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segunda-feira, agosto 17, 2015

Jonathan Edwards: CARIDADE OU AMOR, A SUMA DE TODA VIRTUDE.


MENSAGEM 1: CARIDADE OU AMOR, A SUMA DE TODA VIRTUDE.


A primeira mensagem tem como objetivo demonstrar que toda a virtude salvífica que distingue os cristãos genuínos está sumariada no amor.

Sendo que todo amor cristão verdadeiro é o mesmo e um em seu princípio.

1. Sendo que todo ele procede do mesmo Espírito que influencia o coração
2. o amor cristão, seja para com Deus, seja para com o homem é operado no coração pela mesma obra do Espírito
3. quando Deus e o homem são amados com um amor realmente cristão, ambos são amados com base nos mesmos motivos.

1. O amor disporá o coração a todos os atos próprios de respeito seja para com Deus seja para o homem.

"O amor para com Deus nos disporá a andar humildemente com ele, pois aquele que ama a Deus se disporá a reconhecer a vasta distância entre Deus e ele. A essa pessoa será agradável exaltar a Deus, a pô-lo acima de tudo mais e a encurvar-se diante dele. O verdadeiro cristão se deleita em exaltar a Deus com seu próprio aviltamento, porquanto ele o ama. Ele está pronto a reconhecer que Deus é digno disto, e se deleita em lançar-se ao pó diante do Altíssimo, movido de sincero amor por ele" (p. 28)

2. a razão ensina que são infundadas e hipócritas todas as pretensas realizações ou virtudes que porventura existam sem amor.


As Escrituras nos ensinam que o amor é a suma de tudo que está contido na lei de Deus e de todos os deveres requeridos em sua Palavra. 

1. as Escrituras ensinam isto a partir da lei e palavra de Deus, em geral.
2. as Escritura ensinam a mesma coisa de cada tábua da lei, em particular.

"Daí o amor parece ser a suma de toda a virtude e dever que Deus requer de nós, e, portanto, indubitavelmente deve ser a coisa mais essencial- a suma de toda a virtude que é essencial e distintiva no cristianismo real. Aquilo que é a suma de todo dever deve ser a suma de toda virtude real" p. 34


A veracidade da doutrina, como mostrada pelas Escrituras, transparece do que o apóstolo nos ensina, a saber, a fé que atua pelo amor (Gl 5:6)

1. que o verdadeiro amor é um ingrediente da fé genuína e viva, sendo o mais essencial e distintivo que existe nela.
2. todos os exercício do cristão do coração e as obras da vida emanam do amor

"As genuínas descobertas do caráter divino nos dispõem a amar a Deus como o bem supremo, elas unem o coração a Cristo, em amor, inclinam a alma a transbordar de amor para com o povo de Deus e para com a toda a humanidade. Quando as pessoas possuem uma verdadeira descoberta da excelência e suficiência de Cristo, o efeito é o amor. Quando experimentam uma convicção correta da verdade do evangelho, tal convicção é acompanhada do amor." (p.43)
 

 

sábado, abril 25, 2015

Salmo 63: Experimentando a Deus.


Salmos 63:1-11O Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água;  Ó Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água; Para ver a tua força e a tua glória, como te vi no santuário.  Porque a tua benignidade é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão. Assim eu te bendirei enquanto viver; em teu nome levantarei as minhas mãos. A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura; e a minha boca te louvará com alegres lábios, Quando me lembrar de ti na minha cama, e meditar em ti nas vigílias da noite.  Porque tu tens sido o meu auxílio; então, à sombra das tuas asas me regozijarei. A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustenta. Mas aqueles que procuram a minha alma para a destruir, irão para as profundezas da terra. Cairão à espada; serão uma ração para as raposas. Mas o rei se regozijará em Deus; qualquer que por ele jurar se gloriará; porque se taparão as bocas dos que falam a mentira. 


"O desejo é o incessante pulsar da vida humana. O que ansiamos determina o escopo de nossas experiências, a profundidade de nossas percepções, os padrões com os quais julgamos e a responsabilidade com que escolhemos nossos valores. Por isso é de crucial importância ansiarmos por coisas que ultrapassam o material, que sejam transcendentais" (James Houston, O Desejo)

Quando eu compro uma coisa, eu tento ver o que o manual diz para eu fazer, e normalmente, fico perdido. Então, olho para caixa, e tento fazer igual a imagem que aparece. Precisamos dos dois, da imagem e do manual.

Na vida espiritual, podemos imaginar a mesma coisa. Todo mundo quer ter uma experiência espiritual, quer um encontro com Deus. Como saber se estamos tentando uma verdadeira experiência com Deus? Muitos tem se sentido cansado ou mesmo em dúvidas se teve ou não uma experiência com Deus.

Quando temos um filho, sempre ficamos perdidos sobre se estamos ou não criando bem. Se ele está normal, se está tudo bem. 

Quando olhamos para Bíblia vemos os grandes encontros de homens com Deus, esta seria a foto da capa, a imagem daquilo que queremos. Os salmos são o manual de como chegamos até lá, é alguém mostrando como experimentamos a Deus visto por dentro da experiência.

Nossa vida é cheia de altos e baixos, momentos que estamos próximos e momentos que estão longe.

Vamos ver neste salmo, algumas características da experiência com Deus, para testarmos se estamos indo no caminho certo ou não.

O salmo foi escrito quando Davi estava fugindo de Absalão no deserto como vimos em 2Sm 15:23.


DESENVOLVENDO UM APETITE ESPIRITUAL.


A primeira coisa que sabemos que estamos no caminho certo. É quando estamos querendo Deus em nossa vida. 

As pessoas, em geral, querem Deus, buscam a Deus, mas não o Deus verdadeiro.


 INTIMIDADE E NECESSIDADE.

O Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água Salmos 63:1

Quantas pessoas você pode chamar de meu? Você apenas usa a palavra meu se você tem intimidade com ela, como um pai, mãe, filho, irmã. Davi está dizendo que tem um relacionamento pessoal com Deus, e por causa disso ele busca desde o começo do dia. Quando a nossa lama está sedenta, quando estamos desejando a sua presença em nossa vida. Esta é uma evidência que precisamos dele.

É como o pai ou mãe que busca o filho, o próprio sentimento de ausência é que nos mostra que precisamos de Deus. 

MAIOR QUE AS NOSSAS NECESSIDADES.

Porque a tua benignidade é melhor do que a vida, os meus lábios te louvarão. Salmos 63:3

Neste caminho da intimidade,  Deus se revela para nós como maior do que qualquer coisa que podemos ter na vida. Este é um sinal que estamos no caminho certo, quando Deus passa a ser a maior coisa que temos na vida. 

Ficamos satisfeitos com Deus por quem Ele é e não pelos benefícios que Ele pode nos dar. Se eu tiver o amor, o favor, a intimidade de Deus não vou precisar de mais nada.

Alguém que busca por coisas, está buscando de Deus, mas não exatamente a Deus. Somente teremos descanso quando buscarmos Deus. 

O primeiro é que, apesar de adoração envolve expressões de gratidão a Deus pelos seus dons, esta não é a essência da verdadeira adoração. De fato, há uma gratidão a Deus pelos seus dons que não tem verdadeira adoração nele em tudo.Em outras palavras, há pessoas que amam a sua saúde e família e trabalho e passatempos, e agradeço a Deus por eles, muitas vezes, mas não amam a Deus.Eles não saborear Deus. E quando Deus não é saboreado pela doçura e excelência de quem ele é, ele não é adorado. (John Piper)

VIVENDO NA PRÁTICA:

Precisamos de um novo apetite por Deus em si mesmo.

Então, preciso de algumas coisas:

1. Preciso regrar meu apetite: quando estamos na mesa, precisamos nos alimentar da maneira certa, o pecado pode encher nosso estomago, mas não darão satisfeitas. Uma das razões que Deus não nos satisfaz mais é porque estamos nos satisfazendo com outras coisas. Não coloque substitutos aí.

2. Precisamos ver a grandeza da satisfação: tudo aquilo que Deus está a nos oferecer, por vezes, focamos em apenas algumas coisas que são nossa necessidade urgente, e esquecemos que Ele tem muito mais a nos oferecer. Fazemos isto, quando nos aprofundamos em conhecer a Deus, meditando em sua Palavra e orando. 


O que prefere sinceramente Deus a todas as outras coisas em seu coração, o fará na sua prática. Pois quando Deus e todas as outras coisas vierem a competir, esse é o teste apropriado para saber o que um homem prefere; e a maneira de agir em tais casos deve certamente determinar qual deve ser a escolha em todos os agentes livres, ou aqueles que agem em escolha. Portanto, não há sinal de sinceridade mais insistido na Bíblia que este: que neguemos a nós mesmos, vendamos tudo, esqueçamos o mundo, tomemos a cruz, e sigamos Cristo aonde quer que Ele vá. Portanto, corram dessa maneira, não na incerteza; assim lutem, não como quem desfere socos ao ar; mas esmurrem seus corpos e os reduzam à escravidão (Jonathan Edwards)

Quando me lembrar de ti na minha cama, e meditar em ti nas vigílias da noite. Salmos 63:6-7 


Da manhã até a noite, precisamos estar voltados para Deus pois ele sempre está pronto a nos completar.

Em Jesus,  encontramos a cada momento de nosso dia, tudo aquilo que precisamos de Deus para a nossa vida.



Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.  2 Pedro 1:3-4






terça-feira, janeiro 29, 2013

Tim Keller: A obra da renovação pelo evangelho.


No capítulo 6 de Center Church, pastor Tim Keller ainda está comentando a respeito da renovação pelo Evangelho.  Agora, ele irá falar sobre os aspectos práticos através do qual o Espírito Santo transforma vidas e igrejas, e também sobre a pregação e sinais da evidência de uma renovação pelo evangelho.

Os significados de uma renovação pelo Evangelho.

A fonte última do avivamento é o Espírito Santo, ele usa muitos instrumentos para produzir isto.

Oração extraordinária.

Uma oração unida, persistente e centrada no reino. O importante aqui não é o número de pessoas, mas a natureza da oração. 

Ele cita a diferenciação de C. John Miller de orações de manutenção e orações de linha de frente.  Orações de manutenção são pequenas, mecânicas e focadas nas necessidades físicas de dentro da igreja. Em contraste, oração de linha de frente são:

1. pedido pela graça para confessar pecados e nos humilharmos.
2. compaixão e zelo pelo florescimento da igreja e alcançar os perdidos.
3. desejo de conhecer a Deus, ver sua face, ter um vislumbre da sua glória.

Estas distinções são poderosas, podemos ver elas em uma reunião de oração. As orações bíblicas por avivamento estão em Ex 33, Nee 1, At 4, os três elementos estão claros lá. Em Atos 4, após serem ameaçados, os discípulos não pedem por proteção, ele pedem corajem para continuar pregando! 

Redescoberta do Evangelho.

A ênfase no novo nascimento e na salvação apenas pela graça. Martin Lloyd-Jones, citado por Keller, lembra que o evangelho que enfatiza a graça poderia se perder por muitas formas, a igreja poderia se tornar heterodoxa, e perder alguns ensinos ortodoxos como a natureza triuna de Deus, a deidade de Cristo, a ira de Deus e assim por diante. Alguns poderiam pensar que a crença na justificação pela fé somente e a necessidade de conversão é apenas uma questão de membresia ou viver com base no exemplo de Jesus. Isto corta o nervo da renovação pelo evangelho e avivamento. Contudo, é possível subscrever toda doutrina ortodoxa e ainda assim, falhar em comunicar o evangelho para os corações das pessoas numa forma que leva ao arrependimento, alegria e crescimento espiritual. Um jeito que isto acontece é pela ortodoxia morta, em que o orgulho cresce pela correção doutrinária, que gera uma igreja de justiça por obras.

Lloyd-Jones também fala de uma ortodoxia defeituosa e uma inércia espiritual, algumas igrejas seguram doutrinas mas com desequilíbrios e falta de uma ênfase adequada. Muitos ministros gastam mais tempo defendendo a fé do que a propagando-a.  Ou, gastam muita energia com questões como profecias, dons espirituais, criação e evolução. Mas as doutrinas da graça e da justificação e da conversão não são tão enfatizadas, não se conecta com a vida das pessoas. As pessoas vêem estas doutrinas, mas não enxergam. É possível tirar um num teste doutrinário e descrever adequadamente as doutrinas da salvação, e ainda assim, ser cego para seu poder e implicação verdadeiros.

Quando isto é aplicado aos corações, cristãos nominais são convertidos,  cristãos letárgicos e fracos se tornam fortes, e não crentes são atraidos para a novamente bela congregação.

Um dos grandes veículos que levaram ao primeiro avivamento em Northampton, Massachutes, foi dois sermões de Jonathan Edwards em Romanos 4:5 - Justificação apenas pela fé=- em novembro de 1734. Para John Wesley e Whitefield, os líderes do avivamento britânico, o entendimento da salvação pela graça, ao invés do esforço moral, que tocou as pessoas para uma renovação e as fez agentes de avivamento.

Aplicação do Evangelho.

Primeiro, a igreja recupera o evangelho através da pregação. A pregação é onde o grande número de pessoas da igreja está exposto. Existem algumas partes da escritura melhores para pregar o evangelho que outras? Não, de forma alguma. Qualquer oportunidade que você prega Cristo e sua salvação como o significado do texto ao invés de simplesmente expor os princípios bíblicos para a vida, você está pregando através da renovação. Pregar desta forma não é fácil. Mesmo aqueles que estão compromissados com uma pregação cristocêntrica tendem a fazer sermões inspirativos em Jesus, com pouca aplicação. Entender isto é um tópico enorme para digerirmos. Aqui Keller aconselha o livro de Bryan Chappell.

O segundo modo como um pastor recupera o evangelho é através de treinamento dos líderes leigos para ministrar o evangelho para os outros. Os componentes são aqui são conteúdo e contato.  Como conteúdo, Keller cita seu próprio livro Deus pródigo e o capítulo a verdadeira fundação de Depressão Espiritual de Lloyd-Jones. Por contato de vida, é o aconselhamento e encontros para ajudar os líderes a se arrependerem de seus ídolos e sua auto-justiça. Quando a ficha do evangelho cair, você terá os efeitos.

Uma terceira forma é enjetar um elemento experimental num pequeno grupo ou em grupos dedicados a isto. As pessoas precisam de um momento de comunhão e estudo juntas em grupos pequenos, Wesley e Whitefield aconselhavam isto. 

A quarta forma é através da conversação, a renovação pelo evangelho se espalha pela igreja pelas pessoas que contam sua renovação umas para as outras, quando um cristão compartilha como evangelho transformou sua vida.

O quinto modo de aplicação é que os pastores e lideres saibam usar o evangelho no coração das pessoas no aconselhamento pastoral.  Busque saber qual é conhecimento e sentimentos do aconselhado a respeito do evangelho, procure formas de auto-justiça e ajude as pessoas a saírem disto.  O evangelho deve ser usado para cortar tanto o moralismo como a licenciosidade que destrói a vida e o poder espiritual.


Inovação do Evangelho.

Outro fator importante é a inovação e a criatividade. O avivamento acontece pelos meios instituídos como a pregação, pastoreio, adoração e oração. É muito importante reafirmá-los. O Espírito Santo pode usar estes meios para conversões extraordinárias e trazer um crescimento significante na igreja.

Contudo, quando estudamos a história dos avivamentos, vemos novos métodos de comunicar o evangelho. No grande avivamento, dois ministros começaram a pregar em público e usaram encontros de pequenos grupos.  Como também o uso de inovações tecnológicas como a imprensa. Nenhum avivamento repete as experiências do passado, seria um erro identificar um método específico com avivamentos. 

Embora, os meios principais continuam sendo teológico - redescoberta do evangelho- e ordinários- pregação, oração, comunhão e adoração - Devemos procurar novos modos para a proclamação do evangelho que o Espírito Santo possa usar em nosso momento cultural. 

Pregação para uma renovação pelo Evangelho.

Keller coloca cinco características que definem esta pregação:

1. Pregue distinguindo  religião do evangelho. Uma pregação efetiva irá criticar tanto a religião como a irreligião, e também vai direcionar ao problema central da idolatria ajudando os ouvintes olhar além de seu comportamento, para as motivações e ver como o evangelho está funcionando ou não em seus corações.

2. Pregue tanto a santidade como o amor de Deus para transmitir as riquezas da graça. A pregação não deve enfatizar apenas o julgamento de Deus, a santidade e retidão - como pregadores moralistas- ou enfatizar apenas o amor e a misericórdia de Deus - como os pregadores liberais-. Apenas quando as pessoas enxergam Deus como absolutamente santo e absolutamente amoroso, a cruz irá transformá-los.  Jesus era tão santo que teve de morrer por nós, nada menos poderia satisfazer sua santidade e retidão. Mas ele era tão amoroso que ele estava satisfeito em morrer por nós, nada menos poderia seu desejo de nos ter como seu povo. Isto nos humilha do nosso orgulho e egoísmo, e ainda assim, ao mesmo tempo, nos afirma de nosso desencorajamento. Isto nos leva a odiar o pecado e ao mesmo tempo nos proibe de odiarmos a nós mesmos.

3. Pregue não apenas para deixar a verdade clara, mas também, para deixá-la real. Quando vemos como Paulo busca crescer a generosidade das pessoas apelando para como elas conhecem a generosidade e graça de Cristo - 2Co 8-. Em outras palavras, se os cristãos são materialistas, não é uma mera falha da vontade, a falta de generosidade vem de que eles realmente não entenderam como Jesus se fez pobre por eles, como nEle temos todas as riquezas e tesouros. Não pregue simplesmente o que as pessoas devem fazer, você deve apresentar Cristo de tal forma que ele captura o coração e a imaginação mais do que as coisas materiais. Isto toma não só uma apresentação intelectual mas uma apresentação da beleza de Cristo.
Para Jonathan Edwards, o maior problema espiritual dos crentes é que enquanto eles tem uma noção intelectual de muitas doutrinas, estas não são reais para seus corações e não influenciam seu comportamento. No caso do materialismo, o poder do dinheiro para trazer segurança é mais espiritualmente real que o amor de Deus e sua providência. 
D. Martyn Lloyd-Jones sumariza isto dizendo: o primeiro e primário objeto da pregação é produzir uma impressão. Esta é a impressão que com o tempo importa, ainda mais quando você pode lembrá-la depois. 

A questão da pregação é tornar o conhecimento vivo.

4. Pregue Cristo de todo texto. 
A maneira principal para evitar uma pregação moralista é estar certo que você sempre estará pregando Cristo como o ponto principal e mensagem de cada texto. Se você não apontar Cristo para seus ouvintes antes do fim de cada sermão, você dará a impressão que o sermão é sobre eles, sobre o que devem fazer. Contudo, nós sabemos de textos como Lucas 24:13-49,  que Jesus entendia cada parte da Bíblia como apontando para Ele e sua obra de salvação. Isto não é uma sugestão que cada autor de cada passagem intencionalmente fez referências a Jesus mas se você entender o texto todo em seu sentido canônico é possível discernir as linhas que estão apontando para Cristo.
Por exemplo, em Juízes 19, temos um texto de um levita cercado por homens violentos que para salvar sua própria vida, oferece sua concubina para ser estrupada. Não há como falar deste texto sem dizer que é um fato horrível, uma direta contradição ao que a Bíblia ordena aos maridos. Um marido deve proteger sua esposa - Ef 5. Como? O autor de Juízes não saberia  como nós sabemos, que verdadeiro esposo temos quando olhamos para Jesus, Paulo diz isto em Efésios 5. Apenas mostrar que devemos ser bons maridos não é o bastante, devemos apontar para Cristo que nos fará livres do medo e do orgulho que nos faz maus esposos. 
No fim há duas questões que devemos fazer quando lemos a Bíblia: é sobre mim? Ou é sobre Jesus? Em outras palavras, a Bíblia é basicamente sobre o que devo fazer ou sobre o que Ele fez?  Pense na história de Davi e Golias, se eu leio como uma história sobre mim, é uma exortação para termos fé e coragem para lutar com os gigantes. Mas, se eu aceito que Bíblia é sobre o Senhor e sua salvação, e se leio Davi e Golias sobre esta luz, ela lança uma multidão de coisas em evidência!  O ponto central desta passagem do Velho Testamento é que os israelitas não poderia se opor ao gigante por si mesmos. Ao invés disto, eles precisavam de um campeão que poderia lutar em seu lugar- um substituto que iria enfrentar o perigo mortal em seus lugares. E o substituto que Deus providenciou não era uma pessoa forte, mas fraca- um garoto que mal cabia numa armadura. Ainda assim, Deus usou esta fraqueza libertadora como meio para trazer destruição ao risonho e super confiante Golias. Davi triunfa através de sua fraqueza e sua vitória é imputada para seu povo. E assim também Jesus. Através de seu sofrimento, fraqueza e morte que o pecado foi derrotado. Esta  história vívida e envolvente nos mostra que significa quando declaramos que estamos mortos com Cristo - Rm 6:1-4- e ressuscitamos e nos assentamos com Ele (Ef 2:5-6). Jesus é o perfeito campeão, nosso verdadeiro campeão, que não apenas arriscou sua vida por nós, mas deu ela. E agora sua vitória é a nossa vitória, e tudo que ele conquistou foi imputado para nós.

5. Pregue tanto para cristãos como para não cristãos. Keller conta a influência de Lloyd-Jones em sua pregação, com que aprendeu que não se deve pregar para a congregação apenas para o crescimento espiritual, assumindo que todos são crentes, e nem pregar um sermão evangelístico, pensando que os crentes não podem crescer com ele, Evangeliza como você edifica e edifica como você evangeliza.


Os sinais da renovação.

O avivamento acontece quando as pessoas que já conhecem o evangelho descobrem que realmente não o conhecem. E por abraçar o evangelho, elas vivem uma fé viva. Não crentes são atraídos pelas vidas transformadas, e a igreja começa a crescer em seu chamado e como um sinal do reino, uma linda alternativa para a sociedade humana sem Deus.
Um primeiro sinal é quando crentes nominais se convertem, que passam a entender que nunca acreditaram no evangelho realmente. Logo, cristãos sonolentos começam a receber uma nova segurança e apreciação pela graça. Cristãos se tornam confiantes e testemunhas atraentes.
Quando o evangelho se faz presente, tanto a santidade de Deus e seu amor são mais adorados, isto leva a uma nova realidade espiritual de Deus na adoração. 
Um renovado interesse no evangelho sempre leva a um interesse na teologia bíblica, que esteja conectada com a vida real. 
O evangelho cria uma humildade que leva os crentes a serem mais pacientes uns com os outros, que aprofunda os relacionamentos.
Durante os tempos de avivamento, há uma natureza contracultural da igreja que atrai os não-crentes.
A renovação pelo evangelho produz pessoas humildes, não desdenhosas com aqueles que não concordam com elas, mas amorosas, menos preocupadas com a opinião dos outros. Cada crente se torna um evangelista natural. Há um crescimento através de conversões.
Há uma atenção com a pobreza e a justiça social, cristãos entendem que não podem se auto salvarem, isto muda sua atitude com as pessoas que estão pobres. Se tornam servos de seus vizinhos, dos pobres e da cidade.
Todas estas mudanças, na igreja e na comunidade em redor, trazem um efeito cultural. Crentes assim impactam as artes, os negócios, governos, mídia.
Porque a verdadeira religião não é uma prática privada somente que dá paz e satisfação. A santidade afeta a vida civil e privada dos crentes. transforma comportamentos e relacionamentos, a presença ativa de cristãos mudam uma comunidade em todas as suas dimensões. São os frutos que são produzidos de um verdadeiro avivamento pelo Evangelho, 
Sem isto, muito do crescimento pode vir por transferência e não conversões, porque não acontece uma convicção profunda do pecado ou arrependimento, poucas pessoas mostram uma mudança de vida. Este crescimento não tem impacto porque os participantes não levam sua fé para o trabalho, para como eles usam seu dinheiro ou vivem suas vidas públicas. Contudo, quando as dinâmicas da renovação estão fortes em nossos corações e igrejas, somos fortalecidos e embelezados pelo Espírito de Deus.




Todos estes elementos de um visão teológica de Igreja de Centro, a renovação pelo evangelho pode ser a mais dificil para ser colocada em prática porque nós podemos apenas nos preparar para o avivamento, Deus tem de enviá-lo. Isto pode desencorajar alguns porque vivemos numa sociedade tecnológica em que procuramos ter controle sobre tudo através de nossa competência e vontade.





Gospel Renewal - Trailer from Redeemer City to City on Vimeo.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

John Piper: O mais gratuito de todos os atos de Deus

No quinto capítulo, Piper vai nos contar que "a graça não seria graça se fosse resposta aos nossos recursos. A graça é a graça porque ressalta os próprios recursos transbordantes da bondade divina. A graça é eterna porque levará muito tempo para Deus gastar seus depósitos inesgotáveis de bondade de Deus.  A graça de Deus é gratuita porque Deus não seria o Deus infinito e auto-suficiente que é obrigado por qualquer coisa fora dele" (p. 76)

Nossa vida está pendurada na graça futura, a graça é a bondade de Deus mostrada a pessoas que não a merecem e a misericórdia é a bondade de Deus mostrada a pessoas que estão em uma situação miserável. 

Antes da queda, Adão e Eva experimentaram a bondade não como reação ao seu pecado, mas ambos não mereciam estar lá. E a vontade de Deus para eles era a vida pela fé na graça futura. Deus queria que o não comer da árvore proibida fosse um ato de confiança em sua sabedoria e disposição para conduzi-los na vida. "A desobediência deles foi uma violação da confiança no amor do Pai e a renúncia à fé na graça futura" (p.78)

Após a queda, a experiência da graça mudou, quem não merece a graça, está agora num estado miserável.  A graça aparece como misericórdia, ha uma distinção corrente entre graça e misericórdia, colocando a primeira para as pessoas que pecam e a segunda para as pessoas que sofrem. 

A graça gratuita, imerecida, condicional.

Piper cita Ef. 6.24, há uma graça gratuita, mas condicional, que vêm sobre aqueles que amam a Jesus. A graça condicional não é graça merecida, ou seja, não pode ser conquistada por nossos próprios méritos.

"quando a graça de Deus é prometida com base em uma condição, essa condição também é uma obra da graça de Deus. Isso garante a absoluta gratuidade da graça(...) um exemplo bíblico é o arrependimento como condição para receber a graça do perdão (Atos 3.19) Mas o próprio arrependimento é uma dádiva da graça de Deus (Atos 11.18)" p. 80
O autor expõe quatro maneiras  de ressaltar que a liberdade está no centro do significado da graça bíblica.

  1. Ser Deus é ser livre:  Deus é o livre doador da graça (Ex. 33.8), a graça não é constrangida por nada fora do próprio Deus.Ele é livre na forma que reparte sua graça, essa liberdade está na sua essência, não está limitado pela maldade de ninguém. Sua graça pode irromper em qualquer momento e lugar que lhe agradar.
  2. Graça doadora de vida é graça livre e gratuita, conforme Ef. 2.4-6, o ato decisivo na conversão é  a vida com Cristo quando estávamos mortos. Deus nos viu nessa condição e teve compaixão de nós. 
  3. Graça que elege é autônoma e livre, conforme Rm 11.5, há uma correlação entre graça e eleição. A escolha de Deus foi livre, são eleitos por causa da graça autonoma, gratuita e incondicional. "Se as obras humanas obtêm salvação e criam o remanescente, a graça da eleição já não seria mais graça. O que começou como graça na eleição autonoma, gratuita e incondicional deixaria de ser graça" p.83
  4. Deus inexaurível e a gratuidade da graça. Deus é fonte inesgotável,  ele é sempre o benfeitor, e nós sempre os beneficiados. Este ponto fala da riqueza da graça, inesgotável e auto-supridora - Ef. 2.6,7. Há dois pontos aqui, o primeiro é o derramamento divino com generosidade de riquezas da sua graça, e a outra, é que Deus levará a eternidade para fazê-lo. "A graça não seria graça se reagisse aos recursos existentes em nós. A graça é graça porque ressalta os recursos transbordantes da própria bondade de Deus. A graça é eterna porque é esse tempo gasto por Deus para derramar provisões inesgotáveis da sua bondade sobre nós. A graça é gratuita porque Deus não seria infinito e auto-suficiente se fosse constrangido por qualquer coisa fora dele mesmo" p.84

A glória de Deus é devidamente louvada quando realizamos a dimensão da graça de Deus para cada um de nós desde agora até a eternidade.

COMENTÁRIOS:

A fé na graça futura tem muito a ver com a dimensão daquilo que acreditamos que seja Deus, por vezes, diminuímos e muito o poder e a grandeza da graça de Deus para conosco. Querendo talvez um pouco de crédito pelas coisas, mas devemos sempre saber que todo pão é dado pelo nosso Pai.

Deus é a fonte de toda provisão, a confiança nesta fonte eterna de satisfação, paz, segurança e salvação muda a nossa vida, acalma o nosso coração e lança fora todo o medo. E, enfim, encontramos descanso.


Jonathan Edwards coloca isso claramente em seu sermão "Deus glorificado na dependência dos homens" baseado em 1Coríntios 1:29-31:

Primeiro, todo o bem que eles têm é em e por Cristo, Ele é feito à sabedoria nós, justiça, santificação e redenção. Todo o bem dos caídos e criatura redimida está em causa nestas quatro coisas, e não pode ser mais bem distribuída do que para eles, mas Cristo é cada um deles para nós, e nenhum deles tem qualquer outra forma que não ele. Ele é feito de Deus a sabedoria nós: nele estão todos excelência o bom bom e verdadeiro do entendimento. Sabedoria era uma coisa que os gregos admiravam, mas Cristo é a verdadeira luz do mundo, é através dele que a verdadeira sabedoria só é dada para a mente. É dentro e por Cristo que temos a justiça: é por ser nele que somos justificados, ter nossos pecados perdoados, e são recebidos como justos em favor de Deus. É por Cristo que temos santificação: temos nele excelência verdadeiro de coração, assim como de entendimento, e ele é feito a nós inerentes, bem como justiça imputada. É por Cristo que temos a redenção, ou o livramento real de toda a miséria e a dádiva de toda a felicidade e glória. Assim, temos todas as nossas boas por Cristo, que é Deus.   Em segundo lugar, outro exemplo em que nossa dependência de Deus para todos os nossos bons aparece, é este, que é Deus que nos deu Cristo, para que possamos ter esses benefícios por meio dele, ele é feito de Deus para nós sabedoria, justiça, etc  Em terceiro lugar, é dele que estamos em Cristo Jesus, e vir a ter interesse nele, e assim que receber as bênçãos que ele é feito para nós. É Deus que nos dá a fé pela qual nós fechamos com Cristo. De modo que neste versículo é mostrado a nossa dependência de cada pessoa na Trindade para todos o nosso bem. Somos dependentes de Cristo, o Filho de Deus, como ele é a nossa sabedoria, justiça, santificação e redenção. Somos dependentes do Pai, que nos deu Cristo, e fê-lo a ser estas coisas para nós. Somos dependentes do Espírito Santo, pois é dele que estamos em Cristo Jesus, é o Espírito de Deus que dá a fé nele, pelo qual nós o recebemos, e fechar com ele.
Valia também colar aqui a explicação de C.S. Lewis dá do nosso acanhamento diante da glória de Deus, que está em seu livro Peso de Glória:


As promessas das Escrituras podem, muito por alto, reduzir-se a cinco: em primeiro lugar, promete-se que estaremos com Cristo; em seguida, que seremos semelhantes a Ele; depois — e aqui é extraordinária a riqueza de imagens — que teremos "glória"; em quarto lugar, que seremos alimentados, festejados ou obsequiados; e, finalmente, que teremos alguma posição de destaque no universo — governaremos cidades, julgaremos anjos, seremos colunas no templo de Deus. A primeira pergunta que me surge é: "Não bastaria a primeira promessa?". Será possível acrescentar alguma coisa ao conceito de estar com Cristo? Pois deve ser verdade o que diz um velho escritor: aquele que tem Deus e tudo o mais, nada possui que não possua aquele que apenas tem Deus. Creio que, mais uma vez, a solução está na natureza dos símbolos. Ainda que não o vejamos à primeira vista, qualquer concepção da maioria de nós sobre o que seria estar com Cristo não é muito menos simbólica que as outras promessas, pois envolverá idéias de proximidade física, de conversa íntima, tal como a compreendemos, e estará, provavelmente, centrada na humanidade de Cristo, excluindo sua deidade. E na realidade verificamos que os cristãos que só levam em consideração a primeira promessa, sempre a preenchem com imagens bem terrenas — aliás, com imagens nupciais ou eróticas. Não condeno, de forma alguma, essas imagens. Gostaria até de aprofundar-me mais nelas e oro para que ainda o consiga. Mas o que pretendo mostrar é que isso também não é mais que um símbolo: é semelhante à realidade em alguns aspectos, mas diferente em outros e, portanto, exige que seja corrigida pelos diferentes símbolos contidos nas outras promessas. A diversidade de promessas não significa que a nossa mais alta bem-aventurança encontre-se fora de Deus; mas, pelo fato de Deus ser mais do que uma pessoa e para que não imaginemos a alegria de sua presença exclusivamente sob o aspecto de nossa pobre experiência de amor pessoal, com todas as suas limitações, tensões e monotonias, somos supridos de uma porção de imagens variadas que se corrigem e se suplementam mutuamente.
Trato agora do conceito da glória. Não se pode escapar ao fato de que esse conceito é muito proeminente tanto no Novo Testamento como nos primeiros escritos do cristianismo. A salvação aparece constantemente associada a palmas, coroas, vestes brancas, tronos e esplendor semelhante ao do sol e das estrelas. Nada disso me impressiona particularmente e, nesse aspecto, considero-me um indivíduo tipicamente moderno. A glória passa-me duas noções: uma perversa e outra ridícula. A glória, para mim, ou é celebridade, ou luminosidade. Quanto à primeira interpretação, uma vez que ser célebre significa ser mais conhecido do que os outros, o desejo de celebridade parece envolver uma paixão pela competição e, por conseguinte, mais digno do inferno que do céu. Quanto à segunda interpretação, quem desejaria tornar-se uma espécie de lâmpada elétrica viva?
Quando comecei a examinar esse assunto, fiquei chocado ao descobrir que cristãos tão diferentes como Milton, Johnson e Tomás de Aquino davam abertamente à glória celestial o sentido de fama, celebridade ou bom nome. Mas não fama conferida pelas criaturas — era fama perante Deus, aprovação ou (eu diria) "reconhecimento" da parte de Deus. E, depois de meditar sobre o problema, cheguei à conclusão de que se tratava de um ponto de vista bíblico; nada pode eliminar da parábola o divino louvor: "Muito bem, servo bom e fiel".
E assim tombou, qual castelo de cartas, uma boa parte das teorias que eu construíra durante toda a vida. Lembrei, de repente, que ninguém pode entrar no céu senão como menino, e nada há de mais evidente numa criança — não na criança vaidosa, mas na boa criança — do que o grande prazer indisfarçado que ela encontra no elogio. E não só na criança, mas até nos cães ou nos cavalos. Obviamente, aquilo que eu confundira com humildade tinha-me impedido de compreender, durante todos esses anos, o que é o mais humilde, o mais pueril e o mais humano dos prazeres — ou, antes, o prazer característico dos seres inferiores: o prazer do animal perante o homem, da criança perante o pai, do aluno perante o mestre, da criatura perante o seu Criador. Não estou esquecendo-me de que forma horrível esse prazer inocente é parodiado nas nossas ambições humanas ou com que rapidez, em minha própria experiência, o legítimo prazer do louvor daqueles a quem é nosso dever agradar transforma-se no veneno mortal do orgulho próprio. Mas creio poder detectar um momento — um momento muito, muito breve —, antes que aquilo acontecesse, em que era ainda pura a minha satisfação de ter agradado àqueles que eu, com muita razão, amava e respeitava. E isso basta para fazer-nos pensar no que pode acontecer quando a alma redimida, acima de toda a esperança e quase acima da crença sabe, enfim, que agradou àquele para cuja alegria foi criada. Não haverá então lugar para a vaidade. Ela estará livre da miserável ilusão de que os méritos são seus. Sem o mínimo vestígio do que chamamos de auto-elogio, ela se regozijará inocentemente naquilo que Deus lhe permitiu ser, e o momento em que desaparecer para sempre o seu velho complexo de inferioridade sepultará também, para todo o sempre, nas profundezas, o seu orgulho. A humildade perfeita dispensa a modéstia. Se Deus está satisfeito com a obra, a obra pode ficar satisfeita consigo mesma: "não compete a ela discutir elogios com o seu Soberano". Posso imaginar alguém dizendo que não gosta da minha concepção do céu, que seria um lugar onde nos dão tapinhas nas costas. Mas por trás dessa rejeição existe uma compreensão falsa, orgulhosa. Esse Rosto, que é o deleite ou o terror do universo, voltar-se-á um dia para cada um de nós com uma das duas expressões, conferindo glória indizível ou infligindo vergonha que coisa alguma poderá curar ou ocultar. Há dias, li num periódico que o fundamental é o que pensamos de Deus. Por Deus, isso está errado! O que Deus pensa de nós não é apenas mais importante, mas infinitamente mais importante! Aliás, o que pensamos dele não tem a menor importância, a não ser quando o que dele pensamos relaciona-se com o que ele pensa de nós. Está escrito que seremos colocados perante ele, que seremos apresentados, examinados. A promessa de glória é a promessa quase incrível, e possível apenas pela obra de Cristo, de que alguns, alguns que verdadeiramente o quiserem, resistirão a esse exame, encontrarão aprovação, agradarão a Deus. Agradar a Deus... ser um verdadeiro integrante da felicidade divina... receber o amor de Deus, não apenas a sua piedade, mas ser o motivo do prazer, como um artista deleita-se em sua obra ou o pai em seu filho — parece impossível, é um peso ou carga de glória que nossa imaginação mal pode suportar. Mas é assim.


segunda-feira, janeiro 02, 2012

John Piper: Graça Futura

Nos próximos 31 dias, vou buscar ler e colocar no blog algumas impressões sobre o livro GRAÇA FUTURA de John Piper. O livro foi dividido em 31 capítulos, de modo que, seja lido 1 capítulo a cada dia.



O primeiro capítulo A ÉTICA DO DEVEDOR: DEVEMOS TENTAR RESTITUIR A DEUS?.  Neste capítulo John Piper tentar demonstrar o argumento básico de seu livro, que a gratidão como fundamento da vida cristã não funciona e nem é bíblico, devendo ser colocado outro fundamento em seu lugar, que é a graça futura.


A gratidão é uma reação espontânea de alegria quando se recebe algo mais valioso do que pagamos, para Piper, devido a queda  nosso coração começa a esquecer disto e caímos numa ética do devedor, ou seja, "porque você fez algo bom para mim, sinto-me devedor de fazer algo para você".  


Deus quer que a gratidão seja uma expressão espontânea de prazer na dádiva e na bondade de outra pessoa, se ela se torna um sentimento de dívida, dá origem à ética do devedor, cujo efeito é anulação da graça. É transformação daquilo que foi um presente num sistema de troca.


Então, devemos retribuir a Deus?


Na ética do devedor a vida cristã é retratada como o esforço para retribuir a dívida que temos com Deus. Geralmente se faz a concessão de que nunca poderemos pagar tudo. Mas a gratidão exige que nos esforcemos nisso. As boas obras e as ações religiosas são os pagamentos feitos em parcelas de uma dívida infinita que temos com Deus. Essa ética do devedor muitas vezes está - talvez até de forma involuntária - por trás das palavras: "Devemos obedecer a Cristo por gratidão" p. 35


A gratidão para Piper não é biblicamente a motivação para uma vida ética, a Bíblia não coloca simplesmente a gratidão como fundamento da obediência cristã.


O problema do pecado foi causado pela ingratidão? A seguir, prosseguindo em seu raciocínio, o autor coloca que o problema do pecado no AT, era causado por falta de fé e não por ingratidão.  


"O que importuna é a graça divina passada não motivar o povo a confiar na graça futura de Deus. Fé na graça futura, e não gratidão, é a força ética que falta para vencer a rebelião e motivar a obediência" p. 36


Ele relaciona o temor do Senhor com a fé na graça futura, para ele, o temor do Senhor seria um insulto a Deus que você não confiasse nas generosas promessas de poder e sabedoria a seu favor.  A obediência que vem do temor a Deus sem fé na graça futura, nunca será livre, mas apenas servil.


"Temer ao Senhor é temer diante da percepção de como é terrível o insulto ao Deus santo se não tivermos fé na graça futura depois de todos os sinais e maravilhas realizados para conquistar a nossa confiança e obediência. É essa fé na graça futura que canaliza o poder de Deus à obediência. Buscamos o Antigo Testamento em vão se queremos encontrar o ensino explícito de que a gratidão é o canal deste poder" p. 37


E quanto a cumprir seus votos, para Piper, pensar sobre isto aprofundou a relação entre a gratidão e graça futura. O cumprimento dos votos não está ligado a uma retribuição habitual, mas o ato de receber a graça contínua de Deus.


Pensando no Salmo 116, nos versos 12 a 14, ele diz:


"Em primeiro lugar, erguer o cálice da salvação significa tomar a salvação suficiente do Senhor em mãos e bebê-la, esperando mais. É por isso que digo, a retribuição a Deus nesses contextos não é um pagamento ordinário. É um ato de recebimento. (...) Em segundo lugar, esse é também o significado da expressão seguinte: Invocarei o nome do Senhor. Como posso retribuir ao Senhor por generosamente atender minha invocação? Resposta: Eu o invocarei novamente. Retribuirei a Deus o louvor e o tributo de que ele nunca tem necessidade de mim, mas está sempre transbordando de benefícios quando preciso dele (e sempre preciso). Então o salmista diz em terceiro lugar, Cumprirei com o Senhor os meus votos. Mas, como eles podem ser cumpridos? Eles são cumpridos e pagos quando ergo o cálice da salvação e quando invoco o Senhor. Isto é, serão cumpridos pela fé na graça futura" p. 39


A fé na graça futura é que impede a gratidão se tornar a ética do devedor.  A verdadeira gratidão exulta nos seus favores do passado, mas me leva a confiar na graça futura. Ela diz a fé: "Aceite mais desses benefícios para o futuro, para que minha feliz obra de olhar para trás,  para o livramento provido por Deus, possa continuar" p.40


Para John Piper, a verdadeira gratidão não gera uma ética do devedor, mas uma fé na graça futura.Na verdadeira gratidão, somos impulsionados pela gratidão a querer mais e mais da graça de Deus no futuro. Mas, isto não será um pagamento de dívida, mas uma transformação da gratidão em fé enquanto ela passa da contemplação das graças passadas para a esperança das graças futuras.


Comentários.


A graça de Deus é um contínuo permanecer, ela não nos leva a algum lugar em que devemos começar a andar por nós mesmos. Todo caminho cristão é um seguimento dos passos de Jesus, é um descobrir a cada novo dia uma nova esperança, enfim, uma nova vida em Cristo. É receber e alegrar-se em receber, é receber e esperar em Deus receber mais ainda dEle. 


Como Edwards coloca o Deus é mais glorificado quanto maior o homem depende dEle. Pensando na metáfora do permanecer, o lugar que partimos é sempre uma posição de descanso, nossa vontade descobre em Deus tudo que precisamos e nosso trabalho como varas desta videira é viver da vida que sai da videira.


Carlos McCord coloca bem este ponto, nossa vida é permanecer, alegrar-se e compartilhar. Um ecossistema moldado por Deus, em que toda vida vem dEle e vai para Ele. 


Tentando fugir de um comportamento legalista, que busca méritos em Deus, que busca obter a salvação de Deus, por vezes, pregamos que devemos adorar a Deus em gratidão por aquilo que Ele fez para cada um de nós. Pensando melhor, isso nos coloca numa posição externa em relação a Deus e em cálculo diante de Deus. 


Mais do que os favores de Deus, é a sua presença que conta. E desfrutar desta presença, esperar na esperança de Deus que age em nossa vida é o que realmente conta para nossa vida. O que há imperfeito em nós, o pecado de cada um de nós não há de permanecer para sempre, um dia ele será totalmente purificado por Deus, mas, até lá devemos viver uma vida na dependência completa e irrestrita de Deus, não por que Ele fez em nossa vida, mas para aquilo que Ele está construindo em cada um de nós.


Somos vasos de barro nas mãos do oleiro! Obra imperfeita, mas sustentadas pela perfeição de Jesus que mora em cada um de nós que o recebemos a partir do novo nascimento.







sexta-feira, outubro 08, 2010

Edwards.

Os evangélicos não têm pensando sobre a vida na terra. Os crentes como que por causa da sua cultura, tem deixado de fazê-lo, a piedade de Edwards continuou na tradição avivalista, sua teologia continuou no academicismo calvinista, mas não houve sucessores em sua visão de mundo cheia de Deus ou para sua filosofia profundamente teológica. O desaparecimento da perspectiva de Edwards na história americana tem siso uma tragédia.


A God-Entranced Vision of All Things

John Piper and Justin Taylor.

terça-feira, agosto 24, 2010

Jonathan Edwards: GOD GLORIFIED IN MAN'S DEPENDENCE


Select Sermons | Christian Classics Ethereal Library:

Sermão de Edwards pregado em Boston, em 8 de julho de 1731, baseado em 1Co 1:29-31




"1. What God aims at in the disposition of things in the affair of redemption, viz. that man should not glory in himself, but alone in God; That no flesh should glory in his presence, --that, according as it is written, He that glorieth, let him glory in the Lord.
2. How this end is attained in the work of redemption, viz. by that absolute and immediate dependence which men have upon God in that work, for all their good. Inasmuch as,"


First, All the good that they have is in and through Christ; He is made unto us wisdom, righteousness, sanctification, and redemption. Secondly, Another instance wherein our dependence on God for all our good appears, is this, That it is God that has given us Christ, that we might have these benefits through him; he of God is made unto us wisdom, righteousness, etc.

Thirdly, It is of him that we are in Christ Jesus, and come to have an interest in him, and so do receive those blessings which he is made unto us. It is God that gives us faith whereby we close with Christ.



domingo, abril 25, 2010

Tim Keller: O Evangelho e o Pobre.

O EVANGELHO E OS POBRES.

Dr. Timothy Keller

Nosso compromisso individual e corporativo com o Evangelho deve motivar a ministrar para o pobre e o marginalizado que estão pertos.

1. O papel do Evangelho no ministério para o pobre.

Ser compromissado com a primazia do evangelho significa primeiro, que o evangelho deve ser proclamado. Muitos, hoje em dia, denigram a importância disto, ao invés, insistem que a única verdadeira apologética é uma comunidade amorosa. Pessoas não podem ser persuadidas pelo Reino, eles dizem que elas só podem ser amadas. Não obstante a comunidade cristã ser uma testemunha fundamental e poderosa para a verdade do evangelho, ela não pode substituir a pregação e proclamação. Segundo, o primado do evangelho significa que o evangelho é base e mola propulsora para a prática cristã, individualmente ou coletivamente, dentro da igreja ou fora dela. O ministério do evangelho não é apenas a proclamação para as pessoas para que elas o aceitem e creiam; são também ensino e pastoreio dos crentes para que então suas vidas sejam moldadas. Um das coisas mais proeminentes que o evangelho afeta é nosso relacionamento com o pobre.

Não conheço melhor introdução ao chamado do evangelho para ministrar os pobres do que o discurso de Jonathan Edwards chamado “Christian Charity”[1]. De acordo com Edwards, dar e cuidar do pobre são cruciais, é um aspecto não opcional de como viver o evangelho. Ele colocar dois argumentos básicos para fundamentar esta posição.

Acreditando que o evangelho nos moverá para darmos ao pobre.

Edwards repetidamente mostra como um entendimento “das leis do evangelho” – o padrão e lógica do evangelho- vão inevitavelmente nos mover para o amor e ajuda ao pobre. Enquanto Edwards acredita que o mandamento para dar ao pobre é uma implicação do ensino que todos os seres humanos são feitos a imagem de Deus[2], ele acredita que a mais importante motivação para doar ao pobre é o evangelho: doar ao pobre “é especialmente razoável, considerando nossas circunstâncias, debaixo de tamanha dispensação da graça que é o evangelho”[3]

Um dos textos chaves para o qual Edwards volta-se para levantar seu ponto é 2 Coríntios 8:8-9. Quando Paulo pede generosidade financeira para com o pobre, ele aponta o auto-esvaziamento de Jesus e vividamente o descreve como se tornando pobre para conosco, tanto literalmente quanto espiritualmente, na encarnação e na crucificação. Edwards nota que a introdução de Paulo “eu não estou mandando vocês… para vocês conhecerem a graça do nosso Senhor Jesus Cristo” é significante, implica que se alguém apreende verdadeiramente a expiação substitutiva, este alguém será profundamente generoso para com os pobres. A única forma para Jesus tirar-nos da nossa pobreza espiritual e nos deixar ricos espiritualmente foi ele deixar sua riqueza espiritual e entrar na pobreza espiritual. Isto deve se tornar o padrão das nossas vidas: doar nossos recursos e entrar  na necessidade então aqueles que estão precisando terão os recursos. Paulo também deixa implícito que todos os pecadores salvos pela graça vão olhar para os pobres deste mundo e sentir que  de alguma forma estão olhando no espelho. A superioridade vai embora.

Outro texto de Edwards foca mais uma vez em Gálatas 6:1-10, especialmente no versículo dois, que nos exorta a carregar o fardo uns dos outros[4]. Estes fardos, pelo menos parcialmente, são materiais e financeiros, por que Gálatas 6:10 nos fala para fazer o bem a todos os homens, especialmente os da fé. Edwards entende que fazer o bem quer significar a doação de uma ajuda prática para pessoas que precisam de comida, abrigo e ajuda financeira. Nós devemos compartilhar nosso amor e força sentimental  com aqueles que estão se afundando no sofrimento; nós dividimos dinheiro e  posses  com aqueles que estão em crise financeira. Contudo, o que Paulo quer dizer quando ele diz que carregar os fardos completaria a lei de Cristo (Gl 6:2)? Edwards chama isto de “as regras do evangelho”[5]. Richard Longenecker chama isto de princípios prescritivos decorrentes do coração do evangelho[6].

Se for o Evangelho que está nos movendo, nossa doação para o pobre será significante, notável e sacrifical.  Aqueles que dão para os pobres a partir de um desejo de cumprir uma prescrição moral sempre farão o mínimo. Se nós damos para os pobres apenas por que Deus diz para fazer, a próxima questão deverá ser o quanto nós damos para ficarmos livres da obrigação? Esta atitude não é moldada pelo evangelho. Na última parte do seu discurso, Edwards cita a objeção “vocês dizem que devo ajudar os pobres, mas eu temo que eu não tenho nada para repartir”, a esta, ele responde: “em muitos casos, nós podemos, pelas regras do evangelho, ser obrigados a dar para os outros, quando não podemos fazê-lo sem que custe para nós mesmos… e também o quanto é regulado pela lei de carregar o fardo uns dos outros é cumprido?  Se nós não somos obrigados a aliviar  o fardo dos outros, quando poderíamos fazer isto sem sobrecarregar a nós mesmos, então o quanto nós devemos carregar o fardo de nossos próximos, quando nós não iremos carregar nenhum fardo?[7]

O argumento de Edwards é que se a base do nosso ministério para os pobres é simplesmente uma prescrição moral, coisas podem ser diferentes. Mas, se base do nosso envolvimento com o pobre são as regras do evangelho, ou seja, sacrifício substitutivo, então nós devemos ajudar os pobres mesmo quando nós achamos que não damos conta. Edwards faz este blefe e diz “O que você quer dizer é que você não pode ajudar sem sacrificar-se e trazendo sofrimento para você. Contudo, esta é forma como Jesus tirou você do seu fardo!  E este é modo como nós devemos ministrar para os outros com seus fardos”.

Edwards toma duas outras objeções: “eu não quero ajudar esta pessoa, porque ela é mal humorada e tem um espírito ingrato, e acredito que esta pessoa trouxe pobreza à sua vida devido as suas faltas”. Este é um problema permanente em ajudar os pobres. Nós todos queremos ajudar as pessoas carinhosas, levantar pessoas cuja pobreza veio sem qualquer contribuição delas e que irão responder com gratidão e alegria à nossa ajuda. Francamente, não existe ninguém assim. E enquanto isto é importante que nossa ajuda para os pobres socorra eles e não crie uma dependência. Edwards fez uma pequena obra sobre esta objeção e, de novo, apela não muito para as prescrições éticas, mas, mais para o evangelho em si.

Cristo nos amou, foi gentil conosco, e estava buscando nos aliviar, mesmo nós que éramos maus e odiosos, com uma disposição má, não merecíamos nenhum bem... Então nós devemos querer ser gentis para aqueles que tem uma disposição ruim, e são muito indignos….

se eles estão deixando a desejar por causa de uma preguiça viciosa ou prodigalidade, ainda assim, não estamos dispensados de todo da obrigação de aliviá-los, a menos que continuem nos vícios. Se não continuar nos vícios, a regras do evangelho nos direciona a perdoá-los… (Para) Cristo que nos amou, teve pena de nós, e grandemente se despojou para nos aliviar da necessidade e miséria que nós levamos a nós mesmos pela nossa própria loucura e maldade. Nós insensatamente e perversamente jogamos fora estas riquezas que nos foram fornecidas, nas quais poderíamos ter vivido e sermos felizes por toda eternidade[8].

MINISTRAR AOS POBRES É UM SINAL CRUCIAL QUE NÓS ACREDITAMOS NO EVANGELHO.

Edwards também lida com um conjunto de textos que mostra o nosso cuidado e preocupação com apenas com os pobres a partir do julgamento de quem Deus é. Mateus 25:34-46, a famosa passagem ensina que as pessoas serão aceitas ou condenadas por Deus no último dia dependendo de como elas trataram os famintos, os desabrigados, os imigrantes, os enfermos e os presos. Será que isso contradiz com o ensinamento de Paulo de que somos salvos pela fé em Cristo, e não por nossas obras?

Para responder a isto, Edwards refere-se ao Antigo Testamento, em que dar aos pobres era uma marca essencial da bondade. O famoso versículo de Miquéias 6:8, requer que as pessoas de Deus façam justiça, amem a misericórdia, e andem humildemente com seu Deus. Edwards conclui que isto requer que uma pessoa piedosa deve se envolver com os pobres.[9] Bruce Waltke diz que tanto promover a justiça quanto amar a misericórdia significa ser gentil para o oprimido e marginalizado  e ser ativo em ajudar as pessoas que estão financeiramente e socialmente mais fragilizadas[10]. Contudo, esta ênfase não é limitada ao Velho Testamento. O cuidado com o pobre é uma coisa tão essencial, que sua falta não pode consistir num amor verdadeiro com Deus (1Jo 3:17-19)[11]. A partir disto (2Co 8:8), Edwards conclui que sendo justo e misericordioso  não é uma razão meritória pela qual Deus nos vai aceitar[12]. Ao invés disto, sendo justo e misericordioso para com os pobres é um sinal inevitável que o fazedor tem uma fé justificadora e graça no coração.

O princípio é, portanto, que uma sensível consciência social e uma vida derramada em atos de serviço para os necessitados são um inevitável resultado da verdadeira fé. Por atos de serviço, Deus pode distinguir o verdadeiro amor de uma mera tarefa (cf. Is. 1:10-17). Em Mateus 25, Jesus se identifica com os pobres (“quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”), isto pode ser comparado com Provérbios 14:31 e 19:17, em que nos é dito ser graciosos aos pobres é emprestar ao próprio Deus, e pisar nos pobres é pisar no próprio Deus. Isto significa que, no dia do julgamento, Deus pode dizer que  a atitude do coração da pessoa para com Ele é a atitude do coração da pessoa para com os pobres.  Se houver dureza, indiferença, ou superioridade, isto contradiz o farisaísmo de um coração que não abraça realmente a verdade de que somos salvos pela graça.

II. O Relacionamento da proclamação do Evangelho com o ministério com os pobres.

Embora seja óbvio que a Bíblia ensina a ministrar aos pobres, pessoas debatem  a identidade dos doadores e recebedores de tal ministério e como a igreja deveria se engajar nisto.

Para quem?

Deus deu a Israel muitas leis a respeito da responsabilidade social que deveriam ser realizadas coletivamente. O pacto comunitário obrigava a dar aos membros pobres  até que a necessidade dele ou dela terminasse (Dt. 15:8-10). Os dízimos ia para os pobres (Dt. 14:28-29). Aos pobres, não era para ser dadas esmolas, mas, fornecer ferramentas, grãos (Dt. 15:12-15), e terra (Lv. 25), para que se tornasse produtivo e pudesse prover seu próprio sustento e serem cidadãos auto-suficientes. Mais tarde, os profetas  condenaram a insensibilidade de Israel aos pobres como uma quebra da aliança. Eles ensinaram que gastar desnecessariamente e ignorar a pobreza eram pecados tão repugnantes como a idolatria e adultério (Am. 2:6-7). Misericórdia para com o pobre era uma evidência de um verdadeiro comprometimento com Deus (Is. 1:10-17; 58:6-7; Am. 4:1-6; 5; 21-24). O exílio de setenta anos foi uma punição por falhar em observar o Sabbath e os anos do Jubileu (2Cr. 36:20-21), em que os ricos deveriam cancelar os débitos.

Contudo, isto era com  Israel. E o que dizer sobre a igreja? A igreja reflete a justiça social da velha comunidade da aliança, mas com maior vigor e poder da nova era. Cristãos, também, são chamados para abrir suas mãos para os necessitados na medida das suas necessidades (1Jo. 3:16-17 cf. Dt. 15:7-8). Dentro da igreja, a riqueza é para ser compartilhada entre os ricos e os pobres (2Co 8:13-15, cf. Lv. 25). Os apóstolos ensinaram que a verdadeira fé é demonstrada através das obras de misericórdia (Tg. 2:1-23). Materialismo foi condenado como um pecado grave (1Tm 6:17-19;Tg. 5:1-60. Uma classe especial de oficiais- diáconos- foi estabelecida para coordenar o ministério de misericórdia da igreja. Nós não devemos ficar surpresos, então, que os dois primeiros grupos de líderes da igreja eram os líderes da palavra (apóstolos) e os líderes de obras (os “diakonoi” de Atos 6).

Outras questões permanecem. Mesmo que se reconheça que a congregação como um todo (assim como os indivíduos dentro dela) é dada aos pobres, a maioria das referências bíblicas sobre dar se colocam no âmbito  da comunidade cristã, isto é, o cuidado com os crentes. Alguns concluem que individualmente, o cristão deve estar envolvido com todos os tipos de pessoas pobres, e a igreja deveria confinar seu ministério com os pobres apenas as pessoas da igreja. Contudo, tanto Israel (Lv. 19:33-34), como a comunidade da nova aliança (1Tm 5:10; Hb. 13:2) são encaminhadas para mostrar hospitalidade para com os estrangeiros e os estranhos, que não pertencem à comunidade cristã. Da mesma forma, o principal impulso de Jesus nos famosos textos da parábola do bom samaritano (Lc. 10:25-37) é que o ministério da misericórdia não deveria ser confinado a comunidade da aliança, mas, também ampliado para os que estão fora dela. De novo, em Lucas 6:32-36, Jesus exortou seus discípulos a exercer o ministério de obras para os ingratos e maus, reproduzindo o padrão da graça de Deus, que faz a chuva cair e o sol brilhar sobre o justo e o injusto (Mt. 5:45). Talvez, a passagem mais importante é a breve declaração de Paulo em Gálatas 6:10(escrita para ser lida para o corpo da igreja, e não apenas para indivíduos), que expressamente estabelece uma lista de prioridades no ministrar às necessidades práticas e materiais. Primeiro de tudo, nós ministramos para “os da família da fé” e depois para todas as pessoas sem levar em conta as distinções de etnia, nacionalidade ou crença.

Como?

A seguir, estão alguns pontos de ajuda lembrando que o relacionamento do ministério de misericórdia com evangelismo dentro do contexto da igreja.

Evangelismo é distinto. A igreja modernista do começo do século vinte reduziu o ministério do evangelho para uma ética e ação social. Contudo, isto contradiz o mandamento bíblico para proclamar o evangelho. Isto nega o evangelho da graça através dos atos salvíficos de Deus na história e trocando-o por boas obras e crescimento moral. No evangelho social, o evangelismo desaparece. Em reação ao movimento de evangelho social, muitas igrejas permaneceram profundamente suspeitas sobre muita  ênfase em achar um lugar para ministrar aos pobres.

Pela luz do material bíblico, muitos hoje procuram um certo tipo de equilíbrio. De um lado, alguns dizem que nós devemos fazer misericórdia e justiça apenas se isto ajudar-nos a trazer pessoas para a fé em Cristo[13]. Isto não parece se encaixar com a parábola do bom samaritano de Jesus, que nos chama para cuidar daqueles que são ingratos e maus (Lc. 6:35). O caminho de meio-para-um-fim abre os cristãos para uma carga de manipulação: ao invés de amar realmente as pessoas livremente, nós estamos ajudando apenas aqueles que ajudam a si mesmos e aumentando nossos próprios números. Uma das grandes ironias desta aproximação é que ela mina a si mesma. Eu tenho sabido de muitos ministros que avaliam seus ministérios de misericórdia pelo número de convertidos ou membros de igreja que eles produzem. O sociologo Robert Putnam caracteriza tal iniciativa eclesiástica como uma igreja centrada em colar capital social (ou seja,  excluindo pessoas) de capital social, que é o oposto a uma ponte centrada na comunidade que seria inclusiva de capital social[14]. Isto é, o ministério destes tipos de igrejas não é realmente planejado para construir sua vizinhança, mas apenas para expandir a igreja. É fácil ver como esta abordagem talvez seja percebida como tribal e auto-centrada, doa-se apenas para ter algo em troca (Lc. 6:32-35).

Por outro lado, outros tais como John Stott vê o evangelismo e a preocupação social como parceiros iguais:

“Ação social é parceira do evangelismo. Como parceiros, os dois pertencem um ao outro, e ainda, são independentes um do outro. Cada um permanece sobre seu próprio pé, eu seu lado certo ao lado do outro. Nem é um meio para o outro, ou mesmo uma manifestação do outro. Para cada um existe um fim em si mesmo”[15]. Este pensamento parece desprender o ministério de misericórdia muito do ministrar para o mundo. Isto abre a possibilidade de que o ministério com os pobres poderia ficar por si mesmo sem a pregação do evangelho. Eu proponho algo diferente: uma relação assimétrica, mas,  inseparável.

Evangelismo é mais básico que ministrar para os pobres. Evangelismo deve ser visto como a vanguarda do ministério da igreja no mundo. Deve ser uma prioridade no ministério da igreja. É obvio que, salvar uma alma perdida e alimentar um estômago faminto são ambos os atos de amor, um tem um efeito infinitamente maior que o outro. Em 2Coríntios 4:16-18, Paulo fala da importância do fortalecimento do homem interior como do exterior, a natureza física é envelhecimento e decadência. Evangelismo é o ministério mais básico e radical possível para um ser humano, não porque o espiritual é mais importante que o físico, mas porque a eternidade é mais importante que o temporal (Mateus 11:1-6, João 17:18, 1João 3:17-18).

Ministrar aos pobres é inseparavelmente conectado ao evangelismo. Nós todos sabemos o ditado “Nós somos salvos pela fé, mas a fé não fica sozinha’. Fé o que nos salva, e ainda fé é inseparavelmente conectada com boas obras. No ministério de Jesus, curar o doente e alimentar o faminto são inseparáveis do evangelismo (João 9:1-7,35-41). Seus milagres não eram simplesmente uma demonstração nua e crua do seu poder, que visavam provar sua qualidade sobrenatural, mas, demonstrações do reino vindouro (Mt. 11:2-5).

A renovação da salvação de Cristo, por último, inclui um universo renovado. Neste meio tempo, não há nenhuma parte de nossa existência que não é tocada pela sua bênção. Os milagres de Cristo são milagres do reino, realizados como sinais do que o reino significa… Sua bênção foi pronunciada sobre os pobres, os aflitos, os sobrecarregados  e oprimidos, que vieram a Ele e acreditaram nEle… Os sinais milagrosos que atestavam a deidade de Jesus e autentica o testemunho daqueles que transmitiu o evangelho para igreja não continuaram, porque seu objetivo foi cumprido. Contudo, o padrão do reino que foi revelado através destes sinais deve continuar na igreja. Nós não podemos cumprir as palavras de Jesus se nossos atos não refletirem a compaixão do seu ministério. O evangelismo do reino é, portanto, holístico, que se transmite por palavras e ações da promessa de Cristo para o corpo e a alma, bem como a ordem de Cristo para o corpo e alma[16]. ()

O livro de Atos mostra uma conexão próxima entre a partilha dos bens econômicos e a multiplicação de convertidos através da pregação da Palavra. Na igreja primitiva, a descida do Espírito Santo e o explosivo crescimento em números (At.2:41) estavam conectados com uma radical partilha com os necessitados (2:44-45). Depois o ministério da diaconia foi firmemente estabelecido, “a palavra de Deus espalhou. O número de discípulos em Jerusalém crescia rapidamente” (At. 6:7). Além disso, o imperador romano Juliano, o apóstata, notou que os cristãos eram extremamente benevolentes com os estranhos: ”Os ímpios galileus (cristãos) suportam não apenas seus pobres, mas os nossos também; todos podem ver que nosso povo precisa da ajuda deles” [17]

Inseparáveis não significa uma ordem rígida temporal O ministério para os pobres pode preceder a ministração do evangelho, como o ministério de Jesus para o cego. Através de um ministério de obras, trouxe o cego para uma iluminação espiritual, não nenhuma indicação que Jesus deu uma ajuda condicional. Ele não pressionou o homem a acreditar que Ele o curou, ele apenas disse para ir e se lavar (João 9:7). Mesmo quando Jesus falou em dar dinheiro e roupas para aqueles que pedirem, ele insistiu que nós devemos dar sem esperar nada em troca (Lucas 6:32-35). Nós não podemos dar um auxílio apenas porque a pessoa está aberta para o evangelho, nem retirarmo-nos se ele ou ela não se tornar espiritualmente receptivo. Deve estar sempre clara que a motivação para a nossa ajuda é a nossa fé cristã, e as dores devem ser encaradas para encontrarmos caminhos não artificiais e não exploradores para manter o ministério da Palavra intimamente conectado com o ministério de ajuda.

III. COMO SE ENGAJAR EM MINISTRAR PARA OS POBRES.

Enquanto eu não apontar para este ensaio, especificamente, os detalhes para um ministério saudável da igreja para os pobres[18], exorto as igrejas para alcançar um bom resultado das seguintes formas.

Uma análise da motivação: Justiça e misericórdia.

Uma coisa é querer ajudar os pobres; outra coisa é fazer isto de maneira sábia. De fato, é mais fácil para o envolvimento de alguém na vida de uma família pobre fazer coisas que pioraram ao invés de facilitar a vida deles. Isto acontece por causa de duas políticas ideologias não bíblicas e reducionistas que permeiam nossa cultura hoje. Conservadores, em geral, vêem a pobreza como ocasionada pela irresponsabilidade pessoal. Liberais, pensam  como causada por um sistema de injustiça social. Contudo, a Bíblia move-se para trás e para frente em chamar o ministério para os pobres tanto de justiça como de serviço (diakonia) ou misericórdia. Talvez, o mais famoso apelo bíblico para ajudar os pobres é a parábola do Bom Samaritano, em que a ajuda é chamada de misericórdia (Lucas 10:37). No outro caso, contudo, a partilha de alimentos e abrigo e outros recursos básicos são chamados de “fazer justiça” (Is. 58:6-10 cf. Lv. 19:13, Jr. 22:13).

Penso que a razão para uso dual dos termos justiça e misericórdia envolve a explanação bíblica para as causas da pobreza como muito mais complexas que nossas ideologias correntes[19]. A literatura de sabedoria provê uma notável visão balanceada e sutil  sobre as raízes causadoras da pobreza. Em Provérbios, nós lemos que “em todo trabalho há proveito, mas ficar só em palavras leva à pobreza” (Pv. 14:23). Ainda nós somos avisados que “o pobre, do sulco da terra, tira mantimento em abundância; mas há os que se consomem por falta de juízo” (Pv. 13:23). Ambas, questões pessoais e sociais, fatores sistêmicos pode levar a pobreza.

Muitos conservadores estão motivados a ajudar o pobre sem compaixão. Isto pode vir da crença que a pobreza é, em suma, um problema de irresponsabilidade pessoal. Isto perde o fato que as posses que tem as têm por causa de  um grande grau de distribuição injusta de oportunidades e recursos que ele teve ao nascer. Se nós temos os bens do mundo, eles são, em última instância, um presente. Se nós tivéssemos nascidos em outras circunstâncias, nós poderíamos facilmente ser muito pobres sem ser por nossa falta. Falhar em compartilhar o que nós temos  não é apenas ser incompassivo, mas injusto e leviano. Por outro lado, muitos liberais são motivados a ajudar os pobres sem o sentido de indignação e de injustiça. Pobreza é vista, estritamente, em termos de iniqüidades estruturais. Isto perde o fato que a responsabilidade pessoal e a transformação têm muito a ver com a fuga da pobreza. Enquanto, a única compaixão do conservador leva a um paternalismo e autoritarismo, a justiça única dos liberais leva a uma grande raiva e rancor.

Ambas as visões, ironicamente, se tornam farisaicas. Uma tende a culpa o pobre por tudo, e a outra a culpar o rico por tudo. Uma enfatiza demais a responsabilidade individual; e a outra a menospreza. Uma motivação balanceada surge de um coração tocado pela graça, que perdeu seus sentimentos de superioridade sobre qualquer classe particular de pessoas. É o evangelho que nos motiva para agir além da misericórdia e justiça. Deus disse a Israel, "Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-ás como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR vosso Deus” (Lv. 19:34). Os israelitas foram estrangeiros e escravos oprimidos no Egito. Eles não tinham capacidade para se libertarem, ao invés, Deus libertou-os através da sua graça e poder. Agora, eles tinham que tratar os imigrantes e os pobres como seus vizinhos. A motivação deles era clara- por causa da salvação libertadora de Deus da tirania do Egito.

UMA DIVISÃO DE TRABALHO: INDIVIDUAL E IGREJA.

O ministério da igreja para os pobre faz grande sentido como um veículo coletivo para cristãos preencherem o dever bíblico para com os pobres. A igreja deve reconhecer os diferentes níveis do ministério para os pobres, e entender os limites de cada um.

+ Socorro. Esta é a ajuda direta para solucionar necessidades físicas materiais ou sociais. Um ministério comum de socorro inclui abrigos temporários para sem tetos, alimentos e ajuda em vestuário, cuidados médicos, aconselhamento de crises e coisas parecidas.  Uma forma mais ativa de ajuda é advocacia, em que as pessoas em necessidade têm assistência para ajuda legal, encontrar casas ou ter acesso a outros tipos de ajuda.

+Desenvolvimento. Isto é o que necessário para trazer uma pessoa ou comunidade para uma vida auto-suficiente. No Velho Testamento, quando um débito de escravidão era apagado e a pessoa libertada, Deus determinou que seu antigo mestre devesse dar a ele, grãos, ferramentas e recursos para uma nova, sustentável vida (Dt. 15:13-14). Desenvolvimento inclui educação, criação de empregos e treinamento vocacional.  Desenvolvimento para uma vizinhança ou comunidade envolve reinvestimento de capital social e financeiro dentro do sistema social, tais como através de desenvolvimento de habitação, doação de lares, e outros investimentos de capital.

+ Reforma. Uma reforma social move-se além da ajuda às necessidades imediatas e procura mudar as condições e estruturas sociais que causam dependência. Em Jó, nós vemos que Jó não apenas vestiu os nus, mas também “quebrava os queixos do perverso, e dos seus dentes tirava a presa” (Jó 29:17). Os profetas denunciaram os salários desleais (Jr. 22:13), as práticas corruptas de negócios (Am. 8:2,6),  os sistemas jurídicos que ponderavam em favor dos ricos (Lv. 19:15, Dt. 24:17), e os sistemas de crédito que pesavam sobre as pessoas de meios modestos (Êx. 22:25-27; Lv. 19:35-37; 25:37). Estes exemplos provam que os cristãos deveriam envolver-se em suas comunidades particulares, em busca condições de trabalho justas e equitativas que forem necessárias.

Como regra geral, acredito que a igreja deve estar envolvida na primeira parte desses ministérios,  (ministério de socorro), e as associações de voluntários, organizações, e ministérios devem estar organizados para o segundo (desenvolvimento) e terceiro (reforma). Muitos poderão argumentar que o desenvolvimento e reforma requer uma abundância de recursos que poderia infringir o ministério da igreja para com a Palavra, outros poderiam dizer que o desenvolvimento e a reforma criariam alianças políticas não saudáveis com a congregação. E ainda, outros poderiam argüir que o desenvolvimento e reforma são complexos demais para ser incluídos no mandato ou qualificações dos dirigentes (anciões) da igreja. Todos estes argumentos têm algum mérito, e eu não tenho tempo e espaço para responder adequadamente estes assuntos aqui. Eu apenas gostaria de observar que a maioria das igrejas dos Estados Unidos  que estão envolvidas com o cuidado com os pobres tem encontrado sabiamente um curso de ação para a criação de uma corporação separada e não lucrativa para lidar com o desenvolvimento da comunidade e reforma social, ao invés de trabalhar isto diretamente com a congregação local.

IV. JESUS, O HOMEM POBRE.

A Bíblia ressoa com a mensagem que Deus se identifica com o pobre. Como mencionado anteriormente, isto significa que no dia do julgamento, Deus estará pronto para julgar a atitude da pessoa através da atitude dela com os pobres (Mt. 25). Isto também quer dizer que algo mais profundo.

Em Mateus 25, Deus identifica-se com o pobre simbolicamente. Contudo, na encarnação e morte de Jesus, Ele se identificou literalmente (cf. Fp. 2:5-11). Jesus nasceu em uma manjedoura. Em sua cerimônia de circuncisão, a família de Jesus podia ofertar apenas o mínimo, que era requerido para o pobre (Lc. 2:24). Durante seu ministério terreno, Jesus disse: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt. 8:20). E, no final de sua vida, ele foi para Jerusalém montado em um burrinho emprestado, e passou sua última noite em um quarto emprestado, e quando morreu, foi enterrado numa tumba emprestada. Seus algozes tiraram sorte sobre suas únicas posses, sua veste, por causa da cruz ele foi despojado de tudo.

Tudo isto dá um novo significado para a questão: “Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?” (Mt. 25:44). A resposta é: na cruz, quando ele morreu entre os ladrões e marginalizado. Não espanta que Paulo possa dizer que apenas quando você vê que Jesus se tornou pobre para nós, você nunca irá olhar para o pobre da mesma forma.

Copyright © 2008 by Timothy Keller, © 2010 by Redeemer City to City.  Este artigo foi adaptado de um ensaio apresentado na  The Gospel Coalition’s Pastors’ Colloquium em Deerfield, IL em 28 de maio de 2008, e impresso em  Themelios, Volume 33, Issue 3, December 2008.


[1] Jonathan Edwards, “Christian Charity, or The Duty of Charity to the Poor, Explained and Enforced,” in The Works of Jonathan Edwards, rev. and corr. Edward Hickman, vol. 2 (1834; reprint, Carlisle, Penn.: Banner of Truth, 1974).

[2] Ibid., 2:164.

[3] Ibid., 2:165.

[4] Ibid., 2:165.

[5] Ibid., 2:171

[6] Richard N. Longenecker, Galatians, Word Biblical Commentary 41 (Dallas: Word, 1990), 275.

[7] Edwards, “Christian Charity,” 2:171 (grifado no original)

[8] Jonathan Edwards, Christian Charity, 2:171-72

[9] Veja Bruce K. Waltke, A Commentary on Micah (Grand Rapids. Mich.: Eerdmans, 2007), 164. Waltke aponta que a ajuda ao pobre é, por vezes, chamada de justice e, algumas vezes, chamada de misericórdia. Eu vou usar ambos s temors e dar uma pequena explanação sobre a diferença entre eles mais tarde neste ensaio.

[10] Ibid., 390–94.

[11] Edwards, “Christian Charity,” 2:166 (grifado no original).

[12] Ibid.

[13] C. Peter Wagner, Church Growth and the Whole Gospel: A Biblical Mandate (San Francisco: Harper & Row, 1981), 101–4.

[14] Robert D. Putnam, Bowling Alone: The Collapse and Revival of American Community (New York: Simon and Schuster, 2000), 22–24.

[15] John R. W. Stott, Christian Mission in the Modern World: What the Church Should Be Doing Now! (Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 1975), 27.

[16] Edmund P. Clowney, “Kingdom Evangelism,” in The Pastor-Evangelist: Preacher, Model, and Mobilizer for Church Growth, ed. Roger S. Greenway (Phillipsburg, N.J.: Presbyterian and Reformed, 1987), 22

[17] Citação de Rodney Stark, The Rise of Christianity: How the Obscure, Marginal Jesus Movement Became the Dominant Religious Force in the Western World in a Few Centuries (San Francisco: HarperCollins, 1997), 84.

[18] Editor’s note: Cf. Timothy J. Keller, Ministries of Mercy: The Call of the Jericho Road, 2nd ed. (Phillipsburg, N.J.: Presbyterian and Reformed, 1997).

[19] Cf. D. A. Carson, How Long, O Lord? Reflections on Suffering and Evil, 2nd ed. (Grand Rapids: Baker, 2006), 51–59, que discute seis tipos de pobreza.