terça-feira, novembro 30, 2010

Oliver Sacks: The Mind´s eye

Pin-polhices: Suíte Francesa

Pin-polhices: Suíte Francesa:

"O romance, com mais de 500 páginas, foge surpreendentemente dos padrões já conhecidos quando a temática se refere à II Guerra Mundial. Aqui a autora destaca as mudanças que gradativamente ocorrem no cotidiano dos franceses às vésperas da ocupação nazista."
Na 1a parte do romance, "Tempestade em junho", Irene circula com maestria por núcleos independentes de personagens de diferentes classes econômicas que se deslocam de Paris durante a Débâde, a fim de se refugiarem na chamada Zona Livre (ainda não ocupada pelo III Reich). Tendo a fuga como fio condutor, a autora nos leva a um mergulho irressistível pelo universo de cada personagem, confrontando-nos com as novas situações por eles vividas e os múltiplos exemplos da personalidade humana. Ficamos cara a cara com a hipocrisia, o esnobismo, a xenofobia, a presunção e a falsidade (para não citar outras qualidades) da chamada burguesia que, presa aos bens materiais dos quais se recusa se separar e impossibilitada de aceitar a ideia de receber tratamento igual aos "outros" naquele momento crítico, deixam o leitor ora perplexo, ora envergonhado diante da mediocridade humana. Com raras exceções, como do casal Michaud e do padre Phillipe que conservam traços de integridade (mas que ainda assim vivem situações que nos chocam por serem vítimas de personagens desumanos) Irène mostra que tais pessoas conseguem ter seu caráter transformado na medida que suas vidas se transformam também.

Na 2a parte, "Dolce", o romance se estrutura no campo e a autora traz um texto recheado de descrições e sensibilidade, sem no entanto cansar o leitor. Famílias tradicionais vivem a espera do filho ou parente feito prisioneiro na guerra em meio a chegada dos refugiados da cidade. Mais uma vez, o medo de compartilhar seus bens traz a indiferença e anula a esperança da solidariedade que se espera encontrar no próximo. Além disso, abrigar soldados alemães (não judeus) dentro de casa traz em cada morador do vilarejo uma insegurança diante doolhar alheio. Irène faz um contraponto interessante criando Bruno von Falk, um soldado alemão sensível e delicado em meio à mesquinhez dos franceses locais, por quem uma jovem francesa se apaixona.

Pertencente a uma família judia tradicional e burguesa, Irène escreve com realismo mantendo distanciamento do texto, sem julgar os fatos ou seus personagens. Apesar da temática, consegue demonstrar ironia e humor (negro) em determinadas situações sendo impossível não rir diante delas (como a cena em que o presunçoso escritor Corte tem sua ceia - que lhe custou uma fortuna - roubada).

A obra de Irène ficou durante anos sob os cuidados de suas filhas, Élisabeth e Denise, sobreviventes da guerra. Mas foi somente em 1954 que as filhas resolveram ler o manuscrito em letras míudas que a mãe havia deixado. Surpresas por não terem em mãos um diário e sim uma obra de violento valor literário e histórico começaram um lento processo de decifração.
Suíte Francesa só foi publicado em 2004 e já é considerado o mais importante documento literário pós guerra, depois dos diários de Anne Frank.
O livro traz o prefácio de Myriam Anissimov contando a tragetória de Iréne - sua vida em família e sua relação de ódio com a mãe - e características de sua escrita. No final, trechos de seus manuscritos e relatos do marido e de amigos que estiveram em sua busca, antes da certeza da sua morte.

domingo, novembro 28, 2010

Os maus sinais da inflação « Rolf Kuntz

Os maus sinais da inflação « Rolf Kuntz:
"Financiar trem-bala não é função do Banco Central (BC). Combater a inflação, sim. O lembrete poderia ser inútil em outro momento, mas não agora, diante da incerteza quanto ao papel e ao poder da autoridade monetária no futuro governo. Nenhum temor é absurdo, quando o Tesouro é autorizado a usar R$ 25 bilhões como garantia financeira de um projeto ferroviário mal esboçado, contestado e de retorno duvidoso, mas defendido como prioritário pela presidente eleita. O lembrete sobre a missão do BC também é oportuno, agora, porque a inflação do feijão já era: os aumentos estão muito mais espalhados."

Esse é um bom assunto para a presidente eleita e para a pessoa escalada para cuidar dos juros a partir de janeiro. Dois terços dos preços pagos pela maioria das famílias foram arrastados pela onda de aumentos, segundo a última pesquisa do IPCA-15, realizada entre 14 de outubro e 12 de novembro e divulgada ontem pelo IBGE. O efeito da onda é crescente. A alta de preços havia atingido 62,2% dos itens no período coberto pela pesquisa encerrada há um mês.

Com a nova coleta vieram, portanto, duas más notícias. Em primeiro lugar, a inflação ganhou impulso, passando de 0,62% em outubro para 0,86% em novembro, segundo esse indicador. Em segundo, as pressões inflacionárias, além de mais fortes, tornaram-se mais amplas. A aceleração é confirmada pelo exame dos chamados núcleos de inflação, calculados sem os preços mais instáveis dos alimentos e combustíveis.

Também a Fundação Getúlio Vargas apontou inflação em alta: na terceira medição do mês, correspondente aos 30 dias encerrados em 22 de novembro, o IPC-S variou 0,85%. Um mês antes o aumento apurado havia sido 0,66%. O índice de difusão, 64,8%, foi um pouco menor que o da terceira pesquisa de outubro, 65,4%, mas confirmou a tendência de aumentos bem espalhados pela economia.

Os dois fenômenos – a aceleração e a difusão dos aumentos – são sinais de pressão de demanda, segundo alguns analistas. Não há nada incomum nessa avaliação. A forte demanda é refletida também nas contas do comércio exterior. O Brasil gastou neste ano US$ 160,1 bilhões com importações até a terceira semana de novembro, 43,9% mais do que um ano antes. O valor exportado, US$ 175,4 bilhões, foi 30,8% maior que o de igual período de 2009.

Esse descompasso é em parte explicável pela valorização do real, mas o efeito do câmbio seria certamente menor, se a economia estivesse menos aquecida e a demanda interna fosse menos intensa. Além do mais, o dólar barato tem contribuído para limitar os aumentos. Sem esse amortecedor, os consumidores estariam bem mais assustados com a alta de preços. É bom levar em conta esse dado ao avaliar os indicadores de inflação.

Pelo menos dois fatores poderão afetar os preços nos próximos meses. A União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional estão mobilizados para ajudar os países da Europa em situação mais precária, como a Irlanda e a Grécia. Mas há outros vulneráveis à ação desestabilizadora dos mercados financeiros. Se a situação europeia desandar, o dólar poderá subir e o Brasil ficará menos protegido contra as pressões inflacionárias.

O outro perigo está no mercado internacional de produtos básicos, sensível tanto às variações na oferta e na demanda quanto às decisões dos especuladores financeiros. Está prevista para 2011 uma oferta global de alimentos mais apertada que a de 2010. Não haverá realmente escassez, mas a mera perspectiva de redução de estoques é em geral suficiente para elevar as cotações. Esse efeito é ampliado, e às vezes consideravelmente, quando há insegurança nos mercados financeiros e grandes volumes de dinheiro são desviados para o mercado de commodities. Isso ocorreu antes da crise de 2008 e poderá ocorrer de novo, se o risco financeiro aumentar ou se os países emergentes se tornarem menos interessantes.

Se a presidente eleita tiver uns 50% da sorte de seu antecessor, esse quadro poderá tornar-se menos preocupante nos próximos meses. Seu governo, então, será iniciado diante de um cenário externo menos sombrio. Mas ainda haverá uma coleção respeitável de riscos internos. Na melhor hipótese, será preciso enfrentar o rescaldo das atuais pressões inflacionárias, administrar um orçamento pouco flexível e com excesso de custeio improdutivo. Será necessário, também, conter a deterioração das contas externas. Se não houver uma reversão, em 2012 o déficit em conta corrente estará em 4% do PIB. Mas tudo será bem pior, em dois anos, se o caminho escolhido for o da complacência com a gastança e do descuido diante das pressões inflacionárias.

WikiLeaks revela espionagem dos EUA sobre a ONU e segredos do Irã - internacional - Estadao.com.br

WikiLeaks revela espionagem dos EUA sobre a ONU e segredos do Irã - internacional - Estadao.com.br: "Boicote à posse de Ahmadinejad - Os documentos revelam que embaixadores da União Europeia concordaram em boicotar a posse de Mahmoud Ahmadinejad como presidente do Irã. Os diplomatas mantiveram a decisão em segredo. Os europeus se viram em uma situação dupla - precisavam mostrar que não apoiavam as controversas eleições iranianas, mas tinham de reconhecer que o poder estava nas mãos de Ahmadinejad e do supremo aiatolá Ali Khamenei."

The American