quinta-feira, setembro 30, 2010

Gregg A. Ten Elshof: Auto-engano.

Auto-engano é uma parte importante daquilo que contribui para derrotas espirituais da formação cristã. No auto-engano, o indivíduo ou o grupo se negam a reconhecer os fatores em sua vida dos quais está vagamente consciente, ou até mesmo saber qual é a situação, pois não estão preparados para admitir abertamente e tomar medidas para uma mudança. Como resultado disso, estes fatores continuam a reger suas ações e seus pensamentos e moldando suas emoções. O livro de Gregg A. Ten Elshof, é sobre o auto-engano, é sobre esta incrível capacidade humana de se libertar dos constrangimentos da racionaliade quando a verdade cessa de ser o objetivo primário da investigação sobre si mesmo.

Das várias crenças falseadas,existe alguma que oferecerá um certo tipo de satisfação. A descoberta de que eu estava errado em qualquer uma destas crenças poderá me levar a descoberta de um erro, o que seria muito perturbador, agora, se eu descobri que, por exemplo, a profundidade aparente das minhas amizades era uma farsa, isto será muito decepcionante. Porque a opinião que eu tenho sobre mim e sobre os outros não precisa ser necessariamente a verdade, é preciso apenas que eu acredite neles, para que me tragam satisfação.

O apóstolo Paulo explica em sua carta aos Gálatas, como auto-engano permite que aqueles que não são nada de pensar que eles são algo (Gálatas 6:3), Tomás de Aquino toma o tema do desconhecimento sobre si mesmo, e diz que a ignorância é, por vezes, diretamente e intrinsecamente voluntária, como quando alguém escolhe livremente permanecer na ignorância, para que possa continuar pecando mais livremente.

No mundo de hoje, o valor da autenticidade está como a maior virtude, para alcançar este reconhecimento, o auto-engano mais do que a busca pela verdade, está mais dissimulado e correto. Ser fiel a si mesmo tornou-se, em alguns casos ou quase todos- o principal motivo de vida, o auto-engano ganhou uma posição de destaque no ranking dos vícios com isto.

No ponto de vista do autor, a elevação da autenticidade como uma virtude, trouxe consigo uma promoção para o auto-engano entre os vícios, pois na medida em que se valoriza a autenticidade entre nós, fica longe de qualquer consciência medida de que estamos nos auto-enganando. Eu posso até estar convencido de que tenho crenças falsas, mas cada uma destas minhas crenças, quando as considero, elas me parecerão verdades.

Então, ao invés, de tentar trabalhar por um comportamento que seja consistente com aquilo que pensamos ou acreditamos, devemos começar implorando como o homem que queria desesperadamente que Jesus libertasse seu filho dos demônios que estavam nele, “eu acredito! ajude a minha incredulidade- Mc. 9:24, dada a nossa miopia.

No auto-engano, eu sou tanto o enganado como o enganador, eu estou enganando a mim mesmo se eu estou controlando minha opinião sem me importar se é verdadeira ou não, estou tentando organizar minhas crenças, mas não estou tentando me mover em direção a caminho de uma crença verdadeira. Há uma tentativa de controlar a crença, por alguma razão que não a busca da verdade. Assim, conseguimos enganar a nós mesmos, evitando sistematicamente a atenção para as provas contra estas crenças que o nosso sentir-se bem dependem. Por outro lado, nós colocamos a atenção crítica excessiva contra os elementos da prova que se opõe a nossa crença acalentada se esta evidência não pode ser evitada ou se pensamos que iremos ter que responder por elas em público.

Muitas vezes, as nossas convicções morais mais fortes- as crenças no sentido daquilo que devemos fazer isso ou não devemos fazer isso- vão diminuir ou mesmo desaparecer, se agirmos de modo procrastinatório em relação a elas. De modo que sempre que se desloca a crença na moral, é exigida uma ação desconfortável, a vida nós oferece um acordo,

Tom G. Palmer: Realizing Freedom

Em tempos de ameaças ou ameaças de ameaças à liberdade, nada melhor do que ler um livro liberal, libertarian.

 

 

[T]he end of law is not to abolish or restrain, but to preserve  and enlarge Freedom: For in all the states of created beings capable of Laws, where there is no Law, there is no Freedom.  For Liberty is to be free from restraint and violence from  others which cannot be, where there is no Law: But Freedom  is not, as we are told, A Liberty for every Man to do what he  lists:

Those who have the power to arbitrarily reassign, eradicate, or  create "rights" to achieve their ideas of fairness, efficiency, or community,   put the rest of us at their mercy and eradicate our freedom.

 

The roots of freedom are there in each  culture; they must be excavated and reconnected with the present  for our cause to be successful. That effort will give liberty the deep  roots that it needs in order to flourish and to resist the efforts of the  enemies of freedom who try to eradicate it; and at the same time it  will reveal the universal character of fundamental justice.
I have treated some of those

quarta-feira, setembro 29, 2010

HOBBES: Leviatã

For by Art is created that great LEVIATHAN called a COMMON-WEALTH, or STATE, (in latine CIVITAS) which is but an Artificiall Man; though of greater stature and strength than the Naturall, for whose protection and defence it was intended; and in which, the Soveraignty is an Artificiall Soul, as giving life and motion to the whole body;

Thomas Hobbes in Leviathan.

A cabeça maciça dos cristãos que estão com Dilma.

Dilma Rousseff recebeu o apoio maciço dos cristãos

29.09.2010

A candidata à Presidência da República pela coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff, se reuniu hoje por cerca de duas horas com representantes de 11 entidades religiosas de todo país em Brasília. Os cristãos declararam apoio maciço à petista nas eleições de domingo. Os líderes religiosos também divulgaram uma carta aberta repudiando “a boataria cruel e mentirosa” que vem sendo disseminada contra Dilma na Internet.

Após o encontro, Dilma concedeu uma entrevista coletiva em que reafirmou seu compromisso com a vida e sua posição contrária ao aborto. A candidata também rejeitou a possibilidade de convocação de um plebiscito no país para decidir sobre a questão. “Não sou a favor de um plebiscito porque ele dividiria a nação entre aqueles que defendem e aqueles que são contra. A legislação existente hoje pacifica todas as posições. Eu sou contra mudar a lei”, enfatizou.

Ela também salientou que nunca fez qualquer referência sobre a vitória nas eleições baseada em pesquisas, lembrando que os jornalistas são testemunhas disso ao longo de sua jornada na campanha. Por isso, ela fez questão de repudiar as informações falsas que estão circulando pela Internet afirmando que ela usou inclusive Deus para dizer que não seria derrotada.

"Eu lamento isso profundamente, porque nunca saíram da minha boca palavras nesse sentido”, argumentou.

Valores pela vida

Durante o encontro, os cristãos deram declarações de apoio à candidata e reafirmaram que confiam na sua posição e na capacidade de Dilma de valorizar a família e os valores pela vida. “Vocês podem ter certeza que nossa relação será pautada pelo diálogo, pela parceria e pela colaboração”, disse Dilma para os cristãos.

Dilma afirmou que precisará do apoio das igrejas principalmente no combate às drogas, em especial ao crack. “Sozinho, o Estado não vai conseguir resolver esse problema das drogas e do crack. Por isso, vai ser fundamental nossa parceria com as igrejas a as casas de reabilitação”, comentou.

O presidente do Conselho Nacional de Pastores do Brasil, bispo Manoel Ferreira, disse que Dilma é “um instrumento de Deus e do presidente Lula” para continuar realizando a mudança que o Brasil precisa.

 

http://www.dilma13.com.br/noticias/entry/dilma-recebe-apoio-macico-dos-cristaeos/

 

Apoio maciço? Bem, deve ser bem maciço o apoio que Dilma acredita ter dos evangélicos, é tão maciço quanto madeira, porque é muita cara de pau. Ela deu entrevistas e mais entrevistas, defendendo o corpo na questão do aborto. Ela diz na entrevista que o SUS deve estar pronto para realizar o aborto para quem quiser.

 

 

Como diz o programa de governo original do PT:

"o Estado brasileiro reafirmará o direito das mulheres de tomarem suas próprias decisões em assuntos que afetam o seu corpo e a sua saúde". E reforçava a referência logo em seguida, citando que "o governo do PT desenvolverá ações que assegurem autonomia das mulheres sobre seu corpo, qualidade de vida e de saúde em todas as fases de sua vida".

fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,dilma-apresenta-ao-tse-programa-de-governo-radical-e-depois-recua,576839,0.htm

O programa de governo foi alterado nesta questão, assim como o discurso de Dilma na véspera da eleição, só esqueceram de avisar ao Netinho de Paula, que numa entrevista da Folha fala claramente qual a real intenção do governo que virá:

E do aborto?

Também não. Pra mim, o aborto é uma questão de saúde. Eu não consigo tratar o aborto como uma questão religiosa. Por exemplo, eu sou batista. Meu segmento de igreja é totalmente contrário. Eu, Neto, entendo diferente. Eu acho que todo mundo é contra o aborto. Não acho que exista uma situação em que a pessoa é a favor do aborto. Existem circunstâncias que levam à questão do aborto, e o aborto tem que ser tratado como saúde pública.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/802636-sou-um-cara-que-deu-certo-diz-netinho-de-paula.shtml

 

É preciso ter uma mente muito maciça para tentar acreditar nestas pessoas, tem que ser muito cabeça dura. A realidade é outra, por um lado, Dilma se mostra sorridente mas o futuro do país não será tão sorridente quanto as idéia$ que convenceram os tais líderes religiosos a apoiarem a candidata petista.

 

Líderes cabeças duras maciças vão ler o programa de governo da Dilma, vão ver as declarações de Dirceu, e dêem uma boa lida no PNDH-3, será que algum apoio financeiro ou o próprio poder compra uma consciência tão facilmente assim.

Futuro do Brasil ?!?

Em menos de 10 minutos, o vídeo ergue um monumento ao jornalismo de verdade e, simultaneamente, escancara a grandiosa pequenez de um farsante. Repórter da Rádio França Internacional, a jovem venezuelana Andreina Flores precisou de 1 minuto e 39 segundos para emparedar o presidente Hugo Chávez com a interrogação que inquieta os democratas do mundo inteiro. Se o governo ganhou as eleições parlamentares por uma diferença ligeiramente superior a 100 mil votos, como pôde instalar no Congresso uma bancada que tem 37 integrantes a mais que a formada pela oposição? A distorção não seria fruto das mudanças introduzidas por Chávez no sistema eleitoral às vésperas da votação, concebidas para impedir que as urnas traduzissem efetivamente a vontade popular?

Clara, concisa, corajosa, Andreina disse tudo o que o embrião de ditador não queria ouvir. A apresentação de Chávez ocupa os 7 minutos e 58 segundos restantes. Mistura piadas infelizes, grosserias, sorrisos artificiais, frases truncadas, falácias, provocações, alusões preconceituosas, truques de quinta categoria. Tudo, menos argumentos com pé e cabeça. Sentada na primeira fileira, sem arrogância e sem medo, Andreina continua à espera da resposta que não virá.

O rei Juan Carlos desmoralizou o bufão bolivariano com a célebre ordem para calar-se. A jornalista venezuelana desmoralizou-o ao exigir que falasse.

fonte: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/uma-jovem-jornalista-precisou-de-um-minuto-e-meio-para-desmoralizar-o-bufao-bolivariano/

terça-feira, setembro 28, 2010

Se alguém entender, me explica por favor!!!

 

 

Augusto Nunes, da veja, chama ela de Doutora do Nada, depois que você ver este vídeo, acho que chegará a mesma conclusão.

Aprender com o passado?

Em 2002, a eleição acabou assim:

LulaPT 46,44%

José Serra PSDB 23,20%

Garotinho PSB 17,87%

Ciro 11 %

em 2006:

13 LulaPT48,608 %

2
*
45 Geraldo Alckmin PSDB 43,635 %

3
50 Heloísa Helena PSOL 6,85 %

A eleição de hoje parece mais a de 2002, Lula tentando o primeiro mandato, 3 forças significativas, o segundo turno mostrou que a distância de Lula para Serra cresceu, ganhou de 61,23 a 38,73.

Algo que as pesquisas sobre um eventual segundo turno mostram que Serra cresce até 38%, a diferença nesta eleição é que Serra já tem 28 %, 5 a mais que teve na de 2002, o que leva a diferença para os mesmos percentuais da disputa entre Lula e Alckmin.

Resta saber se o PSDB, vai perder os pontos no segundo turno como sempre faz. Qual será a posição de Marina, se ela fica com Lula ou segue o partido que sempre apoiou PSDB no 2o. turno.

O problema da vitória tucana é que hoje os votos estão migrando de Dilma para Marina, e não para Serra. O que deixa o 2o. turno como uma prolongação da derrota tucana que virá.

E mesmo por que, no 2o. turno o medo de sair da situação de conforto com Dilma e a pobreza de propostas tucanas, levam a crer que Serra não agregará os votos de Marina.

Para outro além do PT vencer, deverá haver pela primeira vez uma migração de votos para a oposição, em 2002 Lula perdeu com 46 x 52, em 2006 Lula teve 48 x 51. Mais uma vez a eleição de domingo está mais próxima de 2002, onde deveremos ter 47 X 52.

A única diferença é que desta vez, há uma possibilidade de Marina, ao contrário de Garotinho e Ciro, migrar para o lado contra Dilma, mas ela carregará os votos? Ela ficará ao lado de Serra, a candidata verde será o peso da balança desta eleição, ao contrário, da previsão de Lula que ela acabaria com no máximo 8 %.

Que fica claro é que 46-48 % da sociedade brasileira está com o governo em todas as eleições, Serra teria que subir dos seus 32 % e conquistar 53 % da preferência.... ou seja, uma migração completa dos votos de Marina para ele...o que é impossível.


Ciro Gomes não é mesmo um Tom Palmer

E não é que o PT conseguiu de novo.

O PT  continua a ser o maior aliado da oposição no Brasil, eles estão conseguindo de novo. Mais uma vez, conseguiram colocar um candidato com eleição ganha no primeiro turno prestes a perdê-la.

Datafolha mostra que Dilma continua a cair, está agora com 46 %, “apenas” 51 % dos votos válidos, se seguir a tendência de queda que provavelmente continuará, já que o debate da Globo ainda está por vir, Dilma e seus aliados mais uma vez conseguiram perder uma eleição ganha.

Quem subiu foi Marina, que agora está nos 16% dos votos válidos.

Considerando somente os votos válidos, a diferença entre Dilma e os demais candidatos despencou de 14 pontos há duas semanas para dois pontos agora.

Leia mais em : http://www1.folha.uol.com.br/poder/805607-vantagem-de-dilma-sobre-a-soma-dos-adversarios-cai-a-2-pontos-diz-datafolha.shtml

 

Num exercício de futurologia, vou cravar os seguintes números para domingo:

Dilma 47% dos votos válidos

Serra 32% dos votos válidos.

Marina 20% dos votos válidos.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Kevin DeYoung: Por que Amamos a Igreja

O livro escrito junto com Ted Kluck é uma resposta ao movimento emergente e ao movimento orgânico – Barna e Viola-, uma resposta que avalia quais são as preocupações de quem não aguenta mais ir na sua igreja, dá respostas e sustenta que por mais tumultuado ou desinteressante que seja, a igreja ainda permanece como o corpo de Cristo visível no mundo.

 

 

Leia a crítica de Sandro Baggio do livro, retirada de http://www.sandrobaggio.com/2010/02/03/porque-eu-amo-a-igreja/:

Foi por isso que comprei o livro recente de  Kevin DeYoung e Ted Kluck. Aliás, este livro merece ser publicado em português e lido em conjunto com toda a literatura promovendo a nova instituição do cristianismo sem igreja. O título já é provacativo: Why We Love the Church: In Praise of Institutions and Organized Religion (Porque Nós Amamos a Igreja: Em Louvor de Instituições e Religião Organizada). DeYoung e Kluck, que já tinham sinalizado desvios no movimento de igreja emergente em seu livro anterior (Porque Não Somos Emergentes: Por dois caras que deveriam ser), apontam agora as distorções do cristianismo sem igreja. Segundo eles, seu livro poderia ter sido chamado de “tendências recentes em desmembramento”.

É preciso conhecer bem pouco da Bíblia e da História da Igreja para cair nessa crença de que tanto uma quanto a outra ensinam uma vida de cristianismo sem igreja. Por mais que os “advogados” do cristianismo sem igreja possam falar, não há nem nos ensinos de Jesus, nem no restante do NT, nem na história da Igreja, nenhuma ênfase a seguir Jesus sem participar da comunhão dos santos.

É evidente que no curso da história, pessoas quiseram influenciar o pensamento cristão com suas idéias e contestações. Muitas destas foram consideradas heresias e não prevaleceram. Albert Camus disse: “Todo revolucionário termina se tornando ou um opressor ou um herege.” A “Revolução” sem igreja tem mais chances de se tornar no último. Assim também a fuga do “Cristianismo Pagão” pode gerar mais pagãos no longo prazo, do que verdadeiros discípulos de Jesus, como pretendem seus autores.

A razão simples para isso é que as idéias propagadas por esses livros (e outros semelhantes a eles) poderiam até ser de alguma utilidade, não fosse a tremenda cara-de-pau expressa no messianismo disfarçado de seus autores, ao se colocarem como os “salvadores” da Igreja das garras malígnas da Instituição. Durante dois mil anos todo mundo esteve errado. Agora, graças a eles, finalmente poderemos enxergar a verdade sobre o Cristianismo. E a verdade que eles anunciam é essa: “Saia de sua igreja! Ela é a raiz de todos os seus problemas espirituais. Vá jogar golfe aos domingos, pois a verdadeira espiritualidade se encontra no campo de golfe… Vá tomar uma cervejinha no barzinho com amigos e filosofar sobre assuntos espirituais porque é aí que está a igreja verdadeira…” Corta essa meu!

Adiante o filme da história em 50 anos e veja se você consegue enxergar os efeitos dessa onda do cristianismo sem igreja:

1) Na pior das hipóteses, seu resultado será uma vitalidade espiritual semelhante a presente hoje no continente europeu. Não creio que nenhuma pessoa que ame Jesus de fato, deseje isso.

2) Ou então terá desaparecido, assim como outras ondas e modas surgidas no passado que, por não estarem em sintonia com o Espírito de Deus, não prevaleceram contra a Sua Igreja.

Se eu estiver errado em minha atitude para com a Igreja, não terei perdido nada com isso. Como já disse, eu amo a Igreja. Amo estar com meus irmãos para celebrar junto com eles a vida (ainda que, em certas estações da vida, esse encontro aconteça apenas uma ou duas vezes por semana), aprender o significado do amor, perdão, comunhão e incentivar uns aos outros na prática das boas obras e na proclamação da esperança do Evangelho.

De um modo pragmatico, vejo muito mais possibilidades de servir a Deus em conjunto com outros, do que isolado em meu canto, blogando de pijama (como diria Mark Driscoll)  sobre os males da instituição, como se “a instituição” fosse um mal em si mesma.

John Michael Talbot diz o seguinte sobre Igreja e instituições: “Ainda que algumas instituições religiosas possam com freqüencia assemelhar-se mais a corporações seculares do que a comunidades voltadas para Deus (…) sempre há lugar nas igrejas para aquelas pessoas guiadas por um completo comprometimento espiritual.”

A Igreja prevalecerá contra todos os ventos de doutrina, não há dúvidas quanto a isso. A questão (e o que me preocupa) é quantos daqueles que estão trocando suas congregações por essa onda atrativa do cristianismo sem igreja estarão firmes na fé em Cristo daqui 5-10 anos…

quarta-feira, setembro 22, 2010

Edmund Clowney: See What It Costs (Gn. 22: 1-9)

 

Começando com a parábola do Filho Pródigo, Edmund Clowney passa a demonstrar exemplos do seu método hermenêutico e homilético nos 13 capítulos restantes, aqui vou postar alguns idéias que ele têm, não esgotando o assunto e a exposição, do livro Preaching Christ in All Scripture.

 

4.  Veja o que isto custa- Gn 22: 1-9.

Deus havia feito uma promessa a Abraão, de ser o genitor de um grande povo escolhido por Ele.  Clowney atenta para um detalhe interessante na história, o Deus que será visto. Começando com o próprio nome "Moriá" já sugere que algo será "visto". Nesta montanha,  o custo da bênção de Deus será visto. Abraão vai ver o custo da experiência de fé. Há, também na história, outro detalhe, que  Deus vai mostrar o custo que só ele pode pagar: o custo da graça. Abraão vai ver que Deus é o Salvador.

Para Abraão, o custo é tudo. Tudo o que Deus prometeu caminha ao lado dele, seu filho Isaac. Se o preço for Isaac, nada mais resta. "O riso" está indo embora.

Na verdade, esta história pode ser chocante, já que a distinção entre Israel e as outras nações era a proibição de Deus para o sacrifício humano. Na antiga Canaã, havia o sacrifício do amonitas para o Moleque, que era adorado nas ofertas de crianças no fogo- 2Rs 23:10, Jr. 32:35-. Para este crime, a lei dava a pena capital – Lv. 18:21, 20-2-5-.

Há aqui uma suspensão da regra ética para um propósito divino superior. Deus tem todo o direito de condenar à morte os pecadores. Na verdade, quando Deus julgou a terra do Egito antes do Êxodo, exigia a vida dos primogênitos de Israel, bem como do Egito. O filho mais velho, como representante da família, foi condenado, mas o Senhor proveu o cordeiro da Páscoa como um substituto, marcada pelo sangue no batente. Mais tarde, Deus continua seu pedido pelo primeiro filho- Ex. 13:15, Nm 8:17.

O sacrifício de Isaac como teria sido o sacrifício depois do cordeiro pascal. Mas o sacrifício de Isaque não era para ser, para ele não era um sacrifício perfeito, um cordeiro sem mancha, ele não poderia pagar o preço dos pecados dos outros.Abraão não poderia dar o fruto do seu corpo para pagar os pecados de sua alma.

O teste: a obediência da fé.

Deus requisitou  o sacrifício do primogênito de Isaque, como depois ele colocou os primogênitos de Israel na última praga do Egito.

O custo é nada: total confiança da fé.

Quando Abraão responde ao seu filho, no verso 8, que Deus proveria o sacrifício, ele estava na agonia de seu teste, Abraão só podia se apegar a Deus. Ele estava sobre o monte que tinha visto, o monte de Deus, com o filho que Deus lhe havia dado. Deus viu ele lá. Deus vê a oferta que ele daria para si mesmo. O verbo "ver" em hebraico também significa "ver com" ou "oferecer".

A fé recebe o filho redimido.

Eles seguiram juntos subindo o monte, ajuntaram as pedras para construir o altar, a obediência de Abraão está junta com a fé de Isaque, ele se coloca para ser sacrificado.  Quando Deus vê esta fé, ele chama Abraão, Abraão…

Abraão está pronto a dar tudo que tem em devotada obediência, porque ele temia Deus, ele iria pagar o preço, o anjo segurou sua mão, na montanha, Abraão olho e viu um cordeiro preso em um arbrusto, ele tomou o cordeiro e o ofereceu no lugar de Îsaque, e Abrão chamou este lugar: O Senhor vai ver isto.

O custo para Abraão era tudo, mas como ele se apegou ao Senhor com fé, o custo não era nada. Ele declarou que o Senhor proveria, e o Senhor proveu. A obediência de Abraão era a obediência da fé. Isaque foi dado para Abraão mais uma vez. Ele foi dado por seu nascimento e agora por sua redenção. A oferta da ovelha simbolizava não apenas a consagração mas também reparação no sangue por um substituto.

Em total comprometimento de fé o custo foi tudo, mas é apenas na simples confiança da fé, que o custo é nada. Abradão adorou  a Deus por renovar sua aliança com ele.

A ordem que Deus fez a Abraão não é impensável. Ele faz a mesma ordem total para você. Jesus pede isto para qualquer um que quer seguir a Ele. De fato, apenas se estivermos prontos a receber nossa sentença de morte, e tomar sobre nós a nossa cruz é que poderemos receber a vida eterna- Mt. 10:37-39. Nós precisamos o mesmo tanto do poder da sua graça para negarmos a nós mesmos e segui-Lo, sua ordem não mudou, veja o custo, é tudo.

Na realidade da graça.

Não apenas na experiência da fé, mas na realidade da graça, o preço da redenção é revelado. Em sua bondade, Deus manda ocasiões que nos testam.

Nós temos duas coisas que aprendemos do teste de Abraão.  Primeiro, aprendemos que ele foi abençoado por sua obediência, já que ele demonstrou que temia a Deus. A segunda e que mostrada no nome que Abraão deu ao lugar que o Senhor mostrou para ele. Nós conhecemos ele como Jeová Jiré: “O Senhor vai ver (para ele)" Quando Deus proveu o carneiro, ele não só poupou Isaac  e Abraão, mas mostrou a Abraão que o preço de resgate foi maior do que ele poderia pagar. O Senhor por si mesmo deveria prover a oferta que traria salvação. Esta provisão deveria ser feita no lugar que Deus mostrou para Abraão. O Senhor mostrou para Abraão que este era o lugar onde seus descendentes depois de saírem do Egito, seriam trazidos de volta, e ali seria o lugar onde a nação da promessa se reuniria para adorar a Deus.

Isaque não poderia ser ofertado, nem poderia ser o cordeiro o sacrifício real. Alguém que descendesse de Abraão deveria vir, para que  todas as famílias da terra pudessem ser abençoadas. O Senhor proverá promete a vinda de Cristo. Abraão se alegrou em ver o dia de Cristo quando Isaque nasceu, e se alegrou quando Deus proveu um cordeiro como substituto para Isaque, mas Abraão olhou para além –Jo. 8:56-. Não Isaque, mas o cordeiro de Deus era o sacrifício que o Pai iria prover. Abraão, o profeta falou palavras que permanecem, palavras que explicam Jeová Jíré, na montanha do Senhor, ele será visto, esta é a tradução literal do vs. 14.

Bem podemos ainda confiar  na palavra de Abraão. No monte do Senhor, o Cordeiro de Deus será visto. Um coro popular canta, "Jeová Jiré, provisão do Senhor para mim", mas não acerta o coração da mensagem. Jeová Jiré: na montanha do Senhor, Jesus Cristo vai ser visto. O que vemos é Jesus Cristo levantado no Gólgota, naquele mesmo lugar, no monte de Moriá.

Deus paga o custo pela substituição.

A revelação de Deus sobre o custo de redenção na vida de Abraão nos aponta para o Cordeiro de Deus, o Cordeiro que Deus provê, que ele oferece para os pecadores. O preço infinito que foi pago só é preenchido por Deus  e seu infinito -Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna "(João 3:16).

terça-feira, setembro 21, 2010

quinta-feira, setembro 16, 2010

Completando o que já disse sobre o PNDH-3

O PNDH-3 é uma ponta do iceberg, que vai tentar transformar o Brasil numa Venezuela chavista, ou melhor, lula-petista.

Segue a seguir o artigo do Reinaldo Azevedo postado no seu blog da Veja.

 

Descoberto o programa da candidata do PT; Dirceu anuncia a agenda e o projeto autoritários e avisa: “A eleição de Dilma é mais importante do que a de Lula”

Caros,
o artigo acabou ficando um pouco longo, mas acho que vocês suportam, né? Afinal, ninguém entra aqui para ler textos curtos, hehe. Em palestra a sindicalistas, José Dirceu apontou que direção pretende seguir o partido caso Dilma Rousseff seja eleita. Leiam o que ele disse no detalhe e depois cotejem com o que se tem escrito neste blog nos últimos quatro anos e, para os leitores mais antigos, com o que tenho escrito nos últimos 12 ou 13. Está tudo aí. Não será por falta de aviso.
*
Na segunda, o deputado cassado José Dirceu, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, apontado pela Procuradoria Geral da República como “chefe da quadrilha do mensalão”, falou a sindicalistas na Bahia. Já comentei parte de sua palestra, em particular aquela em que ele se refere à liberdade de imprensa. A propósito: os petistas reclamaram da versão que circulou por aí e aqui: seria imprecisa. É verdade! Ele disse coisa pior — e revelou uma estratégia; já chego ao ponto. A íntegra da fala deste gigante estáaqui, com uma lacuna ou outra. Se vocês me pedissem para destacar a frase mais importante de sua intervenção, o emblema seriam as suas primeiríssimas palavras: “A eleição da Dilma é mais importante do que a eleição do Lula porque é a eleição do projeto político, porque a Dilma nos representa.”

Na seqüência, Dirceu desenvolverá a tese, que é fato, segundo a qual Lula é muito maior do que o PT. Ele reconhece, e está certo, que o partido tem uma grande força e uma grande fragilidade: Lula! Sem a liderança carismática, a legenda jamais teria vencido duas disputas presidenciais e é muito provável que não tivesse agora o nome que lidera as pesquisas. Dilma foi uma invenção da figura maior do PT, surgida justamente da ausência de quadros, não do excesso. O escândalo não colou no Babalorixá, mas vitimou os medalhões, a começar do palestrante. O presidente está de tal sorte blindado que a população o vê ainda hoje, apontam pesquisas, como vítima de Dirceu! Assim, A eleição de Dilma é “mais importante” porque é a “eleição do projeto”. Qual projeto?

Dirceu resume assim a possível eleição da aliada:
“É a expressão do projeto político, da liderança do Lula e do nosso acúmulo desses 30 anos porque nós acumulamos, nós demos continuidade ao movimento social”. A fala do companheiro é horrorosa, uma espécie, assim, de stalinismo solecista, mas dá para entender muito bem aonde ele quer chegar. Dirceu toparia, assim, um pós-Lula com Aécio Neves, por exemplo? Só se fosse para usar e depois jogar fora. A proposta do partido é outra. Leiam:
Se nós queremos aprofundar as mudanças, temos que cuidar do partido e temos que cuidar dos movimentos sociais, da organização popular. Temos que cuidar da consciência política, da educação política e temos que cuidar das instituições, fazer reforma política e temos que nos transformar em maioria. Nós não somos maioria no país, nós temos uma maioria para eleger o presidente até porque fazemos uma aliança ampla. (…)”

Reforma política como instrumento da hegemonia petista
O líder petista não reúne exatamente as características de um intelectual — mesmo de um “inteliquitual petista”, este delicioso oximoro —, mas é evidente que essa fala, embora esgarçada, tem método, história e paternidade. É Gramsci! Ele está anunciando a seus pares — e não sabia que havia jornalistas presentes —  como pretende transformar em agenda da sociedade o que é uma agenda do PT. Para quê? Só para que todos sejamos mais felizes? Não! Ele está oferecendo o caminho para que o partido construa a sua hegemonia, como admitirá mais adiante. E que caminho é esse? Ele responde: “Cuidar das instituições” — imaginem o que isso significa. Com qual instrumento? Ele diz com todas as letras:“Fazer a reforma política”. Qual reforma política? Uma que transforme o PT em maioria. Essa que eles têm hoje, garantida pelo lulismo, que ainda depende de outras legendas, pertence à etapa do “acúmulo de forças”.

A guerra cultural
Dirceu sabe que não basta um petista chegar na televisão e dizer o que pretende para obter a adesão da população — não ao menos quando não se é Lula. Por mais que o Demiurgo continue por aí como animador da militância, o fato é que ele não poderá ser saliente a ponto de esmagar a figura de Dilma caso ela se eleja. Carisma para levar tudo sozinha, no muque, ela não tem. Como é que os petistas transformariam a sua agenda, em busca daquela maioria, na agenda da sociedade? A receita de Dirceu vai além de cuidar “dos movimentos sociais” e da “organização popular”.

Depois de lembrar que os ministros Alexandre Padilha e Orlando Silva e Lindberg Faria eram da UNE, ele afirma:
“(…) Nós temos que voltar a transformar o PT em uma instituição política. Uma instituição política tem valor, programa, instrumentos, sedes, atividades cultural, social, tem recursos que auto-sustentam, com o fundo partidário, porque nós temos que defender que exista o fundo partidário.”
Ele quer mais recursos públicos nos partidos. E expõe o seu projeto:
“O fundo partidário brasileiro teria que ser duas, três vezes maior, que é a média do mundo. Então, nós temos que transformar de novo o partido para o que ele foi criado. É lógico que o PT é um grande partido político, tem força político-eleitoral, social. Nós já temos um acúmulo de políticas públicas, de experiência. Então, nós temos que fazer essa mudança no partido. Essa é a principal. E consolidar as nossas organizações populares, porque eles estão consolidando a deles.Você viu que agora eles criaram, eles estão criando, através das empresas, instituições para fazer disputa político-cultural e político-eleitoral, fundações, centros de estudo. Fora o que eles têm da mídia, do poder econômico. Podem observar. E estão mandando as pessoas para o exterior. Agora mesmo tiveram uma série de bolsistas, jornalistas, que vão para os Estados Unidos (…).Nós temos que fazer isso também. Mas nós temos que fazer sempre com alianças.”

Só um detalhe aí, leitor: “eles” somos “nós”, os não-petistas — que é como “eles” nos vêem. Essa fala é particularmente curiosa porque é consenso que os  ditos “movimentos sociais” e a maioria das ONGs são meras extensões do PT — como são as estatais, fundos de pensão, órgãos do estado. Contam-se nos dedos as “fundações” ou “centros de estudo” voltados, por exemplo, à defesa dos valores liberais. Notem, no entanto, que Dirceu as usa como uma espécie de ameaça para animar a militância.

Fazer a “guerra cultural”, promover o confronto de valores, tornar influentes as verdades do partido de modo que nem mesmo os replicadores se dêem conta de que divulgam uma agenda é um clássico do modelo gramsciano de organização partidária — adaptados aqueles fundamentos às necessidades presentes. Ora, lembremo-nos da máxima de Gramsci quando fala sobre o Partido, que chama de “Moderno Príncipe”:
“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.

É o que pretende Dirceu. E quer contar com dinheiro público o suficiente para isso. Lembram-se daquele meu texto de 2004, que publiquei aqui — A incrível e triste história da joaninha boba e da vespa desalmada — em que denunciava a infiltração do PT nas instituições? Pois é. Está disponível para quem quiser ler. Eu afirmava que o projeto do PT era justamente esse que Dirceu anuncia.

Já está em curso
Dirceu está cobrando que o PT saia de uma certa acomodação burocrática, lembrando o quanto ele depende de Lula — o que é fato. E pede que exacerbe a guerra de valores, que já está em curso. Ao contrário do que ele diz, a presença do partido no que eles chamam “mídia”, com as exceções de praxe, é avassaladora. Ela ajudou Lula a satanizar o governo Fernando Henrique Cardoso e a inflar os próprios feitos. O PT já promove, e de maneira bem-sucedida, a tal guerra. Dirceu quer acirrá-la.

Dirceu pretende ser o Lênin de Passa Quatro do PT. Lênin fazia da mentira arma política mesmo nos intermináveis discursos feitos aos camaradas, extremando perigos, atribuindo aos inimigos poderes terríveis, que eles já não tinham, para manter a militância nos cascos. O “companheiro” faz o mesmo. E, então, entramos no capítulo da “mídia”.

A mídia
Afirma Dirceu: “O poder econômico se aliou com qual poder? Com a mídia. E qual é o poder que pode se contrapor ao poder econômico e ao poder da mídia no Brasil? É o poder político”.

Uau! O homem conta uma brutal inverdade à sua própria base política. Digam-me: o que seria esse tal “poder econômico”? Ontem, escrevi um post em que comentei a presença de dois grandes empresários no horário eleitoral de Dilma — gente que ou trabalha para o governo ou que recebe pesados subsídios. Os jornais estão coalhados de notícias sobre as dificuldades do PSDB para arrecadar recursos de campanha, enquanto a dinheirama de Dilma sai pelo ladrão. Quais setores da economia estão hoje alinhados, por exemplo, com o tucano José Serra? Não é segredo para ninguém que o grande capital, industrial e financeiro, se juntou à candidata do PT.

Assim, em que consiste esse tal “poder econômico” que estaria aliado à mídia? Dirceu conta uma mentira à sua turma porque isso mantém acesa a sua chama militante. E aproveito para fazer uma correção num texto que escrevi ontem e fazer justiça a José Dirceu. Noticiou-se aquie em toda parte que ele teria dito que José Sarney e Renan Calheiros não seriam éticos. Falso! Ao contrário, Dirceu os exaltou. Explico.

Logo depois de ter dito que o “poder econômico (?) se aliou à mídia”, ele afirmou que o “poder político” é o único que pode se contrapor a essa aliança. E acusou o jornalismo de perseguir esse poder “poder político” com as acusações de corrupção e fisiologia, mas de nada fazer contra “o poder econômico”. Mais adiante, referindo-se a Sarney e Calheiros, afirmou:
“Aquele movimento anti-Renan Calheiros, anti-Sarney… Vocês não vão acreditar que eles são éticos, né? Eles, evidentemente, o que queriam era romper a aliança nossa com o PMDB.”
Atenção! Os não-éticos, segundo o Valente,  são os adversários de Renan e Sarney, os que criticavam os desmandos dos dois. Pensávamos que Dirceu, em sua fala, tinha expressado ao menos essa pontinha de bom senso. Ao contrário: ele está sustentando que as evidências contra os dois patriotas faziam parte de uma conspiração para romper a aliança PT-PMDB. Ele está acusando a “mídia” de pegar demais no pé dos políticos. Se eleita, Dilma tende a ter uma esmagadora maioria no Congresso. Podem esperar um grande alinhamento Executivo-Legislativo contra o jornalismo.

E agora a liberdade de expressão propriamente
Dirceu, de fato, não disse exatamente o que se publicou sobre a liberdade de expressão. Transcrevo (a fala é confusa, porém… clara!):
“Dizem que nós queremos censurar a imprensa. Diz que o problema é a liberdade de imprensa. O problema do Brasil é excesso, bom..., é que não existe excesso de liberdade, mas o abuso do poder de informar, o monopólio e a negação do direito de resposta e do direito da imagem - que está na Constituição igualzinho à liberdade. A Constituição não colocou o direito de resposta e de imagem, a honra, abaixo ou acima da proibição da censura e da [proibição da] censura prévia, corretamente, ou do direito de informação e da liberdade de imprensa, de expressão. São todas cláusulas pétreas.”

Ele ia dizendo, sim, que o problema do Brasil é “excesso de liberdade”, mas se conteve. Poderia pegar mal até para a sua turma. Então submeteu a fala a uma torção. Existiriam abuso do “poder de informar, o monopólio e a negação do direito de resposta”. Sei! O que seria “abuso do poder de informar”? Uma comissão petista talvez defina isso algum dia. E “monopólio”? O telespectador, o ouvinte, o leitor, o internauta não são livres para escolher o querem ver, ouvir, visitar, ler? O direito de resposta requer, sim, regulamentação, mas está sendo praticado.

Há aí uma agenda. Se vocês lerem a íntegra de sua palestra, ele deixa claro que outra batalha essencial do governo Dilma é a “democratização dos meios de comunicação”. As várias conferências promovidas pelo governo deixaram claro o que eles entendem por isso: CENSURA E CONTROLE. Ora, digam-me quem é que poderia definir o que é “abuso do direito de informar”…Talvez uma comissão de sindicalistas pelegos.

Encerrando por ora…
Dirceu expôs ainda a diretriz econômica, centrada no fortalecimento do estatismo — o que rendeu até elogios ao governo Geisel — e citou outras reformas que considera importantes, como a “tributária e o problema da terra”. E fica claro em seu texto que importante mesmo é isto: “Nós temos que repensar o sistema político brasileiro. E nós somos o maior interessado porque a direita está usando isso para desqualificar a política e para afastar o povo da política.”

“Nós”, no caso, são os petistas.

Não se esqueçam de que Dilma já flertou com a proposta de fazer uma Constituinte exclusiva para tocar a reforma política e a reforma tributária. Caso seja eleita, talvez nem precise chegar a tanto com a maioria que terá no Congresso.

Finalmente apareceu o programa de governo do PT. E o programa de governo do PT é “cuidar das instituições” para garantir o poder eterno ao PT.

Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, setembro 15, 2010

Entrevista de Ed Stetzer com Darrin Patrick

fonte: http://www.edstetzer.com/2010/09/church-planter-with-darrin-pat.html

How is contextualization not compromise?

Good contextualization is not bringing the gospel to people on their terms. That would be compromise. Biblical contextualization is bringing the gospel to people with their terms. That is why we take our language about the gospel and forms of church that declare the gospel and we adapt them to be understandable to the cultures in which we find ourselves.

What are the biggest challenges a church planter faces?

Himself. Period. Can you die to yourself so that God can do something through and in spite of you? Can you trust Jesus to build the church and not overwork so you won't destroy your health, marriage and family? Can you surround yourself with friends who challenge you and not just fans who like your vision? Are you able to train and empower godly elders who will serve as your equals and will more than once save you and the church from certain implosion?

Edmund. P. Clowney: Preaching Christ in All of Scripture

 

 

Edmund P. Clowney busca entender a Bíblia como um livro cristão, e busca em todo o  texto a presença de Cristo. Percebi então que a Bíblia não nos dá uma história cheia de Israel, mas uma história da obra de Deus de salvar o seu povo escolhido. Então, os pregadores que ignoram a história da redenção em sua pregação estão ignorando o testemunho do Espírito Santo a Jesus em todas as Escrituras.

1. Cristo em todas as escrituras.

O  Deus vivo revelado no Antigo Testamento é o Deus Uno e Trino. Para ter certeza, a Encarnação trouxe à luz Antigo Testamento ensino que ainda estava na sombra.

Paulo afirma a divindade de Cristo, quando ele escreve: "Porque em Cristo toda a plenitude da Divindade a vida em forma corpórea" (Col. 2:09, NVI). O Filho de Deus possui todos os atributos de Deus. Ele é "um Espírito, infinito, eterno e imutável, sendo na sua sabedoria, poder, santidade, justiça.

O Dispensacionalismo ensina que Deus oferece diferentes meios de salvação em diferentes períodos. A salvação pelas obras foi o caminho da salvação, no período de Israel, e será novamente no milênio. A era da igreja "foi uma interrupção imprevista na história da salvação. Os quatro evangelhos são, portanto, para Israel, não a igreja. Nenhuma das profecias do Antigo Testamento previu. O relógio profético parou.

 

Cristo como servo da aliança.

Servir ao Senhor significa adoração e obediência. Jesus Cristo consuma a relação de aliança de ambos os lados. O que Jesus  como o Servo do Senhor não pode ser descrito como um mera "situação" paralela, um "fenômeno", um termo Hanson usa para explicar o referência típica. Ele está certo em insistir que a atividade do próprio Deus no Antigo Testamento não é apenas um tipo de sua atividade como Senhor no Novo Testamento. No entanto, as ações e papéis de Adão, Noé, Abraão, Isaac, Jacó, José, Moisés, Arão, Josué, Davi, e o resto não devem ser fixados ao lado da pessoa e obra de Jesus Cristo como performances menos eficaz do mesmo tipo de serviço.

Simbolismo e tipologia.

Contudo, ele também procura se afastar da alegorização do texto, buscando uma leitura mais tipológica. Para ele, a alegoria é atribuição de significados arbitrários para as palavras, o alegorista pode evitar ou subverter o significado do texto.  Citando Francis Foulkes, ele diz que alegorizar é um método distinto da tipologia, pois se faz a exegese de palavras ao invés do texto, se atribui significados para palavras evitando-se ou manipulando-se o texto.

Assim, o autor começa a analisar os texto de forma tipologica.

Simbolismo cerimonial.

No antigo testamento, este servia para separar o puro do impuro.

De forma que o poder dominante de Cristo inverte o princípio da impureza, quando Jesus toca o leproso, ele não está contaminado, contudo o leproso é limpo e pode reivindicar o seu novo estado, através do sacerdote e do sacrifício, esta inversão aparece também quando Paulo ensina que aqueles que se converteram ao cristianismo que não estão obrigado a separar seus cônjuges infiéis, como era necessário no Antigo Testamento.

Simbolismo histórico.

 

Sacrifício de Isaque por Abraão. (Gn. 22)

O verbo”jireh”  é a forma de um verbo comum para "ver". Que significa "dar" ou "ver-lhe", sendo derivado do contexto no versículo 8, onde Deus  está "vendo" o cordeiro, que pode ser  entendido como fornecendo. Está mais envolvido aqui o testar a fé de Abraão.

O primeiro uso do verbo "ver" em Gênesis 22 ocorre no versículo 4: "No terceiro dia, Abraão olhou e viu o lugar ao longe" (NIV). Abraão vê o carneiro preso no mato, no monte (v. 13). O lugar é novamente enfatizado na parte que  diz: "No monte do Senhor em que será visto", ou "ele vai ser visto."

Precisamos saber que Paulo fará uma alusão a esta passagem, quando ele diz: "Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como é que ele também não, junto com ele graciosamente nos dá todas as coisas?" (Rom . 08:32 NVI).

Memoriais de significância.

Cristo está presente na pessoa e no símbolo. Nesse incidente, o Cristo, o Senhor está na rocha como o Anjo teofânico, mas sobre o símbolo da Rocha  é necessário para fornecer o símbolo de que quando estiver com a natureza humana, ele deve assumir ela para receber o golpe expiatório de julgamento.

De forma que a fidelidade da aliança de Deus se torna o fundamento das promessas dos profetas inspirados sobre a graça de Deus no futuro.

  • Atos e palavras do Senhor.

Não podemos ignorar os tipos presentes no Novo Testamento, mesmo que não podemos sistematizar eles, não identificá-los é confessar a falência da hermenêutica. Sabemos que os escritores do Novo Testamento  encontraram os tipos, mas confesso que não podemos saber como eles fizeram isso. Parece haver nenhum princípio visível para nós seguirmos. Não podemos ignorar os tipos presentes no Novo Testamento. Se houver um simbolismo presente,  podemos acertadamente inferir uma tipologia.

Todas as verdades vêm para a sua realização em relação a Cristo. Se, portanto, podemos construir uma linha de simbolismo do evento ou cerimônia para uma verdade revelada,  a verdade vai nos levar a Cristo

Se traçarmos uma linha de significância diretamente do Antigo Testamento, que revelou a verdade para nós sem qualquer referência a Cristo e a realização dessa verdade Nele, estamos traçando uma linha do moralismo.

Se tomarmos a história de Davi e Golias, e apreendermos a verdade da coragem sem qualquer inferência a Cristo, estaremos construindo um sermão apenas moralista.  O que Davi exibe é a fé, o autor de Hebreus constrói sua lista de homens e mulheres de fé no Antigo Testamento- Hb 11-. Nela, fé e graça andam juntos, Davi, o ungido do Senhor é um tipo de Jesus Cristo, o Messias, que se encontra e vence Satanás, o home forte para que possa livrar os que estão cativos dele- Lc 11:15-19-. Nesta passagem, um pregador que depender da alegoria para tentar explicar o texto escolhendo algo nele, vai acabar gerando uma interpretação que não está relacionada com o contexto e significado do texto.

Há algumas formas que nos ajudam a entender como se dá o processo: (1) a forma de progressão histórica redentora, (2) a forma de cumprimento de promessas; (3) o caminho da tipologia; (4) a analogia; (5) a forma de temas longitudinal; (6 ) o modo de contraste; (7) a forma de referências do Novo Testamento.

Aqui, Clowney faz uma crítica ao dispensionalismo, que  não consegue ver a continuidade da obra redentora de Deus, mas justamente de uma forma de teologia bíblica vê a importância das eras ou épocas apenas. A história da redenção é sempre acompanhada pela história da revelação, a interpretação de Deus, de seus próprios atos fornece os temas que a teologia bíblica e sistemática deve reunir e sintetizar.

A história da redenção e da revelação existe por causa da vinda de Cristo. Se Jesus Cristo não foi escolhido no plano eterno de Deus, não teria havido história humana de qualquer maneira. Adão e Eva teriam caído mortos ao pé da árvore do conhecimento do bem e do mal. A graça da promessa da aliança de Deus é a fonte e o coração da história redentora.

Os levitas, tribo separada para servir ao Senhor na sua tenda, foram considerados como substitutos para os primogênitos. Além de seu número, cada pai israelita paga cinco siclos de comprar de volta o seu filho primogênito (Ex. 13:15-16; Num. 03:14, 16, 42-51).

Ele revelou seu nome como o Senhor o Deus cheio de devoção ( pacto de chesed ) e da fidelidade de verdade. Ele prometeu ir no meio do seu povo, e não apenas à frente deles.

"Onde é que os escritores do Novo Testamento, em contraste com suas contrapartes não-cristãos judeus, a idéia de interpretar o Antigo Testamento a partir da realidade de Cristo?" Os discípulos tinham estado com Jesus e teve encontro com o Senhor ressuscitado."Mas uma resposta mais completa é que o próprio Jesus ensinou-os a ler o Antigo Testamento, desta forma

Então ele abriu suas mentes para que eles pudessem compreender as Escrituras "(Lucas 24:44-45, NVI). Lucas relata em seguida suas palavras. Jesus apresentou uma síntese do Evangelho e sua propagação através das nações (vv. 46-47)

Ele preenche os livros sapienciais do Antigo Testamento. As formas de ensinar que Jesus usou são as formas de sabedoria do Antigo Testamento, mas ele tira do seu tesouro coisas novas e velhas (Mt 13,52). Nele, o Antigo Testamento é feita nova em plenitude, e as notícias do evangelho justifica o velho, ao mesmo tempo que cumpre e supera.

 

2. Preparando um sermão que apresenta Cristo.

  • O Senhor fala por si mesmo na pregação.

O Novo Testamento usa vários termos para a pregação. Pregação inclui proclamar a Boa Nova, ensinando a riqueza da revelação de Deus, encorajando, exortando, advertência e repreensão.

O estudo bíblico nos leva a sua presença.

Sentido também é atraído para a dinâmica da comunicação: o emissor, a mensagem eo receptor. Além disso, o elemento relacional fornece o contexto de comunicação. A fixação da mensagem inclui aqueles a quem é dirigida, mas tem um significado além daqueles para os quais foi inicialmente prevista.

No entanto, o oposto é o caso. Lembro-me de ouvir Tim Keller do Redentor Igreja Presbiteriana em Nova York que descreve o caminho da devoção. Ele insistiu que a Escritura abre as portas do céu para aqueles que buscam o Senhor.

Ouvir a Palavra do Senhor é um exercício de fé em acreditar que o Senhor faz ouvir e responder às nossas fundamento. A comunhão com o Senhor nos é pessoal. Sua intensidade vai além de nossas expressões de devoção, mas nossas palavras e nossos gritos resposta para o seu pronunciamento de amor.

A devoção do Senhor, seu Chesed, é profundamente pessoal, mas é direcionado para o seu povo escolhido. Nós, que são escolhidos em compartilhar a Cristo o amor que nos é dado por Cristo, como membros do seu corpo Cuidado, a reflexão devota da Palavra do Senhor permanece a chave para entrar a sua presença no culto.

 

Estrutura do Sermão que apresenta a Cristo.

Nós não podemos aprovar o papel de Jesus, nem a sua expressão facial enquanto falava. A realidade de Jesus não pode usar um stand-in. O esforço para tornar realidade para além da palavra pregada não como ficção. O ator não é Jesus.

A Estrutura do sermão que apresenta Cristo na história da redenção.

Toda a apresentação de Jesus possui uma dimensão narrativa, ele vem como o climax para uma grande história bíblica, no velho testamento Jesus aparece como o anjo em Ex. 3:2,14, Isaías viu sua glória no templo (Jo.12:41).

Jacó perdido quando o Senhor tocou seu quadril, mas Jacó venceu porque ele não deixou eu ir. O Senhor perdido em um sentido, quando ele abençoou Jacó, mas ele ganhou, porque a bênção de Jacó era o seu objetivo final.

 

O discurso direto apresenta Jesus.

Jesus é apresentado quando ele revela a si mesmo para nós e também quando ele fala para instruir, guiar e cuidar da gente. Quando pregamos tendo em conta o Evangelho, não podemos colocar as palavras de Jesus como um discurso indireto. Devemos chamar os nossos corações para as palavras de Jesus diretamente, e então pensar – como eles poderiam acreditar nele senão ouviram?-. Jesus está falando na pregação, devemos ver isto claramente e de forma direta.

Oração preparatória para a apresentar a Cristo.

 

"Como posso saber se estou pregando na energia da carne ou do poder do Espírito?" Isso é muito fácil ", Lloyd-Jones respondeu, como repete o autor: "Se você está pregando na energia da carne, você vai se sentir exaltado e sublime. Se você está  pregando no poder do Espírito, você vai sentir temor e humildade”

Pregação na presença do Senhor é mais pessoal do que possuir o poder de expressão, um poder que pode ser pensado como unção para a tarefa.

O Senhor nos salva pela maravilha da sua presença pessoal conosco. Assim é com a pregação. Nós não procuramos uma onda de energia em ministrar a Palavra de Deus. Nós buscamos a sua presença no ato da pregação, como temos diante da pessoa de Jesus Cristo ..

Mantenha sua linguagem vivida, e não por ilustrações e figuras de linguagem que roubam a atenção dele, mas pelas referências vivas para que o Senhor diz e faz. Certifique-se que as ilustrações não distrair a partir do que eles ilustram. Pegue  a atenção das pessoas com uma história sobre um ídolo dos esportes ou música, e você pode nunca tê-la de volta.

 

 

3. Compartilhando as boas vindas do Pai – Lc 15.

Na primeira parte da história, Jesus está mostrando a graça do Pai. e na segunda parte da história, ele nos está dizendo o que é preciso para a boa vinda.

A graça das boas-vindas do Pai.

A história começa com o filho mais novo, ele odeia cada minuto que passa naquela casa, detesta tudo que existe lá. Só uma coisa que ele gosta: o dinheiro do seu pai. Diante da remota possibilidade de obter e o fim da paciência, ele pede ao pai, que lhe dê sua parte da herança.

Foi uma coisa muito cruel de se fazer, a sabedoria judaica aconselha a não dar nada enquanto vivo, Clowney cita Ecl. 33:22

porque é melhor que os teus filhos te peçam, do que estares tu olhando para as mãos de teus filhos.

Contudo, o pai atendeu o pedido. Após algum tempo em uma terra, o filho perde tudo, e Jesus não conta como ele perdeu o dinheiro, apenas diz que estava faminto, alimentando porcos,  este não era um trabalho marginal, contudo, os porcos na lei judaica são animais impuros, o que quer dizer que o filho agora era um estranho, longe de casa, perdido e impuro.

O arrependimento do filho não é glamurizado, ele apenas reconhece que sua situação atual é muito inferior a dos funcionários do pai, que ele agiu tolamente.

O que guarda a lei é filho sábio; mas o companheiro dos comilões envergonha a seu pai Pv. 28:7

Ele quer voltar para casa do pai para ser um empregado por lá, porque sabia que não tinha nenhum direito de ser aceito de novo no antigo relacionamento, a confissão de seu completo imerecimento nos prepara nos assombrarmos com a graça do pai.

O pai o recebe de volta, dando a ele completa e livre perdão que não demora em restaurar no filhos, os símbolos de seu estatus- a melhor roupa como símbolo de honra, o anel que carrega o selo da família, mesmo as sandálias tem um significado, já que os servos andavam de pés descalços.

Clowney faz um relato aqui de outros pais amorosos, como Abraão no Monte Moriá, Rei Davi quando chora a vida de Absalão, em 2Sm 18:33. E o próprio Deus, que chora por seu povo escravo no Egito, Ex. 4:23 c/c Os.11:1-4.

A demanda da boa vinda do Pai.

Com a festa acontecendo, chega o irmão mais velho, e pergunta que está acontecendo ali. Ele vê a festa e fica aborrecido, afinal, tudo que está sendo gasto ali está sob sua conta, já que a herança foi dividida. Ele despreza a alegria do pai, fica furioso por sua graça e se ressente do amor pelo pródigo.

Os fariseus desprezam os pobres e desdenhavam o chamado de Cristo para o banquete do reino. Eles foram avisados que outros se sentariam no banquete do reino, e eles iam achar a si mesmos excluídos para sempre.  Contudo, nesta parábola, Jesus deixa a porta aberta para os fariseus, eles permanecem de fora, furiosos porque Jesus está celebrando com publicanos e pecadores. Contudo, Jesus diz que o Pai ainda vai ao encontro do filho mais velho, para eles entenderem que isto significa que se eles rejeitam seu chamado, eles ficaram de fora do banquete da glória.

O filho amargo está mais longe de casa ali no campo do que o pródigo estava no chiqueiro.  Ele não tem amor por seu pai. Guardar as ordens de seu pai é uma escravidão. Seu real prazer não é estar com seu pai, como o pródigo no começo da história, ele preferiria celebrações com seus amigos. Ele não tem entendimento do amor do pai – por seu irmão, ou por ele mesmo. Ele não ama seu irmão também. Ele não consegue chamá-lo de meu irmão, apenas diz este seu filho.

A demanda, a obrigação aqui é clara. Ele deveria entrar na festa, ele não pode ficar lá fora na escuridão queimando de raiva e inveja. Suponha que o irmão mais velho conhecesse o amor do pai, seu coração.  O que ele teria feito? Ele teria ajudado o pai no encontro com o irmão perdido, teria ido atrás do irmão se ele compartilhasse os sentimentos do seu pai. Isto é o que ele teria feito e muito mais, contudo, isto não é apenas uma sugestão, é algo que entendemos da parábola, esta é uma das três que Jesus contou para os fariseus e doutores da lei que o estavam criticando. Jesus contou três parábolas, a da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho perdido. Cada história termina com uma alegre festa para comemorar que se achou o que estava perdido. Jesus está ensinando que há alegria no céu quando um pecador se arrepende. Contudo, ele está também fazendo um contraste entre seu ministério e a atitude de seus críticos. A reclamação deles que ele se associava com pecadores. Ele responde que ele está buscando pecadores porque é o que seu Pai faz. Jesus está retratado no pastor, que busca a ovelha que se perde, ele está retratado também na mulher que varre sua casa buscando amoeda que está perdida. Jesus não aparece, contudo, na parábola do filho pródigo. Ao invés disto, ele se coloca fora da história e coloca no lugar a figura dos fariseus, o irmão mais velho está fazendo apenas o que eles faziam: se recusando a se juntar com pecadores. Jesus está fazendo o oposto, ele entende o coração de misericórdia do Pai, ele não apenas quer que os pecadores estejam no banquete dos céus, como também veio atrás deles onde eles estão. Ele veio para buscar e salvar aquele que estava perdido.

Não entendemos  esta parábola se nos esquecemos quem disse isto e por quê.  Jesus Cristo é nosso irmão mais velho, o primogênito do Pai. Ele é o Pastor que vem procurar para encontrar o perdido, ele é a Ressurreição e a Vida, que pode dar vida aos mortos, ele é o herdeiro da casa do Pai. Esta parábola é incompleta se esquecermos que o nosso irmão mais velho não é um fariseu, mas Jesus. Ele não se limita a acolher-nos em casa como o irmão não, ele vem para encontrar-nos no chiqueiro, coloca os braços em torno de nós, e diz: "Volte para casa!"

De fato, se nos esquecermos de Jesus, não entendemos completamente a medida do amor do Pai. O pai celeste não é permissivo com o pecado. Ele é um Deus santo,a penalidade do pecado deve ser paga. A glória da graça surpreendente é que Jesus pode dar boas vindas aos pecadores por que ele morreu por eles. Jesus não apenas veio para a festa, comeu com publicanos e pecadores redimidos, ele espalhou a festa, pois ele nos chama para a mesa do seu corpo partido e sangue derramado.

E é por isto que o autor de Hebreus diz que Jesus está cantando junto com seus irmãos, conforme Hb. 2: 12.

Se você está perdido, ele está te buscando onde você está e quer te levar de volta para casa. Se você é um crente, como foi que Jesus te achou, como te carregou de volta para casa, se você já experimentou a graça, você conhece o coração do pai, dê boas vindas aos pecadores.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Gregg A. Ten Elshof: I Told Me So: Self-Deception and the Christian Life

Um livro cristão sobre o auto-engano, um tema que era tão caro a Calvino. O livro coloca que o auto-engano é um fenômeno social, numa sociedade viciada em autenticidade e também, é um excelente amigo em tempos de necessisdade.

O livro auto-engano não é um livro de auto-ajuda, mas um guia que nos ajuda a encarar as verdades em nossa vida e o lugar da Verdade nela. (continua)

Self-deception is a major part of what defeats spiritual formation in Christ. In self-deception the individual or group refuses to acknowledge factors in their life of which they are dimly conscious, or even know to be the case, but are unprepared to deal with: to openly admit and take steps to change. As a result, those factors continue to govern their actions and shape their thoughts and emotions. (loc. 19-22)

Each of these beliefs offers me a certain kind of satisfaction. A discovery to the effect that I was in error about any of them would be pretty upsetting. If I discovered that the seeming depth of my friendships was a sham, I would be significantly disappointed.Loc. 109-10


The beliefs I have about myself and others do not need to be true to bring me satisfaction. I only need to believe them. Sustaining depth of friendship is hard work - as is growing in Christ

Loc. 114-15
The apostle Paul explains in his letter to the Galatians how self-deception enables those who are nothing to think that they are something (Galatians 6:3),Loc. 128-29
Aquinas picks up the theme and suggests that "ignorance is sometimes directly and intrinsically voluntary, as when one freely chooses to be ignorant so that he may sin more freely.Loc. 135-36
elevated authenticity to a place of primary importance in their understanding of the virtuesLoc. 167-68
Being true to oneself became a - or, in some cases, the - chief good. Self-deception, then, was given a promotion in the ranking of vices.Loc. 169
But my point is that the elevation of "authenticity" as a virtue carries with it a promotion for self-deception among the vices. So, to the degree that we value authenticity, we will be averse to the suggestion that we are self-deceived.Loc. 192-94
I'm convinced that I've got false beliefs, but each of my beliefs, when I consider it, seems true to me.Loc. 237

Rather than trying to work up behavior consistent with what we think we believe, we should be begging with the man who wanted desperately for Jesus to free his son from the demon that possessed him, "I believe; help my unbelief!" (Mark 9:24).

Loc. 276-77

So the possibility of self-deception rears its head whenever there is a kind of felt pressure associated with believing something.Loc. 277-78
But with very few exceptions, no one has any trouble acting out their beliefs. You do act in accordance with your beliefs.

So believing what is false is not essential to having been a victim of deception. One might fall prey to deception and nevertheless believe whats true - perhaps by sheer luck!




Zygmunt Bauman: Amor Líquido

A misteriosa fragilidade dos vínculos humanos, o sentimento de insegurança que ela inspira e os desejos conflitantes (estimulados por tal sentimento) de apertar os laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos, é o que este livro busca esclarecer, registrar e apreender.

(...)

Ou ainda que as relações, da mesma forma que os automóveis, devem passar por revisões regulares para termos certeza de que continuarão funcionando bem.

(...)

uma “rede” serve de matriz tanto para conectar quanto para desconectar; não é possível imaginá-la sem as duas possibilidades. Na rede, elas são escolhas igualmente legítimas, gozam do mesmo status e têm importância idêntica.

(...)

Estar em movimento, antes um privilégio e uma conquista, torna-se uma necessidade. Manter-se em alta velocidade, antes uma aventura estimulante, vira uma tarefa cansativa.

domingo, setembro 12, 2010

Olhos curiosos se rejubilam com o malefício e nele colocam toda complacência


Plutarco (De curiositate)

Comentários ao PNDH

o projeto nacional de direitos humanos 3 é a cristalização de um movimento que já começou faz tempo no Brasil. É um movimento dissimulado de implantação cultural, ou como eles dizem Revolução Cultural.

É baseada num filósofo marxista italiano chamado Antonio Gramsci, o socialismo pós-URSS, viu que as bases socialistas não funcionaram no regime de reforma estrutural de cima para baixo, então, o autor italiano pensou uma revolução de cima para baixo, ou seja, através de micro-reformas no pensamento e ideologia da sociedade pra se alcançar uma revolução nas macro estruturas.

Para o comunismo clássico, a macro-estrutura promoveria as mudanças nas micro estruturas, num resumo bem ruim, seria dizer que a mudança de uma sociedade capitalista para uma sociedade marxista no nível estrutural acabaria transformando a cultura e os hábitos da sociedade civil em geral. Tal não aconteceu e acabou gerando uma quebra da sociedade.

Assim, o pensamento gramsciano trabalha no sentido oposto, procura-se uma revolução cultural mais lenta e progressiva em setores menores da sociedade, na educação por exemplo, se coloca o pensamento socialista como visão de mundo e assim, no decorrer dos anos, a estrutura maior será alterada por estas pequenas mudanças, de forma, que seja inimaginável outra forma de sociedade, além da socialista.

Falar em socialismo parece fora de época ou propósito, mas esta também é uma das vantagens da revolução gramsciana, os termos aparecem fora de lugar, porque o pensamento comum, ordinário já foi transformado.

Ou seja, leis com sentido moral, são padrões de conduta estabelecidos pelo estado para seus cidadãos, que aparentemente são benéficas, contudo, elas apenas transmitem a vontade de um setor da sociedade, os ideólogos.

Em que o PNDH-3 se insere nesta revolução cultural, ele está inserido na cauterização de valores seculares como valores absolutos: casamento homossexual, a naturalidade das relações homossexuais, a naturalidade do aborto, a naturalidade da censura do estado aos cidadãos e aos meios de comunicação.

Coisas que não são naturais, que possuem pensamentos contrários, acabam sendo transformadas em princípios artificiais através de uma educação e de uma incorporação social.

Por exemplo, o mensalão é possível e justo porque antes fizeram mensalão, o mal justifica-se pela sua simples repetição e ordinariedade, o caso atual da quebra de sigilo, o ministro da fazenda diz que já aconteceu antes, então é normal que você tenha seus direitos violados.

Nas palvavras de Piragine, é quando a iniquidade se transforma em lei cultural e assim, é normal. Pensando biblicamente, é o que Deus disse a Jonas sobre Nínive, eles não sabem discernir a mão direita da esquerda, ou seja, a imoralidade chegou a um ponto em que culturalmente não se sabe discernir o que é certo ou errado.


Olavo de Carvalho resume bem o que seria isto no artigo o inferno dos brasileiros:

Nessa atmosfera, a única maneira de evitar o castigo ante cuja iminência se treme de pavor é negar que ele exista, e, com um sorriso postiço de serenidade olímpica, ajudar a comunidade a aplicá-lo a imprudentes terceiros que tenham ousado notar, em voz alta, a presença do mal.

Não digo que todos os brasileiros tenham se deixado submergir nessa atmosfera. Mas pelo menos as “classes falantes”, se é possível diagnosticá-las pelo que publicam na mídia, já têm sua consciência moral tão deformada que até mesmo suas ocasionais e debilíssimas efusões de revolta contra o mal vêm contaminadas do mesmo mal. Por exemplo, o fato de que clamem contra desvios de dinheiro público com muito mais veemência do que contra o massacre anual de 50 mil brasileiros (quando chegam a dar-lhe alguma atenção) prova, acima de qualquer possibilidade de dúvida, que por trás do seu ódio a políticos corruptos não há uma só gota de sentimento moral genuíno, apenas a macaqueação de estereótipos moralistas que ficam bem na fita. E que ainda continuem discutindo “se” o partido governante tem parceria com as Farc, depois de tantas provas documentais jamais contestadas, mostra que estão infinitamente menos interessadas em averiguar os fatos do que em apagar as pistas da sua longa e obstinada recusa de averiguá-los. Recusa que as tornou tão culpadas quanto aqueles a quem, agora, relutam em acusar porque sentem que acusá-los seria acusar-se a si próprias. Quando, por indolência seguida de covardia, os inocentes se tornam cúmplices ex post facto, já não sobra ninguém para julgar o crime: todos, agora, estão unidos na busca comum de um subterfúgio anestésico que o suprima da memória geral.

Não, não se trata de “degradação dos costumes”, como nos EUA, na França, na Espanha ou em tantos outros países: Trata-se, isto sim, da perda completa do senso moral, o que faz deste país uma bela imagem do inferno. No inferno não há degradação, porque não há a presença do bem para graduá-la.


A questão é relação ao PNDH-3 é que ele é a cristalização do movimento cultural secularista que afronta não só o primado cristão, como também o próprio primado da democracia, onde o cidadão individual é a razão do estado, e não o estado é a razão do cidadão.

domingo, setembro 05, 2010

Realidades Urbanas: Qual é a Missão Urbana Global de Deus?

Texto foi traduzido pela Global Conversation Translation Team encontrado em http://conversation.lausanne.org/pt/conversations/detail/10282#article_page_1

Observação do Editor: Este documento Avançando Cape Town 2010 foi escrito por Tim Keller para dar um panorama geral do tópico a ser discutido na sessão Plenária de Noite sobre “Megacidades” e na Sessão Multiplex sobre “Abraçando a Missão Urbana Global de Deus”. Comentários sobre este documento através da Conversa Global Lausanne serão enviados para o autor e para outras pessoas, e ajudarão a dar forma à apresentação final que farão no Congresso.

O que é uma cidade?

Hoje, uma cidade é definida, quase exclusivamente, em termos de tamanho da população. Grandes centros populacionais costumam ser chamados de “metrópoles”; pequenos centros, de “cidades”; e os menores ainda, de “vilas”. Entretanto, não devemos impor nosso uso corrente para os termos bíblicos. A principal palavra hebraica para “cidade”, “iyr”, refere-se a qualquer assentamento humano dentro de alguma fortificação ou entre muros. As populações de algumas cidades antigas eram de aproximadamente 1000 a 3000 habitantes. “Cidade” na Bíblia não se refere ao tamanho da população, mas à densidade. O Salmo 122:3 refere-se a essa densidade: “Jerusalém, que estás construída como cidade compacta”(1). O significado da palavra traduzida para “compacta” é bem entrelaçada, unida. Numa cidade fortificada, as pessoas viviam perto umas das outras, bem próximas, em casas e ruas compactas. Na verdade, na maioria das cidades antigas, havia cerca de cinco a dez acres, com 240 residentes por acre, comparando-se com as casas de Manhattan na cidade de Nova York, que tem 105 residentes por acre. (2)

Nos tempos antigos, a cidade era o que hoje consideraríamos “assentamento humano variável com várias misturas”. Por causa da densidade populacional, havia lugares para viver e trabalhar, comprar e vender, produzir e apreciar arte, adorar e buscar justiça, tudo a poucos passos de distância. Nos tempos antigos, as áreas rurais e as vilas talvez não tivessem todos estes elementos, e nos tempos modernos, os “subúrbios”, evitam este padrão de organização de propósito. Os subúrbios são zonas com uso específico: moradia, trabalho, diversão e educação. São separados um dos outros, e o acesso a eles é de carro, geralmente, passando por zonas desfavoráveis para pedestres.

O que caracteriza uma cidade é a proximidade. Ela aproxima pessoas. Portanto, residências, locais de trabalho e instituições culturais ficam próximos. Ela dá vida às ruas e locais de trabalho e traz mais interação corpo a corpo do que outros lugares. Foi isso que os autores da Bíblia quiseram dizer quando usaram a palavra “cidade”.

Missão Urbana na Bíblia

Jerusalém

No início do Velho Testamento, a importância redentora da cidade estava na própria Jerusalém como modelo de sociedade urbana:“a alegria de toda a terra” (Sl. 48:2), demonstrando ao mundo o que pode ser a vida humana sob seu senhorio. Muito já se falou sobre fluxo “centripetal” de missões durante essa era. Deus chamou as nações para crer n’Ele, aproximando-as para ver Sua glória encorporada em Israel, a nação santa que Ele tinha criado, cuja vida corporativa mostrava ao mundo o caráter de Deus (Deut 4:5-8). Entretanto, o livro de Jonas dá um sinal chocante à missão “centrifugal”do Novo Testamento, de mandar crentes ao mundo. Jonas foi o único profeta do Velho Testamento enviado a uma cidade pagã para que ela se arrependesse. A declaração final de Deus é surpreendente: “o Senhor chama Jonas para amar a grande cidade pagã de Nínive por causa do grande número de seus habitantes cegos espiritualmente” (Jonas 4:10–11).

Babilônia

Esta mudança de centrípeto para centrífugo alcança outro estágio, quando Israel é levado para o exílio. Os judeus são levados para viver no meio da ímpia, pagã e sanguinária Babilônia. Qual é a relação dos crentes com tal lugar? Jeremias 28–29 apresenta um extraordinário esboço da postura do crente na cidade. Deus diz ao Seu povo para “multiplicar-se e não diminuir” (Jer. 29:6), para manter sua identidade comunitária bem destacada e para crescer, mas Ele também manda se estabelecer e se envolver na vida da cidade grande. Eles deveriam construir casas e plantar jardins. O mais impressionante é que Deus os chama para servir a cidade, para “buscar a prosperidade da cidade” e para “orar ao Senhor em favor dela” (Jer. 29:7). Eles devem aumentar suas tribos em número em um gueto dentro da cidade, e também devem usar seus recursos para buscar o bem comum.

Isto sim é equilíbrio! Os valores de uma cidade terrena contrastam grandemente com aqueles da cidade de Deus. Mesmo assim, os cidadãos da cidade de Deus devem ser os melhores cidadãos das cidades terrenas. Deus chama os exilados judeus para servir ao bem comum da cidade pagã. Ele também tem um objetivo bem prático: servir ao bem da cidade pagã é a melhor maneira para o povo de Deus prosperar e florescer, “porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela” (Jer. 29:7), diz o Senhor. Deus ainda se preocupa com Seu plano de salvação e com o estabelecimento do Seu povo. É exatamente isso o que acontece. Como os judeus chegaram à cidade e buscaram a paz da grande cidade pagã, eles conquistaram a influência e o impulso que precisavam para, depois, voltar e restaurar sua terra natal. Além disso, os judeus permaneceram, de certa forma, dispersos pelas cidades do mundo como um grupo cosmopolita, um grupo étnico internacional que se tornou base crucial para a disseminação da messagem cristã depois de Jesus.

Residentes Estrangeiros

Existe alguma razão para crer que o modelo de Israel na Babilônia deve servir como modelo para a igreja? Sim. No exílio, Israel não existia mais como estado-nação, com governo e leis próprios. Em vez disso, Israel existiu como comunidade internacional e contracultura em outras nações. Agora, esta é a forma da igreja que Pedro e Tiago reconhecem quando se dirigiram aos crentes como “dispersos” e “exilados” (1 Pedro 1:1). Por duas vezes Pedro usou o termo parapidemois para exilados, “residentes estrangeiros”, pessoas que vivem num país de onde não são nativos nem turistas, mas estão apenas de passagem. Pedro chama os cristãos para viverem no meio da sociedade pagã de forma que os outros vejam suas “boas obras e glorifiquem a Deus”, mas os adverte para que contem com a perseguição (1 Pedro 2:11–12). Os ecos de Jeremias 29 são evidentes. Como os exilados judeus, os exilados cristãos devem se envolver em suas cidades, servindo o bem comum, em vez de dominar ou ignorar a comunidade. Eles devem esperar que a sociedade ao redor deles seja tanto hostil como atraída pela vida e pelo serviço dos crentes na cidade. Pedro indica que as boas obras dos crentes levarão, pelo menos, alguns pagãos a glorificarem a Deus.

No seu artigo “Soft Difference” (Leve Diferença) sobre 1 Pedro, Miroslav Volf mostra como a tensão que Pedro viu entre perseguição e atração e entre evangelismo e serviço não se encaixa nos modelos históricos que relacionam Cristo com a cultura (3). Diferente dos modelos que chamam os cristãos para uma transformação de cultura ou para uma aliança cristã da igreja com o estato, Pedro espera que o Evangelho seja sempre muito ofensivo, nunca totalmente aceito ou abraçado pelo mundo. Isso é um aviso para os evangélicos e cristãos que esperam estabelecer uma cultura essencialmente cristã; diferente de modelos que simplesmente chamam para o evangelismo, e são muito pessimista com relação a influenciar a cultura. Tanto Pedro, em 1 Pedro 2:12, como Jesus, em Mateus 5:16, esperam que alguns aspectos da fé e da prática cristã sejam atraentes em qualquer cultura pagã, influenciando pessoas para louvarem e glorificarem a Deus (4).

Samaria e até os confins da terra

Como Israel durante o exílio, a igreja vive como uma congregação de comunhão internacional e dispersa. Em Atos 8 vemos Deus forçosamente dispersando os cristãos de Jerusalém, e, assim, fortalecendo enormemente a missão cristã. Imediatamente, eles foram para Samaria, a cidade que o povo judeu tinha aprendido a desprezar, tanto quanto Jonas desprezou Nínive e os judeus desprezaram Babilônia. Mas, diferente dos relutantes profetas ou do exílio, os cristãos transformados pelo Evangelho tornaram-se ativos na missão urbana em Samaria (Atos 8:1).

Quando finalmente chegamos à igreja do primeiro século, vemos a missão redentora de Deus não mais em centros urbanos, como Jerusalém ou Babilônia. Todas as cidades do mundo se tornaram importantes. Em Atos 17, Paulo chega a Atenas, o centro intelectual do mundo greco-romano. Em Atos 18, ele viaja para Corínto, um dos centros comerciais do Império. Em Atos 19, ele chega a Éfeso, talvez o centro religioso do mundo romano, lugar de vários cultos pagãos e, particularmente, do culto imperial, com três templos para adoração ao imperador. No final do Livro de Atos, Paulo chega a Roma, a capital do poder do império, o centro militar e político do mundo. John Stott conclui: “Parece ter sido uma política deliberada de Paulo de, propositalmente, mudar de um centro urbano estratégico para o seguinte”.(5) Ao chegar à cidade, Paulo atingia toda a sociedade, como é evidente na Carta aos Colossenses. Nesta epístola, Paulo acompanha discípulos nas cidades junto ao Vale de Lico — Laodicéia, Hierápolis, Colossos (Col. 4:13–16)—mesmo nunca tendo visitado aqueles lugares pessoalmente. Provavelmente, eles se converteram através do ministério dos efésios. Se o Evangelho é repartido em centros urbanos, você alcança a região e a sociedade.

As razões pelas quais o ministério urbano era tão eficaz podem ser resumidas como se segue:

  • As cidades são culturalmente cruciais. Na vila alguém pode ganhar um, ou talvez dois, advogados amigos seus para Cristo, mas ganhar o grupo profissional jurídico requer ir à cidade, junto às escolas de direito, aos editores dos jornais jurídicos e assim por diante.
  • As cidades são globalmente cruciais. Na cidade pequena ou na vila, você pode alcançar um único grupo que vive lá, mas anunciar o Evangelho para dez ou vinte novos grupos/línguas ao mesmo tempo exige ir à cidade onde todos eles podem ser alcançados através da língua fluente do lugar.
  • As cidades são pessoalmente cruciais. Com isso quero dizer que as cidades são lugares perturbadores. As cidades do interior e as vilas são caracterizadas pela estabilidade, e os residentes são mais enraizados em seus costumes. Por causa da diversidade e da intensidade das grandes cidades, os moradores urbanos são mais abertos a novas idéias, como por exemplo, ao Evangelho! Como estão rodeados por tantas pessoas iguais a eles, e diferentes deles, e têm mais mobilidade, os moradores urbanos são muito mais abertos a diálogos do que moradores de outros tipos de cidades. Independentemente das razões porque se mudaram para a grande cidade, uma vez que se mudam, a pressão e a diversidade fazem do indivíduo mais tradicional e fechado uma pessoa aberta ao Evangelho.

A primeira igreja foi, em grande parte, um movimento urbano que ganhou para Cristo indivíduos das cidades romanas, e a maioria das cidades interioranas se mantiveram pagãs. Como a fé cristã conquistou as cidades, acabou conquistando toda a sociedade, o que acontece na maioria dos casos. Rodney Stark desenvolve esta idéia no livro The Rise of Christianity (A Ascensão do Cristianismo).

Em cidades grandes, com muitos “sem-teto” e grande pobreza, o cristianismo ofereceu ajuda assistencial e esperança. Para cidades com novos habitantes, o cristianismo ofereceu bases imediatas para novas conexões. Para cidades com viúvas e orfãos, o cristianismo ofereceu um sentido novo e ampliado de família. Em cidades atingidas por lutas étnicas violentas, o cristianismo ofereceu uma nova base para solidariedade social... Pessoas têm enfrentado catástrofes há séculos sem o cuidado de estruturas cristãs teológicas e sociais. Portanto, não estou sugerindo que a miséria do mundo antigo causou o advento do cristianismo. Vou argumentar que, quando o cristianismo apareceu, sua capacidade superior de atender estes problemas crônicos logo se tornou evidente e teve um papel importante no seu eventual triunfo... [Porque os cristãos] trouxeram um simples movimento urbano e também uma nova cultura. (6)

A missão cristã ganhou o antigo mundo greco-romano porque ganhou as cidades (7). As elites eram importantes, é claro, mas a igreja cristã não apenas as enfocou. Assim, como hoje, as cidades estavam cheias de pobres, e o compromisso cristão com o pobre era visível e marcante. Através das cidades, os cristãos mudaram a história e a cultura, ganhando as elites e identificando-se profundamente com o pobre. Richard Fletcher, no texto The Barbarian Conversion (A Conversão dos Bárbaros), mostra que a mesma coisa aconteceu durante a missão cristã na Europa de 500-1500 a.C. (8)

Missão Urbana Hoje

A importância crescente das cidades

Em 1050, Nova York e Londres eram as únicas cidades do mundo com populações acima de 10 milhões de habitantes em áreas metropolitanas(9). Hoje, entretanto, há mais de vinte cidades assim, doze das quais atingiram esta marca nas últimas duas décadas (10), e muitas outras estão no mesmo caminho. As cidades mundiais estão se tornando cada vez mais econômica e culturalmente poderosas; é nas grandes cidades onde se instalam as corporações multinacionais, a economia internacional, e redes sociais e tecnológicas. A revolução da telecnologia/comunicação implica que a cultura e os valores das grandes cidades globais estejam sendo transmitidas para todo o globo, todas as línguas, tribos, povos e nações. Crianças em Iowa ou no México estão se tornando mais parecidas com os adultos de Los Angeles e Nova York do que com os adultos de suas próprias localidades. A ordem do novo mundo será uma ordem urbana, multicultural e global. As cidades mundiais são cada vez mais cruciais no estabelecimento do curso da cultura e da vida como um todo, mesmo em áreas do mundo como Europa e América do Norte, onde as cidades não estão literalmente crescendo em tamanho.(11)

Existe uma segunda razão porque as cidades mundiais são tão importantes para a missão do cristianismo. Os milhões de recém-chegados às cidades em crescimento têm características que fazem deles muito mais abertos para a fé cristã do que eram antes de chegar a elas. Primeiramente, eles estão mais abertos para novas idéias e para mudanças em geral, depois de serem desenraizados do seu cenário tradicional. Em segundo lugar, eles são muito carentes de ajuda e apoio para enfrentar as pressões morais, econômicas, emocionais e espirituais da vida da cidade grande. A antiga rede de apoio dos parentes nas áreas rurais são fracas ou inexistentes, embora conte com “quase nada dos serviços governamentais" (12) no mundo em desenvolvimento. Por outro lado, as igrejas oferecem apoio comunitário, uma nova família espiritual e uma mensagem libertadora do Evangelho. "Ricas colheitas estão a espera de grupos que possam atender a necessidades dos novos cidadãos urbanos, qualquer um que possa alimentar o corpo e nutrir a alma". (13)

A necessidade de igrejas contextuais.

Entretanto, existe uma barreira muito grande para a missão urbana que não está na cidade, nem nos residentes da cidade, mas está na igreja. A sensibilidade da maioria das igrejas e dos líderes evangélicos não é urbanas e, às vezes, é até antiurbana. Muitos métodos ministeriais foram forjados fora dos centros urbanos e importados para eles, com pouca atenção dada às barreiras desnecessárias que se erguem entre habitantes da cidade e o Evangelho. Quando tais ministérios entram na cidade e se instalam, acham difícil evangelizar e ganhar seus moradores. Eles também acham difícil preparar os cristãos para a vida em um cenário pluralista, secular, culturalmente envolvente. Assim como a Bíblia precisa ser traduzida para o vocabulário dos leitores, o Evangelho precisa ser incorporado e comunicado de uma maneira compreensível para os residentes da cidade. Quais são as características de uma igreja contextualizada e nativa para a cidade?

Em um ministério urbano, as pessoas têm consciência das diferenças culturais entre grupos étnicos/raciais e classes socioeconômicas, embora quem viva em lugares mais homogêneos (qualquer lugar é culturalmente mais homogêneo do que uma cidade grande), geralmente não enxerga como muitas das suas atitudes e de seus costumes são particulares à sua raça ou classe. Em suma, líderes eficazes da igreja urbana são muito mais educados e conscientes das perspectivas e sensibilidades dos diferentes grupos étnicos, religiosos, de classes e raciais. Moradores urbanos sabem como diferentes grupos podem usar palavras idênticas para falar algo de significado diferente. Consequentemente, eles são muito circunspectos e cuidadosos ao abordarem questões que grupos raciais veem diferentemente.

Segundo, ministérios evangélicos tradicionais tendem a ajudar pouco os crentes no entendimento de como manter sua prática cristã do lado de fora das paredes da igreja, participando das artes e teatro, negócios e finanças, escola e aprendizado, governo e política. Longe dos grandes centros, pode ser mais praticável uma vida em concomitância com o discipulado cristão, que consiste em grande parte de atividades à noite ou nos finais de semana. Isso não funciona nas grandes cidades, onde as pessoas vivem a maior parte do tempo dedicadas à carreira profissional ou às longas horas de jornada de trabalho.

Terceiro, a maioria dos membros das igrejas evangélicas são da classe média em suas culturas corporativas. As pessoas valorizam privacidade, segurança, homogeneidade, sentimentos, espaço, ordem e controle. Por outro lado, a cidade grande é cheia de pessoas irônicas, irritadas, amantes da diversidade e que têm uma tolerância muito maior com ambiguidade e desordem. Se os ministros da igreja não conseguirem trabalhar dentro da cultura da grande cidade, e, em vez disso, criarem um tipo de “complexo missionário” não-urbano, vão descobrir que não conseguem alcançar, converter, nem incorporar pessoas da sua vizinhança.

Quarto, geralmente, a igreja não-urbana está situada em vizinhança razoavelmente funcional, onde os sistemas sociais são fortes ou, pelo menos, intactos. Os bairros das grandes cidades são muito mais complexos do que de outros lugares. Entretanto, ministros urbanos eficientes descobrem como interpretar sua vizinhança . Além disso, igrejas urbanas não interpretam suas vizinhanças simplesmente para atingir grupos para evangelismo, apesar de este ser um dos seus objetivos. Eles buscam maneiras de fortalecer a saúde de suas vizinhanças, tornando-as mais seguras e lugares mais humanos para se viver. Isso é buscar o bem-estar da cidade, no espírito de Jeremias 29.

Com freqüência, igrejas liberais tradicionais desenvolvem missões estritamente voltadas para a melhoria social. O objetivo delas é fazer da cidade uma sociedade mais justa e humana por meio de justiça econômica e social e do bem comum. Isto é certo em parte. Freqüentemente, igrejas conservadoras tradicionais desenvolvem missões estritamente voltadas para o crescimento da igreja. O objetivo delas é crescer e aumentar a igreja de Deus dentro da cidade grande, por meio do aumento de conversões e do poder das igrejas. Em parte, isso é correto. No entanto, estas duas coisas devem ser combinadas, porque sozinhas vão fracassar. Você não pode servir a cidade sem um número constante de novos convertidos, transformados e capacitados por uma experiência de graça: o novo nascimento. Por outro lado, o crescimento da igreja sofrerá uma interrupção se as igrejas forem cheias de pessoa que ignoram ou são hostis ao bem comum de seus vizinhos. A igreja que só “faz o bem” para os da fé, e não para “todos” (Gal 6:10) será vista (Com razão!) como tribal e sectária. Se os pagãos não virem “suas boas obras”não “glorificarão a Deus”, ou pelo menos não na mesma proporção. Ironicamente, se as igrejas urbanas colocam toda sua energia no evangelismo, e não atendem às necessidades da cidade, seu evangelismo será muito menos eficaz. Uma experiência de graça leva a uma vida dedicada a obras de serviço para o necessitado (Is 1:10-18; 58:1-10; Tiago 2:14-17). Deus disse aos israelitas que eles deveriam servir às necessidades do pobre “estrangeiro”— pode ser incrédulo — porque os próprios israelitas foram estrangeiros no Egito, mas Ele os libertou (Deut 10:19). Uma experiência de graça deve sempre levar a amar, principalmente, o seu próximo pobre e incrédulo

Biblicamente, uma experiência da graça salvadora através do evangelismo leva ao compartilhamento radical de riqueza e ajuda ao necessitado. E quando o mundo vê esse compartilhamento, que “não há pessoas necessitadas entre eles” (Atos 4:34), o testemunho evangelístico se torna mais poderoso (Atos 4:33). Assim, praticar a justiça e pregar a graça caminham de mãos dadas, não somente na experiência individual cristã, mas também no ministério e na eficácia da igreja urbana.

É necessário um movimento para alcançar uma cidade

Para alcançar uma cidade inteira é preciso que nela haja mais do que algumas igrejas eficazes ou até mesmo um reavivamento de energia e novos convertidos. Para mudar uma cidade com o Evangelho é preciso um movimento autossustentável e naturalmente crescente de ministérios e redes em torno de uma base de multiplicação de novas igrejas.

O que é isso? Cristãos vivem na cidade com uma postura de serviço. Novos negócios e organizações sem fins lucrativos renovam parte da cultura em pequenas e grandes proporções. Crentes integram sua fé ao seu trabalho para que toda vocação se torne uma atividade no reino. Campus Ministries (Ministérios de Campo) e outras agências evangelísticas produzem de forma organizada novos líderes cristãos que permanecem na cidade e se movem dentro das igrejas e networks (redes de contatos). As pessoas usam o seu poder, riqueza e influência para o bem de outras pessoas à margem da sociedade, para avançar o ministério e para plantar novas igrejas. Igrejas e cristãos individualmente apoiam e comissionam as artes. Vamos entender isso.

  1. Novas igrejas formam o coração destes ecossistemas do Evangelho. Eles fornecem o oxigênio espiritual para as comunidades e networks (redes de relacionamento) de cristãos que fazem o trabalho pesado há décadas, para renovar e redimir cidades. Estas igrejas são o principal lugar para discipulado e multiplicação de crentes, assim como o impulso financeiro para todas as iniciativas ministeriais. Este ecossistema é, portanto, uma massa importantíssima de novas igrejas. Elas devem ser centradas no Evangelho, urbanas, missionais/evangelísticas, equilibradas, crescentes e com respostas de diversas formas, superando tradições, integrando raças e classes. Esta é a essência básica do ecossistema.
  2. O ecossistema também alimenta networks e sistemas de evangelismo que alcançam populações específicas. Além do campus ministries (ministérios de campo), que são principalmente importantes como um novo impulso de desenvolvimento de liderança, outro, muito eficaz: agências evangelísticas especializadas, são necessárias para alcançar as elites, alcançar o pobre, e alcançar mulçumano, o hindu, e outros grupos culturais/religiosos específicos.
  3. Networks (redes de contato) e organizações de líderes culturais dentro de campos profissionais, como negócios, agências governamentais, universidades, artes e mídia são partes deste ecossistema também. É crucial que estes indivíduos sejam ativos nas igrejas, cuidadosamente discipulados e apoiados para a vida pública. Estes líderes também devem apoiar uns aos outros com rede de contatos e apoio em seus próprios campos, gerando novas instituições culturais e escolas de pensamento.
  4. O ecossistema também é marcado por agências e iniciativas criadas por cristãos para servirem à paz da cidade e, principalmente, ao pobre. Centenas e milhares de novas empresas e organizações sem fins lucrativos devem ser geradas para servir a todos os bairros e às populações necessitadas. Alianças de igrejas e instituições também servem às famílias e a indivíduos cristãos, e os ajudam por um longo período da vida da cidade (Ex: escolas, faculdades teológicas e outras insituições que fazem a vida da cidade sustentável para cristãos durante gerações).
  5. Além disso, este ecossistema tem redes de contatos de líderes da cidade. Líderes do movimento da igreja, teólogos/professores, presidentes de instituições, líderes culturais e patrocinadores com influência e recursos conhecem uns aos outros e fornecem visão e direção para toda a cidade

CAPE TOWN 2010 - DOCUMENTOS AVANÇADOS

Realidades Urbanas: Qual é a Missão Urbana Global de Deus?

Autor: Tim Keller
Data: 18.05.2010
Category: Missões nos Centros Urbanos

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Tipping points (Ponto da Virada)

Eventos isolados e entidades individuais cristalizam-se em um movimento autossustentável crescente quando alcançam um “ponto da virada”.

O ponto da virada do Movimento do Evangelho. Um projeto de plantio de igrejas se torna um movimento quando os elementos do ecossistema são aplicados, e a maioria das igrejas tem a vitalidade, a liderança e a concepção de plantar outra igreja em cinco ou seis anos depois da sua própria inauguração. Quando o ponto da virada é alcançado, inicia-se um movimento autossustentável. Um número suficiente de novos crentes, líderes, congregações e ministros vão sendo naturalmente produzidos para o movimento de crescimento sem nenhum centro de comando nem controle. Nos fundos da própria cidade, o corpo de Cristo produz seus próprios líderes e conduz seu próprio treinamento. Um número suficiente de líderes dinâmicos vai aparecendo. O número de cristãos e igrejas dobra a cada sete ou dez anos. Quantas igrejas devem ser alcançadas para que isso aconteça? Embora seja impossível dar um número preciso para todas as cidades e culturas, todos os elementos no ecossistema devem estar bem aplicados e muito fortes.

O ponto da virada da cidade. Um ponto da virada do movimento do Evangelho é um importante objetivo. Mas existe outro. Quando o ponto da virada do movimento do Evangelho é alcançado, pode ser que o ecossistema faça o Corpo de Cristo crescer até que o ponto da virada da cidade seja alcançado. Este é o momento em que o número de cristãos moldados pelo Evangelho em uma cidade se torna tão grande, que a influência cristã na vida social e cívica da cidade, e em toda cultura, torna-se reconhecida e reconfirmada. Por exemplo, vizinhanças continuam as mesmas se novos tipos de moradores (ricos, mais pobres ou culturalmente diferentes) compõem menos de 5 por cento da população. Alguns ministros relatam que, se nas prisões, mais de 10 por cento dos internos se tornar cristão, a cultura corporativa da prisão é mudada. O relacionamento entre os prisioneiros, entre prisioneiros e guardas... Tudo muda. Da mesma forma, quando o número de novos residentes alcança entre 5 e 20 por cento, dependendo da cultura, todo o ethos da vizinhança muda. Na cidade de Nova York, alguns grupos têm um efeito notável no modo de vida quando estes números alcançam, pelo menos, de 5 a 15 por cento e quando os membros são ativos na vida pública.

Qual é a chance de um movimento do Evangelho urbano crescer a ponto de alcançar um ‘ponto da virada’ para a mudança da cidade cada vez que o Evangelho começar a ter um impacto visível na vida da cidade e na cultura nela produzida? Sabemos que isso pode acontecer através da graça de Deus. Os livros de história dão os exemplos. Entretanto, em casos raros, líderes cristãos, como John Wesley, vivem para ver crescer o movimento que eles começaram até o ponto da eficácia. Por isso ministros urbanos devem estabelecer este objetivo e dar suas vidas a ele, mas não esperar ver o resultado em tempo aqui. Este é o equilíbrio entre expectativa e paciência de que precisamos para vencer, se quisermos ver nossas cidades amadas e alcançadas para Cristo.

  1. Citações da Bíblia da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, ©
  2. Frank Frick, The City in Ancient Israel (Tradução livre: A Cidade no Israel Antigo), citado em Harvie M. Conn e Manuel Ortiz, Urban Ministry: The Kingdom, the City, and the People of God (Tradução Livre: Ministério Urbano: O Reino, a Cidade e o Povo de Deus) (Downers Grove: Intervarsity Press, 2001), 83.
  3. Miroslav Volf, “Soft Difference”(Tradução Livre: Leve Diferença)http://www.yale.edu/faith/resources/x_volf_difference.html
  4. Thomas Schreiner defende que no Novo Testamento as pessoas glorificavam a Deus tipicamente crendo nEle (cf. Atos 13:48; Rom 4:20; 15:7,9; 1 Cor 2:7; Ef. 1:6,12,14; 2 Tess 3:1.). O que se destaca aqui é a salvação de membros pagãos da cidade porque viram a vida e o serviço dos cristãos. Ver Thomas Schreiner, 1,2 Pedro, Judas (New American Commentary) Broadman, 2003, p.124. A referência de Pedro aos pagãos que glorificavam a Deus “no dia da sua visitação” significa que muitos, no dia do julgamento, terão vindo à fé por observar a vida de cristãos.
  5. John R. W. Stott, The Message of Actos: The Spirit, the Church, & the World (Tradução livre: A Mensagem de Atos: O Espírito, a Igreja & o Mundo) (série Bible Speaks Today) (Downers Grove: InterVarsity Press, 1990), 293.
  6. Rodney Stark, The Rise of Christianity: How the Obscure, Marginal Jesus Movement Became the Dominant Religious Force in the Western World in a Few Centuries, (tradução livre: A Ascensão do Cristianismo: Como o Movimento Obscuro e Marginal de Jesus se Tornou a Força Religiosa Dominante no Mundo Ocidental em Poucos Séculos) (Harper San Francisco, 1997), 161–162.
  7. Reconheço que fatores humanos foram usados por Deus para fazer acontecer o surpreendente crescimento da primeira igreja nos seus três primeiros séculos. Houve uma crise cultural na visão global greco-romana. A adoração de antigos deuses pagãos foi morrendo. No entanto, historiadores reconhecem como foi crucial para a influência e a divulgação da igreja que ela tenha sido enraizada primeiramente em áreas urbanas.
  8. Richard Fletcher, The Barbarian Conversion: From Paganism to Christianity (Tradução livre: A Conversão dos Bárbaros: do Paganismo ao Cristianismo) (University of California, 1999.)
  9. Stott, The Message of Actos (Tradução Livre: A Mensagem de Atos), 292,
  10. Isso é verdade se for considerada uma visão restrita da população dentro dos ‘limites urbanos’ da cidade (ver www.worldatlas.com/citypops.htm) ou áreas metropolitanas ‘maiores’ (ver www.citypopulation.de/world/Agglomerations.html).
  11. Harvie Conn, The American City and the Evangelical Church (Tradução livre: A Cidade Americana e a Igreja Evangélica) (Baker, 1994),181–182.
  12. Jenkins, The Next Christendom (Tradução livre: A Nova Cristandade), 93. Deve ser observado que as cidades são atrativos para o pobre e para as minorias porque: a) oferecem mais oportunidades de trabalho do que áreas rurais; b) oferecem ‘pequenas cidades’ de pessoas do mesmo grupo étnico. Entretanto, as autoridades da cidade são geralmente hostis com os recém-chegados.
  13. Jenkins, The Next Christendom, 94.