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sábado, janeiro 10, 2009

Vocação Espiritual do Pastor

Redescobrindo o chamado ministerial
Ed. Mundo Cristão

Dois movimentos de Jonas

O primeiro movimento na história mostra um Jonas desobediente; o segundo o mostra como profeta obediente. Em ambos, Jonas fracassa. Nós nunca vemos um Jonas bem-sucedido. Ele nunca acerta. Acho isso um tanto reconfortante. Jonas não é um modelo a ser seguido, um modelo que mostra minha ineficiência; esse é um treinamento de humildade, uma humildade bem alegre, em vez de servil.

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Fuga para Társis


E por que Társis? Bem, para começar, é bem mais empolgante do que Nínive, que era um lugar antigo coberto por uma história arruinada e infeliz. Ir à Nínive para pregar não era uma missão cobiçada por um profeta hebreu com boas recomendações. Társis, entretanto, era outra história. Era um lugar exótico. Uma aventura. Társis tinha o encanto do desconhecido enfeitado com detalhes barrocos de fantasia e imaginação. Nas referências bíblicas, Társis era "um porto distante e às vezes idealizado". O livro de 1Reis 10:22 relata que a frota de Salomão ia a Társis pegar ouro, prata, marfim, macacos e pavões. O estudioso de línguas semíticas, Cyrus H. Gordon, diz que na imaginação popular ela era "um paraíso distante".Shangri-lá.


Esse escapismo exótico é bem familiar. Deus oferece a homens e mulheres uma vocação e os chama para realizarem uma obra. Nós respondemos a essa iniciativa divina, mas humildemente pedimos para escolher o destino. Seremos pastores, mas não em Nínive, faça o favor! Vamos experimentar Társis. Em Társis, podemos ter uma carreira religiosa sem termos de lidar com Deus. (p. 27)


Pornografia Eclesiástica
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Existe uma tendência generalizada de nos esquivarmos das condições; mais comumente, essa fuga é alcançada ou por um encantamento artificial da igreja ou por seu repúdio. Fico muito ressentido quando pessoas tentam me atrair até Társis, pintando o trabalho pastoral como servir de sacerdote para os turistas do Mar Religioso — admirando as paisagens das Ilhas Gregas, parando em Roma para um tour pelas ruínas e museus, e finalmente chegando à lendária Társis.
Esse encantamento artificial da igreja é pornografia eclesiástica — tirando fotos ou pintando quadros de congregações que não têm mancha ou mácula, algo que só existe em umas poucas igrejas por alguns curtos anos. Estes quadros exibidos de maneira provocante não possuem relacionamentos pessoais. Os quadros atiçam a cobiça por domínio, gratificação e por uma espiritualidade impessoal e sem envolvimento. Minha própria imagem de uma congregação desejável era lapidada por tal pornografia um templo com uma torre alta e uma congregação banal. Fico espantado e alarmado que, mesmo tendo parado há muito de olhar as revistas e cartazes nas paredes da minha imaginação vocacional, ainda estou vulnerável à sedução.
O repúdio da paróquia ocorre mais repentinamente, muitas vezes pela imaginação de estruturas alternativas. Quantos de nós, no final de um longo dia de trabalho, sonhamos em começar um centro de retiro para ser freqüentado apenas por famintos e sedentos, ou em formar comunidades onde apenas pessoas muito motivadas podem entrar, ou em escapar para um seminário ou universidade onde as complexidades do pecado e os mistérios.

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Depois de tudo...

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Deus realiza seus propósitos por meio de quem realmente somos, com nossa desobediência impetuosa e nossa obediência impiedosa, e generosamente usa nossa vida tal como encontra para realizar sua obra.
Ele faz isso de tal maneira que é quase impossível para nós recebermos crédito por ela, mas também de tal maneira que em algum lugar no caminho ficamos surpreendidos com as vitórias que ele realizou, no mar e na cidade, onde desempenhamos nosso estranho papel de Jonas. (p. 39)


FUGINDO DA TEMPESTADE
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"No momento em que as palavras são usadas sem oração e pessoas são tratadas sem o acompanhamento da oração, algo de essencial na vida começa a vazar. Foi a percepção desse vagaroso vazamento, a perda de espírito, que produziu minha sensação de crise" (p.59)
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"A redução da alma ao simples eu, seguido de uma remoção manipulada de Deus do centro e do fundamento, tornou possível o diagnóstico do eu - ja que todo misterio havia desaparecido- e a fabricação de uma religião precisamente adequada para a satisfação das necessidades do eu, mas que deixava de lado toda a complexidade e delicadeza do relacionamento de Deus com o homem" (p. 61)
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"Dinheiro, um poderoso elemento na autonomia humana, tem um papel-chave em cada história, Jonas usa uma grande quantia para comprar uma passagem para Társis, e o interesse no dinheiro faz com que o capitão do navio despreze o conselho de Paulo. O poder do dinheiro desaparece na tempestade. Resta agora um único poder: Deus- e salvação de Deus. (p. 70)
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"A tempestade expõe a futilidade de nosso trablaho - como Jonas- ou o confirma - como Paulo-. Nos dois casos, a tempestade nos faz cientes de que nosso trabalho se constitui de Deus, ele retira qualquer sugestão de que, em nosso trabalho, podemos evitar ou controlar Deus. Uma vez que isso esteja estabelecido, estamos prontos para aprender sobre a espiritualidade adequada a nossa vocação, trabalhando verdadeiramente, sem temor, sem ambição ou ansiedade, sem negação ou preguiça" (p. 72)
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NO VENTRE DO PEIXE.
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Existem três condições de tensão para o serviço pastoral, que necessitam serem constantemente pensadas e oradas: a instituição que me ordena, a congregação que me chama e o ego chamado e ordenado.
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Eugene Peterson compara o ventre do peixe a um momento de askesis, um isolamento proporcionado por Deus das condições acima dispostas e de seus poderes ilusórios, para uma reavaliação do chamado e da vocação.
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Para ele a askesis "não é uma tecnologia espiritual ao nosso dispor, mas, ao contrário, é uma imersão num ambiente onde nossas capacidades são reduzidas a nada ou quase nada e ficamos à mercê de Deus para que ele possa moldar sua vontade em nós" (p.89)
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A retomada da sacralidade do sábado santo ajudaria neste sentido, é o evento menos celebrado, como também é a askesis.
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a regra da askesis é a seguinte:


sábado, dezembro 22, 2007

It's a Wonder-Full Life


It's a Wonder-Full Life
It takes a special kind of birth to grab the world's attention.

quarta-feira, outubro 03, 2007

O Pastor Contemplativo














Ao dirigir a igreja, uso linguagem descritiva e motivacional. Quero que as pessoas sejam informadas para que não haja mal-entendidos. Pretendo também que as pessoas sejam motivadas para que os objetivos venham a ser alcançados. Mas, na cura de almas tenho interesse muito maior em saber quem são as pessoas e quem elas estão se tornando em Cristo, do que naquilo que sabem ou fazem. Neste aspecto, percebo que nem a linguagem descritiva nem a motivacional é de grande ajuda.
(p.. 74)

A cura das almas é uma decisão de trabalhar no âmago das coisas, onde somos mais nos mesmos e onde nossos relacionamentos em fé e intimidade são desenvolvidos. A linguagem principal deve ser, portanto, para e com, a linguagem pessoal do amor e da oração. (p. 75)


"O resultado feliz da compreensão teológica das pessoas como pecadoras é que o pastor fica livre da surpresa constante de que elas são de fato pecadoras. Isto nos capacita a atender a admoestação de Bonhoeffer:'Um pastor não deve queixar-se da sua congregação, certamente nunca a outras pessoas, mas, também, não a Deus., A congregação não lhe foi confiada para que ele se torne seu acusador diante de Deus e dos homens". Pecador então não se torna uma arma num arsenal de condenação, mas a expectativa da graça. Ser simplesmente contra o pecado é uma base pobre para o ministério pastoral. Ver, no entanto, as pessoas como pecadoras- como rebeldes contra Deus, que não atingem o alvo, que se afastam do caminho- estabelece uma base para o ministério pastoral que pode prosseguir alegremente por estar anunciando o grande ato de Deus em Jesus Cristo " para os pecadores" (p.138)


Eugene Peterson O Pastor Contemplativo Ed. Textus

sábado, setembro 15, 2007

Coma este livro!


O caráter autoral das Sagradas Escrituras foi estabelecido como pessoal nas figuras do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele era pessoal e por isso era também relacional, o que significava que a leitura é também relacional, o que significava que a leitura e a audição das Escrituras exigia participação pessoal e relacional. Esse fato foi acompanhado pelo reconhecimento de que essas Escrituras, nas quais Deus estava revelando tudo o que Ele é, também incluíam tudo que nós somos: há uma participação pessoal e abrangente de ambos os lados, do autor e do leitor.

Eugene Peterson, Coma este livro, p. 28

sexta-feira, agosto 10, 2007

Sabedoria


vivemos num ethos cristão que conhece sua perspectiva de salvação pela Bíblia e tem sua perspectiva do mundo pelas notícias de jornal. p. 74



se o ministério cristão se resume apenas ao trabalho de pastores e das pessoas que os auxiliam nos cultos noturnos e de fins de semana, não há muita integridade em orar "Venha o teu Reino, há?" p. 81


PETERSON, Eugene Diálogos de Sabedoria Ed. Vida

sábado, maio 12, 2007

Chega de Genérico


No ato de crer na criação, aceitamos o que Deus faz, nos inserimos nele e nos sujeitamos ao que ele realizou a continuar a realizar. Não somos expectadores da criação, mas participantes dela. p. 69



Quando nada do que podemos fazer resolve e quando nos vermos perdidos e de mãos vazias, estamos prontos para deixar Deus criar.
p. 81

O grande amor de Deus por nós e seus propósitos para conosco são concretizados nas bagunças das cozinha e do quintal, nas tempestades e nos pecados, no céu azul, no trabalho diário e nos sonhos de nossa vida comum. Deus trabalha conosco do jeito que somos, e não como devemos ser ou imaginamos que devemos ser. Deus lida conosco no lugar onde estamos, e não onde gostaríamos de estar.
p. 93
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A Trindade não é uma tentativa de explicar ou definir Deus por meio de abstrações (ainda que, em parte, seja isso também), mas um testemunho de que Deus se revela pessoal, em relacionamentos pessoais. A conseqüência prática desse fato é que Deus nos resgatou das especulações dos metafísicos e nos trouxe ousadamente para uma comunidade de homens, mulheres e crianças chamados a ter essa vida comum de amor, uma vida extremamente pessoal, na qual experimentam a si mesmos em termos pessoais de amor, perdão, esperança e desejo.
Descobrimos, sob a imagem da Trindade, que não conhecemos Deus ao defini-lo, mas ao sermos amados por ele e ao correspondermos a esse amor. As conseqüências são pessoalmente reveladoras: outra pessoa não vem a me conhecer, nem eu a outrem, pela definição, explicação, categorização ou "psicologização", mas de modo relacional, ao aceitar e amar, dar e receber. Os aspectos pessoais e interpessoais oferecem as imagens centrais (Pai, Filho, Espírito Santo) tanto para conhecermos Deus quanto para sermos conhecidos por ele. Isso é viver, e não pensar sobre viver; é viver com alguém, e não desempenhar funções para alguém. p. 16

PETERSON, Eugene H. A Maldição do Cristo Genérico Editora Mundo Cristão

segunda-feira, novembro 06, 2006

Transpondo Muralhas: a vida de Davi

PETERSON, Eugene H. Transpondo Muralhas: Reflexões sobre a vida de Davi Ed. Habacuc, 2004.


“A coisa mais importante que uma pessoa pode fazer por outra é verificar o que existe de mais profundo no outro, despender tempo, e ter discernimento para ver o que há no interior do outro, quem a pessoa realmente é, e,então, reafirmar isso pelo reconhecimento e encorajamento” Martin Buber in p. 81


“O deserto ensinou Davi a ver beleza em toda parte. O deserto foi a escola que ensinou a Davi quanto à preciosidade da vida; por inicio das provações que ali viveu, Davi aprendeu a encontrou Deus em lugares onde antes jamais imaginaria. O deserto mergulhou Davi em belezas tão profundas que a pequenez de uma vingança pessoal se tornou impensável. O deserto treinou Davi em lealdade tão profunda que seria impossível a quebra de um juramento. O deserto mostrou a Davi a presença de Deus até mesmo numa lasca de rocha insignificante, para que nada, e evidentemente ninguém,viesse a ser tratado por ele com escárnio ou desdém” p. 109

“O moralismo é a morte da espiritualidade. É uma forma de encarar as coisas que coloca toda a ênfase no desempenho pessoal. Funciona a partir da convicção de que existe uma justiça nítida, que somos capazes de discernir, achar melhor e executar, em cada uma das diversas circunstancias. Isso coloca toda a carga da nossa espiritualidade naquilo que fazemos. Deus é marginalizado. O moralismo esmaga o nosso espírito. Nele não há misericórdia.” p. 135

“O deserto por si mesmo, nada faz acontecer, Davi e Saul estavam no deserto. Saul como perseguidor de Davi, obcecado em sua caçada, com a vida se resumindo a um desejo de matar. Entretanto, Davi corria para Deus e se encontrava em suas orações de refugio em Deus, maravilhado, tomado de gloria, desperto e aberto para o generoso amor de Deus, o Deus que nos faz bem com sua Palavra” p.112

“As historias do deserto são narrativas referentes a tentação e provação. O deserto é lugar de provação, o lugar da tentação. O deserto é selvagem. Nada nele é, por natureza, domado e domesticado. Os recursos da civilização a que estamos acostumados não se encontram ali, e a vida se resume inteiramente a sobrevivência” p.106

"Quando vivemos uma vida correta a nossa experiÊncia com Deus é compartilhada com as pessoas que conhecemos e que vimos a conhecer. Elas experimentam um pouco do experimentamos com Deus." p.145

Golias e Doegue, filisteus e amalequistas são explicitamente definidos como inimigos. Sabemos o que pretendem. Sabemos que neles não podemos confiar. Mas Abner e Joabe? Só porque eles acham que estão do nosso lado, achamos também que estejam. Mas essa conclusão não tem respaldo bíblico. Temos que estar atentos a Abner e Joabe. Pois os meios são importantes. A obra de Deus não pode ser realizada de outro modo senão pelos meios usados por Deus. Exploração de pessoas (Abner) e violência (Joabe) não são meios de Deus p.171

A extrema tentação pode ser uma traição.

Fazer coisa certa, mas sendo errônea a razão.

A força normal que foi dada ao pecado original.

Resultou , em nossas vidas, no pecado venial

T.S. Eliot


“Uzá ignorou (desafiou!) a orientação mosaica e substituiu-a pela ultima inovação tecnológica dos filisteus- uma carroça de bois, de preferência (1Sm 6). Uma carroça de bois bem projetada é inegavelmente mais eficiente para transportar a arca do que levitas. Mas também é impessoal- é a substituição de pessoas consagradas por uma maquina eficiente, o impessoal tomando lugar do pessoal. Uzá é o santo padroeiro daqueles que adotam a tecnologia sem qualquer analise, sem levar em conta a natureza do que é sagrado. Uzá estava encarregado (achava ele assim) de Deus e era sua intenção continuar no controle. A conseqüência desse tipo de vida é a morte, pois Deus não se deixa manejar. Não tomamos conta de Deus, é Deus quem toma conta de nós” p.195

Alexander Whyte sobre Mical: “aqueles que não ouvem, sempre menosprezam os que dançam” p.199

“Uma corrente com desvio de doutrina tem-se manifestado em nossos dias, dizendo que as orações de louvor têm preeminência sobre todas as outras. Isso não é verdade como também é altamente antibíblico. Na oração modelo que nos legou, Jesus nos preparou para pedirmos: no Pai Nosso, há seis petições e nenhum agradecimento” p. 205

“É preciso coragem, coragem imensa, para abandonar o controle, para abrir mão de nossa posição de prestígio tão recentemente conquistada, para largar nossos trabalhos e simplesmente sentar aos pés de Jesus” p. 213

“A história de Davi é uma história de evangelho, Deus fazendo por Davi o que Davi não poderia fazer por si mesmo. De um pecador salvo. É uma história que se completa com a de Jesus, que demonstra quem é Deus ao buscar o doente, o rejeitado e o perdido” p.266

“Em determinado dia, não temos a menor idéia do sentido de Deus para as nossas vidas e, no dia seguinte, já o temos. Pensávamos que Ele estivesse ausente, e Ele está bem presente. Porque nada foi dito, achamos que nada foi feito, mas muito se fez; só que de maneira sutil e silenciosa. É assim na ressurreição. E, muitas e muitas vezes, é assim na vida” p. 286