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quarta-feira, janeiro 23, 2013

Timothy Keller: A essência da renovação pelo Evangelho.



Em seu quinto capítulo de Center Church, Timothy Keller continua a falar sobre a renovação pelo Evangelho (The Gospel Renewal). 

O Avivamento é necessário porque a religião ( eu obedeço, então sou aceito) é tão diferente do evangelho (eu sou aceito por Deus através de Cristo, portanto eu obedeço), mas é uma falsificação bem eficaz. Estes sistemas tem motivações e propósitos bem diferentes, mas na superfície podem parecer iguais. 

A pergunta deste capítulo é pelo o quê é a renovação do evangelho, como pode ser tão distinto e único, e como produzem uma vida nova, cheia do Espírito e centrada em Cristo. 

Três modos de responder a Deus.

Os cristãos, normalmente, enxergam dois modos de responder a Cristo: seguindo-o ou rejeitando-o. Isto é verdade, mas existem dois modos de rejeitarmos a Cristo, pode fazer isto rejeitando sua lei e vivendo do jeito que quer e também pode rejeitá-lo abraçando e obedecendo a lei de Deus para ganhar sua salvação.  O problema que essas pessoas que rejeitam a Cristo em prol do moralismo parecem que estão tentando fazer a vontade de Deus, mas não estão. Então, existem três modos de respondermos a Deus: religião, irreligião e o evangelho.

Irreligião é evitar Deus como Senhor e Salvador ignorando-o completamente, a religião ou moralismo é evitar Deus como Senhor e Salvador buscando na justiça moral e se apresentando a Deus num esforço de mostrar que ele deve para você. O evangelho é Deus que desenvolve e nos dá sua justiça através de Cristo - 1Co 1:30, 2Co 5:21-.

Este tema percorre toda a bíblia, quando Deus salvou os israelitas do Egito, Ele primeiro os resgatou e então deu a lei para eles obedecerem. A obediência da lei é um resultado da providência e eleição deles, não a causa para isto - Ex 19:4, Dt 7:6-9. 

No novo testamento, estas três formas aparecem nos quatro primeiros capítulos de Romanos. Em 1:18-32, Paulo mostra como o pagão são perdidos e alienados de Deus. Em 2:1-3:20, Paulo coloca que a moral, os judeus observadores da lei também estão perdidos e alienados de Deus. A conclusão chocante  está em Romanos 3:9-11, quando Paulo diz que não há ninguém que busque a Deus, ele está concluindo que milhares de pessoas que tentam observar a bíblia não estão buscando a Deus, mesmo com toda a sua religião. A razão é que se você busca ser correto com Deus através de sua moralidade e religião, você não está buscando a Deus para sua salvação, você está usando Deus como um meio para conquistar sua salvação. Paulo continua a carta mostrando que o evangelho busca a Deus em Cristo para a salvação somente através da graça e fé.

Nos evangelhos, vemos Jesus fazendo as mesmas diferenciações, em João 3 e 4, vemos a mulher imoral samaritana e o Nicodemus, exemplo moral, ambos perdidos sem a graça de Deus.

Keller coloca que um dos pensamentos mais profundos de Lutero é que a religião é o modo padrão do coração, mesmo as pessoas irreligiosas vivem suas vidas de acordo com um conjunto de valores para serem aceitos.  Este modo persiste no coração dos cristãos que podem sair do evangelho e voltar ou entrar na religião.


Pregando o terceiro caminho para todos.

Se você está pregando o evangelho, você precisa ajudá-los não somente a distinguir se estão obedecendo ou não a Deus, mas também deixar clara a distinção entre obedecer a Deus como um caminho de auto-salvação e obedecer a Deus tendo como fonte gratitude pela salvação conquistada.  Tem que diferenciar o evangelho da religião moralista. Este é um modo de confrontar cristãos nominais e alegrar cristãos. 

Primeiro, muitos cristãos são nominais, são como o irmão mais velho de Lucas 15,  e ofertar esta distinção ajuda-os a converterem-se.  Segundo muitos cristão genuínos estão ficando irmãos mais velhos, frios, mecânicos, inseguros, e fazendo a distinção é único jeito de alcançá-los.  Terceiro, muitas pessoas pós-modernas cresceram perto de igrejas moralistas, eles observaram como as pessoas religiosas tendem a agir, convencendo as outras pessoas de sua superioridade. Muitos não crentes contemporâneos rejeitaram estes frutos pensando que estão rejeitando o cristianismo, mostrando a distinção eles não irão mais ter uma compreensão falha do que é realmente o evangelho.

Alguns vão criticar, dizendo que o problema não é farisaísmo e moralismo, que só se fala da graça, que o maior problema é o antinomismo e liberalismo. Primeiro, a menos que você aponte para as boas novas da graça, as pessoas não estão hábeis para ouvir sobre as más notícias do julgamento de Deus. Segundo, se não criticar o moralismo, muitas pessoas irreligiosas não saberão diferenciar isto da oferta do evangelho. Uma compreensão profunda do evangelho é o antídoto para a licenciosidade e antinomismo.

Legalismo e relativismo são essencialmente a mesma coisa, são apenas estratégias distintas  para a auto-salvação construída pelo esforço humano. O evangelho desconstrói tanto o legalismo como liberalismo.

Mudança de comportamento moralista.

As pessoas insistem na honestidade com os outros dizendo, se você mentir, você terá problemas com Deus e com as outras pessoas ou dizem, se você mentir, você será como estas pessoas terríveis que não tem confiança de ninguém, você é melhor que isto. Estas frases buscam uma mudança de comportamento através do medo de punição ou do orgulho. Tanto o medo como o orgulho são auto-centrados, focalizam na vontade e na recompensa, no fundo dizem, se você mudar, você pode se salvar.

Cristãos que pensam que agir moralmente é primeiramente escapar de punição ou ganhar auto-respeito e salvação estão aprendendo a serem morais para servirem a si mesmos. Eles agem para que Deus os recompense, eles, assim, podem pensar que são pessoas virtuosas. Eles não obedecem a Deus por causa dele, não por causa de sua grandeza e porque Ele fez por elas em Cristo, ao invés disto, estão usando Deus para ter as coisas que querem. Eles querem orações respondidas, boa saúde e prosperidade e eles querem sua salvação após a vida. Então, eles fazem bem não para o bem de Deus ou do próprio bem, mas para seu próprio bem. O comportamento deles está sendo mudado pelo poder do próprio interesse.

O comportamento moralista simplesmente muda manipulando e elevando o egoísmo, e não o desafia. Usa o egoísmo contra si mesmo apelando para o medo e o orgulho. 

Mudança de comportamento pelo evangelho.

Keller cita o exemplo de Paulo em 2Coríntios 8, Paulo escreve para encorajar os crentes a darem e ofertarem, mas ele quer que eles façam sem que seja uma ordem diretamente vindo dele. Ele não força ninguém a isto, nem usa sua autoridade. Paulo escreve que eles conheceram a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que era rico e se fez pobre para o nosso bem, ele move os corações para uma lembrança do evangelho. Pense no custo da graça até o evangelho transforme-os em pessoas generosas. Em Efésios 5:25-33, Paulo está falando com os maridos, Paulo está encorajando os esposos a serem não somente fiéis, mas a honrarem e se alegrarem com suas esposas. Ele não nos amou porque eramos amáveis, mas ele nos fez amáveis. Em Tito 2:12, ele chama seus leitores a dizerem não as paixões mundanas, Keller faz nos pensar sobre as maneiras pelas quais podemos dizer não:

porque isto ficaria ruim..
porque eu seria excluído do meu círculo de amizades.
porque Deus não iria me dar saúde, dinheiro e felicidade.
porque Deus me mandaria pro inferno.
porque eu iria odiar a mim mesmo.

Virtualmente todos estes incentivos são auto-centrados, são impulsos do coração para força uma adptação às regras externas, mas eles não fazem muita mudança no coração em si. O motivo por trás deles não é o amor por Deus, é um jeito de usar Deus para ter coisas benéficas: auto-estima, prosperidade e aprovação social.

Paulo não leva seus leitores a estas coisas para transformarem-se. Na passagem de Tito, ele diz que a graça de Deus que nos traz salvação nos ensina a dizer não - 2:11-12-. Em Tito 3:5, ele explica o que quer dizer com graça: Deus nos salvou, não por causa das coisas certas que fizemos, mas por causa da sua misericórdia. Paulo está dizendo que a verdadeira mudança deve ser aprendida com o evangelho, você deve deixar o evangelho argumentar com você, aprofundá-lo em você até que mude suas visões e as estruturas de sua motivação. Você precisa ser treinado e disciplinado pelo evangelho.

O evangelho nos ajuda com as necessidades extremas do coração humano. Nós temos a necessidade de sermos constantemente respeitados, sermos apreciados, sermos lembrados. Precisamos controlar nossas vidas- sem confiar em Deus, precisamos ter poder sobre os outros para a nossa auto-estima, a imagem do nosso Deus glorioso deleitando-se conosco com todo o seu ser (Is 62:4; So 3:14; cf.Dt 23:5; 30:9) — se isto for um mero conceito para nós, então as necessidades irão ganhar e dirigir o nosso comportamento. Sem o poder do Espírito, nossos corações não acreditam realmente em Deus, em seu deleite e graça. Mas, as verdades do evangelho, trazidas pelo Espírito, devagar mas seguramente nos transformam, nos deixam cientes de quão amados e aceitos somos em Cristo. Através do evangelho, nós encontramos nossa identidade não naquilo que conquistamos, mas naquilo que foi conquistado para nós em Cristo. 

Quando o evangelho entra no coração (Ef 3:16 – 19), leva embora as necessidades que nasceram com o pecado, que nos destrói levando a uma vida de comportamento pecaminoso.  Não precisamos mentir, porque nossa reputação não é tão importante para nós. Não precisamos responder com violência porque ninguém pode tocar nosso verdadeiro tesouro.  O evangelho destrói tanto o orgulho como o medo que alimentar a mudança moralista. Destrói o orgulho, porque nos fala que somos tão perdidos que Jesus tinha que morrer por nós. E também destrói o medo, porque nos conta que nada que fazemos por superar seu amor por nós. Quando isto entra em nós, a mudança fundamental acontece em nosso coração.

Não agimos moralmente porque lucramos com isto ou nos sentimos melhores, ao invés disto, falamos a verdade e mantemos nossas promessas por causa do amor daquele que morreu por nós. O evangelho nos leva a fazer a coisa certa não para o nosso próprio bem, mas para o agrado de Deus, este tipo de motivação apenas por acontecer num coração tocado pela graça.


A orientação bíblica para avareza, é uma reorientação do evangelho para a generosidade de Jesus, não temos que nos preocupar com dinheiro, porque Deus prova seu cuidado conosco e nos dá segurança. A solução bíblica para um casamento ruim é um orientação para o amor de Cristo por sua noiva comunicado no evangelho através da cruz, através dele podemos combater a luxúria. Este amor é tão completo, que nos guardar de ficar buscando no sexo, a satisfação que apenas Jesus pode nos dar.

O que nos fará esposos fiéis, pessoas generosas, bons pais, crianças obedientes não é um esforço maior para seguir o exemplo de Cristo. Ao invés disto, é ir mais profundo no entendimento da salvação de Cristo e viver as mudanças que vem disto em nossos corações. A fé no evangelho reestrutura nossas motivações, nosso auto-entendimento, nossa identidade e nossa visão de mundo. 

Uma mudança de comportamento sem uma mudança de coração é superficial. O propósito da pregação, pastoreamento, aconselhamento, etc é mostrar as pessoas as implicações práticas da fé no evangelho.

A importância da idolatria.

Uma das coisa mais importantes para ajudar as pessoas a verem como falham em viver do evangelho é instruindo a respeito da natureza da idolatria. Keller cita Lutero, que interpretando Êxodo 20.3 e Romanos 3 e 4, diz que são a mesma coisa em essência. Dizer não ter outros deuses além de Deus e dizer que não devemos encontrar salvação fora de Jesus é a mesma coisa. E o primeiro mandamento quer dizer, já que Eu sou Deus e não há outro, você deve colocar sua confiança, lealdade e fé em mim somente e em nada mais.

O ensino de Lutero, segundo Keller, é que quando olhamos para qualquer coisa além de Cristo para nos sentirmos aceitos, alegres, significantes, esperançosos e seguros isto é por definição nosso deus- algo que nós adoramos, servimos e em que confiamos com a nossa vida e coração. Em geral, os ídolos podem ser boas coisas -família, conquista, trabalho e carreira- que nós transformamos nas coisas principais que nos dão significância e alegria que precisamos. Isto nos dirige. Um sinal claro da presença de idolatria é uma ansiedade exagerada, ou desencorajamento quando perdemos nossos ídolos. Se você perder uma boa coisa, isto te deixa triste, mas se você perde um ídolo, isto devasta você.

Lutero ensina em seu estudo sobre os mandamentos, que nunca podemos quebrar outro mandamento sem que tenhamos quebrado o primeiro. Não mentimos, roubamos, cometemos adultério a menos que primeiro colocamos alguma coisa mais fundamental para a nossa esperança, alegria e identidade que Deus. Quando mentimos, nossa reputação se torna mais fundamental para o nosso sentido de si mesmo ou felicidade que o amor de Cristo. Se mentimos na declaração de impostos, o dinheiro e as posses -status e conforto-  se tornam mais importantes para o coração que nossa identidade em Cristo. A idolatria também é a raiz de outros pecados e problemas.

Se a raiz de cada pecado é a idolatria, a idolatria é uma falha em olhar para Jesus para a nossa salvação e justificação, então todo o pecado é uma falha em acreditar na mensagem do evangelho que Jesus, somente Ele, é nossa justificação, justiça e redenção.

A essência da mudança de comportamento é aplicar o evangelho aos ídolos do nosso coração, que sempre levam a uma auto-salvação longe de Jesus. Nossa falhas em sermos justos vem de uma falha em se alegrar em nossa legal justificação em Cristo. Nossa falhas na santificação, sermos como Jesus- vem de um erro de orientação para a nossa justificação. Nunca mudaremos a menos que entendemos como o nosso coração resiste ao evangelho e continua buscar auto-salvação através da idolatria.


Quem prega uma renovação pelo evangelho deve sempre falar sobre os ídolos escondidos, mostrando as caracterísiticas particulares de falhar em crer no evangelho. Fazendo isto prevenimos as pessoas de mudarem por um comportamento moralista, que leva a insegurança, raiva e culpa e morte espiritual. Ao invés disto, devemos focar no evangelho e na obra de Cristo.


No capítulo há um pequeno esboço sobre a santificação. 


Santificação apenas pela fé?


As pessoas que concordam que é apenas pela fé,acreditam que a salvação é estritamente pela graça através da fé e esta livre salvação resulta numa obediência movida pela gratidão, no entanto, discordam sobre o papel exato  e da natureza do esforço no crescimento cristão.

Lutero diz que todo pecado é enraizado na idolatria, que é uma falha em acreditar em Cristo para a nossa salvação e justificação, e ele coloca que o único esforço do cristão é o esforço de crer no evangelho.  Isto pode levar a pensar que santificação é pela fé, enquanto que a justificação é uma questão de acreditar fervorosamente no evangelho.

Este tipo de linguagem tem levado alguns a cobrar de Lutero que ele está reduzindo os esforços cristãos a viver uma vida santa a nada mais que acreditar na justificação. Ele contradizem dizendo que santificação toma grandes esforços para além disto.

Keller diz que ambos os lados tem sua certeza, mas, os cristãos devem usar todos os meios possíveis para fazer a vontade de Deus. Se você sente um impulso de pegar uma pedra e ferir alguém, faça o que for necessário para evitar fazer isto. Não há razão para os crentes em um curto prazo, usem sua força de vontade se necessário, Deus merece nossa obediência, e nós devemos dá-la, mesmo se soubemos que nossos motivos estão impuros e misturados. 

Obediência não é a mesma coisa que mudança.  Todo esforço é alimentado por alguma motivação, e se nossa motivação não é o evangleho, então nós não estaremos obedecendo a Deus para o seu bem.Nem haverá uma mudança permanente em nosso caráter.

Em curto prazo, devemos simplesmente obedecer a Deus porque isto é certo e é um dever. Mas, a longo prazo, a melhor forma de moldar nossas vidas e escapar da influência mortal dos pecados que nos assediam é movendo o coração com o evangelho.



Só se o nosso maior amor é o próprio Deus podemos amar e servir a todas as pessoas, famílias, classes, e só a graça salvadora de Deus pode trazer-nos ao lugar onde estamos amando e servindo Deus só para si e não para o que Ele pode nos dar. Se não entendermos o evangelho, estamos sempre obedecendo a Deus para o nosso bem e não por Ele.


quarta-feira, julho 27, 2011

Levy da Costa Bastos: Caminhos da Salvação.

Jurgen Moltmann é o teólogo da esperança em meio ao sofrimento, da escatologia, em dias de tanto sofrimento sem explicações, sua teologia ganha espaço no Brasil.  Neste livro, Bastos analisa a obra de Moltmann a respeito da salvação e seus caminhos.

“Quando aqui se afirma a existência dos caminhos da salvação o que se pretende realçar é simplesmente que, partindo de uma experiência salvadora com Deus, o individuo crente é convocado a dar expressão para este acontecimento redentor sob diversas formas ao longo de sua vida” p. 11

O primeiro capitulo da historia da redenção começa com a criação, Bastos busca mostrar a partir de Moltmann como se deu a expressão do amor divino na criação.

“Em volta deste desígnio criador Divino, podemos afirmar que o ser humano (todo ser humano) está vocacionado por Deus a intervir na historia e na criação, tornando-se parceiro de Deus, visto que a criação ainda não encontrou sua consumação. Isto demanda, por outro lado, rompimento com  o principio do eterno retorno (Eliade)” p. 18

“A criação teve seu ponto inicial no ato Trinitário Divino, na Palavra criadora de Deus, que do nada fez tudo existir, mas não se esgota nisso. Ela acontece ainda agora e para isso o ser humano redimido é convocado a tomar parte. Este fato nos serve de analogia da forma como acontece a salvação. Ela é um acontecimento sinérgico. Começa sempre com Deus, por meio da sua graça infinita e imerecida, mas pressupõe uma resposta sempre criativa e responsável da pessoa humana (Ef. 2,8-10)” p. 19

Quanto as atitudes dos fieis em relação a criação...o autor diz “o ser humano não foi vocacionado por Deus para estar fechado ou fixo em si mesmo, mas aberto às novas possibilidades  que lhes estao sendo prometidas pela Palavra Divina. Ele é um ser de vocação transcendente a si mesmo, de vocação decisivamente escatológica, tendo no Espírito Santo o operador dessa transcendência e na Palavra de Deus a causa instrumental fundamental. Por meio destes fatores se vê impelido e convocado como uma nova criação de Deus. O ser humano não é, assim, um sub-sistente, mas um ek-existente, isto é, não sendo um ser fixo e imutável estará sempre em processo aberto , de devir – in fieri-, de metamorfose –Rm 12,1-2-. O ser humano é  de fato um ser inacabado” p. 21

Capitulo 2 – um novo nome para a salvação.

O novo nome é a doutrina da justificação pela fé. Trata-se de um belo capitulo onde o autor analisa as diferentes concepções do tema, desde Tiago, Lutero e Concilio de Trento, vale uma leitura para quem se interessa pelo assunto.
Sobre o conceito paulino, o autor diz
“a justificação é compreendida por Paulo como um evento em que os crentes são declarados livres da culpa do pecado, e mais do que isso, são tambem habilitados a vencer a força com que o pecado os assedia” p. 30
“A centralidade da cruz de Cristo na teologia paulina expressa-se como sinal de humilhação e fraqueza Divinas. Na cruz de Cristo, o Deus trino se apropriou graciosamente de todos os pecadores. Isto permite concluir que ninguém é indigno, sem valor ou tão distante de Deus, que não possa ser alcançado por seu amor redentor” p. 31
 “A experiência de ser justificado por Deus se da única e exclusivamente por meio da fé em Jesus Cristo. Por meio de uma confiança total e exclusiva na graça de Deus – Rm 3,26;28;5,1;Gl 2,16). Por meio de Cristo, sua vida, morte  e ressurreicao, Deus Pai permite aos seres humanos experimentarem sua salvação –Rm 3,5ss -. A despeito da situação de alienação do gênero humano, Deus lhe faculta o exercício de uma fé confiante, por meio da qual ele entre em uma nova relação com Deus e recebe novidade de vida – Rm 5,17ss-. Em terminologia paulina, justificação é uma nova criação pela ação do Espírito. A justificação é, assim, o penhor da absolvição final de Deus e o começo de uma nova vida” p. 33
                


A seguir, o autor prossegue analisando a doutrina da justificação em Tiago, Martin Lutero e no Concílio de  Trento. Sobre Lutero, ele diz:


"a fé  que realmente justifica, não é um assentimento intelectual  a certas verdades - assensus- mas um entregar-se confiante a Deus com compromisso, uma auto-doação (fiducia) .... No ato de crer, o ser humano  devencilha-se de seu isolamento pessoal e, vocacionado pela Palavra de Deus, se abandona em Seus braços, tornando-se um com Ele, contudo, sem se perder como pessoa .... Desde, então ele passou a defender a tese de que a justificação é um ato motivado exclusivamente no amor de Deus por meio do que a justiça de Cristo é imputada aos que crêem" (p. 39) " O evangelho revela-se como um instrumento, por meio do qual Deus cria e opera um desejo incontido no coração do homem de honra-Lo e obedientemente servi-Lo. O evangelho é a única força que permite ao ser humano ser liberto de si mesmo, de sua auto-justificação" (p. 42)
O concílio de Trento "não tratou especificamente da doutrina da justificação, mas pode-se dizer que esta foi uma de suas mais fortes questões motivadoras. Se por um lado a fé reformada preconizava o não cancelamento dos pecados, a fé católica afirmou o verdadeiro cancelamento dos pecados no ato da justificação. Para Trento, a justificação também se mescla com a santificação o que o Cristianismo da Reforma negou com veemência. p. 47

a conclusão do autor é que

"A justificação deveria ser, então, interpretada escatologicamente, pois isto permitiria superar o que fosse passado e fazer surgir a Nova Criação de Deus. Em um contexto cmo este, o mundo seria recebido não obstante suas contradições e ambiguidades internas, como um presente de Deus, como boa obra da criação a ser continuamente recriada no poder do Espírito de Deus" p.51

"O evento Cristo - sua vida, morte e ressurreição- aponta para uma forma de compromisso com a vida que determina a existência dos justificados. Na sua cruz, Ele assumiu as fragilidades e pecados humanos, tornando-se abandonado por Deus. Na sua morte de cruz fica explicitada não somente o seu compromisso com a libertação da vida no mundo, mas a solidária proximidade Divina com todos os pecadores e crucificados do mundo" p.  54

No capítulo 3, chamado PARA QUEM ESTÁ A ESCUTA DE DEUS, o autor desenvolve uma abordagem prática da esperança numa pneumatologia marcada pela libertação da opressão.

"Uma pneumatologia integral. ...



quarta-feira, fevereiro 03, 2010

D. Martyn Lloyd-Jones: Expiação e Justificação

Sobre Romanos 3:25
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
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Qual era o propósito disso? Por que Deus ordenou estas mortes sacrificiais? Qual era o propósito da morte sacrificial de animais no Velho Testamento? Elas nos ensinam quatro verdades da maior importância. A primeira é que seu objetivo era tornar Deus propício. Os sacrifícios de animais no Velho Testamento não tinham por objetivo afetar o homem; eram dirigidos a Deus. Não há sequer uma centelha de evidência em todo o Velho Testamento de que esses sacrifícios se destinavam a fazer algo às pessoas. Visavam, por assim dizer, afetar a Deus. Esse era todo o seu objetivo, todo o seu propósito. Sua intenção era tornar Deus propício.



O segundo princípio era assegurada pela expiação, ou seja, pelo cancelamento da culpa do pecador. Como já vimos, a expiação leva necessariamente à propiciação; e por meio da expiação que se obtem a propiciação. O pecado é riscado, é cancelado, e, portanto, vai-se a Deus, que agora foi tornado propício.


O terceiro princípio é que a propiciação era efetuada pela punição vicária da vítima, que substitui o ofensor em favor dele. O pecador, o ofensor, tomava um cordeiro ou um touro ou um bode, e punha as mãos sobre ele, com isso lançando simbolicamente seus pecados sobre o animal, e depois o animal era imolado. O animal sofria vicariamente, levava vicariamente a punição. O pecador colocava o animal em seu lugar e em seu favor. Esse é um princípio muito importante, e não se opderá compreender o ensino do Velho Testamento nos livros de Exodo e de Levítico, se não se compreender esse princípio- a punição vicária de uma vítima em lugar do ofensor e em favor do mesmo.


Em quarto lugar, o efeito das ofertas sacrificiais era o perdão do ofensor e sua restauração ao favor de Deus e à comunhão com Ele.
(...)


A pena decretada por Deus para o pecado é a morte. Portanto, nunca se pode tratar do pecado isoladamente, da morte. Sem derramento de sangue não há remissão de pecados" p.114-115
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sobre Romanos 3:27-31

Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé.Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente,Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão.Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.
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"É o que de fato está sendo ensinado- que o plano da salvação em Cristo é simplesmente que Deus está agora nos pedindo que façamos algo que está ao nosso alcance; é apénas crer. Ele não mais exige de nós obras que não podemos praticar; agora pede simplesmente que creiamos em Seu Filho. Dizem esses mestres que Paulo chama a isso de lei da fé. A lei das obras não tem mais aplicação; agora a questão é cumprir a lei da fé, e isso é algo que podemos fazer" p. 146
(...)
Jamais a fé é algo isolado ou só. Nunca se deve divorciar a fé do seu objeto. A fé sempre está ligada a um objeto. O objeto da fé é o Senhor Jesus Cristo, Sua obra perfeita e Sua justiça perfeita; e contanto que vocês se lembrem disso, nunca errarão. Assim, não devemos jactar-nos da nossa fé; não é a fé como tal que nos salva. A fé é tão somente aquele canal, aquele instrumento, aquele elo que nos liga à justiça de Cristo que nos salva, e a fé simplesmente não a traz a nós. É a Sua justiça que nos salva pela fé, mediante a fé" p.149
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Tiago 2:24 x Romanos 3:28
"Tiago e Paulo, embora crentes na mesma verdade, tinham cada um um objetivo imediato diferente. Paulo estava preocupado em mostrar que as nossas obras, sob a Lei, de nada valem na salvação. A preocupação de Tiago era com uma coisa muito diferente. O problema que Tiago teve que enfrentar era que havia pessoas na Igreja Primitiva que falavam em fé de maneira completamente erronea. Ele coloca isso com clareza no vs 14 do capítulo dois: Meus irmãos, que aproveita se alguém disser quie tem fé, e não tiver as obras?" . Tiago estava lidando com um tipo de gente que dizia : Eu tenho, sou crente, e depois essas pessoas saíam dizendo, que, devido a terem fé e serem crentes , o que elas faziam não tinha importância, e que aquilo que salva o homem é ele dizer que é crente. Noutras palavras, havia na Igreja Primitiva o problema do fideísmo. Tiago estava lidando com homens que alegavam que tinham fé-= homens que empregavam a palavra fé, mas que com ela não queriam dizedr nada senão assentimento intelectual" p.150-151
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Romanos 3:31
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"Mais uma vez vemos ue o ensino hoje corrente, que afirma que sob a nova dispensação a lei do velho testamento foi abolida inteiramente e foi posta de lado- e que agora que somos confrontados por uma nova lei, a lei da fé, e que doravangte nada temos que fazer senão crer no Senhor Jesus Cristo- vemos que esse ensino é completamente errôneo" p. 174
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"que o apostolo quer dizer, afirmam eles, é que, por meio da nossa fé no Senhor Jesus Cristo, agora somos habilitados a cumprir a Lei. Cristo nos dá força e poder que nos capacitam a observar, honrar e cumprir a Lei, tendo vida virtuosa, a vida cristã. Isso significa estabelecer a Lei" p. 175
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"o apostolo não está considerando a santificação, porém tão somente a justificação Mas no momento em que se começa a falar sobre a vida cristã, sobre o comportamento cristão e sobre a vida virtuosa, está se falando da santificação. O ponto onde aquele ensino realmente chega afinal é que somos justificados porque somos santificados. Esse sempre foi, e ainda é, o ensino católico romano sobre a justificação. Segundo o catolicismo romano, o homem é justificado diante de DEus porque é capacitado a ter vida virtuosa pela graça e pela nova vida que ele recebeu no batismo,e, habilitado pela graça a viver essa vida virtuosa, ele mesmo se justifica" p. 175-6
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a justificação é essencialmente forense e declaratória. Ela é a declaração feita por Deus de que somos por Ele considerados justos por causa da justiça do Senhor Jesus Cristo. É uma declaração judicial, forense, feita por Deus de que, embora por assim dizer continuemos em nossos pecados, Ele nos considera justos; Ele nos dá a justiça de Cristo por meio da fé, e nos proclama justos, aceitos e retos a Seus santíssimos olhos" p.176
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Romanos 4:1-3
Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.
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"Carne significa obras de alguma espécie, ou algo que diz respeito a nós, ou que é próprio de nós, em que tendemos a confiar para a nossa salvação, algo do que nos inclinamos a jactar-nos" p. 197
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Abraão era um homem religioso, era um homem temente a Deus, era um homem piedoso. Abraão tinha prazer em obedecer a Deus e em fazer o que Deus lhe dissesse, e foi porque ele era esse tipo de homem que Deus o tratou como o tratou. Seria isso justificação pela fé? SEria isso que Genesis 15:6 diz? Eles argumentam que é, e que esse continua sendo o metodo da salvação.; Se o homem tiver um sério conceito sobre a vida e se dispuser a agradar a Deus e a ter uma vida virtuosa e piedosa, será perdoado e não terá o que temer. E nessa sua intenção que Deus está interessado; e se Deus vir essa intenção, perdoará tal homem e o abençoará", p.199
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Sobre Romanos 4:4-8

Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.
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"Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se" (João 8:56). Foi o que o próprio Senhor Jesus Cristo disse. Portanto, quando vocês lerem a frase: Abraão creu em Deus e que fazia o que Deus lhe dizia. Vai além disso, Abraão creu no método de redenção que Deus planejou, como eu e vocês. Ele não viu isso claramente, mas o viu de longe (Hb 11:13). Agora já aconteceu, manifestou-se em sua plenitude. Mas Abraão o viu de longe, perto de dois mil anos antes de acontecer, como posteriormente se deu com Davi, exatamente da mesma maneira. Isto significa crer no plano divino de salvação. E isso consta no livro de Gênesis" p. 205
.
"Nunca nos esqueçamos de que a justificação é forense, judicial. Não nos torna justos; declara que somos justos. E somos declarados justos porque a justiça de Jesus Cristo é posta em nossa conta" p.203
.
"Há muitos que pensam que estão cultuando a Deus, quando na realidade estão simplesmente cultuando a si mesmos, prestando culto à sua bondade pessoal. Eles fizeram um deus que lhes é próprio, e quando são confrontados por Deus como Ele Se manifestou na Bíblia, O odeiam, não gostam dEle." p. 207
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"...trata de uma questão inteiramente forense, judicial. A justificação é uma afirmação feita por Deus de que agora Ele declara inocente essa pessoa, e que vai vestir-lhe a justiça de Cristo e vai considerá-la justa" p. 209
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"A ação é totalmente de Deus. É o que Ele faz com estes nossos pecados, que Ele põe sobre Cristo e os castiga nEle. É o que Ele faz com a justiça de Cristo, que Ele põe sobre nós. Tudo é feito para nós, e nós o recebemos passivamente de Deus" p. 214
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Sobre Romanos 4:13-17

Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada. Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão.
Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem.
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"A Lei sempre vem a nós e nos diz: "Se você fizer isto" ou "Você tem que fazer isto, e não deve fazer aquilo"- a Lei sempre se refere às nossas ações, à nossa conduta e ao nosso comportamento. A lei ordena algumas coisas e proibe outras. O princípio é que a preocupação e o interesse da lei visam sempre aos nossos feitos, às nossas obras, à nossa conduta, às nossas ações, ao nosso comportamento. Portanto, no momento em que você introduz a Lei, você retorna às obras, e a fé não é levada em conta. A lei é matéria de mandamentos, positivos e negativos, proibições, vetos e injunções. Assim, no momento em que você introduz a Lei, é que diz Paulo, a fé é banida, a fé é posta fora. A fé é algo que se opõe às obras" p.231
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"...a própria Lei de Deus que proíbe o pecado acaba nos levando a pecar. A razão disso não é que haja algo errado na Lei, mas que há algo terrivelmente errado em nós. Logo, se a promessa fosse em termos da Lei, essa nada produziria para nós, senão ira e condenação" p. 233
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"Na salvação, a glória que há é unicamente a de Deus; e, se você introduzir algo que não seja a fé, estará tirando parte de Sua glória. Se você começar a falar sobre as obras, e sobre a lei, o homem estará fazendo uma reivindicação, e você estará menosprezando a glória da graça de Deus (...) Se você gabar da sua fé, se você se gabar do fato de que você crê enquanto outros não crêem, já não será graça; e já não será para a glória de Deus, mas o crédito vai ser para sua crença" p. 237
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"O que lhes traz a bênção não é o fato de que tinham sido circuncidados, mas, sim, que andam nas pisadas daquela fé de nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão. O que importa não é a circuncisão, e sim o fato de que eles exercem a mesma fé que Abraão exercia" p. 238
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"A salvação, graças a Deus, é totalmente de Deus, é toda ela da graça de Deus. E é somente por essa razão que ela é certa e segura. A salvação final de vocês, e a minha, na glória, só é garantida por uma coisa: é pela graça e mediante a fé, e não pelas obras ou pela circuncisão ou pela Lei ou por qualquer coisa que haja no homem" p. 240
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sobre Romanos 4:18-19:
O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara
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Lloyd-Jones lembra que a tradução aqui está equivocada: "os quatro manuscritos mais antigos do Novo Testamento não têm a negativa. Eles colocam a declaração de forma positiva. Todos eles dizem que ele considerou seu próprio corpo, mas que não foi enfraquecido na fé quando considerou seu próprio corpo e o amortecimento do ventre de Sara" (p. 257) A melhor tradução seria " sem ser enfraquecido na fé, ele considerou seu próprio corpo".
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"Aqui temos a resposta para isso. Abraão encarou os fatos, ele se lembrou da sua idade, como o apóstolo nos diz aqui; e também para idade de Sara. Ele viu os fatos como eles eram, viu-os em sua pior expressão; e, todavia, apesar de ter feito isso , não foi enfraquecido em sua fé"(...) "A fé não fica girando em torno dos problemas, sobrepuja-os. Vê-os, olha-os de frente, e depois passa por cima deles" p. 258
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Sobre Romanos 4:23-25

Assim isso lhe foi também imputado como justiça.Ora, não só por causa dele está escrito, que lhe fosse tomado em conta,Mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.
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Em que consiste esta fé que justifica?
1o. é uma fé que crê em Deus e glorifica a Deus.
2o. esta fé crê em Deus particularmente em termos da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.
3o. que por nossos pecados Cristo foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.
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"A ressurreição é a proclamação do fato de que Deus está plena e completamente satisfeito com a obra realizada por Seu Filho na cruz" p.289
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"ele crê que o único meio de salvação é o que Deus providenciou; crê que Deus enviou Seu Filho, Seu Filho unigênito, do céu à terra como Jesus de Nazaré; crê que Ele o sujeitou a Lei; crê que o Filho cumpriu a Lei perfeitamente; crê que Deus lançou sobre Ele os nossos pecados e a nossa culpa, e que os puniu e lhes deu tratamento definitivo, para sempre; e crê que Deus está plenamente satisfeito" p. 291
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"Fé justificadora é aquela que capacita o homem a crer na palavra de Deus a despeito de tudo isto, a crer na Palavra de Deus a despeito de conhecer sua fraqueza, sua propensão para a queda, sua propensão para o fracasso- fé justificadora é isso." p. 294
D. Martyn Lloyd-Jones Romanos Expiação e Justificação:Exposição sobre Capítulos 3:30-4:25, Editora PES

sábado, janeiro 23, 2010

Lloyd-Jones: Vir a Cristo


"Você não pode vir a Cristo apenas em busca de algo- de auxílio ou de alguma outra coisa- há uma única razão para ir a Cristo: é você compreender que nenhuma carne pode ser justificada pela Lei perante Deus. Toda boca foi fechada e todo o mundo está condenado diante de Deus" p. 40

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"A próxima verdade, apresentada com muita objetividade e clareza, é que é Deus quem provindencia este método, este plano de salvação, é Deus quem providencia tudo o que está em nosso Senhor Jesus Cristo. Foi Deus que O enviou, foi Deus quem O incumbiu de sua missão. A ação é toda de Deus. Foi Deus que amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito- e, todavia, há essa tendência de esquecer isso, de deixar isso de lado, e de sermos tão Cristocêntricos que no fazemos culpados de esquecer e ignorar Deus, o Pai, a primeira Pessoa da trindade santa e bendita" p.50

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"A justificação não produz nenhuma mudança fatual em nós: é uma declaração que Deus faz concernente a nós. Não é algo resultante de alguma coisa que nós fazemos, mas, antes, é algo que é feito para nós. Só nos tornamos justos no sentido de que Deus nos considera justos, e nos proclama justos" p. 75


Romanos : Exposição sobre Capítulos 3:30-4:25 Expiação e Justificação

Editora PES

domingo, junho 28, 2009

The Justification Debate: A Primer


The Justification Debate: A Primer
Two of the world's most prominent pastor-theologians on justification—and what difference it makes.
John Piper and N.T. Wright, compiled by Trevin Wax posted 6/26/2009 09:54AM

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Since Christianity Today's August 2007 cover story, "What Did Paul Really Mean?" Piper and Wright have taken the debate on justification from the academy to the masses. Here is where the two evangelicals differ. Download a PDF of this article here.
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The Problem
Piper: God created a good world that was subjected to futility because of the sinful, treasonous choice of the first human beings. Because of this offense against the glory of God, humans are alienated from their Creator and deserve his just condemnation for their sins.
Wright: God created a good world, designed to be looked after and brought to its intended purpose through his image-bearing human beings. This purpose was thwarted by the sinful choice of the first human beings. Because of human sinfulness, the world needs to be put to rights again and its original purpose taken forward to completion. God's purpose in putting humans "right" is that through them, the world can be put to rights.

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The Law
Piper: God revealed himself through the Law, which pointed to Christ as its end and goal, commanded the obedience that comes from faith, increased transgressions, and shut the mouths of all humans because no one has performed the righteousness of the Law so as not to need a substitute.
Wright: God made a covenant with Abraham in order to set in motion his plan to rescue his world through Abraham's family. God gave his people the Torah, his holy Law, as a pedagogue—a way to keep Israel, God's wayward people, from going totally off track until the coming of the Messiah. Israel was supposed to embody the law and thus be a light to the nations. But Israel has failed at this task.

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God's Righteousness
Piper: The essence of God's righteousness is his unwavering faithfulness to uphold the glory of his name in all he does. No single action, like covenant keeping, is God's righteousness. For all his acts are done in righteousness. The essence of human righteousness is the unwavering faithfulness to uphold the glory of God in all we do. The problem is that we all fall short of this glory; that is, no one is righteous.
Wright: God's righteousness refers to his own faithfulness to the covenant he made with Abraham. Israel has been unfaithful to this commission. What is now required, if the world's sin is to be dealt with and a worldwide family created for Abraham, is a faithful Israelite who can be faithful to the covenant in Israel's stead.

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First-Century Judaism
Piper: Many Jews in Jesus' day (like the Pharisees described in the Gospels) did not see the need for a substitute in order to be right with God, but sought to establish their own righteousness through "works of the Law." Whether keeping Sabbath or not committing adultery, these works became the basis of one's right standing with God. The inclination to rely on one's own ceremonial and moral acts is universal, apart from divine grace.
Wright: Jews in Jesus' day believed that the Law was given to them as people who were already in covenant with God. Therefore, the Law was not viewed as a way to earn God's favor, but as a sign that one was already in covenant with God. The "works of the Law" are not ways to earn favor with God, but badges of covenant identity by which one determines who is in the covenant and who is not. Many Jews in Paul's day were clinging to these identity markers (Sabbath, circumcision) in a way that made their Jewish identity exclusive. Therefore, their exclusivism was keeping the promise of God from flowing to the nations

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The Gospel
Piper: The heart of the gospel is the good news that Christ died for our sins and was raised from the dead. What makes this good news is that Christ's death accomplished a perfect righteousness before God and suffered a perfect condemnation from God, both of which are counted as ours through faith alone, so that we have eternal life with God in the new heavens and the new earth.
Wright: The gospel is the royal announcement that the crucified and risen Jesus, who died for our sins and rose again according to the Scriptures, has been enthroned as the true Lord of the world. When this gospel is preached, God calls people to salvation, out of sheer grace, leading them to repentance and faith in Jesus Christ as the risen Lord.

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How This Happens
Piper: By faith we are united with Christ Jesus so that in union with him, his perfect righteousness and punishment are counted as ours (imputed to us). In this way, perfection is provided, sin is forgiven, wrath is removed, and God is totally for us. Thus, Christ alone is the basis of our justification, and the faith that unites us to him is the means or instrument of our justification. Trusting in Christ as Savior, Lord, and Supreme Treasure of our lives produces the fruit of love, or it is dead.
Wright: God himself, in the person of Jesus Christ (the faithful Israelite), has come, allowing the continuation of his plan to rescue human beings, and, through them, the world. The Messiah represents his people, standing in for them, taking upon himself the death that they deserved. God justifies (declares righteous) all those who are "in Christ," so that the vindication of Jesus upon his resurrection becomes the vindication of all those who trust in him. Justification refers to God's declaration of who is in the covenant (this worldwide family of Abraham through whom God's purposes can now be extended into the wider world) and is made on the basis of faith in Jesus Christ alone, not the "works of the Law" (i.e., badges of ethnic identity that once kept Jews and Gentiles apart).

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Future Justification
Piper: Present justification is based on the substitutionary work of Christ alone, enjoyed in union with him through faith alone. Future justification is the open confirmation and declaration that in Christ Jesus we are perfectly blameless before God. This final judgment accords with our works. That is, the fruit of the Holy Spirit in our lives will be brought forward as the evidence and confirmation of true faith and union with Christ. Without that validating transformation, there will be no future salvation.
Wright: Present justification is the announcement issued on the basis of faith and faith alone of who is part of the covenant family of God. The present verdict gives the assurance that the verdict announced on the Last Day will match it; the Holy Spirit gives the power through which that future verdict, when given, will be seen to be in accordance with the life that the believer has then lived.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Perspectivas da Nova Perspectiva




Romanos 3:21-22


"A resposta, é claro, é que para Paulo há uma conexão íntima entre a justificação gratuita por Deus de pecadores pela morte de Jesus e com base na fé, porum lado, e a criação de Deus, por outro lado, de uma nova família composta por judeus e gentios igualmente. Nós bem que podemos entender que os Reformadores,enfrentando o urgente desafio de um Catolicismo Romano profundamente corrupto,desejassem, corretamente, enfatizar o primeiro ao invés do segundo. Mas ao compartilhar seu princípio fundamental de “Sola Scriptura” nós nos comprometemos a salientar o que está lá no texto, sílaba por sílaba, mesmo que eles não o tenham feito.

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E para Paulo aquela pequena letra e é uma indicação crucial e explicativa de para onde seu verdadeiro argumento estava indo. Seu ponto é simplesmente isto: quese Deus justificasse pessoas em uma base qualquer diferente da fé, então ele seriaafinal Deus dos judeus apenas, e não dos gentios igualmente. E a menos que estejamos preparados para pensar sobre a razão de tal ponto ser assim e captar o fato de que isto é para onde o parágrafo está indo – em outras palavras, a menos que vejamos que Romanos 3:21-31 como está registrado, sílaba por sílaba, no texto da escritura inspirada, esteja indo em direção a este ponto, o qual é fortemente apoiado por todo o capítulo 4, e que este ponto não é uma questão secundária, uma “implicação extra” de um evangelho que é sobre algo muito diferente – então o princípio formal de toda a teologia inspirada na reforma terá sido sacrificado no altarde nossas próprias tradições." (pag.3)


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"Para Paulo, o que ele quer dizer com “evangelho” não é, a despeito do nosso uso atual, a descrição de um modo de salvação; não é umadescrição de como reordenar sua espiritualidade privada; não é uma ordo salutis. O “evangelho” não é, em especial, idêntico à doutrina da justificação. O “evangelho”não é em si mesmo a mesma coisa que a revelação da justiça de Deus; tal revelação tem lugar dentro do evangelho, de modo que quando o evangelho é anunciado ajustiça de Deus é, de fato, manifestada; mas o “evangelho” em si mesmo se refere à proclamação de que Jesus, o Messias crucificado e ressuscitado, é o verdadeiro e único Senhor do mundo.

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Reparem em como isso funciona em Romanos, e novamente devemos prestar atenção ao que a escritura diz ao invés do que nossas tradições teriam preferido que o texto dissesse. Paulo descreve seu evangelho em 1:3-4; então, em 1:16-17, ele explica a razão pela qual ele não se envergonha de seu evangelho, porque nele a justiça de Deus se revela. Aqueles dentre nós que cresceram na tradição da Reforma foram ensinados muitas vezes, implícita se não explicitamente, (a) que 1:16-17 é a primeira afirmação da justificação pela fé, que então se torna o tema principal da carta, (b) que a justificação pela fé é o que Paulo quer dizer por “evangelho” e (c)que 1:3-4 é uma afirmação retirada de uma fórmula de credo primitiva colocada naquele ponto por outras razões que não centrais nem ao pensamento de Paulo nem à mensagem da carta. Eu me lembro bem da luta que tive, intelectual e espiritualmente,no meio da década de 1970, quando percebi que cada um desses três pontos tinha deser desafiado em nome de uma exegese cuidadosa, fiel e acurada daquilo que Paulo de fato escreveu. Meu compromisso contínuo de ler 1:3-4 como a descrição introdutória de Paulo do próprio evangelho, 1:16-17 como uma descrição da revelação da própria justiça de Deus, que por sua vez resulta na justificação pela fé mas é também algo muito maior, e a conseqüente diferenciação entre “evangelho” e “justificação pela fé”,sem diminuir ou desmentir esta última – tal compromisso contínuo tem se justificado,se posso dizer assim, por tantos outros insights teológicos e exegéticos derivados diretamente dele que eu nem posso sonhar em voltar atrás. “Solus Christus”: o próprio Messias, não uma verdade sobre mim mesmo, nem mesmo sobre minha salvação, é o centro do evangelho de Paulo". (pag. 7)

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N.T. Wright PAULO EM DIFERENTES PERSPECTIVAS 3/1/2005 p.3 doc. pdf disponível em http://www.ntwrightpage.com/port/DiferentesPerspectivas.pdf