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segunda-feira, agosto 12, 2013

Steve Timmis e Tim Chester: IGREJA TOTAL

Igreja Total está baseado em duas premissas indissociáveis: no Evangelho e na Vida em Comunidade.

Por que o Evangelho?
 
"Na igreja, o Cristo ressurreto governa por meio da sua palavra. Isso porque a única habilidade exigida dos líderes da igreja é que eles possam ensinar, aplicando corretamente a palavra de Deus. A autoridade deles é uma autoridade mediada. Eles não possuem autoridade em si mesmos. Antes, exercem a autoridade de Cristo no nome dele, na medida em que ensinam e aplicam a palavra. Isso define a incrível extensão da autoridade deles: quando aplicam a palavra, exercem a autoridade do próprio Deus". (p.29)

O evangelho é uma palavra, portanto a igreja deve ser centrada na palavra.

 Por que  Comunidade?

"A individualidade divina é definida em termos relacionais. O Pai é o Pai porque tem um Filho. Deus é parte de uma comunidade. A individualidade humana também é definida em termos relacionais. A existência de uma pessoa sem relacionamentos é tão impossível quanto a de uma mãe sem filhos ou um filho sem pais" (p. 40)

"Deus é um Deus missionário, e a sua principal metodologia missionária é sua aliança com as pessoas. A humanidade foi feita à imagem do Deus trino. O propósito de uma imagem é  representar algo, e fomos feitos para representar Deus na terra. Deus nos fez pessoas que são parte de uma comunidade para sermos o veículo por meio do qual ele revelaria sua glória. Mas a humanidade buscou autonomia de Deus. Caímos sob a maldição de Deus, e a comunidade humana foi quebrada. Os portadores da imagem de Deus não alcançaram sua glória" (p. 47)

A Comunidade se move por todo o globo (um movimento centrífugo), o tempo todo atraindo pessoas para o Senhor por meio da sua vida comum (movimento centrípedo) (p.49)

"Nossa identidade como seres humanos é encontrada na comunidade. Nossa identidade como cristãos é encontrada na nova comunidade de Cristo. E nossa missão é realizada por meio das comunidades da luz. O cristianismo é igreja total". (p. 50)

Evangelismo.

"Por sua vida, criada e transformada pelo evangelho, a igreja revela a natureza do governo de Deus. Por essa vida e proclamação do evangelho, ela chama as nações a adorarem a Deus" (p. 55)

A comunidade cristã é uma parte vital da missão cristã, a missão se dá na medida em que as pessoas veem nosso amor uns aos outros. A vida da comunidade cristã é parte da forma pela qual o evangelho é comunicado. Aqui ele cita Lesslie Newbigin, que diz que a congregação local seria como a hermenêutica do evangelho.

Os três fios do evangelismo seriam:  construir relacionamentos, compartilhar o evangelho e apresentar as pessoas à comunidade cristã.

A vida em comum com intencionalidade evangélica, para os autores, a maior parte do ministério evangélico envolve pessoas comuns fazendo coisas comuns com intencionalidade evangélica, o comum precisa ser saturado com um compromisso de viver e pregar o evangelho.


Envolvimento Social

Para os autores, o evangelismo e a ação social são atividades distintas, a proclamação é central e o evangelismo e a ação social são inseparáveis.

"Nossa prioridade  em termos de envolvimento social é sermos igreja, uma comunidade de acolhimento e inclusão de marginalizados. Isso precisa ser mais profundo do que um aperto de mão na porta da igreja. As pessoas muitas vezes não têm consciência do quanto da cultura da igreja é adaptada à classe social. Uma pessoa na porta de uma igreja pode, por exemplo, entregar um hinário, uma Bíblia, um boletim a um visitante com um sorriso, cumprimentando-o, sem se dar conta de quão intimidante isso pode ser para alguém que vem de uma cultura não alfabetizada. As atividades sociais para as quais os pobres são convidados, o processo de tomada de decisão da igreja, as regras do vestuário não escritas, o estilo de ensinar - isso tudo pode ser estranho aos marginalizados. Assim, mesmo que haja acolhimento, os pobres podem se sentir tão marginalizados dentro da igreja quanto fora dela" (p.81)

"O mundo estimula o intelecto dos profissionais, a influência dos poderosos e a nobreza das classes mais altas, pensando que essas coisas são importantes. Mas nós nos gloriamos em Cristo Jesus" (p. 83)

Plantação de igrejas.

"A igreja local é o agente da missão. É o contexto em que as pessoas aprendem o discipulado. Não pode haver uma missão cristã sustentável sem comunidades cristãs locais sustentáveis. A vida da comunidade cristã faz parte da mensagem do evangelho de reconciliação e da maneira como essa mensagem é comunicada" (p. 88)

"Reproduzir igrejas constantemente era o modelo das igrejas apostólicas, mas era um modelo que deu plena expressão aos princípios da comunidade cristã. De certa forma, o modelo domiciliar define a igreja. A igreja é a casa de Deus." (93)

Uma visão de crescimento de igrejas deve ser uma visão de plantação de igrejas, toda a igreja local deve ter o objetivo de transplantar e levantar plantadores de igreja.

Missão Mundial

"A esperança é essencial à nossa mensagem. Os não-cristãos promovem a justiça e alimentam os famintos muitas vezes com mais energia do que os cristãos. Mas somente os cristãos podem conduzir as pessoas em direção ao mundo vindouro. Somente os cristãos podem lhes mostrar quão eloquente e relevantemente a Bíblia descreve o mundo que todos queremos" (p.102)

"A igreja é a estratégia missionária de Deus. No coração do plano de Deus para abençoar as nações, está o povo de Deus. A igreja é formada pela missão e para a missão (...) O Novo Testamento fala da igreja em dois sentidos. Primeiro, a igreja é a congregação celestial continuamente reunida ao redor do trono de Deus. Segundo, são chamadas de igreja congregações locais que mostram a realidade dessa igreja celestial. (...) Sabemos que a vinda do Reino de Deus é uma boa notícia devido ao tipo de reino que o Rei exerceu na terra. Sabemos que essa continua sendo uma boa notícia por meio das comunidades que ele cria, as quais vivem uma vida plena e servem de modelo para o seu reino. É por isso que podemos falar da igreja como a estratégia missionária de Deus. E isso significa igrejas locais de verdade!" (p. 103)

Tornou-se comum fazer uma diferenciação entre a a missão de Deus - missio Dei - e a missão da igreja - missio ecclesiae.  Contudo, a a missão da igreja deve estar envolvida na atividade de Deus no mundo.

"Hoje, o poder militar e econômico das nações ocidentais lutam contra a ameaça do terrorismo internacional. A derrota de um inimigo composto por células locais, trabalhando em prol de uma visão em comum com grande autonomia, mas valores compartilhados, tem se demonstrado difícil. Eles são flexíveis, interessados, oportunistas, influentes e eficazes. Juntos, parecem ter um impacto muito maior no nosso mundo do que teriam se fizessem parte de uma organização estruturada e identificável. As igreja podem e devem adotar esse mesmo modelo de grande impacto na medida em que trava paz no mundo" (p. 108)

Discipulado e Treinamento.

O batismo é um ato de comunidade e não solitário. É o modo como experimentamos a vida conjunta e compartilhada da Trindade. E nos tornamos parte do povo de Deus.

"Para sermos uma comunidade de luz da qual a luz de Cristo emanará, precisamos ser intencionais nos nossos relacionamentos; amarmos os não amáveis, perdoarmos os imperdoáveis, acolhermos os repulsivos, incluirmos os desajeitados e aceitarmos os excêntricos. É nesse contexto que pecadores são transformados em discípulos que obedecem a tudo que o Rei Jesus ordenou" (p.111)

"Ser centrado na palavra significa que a palavra de Deus tem prioridade com relação à tradição e aos costumes. Muitas igrejas afirmam ser centradas na palavra, na prática, são centradas nas tradições" (p. 114)

A igreja local é o contexto em que podemos obedecer fielmente aos mandamentos e demonstrar o poder do governo do Rei.


Aconselhamento Pastoral

"Este livro é um chamado à dupla fidelidade, à palavra do evangelho e à comunidade do evangelho. Acreditamos que a palavra do evangelho e a comunidade do evangelho não nos decepcionam no que diz respeito ao aconselhamento pastoral! Juntas elas nos fornecem uma estrutura segura dentro da qual é possível abordar questões pastorais" (125)

Então, há a suficiência tanto do evangelho como da comunidade do evangelho. Primeiro, o aconselhamento pastoral é a capacidade de dirigirmos a palavra do evangelho aos problemas das pessoas.

A comunidade cristã fornece o contexto em que aprendemos o significado de sermos pessoas como parte de uma comunidade e o contexto em que casamentos podem prosperar.

Espiritualidade.

Os autores possuem uma visão negativa da contemplação.

"A espiritualidade bíblica não tem a ver com contemplação, mas com a leitura da palavra de Deus e meditar sobre ela. Não tem a ver com o silêncio, mas com uma súplica apaixonada. Não tem a ver com solitude, mas com a participação na comunidade. Em outras palavras, a espiritualidade bíblica reflete a dupla fidelidade que defendemos durante este livro: está centrada no evangelho e radicada no contexto da comunidade cristã" (p. 135)

A seguir, eles colocam alguns constrastes:

a bíblia em vez de contemplação- espiritualidade centrada na palavra.
a súplica em vez do silêncio - espiritualidade centrada na missão.
a comunidade em vez da solitude - espiritualidade centrada na comunidade.

"Não encontramos Deus na quietude, mas sim na sua palavra. Não estamos mais próximos de Deus em um jardim, estamos mais próximos de Deus em sua palavra (Dt 30.14)" (135)

"Na tradição mística e contemplativa, o objetivo da espiritualidade é a união com Cristo. A união com Cristo é alcançada por meio de disciplinas ou uma série de etapas espirituais. A imagem de uma escada é muitas vezes utilizada como ilustração. A espiritualidade evangélica é exatamente o oposto. A união com Cristo não é o objetivo da espiritualidade, mas a base da espiritualidade. Não é alcançada por meio de disciplinas ou etapas, elas nos é dada por meio da fé como a uma criança" (p. 137)

"A espiritualidade bíblica não ocorre em silêncio, mas ao carregarmos a cruz. Não é uma espiritualidade de isolamento, mas de envolvimento. Não a praticamos em um retiro ou em uma casa reclusa, praticamo-la em meio às vidas quebrantadas" (p. 139)



quarta-feira, janeiro 30, 2013

Tim Keller: Contextualização Intencional




O livro Center Church é dividido em três partes: evangelho, cidade e movimento. A segunda parte do livro Center Church irá falar sobre a Cidade,uma igreja de centro não nem não-contextualizada  nem super-contextualizada, porque a cidade tem tanto potencial para o florescimento humano como para a idolatria, o ministério deve ser equilibrado, usando o evangelho para apreciar e desafiar a cultura de acordo com a verdade de Deus.  Esta seção sobre CIDADE se divide em três partes:

A contextualização do evangelho, onde se buscará fundamentos bíblicos para uma contextualização equilibrada.

A visão da cidade, onde se examinará aspectos chaves sobre o entendimento de como uma cidade se desenvolve como tema através das Escrituras, desde suas raízes contra Deus até sua redenção em glória.
O engajamento cultural, onde se discutirá 4 modelos para se engajar na cultura, colocando as forças e fraquezas de cada modelo.

CAP. 7-  CONTEXTUALIZAÇÃO INTENCIONAL.

O capítulo 7 está na parte que fala sobre a contextualização, tem o título de  Contextualização Intecional. Tim Keller começa falando de sua experiência na agência Redeemer City to City que promove plantação de igrejas, falando das dificuldades das igrejas chineses e holandeses em se estabelecerem nos grandes centros urbanos, precisavam adaptar o ministério que funcionava nas áreas rurais para os centros urbanos, ou seja, contextualização.


BOA CONTEXTUALIZAÇÃO.
Não é dar as pessoas aquilo que elas querem ouvir. É dar as respostas bíblicas para as questões que elas tem em suas vidas que talvez não queiram ouvir, mas que podem compreender através de apelos e argumentos que forçam elas a aceitarem ou rejeitarem. Uma contextualização boa significa traduzir e adaptar a comunicação e ministrério do evangelho para uma cultura particular sem compromissar a essências e as particulariedades do evangelho. A grande tarefa é expressar a mensagem do evangelho para uma nova cultura de um modo que evite fazer aquela mensagem desnecessária para aquela cultura, sem remover ou obscurecer o escândalo e a ofensa da verdade bíblica. O evangelho contextualizado é marcado por clareza e atratividade, e ainda assim, desafia pecados auto-suficientes e chama-os ao arrependimento. Se nós falhamos em adaptar a uma cultura ou falhamos em desafiar, nosso ministério pode ser infrutífero.
O melhor exemplo, diz Keller, é quando pensamos num sermão que ouvimos que era bom biblicamente e perfeito doutrinariamente, contudo, muito chato que fez você querer chorar. Talvez seja a mecânica monótona, ou mesmo, apesar de ser perfeito doutrinariamente, ele era irrelevante.  O ouvinte poderia dizer, você me mostrou algo que pode ser verdade, mas não me importo. Não vejo como isto pode transformar como eu penso, sinto ou ajo. Um sermão chato é chato porque falha em trazer a verdade para a vida diária dos ouvintes. Não há uma conexão com as esperanças, narrativas, medos e erros das pessoas num tempo e espaço em particular.  Quando há uma boa contextualização mostramos às pessoas como as narrativas culturais de sua sociedades e as esperanças de seus corações apenas podem ser preenchidas com Jesus. Algumas culturas são pragmáticas e levam seus membros a posses e poder. Algumas são individualistas e levam seus membros a procurar liberdade pessoal acima de tudo. Outras são culturas de honra e vergonha, com ênfase no respeito, reputação, dever e família. Algumas culturas são discursivas e colocam o valor nas artes, filosofia e aprendizagem. Estas são as narrativas culturais porque são estórias que as pessoas contam sobre si mesmas para ter algum sentido de existência. Contudo, qualquer que seja esta narrativa, apenas uma boa contextualização mostra que suas histórias só podem ter final feliz em Jesus.
Cultura toca cada aspecto da vida das pessoas no mundo, como lingua, música e arte. Toma matéria prima e cria um ambiente. Quando tomamos uma matéria bruta e transformamos  num prédio, em música, em roupa, estamos criando um ambiente que chamamos de cultura.Buscamos leva uma ordem para servir às algumas verdades que temos sobre a realidade do mundo que vivemos.
Keller cita Linwood Barney que pensa a cultura como uma cebola. No interior de cada cultura está a cosmovisão, um conjunto de crenças normativas sobre o mundo, cosmologia e a natureza humana, crescendo imediatamente está o conjunto de valores- o que é considerado bom, verdadeiro e belo. A terceira camada é um conjunto de instituições que cuidam dela- justiça, educação, vida familiar, governo com base nos valores e na cosmovisão. Finalmente, vem as partes mais visíveis, os costumes e comportamentos, os produtos materiais, o ambiente construído.  Alguns criticam este pensar porque não é fidedigno às relações entre as camadas.
A contextualização deve levar em conta todos estes aspectos. Não busca mudar apenas o comportamento, mas a visão de mundo. Não significa apenas adaptar o homem superficialmente. A cultura afeta cada parte da vida humana, determina como decisões serão tomadas, como emoções são expressas, o que é considerado como público e como privado, como indivíduos se relacionam com o grupo, como poder social é usado, e como relacionamentos são conduzidos. Nos dá um entendimento distinto de nosso tempo, de resolução de conflitos, solução de problemas.
Citando David Wells que diz: a contextualização não é meramente a aplicação da doutrina bíblica mas a tradução da doutrina dentro de uma conceituação que tece com a realidade das estruturas sociais e os padrões de vida dominantes na nossa vida contemporânea. A habilidade nisto é uma das chaves para um ministério efetivo.

UMA BREVE HISTÓRIA DO TERMO.
O termo foi usado em 1972 por Shoki Coe, que questionou a validade do movimento de igreja nativa de Henry Venn e Rufus Anderson. Antigos missionários plantaram igrejas, quer mantiham o controle das igrejas deixando aos nativos um papel secundário. Como também dirigiam as igrejas de modo ocidental. Os movimentos nativos pediam que os missionários vissem a si mesmos como trabalhadores temporários que deixariam suas igrejas com os nativos para que as igrejas pudessem ser ministradas nas linguas, musicas e cultura nativas. Este foi um passo importante na missão. Contudo Coe, via as formas de estrutura da igreja muito ocidentalizadas e não eram encorajadas para comunicar a mensagem com a cultura local, oTheological Education Fund of the World Council of Churches foi a primeira agência a usar este novo termo e buscar isto como sua missão.
Contudo, este primeiro uso foi sob a influência de Bultmann e Kasermann, teólogos que insistiam que o Novo Testamento era uma adaptação da cultura grega que não tinha validade. Eles diziam que os crentes estavam livres para determinar a verdade interna da revelação bíblica e descartar ou adaptar o resto. Esta aproximação assume que tanto o texto – a Bíblia- como o contexto -  a cultura- são autoridades relativas e iguais. Através de um processo dialético, procuramos uma forma particular de verdade cristã que se encaixe na cultura. Virtualmente, qualquer parte da fé cristã, a trindade, a deidade de Jesus poderiam ser encaixadas em um novo conteúdo, dependendo da cultura. Em nome da contextualização, a igreja tinha um potencial para realizar mudanças radicais na doutrina histórica cristã. Há uma ironia aqui, porque a intenção era sair da imposição de formas ocidentais, mas acabaram ficando sobre outras imposições. A contextualização sem uma bíblia como autoridade é uma visão moderna de alguns teólogos ocidentais, que aceitaram o ceticismo do ilumismo sobre milagres e o sobrenatural. Agora não estavam mais imposta a visão conservadora ocidental, mas a visão liberal ocidental.

O PERIGO DA CONTEXTUALIZAÇÃO.
Por causa disto, muitos tem críticas à contextualização. Em todos os casos, os valores da cultura ganham preferência sobre a autoridade da Escritura.
Keller cita J. Gresham Machen, que escreveu sobre o liberalismo teológico, que eles estavam tentando entender qual a relação do cristianismo com a cultura moderna, como o cristianismo poderia ser mantido numa era científica? Admitindo as objeções contra certas particularidades do cristianismo, como a pessoa de Cristo,  a redenção por sua morte e ressurreição. Os teólogos liberais procuraram guardar alguns princípios gerais da religião, dos quais estas particularidades foram consideradas como meros símbolos. O que ela manteve foi só religião, já que o cristianismo é totalmente distinto. Machen falando de sua cultura, a classifica como naturalista, que rejeita intervenção sobrenatural por Deus. Tudo tinha que ter uma explicação natural, científica. O problema com o cristão liberal dos dias de Machen é que ele preferiu sua cultura em detrimento às Escrituras. Dando um exemplo, salvação, a expiação de Jesus é agora apenas um exemplo de como viver, o cristão não tem que nascer de novo, mas viver como Jesus, mudou o evangelho da salvação pela graça pela religião da salvação pelas boas obras.
Outra forma é o sincretismo religioso, que é colocar o evangelho debaixo de outra religião. Quando se coloca que algumas partes essenciais permanecem e outras podem ser flexibilizadas, é um erro pensar que algumas partes são mais essenciais que outras. Keller cita Havie Conn que argumenta que o sincretismo acontece quando em nome da cultura se proibi toda a escritura de falar. Cada cultura encontra partes mais atraentes e outras mais ofensivas, é natural, então, achar que as mais atraentes são mais importantes e essenciais que as ofensivas. Sincretismo também é uma rejeição da autoridade plena da Bíblia, em escolhendo ensinos que não confrontam ou ofendem.
Uma contextualização fiel deve adaptar a comunicação e prática de toda a escritura em seu ensino para uma cultura.

A INEVITABILIDADE DE CONTEXTUALIZAR.
Aqui está um paradoxo fácil de se perder: o fato de que nós precisamos expressar uma verdade universal num contexto cultural particular não significa que a verdade em si é de alguma forma perdida ou menos universal.  Keller começa com um argumento de D.A. Carson, “enquanto nenhuma verdade que o ser humano possa articular pode ser articulada em um modo  culturalmente transcendente…isto não significa que a verdade que está sendo articulada não possa ser transcendente culturalmente”. Primeiro, não há uma forma única de articulação que a fé cristã pode ser universal para todas as culturas. Quando expressamos o evangelho, estamos fazendo de um modo mais compreensível para as pessoas de uma cultura que outra. Por outro lado, enquanto que não há um modo único de expressão, só há uma verdade do evangelho. As verdades do evangelho não são produtos de uma cultura, elas colocam em julgamento todas as culturas humanas. Se você se esquecer desta primeira verdade, você pode pensar que existe apenas um verdadeiro modo de apresentar o evangelho,  você estará sendo conservador culturalmente. Se você esquecer a segunda verdade, que há um único verdadeiro evangelho, você poderá cair num relativismo que leva a um liberalismo sem freios. Seja o caminho, você será menos fiel e menos frutífero em seu ministério. A contextualização é inevitável. Assim que você escolhe uma lingua para falar e palavras, ela está lá, você está sendo mais acessível para alguns e menos para outros. Não há uma apresentação universal do evangelho para todas as pessoas.
A seguir, Keller volta ao sermão chato e pensa sobre o conceito de longo ou tarde, e como ele varia de cultura para cultura. Um sermão também pode perder as pessoas por causa dos tipos de metáforas e ilustrações que são escolhidas, quando Jesus diz para quem pregar o evangelho para pessoas hostis evitar jogar pérolas aos porcos (Mt 7:6), ele está ligando dois campos de discurso, ele está ligando a pregação ao mundo concreto da criação de porcos.Cada ilustração deve ser pensada do uso de experiências concretas das pessoas, devem ser compartilhadas com quem ouvem e podem ser mais remotas ou menos acessíveis para outras que não as compartilham. Algumas ilustrações podem até levar as pessoas a pensarem que o pregador é esnobe.
Os pregadores devem escolher algumas ilustrações e conceitos que vão ser mais significativos para certos grupos culturais que outros, precisamos ser mais inclusivos possível. Precisamos estar cientes dos nossos limites, não podemos ter a ilusão de que podemos compartilhar o evangelho para todas as pessoas ao mesmo tempo.
Uma outra razão que um sermão pode ser correto mas ter pouco impacto é o nível de expressão emocional, quando ela não está calibrada com a cultura das pessoas que ouvem.
Até aqui se falou sobre a maneira e o modo de pregar, mas a contextualização tem muito a ver com seu conteúdo.  Um sermão pode não engajar as pessoas porque a não conecta o ensino bíblico com as questões e objeções das pessoas daquela cultura tem a respeito da fé. As objeções do legalismo ou liberalismo, o evangelho pode responder.  Devemos ver qual destes grupos dominam nossa vizinhança, e devemos pregar tenho este grupo e suas objeções em mente. Nenhuma apresentação será igualmente agradável para os dois grupos.
Finalmente, a contextualização afeta o modo como pensamos porque as pessoas numa cultura encontra um modo que lhes seja mais persuasivo enquanto outros não. Algumas pessoas são mais lógicas, outras mais intuitivas. Se escolhemos um modo, estaremos argumentando mais com um grupo que outro inevitavelmente.


O PERIGO DE NÃO CONTEXTUALIZAR (OU DE PENSAR QUE NÃO ESTÁ).
Todo ministério do evangelho e comunicação são profundamente adaptadas a uma cultura em particular. Se não pensarmos como contextualizar para uma nova cultura, estamos contextualizados em uma outra, inconscientemente. Nosso ministério no evangelho estará super adaptado a nossa própria cultura e pouco adaptado a uma nova cultura, o que leva uma distorção na mensagem cristã.  Keller cita o exemplo do cristão branco americano, que identifica o modo americano de viver com a vida bíblica cristã. A falta de uma atenção a cultura pode levar a um viver e ministério cristão distorcidos. Crentes que vivem em culturas individualistas estão cegos para importância de viver em comunidade profunda e colocar a si mesmos para prestar contas de sua espiritualidade e disciplina. Hoje muitos vêem a membresia como uma opção.  Por outro lado, cristãos em culturas patriarcais estão cegos sobre a liberdade de consciência e a graça.
A inabilidade de enxergar nossa cultura tem outros resultados, um dos erros é ministros regurgitarem métodos e programas que influenciaram a elas pessoalmente. Depois de experimentar um impacto no ministério numa parte do mundo, eles levam as ferramentas para outro lugar e tentam reproduzir sem mudar nada. Keller fala de seu desapontamento de muitas igrejas que visitam a Redeemer copiarem simplesmente os métodos sem realizar o duro trabalho de contextualizar o evangelho a realidade local da igreja.

Todos contextualizam, mas poucos pensam a respeito disto, não devemos apenas contextualizar,mas pensar como fazemos isto. Devemos fazer este processo visível e intencional para nós mesmos e para os outros.

sexta-feira, novembro 30, 2012

Timothy Keller; A Centralidade do Evangelho



A CENTRALIDADE DO EVANGELHO.
Dr. Timothy Keller

Fonte: http://redeemercitytocity.com/content/com.redeemer.digitalContentArchive.LibraryItem/23/The_Centrality_of_the_Gospel.pdf

O evangelho é o elemento central na vida cristã e continuamente renova o crente e a igreja. Delineados neste artigo estão quatorze maneiras nas quais o evangelho impacta o crente e oito modos que nutre a igreja.

Princípio
Em Gálatas 2:14, Paulo coloca um princípio poderoso. Ele lida com o orgulho racial e a covardia de Pedro, declarando que ele não está vivendo “de acordo com a verdade do evangelho”. A partir disto, nós vemos que a vida cristã é um processo de renovar cada dimensão da nossa vida- espiritual, psicológica, corporativa, social- pensando, esperando e vivendo as linhas das ramificações do evangelho. O evangelho é para ser aplicado em cada área do pensamento, do sentimento, relacionamento, trabalho e comportamento. As implicações e aplicações de Gálatas 2:14 são vastas.


Parte 1: Implicações e aplicações.
1ª. Implicação: O poder do evangelho.
Primeiro, Paulo está mostrando para nós que levando a verdade do evangelho para cada área da nossa vida é o jeito de ser transformado pelo poder de Deus. O evangelho é descrito na Bíblia em termos mais surpreendentes. Anjos anseiam em olhar para isto todo o tempo (1Pe 1:12).  Ele simplesmente não nos traz poder, mas é o poder de Deus em si mesmo, como Paulo diz, “Eu não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para salvação” (Rm 1:16). E também é a benção de Deus com benefícios que qualquer um pode ter se chegar perto (1 Co 9:23). Ele é até chamado de própria luz da glória de Deus em si mesmo: “eles não podem ver a luz da gloria de Deus na face de Jesus Cristo” (2Co 4:4,6).
Depois que o evangelho nos regenerou e nos convertemos, ele é o instrumento para todo o crescimento contínuo e progresso espiritual: “Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade” (Cl. 1:6). Aqui nós aprendemos muitas coisas: 1. O evangelho é uma coisa viva (cf. Rm 1:16), como a semente ou a arvore que traz mais e mais nova vida- frutificando e crescendo. 2. O evangelho é “plantado” em nós, de modo que apenas frutificamos quando entendemos sua grandeza e implicações profundas- compreendendo a graça de Deus em toda a sua verdade. 3. O evangelho continua a crescer em nós e nos renovar através de nossas vidas- como tem feito desde quando o ouvimos. Este texto nos ajuda a evitar tanto uma abordagem exclusivamente racionalista ou uma mística para a renovação. Por um lado, o evangelho tem um conteúdo- esta é sua profunda doutrina. Esta é verdade, e especificamente, é a verdade sobre a graça de Deus. Mas, por outro lado, esta verdade é um poder vivo que continuamente expande sua influência em nossas vidas, assim como uma cultura ou uma árvore que crescem, espalham e dominam cada vez mais uma área com suas raízes e frutos.

Implicação 2 – A suficiência do evangelho.
Segundo, Paulo está mostrando que na nossa vida cristã nós nunca “vamos além do evangelho” para algo mais avançado. O evangelho não é o primeiro passo numa escada de verdades, mas, é mais parecido com um centro num círculo de verdade. O evangelho não é apenas o ABC, mas, o A a Z do cristianismo. O evangelho não é o mínimo necessário requerido para entrar no reino, mas o caminho em que fazemos todo progresso no reino.
Não somos apenas justificados pelo evangelho e, então, nos santificamos pela obediência; ao invés disto, o evangelho é o caminho pelo qual crescemos (Gl 3:1-3) e somos renovados (Cl 1:6). É a solução para cada problema, a chave para cada porta fechada, o poder para nos fazer romper cada barreira (Rm 1:16-17). É muito comum na igreja pensar da seguinte forma: “O evangelho é para os não cristãos. Alguém precisa dele para ser salvo. Mas, uma vez salvo, você cresce através de trabalho e obediência”. Mas, Colossenses 1:6 mostra que isto é um engano. Ambas a confissão e “trabalho duro” não são decorrentes ou coerentes com o evangelho, não irão lhes santificar- vão estrangulá-los. Todos os problemas vêm de um fracasso em aplicar o evangelho. Assim, quando Paulo deixou os efésios, ele entregou para eles “à palavra de sua graça, que pode edifica-los” (At. 20:32).
O problema principal na vida cristã, então, é que não temos pensado as profundas implicações do evangelho, nós não temos “usados” o evangelho  em todas as partes da nossa vida. Richard Lovelace diz que os problemas que a maioria das pessoas possui são apenas uma falha de serem orientadas pelo evangelho- um fracasso de compreender e acreditar nele e através dele 1. Lutero diz, “(a verdade do evangelho) é também o principal artigo de toda a doutrina cristã... Mais necessário é, portanto, que nós devemos saber este artigo bem, ensina-lo aos outros, e colocar ele dentro de nossas cabeças continuamente” 2. O evangelho não é fácil compreendido. Paulo diz que o evangelho faz seu trabalho de renovação em nós apenas quando nós entendemos isto em toda a sua verdade. Todos nós em algum grau vivemos em torno da verdade do evangelho em nós apenas como nós entendemos isto em toda a sua verdade. Todos nós vivemos em algum grau em torno da verdade do evangelho mas não “pegamos” isto. Então, a chave para uma renovação espiritual continua e profunda e um avivamento é uma contínua redescoberta do evangelho. A descoberta de uma nova implicação  ou aplicação do evangelho- vendo mais de sua verdade- é um importante estagio de qualquer renovação. Esta é a verdade seja para um individuo ou para uma igreja.



APLICAÇÕES.
Os dois “ladrões” do evangelho.
Desde que Paulo usa a metáfora do “estar em linha com o evangelho”, nós podemos considerar que a renovação do evangelho ocorre quando nós guardamos de andar fora da linha seja para a direita, ou seja, para esquerda. Uma chave para pensar as implicações do evangelho é considerar o evangelho como um terceiro caminho entre os dois enganos opostos. Contudo, nós precisamos entender que o evangelho não é um compromisso de meio-termo entre estes dois polos- isto produz não algo no meio, mas algo diferente de ambos.
““ Tertuliano, um escritor cristão do segundo e terceiro século, diz” Assim como Cristo foi crucificado entre dois ladroes, também esta doutrina da justificação também está crucificada entre dois erros opostos”. Ele quer dizer que aqui estão dois caminhos básicos falsos de pensamento, cada um deles rouba o poder e a distinção do evangelho de nós nos empurrando para um lado ou outro da linha do evangelho. Este dois enganos são muito poderosos, porque eles representam a tendência natural do coração e da mente humana.
(O evangelho é revelado por Deus (Rm 1:17) -  uma mente humana sem ajuda não pode concebê-lo). Os ladroes podem ser chamados de moralismo ou legalismo por um lado e de hedonismo ou relativismo por outro lado. Outra forma de colocarmos isto: o evangelho se opõe tanto a religião quanto a irreligião (veja Mt. 21:31; 22:10). Por um lado, moralismo/religião salientam a verdade sem a graça, por isto diz que nós devemos obedecer a verdade para sermos salvos. Por outro lado, relativismo/irreligião salientam a graça sem verdade, por isto diz que todos nós fomos aceitos por Deus (se é que existe um Deus) e nós temos que decidir o que é a verdade para nós. Ambas as verdades sem graça não são realmente verdade, e “graça” sem verdade não é realmente graça. Jesus era “cheio de graça e verdade”(Jo.  1:14). Qualquer religião ou filosofia de vida que não enfatiza isto ou perde uma ou outra destas verdades caiem num legalismo ou em licenciosidade, e em cada caminho, a alegria, o poder e a libertação do evangelho são roubadas.


O ladrão do moralismo/religião. Como o moralismo/religião roubam a alegria e o poder?
Moralismo é a visão que vocês são aceitos (por Deus, pelo mundo, pelos outros, para si mesmo) através de suas conquistas. Moralistas não precisam ser religiosos, mas, geralmente, os são. Quando eles são, sua religião é bem conservadora e cheia de regras. Algumas vezes, moralistas tem uma visão de Deus como muito santo e justo. Esta visão levara a: a. se auto odiar (porque eles não podem viver de acordo com os padrões) ou b. se auto incharem (porque eles pensam que vivem acima dos padrões). Isto é irônico que os complexos de inferioridade e superioridade possuem a mesma raiz. Se o moralista  vai terminar presunçoso e superior ou esmagado e culpado apenas depende em quão alto os padrões estão e em sua vantagem natural tais como família, inteligência, aparência, força de vontade. Pessoas moralistas podem ser profundamente religiosas- mas aqui não há uma alegria ou um poder que transforma.

O ladrão do relativismo/irreligião. Como o relativismo rouba a alegria e o poder?
Relativistas são usualmente irreligiosos, ou também eles preferem o que se chama de uma religião liberal. Na superfície, eles são mais felizes e tolerantes que as pessoas moralistas e religiosas. Embora, possam ser altamente idealistas em algumas áreas ( tal como a politica), eles acreditam que a necessidade de cada determina o que é certo e errado para si mesmos. Eles não estão convencidos que Deus é juto e deve punir os pecadores. Suas crenças em Deus tendem a desenha-Lo como amoroso ou uma força impessoal. Eles talvez falem de grandes lutas a respeito do amor de Deus, mas já que eles não pensam a si mesmos como pecadores. O amor de Deus pela humanidade não custa nada para Ele. Se Deus nos aceita, é porque Ele é tão acolhedor ou porque não somos assim tão maus. O conceito do evangelho do amor de Deus  é muito mais rico e profundo e, ainda mais, eletrizante.

O que as pessoas religiosas e as irreligiosas têm em comum?
Eles parecem ser tão diferentes, mas do ponto de vista do evangelho, eles são realmente os mesmos.
Ambos são caminhos  de evitar Jesus como salvador e manter o controle de suas próprias vidas.
Pessoas irreligiosas procurando serem seus próprios salvadores e senhores através do orgulho mundano. (“Ninguém pode me dizer como viver ou o que fazer; eu determino o que é certo e errado para mim!”). Contudo, pessoas morais e religiosas buscam serem seus próprios salvadores e senhores através do orgulho religioso. (“Eu sou mais moral e espiritual que as outras pessoas, então Deus deve isto para mim, deve escutar minhas orações e me levar para o céu. Deus não pode apenas deixar acontecer comigo- ele me deve uma vida feliz. Eu tenho merecido isto!”). As pessoas irreligiosas rejeitam Jesus inteiramente; as pessoas religiosas usam Jesus como um exemplo, ou um ajudador ou um professor- mas como um Salvador. Em seu romance “Wise Blood”, o personagem principal de Flannery O´Connor, Hazel pensa ”este é o jeito de evitar a Jesus é evitar o pecado”. Estes dois modos diferentes fazem a mesma coisa- a pessoa controla a própria vida. (Uma nota aqui: Ironicamente, moralistas, apesar de toda a ênfase em seus padrões tradicionais, são no fim, centrados em si mesmos e individualistas, porque eles têm consertados a si mesmo como seus próprios salvadores. Relativistas, apesar de toda a ênfase em liberdade e aceitação, são no fim moralistas, porque eles ainda têm que viver preenchendo seus próprios padrões ou se tornam desesperados. E, muitas vezes, eles ficam bem orgulhosos em suas mentes abertas e julgam os outros que não são).
Ambos estão baseados em visões distorcidas do Deus real.
A pessoa irreligiosa perde a visão da lei e da santidade de Deus, e a pessoa religiosa perde de vista o amor e a graça de Deus; no fim ambos perdem o evangelho inteiramente. Para o evangelho é que na cruz Jesus cumpriu a lei de Deus por amor a nós.  Sem um entendimento completo da obra de Cristo, a realidade da santidade de Deus ira fazer sua graça irreal, ou a realidade do amor de Deus ira fazer sua santidade irreal. Apenas o evangelho- que nós erámos tão pecadores que nós precisávamos ser salvos totalmente pela graça – nos permite ver Deus como Ele realmente é. O evangelho nos mostra um Deus muito mais santo que o legalista pode suportar (ele teve que morrer porque nós não poderíamos satisfazer suas demandas santas), e ainda mais misericordioso que um humanista pode conceber (ele teve que morrer porque ele amava a nós).
Eles ambos negam nosso pecado- e, assim, perdem a alegria e o poder da graça.
Isto é obvio as pessoas relativistas e irreligiosas negam a profundidade do pecado e, assim, a mensagem “Deus ama você” não tem poder para eles. Contudo, apesar das pessoas religiosas poderem ser extremamente penitentes e arrependidas por seus pecados, eles enxergam o pecado como uma simples falha em viver de acordo com os padrões pelos quais eles salvam a si mesmos. Eles não enxergam o pecado como uma auto justificação profunda e egoísmo  através do qual eles estão tentando viver suas vidas independentes de Deus. Então, quando eles vão a Jesus por perdão, estão apenas indo como um jeito para encobrir as falhas em seu projeto de auto salvação.  E quando as pessoas dizem, “Eu sei que Deus é perdão, mas eu não posso perdoar a mim mesmo”, isto significa que eles rejeitam a graça de Deus e insistem em serem dignos do seu favor. Desse modo, as pessoas religiosa com baixa  auto-estima estão neste estado, na verdade, porque não conseguem a profundidade do pecado. Eles apenas o veem como uma quebra da lei, mas não como rebelião e auto-salvação.


Um jeito todo novo de ver Deus.
Os cristãos adotaram todo um novo sistema de abordagem de Deus. Eles podem ter passado pelas duas fases religiosa e irreligiosa no passado, mas eles passaram a ver que as razoes tanto de sua irreligião como de sua religião são essencialmente as mesmas, e essencialmente erradas! Cristãos passam a ver que o cristianismo não é fundamentalmente um convite para ser mais religioso.  Um crente passa a diz, “Apesar de eu ter falhado em obedecer à lei moral, o problema mais profundo era que eu estava tentando obedecer ela”. Mas, até meus esforços para obedecer eram maneiras de procurar ser meu próprio salvador. Nesta mentalidade, mesmo se obedeço ou peço por perdão, eu realmente estou resistindo ao evangelho e colocando a mim mesmo como um salvador. Para ter o evangelho é preciso sair da auto-justificação e contar com o registro de Jesus para um relacionamento com Deus. O irreligioso não se arrepende de todo, e o religioso só se arrepende dos pecados; cristãos também se arrependem de sua justiça. Esta é a distinção entre estes três grupos- cristãos, moralistas (religiosos) e pragmáticos (irreligiosos).

SUMÁRIO
Sem um conhecimento do nosso pecado extremo, o pagamento da cruz parece trivial e não eletrifica ou transforma a nós. Contudo, sem um conhecimento da vida e morte completamente satisfatória de Cristo, o conhecimento do pecado nos quebra ou nos mova para negação ou repressão disto. Jogue fora seja o conhecimento do pecado ou o conhecimento da graça e a vida das pessoas não muda. Eles serão ou esmagados pela lei moral ou correr disto com raiva. Então, o evangelho é não que vamos de sermos irreligiosos para sermos religiosos, contudo, o que nós entendemos que nossas razões tanto para nossa religiosidade ou para a nossa irreligiosidade são essencialmente as mesmas e essencialmente erradas.  Nós estamos procurando serem nossos próprios salvadores e, então, guardar o controle de nossas próprias vidas. Quando nós confiamos em Cristo como nosso redentor, nós saímos da confiança em nossa própria determinação ou autonegação, seja o hedonismo ou moralismo, para a nossa salvação.



UM MODO NOVO DE VER A VIDA.
Paulo nos mostra, então, que nós não devemos  simplesmente perguntar em cada área da vida, “Qual é o jeito moral de agir?”, mas, sim,  “Qual é jeito que isto está de acordo (em linha) com o evangelho?”. O evangelho deve ser continuamente pensado para nos impedir de movermos para as nossas direções habituais moralistas ou individualistas. Temos que levar tudo de acordo com o evangelho.


O exemplo do racismo.
Desde que Paulo aplicou o evangelho ao racismo, vamos usar isto como um exemplo.
A abordagem moralista para raça. Moralistas tendem a ser muito orgulhosos para sua cultura. Eles facilmente caem num imperialismo cultural e tentar atribuir uma significância espiritual para suas normas culturais, para se sentirem moralmente superiores as outras pessoas. Isto acontece porque as pessoas moralistas são muito inseguras, já que eles tomam a lei eterna seriamente e sabem bem no fundo que não podem guardar ela. Por isto, eles usam as diferenças culturais para reforçar seu senso de justiça.
A abordagem relativista para raça. O erro oposto do imperialismo cultural é o relativismo cultural. Esta abordagem diz, “sim, pessoas tradicionais são racistas porque elas acreditam numa verdade absoluta. Mas, a verdade é relativa. Cada cultura é bela em si mesma. Cada cultura deve ser aceita em seus próprios termos”.
A abordagem do evangelho para raça. Cristãos sabem que a intolerância não deriva tanto da crença na verdade como uma falta de crença na graça. O evangelho nos leva: a. sermos de alguma forma críticos de todas as culturas, incluindo a nossa própria (desde que isto é verdadeiro), contudo, b. percebemos que nós podemos nos sentir moralmente superiores a ninguém, afinal de contas, nós somos salvos pela graça somente, e então um vizinho não cristão talvez seja mais moral e esperto que eu. Isto dá ao cristão uma postura radicalmente distinta daquela do moralista ou do relativista.
Nota: os relativistas (como mencionado acima) são, em última análise, moralistas e, portanto, elas podem ser respeitosas apenas com outras pessoas que acreditam que tudo é relativo! Contudo, os cristãos não podem se sentir moralmente superiores aos relativistas.


PARTE 2: A CHAVE PARA TUDO.
O evangelho é o modo que tudo é renovado e transformado por Cristo- seja um coração, um relacionamento, uma igreja ou uma comunidade. Esta é a chave para toda doutrina e para a nossa visão de nossas vidas no mundo. Então, todos os nossos problemas vem de uma falta de orientação  do evangelho. Colocando positivamente, o evangelho transforma nossos corações, pensamentos e abordagens para absolutamente tudo.


A.      O EVANGELHO E O INDIVÍDUO.

1.       Abordagem ao desanimo. Quando uma pessoa está deprimida, o moralista diz, “você está quebrando as regras- arrependa-se”. Por outro lado, o relativista diz, ”você precisa amar e aceitar a si mesmo”. Sem o evangelho, superficialidades serão abordadas ao invés do coração. O moralista vai trabalhar no comportamento e o relativista vai trabalhar nas emoções em si mesmas. Contudo, (assumindo que aqui não há uma base fisiológica para a depressão) o evangelho nos levam a examinar  a nós mesmos e dizer, “algo em minha vida se tornou mais importante que Deus, um pseudo-salvador, uma forma de obras de justiça”. O evangelho nos leva ao arrependimento, não meramente colocando nossa vontade contra assuntos superficiais.
2.       Abordagem ao mundo físico. Alguns moralistas são indiferentes ao mundo físico e veja isto como não importante. Outros moralistas são francamente medrosos do prazer físico, e uma vez que eles estão procurando ganhar sua salvação, eles preferem focar nos pecados de uma natureza física como uma falha para disciplinar sexo e os outros apetites. Estes são mais fáceis de evitar que os pecados do espirito tal como o orgulho. Então, os moralistas preferem enxergar os pecados do corpo como piores que os outros tipos. O legalismo que resulta usualmente leva para um desgosto do prazer. Por outro lado, o relativista é, muitas vezes, um hedonista, alguém que é controlado por prazer e faça disto um ídolo. O evangelho nos leva para ver que Deus criou tanto o corpo como a lama e, então, irá redimir tanto o corpo como a alma, embora sob o pecado, o corpo e a alma estão quebrados. Assim, o evangelho nos leva para desfrutar o físico (e lugar contra o quebrantamento físico, tais como doença e pobreza), ainda para ser moderados no uso das coisas materiais.
3.       Abordagem para o amor e relacionamentos. Moralismo, muitas vezes, torna os relacionamentos em um jogo de culpa. Isto é porque um moralista é traumatizado pelo criticismo que é muito severo e mantém uma autoimagem como uma boa pessoa por culpar os outros. Por outro lado, moralismo pode usar a busca do amor como um jeito de ganhar nossa salvação e nos convencer que somos pessoas dignas. Isto, quase sempre, cria o que é chamado de co-dependencia- uma forma de auto-salvação através da necessidade das pessoas ou da necessidade das pessoas de você (isto é, salvar a si mesmo salvando os outros). Por um lado, muito relativismo reduz amor a uma parceira negociada para um beneficio mutuo. Você se relaciona apenas enquanto não custa nada para você. Então a escolha sem o evangelho é para o egoísmo em usar os outros ou para o egoísmo de deixar você ser usado pelos outros. Mas, o evangelho nos leva para nenhum dos dois lados. Nós sacrificamos e comprometemos a nós mesmos, mas não de uma necessidade de convencer a nós mesmos ou os outros que nós somos aceitáveis. Nós podemos amar a pessoa o suficiente para confrontar quando isto é preciso, e ainda, ficamos com a pessoa mesmo quando isto não beneficia a nós.
4.       Abordagem para o sofrimento. Moralismo emprega a abordagem dos amigos de Jó, deixando a culpa em nós mesmos. Você simplesmente assume, “eu devo ser mau para estar sofrendo”. Debaixo da culpa, então, aqui está sempre a raiva para com Deus. Por quê? Porque os moralistas acreditam que Deus deve isto a eles. Todo o ponto do moralismo é colocar Deus em seu débito. Porque você tem sido tão moral, que você sente que não merece realmente sofrimento. Moralismo deixa você em lágrimas, em um nível em que você pense, “o que eu fiz para merecer isto?”, contudo, em outro nível, você pense, “eu provavelmente fiz alguma coisa para merecer isto!”. Quando o moralista sofre, então, ele ou ela devem sentir mal com Deus (porque eu tenho tido uma desempenho boa) ou mal consigo (porque eu não tenho tido uma boa desempenho) ou ambos. Por outro lado, o relativista/pragmático sente justificado em evitar o sofrimento a todo custo – mentir, enganar, e quebrar promessas estão certos. Contudo, quando o sofrimento chega, o pragmático coloca a culpa na porta de Deus, dizendo que ele deve ser ou injusto ou impotente. A cruz nos mostra, contudo, que Deus nos redime através do sofrimento. Deus sofreu não para que nós pudéssemos não sofrer, mas que em nosso sofrimento poderíamos ser como ele. Uma vez que tanto o moralista quanto o pragmático ignoram a cruz, eles serão tanto confusos quanto devastados pelo sofrimento.
5.       Abordagem para a sexualidade. O relativista vê o sexo como um apetite meramente biológico e físico. O moralista tende a enxergar sexo como sujo ou, ao menos, um impulso perigoso que leva constantemente a pecar. Mas, o evangelho mostra a nós que a sexualidade é refletir a auto entrega de Cristo. Ele deu a si mesmo completamente sem condições, então nós não podemos procurar intimidade enquanto nos seguramos no controle da nossa vida. Se nós damos a nós  mesmos sexualmente, nós estamos dando a nós mesmos legalmente, socialmente, pessoalmente- totalmente. Sexo é para acontecer apenas dentro de um total comprometimento, o relacionamento permanente do casamento.
6.       Abordagem para a família de alguém. Moralismo pode fazer de você um escravo das expectativas dos pais, enquanto que o relativismo enxerga nenhuma necessidade para lealdade familiar ou em guardar promessas e pactos se eles não encontrarem minhas necessidades. O evangelho liberta você de buscar a aprovação dos pais como um absoluto ou uma salvação psicológica, por isto aponta para como Deus se tornou nosso perfeito Pai. Então, você será nem tão dependente ou, também, nem tão hostil em relação aos seus pais.
7.       Abordagem ao auto controle. Moralistas nos falam para controlar nossas paixões por medo de punição. Esta é uma abordagem baseada na volição. Relativismo nos diz para expressarmos a nós mesmos e encontrar disto o que funciona para nós. Esta é uma abordagem baseada na emoção. O evangelho nos fala que a livre, incondicional graça de Deus nos ensina dizer não para nossas paixões (Tito 2:12) se nós atentarmos a isto. Esta é uma abordagem da pessoa por completo, começando com a verdade que desce para dentro do coração.
8.       Abordagem para testificar. O pragmático poderia negar a legitimidade do evangelismo por completo. A pessoa moralista acredita em proselitismo, porque “nós somos corretos e eles são errados”. Tal proselitismo é quase sempre ofensivo. Contudo, o evangelho produz uma  diferente constelação de fatores em nós. Primeiro, nós somos compelidos a partilhar o evangelho a partir da generosidade e do amor, não da culpa. Segundo, nós estamos livres do medo de sermos ridicularizados ou feridos pelos outros, desde que nós já temos o favor da graça de Deus. Terceiro, nós aprendemos humildade em nossas relações com os outros, porque nós sabemos que somos salvos pela graça somente, não por causa de nosso caráter ou inteligência superiores. Quarto, nós somos esperançosos a respeito de qualquer pessoa, mesmo os “casos difíceis”, porque nós mesmos fomos salvos apenas pela graça, não porque nós erámos pessoas que pareciam ser dispostas a serem cristãs. Quinto, nós somos corteses e cuidados com as pessoas. Não temos que empurrar ou coagir elas, pois apenas a graça de Deus abre os corações, não nossa eloquência ou persistência ou mesmo a abertura delas. Todos estes fatores criam não somente um evangelista ganhador, mas um excelente próximo num sociedade multicultural.
9.       Abordagem para com a autoridade humana. Moralistas tenderão a obedecer às autoridades humanas (família, tribo, governo, costumes culturais) muito, já que eles  colocam tanto peso em sua autoimagem de serem morais e decentes. Relativistas obedecerão à autoridade humana também muitíssimo, desde que, eles não tenham nenhuma outra grande autoridade pela qual eles possam julgar sua cultura, ou também muito pouco (eles talvez obedeçam apenas quando eles sabem que não pegos). Isto significa tanto o autoritarismo como a anarquia. Contudo, o evangelho dá a você tanto um padrão para se opuser a autoridade humano- se ela contradizer o evangelho- como um incentivo para a obediência às autoridades civis vinda do coração, mesmo quando você pode ser pego com desobediência.
10.   Abordagem para a dignidade humana. Moralistas, muitas vezes, tem uma visão bem pequena da natureza humana- eles geralmente enxergam o pecado humano e a depravação. Relativistas, por outro lado, não tem boas bases para tratar as pessoas com dignidade. Rotineiramente, eles não possuem crenças religiosas sobre o que os seres humanos são. (se as pessoas são apenas uma casualidade produzida pela evolução, como nós podemos saber que elas são mais valiosas que uma rocha?). Entretanto, o evangelho nos mostra que cada ser humano está infinitamente caído (perdido em pecado) e infinitamente exaltado (na imagem de Deus). Então, nós tratamos  cada ser humano como precioso, ainda assim, perigoso!
11.   Abordagem para  culpa. Quando você diz, “eu não posso perdoar a mim mesmo”, isto quer dizer que algum padrão ou condição ou pessoa é mais central para sua identidade que a graça de Deus. Se você não pode perdoar a si mesmo, isto é porque você tem falhado com seu real deus, com sua real justiça e isto está deixando você preso.  O deus falso do moralista é usualmente um deus de sua imaginação que é santo e exigente, mas não gracioso. O falso deus do relativista é geralmente alguma conquista ou um relacionamento. Deus é apenas Deus que pode perdoar- nenhum outro deus pode.
12.   Abordagem para a autoimagem. Sem o evangelho, nossa autoimagem é baseada em como vivemos de acordo com alguns padrões-  sejam nossos ou sejam impostos por outras pessoas sobre você. Se você vive de acordo com estes padrões, você será uma pessoa confiante, mas não humilde. Se você não vive de acordo com eles, então você será humilde, mas não confiante. Apenas o evangelho pode fazer de você, ao mesmo tempo, grandemente corajoso e totalmente sensível e humilde. Para você que é tanto perfeito quanto pecador!
13.   Abordagem para alegria e humor. Moralistas passam longe da alegria e do humor- porque o sistema do legalismo força você a tomar a si mesmo (sua imagem, sua aparência, sua reputação) muito seriamente. Relativismo, por outro lado, tenderá ao cinismo conforme a vida vai. O cinismo cresce como uma falta de esperança para o mundo: no fim, o mal irá triunfar- não há julgamento ou justiça divina. Contudo, se nós somos salvos pela graça apenas, então o próprio fato de sermos cristãos é uma fonte constante de um prazer maravilhoso para nós. Não há nada que seja um fato imposto sobre as nossas vidas, nenhum “é claro” sobre as nossas vidas. É um milagre que somos cristãos, e nós temos esperança. Então, o evangelho que cria uma humildade corajosa pode nos dá um profundo senso de humor. Nós não precisamos tomar a nós mesmos seriamente, e nós estamos cheios de esperança para o mundo.
14.   Abordagem para uma vida correta. Jonathan Edwards ensina que a “verdadeira virtude” é possível apenas para aqueles que experimentaram a graça do evangelho. Qualquer pessoa que está tentando merecer sua própria salvação faz “a coisa certa” buscando entrar no paraíso, ou para que se sentir melhor em sua autoestima, ou para qualquer outra razão de auto interesse. Contudo, as pessoas que sabem que já são totalmente aceitas fazem a coisa certa para deliciar da justiça por si mesma. Apenas no evangelho você pode obedecer a Deus por amor a Deus e não para que Deus lhe dê algo. Somente no evangelho você ama as pessoas por amor a elas (não a você), faz boas coisas por elas mesmas (não por você), e obedece a Deus por amor a ele (e não por você). Só o evangelho faz de fazer a coisa certa uma alegria e um prazer, não um fardo ou meio para um fim.


B.  O EVANGELHO E A IGREJA.

1. Abordagem para o ministério no mundo. Moralismo tende a colocar toda a ênfase na alma humana individual. Religiosos moralistas insistirão em converter os outros para sua fé e igreja, mas, ignorarão as necessidades da comunidade circunvizinha. Por outro lado, “liberalismo” vai tender a enfatizar apenas uma melhoria das condições sociais e minimizar a necessidade por arrependimento e conversão. O evangelho leva a amar, que por sua vez nos move a dar para o nosso próximo qualquer coisa que ele precise- conversão ou um copo de agua gelada, evangelismo e preocupação social.
2. Abordagem para adoração. Moralismo conduz a um tipo sisudo e sombrio de adoração que pode ser longo em dignidade, mas é curto em alegria. Uma compreensão superficial da aceitação sem um senso da santidade de Deus, por outro lado, pode levar a uma adoração vazia e casual. (Enquanto isto, um sentimento nem do amor de Deus e nem de sua santidade nos encaminha para um culto de adoração que parece mais um reunião de comitê!) Contudo, o evangelho nos conduz para ver que Deus é tanto transcendente quanto imanente. Sua imanência nos dá seu conforto transcendente, enquanto que sua transcendência nos dá sua maravilhosa imanência. O evangelho nos leva tanto ao assombro quanto para intimidade na adoração, porque Aquele que é santo agora é nosso Pai.
3. Abordagem para os pobres. O pragmático tende a desprezar a fé dos pobres e ver eles como vitimas indefesas precisando de conselhos. Isto nasce da descrença na graça comum de Deus para todos. Ironicamente, a mente secular também rejeita a realidade do pecado e, portanto, qualquer um que for pobre tem de ser alguém oprimido, uma vítima sem ajuda. Moralistas, por outro lado, tende a desprezar o pobre como fracassados ou fracos. Eles os veem como culpados por sua situação. Contudo, o evangelho nos conduz a sermos a. humildes, sem uma superioridade moral, sabendo que somos falidos espiritualmente, mas que fomos salvos por livre generosidade de Cristo, b.  gracioso, mas não muito preocupado sobre o merecimento, desde que nós não merecíamos ao graça de Cristo, e c. respeitoso dos crentes pobres como irmãos e irmãos com quem pode aprender. É apenas o evangelho que pode levar as pessoas a um respeito humilde e solidariedade para com o pobre.
4. Abordagem para as diferenças doutrinárias. O “já” do novo testamento nos faz corajosos em nossa proclamação. Nós podemos estar definitivamente certos em sua maioria das doutrinas centrais que suportam o evangelho. Mas, o “ainda não” requer caridade e humildade nas crenças não essenciais. Isto é, nós devemos ser moderados a respeito do que nós ensinamos exceto quando isto fala da cruz, da graça e do pecado. Em nossas visões, especialmente nossas opiniões sobre assuntos que os cristãos não concordam, nós devemos ser menos inflexíveis e triunfalistas (acreditando que nós entendemos tudo). Isto também significa que nosso discernimento do chamado e da vontade de Deus para nós e para os outros não deve propagado com uma segurança presunçosa que nosso pensamento não pode estar errado. (Diferente dos pragmáticos, nós precisamos estar prontos a morrer por nossa fé no evangelho; diferente dos moralistas, nós precisamos guardar em mente que nem toda crença de alguém é digna de ser lutada até a morte).
5. Abordagem para santidade. O “já” do evangelho quer dizer que nós não devemos tolerar o pecado. Com a presença do reino, não somos feitos “participantes da natureza divina” (2Pe 1:4). O evangelho nos traz a confiança que qualquer pessoa pode ser transformada, qualquer habito escravizado pode ser derrotado. Mas o “ainda não” do evangelho significa que nosso pecado permanece em nós e não será nunca eliminado até o reino chegue por completo. Então nós devemos evitar respostas padronizadas, e nós devemos esperar correções rápidas. Diferentemente do moralista, nós precisamos ser pacientes com o crescimento lento ou os lapsos e estarmos atentos para complexidade da transformação e do crescimento na graça. Ao contrário dos pragmáticos e cínicos, nós devemos insistir que uma mudança milagrosa é possível.
6. Abordagem para os milagres. O “já” do reino significa que o poder para os milagres e a cura está disponível. Jesus demonstrou o reino curando os doentes e ressuscitando os mortos. Mas o “ainda não” do evangelho significa que a natureza ( nós, inclusive) estamos ainda sujeitos a queda (Rm. 8:22-23) e que a doença e a morte continuam inevitáveis até que sua final consumação. Não podemos esperar milagres e liberdade dos sofrimentos serem coisas normais na vida cristã, que nós iriamos passar nossos dias sem dor. Ao contrario dos moralistas, nós sabemos que Deus pode curar e fazer milagres; diferentemente dos pragmáticos, nós não temos como objetivo pressionar a Deus para uma eliminação do sofrimento.
7. Abordagem para a saúde da igreja. O “já” do reino quer dizer que a igreja é agora a comunidade do poder do reino. É, então, capaz de poderosamente transformar sua comunidade. Evangelismo que multiplica “o numero daqueles que estão sendo salvos diariamente” (At 2:47) é possível! Uma comunidade amorosa que destrói “o muro de divisão da hostilidade” (Ef. 2:14) entre as diferentes raças e classes é possível! Contudo, o “ainda não” do reino significa que Jesus não tem ainda apresentado sua noiva, a igreja, “como uma igreja radiante sem ruga ou sem mácula” (Ef. 5:27). Nós não devemos então ser críticos duros de congregações imperfeitas nem pular impacientemente de igreja em igreja quando percebermos rugas. O errado não será erradicado completamente da igreja ainda. O “ainda não” do reino também nos aponta para evitarmos uma imposição sobremaneira severa da disciplina da igreja e outros jeitos para trazer fazer uma igreja perfeita hoje.
8. Abordagem para mudança social. Nós não podemos esquecer que Cristo mesmo agora está governando em certo sentido sobre a história (Ef. 1:22-23). O “já” da graça nos indica que cristãos podem esperar usar o poder de Deus para mudar as condições sociais e as comunidades. Mas, o “ainda não” do pecado significa que haverá “guerras e rumores de guerras”. Egoísmo, crueldade, terrorismo e opressão continuarão. Cristãos não guardam ilusões sobre politica nem esperam condições utópicas. O “ainda não” nos diz que cristãos não confiarão em qualquer agenda politica ou social para trazer justiça aqui na terra. Então, o evangelho nos protege de um super pessimismo do fundamentalismo (moralismo) sobre a mudança social e também de um super otimismo do liberalismo (pragmatismo).



SUMÁRIO.


Todos os problemas, pessoais ou sociais advêm de uma falha em aplicar o evangelho de uma forma radical, um erro em ficar “em linha (de acordo) com a verdade do evangelho” (Gl 2:14). Todas as patologias na igreja e toda sua ineficiência vem do fracasso de deixar o evangelho ser expresso em um modo radical. Se o evangelho é exposto e aplicado em sua completude em qualquer igreja, esta igreja começará a ver de um modo único. Pessoas acharão nele, tanto uma convicção moral quanto compaixão e flexibilidade.




Copyright © 2000 by Timothy Keller, © 2009 by Redeemer City to City.
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Notas.


1. Veja Richard Lovelace, Dynamics of Spiritual Life: An Evangelical Theology of Renewal (Downers Grove, Ill: Inter-Varsity Press, 1979), p. 211: “Muito do que temos interpretado como um defeito de santificação no povo da igreja é realmente uma conseqüência de sua perda de rumo em relação à justificação ".
2. Martin Luther, A Commentary on St. Paul’s Epistle to the Galatians (London: James Duncan, 1830), Chapter 2, Verse 4, 5.