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quinta-feira, setembro 06, 2007

Salvação

"Aparece agora com toda nitidez a grandeza do respeito de Deus por sua criatura: uma salvação puramente presenteada, que não fosse- como a cristã- prolongamento do melhor que o ser humano é em si mesmo, seria a máxima alienação. Com certeza é gratuita, e consiste numa espécie de extrapolação infinita, de uma grandeza que nunca poderíamos sonhar; mas é extrapolação do dado real de nossa existência; é dom, mas um dom que eu recebo e que realiza o coração mesmo daquilo que eu buscava no melhor e mais profundo de mim mesmo" (p. 218)

" o céu é salvar-se, isto é, viver-se a si mesmo realizado no amor e no gozo do encontro infinito com Deus que se nos dá e que, dando-se-nos, entrega-nos a nós mesmos e afirma-nos em nossa identidade; uma identidade que não é mais limite ou barreira, mas antes comunhão total sem sombras e sem fronteiras" (p. 219)

A. T. Queiruga, ibid.

sábado, setembro 01, 2007

Recuperar a Salvação


uma teologia que dê uma versão negativa do cristianismo (que contenha medo) não é verdadeira teologia (não chegou a perfeição do amor) p. 56


"...se a Deus, que nos dá tudo e que se nos dá todo, interessa tanto nossa realização, não podemos decepcioná-lo. Nada existe de mais forte nem mais exigente do que o amor. O que ocorre é que se trata de uma força e uma exigência que não oprimem, e sim libertam, embora às vezes esta libertação, que se realiza necessariamente no próprio autotranscender-se, exija que confiemos mais nele do que em nós mesmos e nos imponhamos de renuncia a certos paraísos...artificiais (De fato, a maturidade vai-se encontrando espontaneamente com a lei de Deus: lei e graça coincidem naquele que ama de verdade; dilige et quod vis fac: disse-o Agostinho, mas, ao menos em certo grau constitui um traço da experiência cristã mais normal)" p.73

"O gratuito não equivale ao supérfulo. Bem ao contrário, a gratuidade é sinal de profundidade e de riqueza, o dom pessoal não pode ser submetido a números e medidas, e só pode estender-se no espaço infinito da liberdade e do amor" p. 77

"o mal não é ser, não é uma realidade autônoma; mas tampouco se reduz ao nada, posto que se caracteriza por sua oposição à obra de Deus, tentando e buscando destruir o ser humano; será aniquilado na vitória final da graça de Cristo, mas enquanto isso põe-se em batalha e cobra seu duro tributo de dor e de pecado" p. 105

Andre T. Queiruga Recuperar a Salvação Ed. Paulus