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quinta-feira, maio 07, 2015

Craig e Moreland: Duas Categorias: Propriedade e Substância

NO CAPÍTULO 10 do livro FILOSOFIA E COSMOVISÃO CRISTÃ, Lane Craig e Moreland continuam a tratar de ONTOLOGIA GERAL, Agora falam sobre PROPRIEDADE E SUBSTÂNCIA.

Como devemos considerar a concordância qualitativa? 

NOMINALISMO EXTREMO: defendido por W.V.O. Quine e Wilfred Sellars, as propriedades absolutamente não existem e os indivíduos concretos e os grupos de indivíduos concretos são as únicas coisas reais. As propriedades absolutamente não existem. Em vez disso, os únicos seres que existem são os indivíduos concretos e as palavras das propriedades que são verdadeiras para eles,

NOMINALISMO: defendido por D.C.Williams e Keith Campbell, acreditam na existência das propriedades, mas defendem que são qualidades  específicas, chamadas indivíduos abstratos que não podem ser possuídos por mais de um indívíduo concreto. 

REALISMO: desenvolvido por DM Armstrong e Reinhardt Grossman, a propriedade é um em muitos, ela pode ser possuída por muitos indivíduos concretos, é chamada de relação de exemplificação, predicação ou referimento. As propriedades são chamadas universais, quer dizer, entidades multiplamente exemplificáveis que podem estar presentes ao mesmo tempo em muitas coisas. 


AS PROPRIEDADES E O NATURALISMO.

"O universo pode ser definido como o completo sistema espácio-temporal de matéria e energia (impessoal), ou seja, como a soma total dos objetos materiais de algum modo acessível aos sentidos e à investigação científica. O mundo pode ser definido como a soma total de tudo que existe, inclusive as entidades abstratas não-espácio-temporais. No sentido metafísico, uma entidade abstrata é uma entidade real que não está no espaço ou no tempo."  (PAG 260)

Nominalistas extremos e nominalistas estão ligados ao naturalismo. Negando que as propriedades sejam universais. 

A primeira concepção realista de exemplificação é a visão modelo-cópia: as propriedades são entidades abstratas que existem fora do espaço e do tempo. No entanto, as propriedades não são incorporadas pelos entes que supostamente as possuem. Esta visão não é amplamente aceita devido às dificuldades apontadas contra ela tem sido o argumento do terceiro homem, este mostra que a visão modelo-cópia de propriedades e exemplificação resulta em duas suposições que, tomadas em conjunto, conduzem a um regresso infinito vicioso.

AXIOMA DA LOCALIZAÇÃO: nenhuma entidade qualquer pode existir em diferentes localizações espaciais ou em intervalos descontínuos do tempo.

"Nesse sentido, o realista impuro aceita as propriedades como universais, mas as rejeita como objetos abstratos. Enquanto o realista puro declara que o melhor modo de entender o que significa dizer que as propriedades são universais é vê-las  como objetos abstratos (no sentido metafísico). Os nominalistas puros são natuaralistas  impuros porque rejeitam o axioma da localização, mas aceitam a ideia de que tudo está no espaço e tempo em algum sentido, e os realistas puros rejeitam completamente o naturalismo e admitem os objetos abstratos" (PAG 263).

"o fenômeno da predicação é um problema para o nominalismo extremo e para o nominalismo, porque essas visões não apresentam uma resposta adequada sobre o que inclui alguma coisa em sua classe, o que inclui alguma coisa em sua classe, o que integra a classe, e o que exclui outras coisas dessa classe de membros. O realista pode explicar isso recorrendo à posse da mesma propriedade ou à ausência" (PAG 266)


......

SUBSTÂNCIAS

As propriedades não se apresentam ao mundo totalmente por elas mesmas. Têm possuidores, e uma substância é a possuidora das propriedades, que estão dentro delas, as propriedades são possuidas pelas substâncias a que pertencem.

Uma substância é uma unidade repleta de propriedades e também é uma unidade de capacidades - potencialidades, disposições, tendências.

DECLARAÇÃO CONTRAFACTUAL: é uma alegação que expressa qual seria o caso se, ao contrário do realmente ocorrido, tal e tal coisa acontecesse.  Tais contrafactuais são explicados por um conjunto de capacidades que uma substância possui, que são sua verdade ainda que elas não sejam realizadas. 

A natureza interior de uma substância compreende a unidade estrutural ordenada de suas capacidades finais. É uma profunda unidade de propriedades, partes e capacidades.

IDENTIDADE E UNIFORMIDADE ABSOLUTA ATRAVÉS DA MUDANÇA

Uma substância é um contínuo, que permanece o mesmo através da mudança. A mudança pode ser entendida como a vinda ou a ida de uma propriedade dentro de uma substância durante um período.  Ela perde regularmente partes obsoletas, propriedades e capacidades de ordem inferior, substituindo-as por novas. Mas a própria substância em si mesma forma  a base dessa mudança e permanece a mesma no seu final.

LEI E MUDANÇA LEGIFORME

São  fundamentadas na natureza interna de uma substância que, nesse contexto, pode ser entendida como um princípio dinâmico da atividade ou mudança imanente no interior da substância individual.

A UNIDADE DA PRÓPRIA ESPÉCIE NATURAL.

A espécie natural de uma coisa (ESSÊNCIA, NATUREZA)  é o conjunto de propriedades que a coisa possui, tal que sem ele a coisa não é reconhecida como membro da espécie e, se ela perder quaisquer de suas propriedades essenciais, sua existência finda.

CAUSALIDADE FINAL.

Uma causa eficiente é aquela por meio da qual um efeito acontece. A causa eficiente provoca o efeito. Uma causa material é a substância ou matéria da qual algo é feito. Uma causa formal é a essência de uma coisa. Uma causa final é aquela por cuja finalidade um efeito, ou uma mudança, é produzido.

Hoje a doutrina da causalidade final é tida como antiquada, considera-se que são suficientes a eficiente e a material. Para os autores, ela ainda tem vigor em noções filosóficas e complementares da ciência.

O PROBLEMA DA INDIVIDUAÇÃO.

Quando duas coisas possuem exatamente as mesmas propriedades, como é que os dois não são a mesma coisa? Se elas compartilham todas as propriedades em comum, se as propriedades são universais, o que, então, torna-as duas em vez de apenas uma? Não podemos usar a diferença de localização espacial, porque ela pressupõe a diferença e a individuação, não podendo constituir a própria individuação.

Uma substância individual é um aquele-tal, é uma combinação de duas entidades metafísicas: uma natureza universal e um componente de individuação.

SUBSTÂNCIAS X COISAS-PROPRIEDADE

1. A coisa-propriedade requer duas categorias metafísicas para classificá-la. Em contraste, uma substância é uma unidade verdadeira e complexa, e requer  apenas uma categoria- a da substância- para classificá-la.

2. As coisas-propriedade não são unidades profundas,  mas antes combinações acidentais de uma propriedade relacional ordenada externamente imposta sobre materiais preexistentes. A unidade não surge ou reside dentro do seu próprio ser, em vez disso, pelo menos para os artefatos humanos, reside no plano contido na mente do projetista (designer) da coisa-propriedade. A unidade da substância surge e reside dentro da própria e é devido à essência interna ou natureza da substância que serve como seu princípio de unificação.

3. Para uma coisa-propriedade, as partes existem antes do todo, não só temporalmente mas de forma metafísica. Essas partes são identificadas pelos materiais que as compõem. Na realidade, o todo depende dessas partes para sua estrutura global.  A substância como um todo vem antes das partes, nesse sentido, suas partes são unidas e formadas pela regra da substância e de sua essência tomada como um todo, e tais partes adquirem sua identidade em virtude de sua incorporação na substância como um todo.

4. A coisa-propriedade são relacionadas umas às outras por meio de relações externas, as relações não participam da mesma natureza dessas partes, e estas são indiferentes às relações. As partes de uma substância estão relacionadas umas as outras por meio de relações internas, as partes são o que são em virtude das relações que elas mantêm com outras partes e com a substância como um todo. Se as partes se separarem das relações, elas perdem a sua identidade. Não são indiferentes à sua incorporação numa substância, elas adquirem sua identidade da substância da qual são partes e perdem sua identidade quando fora dela.

5. As coisas-propriedade não possuem nenhum tipo novo de propriedades que já não tivesse contido nas partes, ela fornece uma estrutura pela qual um mediador natural que já exista seja capaz de concentrar energia e produzir um efeito que será interpretado como uma nova forma.  Essa característica é controversa, alguns filósofos acreditam que ela pode ter propriedades emergentes, tipos genuinamente novos de propriedades exemplificados pela coisa-propriedade como totalidade, que não características de suas partes. A substância possui novas propriedades verdadeiramente suas, não de suas partes antes da incorporação em suas substâncias. essas novas são encontradas na natureza da substância.

Para os autores, os organismos vivos são substâncias genuínas.



TEORIA DO FEIXE RELACIONADA À SUBSTÂNCIA

Na visão tradicional, uma substância não é somente um ajuntamento de propriedades, é algo que possui ou está na base das propriedades. Alguns formularam uma visão concorrente da substância, chamada de teoria do feixe.

Uma substância não é uma essência individualizada que possui propriedades embutidas em si, antes, uma substância é uma coleção ou feixe de propriedades.

Aqui, não existe possuidor das propriedades das coisas, elas não se relacionam a uma substância de forma tradicional, a relação entre as propriedades e uma substância é bem maid do que uma relação parte-todo, a substância não é apenas uma lista de propriedades, mas um conjunto de propriedades agrupadas de forma precisa e simultânea.

(pi - pn, uma relação de feixe R)

A vantagem é que não acarreta a aceitação de uma entidade que não seja empiricamente observável. A teoria do feixe será interessante para aqueles que acreditam que a metafísica deve ser feita dentro dos limites das impressões sensíveis.

Os aspectos negativos:

1. não pode responder pela contingência das substâncias, as substâncias individuais não seres necessários, são contigentes- existem no espaço e tempo, surgem e perecem. Mas se as propriedades são universais, logo, a teoria do feixe transforma as substâncias em seres necessários pois ela defende que uma substância é limitada às suas propriedades e todas as suas propriedades são universais, assim, se algo é um agrupamento de propriedades universais, algo é um ser necessário.

2. não pode sustentar que as substâncias permanecem realmente as mesmas durante a mudança, já que uma substância é somente um conjunto de certas propriedades agrupadas, se uma delas acabar, será obtido um novo e diferente feixe.


quarta-feira, maio 06, 2015

Moreland e Craig: Existência, Identidade e Reducionismo

Chegamos ao nono capítulo do livro Filosofia e Cosmovisão Cristã de J.P. Moreland e William Lane Craig. Este continua o assunto da ONTOLOGIA, tratando agora da NATUREZA DA EXISTÊNCIA, NATUREZA DA IDENTIDADE E SUBSTITUIÇÃO E REDUCIONISMO.


A NATUREZA DA EXISTÊNCIA.

O SER É UM GÊNERO?


"Se o ser é um gênero- quer dizer, uma noção unívoca que se aplica da mesma maneira a todas as coisas que possuem o ser - isso significa então que qualquer existência se torna um ser, tudo o que existe terá existência ou, com mesmo sentido, possuirá ser. Ser é uma noção unívoca que significa a mesma coisa para todas as entidades, quaisquer que sejam" PAG  238

TEORIAS DA EXISTÊNCIA

Características

1. ser consistente com e explicar o que, de fato, existe e não existe.
2. explicar o que poderia ter existido, mas, ou não existe ou não se acredita que existe
3. deve admitir o fato de que a existência em si existe.
4. não deve violar as leis fundamentais da lógica
5. tem de admitir a existência de atos de conhecimento,


DIFERENTES TEORIAS SOBRE O QUE É A EXISTÊNCIA EM SI MESMA.

"Várias teorias da existência têm sido propostas. Listamos a seguir algumas que são inadequadas: Existir é a. estar localizado no espaço e no tempo,b. ser físico, c. ser eficaz de forma causal, ou seja, ser capaz de ser uma causa eficiente (por meio do qual um efeito é produzido) ou de ser influenciado por uma causa eficiente), d. ser um evento ou conjunto de eventos, e. ser percebido e ser percebedor, f. ser uma propriedade, g. ser uma propriedade de propriedades" (PAG 240)


Essência e existência.

Existe uma diferença entre a essência da coisa e sua existência.  A existência não é uma propriedade, mas é o pertencimento de uma propriedade. é participar da relação de predicação ou exemplificação. A existência ou é o pertencer de alguma propriedade ou o ser parte de uma propriedade ou, mais simplesmente, a participação no vínculo de exemplificação.


  • existe um
  • a diferença fundamental entre existir e não existir.
  • essa diferença não é uma propriedade normal como a propriedade de ser vermelho.
  • a existência não faz parte da essência ou da natureza das entidades comuns, ou seja, para as entidades comuns há uma diferença entre essência e existência.
Df- definido como

Alterações: são tipos de mudança, a coisa que está mudando deve existir e a coisa que muda deve existir no princípio, durante o processo e ao término da mudança.

A inexistência não possui qualquer propriedade.


Relação de identidade
é uma relação que cada coisa possui consigo mesma e com nenhuma outra.

Co-extensibilidade
significa que alguma coisa ocorre se, e somente se, uma outra coisa também ocorrer.

inseparabilidade
A identidade difere da inseparabilidade, duas entidades podem ser partes de um todo e ser inseparáveis uma da outra, ou do todo, e, no entanto, não serem idênticas.

...


FRANCISCO SUÁREZ- dISPUTAS mETÁFISICAS

"Suárez examinou certas distinções que lançaram luz sobre a identidade e as declarações de identidade. (pAG. 248)

distinção real. Duas entidades diferem no sentido de uma distinção real apenas no caso de poderem ser separadas e ainda continuarem a existir.

distinção de razão, se duas coisas diferem no sentido de uma distinção de razão, então elas são idênticas. Há dois tipos desta distinção:
- distinção de razão de raciocínio: surge somente porque usamos a mesma palavra duas vezes em frases, como Pedro é Pedro.
-distinção de razão inferida: quando ela estiver presente, os conceitos ou os termos são idênticos para se referir ao objeto não esgotam o objeto em questão e expressam diferentes aspectos não-idênticos do mesmo objeto idêntico.


distinção modal: Se A é modalmente distinto de B, então 1. um deles é constituinte do outro e 2. um deles poderia existir sem outro, mas não vice-versa.

..

DECLARAÇÕES DE IDENTIDADE


usamos para expressar afirmações de identidade.

VISÃO TRADICIONAL OU OBJETAL DAS DECLARAÇÕES DE IDENTIDADE: uma declaração de identidade afirma que a coisa referida pelo primeiro termo possui uma certa característica verdadeira, a saber, ser idêntica a si mesma.

VISÃO METALINGUÍSTICA: (Frege) são declarações sobre a linguagem, e elas afirmam que uma certa relação se mantém entre as duas expressões referentes e usadas na declaração, quer dizer, elas são expressões co-referentes usadas na declaração, cada uma delas nomeia a mesma coisa.

Tipos de Sentenças:

DECLARAÇÕES DE IDENTIDADE SIGNIFICATIVAS: quando duas expressões referentes são sinônimas.

DECLARAÇÕES DE IDENTIDADE REFERENCIAL OU NOMINAL: ocorrem quando dois nomes próprios ou dois termos de espécies naturais funcionam simplesmente indicando ou referindo-se ao seu objeto de referência em qualquer circunstância na qual ele possa existir.

DECLARAÇÕES DE IDENTIDADE CONTINGENTES: enquanto que a identidade de uma entidade consigo mesma é necessária, algumas declarações de identidade são contingentes, isto é, elas são verdades em alguns mundos possíveis, e em outros, falsas.


domingo, abril 26, 2015

Moreland e Craig : O que é Metafísica?



Predicação essencial: aquela que afirma a essência de algo.

Predicação acidental: aquela que afirma algo é acidente de outro


Ontologia geral:  aspecto mais básico da metafísica. Primeiro, enfoca a natureza da existência em si. Segundo, estudamos os princípios gerais do ser, as características gerais que são a verdade  de todas as coisas.  Terceiro, inclui o que é denominado de análise categorial. É possível classificar ou agrupar as coisas existentes de diversos modos, variando entre os tipos de classificação desde aqueles muito específicos até os muito amplos. 

Um conjunto de categorias é uma coleção de classificações fundamentais e abrangentes de quaisquer entidades existentes, tal que cada entidade se ajustará numa categoria específica e as categorias tomadas como um grupo  nos permitirá classificar todas as entidades 

Para Aristóteles, 10 categorias: substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, estado, ação e paixão.

Para Kant:  as categorias (12) não são divisões do mundo como ele é em si - mundo numenal- mas, antes, elas expressam as divisões do mundo como ele nos aparece, como objetos da experiência possível - mundo fenomenal-. 

MÉTODOS DE ABORDAGEM NA METAFÍSICA.

NATURALISTAS: defendem que a realidade é esgotada pelo mundo espaço-temporal de objetos físicos admitidos por nossas melhores teorias científicas.  A ciência é a principal abordagem do mundo, não a filosofia. A metafísica não é o estudo da realidade, mas, de preferência, é o estudo do nosso discurso, especialmente o discurso científico da realidade. Neste ponto de vista, a análise linguistica é a principal ferramenta do filósofo que se ocupa da metafísica. 

"Faz parte da metafísica analisar e esclarecer o uso da linguagem, incluindo a linguagem científica. No entanto, não há nenhuma boa razão para limitar a investigação metafísica dessa maneira,  especialmente quando compreendemos que a ciência pressupõe doutrinas filosóficas e metafísicas. Assim, a metafísica é conceitualmente anterior à ciência. A ciência pode ajudar a metafísica de vários modos, mas não pode impor os métodos a serem usados na metafísica. Além disso, a linguagem existe. Portanto, a metafísica não pode ser reduzida à linguagem, pois a linguagem em si é parte do estudo metafísico" (PAG 227)


1. O estudo metafísico deveria começar com as coisas que já sabemos,  ou temos razão para acreditar que sejam verdadeiras, e deveria levá-las em conta antes que começássemos a fazer metafísica.

Simplesmente  conhecemos de fato muitas coisas através do senso crítico comum.  E muitos pontos da metafísica estão enraizados na admiração e perplexidade sobre as coisas que temos motivos em acreditar por meio do senso crítico comum. 

Certas verdades em teologia exigem o estudo metafísico para ajudar no seu esclarecimento. As verdades do cristianismo podem ser usadas como conhecimento básico para nos orientar na recusa de certas posições metafísicas e, além disso, na busca dos motivos imparciais para sua rejeição.

2. determine o problema metafísico que você está tentando resolver e o que dá origem ao problema.

3. use experimentos de pensamento como fontes para contra-exemplos aos argumentos metafísicos. 

mundo real: o verdadeiro mundo da totalidade de entidades realmente existentes, pode ser descrito por uma conjunção da totalidade das proposições realmente verdadeiras.

mundo impossível: um mundo que não pode existir, a conjunção de proposições que o descrevem inclui uma proposição logicamente impossível. 

mundo possível: um mundo cuja descrição não inclui uma proposição logicamente impossível.


Propriedades e relações são chamadas universais.

propriedades são entidades que podem ser apresentadas ao mesmo tempo por muitas coisas. 

Relações são entidades que podem relacionar duas ou mais coisas e podem estar ao mesmo tempo em mais de um grupo de coisas.

um conjunto é um grupo ou coleção de coisas chamadas de membros do conjunto.
Números são coisas que entram em certas relações matemáticas
Proposições são os conteúdos expressos em orações declarativas e que estão na mente das pessoas quando estão pensando.

Vamos chamar de mundo a soma total de tudo quanto existe, incluindo as entidades abstratas não-espácio-temporais, como também o universo de entidade físicas espácio-temporais.

Ontologistas são aqueles filósofos que, como Platão, acreditam no mundo e nas entidades abstratas.


Tarefas do naturalista:
1. deve mostrar que as entidades mentais não são reais: a. negando completamente sua existência, b. reduzindo-as a entidades físicas no limite espácio-temporal. c. tentando mostrar que de modo ou de outro elas dependem do mundo físico para a sua existência.

2. deve negar que propriedades e relações  sejam entidades abstratas: a. negando que elas existam - nominalismo extremo-. ou b. aceitando a existência de propriedades e relações, mas tratando-as como realidades materiais que estão completamente no espaço e no tempo - nominalismo e realismo impuro.

3. deve mostrar que entidades abstratas não reais: a. negando completamente sua existência e b. reduzindo-as a entidades físicas no espaço e tempo.







sábado, abril 25, 2015

Moreland e Lane Craig: Epistemologia Religiosa

No sétimo capítulo de Filosofia e Cosmovisão Cristã, os autores vão falar sobre epistemologia religiosa, a exploração da condição epistêmica das afirmações de verdade religiosas, sua racionalidade e garantia.


O positivismo lógico defende o princípio da verificação do significado, de acordo com o qual uma sentença declarativa, com objetivo de ser significativa, deveria ser capaz, em princípio, de ser empiricamente verificada.

Este sofreu várias críticas, dando origem ao princípio da falsificação, que afirmava que uma sentença com sentido deve ser capaz, em princípio, de ser empiricamente falsificada.

Estas análises cometeram dois erros: 1. o princípio da verificação e da falsificação era muito restritivo, não conseguindo incluir declarações científicas e 2. o princípio era auto-refutável a própria definição do critério é impossível de ser verificada ou falsificada empiricamente.

Pressuposto do ateísmo: trata-se da afirmação de que na ausência de evidências da existência de Deus, devemos pressupor que Ele não existe. A ausência de evidência não é evidência de ausência. 


Secretismo de Deus: se Deus realmente existisse, teria deixado mais provas de sua existência. "... a afirmação de que, se Deus existisse, ele teria tornado sua presença mais evidente tem pouca ou nenhuma garantia, minando assim a afirmação de que a ausência de tal evidência é, em si mesma, uma evidência positiva para a inexistência de Deus" (PAG 202)

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CRENÇA RELIGIOSA SEM GARANTIA

"Um grande número de pensadores tem argumentado que uma pessoa poder ter uma justificação pragmática para se apegar a uma crença, totalmente à parte de ser ela epistemologicamente  justificada ou conhecida pela pessoa que a sustenta. Seguindo a linha de Alvin Plantinga, vamos nos referir à justificação epistêmica como garantia, aquela propriedade que serve para transformar uma simples crença verdadeira em conhecimento. Os proponentes dos argumentos pragmáticos buscam mostrar que, às vezes, estamos dentro dos nossos direitos de ter crenças para as quais não temos garantia. Um argumento pragmático busca dar fundamento para que se tenha uma crença em particular por causa dos benefícios obtidos com base nela" (PAG 202)


Há dois tipos deste argumento:

1. argumento dependente da verdade: que uma crença  tem benefícios caso ela seja verdadeira.

2. argumento independente da verdade: uma crença tem benefícios caso ela se mostre verdadeira ou falsa.


Aposta de Pascal.

Eu creio:
Se Deus existe: ganho infinito menos perda finita.
Se Deus não existe perda finita.

Eu não creio:
Se Deus existe, perda infinita,
Se Deus não existe, ganho finito.


Teoria dreo princípio de decisão chamada de princípio da utilidade esperada: com objetivo de maximizar a utilidade ou o benefício de minhas escolhas, devo multiplicar cada um dos resultados mutuamente exclusivos pela probabilidade de cada um dos dois estados resultantes, somar os produtos e então optar pela que forneça a mais alta utilidade esperada.




GARANTIA SEM EVIDÊNCIA

Plantinga faz distinção entre objeções de facto  e objeções de jure

De facto:  se volta para a verdade da fé cristã, ela tenta mostrar que as afirmações da fé cristã são falsas.

de jure: tenta minar a fé cristã mesmo que o cristianismo seja de fato verdadeiro. Para Plantinga, há três versões: a crença cristã é injustificada, irracional e não-garantida.

"Desse modo, Plantinga lança-se em dois projetos, um público e um cristão: 1. mostrar que não há razão para pensar que a crença cristã é desprovida de justificação, racionalidade e garantia - independentemente de pressupor sua falsidade) e 2. fundamentando-se numa perspectiva cristã, fornecer um relato epistemológico de uma crença cristã verdadeira" (Pag 206)


"Para Plantinga, a justificação envolve obediência às exigências epistêmicas individuais ou a posse de uma sólida estrutura noética de crenças. A garantia, por sua vez, é a propriedade que converte simples crenças verdadeiras em conhecimento, quando é possuída num grau suficiente.  Plantinga considera que o teísta está não apenas dentro de seus direitos epistêmicos de acreditar em Deus sem prova conclusiva, mas que ele realmente sabe, à parte de qualquer evidência, que Deus existe"(...) Plantinga também fala do sensus divinitatis como uma disposição ou um conjunto de disposições para formar crenças teístas ou estímulos que disparam o funcionamento da percepção da realidade" (P. 207)

"Uma vez que a crença é assim formada por faculdades cognitivas funcionando de modo adequado, dentro de um ambiente apropriado, ela é garantida para nós. Além disso, à medida que nossas faculdades não são destruídas pelos efeitos noéticos do pecado, acreditaremos profunda e firmemente na proposição da existência divina, de modo  que possamos dizer, em virtude da grande garantia resultante de nossa crença, que sabemos que Deus existe"  (P. 209)

a questão sobre a garantia da crença é em sua base  não epistemológica, mas metafísica ou teológica. O que decorre desse pensamento é não existem objeções de jure fora da questão de facto se o teísmo é verdadeiro.

Como as crenças cristãs podem ser justificadas? Plantinga remete aí não apenas ao sensus divinitatis como também ao testemunho interior do Espírito Santo.

"O modelo estendido postula que nossa queda no pecado teve desastrosas consequências cognitivas e afetivas. O sensus divinitatis foi danificado e deformado, e sua expressão, silenciada (...) É aqui que o testemunho interior ou a inspiração do Espírito Santo entra em cena. Deus, em sua graça, precisava encontrar uma maneira de nos informar sobre o plano da salvação que ele disponibilizara e optou por fazer isso através 1. das Escrituras, inspirada por ele e que delineiam as grandes verdades do evangelho. 2 da presença e ação do Espirito Santo,que repara o dano cognitivo e afetivo causado pelo pecado, capacitando-nos desse modo a entender e acreditar nas grandes verdades do evangelho e 3. da fé, que é a principal obra do Espirito Santo produzida no coração dos crentes.(...) Como tal, as crenças formadas por esse processo satisfazem as condiçoes de garantia: 1. elas são produzidas  pelo cognitivo em funcionamento adequado, 2. o ambiente no qual nos encontramos, incluindo a contaminação cognitiva operada  pelo pecado, é o ambiente cognitivo para o qual este processo foi planejado, 3. o processo é planejado para produzir crenças verdadeiras, 4. as crenças produzidads por ele, a saber, as grandes verdades do evangelho, são de fato verdadeiras, de modo que o processo é bem sucedido em produzir crenças verdadeiras " PAG 210

Os autores mostram algumas críticas a Plantinga em sua conceituação do sensus divinitatis,  Plantinga advoga que Calvino a trate como uma faculdade cognitiva como os sentidos, nem mesmo uma consciência inata de Deus de Calvino é aceita pelos autores.

Outra crítica é que o testemunho do Espírito seria uma resposta ao pecado e à queda, se fosse assim Adão não desfrutou do Espírito?   Nesse mesmo ponto, outra crítica é fazer deste testemunho uma faculdade cognitiva.






terça-feira, abril 21, 2015

Moreland e Lane Craig: Teorias da Verdade e Pós Modernismo.


Teoria da correspondência da verdade 
a verdade é  uma questão de ma proposição que corresponde a uma realidade
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Visão bíblica da verdade.

A defesa de uma teoria específica  da verdade  não é o intento fundamental da Bíblia. Dois aspectos parecem fundamentais, fidelidade e conformidade com o fato.  As Escrituras pressupõem alguma forma da teoria da correspondência.


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Para Lane Craig, o relativismo ofende  a lei da identidade e a lei do terceiro excluído, ao não aceitar a verdade absoluta.

Ele também confunde condição de verdade com o critério para a verdade.  Sendo que a primeira é uma descrição do que constitui a verdade de uma afirmação. Entendido dessa maneira, uma condição de verdade é ontológica e está associada com aquilo que a própria verdade é.  Segundo, o critério para a verdade, consiste num teste epistemológico para se decidir ou justificar quais afirmações são verdadeiras ou falsas.


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A TEORIA DA CORRESPONDÊNCIA DA VERDADE

A verdade é obtida quando o portador da verdade se coloca numa adequada correlação de correspondência com o criador da verdade. 


portador da verdade, relação de correspondência e criador da verdade.

Portador da verdade: três tipos principais, para o tipo um, temos dois candidatos: sentenças e declarações. No tipo dois, dos estados mentais, temos os pensamentos e as crenças. No tipo três, as proposições tem sido chamadas de portadoras básicas da verdade.


Sentença: um tipo ou símbolo linguístico constituído por uma cadeia de marcas perceptíveis aos sentidos, formadas de acordo com um conjunto culturalmente arbitrário de regras sintáticas. 

Declaração: uma sequência de sons ou de movimentos corporais empregados por um orador para afirmar uma sentença em uma ocasião específica.

Para os autores, não são adequados como portadores da verdade.

O segundo tipo de possíveis portadores de verdade: pensamentos e crenças. Tem sido indentificados como adequados. Contudo, podem ser problemáticos pois representam eventos mentais que podem ser considerados tanto falsos como verdadeiros. 

Proposição: os filósofos aceitam sua existência não  estão de acordo sobre como responder a  pergunta sobre o que elas são, mas há algumas características: 1. não está localizada no espaço e no tempo. 2, não é idêntica às  entidades linguisticas que possam ser usadas para expressá-la, 3. não é perceptível pelos sentidos, 4. é de tal sorte que a mesma proposição pode estar em mais de uma mente ao mesmo tempo, 5. não é necessário que ela seja entendida por qualquer pessoa para que exista e seja o que é, 6. da própria pode ser um objeto de pensamento quando, por exemplo, está se pensando sobre o conteúdo do próprio processo de pensamento, 7. não é entidade física em nenhum sentido.  (PAG 174)

O que faz um criador de verdade, são os fatos ou conjuntos de relações.  As proposições possuem intencionalidade, em relação a um objeto.  A intencionalidade de uma proposição é uma afinidade natural, ou intrínseca direcionalidade  em relação ao seu objeto intencional. Assim, os criadores de verdade produzem portadores de verdade verdadeiros, não no sentido de que os primeiros estabeleceram uma eficiente relação causal com os últimos, causando assim a sua verdade. Em vez disso, o portador de verdade, a proposição, distingue um específico conjunto de relações devido à intencionalidade intrínseca da proposição, e esse conjunto específico produz a proposição verdadeira que no caso de ele verdadeiramente ser representado pela proposição do modo que ele exatamente é.

A relação de correspondência não é uma propriedade monadária de uma proposição, ela é uma relação entre dois pontos, uma proposição e o conjunto de relações, que é o seu objeto intencional. 

Argumento fenomenológico (Husserl)

O argumento fenomenológico se concentra numa descrição e numa apresentação cuidadosa de casos específicos ara ver o que pode ser apreendido sobre a verdade a partir deles. 

Argumento dialético 

Assevera que os que desenvolvem teorias da verdade alternativa, ou que simplesmente rejeitam a teoria da correspondência, de fato a pressupõem em suas próprias asserções, especialmente quando eles apresentam argumentos para as suas visões ou os defendem contra seus detratores. 


Objeções a teoria da correspondência.

1- não é clara e aceita sobre as três entidades que a constituem.

2- tem-se argumentado que ao fazer a distinção entre a verdade e a evidência que alguém considera como uma verdade, ou seja, afirmando que a verdade transcende e não é identica à evidência, a oteria da correspondência nos deixa vulneráveis ao ceticismo porque se a teoria estiver correta, alguém poderia ter touadas as evidências do mundo para uma crença e a crença ainda assim poderia ser falsa.  Duas respostas podem ser ditas, a primeira é o fato prova que o resultado é falso e não a teoria, e a própria questão estabelece que a evidência não é a mesma coisa que a verdade.

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Teoria da Verdade Coerentista

"De acordo com a  teoria da coerência, uma crença é verdadeira se, e somente se, ela coerir bem com todo o conjunto de crenças de uma pessoa, assumindo que o conjunto é em si mesmo fortemente coerente. Desse modo, a verdade ou a  falsidade de uma crença não é uma questão de casamento com o mundo real e externo. Em vez disso, ela é uma função do relacionamento da crença com outras crenças dentro da teia de crenças de uma pessoa. Os defensores são Espinosa, Hegel e Blanshard.

Há a diferença entre a teoria da verdade coerentista e a teoria de justificação coerentista. A última oferece a coerência como um teste para a verdade e é consistente com a teoria da correspondência da verdade. 

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Teoria Pragmática da Verdade

Desenvolvida por Dewey, William James, defendida agora por Putnan e Rorty

a teoria pragmática implica que uma crença P é verdadeira se, e somente se, P funcione ou seja útil possuí-la. 

Os pragmatistas diferem sobre como interpretar funcionar e ser útil, existe uma distinção entre versões de pragmatismo não-epistêmicas e epistêmica.

Pragmatismo não-epistêmico: uma crença é verdadeira no caso de se aceitar que ela é útil, em que útil é traduzido em termos que não fazem referência a valores epistêmicos,

Pragmatismo epistêmico: quando o funcionar e ser são descritos em temos epistêmicos. 

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PÓS-MODERNISMO

A realidade é uma construção social, a linguagem cria a realidade e aquilo que é real para um grupo linguistico e irrela para outro. 

Há uma negação do realismo metafísico: 1. a existência de uma realidade independente da teoria e da linguagem, 2. a noção que existe uma maneira própria do ser do mundo e 3. a noção de que as leis básicas da lógica se aplicam à realidade.

Com isto, há uma rejeição da teoria da correspondência da verdade, pela rejeição do pensamento dicotômico, que divide uma variedade de fenômenos em dois grupos: verdadeiro/falso por exemplo.

"Os pós-modernistas rejeitam a ideia de que existam padrões universais  e transculturais como as leis da lógica  ou os princípios de inferência indutivos para a determinação da verdade ou falsidade de uma crença, de sua racionalidade ou de sua correção. Não existe racionalidade predefinida. Os pós modernistas reijeitam também a ideia de que a racionalidade é objetiva, pois ninguém aborda a vida de maneira totalmente objetiva, sem qualquer viés" PAG 187

Há uma rejeição do fundacionalismo: "Esse desejo que dá impeto intelectual ao fundacionalismo. Esse desejo chamado de ansiedade cartesiana, é a raiz das teorias fundacionalistas de justificação epistêmica. Mas não existe tal certeza, e sua busca é impossível. Além disso, a busca é mal orientada porque as pessoas não precisam de certeza para viver bem. Ás vezes, os cristãos pós-modernistas apóiam tal afirmação, asseverando que a busca pela certeza está em desacordo com o ensinamento bíblico sobre a fé, pecaminosidade de nossa faculdade intelectual e sensorial e a impossibilidade de compreender-se um Deus infinito" pag 188

Os pós-modernistas sustentam uma forma de nominalismo, em vez de usar termos como vermelhidão para representar universais reais, eles consideram que tais temos são simplesmente nomes para grupos de coisas. Também há uma rejeição do essencialismo, o que é essencial não é um reflexo da realidade,mas de uma construção relativa às práticas linguísticas de um grupo.

Teoria da percepção crítica realista:

De acordo com o realismo crítico, quando um sujeito está olhando para um objeto vermelho, o próprio objeto é o objeto direto do estado sensorial.  

Propriedade auto-apresentada
se uma propriedade F é auto-apresentada, então é por meio de F que um pertinente objeto externo é apresentado diretamente a pessoa, e F também se apresenta diretamente à pessoa. Desse modo, F apresenta seu objeto mediatamente, embora diretamente, e a si mesmo diretamente.


a teoria idealista da percepção.

Descartes, por outro lado, as ideias de uma pessoa, no caso, as sensações, se colocam entre o sujeito e o objeto da percepção. Na  teoria idealista, um sujeito perceptivo está preso atrás de suas próprias sensações. não pode sair delas para o mundo externo com objetivo de comparar suas sensações aos outros. 

No pós modernismo, o eu é uma construção da linguagem,não existe um ego unificado e substancial. O eu é um conjunto de regras sociais, a consciência e o eu são sociais e não individuais.


Há também a rejeição do USO REFERENCIAL DA LINGUAGEM

Não há uma referência a qualquer entidade independente, as unidades linguísticas dotupo palavras realmente se referem a outras palavras, ou, mais precisamente, ganham seu uso numa comunidade devido ao seu relacionamento com as outras palavras.

E, finalmente, não existem METANARRATIVAS. apenas existem narrativas locais.


Objeções ao Pós-modernismo.


A primeira tem a ver com a rejeição pós-moderna da racionalidade objetiva com base em que ninguém a alcança devido a todas as pessoas serem tendeciosas de uma maneira ou outra. A falta de objetividade psicológica não implica a falta de objetividade racional.

A segunda fala que o pós-modernista refuta a si mesmo, se eles se baseiam na linguagem e na dicotomia com o modernismo, seria uma auto-refutação. 


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segunda-feira, abril 20, 2015

Lane Craig e Moreland: Estrutura da Justificação (Coerentismo)

Já vimos como os autores tratam a questão do fundacionalismo, agora vamos ver como eles apresentam o COERENTISMO. 

Entre os coerentistas se destacam F H Bradley, Brand Blanshard,  Keith Lehrer e Nicholas Rescher. 

a essência do coerentismo é de que não existem assimetrias entre crenças básicas e crenças não-básicas. Todas as crenças estão no mesmo patamar umas em relação às outras, e a fonte principal da justificação é o fato de que crença coere adequadamente com outras crenças na estrutura noética de uma pessoa.

Existem outros dois tipos de coerentismo que são associados com as teorias da justificação da coerência:

Teoria de coerência da crença ou significado: afirmam de uma maneira ou de outra, o conteúdo de uma crença, a coisa que faz da crença o que ela é, é o papel que a crença desempenha em um completo de sistema de crenças.

Teoria da coerência da verdade: a noção de que uma proposição é verdadeira se, e somente se, ela fizer parte de um conjunto coerente de proposições. (em oposição a esta, existe a  Teoria da correspondência da verdade: a noção de que a verdade de uma proposição é uma função da sua correspondência com o mundo externo). 

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Coerentismo e a pressuposição doxástica.

A pressuposição doxástica refere-se à visão de que o único fator que justifica uma crença para uma pessoa são as outras crenças que ela possui.  As experiências sensoriais em si não desempenham papel na fundamentação das crenças,  mesmo nas crenças perceptivas, e, de maneira geral, uma crença não recebe qualquer justificação com base em seu relacionamento com a experiência.  Os fatores externalistas também

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Para o coerentista não há uma crença básica ou privilegiada que sirva como fundação para a justificação de outras crenças, mas que não precisam de justificação de outras crenças.

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A Natureza da Própria Coerência

a justificação de uma crença é dada pela maneira como ela coere com outras crenças na estrutura noética de alguém.

"Os coerentistas se dividem quanto às suas visões da questão do que é exatamente a coerência. Desse modo, são semelhantes  aos fundacionalistas que têm se dividido quanto à melhor descrição da justificação nos relacionamentos entre as crenças básicas e não básicas. Quase todos os coerentistas concordam que a coerência deve, ao menos, significar consistência lógica, ou seja, um conjunto de crenças  não pode conter explícita "(PAG 159)

coerência de acarretamento: um conjunto de crenças somente é coerente se cada membro do conjunto for acarretado por todos os outros membros do conjunto.

coerência explanatória: cada membro de um conjunto de crenças ajuda a explicar e é explicado pelos outros membros do conjunto.

coerência da probabilidade: um conjunto de crenças é coerente somente se ele não incluir a crença em P caso a crença em P seja improvável.

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Coerentismo positivo e negativo

De acordo com o primeiro, se uma crença coere com um conjunto de crenças, então isso dá justificação positiva à crença. Aqui, as razões positivas são exigidas antes que uma crença possa ser justificada, e a coerência fornece a justificação.

O coerentismo negativo, se uma crença deixa de coerir com um conjunto de crenças, então a crença é injustificada. Aqui, as crenças são inocentes até que se provem culpadas, ou seja, elas são justificadas até um certo grau a não ser que fracassem no teste da coerência.
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Coerentismo forte e fraco: 
As teorias da coerência fraca implicam que a coerência nada mais é do que uma determinante da justificação e, assim, o coerentismo fraco é compatível com as versões do fundacionalismo que permitem à coerência desempenhar um papel na justificação. A coerência forte estabelece que a coerência é a única determinante na justificação.

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Coerentismo linear e holístico:
Linear, as crenças são justificadas por outras crenças individuais numa cadeia linear e circular. O  holístico afirma que com objetivo de uma pessoa S ser justificada por acreditar em P, P deve deve estar numa relação de coerência com o conjunto de tudo aquilo que a pessoa S acredita.  É o padrão completo de interligação e coerência mútua que fornece a justificação.

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OBJEÇÕES AO COERENTISMO

1- Existe uma objeção que se concentra na circularidade viciosa e na implausibilidade das visões da coerência sobre a transferência de justificação de uma crença para outra.


2- O problema do isolamento: as teorias de coerência extipariam a justificação do mundo exterior e da maneira como o mundo realmente é. A justificação é simplesmente uma função das relações internas entre crenças dentro da estrutura noética de uma pessoa.

Em resposta, eles dizem que alguns abandonaram a teoria da correspondência da verdade e adicionaram uma teoria da coerência da verdade a uma teoria da coerência da justificação.

Outra resposta é que é incoerente a noção de um mundo teoricamente independente ou de algo que tem sido chamado "a forma de ser do mundo", obtida com base na perspectiva dos olhos de Deus, para os autores, o problema com essa reposta é que ela não deixa espaço para que o mundo exterior- por exemplo, nossa consciência direta sobre ele- desempenhe um papel racional em justificar as nossas crenças, e é esse papel que é de relevância para a epistemologia.

3. Objeção de Pluralidade: seria possível haver dois ou mais conjuntos igualmente coerentes de crenças que poderiam, todavia, ser logicamente incompatíveis um com o outro.





domingo, abril 19, 2015

William Lane Craig/ JP Moreland: A Estrutura de Justificação

No quinto capítulo de Filosofia e Cosmovisão Cristã, os autores vão falar sobre a estrutura da justificação

Algumas notas de leitura:

estrutura nóetica representa todo o conjunto de proposições nas quais uma pessoa pessoa S acredita, juntamente com várias relações epistemológicas  que estão em uso entre as próprias crenças.

O fundacionalismo e o coerentismo são teorias normativas sobre como uma estrutura noética deve ser constituída de modo que as crenças daquela estrutura sejam justificadas para a pessoa que possui tal estrutura. 

Para o fundacionalista, as cadeias epistêmicas de justificação param diante de crenças que não são justificadas com base em outras crenças. Para o coerentista, uma crença só pode ser justificada por outras crenças, especificamente o fato de que a crença em questão mantém coerência com as outras crenças da maneira certa.
lembrando que as sensações não são proposicionais, mas as crenças sim.

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FUNDACIONALISMO

Roderick Chisholm, Robert Audi e Alvin Plantinga.

"o fundacionalista nota uma divisão básica entre as crenças que aceitamos justificadas na evidência de outras crenças em oposição às que aceitamos justificadamente num modo básico, ou seja, completamente sem o apoio de outras crenças" (PAG 145)

Para eles, todas as crenças são básicas ou não-básicas, as primeiras são imediatamente justificadas, enquanto que as não-básicas são mediatamente justificadas de alguma maneira pelo relacionamento mantido com crenças básicas.

1o. Existem crenças que são chamadas de crenças apropriadamente básicas

2o. Somente as crenças sensoriais ou aquelas sobre as verdades da razão devem ser permitidas entre as fundações.

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Diferenças quanto ao que pertence às fundações:

O antigo, abraçado por Aristóteles e Tomás de Aquino é a visão de que certas crenças sensoriais são evidentes aos sentidos e devem ser consideradas fundacionais, crenças que são sobre objetos que existem em um mundo externo fora da consciência do sujeito que a vê.

O clássico moderno, de Descartes a Chisholm, sustenta que as crenças que não são sobre objetos exteriores, mas sobre propriedades auto-apresentadas, i.e., atributos psicológicos, como estados sensoriais ou estados de pensamento, ou modos de consciência internos ao próprio sujeito que experimenta.


Outra diferença é em relação à força da justificação:

O fundacionalismo forte é a visão na qual as crenças fundamentais são infalíveis, certas. 

Os fundacionalistas fracos negam que as crenças fundacionais devam ter uma condição epistêmico tão forte. Pra eles, as crenças fundacionais devem ser simplesmente justificadas prima facie, quando não encontra uma boa razão para não agir assim.

Diferença quanto às condições necessárias para uma crença básica ser considerada como apropriadamente básica.

internalismo:  afirma que as condições apropriadamente básicas são internas ao conhecedor.

Outros fundacionalistas defendem o externalismo, segundo o qual os fatores que fundamentam a justificação de uma crença apropriadamente básica não são aqueles aos quais o sujeito tenha acesso interno; talvez seja causada ou produzida de determinado modo.


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Relacionamento entre as crenças básicas e não-básicas.

Relacionamento basal.

Relação irreflexiva, se a própria coisa não pode manter essa relação consigo mesmo,i.e., "maior que" é irreflexivo, uma vez que nada é maior que si mesmo.

Relação assimétrica quando dada duas coisas A e B, se A mantém determinada relação com B, então B não mantém a mesma relação com A.
Por exemplo, "maior que" é assimétrico. Já, "do mesmo tamanho que" é simétrico.


Uma questão é levantada quanto a força do relacionamento basal, historicamente, alguns afirmam que a relação entre uma crença básica e uma não básica é a da certeza dedutiva- as crenças básicas acarretam a verdade das crenças não-básicas.  Hoje,se fala mais num relacionamento indutivo, já que a verdade da crença básica pode não levar a verdade da crença não-básica.

Os fundacionalistas permitem que a existência da noção de coerência desempenhe um papel na justificação. Primeiro, se o conjunto de crenças de uma pessoa é incoerente, digamos que ele possua uma contradição lógica-então isso pesa negativamente para aquele conjunto de crenças. Segundo, "cada membro de um conjunto de crenças pode conferir certa base a uma crença não-básica, mas se no conjunto todo de crenças básicas ela coerirem adequadamente umas com as outras, isso aumenta o apoio positivo de que essas crenças dão à crença não-básica." (pag. 149)

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Argumentos a favor do Fundacionalismo.


"O coerentismo não dá espaço para que a própria experiência contribua para a justificação de nossas crenças ( uma vez que os coerentistas afirmam que as crenças e apenas as crenças conferem justificação), e ele não consegue opinar sobre o pepel especial que as crenças perceptivas ( a crença de alguém ouve um farfalhar) ou as experiências sensoriais desempenham na justificação" (PAG 150)


Os coerentistas afirmam que qualquer coisa que seja tomada para justificar imediatamente uma crença só pode fazê-lo se uma pessoa tiver um argumento que justifique a idéia de que o alegado fator imediato é capaz de funcionar como um justificador imediato. Os fundacionalistas respondem que não há razão suficiente para pensar a justificação de metanível seja exigência para justificar aquilo que parece ser o justificador imediato de uma crença. Uma experiência sensorial ou uma crença perceptiva podem justificar uma crença não-básica sem a construção do argumento para o fato.


Alguns coerentistas afirmam que naquilo que se refere à psicologia, as experiências sensoriais são possíveis sem que haja crenças.  A prioridade psicológica da experiência sensorial das crenças perceptivas é ad hoc numa teoria da justificação coerentista, argumentam os fundacionalistas, mas se encaixa naturalmente numa visão fundacionalista. 


Verdades da razão
certos tipos de conhecimento a priori, especificamente nosso conhecimento de verdades de razão auto-evidentes, se encaixam  melhor no fundacionalismo do que no coerentismo. 



Argumento da regressão
a ideia fundacionalista de uma crença básica perceptiva ou de uma experiência sensorial é um tipo de motor não-movido, ela confere justificação a outras crenças sem necessitar que lhe seja conferida justificação por alguma outra coisa mais.

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aRGUMENTOS cONTRA o  fUNDACIONALISMO.

A principal objeção ao fundacionalismo clássico é a afirmação de que simplesmente não existem crenças incorrígiveis. Os fundacionalistas  respondem de duas formas: Alguns aceitam a crítica e adotam o fundacionalismo fraco, que considera as crenças básicas justificáveis prima facie, e não incorrigíveis. Já, há outros que reafirmam a existência de crenças incorrígiveis.



Toda a percepção é teoricamente subordinada.
Esse argumento se baseia na noção que não existe ver sem ver como ou ver que, portanto, não existem experiências sensoriais básicas, dado não interpretados, nada meramente dado à consciência.


sábado, abril 18, 2015

Plantinga, função apropriada e naturalismo metafísico por Lane Craig e Moreland

Continuando o resumo de Filosofia e Cosmovisão Cristã, vou colocar alguns pontos do texpto sobre Plantiga, função apropriada e o naturalismo metafísico.


Naturalismo Evolucionário e nossa capacidade noética.

"De acordo com Plantinga, o conhecimento é crença verdadeira garantida, e uma crença tem garantia para algumas pessoas apenas no caso de a crença (apenas em caso significa se e somente se) ter sido formada por faculdades cognitivas que estão funcionando apropriadamente e estão em conformidade com um bom planejamento, num ambiente cognitivo apropriado para a maneira como as faculdades foram planejadas,e, quando o planejamento de nossas faculdades objetiva a obtenção da verdade (....)  Como a função apropriada é normativa, não pode ser entendida como mera descrição da maneira estatistica usual.

"se o conhecimento pressupõe uma crença garantida, e se garantia das crenças pressupõem que essas crenças foram produzidas por faculdades que funcionem apropriadamente ,e se a noção de faculdades que funcionem apropriadamente  pressupõe a noção de que foi planejada para funcionar de uma certa maneira, logo, o planejamento pressupõe um planejador" (pag 136)


Os Naturalistas nos devem uma explicação do que significaria para os seres humanos ter faculdades cognitivas e sensoriais que funcionem apropriadamente, e que evitasse a idéia de um planejador, segundo Plantinga, essas explicações não foram bem sucedidas. Todos eles, de uma forma ou de outra, definem funcionamento apropriado em termos do funcionamento que é estastisticamente normal, usual ou de uma maneira que intensifique o valor de sobrevivência dos organismos que possuem o orgão ou faculdade em questão. Contudo, não nos dão uma noção normativa das faculdades que funcionam apropriadamente, e,de qualquer modo, o indivíduo pode definir funcionamento apropriado em termos da teoria da evolução e do valor de sobrevivência, pois, se mesmo se a evolução fosse verdadeira, essa é uma verdade contingente ( a evolução poderia ser falsa, na verdade, é mais provável que seja falsa) e não poderia haver faculdades que funcionassem apropriadamente mesmo se a evolução tivesse sido falsa. Portanto, a verdade da evolução não pode ser requerida para o dar o sentido das faculdades que funcionam apropriadamente. Qualquer que seja a explicação que apresentarmos para as faculdades que funcionam apropriadamente, ela deveria se aplicar a mundos possíveis em que a evolução seja verdadeira e a mundos que seja falsa. A definição que capta a essência real de algo, no caso as faculdades que funcionam apropriadamente, não pode aplicar-se acidentalmente à coisa definida, dependende de algum outro fator -evolução- é verdadeiro ou não.,

A questão é a seguinte se o conhecimento existe e se as faculdades que funcionam apropriadamente são condições necessárias para o conhecimento, logo, se a noção de funcionamento apropriado requer a existência de um planejador dessas faculdades e não pode ser adequadamente compreendido em termos estritamente naturalísticos, podemos concluir que o naturalismo metafísico é falso.

Plantinga mostra que o naturalismo evolucionário é falso. De acordo com a teoria naturalista evolucionária, os seres humanos, suas partes e faculdades cognitivas  surgiram por meio de processo cego, que a selecionou em virtude de seu valor de sobrevivência e de suas vantagens reprodutivas. Se as nossas faculdades cognitivas surgiram assim, logo o propósito último delas é garantir que nos comportemos de certa maneira, isto é, que nos movimentemos apropriadamente para conseguir alimentação, evitar o perigo, lutar e reproduzir de forma que as possibilidades de sobrevivência sejam intensificadas. 

"a probabilidade de nossa faculdades serem confiáveis, dada a verdade do naturalismo evolucionário e a existência das faculdades que possuímos, é ou 1. realmente muito baixa ou 2. algo  sobre o que devemos nos manter agnósticos. Por que Plantinga pensa assim? A evolução é provavelmente um comportamento seletivo de adaptação, mas não podemos dizer o mesmo em relação às faculdades que produzem crenças verdadeiras, pois, dado o naturalismo evolucionário, pelos menos cinco cenários distintos  em relação a nossas crenças e as nossas faculdades noéticas são possíveis e não podem ser descartados.

1o. os processos evolucionários poderiam produzir crenças que não tivessem relações causais quaisquer com o comportamento, e, portanto, sem propósito nessa função. As crenças não causariam nem seriam causadas por comportamentos, seriam, portanto, invisíveis à evolução.

2o. a evolução poderia produzir crenças que fossem efeitos do comportamento e não causas dele. Nesse caso, as crenças seriam como uma decoração e não fariam parte da cadeia causal que levasse à ação. O despertar das crenças seria muito parecido com os que os sonhos.

3o. a evolução poderia produzir crenças com eficácia causal - elas são causadas por comportamentos e, por sua vez,  causam comportamentos, mas não em virtude do que elas essencialmente são como crenças, isto é, não em virtude de seu conteúdo semântico ou mental, mas em virtude das características ou sintaxe físicas associadas a elas - ou à parte delas. 

4o. a evolução poderia produzir crenças casualmente eficazes, sintática e semanticamente - em virtude de seu conteúdo- mas tais crenças e sistemas de crenças poderiam, no mínimo de duas maneiras, ser mal-adaptadas - em geral, aspectos mal adaptados como um albino, que pode ser estabelecido em uma espécie e passado à descendência, de forma similar, a presença de um certo sistema de crença ou a propensão para formar crenças, pode ser mal adaptado e ainda se fixar e passar à descendência-. Primeiro, as crenças podem ser distrações que levam uma criatura ocupada com comportamentos focados na sobrevivência a gastar energia de uma forma menos eficiente do qu as conexões causais, que produzem o comportamento, ignorassem emnte a crença. 

5o. a evolução poderia produzir crenças casualmente eficazes em virtude de seu conteúdo e do fato de serem adaptativas. Neste caso, podemos perguntar, qual a probabilidade de que as faculdades noéticas, que produzem tais crenças fossem guias confiáveis para se obter crenças seguras? 

o naturalismo evolucionário serve como um invalidador destrutivo, que retira os fundamentos na confiabilidade de nossa capacidade noética.

quinta-feira, abril 16, 2015

DEUS NÃO ESTÁ MORTO: Os argumentos usados nos debates no filme.

Deus não está morto: os argumentos do filme

No  site de apologética bem conservador Answering Genesis, há um artigo  God’s Not Dead Revisited de Roger Patterson que é  bem crítico ao filme pois, segundo ele, utiliza elementos não bíblicos e cristãos como defesa apologética.

Nesse mesmo artigo, há uma transcrição dos debates entre o aluno Josh Wheaton e o professor Radisson, 



PRIMEIRO DEBATE: O BIG BANG

Josh Wheaton : Os ateus dizem que ninguém pode provar a existência de Deus, e eles estão certos. Mas eu digo que ninguém pode negar que Deus existe. Mas a única maneira de debater esta questão é olhar para a evidência disponível, e é isso que vamos fazer. Nós vamos colocar Deus em julgamento; com o professor Radisson como o Ministério Público, me como o advogado de defesa, e você como o júri.


A maioria dos cosmologistas agora concordam que o universo começou há 13,7 bilhões de anos em um evento conhecido como o big bang [imagem de vídeo que ilustra o big bang em segundo plano]. Então, vamos olhar para o físico teórico e descrição do ganhador do Prêmio Nobel Steven Weinberg do que o Big Bang teria parecido. E já que ele é um ateu, podemos ter certeza de que não há qualquer preconceito crente em sua descrição.


"No início, houve uma explosão, e em três minutos, 98% da matéria há nem nunca será produzido. Tivemos um universo. " [On-screen animação do big bang]



Por 2.500 anos a maioria dos cientistas concorda com Aristóteles sobre a idéia de um estado estacionário universo que o universo sempre existiu, sem começo e sem fim. Mas a Bíblia discordou. Nos anos 1920, o astrônomo belga Georges Lemaitre, um teísta, que era, na verdade, também. . .



Aluna 1 : O que é, o que é um teísta?


JW : A teísta é alguém que acredita na existência de Deus. Ele disse que o universo inteiro, pulando em existência em um trilionésimo de um trilionésimo de segundo, do nada em um flash inimaginavelmente intenso de luz, é como ele seria de esperar o universo de responder se Deus realmente proferir o comando em Gênesis 1: 3 : "Haja luz". Em outras palavras, a origem do universo se desenrolou exatamente como seria de esperar depois de ler Genesis, e para 2.500 anos, a Bíblia tinha razão e da ciência tinha errado.

Você vê, no mundo real nunca vemos as coisas de saltar para a existência do nada, mas ateus fará uma pequena excepção a esta regra; principalmente o universo e tudo que nele há.


Aluna 2 : Mas, em seu livro, The God Delusion , Richard Dawkins diz que se você me dizer que Deus criou o universo, então eu tenho o direito de pedir-lhe que criou Deus.



JW : pergunta de Dawkins só faz sentido em termos de um deus que foi criado. Não faz sentido em termos de um Deus eterno, que é o tipo de cristãos acreditam em Deus. E mesmo deixando Deus de fora da equação, então eu tenho o direito de virar Mr. Dawkins própria pergunta de volta ao redor dele e perguntar , se o universo criou você, então quem criou o universo? Você vê, tanto o teísta e o ateu estão sobrecarregados com tanto responder a mesma pergunta de como é que as coisas começam. O que eu estou esperando que você vai pegar a partir de tudo isso é que você não tem a cometer suicídio intelectual para acreditar em um Criador por trás da criação. E na medida em que você não permitir que para Deus, você seria muito difícil encontrar qualquer explicação alternativa credível para como as coisas vieram a ser.


Professor Radisson : Bem, eu imagino que você está muito satisfeito consigo mesmo. Vejo que você cuidadosamente evitado o fato de que Steven Hawking, o cientista mais famoso do mundo e que não é um teísta, saiu recentemente em favor de um universo auto-concepção.



JW : Eu não ter evitado isso, eu só não o fiz. . . .



PR : Você simplesmente não sabe sobre ele. Bem, vamos ver o que o professor Hawking, professor Lucasiano de Física na Universidade de Cambridge, que ocupa uma cadeira de ensino, uma vez ocupada por Sir Isaac Newton, tem a dizer sobre a origem do universo. E passo a citar, "Porque há uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a si mesmo do nada espontaneamente. A criação espontânea é a razão pela qual existe algo em vez de nada; por que o universo existe;por que nós existimos. Não é necessário invocar Deus para definir o universo em movimento, "acabar com cotação. Então você pode nunca ter se deparar com seu comentário, mas o seu ponto permanece. Como você responde a isso?



JW : Eu não sei.



PR : Você não sabe? Eu estourei o balão de todo o seu argumento com uma única agulha e você não sabe. Hein?


JW : Bem, quero dizer, eu gostaria de dizer a você que eu tenho a resposta perfeita, mas isso não abala a minha fé subjacente.


PR : OK. Assim, a maior mente científica de toda a história diz que Deus não é necessário, mas primeiro semestre calouro diz: "Oh, sim, ele é." Uau, você sabe, que vai ser uma escolha muito difícil. Bem, eu olho para a frente a palestra da próxima semana. Classe está dispensada.


Josh Wheaton começa utilizando um argumento que muitos cristãos achariam controverso, que é uma comparação entre a teoria do big bang e o livro de Gênesis. Para alguns teólogos defensores da criação nova, a explicação do filme soa ofensiva ao texto bíblico.



Há três correntes para explicar a criação do mundo que seriam teístas:


A teoria da criação recente, que a maior parte professa, diz que o mundo foi criado recentemente, há "apenas" milhares de anos. A segunda, defende uma criação antiga com bilhões, mas sem o elemento evolutivo, mas sim progressivo da criação. A terceira tenta misturar as idéias de uma criação com o potencial evolutivo, tenta juntar darwinismo com teísmo.



O argumento utilizado parece muito com o  Argumento Cosmológico de Leibniz, chamado também de Princípio da Razão Suficiente:



  1. - Tudo que existe tem uma explicação para existir, seja por necessidade de sua própria natureza ou seja por uma causa externa
  2. -Se o universo tem uma explicação para existir essa explicação é Deus
  3. - O universo existe
  4. - O universo tem uma explicação para existir.
  5. -A explicação do universo existir é Deus.

O professor Raddison responde ao argumento ontológico, com a resposta ao segundo argumento de que o universo deve existir necessariamente, por uma necessidade de sua própria natureza. 

William Lanne Craig responde que o universo não existe por uma necessidade de sua própria natureza:


Minha tese de que o universo não existe necessariamente fica ainda mais óbvia quando pensamos que parece ser inteiramente possível que os elementos fundamentais que constituem a natureza poderiam ter sido substâncias inteiramente diferentes as partículas subatômicas que hoje temos. Tal universo se caracterizaria por leis da natureza diferentes. Ainda que tomemos nossas leis da natureza como algo logicamente necessário, ainda assim é possível que existissem diferentes leis por causa das substancias dotadas de propriedades e capacidades diferentes das nossas partículas subatômicas poderiam ter existido. Nesse caso estaríamos claramente lidando com outro tipo inteiramente diferente de universo. (Em Guarda, p. 70)
De acordo com a premissa 1, há dois tipos de entes: entes necessários, que existem em razão de sua própria natureza e , portanto, não devem sua existência a nenhuma causa externa, e entes contingentes, cuja existência se deve a fatores externos causais a si mesmos.  

Números, conjuntos e outros objetos matemáticos seriam exemplos do primeiro. Objetos físicos como planetas, estrelas do segundo.

Na cosmovisão ateísta, o universo simplesmente existe como coisa bruta e contingente. 

Contudo, o universo abrange a realidade inteira. Sendo que a causa do universo deve ser anterior a existência do próprio universo, Devendo transcender o espaço e o tempo e, portanto, não pode ser física e nem material.  Contudo, há somente duas espécies de coisas que poderiam se encaixar em tal descrição: um objeto abstrato - um número, por exemplo- ou uma mente - uma alma-.   

Um número não poderia ser a causa de coisa alguma, então, se há uma explicação para o universo, esta deve ser uma Mente transcendente, incorpórea, criadora do universo, o que as pessoas costumam chamar de Deus.

Para escapar deste argumento, o ateu deve requerer que a explicação para o universo não se encontre num plano externo, mas si na necessidade da própria natureza. 

"Nenhum ateu, creio eu, ousará sugerir que alguns quarks, embora pareçam ser simples quarks, têm uma propriedade especial oculta que os torna necessários, de tal modo que onde quer que haja um universo, dele façam parte. É tudo ou nada aqui. Contudo, ninguém acredita que os quarks existam devido a uma necessidade própria da sua natureza. Portanto, a existência do universo não se deve também a uma necessidade da sua própria natureza" (CRAIG, Apologética Contemporânea, p. 105)

Para Craig, o argumento de Leibniz é reforçado pelo Argumento Kalam:

1. Tudo o começa a existir tem uma causa.
2. O universo começou a existir 
3. Portanto, o universo tem uma causa.



SEGUNDO DEBATE: A EVOLUÇÃO BIOLÓGICA


Aqui está uma transcrição do segundo debate discutindo biológica evolução para você examinar:

JW : [Stephen Hawking] também escreveu um livro chamado The Grand Design , que diz o seguinte: ". Porque existe uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a si mesmo do nada" Para ser honesto, eu não sabia como para refutar isso. Quero dizer, afinal de contas, Hawking é claramente um gênio. Mas, Professor John Lennox, que ensina matemática e filosofia, tem demonstrado que não há um, até mesmo dois, mas três erros de lógica contida no que uma frase simples, e tudo se resume ao raciocínio circular. Hawking está basicamente dizendo que o universo existe porque o universo necessário para existir, e porque o universo necessário para existir, por isso, criou-se. É como esta, se eu digo a você que eu posso provar que o lixo é a melhor comida de degustação que jamais existiu, porque em toda a história, sem comida já provei melhor, você provavelmente me olhe estranho e dizer que eu não tenho provado nada, e você estaria certo.Tudo o que eu tenho feito é reafirmar o meu pedido inicial. Mas quando Hawking afirma que o universo criado em si porque precisava criar a si mesmo e, em seguida, oferece isso como uma explicação de como e por que ele foi criado, nós não reconhecer imediatamente que ele está fazendo a mesma coisa, mas ele é, o que levou Lennox a mais comentários, "Frase sem sentido permanece absurdo mesmo quando falada por cientistas famosos, apesar de o público em geral assume que eles são declarações de ciência."





PR : Este é o cúmulo da arrogância. Você está me dizendo que você, um calouro, estão dizendo que Stephen Hawking é errado?




JW : Não, o que eu estou dizendo é que o raciocínio de John Lennox, um professor de matemática e filosofia, tem encontrado Professor Hawking para ser defeituoso, e eu concordo com a sua lógica. Mas, mas, se você não pode suportar a discordar com o pensamento de Hawking, então eu sugiro que você volte para a página cinco de seu livro, onde ele insiste filosofia está morto. E se você tem tanta certeza da infalibilidade do Professor Hawking, e filosofia está realmente morto, então, uh, bem, não há realmente nenhuma necessidade para esta classe.




[Risos da classe; seguido por uma pausa na cena do debate para uma sessão de aconselhamento entre o pastor e namorada do professor Christian Radisson.]




JW : Senhoras e senhores do júri, durante os últimos 150 anos, os darwinistas têm vindo a dizer que Deus é desnecessário para explicar a existência do homem e que a evolução substitui Deus, mas a evolução só diz o que acontece quando você tem a vida. Então, onde fez que algo que está vivo vem? Bem, Darwin nunca abordou a questão.Ele assumiu talvez algum raio atingiu uma poça estagnada completo do tipo certo de produtos químicos-Bingo-a algo vivo. Mas, uh, é só não é tão simples. Você vê, Darwin afirmou que a ascendência de todos os seres vivos que vieram de um único organismo simples que reproduziu e foi lentamente modificada ao longo do tempo para as formas de vida complexas que vemos hoje, é por isso que depois de contemplar sua própria teoria de Darwin pronunciou sua famosa declaração, "Natura non facit saltum", ou seja, "a natureza não dá saltos." Bem, como se referiu, autor Lee Strobel salientou que, se você pode imaginar todo o 3800000000 anos que os cientistas dizem que a vida tem sido em torno de um dia de 24 horas, no espaço de apenas cerca de 90 segundos a maioria dos principais grupos de animais de repente aparecem nas formas em que actualmente detêm, não lenta e progressivamente como Darwin previsto, mas em termos evolutivos quase que instantaneamente. Assim, "a natureza não dá saltos" torna-se "a natureza dá um salto gigante." Então como é que os teístas explicar essa súbita explosão de novas informações biológicas?

E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. Gênesis 1:20-21




Em outras palavras, Criação aconteceu porque Deus disse que deveria acontecer. E mesmo o que olha para os nossos olhos para ser um processo não guiado cego poderia realmente ser divinamente controlado do início ao fim.

Antes de entrar no debate sobre a Teoria da Evolução, o aluno volta ao tema anterior, que era da Argumentação Ontológica, mostrando que os argumentos de Hawking são falaciosos.

Quanto a questão da Teoria da Evolução de Darwin, o aluno se posiciona contrário a ela. Ele defende a teoria da criação tardia.

A ideia é que a terra tem mais do que milhares de anos como a teoria anterior, mas bilhões de anos. É chamado de progressivo, porque entende-se que existiriam eras progressivas de criação na criação da terra. Do ponto de vista escriturístico, esta interpretação coloca alguns textos bíblicos em uma interpretação alegórica, é comum pensar-se o dilúvio como um evento local. Do ponto de vista probatório, faltam evidências científicas.

No livro que baseia o filme, Rice Broocks diz:

"A seleção natural é um processo cego que vagarosamente seleciona pequenas diferenças entre os indivíduos nas espécies para sobreviver sobre outros. Com o tempo, as diferenças benéficas, como um tamanho maior, ser mais dominante numa população. Estas pequenas diferenças são cridas para acumular com o passar do tempo e eventualmente causar uma transformação radical nas espécies. A seleção natural combinada com as mutações são vistas como a explicação para a toda variedade de vida como também para emergência de novas espécies. Para isto acontecer, a vida devera ter emergido gradualmente através de milhões de anos."

Alguns cristãos, defendem a idéia de que a a seleção natural foi o modo como Deus criou as espécies, não vendo contradição entre a Teoria da Evolução e a Fé Cristã.

Nem o filme tampouco o autor no livro base do filme defendem esta idéia. Ambos defendem o conceito de design inteligente, já que houve um processo rápido de consolidação das espécies que não poderia acontecer por puro acaso. Sem uma inteligência por trás do universo, poderia a sorte somente criar tudo conforme Darwin.

Vejamos como o blog cristão Desafiando a nomenclatura científica, descreve o design inteligente:

O Design Inteligente (DI) é uma teoria científica que emprega os métodos comumente usados por outras ciências históricas para concluir que certas características do universo e das coisas vivas são mais comumente explicadas por uma causa inteligente, não por um processo não guiado como a seleção natural. Os teóricos do DI argumentam que o design pode ser inferido estudando-se as propriedades informacionais dos objetos naturais para determinar se eles portam o tipo de informação que em nossa experiência surgem de uma causa inteligente. A forma de informação que nós observamos é produzida por uma ação inteligente, e assim indicar seguramente o design, que é geralmente chamado de “complexidade especificada” ou “informação complexa e especificada” (ICE). Um objeto ou evento é complexo se ele for improvável, e especificado se corresponder a algum padrão independente. (A ciência por detrás do design inteligente?)
Há um conceito de complexidade irredutível, que diz que muitas estruturas nos organismos tem partes numerosas em si e algumas delas não possui função. A teoria da seleção natural se propõe a explicar  que tudo tem que ter uma função para sua existência por causa da evolução

No livro "Deus não está morto", Rice Broocks descreve alguns exemplos dessa complexidade irredutível, tais como: flagelo bacteriano, a evolução do olho, o DNA lixo. 

Existe uma evidência para o design vista na complexidade da vida num nível menor. A vida não parece ser apenas desenhada mas também uma obra de engenharia em suas escalas mais microscópicas. 

A teoria darwiniana falha em dar conta de toda a diversidade e complexidade da vida. 



TERCEIRO DEBATE: O PROBLEMA DO MAL.

JW : Bem, por que não? O professor Radisson, que é claramente um ateu, não acredita em absolutos morais. Mas seu plano de estudos diz que pretende dar-nos um exame durante a semana de provas finais. Agora, eu estou apostando que, se eu consegui obter um A no exame por engano, de repente ele vai começar a soar como um cristão, insistindo que é errado para enganar, que eu deveria ter sabido disso. E, no entanto, que base ele tem? Se minhas ações são calculados para me ajudar a ter sucesso, então por que eu não deveria realizá-las? Para os cristãos, o ponto fixo da moralidade, o que constitui o certo eo errado, é uma linha reta que leva diretamente de volta a Deus.


PR : Então você está dizendo que precisamos de um deus a ser moral? Que um ateu moral é uma impossibilidade?


JW : Não, mas sem Deus não há nenhuma razão real para ser moral; não há nem mesmo um padrão de comportamento que é moral. Para os cristãos, mentir, enganar, roubar e meu exemplo, roubar um grau eu não ganhar, são proibidos como uma forma de roubo. Mas se Deus não existe, como Dostoyevsky apontou famosa: "Se Deus não existe, então tudo é permitido." E não só permitido, mas inútil. Se Professor Radisson está certo, então tudo isso, todos da nossa luta, todo o nosso debate, o que quer que decidir aqui, não tem sentido. Quer dizer, nossas vidas, nossas mortes são consequência de não mais do que a de um peixinho dourado.



PR : Vamos lá, isso é ridículo. Então, depois de toda a sua conversa, você está dizendo que tudo se resume a uma escolha-de-conta ou não acreditam.



JW : É isso mesmo. Isso é tudo o que existe. Isso é tudo o que já existiu. A única diferença entre a sua posição ea minha posição é que você tirar a sua escolha. Você exige que eles escolhem a caixa "Eu não acredito."



PR : Sim, porque eu quero libertá-los. Porque a religião é como um. . . é como um vírus mente que pais passaram para seus filhos. E o cristianismo é o pior vírus de todos. Ele lentamente se arrasta em nossas vidas quando estamos fracos ou doentes ou impotente.



JW : Então a religião é como uma doença?



PR : Sim, sim. Ele infecta tudo. É o inimigo da razão.



PR : Por que você não admitir a verdade? Você só quer iludir-los em sua superstição primitiva.



JW : O que eu quero é para que façam sua própria escolha. Isso é o que Deus quer.



PR : Você não tem idéia do quanto eu estou indo para desfrutar falhando.



JW : Quem você está olhando realmente para falhar, Professor: eu ou Deus?



JW : Você odeia Deus?



PR : Isso não é mesmo uma pergunta.



JW : Ok, por que você odeia Deus?



PR : Isso é ridículo.



JW : Por que você odeia Deus ?! Responda a questão! Você viu a ciência e os argumentos. Ciência apoia Sua existência.Você sabe a verdade! Então, por que você o odeia ?! Por quê ?! É uma pergunta muito simples, Professor. Por que você odeia Deus ?!



PR : Porque Ele tirou tudo de mim! Sim, eu odeio Deus! Tudo que eu tenho por ele é o ódio!



JW : Como você pode odiar alguém, se eles não existem?



PR : Você provou nada.



JW : Talvez não, mas que começa a escolher. Será que Deus está morto?



Estudantes [como estão] : Deus não está morto. Deus não está morto. Deus não está morto. Deus não está morto. Deus não está morto. . . .


JW : Foi dito que o mal é a arma mais poderosa do ateísmo contra a fé cristã. E isso é! Afinal, a própria existência do mal levanta a questão [sic], "Se Deus é tudo de bom e Deus é todo poderoso, por que Ele permite que o mal existe?" A resposta, em sua essência, é extremamente simples: o livre arbítrio. Deus permite que o mal existe, porque do livre arbítrio. Do ponto de vista cristão, Deus tolera o mal neste mundo, numa base temporária para que um dia aqueles que optam por amá-lo livremente vai morar com Ele no céu livre da influência do mal, mas com o seu livre arbítrio intacta! Em outras palavras, a intenção de Deus para o mal é um dia destruí-lo.


PR : Bem, como conveniente. "Um dia, eu vou me livrar de todo o mal no mundo, mas até então você só tem que lidar com todas as guerras e holocaustos, tsunamis, pobreza, fome e  AIDS. Tenha uma boa vida. "Em seguida, ele será dar-nos lições sobre valores morais absolutos.

JW : Razão? Professor, você deixou razão há muito tempo. O que você está ensinando aqui não é filosofia; não é mesmo o ateísmo mais. O que você está ensinando é anti-teísmo. Não é o suficiente para que você não acredita, você precisa de todos nós para não acreditar com você.


No filme como também no livro, a mesma tese é defendida: da impossibilidade da vida moral sem a existência de Deus como padrão para o certo e o errado. 

Devemos nos lembrar que há o problema intelectual e o problema emocional em relação ao mal:
"O problema intelectual do mal diz respeito a como dar uma explicação racional de Deus e do mal. O problema emocional do mal diz respeito a como confortar ou consolar aqueles que estão sofrendo e como dissolver o desprazer emocional que as pessoas têm de um Deus que permite o mal (...) É importante entender essa distinção, porque a solução para o problema intelectual tem a propensão de parecer árida, insensível e desconfortante para alguém que tem passado pelo sofrimento, enquanto que a solução para o problema emocional tem a propensão de parecer deficiente, como uma explicação mal feita por alguém que o contempla abstratamente" (William Lane Craig, Apologética para questões difíceis da vida ,p. 86-87)
No filme, vemos que se trata de um problema emocional claramente que está em questão. 

Para Lanne Craig, há duas abordagens ateístas sobre a questão, o problema lógico, mostrar que Deus e o mal são logicamente incompatíveis e o problema probabilístico, se é possível ambos, a coexistência seria altamente improvável. 

"O ateu raciocina que, visto que Deus é todo-poderoso, ele poderia criar um mundo contendo criaturas livres que sempre escolheriam livremente fazer o que é correto. Tal mundo seria um mundo sem pecado, livre de todos os males morais e humanos. Justament por isso, sendo todo-poderoso, Deus poderia também criar um mundo  no qual nenhum mal natural jamais viesse a ocorrer. Seria um mundo livre do mal, dor e sofrimento" p. 88

Lanne Craig aponta que o ateu não diz que um mundo assim seria um mundo de marionetes. O ateu aponta um mundo em que as pessoas poderiam escolher o certo livremente, do ponto de vista cristão, tal mundo seria possível, pois o pecado não é algo necessário no ser humano.

Pois se o pecado fosse uma necessidade, essa necessidade em última análise teria sua causa em Deus, então, Deus seria a causa do mal. É aí que os ateístas querem chegar, negar a essência de Deus como  totalmente bondoso e imputar a ele a causa do mal.

Lanne Craig cita David Hume "Se ele quer evitar o mal, mas não é capaz de fazê-lo, então ele é impotente. Se ele é capaz, mas não quer evitá-lo, então ele é malévolo. Ora, se ele quer evitar o mal e é capaz de evitá-lo, então como se explica o mal?" (p. 89)

Para Lanne Craig, há um argumento falacioso aqui:

"Em primeiro lugar, não é necessariamente verdadeiro que um Deus todo-poderoso possa criar exatamente qualquer mundo possível. O fato de Deus ser todo-poderoso não significa que ele possa fazer impossibilidades lógicas, tais como fazer um quadrado redondo, ou fazer alguém escolher livremente tomar uma atitude" p. 89

Ele baseia o problema do mal na liberdade da escolha que Deus deu:

" Assim, se Deus concede às pessoas uma liberdade genuína para escolher o que gostam,então é impossível para ele determinar quais serão as escolhas delas. Tudo que ele pode fazer é criar circunstâncias nas quais uma pessoa seja capaz de fazer uma escolha livre e, então deixar que a escolha seja feita" p. 90

São as criaturas que produzem o mal devido a suas escolhas, e Deus não pode fazer nada a não ser que eliminasse a livre escolha delas. 

Em termos filosóficos, o mal é um acidente na escolha humana, é algo que veio da liberdade. Quanto aos males naturais, Lanne Craig diz que são devidos a atuação de demônios, afinal, como os seres humanos, os seres espirituais também são dotados da mesma liberdade.

Lanne Craig termina a argumentação com a seguinte declaração:

"Assim, a primeira suposição feita pelo oponente ateu- a saber, que um Deus todo-poderoso pode criar qualquer mundo que ele escolha criar- não é necessariamente verdadeira" p. 90

Há também um segundo ataque nesta questão.

"Eles podem admitir que não há nenhuma inconsistência entre Deus e o mal em geral, mas ainda argumentam que a existência de Deus é inconsistente com a quantidade e com a qualidade do mal  no mundo (...) Deus não pode ter razões suficientes para permitir a quantidade e os tipos de males que existem" p. 92

Este argumento me parece o mais próximo do texto de Clarice, a resposta Lanne Craig toma de Alvin Platinga:

"Deus não poderia ter criado um mundo que tivesse tanto bem como o mundo real, mas que tivesse menos mal, tanto em termos de quantidade como de qualidade,e, além disso, Deus tem razões moralmente suficientes para o mal que existe" p. 94

No segundo capítulo sobre sofrimento e o mal, que trata do problema probabilístico, Lanne Craig traz a resposta cristã ao sofrimento, as razões morais de Deus para permitir a dor:

  • 1. O propósito principal da vida não é a felicidade, mas o conhecimento de Deus.
  • 2. A raça humana está no estado de rebelião contra Deus e seu propósito.
  • 3. O propósito de Deus não está restrito a esta vida, mas se derrama além da sepultura para a vida eterna.
  • 4.O conhecimento de Deus é um bem incomensurável.

Ele termina esse capítulo com uma frase que vale a pena ser transcrita:

"Paradoxalmente, então, ainda que o problema do mal seja a maior objeção à existência de Deus, no fim do dia Deus é a única solução para o problema do mal. Se Deus não existe, então nós estamos perdidos, sem esperança na vida e cheios de sofrimentos desnecessários e irreparáveis. Deus é a resposta final para o problema do mal, pois ele nos redime do mal e nos leva para a alegria eterna de um bem incomensurável: a comunhão com ele" p. 121



Concordo com o autor, Deus criou os seres humanos para viverem dependentes dEle, quando saímos da esfera da receptividade, sendo influenciados pelo nosso inimigo, negamos a Ele e damos ocasião ao mal.

C.S. Lewis coloca isto assim:

A condição mínima de autoconsciência e liberdade seria então que a criatura devesse apreender a Deus e, portanto, ela mesma fosse diferente de Deus. É possível que tais criaturas existam, conscientes de Deus e de si mesmas, mas não de seus semelhantes. Caso positivo, sua liberdade é simplesmente aquela de fazer uma única e singela escolha: amar a Deus mais do que ao "eu" ou ao "eu" mais do que a Deus. Mas uma vida assim reduzida aos essenciais não pode ser concebida por nós. No momento em que tentamos introduzir o conhecimento mútuo dos semelhantes encontramos o obstáculo da necessidade da "Natureza".  (p.11)

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ALVIN PLANTINGA- DEUS, A LIBERDADE E O MAL

A existência de Deus nem é impedida pela existência do mal nem se torna improvável. É claro que o sofrimento e o infortúnio podem, apesar disso, constituir um problema para o teista, mas o problema não é que as suas crenças são logicamente ou probalisticamente incompatíveis. O teísta pode encontrar um problema religioso no mal, na presença do seu próprio sofrimento ou do sofrimento de alguém que lhe seja próximo, o teísta pode ter dificuldade em manter o que considera ser a atitude própria diante de Deus. Diante do grande sofrimento ou infortúnio, o teísta pode sentir-se tentado a rebelar-se contra Deus, agitando o seu punho na face de Deus, abandonando ate sua crença em Deus. Tal problema pede cuidado pastoral e não esclarecimento filosófico. A defesa do livre-arbitrio, contudo, mostra que a existência de Deus é compatível, tanto lógica como probalisticamente, com a existência do mal, assim, resolve o problema filosófico principal do mal (p. 84)