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quinta-feira, abril 16, 2015

DEUS NÃO ESTÁ MORTO: Os argumentos usados nos debates no filme.

Deus não está morto: os argumentos do filme

No  site de apologética bem conservador Answering Genesis, há um artigo  God’s Not Dead Revisited de Roger Patterson que é  bem crítico ao filme pois, segundo ele, utiliza elementos não bíblicos e cristãos como defesa apologética.

Nesse mesmo artigo, há uma transcrição dos debates entre o aluno Josh Wheaton e o professor Radisson, 



PRIMEIRO DEBATE: O BIG BANG

Josh Wheaton : Os ateus dizem que ninguém pode provar a existência de Deus, e eles estão certos. Mas eu digo que ninguém pode negar que Deus existe. Mas a única maneira de debater esta questão é olhar para a evidência disponível, e é isso que vamos fazer. Nós vamos colocar Deus em julgamento; com o professor Radisson como o Ministério Público, me como o advogado de defesa, e você como o júri.


A maioria dos cosmologistas agora concordam que o universo começou há 13,7 bilhões de anos em um evento conhecido como o big bang [imagem de vídeo que ilustra o big bang em segundo plano]. Então, vamos olhar para o físico teórico e descrição do ganhador do Prêmio Nobel Steven Weinberg do que o Big Bang teria parecido. E já que ele é um ateu, podemos ter certeza de que não há qualquer preconceito crente em sua descrição.


"No início, houve uma explosão, e em três minutos, 98% da matéria há nem nunca será produzido. Tivemos um universo. " [On-screen animação do big bang]



Por 2.500 anos a maioria dos cientistas concorda com Aristóteles sobre a idéia de um estado estacionário universo que o universo sempre existiu, sem começo e sem fim. Mas a Bíblia discordou. Nos anos 1920, o astrônomo belga Georges Lemaitre, um teísta, que era, na verdade, também. . .



Aluna 1 : O que é, o que é um teísta?


JW : A teísta é alguém que acredita na existência de Deus. Ele disse que o universo inteiro, pulando em existência em um trilionésimo de um trilionésimo de segundo, do nada em um flash inimaginavelmente intenso de luz, é como ele seria de esperar o universo de responder se Deus realmente proferir o comando em Gênesis 1: 3 : "Haja luz". Em outras palavras, a origem do universo se desenrolou exatamente como seria de esperar depois de ler Genesis, e para 2.500 anos, a Bíblia tinha razão e da ciência tinha errado.

Você vê, no mundo real nunca vemos as coisas de saltar para a existência do nada, mas ateus fará uma pequena excepção a esta regra; principalmente o universo e tudo que nele há.


Aluna 2 : Mas, em seu livro, The God Delusion , Richard Dawkins diz que se você me dizer que Deus criou o universo, então eu tenho o direito de pedir-lhe que criou Deus.



JW : pergunta de Dawkins só faz sentido em termos de um deus que foi criado. Não faz sentido em termos de um Deus eterno, que é o tipo de cristãos acreditam em Deus. E mesmo deixando Deus de fora da equação, então eu tenho o direito de virar Mr. Dawkins própria pergunta de volta ao redor dele e perguntar , se o universo criou você, então quem criou o universo? Você vê, tanto o teísta e o ateu estão sobrecarregados com tanto responder a mesma pergunta de como é que as coisas começam. O que eu estou esperando que você vai pegar a partir de tudo isso é que você não tem a cometer suicídio intelectual para acreditar em um Criador por trás da criação. E na medida em que você não permitir que para Deus, você seria muito difícil encontrar qualquer explicação alternativa credível para como as coisas vieram a ser.


Professor Radisson : Bem, eu imagino que você está muito satisfeito consigo mesmo. Vejo que você cuidadosamente evitado o fato de que Steven Hawking, o cientista mais famoso do mundo e que não é um teísta, saiu recentemente em favor de um universo auto-concepção.



JW : Eu não ter evitado isso, eu só não o fiz. . . .



PR : Você simplesmente não sabe sobre ele. Bem, vamos ver o que o professor Hawking, professor Lucasiano de Física na Universidade de Cambridge, que ocupa uma cadeira de ensino, uma vez ocupada por Sir Isaac Newton, tem a dizer sobre a origem do universo. E passo a citar, "Porque há uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a si mesmo do nada espontaneamente. A criação espontânea é a razão pela qual existe algo em vez de nada; por que o universo existe;por que nós existimos. Não é necessário invocar Deus para definir o universo em movimento, "acabar com cotação. Então você pode nunca ter se deparar com seu comentário, mas o seu ponto permanece. Como você responde a isso?



JW : Eu não sei.



PR : Você não sabe? Eu estourei o balão de todo o seu argumento com uma única agulha e você não sabe. Hein?


JW : Bem, quero dizer, eu gostaria de dizer a você que eu tenho a resposta perfeita, mas isso não abala a minha fé subjacente.


PR : OK. Assim, a maior mente científica de toda a história diz que Deus não é necessário, mas primeiro semestre calouro diz: "Oh, sim, ele é." Uau, você sabe, que vai ser uma escolha muito difícil. Bem, eu olho para a frente a palestra da próxima semana. Classe está dispensada.


Josh Wheaton começa utilizando um argumento que muitos cristãos achariam controverso, que é uma comparação entre a teoria do big bang e o livro de Gênesis. Para alguns teólogos defensores da criação nova, a explicação do filme soa ofensiva ao texto bíblico.



Há três correntes para explicar a criação do mundo que seriam teístas:


A teoria da criação recente, que a maior parte professa, diz que o mundo foi criado recentemente, há "apenas" milhares de anos. A segunda, defende uma criação antiga com bilhões, mas sem o elemento evolutivo, mas sim progressivo da criação. A terceira tenta misturar as idéias de uma criação com o potencial evolutivo, tenta juntar darwinismo com teísmo.



O argumento utilizado parece muito com o  Argumento Cosmológico de Leibniz, chamado também de Princípio da Razão Suficiente:



  1. - Tudo que existe tem uma explicação para existir, seja por necessidade de sua própria natureza ou seja por uma causa externa
  2. -Se o universo tem uma explicação para existir essa explicação é Deus
  3. - O universo existe
  4. - O universo tem uma explicação para existir.
  5. -A explicação do universo existir é Deus.

O professor Raddison responde ao argumento ontológico, com a resposta ao segundo argumento de que o universo deve existir necessariamente, por uma necessidade de sua própria natureza. 

William Lanne Craig responde que o universo não existe por uma necessidade de sua própria natureza:


Minha tese de que o universo não existe necessariamente fica ainda mais óbvia quando pensamos que parece ser inteiramente possível que os elementos fundamentais que constituem a natureza poderiam ter sido substâncias inteiramente diferentes as partículas subatômicas que hoje temos. Tal universo se caracterizaria por leis da natureza diferentes. Ainda que tomemos nossas leis da natureza como algo logicamente necessário, ainda assim é possível que existissem diferentes leis por causa das substancias dotadas de propriedades e capacidades diferentes das nossas partículas subatômicas poderiam ter existido. Nesse caso estaríamos claramente lidando com outro tipo inteiramente diferente de universo. (Em Guarda, p. 70)
De acordo com a premissa 1, há dois tipos de entes: entes necessários, que existem em razão de sua própria natureza e , portanto, não devem sua existência a nenhuma causa externa, e entes contingentes, cuja existência se deve a fatores externos causais a si mesmos.  

Números, conjuntos e outros objetos matemáticos seriam exemplos do primeiro. Objetos físicos como planetas, estrelas do segundo.

Na cosmovisão ateísta, o universo simplesmente existe como coisa bruta e contingente. 

Contudo, o universo abrange a realidade inteira. Sendo que a causa do universo deve ser anterior a existência do próprio universo, Devendo transcender o espaço e o tempo e, portanto, não pode ser física e nem material.  Contudo, há somente duas espécies de coisas que poderiam se encaixar em tal descrição: um objeto abstrato - um número, por exemplo- ou uma mente - uma alma-.   

Um número não poderia ser a causa de coisa alguma, então, se há uma explicação para o universo, esta deve ser uma Mente transcendente, incorpórea, criadora do universo, o que as pessoas costumam chamar de Deus.

Para escapar deste argumento, o ateu deve requerer que a explicação para o universo não se encontre num plano externo, mas si na necessidade da própria natureza. 

"Nenhum ateu, creio eu, ousará sugerir que alguns quarks, embora pareçam ser simples quarks, têm uma propriedade especial oculta que os torna necessários, de tal modo que onde quer que haja um universo, dele façam parte. É tudo ou nada aqui. Contudo, ninguém acredita que os quarks existam devido a uma necessidade própria da sua natureza. Portanto, a existência do universo não se deve também a uma necessidade da sua própria natureza" (CRAIG, Apologética Contemporânea, p. 105)

Para Craig, o argumento de Leibniz é reforçado pelo Argumento Kalam:

1. Tudo o começa a existir tem uma causa.
2. O universo começou a existir 
3. Portanto, o universo tem uma causa.



SEGUNDO DEBATE: A EVOLUÇÃO BIOLÓGICA


Aqui está uma transcrição do segundo debate discutindo biológica evolução para você examinar:

JW : [Stephen Hawking] também escreveu um livro chamado The Grand Design , que diz o seguinte: ". Porque existe uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a si mesmo do nada" Para ser honesto, eu não sabia como para refutar isso. Quero dizer, afinal de contas, Hawking é claramente um gênio. Mas, Professor John Lennox, que ensina matemática e filosofia, tem demonstrado que não há um, até mesmo dois, mas três erros de lógica contida no que uma frase simples, e tudo se resume ao raciocínio circular. Hawking está basicamente dizendo que o universo existe porque o universo necessário para existir, e porque o universo necessário para existir, por isso, criou-se. É como esta, se eu digo a você que eu posso provar que o lixo é a melhor comida de degustação que jamais existiu, porque em toda a história, sem comida já provei melhor, você provavelmente me olhe estranho e dizer que eu não tenho provado nada, e você estaria certo.Tudo o que eu tenho feito é reafirmar o meu pedido inicial. Mas quando Hawking afirma que o universo criado em si porque precisava criar a si mesmo e, em seguida, oferece isso como uma explicação de como e por que ele foi criado, nós não reconhecer imediatamente que ele está fazendo a mesma coisa, mas ele é, o que levou Lennox a mais comentários, "Frase sem sentido permanece absurdo mesmo quando falada por cientistas famosos, apesar de o público em geral assume que eles são declarações de ciência."





PR : Este é o cúmulo da arrogância. Você está me dizendo que você, um calouro, estão dizendo que Stephen Hawking é errado?




JW : Não, o que eu estou dizendo é que o raciocínio de John Lennox, um professor de matemática e filosofia, tem encontrado Professor Hawking para ser defeituoso, e eu concordo com a sua lógica. Mas, mas, se você não pode suportar a discordar com o pensamento de Hawking, então eu sugiro que você volte para a página cinco de seu livro, onde ele insiste filosofia está morto. E se você tem tanta certeza da infalibilidade do Professor Hawking, e filosofia está realmente morto, então, uh, bem, não há realmente nenhuma necessidade para esta classe.




[Risos da classe; seguido por uma pausa na cena do debate para uma sessão de aconselhamento entre o pastor e namorada do professor Christian Radisson.]




JW : Senhoras e senhores do júri, durante os últimos 150 anos, os darwinistas têm vindo a dizer que Deus é desnecessário para explicar a existência do homem e que a evolução substitui Deus, mas a evolução só diz o que acontece quando você tem a vida. Então, onde fez que algo que está vivo vem? Bem, Darwin nunca abordou a questão.Ele assumiu talvez algum raio atingiu uma poça estagnada completo do tipo certo de produtos químicos-Bingo-a algo vivo. Mas, uh, é só não é tão simples. Você vê, Darwin afirmou que a ascendência de todos os seres vivos que vieram de um único organismo simples que reproduziu e foi lentamente modificada ao longo do tempo para as formas de vida complexas que vemos hoje, é por isso que depois de contemplar sua própria teoria de Darwin pronunciou sua famosa declaração, "Natura non facit saltum", ou seja, "a natureza não dá saltos." Bem, como se referiu, autor Lee Strobel salientou que, se você pode imaginar todo o 3800000000 anos que os cientistas dizem que a vida tem sido em torno de um dia de 24 horas, no espaço de apenas cerca de 90 segundos a maioria dos principais grupos de animais de repente aparecem nas formas em que actualmente detêm, não lenta e progressivamente como Darwin previsto, mas em termos evolutivos quase que instantaneamente. Assim, "a natureza não dá saltos" torna-se "a natureza dá um salto gigante." Então como é que os teístas explicar essa súbita explosão de novas informações biológicas?

E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. Gênesis 1:20-21




Em outras palavras, Criação aconteceu porque Deus disse que deveria acontecer. E mesmo o que olha para os nossos olhos para ser um processo não guiado cego poderia realmente ser divinamente controlado do início ao fim.

Antes de entrar no debate sobre a Teoria da Evolução, o aluno volta ao tema anterior, que era da Argumentação Ontológica, mostrando que os argumentos de Hawking são falaciosos.

Quanto a questão da Teoria da Evolução de Darwin, o aluno se posiciona contrário a ela. Ele defende a teoria da criação tardia.

A ideia é que a terra tem mais do que milhares de anos como a teoria anterior, mas bilhões de anos. É chamado de progressivo, porque entende-se que existiriam eras progressivas de criação na criação da terra. Do ponto de vista escriturístico, esta interpretação coloca alguns textos bíblicos em uma interpretação alegórica, é comum pensar-se o dilúvio como um evento local. Do ponto de vista probatório, faltam evidências científicas.

No livro que baseia o filme, Rice Broocks diz:

"A seleção natural é um processo cego que vagarosamente seleciona pequenas diferenças entre os indivíduos nas espécies para sobreviver sobre outros. Com o tempo, as diferenças benéficas, como um tamanho maior, ser mais dominante numa população. Estas pequenas diferenças são cridas para acumular com o passar do tempo e eventualmente causar uma transformação radical nas espécies. A seleção natural combinada com as mutações são vistas como a explicação para a toda variedade de vida como também para emergência de novas espécies. Para isto acontecer, a vida devera ter emergido gradualmente através de milhões de anos."

Alguns cristãos, defendem a idéia de que a a seleção natural foi o modo como Deus criou as espécies, não vendo contradição entre a Teoria da Evolução e a Fé Cristã.

Nem o filme tampouco o autor no livro base do filme defendem esta idéia. Ambos defendem o conceito de design inteligente, já que houve um processo rápido de consolidação das espécies que não poderia acontecer por puro acaso. Sem uma inteligência por trás do universo, poderia a sorte somente criar tudo conforme Darwin.

Vejamos como o blog cristão Desafiando a nomenclatura científica, descreve o design inteligente:

O Design Inteligente (DI) é uma teoria científica que emprega os métodos comumente usados por outras ciências históricas para concluir que certas características do universo e das coisas vivas são mais comumente explicadas por uma causa inteligente, não por um processo não guiado como a seleção natural. Os teóricos do DI argumentam que o design pode ser inferido estudando-se as propriedades informacionais dos objetos naturais para determinar se eles portam o tipo de informação que em nossa experiência surgem de uma causa inteligente. A forma de informação que nós observamos é produzida por uma ação inteligente, e assim indicar seguramente o design, que é geralmente chamado de “complexidade especificada” ou “informação complexa e especificada” (ICE). Um objeto ou evento é complexo se ele for improvável, e especificado se corresponder a algum padrão independente. (A ciência por detrás do design inteligente?)
Há um conceito de complexidade irredutível, que diz que muitas estruturas nos organismos tem partes numerosas em si e algumas delas não possui função. A teoria da seleção natural se propõe a explicar  que tudo tem que ter uma função para sua existência por causa da evolução

No livro "Deus não está morto", Rice Broocks descreve alguns exemplos dessa complexidade irredutível, tais como: flagelo bacteriano, a evolução do olho, o DNA lixo. 

Existe uma evidência para o design vista na complexidade da vida num nível menor. A vida não parece ser apenas desenhada mas também uma obra de engenharia em suas escalas mais microscópicas. 

A teoria darwiniana falha em dar conta de toda a diversidade e complexidade da vida. 



TERCEIRO DEBATE: O PROBLEMA DO MAL.

JW : Bem, por que não? O professor Radisson, que é claramente um ateu, não acredita em absolutos morais. Mas seu plano de estudos diz que pretende dar-nos um exame durante a semana de provas finais. Agora, eu estou apostando que, se eu consegui obter um A no exame por engano, de repente ele vai começar a soar como um cristão, insistindo que é errado para enganar, que eu deveria ter sabido disso. E, no entanto, que base ele tem? Se minhas ações são calculados para me ajudar a ter sucesso, então por que eu não deveria realizá-las? Para os cristãos, o ponto fixo da moralidade, o que constitui o certo eo errado, é uma linha reta que leva diretamente de volta a Deus.


PR : Então você está dizendo que precisamos de um deus a ser moral? Que um ateu moral é uma impossibilidade?


JW : Não, mas sem Deus não há nenhuma razão real para ser moral; não há nem mesmo um padrão de comportamento que é moral. Para os cristãos, mentir, enganar, roubar e meu exemplo, roubar um grau eu não ganhar, são proibidos como uma forma de roubo. Mas se Deus não existe, como Dostoyevsky apontou famosa: "Se Deus não existe, então tudo é permitido." E não só permitido, mas inútil. Se Professor Radisson está certo, então tudo isso, todos da nossa luta, todo o nosso debate, o que quer que decidir aqui, não tem sentido. Quer dizer, nossas vidas, nossas mortes são consequência de não mais do que a de um peixinho dourado.



PR : Vamos lá, isso é ridículo. Então, depois de toda a sua conversa, você está dizendo que tudo se resume a uma escolha-de-conta ou não acreditam.



JW : É isso mesmo. Isso é tudo o que existe. Isso é tudo o que já existiu. A única diferença entre a sua posição ea minha posição é que você tirar a sua escolha. Você exige que eles escolhem a caixa "Eu não acredito."



PR : Sim, porque eu quero libertá-los. Porque a religião é como um. . . é como um vírus mente que pais passaram para seus filhos. E o cristianismo é o pior vírus de todos. Ele lentamente se arrasta em nossas vidas quando estamos fracos ou doentes ou impotente.



JW : Então a religião é como uma doença?



PR : Sim, sim. Ele infecta tudo. É o inimigo da razão.



PR : Por que você não admitir a verdade? Você só quer iludir-los em sua superstição primitiva.



JW : O que eu quero é para que façam sua própria escolha. Isso é o que Deus quer.



PR : Você não tem idéia do quanto eu estou indo para desfrutar falhando.



JW : Quem você está olhando realmente para falhar, Professor: eu ou Deus?



JW : Você odeia Deus?



PR : Isso não é mesmo uma pergunta.



JW : Ok, por que você odeia Deus?



PR : Isso é ridículo.



JW : Por que você odeia Deus ?! Responda a questão! Você viu a ciência e os argumentos. Ciência apoia Sua existência.Você sabe a verdade! Então, por que você o odeia ?! Por quê ?! É uma pergunta muito simples, Professor. Por que você odeia Deus ?!



PR : Porque Ele tirou tudo de mim! Sim, eu odeio Deus! Tudo que eu tenho por ele é o ódio!



JW : Como você pode odiar alguém, se eles não existem?



PR : Você provou nada.



JW : Talvez não, mas que começa a escolher. Será que Deus está morto?



Estudantes [como estão] : Deus não está morto. Deus não está morto. Deus não está morto. Deus não está morto. Deus não está morto. . . .


JW : Foi dito que o mal é a arma mais poderosa do ateísmo contra a fé cristã. E isso é! Afinal, a própria existência do mal levanta a questão [sic], "Se Deus é tudo de bom e Deus é todo poderoso, por que Ele permite que o mal existe?" A resposta, em sua essência, é extremamente simples: o livre arbítrio. Deus permite que o mal existe, porque do livre arbítrio. Do ponto de vista cristão, Deus tolera o mal neste mundo, numa base temporária para que um dia aqueles que optam por amá-lo livremente vai morar com Ele no céu livre da influência do mal, mas com o seu livre arbítrio intacta! Em outras palavras, a intenção de Deus para o mal é um dia destruí-lo.


PR : Bem, como conveniente. "Um dia, eu vou me livrar de todo o mal no mundo, mas até então você só tem que lidar com todas as guerras e holocaustos, tsunamis, pobreza, fome e  AIDS. Tenha uma boa vida. "Em seguida, ele será dar-nos lições sobre valores morais absolutos.

JW : Razão? Professor, você deixou razão há muito tempo. O que você está ensinando aqui não é filosofia; não é mesmo o ateísmo mais. O que você está ensinando é anti-teísmo. Não é o suficiente para que você não acredita, você precisa de todos nós para não acreditar com você.


No filme como também no livro, a mesma tese é defendida: da impossibilidade da vida moral sem a existência de Deus como padrão para o certo e o errado. 

Devemos nos lembrar que há o problema intelectual e o problema emocional em relação ao mal:
"O problema intelectual do mal diz respeito a como dar uma explicação racional de Deus e do mal. O problema emocional do mal diz respeito a como confortar ou consolar aqueles que estão sofrendo e como dissolver o desprazer emocional que as pessoas têm de um Deus que permite o mal (...) É importante entender essa distinção, porque a solução para o problema intelectual tem a propensão de parecer árida, insensível e desconfortante para alguém que tem passado pelo sofrimento, enquanto que a solução para o problema emocional tem a propensão de parecer deficiente, como uma explicação mal feita por alguém que o contempla abstratamente" (William Lane Craig, Apologética para questões difíceis da vida ,p. 86-87)
No filme, vemos que se trata de um problema emocional claramente que está em questão. 

Para Lanne Craig, há duas abordagens ateístas sobre a questão, o problema lógico, mostrar que Deus e o mal são logicamente incompatíveis e o problema probabilístico, se é possível ambos, a coexistência seria altamente improvável. 

"O ateu raciocina que, visto que Deus é todo-poderoso, ele poderia criar um mundo contendo criaturas livres que sempre escolheriam livremente fazer o que é correto. Tal mundo seria um mundo sem pecado, livre de todos os males morais e humanos. Justament por isso, sendo todo-poderoso, Deus poderia também criar um mundo  no qual nenhum mal natural jamais viesse a ocorrer. Seria um mundo livre do mal, dor e sofrimento" p. 88

Lanne Craig aponta que o ateu não diz que um mundo assim seria um mundo de marionetes. O ateu aponta um mundo em que as pessoas poderiam escolher o certo livremente, do ponto de vista cristão, tal mundo seria possível, pois o pecado não é algo necessário no ser humano.

Pois se o pecado fosse uma necessidade, essa necessidade em última análise teria sua causa em Deus, então, Deus seria a causa do mal. É aí que os ateístas querem chegar, negar a essência de Deus como  totalmente bondoso e imputar a ele a causa do mal.

Lanne Craig cita David Hume "Se ele quer evitar o mal, mas não é capaz de fazê-lo, então ele é impotente. Se ele é capaz, mas não quer evitá-lo, então ele é malévolo. Ora, se ele quer evitar o mal e é capaz de evitá-lo, então como se explica o mal?" (p. 89)

Para Lanne Craig, há um argumento falacioso aqui:

"Em primeiro lugar, não é necessariamente verdadeiro que um Deus todo-poderoso possa criar exatamente qualquer mundo possível. O fato de Deus ser todo-poderoso não significa que ele possa fazer impossibilidades lógicas, tais como fazer um quadrado redondo, ou fazer alguém escolher livremente tomar uma atitude" p. 89

Ele baseia o problema do mal na liberdade da escolha que Deus deu:

" Assim, se Deus concede às pessoas uma liberdade genuína para escolher o que gostam,então é impossível para ele determinar quais serão as escolhas delas. Tudo que ele pode fazer é criar circunstâncias nas quais uma pessoa seja capaz de fazer uma escolha livre e, então deixar que a escolha seja feita" p. 90

São as criaturas que produzem o mal devido a suas escolhas, e Deus não pode fazer nada a não ser que eliminasse a livre escolha delas. 

Em termos filosóficos, o mal é um acidente na escolha humana, é algo que veio da liberdade. Quanto aos males naturais, Lanne Craig diz que são devidos a atuação de demônios, afinal, como os seres humanos, os seres espirituais também são dotados da mesma liberdade.

Lanne Craig termina a argumentação com a seguinte declaração:

"Assim, a primeira suposição feita pelo oponente ateu- a saber, que um Deus todo-poderoso pode criar qualquer mundo que ele escolha criar- não é necessariamente verdadeira" p. 90

Há também um segundo ataque nesta questão.

"Eles podem admitir que não há nenhuma inconsistência entre Deus e o mal em geral, mas ainda argumentam que a existência de Deus é inconsistente com a quantidade e com a qualidade do mal  no mundo (...) Deus não pode ter razões suficientes para permitir a quantidade e os tipos de males que existem" p. 92

Este argumento me parece o mais próximo do texto de Clarice, a resposta Lanne Craig toma de Alvin Platinga:

"Deus não poderia ter criado um mundo que tivesse tanto bem como o mundo real, mas que tivesse menos mal, tanto em termos de quantidade como de qualidade,e, além disso, Deus tem razões moralmente suficientes para o mal que existe" p. 94

No segundo capítulo sobre sofrimento e o mal, que trata do problema probabilístico, Lanne Craig traz a resposta cristã ao sofrimento, as razões morais de Deus para permitir a dor:

  • 1. O propósito principal da vida não é a felicidade, mas o conhecimento de Deus.
  • 2. A raça humana está no estado de rebelião contra Deus e seu propósito.
  • 3. O propósito de Deus não está restrito a esta vida, mas se derrama além da sepultura para a vida eterna.
  • 4.O conhecimento de Deus é um bem incomensurável.

Ele termina esse capítulo com uma frase que vale a pena ser transcrita:

"Paradoxalmente, então, ainda que o problema do mal seja a maior objeção à existência de Deus, no fim do dia Deus é a única solução para o problema do mal. Se Deus não existe, então nós estamos perdidos, sem esperança na vida e cheios de sofrimentos desnecessários e irreparáveis. Deus é a resposta final para o problema do mal, pois ele nos redime do mal e nos leva para a alegria eterna de um bem incomensurável: a comunhão com ele" p. 121



Concordo com o autor, Deus criou os seres humanos para viverem dependentes dEle, quando saímos da esfera da receptividade, sendo influenciados pelo nosso inimigo, negamos a Ele e damos ocasião ao mal.

C.S. Lewis coloca isto assim:

A condição mínima de autoconsciência e liberdade seria então que a criatura devesse apreender a Deus e, portanto, ela mesma fosse diferente de Deus. É possível que tais criaturas existam, conscientes de Deus e de si mesmas, mas não de seus semelhantes. Caso positivo, sua liberdade é simplesmente aquela de fazer uma única e singela escolha: amar a Deus mais do que ao "eu" ou ao "eu" mais do que a Deus. Mas uma vida assim reduzida aos essenciais não pode ser concebida por nós. No momento em que tentamos introduzir o conhecimento mútuo dos semelhantes encontramos o obstáculo da necessidade da "Natureza".  (p.11)

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ALVIN PLANTINGA- DEUS, A LIBERDADE E O MAL

A existência de Deus nem é impedida pela existência do mal nem se torna improvável. É claro que o sofrimento e o infortúnio podem, apesar disso, constituir um problema para o teista, mas o problema não é que as suas crenças são logicamente ou probalisticamente incompatíveis. O teísta pode encontrar um problema religioso no mal, na presença do seu próprio sofrimento ou do sofrimento de alguém que lhe seja próximo, o teísta pode ter dificuldade em manter o que considera ser a atitude própria diante de Deus. Diante do grande sofrimento ou infortúnio, o teísta pode sentir-se tentado a rebelar-se contra Deus, agitando o seu punho na face de Deus, abandonando ate sua crença em Deus. Tal problema pede cuidado pastoral e não esclarecimento filosófico. A defesa do livre-arbitrio, contudo, mostra que a existência de Deus é compatível, tanto lógica como probalisticamente, com a existência do mal, assim, resolve o problema filosófico principal do mal (p. 84)

quarta-feira, junho 12, 2013

Algumas colagens sobre Revelação Geral e Especial



REVELAÇÃO GERAL E ESPECIAL.
“Visto que realidade de Deus é premissa para a veneração humana de Deus, religião tem por ponto de partida o conhecimento de Deus. Conhecimento de Deus, porem, pode ser conhecimento verdadeiro, correspondente à realidade de Deus, somente sob a condição de ter sua origem na própria divindade(PANNENBERG, Wolfhart Teologia Sistemática Santo André:Editora Paulus/Academia Cristã,2009, Vol. 1, p. 261)

Neste texto, será apresentado alguns conceitos a respeito da Revelação Geral e da Revelação Especial. O método que será utilizado vem de cinco textos bíblicos citados pelo professor Franklin Ferreira em sua obra Teologia Cristã, quando trata a respeito do tema da revelação geral. Que são: Gn 1:1, Sl 19:1-6, At. 17:22-31, Rm 1:18-23 e Rm 1:24-32.
Este é um trabalho inicial, não tem pretensões de criar teoria, mas tentar expor diversos pensamentos a respeito do tema seguindo como guia o primeiro do livro Teologia Cristã.

O que seria Revelação.
Alister McGrath, em seu livro Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, aponta quatro formas como podemos entender o que significaria revelação:
a.       Doutrina: se refere à informação relativa à natureza de Deus dada pela Bíblia (Carl Henry, J.I.Packer, Karl Barth)
b.      Presença: seria a junção das informações e a presença pessoal de Deus (Brunner, Buber).
c.       Experiência: Deus se revela através da experiência pessoal (Schleirmacher, Ritschl)
d.      História: revelação seria um evento histórico notório e universal reconhecido e interpretado como um ato divino (Pannenberg).

     A Revelação Geral
A revelação geral é a revelação de Deus para todos os seres humanos, sendo que os meios tradicionais de revelação geral são três: a natureza, a história e a constituição do ser humano segundo vaticina Millard Erickson.

a.       No princípio, criou Deus os céus e a terra (Gênesis 1:1)
A Escritura sagrada não busca provar a existência de Deus, ela parte do pressuposto que Deus já existe e se comunica aos homens.
“Contra a tendência universal das religiões primitivas de deificar a criação. Genesis 1 apresenta um quadro totalmente diferente. Os vários aspectos da criação, como o mar, o ceu, as estrelas, são apresentados como criações inanimadas que servem aos propósitos de Deus. Não são seres vivos e muito menos divinos. Não tem poder de determinar o que será o futuro e não merecem o temor, nem o louvor do homem. A criação dos animais também aponta sua inferioridade a Deus. Os animais não são objeto de louvor. A criação revela a glória de Deus, mas não deve jamais ser confundida com o divino. Deus é distinto da criação”  (FERREIRA,Franklin e MYATT, Alan Teologia Sistemática, p.69)

b.      Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz. A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol, O qual é como um noivo que sai do seu tálamo, e se alegra como um herói, a correr o seu caminho. A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até à outra extremidade, e nada se esconde ao seu calor.  (Salmos 19:1-6)
Segundo Karl Barth, que não aceitava o conceito de revelação geral:
a revelação é uma automanifestação de Deus. Ele se dá a conhecer a si mesmo. A revelação apresenta ao homem, como suposto e como confirmação, o fato de que as tentativas humanas para conhecer a Deus por seus próprios meios são vãs. Isto não é um principio teórico, senão uma realidade prática. Na revelação, Deus diz ao homem que é Deus e que, como tal, Senhor do homem. Com isto a revelação diz ao homem algo completamente novo. Algo que, se a revelação, não pode nem saber, nem dizer aos outros. Que o homem possa conhecer a Deus, somente pode afirma-lo com verdade a revelação” (BARTH, Karl Revelação de Deus como sublimação da religião Fonte Editorial, p.44)

A revelação geral na natureza
A revelação geral é geral em dois sentidos, segundo Bernard Ramm, primeiro, porque ela é uma revelação geral para todos os homens sem diferenciar algum homem ou povo especificamente. E também porque é uma classe geral da revelação, é aquela que se dá sem linguagem verbal, como vemos no verso 4 do Salmo 19.

“Em essência, é a idéia de que Deus nos deu uma revelação objetiva, valida e racional acerca de si mesmo por meio da natureza, da história e da personalidade humana. Ela é acessível a todas as pessoas que queiram observá-la. A revelação geral não é a natureza interpretada por aqueles que conhecem a Deus por outros meios, ela já está presente, pela criação e pela providência contínua de Deus” (ERICKSON, Millard Introdução a Teologia Sistemática, São Paulo: Edições Vida Nova, 1997, p.49)

Teologia Natural.
A revelação geral não faz com que o descrente possa chegar até Deus, não existe a possiblidade de uma teologia natural, que é uma acomodação do motivo básico graça-natureza conforme Dooyeweerd:
"Na esfera natural, uma autonomia relativa foi atribuída à razão humana, que supostamente seria capaz de descobrir as verdades naturais por sua própria luz. Na esfera sobrenatural da graça, pelo contrário, o pensamento humano era considerado dependente da autorrevelação divina" (DOOYEWEERD, Herman No Crepusculo do Pensamento Ocidental Editora Hagnos p. 96)
Contudo,
 "A tentativa tomista de sintetizar os motivos opostos de natureza e graça, e a atribuição de primazia ao último, encontrou uma clara expressão no adágio: gratia naturam non tollit, sed perfecit ( a graça não cancela a natureza, mas a aperfeiçoa) (...) Qualquer ponto de conexão entre as esferas natural e sobrenatural foi negado. Isso foi a introdução para uma transferência da primazia para o motivo da natureza. O processo de secularização da filosofia havia começado" (DOOYEWEERD, Herman No Crepusculo do Pensamento Ocidental Editora Hagnos p. 97)

Por causa da razão continuar ser autônoma e não foi afetada pelo pecado, o conhecimento da criação e da história é possível para todas as pessoas. Na Teologia Sistemática, Franklin e Myatt apontam cinco caminhos tomistas para Deus: a. o caminho da mutação, b. o caminho da causalidade eficiente, c. o caminho da contigencia, d. o caminho dos graus de perfeição e d. o caminho do finalismo.

“Na teologia natural, a razão usurpa o lugar da fé. Seu resultado é um conhecimento abstrato e impessoal. Em vez de chegar a Deu, ela agarra um sonho fabricado pelo diabo. Por outro lado, a cruz de Cristo significa o fim de toda especulação sobre a natureza invisível de Deus” (FERREIRA, Franklin MYATT, Alan Teologia Sistemática, São Paulo: Edições Vida Nova,  p. 60)


c.       E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio.O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens. Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.  (Atos 17:22-31)

Transcendência, imanência e cognoscibilidade.
“Devemos notar que um dos argumentos centrais desse sermão é: todas as coisas foram criadas por Deus, e esse Criador é distinto de toda a criação – aliás, o argumento é contundente. Ainda que todas as coisas cridas sejam impressionantes, o Senhor do céu e da terra está acima de toda a criação. E Deus  também não pode ser alcançado pelos seres humanos. Não é o esforço religioso ou piedoso que leva Deus a incluir os seres humanos em sua aliança”  (FERREIRA, Franklin Teologia Cristã,  São Paulo: Vida Nova, p. 39)
Existe a necessidade da revelação por causa da transcendência de Deus e da sua incompreensibilidade. Para entender a transcendência divina, devemos lembrar que Deus é transcendente e imanente, assim, sabemos que Deus é o Senhor da Aliança e que está envolvido com suas criaturas, mas Deus não é aquele que está infinitamente distanciado da criação e também não é idêntico à criação.
Quanto a incompreensibilidade, John Frame nos ensina que “não é inapreensibilidade (ié., incognoscibilidade), porque a incompreensibilidade pressupõe que Deus é conhecido. Dizer que Deus é incompreensível é dizer que o nosso conhecimento jamais é equivalente ao conhecimento que Deus tem, que nunca o conhecemos precisamente como ele se conhece” (FRAME, John M. A doutrina do conhecimento de Deus Cultura Cristã, p. 37)
O que existe é a descontinuidade entre nossas ideias e as de Deus, os pensamentos de Deus são incriados e eternos e os nossos são criados e limitados, por exemplo. Por outro lado, há uma continuidade, os pensamentos humanos somente são verdadeiros na medida de sua conformidade às normas divinas para o pensar o humano.
“Porque ele controla perfeitamente a nossa obra interpretativa, todo o nosso pensamento é uma revelação dele e uma manifestação da sua presença. Assim, não temos necessidade de temer que a obra da mente humana esteja necessariamente competindo com a autoridade de Deus, porque o Senhor se revela em nosso pensar e por meio deste. Dai, a liberdade humana não tem necessidade de bloquear a revelação de Deus” (FRAME, John M. A doutrina do conhecimento de Deus Cultura Cristã, p. 45)

d.      Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.  (Romanos 1:18-23)
Por que todos os homens conhecem a Deus?
Já vimos que há conhecimento ainda que não regenerador de Deus na natureza externa e na história, contudo, há também este conhecer no interior do ser humano, como se fosse um conhecimento intuitivo de Deus. A passagem paulina é clara os homens conhecem a Deus mas sufocam este conhecimento com a idolatria. Como é este conhecimento interior?
Mais uma vez, Dooyeweerd complementa dizendo que:
Uma vez que a imagem de Deus no homem relaciona-se com a radix, ou seja, o centro religioso e raiz de nossa existência temporal total, segue-se que a queda no pecado pode apenas ser entendida no mesmo sentido bíblico radical. A queda no pecado pode ser resumida como uma ilusão surgida no coração humano,  quando o eu humano creu possuir uma existência absoluta como o próprio Deus. Essa foi a falsa insinuação de satanás à qual o homem deu ouvidos - serás como deus". Essa apostasia em relação ao Deus vivo implicou na morte espiritual do homem, pois o eu humano não é nada em si mesmo e pode apenas viver da palavra de Deus e na comunhão amorosa com seu Criador divino. Entretanto, o pecado original não poderia destruir o centro religioso da existência humana e o seu impulso religioso inato de buscar a sua origem absoluta. Ele poderia apenas conduzir esse impulso central para um direção falsa, apóstata, desviando-o em direção ao mundo temporal com sua rica diversidade de aspectos, os quais, entretanto, têm apenas um sentido relativo" (DOOYEWEERD, Herman No Crepusculo do Pensamento Ocidental Editora Hagnos p. 260)

Por fim, a conclusão de FERREIRA e MYATT leva a questão do ponto de contato entre o regenerado e o não regenerado:
“mediante uma iluminação que atinge todos os homens, cada pessoa percebe claramente a existência, o poder e a justiça de Deus. Entretanto, nenhuma delas louva e serve a Deus, por causa do pecado que reina no coração humano. Alias, todos sabem que Deus existe e reconhecem que ele é o criador, o Rei soberano, pefeito, infinito e o juiz do mundo. Existe “terreno comum” entre o descrente e o crente, porque todos têm em comum esse conhecimento de Deus. Conhecimento que pode ser usado como base para evangelizar o não-crente e para a apologética. Essa revelação não é suficiente para salvar porque não revela o evangelho, mas é suficiente para condenar justamente todos os homens” (FERREIRA,Franklin MYATT, Alan  Teologia Sistemática, p. 63)
Em Apologética para o século XXI, Alister McGrath buscando fundamentar um ponto de contato em Calvino diz:
“Calvino afirma que é possível discernir um conhecimento geral de Deus por intermédio de sua criação: na humanidade, na ordem natural e no processo histórico em si. Esse conhecimento consiste em duas áreas principais: uma, subjetiva, outra objetiva. A primeira área é definida como “senso da divindade” (sensus divinitatis) ou “semente da religião” (semem religionis), implantada em todo ser humano por Deus (I,iii, I.v.1). Deus dotou os seres humanos de uma percepção inata ou pressentimento de sua existência. É como se alguma coisa acerca de Deus tivesse sido gravada no coração de cada ser humano (I,x,3). Calvino aponta três consequências dessa consciência inata da divindade: a universalidade da religião (que, se permanecer não informada pela revelação cristã, degenera em idolatria (I,iii,1), uma consciência perturbada (I.iii.2) e um temor servil de Deus (I.iv.4). Todas essas coisas, segundo Calvino, podem servir de ponto de contato para a proclamação cristã” (MCGRATH, Alister Apologética para o século XXI, Editora Vida, p. 41-42)

O ponto de contato entre crentes e descrentes é um fato de divisão na apologética contemporânea, de um lado, há os evidencialistas, que afirmam existir um terreno comum e, por outro lado, há os pressuposicionalistas, que não admite um ponto de contato, entretanto, aceitam a ideia de uma revelação geral.
Vejamos o que diz John Frame, um pressuposicionalista:
"O ponto não é se os descrentes são simplesmente ignorantes da verdade. Antes, Deus se revelou a cada pessoa com evidente claridade, tanto na criação - Sl 19, Rm 1:18-21- quanto na natureza do homem - Gn 1:26ss-. Em certo sentido, o incrédulo conhece a Deus (Rm 1:21). Em algum nível de sua consciência ou inconsciência permanece tal conhecimento.  A despeito desse conhecimento, o incrédulo intencionalmente distorce a verdade, substituindo-a pela mentira (Rm 1:18-32, 1Co 1:18-2:16- observe especialmente 2:14-,2Co 4:4). Portanto, o descrente é enganado (Tt 3:3). Ele conhece a Deus (Rm 1:21)e, ao mesmo tempo, não conhece a Deus (1Co 1:21, 2:14). Evidentemente, esses fatos suportam o ponto de que a revelação de Deus tem de governar  a nossa aproximação apologética. O descrente não pode ( e não quer) chegar à fé  à parte do evangelho da salvação revelado na Bíblia. Nós também não saberíamos a respeito da condição do incrédulo à parte da Escritura. E não poderemos alcançá-lo apologeticamente a menos que estejamos dipostos a ouvir os princípios apologéticos da própria Escritura" (FRAME, John Apologética para a glória de Deus São Paulo: Cultura Cristã, p.17)

e.      Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem. (Romanos 1:24-32)

Por que todos os homens não conhecem a Deus?
Os seres humanos não conseguem agir à altura da revelação que eles carregam interiormente, no coração. O fato de termos sido criados como seres morais nos torna indesculpáveis perante Deus (FERREIRA, Franklin Teologia Cristã, p. 42)

“A natureza moral e espiritual da humanidade reflete, mesmo de forma bastante inadequada, o caráter moral de um Criador santo e perfeito. Uma consciência universal (por mais distorcida) da conexão entre a humanidade e Deus é afirmada repetidas vezes nas Escrituras. Que o diga o teste¬munho dos missionários e antropólogos.30 Romanos 2 confir¬ma a validade da revelação divina através da natureza hu¬mana, mesmo à parte de qualquer revelação especial (Rm 2.11-15). Os que não possuem a Lei Mosaica "fazem natural¬mente as coisas que são da lei", pois "mostram a obra da lei escrita no seu coração" (Rm 2.14,15). Até mesmo os que se acham alienados de Deus por causa do pecado não estão destituídos da consciência moral e dos impulsos que refletem as normas de conduta. A graciosa revelação moral de Deus ao coração humano tem preservado a raça adâmica de irrefreada autodestruição”.  (HORTON, Stanley  Teologia Sistemática Rio de Janeiro:CPAD, p.40)

A doutrina da revelação geral nos mostra que Deus já se revelou no mundo, sendo conhecida a verdade da criação para todas as criaturas na natureza, na história e no coração (ou mente) do homem, contudo por causa do pecado, há uma interpretação distorcida destes fatos que leva a todos à condenação por termos transformado a verdade em mentira, servindo às criaturas e não ao Criador.
A revelação geral nos leva ao conhecimento do Deus criador, enquanto que somente a revelação especial pode nos levar ao conhecimento do Deus redentor e salvador.
Outra questão é a própria natureza finita do ser humano:
“Sendo os seres humanos finitos e Deus, infinito, não podemos conhecer a Deus, a menos que ele se revele para nós, ou seja, a menos que ele se manifeste aos humanos de tal forma que estes possam conhecê-lo e ter comunhão com ele” (ERICKSON, Millard Introdução a Teologia Sistemática, São Paulo: Edições Vida Nova, 1997, p.41)

A Revelação Especial é uma revelação remediadora?
Para Erickson, não:
“É comum a ideia de que a revelação especial seria um fenômeno posterior à queda, exigido pelo pecado humano. Com frequência, ela é considerada remediadora (...) O relato sobre Deus à procura de Adão e Eva no Jardim, após o pecado deles (Gn 3:8), dá a impressão de que esse foi um de vários encontros especiais que ocorreram. Além disso, as instruções dadas aos homens (Gn 1:28) acerca da posição e da atividade deles na criação insinuam uma comunicação especial do Criador para a criatura; não parece que tais instruções  fossem meramente inferidas pela observação da ordem criada. Sendo assim, a revelação especial foi anterior à queda” (ERICKSON, Millard Introdução a Teologia Sistemática, São Paulo: Edições Vida Nova, 1997, p.57)

Para Ramm, sim:
“A revelação especial é remediadora porque é o meio que Deus emprega para alcançar o pecador com uma verdade que o salve e o restaure; é também, o conhecimento de Deus ajustado e dado aos pecadores, é a muleta remediadora, a bandagem curadora, as lentes corretivas, para o pecadores coxos, feridos e cegos. Para esses pecadores  a revelação geral já não basta. A revelação remediadora é revelação da graça. No pecado há uma terrível perda: perdeu-se o conhecimento valido de Deus (Rm 1:25)” (RAMM, Bernard  REVELAÇÃO ESPECIAL E A PALAVRA DE DEUS, Fonte Editorial, p. 22)


A necessidade de um novo coração.
"Assim, o tema central das Escrituras sagradas, ou seja, a criação, queda no pecado e redenção por Jesus Cristo na comunhão do Espírito Santo, tem uma unidade radical de sentido que está  relacionada à unidade central da existência humana. Ele efetiva o verdadeiro conhecimento de Deus e de nós mesmos. se nosso coração estiver realmente aberto para o Espírito Santo de forma a se encontrar cativo da palavra de Deus e prisioneiro de Jesus Cristo. À medida em que esse sentido central da palavra-revelação estiver em questão, encontrar-nos-emos além dos problemas científicos, tanto da teologia como da filosofia. Sua aceitação ou rejeição é uma questão de vida ou morte para nós, e não uma questão de reflexão teórica. Nesse sentido, o motivo central das sagradas Escrituras é o ponto de partida comum, supracientífico, tanto de uma teologia bíblica quanto de uma filosofia realmente cristã. Ele é a chave do conhecimento, a qual Jesus Cristo mencionou em sua discussão com os escribas e doutores da lei. Ele é a pressuposição religiosa de qualquer pensamento teórico capaz de reivindicar para si, com justiça, a posse de um fundamento bíblico. Mas, como tal, ele nunca poderá se tornar o objeto teórico da teologia, assim como Deus e o eu humano não podem se tornar esse objeto" (DOOYEWEERD, Herman No Crepusculo do Pensamento Ocidental Editora Hagnos p. 188)

Finalmente, a necessidade do novo nascimento para que possamos entender e compreender a revelação de Deus.  Acredito que há pontos em comum, contudo, não são argumentos que transformam o coração do descrente, somente a revelação especial realizada pelo Espírito Santo.
Há um trabalhar da Trindade que deseja ser conhecida por nós. O Pai que conhece tudo e a todos se revela a nós através do seu Filho que mediante a obra do Espírito atua em nosso coração.
Concordo com a noção de James W.Sire a respeito da cosmovisão, que ela “é um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expresso como uma estória ou num conjunto de pressuposições (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas) que sustentamos (consciente ou subconscientemente) sobre a constituição básica da realidade, e que fornece o fundamento no qual vivemos, nos movemos e existimos(SIRE, James W. Dando nome ao Elefante Brasília:Editora Monergismo, 2012, p. 179)
“Chamo piedade à reverência associada com o amor de Deus que nos faculta o conhecimento de seus benefícios. Pois, até que os homens sintam que tudo devem a Deus, que são assistidos por seu paternal cuidado, que é ele o autor de todas as coisas boas, daí nada se deve buscar fora dele, jamais se lhe sujeitarão em obediência voluntária. Mais ainda: a não ser que ponham nele sua plena felicidade, verdadeiramente e de coração nunca se lhe renderão por inteiro.” (CALVINO, João Institutas,1.II.1)

Conclusão
Por fim, termino este trabalho, voltando ao começo, os textos bíblicos. Em sua obra Teologia Sistemática, FERREIRA E MYATT fazem uma concatenação interpretativa dos trechos bíblicos aqui levantados:
“Nossa exegese das Escrituras mostra que Deus é revelado no mundo físico (Sl 19:1-6; Rm 1:18ss), na lei moral presente no coração do homem (Rm 2:14-15) e na história (At 17:26-27). A complexidade do mundo, com suas leis, ordem e beleza, revela os atributos invisíveis de Deus. O invisível é visto através do visível. A racionalidade suprema e absoluta de Deus é revelada na ordem racional da criação. Assim, a eternidade, a divindade, o poder, a sabedoria e a glória de Deus são revelados (sl 29:4, 93:1,4;104:24, Rm 1:20)” (FERREIRA,Franklin MYATT, Alan  Teologia Sistemática, p. 73)