sábado, agosto 27, 2011

Dietrich Bonhoeffer: Sermão do Monte, A mulher

Bonhoeffer trata agora de Mateus 5: 27-32. O comprometimento com Jesus não se coaduna com o desejo sem amor, não se admite a vontade ordenada pelo desejo. Ainda que seja um olhar, tal desejo exclui todo o corpo do discipulado, e o condena ao inferno, vende sua primogenitura celestial por um prato de lentilhas.

Nenhum sacrifício que o discípulo é capaz de fazer é demasiadamente grande, Cristo é maior que o olho, que a mão, a recompensa do desejo é pouca em comparação com seu prejuízo. Bonhoeffer não foge da questão da literalidade ou não das recomendações de Jesus,  ele diz que a pergunta é apenas para fugir da decisão, a pergunta é errada e má em si, porque não há resposta para ela. Se optamos pela literalidade, fazemos da vida cristã um absurdo existencial, se, por outro lado, dizemos que é só uma imagem, não damos seriedade aos mandamentos.  Assim, somos confrontados e sendo necessário obedecer,  não impõe aos discípulos o jugo insuportável, mas os ajuda misericordiosamente no Espírito.

Para Bonhoeffer, Jesus santifica o matrimônio, declarando-o indissolúvel e negando a possibilidade de um segundo matrimônio para o adúltero. Liberta o casamento do desejo egoísta, e o entende como serviço de amor, o discípulo deve confirmar seu total comprometimento com Cristo.

A carta de divórcio tem explicação  em Mt. 19.8, por causa da dureza de coração foi permitido aos israelitas fazerem uso da carta, apenas pra preservar o coração de uma indisciplina ainda maior. 

Jesus procura a pureza total,  a castidade de seus discípulos,  liberta da pornéia,  da prostituição dentro e fora do casamento, 1Co. 6.13-15, trata-se de uma poluição não apenas do próprio corpo, mas do Corpo de Cristo.  A contemplação do corpo crucificado de Jesus dado em nosso favor e a comunhão com ele, dão ao discípulo a força para castidade  que Jesus demanda.



sexta-feira, agosto 26, 2011

KARL BARTH: Revelação de Deus como sublimação da Religião (passagens)


KARL BARTH – REVELAÇÃO DE DEUS COMO SUBLIMAÇÃO DA RELIGIÃO Fonte Editorial, 2011
                                                
1.       O problema da religião na teologia.
“Afirmar que tudo isso se deu ao lado ou fora do cristianismo  significa que reconhecemos que Deus, por sua revelação, entrou numa esfera em que sua realidade e possibilidade desapareceram num mar de paralelos e analogias com o cristianismo mais ou menos precisos, mas que fundamentalmente não podem ser negados” p. 21

“Jesus Cristo, uma vez por todas e em todos os aspectos, teve lugar a decisão divina sobre o homem. Jesus é, precisamente, o Senhor do homem. O homem é propriedade de Jesus Cristo, para que dessa forma viva em seu Reino e, submetido a ele, lhe sirva, de tal maneira que já não pertença a si mesmo, mas sim que pertença a Cristo, se único consolo na vida e na morte” p. 27
“O pecado foi, original e essencialmente, falta de fé, desprezo por Cristo, que começa exatamente na hora em que não se lhe admite como único e como o todo, e quando há um oculto descontentamento de sua soberania e de seu consolo” p. 29
“Revelação é ação soberana de Deus no homem. Se não , não é revelação.” P. 32
“Quando se chega a confrontar e discutir o que não se pode confrontar e discutir, liquida-se a revelação, embora com palavras afirmemos o contrário” p. 33
“Para permanecer na analogia fidei e não abandonar o plano teológico, deve-se orientar sobre a noção cristologica da encarnação da palavra, da assumptio carnis. Revelação divina e religião humana estão unidas da mesma maneira que esta unido, o homem e Deus em Jesus Cristo, em virtude de um evento” p. 35
“Tendo presente a doutrina cristologica da assumptio carnis e fazendo uma aplicação ad sensum, acreditamos poder falar de revelação como abolição da religião”. P.36

2.       2. Religião como incredulidade.
A tese principal de Barth é que a religião é o fato do homem sem Deus, "A religião é incredulidade. A religião é conjuntura. É preciso dizê-lo com toda a clareza: é o fato do homem sem Deus" p. 41
"O que existe aqui expressado fundamentalmente é o juízo condenatório que a revelação faz da religião, de toda religião. Certamente esse juízo, em última instância, pode ser clarificado e desenvolvido, mas de modo nenhum pode ser provado por princípio algum, nem sequer deduzido da revelação, nem tampouco seguindo a fenomenologia ou a Filosofia da religião" p. 43

"A revelação é o uma automanifestação de Deus. Ele se dá a conhecer a si mesmo. A revelação apresenta ao homem, como suposto e como confirmação, o fato de que as tentativas humanas para conhecer a Deus por seus próprios méritos são vãs" p. 44

"A religião, considerada a partir da revelação, aparece como a esforçada tentativa que o homem faz captar precisamente aquilo que Deus manifesta. É uma tentativa que pretende substituir a ação divina, convertendo-a em um fazer humano(...) "O espírito do homem é uma máquina constante de fabricar ídolos. O homem se atreve a tentar expressar suas loucuras que tem concebido a respeito de Deus. Por isso, o espírito humano cria ídolos e a mão os ilumina (Calvino, Instituta, I,18)""Acontece, pois, que Deus, ao condenar as imagens, não faz comparações entre elas para saber qual é boa ou má, sem exceção reprova todas as estátuas, pinturas e outras figuras por meio das quais os idolátras têm procurado fazer dele (Deus) seu próximo (Calvino, Institutas, I,11) "Tudo que os homens falam por meio de suas mentes é derrubado e amontoado, porque somente Deus é testemunha suficiente de si mesmo(Calvino, Institutas,ibidem)" p. 45-46

Assim, a religião criada pelos homens, para Karl Barth, é uma contradição feita à revelação, vai contra a revelação porque a verdade somente se pode chegar ao homem por meio da verdade. Ao tentar por si só, o homem peca, e não é levado pela verdade. Na religião, o homem fala, não escuta. Porque o homem tenta capturar Deus, e a religião consistiria nesta tentativa de capturação, enquanto que a revelação não é isto. Para ele, é a expressão da incredulidade humana, é a atitude do homem e sua ação opondo-se a fé, que recebe a revelação.

"O Deus de Israel não poderia ser representado por nenhuma obra humana, porque seu nome é santo e ao longo de toda a sua obra, em sua revelação, em sua ação como o Senhor da Aliança, em sua Palavra transmitida pelos profetas, é sempre ele mesmo, o autor do testemunho que ele se dá, ou seja, seu próprio mediador(...)Porque Israel participa da revelação de Deus por si mesmo, lhe é proibido tanto tomar parte na idolatria das religiões pagãs como fazer para si uma imagem de YAHWEH e adorá-la. Tanto em um caso como no outro é o próprio YAHWEH quem é esquecido" p.49

"A graça revela que não existimos senão em oposição à verdade e que, nessa, oposição, a negamos e traímos (...)No momento em que penetram a luz da mensagem da graça, esse testemunho desperta, fala, chega a ser testemunho contra eles mesmos, os torna inescusáveis diante de Deus, o mesmo que chega a seu encontro na revelação (Rm. 1,20)" p. 51

"porque Cristo nasceu, morreu e ressuscitou, já não há paganismo abstrato, fechado e tranquilo. E porque esse Cristo é o conteúdo de sua mensagem, paulo pode dizer aos pagãos que pertencem a Deus e que o conhecem, que na verdade se lhes manifesta e que lhes tem manifestado nas obras da criação como Deus cujo poder eterno e divindade são precisamente os de Jesus Cristo" (p. 54)

Sobre o  texto de Romanos 1:20 e 1:28 - Barth diz que "Para Paulo não há, pois, lugar para apelação a um conhecimento imediato de Deus, do qual se beneficiam os pagãos desde a  criação do mundo, e ainda menos se apoiar pedagogicamente nesse pretendido conhecimento para evangelizá-los" p. 55

"A revelação é, enquanto manifestação de Deus, o ato mediante o qual o homem, de graça e pela graça, é reconciliado com Deus....Somente na revelação, isto é, em Jesus Cristo, pode o homem recobrar a situação que perdeu; e isso de maneira totalmente nova...A revelação de Deus em Jesus Cristo significa que nossa justificação e nossa santificação, que nossa conversão e nossa salvação foram realizadas  plenamente de uma vez por todas em Jesus Cristo. Nossa fé em Jesus Cristo consiste, precisamente em reconhecermos e termos por válido que tudo isso aconteceu. Ou seja, nossa salvação de uma vez por todas em Jesus Cristo"p. 57

Karl Barth coloca que a piedade como busca de Deus através de nossos próprios esforços é errada a Deus, porque a idolatria é tanto pressuposto como a consequência dessa postura. O homem deve alcançar a um fim que ele mesmo se propõe, ou seja, contrário ao próprio Deus. Para se chegar a Deus, o homem deve experimentar uma ruptura, ou em termos kierkegaardianos, "dar um salto que supere seu caminho no terreno dos sonhos religiosos" p. 59 

O ateísmo na concepção de Barth -
"O ateísmo vive em seu não e de seu não. Não tem razão de ser mais que esvaziar e destruir até o infinito. Por isso, antes ou depois ele cai no vazio. Mas, de qualquer maneira, há um segundo aspecto no ateísmo que nós devemos destacar: é muito mais puro e mais consequente que o misticismo no que toca a negação da religião enquanto tal, à negação de Deus e de sua lei. No ateísmo é mais patente o sentido que tem a crítica como ataque ao que o homem pensa e afirma,e que agora se apresenta como indigno de ser crido e afirmado: o dogma e a certeza" p.80

3. A VERDADEIRA RELIGIÃO


















domingo, agosto 14, 2011

Missão, igreja

A Igreja, como a comunidade de pecadores justificados, a comunhão dos libertados por Cristo, que experimentam a salvação e vivem em ação de graças,está a caminho de realizar o sentido da história de Cristo. Com seus olhos fixos em Cristo, ela vive no Espírito Santo e, assim, ela mesma é o começo e penhor do futuro da nova criação. 


jurgen MOLTMANN




Na história, existe uma contínua mistura de bem e mal, em cada grupo, em cada agência que promove o processo histórico, em cada período, em cada atualização histórica. A Igreja... representa o Reino de Deus na história. Ela mesma não é o Reino, mas seu agente, sua antecipação, sua realização fragmentária. A Igreja luta nessa história; e, como representa o Reino de Deus, pode ser distorcida, mas não eliminada


PAUL tILLICH

sexta-feira, agosto 12, 2011

Dietrich Bonhoeffer: Sermão do Monte - O Irmão




Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno. Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil. Mateus 5:21-26


Bonhoeffer continua a falar sobre o sermão do monte, em especial, quanto a interpretação de Jesus a respeito da justiça divina e a lei.  Jesus continua sua unidade com a lei mosaica, mas ao mesmo tempo, deixa completamente claro que ele é o Filho de Deus, o senhor e doador da lei. 

O erro pecaminoso dos fariseus é que falta Cristo, somente nele a lei se torna verdadeiro conhecimento, se torna verdade. Contudo, ao unir-se desta forma com a lei a pessoa se torna inimigo  de uma interpretação falsa dos zelosos da lei. A lei proíbe de matar e os encomenda a cuidar do irmão, a vida do irmão depende de Deus está em suas mãs, somente ele tem o poder sobre a vida e a morte. O assassino não tem lugar na comunidade de Deus.

É muito interessante este ponto do Discipulado, e pensar na vida do próprio Bonhoeffer como ele teve que se explicar ao tramar o assassinato de Hitler, para saber mais sobre isto vale a pena ler a biografia de Eric Metaxas.

Voltando ao texto do Discipulado, o irmão não é apenas aquele que está na comunidade cristã somente. O seguidor de Jesus está proibido de matar, sob pena do juízo divino. A vida do irmão é uma fronteira que não pode ser ultrapassada. Toda ira vai contra a vida alheia, que despreza o outro, buscando aniquila-la, não há diferença entre a ira justa e injusta. O discípulo não pode conhecer a cólera, porque seria contra Deus e contra o irmão. A palavra que nos escapa, que damos pouca importância, revela que não respeitamos o outro, que nós nos temos superiores e valorizamos nossa vida acima da deles.

O insulto premeditado rouba do irmão sua honra, busca deprecia-lo frente aos demais, busca com ódio o aniquilamento de sua existência interna e externa, isso constitui um assassinato. 

JORGE PINHEIRO:Deus é brasileiro

Alguns trechos do livro...

"podemos falar da universalidade da graça, presente na comunidade humana e na especificidade da graça, que infalível segue a boa vontade humana" p. 25


"Há aqui uma imagem da Trindade. Deus é a fonte do amor, o Logos e o conhecimento, e este conhecimento vem através da palavra. Ao orar por crescimento no amor e no conhecimento da palavra. Paulo fala de percepção, ou seja, de compreensão, de discernimento. O Espírito é quem dá a percepção espiritual e o discernimento, aquilo que está além do que o olho pode ver.  Tudo isso vem através da vida. A pessoa cresce vivendo, não somente através de um processo intelectual, mas na comunhão com  Deus e com a comunidade" p.27


de Mark C. Taylor vem o conceito de IMAGOLOGIA -"a identidade do texto não pode ser encarada como uma forma de ser plena e apriorística, mas como realidade dinâmica e relacional, onde se cruzam questões de identidade textual e comunitária, o que também se dá na virtualidade, que acaba sempre por revelar uma dimensão estrangeira, que é manifestação do outro" p.43

"Uma relação de significado em que o ser humano opera como ser significante e o novo como ser significado. Desta forma, a revelação não se processa entre realidades ahistóricas, mas em relação espacial e temporal, exigindo para que a interação humano e realidade se estabeleça que haja algo maior, alguma coisa além de ambos, não causal, mas essencial" p 57

"Reino de Deus significa também a chamada a um posicionamento transcendente, de resistência ao impacto da violência histórica, o que deve levar a comunidade de fé a elaborar uma mensagem de esperança para o mundo" p.70

"Autonomia é o momento supremo da razão e da imamência, e é a partir daí que o Reino de Deus vai construir um sentimento unitário da vida e do mundo, embora sua originalidade não se limite aos conceitos, mas à experiência vivida. A luta dos cristãos e da religiosidade humana contra a alienação e exclusão social vão gerar consciencia solidária e sentimento universal de humanidade" p.78

"a santificação da vida cultural não será possível sem uma concentração dos elementos religiosos mais expressivos da cultura e da sociedade, sem a constituição de comunidades que estejam imbuídas em levar e transmitir a experiência religiosa às gerações futuras" p. 81


quinta-feira, agosto 11, 2011

Use a Palavra na Criação de Filhos


Use a Palavra na Criação de Filhos

 

Thabiti Anyabwile

Thaibiti Anyabwile – é o pastor da Primeira Igreja Batista, nas Ilhas Grand Cayman. Ele possui bacharelado e mestrado em psicologia obtidos na North Carolina State University. Serviu como pastor assistente na Capitol Hill Baptist Church, em Washington D.C. Thabiti tem sido convidado como preletor em diversas conferências e seminários nos Estados Unidos e em outros países, é autor de artigos teológicos e livros, um deles, "O que é um membro de Igreja Saudável?", está no prelo pela Editora Fiel. Ele e sua esposa, Kristie, têm três filhos. 

Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus (Salmos 78.5-8).
O Senhor Deus do céu proveu graciosamente sua Palavra (seu "testemunho" e "lei") como uma estratégia e conteúdo fundamental para a criação de filhos (v. 5). Ele "ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos". Vemos o mesmo propósito em Deuteronômio 6.
Por que Deus manda seu povo ensinar sua Palavra, em vez de alguma outra metodologia ou assunto, para instruir a descendência piedosa que ele promete (Ml 2.15)? Por que não vídeo games? Por que não escolas públicas ou particulares? Por que não a aplicação das últimas descobertas da psicologia, sociologia, teoria educacional ou auto-ajuda? Por que os pais não devem simplesmente delegar isso aos mais bem preparados, mais bem educados, mais bem vestidos e mais requintados?
Parece que Deus designa sua Palavra e, especificamente, a paternidade realizada sob a direção de sua Palavra para cumprirem vários objetivos:
1) Para que gerações de famílias – e não apenas indivíduos – conheçam seu testemunho e sua lei (v. 6). Deus tem uma visão de que nossas famílias conheçam e andem em sua Palavras, de geração em geração. Deus planejou a família como a única instituição que deve levar avante esse propósito que inclui múltiplas gerações. O único conjunto consistente de relacionamentos que alcança as gerações são os relacionamentos de avós-pais-filhos-netos. Timóteo é nosso exemplo: "Pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti... Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus" (2 Timóteo 1.5; 3.14-15).
2) Para que nossos filhos ponham sua confiança em Deus (v. 7a). Como pais cristãos, "temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis" (1 Tm 4.10). Não temos "maior alegria do que esta, a de ouvir que" nossos "filhos andam na verdade" (3 Jo 4). É a Palavra de Deus que pode tornar nossos filhos sábios para a salvação, por meio da fé em Jesus Cristo. As Escrituras dão testemunho de Cristo e nelas está a vida eterna. Se o alvo de nossa criação de filhos se conforma com o alvo de Deus para a nossa criação de filhos, então devemos usar a Palavra de Deus resoluta e fielmente para incentivar nossos filhos a colocarem sua esperança em Deus. As escolas ensinam nossos filhos a terem esperança na educação. Música e entretenimento ensinam nossos filhos a terem esperança na popularidade e serem "legais". Os gurus de auto-ajuda ensinam nossos filhos a terem esperança em si mesmos. Mas nós proclamamos: alguns confiam em carros, outros, em cavalos, nós, porém, confiamos em o nome do Senhor, nosso Deus! Isso é a chave da paternidade bíblica e da esperança de cada pai e mãe crente. Portanto, devemos ensinar aos nossos filhos a Palavra de Deus em e como nossa paternidade.
3) Para que nossos filhos não esqueçam as obras de Deus (v. 7b). Em Salmos 78.9-10, logo depois da grande afirmação do desejo de Deus nos versículos 5 a 8, a Palavra de Deus nos diz que os efraimitas "não guardaram a aliança de Deus, não quiseram andar na sua lei; esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes mostrara". Esquecer a Deus é a coisa mais perigosa na desobediência. Que obras grandiosas Deus havia realizado na criação e libertação! É uma coisa surpreendente que essa Realidade fosse esquecida! Mas nós esquecemos. Nossos filhos esquecem. Retemos coisas triviais (brincadeiras favoritas, listas de compras, etc.), enquanto temos pensamentos vagos sobre Deus. Nosso esquecimento é nossa reversão pecaminosa à bestialidade. Mas nossa lembrança é nosso esforço ativo em direção à piedade. Lembrar é uma obra capacitada e impulsionada pela graça de Deus, por meio de sua Palavra. Se nossos filhos devem lembrar-se de Deus, o que ele ordena e deseja, eles precisam manter os registros da obra e da pessoa de Deus gravados em sua mente. Portanto, devemos exercer a paternidade pelo ensino das Escrituras Sagradas aos nossos filhos, para que eles não esqueçam.
4) Para que nossos filhos guardem os mandamentos de Deus (v. 7c). A Bíblia mantém uma forte conexão entre o lembrar e o obedecer (ver, por exemplo, Dt 8.11-20). Não podemos obedecer o que esquecemos habitualmente. Há uma afirmação óbvia na psicologia organizacional que diz: "O que é medido é feito". Medir auxilia a lembrança, que, por sua vez, impele a realização. Os evangélicos ficam nervosos sempre que a obediência entra na discussão espiritual. Mas não devemos. Tão naturalmente quanto esperamos que nossos filhos nos obedecem, devemos esperar que obedeçam a Deus e exortá-los a isso – não por causa de justiça, mas por causa de amor. Três vezes o Senhor disse aos seus discípulos: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos" (Jo 14.15, 21, 23). A obediência é o fruto excelente de um raiz de amor. Havendo ensinado nossos filhos a colocarem sua confiança no Senhor, por meio da fé em Cristo, não ousamos torná-los pequenos antinomianos, negando o lugar do mandamento, da lei e da obediência em seguir o Salvador. Queremos que eles sejam santificados na verdade – a Palavra de Deus é a verdade. Queremos que eles sejam conformados, pela graça de Deus, mediante a fé, à semelhança do Salvador. Precisamente porque o Senhor Jesus Cristo é a nossa santidade (Hb 10.14), queremos que nossos filhos sigam a santidade por meio da fé e da obediência motivadas por graça.
5) Para que nossos filhos não sejam obstinados e rebeldes, e sim firmes e fiéis (v. 8). Oh! que vejamos nossos filhos andando na verdade, e nunca se desviem para a esquerda ou para a direita, nunca tenham um coração frio, nunca sejam tentados pelas canções sedutoras do mundo ou caiam no laço do Diabo! Oramos assim. Mas devemos, também, ensinar a Palavra de Deus com esta esperança e visão de firmeza e fidelidade. A exortação de Hebreus 3.12-14 se aplica muito bem à criação de filhos: "Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos". Substitua a palavra "irmãos" por "pais" ou substitua "mutuamente" por "filhos", e assim temos ordens para encorajar nossos filhos diariamente na Palavra de Deus.
Que o Senhor nos torne fiéis no ensino de sua Palavra aos filhos que ele confiou ao nosso cuidado. A Palavra de Deus não volta vazia. Creiamos nela e a usemos no criar os nossos filhos!
______________________
Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright© Thabiti Anyabwile 2011
Copyright© Editora Fiel 2011
Traduzido do original em inglês: Use the Word in your Parenting – Extraído do Blog The Gospel Coalition.
fonte: editora fiel

quarta-feira, agosto 10, 2011

segunda-feira, agosto 08, 2011

Paul Tillich: The Shaking of the Foundations

E assim Ele lhes perguntou, "Quem você diz que eu sou? " Essa é a pergunta que é colocada antes de cada cristão em todos os tempos. É a pergunta que é colocada antes da Igreja como um todo, porque a Igreja é construída sobre a resposta a esta pergunta, a resposta de Pedro: ". Tu és o Cristo" Pedro não se limitou a adicionar outra, e mais elevada nome, para os nomes dados pelo povo. Pedro disse: "Tu és o Cristo". Nestas palavras ele expressou algo que era totalmente diferente do que o povo tinha dito. Ele negou que Jesus foi um precursor, ele negou que alguém deve ser esperado. Ele afirmou que o fator decisivo da história tinha aparecido, e que o Cristo, o portador do novo, havia chegado neste homem Jesus, que estava andando com ele ao longo de uma estrada poeirenta aldeia ao norte da Palestina.



A grandeza ea tragédia do momento em que Pedro proferiu estas palavras são visíveis na reação de Jesus: Ele os proibiu de contar a ninguém sobre ele. O caráter messiânico de Jesus era um mistério. Ele não quis dizer a Ele o que significava para o povo. Se o ouviram chamar-se Cristo, eles teriam esperado tanto um grande líder político ou uma figura divina que vem do céu. Ele não acreditava que uma ação política, a libertação de Israel e do esmagamento do Império, poderia criar uma nova realidade na Terra. E Ele não podia chamar-se o Cristo celeste sem parecer blasfêmia para aqueles que, por necessidade, mal-Lo. Porque Cristo não é nem o "rei de paz" político a quem as nações de toda a história esperado, e quem esperamos hoje, assim como ardor, nem é Ele o "rei da glória" celestiais quem os visionários muitos dos seus dias esperado, e que nós também esperam hoje. Seu mistério é mais profundo, que não pode ser expressa através de nomes tradicionais. Ela só pode ser revelada pelos acontecimentos que viriam depois a confissão de Pedro: o sofrimento, morte e ressurreição. Talvez se ele deve aparecer hoje, Ele seria proibir os ministros da Igreja Cristã falar dele por um longo tempo."Ele os proibiu de contar a ninguém sobre ele." Nossas igrejas falam d'Ele, dia após dia, domingo após domingo, um pouco mais em termos de política do rei de paz, um pouco mais em termos do rei celestial de glória. Eles chamam Jesus Cristo, esquecendo-se, e fazendo-nos esquecer, o que significa dizer: Jesus é o Cristo. O evento mais incrível e humanamente impossível - um rabino judeu errante é o Cristo - tornou-se natural para nós. Vamos, pelo menos, às vezes, lembrar a nós mesmos e nosso povo que Jesus Cristo significa Jesus que se diz ser o Cristo. Peçamos a nós e aos outros ao longo do tempo se podemos seriamente concordar com exclamação extática Pedro, se estamos igualmente dominado pela mistério deste homem. E se não podemos responder afirmativamente que não deveríamos, pelo menos, ficar em silêncio, a fim de preservar o mistério das palavras, em vez de destruir o seu significado por nossa conversa comum?

O Cristo deveria sofrer e morrer, porque sempre que o Divino aparece em toda a sua profundidade, não pode ser suportado pelos homens. Ele deve ser empurrado pelos poderes políticos, as autoridades religiosas, e os portadores da tradição cultural. Na imagem do Crucificado, olhamos para a rejeição do Divino pela humanidade. Vemos que, neste rejeição não, o mais baixo, mas os mais altos representantes da humanidade são julgados. Sempre que o Divino aparece, é um ataque radical em tudo que é bom no homem e, portanto, o homem deve repeli-lo, deve afastá-la, deve crucificar-lo. Sempre que o Divino se manifesta como a nova realidade, deve ser rejeitado pelos representantes da velha realidade. Para o Divino não completa o ser humano, que se revolta contra os humanos. Por causa disso, o ser humano deve defender-se contra ela, deve rejeitá-la, e deve tentar destruí-lo.



No entanto, quando o Divino é rejeitada, leva a rejeição a si mesma. ele aceita a nossa crucificação, afastando a nossa, a defesa de nós mesmos contra ela. Ele aceita a nossa recusa a aceitar e, assim, conquista-nos. Que é o centro do mistério de Cristo. Vamos tentar imaginar um Cristo que não morreria, e quem viria em glória para impor-nos o Seu poder, Sua sabedoria, sua moralidade, e Sua piedade.Ele seria capaz de quebrar nossa resistência pela Sua força, pelo Seu governo maravilhoso, por sua sabedoria infalível, e por Sua perfeição irresistível. Mas Ele não seria capaz de vencer os nossos corações.Ele traria uma nova lei, e imporia sobre nós por Seu todo-poderoso e todo-perfeito Personalidade. Seu poder iria quebrar a nossa liberdade; Sua glória iria esmagar-nos como um sol ardente, cegando, a nossa própria humanidade seria engolido em Sua Divindade. Uma das percepções mais profundas de Lutero era que Deus se fez pequeno por nós em Cristo. Ao fazer isso, Ele nos deixou a nossa liberdade e nossa humanidade. Ele nos mostrou o Seu Coração, para que nosso coração poderia ser ganha.
Quando olhamos para a miséria do nosso mundo, sua maldade e seu pecado, especialmente nestes dias que parecem marcar o fim de um período de mundo, temos muito tempo para a interferência divina, para que o mundo e seus governantes demoníacos pode ser superado. Ansiamos por um rei de paz dentro da história, ou para um rei da glória acima da história. Ansiamos por um Cristo de poder. No entanto, se Ele viesse e transformar-nos e ao nosso mundo, teríamos de pagar a um preço que não poderíamos pagar: teríamos que perder nossa liberdade, nossa humanidade e nossa dignidade espiritual.Talvez devêssemos ser mais feliz, mas também devemos ser seres inferiores, a nossa miséria actual, luta e desespero, não obstante. Deveríamos ser mais como animais abençoados que os homens feitos à imagem de Deus. Aqueles que sonham com uma vida melhor e tentar evitar a Cruz como um caminho, e aqueles que esperam por um Cristo e tentativa de excluir o Crucificado, não têm conhecimento do mistério de Deus e do homem.


Eles são os que devem considerar Jesus como apenas um precursor. Eles são os únicos que devem esperar que outros com maior poder de transformar o mundo, outros com maior sabedoria para mudar os nossos corações. Mas mesmo o maior em poder e sabedoria não poderia revelar mais plenamente o coração de Deus eo coração do homem do que o Crucificado já fez. Essas coisas foram revelados uma vez por todas. "Tudo está consumado". No rosto do Crucificado todos os "mais" e todos os "menos", todo o progresso e todos aproximação, são sem sentido. Portanto, podemos dizer dele sozinho: Ele é a nova realidade, Ele é o fim, Ele é o Messias. Ao Crucificado só podemos dizer: ". Tu és o Cristo"


quinta-feira, agosto 04, 2011

Dietrich Bonhoeffer: Sermão do Monte, A Justiça de Deus

Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. (Mateus 5:17-20)
Não é estranho que ao ouvir essas promessas, alguns pensassem que havia chegado ao fim a lei. Tinham conseguido tudo pela graça de Deus, eram herdeiros do reino dos céus, sal e luz do mundo, tinham a comunidade plena e pessoal com Cristo, por isto, o antigo havia passado. 
Os judeus não acreditavam nele, por isso deviam recusar sua doutrina da lei como uma ofensa a Deus, isto é, uma ofensa a lei de Deus. Jesus morre na cruz como um blasfemo, como um transgressor da lei, por haver revalorizado a verdadeira lei ante a falsa e mal interpretada.

O cumprimento da lei somente poderia ser cumprido com a sua morte na cruz como pecador, Ele mesmo crucificado é o cumprimento pleno da lei. Por isto, ele diz que ele veio cumprir a lei, porque somente ele vive em plena comunhão com Deus.  O caminho dos discípulos até a lei passa pela cruz, assim eles também a cumprem.
Devem recusar a vinculação sem lei, porque seria fanatismo, em lugar de autêntica união. Se eliminarmos a preocupação dos discípulos de que a vinculação a lei os separa de Jesus, esta é uma afirmação errada da lei, em lugar disto, fica clara que a autêntica união com Jesus somente pode ser alcançada estando vinculado a lei de Deus.

É verdade que Jesus está entre os discípulos e a lei, para revalorizar suas exigências, a idéia é que cumprem e ensinem a lei,  há uma ação, como ele a cumpriu. Quem permanece junto dele no seguimento, cumpre a lei, a observa e ensina no seguimento. Somente quem coloca em prática pode permanecer em comunhão. Não é a lei que os distingue dos judeus, senão justiça dos discípulos, que é algo extraordinário e especial. 

Os fariseus nunca caem em erro, contrário a Escritura, de que a lei apenas ensinavam, mas não cumpriam. O fariseu queria ser observante da lei, sua justiça consistia no cumprimento literal,  sua justiça era ação. A observância dos discípulos supera porque sua justiça era perfeita, porque entre eles e a lei está a comunhão com Cristo, que cumpriu perfeitamente a lei.


Antes mesmo de obedecer a lei, já estão cumpridas e satisfeitas suas exigências, a justiça que a lei exige já está presente, a justiça de Jesus que caminha até a cruz por amor a lei. Jesus não somente tem a justiça, como ele mesmo a é, e assim, a justiça dos discípulos, por sua chamada, os faz particípes de sua pessoa. Esta justiça melhor é aquela dada pelo seguimento, que recebe as bem-aventuranças. A justiça dos discípulo está debaixo da cruz.


É  a justiça dos pobres, combatidos, famintos, mansos, pacíficos, perseguidos por amor a Cristo, a justiça visível dos que são luz do mundo e cidade sobre o monte. Ela é melhor por causa da comunhão com Cristo, que cumpriu a lei, é autêntica porque agora eles cumprem a vontade de Deus observando a lei, não só ensinando-a como a cumprindo. Tudo isto, segundo Bonhoeffer pode ser sintetizado numa palavra: seguimento. Na participação real e sincera pela fé na Justiça de Cristo, que é a nova lei, a lei de Cristo.

Richard J. Foster: Celebração da Simplicidade



DISCIPLINA DA SIMPLICIDADE 

“Aquilo que fazemos não produz em nós a simplicidade, mas nos posiciona no lugar em que podemos recebe-la: Diante de Deus, de modo que ele possa operar em nós a graça da simplicidade” Liberdade da Simplicidade, p. 25 

“A dependencia radical de toda a criacao em relacao a Deus é o conceito basico para a compreensão da simplicidade. Ninguem possui existencia independente nem capacidade de auto-sustentacao. Tudo que somos e possuímos é por derivação” p. 37 

Simplicidade é liberdade. Duplicidade é servidão. A simplicidade traz alegria e equilíbrio. A duplicidade traz ansiedade e temor. O pregador de Eclesiastes observou que “Deus faz o homem reto, e este procura complicações sem conta” (Eclesiastes 7:29, Bíblia de Jerusalém). 

O experimentar a realidade interior liberta-nos exteriormente. O linguajar torna-se veraz e honesto. A cobiça de “status” e posição passou, porque não mais necessitamos deles. Paramos com a extravagância pomposa, não porque não possamos dar-nos a esse luxo, mas por uma questão de princípio. Nossos bens se tornam disponíveis aos outros. Juntamo-nos à experiência que Richard E. Byrd registrou em seu diário, após meses de solidão no estéril Ártico: “Estou aprendendo... que um homem pode viver intensamente sem grande quantidade de coisas.” 

Jesus declarou guerra ao materialismo do seu tempo. O tremo aramaico para riqueza era “mamom”, e Jesus condenou-a como um deus rival: “Nenhum servo pode servir a dois senhores; porque, ou há de aborrecer um ou amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Lucas 16:13) 

A simplicidade é a única coisa que pode adequadamente reorientar nossas vidas de sorte que as posses sejam autenticamente desfrutadas sem destruir-nos. Sem a simplicidade, ou capitularemos ao espírito de “Mamom” da presente era má, ou cairemos num ascetismo legalista e anticristão. Ambas as situações levam à idolatria. Ambas são espiritualmente fatais 

A Disciplina Espiritual da simplicidade provê a necessária perspectiva que nos liberta para receber a provisão de Deus como um Dom que, por não ser nosso, não devemos guardar, mas que pode ser gratuitamente partilhado com outros. Uma vez que reconhecemos que a Bíblia denuncia os materialistas e os ascetas com igual vigor, estamos preparados para voltar nossa atenção à estrutura de um entendimento cristão da simplicidade. 

Como Jesus deixou muito claro em nosso texto central, estar livre de ansiedade é uma das provas interiores de que estamos buscando o reino de Deus em primeiro lugar. A realidade interior da simplicidade envolve uma vida de alegre despreocupação com os bens materiais. Nem o ganancioso nem o avarento conhecem essa liberdade. Ela não tem nada que ver com a abundância ou com a falta de posses. É uma atitude interior de confiança. O simples fato de uma pessoa viver sem a posse de bens materiais não é garantia alguma de que esteja vivendo em simplicidade. Paulo ensinou que o amor do dinheiro é a raiz de todos os males, e muitas vezes os que menos o têm amam-no ao máximo. É possível a uma pessoa estar desenvolvendo um estilo de vida exterior de simplicidade e viver cheia de ansiedade. Inversamente, a riqueza não liberta da ansiedade. 

A Expressão Exterior da Simplicidade 

Em primeiro lugar, compre as coisas por sua utilidade e não por seu “status”. 

Segundo, rejeite qualquer coisa que o esteja viciando. Aprenda a distinguir entre a verdadeira necessidade psicológica, como ambientes alegres e o vício. 

Terceiro, crie o hábito de dar coisas. Se você acha que se está apegando a alguma posse, considere dá-la a alguém que necessite. 

Quarto, recuse ser dominado pela propaganda dos fabricantes de bugigangas modernas 

Quinto, aprenda a desfrutar das coisas sem possuí-las. Possuir coisas é uma obsessão de nossa cultura. Se as possuímos, achamos que podemos controlá-las; e se podemos controlá-las, sentimos que nos darão maior prazer. 

Sexto, desenvolva um apreço mais profundo pela criação. Aproxime-se da terra. 

Sétimo, olhe com cepticismo saudável todos os planos de “compre agora, pague depois”. 

Oitavo, obedeça às instruções de Jesus sobre a linguagem clara, honesta. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim: não, não. O que disto passar, vem do maligno” (Mateus 5:37). 

Nono, recuse tudo quanto gere a opressão de outros. 

Décimo, evite qualquer coisa que o distraia de sua meta principal.

terça-feira, agosto 02, 2011