terça-feira, janeiro 31, 2012

Como Orar

Pensando no sermão da montanha, em Mateus 6:9-15, temos a oração do Pai nosso, onde Jesus nos ensina a orar. Hoje há uma busca por experiências que toquem a nossa alma, e o que devemos aprender sobre ela não está em grandes técnicas ou conferências, está a nossa disposição na própria Bíblia.

Se estamos andando com um vazio na alma apesar de tantos esforços e gastos em busca destas experiências, é por que não sabemos como orar.

1. Precisamos aprender.

O primeiro erro que cometemos em relação a oração é pensar que orar é uma coisa fácil, orar não é natural e nem é fácil. Jesus mesmo acreditou que deveria nos ensinar a orar.

A dificuldade de orar é uma coisa pessoal, não há truques. Algumas orações podem ser entediantes porque não sabemos o que estamos fazendo nela. É como ir numa festa de aniversário de alguém que você conhece mais ou menos, e ficar sozinho, tentando conversar durante duas horas com pessoas que você nunca viu na vida, será algo muito dificil. Você tem que ficar procurando assuntos, e falar de futebol e metereologia cansa. Mas, imagine que você encontre nesta festa, um amigo que há muito tempo você não vê, a conversa flui, há interesse mútuo, há felicidade.

Carlos McCord colocou assim:

O homem quer aprender os métodos da vida cristã para poder domina-los e controla-los.  O homem quer se tornar menos dependente pelo uso dos métodos espirituais.   O homem quer receber um diploma provando que ele completou o curso dos métodos e agora está no topo da pirâmide de sucesso cristão.

2. A Base da Oração.

É o nosso estado de filiação em relação a Deus, que é o nosso pai.  Você não irá conversar com um estranho, você está conversando com uma pessoa próxima, do seu círculo mais íntimo, mais familiar. Se Deus é apenas o seu rei ou seu criador, a oração não funcionará, porque você ficará medindo as suas palavras e sempre com medo de dar alguma bola fora.

Como Paul Miller coloca em seu livro O PODER DE UMA VIDA DE ORAÇÃO:

“A esperança tem origem no coração de Deus. Quando você entender como é o coração do Pai, o quanto ele é generoso, então orar lhe parecerá algo inteiramente normal” p. 89

Mas, na oração nos colocamos como filhos diante de um pai amoroso, contudo, imagine você conversando com um amigo que ha muito nao ve, a conversa flui, o interesse é mutuo, ha felicidade.

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
João 1:14-15

Eles têm zelo por vós, não como convém; mas querem excluir-vos, para que vós tenhais zelo por eles.
É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco.
Gálatas 4:17-18

O novo nascimento por si só não significa coisa nenhuma se você não desfruta um relacionamento familiar com Deus, isto é, o poder de Deus na sua vida só vem quando você descobrir que Deus é seu pai. O mesmo amor que Deus teve por seu filho natural, Jesus, Ele tem por nós. Esse é o segredo, imagina a diferença que faria em nossas orações se realmente tívessemos isto como base de nossa conversa. Nossa vida de oração se transformaria.

3. Certeza que você é filho de Deus.

Tim Keller coloca a vida de oração como um sinal positivo ou negativo de que realmente somos ou não filhos de Deus, porque a nossa vida de oração reflete o nosso coração diante de Deus. Ele coloca dois tipos de pessoas que oram:

1. Aquelas que usam Deus: são as pessoas que tem seus objetivos:quero ser feliz, quero ser próspero,quero ser bem-sucedido, chegam diante de Deus e dizem: me diz o que o Senhor quer que eu faça para ser assim ou ter isto. Tenho que ir na igreja? Tenho que orar quantas horas? Tenho que amar quem?

2. Aquelas que servem a Deus: os cristãos são aqueles que chegam a Deus em suas orações,sabendo de suas falhas e,mais do que isso, sabendo que somente Deus pode salva-los. Chegam a Deus agradecidos e apenas dizem: Deus deixe-me servi-Lo.?

 

Aqueles que usam a Deus, somente oram quando há problemas em suas vidas. Não há um real interesse em servir e adorar a Deus, há apenas um desejo de ser recompensado.

Outra diferença está na resposta da oração.

Quando Deus diz não, um que serve a Deus, sabe que está orando para o Pai, pois confia que Deus é quem sabe quais sao as melhores coisas para ele, ele sabe que nao está na igreja para Deus servir a ele, mas para ele servir a Deus.  Mas, o que usa fica com raiva.  Ambos estão nas nossas igrejas, mas a diferença entre eles está na vida de oração. Robert McCheyne diz- o que você é de joelhos quando ora a Deus é tudo que voce é espiritualmente e nada mais.

 

Mais uma vez cito McCord, em seu texto Oração: método ou fé:

Fé não é um método.  Fé é receber diretamente do caráter de Deus revelado em Cristo Jesus pelo Espírito.  Fé é ser amigo de Deus.  Fé ser um filho saudável e satisfeito porque o Pai quer isto.  Fé é orientar tudo de acordo com o caráter generoso e amoroso de Deus. Foi assim que Jesus viveu.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Timothy Keller: uma vida de oração que alimenta o seu relacionamento com Deus

Todo ano estou ansioso para o ritmo mais lento dos meses de verão por causa da oportunidade que me dá para revigorar minha vida de oração. Não é que não ore durante o ano, mas raramente, por causa da pressão da agenda agitada, eu sou capaz de conscientemente dedicar-me as horas necessárias para despertar a intimidade com Deus que não eu preciso, mas como é a minha única defesa para um colapso.

Assim como a velha discussão a respeito do tempo de qualidade em função da quantidade de tempo com sua família é um arrenque vermelho (não há tempo de qualidade, exceto o que aquele que acontece numa grande quantidade de tempo) com Deus. A riqueza da minha experiência com Deus na oração só ocorre em meio a muito tempo que coloco para estar com Ele. Dito isto, existem várias outras coisas que eu faço que pode ser útil para alguns de vocês que também possuem uma maior flexibilidade de tempo para os próximos meses, e, que desejam se conectar com Deus de maneira mais profunda.

A principal forma que eu faço isto é buscar um aumento na quantidade da minha meditação. Não é por acaso que os dois primeiros salmos no saltério não são orações por sós, mas sim meditações. Na verdade, o primeiro salmo, a porta de entrada para o livro de orações na Bíblia é uma meditação sobre a meditação. Por quê? Nós estamos sendo ensinados que, embora seja certamente possíveis as experiências profundas da presença e do poder de Deus podem acontecer de muitas maneiras, a maneira comum para ir mais fundo espiritualmente é através da meditação. É na meditação que entramos em profunda auto-entrega, em seguida, em maior e mais clara fé nos pontos de fé da sua beleza e, finalmente, em oração poderosa e dinâmica para o mundo.

 

O que é meditação.

Na maioria das tradições protestantes, a vida do devocional pessoal consiste em duas partes: estudo da Bíblia e oração. Mas a meditação não é nem isso nem aquilo. O puritano Richard Baxter escreveu: “ a meditação solente ou estabelecida é distinta do estudo bíblico, onde o nosso objetivo é aprender a verdade, e também da oração, da qual o próprio Deus é objeto imediato. Mas a meditação é afetar os nossos próprios corações e mentes com amor, prazer e humildade para as coisas que estão na Palavra”.

Um exemplo de meditação é encontrado no Salmo 103:1-2:”Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.” Note-se que isto não é a mesma coisa que oração. Ele não está falando diretamente com Deus, embora seja claro que Davi é extremamente consciente de estar diante da presença de Deus. O objeto da meditação é o seu próprio coração. Davi está falando sozinho- com sua alma. Mas o assunto da meditação é a verdade sobre Deus- não se esqueça de todos os seus benefícios.

Obviamente, Davi não tem que intelectualmente esquecer que Deus perdoou seus pecados, redimiu a sua vida, e assim por diante (Sl. 103, 2ss). Pelo contrário, ele está tomando as verdades bíblicas e dirigindo-as em seu coração até que ele é afetado, encantado e modificado por eles. Peter Toon escreveu que a meditação é a descida da mente com a verdade bíblica até o íntimo do coração, até que todo ser anseie por Deus.

O tipo de meditação que vemos nos salmos não é nem a espiritualidade anti-racional da religião da Nova Era,  nem é a espiritualidade mais racional da religião moderna do evangelicismo. Por um lado, a religião da Nova Era segue os passos da filosofia oriental e pensa a meditação como esvaziamento calmo e sereno da mente de todo pensamento racional. A meditação de Davi, no entanto, é furiosamente racional. “Por que está abatida minha alma? E por que te pertubas dentro de mim? (Sl. 27:4). Ele está procurando uma transformação dos afetos do seu coração enquanto ora.

Jonathan Edwards fala disto muito em sua própria prática de meditação:”Ao ler (a escritura) eu parecia muitas vezes ver tanta luz, que eu não poderia ir bem na leitura- quase cada frase parecia estar cheia de maravilhas….Eu…era encontrado, de tempos em tempos, com uma doçura interior, que costumava, por assim dizer, levar-me para a contemplação. Senti-me sozinho…docemente conversando com Cristo, que me envolveu e levou-me a Deus. A sensação que eu tinha das coisas divinas, muitas vezes, de repente, era como se fosse acender, uma queimar doce em meu coração, um ardor em minha alma, que eu não sei expressar.” Observe como sua meditação (contemplações) sobre a palavra levou para um profundo sentimento de intimidade na oração. É por isso que um salmo sobre a meditação começa o livro bíblico sobre a oração.

Como meditar

É claro que a melhor maneira de aprender a fazer qualquer coisa é assistir a um mestre no trabalho. Se você ler os salmos 1, 42, 77, 103 e 119 você vai aprender isso mesmo. No entanto, todos nós precisamos começar como novatos. Não existe um guia melhor para o iniciante em meditação do que um modelo que Martinho Lutero

 


terça-feira, janeiro 24, 2012

Mike Wells: Deus e os problemas

 

Alguns trechos de Presença de Deus, problemas e Oração de Mike Wells.

 

Desde que Ele é o único capaz de resolver o problema, o cristão autoconfiante está na terrível situação de estar tão confiante em sua própria força, que não pode permitir a Deus que providencie a solução. Afinal, um cristão assim carrega um saco invisível de truques contendo todos os métodos que ele desenvolveu para lidar com emergências: controle, manipulação, religião, ira, fuga, depressão, ressentimento, bloqueio emocional, absorção ou distribuição de culpa, e por aí vai. Se Deus permitisse que algum desses truques resolvesse o problema, então estaria dando Sua aprovação a ferramentas tão patéticas para se viver, enquanto ao mesmo tempo, encorajando o desejo de alguém ser auto-suficiente. É importante que Deus não permita que os truques ajudem o cristão a superar os problemas.

 

Precisamos chegar a ver que as dificuldades são uma parte integral da fórmula para o crescimento na vida de todo crente. Obstáculos não significam que uma pessoa tenha sido abandonada, nem indicam que ela tem menor importância ou menos bênção de Deus. Na verdade tal crente está prosseguindo para agir no âmbito de um chamado maior.

 

Não se lave para chegar até Deus; chegue-se a Ele esperando que Ele o limpe. Quando você está perto do Senhor, ordens tornam-se promessas. Em vez de ouvir "Não adulterarás", e temer que possa fazê-lo, ouça como uma promessa: "Na Minha presença, com Minha vida e poder, você nunca cometerá adultério." Vê a diferença? Sua presença dá confiança e esperança.

Muito freqüentemente cometemos o engano de tentar achar uma resposta para o sofrimento em vez de voltarmos à presença do Pai de amor, onde nenhuma resposta é necessária. Como cristãos deveríamos conhecer o propósito da dor e a própria razão da vida, que é a comunhão com Deus.
A vida cristã normal é de problemas, mas lembre-se de que cada problema passou pelas mãos de um Pai de amor e traz consigo, mesmo antes de chegar, um propósito expresso e intrínseco. Para os que passam por aflição, geralmente o propósito está oculto, mas o sofredor experiente sabe que será glorioso. Os problemas são a principal ferramenta de Deus para esgotar nossos recursos e nos levar à rica experiência de todas as Suas riquezas.
Mike Wells em Problemas, Presença de Deus, Oração

segunda-feira, janeiro 23, 2012

John Piper: A sólida lógica do céu

A partir de Romanos 8:32, Piper começa seu capítulo a respeito da promessa da graça futura.  O versículo contém um fundamento e uma garantia tão fortes e tão sólidos. Faz dele um socorro presente em tempos de grande aflição.  O fundamento é “aquele que não popou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós…”. Deus dará todas as coisas àqueles por quem deu o seu Filho. Toda graça futura está fundada na entrega de Jesus por nós.

Como está também em Atos 2.23, Is 53.4,10, Rm 3,25.

Deus não popou seu Filho porque foi a única maneira em que ele pode nos poupar ( 2Co 5.21). A nossa culpa, a maldição do nosso pecado nos teria levado para a destruição no inferno, mas, Deus não popou seu Filho, o entregou para ser atingido pelas nossas trangressões, e ser afligido pelas nossas iniquidades e ser crucificado pelo nosso pecado.

Esse é o mais precioso versículo da bíblia para mim porque o fiundamento da promessa abrangente da graça futura é que o Filho de Deus levou no seu corpo todo o meu castigo e toda a minha culpa e toda a minha condenação e todas as minhas faltas e toda a minha corrupção, para que eu possa me colocar diante do grande e santo Deus como alguém perdoado, reconciliado, justificado, aceito e beneficiário das promessas indizíveis de prazer para sempre e sempre à sua mão direita” p. 113

 

Há uma gloriosa lógica do céu chamada  “ a majori ad minus”, significa argumentar do maior para o menor,  se vencemos os obstáculos maiores que há, Deus nos fará vencer os menores.  A coisa mais difícil foi a entrega do Filho, a  razão de ser a coisa maior é que Deus amou infinitamente seu Filho, que não mereceu ser morto.  E ao fazer isto, Deus mostra que certamente faria todas as coisas – facéis em comparação a isto- para dar todas as coisas às pessoas por quem entregou seu Filho.

“Criar o mundo e administrá-lo para o bem do povo é algo relativamente fácil para Deus se comparado à entrega do seu Filho à ridicularização e tortura. Mas ele o fez. E agora toda a graça futura não é somente certa, é fácil e natural” p. 115

Deus nos dá todas as coisas? A resposta, segundo Piper, tem a ver com o verso anterior,  se Deus é por nós, quem será contra nós. É certo que temos pessoas que vão contra nós – Lc. 21, 16-17-. A resposta aqui é que oposição poderia existir contra nós que o Deus onipotente não pudesse transformar em nosso benefício? Nenhuma!!! Deus transforma os inimigos da alegria em servos para o nosso bem (Rm 8.37).  A grande promessa é que nada fará parte da nossa experiência como filhos de Deus que pela graça soberana de Deus não se transformará para o nosso benefício, até a morte (1Co 3.21,22).

Ele despoja toda a dor de seu poder destrutivo. Para Piper, isto é algo fundamental da nossa experiência cristã:

O mundo é nosso. A vida é nossa. A morte é nossa. Deus reina tão soberanamente a favor de seus eleitos que tudo que enfrentamos em uma vida de obediência e ministério será dominado pela poderosa mão divina e transformado em servo da nossa santidade e da nossa alegria eterna em Deus. Se Deus é por nós- e Deus é por nós-, então é verdade que nada contra nós pode ser bem sucedido. Aquele que não popou seu próprio filho, mas o entregou por todos nós, dará de graça e certamente com ele todas as coisas- todas as coisas: o mundo, a vida, a morte e o próprio Deus” p. 116

 

Essa promessa nos liberta para viver, correr riscos, capacita a amar, sofrer, morrer e rescussitar para a glória de Deus.

 

 

 

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Pensando a Espiritualidade 3

Tudo muda quando colocamos o evangelho como centro da vida cristã. 

A religião é o modo como homem busca a Deus através de seus próprios esforços. Cristianismo é Deus em busca dos homens para sua salvação.

Se Jesus é o tudo em todos, é começo, viver e finalidade da vida cristã, tudo muda. 

A pregação deve ser no modelo cristocêntrico, isto é, tendo em vista que Jesus é a suprema revelação de qualquer texto das Escrituras. 

Normalmente, o caminho tomado é partir do exemplo moral e dizer façam isto, é trocar a ação pela espiritualidade, como se o fazer nos transformasse naquilo que Deus quer.

Jesus é nossa espiritualidade, transformação e ação. Dependemos dEle para cada um dos movimentos da vida, a pregação deve ser uma leitura da impossibilidade de cumprirmos a obrigação moral completamente a não ser que o Espírito Santo atue em nossa lembrando da obra de Jesus, isto é fé e crença.

Fazer só gera orgulho e medo, orgulho quando achamos que cumprimos a lista e medo quando deixamos de fazer algo que deveríamos fazer.

A saída é olharmos para Jesus, que viveu a vida que deveríamos viver, gera gratidão que dá em humildade.
E por outro lado, com sua vida em nós nos capacita para viver pela fé e graça a vida que Deus deseja que vivamos.