quinta-feira, julho 12, 2012

Mike Wells: O discípulo e Deus

No quarto capítulo de Discipulado Celestial, Mike Wells vai falar a respeito do conhecimento de Deus que o discípulo tem. Ele começa com uma crítica ao conhecimento emocional de Deus que o coloca sob um holofote e esperando que Ele prove a si mesmo.

Para se conhecer Deus, precisa conhecer Jesus Cristo  como diz João 1.18. Mike parte da declaração de Jesus em João 14.6: Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao  Pai  senão por mim.

"Jesus afirma ser o caminho, antes de ser a verdade. Muitos hoje colocam a verdade adiante do caminho e, ao agir assim, fizeram do cristianismo uma lista de regras a serem seguidas na ordem certa. Jesus é o caminho para a verdade, pois à sua luz nunca mais teremos definições falhas das verdade" p.85


Para Wells, Deus não oferta primeiro a verdade para nós, Ele nos dá o caminho para ela. A verdade absoluta está revelada em Cristo, não uma que pode ser decorada. O que é conhecido sobre Deus é proporcional ao andar pelo Caminho. Contudo, se ficarmos satisfeitos com a falsa verdade sem o Caminho, cairemos em mera divagação.

Ministrando ao desejo, Deus busca transformar o coração, de dentro para fora. Assim, o comportamento se ajusta ao coração. Se olharmos para o comportamento podemos perder de vista o desejo do coração e acabamos parecidos com fariseus e escribas. Qualquer vestígio de desempenho para sermos aceitos por Deus foram removidos  quando tentamos viver por nós mesmos, precisamos compreender que o amor de Deus e sua aceitação não são baseados no que fizemos, mas em que somos nEle e somos dEle por toda a eternidade (Rm 8.38-39).

Durante a caminhada, somos tentados a achar que nossos fracassos nos afastaram de Jesus. Contudo, a tristeza pelo fracasso é uma prova de um novo nascimento e está de acordo com a vontade divina. Por que então quando somos perdoados, continuamos a nos sentir sem ele? 

Segundo o autor,  a primeira razão é a auto-retidão (auto-justiça) que é a demonstração de uma confiança nas suas próprias habilidades, essas pessoas vivem mediante a força percebida, e não a fraqueza, pois eles crêem que podem ser tentados e saírem ilesos. 

"O indivíduo com esta atitude mental examina o caminho mais simples de Deus e opta por seus próprios esquemas elaborados de libertação, de enfrentar a vida, de viver com um parceiro, criar seus filhos, e trabalhar com outros. A depressão desse homem é simplesmente ira por não ser capaz de desempenhar-se sem Deus, em seu nível esperado de sucesso" p. 93

O outro problema é da incredulidade, muitos querem ser pessoas de fé, mas poucos querem ter experiências que produzem fé. As pessoas tem sentimentos ruins e passam a acreditar neles, contudo devemos ir das emoções falsas para a verdade pela fé.

A questão é de dependência, muitos colocam a questão como de força de vontade, entretanto, o fundamento da vida é Cristo, e nosso relacionamento com ele. Não se trata de força de vontade, não é a vontade da pessoa que a salva. Mesmo porque, se formos impedidos de pecar, é Deus quem nos impede, se vencermos, é pelo seu poder que temos a vitória - Hb 2.18 e Tg 1.13.

Mike resume este ponto da seguinte forma- quando o crente é mantido é Deus que o guarda, quando o cristão peca, é responsabilidade dele com a permissão passiva de Deus.

Nas páginas 102 a 104, Mike oferece uma lista de nove pontos a respeito do relacionamento do discipulo com seu fracasso.

1. Para o crente, o pecado e o castigo são uma única e mesma coisa.

2. Os cristãos incrédulos sofredores, na verdade, põem Cristo de lado, como se o comportamento certo fosse mais importante que o sangue de Jesus.

3. O pior castigo que alguém pode impor a si mesmo é o ódio pessoal. Nada é tão ruim quanto olhar-se no espelho odiando-se.

4. A carne e o espírito se satisfazem apenas momentaneamente, assim, fomos criados para um relacionamento contínuo, que nos satisfaz momento a momento. E este ou é com a carne ou é com o Espírito.

5. Os seres humanos são atraídos naturalmente para um relacionamento.

6. O pecado complica a vida, O pecado nunca permite que a vida seja fácil.

7. Ficamos deprimidos quando perdemos tudo porque somos orgulhosos demais para reconhecer que tudo que possuíamos era Cristo e sua provisão.

8. Posso respirar na terra e não no mar, ou seja, uma vida guiada pelo espírito não se alimenta da carne, a vergonha pelo fracasso é uma prova dessa nova vida.

9. Não é fraqueza espiritual evitar aquelas coisas que atraem nossa natureza carnal.


O discípulo foi criado para a liberdade conforme Tg 1.25. Mike pensa a liberdade a partir do relacionamento do pai com seu filho, o próprio Deus nos julga a partir da lei da liberdade, sua misericórdia é maior que seu juízo. 

A primeira coisa a fazer com a nossa liberdade é tratar os outros como fomos tratados por Deus. 

Estamos num relacionamento com Deus, nossa obediência não deve ser buscada como um dever,mas um privilégio, a obediência provém do amor dEle, mas se torna um aborrecimento quando é  apresentada como dever.

Assim, outra prisão é o nosso passado, se decidirmos viver a partir de lá,  excluiremos Deus de nossas vidas, ficamos sozinhos e sem esperança.

Na oração, devemos nos lembrar do sangue de Jesus, que nos liberta do nosso pecado, do nosso egocentrismo. 

"Deus é o amor que o corpo, a alma e espírito necessitam tão desesperadamente. Da próxima vez em que estiver em conflito, inclua Deus na discussão e observe as hostilidade diminuírem. Não introduza ensinamentos sobre Ele ou teologias favoritas, coloque o Cristo vivo na situação e observe-o fazer o que o entendimento não consegue" p. 116

Sobre a vontade de Deus, Mike coloca duas razões para os cristãos não ouvirem a Deus. A primeira, é o silêncio de Deus que se deve ao fato de que estamos na vontade dele. A segunda é que devemos nos perguntar se estamos realizando a última coisa que Ele mandou para nos fazermos. 

A voz do inimigo é sempre severa, condenatória e julgadora. 

O homem no Espírito foi feito para a liberdade, por vezes, gastamos muita energia tentando saber o que é permitido, quando deveríamos saber as poucas coisas que nos foram proibidas. Se evitarmos o egocentrismo, veremos que noventa por cento do que fazemos é permitido. O problema é o que o inimigo busca levar o crente a acreditar na escassez do que na abundância da vida em Cristo.

O inimigo, também, gosta mais da culpa do pecado do que o pecado em si, para alguns a culpa pode durar a vida toda. Vemos a bondade do perdão, mas continuamos a evitar o SEnhor por medo das consequencias. 

Quando confessamos nossos pecados, Deus começa a reduzir o impacto das consequências em nossas vidas, ele perdoa e purifica a gente. O fracasso que é quando o homem fica sob a influência de qualquer outra coisa que não seja Deus, tem duas partes: confissão e poder purificador.  Temos que aceitar o perdão e a purificação, a auto-flagelação não leva a lugar algum.

Voltando a questão de ouvir a Deus, Mike coloca o problema como de desejo de coração, Deus sempre esta falando,contudo, alguns estão sintonizados na voz do inimigo.Contudo,

"Como costumamos dizer, o bom é inimigo do melhor. É bom ouvir a Deus, mas não é o melhor. O melhor é andar pela fé sem ouvir- confiar embora não ouvindo. Portanto, se houver períodos em que depois de ter ouvido a voz dele deixe de ouvi-la, não deve buscar uma palavra, uma voz ou uma visão. Buscar uma voz e evitar a fé não é o melhor. Somos frequentemente levados a crer que nossa aceitação de Deus significa que sempre temos uma comunicação direta, audível com Ele. Os que afirmam isso não tem necessidade de uma fé ativa. Como pessoas de fé, iremos andar quer ouçamos ou não" p. 125

O orgulho é o mestre do disfarçe, a depressão como ódio a si mesmo tem sua fonte nele. Assim também a auto-defesa.

Jesus embeleza nosso mundo, Ele veio ao lixo que é este mundo e plantou uma flor que é a igreja, que revelaria seu coração e sua glória.




terça-feira, julho 10, 2012

Definições: você tem fé em que?

1 CORÍNTIOS 13.1-13: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. 2   E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria. 3   E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria. 4   A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, 5 não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6 não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; 7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8  A caridade nunca falha; mas, havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. 10 Mas, quando vier o que é perfeito, então, o que o é em parte será aniquilado. 11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. 12 Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, ntão, conhecerei como também sou conhecido. 13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três; mas a maior destas é a caridade. 


A partir do texto de Paulo, gostaria de falar sobre algumas definições que devemos ter em nossa vida como cristão. Já venho falando deste assunto em algumas postagens a respeito de minhas conversas com o Pr. Carlos McCord. 

Aqui volto ao assunto, tendo em vista o texto paulino onde aparecem as três palavras chaves da definição da vida cristã: fé, esperança e amor.

1. Você tem fé em que?

Vivemos numa época muito parecida com a era do apóstolo, há muitas opções de deuses no mercado, mesmo o cristão, há várias formas hoje de se colocar e tentar definir o que é a fé.  Uma época que parece muito com a descrita por Lucas em Atos 17, há várias superstições e suposições, e o evangelho de tão desconhecido passa a ser para alguns crentes uma doutrina nova (vs.19).

A igreja de Corinto é descrita pela sua abundância maravilhosa de dons, havia dons miraculosos, dons de ensino e pregação, preocupação social  e um incrível nível de compromisso como deixar seu corpo ser queimado.

Contudo, apesar de tanta coisa, eles não tinham nada de Deus em seus corações, por que?

Existem dois modos de enxergarmos a vida cristã, uma delas é o evangelho e outra é a religião.

Na religião, a fé é aquilo que fazemos para Deus para merecermos o favor dEle para nós, a religião começa e termina com eu. A religião prega esforço, faça, seja, mude, enfim, listas e mais regras de coisas que você deve fazer para se religar a Deus. A religião é o esforço do homem em buscar a Deus.

O evangelho é outra coisa, é Deus quem busca o homem, sai ao encontro dele para perdoar e salvar para sua glória. O evangelho começa e termina em Deus. O evangelho fala de descanso, arrependimento, abrir mão da própria vida, transformação, enfim, o evangelho é um relacionamento que Deus começa conosco através da fé.

Paulo descreve a igreja como um metal que soa ou como o sino que tine, na religião há tanto julgamento, tanto orgulho que todos têm que afirmar que são especiais. A mudança é sempre de fora para dentro, mas como o metal só tem barulho, não tem calor.

Na fé da religião, as pessoas se distinguem pelas suas próprias capacidades, como falar a lingua dos anjos, então elas criam barreiras de conquista. Uma das palavras favoritas da religião é pecador, sempre para designar aqueles que não estão no grupo.

No evangelho, não há nada em que possamos confiar, qualquer maravilhoso dom que seja, pois é tudo presente. A palavra pecador é usada não para classificar as pessoas, mas para nos lembrar de quem somos todos nós sem a graça de Deus. A fé não é uma conquista dos mais fortes, mas um presente dado por Deus aos mais fracos.

O grande problema da religião é que a fé não está em Deus realmente, está em nós mesmos.  Deus é um auxiliar mas os planos são meus, os desejos são meus, os dons são meus, enfim, a vida é minha.

A fé vem da fidelidade e amizade de Deus para conosco, que mesmo sabendo que somos, foi ao nosso encontro e transformou a nossa vida. A fé é esta amizade com o Senhor Jesus em que agora meus desejos são os dele, meus planos são os dele, os dons são os dele, a minha vida é dele.

Em 2 Reis 5, a bíblia conta a história de Naamã, que era o segundo homem mais poderoso da Síria, que havia conquistado muitas coisas para Síria, mas era leproso. Ele leva uma menina cativa de Israel que conta que Eliseu poderia curá-lo. Naamã começa a preparar-se para conquistar sua cura, começa levantando suas credenciais, seu dinheiro e sua tropa para irem de encontro ao profeta. Tentando conquistar a cura para sua lepra como conquistou tudo em sua vida. Porém, chegando em Israel, o profeta mandou que ele se banhasse no rio Jordão sete vezes e assim, ficaria curado. 

2 Reis 5: 11-13: Porém Naamã muito se indignou e se foi, dizendo: Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, e invocará o nome do SENHOR, seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso.12   Não são, porventura, Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles e ficar purificado? E voltou-se e se foi com indignação. 13   Então, chegaram-se a ele os seus servos, e lhe falaram, e disseram: Meu pai, se o profeta te dissera alguma grande coisa, porventura, não a farias? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te e ficarás purificado.


Por que Naamã ficou indignado? Porque como muitos crentes hoje, ele achava que a fé era alguma coisa que ele faria. Para que Deus abençoasse a vida dele, ele deveria ser um tipo de especial de pessoa que faria alguma coisa mais especial ainda. Agora, banhar-se no Jordão, isto qualquer um poderia fazer.  Por isto que no verso 13, um dos servos, graça a Deus para vida dele, o aconselha, dizendo que se o profeta pedisse algo mais dificil, ele não faria.

A fé em Deus é pura graça de Deus, não está preocupada com os nossos méritos porque diante do nosso Senhor não há qualquer mérito nenhum. Todos somos igualmente dependentes de Deus para viver, todos precisamos da fé em Jesus como aquele que venceu o mundo e nos deu a vitória através de sua vida para podermos ser curados da nossa lepra interior e exterior.

Quando a impossibilidade de podermos construir, conquistar a nossa vida entra no nosso coração é neste instante que se abre a possibilidade da fé, acreditar que em Jesus mesmo sendo quem somos, podemos ter uma vida que faça sentido. 

Fé não é acreditar em Deus para realizar os próprios desejos, sonhos e conquistas; é outra coisa bem diferente, é abrir mão de acreditar em si mesmo, e passar acreditar em Jesus como razão da nossa vida.

"Se crermos na sua presença apenas como algo para nós, e não em nós, transformamos o Evangelho em algo muito menor do que deveria ser. O evangelho, por causa de toda a perfeição de Deus, deve ser nosso agora e para sempre" Carlos McCord, p. 44


bibliografia:

Carlos McCord - A Vida que Satisfaz.

Timothy Keller  Counterfeits Gods.




sábado, junho 30, 2012

Quando vemos Jesus em nossa vida?




MATEUS 25.34-40:   Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;  porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então, os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber?  E, quando te vimos estrangeiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos?  E, quando te vimos enfermo ou na prisão e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão, não me visitastes. Então, eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão e não te servimos? Então, lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos, para a vida eterna


Quando vemos Jesus em nossas vidas?

Os versos 37 ao 39 deste capítulo do Evangelho de São Mateus tem no fundo a mesma pergunta, Senhor quando foi que te vimos? Essa é uma pergunta que muitos hoje já têm, nosso "eu" e sua grande importância e o mundo parecem nos cegar da presença de Jesus em nosso dia a dia.

Existem três momentos em que vemos Jesus em nossa vida, queria falar sobre eles.

A primeira vez que vemos Jesus é quando Ele vem em nossa direção, nos buscar e resgatar de todo pecado e mesquinhez que é a nossa vida. A Bíblia tem uma história de alguém que se encontrou com Jesus pela primeira vez, o jovem rico, ele tinha acumulado muita coisa na vida, muita sabedoria e bens, mas faltava-lhe alguma coisa para herdar a vida eterna.

Faltava conhecer Jesus e seu caminho, Jesus lhe faz um convite para entrar no seu reino, largando tudo que tinha conquistado e segui-lo. Porque aquilo tudo não o tinha levado a lugar nenhum no reino de Deus.

Tudo que fazemos, tudo que conquistamos, tudo que somos não resolveu a nossa vida, não trouxe paz, alegria e satisfação. Está faltando alguma coisa. O essencial a presença de Jesus Cristo em nossa vida.

Aquele estudioso da lei não queria comprometer sua vida com Jesus, pois ele achava que o tinha não perder. Mas, o convite básico que Jesus faz a cada um de nós é o de comprometermos tudo que temos, de por a perder tudo que temos e que somos pois achamos um tesouro maior que tudo que podemos possuir.

O segundo encontro é quando na vida cristã começamos a viver a vida dEle, começamos a nos tornar como Ele. Em momentos que ajudamos aos outros, estendemos a mão, fazemos coisas que nunca jamais poderíamos sonhar em fazer, no jargão de hoje em dia, somos usados por Ele. Damos frutos espirituais, ao invés, de vivermos da carne. Neste instante, vemos a presença de Jesus em nosso coração, em nossa mente e em nossos atos. 

Estamos sendo construídos pelo Espírito Santo na imagem dEle, pois a presença do Espírito louva a Jesus, então, nossa vida começa a ser vivida nEle pois ele é quem dá significado a cada pensamento, cada emoção e cada ato. 

Os teólogos chamam isto de santificação, é quando a presença e alegria de Jesus passa a contagiar a nossa vida e vive-la.  Vemos Jesus em cada momento nosso, e assim, começamos a desfrutar e compartilhar a cada momento daquilo que Ele tem realizado em nossa vida.

O terceiro momento é quando vemos Jesus no outro que está sendo ajudado. Como é isto?  Jesus mesmo sendo Deus e sendo rico de todas as coisas se esvaziou para salvar a cada um de nós. Viveu a nossa condição de pobreza e se identificou com cada um dos necessitados e  excluídos deste mundo.

Quando estendemos a mão para além da nossa ganância e avareza para ajudar aqueles que não tem quem os socorra, podemos enxergar a própria pessoa de Jesus na vida deste que pede ajuda. 

O texto de Mateus coloca Jesus não na pessoa que ajuda, mas naquela que é ajudada. Pois se a generosidade é uma característica divina, o sofrimento também o é, pois o próprio Senhor aprendeu no sofrimento (Hb 5:8).  

Quando Jesus veio ao nosso mundo tomou sobre todas as nossas dores, o sofrimento é o aspecto comum da alienação que a morte e o pecado produziram no ser humano. Jesus trouxe para si todo este nosso fardo, não há sofrimento humano que ele não tenha padecido, por isto, Ele se coloca como um dos nossos necessitados e excluídos, pois Ele mais do que qualquer um de nós sabe o que é não ter nada e depender da graça de Deus e do outro. Ele conhece a pobreza e se faz um com aqueles que a sofrem.

Por isto, quando estendemos a mão para ajudar somos ajudados por Jesus porque vemos no que precisa a real condição de nossa vida: pobre, cego e nu.  Vemos Jesus em todo seu amor por nós que por causa de cada um de nós se fez pobre, cego e nu.




quarta-feira, junho 27, 2012

Mike Wells: O que se ajusta no discipulado celestial

O crente não obedece para beneficiar os outros, mas a si mesmo.  Mike Wells volta ao tema do primeiro capítulo de que a nova vida cristã não combina com a antiga vida.  Ele começa a falar de certas situações que não mais se ajustam ao caminho do cristão.

A primeira delas é a indiferença,  para ele, os indiferentes são pessoas egocêntricas que se cansaram de si mesmos, fora de Deus, o homem é limitado ao que pode realizar.

O medo é um dos maiores inimigos da fé, o evangelho mesmo começou com um anjo dizendo não temas, e depois da ressurreição, de novo, não temas. O discípulo se ajusta a calma e não ao medo.

O homem foi criado para confiar em algo muito maior do que ele próprio, quando confiamos no eu, o medo naturalmente predomina. Vejamos a oração que o autor coloca sobre o problema:

"Pai, temo que o meu foco tenha sido o medo. Olhei para mim mesmo a fim de sustentar-me, controlar o meu mundo, encontrar segurança, e colhi as consequências. Estou cheio de medo. Convido agora o medo para sair, faço de Ti o meu foco. Que a tua presença venha curar-me" p. 57

Outra coisa que não se adapta a vida do discípulo é a procrastinação, Mike lembra que uma decisão errada geralmente afeta uma área de nossa vida, contudo, a procrastinação afeta todas as áreas de nossa vida.

Devemos, então, tomar decisões baseadas no fato de que você tem um Deus que o protege, a fé não é escuridão, é clareza. Quando for decidir, Mike fala:

- Pai, esta é a minha decisão, quero a sua vontade e não a minha. A seguir entre em ação.

Há uma coisa exclusiva do cristianismo, ela chama liberdade.  Procurar a vontade de Deus com nossa compreensão finita, esperando sempre não deixar de vê-la é a causa de muita miséria. Tentamos fazer um retrospecto de nossos atos enquanto minimizamos todo o tempo a atividade dele em nossas vidas.

Somos designados para agir e não para a incredulidade da procrastinação

A amargura também não se ajusta ao discípulo, pois ela nunca produz o que promete. 

"Duas fontes comuns de amargura são as acusações falsas e sentir-se usado por alguém. Se você não conseguir aceitar  que outros pensem que está errado quando sabe que não está, pense que a verdade invariavelmente  acaba prevalecendo, portanto, a fé pode sempre esperar. Quando for usado, em vez de permitir que a amargura se instale, aceite que você está sendo usado e vá em frente" p. 63

O pessimismo também não se ajusta ao discipulado celestial, o pessimista é uma pessoa egocentrica, tudo existe para sua satisfação. 

"o mais surpreendente é que essas pessoas hipersensíveis são paparicadas por crente bem-intencionados por causa de um falso conceito do que significa ser espiritual. Ser espiritual é falar a verdade em amor. A verdade  não só liberta, como também é um grande divisor... a resposta é realmente muito simples: diga a verdade a eles em amor. Se estiverem decididos a andar na carne , a verdade irá afasta-los de você" p. 65

O discipulo celestial tem em si o poder de criar felicidade para os outros.

O discipulo celestial deve compreender suas fraquezas, seus desajustes e aceita-los.  Existe um alvo para cada um de nós, muitos se perdem no meio do caminho devido a sua divisão interna.  Ag

Pensando liderança a partir de Henri Nouwen



Para Henri Nouwen em "O Curador Ferido", o grande problema das pessoas hoje podem ser pensados em três aspectos: a questão interior mal resolvida, a ausência de pais e a inquietude. A liderança cristã deve ser um articulador da vida interior, um homem compassivo  e o líder como um crítico contemplativo.

O ministro deve clarificar o mundo interior das pessoas, para tanto ele deve ser capaz de articular em sua própria vida e experiência. O líder cristão é o que guia a confissão, segundo Nouwen, que homem é homem e Deus é Deus e de quem sem Deus, o homem não pode ser homem.

Não se trata de técnicas, mas relacionamento numa caminhada de fuga da terra da confusão para a terra da esperança. 

Pensando em minhas conversas com Carlos McCord, as definições vem sempre antes, saber o que é fé, o que é conversão e o que é frutificação. O grande problema hoje é a multidão de definições e indefinições que existem no mundo e no mercado o que gera uma maior confusão das pessoas e da própria liderança a respeito de sua vida interior.

A segunda questão que Nouwen levanta é sobre a carência dos papéis paternos, a resposta dele é compaixão. A compaixão torna-se autoridade porque não cede as pressões de grupo, aponta a possibilidade do perdão e da humildade. 

Contudo, há o grande perigo de uma paternalização da liderança.

A terceira característica resposta do ministro é que ele deve ser um ministro contemplativo. 

Nouwen diz que hoje há uma completa inquietude na geração atual devido a falta de ideais por causa da ausência de pais e também da falência de utopias. Para pensarmos esta questão ainda mais vamos dialogar com o sociologo Zygmunt Bauman, em seu Vidas Desperdiçadas:


Os problemas de hoje mudaram: são relacionados aos objetivos, e não limitados pelos meios. As rotinas de outrora, alvos dos vitupérios e da indignação de tantos, enquanto elas estavam em pleno vigor, foram agora abandonadas -levando consigo para o túmulo aquele crédito que inspirava segurança. Agora não se trata mais de encontrar meios para atingir fins definidos de modo claro e então segurá-los com firmeza e usá-los com o máximo de habilidade para obter o maior efeito possível. A questão agora é a indefinição (e com muita freqüência o irrealismo) dos fins - que se desvanecem e dissolvem mais depressa que o tempo necessário para atingi-los, são indeterminados, não-confiáveis e comumente vistos como indignos de comPromisso e dedicação eternos. As regras de admissão aos trajetos estabelecidos e as permissões de embarque também não merecem mais confiança. Se não desapareceram  de todo, tendem a ser eliminadas e substituídas sem aviso. O mais importante é que, para qualquer um que tenha sido excluído e marcado como refugo, não existem trilhas óbvias para retornar ao quadro dos integrantes.  (p. 25)


Como pode o líder ajudar esta geração a encontrar lugares para criatividade e ser realmente um agente de mudança?  Para Nouwen, o ministro que descobre em si mesmo a voz do Espírito Santo e redescobre os homens como seus companheiros de viagem, ajudando-se na compaixão mútua, pode ver as pessoas e revelar a elas atos de um novo mundo. Como um contemplativo crítico, no dizer de Nouwen,  não está absorvido pela ordem do dia e nem distanciado da beleza do dia.

Assim olha o mundo olhos críticos e ao mesmo tempo compassivos.

Para Nouwen, o homem de oração é capaz de descobrir nos outros a face do Messias, e fazer visível aquilo que está ocultado, fazer palpável o que é inalcançável.



O lider cristão é como um artista que dá expressão as preocupações pessoais de outras pessoas. A fé no significado e no valor da vida é um princípio da liderança cristã.  O líder cristão não é líder porque anuncia uma nova idéia e tente convencer os demais do seu valor, é porque encara o mundo com os olhos cheios de expectativa, com habilidade de arrancar o véu que cobre todas as potencialidades escondidas.


O líder cristão é um homem de esperança, que não vem de uma auto-confiança baseada em sua personalidade, nem tampouco de uma expectativa concreta sobre o futuro, mas da promessa que lhe foi dada.


Nouwen lembra que construir uma liderança cristã com esperança de resultados concretos  é como construir uma casa na areia, e até nos tira a capacidade de  aceitar os êxitos como  um dom gratuito.


Esperar o amanhã como um ato de liderança cristã exige uma preocupação pessoal, uma profunda fé no valor  e no sentido da vida e uma forte esperança que rompe as barreiras da morte.


No quarto capítulo, Henri Nouwen fala sobre o ministério levado a cabo por um ministro sozinho, o que cura desde suas feridas. Ele lembra que o Messias é reconhecido pelas suas feridas que curam. Ele é ao mesmo tempo o ministro ferido e o ministro que cura.


Quais são as feridas do ministro ferido: isolamento, alienação, solidão  e separação.  A solidão talvez seja a palavra mais característica, vivemos numa sociedade de competência e rivalidade que levam ao isolamento. Contudo, no entender de Nouwen, devemos entender que a nossa solidão é parte também da nossa condição humana, que nos ajuda a compreender o ser humano. 


O ministro também sofre um outro tipo de solidão, quando começa a notar que seu impacto sobre os demais está diminuindo. Ao ministro se pede que fale sobre as últimas preocupações, mas fica isolado externamente pela cortesia.


A ironia é que o ministro que quer mexer no centro da vida dos homens, se encontra ele mesmo na periferia, buscando inutilmente que o admitam. Um conhecimento profundo de sua própria dor permite converter sua debilidade em força e oferecer sua própria experiência  como fonte de cura para os demais que estão perdidos na escuridão de seu sofrimento incompreendido.


O ministro que cura a partir de suas feridas,  fazer de suas  feridas uma fonte de cura não é uma chamada para compartilhar as dores pessoais superficiais, senão um constante desejo de ver o sofrimento de si mesmo como surgindo do fundo da condição humana que todos compartilhamos. 


Nouwen desenvolve o conceito de hospitalidade, para ela converter-se em poder curativo abarca dois conceitos: interiorização e comunidade. Nossa presença não é ameaçadora ou exigente, mas acolhedora e libertadora.










Bibliografia:

BAUMAN, Zygmunt Comunidade: a busca por segurança no mundo atual

NOUWEN, Henri El Sanador Herido