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segunda-feira, outubro 08, 2012

Coronelismo ontem, hoje e eternamente?



"O coronelismo é sobretudo um compromisso, uma troca de proveitos entre o poder público, progressivamente fortalecido, e a decadente influência social dos chefes locais, notadamente dos senhores das terras"  
Victor Nunes Leal, Coronelismo,Enxada e Voto, p. 44

Imagine um candidato no Brasil com as seguintes propostas:

1. Redução de Carga Tributária
2. Redução de bolsa família, bolsa estudo, bolsa alimentação
3. Redução de Cargos Comissionados.
4. Redução de Contratação pelos serviços públicos.
5. Redução de Favores do Estado.
6. Investimentos em Educação,Infra-estrutura, Segurança e Saúde.



Este candidato não iria muito para frente nesta campanha política. A lógica política brasileira tem padrões básicos de assistencialismo, Lula foi bom por causas da bolsas-família, pro-uni, etc.

Contudo, o que as pessoas não calculam é o quanto elas pagam por isto. Se você for de classe média no Brasil, você paga os impostos e também paga um plano de saúde, um colégio para os filhos, a universidade particular, um monitoramento de segurança privada, etc. Você sempre paga uma conta dobrada. Paga pelo serviço público e pelo serviço privado. E quando você usa algum serviço do governo, acha que foi uma benesse de algum político.

O problema disso é a visão matriarcal que as pessoas tem do Estado, como fonte de seus serviços e ajudas, mas elas não entendem que esta mãezona, tem um preço que elas mesmos pagam.

Pensando em Pindamonhangaba, os vereadores mais bem votados seguem a política assistencialista- um dá remédio, outro dá consulta, outro dá cesta básica-e o preço de tanta generosidade que paga? É você mesmo.

Essa é a visão de mundo tanto de um lado como de outro, impostos e mais impostos e alguns serviços a mais. 

O povo precisa entender que quanto mais eles querem que o Estado faça, mais impostos ele irá cobrar, e assim, mais corrupção haverá. No Brasil, não existe nenhum setor político atual que não defenda esse círculo fominha. Por que?

As campanhas são super caras, precisa de financiadores, que lá na frente terão favores. Para que os favores sejam pagos, é necessário que haja dinheiro extra para o pagamento de serviços que custariam bem menos se não houvesse tal ciclo.

É o bom e velho sistema coronelista, se no Coronelismo, o estado era usado para salvar o grande fazendeiro do revés financeiro de sua atividade se apropriando do Estado para garantir seus recursos em troca de favores e votos de seus trabalhadores. A história hoje é a mesma, mudaram-se as figuras, mas o sistema político continua igual.

O sistema é igual em toda a parte porque os políticos nacionais e estaduais começaram no município, e de lá seguem o padrão.

A política é a arte da possibilidade, se o povo ignorando a conta que pagam, busca no Estado, favores e auxílios, isto incentiva, políticos e um sistema que paga essas benesses com um preço mais caro. 

Exemplo claro disso: O Bom Prato, do ponto de vista, social as pessoas pagam 1 real por refeição, excelente. Mas quanto custa este prato de 1 real na verdade?  Ele custa um real mais sei lá quantos reais de impostos que você paga para subsidiar este valor.

Só de ICMS, a fatia de Pinda em 2010 foi de 45 milhões de reais, eu me pergunto quem administra melhor este dinheiro o povo e a prefeitura?

Segundo o UOL, você trabalha 150 dias por ano para pagar os impostos. Imagine que você ganha 12000 reais por ano. Só de impostos num ano você paga 4931 reais, o que daria 410 reais a mais por mês em sua mão, aposto isso daria uma chance melhor de educação, saúde, emprego, prosperidade para cada pessoa.

Enquanto as pessoas ficam super felizes com o retorno de uma merreca na Nota Fiscal Paulista ignorando que os favores que eles tanto querem do governo custam bem caro.

JFK disse que não era para as pessoas perguntarem o que governo poderia fazer por elas, mas o que elas poderiam fazer pelo país. Infelizmente, em toda campanha o povo quer apenas saber do que o governo pode fazer por elas, e o ciclo do assistencialismo nunca morre.

A próxima vez que você abastece seu carro, mais da metade do valor que você paga é imposto, este valor é para pagar a campanha política, os inúmeros cargos que o governos têm, e se sobrar, pagar o caro serviço ruim que você vai receber achando que é um grande favor.


"A melhor prova de que o coronelismo é antes sintoma de decadência do que manifestação de vitalidade dos senhores rurais nós a temos neste fato: é do sacrifício da autonomia municipal  que ele tem se alimentado para sobreviver" Victor Nunes Leal, p. 74


sábado, agosto 25, 2012

A derrota de Serra:o fim da oposição ou só é o fim do PSDB?


Se realmente se confirmar a derrota de José Serra na prefeitura de São Paulo, ela poderá significar o fim da oposição como conhecemos hoje no Brasil. A dicotomia PT x PSDB. Novas forças surgirão mais enfraquecidas, menos polarizadas.

Lula, realmente é a pessoa que mais entende de povo e política no Brasil, ele entendeu que a população paulistana queria algo novo para governar sua cidade, lançou Haddad com esta proposta, só não contava que as pessoas viriam em Russomano, o novo que queriam.

Russomano, ao sair da sombra malufista do PP, deu um passo importante em sua carreira alinhando-se a Universal, e assim, aos evangélicos, um eleitorado importante abandonado por Kassab e nunca deu muita liga com candidatos do PT.

Voltando ao Serra, a longa permanência do PSDB-DEM-PSD no governo em São Paulo, leva i eleitorado a querer novas coisas. Era o momento dos tucanos apostarem em outra candidatura, Serra com seus abandonos está muito desgastado. E a história de que se candidatou por gratidão é simplesmente ridícula. 

Como um partido pode sobreviver se a figura mais importante da história do partido não sabe fazer marketing ou não gostam que ela apareça. Me refiro a FHC. Falta a Serra, humildade de reconhecer erros e ganância demais.

A candidatura de Aécio Neves, que também não tem nada de novo, já está sofrendo sua primeira derrota.

Uma nova oposição pode surgir mesmo no quintal petista, seja nas formas de PSB com Eduardo Campos ou numa forma mais conservadora PRB-PMDB.

Entendo que:

1. O PSDB perdeu o ritmo da história brasileira, por não ser um partido com penetração social e nacional como o PT.

2. O eleitorado e parcela evangélica da população brasileira deverão ser cada vez mais importantes e fundamentais para as próximas eleições. Qualquer eleição nacional hoje só pode ser ganha com concessões a esta faixa populacional, Dilma que o diga.

3. A eleição de Russomano em São Paulo pode acontecer, seria um repeteco de Erundina. Mas, pode não acontecer, como a quase eleição de Francisco Rossi para governador.

4. A tese de Haddad é tudo novo fica envelhecida com Maluf no palanque e o próprio Lula.

5. Chalita é o cara mais "peroba" que já vi numa campanha, ele já mudou tanto de partido, que agora fala que é amigo de todo mundo pois já esteve em quase todos os partidos e alianças. O novo nome de traíra é amigo.

terça-feira, outubro 26, 2010

O advento do homem-massa

Li um artigo na Revista da Filosofia da Ciência e Vida, sobre Ortega y Gasset, há alguns trechos que ilustram bem a cena atual política e intelectual tupiniquim, há carapuças, bolinhas de papel, fitas e balões d´água para todos os gostos na obra do escritor dA revolução das massas:




O advento do homem-massa
Na decadente conjuntura da degradação cultural promovida pelo nivelamento vulgar das qualidades humanas, vivemos sob o jugo da "ditadura da massificação", na qual se dilui todo destaque pessoal, todo brilho singular


Para Ortega y Gasset, "massa é todo aquele que não atribui a si mesmo um valor - bom ou mau - por razões especiais, mas que se sente como todo "mundo" e, certamente, não se angustia com isso, sente-se bem por ser idêntico aos demais" (A Rebelião das Massas, p. 45)

Encontramos no "filisteu da cultura" um dos principais avatares do "homem-massa" tal como delineado por Ortega y Gasset emA Rebelião das Massas. O "filisteu da cultura", conceito criado pela intelligentsia alemã do período oitocentista e analisado filosoficamente por Nietzsche na sua Primeira Consideração Intempestiva, se satisfaz plenamente com o cotidiano da vida privada pacata e confortável, não sendo capaz de estabelecer para si próprio a realização de quaisquer tipos de projetos superiores, mas apenas propostas práticas passíveis de ser contabilizadas em melhorias para a sua vida privada imediata. Ao"filisteu da cultura" nada mais interessa do que cumprir as determinações burocráticas que lhe são impostas pelo meio social e, realizando tal intento, poder dormir placidamente sobre os louros da vitória.

Quando uma instituição de ensino promove a facilitação dos conteúdos didáticos como forma de promover a progressão dos estudantes, ela gera a supressão da disciplina intelectual necessária para que o aluno possa continuamente se esforçar em prol da aquisição de novos patamares cognitivos. Tal como afirma Ortega y Gasset, "o 'homem--massa' jamais teria apelado para qualquer coisa fora dele se a circunstância não o tivesse forçado violentamente a isso. Como as circunstâncias atuais não o obrigam, o eterno 'homem-massa', de acordo com sua índole, deixa de apelar e se sente senhor de sua vida" (A Rebelião das Massas, p. 95).



Como o "homem-massa" segue afoitamente as palavras de ordem de slogans e os mandamentos seculares dos ícones sociais explorados pela publicidade (instrumento por excelência do processo massificador da sociedade), sua mente se torna um grotesco depositário de ideias heteróclitas, perdendo assim qualquer autonomia nas suas escolhas. Vive-se, por conseguinte, conforme a "moralidade do impessoal", pois agir de forma destacada da coletividade anônima é algo ofensivo para o falso pudor da moderna civilização das massas; esta, em vez de promover o refinamento intelectual e cultural do indivíduo, se esforça acima de tudo por anular as próprias noções de singularidade e originalidade, criando blocos humanos desprovidos de personalidade, para que se possa assim melhor controlá-los.
Segundo Ortega y Gasset, "viver é sentir-se fatalmente forçado a exercer a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo. Não há um momento de descanso para nossa atividade de decisão. Inclusive, quando, desesperados, nos abandonamos à sorte, decidimos não decidir" (A Rebelião das Massas, p. 73). Podemos dizer que nobreza é sinônimo de vida dedicada, sempre disposta a superar a si mesma, a transcender do que já é para o que se propõe como dever e exigência. A vida nobre se contrapõe à vida vulgar e inerte que, estaticamente, se restringe a si mesma, condenada à imanência perpétua, a não ser que algum fator externo a obrigue a reagir. Por isso, chamamos massa a esse modo de ser homem - não tanto por ser multitudinário, mas por ser inerte.



A obra de Ortega y Gasset se revela, conforme vimos no decorrer deste texto, como um libelo contra a ameaça da supressão da singularidade do homem ocidental, oprimido continuamente por um ideário valorativo sectário da redenção da mediocridade diante da demonização da singularidade.



POR:

Renato Nunes Bittencourt é doutor em Filosofia pelo PPGF-UFRJ e professor do curso de Comunicação Social da Faculdade CCAA

sexta-feira, outubro 08, 2010

FHC: Arte da política.

"A política é como a perfuração lenta de tábuas duras. Exige tanto paixão como perspectiva. Certamente, toda a experiência histórica confirma a verdade, que o homem não teria alcançado o possível se repetidas vezes não tivesse tentado o impossível. Para isso, o homem deve ser um líder, e não somente um líder, mas também um herói, no sentido muito sóbrio da palavra. E mesmo os que não são líderes nem heróis devem armar-se com a fortaleza de coração que pode enfrentar até mesmo o desmoronar de todas as esperanças."

Citando Max Webber em seu livro A ARTE DA POLÍTICA.



"Conte com as circunstâncias que também são fadas. Conte mais com o imprevisto. O imprevisto é uma espécie de deus avulso ao qual é preciso dar algumas ações de graças; pode ter voto decisivo na assembléia dos acontecimentos."

quinta-feira, outubro 07, 2010

Novo coordenador de campanha de Dilma.

 

 

O Serra é mais preparado que a Dilma.  Vamos atender ao seu pedido.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Onda verde ou onda evangélica.

Praticamente, acertei o resultado final da eleição para presidente, no dia 28 de setembro no post Aprender com o passado? e no E não é que o PT conseguiu de novo, pensando o retrospecto anterior e o avanço de Marina e do voto evangélico em oposição a candidatura Dilma, cravei os seguintes percentuais:



Num exercício de futurologia, vou cravar os seguintes números para domingo:

Dilma 47% dos votos válidos

Serra 32% dos votos válidos.

Marina 20% dos votos válidos.



O que grande parte da mídia não está enxergando é que houve uma virada evangélica nestas eleições, no Rio, ela significou tantos votos para Marina, que ela saiu-se muito bem por lá, num estado de grande população evangélica.

Não acredito que foram as propostas que levaram Marina a ter a quantidade de votos que teve, mesmo por que elas não ficaram tão bem explicadas assim, sua visão de futuro, sua coerência, ficou apenas na promessa de discutir propostas que não vieram. Marina não teve votos por causa do PV, o partido sem ela é nada, é apenas uma roupagem obamiana, ela teve os votos que teve, cresceu do jeito que cresceu por ser membra da Assembléia de Deus, e assim identificada como oposto a proposta de Dilma que realmente choca a população: aborto, e outras coisas do PNDH-3, que nem sabemos qual a posição do PV quanto as outras questões.

Hoje, muito mais do Fernando Gabeira, Serra precisa de outro personagem carioca em suas caravanas: Silas Malafaia. A campanha tucana parece começar a enxergar este cenário político brasileiro, quando muda seu slogan para Serra é do Bem!

E no resto do Brasil, Serra precisa aliar seu discurso com a verdadeira onda, a onda evangélica. Nisto, o papel da CGADB, pode ser fundamental.



O resultado oficial ficou, incrivelmente próximo do que aferi:


domingo, outubro 03, 2010

Hoje não se deixe enganar

Dilma Roussef, a candidata mais cristã que católica em suas próprias palavras, infelizmente, não fez catecismo ou mesmo discipulado, mente e mente muito. Tem outro pai, que não é Deus.





terça-feira, setembro 28, 2010

quinta-feira, setembro 16, 2010

Completando o que já disse sobre o PNDH-3

O PNDH-3 é uma ponta do iceberg, que vai tentar transformar o Brasil numa Venezuela chavista, ou melhor, lula-petista.

Segue a seguir o artigo do Reinaldo Azevedo postado no seu blog da Veja.

 

Descoberto o programa da candidata do PT; Dirceu anuncia a agenda e o projeto autoritários e avisa: “A eleição de Dilma é mais importante do que a de Lula”

Caros,
o artigo acabou ficando um pouco longo, mas acho que vocês suportam, né? Afinal, ninguém entra aqui para ler textos curtos, hehe. Em palestra a sindicalistas, José Dirceu apontou que direção pretende seguir o partido caso Dilma Rousseff seja eleita. Leiam o que ele disse no detalhe e depois cotejem com o que se tem escrito neste blog nos últimos quatro anos e, para os leitores mais antigos, com o que tenho escrito nos últimos 12 ou 13. Está tudo aí. Não será por falta de aviso.
*
Na segunda, o deputado cassado José Dirceu, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, apontado pela Procuradoria Geral da República como “chefe da quadrilha do mensalão”, falou a sindicalistas na Bahia. Já comentei parte de sua palestra, em particular aquela em que ele se refere à liberdade de imprensa. A propósito: os petistas reclamaram da versão que circulou por aí e aqui: seria imprecisa. É verdade! Ele disse coisa pior — e revelou uma estratégia; já chego ao ponto. A íntegra da fala deste gigante estáaqui, com uma lacuna ou outra. Se vocês me pedissem para destacar a frase mais importante de sua intervenção, o emblema seriam as suas primeiríssimas palavras: “A eleição da Dilma é mais importante do que a eleição do Lula porque é a eleição do projeto político, porque a Dilma nos representa.”

Na seqüência, Dirceu desenvolverá a tese, que é fato, segundo a qual Lula é muito maior do que o PT. Ele reconhece, e está certo, que o partido tem uma grande força e uma grande fragilidade: Lula! Sem a liderança carismática, a legenda jamais teria vencido duas disputas presidenciais e é muito provável que não tivesse agora o nome que lidera as pesquisas. Dilma foi uma invenção da figura maior do PT, surgida justamente da ausência de quadros, não do excesso. O escândalo não colou no Babalorixá, mas vitimou os medalhões, a começar do palestrante. O presidente está de tal sorte blindado que a população o vê ainda hoje, apontam pesquisas, como vítima de Dirceu! Assim, A eleição de Dilma é “mais importante” porque é a “eleição do projeto”. Qual projeto?

Dirceu resume assim a possível eleição da aliada:
“É a expressão do projeto político, da liderança do Lula e do nosso acúmulo desses 30 anos porque nós acumulamos, nós demos continuidade ao movimento social”. A fala do companheiro é horrorosa, uma espécie, assim, de stalinismo solecista, mas dá para entender muito bem aonde ele quer chegar. Dirceu toparia, assim, um pós-Lula com Aécio Neves, por exemplo? Só se fosse para usar e depois jogar fora. A proposta do partido é outra. Leiam:
Se nós queremos aprofundar as mudanças, temos que cuidar do partido e temos que cuidar dos movimentos sociais, da organização popular. Temos que cuidar da consciência política, da educação política e temos que cuidar das instituições, fazer reforma política e temos que nos transformar em maioria. Nós não somos maioria no país, nós temos uma maioria para eleger o presidente até porque fazemos uma aliança ampla. (…)”

Reforma política como instrumento da hegemonia petista
O líder petista não reúne exatamente as características de um intelectual — mesmo de um “inteliquitual petista”, este delicioso oximoro —, mas é evidente que essa fala, embora esgarçada, tem método, história e paternidade. É Gramsci! Ele está anunciando a seus pares — e não sabia que havia jornalistas presentes —  como pretende transformar em agenda da sociedade o que é uma agenda do PT. Para quê? Só para que todos sejamos mais felizes? Não! Ele está oferecendo o caminho para que o partido construa a sua hegemonia, como admitirá mais adiante. E que caminho é esse? Ele responde: “Cuidar das instituições” — imaginem o que isso significa. Com qual instrumento? Ele diz com todas as letras:“Fazer a reforma política”. Qual reforma política? Uma que transforme o PT em maioria. Essa que eles têm hoje, garantida pelo lulismo, que ainda depende de outras legendas, pertence à etapa do “acúmulo de forças”.

A guerra cultural
Dirceu sabe que não basta um petista chegar na televisão e dizer o que pretende para obter a adesão da população — não ao menos quando não se é Lula. Por mais que o Demiurgo continue por aí como animador da militância, o fato é que ele não poderá ser saliente a ponto de esmagar a figura de Dilma caso ela se eleja. Carisma para levar tudo sozinha, no muque, ela não tem. Como é que os petistas transformariam a sua agenda, em busca daquela maioria, na agenda da sociedade? A receita de Dirceu vai além de cuidar “dos movimentos sociais” e da “organização popular”.

Depois de lembrar que os ministros Alexandre Padilha e Orlando Silva e Lindberg Faria eram da UNE, ele afirma:
“(…) Nós temos que voltar a transformar o PT em uma instituição política. Uma instituição política tem valor, programa, instrumentos, sedes, atividades cultural, social, tem recursos que auto-sustentam, com o fundo partidário, porque nós temos que defender que exista o fundo partidário.”
Ele quer mais recursos públicos nos partidos. E expõe o seu projeto:
“O fundo partidário brasileiro teria que ser duas, três vezes maior, que é a média do mundo. Então, nós temos que transformar de novo o partido para o que ele foi criado. É lógico que o PT é um grande partido político, tem força político-eleitoral, social. Nós já temos um acúmulo de políticas públicas, de experiência. Então, nós temos que fazer essa mudança no partido. Essa é a principal. E consolidar as nossas organizações populares, porque eles estão consolidando a deles.Você viu que agora eles criaram, eles estão criando, através das empresas, instituições para fazer disputa político-cultural e político-eleitoral, fundações, centros de estudo. Fora o que eles têm da mídia, do poder econômico. Podem observar. E estão mandando as pessoas para o exterior. Agora mesmo tiveram uma série de bolsistas, jornalistas, que vão para os Estados Unidos (…).Nós temos que fazer isso também. Mas nós temos que fazer sempre com alianças.”

Só um detalhe aí, leitor: “eles” somos “nós”, os não-petistas — que é como “eles” nos vêem. Essa fala é particularmente curiosa porque é consenso que os  ditos “movimentos sociais” e a maioria das ONGs são meras extensões do PT — como são as estatais, fundos de pensão, órgãos do estado. Contam-se nos dedos as “fundações” ou “centros de estudo” voltados, por exemplo, à defesa dos valores liberais. Notem, no entanto, que Dirceu as usa como uma espécie de ameaça para animar a militância.

Fazer a “guerra cultural”, promover o confronto de valores, tornar influentes as verdades do partido de modo que nem mesmo os replicadores se dêem conta de que divulgam uma agenda é um clássico do modelo gramsciano de organização partidária — adaptados aqueles fundamentos às necessidades presentes. Ora, lembremo-nos da máxima de Gramsci quando fala sobre o Partido, que chama de “Moderno Príncipe”:
“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.

É o que pretende Dirceu. E quer contar com dinheiro público o suficiente para isso. Lembram-se daquele meu texto de 2004, que publiquei aqui — A incrível e triste história da joaninha boba e da vespa desalmada — em que denunciava a infiltração do PT nas instituições? Pois é. Está disponível para quem quiser ler. Eu afirmava que o projeto do PT era justamente esse que Dirceu anuncia.

Já está em curso
Dirceu está cobrando que o PT saia de uma certa acomodação burocrática, lembrando o quanto ele depende de Lula — o que é fato. E pede que exacerbe a guerra de valores, que já está em curso. Ao contrário do que ele diz, a presença do partido no que eles chamam “mídia”, com as exceções de praxe, é avassaladora. Ela ajudou Lula a satanizar o governo Fernando Henrique Cardoso e a inflar os próprios feitos. O PT já promove, e de maneira bem-sucedida, a tal guerra. Dirceu quer acirrá-la.

Dirceu pretende ser o Lênin de Passa Quatro do PT. Lênin fazia da mentira arma política mesmo nos intermináveis discursos feitos aos camaradas, extremando perigos, atribuindo aos inimigos poderes terríveis, que eles já não tinham, para manter a militância nos cascos. O “companheiro” faz o mesmo. E, então, entramos no capítulo da “mídia”.

A mídia
Afirma Dirceu: “O poder econômico se aliou com qual poder? Com a mídia. E qual é o poder que pode se contrapor ao poder econômico e ao poder da mídia no Brasil? É o poder político”.

Uau! O homem conta uma brutal inverdade à sua própria base política. Digam-me: o que seria esse tal “poder econômico”? Ontem, escrevi um post em que comentei a presença de dois grandes empresários no horário eleitoral de Dilma — gente que ou trabalha para o governo ou que recebe pesados subsídios. Os jornais estão coalhados de notícias sobre as dificuldades do PSDB para arrecadar recursos de campanha, enquanto a dinheirama de Dilma sai pelo ladrão. Quais setores da economia estão hoje alinhados, por exemplo, com o tucano José Serra? Não é segredo para ninguém que o grande capital, industrial e financeiro, se juntou à candidata do PT.

Assim, em que consiste esse tal “poder econômico” que estaria aliado à mídia? Dirceu conta uma mentira à sua turma porque isso mantém acesa a sua chama militante. E aproveito para fazer uma correção num texto que escrevi ontem e fazer justiça a José Dirceu. Noticiou-se aquie em toda parte que ele teria dito que José Sarney e Renan Calheiros não seriam éticos. Falso! Ao contrário, Dirceu os exaltou. Explico.

Logo depois de ter dito que o “poder econômico (?) se aliou à mídia”, ele afirmou que o “poder político” é o único que pode se contrapor a essa aliança. E acusou o jornalismo de perseguir esse poder “poder político” com as acusações de corrupção e fisiologia, mas de nada fazer contra “o poder econômico”. Mais adiante, referindo-se a Sarney e Calheiros, afirmou:
“Aquele movimento anti-Renan Calheiros, anti-Sarney… Vocês não vão acreditar que eles são éticos, né? Eles, evidentemente, o que queriam era romper a aliança nossa com o PMDB.”
Atenção! Os não-éticos, segundo o Valente,  são os adversários de Renan e Sarney, os que criticavam os desmandos dos dois. Pensávamos que Dirceu, em sua fala, tinha expressado ao menos essa pontinha de bom senso. Ao contrário: ele está sustentando que as evidências contra os dois patriotas faziam parte de uma conspiração para romper a aliança PT-PMDB. Ele está acusando a “mídia” de pegar demais no pé dos políticos. Se eleita, Dilma tende a ter uma esmagadora maioria no Congresso. Podem esperar um grande alinhamento Executivo-Legislativo contra o jornalismo.

E agora a liberdade de expressão propriamente
Dirceu, de fato, não disse exatamente o que se publicou sobre a liberdade de expressão. Transcrevo (a fala é confusa, porém… clara!):
“Dizem que nós queremos censurar a imprensa. Diz que o problema é a liberdade de imprensa. O problema do Brasil é excesso, bom..., é que não existe excesso de liberdade, mas o abuso do poder de informar, o monopólio e a negação do direito de resposta e do direito da imagem - que está na Constituição igualzinho à liberdade. A Constituição não colocou o direito de resposta e de imagem, a honra, abaixo ou acima da proibição da censura e da [proibição da] censura prévia, corretamente, ou do direito de informação e da liberdade de imprensa, de expressão. São todas cláusulas pétreas.”

Ele ia dizendo, sim, que o problema do Brasil é “excesso de liberdade”, mas se conteve. Poderia pegar mal até para a sua turma. Então submeteu a fala a uma torção. Existiriam abuso do “poder de informar, o monopólio e a negação do direito de resposta”. Sei! O que seria “abuso do poder de informar”? Uma comissão petista talvez defina isso algum dia. E “monopólio”? O telespectador, o ouvinte, o leitor, o internauta não são livres para escolher o querem ver, ouvir, visitar, ler? O direito de resposta requer, sim, regulamentação, mas está sendo praticado.

Há aí uma agenda. Se vocês lerem a íntegra de sua palestra, ele deixa claro que outra batalha essencial do governo Dilma é a “democratização dos meios de comunicação”. As várias conferências promovidas pelo governo deixaram claro o que eles entendem por isso: CENSURA E CONTROLE. Ora, digam-me quem é que poderia definir o que é “abuso do direito de informar”…Talvez uma comissão de sindicalistas pelegos.

Encerrando por ora…
Dirceu expôs ainda a diretriz econômica, centrada no fortalecimento do estatismo — o que rendeu até elogios ao governo Geisel — e citou outras reformas que considera importantes, como a “tributária e o problema da terra”. E fica claro em seu texto que importante mesmo é isto: “Nós temos que repensar o sistema político brasileiro. E nós somos o maior interessado porque a direita está usando isso para desqualificar a política e para afastar o povo da política.”

“Nós”, no caso, são os petistas.

Não se esqueçam de que Dilma já flertou com a proposta de fazer uma Constituinte exclusiva para tocar a reforma política e a reforma tributária. Caso seja eleita, talvez nem precise chegar a tanto com a maioria que terá no Congresso.

Finalmente apareceu o programa de governo do PT. E o programa de governo do PT é “cuidar das instituições” para garantir o poder eterno ao PT.

Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, agosto 24, 2010

Para Presidente.

Não voto na Dilma e nem no Serra.

Não voto na Dilma pois foi ela quem manteve Renan Calheiros e Zé Sarney no senado, apesar das zilhões de provas de corrupção como também os mil dossiês que ela já montou e, principalmente, o PNDH-3 do Gov. Lula.

Não voto no Serra, pelo seu amadorismo em campanha política, o programa segunda-feira que fez quando corria contra o Lula era pura cópia do filme presidente por acaso, Serra não significou nada de importante em São Paulo, seu governo não contribuiu ou não alterou nada do sistema já estabelecido.

Voto na Marina Silva, por absoluta falta de opção melhor, não por ela, mais por desmérito dos concorrentes.

Acredito que Dilma vence no primeiro turno, que daqui dois anos traz Zé Dirceu, Pallocci para cargos maiores e públicos ,além da gorda participação nos bastidores atualmente. Vibrem Renan,Sarneys et caterva.

apesar de :

Aloprado" do PT vira fazendeiro no sul da Bahia

Marcos Valério reaparece, envolvido no escândalo do DF

Fernando Sarney é indiciado pela PF por evasão de divisas

O banquinho que cresceu 980% em três anos

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Conceito de Sociedade Civil


KOINOMIA- POLITIKE

koinou- que é comum aos homens, que se consideram livres e iguais.


politikos- o homem do estado.

polites- cidadão da polis.


Em Cicero, é traduzido por societas civilis, termos esquecido durante o império romano, é reintroduzido somente na idade média, no sec. XIII nas traduçóes das operas aristotélicas.


Em Arístoteles, o conceito define a estruturação da comunidade e o conjunto do seus cidadãos e sua participação rotativa no poder.

Não há uma equivalência total entre pólis e Estado, na primeira falta o conceito de soberania, que é um atributo da ficção moderna que é a pessoa jurídica do Estado. Para o grego, não há sentido em chamar a si mesmo de súdito da pólis.

Em Cícero, o conceito de sociedade civil quer designar o Império Romano. No fim da Idade Média, quer significar as sociedades pré-republicanas, as cidades européias livres do imperio. Até o fim do Sec. XVIII, quer significar essas diferentes estruturas.



Oikos - sociedade doméstica tem como função assegurar a reprodução econômica e biológica da sociedade. Pólis não é lugar do econômico, mas das decisões políticas.
.
Para tanto, é fundamental atentar para a diferenciação entre os cidadãos que fazem parte da polis e outros que não fazem parte dessa sociedade civil, os escravos.
.
para os gregos, o economico era um objeto do saber contigente. e o direito, a ordem, é o objeto de um saber não rigoroso, mas um saber prático baseado na prudência segundo Aristoteles.
Modernamente, os termos sociedade civil e Estado não são tomados como iguais. Não é Hegel quem estabelece essa diferença, mas a própria história que estava dividindo.
Contexto de surgimento conforme pensa Thomas Khun. Há uma separação progressiva das esferas: política, moral eeconomica.
Hegel passa a desenhar o conceito de sociedade civil burguesa. O burgo passa significar não o civil, mas uma espécie de sociedade com suas relações de dominação. Não se fala mais em comunidade de homens livres, mas dos indivíduos privados.
Declaração dos Direitos Humanos- Revolução Francesa- os homens e a universalização do status de cidadania. A liberdade passa a ser um atributo essencial do homem enquanto homem.
Código Civil Alemão- 1794 - O homem é chamado de pessoa, enquanto ele goza de certos direito na sociedade civil.
Kant- igualdade como desdobramento da liberdade- independência é a autarquica, é a auto -suficiência econômica do indivíduo. Assim, eles são co-legisladores.
O que não são capazes desse direito são membros participantes dessa sociedade enquanto protegidos.
Sociedade Civil enquanto sociedade civil burguesa, ela se diferencia do EStado, seprando a esfera política estatal da esfera economica privada.
Diferenciação entre os direitos do homem pára os direitos do cidadão. Direitos dos homens vem de que ele faz parte da sociedade, os direitos do cidadão vem que ele é parte do Estado.
O conceito de sociedade civil é um insurgimento contra o Estado absolutista em prol de um estado liberal. o estudo dessa nova sociedade visa recolocar ela e buscar seu papel dentro Estado.



sábado, novembro 21, 2009

Dilma é inocente


Dilma é inocente
seg, 09/11/09
por Guilherme Fiuza

fonte: http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/11/09/dilma-e-inocente/

Ela não tem culpa. Está sendo só ela mesma. Passeia de mãos dadas com o padrinho, reclama da imprensa burguesa, fuxica informações do governo anterior. Isto é Dilma Rousseff.
O problema são os outros. A opinião pública brasileira é comprável com meio slogan. Caetano Veloso, querendo criticá-la, sem querer abençoou a fraude. O mal de Dilma, segundo o compositor, é ser apenas uma gestora, sem experiência política.
Haja paciência. A única verdade incontestável no currículo de Dilma Rousseff – fora as que ela mesma cria – é ser uma militante. Venerável Caetano: política é a única coisa que a ministra-chefe da Casa Civil fez até hoje.
Quem lhe disse que Dilma é gestora? Lula? Os jornais? Procure saber você mesmo. Descubra, se puder, uma única experiência de gestão bem-sucedida da suposta dama de ferro.
A auto-intitulada companheira de armas de José Dirceu fez na vida o que dez entre dez políticos da DisneyLula fazem: buscar o poder, grudar nele, abrir espaços para a companheirada na sombra do Estado brasileiro.
Avalie a gestão mais conhecida de Dilma Rousseff, à frente do Ministério das Minas e Energia (na Casa Civil ela só conspira, faz campanha e brinca de mãe do PAC, portanto não conta). Caetano, você ouviu falar que as concessionárias de energia elétrica estão devendo bilhões de reais ao consumidor, por cobranças excessivas na conta de luz?
Pois bem: isso é uma das obras-primas da famosa gestora Dilma Rousseff.
Copiando o populismo tarifário argentino, a candidata de Lula baixou na marra o preço da energia – como sempre, em nome do povo. É o crime perfeito: o povo fica feliz agora, e se dá mal mais tarde, com a falência das empresas do setor, que acabarão sendo socorridas pelo Tesouro – isto é, por todos nós.
Desta vez, as empresas deram um jeitinho, dentro do fantástico modelo criado pela gestora Dilma, de já ir abatendo o prejuízo no caminho. O contribuinte vai se ferrar lá na frente, e o consumidor já vai se ferrando agora. Um lembrete: ambos são a mesma pessoa – você –, vítima da grande gestora.
Alguém tem notícia de que a cobrança exorbitante e ilegal será devolvida às vítimas? Alguém ouviu alguma garantia nesse sentido da ministra mais poderosa do governo?
Ninguém tem, ninguém ouviu. Por uma razão simples: Dilma Rousseff não é uma autoridade de fato, não está administrando (gerindo!) os problemas do Brasil. Está cuidando do seu projeto eleitoral. Fazendo política – que é o que se dispõe a fazer.
Nada disso aparece na pasmaceira que é o debate político brasileiro. Todos os gatos por aqui têm status de lebre. Maluf inventa o “gestor” Celso Pitta, e a manada só grita depois do cofre arrombado. E lá vamos nós de novo, Caetano.
O verdadeiro analfabeto brasileiro é o eleitor.

domingo, junho 21, 2009

Twitter on the Barricades: Six Lessons Learned

By NOAM COHEN
Published: June 20, 2009
fonte: New York Times

Political revolutions are often closely linked to communication tools. The American Revolution wasn’t caused by the proliferation of pamphlets, written to whip colonists into a frenzy against the British. But it sure helped.

Social networking, a distinctly 21st-century phenomenon, has already been credited with aiding protests from the Republic of Georgia to Egypt to Iceland. And Twitter, the newest social-networking tool, has been identified with two mass protests in a matter of months — in Moldova in April and in Iran last week, when hundreds of thousands of people took to the streets to oppose the official results of the presidential election.
But does the label Twitter Revolution, which has been slapped on the two most recent events, oversell the technology? Skeptics note that only a small number of people used Twitter to organize protests in Iran and that other means — individual text messaging, old-fashioned word of mouth and Farsi-language Web sites — were more influential. But Twitter did prove to be a crucial tool in the cat-and-mouse game between the opposition and the government over enlisting world opinion. As the Iranian government restricts journalists’ access to events, the protesters have used Twitter’s agile communication system to direct the public and journalists alike to video, photographs and written material related to the protests. (As has become established custom on Twitter, users have agreed to mark, or “tag,” each of their tweets with the same bit of type — #IranElection — so that users can find them more easily). So maybe there was no Twitter Revolution. But over the last week, we learned a few lessons about the strengths and weaknesses of a technology that is less than three years old and is experiencing explosive growth.
1. Twitter Is a Tool and Thus Difficult to Censor
Twitter aspires to be something different from social-networking sites like Facebook or MySpace: rather than being a vast self-contained world centered on one Web site, Twitter dreams of being a tool that people can use to communicate with each other from a multitude of locations, like e-mail. You do not have to visit the home site to send a message, or tweet. Tweets can originate from text-messaging on a cellphone or even blogging software. Likewise, tweets can be read remotely, whether as text messages or, say, “status updates” on a friend’s Facebook page.
Unlike Facebook, which operates solely as a Web site that can be, in a sense, impounded, shutting down Twitter.com does little to stop the offending Twittering. You’d have to shut down the entire service, which is done occasionally for maintenance.
2. Tweets Are Generally Banal, but Watch Out
“The qualities that make Twitter seem inane and half-baked are what makes it so powerful,” says Jonathan Zittrain, a Harvard law professor who is an expert on the Internet. That is, tweets by their nature seem trivial, with little that is original or menacing. Even Twitter accounts seen as promoting the protest movement in Iran are largely a series of links to photographs hosted on other sites or brief updates on strategy. Each update may not be important. Collectively, however, the tweets can create a personality or environment that reflects the emotions of the moment and helps drive opinion.
3. Buyer Beware
Nothing on Twitter has been verified. While users can learn from experience to trust a certain Twitter account, it is still a matter of trust. And just as Twitter has helped get out first-hand reports from Tehran, it has also spread inaccurate information, perhaps even disinformation. An article published by the Web site True/Slant highlighted some of the biggest errors on Twitter that were quickly repeated and amplified by bloggers: that three million protested in Tehran last weekend (more like a few hundred thousand); that the opposition candidate Mir Hussein Moussavi was under house arrest (he was being watched); that the president of the election monitoring committee declared the election invalid last Saturday (not so).
4. Watch Your Back
Not only is it hard to be sure that what appears on Twitter is accurate, but some Twitterers may even be trying to trick you. Like Rick’s Café, Twitter is thick with discussion of who is really an informant or agent provocateur. One longstanding pro-Moussavi Twitter account, mousavi1388, which has grown to 16,000 followers, recently tweeted, “WARNING: http://www.mirhoseyn.ir/ & http://www.mirhoseyn.com/ are fake, DONT join. ... #IranElection11:02 AM Jun 16th from web.” The implication was that government agents had created those accounts to mislead the public. ABCNews.com announced that Twitter users who said they were repeating (“retweeting”) the posts from its reporter, Jim Sciutto, had been fabricating the material to make Mr. Sciutto seem to be backing the government. “I became an unwitting victim,” he wrote.
5. Twitter Is Self-Correcting but a Misleading Gauge
For all the democratic traits of Twitter, not all users are equal. A popular, trusted user matters more and, as shown above, can expose others who are suspected of being fakers. In that way, Twitter is a community, with leaders and cliques. Of course, Twitter is a certain kind of community — technology-loving, generally affluent and Western-tilting. In that way, Twitter is a very poor tool for judging popular sentiment in Iran and trying to assess who won the presidential election. Mr. Ahmadinejad, who presumably has some supporters somewhere in Iran, is losing in a North Korean-style landslide on Twitter.
6. Twitter Can Be a Potent Tool for Media Criticism
Just as Twitter can rally protesters against governments, its broadcast ability can rally them quickly and efficiently against news outlets. One such spontaneous protest was given the tag #CNNfail, using Internet slang to call out CNN last weekend for failing to have comprehensive coverage of the Iranian protests. This was quickly converted to an e-mail writing campaign. CNN was forced to defend its coverage in print and online.

quarta-feira, junho 10, 2009

Why Would Lebanon's Christians Side With Iran?


Because they're afraid of Saudi Arabia.

By Brian Palmer
http://www.slate.com/
Posted Monday, June 8, 2009, at 6:15 PM ET

In Sunday's elections in Lebanon, the local Christian population split its vote between the pro-Western government and an opposition party backed by Syria and Iran. Why would so many Lebanese Christians reject the U.S.-backed politicians?
They're more afraid of Saudi Arabia than they are of Iran. The influence of foreign governments is unusually strong in Lebanese politics, and the governing and opposition coalitions each have their own network of backers. Although those in power today are often identified as "pro-Western," Saudi Arabia wields just as much influence within the governing March 14 coalition, as do the United States and France. Many Christians prefer these benefactors to Syria, Iran, and Qatar—the major supporters of the opposition. But others fear the potential Islamization of Lebanon by the Saudis.
Sectarianism has been enshrined in the Lebanese political system since its independence. In 1932, the French colonial government conducted a census, determining that Maronite Christians represented a slight majority in Lebanon. When the country won its independence in 1943, parliamentary seats were allocated based on the 1932 census figures: six Christian representatives for every five Muslim representatives. The 1989 Taif Agreement, which ended the Lebanese Civil War, adjusted the balance to 50-50. The highest offices are also distributed among Christians, Sunnis, and Shiites. (This confessional system makes it virtually impossible for any nonsectarian political movement, such as the Lebanese Communist Party, to gain significant power.)
No one really knows how many Christians are living in Lebanon today. The government has refused to conduct a census, because the results might upset the fragile Taif Agreement and plunge the country back into civil war. However, it is a virtual certainty that Christians are overrepresented in the current government. The CIA guesses they make up 39 percent of the population, but they have been leaving in large numbers over the past few years.
The shrinking number of Lebanese Christians animates their political behavior. Some argue that a strong Western presence in Lebanon, along with a sound renunciation of Khomeneist Iran, will reassure potential Christian émigrés and prevent further bleeding. Others contend that the Wahhabist regime in Saudi Arabia, which has substantial ties to the powerful Hariri family that leads the governing coalition, will seek to push more traditional Islam on cosmopolitan Lebanon and drive Christians away.
The wild card among Lebanese Christians is mercurial Gen. Michel Aoun. Aoun rose to power in 1988 and fashioned himself a liberator, rejecting the Taif Agreement and fighting the Syrian army, which then dominated the country. After a series of political and military defeats, Aoun was exiled to France. He returned in 2005 and surprised the country by aligning himself with the Syrian-backed political parties. Aoun argued that Syria was no longer the enemy after withdrawing its troops from Lebanon in 2005. He implied that Christians should join political forces with Hezbollah, by far the most organized political force in Lebanon, to ensure their long-term security. While Hezbollah and its allies hoped that the personal appeal of Aoun would sway large numbers of Christians, it appears his influence has become limited to a core of older Christians who remember him as a hero.
Got a question about today's news?
document.write("")

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Explainer thanks As'ad AbuKhalil of California State University Stanislaus.

quarta-feira, março 18, 2009

É a política



Todos os escritores são vaidosos, egoístas e preguiçosos, e bem no fundo de suas motivações jaz um mistério. Escrever um livro é uma luta terrível, exaustiva, como um longo padecimento de alguma doença dolorosa. Algo que nunca se deve fazer, a menos que se seja movido por um demônio irresistível que não se pode compreender. Até onde nos é dado saber, esse demônio é o mesmo instinto que faz um bebê se esgoelar por atenção. No entanto, também é verdade que ninguém escreverá nada legível a menos que se esforce constantemente para apagar sua própria personalidade. A boa prosa é como uma vidraça. Não posso dizer com certeza qual dos meus motivos é o mais forte, mas sei qual deles merece ser seguido. E lançando um olhar retrospectivo sobre minha obra, vejo que é invariavelmente quando me faltava um propósito político que eu escrevi livros sem vida e fui traiçoeiramente atraído por passagens pedantes, frases sem sentido, adjetivos decorativos e bobagens em geral.







George Orwell


http://colunistas.ig.com.br/sergiorodrigues/

quarta-feira, dezembro 26, 2007

A Cisão em Hegel








Sociedade Civil,Estado e Família.

Unicamp, Novembro de 2003.

Questão.

Explique por que Hegel caracteriza a sociedade civil moderno como o “sistema da atomística” (E § 523) e estabeleça a conexão entre esta caracterização e seus elementos com a tese lógico-conceitual, segundo a qual a sociedade civil é a esfera da diferença e da cisão da eticidade/ da Idéia ética.

Resposta.

“A substância que, enquanto espírito, se particulariza abstratamente em múltiplas pessoas (a família é uma pessoa somente), em famílias ou [indivíduos] singulares, que em uma liberdade autônoma e enquanto particulares são para si, pede, inicialmente, a sua determinação ética, enquanto essas pessoas, como tais, não têm em sua consciência e por seu fim a unidade absoluta, mas a sua particularidade própria e o seu ser-para-si, - [é] o sistema da atomística. Dessa maneira, a substância vem a ser apenas uma conexão universal, mediatizante, de extremos autônomos e de seus interesses particulares; a totalidade, desenvolvida em si mesma, dessa conexão é o Estado quanto sociedade civil ou enquanto Estado exterior”[i].

A teoria de Hegel é formada por um sistema de conceitos, que também são chamados de sistema de Direito[ii]. Na concepção de Hegel, dentro da sua óptica de uma pesquisa estruturada de forma dialética-especulativa, a sociedade civil traz para si a mediação e diferenciação, sendo traduzida em termos históricos no trabalho emancipado e na atividade econômica e social despolitizada[iii], que seria uma particularidade autônoma em face da universalidade formal da mediação social e jurídica dos interesses privados presentes nessa sociedade que a caracterizaria de forma diversa da concepção clássica da unidade entre sociedade civil e Estado[iv] como uma estrutura de dominação homogênea desse daquela[v].

Antes de Hegel[vi], pensava-se que havia uma unidade entre a sociedade civil e o Estado, sendo que a única esfera social que se opunha ao Estado era a da esfera doméstica, baseada, como se demonstra nos exemplares gregos[vii], no trabalho doméstico, servil e escravo capitaneados em torno do chefe familiar.

A concepção de Hegel difere do pensamento clássico[viii], ao trazer à sociedade civil, independência em relação à esfera estatal porque em sua filosofia, a sociedade é o local onde se dará a realização concreta da pessoa[ix], enquanto sujeito de direitos iguais e da subjetividade, sendo consciência moral autônoma, sendo assim duas esferas de realização[x].

Na esfera do direito abstrato, o individual é concebido como pessoa[xi], conforme está na Filosofia do Direito nos §§ 34-36, a livre volição do agente, capaz de abstrair completamente dos seus desejos e situação, que exige reconhecimento da esfera externa onde a dignidade dessa pessoa poderá ser atualizada, como está no § 41. Compreendida dentro dessa esfera da personalidade está o corpo dessa pessoa e sua vida, que se entende aqui conjuntamente com toda a sua propriedade.

Na segunda esfera da moralidade, o individual será concebido como sujeito, um agente que possui responsabilidade moral e um distintivo bem ou bem-estar para si mesmo, que faz se relaciona com as outras subjetividades. Essa nova esfera[xii] é concebida dentro do campo da nossa responsabilidade pelas nossas ações e suas conseqüências que aparece na Filosofia do Direito nos §§ 115-120.

O Direito em Hegel é tomado como a liberdade enquanto Idéia, como está no § 29, “não está só na sua estrutura como forma infinita e Idéia absoluta, determinação conclusiva da Ciência da Lógica, mas como expressão especulativa da universalização histórico-mundial da liberdade, elevada a determinação essencial de todo homem”[xiii]. Sendo que a liberdade absoluta, concreta ou positiva não é uma mera capacidade ou potencialidade, mas, consiste na atividade que atualiza a razão, sendo desenvolvida em torno de uma hierarquia de objetos onde a liberdade será atualizada, como está no § 22. O que o próprio Hegel confirma dizendo que “se o saber da Idéia, isto é, [se o saber] do saber que os homens têm de que a sua essência, o seu fim e o seu objeto é a liberdade, é especulativo, então essa Idéia, enquanto tal, é a efetividade dos homens, não a Idéia que eles têm, mas a Idéia que eles são”[xiv].

A liberdade durante o período de elaboração da tese de Hegel é o grande problema, durante a Revolução Francesa surge a necessidade pensar o como da sua real eficácia institucional política, não satisfeito com a respostas de Kant e Fichte para o problema da liberdade, com o conceito de autonomia do primeiro e conceito de absoluta auto-suficiência do segundo.

Hegel pensa a liberdade, no § 182, como uma idéia que deve ser atualizada, de modo que ela deverá ser uma relação concreta. Uma relação da pessoa concreta, que como fim para si é reconhecida na multiplicidade infinita de carências que possui, e a pessoa particular relacionada, está essencialmente em relação com outra particularidade, gerando assim com o aumento de divisão laborial e sua produtividade crescente na sua emancipação que é a satisfação mediada pela outra e mediada pela “forma da universalidade”, surge a base material para as relações sociais.

Nesse sentido, a sociedade civil[xv] aparece como a cisão[xvi] que há entre família[xvii] e o Estado[xviii]. O Estado, “representado como uma unidade de pessoas diversas, como uma unidade que é somente ser-em-comum, então só se visa com isso a determinação da sociedade civil”. Sendo que na sociedade civil só existe cada um como fim para si, tendo o resto como um nada. Mas o cada um como fim para si, só realiza-se com outros, pois sem esses aquele não poderá realizar seus fins, por isso são dois princípios: um do particular como fim para si e outro particular como fim para outros, numa forma de universalidade porque na sociedade civil, no seu relacionamento com a alteridade, a pessoa se satisfaz em conjunto com “bem-próprio” de outrem. O termo é universalidade porque o local onde se dará a mediação é o todo, aonde todas as contingências, necessidades dos individuais se manifesta. Assim, “a particularidade restringida pela universalidade é a medida exclusiva pela qual cada particularidade fomenta o seu bem-próprio”[xix].

Riedel, segundo a nota de Marcos Muller, identifica essa particularidade com fins para si com individuo burguês privado como primeiro princípio da nova concepção de sociedade civil, vista como “a esfera da atividade econômica e social do burguês, emancipado dos vínculos estamentais e corporativos da antiga sociedade estamental”[xx], identificada como uma tardia concepção clássica de sociedade civil.

Essa particularidade como fim para si é, no dizer de Hegel no Adendo do § 185, “extravagante e sem medida”, sendo que as formas dessa extravagância são por si mesmas sem medida, pois os desejos são reflexionados e representados numa extensão ilimitada[xxi]. Por outro lado, a privação e a necessidade que o contrai também será sem medida, são duas forças tensoras do dinamismo econômico social que só poderão chegar a um equilíbrio na esfera estatal, pelo poder dessa. Então, é nessa “esfera relacional, enquanto formação, que se dará o direito o ser-aí”[xxii].

Pois o sistema da particularidade, composta das relações entre carência e o trabalho, faz com que o direito se torne necessário exteriormente para a proteção da própria particularidade que agora se relaciona. Embora, como vimos ele vem da Idéia de liberdade, ele atua nas relações porque ele é útil para elas, mas o direito não pode se manifestar particularmente deve ser universal, deve conferir as relações uma forma de universalidade segundo um universal, pois nesse universo é que serão satisfeitas as carências dos particulares, e as “leis conseguem formar-se[xxiii], assim o Direito adquire sua vigência e efetividade, se libertando dos vínculos políticos regulando as ações entre os indivíduos somente, surge o direito do homem civil[xxiv], “a constituição do homem comum[xxv].

O burguês[xxvi] está liberado de um direito apenas político, mas agora possui uma esfera onde será reconhecido como sujeito de direitos pelo que ele é, assumindo-se enquanto “pessoa universal”, na qual todos são tratados como iguais enquanto sua hominalidade[xxvii] que lhe dá essa igualdade universal[xxviii].

Dois componentes, a base material, formada pela mediação entre carência e trabalho, e o reconhecimento de uma esfera universal de indivíduos dotados de direitos iguais é a própria constituição do novo conceito especulativo da sociedade civil, como a tradução histórica do local onde se dá a autonomia da particularidade.

A liberdade surge na cisão[xxix] da conceituação da sociedade civil da esfera da sociedade doméstica[xxx] e da esfera do Estado como esfera autônoma. Porque a “autonomia da particularidade” presente nessa sociedade civil com sua nova base material rompe com as bases dessas esferas clássicas, que eram a eticidade e a solidariedade, que sendo esvaziadas de sentido pela nossa base social será a realização da “própria liberdade positiva”[xxxi].

Essa liberdade positiva será a ordem que regulará as ações desses particulares em relação, aonde os burgueses proprietários irão se submeter à universalidade formal do Direito Privado, pois como vimos no § 209, o Direito surge na necessidade das relações de adquirirem um conteúdo estável para suas relações, um conteúdo universal que garanta aos atos mercantis sua lisura e efetividade, o direito surge no reconhecimento universal da sua necessidade e utilidade para proteção e expansão do capital, na mediação entre as carências do fim para si com as relações de trabalho. O reconhecimento da utilidade de um direito universal é primeiro estagio no rompimento com a ordem de eticidade que não possui a universalidade e segurança desejada por esse novo indivíduo sujeito de direitos que é universal, pois seu valor não tem sua origem em qualquer qualidade além daquela que é comum a todos os seres humanos, o fato de serem homens, como diz Hegel no § 209.

Então, esse homem exige seus direitos não por pertencem a algum grupo comum, exige seu direito pela sua própria consciência de si e da relação que atua com outros particulares. A sociedade civil, a construção que se alicerça nessa igualdade tem que responder a ela, instaurando uma institucionalização dos direitos universais dos homens e inaugurando um campo da liberdade abstrata, negativa[xxxii] e igual, que é também o campo da segunda esfera da moralidade, das relações dos particulares na institucionalização das contingências e antagonismos que ocorrem nessas relações.

Essas duas institucionalizações ressaltam uma ambigüidade moral que existe no seio dessa sociedade que alimenta uma busca desmedida em busca da acumulação de riquezas, que se relaciona com um progressivo isolamento do particular e sua restrição ao seu trabalho, criando uma sociedade que não a de estamentos como era na sociedade civil clássica, mas agora uma sociedade de classes, como se dá nos §§ 243-245, porque a sociedade civil, onde se fica sempre manifesto o excesso de riqueza, sendo que ela nunca é rica o suficiente, isto é, que, na riqueza patrimonial que lhe e peculiar, ela não possui o suficiente para obviar ao excesso de pobreza e à geração da plebe”[xxxiii].

Essa ambigüidade fomentará a presença do Estado ético de volta na sociedade civil[xxxiv], seja como Polícia ou como Corporação. Policia para garantir a ordem externa, numa função reguladora das relações dos particulares na satisfação de suas necessidades, o poder de polícia das administrações públicas, que segundo o jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, “refere-se ao complexo de medidas do Estado que delineia a esfera juridicamente tutelada da liberdade e da propriedade dos cidadãos”, sendo que essa atividade estatal é a “de condicionar a liberdade e a propriedade ajustando-as aos interesses coletivos”[xxxv].Corporação é tomada não como as corporações medievais, mas como sujeitos coletivos de direitos, uma espécie de proto-pessoa jurídica de direito privado em diferindo da pessoa física no sentido moderno, mas com uma maior participação no direito público. Essas duas formas são as que o Estado[xxxvi] atuam na sociedade civil buscando com a regulação e suspensão da contingência do mercado e seu desmedido antagonismo relacional buscando transformar essa base na numa racionalidade ética onde será fundado a “aparência”[xxxvii] Estado ético, baseado na liberdade relacional de trocas para supressão das carências[xxxviii].

A sociedade civil em Hegel como vimos nasce dentro das relações dos particulares que se reconhecem enquanto particulares com fins para si, com carências e também como particulares relacionados com outros, duas esferas onde da primeira surge os particulares como pessoas, enquanto seres “juridicamente livres e iguais”, e da segunda, sujeitos de direitos e assim seres responsáveis moralmente por seus atos. Quando há o reconhecimento de si e em si dessas e nessas esferas, há também nessa oportunidade o reconhecimento de uma esfera exterior universal que pressupõe uma institucionalização social, jurídica e política.[xxxix]

A liberdade particular, a primeira esfera, que é um fim para si mesmo, tem uma busca sem medidas da satisfação de suas carências, como está no § 185, mas ao mesmo tempo, para a completa concretização da felicidade pessoal[xl] há a necessidade de se relacionar com outros particulares[xli], é dessa polaridade que nasce a “eticidade moderna reflexiva”, como também “a própria realização comum da liberdade enquanto liberdade política”[xlii] porque “a determinidade que nele se apresenta é uma progressão do desenvolvimento, assim também no espírito cada determinidade em que ele se mostra é momento do desenvolvimento em na determinação progressiva, [ela] é avançar em direção à meta do espírito, [que] é fazer-se e tornar-se para si o que ele é em si”[xliii]



[i] Textos da Enciclopédia das Ciências Filosóficas (1830)(E), v, III, A Filosofia do Espírito, Loyola, São Paulo,1995, trad. de Paulo Meneses, com alterações minhas, e das Linhas Fundamentais da Filosofia do Direito, trad. Marcos L. Muller, p. 4.

[ii] “A filosofia do direito em Hegel, ao mesmo tempo em que se apresenta como a negação de todos os sistemas de direito natural, é também o último e mais perfeito sistema de direito natural” BOBBIO, Noberto Estudos sobre Hegel: Direito, Sociedade Civil e Estado Trad. Luiz Sérgio Henriques e Carlos Nelson Coutinho São Paulo: Brasiliense, 1989, p. 23.

[iii]MÜLLER, M.L Apresentação in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução, Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro, 2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no. 6,p.5.

[iv] “A essência do Estado reside na concentração da força: o Estado é força concentrada. O que possibilita esta concentração é a Constituição, isto é, a organização das várias partes num todo compacto e coerente, que seja mais forte que as partes e, por isto mesmo, impeça sua desagregação interna e afaste a ameaça de destruição proveniente de fora”. BOBBIO, Noberto Estudos sobre Hegel: Direito, Sociedade Civil e Estado Trad. Luiz Sérgio Henriques e Carlos Nelson Coutinho São Paulo: Brasiliense,1989, p. 67.

[v] “L´individu que décrit ici Hegel, c´est lê sujet économique, selon la conception qui en a été progressivement élaborée au XVIIe et XVIIIe siècles, pricipalement em Angleterre, à travers les théories de l´individualisme possesif pour reprende l´expression de l´historien MacPherson: c´est-à-dire lê proprietaire individuel qui se définit par cette vocation à defendre le bien qui lui appartient em propre et auquel il s´indentifie, parce que son acquisition ou as conservation sont ncessaires à sa constitution particulière à as constitution de particulier”. LEFEBVRE, Jean-Pierre et MACHEREY, Pierre Hegel et La Société Paris:P.U.F.,1984, p.24.

[vi] “le progrès de Hegel para rapport aux théoriciens modernes du droit naturel consista précisément à replacer ceux-ci sr le sol de l´economie politique moderne, telle qu´elle avait été développée para les économistes écossais: Steuart, Ferguson et Adam Smith. L´étude des écrits de ces economistes aurait conduit Hegel à reconnaître le caractère essentiellement social, c´est-à-dire constituif ded la société elle-même, du travail tel qu´il est réalisé à l´époque moderne”. BIENESTOCK, Myriam Politique du Jeune Hegel: Iena 1801-1806 Paris: P.U.F.,1992, p.25

[vii] Para os gregos , o econômico era um objeto do saber contingente. E o direito, a ordem, é objeto de um saber não rigoroso, mas um saber prático baseado na prudência, como pensou Aristóteles.

[viii] Hegel passa a desenhar o conceito de sociedade civil burguesa. O burgo passa significar não o civil, mas uma espécie de sociedade com suas relações de dominação. Não se fala mais em comunidade de homens livres, mas dos indivíduos privados.

[ix] Código Civil Alemão de 1794 dizia que “o homem é chamado de pessoa, enquanto ele goza de certos direitos na sociedade civil”.

[x] “A autoconsciência é, de fato, o saber de si-mesmo; embora este se apresente inicialmente como a externa abstração do eu = eu, na realidade composta em si um ganho que o coloca a um nível incomparavelmente superior ao da consciência. A autoconsciência é essencialmente movimento de distinção entre si e si, mas ao mesmo tempo é identidade daquilo que distingue: ela apresenta-se como o movimento em que a oposição é retirada: e para ela torna-se a igualdade de si mesma consigo. Este reconhecer-se no diferente de si é o fundamento e terreno da essência, que torna possível o saber na universalidade e que se manifesta explicitamente agora, pela primeira vez: com a autoconsciência entramos no domínio particular da verdade” CHIEREGHIN, Franco Introdução à Leitura da Fenomenologia do Espírito de Hegel Trad. Abílio Queirós Lisboa: Edições 70, 1998, p.86.

[xi] WOOD, Allen W. Hegel´s Ethics in BEISER, Frederick C. The Cambrigde Companion to Hegel Cambrigde: Cambrigde University Press, s/d, p. 217.

[xii]“Da destruição do moralismo, a consciência leva porém consigo o saber do primado do agir, dado que o movimento do individual é uma realidade universal e o agir é justamente o devir histórico como consciência”. CHIEREGHIN, Franco Introdução à Leitura da Fenomenologia do Espírito de Hegel Trad. Abílio Queirós Lisboa: Edições 70, 1998, p.114.

[xiii]MÜLLER, M.L Apresentação in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6,p.6.

[xiv] HEGEL, G.W.F. Enzuklopädie der philosophiscen Wissenshaften im Grundrisse (1830) Eds. I, Pöggeler e F. Nicolin, F. Meiner, Hamburg, 1959, § 482 A Enciclopédia das Ciências Filosóficas em Compendio (1830), Loyola, São Paulo, 1995, trad. Paulo Meneses, v. III, § 482 A. Tradução modificada in MULLER, p.6-7.

[xv] O conceito de Sociedade Civil, em Hegel, é um insurgimento contra o Estado absolutista em prol de um Estado liberal. O estudo dessa nova sociedade civil visa recolocar e buscar seu papel dentro e fora do Estado.

[xvi] “Contra esta confusión y mútuo enredo entre Estado y sociedad civil Hegel define esta última desde la cosa misma, como la diferencia entre Estado y familia” RIEDEL, Manfred El Concepto de La “Sociedad Civil” en Hegel in COLL, Gabriel Amengual Estudios sobre la Filosofia del Derecho de Hegel Madrid: Centro de Estudios Constitucionales,1989,p.199.

[xvii] Na Filosofia do Direito no § 177, Hegel diz que “a dissolução ética da família reside em que os filhos, educados para a livre personalidade, sejam reconhecidos na maioridade como pessoas de direito e como capazes, em parte de ter livre propriedade”. Essa é a passagem da determinação da idéia ética que há na família para a determinação ética que há na sociedade civil. Porque em Hegel, há um conceito moderno de família que se situa na dissolução ética da família, pois a família é uma esfera de figuração da idéia ética assim como é a sociedade civil, nessas esferas há o desenvolver-se da liberdade. O direito é obtido como objetivação da essência do espírito objetivo, sendo a Sociedade Civil: o espaço onde os interesses individuais existem. Lembrando que a Eticidade é uma contraposição contra o Direito Natural e contra o Direito de Autonomia, isso é explanado na Moralidade da Filosofia do Direito.

[xviii] Lembrando o que diz Riedel: “Hegel define positivamente este proceso como emancipación del Estado respecto de la sociedad civil respecto del Estado, para que ambos sólo entónces entablen su verdadera relación. Y el reproche critico contra el reciente derecho natural viene a significar esto: el Estado no es Estado si ya coincide con la sociedad civil, ni ésta es tampoco “sociedad”, si es sociedad “política”, o sea, Estado” RIEDEL, Manfred El Concepto de La “Sociedad Civil” en Hegel in COLL, Gabriel Amengual Estudios sobre la Filosofia del Derecho de Hegel Madrid: Centro de Estudios Constitucionales,1989,p.199-200.

[xix] Ambas as passagens: §182, Adendo in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6,p.15.

[xx]MÜLLER, M.L Apresentação in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6 p. 92.

[xxi] “A consciência se lança no gozo de si no imediato prazer, tem depois de reconhecer que o prazer, uma vez alcançado, tem o significado negativo de se ter retirado a si mesmo: a necessidade de continuar reproduzi-lo torna-se no destino que arrasta o singular apoiado no principio de vida que ele mesmo se concedeu e lhe aparece agora como uma necessidaded a empurrá-lo sem que ele se dê conta de como isso lhe aconteceu(...)ao tomar a vida, o que agarrava era antes a morte, porque as conseqüências das suas ações se tornaram para ele num enigma incontrolavel em que a individualidade se reduz a pedaços” CHIEREGHIN, Franco Introdução à Leitura da Fenomenologia do Espírito de Hegel Trad. Abílio Queirós Lisboa: Edições 70, 1998, p.112.

[xxii] § 209 in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6 p. 34-35.

[xxiii] Adendo § 209 § 209 in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6 p. 35.

[xxiv] “Hegel separa la esfera política del Estado del âmbito de la sociedad civil que ahora se ha vuelto civil. Y ahi la expresión civl, al contrario de su significación primitiva, adquiere un sentido primariamente “social” y ya no se emplea, al contrario de lo que sucedia aún en el siglo XVIII, como sinomino de politico. Designa ahora solamente la posición social del ciudadano privado en un Estado politicamente convertido en absoluto, el cual, por su parte, unicamente así outorga a la sociedad su peso propio y la libera como civil”. RIEDEL, Manfred El Concepto de La “Sociedad Civil” en Hegel in COLL, Gabriel Amengual Estudios sobre la Filosofia del Derecho de Hegel Madrid: Centro de Estudios Constitucionales,1989 p. 205.

[xxv] REALE, Miguel Visão Geral do Projeto do Novo Código Civil disponível em www.miguelreale.com.br Acessado em 20. XI. 2003.

[xxvi] “Como mero hombre, es decir, natural, el hombre es um ser de necessidades, y como ser de necessidades es hombre privado, o sea, ciudadano em cuanto “bourgeois”” ”. RIEDEL, Manfred El Concepto de La “Sociedad Civil” en Hegel in COLL, Gabriel Amengual Estudios sobre la Filosofia del Derecho de Hegel Madrid: Centro de Estudios Constitucionales,1989 p. 207.

[xxvii] “...como hombre es, a tenor del pensamiento del derecho natural, miembra de la “societas generis humani”, un ser generico e individualidad a la vez, y queda sujeto la leyes ded la ética indeterminadas en su universalidad. Como ciudadano, empeio, pertence a la sociedad civil, al Estado y sus leyes, y obedece las reglas imperativas dee la politica.. RIEDEL, Manfred El Concepto de La “Sociedad Civil” en Hegel in COLL, Gabriel Amengual Estudios sobre la Filosofia del Derecho de Hegel Madrid: Centro de Estudios Constitucionales,1989,p.207.

[xxviii] Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos na Revolução Francesa, há nos homens enquanto tais, a universalização do status de cidadania. A liberdade passa a ser um atributo essencial do homem enquanto homem. Havendo agora uma nova diferenciação entre os direitos do homem dos direitos do cidadão, os primeiros vêm do seu fazer parte na sociedade e o segundos vêm de que ele é parte no Estado.

[xxix] O modo como se deu a cisão no pensamento de Hegel do pensamento clássico é esquematizado por Marcos Müller em seu texto:

“O “oikos” transforma-se, na eticidade hegeliana, na moderna família, esfera da intimidade burguesa, baseada na união do amor e nas relações afetivas de confiança, dotada de um patrimônio que lhe dá estabilidade e que pela educação forma os filhos para sua independência como pessoas autônomas, futuros membros da sociedade civil.

A koinomia politiké, a sociedade civil-politica, constituída pelos homens livres enquanto cidadãos, torna-se a sociedade civil-burguesa, que entrelaça os indivíduos privados na busca de realização do seus fins particulares numa rede de dependência recíproca, que visa à satisfação universal das necessidades, por meio da garantia jurídica da ordem externa da propriedade.

A polis ou res publica como esfera da jurisdição e do exercício publico rotativo do poder pelos cidadãos livres torna-se o moderno Estado, dotado de soberania interna e externa, enquanto poder supremo, inalienável e indivisível, e compreendido progressivamente num processo de transformação constitucional que, tendo o direito por sua base, se constitui como um espaço público-politico da realização universal da liberdade”. MÜLLER, Marcos Lutz A Gênese Conceitual do Estado Ético Revista de Filosofia Política, Nova Série 2, Abril de 1998,p.12.

[xxx] “Anteriormente la casa era la célula social ded la antigua sociedad civil, ahora la figura cambiada de la sociedad vicil forma la base social del Estado moderno” RIEDEL, Manfred El Concepto de La “Sociedad Civil” en Hegel in COLL, Gabriel Amengual Estudios sobre la Filosofia del Derecho de Hegel Madrid: Centro de Estudios Constitucionales,1989,p.206.

[xxxi] MÜLLER, M.L Apresentação in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6,p.7.

[xxxii] A negatividade absoluta é uma negação que se refere a si mesma, ela nega a si mesma e somente assim, ela se refere. Essa dará no pensamento, pois sem luz não há vontade. A natureza é a plena objetivação da natureza mas no espírito, a objetivação da natureza já está negada. Sendo assim, a liberdade é a negatividade absoluta, principio motor de todo o sistema, se constituindo na figura sem mal que perpassa e expande todo o sistema. Onde a negatividade é um estado de coisas e a dor é a capacidade do espírito de suportar a própria fraqueza.

[xxxiii]HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6, § 245.

[xxxiv]“A autentica substância ética de um povo realiza-se quando está em condições de permitir que o desenvolvimento da autoconsciência à substância, mas a fim de que se manifeste o compenetrar-se de uma com outra e o seu reconhecer-se recíproco. Hegel perspectiva assim a solução a dar ao problema que Rosseau colocara de descobrir `uma forma de associação que defende e proteja com toda força comum a pessoa e seus bens de cada associado, e para a qual cada um, unindo-se a todos, apenas obedece a si mesmo e permanece livre como antes´, com efeito, a autoconsciência singular quer lhe seja reconhecido um valor absoluto que, como um direito seu, só pode ser satisfeito passando através da educação da vontade para a racionalidade pela demolição da pretensão de valer independentemente da participação da criação de um mundo comum, expresso nas instituições que organizam a vida de um povo”. CHIEREGHIN, Franco Introdução à Leitura da Fenomenologia do Espírito de Hegel Trad. Abílio Queirós Lisboa: Edições 70, 1998, p.110.

[xxxv] MELLO, Celso A.B. Curso de Direito Administrativo 13 a. ed. São Paulo: Malheiros,2001,p.684.

[xxxvi] “O Estado pode ser considerado como a realidade da liberdade concreta, porque liberdade em Hegel tem em mente é a liberdade como obediência à lei (lei, naturalmente, enquanto expressão do Estado considerado como o racional em si e para si), isto é, a liberdade como autonomia”. BOBBIO, Noberto Estudos sobre Hegel: Direito, Sociedade Civil e Estado Trad. Luiz Sérgio Henriques e Carlos Nelson Coutinho São Paulo: Brasiliense,1989, p. 51.

[xxxvii] MÜLLER, M.L Apresentação in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6, p.9.

[xxxviii] “En effet, alors qu´il présente l´Etat comme un monde de liberté, Hegel caractérise au contraire la société civil comme un monde de nécesssité; mais cétte nécessité va précisement pamvenir à s´impose à travers l´illusion ded la liberte” LEFEBVRE, Jean-Pierre et MACHEREY, Pierre Hegel et La Société Paris:P.U.F.,1984, p.27.

[xxxix]MÜLLER, M.L Apresentação in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6p. 10.

[xl] Em Aristoteles, a eudaimonia era uma atividade da alma segundo a razão. A eudaimonia é uma forma de vida autárquica, que só pode ser realizada dentro da pólis. Nesse sentido está o pensamento de João Silva Lima em sua dissertação “O Problema da Phília em Aristóteles”, ele nos diz que Aristóteles “afirma que o homem jamais basta a si mesmo de uma forma absoluta e que só o outro permite atualizar completamente sua essência (...) a sociabilidade é duplamente fundada em razão da própria dimensão humana. De uma parte, porque o exercício perfeito de nossa obra própria, em que consiste a virtude, por meio da qual alcançamos a felicidade só se realiza plenamente na relação com o outro. De outra, porque a plena consciência da perfeição humana não ocorre sem a presença do outro, visto que é somente pela contemplação do outro, que contemplamos a nós mesmos” .LIMA, João Silva O Problema da Phília em Aristóteles: um estudo dos livros VIII e IX da Ética a Nicômaco Campinas,S.P.: UNICAMP/IFCH,1997,p.14,15.

Contudo vale ressaltar que a questão sobre o conceito de eudaimonia em Aristóteles não é tão simples como salienta João Hobbus:“Um dos maiores pontos de divergência entre os comentadores da ética em Aristóteles, é o significado real do conceito de εΰδαιμονία (felicidade). Parece, à primeira vista, que Aristóteles não tem uma concepção única, apresentando, na realidade, duas concepções aparentemente contraditórias: uma, no livro I da Ética Nicomachea, que defenderia uma tese que explicitaria a felicidade como constituída de alguns ou todos bens, enquanto que no Livro X ficaria clara a opção por uma tese distinta da primeira, a saber, a felicidade é um bem que exclui todos os outros bens, isto é, seria apenas e tão somente a vida contemplativa, contemplação do primeiros princípios e primeiras causas, a vida própria do filósofo”. HOBBUS, João. Eudaimonia e Auto-Suficiência em Aristóteles Pelotas: Ed.Universitária/UFPel, 2002, p.15.

[xli]“Hegel held that individuals are fundamentally social practioners.Everything one does, says, or thinks is formed in the context of social pratices that provide material and conceptual resources, objects of desire, skills, procedures and the like” WESTPHAL, Kenneth The Basic Context and Structure of Hegel´s Philosophy of Right in BEISER, Frederick C. The Cambrigde Companion to Hegel Cambrigde: Cambrigde University Press, s/d,p.236.

[xlii] MÜLLER, M.L Apresentação in HEGEL, G. W. F. A Sociedade Civil Tradução , Introdução e Notas de Marcos Lutz Muller IFCH/Unicamp, Setembro,2003. Clássicos da Filosofia: Cadernos de Tradução no.6, p. 10.

[xliii] E §387 A in Textos da Enciclopédia das Ciências Filosóficas (1830)(E), v, III, A Filosofia do Espírito, Loyola, São Paulo,1995, trad. de Paulo Meneses, com alterações minhas, e das Linhas Fundamentais da Filosofia do Direito, trad. Marcos L. Muller, p. 1.