capítulo da obra THE RATIONALITY OF THEISM, David K. Clark vai expor sobre a relação entre fé e fundacionalismo. 

CRENDO SEM EVIDÊNCIA.

Os naturalistas geralmente argumentam que os crentes não podem saber uma doutrina religiosa a menos que eles possam dar evidências que a apoiem.  Qualquer alegação doutrinária ou religiosa como "Deus existe" necessita de provas para suportá-la. 


Alguns epistemológicos não-religiosos promovem um princípio  que requer que as pessoas religiosas produzam algo que seja objetivamente verificável, empírico ou evidente para suportar aquilo que acreditam. Esse requerimento é o coração do evidencialismo. 

Como representantes dessa corrente  W K Clifford, e hoje temos Michael Martin e Kai Nielsen. 

Muitos relatos de crença são tomados pela fé. O que estes têm em comum é a falta de uma evidência base. As razões positivas  para assegurar as crenças mesmo com a falta de evidência são variadas,  um dos casos é quando você toma algo como verdade porque isto vem de uma fonte de autoridade religiosa.  Isto envolve tomar a palavra de outro. 

Outra forma é tomar a crença religiosa como uma propriamente básica. Uma forma de crença básica na pessoa quando esta pessoa sabe isto diretamente sem inferir ou deduzir isto de outras crenças. Se uma crença básica se forma corretamente- se nada no processo de formação da crença vai errado- etão, isto é propriamente básico. 

Outra forma de "tomada pela fé" para cristãos, é conhecendo diretamente em confiando no testemunho interno do Espírito Santo- sensus divinitatis-. Este tipo de conhecimento é divinamente facilitado. Este é um caso especial de crença básica propria. O testemunho do Espírito tem um significado especial para Calvino. Ele ensinava que os crentes conheciam que Bíblia é a Palavra de Deus- que Deus, pela sua inspiração, é o autor da Bíblia- porque o Espírito Santo ensina isto. A Bíblia diz que o Espírito testifica os crentes que eles são filhos de Deus - Rm 8:16. Agora se isto é possível, então, talvez, os crentes podem saber certas coisas diretamente de Deus.

Estes são exemplos de tomadas pela fé. Mas, entende que na bíblia, fé não significa aceitar uma ideia sem evidência. Como a Bíblia conecta salvo pela fé com a ideia de conhecer pela fé. Em inglês, fé funciona gramaticalmente como um nome. No grego neo-testamentário, pisteo é um verbo que denota uma confiança pessoal em algo. Fé é como o eu aceito do casamento. Não é primeiramente um processo do pensamento ou do conhecimento, é mais uma promessa de lealdade junto uma vida de fidelidade cumprindo esta promessa.

Os reformados distinguem notitia, assensus e fiducia. Notitia denota o conteúdo da fé, as grandes doutrinas bíblicas. Assensus indica o ato mental de aceitação desses ensinos como verdade. E fiducia significa o ato de toda a alma do crente de compromisso pessoal naquilo e prometendo lealdade ao ser divino pessoal descrito nestas doutrinas.

As verdades da notitia denotam o ser divino pessoal- Deus- e o crente que aceita estas verdades no assensus. Mas a chave é esta: salvação- relacionamento com Deus - acontece quando o crente vai além do assentimento mental para uma confiança e lealdade pessoal. Biblicamente, fé é intrinsecamente conectada em acreditar nas verdades centrais sobre Deus,  mas a fé definitivamente não é idêntica a acreditar nelas.

Este texto vai falar sobre o assensus. Os naturalistas insistem que ele é um vazio, insistem que se crenças não evidentes são legítimas, a epistemologia deixa de ter sentido. 

Suponha que eu alegue que eu posso corretamente tomar isto pela fé que Deus me ama. 

Alvin Plantinga coloca que as crenças cristãs essenciais são um ponto de começo apropriado para o pensamento. O pensamento cristão pode começar com as ideias religiosas. Não é necessário inferir que todas as ideias religiosas vem de ideias não-religiosas. Mas, Michael Martin pensa que isto é errado. Ele descreve a afirmação de Plantinga como defeituosa, que a crença religiosa pode ser justamente o ponto de base ou de partida para pensar. Para ele, é uma visão relativista, que coloca qualquer crença para funcionar neste nível básico. Para Lane Craig, os cristãos podem justamente saber que Deus existe por causa do testemunho do Espírito Santo. 
Martin diz que Craig não consegue explicar como tal experiência poderia ser diferente.

DIFERENTES PROJETOS EM EPISTEMOLOGIA.

O objetivo do processo de conhecimento é compreender verdadeiramente. Isto tem dois lados, primeiro, as pessoas querem e precisam saber o que é verdade. 

1. Como posso acreditar de forma legítima com muitas crenças verdadeiras sendo possíveis?

Uma forma para responder esta pergunta é acreditar em qualquer coisa ou em tudo. Contudo, essa estratégia pode produzir muitas crenças verdadeiras, mas isto poderia levar alguém a aceitar algo ilegítimo ou falso. Então, para compreender o mundo, os seres humanos também precisam escapar do erro.

2. Como posso evitar de acreditar com muitas crenças falsas sendo possíveis?

Uma forma de responder a esta pergunta é adotar um ceticismo global, se alguém não acredita em nada, então, nada pode ser falso. Mas, é claro a pessoa iria ignorar muitas crenças que são verdadeiras e importantes. Assim, a necessidade de conhecer o mundo exige um verdadeiro equilíbrio entre as questões 1 e 2.  Isto desafia um conhecedor maximizar o as verdadeiras crenças e minimizar as crenças falsas.

Em busca deste objetivo, os epistemologistas se direcionam a dois diferentes assuntos.

3. O que eu quero dizer por "conhecimento"?

O ponto é dar um relato, desenvolver uma teoria ou oferecer uma descrição do conceito de conhecimento. 

4. Como eu posso identificar instâncias particulares de conhecimento e casos de erro?

Aqui é catalogar, avaliar e coordenar procedimento para escolher instâncias de genuíno conhecimento. Se alguém deseja avaliar o que algo é realmente um caso de conhecimento. 

FUNDACIONALISMO E SUA ALTERNATIVA.

O modo tradicional para responder esta questão é este: uma instância de conhecimento é uma ideia que possui três características: Primeiro, ela é verdadeira. Segundo, alguém acredita nela. E terceiro, algum fato legitima a crença em questão para esta pessoa. Mas o que está errado em definir conhecimento como uma crença verdadeira? Porque alguém pode tem crenças verdadeiras por puro acidente e isto não é conhecimento. O conhecimento requer algum tipo de fato legitimador que distingue da mera crença verdadeira - como um palpite sortudo- para um conhecimento real.  Este terceiro fato é muito controverso.

Como exatamente alguém pode entender e localizar este fato legitimador? Um método importante para pensar sobre o fato legitimador é que ele muda uma crença meramente verdadeira para um conhecimento genuíno é chamado fundacionalismo. A palavra fundacionalismo tem diferentes conotações. Alguns pensadores, especialmente, na teologia contemporânea, identificam um método holístico ou uma fonte de verdade autoritária como uma fundação. Para o autor, seria um fundacionalismo-fonte. Neste tipo de fundacionalismo, a fundação do conhecimento é alguma lógica ou linguagem transcultural, algum método universal como a ciência ou uma tradição religiosa autoritária ou um livro como o Corão. Fundacionalismo-fonte é aquela noção típica modernista que o conhecimento é uma reflexão da verdade e que nós podemos descobrir um fundamento estável para isto em Deus, na Historia ou na Razão.  Para o ponto de vista pós-moderno, o fundacionalismo-fonte não produz a liberdade e progresso que prometem. Ironicamente,  de acordo com esta crítica, a sede moderna por liberdade humana através de objetividade na verdade ou certeza no conhecimento leva para um estilo absolutista filosófico que escraviza ainda mais.

Por contraste, fundacionalismo-crença, assunto deste texto, é uma classe de teorias sobre os relacionamentos entre as crenças individuais com o sistema de crenças da pessoa. Com a estrutura das crenças da pessoa, as crenças básicas fazem o terreno para as crenças não-básicas.  A pessoa conhece as crenças básicas diretamente, ela conhece as não-básicas indiretamente ou por inferência. Qualquer teoria da epistemologia  que distingue as crenças básicas das não-básicas é um membro da classe que estou chamado de fundacionalismo-crença.

No fundacionalismo-crença, o fato legitimador pode ser transferido de uma crença básica para uma crença não-básica. Agora, o fundacionalismo implica que as crenças básicas provisionam o fato legitimador para uma não-básica. O fato legitimador se move apenas nessa direção. Esta é uma característica chave de qualquer fundacionalismo-crença.
Essencialmente, o fundacionalismo-crença é um modo para bloquear o regresso infinito. Se um conhecedor deve voltar para a crença com outra crença, então ele vai ter que voltar a uma cadeia infinita.

Fundacionalismo-crença é sujeito a crítica. Aqueles que objetam optam pelo Coerentismo, que denota uma classe de teorias em que o fato legitimador surge inteiramente do encaixe lógico de várias crenças com outras.  Isto é, a crença x implica na y, e  y em z, etc. Aqui, todas as crenças são parte de um argumento circular amplo.  Nesta rede de crenças, a conexão entre elas não transfere meramente o fato legitimador como no fundacionalismo-crença, mas gera ele. Este fato legitimador vai em ambas as direções. No coerentismo, satisfaze o princípio da coerência é necessário e suficiente para o conhecimento.

Duas características do coerentismo parecem estar corretas. A primeira é que evitar a incoerência é necessário para qualquer conjunto de crenças verdadeiras. A segunda é que o coerentismo corretamente enfatiza o princípio de independência: crenças não-básicas são legítimas pela conexão com um grande número de crenças independentes e coerentes mutuamente, e estas legitimizadas por algumas crenças.

Apesar destas vantagens, contudo, coerentismo sofre duas dificuldades fatais. A primeira, é o problema do input, se coerência sozinha legitima as crenças, isto parece fazer da experiência algo desnecessário. Certamente, crenças sobre o mundo natural tem seu fato legitimador da experiência da percepção real.

Segundo, o problema dos sistemas alternativos de coerência. O coerentismo faz a coerência não apenas necessária mas um verdadeiro conjunto de crenças interconectadas, mas suficientes como um indicador de verdade. O coerentismo vai além de fazer do princípio  da coerência como um critério para verdade. A coerência termina sendo o que é a verdade.  Assumindo uma unidade da verdade, qualquer conjunto de crenças verdadeiras é suficiente para justificar sua verdade. É possível construir um infinito número de conjuntos de crenças onde os conjuntos são internamente coerentes entre si, mas mutuamente exclusivos de cada um. O coerentismo nos deixa sem jeito para julgar estes conjuntos.

REFINANDO FUNDACIONALISMO-CRENÇA

Que tipo de crenças eu poderia considerar como básicas? Uma resposta é encontrada no fundacionalismo clássico,  eles viam que certas crenças estão enraizada em outras mais básicas. Mas, diferente do fundacionalismo-crença, este defende regras estritas sobre que tipos de crenças são legitimamente básicas.  Numa versão clássica do fundacionalismo, as crenças básicas precisam ser auto-evidentes (3+4=7) ou incorrigíveis ( eu sinto sede). 

Em contraste, outras formas de fundacionalismo-crença são mais modestas. O fundacionalismo modesto é qualquer membro de um conjunto de visões tem critérios mais flexíveis para ser basicamente próprio. Um tipo de fundacionalismo modesto é a epistemologia reformada, representada por Plantinga, Alston, Wolterstorff. A epistemologia reformada insiste que mesmo as crenças religiosas são corretamente construídas como básicas por certas pessoas. E as pessoas que acreditam que Deus existe é propriamente básico, eles conhecem pela fé que Deus existe. E não há nada defeituoso inerentemente em conhecer deste modo. 

Dada a visão cristã destas coisas, os conhecedores não estão cometendo nenhum pecado epistêmico. Eles formam suas crenças através de um processo formativo de crença confiável. Mas, estas asserções atiçam a ira dos naturalistas.

A segunda questão é a seguinte: se o conhecimento é distinguido da mera crença verdadeira por um fato legitimador, os conhecedores deve ter um claro conhecimento deste fato? Ou é suficiente que o fato legitimador exista? Aqueles que dizem que os conhecedores precisam conhecer o fato legitimador, vão se inclinar para o internalismo.  Em geral, um internalista usa a palavra justificação para denotar o fato legitimador. Isto forma o plano de fundo para uma visão clássica desta matéria- conhecimento significa uma crença verdadeira justificada.  Falando geralmente, o relato internalista de epistemologia coloca algum tipo de dever nos conhecedores para descobrir o que justifica suas crenças. Conhecedores tem uma obrigação de desmascarar aquilo que distingue  seu conhecimento genuíno das crenças verdadeiras por coincidência.  Se eles não cumprem isto é errado dizer que conhecem. Agora o evidencialismo é um tipo de internalismo em que a evidência justifica a crença. O conhecedor precisa encontrar a evidência que muda a mera crença em conhecimento.

Aqueles que dizem que é suficiente que um fato legitimador exista, mesmo se os conhecedores não estão cientes disto, vão adotar o externalismo. Tipicamente, um externalista usa a palavra garantia para denotar um fato legitimador. Nesta visão, a verdadeira crença é formada através de um processo confiável de formação-crença que possui garantia, e também isto conta como um conhecimento genuíno. As teorias externalistas dizem que alguma garantia deve existir para que a crença possa contar como um conhecimento. Mas, eles não insistem nisto em cada caso de genuíno conhecimento, o conhecedor em si mesmo deve investigar ou se tornar ciente deste fato. Agora há  pouco acordo sobre a exata natureza destas distinções entre a justificação e a garantia ou entre internalismo e externalismo. 

Por que religiosos pensam que é certo, em alguns casos, acreditar pela fé?  Segundo Plantinga, se Deus existe, então o conhecimento da existência de Deus pode ser propriamente básico.  Obviamente, este é um relato externalista. Se Deus existe e criou os humanos com processo confiável de formação de crenças. O conhecimento de Deus está baseado na direta experiência com Deus. Se   Plantinga está certo, isto é uma instância de conhecimento legítimo de uma crença fundacional pela fé no sentido de acreditar em Deus sem evidência.

Naturalistas dizem que este relato de conhecer pela fé não tem como separar crenças verdadeiras das falsas.  Falham em encontrar as verdades garantidoras que possibilitam minimizar as crenças falsas.  Os crentes religiosos que pensam que tomar pela fé é legítimo epistemologicamente  tendem a maximizar a questão 1, mas falham miseravelmente na questão 2.  Claro, que os religiosos tem o dever de produzir algo além de uma asserção subjetiva como o Espírito Santo me falou. Este algo a mais é a evidência segundo os evidencialistas. 




Evidencialismo como um princípio universal

A questão é a seguinte: é racional requerer que os crentes religiosos tenham evidência para cada crença?  Um modo de refutar o evidencialismo é um ataque frontal. O evidencialismo está sujeito a dificuldades. Plantinga argumenta que a única razão para manter o evidencialismo é que ele é uma dedução do fundacionalismo clássico.  Contudo, o fundacionalismo clássico é errado e por duas razões. Por exemplo:

Uma crença é propriamente básica se e somente se ela é auto-evidente ou incorrigível.

A crítica explora a declaração da razão para crer. Plantinga argumenta que esta declaração em si mesmo não é auto-evidente nem incorrigível. Como também não se pode inferir premissas disto. Detalhes mudados não resolvem o problema.  Então, o fundacionalismo clássico é auto-referencial, incoerente e não está em posição para dar qualquer peso para o evidencialismo.  Do mesmo jeito, o evidencialismo é semelhantemente auto-refutando. Tomado como um princípio epistêmico universal, falha em satisfazer suas próprias demandas.  Assim como não há argumentos evidentes que levam ao fundacionalismo clássico, também não há que possam demonstrar o evidencialismo. A segunda parte da crítica é esta: o fundacionalismo clássico criou padrões rígidos e estritos para o conhecimento em tentar assegurar que não haja erros na estrutura do pensar. O fundacionalismo clássico elimina muito dos que as pessoas normalmente e legitimamente conhecem. De fato, isto toma o ceticismo muito sério. 



Conhecendo Deus pela fé

Os crentes religiosos alegam conhecer Deus, reconhecem sua voz. Como Jesus disse, a ovelha conhece a voz de seu pastor (Jo 10:4). Quando Deus fala, os crentes escutam. 

Uma grande parte do que sabemos não é suportada pela evidência, e ainda isto é corretamente chamada de conhecimento.  A epistemologia reformada diz que um crente que conhece Deus e discerne sua voz é perfeitamente certo para formar a crença. 

Qual é o fato legitimador que faz que a crença da pessoa seja um caso de legítimo conhecimento? A epistemologia reformada exemplificada em Plantinga diz que isto é corretamente chamado de conhecimento em todo caso em que a pessoa sabe que acredita através de um processo confiável de formação de crença, mesmo se a pessoa não está ciente ou pensando a respeito do processo. A crença, não o crente, é a garantia. Aqui é o relato de Plantinga. Se uma crença é produzida em S pelas faculdades cognitivas funcionando propriamente num ambiente cognitivo que é apropriado para as faculdades cognitivas de S, de acordo com um plano desenhado que é bem sucedido em encontrar a verdade, então esta crença tem garantia para S. Este não é um conjunto preciso de condições necessárias e suficientes. Desde que há várias extensões análogas e níveis de exatidão nas crenças humanas, isto parece improvável que um poderia especificar tal conjunto universal de tais condições. mas, em geral, se estas características estão presentes quando estou formando uma crença, então, estou tendo conhecimento.

De novo, a questão aqui não é a questão 4: que estratégias vão apontar para os casos de conhecimento ? Naturalistas focam na questão 4,  não consideram a crença em Deus como uma crença básica, pensam que o fundacionalismo não tinha esta intenção.  Fundacionalismo era uma tentativa de prover ferramentas críticas para ter um conhecimento objetivo e prover uma base não relativista para o conhecimento. 

A questão 4 demanda uma caixa de ferramentas epistêmicas, não somente a evidência.  Se os conhecedores estão limitados para uma grande ferramente que o evidencialismo requer, então o conhecer humano é desnecessariamente restringido. Uma consistente aplicação de um evidencialista requer todas os tipos de cisas que desde já sabemos, isto tende a maximizar a questão 2, mas a questão 1 desaparece no fundo. Isto poderia implicar que o conhecimento de Deus que existe não conta como conhecimento.  Se Deus existe, entretanto, qualquer estratégia epistemológica que opõe-se ao conhecimento do fato é  profundamente fraco. Então, se Deus existe, a exigência evidencialista é muito forte.

O Poder do Conhecimento de Plano de Fundo (Background)

O princípio da evidência é um recurso não negociável de cada caso de conhecimento.  Ele elimina muito do que é corretamente chamado de conhecimento, até a si mesmo.  Mas, tem alguma verdade, como os fatos de fundo que dão evidência para crenças.

Para os crentes religiosos, conhecimento que alguém toma pela fé depende de uma variação do princípio de credulidade. 

Quando algo parece para alguém ser verdade, isto provavelmente é verdade, e pode ser tomado como verdade, a menos que saiba-se de alguma circunstância especial de desqualificadora ou uma evidência de que aquilo que parece verdade não é realmente verdade.
Isto se aplica para o conhecimento enraizado na experiência sensória. Algumas boas razões podem, algumas vezes,  contar contra alegações de conhecimento particular mesmo quando elas estão firmadas na evidência produzida pelos sentidos. E se o mesmo é verdade se eu conheço através do testemunho do Espírito ou de uma forma direta e básica.

A informação especial de desqualificação é, em geral, uma evidência, um arrazoado ou uma experiência que leva alguém a pensar que uma crença original não é garantida ou verdadeira.  Ela a verificar a garantia e dar uma evidência mais forte ou fraca para a crença.

Um Papel Limitado para um Princípio Evidencialista.

Um problema com a estratégia evidencialista é a confusão das questões 3 e 4. Quando eu tento descobrir a verdade de uma alegação para isto tenho tem alguma contra-evidência, e isto é correto em alguns casos que busco por um confirmação evidencial. A questão 4: como eu posso identificar uma instância particular de conhecimento? Quando temos um conhecimento de plano de fundo grande, posso deixar certas alegações como implausíveis. 

A crítica do autor deste texto é que para os naturalistas, a suspensão da evidência é possível para as questões do dia a dia, mas não quando se tratar de crenças religiosas.


Como alguém sabe que Deus falar às pessoas é radicalmente implausível, completamente fora do comum, e inteiramente contrário para tudo que sabemos sobre o mundo?  Os crentes precisam apontar isto da experiência base da crença cristã,  que há razão para pensar que o Espírito falar com as pessoas é inteiramente plausível, normal e completamente consistente com o que é verdade sobre o mundo. Dado o conhecimento de plano de fundo que os naturalistas aceitam, escutar a voz de Deus parece fora de lugar. Mas, talvez, o problema é a base de experiência restrita dos naturalistas.


Se os cristãos estão certos, cada ser humano tem uma primeira ordem de capacidade para conhecer Deus, mas nem todo o ser humano reconhecem Ele.  

Se o teísmo é falso então as alegações que o Espírito fala são implausíveis. Mas se a fé cristã é verdadeira, então é claro que Deus poderia comunicar-se com os crentes. Deus criou o processo de formação de crenças. Então, não é dificil pensar que Deus  criou este processo para sentirmos sua presença.

A verdade do teísmo é que faz a diferença.  Quando alguém diz que a crença teísta é epistemologicamente defeituosa porque falha aos pressupostos de evidência, a realidade da existência de Deus é diretamente relevante para responder. Se Deus existe, então a crença teísta está de acordo.

ESTRATÉGIAS PARA UM CONHECIMENTO GENUÍNO.

O que os religiosos podem fazer com a questão 4, como identificar instâncias genuínas de conhecimento?  Os cristão estão interessados em ancorar suas declarações em verdades que aconteceram. 

Os religiosos precisam de algo mais do que crenças bem garantidas. De um ponto de vista externalista, algumas vezes, eu posso vir a crer em uma verdade, numa crença bem garantida sobre Deus, ainda assim se focar em sua garantia. E outras vezes, eu preciso de uma crença bem garantida para uma crença particular. 

A crença conta como conhecimento enquanto ela permanece como um processo confiável em um ambiente epistemológico que o produz. Mas ainda é possível tem um ponto de apoio, por uma crença de segunda ordem. 

Um religioso pode ter um conhecimento de Deus através de experiências diretas religiosas.  

Duas objeções pode surgir: Primeiro, se a crença em Deus pode ser fundacional ou básica propriamente tendo em vista a garantia, isto não implica que qualquer crença é garantida? Se um conhecimento direto de Deus é aceitável, como o cristão responde às seitas?  A crítica é tentar acreditar que esta visão modesta de crença-fundacionalismo que considera a crença em Deus como uma crença básica pode levar a um caos epistêmico. Se a crença em Deus é propriamente básica, isto abre os portões epistemológicos. Martin diz que se a epistemologia reformada é verdade, ela também é radicalmente relativista.

Mas um fundacionalimo modesto não deixa a coisa ir tão solta. Cada crença que inicialmente parece ser garantida realmente é garantida no final. Para  uma crença ser um conhecimento genuíno, não é suficiente apenas fazer a alegação. Ela tem que ser garantida. E se os crentes pesam ou tem razão para pensar que algo não é garantido, eles podem desafiar suas próprias crenças,  O ponto é que eles não são exigidos para desafiar suas crenças, para responder ao desafio antes disto contar como conhecimento. No mínimo, o fundacionalismo modesto diz que eles não devem ter conhecimento de relevantes fatos que desafiem este conhecimento.  

Segundo, se as crenças religiosas são propriamente básicas, isto não leva as crenças religiosas foram reino da discussão pública? Não faz das convicções teológicas algo imune ao criticismo? O conhecer pela fé leva alguém para além da crítica?  

É possível corrigir uma crença básica que foi aparentemente garantida pela pessoa. A pessoa normalmente acha que seu processo formador de crenças gera crenças verdadeiras. Mas, muitas coisas podem dar errado.  O ambiente pode não levar a produção de uma crença verdadeira. 

Como religiosos podem responder tanto a questão 1 e 2? O fundacionalismo  modesto , em reconhecendo muitas crenças religiosas podem ser propriamente básicas para aqueles que as possue, abre um caminho para uma verdade religiosa garantida.  Se Deus existe, então os crentes podem adquirir um conhecimento de Deus bem garantido. Esta não é uma estratégia para identificar os casos de conhecimento, mas algum tipo de descrição do que é conhecimento. Se Deus existe, o conhecimento de Deus é enraizado na experiência de Deus, isto completa a necessidade para crenças garantidas- questão 1. Mas, nem toda alegação de conhecimento aparentemente bem garantida sobre Deus é realmente bem enraizada. Há algumas crenças falsas que parecem inicialmente ter garantia para o crente, mas ainda assim estas crenças são minadas por outras considerações que as derrotam, esta resposta nos ajuda a evitar erros- questão 2.

CONCLUSÃO

A questão que perguntei se está correto em tomar algo pela é. Um modo de tomar algo pela fé é em aceitar a crença religiosa como propriamente básica.  Fundacionalismo é uma classe de teorias epistêmicas em que algumas instâncias do conhecimento - crenças básicas- são conhecidas diretamente ao invés de inferência. Um versão modesta religiosa do fundacionalismo, a Epistemologia Reformada, diz que as crenças religiosas podem ser propriamente básicas.


Para afastar as falsas crenças religiosas, os naturalistas que são  evidencialistas aplicam sua própria regra básica: toda crença deve ser suportada pela evidência. Eles exigem que toda a crença religiosa deve ser suportada pela evidência ou ser abandonada. Sem tal regra, os naturalistas parece  temer que os epistemologistas religiosos poderiam coroar qualquer e toda alegação religiosa como propriamente básica e além da correção.  Mas a regra evidencialista é profundamente falha. Dentre outras coisas, ela apaga a si mesma desastrosamente. No fim, os conhecedores devem conhecer algumas coisas diretamente. Se eles nunca conhecerem nada diretamente, então eles nunca vão encontrar as primeiras premissas para começar qualquer inferência as coisas conhecidas indiretamente. Se eles não conhecem algumas diretamente, eles nunca vão conhecer nada. Se Deus existe, claro que os crentes religiosos vão tomar algumas coisas pela fé.

Cristãos dizem que tomam pela fé o conteúdo - notitia- do ensino bíblico junto com o assentimento mental - assensus-. Este é o primeiro passo em direção a Deus.  A verdadeira fé que transforma e libera as pessoas espiritualmente é o segundo, um passo distinto- uma confiança existencial em, uma lealdade fiel - fiducia- para com Deus. Esta é a fé que leva para o amor de Deus- o propósito maior da existência humana. 



"Any epistemic standard that disallows the knowledge by which human persons find the Reality they were created to love calls itself radically into doubt." p. 52



sexta-feira, abril 17, 2015

The Rationality of Theism

primeiro capítulo:
RELIGIOUS LANGUAGE AND VERIFICATIONISM
William P. Alston


Um resumo deste primeiro capítulo, vai ser considerado o desafio para o significado factual das afirmações sobre Deus. 

O autor volta ao nascimento da lógica positivista no Círculo de Viena, e sua influência na obra de A.J. Ayer, como também seus expoentes, Carnap e Feigl.

O positivismo lógico pensou que a filosofia tradicional havia chegado ao fim e a principal arma contra a metafísica tradicional era a teoria da capacidade de significado, segundo a qual, uma declaração é factualmente significativa somente se ela é suscetível a uma verificação empírica ou falsificação. De modo, que a maioria das afirmações da filosofia ficaram como declarações falsas.

A diferença entre a verificabilidade como uma teoria de sentido e como um critério de significância. O primeiro pode ser formulado assim: "o sentido da proposição é o método de sua verificação" e o segundo pode ser entendido como" o sentido da proposição pode ser dado apenas através das regras de sua verificação na experiência". 


Se a alegação é que a verificabilidade empírica possível é requerida para qualquer tipo de sentido linguístico, A afirmação é ruim desde do nascimento. Para ter uma chance de ser aceitável, o critério deve ser limitado as sentenças declaratórias usadas para fazer declarações que tenham o valor de verdade. Este ponto é reconhecido pelas versões mais sofisticadas da posição, em que este tipo de significado é chamado de "sentido cognitivo" ou "sentido factual".

Mas, isto levanta uma questão ainda mais dura, qual tipo de entidade é declarada como tendo sentido cognitivo apenas se ela é empiricamente verificável. O problema é que estas sentenças e seus componentes que dizem ter ou não ter cognitivo ou qualquer tipo de sentido. Vemos que esses valores de verdade ou testes empíricos não podem ser aplicados para sentenças contendo termos indiciais ou nomes próprios, como por exemplo, a frase: eu estou com fome.

O que é verdade ou falso, verificável ou falseável não é a sentença mas o que foi colocado pela pronúncia da sentença por um certo falante em uma certa ocasião. Nem todas as sentenças exibem este tipo de variação. Mas, para uma formulação geral o ponto é que estas declarações, não as sentenças, tem valores de verdade e são suscetíveis de teste empírico. Mas, então nós temos que reconstruir que a verificabilidade empírica é um critério para. Se vamos continuar a pensar isto como um critério para um certo de tipo de sentido da sentença, temos que relacionar a verificabilidade das declarações com o status semântico das sentenças.

Um critério de verificabilidade seria:
A sentença é significativa cognitivamente apenas se as declarações elas pode ser (padronizadamente) utilizadas para serem, em princípio, empiricamente verificáveis ou falseáveis.

Devemos observar que em princípio vem antes de verificável ou falseável. Isto significa um contraste com a prática. Para ter um sentido factual, a sentença não precisa ser caaz de declarações que possam se sujeitar ao teste empírico. Nos primeiros dias do positivismo lógico, o exemplo padrão  de uma genuína declaração factual não poderia ser testado assim. O "no princípio" requer que possamos descrever uma verificação ou uma falsificação. O único problema com este restabelecimento é que isto levanta a questão de qualquer descrição é significativa factualmente, isto levantaria um regresso infinita.


4. As primeiras formulações do critério fez um uso sério do termo "verificável" e "falseável", então, requerendo a possibilidade de uma decisiva, maximamente conclusiva estabelecimento da verdade ou da falsidade. Mas, logo entendeu que isto levaria a todos ou quase todos os paradigmas e hipóteses científicas a serem considerados como sem sentido factual. Para a evidência científica nunca é tão conclusiva para regrar além da possibilidade que a hipótese suportada é falsa. A indução enumerativa é universalmente reconhecida por estabelecer apenas uma probabilidade maior ou menor. Como teorias de alto nível, o seu suporte vem da habilidade de explicar e predizer dados empíricos. Mas, para qualquer teoria deste tipo haverá sempre um número potencialmente infinito de teorias alternativas que podem fazer o mesmo trabalho. Nunca podemos estar certos que os novos dados se encaixaram em nossa teoria favorita,  como o que aconteceu com mecânica newtoniana.

Voltando ao critério:

"A sentença é factualmente significativa apenas se as declarações podem ser (padronizadamente) usadas para serem, em princípio, empiricamente confirmáveis ou não-confirmáveis."



5. O próximo para o critério é sondar o que é preciso para os dados empíricos para contar a favor ou contra a aceitabilidade de uma declaração. Esta se divide em (a) aquilo que conta para os dados empíricos e (b) como tais dados se relacionam com uma declaração dizendo a favor ou contra ela. Estas perguntas nos colocam no problema da teoria e da confirmação, a epistemologia da percepção e das crenças e das declarações que vão além daquilo que é diretamente perceptível.

O primeiro ponto é introduzir um grau razoável de precisão em nossa fala da confirmação empírica e prevenindo que se perca em juízos puramente intuitivos. Como uma primeira aproximação, a hipótese deve ser suportada por uma possível observação para esta, juntamente com outras premissas, implicando numa declaração que reporta a observação. E para uma dada hipótese a ser enfraquecida por uma possível observação  é que para  esta hipótese, junto com as premissas,  para implicar na negação da declaração que reporta a observação.

Este relato pressupõe que podemos separar uma classe de declarações de observação que são confirmadas ou não confirmadas diretamente pela observação, não indiretamente com a hipótese apenas mencionada. Isto tem recebido muitas críticas. É alegar que toda a percepção é moldada pela teoria que nós levamos até a coisa e nada é permanece intocado quando nos é dado pela percepção. Isto leva aos relatos da observação em si mesmos sendo tratados como hipóteses que são avaliadas por como nos explicamos bem os dados. Se estes dados negarem a hipótese, então, estamos em um infinito regresso ou somos forçados a uma epistemologia de coerência, em apenas o padrão de aceitabilidade nos é dado como uma crença ou uma declaração se encaixa num sistema de fundo, que é em si mesmo avaliado somente por sua coerência interna.

Contudo, não é clara a distinção entre aquilo que é diretamente justificado pela experiência e o que é indiretamente justificado que não pode permanecer, desde que nos contentamos com explicações relativamente modestas para o primeiro.  Isto implicaria numa negação da certeza e verificação conclusiva para as crenças perceptuais como também para altas. Isto significa que a experiência perceptual seria tomada como uma justificação prima facie dos relatos perceptuais- justificação que fica vulnerável de ser cancelada por  suficientes razões em contrário.

A exposição apenas reflete o fato que o critério de verificabilidade se restringe a experiência para as experiências sensórias e restringe a observação para a percepção do sentido e dados empíricos de relatórios perceptuais. Estas restrições vão ter um papel importante na aplicação do critério quando falamos a respeito de Deus.

A primeira objeção ao critério da verificabilidade é ele falha em seus próprios requerimentos para dar um sentido factual  e então é auto-refutado. Por isto, não parece ser empiricamente confirmável, nem satisfaz a única outra alternativa reconhecida pelo positivismo lógico de valor de verdade, ou seja, sendo analiticamente verdade ou auto-contraditório. Em resposta a essa dificuldade, um número de positivistas advogam em tomar o critério como uma proposta para usar o termo factualmente significativo ao invés de uma declaração de fato. Isto leva a fora da posição inicial. Mais, se a alegação que a confirmabilidade empírica é requerida para sentido factual é abandonada como uma alegação factual, o que pode ser dito para a proposta de supor que é assim? Assim, eu devo continuar tratando a posição como uma alegação de verdade sobre o requerimento de significado factual.


Um exame sobre a aplicação do critério de verificabilidade quando falamos de Deus. 

Falar sobre Deus não pode ser empiricamente verificável ou falseável, então, para eles tais declarações não podem ser consideradas como declarações factuais genuínas,

Em um artigo muito citado,  “Theology and Falsification,” Antony Flew coloca o seguinte desafio para os teístas: "O que teria de ocorrer ou tem ocorrido para constituir para você uma não prova do amor de, ou da existência de Deus?. Esta formulação em termos de uma falsificação disjunta. E se lemos estritamente, o temo "não aprovar" indica que Flew tinha pensado do critério de modo a que exigir a possibilidade de uma prova conclusiva ou não prova. Como vimos, esta forma forte de critério foi abandonada cedo no desenvolvimento do positivismo lógico, desde que cedo se entendeu que as hipóteses mais científicas falham em satisfazer isto. Mas, demorou um pouco para que esta compreensão diminuísse em alguns filósofos da religião com mente positivista. Kai Nielsen implanta uma versão mais atualizada do critério:

O princípio operativo aqui é que a declaração que nunca irá inequivocamente tida como uma declaração factual a menos que isto é confirmável ou afirmável, i.e. a menos que que algo seja concebível, um estado empiricamente determinável que poderia contar contra sua verdade e algo ao menos concebível, um estado empiricamente determinável que poderia contar com algo para sua verdade.

Nesta discussão, eu vou pensar nos termos da formulação de Nielsen. Agora, para a alegação que Deus falha no teste. Nielsen  segue Martin nisto, também há o crédito em reconhecer que, pelo menos, algumas declarações sobre objetos de adoração religiosa vão satisfazer o critério. Aqui esta a formulação de Martin:

"o discurso simplista dos crentes num Deus antropomórfico não é sem sentido: é meramente falso. Considerando a visão que Deus é uma entidade grande e poderosa no espaço e tempo, uma entidade que reside em algum lugar lá no céu. A sentença expressa o que não tem sentido factualmente. Nós entendemos o que ela significa e...sabemos que na luz da evidência que esta declaração é falsa. O que incomoda Nielsen é o discurso sofisticado de crentes que dizem, por exemplo, que Deus transcende o espaço e tempo, não tem corpo, e realiza ações que afetam as coisas no espaço e no tempo. Ele mantém que este tipo de discurso é sem sentido factualmente, então, nem verdade nem falso."

Mas, a situação é muito mais complexa que isto. Deixando de lado, a noção que Deus é atemporal, a visão que traz consigo problemas especiais em si mesmo, e retém o resto da figura acima dita de uma concepção de Deus de um crente sofisticado. Não é tão claro que a conversa sobre Deus é imune a um teste empírico. Uma coisa que isto depende de um largo cenário teológico e religioso em que tal conceito de Deus é operativo. Por exemplo, uma parte crucial do cristianismo, encontrada, por exemplo, no Credo Niceno, é que Cristo - a segunda pessoa encarnada da Trindade- vai retornar para a Terra em algum momento em glória para julgar a humanidade. Os credos não são explícitos sobre como tudo isto será observável, mas a doutrina não fará sentido a menos que assumimos que ela se manifestará para a humanidade em algum tempo. Depois de tudo, isto é para supostamente uma Grande Coisa, a maior coisa na história humana. Então, ao menos, parte da teologia será não confirmada se isto nunca acontecer.  Isto não nos coloca uma posição ideal para fazer o teste, não há dado a ser especificado, nem mesmo uma especificação mais tarde.  Isto coloca um friso na possibilidade de uma falsificação conclusiva, que não é requerida de qualquer maneira numa forma mais fraca do critério com que estamos trabalhando. Mas, isto assegura a possibilidade de uma verificação empírica conclusiva e, nos termos de Nielsen especifica algumas observações que poderia contar a favor ou contra a declaração. Isto vai significativamente além da não possibilidade de evidência empírica.

Existe outras possibilidades de trazer evidência empírica para  para suportar a doutrina cristã que envolve Deus, embora  todas elas param na possibilidade da verificação conclusiva ou falsificação da mesma forma. Mais de uma vez no Novo Testamento, Jesus é creditado com ditos que sobre certas circunstâncias Deus vai dar a pessoa aquilo que ela ora a favor. Estas condições incluem tais coisas como "com fé" ou "se você manter seus mandamentos"- condições para a satisfação de que não é um teste conclusivo. Mas isto não é uma ciência exata.

Um outro exemplo é no discurso de despedida de Jesus no Evangelho de João, ele promete aos discípulos que após sua morte, ele enviará o Espírito Santo para os instruir, que vemos nas epístolas paulinas as funções do Espírito, como santificação e inspiração. Aqui também estes termos não carregam um critério preciso para sua aplicação, e pode haver debate quando ele se aplica. Mas, nós podemos entender instrução e santificação bem suficiente para ter uma base para determinar que se cumpriu estas promessas.

Até aqui fui me restringindo a observações perceptuais do sentido que poderiam ser reconhecidas por meus oponentes positivistas. Mas, quando nós levamos a questão seja da evidência empírica que deveria ser restrita desse modo, mais possibilidades putativas para a confirmação ou não confirmação empírica ficam abertas. Irei abordar isto gradualmente, primeiro, introduzindo um tipo de caso que, ao menos parcialmente, envolve um senso ordinário de percepção. Consideramos a vida após a morte como uma doutrina da religião teísta. E se a conexão com Deus é necessária, consideramos que no cristianismo está prometido por Jesus Cristo. Apesar disto ser controverso, muitas pessoas, incluindo muitos filósofos e intelectuais acreditam que temos evidência empírica de sessões mediúnicas ou de outras tentativas de se conversar com os mortos.  Os relatos dessas sessões são relatos bem visuais, tácteis e audíveis. Outros alegam evidência empírica de paranormais, com capacidades extra-sensórias. Eu não entrar nisto tudo, mas eu tenho que explorar numa discussão compreensiva sobre o que crenças religiosas sofisticadas são capazes de um teste empírico.

Contudo, a possibilidade mais controvérsia concerne a direta experiência da presença e da atividade de Deus na vida das pessoas que muitas pessoas acreditam que tiveram. Muitas razões foram dadas para desacreditar os relatos de tais experiências como sendo um algo que levasse em si a verdade das crenças sobre a existência, natureza e atividade de Deus. Por exemplo, Nielsen é típicamente ateísta em desmentir tais experiência como puramente subjetivas e não podem alegar ser uma experiência de uma deidade transcendente. Eu tenho que é razoável tomar tais experiências como provadoras e significativas para o suporte das crenças que seus sujeitos tem para suportar.

Esta é apenas a ponta do iceberg, devemos lembrar que nem Nielsen nem Marty consideram que as crenças sofisticadas sobre Deus são capazes de alguma confirmação empírica ou não confirmação.

Várias interpretações a respeito de  falar sobre Deus.

Se a pessoa está convencida que não há declarações sobre Deus, como tal está construído na religião teísta, como significativos factualmente, como então alguém construiu isto? Existem muitas alternativas aqui. A mais simplista é evitar a necessidade de qualquer reconcepção ignorando todas juntos, ou como diz Hume, deixando-as às chamas.  Mas, se alguém é suficientemente motivado a continuar a falar sobre Deus, existe um conjunto de maneiras para fazer isto enquanto evita qualquer referência a uma entidade transcendente.  Isto pode ser divido em dois grupos principais. Um busca preservar o caráter declaratório em dando um sentido puramente natural da fala sobre Deus. O outro  escolhe interpretar putativamente a conversa sobre Deus como uma expressão de sentimentos, atitudes, compromissos e gostos.

Como exemplos da primeira alternativa, Henry Nelson Wieman, define Deus em termos naturalísticos como a interação entre indivíduos, grupos e eras, que gera e promove a grande possibilidade do bem mutuamente. Isto preserva a beneficência de Deus, mas o ser pessoal é perdido completamente.

Outra reinterpretação naturalista da conversa teísta é encontrada no biólogo inglês Julian Huxley, no livro Religião sem Revelação. Ele identifica Deus Pai com as forças da natureza não humana, Deus Espírito Santo como os ideais de cada homem e Deus Filho como a humanidade em si. Então, ele nos dá uma trindade naturalística. Ele mesmo conclui que a unidade das três pessoas num único Deus como a unidade de todos os aspectos da natureza.

O segundo grupo é extramente variado. O filósofo George Santayana, toma as doutrinas religiosas como simbólico principalmente de compromissos e atitudes. Em seu "Reason in Religion", ele distingue dois componentes de uma doutrina religiosa ou mito como ele prefere dizer.  A morte de Jesus é um símbolo do valor moral do auto-sacrifício. Esta convicção moral pode ser expressada efetivamente pela história mais do que apenas dizer que o auto sacrifício é uma coisa nobre. Santayana considera os mitos religiosos com a função de guiar nossas vidas em certas direções. Braithwaite também enfatiza esta função diretiva. Ele toma as declarações religiosas como primeiramente declarações de aderência para uma politica de ação, declarações de compromissos como um modo de vida.  Também encontramos esta abordagem em Gordon Kaufman, vivendo em relação com Deus é vivendo com uma cosmovisão que tem Deus como foco. Não há necessidade colocar um ser existente particular, Deus. Ele diz que a questão da existência de Deus é a questão da viabilidade e adequação de uma orientação, um entendimento verdadeiro ou válido da existência humana.

É claro que muito do discurso sobre Deus tem funções expressivas e diretivas, e se nós descartamos essas alegações de verdade são ordinariamente tomados para embasar estas funções, o primeiro vai ser tudo que resta. Mas nós seremos forçados para dentro dessas reconstruções pelo critério de verificabilidade apenas se as declarações mais tradicionais sobre Deus não são empiricamente confirmáveis, e apenas se a confirmação empírica é uma condição necessária do sentido factual. Eu tenho apresentado  razões para duvidarmos do primeiro na seção anterior, e agora vou proceder quando podemos aceitar o segundo.

O critério de verificabilidade e seus problemas.

Primeiro, analisa o que foi dito sobre critério de verificabilidade e, então, algumas razões para rejeitar isto.

O positivistas lógicos originais não dão muita atenção para a defesa do critério.  Ficaram presos num estágio não progressivo da filosofia em contraste com a ciência, então, eles tomaram como óbvio que o motivo para o contraste da filosofia tradicional com a ciência nestes aspectos provindo fato de que as declarações da filosofia não eram, como hipóteses científicas foram, sujeitos à confirmação empírica ou não.  E, uma vez, que tomaram a ciência, juntamente com suas raízes no pensamento empírico do senso comum e do discurso para ser o paradigma de significado factual, parecia evidente para eles que havia uma capacidade para a confirmação empírica ou não.  Mas, esta linha de argumentação naturalmente carregava a condenação para aqueles que não estavam preparados para restringir as declarações factuais para a ciência e suas raízes pré-científicas, e quando isto é visto igualmente óbvio que era para ser encontrado em outros lugares- na metafísica, ética e religião.

Kai Nielsen, seguido por Michael Martin, coloca seu caso para, preliminarmente, critério de verificabilidade na alegação que esta é que precisamente que distingue os casos claros de sentido pleno factual dos de sem sentido factual. Com estas credenciais, isto pode ser usado na aplicação menos clara dos casos controversos como aqueles da metafísica e da religião. Infelizmente para esta linha de argumento, há muita controvérsia sobre o que conta como casos claros ou não da presença ou ausência de sentido factual como também se há critério de verificabilidade para isto.


Deus exerce providência sobre os assuntos humanos.
É o propósito de Deus que nós amamos uns aos outros.
O universo físico depende para sua existência de um ser onipotente espiritual.

Estes casos de alegação de fato claras que são objetivamente verdade ou falsa. E se eles não estão sujeitos ao teste empírico, então muito menos para o critério de verificabilidade. Pontos semelhantes poder ser feitos sobre a verificabilidade empírica de declarações da metafísica tais como "propriedades tem um modo de existência que é independente do ser exemplificado" ou "um ser humano é feito de duas substâncias- uma material e outra imaterial".

Um argumento mais substantivo depende de considerações sobre o papel crucial da experiência perceptual na aprendizagem e no uso da linguagem. Parece claro que o primeiro processo de aprendizado é dependente de um reforço social de associações das coisas percebidas e das palavras para estas. Isto é publicamente observável, de outra forma, os pais não poderiam prover um reforço positivo ou negativo nos momentos apropriados.Então, isto parece que na base da primeira linguagem está um conjunto de sentenças de observação que se encaixam para fazer declarações que são diretamente verificáveis ou falseáveis pela percepção dos sentidos.

Deste modo, a fundação da linguagem claramente satisfaz o critério de verificabilidade. Se um desenvolvimento da criança para um nível mais complexo, isto é um argumento forte para o critério de verificabilidade.

Embora, esta linha de argumentação levanta questões sérias sobre a linguagem e seu significado que não cabem aqui. Há algumas razões para pensar que a situação não é tão fácil assim como o positivista deixa aparecer.  A principal dificuldade é a seguinte: uma vez que o falante de uma língua tem uma base de termos empiricamente estabelecidos -com mais compreensão sintaxe-, é bem dentro dos poderes cognitivos humanos para colocar estes materiais e seus derivados numa complexidade que transcende as possibilidades do teste empírico.

Esta não é uma dificuldade periférica, mas indica um defeito profundo no verificacionismo. A posição concentra numa característica holística do potencial declaratório de uma sentença declarativa e ignora o ponto crucial que o status semântico de um complexo linguístico como uma sentença que está em alguma função dos significados de deus constituintes de significado mais fatos sobre sua estrutura gramatical. Em restringindo sua visão para a questão de saber se a declaração que a sentença é normalmente passível de ser testada empiricamente, esta posição ignora o ponto que o modo que a sentença é construída de seus componentes podem resultar num uso possível para criar uma declaração factual, com um valor-verdade objetivo, sem que podemos especificar um possível teste empírico para  isto.

O argumento principal contra o critério de verificabilidade.


O principal argumento contra o critério de verificabilidade decorre de uma característica da confirmação empírica de que se refletiu no cenário fora da noção na seção:  "O critério, a sua história, e a forma mais coerente de teoria", mas não há enfatizou.  Este é o facto de que é logicamente impossível deduzir uma ou mais relatos de observação de uma declaração em termos não-observacionais sem utilizando instalações auxiliares - "princípios ponte" que contêm tanto observacional e termos não-observacionais - tornando assim possível a lógica implicação das conclusões puramente observacionais de todo o conjunto de instalações.  Assim, as leis da termodinâmica, quando conjugada com princípios que soletrar como medir a temperatura de uma substância, pode ser testado de tais medidas.  Por esta razão, nenhuma instrução que não é por si só um puramente declaração observação carrega qualquer "conteúdo empírico", qualquer conjunto de observacional conseqüências tudo por conta própria. Fá-lo apenas no contexto de um maior corpo de teoria, que, seja lá o que inclui, deve conter um ou mais princípios da ponte.  Assim teste empírico das reivindicações não diretamente testáveis ​​por experiência é muito mais complexa do que qualquer simples confronto com o resultados da observação.


Ela nos mostra que não há critérios lógicos formais de confirmabilidade empírica irá distinguir positivista casos de casos positivista reprovados de aprovados. . E mais do que isso, mostra que esses critérios nem sequer distinguem sentenças obviamente factualmente significativas a partir de frases sem sentido. Meu exemplo anterior de "Deus é bom" pode ser repetido e elaborado em cima tão bem com a hipótese de "Sexta-feira é inteligente" - algo que é indiscutivelmente sem significado factual. Mas, e este é um ponto que é muitas vezes negligenciado, que por si só não tem significado mostram que de facto não necessita confirmação empírica. Pode ser que o problema é com a tentativa de dar uma explicação lógica formal do último. E essas considerações fazer pelo menos mostram que nenhum critério puramente lógica pode trazer para fora o que é para uma hipótese a ser empiricamente confirmáveis.  Mas isso deixa de pé a possibilidade de que o significado factual exige confirmabilidade empírica. Desde o fracasso da maneira puramente lógica habitual de explicar que este não funciona, seu fracasso em trazer para fora o que constitui significado factual não mostra que o significado factual não equivale a confirmabilidade empírica

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Para o autor os critérios de verificabilidade não podem ser sustentados por si mesmos.

Existem problemas em como devemos predicar Deus,


Os termos de ação (fazer, falar, de comando, perdoar, punir), os termos de estado psicológico (sabe, pretende, propósitos, escolhe), e os termos de propriedade (bom, poderoso, amoroso, justo) foram todos originalmente aprendeu na sua aplicação para criaturas. Mas Deus, como interpretado de desenvolvido religião teísta, é tão radicalmente diferente de qualquer criatura que é impossível usar os termos com exatamente o mesmo sentido (inequivocamente), em aplicação a Deus, como lhes cabe na aplicação de criaturas. Portanto, eles devem ser alterados de alguma forma a torná-los adequados para aplicação divina, para fazê-lo, pelo menos possível que eles são verdadeiros de Deus.
Se pudéssemos modificar o sentido de criatura de modo a produzir termos com significados que se encaixam exatamente Deus, não haveria problema. Mas há uma série de razões para duvidar de que isso é possível. Por um lado, estamos limitados a formas de afirmação que nos obrigam a distinguir entre uma propriedade e que tem essa propriedade (que reflete a distinção entre o sujeito e o predicado da afirmação), bem como entre diferentes propriedades que atribuímos ao mesmo assunto . Mas de Aquino e outros teólogos e filósofos medievais declarou que Deus é tão absolutamente simples que não existem distinções reais de qualquer espécie dentro de seu ser e, portanto, que qualquer modo de expressão que implica distinções (e que inclui toda a fala humana) é obrigado a deturpar Deus até certo ponto. Aquino e outros defensores da simplicidade divina não acho que todas as afirmações sobre Deus são falsas, muito menos sentido. Aquino declarou que certos termos que se aplicam a Deus (como o bom e onisciente) se encaixam bem a Deus no que diz respeito à "perfeição significado," mas que eles todos ficam aquém no que diz respeito ao "modo de significação", o que implica, inevitavelmente, na multiplicidade Ser Divino. Sendo este o caso, embora nós podemos razoavelmente supor que os termos que se aplicam a Deus significar alguma analogia com o Ser Divino, o fato de que nenhum deles é perfeitamente adequado para o efeito nos impede de ser completamente explícito sobre o que os pontos de analogia são - em apenas que maneira as coisas que originalmente significava pelos termos fazer e não desfrutar de uma comunhão com o Ser Divino