Mostrando postagens com marcador Paul Copan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paul Copan. Mostrar todas as postagens

sábado, maio 02, 2015

Stephen T. Davis: O argumento ontológico




Nesta segunda parte do livro The Rationality of Theism, vai ser abordado os argumentos para existência de Deus: o ontológico, o cosmológico, o teleológico, o moral como também artigos sobre a experiência religiosa,  a consciência e milagres.

O primeiro texto é sobre o argumento ontológico escrito por Stephen T. Davis, eis aqui um resumão:


O argumento ontológico é umas peças mais controversas e fascinantes da teologia natural na história da filosofia. Foi inventado por Anselmo (1033-1109). O texto vai se concentrar em uma resposta as críticas contemporâneas de Michael Martin.

Martin discute cinco versões do AO- de Anselmo, Malcolm, Hartshorne, Kordig e Plantinga. Ele considera o AO mal sucedido em sua tentativa de provar a existência de Deus.  Mesmo se o AO estiver falho, ele não leva necessariamente a uma vitória do ateísmo, não é algo crucial para o teísmo, mas o autor considera que Martin não alcançou o que diz ter conseguido. Considera justa suas críticas ao AO de Malcolm, Hartshorne e Kordig, concorda com as razões de Martin. Mas sua crítica a Anselmo e a Plantinga podem ser respondidas.

O ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE ANSELMO.


O autor vai examinar primeiro o argumento de Anselmo, mas antes vai mencionar dois ponto onde Martin desconstrói ele. Primeiro, como outros críticos, Martin vê o AO como uma tentativa de provar a existência de Deus simplesmente analisando o conceito de Deus. Esta alegação tantas vezes repetida é inofensiva. É verdade que a definição de Anselmo de Deus - "aquele ser que não podemos conceber nada maior"- é crucial para seu argumento. Podemos chamar este ser de o MAIOR SER CONCEBÍVEL (MSC). Mas, simplesmente analisando este conceito não iremos a lugar nenhum para provar a existência na realidade de nada. Deve-se também trazer em consideração que Anselmo tomou certas verdades necessárias (uma coisa é maior se ela existe tanto na mente como na realidade então isto existe meramente na mente e a existência de MSC é logicamente possível).  Estas reivindicações são aspectos essenciais do AO, e não seguem imediatamente do exame de qualquer conceito de Deus. 

Segundo, Martin afirma que Anselmo alega que a pessoa que diz "Deus não existe" contradiz a si mesmo. Mas, isto também é um poucos enganador. De novo, Deus não existe apenas se torna necessariamente falso em conjunto com certas verdades necessárias como as que listei. Anselmo não precisa estar comprometido com a alegação de que apenas a sentença Deus não existe é auto-contraditória, o que é não é certamente. Para ser claro, Anselmo assegura que a posição ateísta pode ser demonstrada como necessariamente falsa. Isto surge porque esta posição é inconsistente com a definição de Deus, junto com outras certas verdades necessárias.

É importante ver a versão do argumento de Anselmo. O autor vai demonstrar o argumento que está no Proslogion II; 

1, Coisas podem existir em apenas dois modos: na mente e na realidade.
2. O MSC pode possivelmente existir na realidade, por exemplo, não é uma coisa impossível.
3. O MSC existe na mente.
4.  O que quer exista apenas na mente e poderia possivelmente também existir na realidade deve ser maior que ele é.
5. MSC existe apenas na mente. 
6. O MSC pode ser maior do que isto.
7. O MSC é um ser que é o maior que é concebível.
8. É falso que o MSC apenas pode existir na mente.
9. Então, o MSC existe tanto na mente como também na realidade.


Obviamente, muito disto precisa de explicação. Na premissa 1, o que Anselmo quer dizer com 'x existe na mente" significa que alguém imagina x, define  ou concebe x. A expressão x existe na realidade significa que x existe como coisa concreta individual e existe independentemente da idéia de qualquer pessoa ou conceito sobre ele. Então, há quatro modos de existência em que X poderia existir:

- tanto na mente como na realidade (e.g. George W. Bush)
- na mente mas não na realidade ( unicórnios)
- na realidade mas não na mente (algum elemento químico ainda não descoberto mas existente)
- de nenhum modo ( energia nuclear  no ano 1550 dC)


A premissa 2 simplesmente significa que não há contradição ou qualquer tipo de incoerência no termo "Maior Ser Concebível". Se for assim, MSC é um ser que pode existir ( isto não significa que existe, claro) diferente de circulos quadrados. A premissa 3 simplesmente significa que alguém, Anselmo ou você- tem concebido o MSC: o MSC existe na mente de quem o concebe. Então, o MSC deve ter um dos dois dos nossos quatro modos de existência, já eliminando outros dois.

Premissa 4 é chamada, algumas vezes, de a premissa escondida de Anselmo. isto é porque ele não deixa ela explícita no Proslogion II, apesar de ficar claro que seu argumento carece dela. A idéia basica é que as coisas são maiores se elas existirem tanto na mente como na realidade do que se elas existissem simplesmente na mente. Então, se tomarmos maior como significando mais poderoso, entenderíamos que Anselmo quer dizer que as coisas que existem tanto na mente como na realidade são mais poderosas, livres e mais capazes que as coisas que existem apenas na mente.

Agora, as premissas 1,2,3 e 4 constituem as suposições básicas de Anselmo. Como qualquer argumento dedutivo, a aceitação do AO depende da verdade de suas suposições. Se qualquer uma delas for falsa, então o AO fracassa. Anselmo os considerava como não apenas verdadeiros, mas também necessariamente verdadeiros,  A premissa 5 é uma premissa que Anselmo introduziu para refutar ela por redutio ad absurdum. Ele acreditava que a suposição da não-existência do MSC, junto com as premissas anteriores, levariam a uma contradição.


As próximas três premissas constituem o resultado lógico das suposições de Anselmo.  Aqui é onde Anselmo mostra que a premissa 5 é inaceitável porque ela é responsável por produzir uma contradição e,então, deve ser negada. Se as premissas 5, 2 e 4 são verdadeiras, então a premissa 6 segue também. Se o MSC é um mero conceito ou algo não existente, então o MSC poderia ser mais maior ainda que isto. Meros conceitos presumem tem certos poderes e habilidades - eles podem, as vezes, ajuda a nos estimular para pensar mais claramente ou agir de determinada maneira, por exemplo. As coisas existentes são maiores que os meros conceitos delas. Se o MSC fosse apenas um conceito, então ainda seria verdade a possibilidade de existir algo que chamaríamos de MSC.

Agora a premissa 6 é ao mesmo implicitamente contraditória, ela diz que, o maior ser concebível pode ter sido maior que ele é. Esta é uma outra forma de estabelecer o mesmo ponto,

7. O MSC é um ser que é o maior a ser concebível.

A premissa 7 é uma contradição explícita, então por reductio ad absurdum, precisamos pesquisar qual premissa acima no argumento é a responsável por produção da contradição. Anselmo argumenta que as 4 primeiras premissas são verdades necessárias. Por reductio ad aburdum, a premissa 5 deve ser negada.

A negação da premissa 5 é a premissa 8. Agora, sabemos pela premissa 1, que as coisas existem em dois modos, na mente e na realidade. E sabemos pela 3, que o MSC existe na mente, e pela premissa 8, que é falso que o MSC existe apenas na mente. isto segue a premissa 9 que o MSC existe tanto na mente como na realidade.

CRÍTICAS AO ARGUMENTO ONTOLÓGICO DE ANSELMA.

Existe é um predicado?

A primeira crítica de Martin é sobre o existir como predicado. A versão de Martin da premissa 4: "Um ente é maior se ele existe na realidade como se ele existe apenas como objeto mental".  Ele aponta que esta sentença foi desafiada, i.e., por Kant que alegou que existir não é um predicado rael, não é uma propriedade real da coisa. Martin não fala que Kant está correto, ele meramente aponta o argumento de Kant  que faz do AO controverso. Para o autor do texto o argumento de Kant não é tão contundente assim.

Martin aponta que os defensores do AO podem mostrar que existir é uma propriedade das coisas, mas isto não é o suficiente para as necessidades do AO. Ele deve também mostrar que existir é uma propriedade das coisas que adiciona grandeza a elas. E Martin está correto sobre sito. A existe de uma coisa pode ser neutra em relação a sua grandeza.

Infelizmente, o texto de Anselmo não diz o que maior quer dizer exatamente ou maior que outro. Qual a noção que Anselmo tinha em mente? Há no texto alguma evidência que Anselmo entendia grandeza em termos de bondade.

Suponha que lemos grandeza como poder, habilidade, liberdade de ação. Isto iria levar a muitas coisas que o AO precisaria. Primeiro, as coisas precisam ser comparadas em respeito a grandeza. Isto é importante porque alguns modos possíveis de entender grandeza não permitem comensurabilidade, ie, um número primo não pode ser maior que outro numero primo.  Segundo, a grandeza entendida deste modo, admite um grau máximo. Todas as coisas vão ser menos grandes que o MSC, onde o MSC é entendido como um ser onipotente ou todo-poderoso, entendido com um ser que tem a propriedade de ser com total liberdade de ação.

Existe é uma propriedade ou um predicado real? Certamente, é uma propriedade não muito usual. Como Kant diz corretamente, se digamos que algo existe não expandimos ou aumentamos o conhecimento acerca deste algo.  Se o predicado é algo que aumenta o nosso conhecimento sobre sujeito, então existe pode, algumas vezes, falhar em ser esta propriedade ou este predicado real.

Mas, isto parece ser verdade apenas em casos onde a existência de algo é já pressuposta na conversa.


Mas, algumas vezes ampliamos os limites dos horizontes de nossa linguagem e falamos sobre coisas que são possíveis ou não-existentes. E nestes casos, isto poderia adicionar o conhecimento de algo que existe ou não existe. Nestes casos, existir aparece como uma propriedade ou um predicado real.

Mas, aqui há uma definição de maior que se torna crucial. A noção que é defendida é que existir realidade é maior que não existir na realidade. Coisas existentes são mais poderosas, livres e mais aptas para fazer coisas que aquelas que poderiam não existir, como os meros conceitos delas.

Martin perde de vista a noção de maior de Anselmo, sugerindo que isto poderia ser trocado por noções como mais valiosa ou mais desejável. Ele coloca que o desejo é uma noção relativa, e há pessoas que não achariam a existência de Deus algo desejável.  Isto é verdade, mas não é relevante para o AO como uma prova teísta. Enquanto, a noção de maior for coerente e fazer do AO bem sucedido, de acordo com a idéia de aquilo que existe na mente na realidade é maior que aquilo que existe apenas na mente, não importa que se as pessoas acham ou não a existência de Deus desejável. É injusto com Anselmo, colocar outras noções de grandeza que não as dele. precisamos perguntar se a noção está consistente com a visão de Anselmo sobre Deus e se ela leva seu argumento adiante.

O ponto de Anselmo é que as coisas existentes não maiores que os meros conceitos delas. Se alguém diz que o MSC é um mero conceito, se ele existe apenas na mente, isto ainda seria verdade que a coisa não-existente descrevida pelo conceito de Maior Ser Concebível poderia existir, e se ele existe seria maior do que isto (não-existente) como de fato é. Existem muitas dificuldades que pode ser levantadas contra o AO neste ponto 9,

ilhas perdidas e grandes seres ruins

A segunda crítica de Martin  é um apelo ao AO paralelo, uma paródia do AO, seguindo a estratégio de Gaunilo séculos atrás, usando a lógica básica do AO para provar a existência de toda a sorte de criaturas bizarras que sabemos bem que não existem. Estas entidades como a Maior Ilha Perdida Concebível ou  O Grande Ruim Absoluto.

Mas, sabemos que o paralelo é falacioso, pois sabemos que nenhuma ilha perdida existe, portanto, eles querem que o MSC também não exista.  Então,ambos não existem.

Anselmo mesmo replicou a Gaunilo:

Agora, digo com confiança que se qualquer homem que buscar qualquer coisa existente na realidade ou apenas como conceito, exceto que o maior não pode ser concebido, pode adaptar a sequência de meu arrazoado, e irá descobrir que a coisa, e a ilha perdida não será perdida de novo.

O ponto crucial é a premissa 2 aqui.  Ela diz que o MSC pode possivelmente exitir na realidade, i.e., por isto não é algo impossível.  E o no argumento paralelo, Gaunilo diz que a Ilha Perdida.

Alguns filósofos tem argumentado que a premissa 2 é falsa. Eles têm que o conceito de Deus é contraditório ou mesmo incoerente. Mas, na minha visão, é que não. Se falarmos considerando o conceito de MSC, não de Deus que eu também interpreto como MSC.  O MSC é claramente algo possível, o MSC tem algo como propriedade, é apto para um conjunto de situações que são logicamente possíveis para ele.

A premissa 2 do AO paralelo é verdadeira? O conceito de Ilha Perdida Maior Concebível é coerente?  Anselmo diria que não, muito aqui depende do que significa concebível, isto depende dos limites daquilo que pode ser concebível. Poderíamos ampliar ou diminuir, podemos ter ele como aquilo que é logicamente possível.


Como Anselmo responde ?

Suponha que a objeção queria aumentar os limites, podemos conceber coisas que são logicamente impossíveis como círculos quadrados, casados solteiros. Então, há um grande problema com a premissa 2a, o maior que vamos fazer com MIPC é um conceito, e isso jamais seria uma ilha. Agora, se colocarmos que coisas necessárias são maiores que coisas contingentes, isto se segue, que a MIPC será um ser necessário e onipotente, que vai ser para sempre, será capaz de existir por si mesma, etc. Agora não há problema em o MSC ser um ser necessário e onipotente- que é aquilo que esperamos. Mas ilhas são essencialmente contingentes e não onipotentes, há coisas que não podem fazer. É por isso que a MIPC não pode existir e a razão pela qual esta premissa é falsa.

Se um defensor de Gaunillo optar por uma conceituação mais estreita da noção de concebível como aquilo que é logicamente possível. Então, o conceito de MIPC nos termos de grande fazedor de propriedades pode possivelmente ter propriedades como temperatura, beleza do cenário, Mas, se alguém pensar na MIPC, numa ilha perfeita, ela não teria um critério interno de grandeza.


Então, o que dizer sobre o Grande Malvado Absoluto. Este conceito pode servir como um contra-exemplo do argumento de Anselmo?  O mesmo acontece com ele, o GMA pode existir na realidade? Aqui a mesma problemática acontece porque há sempre um mal maior que pode ser imaginado, a premissa 2b é falsa.


A Crítica de Mackie

Finalmente,  Martin vai repetir a crítica de J.L. Mackie.  O ponto de Mackie é que impossível provar a existência de qualquer realidade concreta através de um processo inteiro realizado a priori, i.e., meramente examinando conceitos e definições.  Por definição, o MSC deveria existir, deve ser concebido como existente na realidade, mas apenas será um conceito como o monstro do Lago Ness. E, então, a declaração, o MSC não existe deve ser tida como contraditória, 

Podemos, certamente, provar algumas coisas que existem ou não na realidade de maneira puramente a priori, por exemplo, solteiros casados e circulos quadrados não podem existir na realidade. De modo semelhante, podemos olhar para de modo a priori e ver que há um numero primo entre 6 e 10. 



O ARGUMENTO ONTOLOGICO MODAL DE PLANTINGA.


Vamos chamar este argumento de AOM.

Plantinga define como grandeza máxima possuir excelência máxima em cada mundo possível, tendo máxima excelência como onisciência, onipotência e perfeição moral em cada mundo possível.

12 Há um mundo possível onde a grandeza máxima é exemplificada.

13 Há alguns mundos possíveis em que há um ser que é maximamente grande.

14. Necessariamente, um ser que é maximamente grande é maximamente excelente em cada mundo possível (por definição)

15 Necessariamente, um ser que é maximamente excelente em cada mundo possível é onisciente, onipotente e moralmente perfeito em cada mundo possível. (por definição)

16. Então, existe me nosso mundo e em todo mundo um ser que é onisciente, onipotente e moralmente perfeito ( vindo das premissas 13, 14 e  15)


Martin corretamente nota que Plantinga não toma o AOM como uma demonstração conclusiva da existência do ser maximamente excelente Já que Plantinga sabe que as pessoas racionais podem negar a premissa 12. Mas, já que a premissa 12 não é contrária a razão, o AOM demonstra a aceitabilidade racional da crença em Deus.


O argumento é baseado na lógica modal de sistema S5. É crucial a simetria de condição de relações de acessibilidade entre os mundos possíveis. 



quinta-feira, abril 30, 2015

Robert C. Koons: Ciência e Teísmo: Concórdia, não conflito.


THE RATIONALITY OF THEISM 

4o. CAPÍTULO: SCIENCE AND THEISM:  Concord, not conflict 

por  Robert C. Koons


É bem comum, ouvirmos que ter crença em entidades sobrenaturais como Deus e a alma é incompatível com o ponto de vista moderno e científico.  Este artigo vai examinar o relacionamento entre religião e ciência na história ocidental, se as conexões entre elas são meramente acidentais ou essenciais.

O que é ciência?

O teísta é aquele que acredita que há um ser pssoal que tem poder ilimitado e inteligência ilimitada, que é fundamentalmente bom e confiável e que é responsável pela criação do resto da realidade. 

Etimologicamente a palavra ciência vem da palavra latina para conhecimento, se a ciência simplesmente significa conhecimento, Há quatro definições para ciência:

1. Ciência refere-se para a explosão exponencial no conhecimento de todas as coisas experimentado na Europa e partes conectadas do mundo pelas últimas centenas de anos, necessitando de uma re-avaliação de todas as crenças prioritárias.

2.  Ciência é uma instituição social que tem desenvolvido na Europa e partes conexas do mundo pelas últimas centenas de anos, consistindo um novo sacerdóco, um magistério do fato, suplantando - ou, ao menos, limitando- o papel de magistério da igreja.

3. Ciência representa uma nova radicalmente e vastamente superior maneira de conhecer, trazendo o método científico que foi descoberto e inventado na Europa durante o sec XVII.

4. Ciência é a história do inexorável avanço da filosofia materialista contra todos os rivais, incluindo teísmo. 

O autor não vai levar em conta as novas descobertas científicas, mas ele acredita que as novas descobertas nunca deixaram o teísmo tão claro e forte com agora.


-----

O crescimento institucional da ciência tem um grande potencial para o bem e para o mal. A vasta superestrutura da ciência tem permitido um avanço acelerado do aprendizado, mas também carrega um perigo de um totalitarismo intelectual. O sacerdócio da ciência como único magistério de fato.

Os filósofos tem em que adotar uma relação crítica em relação aos pronunciamentos da ciência em questões chave da existência humana, incluindo a existência de Deus. Por vezes, eles têm adotado uma atitude sicofântica, agindo como torcedores para  ciência oficial ao invés de críticos simpáticos.

O mito positivista da singularidade da ciência.

Em contraste com as definições 1 e 2, As definições 3 e 4 estão firmadas não no fato mas na mitologia. A definição 3 pressupõe que a ciência é única, uma nova forma de conhecer, codificada como método científico. Este mito da singularidade têm 3 teses positivistas centrais:

Tese 1: o método científico foi uma criação de um pequeno grupo de pesquisadores do seculo XVII, que romperam com o passado escolástico aristotelico e começaram, pela primeira vez, a interagir com o mundo de uma forma distintivamente científica.

Tese 2: O método científico, eles descobriram que é objetivo, singular, transcultural, consistindo de um método impessoal.

Tese 3: A credibilidade deste método científico como um revelador da verdade tem sido abundantemente validado pelo sucesso pragmático e poderes técnicos nele incorporados.

Todas estas teses tem sido decisivamente refutadas pelos intelectuais contemporâneos. Pierre Maurice Marie Duhem, historiador da ciência, descobriu  precursores medievais e renascentistas para a nova física do século XVII, especialmente no desenvolvimento da teoria e outra alternativas para a noção aristotélica de natureza como em Jordanus de Nemore, Jean Buridan, Oresme e Da Vinci. O trabalho de Duhem fala em continuidade e não em descontinuidade, num refinamento da teoria.  Os historiadores e filósofos da ciência também descobriram que o método científico não é um mecanismo atemporal ou impessoal, mas, que fatores pessoais, tais como julgamento estético, perspectiva cultural e a própria história da ciência tem papéis importantes.

A ciência não é novo modo radical de conhecer descoberto num passado recente.  Como W. V. O. Quine observou que a diferença entre a ciência e o senso comum é uma questão de grau, não de tipo.
Bas van Fraassen e outros argumentam que o sucesso pragmático sozinho não é garantidor da verdade das conjecturas científicas, o fruto técnico da pesquisa científica pode ser explicado em ver a ciência como uma busca efetiva por um fruto técnico e não pela verdade. Diferente dos anti-realistas, acredito que a ciência, em sua maioria, prove para nós conhecimento do mundo real. Contudo, este conhecimento está ligado a todos os outros, através do uso normal de nossas faculdades naturais de observação e razão. Os defensores da teoria científica devem organizar evidência e argumentos para suas reivindicações num fórum público: eles não devem esperar uma deferência de uma mente sem críticas.  Quando somos simplesmente intimidados pelo poderio técnico da cultura científica, ficamos supersticiosos.

Não há tal coisa como um método científico. Existe é um conjunto de regras e avisos tirados do senso comum e tradição e, por outro lado, um conjunto específico de métodos e aproximações para definir programas específicos de pesquisa na ciência.

Como Etienne Gilson argumenta em Realismo Metódico, que cada domínio de fatos pede por seus próprios conjuntos de métodos de investigação. Assim como é inapropriado para os aristotélicos medievais aplicar métodos biológicos para a física, é também inepto para as ciências sociais e biológicos podem ser distorcidos "veneno físico".


Muito da filosofia da ciência na metade do século XX foi tomada numa tentativa quixotesca de encontrar uma linha de demarcação entre ciência e metafisica/senso comum. Cada tentativa dessa encontrou condições necessárias e suficientes para ser encarada como uma investigação científica ou uma teoria científica terminou em fracasso. Os candidatos de sempre- verificabilidade, falseabilidade, testabilidade, repetibilidade - se tornaram nas melhores regras, guias úteis para mente mas longe de caracterizar  todas as ideias científicas.

O critério da falseabilidade foi tomado como uma sine qua non da teoria genuinamente científica. Há, pelo menos, três razões porque isto não pode servir como um delimitador da ciência genuína. Primeiro, é claro da história dos cientistas que praticam boa ciência, que eles não lançam fora uma teoria diante do primeiro problema, mesmo quando há previsões falsas nela. É claro, mesmo em retrospectiva, que a adesão rígida ao dogma falsificacionista  teria impedido o processo científico através de uma rejeição prematura das teorias que pareciam estar em conflito com os resultados experimentais. Por exemplo, a órbita desviante de Urano parecia contradizer as predições de Newton, até que o planeta Netuno foi descoberto e a teoria newtoniana foi vindicada.

Segundo, como Duhem e Quine ambos demonstraram, nenhuma teoria é simplesmente falsificada pelo resultado. Ao invés disso, cada teoria é testada em conjunção com um auxílio de hipóteses auxiliares, a falsidade de qualquer um pode ser responsável por resultado negativo. Num certo sentido, não são as hipóteses individuais mas todo o corpo da teoria científica que está sendo testada em cada observação e mensuração. A tarefa de encontrar a parte responsável quando um resultado negativo é encontrado pode nunca ser reduzida a uma receita mecanicista. Finalmente, já que nenhum resultado empirico é totalmente conclusivo, isto também impossibilita a falsificação de algo absolutamente, já que a falsificação absoluta deve ser baseada numa fundação conclusiva absoluta.

Isto nãoé negar que há um valor real para os brometos de Popper. Nós somos realmente tentados a segurar ideias familiares e queridas, para ficarmos em lugares seguros.


A insistência acrítica na falseabilidade que favorece o quantitativo sobre o qualitativo, o atomismo e analítico acima do holístico e sintético, a causa eficiente sobre a causa final.  Isto pode levar a um desdém da metafísica. Se a ciência realmente é um modo distinto do conhecimento, há o dever intelectual de baseiar todas as crenças na ciência somente. Contudo, já que a ciência não pode ser demarcada do resto do conhecimento, nossos modos ordinários para garantia das crenças não podem estar sob suspeita e deve permanecer inocente até que prove a culpa.

O MITO MATERIALISTA  DA UNIDADE DA CIÊNCIA.

A definição 4 assume que a história da ciência desde de Tales e Demócrito até o nosso passado recente foi uma sucessão na elaboração de uma teoria materialista e reducionista do mundo. Resistência a este programa de explicar tudo em termos de força física  e micropartículas tem sido fútil. O teísmo é o último oponente, os teólogos tem sido forçados a recuar dando território à ciência materialista e reducionista, deixando Deus cada vez para ser uma hipótese extravagante que ninguém precisa.

A história da ciência não tem sido só de vitória do materialismo sobre seus rivais. A história real é mais complicada. Se olharmos a questão da unidade da ciência, ela tem sido negada, não há como derivar as ciências especiais como a biologia e psicologia da física.  Informação e entidades não-físicas tem um grande papel na biologia, psicologia e linguística. Mesmo os materialistas tem abandonado as reivindicações de que as propriedades mentais  e eventos podem ser reduzidos a fisiologia e física. Mesmo as estratégias reducionistas em relação a filosofia da mente não respeitam o tipo de unidade da ciência visgiualizado por Putnam e Oppenheim em 1958,

Quando olhamos para a história da ciência, vemos que a tendência materialista é uma das quatro linhas maiores: 1. o realismo matemát.ico platonico-pitagórico, 2. teleo-mecanismo aristotelico 3. especulação hermética neo-platônica sobre poderes ocultos e princípios vitais e 3. materialismo nas versões de Demócrito -atomista- e Empedocles - não-atomista-.  Para o autor, a tendência predominante na história foi o realismo platônico-pitagórico.  Foi o platonismo cristão que influenciou Roger Bacon como Galileu, Copérnico, Kepler e Newton.

Diferente do demiurgo platônico, o Deus cristão criou  a matéria em si mesma e poderia import uma ordem perfeita e exata a ela. Na medicina, o progresso de Andreas Vesalius and William Harvey era um projeto de continuar a construir sob as fundações que Aristoteles deixou.

Mesmo na física, a tradição teleológica permanece nos princípios de Leibniz e no último princípio de refração de Fermat.  Toda a óptica e mecânica de Newton pode ser derivada de  Willliam Rowen. A termodinâmica moderna tem seu princípio advindo da idéia de Aristoteles de um lugar natural.

O Neo-platonismo hermético e mesmo mágico tem um papel no surgimento da química e da física do eletromagnetismo. A postulação de Newton sobre uma força universal de atração também saiu dessas raízes.

De fato, o materialismo não é um fator significativo para o pensamento ocidental até o movimento materialista em 1840. Este movimento inspirado por fatores políticos.

Mesmo a mecânica quântica mostra marcas de uma herança platônica:  a primazia de um formalismo matemático exato e a rejeição da necessidade para uma explanação mecanicista. Este último aspecto é mais evidente em abraçar da teoria causal não-localizada. A distância entre o atomismo clássico grego e o rigor matemático é enorme.  As quatro características principais do materialismo clássico: ausência de realismo matemático, a insistência em termos de interações físicas paradigmáticas, a rejeição de uma explicação teleológica e um compromisso para um pluralismo ontológico, todas estas estão excluídas da teoria quântica. Isto que poderia mostrar o triunfo do materialismo é sua aniquilação.

De fato, a forma de materialismo que tem mais efeito na ciência não é ateísta ou agnóstica, mas um materialismo teísta.  Para Duhem, o começo da revolução científica é 7 de março de 1277, quando Etiene Tempier, bispo de Paris, condenou um conjunto de teses da física de Aristóteles como equivocadamente impondo limites a onipotência de Deus. Duhem chama este ato de um chamado para os cristãos aplicar seus intelectos para o desenvolvimento de uma nova física.

Para o autor deste texto, Boyle e Newton são os maiores símbolos deste materialismo cristão.  Filosoficamente, o materialismo teísta é mais coerente que o ateísta. Os ateístas tem que aceitar fatos brutos como coincidências extraordinárias inexplicáveis em seus princípios. Primeiro, ateístas não tem explanação para a unidade do universo físico. Segundo, o ateísta não explicação para a consistência maravilhosa através do espaço e tempo  do número relativamente pequeno de coisas para observar.

A noção que há um conflito significado entre ciência e religião é produto de propagandistas do começo do século vinte, especialmente, John Wiliam Draper, Andrew Dickson White.

O teísmo provê um complexo e sútil modo de ver o mundo, em contraste as percepções fechadas do materialista. O teísmo ocidental exibiu um tipo de genius em estabelecer uma tensão equilibrada e criativa entre tradições distintas, mantendo as polaridades do atomismo e da teleologia, forças vitais e relações espaciais, razão e empirismo.


A DEPENDÊNCIA DA CIÊNCIA DO TEÍSMO.

Longe de minar a credibilidade do teísmo, o sucesso da ciência nos tempos modernos é uma confirmação da verdade do teísmo. Se a fé na inteligibilidade racional do mundo e a vocação divina dos seres humanos para lidar com isto, a ciência moderna não poderia nunca ser possível ou mesmo hoje  continuar a ser um empreendimento racional que depende de convicções que só podem ser baseadas numa metafísica teísta.


Há sete elementos do teísmo ocidental que são condições necessárias para o engendramento da ciência moderna:

1. A crença na inteligibilidade e exatidão matemática do universo, como o artefato da perfeita Mente, trabalhando com material que foi criado ex nihilo e intimamente conectada com conceito hebraico de Deus como legislador. A ideia de uma lei da natureza foi primeiro explicitamente formulada no quarto século de Basílio de Cesárea, aplicando o modelo bíblico de Deus como doador da lei a figura grega de um cosmos ordenado.

2. A crença na aptidão da mente humana, criada na imagem de Deus para a tarefa da investigação científica ,concebida como uma vocação dada por Deus.

3. A necessidade da observação e do experimento para descobrir como de fato Deus tem exercido sua liberdade soberana e absoluta onipotência em moldar para a criação, uma liberdade incompatível com a completa determinação da vontade divina a partir restrições a priori.

4. A concepção da natureza como livro divino, paralelo a Bíblia. O modelo de dois livros era o tema de Galileu, Kepler, Bacon,etc.

5. O desencantamento do mundo pelo teísmo, livrando de semi-deuses ou animismo. Isto aboliu os intervalos entre céu e a terra, deixando possível a explicação newtoniana de movimento.

6. A visão linear de tempo, começando com a criação ao invés de uma ordem cíclica temporal.

7. A elevação da dignidade da matéria e do trabalho manual, uma consequência da doutrina teológica da encarnação.


Alvin Plantinga mostra que o materialismo científico sem um designer que pensou o homem com aptidão para a verdade,  leva inexoravelmente para uma catástrofe epistemológica.  O materialista não tem uma opção real senão acreditar que a humanidade é somente o produto de um processo darwiniano indireto e não planejado. A seleção natural cuida apenas de comportamento que promove sobrevivência e reprodução: não tem nenhum interesse na verdade como tal. Aqui não há razão para acreditar que uma aptidão para verdade é o único modo, ou mesmo um especialmente como mecanismo, para produzir sobrevivência- um comportamento reforçado. (Por exemplo, seres humanos geralmente acreditam que seus companheiros humanos tem uma dignidade e valor intrínsecos e que valores morais objetivos e há obrigações. No naturalismo, estas crenças devem ser falsas- mesmo se tendo tais crenças ajudariam os humanos a sobreviver melhor). O conhecimento de caminhos causais levam para as nossas crenças presentes falta qualquer propensão intrínseca para promover a verdade nos dá uma razão indefesável para duvidar de todas as libertações de nossas faculdades cognitivas, seja da percepção, memória, raciocínio lógico ou inferência científica. Assim, o materialista científico não pode razoavelmente, no final, alegar saber que os resultados da ciência são de fato verdade.

Se o materialismo for verdade, qualquer crença formada científicamente sobre física fundamental para ser conhecido ou mesmo ser verdade. O materialista deve adotar um  relato causal ou informação-teorético de sentido das proposições da teoria científica, e um relato similar da natureza do conhecimento. Estes relatos requerem um conexão justa entre semântica e epistemologia: isto é impossível para as nossas teorias tem informação sobre o mundo a menos que nossas inferências para as teorias são amplamente confiáveis. Desde que simplicidade, simetria e outras qualidades quase estéticas da teoria desempenham um papel indispensável na prática teórica, nossas inferências para a teoria científica não pode ser confiáveis a menos que há uma explanação causal para a conexão entre simplicidade e verdade. Contudo, nenhum relato materialista com tal conexão causal é possível, já que qualquer explanação causal de uma ligação entre simplicidade e verdade teria de envolver referência a um fator que cause as leis fundamentais do mundo sendo simples, e qualquer causa da lei fundamental da matéria deve em si mesmo ser imaterial. Já que, o materialista não pode consistentemente acreditar seja que a ciência prove com conhecimento ou que as teorias científicas são realmente sobre o mundo.

O argumento depende crucialmente do ponto anterior- que julgamentos estéticos sobre simplicidade e elegância provisionam um painel através do qual as teorias devem passar antes que nós a levamos a sério.  Contudo, o argumento não dependem em supor que os padrões relevantes de  julgamento estético são inatos ou a priori. O materialista está em problema mesmo se o universo atua por acaso, ineficiente em uma máquina de ensinar de longo prazo efetiva. Isto é crucial para que estes critérios estéticos nos guiem de forma confiável em direção a novas descobertas sobre as leis fundamentais, o fato que as leis não descobertas compartilhem características estéticas ensináveis com aquelas que já sabemos não pode ser uma coincidência bruta.

A real confiabilidade, em oposição a pura sorte, requer um mecanismo causal que faz do mecanismo confiável. Neste caso, tal mecanismo deve ter uma estrutura estética profunda específica impressa que pode ser apreendida suportada por todas as leis fundamentais da natureza. Tal mecanismo não pode em si mesmo ser a causa material, já que estamos suponto que algo é responsável pelas leis fundamentais da matéria, e apenas algo supra-material poderia fazer isto.  Este algo transcendente precisa não ser um deus, mas o fato é que impõe algo que seja reconhecível para essa ordenação racional da forma da beleza claramente sugestiona que há algo pessoal por detrás desde legislador cósmico.

Plantinga argumenta que o materialista não tem uma explicação adequada para como somos constituídos para aprender a verdade, enquanto que meu argumento é que os materialistas não tem uma explicação adequada para como as leis fundamentais da natureza são constituídas para serem apreendidas através da experiência.

O Materialismo tem uma base falsa e suas teorias são tratadas como ficções utilizáveis sem carregar verdade ou falsidade, precisam encontrar um suporte para suas posições em outro lugar. Em contraste, os teístas podem falar que o sucesso da ciência é uma confirmação da sua posição metafísica,


CONCLUSÃO.

Existe um preço para ser pago pelo realismo científico, pela convicção que nossas teorias providenciam modelos do mundo real, modelos que temos razão de acreditar que são aproximadamente corretos. Este preço é admitir que a esfera física não exaure a realidade, mas ela é um artefato de um Deus racional que nos deu aptidão para a tarefa de investigá-lo.

Este artigo argumento que o teísmo deve preencher a investigação científica, levando a tomar a sério, a possibilidade de uma interferência não detectável de agentes sobrenaturais em todas as configurações experimentais.

Tais temores a respeito de um enganador cartesiano, argumenta-se, pode impulsionar o teísta para exatamente o tipo de crise epistemológica que Plantinga reivindica é o destino do materialista.


Contudo, esta preocupação  é  um mero pesadelo. Não há razão para o teísta levar a sério toda possibilidade que Deus poderia estar maliciosamente pregando peças em nós em nossos laboratórios ou estudos de campo. É verdade, contudo, que um teísta deve tomar seriamente a possibilidade de um milagre excepcional, um evento inexplicável em ternos dos poderes finitos e propensões que podemos ter no estudo científico- não promiscuamente, mas apenas quando existir uma boa razão teológica ou filosófica para tanto. Entretanto, abrir a porta para o miraculoso não significa abri-la para o irracionalismo. Não significa adotar uma atitude de credulidade para cada história maravilhosa- este não era o caso para os primeiros cientistas modernos, que eram teístas.  Dada a ordem racional do mundo natural, temos razão para esperar que qualquer milagre também terá uma forma coerente e racional. Eles não serão meros truques, eles serão a exibição do mesmo tipo de economia, elegância e sentido racional que encontramos em outros lugares na criação. Em sua obra Milagres, C.S.Lewis argumenta que os milagres do Novo Testamento tem exatamente este caráter, mas isto é para outro texto.

terça-feira, abril 28, 2015

Paul K. Moser: Inspiração Cognitiva e Conhecimento de Deus

No terceiro capítulo  Cognitive Inspiration and Knowlegde  of God do livro The Rationality of Theism, Paul K. Moser vai abordar a questão do conhecimento de Deus  Eis aqui um resumo deste capítulo:


Morte e vida.

O autor começa falando da inevitabilidade da morte para todos os seres humanos e se haveria um propósito para a vida ou mesmo para além vida.  Precisamos de um poder de fora, uma ajuda além da morte, um Deus todo poderoso que nos salve da morte. Se o comprometimento com um Deus todo poderoso é um mero desejo, então Deus não é real e é incapaz de nos salvar da morte. Deus deve ser real, não meramente possível ou imaginário, Deus deve exercer um poder real para nos livrar da morte, 

Deus e as expectativas humanas.

A respostas para a questão se é racional acreditar em Deus é real são previsíveis. Alguns dizem que sim, outros que não, e alguns dizem que não tem nada a dizer.  As respostas também dependem do significado do termo Deus,  se isto significa um ser digno de louvor, é racional acreditar que existe um ser digno de louvor? Louvor e Dignidade falam da excelência moral de um ser independente dos status moral dos outros.  Deve ser possuído por si mesmo, de outra forma, sua fonte seria a merecedora do louvor. O louvor não fala apenas de veneração, adoração e reverência. Seres moralmente deficientes não merecem tal comprometimento com eles. A deficiência moral em um ser não prescreve uma confiança total neste ser. Um ser adorado deve ser deficiência moral.

A excelência moral não é apenas uma questão de fazer coisas certas e evitar coisas erradas. Ela envolve um tipo de caráter, motivação e vontade que está debaixo das ações. A verdadeira excelência moral envolve um amor não egoísta mesmo com os inimigos. Um pessoa egoísta carece de excelência moral. A excelência moral numa pessoa carrega o fardo de um amor irrestrito para todas as pessoas. 

Já que a dignidade do louvor requer excelência moral, apenas um ser que é todo amoroso é digno de louvor. Isto consideravelmente diminui o campo de candidatos, mesmo entre todas as religiões mundiais. O candidato mais promissor é aquele que prometeu a redenção humana, um deus que promete confiavelmente nos dar a oportunidade de sermos salvos de nossa moral e mortal condição, incluindo nossa deficiência ética e morte iminente.  Um Deus todo amoroso que poderia buscar o que é melhor moralmente para nós cmo pessoas e nos daria uma oportunidade de tal redenção. 

A história humana só tem um candidato para estas categorias: o Deus de Abraão, Isaque, Jacó e Jesus. 

É racional acreditar que este Deus é real?

Muitas pessoas suspeitam que se Deus é real, isto é muito obscuro para ser conhecido apenas racionalmente.  Eles pensam que esta evidência é inadequada para um compromisso racional. John Baillie coloca algumas objeções: "quando você fala em confiar em Deus, em orar para Ele e fazer sua vontade, mas tudo isto é de um lado só, nós falamos com Deus, mas Ele nunca fala conosco". 

Nossas expectativa de Deus podem distorcer nossas reflexões cognitivas sobre Deus. Eu poderia esperar um evidência fácil da realidade de Deus, muitos filósofos como Bertrand Russell e N. R. Hanson buscaram esta evidência. Mas tal evidência não é, de fato, disponível para nós, eles recomendam o ateísmo ou agnosticismo. 

Todas as nossas expectativas de Deus, evidenciais ou outras, devem se conformar ao caráter e aos propósitos distintos de Deus. De outra maneira, eles iriam refletir mais a respeito de nós do que sobre Deus. Em particular, nossas expectativas deve se acomodar ao fato de que Deus deve é digno de adoração e deve ser todo amoroso. 

Como moralmente excelente, Deus pode buscar o que é melhor moralmente para nós. Isto requer que Ele preserve nossa capacidade para liberdade em nosso processo de  decisão e não governar por coerção. O amor genuíno não pode ser coagido. Então, Deus deve se abster de oferecer evidência de sua divina realidade que extinguiria nossa liberdade. A evidência da realidade divina deve acomodar a liberdade humana na busca de Deus para provocar o amor nos seres humanos. (P.58)


As expectativas divinas e o julgamento do amor.

O amor genuíno requer uma atitude de serviço humilde para com os outros. Então, um Deu de excelência moral poderia suprir um tipo de evidência da realidade de Deus que não encoraja um orgulho egoísta, e talvez o desencoraja.

Se  a evidência da realidade de Deus fosse sofisticada, muitas pessoas sofisticadas teriam orgulho em compreender isto. Intelectuais tratariam tal conhecimento como uma posse privilegiada ao invés de um presente gracioso a ser recebido com humildade. 

O Deus todo amoroso quer que sejamos como ele tendo em vista nosso caráter moral. Para tanto, devemos desenvolver nosso caráter através de um relacionamento com Deus, a fonte e sustentador do amor entre os homens. O amor divino busca amizade entre todas as pessoas, não com um grupo exclusivo. Esta amizade é amor verdadeiro. 


A necessidade de nossa transformação de caráter vêm do nosso fracasso em amar a Deus como ele nos ama. Vemos esse fracasso em nosso tratamento moralmente negligente com os outros. O verdadeiro amor vai além de nossos próprios desejos para atender. Este fracasso é chamado de DEMANDA DO AMOR. 

Nossa desonestidade sobe nosso status moral nos leva a resistir a esta demanda divina. Isto obscura em nossa mente quão distantes estamos daquilo que Deus quer. 


O Espírito de Deus nos humanos.

Deus oferece um tipo distintivo da evidência de sua divina realidade, que é a inspiração de seu Espírito sobre os homens.  O Espírito dá aos corações garantias que Deus irá completar  transformação que começou. Dá novo poder para a pessoa e este poder é sentido por seu recipiente e mesmo observável pelos outros. 

O Espírito de Deus serve como a âncora cognitiva do conhecimento em primeira mão de Deus. De acordo com o Novo Testamento, este Espírito é o Espírito de Jesus e então é visto mais claramente na vida, morte e ressurreição de Jesus. Nós apreenderemos esta realidade do Espirito apenas se nós buscarmos ter olhos para ver e ouvidos para escutar. Isto é, nós precisamos nos abrir para receber o Espírito de Deus. Mesmo na conexão com conhecimento, Deus busca mover nossas vontades. O verdadeiro Deus, ser todo amoroso, procura acima de tudo que aprendemos a amar como Deus ama, e isto é um alvo irredutivamente volitivo. Deus graciosamente oferece inspiração cognitiva, para esta razão. Conhecer sem amar é ser estranho para este Deus.

sexta-feira, abril 17, 2015

The Rationality of Theism

primeiro capítulo:
RELIGIOUS LANGUAGE AND VERIFICATIONISM
William P. Alston


Um resumo deste primeiro capítulo, vai ser considerado o desafio para o significado factual das afirmações sobre Deus. 

O autor volta ao nascimento da lógica positivista no Círculo de Viena, e sua influência na obra de A.J. Ayer, como também seus expoentes, Carnap e Feigl.

O positivismo lógico pensou que a filosofia tradicional havia chegado ao fim e a principal arma contra a metafísica tradicional era a teoria da capacidade de significado, segundo a qual, uma declaração é factualmente significativa somente se ela é suscetível a uma verificação empírica ou falsificação. De modo, que a maioria das afirmações da filosofia ficaram como declarações falsas.

A diferença entre a verificabilidade como uma teoria de sentido e como um critério de significância. O primeiro pode ser formulado assim: "o sentido da proposição é o método de sua verificação" e o segundo pode ser entendido como" o sentido da proposição pode ser dado apenas através das regras de sua verificação na experiência". 


Se a alegação é que a verificabilidade empírica possível é requerida para qualquer tipo de sentido linguístico, A afirmação é ruim desde do nascimento. Para ter uma chance de ser aceitável, o critério deve ser limitado as sentenças declaratórias usadas para fazer declarações que tenham o valor de verdade. Este ponto é reconhecido pelas versões mais sofisticadas da posição, em que este tipo de significado é chamado de "sentido cognitivo" ou "sentido factual".

Mas, isto levanta uma questão ainda mais dura, qual tipo de entidade é declarada como tendo sentido cognitivo apenas se ela é empiricamente verificável. O problema é que estas sentenças e seus componentes que dizem ter ou não ter cognitivo ou qualquer tipo de sentido. Vemos que esses valores de verdade ou testes empíricos não podem ser aplicados para sentenças contendo termos indiciais ou nomes próprios, como por exemplo, a frase: eu estou com fome.

O que é verdade ou falso, verificável ou falseável não é a sentença mas o que foi colocado pela pronúncia da sentença por um certo falante em uma certa ocasião. Nem todas as sentenças exibem este tipo de variação. Mas, para uma formulação geral o ponto é que estas declarações, não as sentenças, tem valores de verdade e são suscetíveis de teste empírico. Mas, então nós temos que reconstruir que a verificabilidade empírica é um critério para. Se vamos continuar a pensar isto como um critério para um certo de tipo de sentido da sentença, temos que relacionar a verificabilidade das declarações com o status semântico das sentenças.

Um critério de verificabilidade seria:
A sentença é significativa cognitivamente apenas se as declarações elas pode ser (padronizadamente) utilizadas para serem, em princípio, empiricamente verificáveis ou falseáveis.

Devemos observar que em princípio vem antes de verificável ou falseável. Isto significa um contraste com a prática. Para ter um sentido factual, a sentença não precisa ser caaz de declarações que possam se sujeitar ao teste empírico. Nos primeiros dias do positivismo lógico, o exemplo padrão  de uma genuína declaração factual não poderia ser testado assim. O "no princípio" requer que possamos descrever uma verificação ou uma falsificação. O único problema com este restabelecimento é que isto levanta a questão de qualquer descrição é significativa factualmente, isto levantaria um regresso infinita.


4. As primeiras formulações do critério fez um uso sério do termo "verificável" e "falseável", então, requerendo a possibilidade de uma decisiva, maximamente conclusiva estabelecimento da verdade ou da falsidade. Mas, logo entendeu que isto levaria a todos ou quase todos os paradigmas e hipóteses científicas a serem considerados como sem sentido factual. Para a evidência científica nunca é tão conclusiva para regrar além da possibilidade que a hipótese suportada é falsa. A indução enumerativa é universalmente reconhecida por estabelecer apenas uma probabilidade maior ou menor. Como teorias de alto nível, o seu suporte vem da habilidade de explicar e predizer dados empíricos. Mas, para qualquer teoria deste tipo haverá sempre um número potencialmente infinito de teorias alternativas que podem fazer o mesmo trabalho. Nunca podemos estar certos que os novos dados se encaixaram em nossa teoria favorita,  como o que aconteceu com mecânica newtoniana.

Voltando ao critério:

"A sentença é factualmente significativa apenas se as declarações podem ser (padronizadamente) usadas para serem, em princípio, empiricamente confirmáveis ou não-confirmáveis."



5. O próximo para o critério é sondar o que é preciso para os dados empíricos para contar a favor ou contra a aceitabilidade de uma declaração. Esta se divide em (a) aquilo que conta para os dados empíricos e (b) como tais dados se relacionam com uma declaração dizendo a favor ou contra ela. Estas perguntas nos colocam no problema da teoria e da confirmação, a epistemologia da percepção e das crenças e das declarações que vão além daquilo que é diretamente perceptível.

O primeiro ponto é introduzir um grau razoável de precisão em nossa fala da confirmação empírica e prevenindo que se perca em juízos puramente intuitivos. Como uma primeira aproximação, a hipótese deve ser suportada por uma possível observação para esta, juntamente com outras premissas, implicando numa declaração que reporta a observação. E para uma dada hipótese a ser enfraquecida por uma possível observação  é que para  esta hipótese, junto com as premissas,  para implicar na negação da declaração que reporta a observação.

Este relato pressupõe que podemos separar uma classe de declarações de observação que são confirmadas ou não confirmadas diretamente pela observação, não indiretamente com a hipótese apenas mencionada. Isto tem recebido muitas críticas. É alegar que toda a percepção é moldada pela teoria que nós levamos até a coisa e nada é permanece intocado quando nos é dado pela percepção. Isto leva aos relatos da observação em si mesmos sendo tratados como hipóteses que são avaliadas por como nos explicamos bem os dados. Se estes dados negarem a hipótese, então, estamos em um infinito regresso ou somos forçados a uma epistemologia de coerência, em apenas o padrão de aceitabilidade nos é dado como uma crença ou uma declaração se encaixa num sistema de fundo, que é em si mesmo avaliado somente por sua coerência interna.

Contudo, não é clara a distinção entre aquilo que é diretamente justificado pela experiência e o que é indiretamente justificado que não pode permanecer, desde que nos contentamos com explicações relativamente modestas para o primeiro.  Isto implicaria numa negação da certeza e verificação conclusiva para as crenças perceptuais como também para altas. Isto significa que a experiência perceptual seria tomada como uma justificação prima facie dos relatos perceptuais- justificação que fica vulnerável de ser cancelada por  suficientes razões em contrário.

A exposição apenas reflete o fato que o critério de verificabilidade se restringe a experiência para as experiências sensórias e restringe a observação para a percepção do sentido e dados empíricos de relatórios perceptuais. Estas restrições vão ter um papel importante na aplicação do critério quando falamos a respeito de Deus.

A primeira objeção ao critério da verificabilidade é ele falha em seus próprios requerimentos para dar um sentido factual  e então é auto-refutado. Por isto, não parece ser empiricamente confirmável, nem satisfaz a única outra alternativa reconhecida pelo positivismo lógico de valor de verdade, ou seja, sendo analiticamente verdade ou auto-contraditório. Em resposta a essa dificuldade, um número de positivistas advogam em tomar o critério como uma proposta para usar o termo factualmente significativo ao invés de uma declaração de fato. Isto leva a fora da posição inicial. Mais, se a alegação que a confirmabilidade empírica é requerida para sentido factual é abandonada como uma alegação factual, o que pode ser dito para a proposta de supor que é assim? Assim, eu devo continuar tratando a posição como uma alegação de verdade sobre o requerimento de significado factual.


Um exame sobre a aplicação do critério de verificabilidade quando falamos de Deus. 

Falar sobre Deus não pode ser empiricamente verificável ou falseável, então, para eles tais declarações não podem ser consideradas como declarações factuais genuínas,

Em um artigo muito citado,  “Theology and Falsification,” Antony Flew coloca o seguinte desafio para os teístas: "O que teria de ocorrer ou tem ocorrido para constituir para você uma não prova do amor de, ou da existência de Deus?. Esta formulação em termos de uma falsificação disjunta. E se lemos estritamente, o temo "não aprovar" indica que Flew tinha pensado do critério de modo a que exigir a possibilidade de uma prova conclusiva ou não prova. Como vimos, esta forma forte de critério foi abandonada cedo no desenvolvimento do positivismo lógico, desde que cedo se entendeu que as hipóteses mais científicas falham em satisfazer isto. Mas, demorou um pouco para que esta compreensão diminuísse em alguns filósofos da religião com mente positivista. Kai Nielsen implanta uma versão mais atualizada do critério:

O princípio operativo aqui é que a declaração que nunca irá inequivocamente tida como uma declaração factual a menos que isto é confirmável ou afirmável, i.e. a menos que que algo seja concebível, um estado empiricamente determinável que poderia contar contra sua verdade e algo ao menos concebível, um estado empiricamente determinável que poderia contar com algo para sua verdade.

Nesta discussão, eu vou pensar nos termos da formulação de Nielsen. Agora, para a alegação que Deus falha no teste. Nielsen  segue Martin nisto, também há o crédito em reconhecer que, pelo menos, algumas declarações sobre objetos de adoração religiosa vão satisfazer o critério. Aqui esta a formulação de Martin:

"o discurso simplista dos crentes num Deus antropomórfico não é sem sentido: é meramente falso. Considerando a visão que Deus é uma entidade grande e poderosa no espaço e tempo, uma entidade que reside em algum lugar lá no céu. A sentença expressa o que não tem sentido factualmente. Nós entendemos o que ela significa e...sabemos que na luz da evidência que esta declaração é falsa. O que incomoda Nielsen é o discurso sofisticado de crentes que dizem, por exemplo, que Deus transcende o espaço e tempo, não tem corpo, e realiza ações que afetam as coisas no espaço e no tempo. Ele mantém que este tipo de discurso é sem sentido factualmente, então, nem verdade nem falso."

Mas, a situação é muito mais complexa que isto. Deixando de lado, a noção que Deus é atemporal, a visão que traz consigo problemas especiais em si mesmo, e retém o resto da figura acima dita de uma concepção de Deus de um crente sofisticado. Não é tão claro que a conversa sobre Deus é imune a um teste empírico. Uma coisa que isto depende de um largo cenário teológico e religioso em que tal conceito de Deus é operativo. Por exemplo, uma parte crucial do cristianismo, encontrada, por exemplo, no Credo Niceno, é que Cristo - a segunda pessoa encarnada da Trindade- vai retornar para a Terra em algum momento em glória para julgar a humanidade. Os credos não são explícitos sobre como tudo isto será observável, mas a doutrina não fará sentido a menos que assumimos que ela se manifestará para a humanidade em algum tempo. Depois de tudo, isto é para supostamente uma Grande Coisa, a maior coisa na história humana. Então, ao menos, parte da teologia será não confirmada se isto nunca acontecer.  Isto não nos coloca uma posição ideal para fazer o teste, não há dado a ser especificado, nem mesmo uma especificação mais tarde.  Isto coloca um friso na possibilidade de uma falsificação conclusiva, que não é requerida de qualquer maneira numa forma mais fraca do critério com que estamos trabalhando. Mas, isto assegura a possibilidade de uma verificação empírica conclusiva e, nos termos de Nielsen especifica algumas observações que poderia contar a favor ou contra a declaração. Isto vai significativamente além da não possibilidade de evidência empírica.

Existe outras possibilidades de trazer evidência empírica para  para suportar a doutrina cristã que envolve Deus, embora  todas elas param na possibilidade da verificação conclusiva ou falsificação da mesma forma. Mais de uma vez no Novo Testamento, Jesus é creditado com ditos que sobre certas circunstâncias Deus vai dar a pessoa aquilo que ela ora a favor. Estas condições incluem tais coisas como "com fé" ou "se você manter seus mandamentos"- condições para a satisfação de que não é um teste conclusivo. Mas isto não é uma ciência exata.

Um outro exemplo é no discurso de despedida de Jesus no Evangelho de João, ele promete aos discípulos que após sua morte, ele enviará o Espírito Santo para os instruir, que vemos nas epístolas paulinas as funções do Espírito, como santificação e inspiração. Aqui também estes termos não carregam um critério preciso para sua aplicação, e pode haver debate quando ele se aplica. Mas, nós podemos entender instrução e santificação bem suficiente para ter uma base para determinar que se cumpriu estas promessas.

Até aqui fui me restringindo a observações perceptuais do sentido que poderiam ser reconhecidas por meus oponentes positivistas. Mas, quando nós levamos a questão seja da evidência empírica que deveria ser restrita desse modo, mais possibilidades putativas para a confirmação ou não confirmação empírica ficam abertas. Irei abordar isto gradualmente, primeiro, introduzindo um tipo de caso que, ao menos parcialmente, envolve um senso ordinário de percepção. Consideramos a vida após a morte como uma doutrina da religião teísta. E se a conexão com Deus é necessária, consideramos que no cristianismo está prometido por Jesus Cristo. Apesar disto ser controverso, muitas pessoas, incluindo muitos filósofos e intelectuais acreditam que temos evidência empírica de sessões mediúnicas ou de outras tentativas de se conversar com os mortos.  Os relatos dessas sessões são relatos bem visuais, tácteis e audíveis. Outros alegam evidência empírica de paranormais, com capacidades extra-sensórias. Eu não entrar nisto tudo, mas eu tenho que explorar numa discussão compreensiva sobre o que crenças religiosas sofisticadas são capazes de um teste empírico.

Contudo, a possibilidade mais controvérsia concerne a direta experiência da presença e da atividade de Deus na vida das pessoas que muitas pessoas acreditam que tiveram. Muitas razões foram dadas para desacreditar os relatos de tais experiências como sendo um algo que levasse em si a verdade das crenças sobre a existência, natureza e atividade de Deus. Por exemplo, Nielsen é típicamente ateísta em desmentir tais experiência como puramente subjetivas e não podem alegar ser uma experiência de uma deidade transcendente. Eu tenho que é razoável tomar tais experiências como provadoras e significativas para o suporte das crenças que seus sujeitos tem para suportar.

Esta é apenas a ponta do iceberg, devemos lembrar que nem Nielsen nem Marty consideram que as crenças sofisticadas sobre Deus são capazes de alguma confirmação empírica ou não confirmação.

Várias interpretações a respeito de  falar sobre Deus.

Se a pessoa está convencida que não há declarações sobre Deus, como tal está construído na religião teísta, como significativos factualmente, como então alguém construiu isto? Existem muitas alternativas aqui. A mais simplista é evitar a necessidade de qualquer reconcepção ignorando todas juntos, ou como diz Hume, deixando-as às chamas.  Mas, se alguém é suficientemente motivado a continuar a falar sobre Deus, existe um conjunto de maneiras para fazer isto enquanto evita qualquer referência a uma entidade transcendente.  Isto pode ser divido em dois grupos principais. Um busca preservar o caráter declaratório em dando um sentido puramente natural da fala sobre Deus. O outro  escolhe interpretar putativamente a conversa sobre Deus como uma expressão de sentimentos, atitudes, compromissos e gostos.

Como exemplos da primeira alternativa, Henry Nelson Wieman, define Deus em termos naturalísticos como a interação entre indivíduos, grupos e eras, que gera e promove a grande possibilidade do bem mutuamente. Isto preserva a beneficência de Deus, mas o ser pessoal é perdido completamente.

Outra reinterpretação naturalista da conversa teísta é encontrada no biólogo inglês Julian Huxley, no livro Religião sem Revelação. Ele identifica Deus Pai com as forças da natureza não humana, Deus Espírito Santo como os ideais de cada homem e Deus Filho como a humanidade em si. Então, ele nos dá uma trindade naturalística. Ele mesmo conclui que a unidade das três pessoas num único Deus como a unidade de todos os aspectos da natureza.

O segundo grupo é extramente variado. O filósofo George Santayana, toma as doutrinas religiosas como simbólico principalmente de compromissos e atitudes. Em seu "Reason in Religion", ele distingue dois componentes de uma doutrina religiosa ou mito como ele prefere dizer.  A morte de Jesus é um símbolo do valor moral do auto-sacrifício. Esta convicção moral pode ser expressada efetivamente pela história mais do que apenas dizer que o auto sacrifício é uma coisa nobre. Santayana considera os mitos religiosos com a função de guiar nossas vidas em certas direções. Braithwaite também enfatiza esta função diretiva. Ele toma as declarações religiosas como primeiramente declarações de aderência para uma politica de ação, declarações de compromissos como um modo de vida.  Também encontramos esta abordagem em Gordon Kaufman, vivendo em relação com Deus é vivendo com uma cosmovisão que tem Deus como foco. Não há necessidade colocar um ser existente particular, Deus. Ele diz que a questão da existência de Deus é a questão da viabilidade e adequação de uma orientação, um entendimento verdadeiro ou válido da existência humana.

É claro que muito do discurso sobre Deus tem funções expressivas e diretivas, e se nós descartamos essas alegações de verdade são ordinariamente tomados para embasar estas funções, o primeiro vai ser tudo que resta. Mas nós seremos forçados para dentro dessas reconstruções pelo critério de verificabilidade apenas se as declarações mais tradicionais sobre Deus não são empiricamente confirmáveis, e apenas se a confirmação empírica é uma condição necessária do sentido factual. Eu tenho apresentado  razões para duvidarmos do primeiro na seção anterior, e agora vou proceder quando podemos aceitar o segundo.

O critério de verificabilidade e seus problemas.

Primeiro, analisa o que foi dito sobre critério de verificabilidade e, então, algumas razões para rejeitar isto.

O positivistas lógicos originais não dão muita atenção para a defesa do critério.  Ficaram presos num estágio não progressivo da filosofia em contraste com a ciência, então, eles tomaram como óbvio que o motivo para o contraste da filosofia tradicional com a ciência nestes aspectos provindo fato de que as declarações da filosofia não eram, como hipóteses científicas foram, sujeitos à confirmação empírica ou não.  E, uma vez, que tomaram a ciência, juntamente com suas raízes no pensamento empírico do senso comum e do discurso para ser o paradigma de significado factual, parecia evidente para eles que havia uma capacidade para a confirmação empírica ou não.  Mas, esta linha de argumentação naturalmente carregava a condenação para aqueles que não estavam preparados para restringir as declarações factuais para a ciência e suas raízes pré-científicas, e quando isto é visto igualmente óbvio que era para ser encontrado em outros lugares- na metafísica, ética e religião.

Kai Nielsen, seguido por Michael Martin, coloca seu caso para, preliminarmente, critério de verificabilidade na alegação que esta é que precisamente que distingue os casos claros de sentido pleno factual dos de sem sentido factual. Com estas credenciais, isto pode ser usado na aplicação menos clara dos casos controversos como aqueles da metafísica e da religião. Infelizmente para esta linha de argumento, há muita controvérsia sobre o que conta como casos claros ou não da presença ou ausência de sentido factual como também se há critério de verificabilidade para isto.


Deus exerce providência sobre os assuntos humanos.
É o propósito de Deus que nós amamos uns aos outros.
O universo físico depende para sua existência de um ser onipotente espiritual.

Estes casos de alegação de fato claras que são objetivamente verdade ou falsa. E se eles não estão sujeitos ao teste empírico, então muito menos para o critério de verificabilidade. Pontos semelhantes poder ser feitos sobre a verificabilidade empírica de declarações da metafísica tais como "propriedades tem um modo de existência que é independente do ser exemplificado" ou "um ser humano é feito de duas substâncias- uma material e outra imaterial".

Um argumento mais substantivo depende de considerações sobre o papel crucial da experiência perceptual na aprendizagem e no uso da linguagem. Parece claro que o primeiro processo de aprendizado é dependente de um reforço social de associações das coisas percebidas e das palavras para estas. Isto é publicamente observável, de outra forma, os pais não poderiam prover um reforço positivo ou negativo nos momentos apropriados.Então, isto parece que na base da primeira linguagem está um conjunto de sentenças de observação que se encaixam para fazer declarações que são diretamente verificáveis ou falseáveis pela percepção dos sentidos.

Deste modo, a fundação da linguagem claramente satisfaz o critério de verificabilidade. Se um desenvolvimento da criança para um nível mais complexo, isto é um argumento forte para o critério de verificabilidade.

Embora, esta linha de argumentação levanta questões sérias sobre a linguagem e seu significado que não cabem aqui. Há algumas razões para pensar que a situação não é tão fácil assim como o positivista deixa aparecer.  A principal dificuldade é a seguinte: uma vez que o falante de uma língua tem uma base de termos empiricamente estabelecidos -com mais compreensão sintaxe-, é bem dentro dos poderes cognitivos humanos para colocar estes materiais e seus derivados numa complexidade que transcende as possibilidades do teste empírico.

Esta não é uma dificuldade periférica, mas indica um defeito profundo no verificacionismo. A posição concentra numa característica holística do potencial declaratório de uma sentença declarativa e ignora o ponto crucial que o status semântico de um complexo linguístico como uma sentença que está em alguma função dos significados de deus constituintes de significado mais fatos sobre sua estrutura gramatical. Em restringindo sua visão para a questão de saber se a declaração que a sentença é normalmente passível de ser testada empiricamente, esta posição ignora o ponto que o modo que a sentença é construída de seus componentes podem resultar num uso possível para criar uma declaração factual, com um valor-verdade objetivo, sem que podemos especificar um possível teste empírico para  isto.

O argumento principal contra o critério de verificabilidade.


O principal argumento contra o critério de verificabilidade decorre de uma característica da confirmação empírica de que se refletiu no cenário fora da noção na seção:  "O critério, a sua história, e a forma mais coerente de teoria", mas não há enfatizou.  Este é o facto de que é logicamente impossível deduzir uma ou mais relatos de observação de uma declaração em termos não-observacionais sem utilizando instalações auxiliares - "princípios ponte" que contêm tanto observacional e termos não-observacionais - tornando assim possível a lógica implicação das conclusões puramente observacionais de todo o conjunto de instalações.  Assim, as leis da termodinâmica, quando conjugada com princípios que soletrar como medir a temperatura de uma substância, pode ser testado de tais medidas.  Por esta razão, nenhuma instrução que não é por si só um puramente declaração observação carrega qualquer "conteúdo empírico", qualquer conjunto de observacional conseqüências tudo por conta própria. Fá-lo apenas no contexto de um maior corpo de teoria, que, seja lá o que inclui, deve conter um ou mais princípios da ponte.  Assim teste empírico das reivindicações não diretamente testáveis ​​por experiência é muito mais complexa do que qualquer simples confronto com o resultados da observação.


Ela nos mostra que não há critérios lógicos formais de confirmabilidade empírica irá distinguir positivista casos de casos positivista reprovados de aprovados. . E mais do que isso, mostra que esses critérios nem sequer distinguem sentenças obviamente factualmente significativas a partir de frases sem sentido. Meu exemplo anterior de "Deus é bom" pode ser repetido e elaborado em cima tão bem com a hipótese de "Sexta-feira é inteligente" - algo que é indiscutivelmente sem significado factual. Mas, e este é um ponto que é muitas vezes negligenciado, que por si só não tem significado mostram que de facto não necessita confirmação empírica. Pode ser que o problema é com a tentativa de dar uma explicação lógica formal do último. E essas considerações fazer pelo menos mostram que nenhum critério puramente lógica pode trazer para fora o que é para uma hipótese a ser empiricamente confirmáveis.  Mas isso deixa de pé a possibilidade de que o significado factual exige confirmabilidade empírica. Desde o fracasso da maneira puramente lógica habitual de explicar que este não funciona, seu fracasso em trazer para fora o que constitui significado factual não mostra que o significado factual não equivale a confirmabilidade empírica

_____________________

Para o autor os critérios de verificabilidade não podem ser sustentados por si mesmos.

Existem problemas em como devemos predicar Deus,


Os termos de ação (fazer, falar, de comando, perdoar, punir), os termos de estado psicológico (sabe, pretende, propósitos, escolhe), e os termos de propriedade (bom, poderoso, amoroso, justo) foram todos originalmente aprendeu na sua aplicação para criaturas. Mas Deus, como interpretado de desenvolvido religião teísta, é tão radicalmente diferente de qualquer criatura que é impossível usar os termos com exatamente o mesmo sentido (inequivocamente), em aplicação a Deus, como lhes cabe na aplicação de criaturas. Portanto, eles devem ser alterados de alguma forma a torná-los adequados para aplicação divina, para fazê-lo, pelo menos possível que eles são verdadeiros de Deus.
Se pudéssemos modificar o sentido de criatura de modo a produzir termos com significados que se encaixam exatamente Deus, não haveria problema. Mas há uma série de razões para duvidar de que isso é possível. Por um lado, estamos limitados a formas de afirmação que nos obrigam a distinguir entre uma propriedade e que tem essa propriedade (que reflete a distinção entre o sujeito e o predicado da afirmação), bem como entre diferentes propriedades que atribuímos ao mesmo assunto . Mas de Aquino e outros teólogos e filósofos medievais declarou que Deus é tão absolutamente simples que não existem distinções reais de qualquer espécie dentro de seu ser e, portanto, que qualquer modo de expressão que implica distinções (e que inclui toda a fala humana) é obrigado a deturpar Deus até certo ponto. Aquino e outros defensores da simplicidade divina não acho que todas as afirmações sobre Deus são falsas, muito menos sentido. Aquino declarou que certos termos que se aplicam a Deus (como o bom e onisciente) se encaixam bem a Deus no que diz respeito à "perfeição significado," mas que eles todos ficam aquém no que diz respeito ao "modo de significação", o que implica, inevitavelmente, na multiplicidade Ser Divino. Sendo este o caso, embora nós podemos razoavelmente supor que os termos que se aplicam a Deus significar alguma analogia com o Ser Divino, o fato de que nenhum deles é perfeitamente adequado para o efeito nos impede de ser completamente explícito sobre o que os pontos de analogia são - em apenas que maneira as coisas que originalmente significava pelos termos fazer e não desfrutar de uma comunhão com o Ser Divino

quinta-feira, abril 16, 2015

PAUL COPAN: When God Goes to Starbucks: A Guide to Everyday Apologetics

pensa um livro bem feito em termos de apologética, é este. Pena que ainda não traduziram para o português. O livro aborda questões práticas e espinhosas para a defesa da fé cristã.
Por exemplo, o primeiro capítulo "Why not just look out for yourself?" vai tratar da moral com base humana apenas, como apregoa o filósofo Ayn Rand, querido dos liberais.

A base seria o auto-interesse ou egoismo. Vejamos os pontos contrários segundo Copan:

  1. Esta visão falha em em distinguir o que é auto-interesse e ou que seria egoísmo. 
  2. Esta visão comete a falácia naturalista, ilegitimamente movendo-se do é para o deve
  3. Quando nós falamos como nós devemos viver, estamos falando de ideais aplicáveis universalmente- mas isto não se sustenta em face do egoísmo.
  4. Nunca podemos confiar numa ética egoísta.
  5. O desejo egoísta para ter o que se quer se coloca como um conceito vazio ou trivial- ou algo ainda pior.
  6. A busca de poder ou do próprio interesse não é um fim em si mesmo, é o meio para algo além. Mas como, então, determinar este alvo?
  7. Pode ser que acabe dando em algo benéfico como caridade, mas o motivo nunca será agir caridosamente.
  8. Há um inevitável conflito de interesses
  9. Qualquer obrigação para o auto-interesse é meramente uma matéria de conveniência para o egoísta.