sábado, setembro 26, 2009

Jane Austen: Mansfield Park

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This could not be denied, and Fanny was silenced. After another pause, he went on. "Pray, Miss Price, are you such a great admirer of this Mr. Crawford as some people are? For my part, I can see nothing in him."
"I do not think him at all handsome."
"Handsome! Nobody can call such an under-sized man handsome. He is not five foot nine. I should not wonder if he is not more than five foot eight. I think he is an ill-looking fellow. In my opinion, these Crawfords are no addition at all. We did very well without them."
A small sigh escaped Fanny here, and she did not know how to contradict him.

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CAPÍTULO X
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No capítulo 13, há dois livros: um de Rachel de Queiroz outro de Jane Austen.
He came on the wings of disappointment, and with his head full of acting, for it had been a theatrical party; and the play, in which he had borne a part, was within two days of representation, when the sudden death of one of the nearest connexions of the family had destroyed the scheme and dispersed the performers. To be so near happiness, so near fame, so near the long paragraph in praise of the private theatricals at Ecclesford, the seat of the Right Hon.
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Veio muito desapontado e com a cabeça cheia de idéias de teatro, pois o divertimento da reunião tinha sido ensaiar cenas teatrais. A peça em que ele tomava parte devia ser representada dali a dois dias, quando a morte repentina de um dos parentes mais próximos da família destruiu o projeto e dispersou os atores. Estar tão perto da felicidade, tão perto da fama, tão próximo de um longo artigo elogiando os amadores de Ecclesford, que naturalmente imortalizaria todo o grupo por no mínimo doze meses!
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A tal de Mrs. Norris sabe ser cruel :

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Apesar disso, porém, estava contente. Simples como poderia parecer a outros olhos aquele convite, para ela tinha valor e era uma novidade, pois, excetuando-se o dia em Sotherton, raras vezes havia jantado fora de casa; e embora o jantar agora não fosse nem a um quilômetro de distância e apenas de Três pessoas, em todo caso era jantar fora e todos os pequenos interesses dos preparativos eram por si um divertimento. Não contou nem com a simpatia nem com o auxílio daqueles que deveriam ter tomado parte nos seus sentimentos ou dirigido seu gosto; pois Lady Bertram nunca pensava em ser útil a ninguém e Mrs. Norris, quando veio no dia seguinte, em conseqüência de uma visita matinal e do convite que Sir Thomas lhe fizera, estava de muito mau humor e parecia empenhada, apenas, em diminuir o prazer da sobrinha, tanto no presente como no futuro, quanto pudesse.
— Palavra de honra, Fanny, você está com muita sorte recebendo tal atenção e benevolência! Deve ficar muito grata a Mrs. Grant por ter pensado em você e à sua tia por ter consentido em que vá; na verdade deve considerar isto como uma coisa extraordinária; pois espero que esteja convencida que não é muito lógico você ser convidada assim, principalmente para jantar; é uma coisa que não deve esperar que se repita. Nem tampouco deve imaginar que o convite foi feito em atenção particular a você; o cumprimento foi intencionalmente feito a seus tios e a mim. Mrs. Grant achou que fazia uma delicadeza a nós lhe prestando um pouco de atenção; do contrário nunca teria pensado nisso, e pode ficar certa que se sua prima Julia estivesse em casa, não seria você a convidada, de forma alguma.
Mrs. Norris havia tão engenhosamente destruído toda a parte de Mrs. Grant no favor, que Fanny, vendo-se na iminência de ter que responder, apenas pôde dizer que se sentia muito grata à tia Bertram por tê-la dispensado e que estava procurando deixar todos os trabalhos de sua tia bem adiantados para que não sentisse a sua falta.
— Oh! pode ficar tranqüila, sua tia pode passar muito bem sem você, senão não lhe dariam permissão para ir. Eu estarei aqui. Pode ficar bem descansada quanto à sua tia. E espero que tenha um dia muito agradável e ache tudo muito divertido. Mas devo observar que cinco pessoas numa mesa é um número dos mais azarentos que existem; e me admiro de que uma senhora tão elegante como é Mrs. Grant não tivesse pensado nisto! E além disso, ao redor daquela enorme mesa que enche toda a sala! Será um horror! Se o doutor, ao menos, como qualquer pessoa de bom senso, tivesse se contentado em ficar com a minha mesa de jantar, quando eu deixei a casa, em vez de trazer aquela mesa absurda dele, que é maior, muito maior do que a mesa de jantar daqui, teria sido infinitamente melhor! E ele seria muito considerado! Pois ninguém tem consideração por uma pessoa que sai do seu próprio meio. Lembre-se disso, Fanny. Cinco — apenas cinco ao redor daquela mesa. No entanto, aposto que haverá jantar suficiente para dez pessoas.
Mrs. Norris tomou fôlego e continuou:
— Essa tolice das pessoas saírem da sua classe e procurarem parecer mais do que são, faz-me lembrar que devo dar um conselho a você, Fanny, agora que vai fazer uma visita sem a nossa companhia. Peço e digo a você que não se mostre muito, falando e dando opiniões como se fosse uma de suas primas, como se fosse a querida Mrs. Rushworth ou Julia. Seria muito impróprio, pode crer. Lembre-se sempre, esteja onde estiver, que deve ser sempre a mais humilde, a última: e não obstante Miss Crawford estar no Presbitério como em sua própria casa, você não deve querer igualar-se a ela. Quando (*quanto) à hora de sair, deve deixar que Edmund decida isto.

Capitulo XXIII


quinta-feira, setembro 24, 2009

JANE AUSTEN: Mansfield Park

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Por esse tempo Sir Thomas estava certo de que sua cunhada iria reclamar os seus direitos sobre a sobrinha; a mudança de situação de Mrs. Norris e a idade atual de Fanny, pareciam, não só abolir qualquer antiga objeção de viverem juntas, mas, até, indicar que essa seria a medida mais acertada. E como a sua própria situação já não estava tão boa quanto antes, em vista das recentes perdas que havia sofrido em suas propriedades de West Índia, além das extravagâncias do filho mais velho, era para ele muito a desejar ver-se livre das despesas de manutenção da sobrinha e da obrigação de as prover no futuro. Na certeza de que tal coisa deveria se dar, falou com a mulher sobre a sua probabilidade e como Fanny estivesse presente na ocasião, ela virou-se calmamente para a sobrinha e disse: “Quer dizer, Fanny, que você vai nos deixar para viver com minha irmã? Que acha disso?”
Fanny ficou tão surpreendida que não pôde senão repetir as palavras da tia, — Vou deixá-los?
— Sim, querida; por que está tão admirada? Você morou cinco anos conosco e minha irmã sempre pensou em levá-la depois que Mr. Norris morresse. Mas você virá nos ver sempre que quiser.
A notícia foi para Fanny tão desagradável quanto inesperada. A tia Norris nunca lhe tinha feito um agrado e não lhe podia querer bem.
— Terei muita pena de ir, disse ela com voz trêmula.
— Sim, acredito que terá; é muito natural. Creio que ninguém no mundo seria tão bem tratada quanto você o foi, desde que veio para esta casa.
— Não creia que eu seja ingrata, titia, disse Fanny modestamente.
— Não, minha filha, não o creio. Sempre achei que você era uma boa menina.
— E eu nunca mais voltarei para aqui?
— Nunca, meu bem; mas pode ficar certa de que lá você será tão bem tratada quanto o foi aqui. E o fato de morar em uma casa ou em outra não fará grande diferença para você.
Fanny saiu com o coração apertado; achava que a diferença era bastante grande e que não poderia conceber a idéia de viver com a tia. Logo que encontrou Edmund, contou-lhe a sua desgraça.
— Primo, disse ela, vai acontecer uma coisa de que não estou gostando nada; e embora você esteja sempre me dizendo que eu devo procurar me habituar às coisas de que não gosto à primeira vista, neste caso creio que não me poderá convencer. De agora em diante vou passar a viver com a tia Norris.
— É verdade?
— É sim; a tia Bertram acabou de me dizer. Já está tudo combinado. Vou deixar Mansfield Park para morar na White House, creio, logo que ela se mudar para lá.
— Bem, Fanny, se o plano não fosse desagradável para você, diria que era excelente.
— Oh, primo!
— Sim, a não ser isso, tudo o mais é a favor dele. Minha tia está afinal agindo como uma pessoa sensata. Está procurando uma amiga, uma companheira exatamente onde a deve procurar e eu me sinto feliz em ver que sua avareza não interferiu. Tenho esperança de que você não se sinta muito infeliz, Fanny.
— Mas o fato é que me sentirei; não me conformo com a idéia. Gosto desta casa e de tudo o que ela tem; não gostarei de nada lá. Você sabe que eu não me sinto bem junto dela.
— Não me refiro à maneira como ela tratou você me criança; com todos nós foi a mesma, ou quase a mesma coisa. Nunca soube agradar uma criança. Mas você agora está em idade de ser tratada com mais consideração; creio que ela já está mesmo se portando melhor; e quando ela depender unicamente de você, você vai ter muita importância para ela.
— Eu nunca terei importância para ninguém.
— Quem o impede?
— Tudo. Minha situação, minha ignorância, minha timidez.
— Quanto à sua ignorância e timidez, minha cara Fanny, creia-me, você nunca teve nenhuma sombra de uma ou de outra, apenas está empregando as palavras impropriamente. Não há motivo para que você deixe de ter importância para aqueles que a conhecem. Você tem bom senso, o temperamento dócil, e um coração que, estou certo, é incapaz de receber uma bondade sem desejar retribuir. Não vejo melhores qualidades para uma amiga e uma companheira.
— É bondade sua, disse Fanny corando diante de tais elogios; não sei como agradecer a você por fazer tão bom juízo de mim. Oh! Se eu tiver de ir, hei de me lembrar de sua bondade até o último dia de minha vida.
— Não precisa ir tão longe, Fanny; é bastante que você se lembre de mim enquanto você estiver em White House. Você fala como se fosse morar a duzentas milhas daqui, em vez do outro lado do parque; e no entanto você nos pertencerá tanto quanto até aqui. As duas famílias estarão juntas todos os dias do ano. A única diferença é que você morando com sua tia, terá a educação que deveria ter. Aqui há muita gente atrás de quem você pode se esconder; mas com ela você será forçada a responder por si mesma.
— Oh! Não diga isso.
— Digo sim, e digo com prazer. Mrs. Norris é muito mais indicada do que minha mãe para cuidar de você agora. Ela tem disposição para fazer grandes coisas pelas pessoas por quem realmente se interessa.
Fanny suspirou e disse: — Não posso ver as coisas como você vê; no entanto devo reconhecer que tem mais razão do que eu e agradeço muito seu esforço para me reconciliar com o que tem de ser. Se eu pudesse acreditar que minha tia realmente se interessa por mim, seria um prazer sentir-me útil a alguém. Aqui, eu sei que não sou de utilidade a ninguém e mesmo assim sou tão apegada a este meio.
— Este meio, Fanny, você não precisa deixar, embora deixe a casa. Terá tanta liberdade de usar o parque e os jardins como sempre teve. Nem mesmo o seu constante coraçãozinho precisa amedrontar-se por causa da mudança. Terá os mesmos caminhos para andar, a mesma biblioteca, as mesmas pessoas para ver, o mesmo cavalo para montar.
— É verdade. Sim, o velho pônei querido! Ah! primo, quando me lembro de como tinha medo de montar, o terror que me dava ouvir que seria bom para minha saúde! E então o trabalho que você teve para me convencer a não ter medo, e pensar que depois de pouco tempo eu iria gostar! Vendo como você tinha razão, tenho esperança de que suas profecias sejam sempre certas.
— Estou certo de que sua permanência junto de Mrs. Norris será tão salutar para seu caráter como a equitação foi para sua saúde e da mesma forma também, para sua felicidade futura.
Assim terminou a discussão, a qual, por muito aproveitável que fosse a Fanny, foi inteiramente inútil, pois Mrs. Norris não tinha a menor intenção de levar consigo a sobrinha. Foi idéia que absolutamente não lhe ocorreu, naquela ocasião, senão como coisa de que se deveria livrar por todos os meios. E para evitar que esperassem dela uma tal atitude, instalou-se na menor casa que havia na paróquia de Mansfield, a White House, na qual apenas havia espaço suficiente para ela própria morar com as suas criadas e só um quarto vago destinado a uma amiga, — amiga essa de que ela fazia absoluta questão. Os quartos vagos no Presbitério nunca tinham sido utilizados, mas agora era imprescindível que houvesse um quarto para receber uma amiga. Contudo, nem com todas as suas precauções se livrou que a julgassem melhor do que o merecia; ou, talvez a importância que deu à necessidade daquele quarto a mais, tenha enganado Sir Thomas que imaginou tratar-se realmente de Fanny. Lady Bertram, porém, em pouco tempo esclareceu o negócio quando, inconscientemente, observou a Mrs. Norris:
— Acho, minha irmã, que quando Fanny for morar com você nós não precisamos mais conservar Miss Lee.
Mrs. Norris teve um sobressalto. — Morar comigo querida Lady Bertram! Que significa isto?
— Pois ela não vai para a sua companhia? Pensei que você tinha combinado com Sir Thomas.
— Eu! Nunca. Nunca disse uma palavra sobre isso a Sir Thomas nem ele a mim. Imagine, Fanny morar comigo! A última coisa no mundo que eu seria capaz de pensar ou que alguém poderia desejar, conhecendo-nos a nós duas. Santo Deus! Que faria eu com Fanny? Eu? Uma pobre viúva, sozinha, desamparada, inteiramente alquebrada, imprestável para qualquer coisa; que faria eu com uma menina dessa idade? Uma mocinha de quinze anos! Justamente na idade em que todas necessitam de maior atenção e cuidado e quando justamente precisam de alegria! Sem dúvida Sir Thomas não espera isso seriamente. Sir Thomas é muito meu amigo. Pessoa alguma que me queira bem, estou certa, faria tal proposta. Como se explica que Sir Thomas lhe tenha falado sobre isto?
— Na verdade não sei. Creio que ele julgou ser o melhor.
-Mas que disse ele? Não poderia ter dito ser desejo dele que eu levasse Fanny. Tenho certeza que no íntimo não poderia exigir de mim tal sacrifício.
— Não, apenas disse que o achava provável; e eu concordei com ele. Ambos pensamos que lhe seria um consolo. Mas se você não quer, não se fala mais nisso. Ela não nos incomoda aqui.
— Minha cara irmã, se você refletir sobre a minha triste situação, compreenderá que ela não me poderá reconfortar. Agora veja, uma pobre viúva desolada como eu, privada do melhor dos maridos, a saúde gasta nas longas vigílias que passei tratando-o, o espírito ainda pior, toda a minha paz neste mundo destruída, com uma renda apenas suficiente para manter-me em situação digna e viver de modo a não desonrar a memória do querido ausente — que possível consolo poderei encontrar em carregar sobre os ombros um peso como Fanny? Ainda que estivesse em condições de poder desejar isto para meu próprio bem, não faria uma tal injustiça à pobre menina. Ela está em boas mãos e por certo será muito feliz. Eu que me arranje como puder com as minhas tristezas e dificuldades.
— Então você não se importa de viver sozinha?
— Minha cara Lady Bertram, para que sirvo eu senão para a solidão? Uma vez ou outra espero receber uma amiga em minha casa (terei sempre um quarto para receber uma amiga); mas a maior parte dos meus dias futuros serão passados na maior solidão. E não desejo mais nada.
-Creio, minha irmã, que as coisas não estão assim tão ruins para você, considerando-se o que disse Sir Thomas, que você vai receber seiscentas libras por ano.
— Não me queixo. Sei que não posso viver como vivia, mas hei de poupar o quanto possa e aprender a administrar melhor minhas economias. Fui uma dona de casa bastante liberal mas agora não me envergonharei de ser mais econômica. Não só a minha renda quanto a minha situação estão agora muito diferentes. Não se pode esperar que eu continue com todos os encargos que o pobre Mr. Norris tinha como pastor desta paróquia. Ninguém sabe o que se gastava com mantimentos lá em casa, com os estranhos que entravam e saíam a toda hora. Em White House essas coisas têm que ser melhor controladas. Preciso viver dentro dos meus rendimentos se não quiser ficar na miséria; confesso que teria grande satisfação se pudesse no fim de cada ano guardar nem que fosse uma pequena quantia.
— E garanto que guardará. Você sempre guardou, não é?
— Meu fim, Lady Bertram, é ser útil àqueles que vierem depois de mim. É para bem de seus filhos que desejo enriquecer. Não penso em mais nada; apenas desejaria deixar alguma coisa para eles.
— Você é muito boa, mas não deve incomodar-se por causa deles. Todos ficarão bem de vida. Isto compete a Sir Thomas.
— Pois olhe, a fortuna de Sir Thomas ficará bem desfalcada se as suas propriedades em Antigua continuarem do jeito que estão.
— Ora, isto logo se arranjará. Sei que Sir Thomas já está providenciando.
— Bem, Lady Bertram, disse Mrs. Norris levantando-se para sair. — Digo apenas que meu único desejo é ser útil à sua família; e assim, se por acaso Sir Thomas lhe falar novamente em eu levar Fanny, diga-lhe por favor que minha saúde e meu estado de espírito mo impedem absolutamente; além disso não teria realmente acomodações para Fanny, visto que preciso do único quarto vago para uma amiga.
Cap. III (trad. Rachel de Queiroz)

segunda-feira, setembro 21, 2009

Veneza por Henry James


Tradução: Marcio de Paula S. Hack

“Em lugar nenhum, nem mesmo na Holanda, onde a correspondência entreas paisagens reais e as pequenas e refinadas pinturas é tão constantee tão graciosa, arte e vida parecem tão interligadas e, por assimdizer, tão consanguíneas. Todo o esplendor de luz e de cores, toda aatmosfera e história venezianas estão nas paredes e nos tetos dospalácios; e todo o gênio dos mestres, todas as imagens e visões quepuseram em suas telas, parecem tremer sob a luz do sol e dançar porsobre as ondas. Este é o interesse perpétuo do lugar – que você vivenuma espécie de conhecimento, como se em uma nuvem rósea. Não se vaiàs igrejas e galerias à procura de algo que as ruas não oferecem;vai-se a elas porque oferecem uma delicada reprodução das coisas quenos cercam. Toda Veneza foi ao mesmo tempo modelo e artista, e a vidaera tão pictórica que a arte não podia deixar de sê-lo. Mesmo comtodas as decadências, a vida é ainda pictórica, e este fato dá umfrescor extraordinário à percepção das grandes obras venezianas.Você as julga não como um connoiseur, mas como um homem do mundo, ese deleita por que são muito sociais e verdadeiras. Talvez, de todasas obras de arte igualmente grandes, elas exijam menos reflexão daparte daquele que as vê – o gozo delas não é tão cheio demistério. A reflexão apenas confirma a sua admiração, mas quase quese envergonha de mostrar sua face. Estas coisas falam com tal franquezae benignidade aos sentidos que, mesmo quando atingem o estilo maiselevado – como na “Apresentação da pequena Virgem no Templo”, deTintoretto – são ainda assim mais íntimas.

Mas é difícil, como eu dizia, exprimir tudo isso, e também édoloroso tentá-lo – doloroso por que, na memória das horas perdidas,tão plenas de beleza, a consciência da perda presente oprime. Horasdeliciosas, envoltas em luz e silêncio, tê-las conhecido uma vez épossuir sempre um terrível ideal de satisfação. Certas manhãsadoráveis de maio e junho retornam com uma objetividadeindestrutível. Veneza não está coberta de flores nesta estação, àmaneira de Roma e Florença; mas o próprio mar e o próprio céuparecem florescer e farfalhar. A gôndola espera nos degraus banhadospelas ondas, e se você é sábio, tomará seu lugar ao lado de umacompanhia judiciosa. Tal companhia em Veneza deve, é óbvio, ser dosexo que julga com mais fineza. Uma mulher inteligente que conhece asua Veneza parece duplamente inteligente, e mulher nenhuma teria apercepção embotada ao notar que é inevitável parecer graciosaenquanto levam-na por sobre as ondas. O belo Pasquale, de remo erguido,espera por seu comando, sabendo, assim por alto, a partir daobservação dos seus hábitos, que sua intenção é ir ver uma ouduas pinturas. Talvez não importe demais qual pintura você escolha:é tudo tão charmoso. É charmoso vagar pelas luzes e sombras decanais labirínticos, com arquitetura perpétua acima, e fluidezperpétua abaixo. É charmoso desembarcar nos degraus polidos de umpequeno campo vazio – uma praça alquebrada e ensolarada, com um velhopoço no meio, uma velha igreja de um lado e altas janelas venezianasolhando de cima. Por vezes, as janelas estão desocupadas; noutras, umasenhora num robe puído se inclina distraidamente sobre o peitoril.Sempre há um velho estendendo o seu chapéu, pedindo moedas; hásempre três ou quatro garotos se esquivando de possíveis estocadas deguarda-chuva enquanto o precedem, à maneira dos guardiães, à porta daigreja.”
[1882]
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Trecho da parte V do ensaio “Venice”, em Italian Hours [Penguin, 1995], páginas 21-22.

domingo, setembro 20, 2009

HENRY JAMES: The Portrait of Lady (quotes)

Our young lady's courage, however, might have been taken as reaching its height after her relations had gone home. She could imagine braver things than spending the winter in Paris--Paris had sides by which it so resembled New York, Paris was like smart, neat prose--and her close correspondence with Madame Merle did much to stimulate such flights. She had never had a keener sense of freedom, of the absolute boldness and wantonness of liberty, than when she turned away from the platform at the Euston Station on one of the last days of November, after the departure of the train that was to convey poor Lily, her husband and her children to their ship at Liverpool. It had been good for her to regale; she was very conscious of that; she was very observant, as we know, of what was good for her, and her effort was constantly to find something that was good enough. To profit by the present advantage till the latest moment she had made the journey from Paris with the unenvied travellers. She would have accompanied them to Liverpool as well, only Edmund Ludlow had asked her, as a favour, not to do so; it made Lily so fidgety and she asked such impossible questions. Isabel watched the train move away; she kissed her hand to the elder of her small nephews, a demonstrative child who leaned dangerously far out of the window of the carriage and made separation an occasion of violent hilarity, and then she walked back into the foggy London street. The world lay before her--she could do whatever she chose. There was a deep thrill in it all, but for the present her choice was tolerably discreet; she chose simply to walk back from Euston Square to her hotel. The early dusk of a November afternoon had already closed in; the street-lamps, in the thick, brown air, looked weak and red; our heroine was unattended and Euston Square was a long way from Piccadilly. But Isabel performed the journey with a positive enjoyment of its dangers and lost her way almost on purpose, in order to get more sensations, so that she was disappointed when an obliging policeman easily set her right again. She was so fond of the spectacle of human life that she enjoyed even the aspect of gathering dusk in the London streets-- the moving crowds, the hurrying cabs, the lighted shops, the flaring stalls, the dark, shining dampness of everything. That evening, at her hotel, she wrote to Madame Merle that she should start in a day or two for Rome. She made her way down to Rome without touching at Florence--having gone first to Venice and then proceeded southward by Ancona. She accomplished this journey without other assistance than that of her servant, for her natural protectors were not now on the ground. Ralph Touchett was spending the winter at Corfu, and Miss Stackpole, in the September previous, had been recalled to America by a telegram from the Interviewer. This journal offered its brilliant correspondent a fresher field for her genius than the mouldering cities of Europe, and Henrietta was cheered on her way by a promise from Mr. Bantling that he would soon come over to see her. Isabel wrote to Mrs. Touchett to apologise for not presenting herself just yet in Florence, and her aunt replied characteristically enough. Apologies, Mrs. Touchett intimated, were of no more use to her than bubbles, and she herself never dealt in such articles. One either did the thing or one didn't, and what one "would" have done belonged to the sphere of the irrelevant, like the idea of a future life or of the origin of things. Her letter was frank, but (a rare case with Mrs. Touchett) not so frank as it pretended. She easily forgave her niece for not stopping at Florence, because she took it for a sign that Gilbert Osmond was less in question there than formerly. She watched of course to see if he would now find a pretext for going to Rome, and derived some comfort from learning that he had not been guilty of an absence. Isabel, on her side, had not been a fortnight in Rome before she proposed to Madame Merle that they should make a little pilgrimage to the East. Madame Merle remarked that her friend was restless, but she added that she herself had always been consumed with the desire to visit Athens and Constantinople. The two ladies accordingly embarked on this expedition, and spent three months in Greece, in Turkey, in Egypt. Isabel found much to interest her in these countries, though Madame Merle continued to remark that even among the most classic sites, the scenes most calculated to suggest repose and reflexion, a certain incoherence prevailed in her. Isabel travelled rapidly and recklessly; she was like a thirsty person draining cup after cup. Madame Merle meanwhile, as lady-in-waiting to a princess circulating incognita, panted a little in her rear. It was on Isabel's invitation she had come, and she imparted all due dignity to the girl's uncountenanced state. She played her part with the tact that might have been expected of her, effacing herself and accepting the position of a companion whose expenses were profusely paid. The situation, however, had no hardships, and people who met this reserved though striking pair on their travels would not have been able to tell you which was patroness and which client. To say that Madame Merle improved on acquaintance states meagrely the impression she made on her friend, who had found her from the first so ample and so easy. At the end of an intimacy of three months Isabel felt she knew her better; her character had revealed itself, and the admirable woman had also at last redeemed her promise of relating her history from her own point of view--a consummation the more desirable as Isabel had already heard it related from the point of view of others. This history was so sad a one (in so far as it concerned the late M. Merle, a positive adventurer, she might say, though originally so plausible, who had taken advantage, years before, of her youth and of an inexperience in which doubtless those who knew her only now would find it difficult to believe); it abounded so in startling and lamentable incidents that her companion wondered a person so eprouvee could have kept so much of her freshness, her interest in life. Into this freshness of Madame Merle's she obtained a considerable insight; she seemed to see it as professional, as slightly mechanical, carried about in its case like the fiddle of the virtuoso, or blanketed and bridled like the "favourite" of the jockey. She liked her as much as ever, but there was a corner of the curtain that never was lifted; it was as if she had remained after all something of a public performer, condemned to emerge only in character and in costume. She had once said that she came from a distance, that she belonged to the "old, old" world, and Isabel never lost the impression that she was the product of a different moral or social clime from her own, that she had grown up under other stars.
cap. xxxi
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The elation of success, which surely now flamed high in Osmond, emitted meanwhile very little smoke for so brilliant a blaze. Contentment, on his part, took no vulgar form; excitement, in the most self-conscious of men, was a kind of ecstasy of self-control. This disposition, however, made him an admirable lover; it gave him a constant view of the smitten and dedicated state. He never forgot himself, as I say; and so he never forgot to be graceful and tender, to wear the appearance--which presented indeed no difficulty--of stirred senses and deep intentions. He was immensely pleased with his young lady; Madame Merle had made him a present of incalculable value
Cap. XXXV
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She had taken all the first steps in the purest confidence, and then she had suddenly found the infinite vista of a multiplied life to be a dark, narrow alley with a dead wall at the end. Instead of leading to the high places of happiness, from which the world would seem to lie below one, so that one could look down with a sense of exaltation and advantage, and judge and choose and pity, it led rather downward and earthward, into realms of restriction and depression where the sound of other lives, easier and freer, was heard as from above, and where it served to deepen the feeling of failure.
Cap. LXII

quarta-feira, setembro 16, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento 3


A história da pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento.

"Qualquer pessoa que leia as Escrituras com atenção descobrirá nelas a palavra sobre Cristo...pois Cristo é o tesouro escondido num campo...ele foi escondido, foi simbolizado por tipos e expressões parabólicas que no nível humano não poderiam ser compreendidos antes da consumação daquilo que foi profetizado, ou seja, a vinda de Cristo"

Irineu, Contra as Heresias, 4,26,1 p. 87

Interpretação alegórica.

permite ir além do signifcado literal, histórico, de uma passagem, para um suposto sentido mais profundo.
Irineu (c. 130-200)


Para ele, o fundamento da hermeneutica é que Cristo constitui o centro da Escritura, a Bíblia é um livro sobre o Salvador. O tema fundamental da Bíblia é o plano de salvação.


As idéias de dispensações capacita Irineu a mover-se além dos limites de simplesmente descobrir Cristo no AT para também considerar o significado da passagem para Israel. ele escreve que Deus levantou profetas na terra....esboçando, como um arquiteto, o plano da salvação para aqueles que o agradassem. E ele mesmo forneceu direção aos que contemplavam não no Egito, enquanto aos rebeldes do deserto, ele promulgou uma lei muito aplicável à sua condição. Aqui, vemos Irineu dando o primeiro passo em direção ao que um dia seria chamado de interpretação histórica.
De acordo com A.S. Wood, Irineu deduziu dois princípios hermenêuticos da unidade da Escritura: O primeiro é a harmonia da Escritura. O segundo é o princípio da analogia pelo qual é permitido à Escritura agir como seu próprio intérprete" p.95
Em oposição à interpretação alegórica dos gnósticos, Irineu sugere ainda outro princípio heremeneutico: os pregadores devem ter como alvo a interpretação comum, simples, óbvia do texto da Bíblia.




A Escola de Alexandria



A interpretação alegórica foi desenvolvida primeiramente na Grécia no sec. 3o. a.C.


"John Breck mostra como a escola filosófica grega que se originou com Platão inspirou a interpretação alegórica preferida pelos alexandrinos: ao opor o ambito eterno da verdade ao mundo historico da matéria, os herdeiros da filosofia platônica tinham a tendência de desvalorizar o conceito de História e, consequentemente, o arcabouço histórico da revelação...A interpretação de acontecimentos históricos consiste em discernir seu sentido espiritual ou seja, o significado mais profudno da realidade eterna, celestial, que se expressa na vida humana. Declarado como um princípio hermenêutico, o objetivo é discernir o significado escondido de um aconteciemnto, expondo a verdade eterna nele inserida" (p. 98).
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Clemente de Alexandria 150-215
foi o primeiro a acrescentar o metodo alegórico de Filo aos métodos de exegese já existiam.
"Como Filo, Clemente ensinava que a Escritura tinha um significado duplo; Análogo ao ser humano, ela tem um significado de corpo - literal- como também um significado de alma- espiritual- por trás do sentido literal" p. 99
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Orígenes 185-254
"A abordagem de Orígenes está muito mais arraigada numa teologia da encarnação e numa visão sacrametal de mundo...Cristo, o Logos, comunica-se conosco de três modos encarnacionais, com seu corpo historico e ressureto, com seu corpo, a igreja e com seu corpo das Escrituras, cujas letras recebem vida pelo Espírito Santo" (Thiselton, in p. 101)
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"Antes do advento de Cristo, não era completamente possível demonstrar provas concretas da inspiração divina das antigas Escrituras, enquanto que a sua vinda levou aqueles que poderiam suspeitar que a lei e os profetas não eram divinos `a clara convicção de que eles foram compostos com o auxílio da graça celestial " Origenes, First Principles, 4,1,6 in p. 101

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O problema da pregação alegórica é que eles prociuram a relaçãocom Jesus em algum detalhe um tanto incidental pra tratamento como metafora, e ñão o resto da história. A tendencia de buscar o texto e faze-lo adequar a homília.

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Interpretação tipológica

Escola de Antioquia

a principal diferença entre a tipológica e alegórica é a forma como a história da redenção funciona na interpretação, Embora, a alegórica não negue a história redentora, ela não desempenha papel importante na interpretação da Escritura. A tipológica requer a história redentora, porque a analogia e o desenvolvimento progressivo entre tipo e antitipo são feitos dentro da história redentora. Como disse K. J. Woolcombe: "A exegese tipologica é busca por elos entre acontecimentos, pessoas ou coisas dentro da estrutura historica da revelação, enquanto o alegorismo é a busca de um significado secundário e escondido subjacente ao sentido principal e obvio de uma narrativa" p. 110
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Teodoro de Mopsuéstia (350-428)

utiliza a interpretação gramatica-historica. Ele focaliza o sentido natural e literal, procura determinar o sentido historico original de uma passagem.

"Até mesmo quando o NT cita um texto do AT, ele pode ser apenas ilustrativo em vez de uma indicação do sentido messiânico; até Os. 11.1 diz ele não faz referência a Cristo, apesar de Mt. 2,15

Teodoro foi chamado de judaizante- porque ele entendia o AT dentro de seu sentido historico e se recusavaa ler as doutrinas cristãs nele, como estava sendo feito cada vez mais em seus dias. p. 113

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João Crisóstomo (347-407)

O tipo recebe o nome de verdade até que a verdade esteja prestes a vir, mas quando vier o verdadeiro, o nome não é mais usado. Semelhante , na pintura: um artista desenha um rei, mas até que as cores sejam aplicadas ele não é chamado de rei, quando as cores são vestidas, o tipo é escondido pela verdade, e não é mais visível, e dizem então: Eis o Rei. (p.115)

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Intepretação Quádrupla

literal-histórico, moral, místico e escatológico.

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Agostinho 354-430

"o objetivo do escritor desses livros sagrados, ou seja, o Espírito de DEus que nele habita, é não apenas documentar o passado, mas também retratar o futuro, no que concerne à cidade de DEus, pois aquilo que for dito daqueles que não seus cidadãos é dado para sua instrução, ou como enigma para enfeitar sua glória" p. 123

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João Cassiano (360-435)

1. sentido liteiral, que ensina os fatos historicos. Jerusalém- cidade em Israel

2. sentido alegorico, que mostra que os fatos da historia prefiguram a forma de outro mistério - fé = Jerusalém- a igreja de Cristo

3. sentido tropológico ou moral, que oferece explicação moral pertinente à purificação da vida - amor.= Jerusalém - a alma da pessoa

4. sentido anagógico, que tem a ver com mistérios espirituais, que surgem para segredos mais sublimes e sagrados do céu- esperança= Jerusalém-a cidade celestial de Deus.

"O maná pode ser visto, literalmente, como alimento dado milagrosamente aos israelitas; alegoricamente, como bendito sacramento da Eucaristia, tropologicamente, como o sustento espiritual da alma dia após dia pelo poder da habitação do Espirito de Deus, e anagogicamente, como o alimento das benditas almas no céu, a Visão beatífica e união perfeita com Cristo" p. 125