quinta-feira, junho 07, 2012

Plena Satisfação em Deus



O livreto de John Piper é um resumo de sua obra Em Busca de Deus- uma teologia da alegria, nestes livros Piper defende seu hedonismo cristão, ou seja, que Deus é mais glorificado quando mais nos alegramos nEle.  Para fazer download, clique aqui

Piper junta a definição de Westminster sobre a teleologia humana, na expressão de que o homem cumpre sua finalidade de glorificar a Deus ao goza-Lo sempre. 


No primeiro capítulo, o autor fala da polêmica em se considerar que o prazer em Deus como nosso dever. A obediência significa fazer aquilo que Deus manda, então o prazer não pode ser visto como uma consequência da obediência, mas como um ato mesmo de obediência.

"Qualquer outro prazer seria qualitativamente insuficiente para o anseio das nossas almas e quantitativamente pequeno demais para nossa necessidade eterna. Somente em Deus estão a plenitude de prazer e prazer para sempre" p. 20

O segundo capítulo fala sobre a finalidade de cada ser humana, glorificar a Deus alegrando-se nEle para sempre.  Piper demonstra como tudo foi feito por Deus para sua própria glória, como a predestinação - Ef.1:5-6, criação - Is. 43:6-7, encarnação - Rm 15:8-9, propiciação - Rm. 3:25, santificação - Fp. 1:9,11, juízo final - 2Ts 1:9-10.

Deus é mais glorificado não pela contemplação de sua glória, mas pelo regozijar-se nela, pois Ele é mais glorificado quando estamos mais satisfeitos nEle.  Buscar o prazer em Deus e adora-Lo não são atos diferentes um do outro.  O louvor não somente expressa o prazer, mas o completa.

"A adoração não é adicionada ao prazer, e o prazer não é o resultado da adoração. A adoração é valorizar a Deus. E quando este valor é intenso, torna-se prazer e alegria em Deus. Portanto, a essência da adoração é o deliciar-se em Deus , que manifesta seu valor supremo" p. 29

De fato, é descobrir uma alegria em Deus que a própria morte passa a ser vista como lucro diante do gozo de Deus - Fp. 1:20-21.

No terceiro capítulo, ele fala sobre as afeições. Ele se defende de uma visão anti-sentimental da fé cristã, para Piper a busca do prazer cristão  não dá atenção extrapolada para as emoções quando proclama que a busca de estarmos satisfeitos em Deus deve ser nosso chamado e dever.

Quando faltar a alegria em cumprir o dever, ele dá algumas dicas: 1. confesse a falta de alegria- reconhecendo a dureza do coração. 2. ore para que Deus restaure a alegria da obediência. 3. prossiga no dever com a esperança de que o prazer em Deus irá reacender.

No quarto capítulo, John Piper vai tratar da busca do prazer cristão e de duas facetas do orgulho a vanglória e a autocomiseração. 

"A vanglória é a resposta do orgulho ao sucesso. A autocomiseração é a resposta do orgulho ao sofrimento. A vanglória diz: eu mereço admiração porque eu alcancei tanto. A autocomiseração diz: eu mereço admiração porque eu sofri tanto. A vanglória é a voz do orgulho no coração do forte. A autocomiseração é a voz do orgulho  no coração do fraco. A vanglória soa auto-suficiente. A autocomiseração soa sacrificial" p. 39

A busca pelo prazer cristão corta na raiz o orgulho impedindo a produção de uma alegria na vanglória ou na auto-piedade.

O quinto capítulo tratará da busca da alegria na alegria do Amado, é o capítulo mais completo e complexo do livro.

"Espero que esteja claro até agora que se alguém vem a Deus por dever, oferecendo a Ele a recompensa da sua companhia ao invés de ter sede da recompensa que a companhia dele traz, essa pessoa estará então exaltando a si mesma acima de Deus como seu benfeitor e diminuindo-o como um beneficiário necessitado" p. 42

A busca pelo prazer em Deus é fundamental para toda boa ação nossa, se temos como objetivo abandonar a busca pelo prazer completo e eterno, não podemos ser capazes de amar as pessoas ou até mesmo agradar a Deus. Para o cristão, a felicidade é sim um alvo a ser buscado e não uma mera consequência da obediência ou uma surpresa agradável.

O prazer cristão e sua busca não é algo contrário a Bíblia, ou que desonre a Deus.

Piper explica o texto de 1Co 13, quando apóstolo Paulo fala que o amor não busca seus próprios interesses, para o autor ele quis dizer que o amor não buscará seu próprio conforto à custa dos outros, mas o amor se alegra em amar.

O amor deve ser considerado como uma obra da graça divina. Segundo, uma experiência da graça que nos enche de alegria. Terceiro, sua alegria em Deus virou generosidade, buscando a necessidade dos outros. 

"O amor é a expansão e o transbordar do prazer em Deus, que alegremente  supre a necessidade dos outros (...) Não é a determinação de abandonar seu próprio bem vislumbrando somente o bem do outro. É, primeiro, uma experiência de satisfação profunda na riqueza da graça de Deus, e então uma experiência de satisfação dobrada de estender essa alegria em Deus para uma outra pessoa" p. 49

O amor é pensado como o transbordar da alegria em Deus, a alegria na doação é buscada como dever do crente e não como pecado. 


O prazer cristão também transborda a dor e o sofrimento, sabendo que existem felicidades e a alegrias que só surgem nestes instantes.  Jesus sofreu por nós tendo em vista a alegria de nos salvar e estar junto ao trono de Deus, há uma recompensa maior e eterna, que liberta os cristãos para correrem riscos por amor. 


"o anseio pelo prazer cristão glorifica a Deus, mina o orgulho, apreende as emoções do coração e carrega consigo o preço do amor. Tenho tentado mostrar que ele é inteiramente bíblico e antigo, mas ao mesmo tempo radical e controverso" p. 58


No sexto capítulo, Piper começa a mostrar como isto irradia para algumas áreas da vida, a primeira delas é a adoração. Para ele a grande inimiga da verdadeira adoração é a noção que não deve haver interesse pessoal. 


Há uma noção equivocada do que seria virtude, que deve superar seus interesses pessoais, e jamais buscar seu prazer. O autor lembra Hebreus 11.6, que coloca Deus como o galardoador daqueles que o buscam. 





domingo, junho 03, 2012

O que não é e o que é casamento?

Efésios 5.25-33: Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,  para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,  para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.   Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo.    Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes, a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja;  porque somos membros do seu corpo.  Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja Assim também vós, cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido.


1. O conceito mercearia de casamento.

Hoje em dia, existem duas idéias aparentemente contraditórias que falam para nós o que seria um casamento, ambas estão baseadas na concepção narcisista de que o casamento tem como finalidade: a felicidade pessoal.

1o- Alma Gêmea: existe um conceito hoje que existe para cada um de nós, a pessoa certa. Aquela que irá completar a gente, trazer felicidade para a nossa vida. Então, tudo que precisamos é achar a pessoa certa que tem as qualidades e personalidade que procuramos além de ser bonita e com um pouco de dinheiro.

2o. Tudo é uma questão de ser feliz: o casamento já foi visto como uma etapa importante da vida comunitária da pessoa, hoje é apenas tido como mais um bem pessoal, que vai completar a vida do indivíduo. Então, se por um lado, buscamos a pessoa ideal para nos completar, por outro lado, há uma flexibilidade do compromisso. É o que se chama romance de mercearia.

O romance de mercearia é aquele que funciona de acordo com as leis do mercado, se você é consumidor de uma mercearia, ela oferece produtos e um atendimento que você considera adequado, contudo, surgiu uma nova com os mesmos produtos e serviços mas, com um custo menor, você muda de comércio.

É o que acontece hoje com os casamentos que buscam somente uma satisfação pessoal. O esposo ou esposa olha para o cônjuge e calcula as satisfações recebidas e o custo que está sendo. Se ele encontra outra pessoa que ofereça as satisfações sem o mesmo custo, ele logo estará mudando de relacionamento em troca de ser feliz.

Essa perspectiva moderna ignora que há um mistério no casamento para sua permanência e que jamais se pode encontrar a alma gêmea ou felicidade no casamento.

2. Mistério do casamento.

No verso 33, Paulo fala do segredo do casamento. Maridos buscam respeito de suas esposas e Esposas buscam respeito de seus homens. Emerson Eggerichs coloca bem claro isto:

"Quando o marido se sente desrespeitado é especialmente dificil para ele amar a esposa. Quando a esposa não se sente amada é especialmente dificil para ela respeitar o marido" p. 25



Homens e mulheres são seres diferentes, que se complementam fazendo uma só carne, assim como Jesus se fez um com sua igreja. Um exemplo existem dois conceitos de roupa para usar: para os homens, isto significa roupa limpa, para as mulheres, isto quer dizer roupa nova.

A mulher precisa saber que a pior coisa que ela pode fazer contra o seu marido é desrespeita-lo. Para saber que um casamento não está saudável, este é um sintoma bem claro: quando a esposa começa a contradizer o esposo publicamente.

Por outro lado, cabe ao esposo amar a sua esposa, do mesmo modo que Cristo amou a igreja, a falta de amor é o que mais machuca uma esposa. Do mesmo modo, sabemos que um casamento não está saudável quando um esposo começa a desejar outras mulheres.

Quando não atentamos para esse detalhe isto gera um ciclo, o marido chega em casa em busca da esposa, mas não é amável com ela. Recebe dela uma comportamento frio que ele encara como desrespeitoso. Aí o ciclo doentio continua, corroendo o casamento.

O marido precisa saber que sua esposa quer: 
que você esteja perto
que você se abra para ela.
que você ouça ela.
que você diga sinto muito

A esposa precisa saber que seu esposo:
valorize o desejo dele
valorize a liderança dele.
valorize a capacidade de realizar
valorize o desejo de prover e proteger

Carlos McCord, em seu livro Seis Metáforas de um Casamento Feliz, chama isto de mãos unidas. A mão direita é face pública do casamento, masculina e a mão esquerda, a parte íntima do casamento, privada. 

"O que funciona é executar de forma conjunta as decisões que tomamos em nossa privacidade, visando o maior sucesso do amor"p. 87


3. Como ser feliz e casado?

Descobrimos até agora o que não é um casamento e o que é. Mas, como chegar até lá? Se não podemos alcançar felicidade no casamento e não existe a pessoa que vai realizar a nossa vida. 

Casamento não traz felicidade, somente duas pessoas cheias do Espírito Santo, então, já felizes podem proporcionar um casamento feliz. O casamento deve ser visto como uma mistura de felicidades.

Vamos lembrar que respeito - submissão - e amor são frutos do Espírito Santo, somente com as nossas vidas ligadas em Cristo podemos oferecer estas coisas para o nosso cônjuge.  Carlos McCord lembra que:

"Portanto, receber nosso casamento como um presente de Deus é a única maneira de fazer com que nosso casamento continue a ser o que de fato deve ser"  p. 157

Enquanto estivermos focados em nós mesmos, não podemos ser felizes. 

"Paulo não cria uma represa contra o rio do prazer, ele cria um canal para ele. Ele diz: "maridos e esposas, reconheçam que no casamento vocês se tornaram uma só carne. Se vocês viverem para seu prazer particular à custo do seu cônjuge, vocês vão viver contra si mesmos e destruir seu prazer. Mas se vocês se dedicarem de  todo seu coração ao prazer santo do seu cônjuge, vocês estarão vivendo para seu prazer também e vivenciando o casamento de acordo com a imagem de Cristo e sua igreja". É isto o que Deus para o casamento: expor a glória de Cristo ao buscar seu prazer no prazer santo do seu amado"  John Piper, Plena Satisfação em Deus,  p. 69

sábado, junho 02, 2012

O anticristo, os anticristos e o espírito do anticristo.


Ricardo Quadros Gouveia em seu livro O Anticristo na Bíblia e na história estuda o papel e os conceitos a respeito desta figura bíblica nas Escrituras e na história.  Uma coisa que me surpreendeu é que ele defende que o conceito de anticristo tem uma plurivocal, ou seja, designa mais de uma coisa.

Normalmente, se atém somente ao estudo da figura última do anticristo, aquele que irá surgir antes da Parousia, contudo, o autor mostra que a bíblia tem mais de um conceito a respeito deste termo.

1. O anticristo como um ser único está no texto de 2Ts 2:3,4,8,9 e 1João 2:18.  Ele seria  o falso-cristo (Mt.24.5) e o tirano perverso (Ap. 13,14, 17, 18).

2. Os anticristos que são esperados para o futuro conforme os evangelhos e já revelados como está em 1 João 2. Seriam os falsos-cristos, falsos profetas, enganadores e mentirosos. A reforma, por exemplo, identificou com o papado. Se a igreja é universal e institucional, assim há também os hereges (falsos profetas) e perseguidores (inimigos de Cristo) -Mc 13.22 e Dn 9.27-.

3. O espírito do anticristo  (1João 4.3), seria como um princípio abstrato do mal. Está presente nas pessoas, nas palavras, nos sistemas e nos feitos de pessoas e instituições humanas.(Mt.25.15, Lc 21.20, 1Jo 4.1-6). Se pelo lado de Jesus, temos a verdade e o amor, por outro lado, há a falsidade e violência. (1Jo 3:7-10 e Ez 38-39).

"O mal como o experimentamos, o mal que afronta Deus, que aflige os homens, é a maldade concreta presente na vida humana, aquela que vemos ao nosso redor, que está presente em todos nós. O modo pneumático do anticristo deve ser temperado pelos modos plural e individual do anticristo" p. 436

domingo, maio 27, 2012

Quando Jesus vomita a gente?







Apocalipse 3.14-22:   E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.  Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente!   Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu),   aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo. Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Nas sete cartas para as igrejas, há sempre três coisas que aparecem: uma é Cristo como mensageiro e uma característica especial de sua pessoa, outra é um elogio e, a seguir, uma reprimenda. Laodicéia e Esmirna precisavam de renovação, então, não recebem qualquer elogio, pois a auto-ilusão já se fazia presente em ambas as comunidades.

O auto-engano proporcionado pela prosperidade foi o grande motivo da queda desta igreja, como muitos de nós, por vezes na vida, quando as coisas começam a ir bem, começamos a nos sentir auto-suficientes, achando que em nós temos respostas e suficiência para todos os problemas da vida.

Quando começamos a pensar assim, ficamos como um ser estranho dentro do Corpo de Cristo, e Ele tem mais é que nos vomitar para fora, porque não queremos ser mais alimentados da sua verdade e do seu Espírito,mas das nossas próprias conquistas e sabedoria. Ele nos vomita do seu Corpo santo porque antes o colocamos para fora da igreja. Mas, em sua misericórdia eterna, ele bate querendo entrar de volta.

Jesus quer que aprendamos que a santidade não pode vir de nossas próprias capacidades, que a real segurança não pode vir de nossas conquistas, e que a pureza não pode ser alcançada pelos nossos esforços.

Antes de mais nada, Jesus mostra a realidade de quem nós somos: pobre, cego e nu. Achamos que a riqueza pode nos trazer conforto, mas ela nos traz uma pobreza espiritual. Achamos que o poder pode fazer com que nos sintamos importantes, mas ele apenas nos cega sobre nossa situação. Achamos que nossos prazeres podem enganar nossa corrupção, mas estamos nu e envergonhados diante do Senhor.

Esta lista, João já tinha nos falado dela em outra forma:

1João 2.16   Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.

Sexo, poder e dinheiro eis a argamassa do mundo, com a qual o inimigo constrói seu império mundano.  Quando a igreja tenta sem Deus, lidar com esses três poderes acaba se tornando refém deles.  A própria palavra Laodicéia pode significar opinião do povo, pensando assim, buscavam seu próprio conselho, e não mais de Deus.

A solução que Jesus busca é que reorientemos nossa vida, descobrimos nele o modo de como devemos lidar com essas três coisas.  A grande lição para Laodicéia é voltar a adorar a Deus, usando tudo para adora-lo e servi-lo, deixar de lado o orgulho espiritual e aprender de Deus como viver.


1. Vestes brancas para tua nudez.

Buscar em Jesus a santificação e a pureza do corpo, não em conselhos humanos.

1 João 2.6   Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou.


2. Colírio para olhos.
Para o problema da busca do poder para dar sentido a vida, João nos ensina a buscar o poder do Espírito Santo para controlar nosso desejo.

1João 2.11   Mas aquele que aborrece a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos.


3. Ouro provado no fogo.

Nossa riqueza vem das mãos do Senhor, e não das nossas.

1João 2.15   Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

O senhor nos repreende por que nos ama, e quer voltar a ter um relacionamento íntimo e abundante com cada um de nós.

1João 2:4-5: Aquele que diz: Eu conheço-o e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele.

O único modo que podemos viver a vida cristã não é confiando em nossa própria opinião ou em nossas próprias forças, mas na Palavra de Deus e na força do Espírito Santo, esse é o caminho para andarmos como Jesus em seu corpo, que é a igreja.




sábado, maio 26, 2012

O que significa seguir a Jesus?



LUCAS 9:57-62: E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores.  E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.  E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá enterrar meu pai.  Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu, vai e anuncia o Reino de Deus.  Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.  E Jesus lhe disse: Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.


O que significar seguir a Jesus? A definição mais simples que podemos ter é a de entrar no Reino de Deus. Este reino é o poder de Deus que invade este mundo transforma tudo através do poder do Espírito Santo, não é um reino deste mundo, mas que vêm de Deus.

Diferente dos líderes humanos, Jesus não coloca seu reino como uma fantasia ou mundano, seu reino é celestial, e somente pode se entrar nele se for chamado por Jesus.

Neste texto de Lucas, nós vemos quem são as pessoas que entram e que não entram neste reinado. Para entrar neste reino, precisamos ser salvos por Jesus e ter Ele como nosso rei. Pensando em Bonhoeffer, é preciso duas coisas que, normalmente, separamos: crer (Jesus como salvador) e obedecer (Jesus como senhor).

O primeiro homem narrado por Lucas, é aquele que apenas crê, mas não entende a dureza do reino, não entende o que é obediência. Ele quer seguir a Jesus pensando que se ele seguir Ele por todos os lados,  sua vida ficará melhor. Há apenas obediência, há apenas a ilusão de que o esforço pode mudar a vida. Não há um crença em Jesus como salvador, o que salva este homem é sua obediência.

A resposta de Jesus, é que as raposas tem covis e e as aves tem ninhos, ou seja, haverá problemas. Jesus está dizendo que não tem status, não tem riquezas, não tem influência, não tem ao menos um lugar para morar. A promessa dele não está em comida ou bebida, mas em justiça, paz e alegria que é o Reino de Deus.

Muitos começam a seguir por entusiasmo próprio como este homem, achando que vão melhorar as suas vidas, mas quando acontece um revés não entendem por que aquilo que está acontecendo com eles. Estes não entendem o que Jesus diz, que haverá sofrimentos, haverá problemas, há uma cruz que devemos carregar e compartilhar com Ele, crendo que Ele e não nossos esforços vão produzir descanso para a nossa alma.

Os dois últimos homens são os exemplos de um outro lado da questão, muitos acreditam em Jesus, mas não querem obedecê-lo.  Porque não entendemos a grandeza do chamado de Jesus.

O segundo homem diz que primeiro quer enterrar seus pais, ele coloca as obrigações antes  do seguir a Jesus, ele quer cuidar do seu passado antes de começar a seguir a Jesus.  O terceiro homem diz que primeiro quer despedir dos seus familiares antes de segui-lo.  É a questão de muitos de nós, eu vou segui-lo, contudo, existe o mas antes ou o contanto que.

Entrar no reino de Deus significa um compromisso absoluto com este reinado, Jesus não pode ser nosso salvador e rei se não abrirmos mãos dos nosso mas antes.

Se você tiver qualquer condição ou qualificação, isto é, o seu verdadeiro rei, você mesmo. Você é que está no controle da sua vida. Você diz que quer ser bom, mas ainda não. Ou seja, você diz sim ou não para Jesus, diz acreditar nele mas nega sua obediência.

A primeira resposta de Jesus, deixe os mortos enterrarem seus mortos, quer dizer que se existe alguma coisa mais importante que seguir a Ele, nós estamos mortos.  E isto vai matá-lo. 

Quando dizemos a Jesus, eu vou segui-lo mas antes deixe eu fazer tal coisa ou contanto que tal coisa aconteça, esta condição é, na verdade, nosso rei e salvador, acreditamos que quando resolvemos isto estaremos salvos e vivos, por isto mesmo, estamos mortos.

A terceira resposta de Jesus diz que quem coloca a mão no arado e fica olhando para trás é apto para o reino de Deus.  Quando estamos arando uma terra é essencial que fiquemos olhando para frente para que não saia nada torto e o trabalho seja bem feito, quando estamos seguindo a Jesus há momentos em que não enxergamos claramente o fruto que será produzido com a nossa retidão em segui-lo, mas devemos continuar seguindo crendo que Ele tem o melhor para nós.

A obediência está ligada a crença de maneira inseparável, porque cremos que Ele é o nosso salvador e obedecemos porque ele é o nosso senhor, assim crer em Jesus é que Ele melhor que nós sabe o que é vida para nós e obedecemos porque confiamos em seu juízo.

Quando ficamos olhando para trás para as coisas que deixamos antes de começar a segui-Lo, os antigos ídolos do nosso coração começam a reviver, deixamos o reino de Deus.

Ninguém que ama qualquer coisa mais do que Ele pode permanecer no reino de Deus, para glorificar a Deus em nossa vida, devemos buscar nossa alegria nele somente a todo instante. Nenhum de nós está isento disto.

Para concluir, lembro-me da frase de C.S. Lewis, que muitos preferem reinar no inferno, do que servir no reino de Deus". Esta é a escolha que se coloca para cada um de nós nessa vida, uma vida ou uma morte, crer e obedecer ou morrer.


fonte:

Bonhoeffer - Discipulado.
Timothy Keller - Let the Dead Burry Their Dead
C.S. Lewis- O Grande Abismo