Mostrando postagens com marcador Pregação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pregação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, janeiro 29, 2013

Tim Keller: A obra da renovação pelo evangelho.


No capítulo 6 de Center Church, pastor Tim Keller ainda está comentando a respeito da renovação pelo Evangelho.  Agora, ele irá falar sobre os aspectos práticos através do qual o Espírito Santo transforma vidas e igrejas, e também sobre a pregação e sinais da evidência de uma renovação pelo evangelho.

Os significados de uma renovação pelo Evangelho.

A fonte última do avivamento é o Espírito Santo, ele usa muitos instrumentos para produzir isto.

Oração extraordinária.

Uma oração unida, persistente e centrada no reino. O importante aqui não é o número de pessoas, mas a natureza da oração. 

Ele cita a diferenciação de C. John Miller de orações de manutenção e orações de linha de frente.  Orações de manutenção são pequenas, mecânicas e focadas nas necessidades físicas de dentro da igreja. Em contraste, oração de linha de frente são:

1. pedido pela graça para confessar pecados e nos humilharmos.
2. compaixão e zelo pelo florescimento da igreja e alcançar os perdidos.
3. desejo de conhecer a Deus, ver sua face, ter um vislumbre da sua glória.

Estas distinções são poderosas, podemos ver elas em uma reunião de oração. As orações bíblicas por avivamento estão em Ex 33, Nee 1, At 4, os três elementos estão claros lá. Em Atos 4, após serem ameaçados, os discípulos não pedem por proteção, ele pedem corajem para continuar pregando! 

Redescoberta do Evangelho.

A ênfase no novo nascimento e na salvação apenas pela graça. Martin Lloyd-Jones, citado por Keller, lembra que o evangelho que enfatiza a graça poderia se perder por muitas formas, a igreja poderia se tornar heterodoxa, e perder alguns ensinos ortodoxos como a natureza triuna de Deus, a deidade de Cristo, a ira de Deus e assim por diante. Alguns poderiam pensar que a crença na justificação pela fé somente e a necessidade de conversão é apenas uma questão de membresia ou viver com base no exemplo de Jesus. Isto corta o nervo da renovação pelo evangelho e avivamento. Contudo, é possível subscrever toda doutrina ortodoxa e ainda assim, falhar em comunicar o evangelho para os corações das pessoas numa forma que leva ao arrependimento, alegria e crescimento espiritual. Um jeito que isto acontece é pela ortodoxia morta, em que o orgulho cresce pela correção doutrinária, que gera uma igreja de justiça por obras.

Lloyd-Jones também fala de uma ortodoxia defeituosa e uma inércia espiritual, algumas igrejas seguram doutrinas mas com desequilíbrios e falta de uma ênfase adequada. Muitos ministros gastam mais tempo defendendo a fé do que a propagando-a.  Ou, gastam muita energia com questões como profecias, dons espirituais, criação e evolução. Mas as doutrinas da graça e da justificação e da conversão não são tão enfatizadas, não se conecta com a vida das pessoas. As pessoas vêem estas doutrinas, mas não enxergam. É possível tirar um num teste doutrinário e descrever adequadamente as doutrinas da salvação, e ainda assim, ser cego para seu poder e implicação verdadeiros.

Quando isto é aplicado aos corações, cristãos nominais são convertidos,  cristãos letárgicos e fracos se tornam fortes, e não crentes são atraidos para a novamente bela congregação.

Um dos grandes veículos que levaram ao primeiro avivamento em Northampton, Massachutes, foi dois sermões de Jonathan Edwards em Romanos 4:5 - Justificação apenas pela fé=- em novembro de 1734. Para John Wesley e Whitefield, os líderes do avivamento britânico, o entendimento da salvação pela graça, ao invés do esforço moral, que tocou as pessoas para uma renovação e as fez agentes de avivamento.

Aplicação do Evangelho.

Primeiro, a igreja recupera o evangelho através da pregação. A pregação é onde o grande número de pessoas da igreja está exposto. Existem algumas partes da escritura melhores para pregar o evangelho que outras? Não, de forma alguma. Qualquer oportunidade que você prega Cristo e sua salvação como o significado do texto ao invés de simplesmente expor os princípios bíblicos para a vida, você está pregando através da renovação. Pregar desta forma não é fácil. Mesmo aqueles que estão compromissados com uma pregação cristocêntrica tendem a fazer sermões inspirativos em Jesus, com pouca aplicação. Entender isto é um tópico enorme para digerirmos. Aqui Keller aconselha o livro de Bryan Chappell.

O segundo modo como um pastor recupera o evangelho é através de treinamento dos líderes leigos para ministrar o evangelho para os outros. Os componentes são aqui são conteúdo e contato.  Como conteúdo, Keller cita seu próprio livro Deus pródigo e o capítulo a verdadeira fundação de Depressão Espiritual de Lloyd-Jones. Por contato de vida, é o aconselhamento e encontros para ajudar os líderes a se arrependerem de seus ídolos e sua auto-justiça. Quando a ficha do evangelho cair, você terá os efeitos.

Uma terceira forma é enjetar um elemento experimental num pequeno grupo ou em grupos dedicados a isto. As pessoas precisam de um momento de comunhão e estudo juntas em grupos pequenos, Wesley e Whitefield aconselhavam isto. 

A quarta forma é através da conversação, a renovação pelo evangelho se espalha pela igreja pelas pessoas que contam sua renovação umas para as outras, quando um cristão compartilha como evangelho transformou sua vida.

O quinto modo de aplicação é que os pastores e lideres saibam usar o evangelho no coração das pessoas no aconselhamento pastoral.  Busque saber qual é conhecimento e sentimentos do aconselhado a respeito do evangelho, procure formas de auto-justiça e ajude as pessoas a saírem disto.  O evangelho deve ser usado para cortar tanto o moralismo como a licenciosidade que destrói a vida e o poder espiritual.


Inovação do Evangelho.

Outro fator importante é a inovação e a criatividade. O avivamento acontece pelos meios instituídos como a pregação, pastoreio, adoração e oração. É muito importante reafirmá-los. O Espírito Santo pode usar estes meios para conversões extraordinárias e trazer um crescimento significante na igreja.

Contudo, quando estudamos a história dos avivamentos, vemos novos métodos de comunicar o evangelho. No grande avivamento, dois ministros começaram a pregar em público e usaram encontros de pequenos grupos.  Como também o uso de inovações tecnológicas como a imprensa. Nenhum avivamento repete as experiências do passado, seria um erro identificar um método específico com avivamentos. 

Embora, os meios principais continuam sendo teológico - redescoberta do evangelho- e ordinários- pregação, oração, comunhão e adoração - Devemos procurar novos modos para a proclamação do evangelho que o Espírito Santo possa usar em nosso momento cultural. 

Pregação para uma renovação pelo Evangelho.

Keller coloca cinco características que definem esta pregação:

1. Pregue distinguindo  religião do evangelho. Uma pregação efetiva irá criticar tanto a religião como a irreligião, e também vai direcionar ao problema central da idolatria ajudando os ouvintes olhar além de seu comportamento, para as motivações e ver como o evangelho está funcionando ou não em seus corações.

2. Pregue tanto a santidade como o amor de Deus para transmitir as riquezas da graça. A pregação não deve enfatizar apenas o julgamento de Deus, a santidade e retidão - como pregadores moralistas- ou enfatizar apenas o amor e a misericórdia de Deus - como os pregadores liberais-. Apenas quando as pessoas enxergam Deus como absolutamente santo e absolutamente amoroso, a cruz irá transformá-los.  Jesus era tão santo que teve de morrer por nós, nada menos poderia satisfazer sua santidade e retidão. Mas ele era tão amoroso que ele estava satisfeito em morrer por nós, nada menos poderia seu desejo de nos ter como seu povo. Isto nos humilha do nosso orgulho e egoísmo, e ainda assim, ao mesmo tempo, nos afirma de nosso desencorajamento. Isto nos leva a odiar o pecado e ao mesmo tempo nos proibe de odiarmos a nós mesmos.

3. Pregue não apenas para deixar a verdade clara, mas também, para deixá-la real. Quando vemos como Paulo busca crescer a generosidade das pessoas apelando para como elas conhecem a generosidade e graça de Cristo - 2Co 8-. Em outras palavras, se os cristãos são materialistas, não é uma mera falha da vontade, a falta de generosidade vem de que eles realmente não entenderam como Jesus se fez pobre por eles, como nEle temos todas as riquezas e tesouros. Não pregue simplesmente o que as pessoas devem fazer, você deve apresentar Cristo de tal forma que ele captura o coração e a imaginação mais do que as coisas materiais. Isto toma não só uma apresentação intelectual mas uma apresentação da beleza de Cristo.
Para Jonathan Edwards, o maior problema espiritual dos crentes é que enquanto eles tem uma noção intelectual de muitas doutrinas, estas não são reais para seus corações e não influenciam seu comportamento. No caso do materialismo, o poder do dinheiro para trazer segurança é mais espiritualmente real que o amor de Deus e sua providência. 
D. Martyn Lloyd-Jones sumariza isto dizendo: o primeiro e primário objeto da pregação é produzir uma impressão. Esta é a impressão que com o tempo importa, ainda mais quando você pode lembrá-la depois. 

A questão da pregação é tornar o conhecimento vivo.

4. Pregue Cristo de todo texto. 
A maneira principal para evitar uma pregação moralista é estar certo que você sempre estará pregando Cristo como o ponto principal e mensagem de cada texto. Se você não apontar Cristo para seus ouvintes antes do fim de cada sermão, você dará a impressão que o sermão é sobre eles, sobre o que devem fazer. Contudo, nós sabemos de textos como Lucas 24:13-49,  que Jesus entendia cada parte da Bíblia como apontando para Ele e sua obra de salvação. Isto não é uma sugestão que cada autor de cada passagem intencionalmente fez referências a Jesus mas se você entender o texto todo em seu sentido canônico é possível discernir as linhas que estão apontando para Cristo.
Por exemplo, em Juízes 19, temos um texto de um levita cercado por homens violentos que para salvar sua própria vida, oferece sua concubina para ser estrupada. Não há como falar deste texto sem dizer que é um fato horrível, uma direta contradição ao que a Bíblia ordena aos maridos. Um marido deve proteger sua esposa - Ef 5. Como? O autor de Juízes não saberia  como nós sabemos, que verdadeiro esposo temos quando olhamos para Jesus, Paulo diz isto em Efésios 5. Apenas mostrar que devemos ser bons maridos não é o bastante, devemos apontar para Cristo que nos fará livres do medo e do orgulho que nos faz maus esposos. 
No fim há duas questões que devemos fazer quando lemos a Bíblia: é sobre mim? Ou é sobre Jesus? Em outras palavras, a Bíblia é basicamente sobre o que devo fazer ou sobre o que Ele fez?  Pense na história de Davi e Golias, se eu leio como uma história sobre mim, é uma exortação para termos fé e coragem para lutar com os gigantes. Mas, se eu aceito que Bíblia é sobre o Senhor e sua salvação, e se leio Davi e Golias sobre esta luz, ela lança uma multidão de coisas em evidência!  O ponto central desta passagem do Velho Testamento é que os israelitas não poderia se opor ao gigante por si mesmos. Ao invés disto, eles precisavam de um campeão que poderia lutar em seu lugar- um substituto que iria enfrentar o perigo mortal em seus lugares. E o substituto que Deus providenciou não era uma pessoa forte, mas fraca- um garoto que mal cabia numa armadura. Ainda assim, Deus usou esta fraqueza libertadora como meio para trazer destruição ao risonho e super confiante Golias. Davi triunfa através de sua fraqueza e sua vitória é imputada para seu povo. E assim também Jesus. Através de seu sofrimento, fraqueza e morte que o pecado foi derrotado. Esta  história vívida e envolvente nos mostra que significa quando declaramos que estamos mortos com Cristo - Rm 6:1-4- e ressuscitamos e nos assentamos com Ele (Ef 2:5-6). Jesus é o perfeito campeão, nosso verdadeiro campeão, que não apenas arriscou sua vida por nós, mas deu ela. E agora sua vitória é a nossa vitória, e tudo que ele conquistou foi imputado para nós.

5. Pregue tanto para cristãos como para não cristãos. Keller conta a influência de Lloyd-Jones em sua pregação, com que aprendeu que não se deve pregar para a congregação apenas para o crescimento espiritual, assumindo que todos são crentes, e nem pregar um sermão evangelístico, pensando que os crentes não podem crescer com ele, Evangeliza como você edifica e edifica como você evangeliza.


Os sinais da renovação.

O avivamento acontece quando as pessoas que já conhecem o evangelho descobrem que realmente não o conhecem. E por abraçar o evangelho, elas vivem uma fé viva. Não crentes são atraídos pelas vidas transformadas, e a igreja começa a crescer em seu chamado e como um sinal do reino, uma linda alternativa para a sociedade humana sem Deus.
Um primeiro sinal é quando crentes nominais se convertem, que passam a entender que nunca acreditaram no evangelho realmente. Logo, cristãos sonolentos começam a receber uma nova segurança e apreciação pela graça. Cristãos se tornam confiantes e testemunhas atraentes.
Quando o evangelho se faz presente, tanto a santidade de Deus e seu amor são mais adorados, isto leva a uma nova realidade espiritual de Deus na adoração. 
Um renovado interesse no evangelho sempre leva a um interesse na teologia bíblica, que esteja conectada com a vida real. 
O evangelho cria uma humildade que leva os crentes a serem mais pacientes uns com os outros, que aprofunda os relacionamentos.
Durante os tempos de avivamento, há uma natureza contracultural da igreja que atrai os não-crentes.
A renovação pelo evangelho produz pessoas humildes, não desdenhosas com aqueles que não concordam com elas, mas amorosas, menos preocupadas com a opinião dos outros. Cada crente se torna um evangelista natural. Há um crescimento através de conversões.
Há uma atenção com a pobreza e a justiça social, cristãos entendem que não podem se auto salvarem, isto muda sua atitude com as pessoas que estão pobres. Se tornam servos de seus vizinhos, dos pobres e da cidade.
Todas estas mudanças, na igreja e na comunidade em redor, trazem um efeito cultural. Crentes assim impactam as artes, os negócios, governos, mídia.
Porque a verdadeira religião não é uma prática privada somente que dá paz e satisfação. A santidade afeta a vida civil e privada dos crentes. transforma comportamentos e relacionamentos, a presença ativa de cristãos mudam uma comunidade em todas as suas dimensões. São os frutos que são produzidos de um verdadeiro avivamento pelo Evangelho, 
Sem isto, muito do crescimento pode vir por transferência e não conversões, porque não acontece uma convicção profunda do pecado ou arrependimento, poucas pessoas mostram uma mudança de vida. Este crescimento não tem impacto porque os participantes não levam sua fé para o trabalho, para como eles usam seu dinheiro ou vivem suas vidas públicas. Contudo, quando as dinâmicas da renovação estão fortes em nossos corações e igrejas, somos fortalecidos e embelezados pelo Espírito de Deus.




Todos estes elementos de um visão teológica de Igreja de Centro, a renovação pelo evangelho pode ser a mais dificil para ser colocada em prática porque nós podemos apenas nos preparar para o avivamento, Deus tem de enviá-lo. Isto pode desencorajar alguns porque vivemos numa sociedade tecnológica em que procuramos ter controle sobre tudo através de nossa competência e vontade.





Gospel Renewal - Trailer from Redeemer City to City on Vimeo.

domingo, fevereiro 07, 2010

quarta-feira, dezembro 02, 2009

EUGENE PETERSON: Pregação


"Sem a pregação, por mais esplêndido que seja o trono e por maior que seja o número dos anciões e das criaturas, não há certeza de que eu me incluo, e, como consequência, vem desespero suficiente para levar uma pessoa ao pranto. Não basta enxergar o trono glorioso, ouvir os cânticos maravilhosos e entender como são vastas as inclusões. Se não descubro que eu me incluo, não conseguirei louvar, minhas ração será o choro. Se não consigo me ver entre os que jogam a coroa para o alto e gritam de alegria, despreocupados, minha única atitude será curvar a cabeça e chorar"


Eugene Peterson, Trovão Inverso, p. 98

quarta-feira, setembro 16, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento 3


A história da pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento.

"Qualquer pessoa que leia as Escrituras com atenção descobrirá nelas a palavra sobre Cristo...pois Cristo é o tesouro escondido num campo...ele foi escondido, foi simbolizado por tipos e expressões parabólicas que no nível humano não poderiam ser compreendidos antes da consumação daquilo que foi profetizado, ou seja, a vinda de Cristo"

Irineu, Contra as Heresias, 4,26,1 p. 87

Interpretação alegórica.

permite ir além do signifcado literal, histórico, de uma passagem, para um suposto sentido mais profundo.
Irineu (c. 130-200)


Para ele, o fundamento da hermeneutica é que Cristo constitui o centro da Escritura, a Bíblia é um livro sobre o Salvador. O tema fundamental da Bíblia é o plano de salvação.


As idéias de dispensações capacita Irineu a mover-se além dos limites de simplesmente descobrir Cristo no AT para também considerar o significado da passagem para Israel. ele escreve que Deus levantou profetas na terra....esboçando, como um arquiteto, o plano da salvação para aqueles que o agradassem. E ele mesmo forneceu direção aos que contemplavam não no Egito, enquanto aos rebeldes do deserto, ele promulgou uma lei muito aplicável à sua condição. Aqui, vemos Irineu dando o primeiro passo em direção ao que um dia seria chamado de interpretação histórica.
De acordo com A.S. Wood, Irineu deduziu dois princípios hermenêuticos da unidade da Escritura: O primeiro é a harmonia da Escritura. O segundo é o princípio da analogia pelo qual é permitido à Escritura agir como seu próprio intérprete" p.95
Em oposição à interpretação alegórica dos gnósticos, Irineu sugere ainda outro princípio heremeneutico: os pregadores devem ter como alvo a interpretação comum, simples, óbvia do texto da Bíblia.




A Escola de Alexandria



A interpretação alegórica foi desenvolvida primeiramente na Grécia no sec. 3o. a.C.


"John Breck mostra como a escola filosófica grega que se originou com Platão inspirou a interpretação alegórica preferida pelos alexandrinos: ao opor o ambito eterno da verdade ao mundo historico da matéria, os herdeiros da filosofia platônica tinham a tendência de desvalorizar o conceito de História e, consequentemente, o arcabouço histórico da revelação...A interpretação de acontecimentos históricos consiste em discernir seu sentido espiritual ou seja, o significado mais profudno da realidade eterna, celestial, que se expressa na vida humana. Declarado como um princípio hermenêutico, o objetivo é discernir o significado escondido de um aconteciemnto, expondo a verdade eterna nele inserida" (p. 98).
.
.
Clemente de Alexandria 150-215
foi o primeiro a acrescentar o metodo alegórico de Filo aos métodos de exegese já existiam.
"Como Filo, Clemente ensinava que a Escritura tinha um significado duplo; Análogo ao ser humano, ela tem um significado de corpo - literal- como também um significado de alma- espiritual- por trás do sentido literal" p. 99
.
.
Orígenes 185-254
"A abordagem de Orígenes está muito mais arraigada numa teologia da encarnação e numa visão sacrametal de mundo...Cristo, o Logos, comunica-se conosco de três modos encarnacionais, com seu corpo historico e ressureto, com seu corpo, a igreja e com seu corpo das Escrituras, cujas letras recebem vida pelo Espírito Santo" (Thiselton, in p. 101)
.
"Antes do advento de Cristo, não era completamente possível demonstrar provas concretas da inspiração divina das antigas Escrituras, enquanto que a sua vinda levou aqueles que poderiam suspeitar que a lei e os profetas não eram divinos `a clara convicção de que eles foram compostos com o auxílio da graça celestial " Origenes, First Principles, 4,1,6 in p. 101

.
O problema da pregação alegórica é que eles prociuram a relaçãocom Jesus em algum detalhe um tanto incidental pra tratamento como metafora, e ñão o resto da história. A tendencia de buscar o texto e faze-lo adequar a homília.

.

Interpretação tipológica

Escola de Antioquia

a principal diferença entre a tipológica e alegórica é a forma como a história da redenção funciona na interpretação, Embora, a alegórica não negue a história redentora, ela não desempenha papel importante na interpretação da Escritura. A tipológica requer a história redentora, porque a analogia e o desenvolvimento progressivo entre tipo e antitipo são feitos dentro da história redentora. Como disse K. J. Woolcombe: "A exegese tipologica é busca por elos entre acontecimentos, pessoas ou coisas dentro da estrutura historica da revelação, enquanto o alegorismo é a busca de um significado secundário e escondido subjacente ao sentido principal e obvio de uma narrativa" p. 110
.
.
Teodoro de Mopsuéstia (350-428)

utiliza a interpretação gramatica-historica. Ele focaliza o sentido natural e literal, procura determinar o sentido historico original de uma passagem.

"Até mesmo quando o NT cita um texto do AT, ele pode ser apenas ilustrativo em vez de uma indicação do sentido messiânico; até Os. 11.1 diz ele não faz referência a Cristo, apesar de Mt. 2,15

Teodoro foi chamado de judaizante- porque ele entendia o AT dentro de seu sentido historico e se recusavaa ler as doutrinas cristãs nele, como estava sendo feito cada vez mais em seus dias. p. 113

.

.

João Crisóstomo (347-407)

O tipo recebe o nome de verdade até que a verdade esteja prestes a vir, mas quando vier o verdadeiro, o nome não é mais usado. Semelhante , na pintura: um artista desenha um rei, mas até que as cores sejam aplicadas ele não é chamado de rei, quando as cores são vestidas, o tipo é escondido pela verdade, e não é mais visível, e dizem então: Eis o Rei. (p.115)

.

.

Intepretação Quádrupla

literal-histórico, moral, místico e escatológico.

.

.

Agostinho 354-430

"o objetivo do escritor desses livros sagrados, ou seja, o Espírito de DEus que nele habita, é não apenas documentar o passado, mas também retratar o futuro, no que concerne à cidade de DEus, pois aquilo que for dito daqueles que não seus cidadãos é dado para sua instrução, ou como enigma para enfeitar sua glória" p. 123

.

João Cassiano (360-435)

1. sentido liteiral, que ensina os fatos historicos. Jerusalém- cidade em Israel

2. sentido alegorico, que mostra que os fatos da historia prefiguram a forma de outro mistério - fé = Jerusalém- a igreja de Cristo

3. sentido tropológico ou moral, que oferece explicação moral pertinente à purificação da vida - amor.= Jerusalém - a alma da pessoa

4. sentido anagógico, que tem a ver com mistérios espirituais, que surgem para segredos mais sublimes e sagrados do céu- esperança= Jerusalém-a cidade celestial de Deus.

"O maná pode ser visto, literalmente, como alimento dado milagrosamente aos israelitas; alegoricamente, como bendito sacramento da Eucaristia, tropologicamente, como o sustento espiritual da alma dia após dia pelo poder da habitação do Espirito de Deus, e anagogicamente, como o alimento das benditas almas no céu, a Visão beatífica e união perfeita com Cristo" p. 125


domingo, julho 19, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento - 2


Capítulo 2- A necessidade de pregar Cristo a partir do Antigo Testamento.


.

.

A tentação da pregação centrada no homem.

"Note que no primeiro ponto a luta particular de Jacó se transforma na luta de toda pessoa- é o erro da generalização, ou universalização. Note, além disso, que a luta física de Jacó é transformada em nossa luta espiritual com Deus - esse é o erro da espiritualização- Note que no segundo ponto, a transformação de Jacó é substituida pelo nosso chamado para a transformação- esse é o erro da moralização-. p.52

.

.

"Deve-se enfatizar que nenhum sermão torna-se Palavra de Deus para a igreja cristã se estiver falando apenas do AT sem estar ligado ao Novo. Em todo sermão surge do texto do AT, deve haver referência ao resultado no Nt da palvra do AT" p. 59

.

.

Os autores do NT repetem vez apos vez as conexões: as promessas do AT são cumpridas no novo, os tipos do AT encontram seu cumprimento nos antítipos do Novo, os temas do AT, tais como reino de DEus, aliança, redenção, conquanto ainda passando por dramáticas transformações, continuam no NT. Todos esses elos demonstram a unidade entre os dois testamentos. Todos esses elos são baseados, afinal, no fato de que a história redentora de DEus é uma só peça" p. 65

.

.

O antigo testamento deve ser interpretado da perspectiva do novo.

"o fato da progressão na história da salvação exige um ouvir sempre renovado da palavra do Senhor falada num momento anterior da história da salvação. Esse ouvir deverá ser novo porque é ouvir dentro do contexto dos acontecimentos e das circunstâncias na história que ocorreram depois" p. 69

.

.

Marcos.

"Kingsbury pergunta sobre o motivo pelo qual Marcos situa sua historia do ministerio terreno de Jesus dentro de um contexto da historia que corte do tempo a profecia do AT até o final dos tempos. Ele responde porque...quer propor a afirmação de que era exatamente o ministerio de Jesus o eixo central para toda a atividade de Deus com a humanidade "p. 77

.

.

Mateus

o significado de Jesus está profundamente arraigado na historia de Israel no AT, tão profundamente que as bençãos prometidas para Israel no AT só encontram cumprimento nele. Ele é israel, a personificação representativa do verdadeiro Israel , como tambem seu rei" p. 78

.

.

se o AT realmente evidencia Cristo, então só somos pregadores fiéis quando fazemos justiça a essa dimensão em nossa interpretação e pregação do AT

.

.

um Cristo sem AT- teríamos um Cristo afastado do amplo pano de fundo do sofrimento humano e da ação redentora de Deus, o pano de fundo da justiça de DEus e de sua ira, seu amor e sua santidade p. 82

.

.

O NT o saudo a Jesus como Messias e Filho de homem, descrevendo-o como servo sofredor, contudo, em nenhum explica o significado desses termos...sem o conhecimento do AT, na verdade, é impossivel entender o significado da obra de nosso Senhor, como os escritores do NT o viam" p. 83

.

.

domingo, julho 12, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento.



Capitulo 1- PREGAR A CRISTO E PREGAR O ANTIGO TESTAMENTO


"A igreja do Novo Testamento pregava o nascimento, o ministério, a morte e a ressureição e a exaltação de Jesus de Nazaré como cumprimento das antigas promessas de aliança com Deus, sua presença hoje no Espírito e seu iminente retorno. Em suma, pregar Cristo significava pregar Cristo encarnado dentro do contexto do pleno escopo da história da salvação" p. 18
.
.
"pregar Cristo como sendo pretar sermões que integrem de modo autêntico a mensagem do texto com o climax da revelação de DEus na pessoa, na obra e no ensino de Jesus Cristo, conforme relevado no Novo Testamento" p. 24
.
.
Sobre a necessidade de pregar a partir do Antigo Testamento.
.
"Como um pastor cristão pode esperar alimentar o rebanho numa dieta espiritual equilibrada se negligencia, completamente, os 39 livros das Escrituras Sagradas dos quais Cristo e todos os autores do Novo Testamento receberam seu próprio alimento espiritual" p. 30
.
.
"Como os gnósticos, Marcion tinha uma visão dualista do universo, em que o mundo material é mau e o espiritual, bom. Um bom Deus - puro Espirito- não poderia ter criado este mundo material. p. 34
.
.
Bultmann acreditava que : "Para a fé cristã, o Antigo Testamento não é mais a revelação como foi antigamente, e ainda é, para os judeus. Para a pessoa que se encontra dentro da igreja, a historia de Israel é um capitulo fechado....a historia de Israel não é nossa história e, no tocante a Deus ter mostrado sua graça nessa historia, essa graça nao foi intencionada para nós...para nós a historia de Israel não é a história da revelação. Os acontecimentos que tinham significado para Israel, que eram a Palavra de Deus nada mais significam para nós... Para a fé cristã, o Antigo Testamento não é, no verdadeiro sentido, Palavra de Deus" p.37
.
.
"apesar dessas grandes dificuldades, há muitas razões para os pastores pregarem a partir do Antigo Testamento: 1. o AT faz parte do canon cristão. 2. ele revela a historia da redenção que conduz a Cristo 3. ele proclama verdades que não são encontradas no NT. 4. ele nos ajuda a entender o NT 5. ele evita uma compreensão errada do NT e 6. ele oferece uma compreensão mais completa de Cristo" p. 41
.
.
"Só no AT é que aprendemos que Deus criou os seres humanos à sua imagem e semelhança para ter comunhão com ele e uns com os outros, com um mandado de desenvolver e cuidar da terra. Só no AT é que recebenmos um retrato da queda humana no pecado, resultando em morte, divisão e inimizade entre a semente da milher e a semente da serpente. Só no AT é que ouvimos sobre a eleição de Abraão e de Israel como ponto de partida para a restauração de seu reino sobre a terra. Só no AT é que encontramos detalhes sobre a aliançã de Deus com Israel, as dez palavras da aliança- O Decalogo- as bençãos e as maldições. Só no AT é que ouvimos falar sobre a vinda do Messias e sobre o Dia do Senhor" p. 44
.
.
"O AT mangém o evangelho fiel à História. É a defesa mais segura contra assimilação de filosofias e ideologias estranhas, contra uma fuga para uma piedade sentimental e puramente fora da realidade deste mundo, e contra aquele individualismo degradante que tão facilmente nos assedia" p. 48

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Pregando Cristo


“A pregação centrada em Cristo é muito mais específica do que a pregação centrada em Deus”.
.

Das recentes palestras sobre “Pregando Cristo a partir das narrativas de Gênesis”.

.
No início de meu ministério, preguei uma série de sermões em Eclesiastes. Um sermão após outro, um pregador aposentado me dizia: “Eu apreciei seu sermão, Sid, mas eu me pergunto: “Será que um rabino poderia ter pregado seu sermão em uma sinagoga?” Esta imagem ficou gravada nitidamente em minha cabeça. O meu sermão era distintivamente cristão? Eu tinha pregado Cristo?Hoje reconheço que mesmo com um doutorado em interpretação bí­blica e pregação, eu não sabia como pregar a Cristo com integridade a partir de Eclesiastes, e eu nem estava muito preocupado em como fazê-lo. Minha maior tarefa, eu penso, era fazer justiça ao texto escolhido, e evitar distorcer as Escrituras. Não seria su­ficiente pregar sermões centrados em Deus? Cristo, afinal, é Deus. Mas pesquisas e reflexões poste­riores me convenceram que a “prega­ção centrada em Cristo” é muito mais específica do que a “pregação centrada em Deus”. De acordo com o Novo Testamento, pregar a Cristo não é o mesmo que pregar a Deus de maneira geral, mas significa pregar Cristo encarnado, Jesus de Nazaré, como o clímax da revelação própria de Deus. Como João explica, “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo 1.18).
.

A Necessidade de se Pregar Cristo
.

A necessidade de se pregar Cristo é claramente comunicada no Novo Tes­tamento. Em primeiro lugar, Jesus or­denou que seus discípulos pregassem sobre ele. Após sua ressurreição, Jesus ordenou a seus discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.19-20).Em segundo lugar, devemos pregar Jesus Cristo porque ele é o caminho da salvação. Jesus disse para Nicodemus: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). De fato, Jesus disse que ele é o único caminho da salvação. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6; cf. Jo 17.3; At 4.12). Em terceiro lugar, deveríamos pregar explicitamente a mensagem de Jesus Cristo em nossa cultura pós­cristã. Na antiga cultura cristã, pregadores podiam pressupor que os seus ouvintes indistintamente iriam fazer conexões entre a mensagem do sermão e Jesus. Mas ninguém pode partir dessa hipótese em uma cultura pós-cristã. Se de alguma maneira as pessoas ainda pensam em alcançar a Deus, elas são inclinadas a pensar que existem muitos caminhos para ele. Os cristãos seguem um caminho, os judeus seguem outro, e os mulçumanos, ainda outro. No final das contas, todos se encontram no mesmo topo da montanha. Mas, se a Bíblia está correta, existe apenas um caminho até Deus: Jesus Cristo. Portanto, é crucial que em cada sermão nós explicitamente preguemos Jesus Cristo.
.

O Significado de “Pregar Cristo”

.

Mas o que significa “pregar Cristo?” O entendimento mais comum de “pregar Cristo” é pregar a pessoa e a obra de Cristo - a obra é costumeiramente en­tendida como o trabalho ungido de Je­sus. Esta definição ampla é baseada no Novo Testamento. Embora Paulo te­nha dito: “Nós pregamos Cristo cruci­ficado” (1Co 1.23), suas cartas deixam claro sua igual preocupação em pregar o Cristo ressurreto (1Co 15.4), em pregar “Jesus Cristo como Senhor” (2Co 4.5), e pregar a Segunda Vinda de Jesus (1Ts 3.13-18). Mas mesmo esta definição da pregação da pessoa e/ou a obra de Jesus Cristo é muito limitada para que possamos pregar Cristo em todos os sermões com integridade. Muitos textos de sabedoria do Antigo Testamento não podem ser legitimamente ligados a pessoa ou obra de Jesus. Deveríamos acrescentar à nossa definição de “pregar Cristo” um elemento a mais: o ensino de Jesus. Em seu mandado missionário, o próprio Jesus nos ordenou que passássemos adiante seus ensinamentos: “Fazei discípulos de todas as nações..., ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.20). João reiteirou a importância do ensino de Jesus: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que per­manece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho” (2Jo 9). Portanto, quando pensamos em pregar Cristo, deveríamos incluir o ensino de Cristo a respeito de tópicos tais como Deus, o reino de Deus, o próprio Jesus e sua missão, salvação, a lei de Deus, e nossa responsabilidade e missão. Em conformidade com isso, sugiro a seguinte definição: “Pregar Cristo a partir do Antigo Testamento significa pregar sermões que autenticamente integram a mensagem do texto com o clímax da revelação de Deus na pessoa, obra, e/ou ensino de Jesus Cristo como são revelados no Novo Testamento”.[1]Quando o texto contém uma pro­messa sobre o Messias que está por vir, os pregadores podem fazer este movimento de modo direto. Eles automaticamente relacionam a promessa com o cumprimento. Por exemplo, quando pregamos em Isaías 61, “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim,” não nos atemos apenas ao significado do texto para os ouvintes de Isaías, mas prosseguir adiante até o seu cumprimento em Jesus (Lc 4) e seu significado para os ouvintes contemporâneos. Do mesmo modo, quando pregamos que Deus redimiu Israel da escravidão do Egito, não deveríamos nos ater apenas à mensagem para Israel, mas deveríamos prosseguir adiante na história da redenção até o ato redentivo final de Deus em Jesus e em sua mensagem para a igreja aqui e agora.
.

Os caminhos para a pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento
.

Estudando tanto o Novo Testamento quanto a história da pregação, cheguei a conclusão de que existem sete caminhos legítimos para relacionar o Antigo Testamento a Jesus. Eles são: (1) a progressão histórico-redentiva, (2) promessa-cumprimento, (3) tipologia, (4) analogia, (5) temas longitudinais, (6) referências neotestamentárias, e (7) contraste.[2]Se o texto pregado é o relato da criação de Gênesis 1.1-2.3, as opções estão limitadas porque o relato descreve o estado anterior a queda. Além disso, os pregadores podem chegar a Jesus através das referências do Novo Testamento: João 1.1-5 faz menção a Gênesis 1 e fala de Jesus como a Palavra de Deus pela qual todas as coisas foram criadas. João continua no verso 14, “A palavra se fez carne,” o que pode ser relacionado com Filipenses 2.6-7, onde Paulo fala de Cristo Jesus, “o qual, sendo o próprio Deus ... esvaziou-se a si mesmo tomando a forma de servo”.Se o texto bíblico fala sobre os eventos posteriores à queda como, por exemplo, a narrativa de Abel e Caim em Gênesis 4, os pregadores podem chegar até Cristo por uma variedade de caminhos:
.

Pelo caminho da progressão histórico-redentiva, traçando a batalha entre a semente da serpente e a semente da mulher, a partir de Caim versus Abel, do Egito versus Israel, indo para Canaã versus Israel, para Herodes versus Jesus, para Satanás versus Jesus, para o Mundo versus a igreja, até a derrota final de Satanás (Ap 20.10) e a vitória de Cristo.
.

Pelo caminho da tipologia Abel-Cristo: Abel, a semente da mulher que foi morto pela semente da serpente, é um “tipo” de Jesus Cristo, a Semente da mulher que seria morto por Satanás.
.

Pelo caminho da analogia: assim como Deus assegurou a Israel que ele preservaria o seu povo da aliança na história humana (veja Gn 4.25-26), Jesus assegura sua igreja que “as portas do inferno não pre­valecerão sobre ela” (Mt 16.18).
Traçando o tema longitudinal da semente da mulher a partir de Sete, a “semente” que substituiu o martirizado Abel (4.25), até Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Judá, Davi, e finalmente até Jesus Cristo, a Semente da mulher.
Usando referências neotestamentárias como Hebreus 12.24 ou João 3.11-13 como uma ponte para Cristo.
Para os textos de sabedoria do Antigo Testamento a opção pela analogia combinada com as referências neotestamentárias pode ser uma abordagem frutífera se o pregador identificar um ensino similar de Jesus, o rabi que pensava em parábolas como um homem sábio do passado. Por exemplo, ao pregar sobre “Não te fatigues para seres rico... Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus” (Pv 23.4-5), é possível usar analogia para se chegar ao ensino similar de Jesus, “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam” (Mt 6.19). Ou, pregando em Eclesiastes com os seus freqüentes refrões sobre a vaidade, um pregador pode usar a opção do contraste: em razão da ressurreição de Jesus, a vida humana não é vaidade. Isto pode ser baseado pelas palavras finais de Paulo em seu capítulo sobre a ressurreição: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58). O fato é que no contexto histórico-redentivo mais amplo é possível se fazer justiça à mensagem original do texto da pregação, e pregar a pessoa, obra e ensino de Jesus, sem distorcer as Escrituras. A pregação cristrocêntrica não se opõe à pregação teocêntrica. Se feita corretamente, a pregação cristrocêntrica expõe o verdadeiro coração de Deus.
.

[1] Esta definição é de meu livro, Preaching Christ from the Old Testament (Grand Rapids: Eerdrmans, 1999), p.10.[2] Para uma explicação detalhada disto veja Preaching Christ from the Old Testament., 203-77
.

.

Dr. Sidney Greidanus

Professor de Pregação no Calvin Theological Seminary em Grand Rapids, Michigan.Este artigo, traduzido por Adrien Bausells, foi extraído da revista Forum (primavera de 2003, p. 3-4), publicada pelo Calvin Theological Seminary.

domingo, dezembro 14, 2008

O Evangelho em todas as suas formas


Tim Keller.
fonte: http://www.acts29network.org/acts-29-blog/keller-explains-the-gospel/

Como Deus, o Evangelho é também é um e mais que isso.

O evangelho tem sido descrito como uma piscina onde um nenê pode andar em cima e ainda um elefante pode mergulhar. É bastante simples para se dizer a uma criança e profundo suficiente para a mente mais arguta explorar. Entretanto, até mesmo os anjos nunca se cansam de olhar dentro dele (1Pe1:12).
A uma geração atrás, evangélicos concordaram sobre o "Evangelho simples": 1; Deus fez voce e quer ter um relacionamento com você, 2. mas o seu pecado separa voce de Deus. 3. Jesus tomou sobre si o castigo merecido pelos seus pecados, 4. Assim, se arrependam dos pecados e confie nele para sua salvação, você será perdoado, justificado, e livremente aceito pela graça, seu Espírito vai trazer alegria a sua vida, e quando morrer, você irá para o céu.
Existem, hoje, pelo menos duas grandes críticas a esta formulação simples. Muitos dizem que ela é muito individualista, que salvação em Cristo não é somente para trazer felicidade individual como também para trazer paz, justiça e uma nova criação. Uma segunda crítica é que nao existe um simples evangelho, porque tudo é contextual e Bíblia mesma contém muitas apresentações do evangelho em tensões entre si.

Não existe uma única mensagem do Evangelho?

Vamos tomar a segunda crítica em primeiro lugar. A crença que não existe um unico esquema basico do evangelho na Bíblia remonta a escolha bíblica de Tubingen, que insistiu que o evangelho da justificação em Paulo foi acentuadamente diferente do evangelho do reino de Jesus. No século 20, o professor britânico C.H. Dodd contrariou a tese que havia um consenso bíblico sobre a mensagem unica do evangelho. Então, por sua vez, James Dunn alegou em seu livro Unidade e Diversidade no Novo Testamento (1977) que o evangelho na Bíblia havia formulações tão diferentes que nao poderiamos chegar a um único esquema.

Agora, centenas de sites de jovens líderes cristãos se queixam de que os mais velhos na igreja evangélica passaram muito tempo lendo Romanos, esquecendo das declarações de Jesu que o reino de Deus está próximo. Mas para ser fiel aos cristãos do primeiro século e seu entendimento do evangelho, eu creio que devemos estar ao lado de Dodd sobre Dunn. Paulo é enfático que o evangelho que ele apresenta é o mesmo que é pregado pelos apostolos em Jerusalém. "Então, ou seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim haveis crido (1Co 15:11). Esta declaração assume um corpo singular do conteúdo do evangelho.

Um evangelho, muitas formas.
Então sim, deve haver apenas um evangelho, ainda que seja esclarecido em diferentes formas nas quais pode ser expresso. Esta é a própria maneira da Bíblia ao se referir a ele, e deveríamos ficar com ela. Paulo é um exemplo. Depois de insistir, só há um evangelho (Gl 1:8), então ele fala de estar encarregado do Evangelho da incircuncisão em oposição ao Evangelho da circuncisão (Gl. 2:7).

Quando Paulo fala com o gregos, ele confronto sua cultura idolátra de especulão e filosofia com a locura da cruz, e então apresenta que salvação em Cristo é a verdadeira sabedoria. Quando ele fala para os judeus, elçe confronta a cultura idolatra do poder e realizações com a fraqueza da cruz, e então apresenta um evangelho como o verdadeiro poder (1Co 1:22-25).


Um das formas do evangelho em Paulo foi adapatada por aquelas pessoas que acreditam na Bíblia e que acreditam que serão justificadas pelas obras no dia do julgamento, e outra para pagãos. Estas duas aproximações podem ser discernidas nos discursos de Paulo no livro de Atos, alguns para judeus outros para pagãos.


Existe outras formas do evangelho. Leitores sempre percebem que a linguagem do reino dos Evangelhos sinoticos é virtualmente perdida no Evangelho de João, que usualmente fala em receber a vida eterna. Entretanto,quando nós comparamos Marcos 10:17,23-34, Mateus 25:34,46 e João 3:5,6 e 17, nós vemos que a a entrada do reino de Deus e o recebimento da vida eterna são virtualemente a mesma coisa. Lendo Mateus 18:3, Marcos 10:15 e João 3:3,5 juntos revelam que a conversão, novo nascimento, e o recebimento do reino de Deus como uma criança são os mesmos movimentos.


Porque, então, a diferença no vocabulário entre os Sinoticos e João? Como muitos scholares tem apontado, João enfatiza o individual e e os aspectos espirituais introspectivos do ser no reino de Deus. Ele tem o cuidado de mostrar que não se trata apenas de uma nova ordem socio-politica terrena (Jo. 18:36). Por outro lado, quando os Sinoticos falam sobre o reino, eles colocam expostas as mudanças sociais e comportamentais que o evangelho traz. Nos vimos que em João e nos Sinoticos, duas formas do mesmo evangelho que tensiona o individual e o aspecto corporativo que é nossa salvação.


O que, então, é um simples evangelho?


Simon Gathercole distingue três pontos em comum entre Paulo e os escritores sinóticos. ( "The Gospel of Paul and the Gospel of the Kingdom" in God's Power to Save, ed. Chris Green Apollos/Inter-Varsity Press, UK, 2006). Ele escreve que a boa nova em Paulo era, primeiro, que Jesus era o prometido Rei messianico e Filho de Deus que veio a terra como um servo, na forma humana (Rm. 1:3-4, Fp. 2:4ss).

Segundo, por sua morte e resureição, Jesus pagou por nossos pegados e assegurou nossa justificação pela graça, não por nossas obras (1 Co 15:3ss). Terceiro, na cruz Jesus quebrou o dominio do pecado e mal sobre nós (Cl 2:13-15) e quando retornar ele vai completar o que começou, renovando toda ordem material e a ressureição dos nossos corpos (Rm 8:18ss).


Gathercole então traça estes mesmos três aspectos no ensino dos Sinoticos sobre Jesus, que o Messias, é o divino filho de Deus (Mc 1:1), que morreu como um substituto para resgate de muitos (Mc 10:45), que tem conquistado dominio sobre os demonios e sobre seu mal e pecado (Mc. 1:14-2:10) e irá retornar para regenerar o mundo material (Mt. 19:28).


Se nos colocarmos este esquema numa simples declaração, eu poderia dizer que: Através da pessoas e da obra de Jesus Cristo, Deus realiza complemente a salvação para nós, resgatando-nos do julgamento do pecado levando para uma amizade com Ele, e então restaraundo toda criação que assim poderá desfrutar da nossa nova vida junto com Ele para sempre.


Um desses elementos era o coração das velhas mensagens do evangelho, a salvação é pela graça e não por obras. Este era o ultimo elemento que estava normalmente faltando, ou seja, que a graça restaura a natureza, como dizia o teologo holandes Herman Bavinck. Quando o terceiro, o elemento escatologico é deixado de fora, cristãos tem a impressão que nada sobre este mundo importa realmente. Teoricamente, quando trazemos devolta esta perspectiva, faz com os que cristãos tenham um interesse na conversão através de evangelismo como também no serviço aos seus proximos como trabalhar pela paz e justiça no mundo.


Sentindo a tensão.


Minha experiênai é que os aspetos individuais e corporativos do evangelho não vivem em harmonia facil um com outro nas pregações e em nossas igrejas. De fato, muito comunicadores hoje deliberadamente assumem um posição em oposição a outra.

Estes que colocam a versão corporativa do reino do evangelho definem o pecado quase sempre em termos corporativos, como o racismo, materialismo, e militarismo, como violações a paz -shalom- de Deus. Isso ocasionalmente obscurece quão ofensivo o pecado é para Deus em si meso, e quando usualmente silencia qualquer enfase sobre a ira de Deus. Também, a impressão que pode ser dada é o que o evangelho é Deus trabalhando por justiça e paz no mundo, e você também pode faze-lo.

Embora é verdade é que o advento da nova ordem social são boas novas para todos que sofrem, então falar sobre evangelho e como ele relaciona com a justiça leva ao fato que a salvação é dada totalmente pela graça, não por obras.

Recentemente, eu estudei todos os lugares na Biblia Grega em que as formas da palavra evangelho são usadas, e eu fiquei sobrecarregado em como isto é usado para denotar não de um modo-de-vida-que-eu-faço mas uma proclamação verbal de jesus sobre o que ele fez como as pessoas adquirem justiça perante Deus. Por vezes pessoas que falam sobre as boas novas falam sobre fazer justiça e paz e se referem a isto como evangelho do reino, Mas quem recebe o reino como uma criança pequena, e acredita no nome de Cristo e nasceu de Deus (Jo. 1:12-13) é a mesma coisa- é o modo como cada um vem a Cristo (Jo. 3:3,5).
Apos ter dito isto, eu tenho que admitir que muitos de nós que crescemos ouvindo a classica frase do evangelho que diz "a graça sozinha atraves da fe unica em Cristo apenas" tendem a ignorar muito as implicações escatologicas do evangelho.
Textos como Lucas 4:18 e Lucas 6:20-35 mostrar a implicação do evangelho que os quebrantados de coração, os desprezados e os oprimidos têm agora um lugar central na economia da comunidade cristã, enquanto os poderosos e bem sucedidos serão humilhados.Paulo diz a Pedro que atitudes de superioridade racial e cultural não estão " em linha" com o evangelho da graça (Gl 2:14). Generosidade para os pobres vai fluir daqueles que se apegarem rapidamente ao evangelho como a sua profissão de fé (2 Coríntios. 9:13).
Em Romanos 2:16, Paulo diz que o retorno de Cristo para julgar a terra era parte do seu evangelho, e se você ler Salmos 96:10 ss, você vai saber porquê. A terra será renovada e até mesmo as árvores estarão cantando de alegria. E se as árvores serão capazes de dançar e cantar sob o poder do cosmos- renovando o poder de Sua Realeza-o que nós vamos ser capazes de fazer?
Se nesta última renovação do mundo material fazia parte das boas notícias de Paulo, não devemos ficar surpreendidos ao ver que Jesus curando e alimentando enquanto estava pregando o evangelho eram sinais e vislumbres deste reino que está por vir (Mt 9:35).
Quando nos damos conta de que Jesus está caminhando para que em algum dia destruir a fome, doenças, pobreza, injustiça, morte em si, o que torna o cristianismo, o que CS Lewis chamada de "religião da luta", quando somos confrontados com uma favela da cidade ou um câncer enfermaria. Esta versão completa do evangelho nos lembra que Deus criou tanto o material e quanto o espiritual, e e busca resgatar-redimir- ambos.

As coisas que estão neste momento estão erradas no mundo material, ele irá endireitá-las. Alguns evitar a importância de trabalhar pela paz e pela justiça apontando para 2 Pedro 3:10-12, o que parece dizer que este material mundo vai ser completamente queimado até à ressurreição final.. Mas esse não foi isso o que aconteceu com o corpo de Jesus, que reteve a suas impressões digitais, e Doug Moo torna isto um caso de transformação do mundo, não substituição, em seu ensaio sobre ""Nature and the New Creation: NT Eschatology and the Environment"disponível on line.
Pregando as formas.

Você poderia esperar de mim, que neste ponto agora, explicasse como é que podemos perfeitamente integrar os diferentes aspectos do evangelho na nossa pregação. Eu não posso, porque eu não tenho. Mas aqui está como eu tento.
1. Eu não coloco todos os pontos do evangelho em qualquer apresentação do evangelho. Acho que é instrutivo que os escritores do Novo Testamento raramente, ou nunca, embalavam todos os aspectos do evangelho no seu texto. Ao estudar o evangelho de Paulo nos discursos no livro de Atos, é impressionante quanta coisa sempre é deixada de fora.


Ele sempre lidera com alguns pontos em vez de outros, em um esforço para estabelecer a ligação com a linha de base cultural de seus ouvintes. É quase impossível cobrir todas as bases do evangelho com um não-crente ouvinte, sem que esta pessoa acabe perdendo o interesse.


Algumas partes são mais simples de encaixar do que outras, e, outras para começar são mais, um comunicador deve saber com quais irá trabalhar. Eventualmente, é claro, você tem que chegar a todos os aspectos do evangelho pleno em um processo de evangelismo e discipulado.. Mas você não tem que dizer tudo, todas as vezes.

2. Eu uso tanto um evangelho para o "circuncidado" e para o "incircuncidado." Assim como o Paulo falou de um evangelho para os mais religiosos (os da circuncisão ) e para os pagãos, de modo que eu encontrei o meu público-alvo em Manhattan contém os dois: tanto aqueles que são moralistas, religiosos, bem como aqueles com pós-moderna, com cosmovisões pluralistas.
Há pessoas de outras religiões (judaísmo, islamismo), com forte origem católica, bem como as que cresceram em igrejas protestantes conservadores.
As pessoas com uma educação religiosa pode agarrar a idéia do pecado como a violação da lei moral de Deus. A lei deve ser explicada de forma que eles percebem que ficam aquém realizarem ela. Nesse contexto, Cristo e a sua salvação pode ser apresentado como a única esperança de perdão pela culpa. Este é por sinal, o tradicional evangelho dos evangélicos da última geração, é um "evangelho para a circuncisão".
Se você tentar convence-los da culpa pela volúpia sexual, eles simplesmente dizem: "Você tem seus padrões, e eu tenho os meus." Se você responder com uma diatribe sobre os perigos do relativismo, seus ouvintes irão simplesmente se sentirão deslocamento e distanciamento. Evidentemente, pessoas pós-modernas devem em algum ponto serem confrontadas sobre suas opiniões sem consistência da verdade, mas numa forma que crie credibilidade e convencimento da apresentação do evangelho para aqueles que antes mesmo de entrar em discussões apologéticas.
Levo uma página de A Doença da Após a Morte de Kierkegaard e defino o pecado como construir sua identidade, sua auto-estima e felicidade- em outra coisa fora de Deus. Ou seja, eu uso a definição bíblica do pecado como idolatria. Isso coloca a ênfase não tanto em "fazer coisas ruins", mas em "fazer coisas boas como as grandes coisas."

Em vez de dizer-lhes que estão pecando porque estão dormindo com suas namoradas ou namorados, quero dizer-lhes que eles estão pecando porque estão buscando os seus romances para dar significado a sua vida, mas apenas para justificarem-se e salvá-los, dar-lhes o que devem o propósito da vida, que deveria ter sido procurado a partir de Deus.
A idolatria leva à ansiedade, obsessão , inveja e ressentimento. Eu tenho descoberto que quando você descreve a sua vida em termos de idolatria,as pessoas pós-moderna não dão muita resistênciaEntão Cristo e a sua salvação pode ser apresentado não (até este ponto) tanto como a única esperança de perdão, mas como sua única esperança de liberdade. Este é o meu "evangelho para o incircuncisos”.
3. Eu uso tanto um evangelho do Reino quanto um da Vida Eterna.
Acho que muitos ouvindo mais jovens estão lutando para fazer escolhas, num mundo em que há uma interminavel lista de opções de consumo e confusão sobre suas identidades numa cultura de auto-criação e auto-promoção.
Estas pessoas estão super empenhadas pelo bem por uma apresentação mais focada individualmente do evangelho da graça livre e não das obras. Elas estão cheias do evengelho da vida eterna de João. Contudo, eu tenho encontrado pessoas com mais de 40 anos que nao buscam uma enfase em seus problemas pessoais. Muitas delas estão indo muito bem, obrigado. Elas sao muito preocupadas a respeito dos problemas de uma guerra mundial, racismo, pobreza e injustiça. E elas respondem muito bem aos sinoticos e seu Evangelho do Reino.
Ao invés de me debruçar sobre isto, um das epístolas e falar do evangelho em termos de DEus, pecado, Cristo, fé, eu tiro da historia da Bíblia e falo do evangelho em termos de criação, queda, redenção, e restauração. Nos uma vez tinhamos um mundo que todos gostariamos, um mundo de paz e justiça, sem morte, doença, ou conflito. Mas ao nos voltarmos contra DEus, nós perdemos este mundo. Nosso pecado desencadeiou forças do mal e destruição e então agora as coisas foram colocadas de lado e tudo é caracterizado como desintegração fisica, social e pessoal. Jesus Cristo, entretanto, veio ao mundo, morreu como uma vitima da injustiça e nos substituiu, carregando a falta do nosso mal e pecado sobre si mesmo. Isto o coloca como pato para algum dia julgar o mundo e destruir toda morte e maldade sem que tenha que nos destruir.
4. Eu uso, então, tudo e deixo cada grupo que me ouviu pregar para outros.
Nenhuma forma do evangelho dá tanta enfase a todos os aspectos do evangelho. Se, então, voce somente pregar sobre uma forma, então voce estara em grande perigo de ofertar as pessoas um dieta desequilibrada da verdade do evangelho. Qual é alternativa? Não pregue apenas uma forma do evangelho. Se voce prega de forma expositiva, diferentes passagens traram as diferentes formas do mesmo evangelho. Pregue diferentes textos e seu povo ouvirá todos os pontos.
Isto não irá confundir as pessoas? Não, acontece o seguinte: Quando um grupo dito acima, os pos-modernos ouvem uma penetrante apresentação do pecado como idolatria, isso abre-os para o conceito do pecado como ofensa a Deus. Pecado como uma pessoal afronta a perfeição, santidade de Deus, que assim começa a fazer sentido para estas pessoas, e então quando elas ouvem uma apresentação da outra forma de evangelho, isto será com mais credibilidade.
Quando pessoas muito tradicionais com um desenvolvido entendimento da culpa moral aprendem sobre a morte substitutiva-reparadora e sobre a legal justifição, elas se sentem confortadas. Mas estas doutrinas classicas tem profundas implicações nas relações raciais e amor para os pobres, já que destroem todo orgulho e auto-justificação.
Quando pessoais muito liberais escutam sobre o reino de Deus para a restauração do mundo, isto abre neles a demanda de obediência que ha no reino de Cristo para dentro de suas vidas pessoais. Em resumo, toda forma de evangelho, assim que atinge seu alvo, abre a pessoa para outros pontos do evangelho de maneira vivida.
Hoje ha muitos que duvidam que ha apenas um evangelho. Isso gera um mandato para ignorar o evangelho da justificação e da expiação. Há também outros que não gostam de admitir que há diferentes formas do evangelho, por isto não gostam muito de contextualização. Eles constroem sua apresentação como de uma unica dimensão. Nenhum dessas aproximações pode ser verdade de uma maneira biblica, nem efetiva no ministerio atual, como aquela que entende que a Biblia apresenta o unico evangelho em muitas formas.
Tim Keller
pastor da Redeemer Presbyterian Church in Manhattan, NY.

sábado, novembro 03, 2007

Tim Keller na Preaching Today

One Minute One-on-One


Preaching Today: Could you tell us a bit about your planning process for preaching?

Tim Keller: Every June I flesh out all of my sermon topics, titles, and texts for the coming year, and then I send them off to my music director and other associate preachers. During vacation and study time in the summer, I read books on the themes I'll be treating in the sermons during the coming year. At the end of the summer, my reading leads me to revise the list of topics and texts, and then we are good to go!

Tell us about your weekly preparation process.

Ten days before the Sunday I will preach a given sermon, I spend three hours doing basic exegesis and outlining. The Friday morning before I preach the sermon, I spend five hours writing a first draft of the sermon. On Saturday morning I spend four hours writing a second draft. That Saturday night I spend another two to three hours writing a third draft. With each draft I shorten and streamline the message. I then get up very early on Sunday morning and spend two hours reading it through several times, essentially memorizing all the basic points and sub-points.

I pastor a large church and have a large staff, so I give special prominence to preparing the sermon. I give it 15–18 hours a week. I would not advise younger ministers to spend that much time on sermon preparation, however. The main way to become a good preacher is to preach a lot and to spend tons of time in people work. That's how you become something more than a Bible commentator; you become a flesh–and–blood preacher. When I was without a large staff, I spent 6–8 hours in sermon preparation.

Which tools do you find most helpful in the preparation process?

I use BibleWorks software and lots of commentaries.

What advice can you offer to other preachers?

Preaching should be biblical, clear for the mind, practical for the will, vivid for the heart, warm, forceful, and Christocentric. You should always preach Christ and the gospel from every text!

How do you generate sermon ideas?

It's a great mistake to pit pastoral care and leadership against preaching preparation. Many of my preaching ideas come to me as I am talking to, exhorting, counseling, evangelizing, and shepherding people. It is only through working with people that you become the preacher you need to be—someone who knows sin, how the heart works, what people's struggles are, and so on. To some degree, pastoral care and leadership are sermon preparation! They prepare the preacher and not just the sermon.

Finally, what devotional material do you use for your personal growth?

I use a version of M'Cheyne's reading calendar, reading the Bible in its entirety every year. I also follow the traditional daily office, and I read and pray all the Psalms every month. I use older versions of the Book of Common Prayer for many of my prayers.

domingo, novembro 19, 2006

Pregação Cristocêntrica

CHAPELL, Bryan Pregação Cristocêntrica Ed. Cultura Cristã

“O
teste das três horas da madrugada requer que você imagine sua esposa, seu pai ou membro da igreja, acordando-o de um sono profundo com esta simples pergunta:”Sobre o que é o sermão de hoje, pastor?”. Se você for incapaz de dar uma resposta incisiva, saberá que o sermão provavelmente está incompleto. Pensamentos que você não consegue juntar às três da madrugada por certo não serão apreendidos pelos utros a qualquer hora” p. 41


“Seminaristas tropeçam em suas primeiras experiências de pregação ao tentar concentrar tudo o que estão aprendendo em único sermão” p. 43

FOCO DA CONDIÇÃO DECAÍDA
“Nossa esperança reside na certeza de que toda a Escritura tem um Foco da Condição Decaída (FCD). Deus se recusa a abandonar seus filhos, frágeis e pecadores, sem guia ou defesa num mundo antagônico ao bem-estar espiritual deles. Nenhum texto foi escrito e destinado às pessoas do passado somente. Deus pretende em cada texto da Escritura dar-nos a paciência e o incentivo de que hoje necessitamos. O FCD é a condição humana recíproca que os crentes contemporâneos compartilham com aqueles ou aquele a quem o texto foi escrito que requer a graça da passagem” p. 44

o pregador que afirma somente a conclusão a que o comentarista chega, está tentando pregar por procuração” p.73



“Agora, que eu e todo aquele que fala a palavra de Cristo, livremente nos orgulhemos de que nossa boca é a boca de Cristo. Estou verdadeiramente certo de que minha palavra não é minha, mas a palavra de Cristo. Assim deve ser a minha boca a boca daquele que a exprime”
Martinho Lutero, p.101


“A maioria dos textos homiléticos alude aos seis amigos fieis dos repórteres, que intuitivamente empregamos na obtenção dos fatos: o quê, quem, quando, onde, por quê e como.” p.113.


Você não pode exortar sua congregação a fazer tudo quanto a Biblia requer da sua parte como se ela pudesse cumprir essas exigências por sua própria conta, mas apenas como conseqüência do poder salvador da cruz e da morada, do poder santificador e da presença de Cristo na pessoa do Espirito Santo. Toda pregação edificante, para ser cristã, precisa levar plenamente em consideração a graça de Deus na salvação e na santificação
Jay Adams na p.291

“A tipologia conforme se relaciona com a pessoa e a obra de Cristo, é o estudo das correspondências entre pessoas, eventos e coisas que primeiro aparecem no Antigo Testamento pela primeira vez para preparar ou expressar de modo mais completo as verdades de salvação do Novo Testamento” p. 297

“Cada aspecto, cada ato e esperança da vida cristã encontram seu motivo, força e causa em Cristo, ou, então não são de Cristo. As verdades da Escritura que não antecipam ou não culminam no ministério de Cristo precisam, ao menos, ser pregadas como uma conseqüência da sua obra, ou nós as arrancamos do contexto que as identifica como a mensagem cristã” p. 303

IDENTIFICANDO MENSAGENS NÃO-REDENTIVAS


1. Os fatais SEJA
“Exortam os crentes a ser alguma coisa para que sejam abençoados (...) O que não conseguem perceber é a erosão da esperança que causam semanalmente pela pregação de mensagens bíblicas na origem, porém biblicamente incompletas” p. 305


2. Mensagens para SER COMO

“Mensagens que exortam a ser como, que concentram a atenção dos ouvintes sobre um personagem bíblico, à medida que o pregador os exorta a serem como aquela pessoa ou como alguém aspecto da sua personalidade (...) Simplesmente dizer às pessoas que imitem a piedade de outros sem lembra-luz que qualquer coisa mais que conformidade exterior precisa vir de Deus, leva-as ou a desesperar-se da transformação espiritual ou a negar sua necessidade” p. 306


3. Mensagens para SER BOM.

“Pregação evangélica que infere que somos salvos pela graça, mas apoiada por nossa obediência, não apenas solapa a obra de Deus na santificação, mas ela, em ultima analise, lança duvida sobre a natureza de Deus, tornando duvidosa a própria salvação”307



4. Mensagens que Dizem às pessoas para DISCIPLINAR-SE

“Tais mensagens não estão simplesmente advogando comportamento moral, mas estão de maneira característica incentivando os crentes a exercitar essas disciplinas de modo mais regular, sincero, amplo e metódico, o que pretensamente irá elevá-los a planos mais altos de aprovação”. (p. 307)
“Nenhum grau de diligencia humana é capaz de compensar o Senhor por tudo o que n[os verdadeiramente lhe devemos, mera insistência sobre as disciplinas apenas torna aquelas mais honestas quanto aos seus méritos menos seguras de sua condição. Recompensas imaginárias valem muito pouco numa economia em que santidade absoluta permanece a única moeda corrente aceitável” p. 308

A PARTE ESSENCIAL DA PREGAÇÃO CRISTOCÊNTRICA.

“Mensagens para ser não são erradas em si mesmas; são erradas por si mesmas. As pessoas não são aptas a fazer ou ser o que Deus exige, sem a obra de Cristo nelas, por elas, e por meio delas. Apenas recriminar o erro e martelar a devoção podem convencer os outros de sua impropriedade ou torná-los auto-suficientes, mas essas mensagens também conservam remota a verdadeira piedade. Assim, instrução no procedimento bíblico sem a verdade redentora, somente causa ferimentos, e ainda que seja oferecida como um antídoto do pecado, tal pregação ou promove farisaísmo ou leva ao desespero. Os pregadores cristocêntricos não aceitam nenhuma dessas alternativas. Os padrões santos que penetram o coração sempre que as pessoas reconhecem a profundidade de suas obrigações divinas, tornam-se lenitivo para a alma, quando pregamos seu cumprimento em Cristo e sua capacitação por seu Espírito” p. 309
“O intento das escrituras caracteriza-nos a todos como seres feitos à semelhança de queijos suíços cheios de furos que os esforços humanos não podem preencher.”p. 316

HISTÓRIA REDENTORA

A unidade da historia redentora implica a natureza cristocêntrica de cada texto histórico. A historia redentora é a historia de Cristo. Ele permanece no seu centro, e não menos no seu inicio e seu fim...A Escritura desvenda o tema e a amplitude de sua historiografia logo no começo, Gn 3.15 Van´t Veer diz,`coloca todos os eventos subseqüentes sob a luz da tremenda batalha entre Cristo nascido no mundo e Satanas, o príncipe deste mundo, e isso situa todos os acontecimentos à luz da vitória completa que a semente da mulher alcançará. À vista disso, torna-se imperativo que nem uma única pessoa fique isolada desta historia e se mantenha a parte dessa grande batalha. O lugar de ambos oponentes e colaboradores só pode ser determinado cristo logicamente. Apenas no que concerne aos que receberam seu lugar e tarefa no desenvolvimento desta história é que aparecem na historiografia da Escritura. Desse ponto de vista, os fatos são selecionados e registrados
Sidney Greidanus na p. 317


A GRAÇA

“A graça não auxilia meramente condutas justas, ela socorre na apreensão do infalível amor de Deus que torna possível a retidão humana. Se obediência é apenas uma postura defensiva que nossos ouvintes assumem para desviar a ira divina ou lisonjear o favor divino, então, santidade humana nada é senão um eufemismo de egoísmo. Autoproteção e autopromoção são lamentáveis substitutos de glorificar a Deus e goza-lo sempre, porém, as primeiras alternativas são resultante definitivos de vidas devotadas a Deus por temor servil e medo abjeto” p. 328

CULPA CANCELADA PELA MUDANÇA DE COMPORTAMENTO GERA LEGALISMO/MORALISMO
CULPA CANCELADA PELA CRUZ, PRODUZ ATITUDE RECONHECIDA E ARREPENDIMENTO.

A cura da alma começa com a mensagem de que Deus graciosamente aceita nossas obras que lhe são oferecidas em gratidão por nossa salvação, porém nossa aceitação e santificação jamais resultam de qualquer coisa, senão graça” p.332

Amor a Deus transborda no desejo de agrada-lo cuidando daqueles a quem ele ama. Orgulho e juízo critico se desvanecem. Os cristãos se unem com os necessitados precisamente porque a graça lhes assegura que podem dispor de recursos para agir desta forma. Somente a pregação cristocêntrica produzirá essa confiança frutífera”p. 334


“Reverência às verdades da graça precisa preceder o serviço quanto às obrigações morais, ou as ações se tornarão irrelevantes e equivocadas. As mãos dos crentes devem permanecer vazias de si mesmas, tanto antes quanto depois da conversão, se queremos experimentar a plenitude da graça” p. 336