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quinta-feira, outubro 11, 2012

Watchman Nee: Propósito Eterno

No sétimo capítulo de A Vida Cristã Normal, Watchman Nee nos fala sobre o propósito eterno da criação: a glória de Deus, que temos quando somos feitos filhos de Deus por Deus em Jesus.

Se o pensamento do homem gira em torno da punição que irá advir sobre ele como consequência do pecado, o pensamento de Deus sempre está colocado na glória que o homem perderá se pecar. O resultado do pecado é que perdemos o direito à glória divina.

O objetivo de Deus era que seu Filho, Jesus Cristo,  fosse o primogênito de muitos irmãos, que seriam transformados à sua imagem. O propósito divino na criação e na redenção foi fazer de Cristo, o primogênito entre muitos filhos glorificados. 

Nee coloca a questão de que Deus não pode ficar sem a gente, citando George Cutting:

"O propósito divino na criação e na redenção foi que Deus tivesse muitos filhos. Ele nos desejava, e não Se satisfazia sem nós. Há algum tempo, visitei o Sr. George Cutting, autor do famoso folheto "Segurança, Certeza e Gozo". Quando fui levado à presença deste velho crente, de noventa e três anos, ele tomou a minha mão nas suas, e, de maneira calma e ponderada, disse: "Irmão, sabe, eu não posso passar sem Ele, e, sabe, Ele não pode passar sem mim". Embora estivesse com ele por mais de uma hora, a sua idade avançada e a sua fraqueza física tornaram impossível manter qualquer conversa, mas o que fi­cou gravado na minha memória, desta entrevista, foi a sua freqüente repetição destas duas frases: "Irmão, sabe, eu não posso passar sem Ele, e, sabe, Ele não pode passar sem mim"."

Ele também estabelece uma diferenciação entre unigênito e primogênito, Jesus é ambas as coisas, foi enviado como único para ser o primeiro de muitos, conforme o texto de Hb. 2:10. A filiação é o propósito de Deus nos muitos filhos.

No que diz respeito à sua divindade, Jesus permanece como único filho de Deus, mas, Ele também é o primogênito a partir do momento da ressurreição e por toda a eternidade.  Se nascemos de novo, somos feitos co-participantes de sua natureza divina, conforme 2Pe. 1:4, estamos na dependência de Deus em Cristo Jesus.  

Foi por meio da encarnação e cruz que Jesus tornou possível sermos filhos de Deus, Ele satisfez a Deus em sua obediência e assim, pode nos ter, como seus filhos.

Somos filhos de Adão. Ele foi criado inocente, não possuia o conhecimento do bem e do mal. Nee explica assim:

Qual é, pois, o significado destas duas árvores? Adão, por assim dizer, foi criado moralmente neutro — nem pecador nem santo, mas inocente — e Deus colocou estas duas árvores no Jardim para que ele pudesse pôr em prática a faculdade de livre escolha de que era dota­do. Podia escolher a árvore da vida, ou escolher a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Ora, o conhecimento do bem e do mal, embora a Adão tivesse sido proibido, não é mau em si mesmo. Sem ele, Adão está limitado e não pode, por si mesmo, decidir em questões de ordem moral. O julgamento do que é certo e bom não lhe pertence, e, sim, a Deus, e o único recurso de Adão, quando tem que encarar qualquer problema, é remetê-lo a Deus. Assim, há no Jardim uma vida que depende totalmente de Deus. Estas duas árvores representam, portanto, dois princípios profundos; simbolizam dois planos de vida, o divino e o humano. A "árvore da vida" é o próprio Deus, porque Deus é a vida, a mais elevada expressão da vida, bem como a fonte e o alvo da vida. O que representa o fruto? É nosso Senhor Jesus Cristo. Não podemos comer a árvore, mas podemos comer o seu fruto. Ninguém é capaz de receber Deus, como Deus, mas podemos receber o Senhor Jesus Cristo. O fruto é a parte comestível, a parte da árvore que se pode receber. Podemos assim dizer, com a devida reverência, que o Senhor Jesus Cristo é realmente Deus, em forma recebível: Deus, em Cristo, po­de ser recebido por nós.


Diante de Adão, foram colocados dois planos de vida: a vida divina em dependência de Deus e a vida humana com seus recursos independentes. Adão escolheu a autonomia em relação a Deus. Assim, por sermos seus filhos, nos tornamos pecadores, dominados pelo inimigo, sujeitos à lei do pecado e da morte, merecendo a ira de Deus sobre a nossa vida.

Todos nós devemos ir até a cruz de Cristo, para que a velha vida seja morta, o velho-eu. Deus nos incluiu na morte de Seu Filho, aniquilando o último Adão e tudo que pertencia a ele.

Depois, Cristo ressuscitou em nova forma; ainda com um Corpo mas "no espírito"; não mais "na carne". "O último Adão, porém, é espírito vivificante" (I Co 15.45). O Senhor Jesus agora tem um Corpo ressurreto, espiri­tual, glorioso e, desde que não está mais na carne, pode agora ser recebido por todos. "Quem de mim se alimenta, por mim viverá", disse Jesus (João 6.57). Os judeus acha­ram revoltante a idéia de comer a Sua carne e beber o Seu sangue, mas, evidentemente, não podiam recebê-Lo então, porque Ele estava, literalmente, na carne. Agora que Ele está no Espírito, cada um de nós pode recebê-Lo, e é participando da Sua vida ressurreta que somos constituídos filhos de Deus. "A todos quan­tos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus... os quais nasceram... de Deus" (João 1.12,13). Deus não está empenhado em reformar a nossa vida; o Seu pensamento não consiste em trazê-la a certo grau de aperfeiçoamento, porque a nossa vida situa-se num plano essencialmente errado. Naquele plano, Ele não po­de agora levar o homem à glória. Tem que criar um novo homem, nascido de Deus, nascido de novo. A regeneração e a justificação caminham juntas.



Então, hoje nossa única esperança é receber o Filho de Deus, sua vida em nós nos faz filhos de Deus.  Com Cristo, temos muito mais do que Adão poderia ter:

O que nós hoje possuímos em Cristo é mais do que Adão perdeu. Adão era apenas um homem desenvolvido. Permaneceu naquele plano e nunca possuiu a vida de Deus. Mas nós, que recebemos o Filho de Deus, recebemos não só o perdão dos pecados, mas também recebemos a vida divina que estava representada no Jardim pela árvore da vida. Pelo novo nascimento, recebemos algo que Adão nunca tivera e não chegara a alcançar.

Hoje temos uma vida que Deus tem no céu, porque Ele nos deu aqui na terra, esta é a razão de nossa vida santa, porque não se trata de uma vida modificada ou melhorada, mas uma vida concedida por Deus a cada um de nós.

quinta-feira, outubro 04, 2012

Watchman Nee: Oferecer-se a Deus.



No capítulo 6 da Vida Cristã Normal, Nee nos conta o terceiro passo da vereda do progresso, Oferecer-se a Deus. Seguindo o programa de questões de auxílio da edição Tesouro Aberto, vamos responder as questões propostas.

O texto base deste capítulo está em Romanos 6:12-13: Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça".
 

2. Por que um homem não convertido, não possui nada que possa consagrar a Deus?

Conforme o verso 13, não se trata de um oferecimento de dons e talentos, ou qualquer coisa que estava na velha criação, mas como "ressurretos dentre os mortos". O que é ofertado é aquilo que passou da morte para vida.

Quando eu realmente sei que fui crucificado com Ele, então espontaneamente considero-me morto (vv. 6 e 11) e quando sei que ressuscitei com Ele de entre os mortos, então, considero-me "vivo para Deus em Cristo Jesus" (vv. 9 e 11), pois tanto o aspecto da Cruz denominado "morte", como o denominado "ressurreição" têm que ser aceitos pela fé. Quando chego a este ponto, segue-se que me dou a Ele. Na ressurreição, Ele é a fonte da mi­nha vida — realmente Ele é a minha vida; de modo que não posso deixar de oferecer tudo a Ele, pois tudo é dEle e não meu. Mas, sem passar pela morte, nada tenho para consagrar, nada há de aceitável a Deus, pois já con­denou, na Cruz, tudo quanto é da velha criação. A morte acabou com tudo o que não pode ser consagrado a Ele, e somente a ressurreição torna possível qualquer consagra­ção. Apresentar-me a Deus significa que, agora e daqui em diante, considero a minha vida como pertencente ao Senhor

3. O desafio de Nee no que se refere ao uso do tempo, dinheiro e talentos, nos deixaria muito introspectivos e sensíveis?

A verdade cristã é que não pertencemos a nós mesmos mais, esta verdade pode nos deixar introspectivos e sensíveis sim e não.  Porque é uma verdade que vai além do nosso egoísmo, contudo, é uma verdade que muda nossa compreensão subjetiva da vida e o modo pelo qual andamos no mundo.


4. A santidade tem alguma coisa a ver com a qualidade e o caráter da pessoa?

Não nos tornamos por termos alguma coisa maligna que foi erradica dentro de nós, nos tornamos assim por termos sidos separados por Deus. Nee coloca que muitos consagram-se ao trabalho de Deus, colocando seus dotes naturais para fazer o trabalho, mas devemos nos consagrar à vontade para ser e fazer aquilo que Ele quiser. Obedecer é mais do que fazer aquilo que Deus quer, é querer o que Deus quer, isto é santidade, algo que só Ele pode colocar em nosso coração.


5. Como Deus decide em nossas vidas?

Deus tem uma carreira preparada para cada um de nós - 2Tm 4:7. É Ele quem decide qual o serviço que iremos prestar em seu reino.


6. Existe diferença entre a vontade própria assertiva e a escolha deliberada pela vontade de Deus?

A vontade própria de cada homem é voltada para si mesmo, buscar a sua própria satisfação.  A escolha pela vontade de Deus é algo distinto, é entregar-se, oferecer-se a Deus para viver uma vida segundo a vontade de Deus. 

"Não podemos esperar que o Senhor viva sua vida em nós se não lhe dermos a nossa para que Ele vida por meio dela" p. 83


7. Deus pode interferir em nossa vida em coisas que não o agradam?

Se nos dermos a Deus, sem reservas, muitos ajusta­mentos talvez sejam necessários: na família, nos negócios, na vida da Igreja, ou em nossas opiniões pessoais. Deus não deixará sobrar nada de nós mesmos. O Seu dedo to­cará, uma por uma, todas as coisas que não são dEle, e Ele dirá: "Isto tem que desaparecer". Você está pronto? É loucura resistir a Deus, e é sempre prudente e sábio submeter-nos a Ele. Admitamos que muitos de nós ainda temos controvérsia com o Senhor. Ele deseja uma coisa da nossa parte, enquanto nós desejamos outra. Não ousa­mos considerar muitas coisas, nem orar a respeito delas, nem mesmo pensar nelas, por medo de perdermos a nos­sa paz. Podemos fugir assim do problema, mas isso nos colocaria fora da vontade de Deus. É sempre fácil nos afastarmos da Sua vontade, mas é uma bênção nos entregarmos a Ele e deixá-Lo realizar em nós o Seu propósito.


8. "Deus sempre quebrará aquilo que é oferecido para ele". Quão sincera é a nossa consagração?

Aqui Nee fala da falta de entendimento de muitos que pensam que ainda são donos de si mesmos, mas não o são mais, agora, todos nós pertencemos a Deus. Estamos em suas mãos, e o Senhor sempre irá construir e remodelar a nossa vida para o seu agrado e não o nosso, porque isto é que no final irá nos trazer mais felicidade e gozo.

9. Como deve ser a vida de consagração do crente?

A minha entrega ao Senhor deve ser um ato inicial e fundamental. Depois, dia a dia, devo prosseguir, dando-me a Ele, sem me queixar do uso que Ele faz de mim, mas aceitando, com grato louvor, mesmo aquilo contra c o qual a carne se revolta.Sou do Senhor e agora não mais me considero pro­priedade minha, mas reconheço em tudo a Sua soberania e autoridade. Esta é a atitude que Deus requer, e mantê-la é verdadeira consagração. Não me consagro pa­ra ser missionário ou pregador; consagro-me a Deus para fazer a Sua vontade, onde estiver, quer seja na escola, no escritório, na oficina ou na cozinha, considerando que tudo o que Ele ordena é o melhor para mim, pois so­mente o que é bom pode advir para aqueles que são intei­ramente Seus. Permita Deus que estejamos sempre possuídos da consciência de que não somos de nós mesmos!

quinta-feira, setembro 13, 2012

Watchman Nee: Considerar-se morto.



Estamos realizando a leitura de Vida Cristã Normal de Watchman Nee, a partir do capítulo três, o autor começa a explicar a vereda do progresso espiritual que seria: saber, considerar-se, oferecer-nos a Deus e andar no Espírito.

O terceiro capítulo está construído sobre Romanos 6:6,  entendemos que nossa morte com Cristo é um fato histórico, sendo que o primeiro passo da fé cristã é saber isto. A revelação divina é essencial ao conhecimento deste fato que aconteceu na cruz que atinge  a raiz de nosso problema.
A vida cristã normal tem que começar com um "saber" muito definido, que não é apenas saber algo a respeito da verdade, nem compreender alguma doutrina impor­tante. Não é, de forma alguma, um conhecimento inte­lectual, mas consiste em abrir os olhos do coração para ver o que temos em Cristo.
Como é que você sabe que os seus pecados estão per­doados? É porque o seu pastor lho disse? Não, você simplesmente o sabe. Se alguém lhe perguntar como sabe, apenas responderá: "Eu sei". Tal conhecimento vem ° por revelação do próprio Senhor. Evidentemente, o fato do perdão dos pecadores está na Bíblia, mas para a Palavra de Deus escrita se transformar em Palavra de Deus viva em você, Deus teve que lhe dar o "espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele" (Ef 1.17). Você precisou ficar conhecendo Cristo deste modo, e é sempre assim: há ocasiões, relativas a cada nova revelação de Cristo, em que se sabe no próprio coração e se "vê" no espírito. Uma luz brilha no seu íntimo de modo que você fica persuadido do fato. O que é verdadeiro acerca do perdão dos pecados não é menos verdadeiro a respei­to da libertação do pecado. Quando a luz de Deus come­ça a raiar em nosso coração, vemos que estamos em Cris­to. Não é porque alguém nos disse isto, nem meramente porque Romanos 6 o afirma. É algo mais do que isso. Sabemo-lo porque Deus no-lo revelou pelo Seu Espírito.
(...)


A obra consumada de Cristo realmente atingiu a raiz do nosso problema, solucionando-o. Para Deus não há meia medida. "Sabendo isto", disse Paulo, "que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos" (Rm 6.6). "'Sabendo isto". Sim, mas você o sabe de fato? "Ou, porventura, ignorais? " (Rm 6.3). 

O quarto capítulo, falará sobre o considerar-se, vimos no capítulo anterior que o tempo verbal em Romanos 6:6 é importantíssimo:



. O tempo do verbo é muito preciso: situa o acontecimento no passado distan­te. É um acontecimento final, realizado de uma vez para sempre, e que não pode ser desfeito. O nosso velho ho­mem foi crucificado, uma vez para sempre, e jamais pode voltar à situação de não crucificação. É isto que devemos saber.
Nee levanta neste capítulo que por muito tempo tinha dificuldades em sua caminhada cristã por não entender que sua morte era uma evento passado, não conseguia considerar isto como algo já realizado para ele:

Qual é o segredo de considerar, então? É revelação: precisamos de revelação da parte do próprio Deus (Mt 16.17; Ef 1.17,18). Devemos ter os olhos abertos para o fato da nossa união com Cristo, e isso é algo mais do que conhecê-la como doutrina. Tal revelação não é coisa vaga e indefinida. Muitos de nós podemos recordar o dia em que vimos claramente que Cristo morreu por nós, e devemos ter igual certeza da hora em que percebemos que nós morremos com Cristo. Não deve ser nada de confuso, mas algo muito definido, porque é a base em que prosseguimos. Estou morto não porque me consi­dero assim, mas por causa daquilo que Deus fez para comigo em Cristo — por isso considero-me morto. É este o verdadeiro sentido de considerar-se. Não se trata de considerar-se para se ficar morto, mas de con­siderar-se morto porque essa é a pura realidade.


Nee coloca que se tentarmos desenvolver isto pela experiência pessoal podemos ficar perdidos, este algo a ser considerado porque já foi realizado. Não é a nossa constatação que nos faz mortos, mas um fato já realizado em Cristo. Não é produzido por nós.

Quando o Senhor Jesus estava na Cruz, eu estava lá nEle; portanto, eu o considero como um fato verdadeiro. Considero e declaro que morri nEle. Paulo disse: "Considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus". Como é isto possível? "Em Cristo Jesus". Nunca se esqueça que é sempre, e somente, verdade em Cristo. Se você olha para si próprio, não achará aí esta morte — é questão de fé nEle, de olhar para o Se­nhor e ver o que Ele fez. Reconheça e considere o fato em Cristo, e permaneça nesta atitude de fé.

Nee, a seguir, começa a definir o que seria fé pois é ela que considera estes fatos a nosso respeito, portanto, para ele a fé está relacionada ao passado e a esperança ao futuro:





É a minha aceitação de fatos divinos, e seu fundamento sempre se acha no passado. O que se relaciona com o futuro é mais esperança do que fé, embora a fé tenha, muitas vezes, o seu objetivo ou alvo no futuro, como em Hebreus 11. Talvez seja por essa razão que a palavra aqui escolhida é considerar-se. É uma palavra que se relaciona unicamente com o passado — com aquilo que vemos já realizado ao olhar para trás e não com qualquer coisa ainda por acontecer. É este o gênero de fé descrito em Mc 11.24: "Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco". A declaração é que se crer que já recebeu o que pediu (isto é, evidentemente, em Cristo), então "será assim". Crer que seja provável alcançar alguma coisa, e que seja possível obtê-la, mesmo que ainda virá a obtê-la, não é fé no sentido aqui expresso. Fé é crer que já alcançou o que pede. Somente o que se relaciona com o pas­sado é fé neste sentido. Aqueles que dizem que "Deus pode" ou "Pode ser que Deus o faça", não crêem de for­ma alguma. A fé sempre diz: "Deus já o fez".

Pela fé alcançamos a libertação do pecado, uma vez que estamos mortos para o pecado em Cristo Jesus. 



A libertação do pecado é tão real, que João pôde escrever, confiante: "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado... não pode viver pecando" (I João 3.9), expressão essa que, erradamente compreen­dida, poderia nos confundir. João não quis dizer que o pecado nunca mais entra em nossa história e que não cometeremos mais pecados. Diz que o pecar não está na natureza daquele que é nascido de Deus. A vida de Cristo foi plantada em nós pelo novo nascimento, e a Sua natureza não é caracterizada por cometer pecados. Há, po­rém, uma grande diferença entre a natureza de uma coisa e a sua história, e há uma grande diferença entre a natureza da vida que há em nós e a nossa história. 
Ele termina o argumento dizendo que o que está em Cristo não pode pecar, mas o que está em Adão pode pecar e pecará toda vez que der ao inimigo a oportunidade para exercer seu poder. Mas isto depende daquilo que iremos considerar e viver, esta é a grande diferença entre as naturezas que nos permite viver uma vida de acordo com a nossa nova natureza.

Para tornar algo divino em algo real, por exemplo, uma vida de santidade em nossa própria vida é necessária a fé. Porque a fé é a substancialização das coisas que se esperam. 



Como é que "substancializamos" uma coisa? Faze­mos isso todos os dias. Você conhece a diferença entre substância e "substancializar"? Uma substância é um objeto, uma coisa na minha frente. "Substancializar" significa que tenho certo poder ou faculdade que torna aquela substância real para mim. Por meio dos nossos sentidos, podemos tomar certas coisas do mundo, da natureza, e transferi-las para o nosso conhecimento e percepção interna, de modo que possamos apreciá-las. A vista e o ouvido, por exemplo, são duas das faculda­des que me permitem "substancializar" da luz e do som. Temos cores: vermelho, amarelo, verde, azul e violeta, e estas cores são coisas reais. Mas se eu fechar os olhos, a cor não continua sendo real para mim; é sim­plesmente nada — para mim. Com a faculdade da vista, contudo, possuo o poder de "substancializar", e assim, o amarelo torna-se amarelo para mim


Nee conta uma ilustração de como isso acontece:


Você provavelmente conhece a ilustração do Fato, da Fé e da Experiência que caminhavam no topo de uma parede. O Fato caminhava na frente, firmemente, não se voltando, nem para a esquerda nem para a direita, e sem nunca olhar para trás. A Fé seguia-o e tudo andou bem enquanto conservou os olhos postos no Fato; mas, logo que se preocupou com a Experiência, voltando-se para observar o progresso desta, perdeu o equilíbrio e caiu da parede para baixo, e a pobre da Experiência caiu com ela.

Veja sua explicação:

Toda a tentação consiste, primariamente, em desviar os olhos do Senhor e deixar-se impressionar com as apa­rências. A fé sempre encontra uma montanha, uma mon­tanha de experiências que parecem fazer da Palavra de Deus, uma montanha de aparente contradição no pla­no de fatos tangíveis — dos fracassos nas atitudes, bem como no plano dos sentimentos e sugestões — então, ou a Fé ou a montanha tem que sair do caminho. Não po­dem permanecer ambas. Mas o que é triste é que, muitas vezes, a montanha fica e a fé vai embora. Isto não deve­ria ser assim. Se recorrermos aos nossos sentidos na busca da verdade, verificaremos que as mentiras de satanás muitas vezes condizem com a nossa experiência; se, porém, nos recusamos a aceitar como obrigatória qual­quer coisa que contradiga a Palavra de Deus e mantiver-mos uma atitude de fé exclusivamente nEle, verificare­mos que as mentiras de Satanás começam a dissolver-se e que a nossa experiência vai condizendo progressiva­mente com a Palavra.


Não estamos mortos em nós mesmos, se ficarmos procurando isto em nós, estaremos andando em vão. Fomos crucificados em Cristo,  a única coisa que devemos fazer é permanecer nEle.  Não temos que lutar para entrar em Cristo, não devemos buscar tal posição, já estamos lá. Foi algo que Deus fez conosco, nos colocou nEle para permanecermos nEle.


É a histó­ria de Cristo que tem que se tornar a experiência do cristão, e não temos experiência espiritual separadamen­te dEle. As Escrituras dizem que fomos crucificados com ELE, que nELE fomos vivificados, ressuscitados e senta­dos por Deus nos lugares celestiais, e que nELE estamos perfeitos (Rm 6.6; Ef 2.5,6; Cl 2.10). Não se trata pre­cisamente de alguma coisa que ainda tenha que efetuar-se em nós (embora exista este aspecto). É algo que já foi efetuado em associação com Ele

A nossa vida espiritual não pode ser dita como nossa, pois é a vida do próprio Cristo em nós que nos dá a vida espiritual.



Toda a experiência espiritual do cristão tem Cristo como sua fonte de reali­dade. O que chamamos a nossa "experiência" é somente a nossa entrada na história e na experiência de Cristo.


 Há crentes que buscam experiências como experiências suas, mas isto não existe, toda vida espiritual flui da vida de Cristo em nós. Compartilhamos com Ele da sua vida.



Experiência espiritual verdadeira signi­fica que descobrimos alguma coisa em Cristo e que entramos na sua posse; qualquer experiência que não re­sulte de uma nova compreensão dEle está condenada a se evaporar muito rapidamente. "Descobri aquilo em Cristo; então, graças a Deus, pertence-me. Possuo-o, Senhor, porque está em Ti". Que coisa maravilhosa co­nhecer as realidades de Cristo como o fundamento da nossa experiência 
Nee coloca um ponto que talvez não consideramos mesmo:


Mas, a verdade é que Deus não dá aos indivíduos experiências individuais, e, sim, apenas uma participação naquilo que Deus já fez. É a realização no tempo das coisas eternas. A história de Cristo torna-se a nossa experiência e a nossa história espiritual; não temos uma história separadamente da Sua. Todo o tra­balho, a nosso respeito, não é efetuado em nós, aqui, mas em Cristo. Ele não faz um trabalho separado, nos indivíduos, à parte do que Ele fez no Calvário. Mesmo a vida eterna não nos é dada como indivíduos: a vida está no Filho, e: "quem tem o Filho tem a vida". Deus fez tudo no Seu Filho e incluiu-nos nEle; estamos incor­porados em Cristo 

Como, então, podemos permanecer em Cristo?



Como é que permanecemos em Cristo? "Vós sois de Deus em Cristo Jesus". Coube a Deus nos colocar em Cristo, e Ele o fez. Agora, permaneçamos ali. Não volte­mos para as nossas próprias bases. Nunca olhemos para nós mesmos, como se não estivéssemos em Cristo. Olhe­mos para Cristo, e vejamo-nos nEle. Permaneçamos nEle. Descansemos na verdade de que Deus nos incluiu no Seu Filho, e vivamos na expectativa de que Ele completará a Sua obra em nós. Cabe a Ele cumprir a gloriosa promes­sa de que "o pecado não terá domínio sobre vós" (Rm 6.14). 


quinta-feira, agosto 23, 2012

Watchman Nee: A cruz de Cristo.


O segundo capítulo de A Vida Cristã Normal vai falar sobre o outro remédio dado por Deus através da Cruz de Cristo. 

A natureza humana corrompida pelo pecado pode ser melhorada? Não pode! Deve ser condenada e rejeitada, assim deve ser crucificada e ressuscitada pelo poder de Deus em Cristo Jesus, Nee continua seu livro meditando nos capítulos 5 e  6 de Romanos, sobre nossa velha natureza e nossa nova natureza dada por Deus por meio de Cristo.  

Nesse capítulo, seguindo o apóstolo Paulo, Nee nos fala da nossa união conquistada por Deus em Cristo Jesus na sua morte na cruz.

1. Os dois domínios de paz.

O primeiro domínio segundo Nee, seria o do sangue, da justificação de nossos pecados pelo sangue de Cristo. O segundo domínio é o da Cruz, que trata da natureza do pecado em nós, da santificação da nossa vida.


2. O que torna o homem pecador

O que torna o homem pecador é sua descendência de Adão, somos considerados como tais porque nascemos assim e não pelo que cometemos.  Não somos pecadores porque cometemos pecado, cometemos pecados porque somos pecadores.


3. Existem pecadores bons?

Mesmo aquele que não comete pecados, se pertence à raça de Adão, também é pecador e necessita, igualmente, da redenção. Há pecado­res maus e pecadores bons, pecadores morais e pecado­res corruptos, mas todos são igualmente pecadores. Pen­samos, às vezes, que tudo nos iria bem se não fizéssemos determinadas coisas; o problema, no entanto, é muito mais profundo do que aquilo que fazemos: está naquilo que somos. O que se conta é o nascimento: sou pecador porque nasci de Adão. Não é questão do meu comportamento ou da minha conduta, e, sim, da minha hereditariedade, do meu parentesco. Não sou pecador porque pe­co, mas peco porque descendo de linhagem má. Peco por ser pecador. (p.32)

A questão do pecado não tem a vem com a moralidade, precisamos do evangelho transformando a nossa natureza que é pecaminosa independentemente de nossos atos.  O novo nascimento não nasce de um esforço ou uma submissão para ser bonzinho, mas da graça de Deus manifestada na cruz do Calvário.





4. Qual é a mensagem de Romanos 5.19?


 "Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obe­diência de um só muitos se tornarão justos". O Espírito de Deus procura aqui nos mostrar, em primeiro lugar, o que somos, e depois como chegamos a ser o que somos. No começo da nossa vida cristã, ficamos preocupados com o que fazemos, e não com o que somos; sentimo-nos mais tristes pelo que temos feito, do que pelo que somos. Pensamos que, se pudéssemos retificar certas coi­sas, seríamos bons cristãos, e então, procuramos modifi­car as nossas ações. Os resultados, porém, não são o que esperávamos. Descobrimos, com grande espanto, que se trata de algo mais do que apenas certas dificuldades ex­ternas — que realmente há no íntimo um problema mais sério. Procuramos agradar ao Senhor, descobrimos, po­rém, que há algo dentro de nós que não deseja agradar-Lhe. Procuramos ser humildes, mas há algo em nosso próprio-eu que se recusa a ser humilde. Procuramos de­monstrar afeto, mas não sentimos ternura no íntimo. Sorrimos e procuramos parecer muito amáveis, mas no íntimo sentimos absoluta falta de amabilidade. Quanto mais procuramos corrigir as coisas na parte exterior, tanto melhor entendemos quão profundamente se arrai­gou o problema na parte interior. Então, chegamo-nos ao Senhor, dizendo: "Senhor, agora compreendo! Não é só o que tenho feito que está errado! Eu estou errado". (p.33)

O que podemos aprender é que cada um de nós somos membros de uma raça que é condenada por Deus, diferente dEle. Somos em nós mesmos incapazes de agradar a Deus por mais coisas que façamos. Como diz Nee, o nosso desespero está em Adão, e a nossa esperança está em Cristo.



5. A única base de nossa libertação da natureza pecaminosa.

Há somente um caminho. Desde que entramos nele pelo nascimento, devemos sair dele pela morte. Para nos des­pojarmos da nossa pecaminosidade, temos que nos des­pojar da nossa vida. A escravidão ao pecado veio pelo nascimento; a libertação do pecado vem pela morte - e foi exatamente este o caminho de escape que Deus ofereceu. A morte é o segredo da emancipação. Estamos mor­tos para o pecado (Rm 6.2). (p.36)

O caminho é reconhecer como Deus lidou conosco em Cristo Jesus,  Deus fez por nós o que jamais poderíamos fazer por nós mesmos. Deus nos levou a morte junto com Jesus, não vivemos mais no reino do pecado e de Adão, mas no reinado da graça e de Jesus.



6. O que significa estar em Cristo.


A grande realidade da salvação é a nossa união em Cristo, e este é um ato divino que Ele faz por nós. 



7. Como Deus lidou com o nosso problema de estamos em Adão.

Positivamente, Ele lidou ao nos colocar numa nova vida com Cristo. E negativamente, ele trouxe a morte a velha natureza que herdamos de Adão.

8. Podemos nos crucificar?
. Pelas experiências por que Ele passou, nós igualmente passamos, porque estar "em Cristo" significa ter sido identificado com Ele, tanto na Sua morte como na Sua ressurreição. Ele foi crucificado; o que, então, sucedeu conosco? Devemos pedir a Deus que nos crucifique? Nunca! Quando Cristo foi crucificado, nós fomos cruci­ficados; sendo a Sua crucificação passada, a nossa não pode situar-se no futuro. Desafio qualquer pessoa a en­contrar um texto no Novo Testamento que nos diga ser futura a nossa crucificação. Todas as referências a ela se encontram no tempo aoristo do Grego, tempo que signi­fica "feito de uma vez para sempre", "eternamente pas­sado" (ver Rm 6.6, Gl 2.20; 5.24). E como um homem não poderia se suicidar nunca pela crucificação, por ser fisicamente impossível, assim também, em termos espi­rituais, Deus não requer que nos crucifiquemos a nós próprios. Fomos crucificados quando Ele foi crucificado, pois Deus nos incluiu nEle na Cruz. A nossa morte, em Cristo, não é meramente uma posição de doutrina, é um fato eterno.

O apóstolo não está dizendo que deveríamos morrer, mas está dizendo que de fato a nossa morte já aconteceu pela fé na cruz de Cristo. Do mesmo modo que pela fé sabemos que estamos no domínio do pecado em Adão, sabemos agora que estamos sob o domínio da graça a partir de nossa morte junto Cristo na cruz.



9. Cristo como o último Adão e o segundo homem.

Em I Co 15.45-47, atribuem-se ao Se­nhor Jesus dois títulos notáveis. É chamado "o último Adão" e, igualmente, "o segundo Homem". A Escritura não se Lhe refere como o segundo Adão e sim, como o "último Adão", nem se Lhe refere como o último Ho­mem, e sim, como "o segundo Homem". Note-se esta diferença, que encerra uma verdade de grande valor.
Como o último Adão, Cristo é a soma total da huma­nidade; como o segundo Homem, Ele é a Cabeça de uma nova raça. De modo que temos aqui duas uniões, referin­do-se uma à Sua morte e outra à Sua ressurreição. Em primeiro lugar, a Sua união com a raça, como "o último Adão", começou, historicamente, em Belém, e terminou na Cruz e no sepulcro. E ali reuniu em Si mesmo tudo o que era de Adão, levando-o ao julgamento e à morte. Em segundo lugar, a nossa união com Ele, como "o segundo Homem", começa com a ressurreição e termina na eter­nidade, ou seja, nunca, pois, tendo acabado por meio da Sua morte com o primeiro homem em quem se frustrara o propósito de Deus, ressuscitou como o Cabeça de uma nova raça de homens, em que será plenamente realizado aquele propósito.
Quando, portanto, o Senhor Jesus foi crucificado, foi no Seu caráter de último Adão, reunindo em Si e anulan­do tudo o que era do primeiro Adão. Como o último Adão, pôs termo à velha raça - como o segundo Homem, inicia a nova raça. É na ressurreição que Se apresenta como o segundo Homem, e nesta posição nós também estamos incluídos. "Porque se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição" (Rm 6.5). Morremos nEle, como o último Adão; vivemos nEle, como o segun­do Homem. A Cruz é, pois, o poder de Deus que nos transfere de Adão para Cristo.



10. O novo homem e o nascimento virginal.

As afirmações de Paulo sobre as qualidades de Jesus como o novo homem não podem ser consideradas sem o nascimento virginal de Jesus. Dado que Ele inicia uma nova raça sem ter o pecado em sua própria natureza humana, sendo concebido pelo Espírito Santo.

Watchman Nee: O Sangue de Cristo




Este é o primeiro capítulo da obra Vida Cristã Normal de Watchman Nee, fala a respeito da obra do sangue de Cristo, seguindo o guia de estudos da edição da editora Tesouro Aberto, escrito por Harry Foster.

A vida cristã normal é segundo Nee, o texto de Paulo em Gl.2:20: não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim. 

1. O problema duplo do cristão.

Na visão de Nee, o cristão tem um duplo problema que é a questão do pecado e a questão dos pecados. 

Preciso de perdão para os meus pecados, mas preciso também de ser libertado do poder do pecado. Os primei­ros tocam a minha consciência, o último a minha vida. Posso receber perdão para todos os meus pecados, mas, por causa do meu pecado, não tenho, mesmo assim, paz interior permanente.
O pecado está ligado a nossa natureza decaída e os pecados são os atos errados que cometemos, precisamos tanto de perdão para estes atos como também para a nossa natureza.

Nee coloca um duplo remédio na cruz e no sangue:

 . Veremos que o Sangue soluciona o problema daquilo que nós fizemos, enquanto a Cruz so­luciona o problema daquilo que nós somos. O Sangue purifica os nossos pecados, enquanto que a Cruz atinge a raiz da nossa capacidade de pecar.
 
2. Os três aspectos da obra redentora do Senhor Jesus.

Portanto, para nos remir, e nos fazer regressar ao pro­pósito de Deus, o Senhor Jesus teve que agir em relação a estas três questões: do pecado, da culpa, e da acusação de Satanás contra nós. Primeiramente, teve que ser resol­vida a questão dos nossos pecados, e isso foi feito pelo precioso Sangue de Cristo. Depois, tem que ser resolvido o assunto da nossa culpa e é somente quando se nos; mos­tra o valor daquele Sangue que a nossa consciência culpa­da encontra descanso. E, finalmente, o ataque do inimi­go tem que ser encarado e as suas acusações respondidas. As Escrituras mostram como o Sangue de Cristo opera eficazmente nestes três aspectos, em relação a Deus, em relação ao homem, e em relação a Satanás.

O homem precisa que o Senhor aja em relação ao pecado, a culpa e a acusação do inimigo, o sangue de Jesus é a única capaz de nos redimir nas três questões. 

3. As características da transação entre o sumo sacerdote e Deus no santuário no dia da expiação.

No antigo testamento havia o dia da expiação, conforme Lv. 16, o sangue era dado em oferta pelo pecado e trazido ao Lugar Santíssimo e se espargia sete vezes diante de Deus. 

O sumo sacerdote era o único que entrava lá, isto porque ele era um tipo de Jesus conforme Hebreus 9.11-12 "Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção.".  Havia também a apresentação do sangue a Deus, era uma transação entre o sumo sacerdote e Deus, no Santuário, longe daqueles que se beneficiavam dela.  O sangue era para Deus, ele o exigia.


4. O sangue satisfaz plenamente a Deus, em vista disto, é correto sempre pedirmos perdão a Deus?

Deus requer que o sangue seja derramado para satisfazer sua própria justiça. O sangue é primeiramente para Deus, assim, o sangue de Cristo satisfaz Deus plenamente. Por vezes, erramos pensando que devemos sentir este sangue primeiramente, mas ele é o é para Deus.

A pergunta de Foster é que a incredulidade pode levar o cristão acreditar que o sangue de 
Cristo não foi suficiente para perdoar seus pecados, é um erro procurar basear seu perdão na estimativa pessoal ou sentimento pessoal em relação ao sangue de Cristo.

Se Deus pode aceitar o Sangue, como pagamento pelos nossos pecados e como preço da nossa redenção, então podemos ter certeza de que o dé­bito foi pago. Se Deus está satisfeito com o Sangue, logo, deve ser aceitável o Sangue. A nossa estimativa dele é so­mente de acordo com a Sua avaliação — nem mais nem. menos. Não pode, evidentemente, ser mais, mas não de­ve ser menos. Lembremo-nos de que Ele é santo e justo, e que o Deus santo e justo tem o direito de dizer que o Sangue é aceitável aos Seus olhos, e que O satisfez intei­ramente. (p.21)

5. Onde opera a obra de purificação do cristão?

Se o sangue de Cristo satisfaz plenamente a Deus, deve também nos satisfazer.  A purificação de nossa consciência. Nee nos lembra que o coração é enganoso, Deus deve fazer algo além de nossa purificação, darmos um novo coração. O que significa isto?

Significa que havia algo se interpondo entre mim e Deus, e que, como resultado disto, eu tinha má consciência sempre que procurava aproximar-me dEle, que constante­mente me lembrava da barreira que permanecia entre mim e Ele. Mas, agora, pela operação do precioso San­gue, algo foi realizado diante de Deus que removeu aque­la barreira. Deus revelou-me este fato através da Sua Pa­lavra. Quando creio nisto e o aceito, a minha consciência fica imediatamente limpa, o meu sentimento de culpa é removido, e já não tenho má consciência diante de Deus. (p. 22)



6. Qual a diferença entre acesso a Deus e sentir-se próximo a Ele?

Muitos se aproximam de Deus com base em seus próprios sentimentos, mas temos acesso a Deus mediante a obra do sangue de Jesus. 

A sua aproximação de Deus é, portanto, sempre com ou­sadia; e essa ousadia lhe pertence pelo Sangue, e nunca pelas suas aquisições pessoais. Qualquer que seja a medi­da do que se conseguiu alcançar hoje, ontem e no dia ante­rior, logo que se faça um movimento consciente para o Lu­gar Santíssimo, deve-se permanecer no único funda mento seguro — o Sangue derramado.



7. Quais foram as duas fases de acesso a Deus na experiência de um cristão?

 nosso acesso a Deus tem dois aspectos: um inicial e outro progressivo. O primeiro se nos apresenta em Efésios dois, e o ultimo em Hebreus 10. Inicialmente, a nossa posição perante Deus foi garantida pelo Sangue, porque fomos "aproximados pelo Sangue de Cristo" (Efé­sios 2.13). Mas, daí em diante, a base do nosso contínuo acesso ainda é o Sangue, porque o Apóstolo nos exorta: "Tendo, pois, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus... aproximemo-nos..." (Hb 10.19-22).


8. Como o sangue opera contra satanás?

Como é, então, que o Sangue opera contra Satanás? Por este meio: colocando Deus ao lado do homem. A Queda introduziu algo no homem que deu a Satanás livre acesso a ele, de forma que Deus foi compelido a Se reti­rar. Agora, o homem está fora do Jardim — destituído da glória de Deus (Romanos 3.23) — porque interiormente está separado de Deus. Por causa do que o homem fez, existe nele algo que, até que seja removido, impede Deus moralmente de o defender. Mas o Sangue remove aquela j barreira e restitui o homem a Deus e Deus ao homem. O homem agora está certo com Deus, e com Deus ao seu lado pode encarar Satanás sem temor. (p.25)


9. Qual é a razão de nossa aceitação imediata das acusações de satanás?

Ora, a razão por que aceitamos tão rapidamente as suas acusações é que ainda esperamos ter alguma justiça própria. É falsa a base da nossa esperança. Satanás con­seguiu fazer-nos olhar na direção errada, atingindo assim o seu objetivo de nos deixar incapacitados. Se, porém, tivéssemos aprendido a não confiarmos na carne, não nos espantaríamos quando surgisse o pecado, posto que pecar é a natureza intrínseca da carne. É por falta de reconhe­cermos qual seja nossa verdadeira natureza com sua debi­lidade que nós ainda confiamos em nós mesmos, de mo­do que tropeçamos sob as acusações de Satanás quando ele as levanta contra nós. (p. 27)

                                                                                                                                   
10. Que maneiras por meio das quais Deus pode nos revelar mais de seu Filho para resolver nossos problemas?


Deus nos revela mais de seu Filho para resolver nossos problemas quando deixamos de lado todo esforço para resolvermos por nossa própria conta e passamos a confiar e descansar em sua cruz e em seu sangue, a cruz que transforma nosso ser e o sangue que nos purifica de todos os nossos pecados.

 Nun­ca devemos procurar responder a Satanás, tendo por ba­se a nossa boa conduta, e sim, sempre com o Sangue. Sim, estamos repletos de pecado mas, graças a Deus que o San­gue nos purifica de todo pecado! Deus contempla o San­gue, por meio do qual o Seu Filho enfrenta a acusação, e Satanás perde toda a sua possibilidade de atacar. Semen­te a nossa fé no Sangue precioso, e a nossa recusa de sair­mos daquela posição, podem silenciar as suas acusações e afugentá-lo (Romanos 8.33-34); e assim será sempre até ao fim (Apocalipse 12.11). Que emancipação seria a nos­sa, se víssemos mais do valor, aos olhos de Deus, do precioso Sangue do Seu querido Filho!

domingo, maio 20, 2012

Watchman Nee: Homem Espiritual - O Corpo


A última parte do livro, Nee irá tratar sobre o corpo.


"Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça." (V 10.)


O pecado foi expulso do espírito e da vontade, mas não foi eliminado do corpo. E é a permanência do pecado que faz com que o corpo esteja morto.


"Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita." (Rm 8.11.)


O versículo 10 revela que Deus vivifica nosso espírito; o 11, como Deus dá vida ao nosso corpo. Nee continua explicação de Romanos 8 e versos seguintes dizendo:


Alguns rejeitam a provisão de Deus, pois afirmam que ela nada tem a ver com eles. Outros conhecem essa provisão, crêem nela e a desejam, mas não apresentam seu corpo ao Senhor como um sacrifício vivo. Afirmam que Deus lhes concedeu força para viverem por si mesmos. No entanto aqueles que realmente desejam viver para Deus, e pela fé se apropriam dessa promessa e dessa provisão, experimentam a realidade da plenitude da vida no corpo, conforme o Espírito Santo lhes concede. "Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne." (Rm 8.12.)


Se ouvirmos a verdade da cruz, mas não permitirmos que o Espírito a aplique em nossa vida, nosso conhecimento não passa de uma teoria, de um ideal



"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas." (V. 12.) Como vemos pelos versículos seguintes, o apóstolo Paulo aqui está se referindo ao corpo. Ele julga que tudo lhe é lícito porque, de acordo com a natureza, todas as exigências do corpo, como o comer, o beber ou o sexo são naturais, justas e lícitas (v. 13). Entretanto ele entende que nem todas elas são necessariamente úteis, nem devem escravizar o homem.



"O corpo é para o Senhor." Isso significa que, embora a carne pertença ao Senhor, este a confiou ao homem. E o Senhor quer que a conservemos para ele. São muito poucos os que conhecem e praticam essa verdade!  Deus quer que saibamos que ele deu seu corpo por nós, e também que, se nosso corpo for genuinamente "para ele", vivenciaremos o fato de que o Senhor é para o corpo. A expressão "o corpo é para o Senhor" significa que devemos dedicar nosso corpo totalmente a ele, para viver para ele. "O Senhor é para o corpo" significa que, ao aceitar nossa consagração, ele concede sua vida e seu poder ao nosso corpo físico. Ele cuidará dele, preservando-o e nutrindo-o.


A expressão "o Senhor é para o corpo" possui vários significados:

1. Exprime a idéia de que o Senhor livrará o corpo do pecado.

2. O Senhor é também para nossas doenças físicas. Do mesmo modo que ele destrói o pecado, cura as doenças. Ele é para qualquer problema relacionado ao nosso corpo, e, por conseguinte, para nossas doenças também. As enfermidades são apenas a manifestação do poder do pecado em nosso corpo.

3. O Senhor é também para o nosso viver no corpo. Ele será a força e a vida do corpo, permitindo que vivamos por ele.

4. O Senhor é também para a glorificação do corpo. Isso acontecerá no futuro.

Se acharmos que o Espírito Santo vem principalmente sobre nosso corpo, estaremos enganados. Contudo, se crermos que ele habita apenas em nosso espírito, também seremos  Sejamos sóbrios e vigilantes, a fim de não usarmos nosso corpo para nós mesmos, nem permitirmos que ele chegue a um estado em que pareça que o Senhor não é para o corpo. Desse modo, glorificaremos a Deus e permitiremos que ele demonstre seu poder livremente, libertando-nos das fraquezas, das doenças e dos sofrimentos, bem como do interesse próprio, do amor próprio e do pecado.


2. As Doenças


Pela incredulidade, o homem divide o Salvador perfeito em dois, embora a verdade continue sendo que Cristo é, para sempre, o Salvador do corpo e da alma, competente para curar e para perdoar.  O amor-próprio, naturalmente, cria os seus recursos particulares. Em vez de os cristãos recorrerem a Deus, objetivando eliminar a raiz da doença, eles anseiam pela cura, indo buscá-la nos remédios. Muitos crentes tendem a confiar mais nos recursos intermediários do que em Deus. Por conseguinte, sua vida espiritual passa a sofrer em razão do uso de medicamentos.

Quando os cristãos não recebem a doença de bom grado, não a vendo como o melhor que Deus tem para nós, quando eles buscam outros meios de cura que não o Senhor, recusando-se a submeter-se a ele, adoecem novamente, mesmo depois de terem sido curados. Se se apegarem ao amor-próprio, e ficarem o tempo todo preocupados consigo mesmos, Deus lhes dará mais motivos para sentirem autopiedade. Ele vai lhes mostrar que a medicina terrena não pode curar permanentemente. O Senhor quer que seus filhos saibam que um corpo forte e saudável não é para a satisfação própria, nem para ser usado segundo os próprios desejos, mas somente para Deus. O espírito de cura é um espírito de santidade. Carecemos é de santidade; não de cura. Precisamos ser libertos primeiro é do ego; não da doença.


Entretanto devemos ter cuidado para não cair em extremos. A vontade de Deus é que descansemos exclusivamente nele. Contudo, depois que negarmos definitivamente os nossos próprios meios, e confiarmos nele de maneira plena, pode ser do seu agrado que utilizemos alguns recursos naturais para ajudar nosso corpo.

Guardemos estas três verdades: Deus pode, Deus quer, Deus faz. Quando nossa fé atinge o terceiro estágio, a doença se vai.


Todo crente precisa enxergar com clareza que está unido com o Senhor. Ele é a videira, e nós, os ramos. Assim como os ramos estão unidos ao tronco, assim também estamos unidos com o Senhor. Unidos ao tronco, os ramos recebem o fluxo da vida da planta. Nossa união com o Senhor produz os mesmos resultados. Entretanto, se acharmos que essa união se limita ao espírito, a fé se levantará para protestar. Como Deus nos chama para mostrar ao mundo a realidade da nossa união com Cristo, ele quer que creiamos nesses fatos e recebamos o fluxo de sua vida para o nosso espírito, alma e corpo. Se nossa comunhão for cortada, nosso espírito certamente perderá a paz, e o corpo não terá saúde. Se permanecermos em Cristo, a vida dele estará continuamente enchendo nosso espírito e fluindo para o nosso corpo. Se não participarmos da vida do Senhor Jesus, não poderemos receber cura nem saúde. Deus deseja que seus filhos hoje experimentem uma união mais profunda com o Senhor Jesus.





quarta-feira, maio 02, 2012

O Homem Espiritual - A Alma.


Na terceira parte do livro de Watchman Nee,  vai tratar da segunda parte do ser humano, que é a alma. O primeiro ponto desta terceira parte falará sobre a a libertação do pecado e a alma humana.

Nee parte de Romanos 6, a libertação acontece no momento em que o pecador aceita ao Senhor Jesus como salvador e nasce de novo. 



Alguns trechos:
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E é por meio deste corpo que o pecado consegue expressar-se, pois de outro modo seria um poder invisível. Para recapitular, pois, o pecado é o poder que nos arrasta a pecar. O velho homem é a parte não corporal que herdamos de Adão. O corpo de pecado é o elemento corporal que herdamos de Adão. O processo de pecar segue esta ordem: primeiro, o pecado; em seguida, o velho homem; finalmente, o corpo.
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A Bíblia nunca nos instrui a que crucifiquemos a nós mesmos. Precisamente nos diz o oposto. Nos ensina que quando Cristo foi ao Calvário, nos levou com ele e ali nos crucificou. Não instrui a nos crucificarmos a nós mesmos; em vez disso as Escrituras nos asseguram que nosso velho homem foi tratado no momento em que Cristo foi à cruz.
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O pecado já não pode tentar o crente porque é um novo homem; o velho morreu. A ocupação do corpo era antigamente a de pecar, mas este corpo de pecado agora está sem ocupação, posto que o velho homem foi posto de lado.
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Quando Deus diz que nosso velho homem foi crucificado, consideramo-nos mortos; quando Ele insiste em que estamos vivos, consideramo-nos vivos.
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Deveríamos aprender a viver em Cristo pela fé, nunca nos considerando fora dEle. Aprendamos a crer diariamente que estamos em Cristo e que tudo o que é verdade Dele é verdade nossa.
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Temos que enfatizar que ser libertado do poder do pecado significa meramente que «nosso corpo» foi libertado. (Naturalmente, nossa redenção perfeita, que também inclui a libertação da presença do pecado, encontra-se ainda no futuro.) A vida da alma, sobre a qual nos apoiamos, não foi tratada ainda.
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Essa vida é inteiramente distinta da nova vida que o Espírito Santo nos dá por ocasião do novo nascimento. O que o Espírito Santo compartilha é a vida incriada de Deus; essa outra é só a vida criada do homem. O Espírito Santo nos concede um poder sobrenatural; a outra é meramente a natural.
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A vida da alma proporciona a energia para executar tudo o que se manda. Se reger o espírito, a alma será dirigida pelo espírito a exercer seus atos de vontade, ou decidir, ou operar conforme o desejo do espírito; entretanto, se reinar o pecado no corpo, a alma se verá arrastada pelo pecado a usar sua volição para decidir ou fazer o que o pecado deseja.
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Porque vemos que a vida da alma continua, embora a cruz tenha tratado a natureza pecaminosa do crente. É verdade que cada pecado irrompe dessa natureza pecaminosa, com a alma sendo simplesmente uma serva disposta; entretanto, a alma como herdada de Adão está infectada com a queda de Adão.
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Depender da vida da alma para realizar o desejo do espírito é usar força natural (ou humana) para realizar bondade sobrenatural (ou divina).
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A experiência do crente de ser libertado do pecado pode inclusive continuar, mas nem por isso vai ser feito perfeito. Não tratou ainda inexoravelmente com seu «eu».
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O triunfo sobre o pecado é como uma porta: dá-se um passo, e já se está dentro; o triunfo sobre o eu é como um atalho: anda-se por ele, e se continua andando pelo resto de seus dias. Uma vez derrotado o pecado, somos chamados a vencer a nós mesmos — inclusive a melhor parte de nós, o eu cheio de zelo e religioso —, e isto a cada dia.
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Um cristão espiritual, portanto, é aquele cujo espírito é guiado pelo Espírito de Deus; recebe o poder para seu caminho diário de vida através do Santo Espírito que reside em seu espírito; não permanece na terra procurando fazer sua própria vontade, mas sim a vontade de Deus; não confia em sua sagacidade para planejar e executar seu serviço a Deus.
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O andar pelo Espírito Santo não é só não cometer pecado mas também não permitir que continue o eu.
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O Espírito Santo reside de modo genuíno em seu espírito e lhes concedeu a experiência de vencer o pecado por meio da operação da cruz.
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Se um crente andar conforme com o Espírito de Deus, não vai originar ou reger nada; em vez disso vai esperar quietamente a voz do Espírito Santo, que ouvirá em seu espírito intuitivamente, e assumirá por sua parte uma posição subordinada.
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Muitos crentes anímicos adotam uma atitude de justiça própria, embora freqüentemente seja difícil perceber. Aferram-se tenazmente às mínimas opiniões. Sem dúvida, é correto manter as doutrinas básicas e essenciais da Bíblia, mas certamente podemos nos permitir conceder certa margem de tolerância em questões menores.
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Os cristãos carnais têm uma marca comum: a verbosidade. Suas palavras deveriam ser poucas, sabem muito bem, mas se vêem impulsionados a discussões intermináveis, com a emoção mais entusiasta. Carecem de controle de si mesmos na fala; uma vez que tenham aberto a boca, a mente parece não ter rédeas para freá-la. As palavras saem como uma avalanche.
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Isso é característico da obra do cristão anímico. Os cristãos carnais se desanimam facilmente por causa de MEUS esforços. Falta-lhes a tranqüila confiança que se apóia em Deus para fazer a obra.
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A tendência a apressar-se marca com freqüência aos que partem ao ritmo de sua alma. Não esperam a Deus. Tudo o que fazem é precipitado, impetuoso, com pressa. Operam, mais por impulso que por princípios. Inclusive na obra de Deus, estes cristãos são impulsionados por seu zelo e paixão, até o ponto que não podem esperar que Deus deixe clara sua vontade e seu caminho.
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Para eles, o fazer a obra do Senhor é de importância suprema, mas com freqüência se esquecem de que o Senhor é o que dá a obra. A obra do Senhor ocupa o centro, mas o Senhor da obra retrocede ao fundo.
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Devido a que não estão enraizados em Deus e, portanto, não aprenderam a esconder-se nele, as pessoas carnais desejam ser vistas. Procuram posições proeminentes na obra espiritual. Se assistem a reuniões esperam serem ouvidos, embora eles não escutem a outros. Experimentam um gozo inexprimível quando são reconhecidos, respeitados e recebem homenagem.
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O fato de termos experiências espirituais não nos faz espirituais. Só depois de libertos do pecado e do eu, podemos ser considerados espirituais.
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As manifestações da vida da alma geralmente podem ser classificadas em quatro divisões: - força natural; - envaidecimento, dureza e inflexibilidade para com Deus; - sabedoria própria, com muitas opiniões e planos; - busca de sensações emocionais nas experiências espirituais.
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Podemos resumir isso dizendo que a tendência da alma caída é a de fazer os crentes andarem segundo seu poder natural, servirem a Deus com sua força e conforme a suas idéias, desejar sensações físicas no conhecimento do Senhor ou no experimentar da Sua presença, e compreender a Palavra de Deus com o poder de sua mente.
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Com afã admiram a Palavra de Deus, mas procuram conhecimento somente para satisfazer a aspiração de sua mente; resistem a esperar que Deus lhes dê sua revelação no seu devido tempo. Sua busca da presença de Deus, o ser conscientes de sua misericórdia e proximidade, não é por amor a Deus, mas sim para sua própria felicidade. Fazendo isso, não estão amando ao Senhor, mas ao sentimento que os renova e lhes permite a glória do terceiro céu. Toda sua vida e seu trabalho elevam o eu como seu centro. O que querem é ter o gozo de si mesmos.
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O Espírito de Deus necessita da cooperação do espírito humano para levar os crentes em triunfo em seu caminhar diário e prepará-los para as plenas obras designadas por Deus.
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Daí que não podemos nos aproximar da cruz e reclamar só a salvação pela substituição, sem ao mesmo tempo aceitar a libertação por meio da identificação. Uma vez que tenhamos recebido, pela fé no Senhor, ao Salvador pessoal, seremos guiados pelo Espírito Santo, que nos reveste a desejar a experiência da morte conjuntamente com Cristo, independente do muito ou do pouco que compreendamos a identificação.
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A cruz nunca se limita a sua obra exterior. Vai operar mais e mais profundamente em nós até que a velha criação seja crucificada por completo na experiência. Seu objetivo é deixar completamente de lado tudo o que pertence a Adão.
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