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sexta-feira, maio 18, 2012

Como ler a Bíblia lendo Jesus.

Este texto busca ser uma ajuda para ler a bíblia como uma escritura cristã, há mais livros e autores que aprofundam este assunto, você pode e deve consultá-los:

Pregação Cristocêntrica - Brian Chappel.
Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento - Sidney Greiadnus
Preaching Christ in All Scripture- Edmund Clowney
Deuses Falsos - Timothy Keller

Antes de entender como funciona esta leitura, deve-se ter uma clareza da noção do evangelho versus religião (ou moralismo). O Evangelho é Deus em busca do homem para salva-lo e redimi-lo. A religião é o homem que busca Deus através de seus esforços. Então, podemos que existem dois modos de como podemos encarar a leitura da Bíblia.

Estas simples idéias já definem os nossos pressupostos de como leremos a Bíblia, se entendemos a vida cristã como a religião define, estamos em busca de princípios para viver e assim, alcançar a Deus. Agora, se temos uma clara noção do evangelho, notamos que a Bíblia não fala de nós, mas de como Deus nos buscou e encontrou, então, o personagem principal é Jesus Cristo.

Por isto também, o evangelho é um evento histórico de boa nova, algo que já aconteceu em nosso favor pela obra perfeita e redentora de Cristo e não é uma coisa que precisamos construir com nossos esforços. 

Assim, se lemos a bíblia como o famoso manual do fabricante com as regras que Deus deu para alcançar a Ele perdemos toda a obra de Cristo em nosso favor. Jesus é seu modelo, seu mestre, seu chefe mas nunca será seu salvador, seu redentor, enfim, seu amor e vida.



1. Evitando uma leitura moralista.

O grande erro que podemos cometer ao ler e interpretar um texto bíblico é não enxergar a presença de Jesus Cristo nele, isto fica claro como ensina Bryan Chapell de quatro modos dos fatais SEJA, FAÇA, MUDE e DISCIPLINE-SE:

“Mensagens que exortam a ser como, que concentram a atenção dos ouvintes sobre um personagem bíblico, à medida que o pregador os exorta a serem como aquela pessoa ou como alguém aspecto da sua personalidade (...) Simplesmente dizer às pessoas que imitem a piedade de outros sem lembra-luz que qualquer coisa mais que conformidade exterior precisa vir de Deus, leva-as ou a desesperar-se da transformação espiritual ou a negar sua necessidade” p. 306
A carne nunca melhora, mensagens que começam com esforço próprio começam na nossa natureza carnal do eu. A culpa cancelada por esforço ou mudança de comportamento gera somente legalismo e orgulho.




2. Lendo  toda a Escritura sob a luz do Evangelho.


Devemos buscar uma leitura da bíblia sagrada, seja do primeiro e do segundo testamento a luz da obra e vida de Jesus Cristo. 


Como ensina Greidanus:



"A igreja do Novo Testamento pregava o nascimento, o ministério, a morte e a ressureição e a exaltação de Jesus de Nazaré como cumprimento das antigas promessas de aliança com Deus, sua presença hoje no Espírito e seu iminente retorno. Em suma, pregar Cristo significava pregar Cristo encarnado dentro do contexto do pleno escopo da história da salvação" Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento,  p. 18

Citando Calvino, que ensina que:

"Devemos ler as escrituras com o propósito expresso de encontrar Cristo nelas. Aquele que se desviar desse objetivo, embora possa se afadigar a vida inteira no aprendizado, jamais alcançará o conhecimento da verdade, pois que sabedoria podemos encontrar sem a sabedoria de Deus? p. 259

Encontrar Cristo é ir além do método moralista, é buscar a boa nova no texto e revelar Cristo em todo texto.

O método moralista/religioso se concentra assim:

1. História.
2. Princípio Moral
3. SEJA: faça, seja, mude ou discipline-se

Uma aproximação cristocêntrica leva o texto até Cristo, e promove a boa nova, começa-se também com uma exegese gramatical histórica do texto, ou seja, entende-se o seu contexto histórico da escrita e sua  interpretação para os ouvintes atuais.

1. história
2. princípio moral.
3. incapacidade humana.
4. história de Jesus diante daquele princípio
5. vitória em Jesus para aquele princípio.

Ou como ensina Greidanus:

um sermão cristão sobre um texto do Antigo testamento necessariamente irá na direção do Novo Testamento. Isso é óbvio quando o texto contém uma promessa que é cumprida em Cristo: o pregador não pode parar na promessa, mas, naturalmente, irá prosseguir com o sermão até o seu cumprimento. O mesmo ocorre quando o texto contém um tipo que é cumprido em Cristo: o sermão vai do tipo para o antítipo. Isso também acontece quando o texto relata um tema que é mais desenvolvido no Novo Testamento, no sermão, o pregador vai do tema do AT para seu desenvolvimento mais completo no NT p.263



Jesus é o grande herói da Bíblia e não eu ou você, como Timothy Keller coloca:

Jesus é o verdadeiro e melhor Adão, que passou pelo teste no jardim e cuja obediência é imputada a nós.Jesus é o verdadeiro e melhor Abel que, apesar de inocentemente morto, possui o sangue que clama, não para nossa condenação, mas pela absolvição.Jesus é o verdadeiro e melhor Abraão que respondeu ao chamado de Deus para deixar todo o conforto ea família e saiu para o vazio sem saber para onde ia, para criar um novo povo de Deus.Jesus é o verdadeiro e melhor Isaque, que foi não somente oferecido pelo Seu Pai no monte, mas foi verdadeiramente sacrificado por nós. E quando Deus disse a Abraão: "Agora eu sei que você me ama, porque você não poupou o seu filho, teu único filho a quem você ama de mim," agora podemos olhar para Deus levando Seu Filho até a montanha e sacrificá-lo e dizer: "Agora sabemos que nos ama, porque você não poupou o seu filho, teu único filho, a quem você ama de nós."Jesus é o verdadeiro e melhor Jacó que lutou e sofreu o golpe de justiça que merecemos, por isso, como Jacó, só recebêssemos as feridas da graça para nos despertar e disciplinar.Jesus é o verdadeiro e melhor José que, na mão direita do rei, perdoa àqueles que o venderam e traíram e usa seu novo poder para salvá-los.Jesus é o verdadeiro e melhor Moisés que se põe na brecha entre o povo e Deus e que é mediador de uma nova aliança.Jesus é a verdadeira e melhor Rocha de Moisés que, golpeada com a vara da justiça de Deus, agora nos dá água no deserto.Jesus é o verdadeiro e melhor Jó, sofredor verdadeiramente inocente, que então intercede e salva os seus tolos amigos.Jesus é o verdadeiro e melhor Davi, cuja vitória torna-se a vitória do Seu povo, apesar deles nunca terem movido uma única pedra para conquistá-la.Jesus é a verdadeira e melhor Ester que não apenas arriscou deixar um palácio terreno, mas perdeu o definitivo e divino, que não apenas arriscou sua vida, mas deu sua vida para salvar seu povo.Jesus é o verdadeiro e melhor Jonas que foi expulso na tempestade, para que nós pudéssemos ser trazidos para dentroJesus é a verdadeira Rocha de Moisés, o verdadeiro Cordeiro pascal, inocente, perfeito, desamparado, sacrificado para que o anjo da morte vai passar sobre nós. Ele é o verdadeiro templo, o verdadeiro profeta, o verdadeiro sacerdote, o verdadeiro rei, o verdadeiro sacrifício, o verdadeiro cordeiro, a verdadeira luz, o verdadeiro pão.A Bíblia não é realmente sobre você - é sobre ele.

segunda-feira, outubro 19, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento 4

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Lutero.
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Sola Scriptura


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"Os ensinamentos dos pais são úteis somente para conduzir-nos às Escrituras como eles foram conduzidos, mas depois devemos manter-nos somente nas Escrituras" p. 133

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A Sola Scriptura liberta a Escritura da sujeição da tradição eclesiástica e declara que a Escritura é a autoridade final na interpretação.

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Lei e evangelho.

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Para Lutero, o principal papel do Antigo Testamento para os cristãos é negativo: torna as pessoas conscientes de sua total incapacidade de obedecer perfeitamente às leis de Deus, a fim de merecer salvação. (p. 137)

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A lei revela a doença, o evangelho ministra o remédio.

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" é um mau costume tratar os evangelhos e as epístolas como se fossem livros de lei, dos quais devemos ensinar o que os homens devem fazer, apresentando as obras de Cristo como nada mais que exemplos ou ilustrações ....Cuidado para não transformar Cristo em Moisés, como se ele nada mais tivesse para nós além de preceitos e exemplos, como outros santos... Devemos subir muito mais alto que isso, embora esse tipo melhor de pregação tenha sido pouco praticado nesses muitos anos. A coisa principal e fundamental no evangelho é esta: antes de se tomar Cristo como exemplo, é necessário reconhecê-lo e aceitá-lo como o dom de Deus para você, de forma que , quando o vir ou ouvir em qualquer de suas obras ou sofrimentos, você não duvide, mas creia que ele , o próprio Cristo, com essa obra ou esse seu sofrimento, é verdadeiramente seu, para que você dependa com tanta confiança como se a obra tivesse sido feita por você...Veja, isso é entender o evangelho de modo certo, ou sej, a infinita graça de Deus...Esse é o poderoso fogo do amor de Deus para conosco, mediante o qual ele torna confiante, feliz e contente a nossa consciência . Isso é pregar a fé cristã. Isso é que faz da nossa pregãção um evangelho, ou seja, boas-novas, felizes, de conforto e alegria"

( Lutero, Chuch Postil, in p. 139)


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"Lutero pregou o evangelho da graça de Deus, ou seja, Jesus Cristo é dom de Deus - sola gratia-, um presente que só podemos receber pela fé - sola fide-. Ele insiste também em Sola Scriptura, ou sea, as Escrituras são a única ( ou final) norma para a vida e a pregação, libertando-as, assim, do domínio da tradição da igreja, para que elas interpretem a si mesmas" p. 145

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Calvino

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"Lutero se preocupava principalmente com a questão da salvação e focalizava a justificação pela fé em Cristo. Consequentemente, encontrar Cristo no Antigo Testamento tornou-se prioridade para Lutero. Calvino, embora afirmasse a justificação pela fé em Cristo, tem um ponto de vista mais amplo, que é a soberania e a glória de Deus. Essa perspectiva mais ampla capacita Calvino a se satisfazer com as mensagens bíblicas sobre Deus, a história da redenção e aliança de Deus , sem necessariamente focalizar essas mensagens em Jesus Cristo" p. 148

"Ao comentar as palavras de Jesus "Examinai as Escrituras... e são elas mesmas que testificam de mim (Jo. 5:39), Calvino escreve: "Devemos ler as Escrituras com o intuito de encontrar Cristo nelas. Quem se desviar desse objetivo, embora se canse durante toda a vida no esforço de aprender jamais alcançará o conhecimento da verdade, pois que sabedoria pode haver sem a sabedoria de Deus?" p. 154
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O evangelho não suplantou toda a lei de forma a trazer outra espécie de salvação. Pelo contrário, ele confirmou e satisfez tudo que a lei havia prometido, dado substância às sombras. Ao comentar Mateus 5.21, Calvino declara: "não devemos imaginar Cristo como um novo legislador que acrescente qualquer coisa à justiça eterna do Pai. Devemos ouvi-lo como fiel expositor, para que saibamos qual a natureza da lei, qual o seu objetivo e qual a sua extensão" p. 155
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O terceiro uso da lei
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"Que seria não somente revelar nosso pecado ou restringir os atos de pecado na sociedade. "O terceiro e principal uso, que pertence mais intimamente ao propósito da lei, encontra seu lugar entre os crentes em cujo coração o Espírito de Deus já vive e reina... Eles já tiram proveito da lei nas duas maneiras. Aqui está o melhor instrumento para que aprendam mais completamente a cda dia a natureza e vontade do Senhor a que aspiram, e confirmá-los no seu entendimento dela... Por outro lado, porque não precisamos apenas do ensino como também da exortação, o servo de Deus também se imbuirá do benefício da lei: pela frequente meditação nela para ser despertado à obediência, ser fortalecido nela e ser trazido de volta do caminho escorregadio da transgressão"" p. 136
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Salmo 2:7
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Na verdade, Davi podia com todo acerto ser chamado de filho de Deus em razão de sua dignidade real.. Davi foi gerado por Deus quando sua escolha para ser rei foi claramente manifestada.
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Cristo está presente no Antigo Testamento como Logos eterno, como promessa e como tipo.
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Promessa e cumprimento.
Calvino procura o cumprimento progressivo da profecia. as principais possibilidades de cumprimento são: primeiramente, cumprimento nos tempos do Antigo Testamento, segundo, na vinda de Cristo, terceiro, na igreja contemporânea e, finalmente, na segunda vida de Cristo. (p. 166)
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Spurgeon
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O grande objetivo do ministério cristão é a glória de Deus. Quer as almas se converteam, quer não, se Jesus Cristo for fielmente pregado, o pregador não terá trabalhado em vão, pois é um aroma suave a Deus como também aos que perecem e aos que são salvos. Contudo, como regra, Deus nos enviou para pregar, a fim de que mediante o evangelho de Jesus Cristo os filhos dos homens possam se reconciliar com ele" p. 177
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As jornadas de Israel do Egito para a Canaã são alegoria de nossa peregrinação cristã da escravidão do pecado (egito) para a libertação por meio de Cristo (páscoa) e conversão ( passar o mar vermelho), para as dificuldades e tentações e os triunfos (deserto) até a vida cristã vitoriosa( canaã)" p. 183
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Capítulo 5- Princípios do Novo Testamento para a pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento.
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Perigo do Cristomonismo.
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"A ênfase cristocêntrica da pregação luterana...tem sido distorcida de modo tão desproporcional, ainda que não intencionalmente, que, para o povo sentado nos bancos da igreja, o evangelho essencial, a revelação e ato redentor de Deus em Cristo, perderam-se. Aceitar a Cristo como Salvador pessoal aparentemente tem pouco ou nada a ver com Deus" p. 206
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A pregação de Jesus tem como objetivo a glória de seu Pai.
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"Os escritores do Novo Testamento não pensavam em apresentar Cristo como uma alternativa para Deus, como um objeto de culto cristão suficiente em si mesmo... A adoração que pára nele e não passa por ele indo até Deus, o tudo em todos, no final fica aquém do culto cristão" p. 208
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John Piper: "O grande desígnio e a intenção do ofício de pregador cristão é restaurar o trono e o domínio de Deus na alma dos homens. É isso o que as pessoas levam consigo da adoração nos dias atuais? Um sentido de Deus, uma nota de graça soberana, um tema da glória panorâmica, o grande objeto do ser infinito de Deus? Elas entram por uma hora por semana... na atmosfera da santidade de Deus que deixa seu aroma sobre a vida delas durante toda a semana? Os escritores do Novo Testamento, assim como o próprio Jesus, nos ensinam claramente que a pregação centrada em Cristo tem de ter com alvo a glória de Deus "p. 209
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A influência dos métodos judaicos de interpretação
Peshat- um tipo literalista de exegese ...o significado natural do texto é aplicado à vida das pessoas - em particular na aplicação da legislação deuterômica"
Targun uma paráfrase ou tradução explicativa
Midrash- uma exposição de uma passagem cuja finalidade é destacar a relevância do texto sagrado para o presente momento
Pesher - uma interpretação mais centrada do que midrash, refere-se à exposição de textos que vê neles cumprimento escatológico na era atual.
Tipologia - interpretação que vê correspondência etnre pessoas e acontecimentos do passado e do futuro (ou presente).
Alegoria- uma forma mais extrema de midrash que considera o texto como uma espécie de código ou cifra que deve ser decodificado para se chegar ao significado mais profundo.
os únicos exemplos claros são de 1Coríntios 10:1-4, Galátas 4:22-31 e, provavelmente, 2Coríntios 3:7-18
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Mateus 1:17
Devemos saber que 14 é o valor numérico do nome Davi no hebraico, ou seja, DVD. Mateus começa traçando a linha da história redentora com Abraão e o número 14 na linha de gerações é o próprio grande rei Davi. Mas três coisas vêm abaixo aqui: o próprio numero 14 - Jeconias, o cativo 1Cr 3.17- se encontra em exílio na Babilônia. O reino pode ter acabado, mas pelo menos a casa de Davi está viva. Mais gerações vão e vem e, novamente, chegamos a outro número 14, outro Davi, Jesus , que se chama o Cristo (1.15). .(p.219).
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"A tipologia do Novo Testamento é assim essencialmente o traçar dos constantes princípios da operação de Deus através da História, revelando um ritmo recorrente na História passada que é assumido mais plena e perfeitamente nos acontecimentos do Evangelho" p.244
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Complexidade na tipologia
Sobre Romanos 5:2 - "Na confusão universal causada por ele, Adão é, para Paulo, um typos, uma apresentação anterior, pela qual Deus intima o futuro Adão, ou seja, Cristo, em sua obra universal de salvação...O termo typos pode ser a forma vazia que faz uma impressão oposta sobre outro material. Paulo pode adotar o termo, conhecido por ele já no sentido de um molde original, como uso técnico consoante com o significado básico" p. 245
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Sobre Hebreus- "a tipologia é uma relação comparativa que é arranjada qualitativamente em vez de quantitativamente. O tipo não é essencialmente uma versão em miniatura do antítipo, mas uma prefiguração em diferente estágio da história redentora que indica a estrutura ou os fatores essenciais- skia-parabole- eikon- da realidade futura" p. 252
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Capítulo 6: O método cristocêntrico
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"Devemos ler as escrituras com o propósito expresso de encontrar Cristo nelas. Aquele que se desviar desse objetivo, embora possa se afadigar a vida inteira no aprendizado, jamais alcançará o conhecimento da verdade, pois que sabedoria podemos encontrar sem a sabedoria de Deus?
Calvino, Comentário de João 5:9, na p.259
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Toda pregação bíblica deve começar com a exegese histórico-gramatical do texto, com tudo que isso inclui...Qualquer que seja a mensagem legítima para os ouvintes de hoje, deverá surgir de seu significado original e permanecer fiel a ele (p.260)
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A fim de descobrir o significado original e histórico de uma passagem o pregador tem que fazer justiça a três fios entrelaçados do texto: o literário, o histórico e teocêntrico... A mensagem original do autor e a necessidade de seus ouvintes são relacionadas como uma flecha e um alvo. A necessidade de Israel naquele tempo era o alvo que o escritor do Antigo Testamento procurava atingir com sua mensagem...
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Entender a mensagem no contexto do cânon e da história redentora...um sermão cristão sobre um texto do Antigo testamento necessariamente irá na direção do Novo Testamento. Isso é óbvio quando o texto contém uma promessa que é cumprida em Cristo: o pregador não pode parar na promessa, mas, naturalmente, irá prosseguir com o sermão até o seu cumprimento. O mesmo ocorre quando o texto contém um tipo que é cumprido em Cristo: o sermão vai do tipo para o antítipo. Isso também acontece quando o texto relata um tema que é mais desenvolvido no Novo Testamento, no sermão, o pregador vai do tema do AT para seu desenvolvimento mais completo no NT. (p. 263)
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Essencial para a pregação expositiva...O tratamento do texto de tal modo que seu significado real e essencial, conforme existia na mente daquele autor bíblico em particular e conforme existe à luz do contexto geral de todo Escritura, fique claro e seja aplicado às necessidades dos leitores do dias atuais. A pregação expositiva requer três movimentos básicos: 1. determinar o significado original, 2. o significado do contexto de todo o canon e 3. a aplicação desse significado para os nossos ouvintes atuais. (p.264)

quarta-feira, setembro 16, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento 3


A história da pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento.

"Qualquer pessoa que leia as Escrituras com atenção descobrirá nelas a palavra sobre Cristo...pois Cristo é o tesouro escondido num campo...ele foi escondido, foi simbolizado por tipos e expressões parabólicas que no nível humano não poderiam ser compreendidos antes da consumação daquilo que foi profetizado, ou seja, a vinda de Cristo"

Irineu, Contra as Heresias, 4,26,1 p. 87

Interpretação alegórica.

permite ir além do signifcado literal, histórico, de uma passagem, para um suposto sentido mais profundo.
Irineu (c. 130-200)


Para ele, o fundamento da hermeneutica é que Cristo constitui o centro da Escritura, a Bíblia é um livro sobre o Salvador. O tema fundamental da Bíblia é o plano de salvação.


As idéias de dispensações capacita Irineu a mover-se além dos limites de simplesmente descobrir Cristo no AT para também considerar o significado da passagem para Israel. ele escreve que Deus levantou profetas na terra....esboçando, como um arquiteto, o plano da salvação para aqueles que o agradassem. E ele mesmo forneceu direção aos que contemplavam não no Egito, enquanto aos rebeldes do deserto, ele promulgou uma lei muito aplicável à sua condição. Aqui, vemos Irineu dando o primeiro passo em direção ao que um dia seria chamado de interpretação histórica.
De acordo com A.S. Wood, Irineu deduziu dois princípios hermenêuticos da unidade da Escritura: O primeiro é a harmonia da Escritura. O segundo é o princípio da analogia pelo qual é permitido à Escritura agir como seu próprio intérprete" p.95
Em oposição à interpretação alegórica dos gnósticos, Irineu sugere ainda outro princípio heremeneutico: os pregadores devem ter como alvo a interpretação comum, simples, óbvia do texto da Bíblia.




A Escola de Alexandria



A interpretação alegórica foi desenvolvida primeiramente na Grécia no sec. 3o. a.C.


"John Breck mostra como a escola filosófica grega que se originou com Platão inspirou a interpretação alegórica preferida pelos alexandrinos: ao opor o ambito eterno da verdade ao mundo historico da matéria, os herdeiros da filosofia platônica tinham a tendência de desvalorizar o conceito de História e, consequentemente, o arcabouço histórico da revelação...A interpretação de acontecimentos históricos consiste em discernir seu sentido espiritual ou seja, o significado mais profudno da realidade eterna, celestial, que se expressa na vida humana. Declarado como um princípio hermenêutico, o objetivo é discernir o significado escondido de um aconteciemnto, expondo a verdade eterna nele inserida" (p. 98).
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Clemente de Alexandria 150-215
foi o primeiro a acrescentar o metodo alegórico de Filo aos métodos de exegese já existiam.
"Como Filo, Clemente ensinava que a Escritura tinha um significado duplo; Análogo ao ser humano, ela tem um significado de corpo - literal- como também um significado de alma- espiritual- por trás do sentido literal" p. 99
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Orígenes 185-254
"A abordagem de Orígenes está muito mais arraigada numa teologia da encarnação e numa visão sacrametal de mundo...Cristo, o Logos, comunica-se conosco de três modos encarnacionais, com seu corpo historico e ressureto, com seu corpo, a igreja e com seu corpo das Escrituras, cujas letras recebem vida pelo Espírito Santo" (Thiselton, in p. 101)
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"Antes do advento de Cristo, não era completamente possível demonstrar provas concretas da inspiração divina das antigas Escrituras, enquanto que a sua vinda levou aqueles que poderiam suspeitar que a lei e os profetas não eram divinos `a clara convicção de que eles foram compostos com o auxílio da graça celestial " Origenes, First Principles, 4,1,6 in p. 101

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O problema da pregação alegórica é que eles prociuram a relaçãocom Jesus em algum detalhe um tanto incidental pra tratamento como metafora, e ñão o resto da história. A tendencia de buscar o texto e faze-lo adequar a homília.

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Interpretação tipológica

Escola de Antioquia

a principal diferença entre a tipológica e alegórica é a forma como a história da redenção funciona na interpretação, Embora, a alegórica não negue a história redentora, ela não desempenha papel importante na interpretação da Escritura. A tipológica requer a história redentora, porque a analogia e o desenvolvimento progressivo entre tipo e antitipo são feitos dentro da história redentora. Como disse K. J. Woolcombe: "A exegese tipologica é busca por elos entre acontecimentos, pessoas ou coisas dentro da estrutura historica da revelação, enquanto o alegorismo é a busca de um significado secundário e escondido subjacente ao sentido principal e obvio de uma narrativa" p. 110
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Teodoro de Mopsuéstia (350-428)

utiliza a interpretação gramatica-historica. Ele focaliza o sentido natural e literal, procura determinar o sentido historico original de uma passagem.

"Até mesmo quando o NT cita um texto do AT, ele pode ser apenas ilustrativo em vez de uma indicação do sentido messiânico; até Os. 11.1 diz ele não faz referência a Cristo, apesar de Mt. 2,15

Teodoro foi chamado de judaizante- porque ele entendia o AT dentro de seu sentido historico e se recusavaa ler as doutrinas cristãs nele, como estava sendo feito cada vez mais em seus dias. p. 113

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João Crisóstomo (347-407)

O tipo recebe o nome de verdade até que a verdade esteja prestes a vir, mas quando vier o verdadeiro, o nome não é mais usado. Semelhante , na pintura: um artista desenha um rei, mas até que as cores sejam aplicadas ele não é chamado de rei, quando as cores são vestidas, o tipo é escondido pela verdade, e não é mais visível, e dizem então: Eis o Rei. (p.115)

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Intepretação Quádrupla

literal-histórico, moral, místico e escatológico.

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Agostinho 354-430

"o objetivo do escritor desses livros sagrados, ou seja, o Espírito de DEus que nele habita, é não apenas documentar o passado, mas também retratar o futuro, no que concerne à cidade de DEus, pois aquilo que for dito daqueles que não seus cidadãos é dado para sua instrução, ou como enigma para enfeitar sua glória" p. 123

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João Cassiano (360-435)

1. sentido liteiral, que ensina os fatos historicos. Jerusalém- cidade em Israel

2. sentido alegorico, que mostra que os fatos da historia prefiguram a forma de outro mistério - fé = Jerusalém- a igreja de Cristo

3. sentido tropológico ou moral, que oferece explicação moral pertinente à purificação da vida - amor.= Jerusalém - a alma da pessoa

4. sentido anagógico, que tem a ver com mistérios espirituais, que surgem para segredos mais sublimes e sagrados do céu- esperança= Jerusalém-a cidade celestial de Deus.

"O maná pode ser visto, literalmente, como alimento dado milagrosamente aos israelitas; alegoricamente, como bendito sacramento da Eucaristia, tropologicamente, como o sustento espiritual da alma dia após dia pelo poder da habitação do Espirito de Deus, e anagogicamente, como o alimento das benditas almas no céu, a Visão beatífica e união perfeita com Cristo" p. 125


domingo, julho 19, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento - 2


Capítulo 2- A necessidade de pregar Cristo a partir do Antigo Testamento.


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A tentação da pregação centrada no homem.

"Note que no primeiro ponto a luta particular de Jacó se transforma na luta de toda pessoa- é o erro da generalização, ou universalização. Note, além disso, que a luta física de Jacó é transformada em nossa luta espiritual com Deus - esse é o erro da espiritualização- Note que no segundo ponto, a transformação de Jacó é substituida pelo nosso chamado para a transformação- esse é o erro da moralização-. p.52

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"Deve-se enfatizar que nenhum sermão torna-se Palavra de Deus para a igreja cristã se estiver falando apenas do AT sem estar ligado ao Novo. Em todo sermão surge do texto do AT, deve haver referência ao resultado no Nt da palvra do AT" p. 59

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Os autores do NT repetem vez apos vez as conexões: as promessas do AT são cumpridas no novo, os tipos do AT encontram seu cumprimento nos antítipos do Novo, os temas do AT, tais como reino de DEus, aliança, redenção, conquanto ainda passando por dramáticas transformações, continuam no NT. Todos esses elos demonstram a unidade entre os dois testamentos. Todos esses elos são baseados, afinal, no fato de que a história redentora de DEus é uma só peça" p. 65

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O antigo testamento deve ser interpretado da perspectiva do novo.

"o fato da progressão na história da salvação exige um ouvir sempre renovado da palavra do Senhor falada num momento anterior da história da salvação. Esse ouvir deverá ser novo porque é ouvir dentro do contexto dos acontecimentos e das circunstâncias na história que ocorreram depois" p. 69

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Marcos.

"Kingsbury pergunta sobre o motivo pelo qual Marcos situa sua historia do ministerio terreno de Jesus dentro de um contexto da historia que corte do tempo a profecia do AT até o final dos tempos. Ele responde porque...quer propor a afirmação de que era exatamente o ministerio de Jesus o eixo central para toda a atividade de Deus com a humanidade "p. 77

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Mateus

o significado de Jesus está profundamente arraigado na historia de Israel no AT, tão profundamente que as bençãos prometidas para Israel no AT só encontram cumprimento nele. Ele é israel, a personificação representativa do verdadeiro Israel , como tambem seu rei" p. 78

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se o AT realmente evidencia Cristo, então só somos pregadores fiéis quando fazemos justiça a essa dimensão em nossa interpretação e pregação do AT

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um Cristo sem AT- teríamos um Cristo afastado do amplo pano de fundo do sofrimento humano e da ação redentora de Deus, o pano de fundo da justiça de DEus e de sua ira, seu amor e sua santidade p. 82

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O NT o saudo a Jesus como Messias e Filho de homem, descrevendo-o como servo sofredor, contudo, em nenhum explica o significado desses termos...sem o conhecimento do AT, na verdade, é impossivel entender o significado da obra de nosso Senhor, como os escritores do NT o viam" p. 83

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domingo, julho 12, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento.



Capitulo 1- PREGAR A CRISTO E PREGAR O ANTIGO TESTAMENTO


"A igreja do Novo Testamento pregava o nascimento, o ministério, a morte e a ressureição e a exaltação de Jesus de Nazaré como cumprimento das antigas promessas de aliança com Deus, sua presença hoje no Espírito e seu iminente retorno. Em suma, pregar Cristo significava pregar Cristo encarnado dentro do contexto do pleno escopo da história da salvação" p. 18
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"pregar Cristo como sendo pretar sermões que integrem de modo autêntico a mensagem do texto com o climax da revelação de DEus na pessoa, na obra e no ensino de Jesus Cristo, conforme relevado no Novo Testamento" p. 24
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Sobre a necessidade de pregar a partir do Antigo Testamento.
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"Como um pastor cristão pode esperar alimentar o rebanho numa dieta espiritual equilibrada se negligencia, completamente, os 39 livros das Escrituras Sagradas dos quais Cristo e todos os autores do Novo Testamento receberam seu próprio alimento espiritual" p. 30
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"Como os gnósticos, Marcion tinha uma visão dualista do universo, em que o mundo material é mau e o espiritual, bom. Um bom Deus - puro Espirito- não poderia ter criado este mundo material. p. 34
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Bultmann acreditava que : "Para a fé cristã, o Antigo Testamento não é mais a revelação como foi antigamente, e ainda é, para os judeus. Para a pessoa que se encontra dentro da igreja, a historia de Israel é um capitulo fechado....a historia de Israel não é nossa história e, no tocante a Deus ter mostrado sua graça nessa historia, essa graça nao foi intencionada para nós...para nós a historia de Israel não é a história da revelação. Os acontecimentos que tinham significado para Israel, que eram a Palavra de Deus nada mais significam para nós... Para a fé cristã, o Antigo Testamento não é, no verdadeiro sentido, Palavra de Deus" p.37
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"apesar dessas grandes dificuldades, há muitas razões para os pastores pregarem a partir do Antigo Testamento: 1. o AT faz parte do canon cristão. 2. ele revela a historia da redenção que conduz a Cristo 3. ele proclama verdades que não são encontradas no NT. 4. ele nos ajuda a entender o NT 5. ele evita uma compreensão errada do NT e 6. ele oferece uma compreensão mais completa de Cristo" p. 41
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"Só no AT é que aprendemos que Deus criou os seres humanos à sua imagem e semelhança para ter comunhão com ele e uns com os outros, com um mandado de desenvolver e cuidar da terra. Só no AT é que recebenmos um retrato da queda humana no pecado, resultando em morte, divisão e inimizade entre a semente da milher e a semente da serpente. Só no AT é que ouvimos sobre a eleição de Abraão e de Israel como ponto de partida para a restauração de seu reino sobre a terra. Só no AT é que encontramos detalhes sobre a aliançã de Deus com Israel, as dez palavras da aliança- O Decalogo- as bençãos e as maldições. Só no AT é que ouvimos falar sobre a vinda do Messias e sobre o Dia do Senhor" p. 44
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"O AT mangém o evangelho fiel à História. É a defesa mais segura contra assimilação de filosofias e ideologias estranhas, contra uma fuga para uma piedade sentimental e puramente fora da realidade deste mundo, e contra aquele individualismo degradante que tão facilmente nos assedia" p. 48

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Pregando Cristo


“A pregação centrada em Cristo é muito mais específica do que a pregação centrada em Deus”.
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Das recentes palestras sobre “Pregando Cristo a partir das narrativas de Gênesis”.

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No início de meu ministério, preguei uma série de sermões em Eclesiastes. Um sermão após outro, um pregador aposentado me dizia: “Eu apreciei seu sermão, Sid, mas eu me pergunto: “Será que um rabino poderia ter pregado seu sermão em uma sinagoga?” Esta imagem ficou gravada nitidamente em minha cabeça. O meu sermão era distintivamente cristão? Eu tinha pregado Cristo?Hoje reconheço que mesmo com um doutorado em interpretação bí­blica e pregação, eu não sabia como pregar a Cristo com integridade a partir de Eclesiastes, e eu nem estava muito preocupado em como fazê-lo. Minha maior tarefa, eu penso, era fazer justiça ao texto escolhido, e evitar distorcer as Escrituras. Não seria su­ficiente pregar sermões centrados em Deus? Cristo, afinal, é Deus. Mas pesquisas e reflexões poste­riores me convenceram que a “prega­ção centrada em Cristo” é muito mais específica do que a “pregação centrada em Deus”. De acordo com o Novo Testamento, pregar a Cristo não é o mesmo que pregar a Deus de maneira geral, mas significa pregar Cristo encarnado, Jesus de Nazaré, como o clímax da revelação própria de Deus. Como João explica, “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo 1.18).
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A Necessidade de se Pregar Cristo
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A necessidade de se pregar Cristo é claramente comunicada no Novo Tes­tamento. Em primeiro lugar, Jesus or­denou que seus discípulos pregassem sobre ele. Após sua ressurreição, Jesus ordenou a seus discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.19-20).Em segundo lugar, devemos pregar Jesus Cristo porque ele é o caminho da salvação. Jesus disse para Nicodemus: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). De fato, Jesus disse que ele é o único caminho da salvação. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6; cf. Jo 17.3; At 4.12). Em terceiro lugar, deveríamos pregar explicitamente a mensagem de Jesus Cristo em nossa cultura pós­cristã. Na antiga cultura cristã, pregadores podiam pressupor que os seus ouvintes indistintamente iriam fazer conexões entre a mensagem do sermão e Jesus. Mas ninguém pode partir dessa hipótese em uma cultura pós-cristã. Se de alguma maneira as pessoas ainda pensam em alcançar a Deus, elas são inclinadas a pensar que existem muitos caminhos para ele. Os cristãos seguem um caminho, os judeus seguem outro, e os mulçumanos, ainda outro. No final das contas, todos se encontram no mesmo topo da montanha. Mas, se a Bíblia está correta, existe apenas um caminho até Deus: Jesus Cristo. Portanto, é crucial que em cada sermão nós explicitamente preguemos Jesus Cristo.
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O Significado de “Pregar Cristo”

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Mas o que significa “pregar Cristo?” O entendimento mais comum de “pregar Cristo” é pregar a pessoa e a obra de Cristo - a obra é costumeiramente en­tendida como o trabalho ungido de Je­sus. Esta definição ampla é baseada no Novo Testamento. Embora Paulo te­nha dito: “Nós pregamos Cristo cruci­ficado” (1Co 1.23), suas cartas deixam claro sua igual preocupação em pregar o Cristo ressurreto (1Co 15.4), em pregar “Jesus Cristo como Senhor” (2Co 4.5), e pregar a Segunda Vinda de Jesus (1Ts 3.13-18). Mas mesmo esta definição da pregação da pessoa e/ou a obra de Jesus Cristo é muito limitada para que possamos pregar Cristo em todos os sermões com integridade. Muitos textos de sabedoria do Antigo Testamento não podem ser legitimamente ligados a pessoa ou obra de Jesus. Deveríamos acrescentar à nossa definição de “pregar Cristo” um elemento a mais: o ensino de Jesus. Em seu mandado missionário, o próprio Jesus nos ordenou que passássemos adiante seus ensinamentos: “Fazei discípulos de todas as nações..., ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.20). João reiteirou a importância do ensino de Jesus: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que per­manece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho” (2Jo 9). Portanto, quando pensamos em pregar Cristo, deveríamos incluir o ensino de Cristo a respeito de tópicos tais como Deus, o reino de Deus, o próprio Jesus e sua missão, salvação, a lei de Deus, e nossa responsabilidade e missão. Em conformidade com isso, sugiro a seguinte definição: “Pregar Cristo a partir do Antigo Testamento significa pregar sermões que autenticamente integram a mensagem do texto com o clímax da revelação de Deus na pessoa, obra, e/ou ensino de Jesus Cristo como são revelados no Novo Testamento”.[1]Quando o texto contém uma pro­messa sobre o Messias que está por vir, os pregadores podem fazer este movimento de modo direto. Eles automaticamente relacionam a promessa com o cumprimento. Por exemplo, quando pregamos em Isaías 61, “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim,” não nos atemos apenas ao significado do texto para os ouvintes de Isaías, mas prosseguir adiante até o seu cumprimento em Jesus (Lc 4) e seu significado para os ouvintes contemporâneos. Do mesmo modo, quando pregamos que Deus redimiu Israel da escravidão do Egito, não deveríamos nos ater apenas à mensagem para Israel, mas deveríamos prosseguir adiante na história da redenção até o ato redentivo final de Deus em Jesus e em sua mensagem para a igreja aqui e agora.
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Os caminhos para a pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento
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Estudando tanto o Novo Testamento quanto a história da pregação, cheguei a conclusão de que existem sete caminhos legítimos para relacionar o Antigo Testamento a Jesus. Eles são: (1) a progressão histórico-redentiva, (2) promessa-cumprimento, (3) tipologia, (4) analogia, (5) temas longitudinais, (6) referências neotestamentárias, e (7) contraste.[2]Se o texto pregado é o relato da criação de Gênesis 1.1-2.3, as opções estão limitadas porque o relato descreve o estado anterior a queda. Além disso, os pregadores podem chegar a Jesus através das referências do Novo Testamento: João 1.1-5 faz menção a Gênesis 1 e fala de Jesus como a Palavra de Deus pela qual todas as coisas foram criadas. João continua no verso 14, “A palavra se fez carne,” o que pode ser relacionado com Filipenses 2.6-7, onde Paulo fala de Cristo Jesus, “o qual, sendo o próprio Deus ... esvaziou-se a si mesmo tomando a forma de servo”.Se o texto bíblico fala sobre os eventos posteriores à queda como, por exemplo, a narrativa de Abel e Caim em Gênesis 4, os pregadores podem chegar até Cristo por uma variedade de caminhos:
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Pelo caminho da progressão histórico-redentiva, traçando a batalha entre a semente da serpente e a semente da mulher, a partir de Caim versus Abel, do Egito versus Israel, indo para Canaã versus Israel, para Herodes versus Jesus, para Satanás versus Jesus, para o Mundo versus a igreja, até a derrota final de Satanás (Ap 20.10) e a vitória de Cristo.
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Pelo caminho da tipologia Abel-Cristo: Abel, a semente da mulher que foi morto pela semente da serpente, é um “tipo” de Jesus Cristo, a Semente da mulher que seria morto por Satanás.
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Pelo caminho da analogia: assim como Deus assegurou a Israel que ele preservaria o seu povo da aliança na história humana (veja Gn 4.25-26), Jesus assegura sua igreja que “as portas do inferno não pre­valecerão sobre ela” (Mt 16.18).
Traçando o tema longitudinal da semente da mulher a partir de Sete, a “semente” que substituiu o martirizado Abel (4.25), até Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Judá, Davi, e finalmente até Jesus Cristo, a Semente da mulher.
Usando referências neotestamentárias como Hebreus 12.24 ou João 3.11-13 como uma ponte para Cristo.
Para os textos de sabedoria do Antigo Testamento a opção pela analogia combinada com as referências neotestamentárias pode ser uma abordagem frutífera se o pregador identificar um ensino similar de Jesus, o rabi que pensava em parábolas como um homem sábio do passado. Por exemplo, ao pregar sobre “Não te fatigues para seres rico... Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus” (Pv 23.4-5), é possível usar analogia para se chegar ao ensino similar de Jesus, “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam” (Mt 6.19). Ou, pregando em Eclesiastes com os seus freqüentes refrões sobre a vaidade, um pregador pode usar a opção do contraste: em razão da ressurreição de Jesus, a vida humana não é vaidade. Isto pode ser baseado pelas palavras finais de Paulo em seu capítulo sobre a ressurreição: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58). O fato é que no contexto histórico-redentivo mais amplo é possível se fazer justiça à mensagem original do texto da pregação, e pregar a pessoa, obra e ensino de Jesus, sem distorcer as Escrituras. A pregação cristrocêntrica não se opõe à pregação teocêntrica. Se feita corretamente, a pregação cristrocêntrica expõe o verdadeiro coração de Deus.
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[1] Esta definição é de meu livro, Preaching Christ from the Old Testament (Grand Rapids: Eerdrmans, 1999), p.10.[2] Para uma explicação detalhada disto veja Preaching Christ from the Old Testament., 203-77
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Dr. Sidney Greidanus

Professor de Pregação no Calvin Theological Seminary em Grand Rapids, Michigan.Este artigo, traduzido por Adrien Bausells, foi extraído da revista Forum (primavera de 2003, p. 3-4), publicada pelo Calvin Theological Seminary.